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doença nas dife-
rentes regiões brasileiras. No ano de 1996 a asma representou a
quarta maior causa de hospitalização no Brasil, correspondendo
a cerca de 350.000 internações em todo o país, e um custo de
aproximadamente 76 milhões de reais. A asma representou o
terceiro maior gasto do Sistema Único de Saúde (SUS) com uma
doença específi ca, segundo dados do III Consenso Brasileiro
no manejo da Asma da Sociedade Brasileira de Pneumologia
e Tisiologia1,2.
Também representou no ano de 1996 aproximadamente
2.000 óbitos, dos quais 70% ocorreram durante o período de hos-
pitalização. Segundo o Departamento de Informática do Sistema
Único de Saúde (DATASUS), em 2005 as hospitalizações por
causa da asma corresponderam a 18,7% das causas respiratórias,
com custo anual de 96 milhões de reais, correspondendo a 1,4%
do gasto total anual com todas as doenças2.
Como a região de Joinville é uma região com economia
preponderantemente industrial, portanto existe muitos fatores
irritativos para desencadear a esta patologia4. É de fundamental
importância descrever o perfi l do paciente asmático para um
tratamento adequado desta patologia.
MATERIAIS E MÉTODOS
A coleta de dados foi realizada no mês agosto de 2011,
após a aprovação do Comitê de Ética em pesquisa (CEP) do
Hospital Municipal São José (HMSJ) nº11031, respeitando as
normas de pesquisa em seres humanos (Res. CNS 196/96) do
Conselho Nacional de Saúde.
Trata-se de um estudo transversal, através de questionário
estruturado com dado demográfi co e clínico, a partir da lista
fornecida pelo médico responsável pelo ambulatório de pneu-
mologia da Universidade da Região de Joinville (UNIVILLE)
/ Prefeitura Municipal de Joinville (PMJ).
Foram incluídos na pesquisa os pacientes com o diagnós-
tico clínico de asma, independente do sexo, idade, etnia, estado
civil ou condições sócio-econômicas, atendidos neste ambula-
tório de pneumologia da rede pública de saúde no período de
janeiro de 2002 a agosto de 2009.
Foram excluídos do estudo os prontuários sem condições
técnicas para análise de suas informações (como má conser-
vação, ilegível e/ou com dados incompletos) e prontuários de
pacientes com outros diagnósticos clínicos além de asma como
derrame pleural, síndrome da angústia respiratória aguda, bron-
quiectasia e doença pulmonar obstrutiva crônica.
A análise dos dados foi realizada por metodologia quan-
titativa sendo os dados foram digitados em um banco de dados
para posterior da análise estatística no programa Microsoft
Offi ce Excel 2007, obtendo por este programa as informações
dos valores percentuais dos resultados, para todas as variáveis
avaliadas.
RESULTADOS
Dos 209 prontuários de pacientes com diagnóstico de
asma no ambulatório de pneumologia UNIVILLE / PMJ, 180
prontuários foram coletados e 29 (13,9%) prontuários foram
excluídos conforme critério de exclusão.
A média de idade foi de 46,9 anos (DP=19,5 anos), tendo
como menor e maior idade 14 e 89 anos, respectivamente.
Houve predomínio do gênero feminino com 69,4% dos
casos em relação do gênero masculino com 30,6%. A grande
maioria dos pacientes atendidos neste ambulatório era da cidade
de Joinville (93,3%) e outras cidades (6,7%).
Conforme descrito na Figura 1 houve predominância da
etnia branca (90,6%) em relação às demais etnias.
Figura 1. Apresenta a etnia dos pacientes asmáticos
analisados.
Na Figura 2 é demonstrado o período de ocorrência da
crise asmática, com o período noturno representando 42,8%,
seguindo do período diurno (26,1%), outros (ambos períodos)
(17,2%) e não informado no prontuário (13,9%) em relação o
período da crise asmática.
Figura 2. Demonstra o período da crise asmática dos
pacientes analisados.
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REVISTAINSPIRAR • movimento & saúde
Volume 4 • Número 4 • julho/agosto de 2012
Na Figura 3 demonstra a classifi cação da gravidade da
asma, onde houve o predomínio do quadro leve (31,6%) e mo-
derado (27,2%) aos demais quadros asmáticos.
Figura 3. Descreve a gravidade da asma dos pacientes
analisados.
A Figura 4 demonstra como principal queixa dos pacientes
estudados a dispnéia com 76,1%, seguido da tosse com 11,1%
dos casos.
Figura 4. Demostra a queixa principal dos pacientes
analisados.
Em relação ao hábito tabagico em 78,9% dos pacientes
estudados relataram não possuir este hábito versus 21,1% que
possuíram ou possuem este hábito.
Na Tabela 1 descreve as comorbidades existentes dos pa-
cientes asmáticos, com destaque para a hipertensão arterial sis-
têmica que esteve presente em 17,8% dos pacientes estudados.
Tabela 1. Comorbidades existentes dos pacientes asmáticos
atendidos no ambulatório de pneumologia da Universidade
da Região de Joinville (UNIVILLE) / Prefeitura Municipal de
Joinville (PMJ).
DISCUSSÃO
No presente estudo foi observado uma média de idade de
46,9 anos (DP=19,5 anos), sendo a menor idade de 14 anos e
a maior idade de 89 anos. Observando semenhança com outro
estudo realizado com adultos no município de Braço do Norte-
-SC, que a média de idade foi de 32,9 anos (DP=15,7 anos),
variando de 18 a 80 anos5.
Em relação ao gênero ocorreu predomínio do gênero femi-
nino (69,4%) ao gênero masculino (30,6%). No estudo descrito
por Macedo et al. (2007) na região de Pelotas-RS, também
demonstrou um predomínio do gênero feminino (56,7%) ao
masculino (43,3%)6. Esta diferença maior na prevalência da
asma no gênero feminino pode ser explicado pelas diferencias
hormonais entre os dois gêneros7.
Constatou-se também neste estudo um predomínio da
etnia branca (90,6%) quando comparado as outras etnias co-
letadas na pesquisa como pardo (5,5%) e negro (3,9%), fato
explicado em virtude da região ser de descendência alemã e
italiana. Fato também demonstrado no estudo realizado com
crianças asmáticas na região sul do país, com predomínio da
etnia branca (69,7%) em relação as outras etnias8. Conforme
descrito por Silva et al. (2007) em seu estudo realizado com
funcionários em um hospital catarinense também foram da
etnia branca (78,9%)9.
Na atual pesquisa a dispnéia (76,1%) representou a princi-
pal queixa referida pelos pacientes asmático, seguido pela tosse
(11,1%) e dor torácica (4,5%) como sintomas relatados. Já no
estudo realizado por Aguiar et al. (2005), apontou os mesmo
três sintomas principais no pacientes asmáticos, com tosse como
principal queixa (25,9%), dispnéia (23,6%) e sensação de dor
no peito (12,8%)3.
Com relação à classifi cação da gravidade da asma, o pre-
sente estudo evidenciou a gravidade leve em 31,6%, moderada
em 27,2%, grave em 15,0% e intermitente em 10,6%. Em um
estudo realizado com pacientes da rede pública do estado de
Minas Gerais em 60% dos casos de asma foram classifi cados
como leve ou intermitente, em 25 a 30% classifi cadas como
asma moderada e 5 a 10% como asma grave10. Em outro estudo
realizado com adultos e crianças chinesas e francesas mostrou
ampla variação do percentual da classifi cação da gravidade
da asma, asma intermitente com 13 a 83%, leve de 11 a 27%,
moderada 6 a 36% e grave de 0 a 25%11,12.
Em relação ao período de ocorrência da crise asmática,
o presente estudo observou o predominio no período noturno
(42,8%) e do período diurno (21,6%). Segundo Trinca et al.
(2011) em seu estudo com crianças asmáticas também descreveu
como mais comum as crises noturnas quando comparadas as
crises diurnas, fenômeno ainda não está esclarecido científi -
camente13.
A história do tabagismo neste estudo foi observada em
21,1% dos pacientes asmáticos analisados, fato que pode atenuar
eventuais crises asmáticas conforme descrito por Dias-Júnior
et al. (2009) comparou pacientes que nunca fumaram aos que
possuem este hábito de fumar, os fumantes aumentam o risco de
apresentarem crises asmáticas14, explicado pela diminuição da
função pulmonar mesmo em pessoas sem doenças respiratórias
prévias15.
Com os resultados obtidos pretende-se mostrar aos