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Clínica de grandes animais

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aumento na atividade microbiana
	Elevada produção, rápido crescimento, possível acidose rumenal crônica, depressão da gordura do leite, laminite crônica, cetose, condição de gordura excessiva.
	Nível extremamente elevado de concentrados subitamente, baixa ingestão de forrageiras
	pH 4 – 5.5, aumento no AGV, ácido láctico aumentado.
	Acidose Rumenal Aguda.
	Níveis normais de ingestão de forrageiras, concentrados ricos em proteína, ou suplementação com uréia.
	pH 6.5 – 7.5, AGV reduzido, aumento da amônia
	Alcalose rumenal, possível toxidez pela uréia.
Timpanismo Ruminal
Definição: Presença de gás no rumem (causa dilatação no flanco esquerdo do abdome). O conteúdo rumenal divide-se em três camadas:
Camada superior - gás.
Camada média - material fibroso (sólido).
Camada inferior - líquido com material em fermentação (libera gás que devido ao movimento secundário do rumem – crânio-caudal – irá subir, sendo excretado na eructação).
Etiologia
Timpanismo espumoso - raro nos trópicos:
Ocorre quando o animal ingere leguminosas (ex: alfafa, trevo vermelho, trevo branco) ou pastagem de trigo (industrializada não causa problemas) que formam espuma no rumem, impedindo a união das bolhas de ar e a sua expulsão pelo movimento secundário do rumem. O gás fica preso, não permitindo a sua estratificação normal.
Timpanismo por gases livres - alimentação:
Causado por dietas que levam à produção excessiva de gases e concomitantemente ao baixo pH ruminal (excesso de alimentação rica em concentrados - alimentos que fermentam excessivamente).
Timpanismo por gases livres - eructação:
Causado pela ausência de eructação devido a causas extra-ruminais de acumulação gasosa (por exemplo: obstrução esofágica, anestesia em animal sem jejum, imobilização por muito tempo).
Sinais Clínicos
Grau de dilatação variável – pode estar discreto, sendo quase imperceptível.
Sintoma de cólicas – menos intenso do que no cavalo (que pode até morrer de dor). O ruminante fica prostado, apático, olha para o flanco, apresenta respiração ofegante. O rumem com timpanismo pressiona demais as vísceras, causando dor.
Postura estirada – assume essa postura na intenção de distender o abdome abrindo espaço para as outras vísceras.
Respiração laboriosa
Respiração com boca aberta – angústia aguda
Membranas mucosas cianóticas – a distensão do rumem comprime a área do diafragma e do coração.
Colapso – morte em 24h no máximo.
Diagnóstico Diferencial
Prenhez avançada – o timpanismo dilata o abdome muito mais no lado esquerdo e não em ambos, como na prenhez.
Condições hidrópicas do útero – presença de muco uterino.
DAE e DAE – deslocamento do abomaso à direita e a esquerda.
Síndrome da indigestão vagal – deficiência do nervo vago, levando a hipofuncionalidade dos pré-estômagos.
Ascite – é mais ventral, o timpanismo tem localização mais dorsal e a esquerda.
Peritonite difusa – geralmente causada por rompimento do útero ou de alça intestinal. Também produz gás dentro do abdome (pelas bactérias anaeróbias), causa distensão do abdome e na ausculta não se identifica o som das vísceras, apenas som timpânico.
Patologia Clínica
Coleta de suco ruminal – sonda orogástrica (em eqüinos é nasogástrica).
Se a sonda não passar – existe obstrução.
Se passar, mas não sair gás – provavelmente é timpanismo espumoso.
Se sair gás – timpanismo por gases livres (sairá 60-70% do gás).
Presença ou ausência de espuma – pode definir a etiologia.
pH (6 - 6.8) – dependendo da alimentação.
Fisiopatologia
Processo auto-perpetuante – depois de instalado, não se resolve sozinho.
Inibição reflexa da motilidade
Receptores de estiramento de baixo limiar – aumentam as contrações cíclicas dos pré-estômagos e com o tempo perde o estímulo de contratibilidade.
Estimulação dos receptores de estiramento de elevado limiar – leva a inibição da motilidade.
Certo grau de estiramento da parede ruminal: As subseqüentes contrações são impedidas.
Timpanismo espumoso – nos trópicos é mais raro, pois as pastagens não são de leguminosas.
Retenção de gases da fermentação dentro da massa de material ingerido – os gases que se formam não conseguem subir, ficando presos no líquido ruminal: A tendência dos AGV’s é subir, formando os gases. As pequenas bolhas costumam se unir, formando bolhas maiores que saem com a eructação. Quando há formação da espuma (conteúdo espumoso), esta impede que o gás formado suba, mantendo-o preso no líquido ruminal, levando a distensão do rumem.
Os gases não conseguem ascender e formar uma camada gasosa dorsal – portanto não saem com a eructação.
Causado por dietas de leguminosas vistosas (recém cortadas: alfafa, feno de alfafa, trevo vermelho e trevo branco – as industrializadas não) ou de pastagens de trigo no inverno.
Presença da ingesta espumosa impede o relaxamento reflexo da cárdia durante as contrações secundarias que levariam a eructação.
Tratamento:
Medicamentos à base de dimeticona e siliconados (blotrol, timpanil, panzinol, luftal e rumenol).
Drogas que aumentem o peristaltismo, para expulsar o conteúdo que está gerando o timpanismo: metoclopramida (plasil), fibrostigmine, pilocarpina. Sua eficiência é lenta. Cuidado com seu uso, pois estimulam o SNC, podendo excitar o animal.
Ruminotomia e limpeza manual (esvaziar o conteúdo) são processos cirúrgicos, acompanhados de anestesia. Usados em casos mais graves.
Trocater não funciona neste caso, pois apenas elimina os gases livres, e neste caso os gases estão presos na espuma.
Timpanismo por concentrado
Sintomas similares aos causados por ingestão de leguminosas.
Causado pelo uso de rações ricas em concentrados, leva ao timpanismo por gases livres.
O pH ruminal fica mais baixo (acidose).
Timpanismo por gases livres
Ocorre após o consumo maior de concentrado do que aquele já adaptado ao animal.
Fermentação leva a produção inicial de elevadas concentrações de AGV´s (ácidos graxos voláteis) e o pH ruminal cai para menos de 5.3.
Produção de acido lático.
A velocidade de produção de AGV´s e acido lático pode exceder a capacidade de absorção.
O ácido lático é fracamente absorvido pelo rumem em comparação com os AGV´s.
Elevadas concentrações de AGV´s e acido lático indissociados e o resultante pH baixo, inibem reflexamente as contrações cíclicas.
Leva ao acúmulo de gases.
Causas extra pré-estomagos
Obstrução do esôfago.
Timpanismo postural – animal que fica preso por muito tempo (imobilizado).
Hipocalcemia – leva a deficiência na contratilidade muscular com isso a musculatura rumenal e intestinal ficam hipotônicas e sem motilidade.
Dor – leva a hipotonia de rumem.
Anestesia geral.
Medicamentos – a xilazina é um dos medicamentos mais acusados de causar timpanismo.
Acidose Ruminal Aguda
Definição: Aumento repentino da acidez ruminal (queda no pH pela produção de AGV’s e ácido lático), normalmente relacionado a alimentação. Leva a morte em 24h no máximo, se não tratar. Também chamada de Acidose Lática Ruminal.
Ocorrência
Ingestão excessiva e abrupta de alimentos ricos em carboidratos e proteínas, que sejam prontamente fermentáveis (milho, concentrados).
Fisiopatogenia
Uma alimentação normal, baseada em volumoso (verde), promove um pH ruminal entre 6 e 7. Aumentando a quantidade de carboidratos e proteínas da dieta, aumenta a produção de AGV’s, que em quantidades normais são absorvidos e sofrem gliconeogênese no fígado.
Quanto mais carboidratos e proteínas o ruminante ingerir, maior a fermentação (formando gases) e mais ácido fica o pH (pela formação de AGV’s e ácido lático). Ocorre uma modificação na flora ruminal, levando a proliferação de microrganismos mais adaptados ao novo pH. Com isso ocorre modificação na fermentação, levando a produção excessiva de gases, aumento da temperatura, os ácidos levam à transtornos de mucosa (fica espessa, enegrecida e pode ficar ulcerada) - facilmente identificáveis na necropsia.

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