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Clínica de grandes animais

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sinais clínicos observados em diferentes graus de desidratação. Todos os cálculos de reposição serão feitos de acordo com a porcentagem de desidratação.
	Sinais Clínicos
	Desidratação
	
	5-7,5%
	7,5-10%
	10-12,5%
	( 12,5% *
	Tugor Cutâneo
	2-4 s
	5-8 s
	9-12 s
	( 12 s
	TPC
	2-3 s
	3-4 s
	4-5 s
	( 5 s
	Enoftalmia
	ausente
	Leve a moderada
	Moderada a severa
	Severa
	Estado mental
	deprimido
	Deprimido a semicomatoso
	Semicomatoso a comatoso
	Coma
	Atitude
	Estação / decúbito esternal
	Decúbito esternal
	Decúbito lateral
	Decúbito lateral
	Extremidades frias
	-
	+
	++
	+++
	Tº Corporal
	Normal a (
	(
	((
	(((
	FR
	Normal a (
	(
	((
	( ou (
	FC
	Normal a (
	(
	((
	( ou (
	Umidade do muflo
	++
	+ 
	-
	-
	Hematócrito
	(
	((
	(((
	((((
	PPT
	(
	((
	(((
	((((
	Densidade urinária
	(
	((
	(((
	((((
Nota: desidratação inferior a 5% não é detectável clinicamente.
* Choque hipovolêmico.
Plano Terapêutico
Repor as perdas hidroeletrolíticas (déficit);
Repor as perdas concomitantes (40-60ml/Kg/dia);
Repor o requerimento para manutenção diária (5% PV);
Avaliar os processos patológicos que provocam os déficits (choque, ingesta diminuída, perda aumentada, condições de má distribuição).
Obs: Pacientes com comprometimento cardiovascular devem ser tratados como emergência.
Volume de reposição = % de desidratação clínica x Peso Vivo
Ex:
10% de desidratação;
200Kg de peso vivo
10% x 200 = 10/100 x 200 = 20 litros.
Déficit = 20 litros.
Perda concomitante: 40 a 60ml/Kg/dia (24h)
Ex: 50 x 200 = 10.000ml = 10 litros
Reposição = Déficit + manutenção + perda concomitante;
Se não houver perda concomitante, deve-se somar apenas o déficit e a manutenção.
Ex: Em um eqüino macho, PSI, pesando 400kg com os seguintes sinais clínicos: desconforto abdominal, com dor abdominal intensa, freqüência respiratória de 40resp/min, freqüência cardíaca de 60bpm, tempo de perfusão capilar de 3 a 4,5, retorno do pregueamento da pele de 6,5 e discreta enoftalmia. Os dados laboratoriais indicaram VC de 50%, PPT de 9mg/dl, o diagnóstico é de torção de cólon á esquerda. Estipule um plano de fluidoterapia para esse animal:
R: Grau de desidratação = 10%
Déficit: 10% x 400 = 40l
Manutenção: 5% x 400 = 20l
Perda concomitante: 60 x 400 = 24.000ml = 24l
Reposição total: 40l + 20l + 24l = 84l/dia (24h).
Após 24 horas o cálculo deve ser refeito.
Vias de administração:
Oral (5-10L em intervalos de 2 a 3 h): Só deve ser feito se não houver comprometimento gástrico ou intestinal (por sonda naso-gástrica de preferência). Usada principalmente para veiculação dos líquidos de manutenção. Em eqüinos não se usa via oral para animais com diarréia, já em bovinos pode ser utilizada.
Retal (soluções mornas e isotônicas para não alterar a temperatura corporal): Não é muito eficiente, a velocidade de infusão deve ser lenta. Essa via deve ser evitada.
Subcutânea: Em animais jovens e pequenos;
Intraperitonial: Não é muito usada, o risco de contaminação é muito alto.
Intravenosa (De eleição): Em eqüinos as jugulares, torácica-lateral, cefálica e metacarpiana são as vias usadas, em bovinos usa-se a jugular, mamária e auricular, se houver necessidade pode-se usar a coxígea. Os cateteres intravenosos podem ser classificados em:
Cateteres agulhados (“butterfly”): úteis para administração a curto prazo, apresentam alto risco de punção do vaso cateterizado, saem da veia facilmente e causam flebite freqüentemente.
Cateteres de veias periféricas (“Abocath”): permitem fluidoterapia por até 72h, há risco de trombose e infecção.
Cateteres de veias centrais (“Intracath”): permitem infusão de grandes volumes a velocidades rápidas, permitem administração de soluções viscosas, permitem retirada de sangue, permitem medição da pressão venosa central.
Escolha de Fluido
Tipos:
Cristalóides: - Solução Salina 0,9% (0,9% de cloreto de sódio) – não é fluido mais apropriado para administração na maioria das situações clínicas, pois possui níveis de Na e Cl mais altos do que o plasmático. Só se usa em caso de alcalose, nos outros casos usa-se associado com ringer.
Soluções poliônicas (Ringer, ringer lactato, eletrolítica balanceada), São as mais utilizadas nos casos de desidratação.
Quando se desconhece a causa deve-se dar preferência ao ringer ou a eletrolítica balanceada. O ringer com lactato é alcalinizante, porque o lactato se transforma em solução alcalinizante.
Solução de glicose 5% - Importante para neonatos; Em eqüinos adultos é bom para fonte de energia e para animais desequilibrados. Deve-se usar a glicose isotônica, se usar a hipertônica, devemos em seguida colocar a isotônica por no mínimo 2 horas.
Solução Salina Hipertônica (SSH) – restitui o volume vascular e o desempenho cardiovascular (choque, queimados). A solução hipertônica atrai o líquido para dentro do vaso, deve ser feita muito lentamente, pois causa hemólise, podendo levar a confusão mental.
4-6ml/Kg em no mínimo de 15 minutos (seguir com isotônicas por 2 h)
Reações adversas – hemólise local e ataxia transitória;
Contra-indicações – Hipocalemia (causa caliurese), Privação hídrica, Intoxicação por sal, Insuficiência renal.
Solução de bicarbonato de sódio – Para casos claros de acidose, a confirmação laboratorial é quase necessária.
Sinais como o aumento da Freqüência respiratória, aumento da freqüência cardíaca, depressão, apatia e choque podem indicar o uso.
Obs: Diversos processos metabólicos orgânicos não funcionam em pH abaixo de 7.0
Reposição de bicarbonato = bicarbonato sérico x 0,3 x Peso Vivo (mEq/l)
50g= 596mEq (em 1l);
Bicarbonato normal Eqüino = 22-26mEq;
Bicarbonato normal Bovino = 24mEq;
Se não houver hemogasometria a terapia com HCO3ˉ não deve exceder 1-2 mEq por kg de PV.
Ex: 22 – 9 x 0,3 x 400 = 13 x 0,3 x 400 = 1560mEq/l.
Um frasco vem com 1l = 596mEq
Dar 2,5l
Ex2: 200kg, Bicarbonato sérico = 12 mEq/l
22 – 12 x 0,3 x 200 = 3 x 200 = 600mEq/l
1l = 596 mEq
Exercício:
Um bovino HPB, fêmea com 4 meses, pesando 150kg apresenta um quadro clínico de diarréia líquida profusa, com 10% de desidratação. O exame hemogasométrico arterial revelou os seguintes dados:
pH: 7,35;
PaCO2: 20mm/hg;
PaO2: 100mm/Hg;
HCO3ˉ: 15mEq/l.
Tracem um plano de fluidoterapia: quantidade do fluido, tipo do fluido.
Valores normais no bovino:
pH: 7,47;
PaCO2: 36mm/hg;
PaO2: 103mm/hg;
HCO3ˉ: 24mEq/l
Cálculo de Déficits:
Déficit de Na⁺ = Na⁺ (normal) – Na⁺ (animal) x 0,3 x PV
Déficit de K⁺ = K⁺ (normal) – K⁺ (animal) x 0,4 x PV
1g KCl = 13,4mEq
1 ampola de KCl 19,1% = 1,9g = 27mEq
Na prática = ½ ampola de KCl para cada litro de soro
Vel. 0,5mEq/Kg/Hr IV.
Oral:40-50g/dia
Cálculos:
Déficit: Peso do animal x % de desidratação = 150 x 10/100 = 15l
Manutenção: 5% do peso do animal = 5/100 x 150 = 7,5l
Perdas concomitantes: 40 – 60ml x peso do animal = 40 x 150 = 6000ml = 6l.
Reposição de bicarbonato: déficit de HCO3ˉ (normal sérico – valor apresentado) x 0,3 x peso do animal: HCO3ˉ = (24 – 15) x 0,3 x 150 = 9 x 0,3 x 150 = 405 mEq/l.
Plano de fluidoterapia: 15l + 7,5l + 6l = 28,5l.
O animal deve receber 28,5l de solução a cada 24h, devendo este volume ser calculado todo dia a cada reposição, devido a variação da % de desidratação que ocorre de acordo com o tratamento.
Como o animal apresenta diarréia profusa e baixa de HCO3ˉ (o que ocasiona um quadro de acidose), deve ser feita a reposição de HCO3ˉ e pode-se utilizar uma solução alcalinizante – como o ringer com lactato.
Colóides – Expansores plasmáticos (repõem o volume sanguíneo e a hipoproteinemia).
Dextran (1-2l)
Plasma (20ml/kg) – recomendado para proteínas abaixo de 4mg/dl.
Velocidade de infusão:
Quanto mais severa for a desidratação, mais rápido deve ser feito a reposição. Assim, a máxima velocidade de administração de fluidos sem

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