A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
135 pág.
Diagnostico por imagem

Pré-visualização | Página 6 de 29

perfuração em alças intestinais (fig. 2.22). 
Radiolucência distribuída em toda a cavidade será observada. 
 
 
 Figura 2.22 – Pneumoperitônio causado por perfuração de alça intestinal em felino. 
Imagens cedidas pelas colegas Médicas Veterinárias Cristiane Elise 
Teichmann e Anelise Réquia. 
 27 
 
PNEUMOPERITONIOGRAFIA 
É o exame radiográfico no qual se injeta ar ou óxido nitroso na cavidade abdominal, 
com a finalidade de melhor avaliar a superfície serosa das vísceras. Exame pouco usado 
atualmente, graças à ultrassonografia que proporciona imagem sem invasividade. 
 
ÓRGÃOS ANEXOS 
 
PÂNCREAS 
Este órgão não é distinguido ao exame radiológico. Quando aumentado de tamanho, 
em geral por pancreatite ou tumor, poderá aparecer como uma massa deslocando as 
vísceras adjacentes. A ultrassonografia aqui, bem como no baço, proporcionará 
esclarecimento. 
 
FÍGADO 
Em projeção VD o fígado se apresenta na radiografia como uma estrutura de 
densidade água, homogênea, na região mais cranial do abdome, com forma convexa 
limitada pelo diafragma e, irregularmente côncava em sua borda caudal, em contato com o 
estômago, duodeno mais à direita e rim direito. Em projeção lateral, este órgão apresenta 
forma triangular, limitado pelo diafragma e parede abdominal ventral, tendo sua borda 
caudal formando um ângulo bem definido, ultrapassando ligeiramente o último arco costal 
(fig. 2.10 e 2.11). 
O fígado poderá apresentar-se aumentado de tamanho (fig. 2.23), ultrapassando 
significativamente o limite normal, perdendo o aspecto afilado de suas bordas, as quais 
aparecem arredondadas. Exemplos de causas de hepatomegalia são neoplasias hepáticas, 
carcinoma de ducto biliar, cirrose em sua fase aguda,, intoxicação e congestão por 
insuficiência cardíaca direita. Deslocamento caudal das estruturas adjacentes auxiliam no 
diagnóstico. Já, o fígado diminuído de tamanho, é característico de cirrose hepática. Com o 
exame ultrassonográfico será possível avaliar-se o parênquima e os limites hepáticos, 
fazendo diagnóstico o diferencial. 
 
 
 Figura 2.23 – Imagem radiográfica de 
hepatomegalia em cão. 
 
 
 
 
 28 
BAÇO 
Apresenta-se na radiografia como estrutura triangular, com a mesma densidade do 
fígado, situado no lado esquerdo do abdome, caudal ao estômago em projeção VD e 
ventralmente em projeção lateral (fig. 2.24), sendo o decúbito lateral direito preferencial, 
pela posição tomada pelo órgão, determinando boa imagem. Poderá estar aumentado de 
tamanho quando o paciente estiver sob efeito de anestésico, período pós-vacinal ou em 
casos patológicos como linfossarcoma (fig. 2.21). 
 
 
Figura 2.24 – Radiografia de abdome normal de cão, com evidência do baço (seta). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 29 
CAPÍTULO III 
 
SISTEMA URINÁRIO 
 
Este sistema compreende rins, ureteres, bexiga e uretra. Ao exame radiológico 
simples apenas rins e bexiga são visualizados, sendo que os primeiros são melhor 
distinguidos das demais estruturas da cavidade abdominal, quando há gordura no 
retroperitônio. A bexiga depende de seu conteúdo para ser identificada. 
Para adequada avaliação do sistema urinário é necessário o preparo do animal, que 
consiste na limpeza do trato digestório, sempre que as condições do paciente o permitir. 
Os rins são móveis, usualmente identificáveis na porção dorsal do abdome, em 
projeção lateral, apresentando-se parcialmente sobrepostos (fig. 3.1). No posicionamento 
VD observa-se que o rim direito se localiza mais cranialmente que o esquerdo. No cão, os 
rins têm, em média, 2,5 a 3,5 vezes o comprimento da 2ª vértebra lombar. No gato, 2 a 3 
vezes o tamanho da 4ª vértebra lombar. 
Os ureteres se estendem da pelve renal ao trígono da bexiga, na região dorso caudal 
desta, necessitando de meio de contraste para serem identificados radiologicamente. 
A bexiga é visualizada sobre o assoalho da cavidade abdominal caudal. À medida 
que se torna cheia, mais cranialmente se estende (fig.3.1). 
A uretra não é visualizada radiologicamente em condições normais, mas no canino 
macho o osso peniano indica a posição terminal desta estrutura. 
 
EXAMES CONTRASTADOS 
 
UROGRAFIA EXCRETORA 
É a técnica utilizada para melhor avaliação radiológica das estruturas do sistema 
urinário. É indicado preparo do paciente com dieta hídrica por 24 horas, laxante suave e, se 
necessário, enema morno 6 horas antes do exame, para limpeza completa do trato 
digestório. Para maior conforto do animal, o mesmo poderá ser sedado, o que não é 
imprescindível. 
Após avaliação do preparo e fatores de exposição através do exame simples, inicia-
se o procedimento da urografia excretora: via endovenosa, administra-se composto 
orgânico específico para vias urinárias, em geral à base de diatrizoato sódico e diatrizoato 
de meglumina, na dose de 3ml.kg
-1
. Ao término da administração do contraste efetua-se a 
primeira radiografia, nas incidências lateral e VD, seguindo-se de outras aos 2, 5 e 10 
minutos. Neste exame observa-se primeiramente os rins opacificados, a seguir os ureteres 
que aparecem como duas linhas radiopacas estendendo-se da pelve renal até o trígono da 
bexiga, onde se inserem e, finalmente, esta última preenchida por contraste diluído na urina 
(fig. 3.2). 
 
 30 
 
Figura 3.1 – Radiografia simples do abdome de um felino: rim direito mais cranial e esquerdo caudalmente, 
parcialmente sobrepostos (setas pequenas) e bexiga (seta grande). 
 
 
 Figura 3.2 – Urografia excretora em uma cadela, projeção lateral e VD evidenciando rins, ureteres e 
bexiga, esta última com defeito de preenchimento causado por neoplasia. 
 
PNEUMOCISTOGRAFIA 
Ar ou óxido nitroso na dose de 6 a 12ml.kg
–1
 é injetado para o interior da bexiga via 
cateter adaptado a uma seringa, até que o órgão esteja moderadamente distendido. Pode-se 
recorrer a sedação em caso de manifestação de dor, visando conforto do paciente. É 
importante a remoção de toda a urina presente na bexiga antes da administração do 
contraste negativo (fig. 3.3). 
 
 31 
 
 Figura 3.3 – Pneumocistografia evidenciando urólitos 
radiolucentes e sonda. A imagem foi 
delineada por linha pontilhada por ser 
de difícil visibilização. 
 
CISTOGRAFIA 
Contraste orgânico é diluído a 5% em solução fisiológica e introduzido na bexiga 
por meio de uma sonda uretral até que o órgão esteja moderadamente distendido, o que 
requer em torno de 6 a 12ml.kg 
–1
 (fig. 3.4 A e B). 
 
 Figura 3.4 – Cistografia, em projeção L e VD demonstrando massa tumoral no interior da 
bexiga de uma cadela. Diagnóstico comprovado em cirurgia. 
 
CISTOGRAFIA COM DUPLO CONTRASTE 
O contraste positivo é introduzido na bexiga em quantidade suficiente para envolver 
a mucosa vesical. O excesso é removido, administrando-se, então, ar ou óxido nitroso até 
obter moderada distensão do órgão. Este exame proporciona boa avaliação da mucosa. 
 
ALTERAÇÕES 
 
A B 
 32 
RINS 
 
DEFEITOS CONGÊNITOS 
Entre os defeitos congênitos, cita-se a aplasia, a ectopia e a hipoplasia renal, 
podendo ser este último afuncional. Neste caso, o outro rim pode ser hipertrofiado para 
compensar. Estas alterações são melhor demonstradas pela urografia excretora. 
 
HIDRONEFROSE 
Usualmente, esta alteração ocorre por obstrução de ureter (fig. 3.5), que pode ser 
consequente a massas abdominais, cálculos ou ligadura acidental em cirurgia. Ao exame 
radiológico o rim aparecerá como uma grande massa radiopaca de contornos lisos. 
 
CÁLCULO RENAL 
Também chamado de urólito, é visto como