Apostila   Mastologia Básica (Sírio Libanês)
217 pág.

Apostila Mastologia Básica (Sírio Libanês)


DisciplinaGinecologia1.742 materiais13.469 seguidores
Pré-visualização41 páginas
APOSTILA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Alfredo Carlos S. D. Barros 
 
 
 
 
Apoio 
 
MASTOLOGIA 
BÁSICA 
 
 
 
BÁSICA 
 2 
 
ÍNDICE 
I. PARTE BÁSICA 
1. Embriologia e Histologia ______________________________________ 2 
2. Anatomia _________________________________________________ 6 
3. Fisiologia ________________________________________________ 15 
4. Desenvolvimento mamário ___________________________________ 22 
5. Anamnese _______________________________________________ 31 
6. Exame físico ______________________________________________ 35 
II. ALTERAÇÕES BENIGNAS 
7. Mastalgia ________________________________________________ 41 
8. Macrocistos ______________________________________________ 53 
9. Fibroadenoma ____________________________________________ 62 
10. Fluxo papilar ______________________________________________ 71 
11. Mastites crônicas __________________________________________ 82 
III. CÂNCER 
12. Epidemiologia e fatores de risco ______________________________ 92 
13. Formação e história natural _________________________________ 100 
14. Prevenção primária _______________________________________ 120 
15. Detecção precoce ________________________________________ 133 
16. Diagnóstico ______________________________________________ 148 
17. Estadiamento ____________________________________________ 161 
18. Tratamento ______________________________________________ 167 
19. Fatores prognósticos e preditivos de resposta ___________________ 187 
20. Formas especiais _________________________________________ 205 
 3 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
I. 
PARTE 
BÁSICA 
 4 
 
 
 
 
 
 
 
 
As mamas têm origem ectodérmica e podem ser consideradas glândulas 
sudoríparas modificadas. A sua formação, a mastogênese, inicia-se em torno da 
4a semana de idade embrionária, quando se forma a crista láctea e o embrião 
mede de 2,5 a 3mm. Esta crista surge como dois espessamentos ectodérmicos 
que se dirigem longitudinalmente de cada lado da axila em direção à região 
inguinal. 
Na superfície do tórax por volta da 7a semana de vida, inicia-se a formação 
do bulbo mamário, a partir de uma protuberância local, enquanto que no restante 
da crista láctea inicia-se um processo de regressão. O bulbo mamário nada mais é 
do que uma invaginação ectodérmica para a intimidade do tecido mesenquimal 
subjacente envolto por tecido adiposo. 
Mais tarde, em torno de 20 semanas de gestação, esta invaginação se 
ramifica em ramos secundários e terciários e se canaliza. 
O desenvolvimento do tecido glandular mamário fetal é estimulado pelos 
hormônios lactogênio placentário, prolactina e insulina; os estrogênios parecem 
atuar mais no tecido mesenquimal, porque receptores estrogênicos nas células 
epiteliais são detectados apenas depois do nascimento. 
O complexo aréolo-papilar é formado a partir da proliferação mesenquimal. 
Quando o embrião mede de 15cm a 20cm, começa a se formar a aréola primitiva, 
com uma depressão central, que primeiro se reduz e depois se eleva nas últimas 
semanas de gravidez determinando a papila mamária. 
Antes da puberdade a glândula mamária é simplesmente constituída por 
poucos ductos galactóforos com suas ramificações que terminam em 
agrupamentos celulares atrofiados. 
 
1. EMBRIOLOGIA E HISTOLOGIA 
 5 
 
 
Na puberdade, em função do estímulo ovariano, ao mesmo tempo em que 
há aumento de volume mamário e protrusão papilar, ocorre proliferação celular, 
aumento do número de ductos galactóforos, aumento de tecido conectivo e 
acúmulo de tecido adiposo. 
Uma vez bem formada, a mama da mulher apresenta 15 a 25 lobos, 
dispostos radialmente a partir do mamilo, cada um com seu componente glandular 
secretor e ducto excretor próprio (ducto galactóforo) que desemboca na papila 
mamária, onde existem 15 \u2013 25 orifícios com cerca de 0,5mm de diâmetro, 
correspondentes a cada um dos ductos galactóforos. Portanto, cada mama pode 
ser considerada, na verdade, como um conjunto de 15 a 25 glândulas exócrinas, 
com a função precípua de produção de leite para os recém-nascidos. 
Cada lobo é subdividido em lóbulos, entremeados por tecido conjuntivo, que 
envolve individualmente as unidades secretoras. 
O desenvolvimento mamário atinge o máximo por volta dos 20 anos, 
quando a mama adulta é constituída pelo sistema canalicular dos ductos 
galactóforos e pela porção secretora lóbulo - alveolar. Os ductos galactóforos na 
região sub areolar dilatam-se e formam o chamado seio lactífero. 
Os ductos lactíferos na sua porção final, próxima ao orifício papilar, são 
revestidos por tecido epitelial estratificado pavimentoso. Logo abaixo, o epitélio 
ductal se adelgaça, com menor número de camadas celulares do tipo cilíndricas. 
Na região distal nos ductos terminais, próximos às unidades secretoras, o epitélio 
é do tipo cúbico simples. Na parede da estrutura ductal existem ainda células 
mioepiteliais. 
À microscopia eletrônica, as células que formam o epitélio ductal podem ser 
classificadas em dois tipos: a maior parte é do tipo colunar circundando a luz 
ductal, mas existem também células basais distribuídas descontinuamente, que se 
acredita que possam se diferenciar em células colunares ou mioepiteliais. 
A unidade secretora correspondente aos lóbulos da glândula mamária, é 
constituída por túbulos de epitélio cúbico simples que terminam em porções 
dilatadas, que são os alvéolos ou ácinos, também revestidos por epitélio cúbico 
simples. 
 6 
 
 
Os ácinos são conectados às porções terminais dos dúctulos intra - 
lobulares, com os quais formam a unidade ductolobular. Os ductos intra - 
lobulares se fundem para formar um ducto lobular que drena para o sistema ductal 
extra \u2013 lobular, em uma verdadeira rede canalicular em direção ao seio 
galactóforo. Os lóbulos são formados por ácinos revestidos por camada única de 
células epiteliais cubóides, as quais são sustentadas por células mioepiteliais 
esparsas. O estroma intra - lobular é ricamente vascularizado por capilares 
sanguíneos e linfáticos. Além da função de suporte, fibroblastos do estroma intra - 
lobular exercem importante atividade hormonal parácrina sobre o epitélio e 
atenuam o processo de adesão intercelular. 
Logo abaixo do tecido epitelial e dos fibroblastos existe a membrana basal 
que separa o tecido epitelial do estroma. A membrana basal é uma lâmina acelular 
de estrutura bioquímica complexa, composta por colágeno tipo IV, laminina, 
fibronectina e compostos proteoglicanos. 
Vale frisar que existem acentuadas modificações histológicas lobulares na 
segunda fase do ciclo menstrual em função da influência hormonal sinérgica de 
estrogênio e progesterona. Os lúmens glandulares tornam-se bem evidentes 
contendo material de secreção apócrina, as células mioepitelias tornam-se mais 
proeminentes por acúmulo de glicogênio e existe ederma no estroma lobular. 
Análises ultraestruturais demonstram aumento do retículo endoplasmático e do 
complexo de Golgi. 
A proliferação celular (mitose) ocorre tanto na primeira fase do ciclo como 
na segunda, quando é mais intensa. Na segunda metade do ciclo o volume 
nuclear das células é máximo, as figuras de mitose são mais freqüentes ao 
microscópio e atividade proliferativa medida pela porcentagem de células que 
expressam Ki-67 é maior. 
Na gravidez, as células dos ductos terminais e dos ácinos proliferam - se, 
resultando em aumento de volume lobular. Os núcleos tornam-se hipercromáticos.