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História do jornalismo
Prof. Me. Dirceu Luiz Hermes
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 Uma história breve do jornalismo no Ocidente
 Autor: Jorge Pedro Sousa
 Universidade Fernando Pessoa
 e Centro de Investigação Media & Jornalismo
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História e gênese do jornalismo
1. A gênese do jornalismo situa-se na Antiguidade Clássica, havendo uma retoma na Idade Moderna, graças ao Renascimento, ao desenvolvimento do espírito iluminista da Ilustração e à satisfação das necessárias condições técnicas (tipografia de Gutenberg,
 fábricas de papel...) e sócio-económicas (alfabetização, capital, iniciativa privada e empreendedorismo...);
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2. A notícia é o dispositivo determinante e identificador do jornalismo e dos fenômenos pré-jornalísticos e os critérios de noticiabilidade têm-se mantido relativamente estáveis ao longo do tempo
 (“essencialmente, é notícia o que era notícia”), apesar da ampliação
 do leque do noticiável, que também se nota;
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3. O discurso pré-jornalístico e jornalístico (conteúdos e formatos), em todos os tempos, tem uma natureza sócio-cultural, englobando, neste quadro, a ideologia, pelo que indicia o mundo e as circunstâncias da época em que foi produzido, mas também sofre a influência desses e de outros factores, nomeadamente da acção pessoal de quem o elabora e das potencialidades e limites dos dispositivos técnicos usados para o configurar.
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4. A liberdade de imprensa, conquistada na Inglaterra seiscentista, foi fundamental para o jornalismo e para o papel deste nas sociedades ocidentais contemporâneas;
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5. A industrialização da actividade jornalística permitiu o aparecimento de um corpo profissional de jornalistas, mas desde o século XVII que havia “gazeteiros”, “periodistas”, que viviam da elaboração de notícias, tal com havia “empresários” da comunicação social. A profissionalização dos jornalistas no século XIX corresponde, basicamente, à reformatação de um modelo cuja estrutura, inclusivamente, já existia na Antiga Roma;
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6. Perceber as teorias contemporâneas do jornalismo implica compreender a forma como o jornalismo evoluiu e os desafios permanentes ao estabelecimento de fronteiras entre o que é e o que não é jornalismo.
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Souza aborda..
a gênese do jornalismo a partir dos fenômenos pré-jornalísticos ocorridos na Antiguidade ou mesmo na pré-história.
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1 Fenômenos pré-jornalísticos no mundo antigo
o jornalismo vai buscar a sua origem mais remota aos tempos imemoriais em que os seres humanos começaram a transmitir informações e novidades e a contar histórias, quer por uma questão de necessidade (nenhuma sociedade, mesmo as mais primitivas, conseguiu sobreviver sem informação), quer por entretenimento, quer ainda para preservação da sua memória para gerações futuras (o que, simbolicamente, assegura a imortalidade).
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A invenção da literatura e os seus contributos
para a gênese do jornalismo
o primeiro grande fenómeno que contribuiu para fixar a matriz do que veio a ser o jornalismo proveio dos antigos gregos. Aliás, é graças aos gregos e, posteriormente, aos romanos, que temos hoje em dia a Civilização Ocidental (somos filhos de Atenas e de Roma!).
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A Grécia
Gerou a:
a) filosofia
b) democracia 
c) sistema jurídico
e) as primeiras ciências, entre as quais a história e a geografia, e cultivou as artes (a Ilíada e a Odisseia terão sido elaboradas entre os séculos IX e VIII a. C.).
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Contributos da historiografia e de outras
modalidades de relato para a gênese do jornalismo
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É possível afirmar que o jornalismo está ligado à história, pois historiografia e jornalismo estão associados. Os resumos historiográficos feitos pelos povos antigos acerca dos factos notáveis da sua vida quotidiana e as façanhas dos seus reis são um dispositivo pré-jornalístico.
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O jornalista terá apenas substituído o historiador-cronista na tarefa de elaborar a historiografia do quotidiano.
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Os primeiros relatos historiográficos, contudo, apresentam-se muitas vezes contaminados com os mitos e lendas fundacionais que deram identidade e sentido à vida coletiva dos nossos antepassados.
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Por exemplo, na Bíblia narram-se, figurativamente, alguns episódios da história judaica, em alguns casos ocorridos vários séculos antes de Cristo, num enquadramento e estilo que podemos considerar como literário e religioso, mas também como “historiográfico” e, consequentemente, “jornalístico”, devido à indiciação de acontecimentos reais, com fins de difusão dessa informação.
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Leia-se, por exemplo, o capítulo 36, versículos 11 a 21, do Segundo Livro das Crónicas, em que se narra a destruição do Templo em Jerusalém pelos exércitos do rei babilónio Nabucodonosor. Trata-se de um relato de um acontecimento real, embora misturado com alusões religiosas, que abre com uma espécie de lead (quatro frases fortes interligadas com informação relevante), progredindo, depois, para o clímax, a narração da destruição do Templo, num estilo mais factual, o que reflecte uma estrutura piramidal, importada da literatura “escrita”, que por sua vez a terá ido buscar à “literatura oral”:
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Foi necessário esperar pelos antigos gregos para chegarmos a uma historiografia mais factual, e neste sentido mais “jornalística”, afastada das lendas, da religião e dos mitos, elaborada com intenção de verdade, com cânones expressivos importados da literatura, nomeadamente a exposição cronológica ou diacrónica (modus per tempora).
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Heródoto foi, ao que tudo indica, o primeiro autor e historiador a construir uma história de acontecimentos passados com alguma fidelidade aos factos e com intenção de desvendar as causas dos acontecimentos.
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Heródototentou elaborar uma história dos conflitos entre a Grécia e a Pérsia, ocorridos mais de um século antes de ele empreender a tarefa da sua vida. 
No entanto, Heródoto não teve a percepção de que seria necessário fazer uma crítica das ontes para construir uma história “verdadeira” dos acontecimentos passados. 
Por isso, acabou por contaminar a sua história com exageros, inexactidões, lendas e mitos.
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Roma sucedeu à Grécia no cultivo das artes, da filosofia, da retórica (o sistema jurídico romano foi o mais relevante do mundo antigo) e da política (não devendo ser esquecido que durante o período republicano Roma foi governada por um sistema “democrático”).
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Na Roma antiga, eram afixadas ou escritas em paredes ou ainda em tabuinhas mensagens que simultaneamente se podem considerar “jornalísticas” e “publicitárias”.
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As Actas romanas: primeiros “jornais”
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os veículos de índole “jornalística” que primeiro surgiram no mundo foram as Actas Diurnas (Actae Diurnae), também conhecidas por Actas Públicas, Actas Urbanas ou ainda Diurnálias. 
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“O primeiro exemplo seguro de jornalismo na história da humanidade, ainda que, como é lógico, não reúna todas as características que se exigem ctualmente, mas muitas mais do que sem os dados contrastados de uma investiação rigorosa se pudesse pensar, aparece em Roma.
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Com os instrumentos que a técnica do momento podia oferecer, procurava-se satisfazer as necessidades dos governantes, dando a conhecer à população as suas decisões, manter informados os pro-cônsules que se encontravam nas províncias distantes da urbe e alimentar a curiosidade de uma numerosaclasse dominate que necessitava da notícia e
incluso da bisbilhotice para estabelecer relações e equilibrar o poder.” (Hernando Cuadrado, 2007: 11)
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parece indicar que as actas do Senado eram secretas até Júlio César as ter tornado públicas.
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Os romanos tinham ainda um outro registo historiográfico, reservado, exclusivamente, para o registo dos grandes acontecimentos que afectavam a Cidade e o Império: os Annalis do Colégio dos Pontífices (Annalis Pontificum).
 Esses Annalis foram instituídos algures durante o período republicano, vários séculos antes de Cristo (talvez com o advento da República