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LIVRO TEXTO   UNIDADE II   PSICOLOGIA DO DESENVOLVIMENTO   CICLO VITAL

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vezes acabam sendo 
postergados em função das atuais exigências e normas culturais. As consequências de tais restrições 
podem levar à dependência familiar, flutuações afetivas, falta de experiências vitais, tendência a 
idealizar. Outros fatores que delimitam esse período dizem respeito ao encontro ou conflito de gerações, 
a modelagem do projeto de vida. As escolhas são colocadas à prova ou modificadas.
Heinz Rempleim (apud GRIFFA; MORENO, 2001) afirma que na busca do êxito e da ascensão 
social há um desejo de impor-se, permeado de uma atitude otimista. Isso é mais intenso no sexo 
masculino. 
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Segundo Levinson (1996 apud GRIFFA; MORENO, 2001), por volta dos 18 aos 24 anos se dá o primeiro 
estágio, a saída do lar, que permite ao jovem uma maior independência, o contato com instituições, 
que lhe outorga, por exemplo, status de estagiário. 
O segundo estágio é o ingresso no mundo adulto, em torno dos 24 aos 28 anos; nessa fase a pessoa 
permanece mais no mundo do que no lar. Dos 28 aos 33 anos é a época de reafirmar os compromissos 
e de alguma maneira se liberar dos afazeres diários para novas perspectivas de vida. Esse estágio é 
denominado transição para a quarta década.
Como afirmado anteriormente, para Erik H. Erikson (1987), a questão central nessa etapa é a 
conquista da intimidade versus isolamento. Para o referido autor, a intimidade diz respeito à capacidade 
de se “entregar a afiliações e associações concretas e de desenvolver força ética necessária para cumprir 
esses compromissos, mesmo quando eles podem exigir sacrifícios significativos”.
Tal capacidade permite ao adulto jovem enfrentar a perda do ego, atrelada às situações que exigem 
autoabandono, como nos casos de solidariedade entre amigos ou a união sexual; ou, por outro lado, sua 
ausência pode levar ao isolamento.
A mutualidade do orgasmo representa para Erikson saúde sexual, e nesse caso a frustração não 
implicará regressão patológica. Portanto, um marco do final da adolescência é a capacidade da pessoa 
de manter uma relação de intimidade.
Sendo esse aspecto o ponto central da crise nesse período, segundo Erikson, o trajeto a ser 
percorrido para a intimidade passa necessariamente por alguns níveis de relações interpessoais, ou 
seja, graus de comprometimentos. 
De acordo com Griffa e Moreno (2001), os três níveis são:
• Nível 1  Tarefa. Por exemplo, quando dois adultos trabalham juntos na montagem de um 
motor. Nesse caso, não é preciso tentar conhecer o outro ou revelar-se, porque a tarefa é o 
principal ponto de contato e integração entre as pessoas.
• Nível 2  Sistema de normas explícito ou implícito. As normas regulam o comportamento, 
facilitando a prevenção ou antecipação da cultura grupal. Por exemplo, nos grupos da escola, nos 
jogos com regras. Em ambos os casos, são supostos um maior compromisso pessoal, pôr-se no 
lugar do outro e um contato físico. Isso não ocorre no nível da tarefa. 
• Nível 3  Intimidade. Nessa situação, não há o predomínio da tarefa nem das normas. Os 
relacionamentos baseiam-se na criatividade de cada pessoa, para construí-lo. Portanto, há 
uma abertura pessoal para o conhecimento mútuo em profundidade, o questionamento das 
regras e normas e da formalidade do vínculo. Assim, ocorre uma reflexão permanente sobre 
o vínculo e emergem questões como: somos amigos ou somos noivos?
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PSICOLOGIA DO DESENVOLVIMENTO: CICLO VITAL
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Exemplo de aplicação
Faça uma pesquisa sobre a nova lei do divórcio (Emenda Constitucional nº 66, de 13/07/10) e verifique 
seus aspectos positivos e negativos; confronte com as informações contidas nesse tópico.
Vamos agora ler o texto que se segue refletindo, de acordo com o que foi estudado até aqui, sobre 
esse momento do desenvolvimento do ciclo vital:
Casamento: a lógica do um e um são três
Costumo dizer que todo fascínio e toda dificuldade de ser casal residem 
no fato de o casal encerrar, ao mesmo tempo, na sua dinâmica, duas 
individualidades e uma conjugalidade, ou seja, de o casal conter dois sujeitos, 
dois desejos, duas inserções no mundo, duas percepções do mundo, duas 
histórias de vida, dois projetos de vida, duas identidades individuais, que na 
relação amorosa convivem com uma conjugalidade, um desejo conjunto, 
uma história de vida conjugal, um projeto de vida de casal, uma identidade 
conjugal. Como ser dois sendo um? Como ser um sendo dois? 
Na lógica do casamento contemporâneo, um e um são três, na expressão de 
Philippe Caillé (1991). Para Caillé, cada casal cria seu modelo único de ser 
casal, que ele chama de “absoluto do casal”, que define a existência conjugal 
e determina seus limites. A sua definição de casal contém, portanto, os dois 
parceiros e seu “modelo único”, seu absoluto.
Isso a que Caillé chama de “absoluto do casal” é o que denomino de 
“identidade conjugal” e que na literatura sobre casamento e terapia de casal 
é designado, de um modo geral, conjugalidade (FÉRES-CARNEIRO, 2009).
Então, o que você achou do texto?
A autora citada levanta questões relevantes na discussão que faz sobre o casamento contemporâneo. 
Além do seu significado e importância social, o casamento é um espaço em que se confrontam duas 
forças contraditórias, permeado por tensões individuais e conjugais. 
O casamento ocupa um lugar privilegiado entre as relações significativas validadas pelos adultos em 
nossa sociedade. 
A autora realiza um estudo para investigação do casamento contemporâneo, com dois grupos não 
clínicos de casais da classe média carioca: 10 casais de primeiro casamento e 10 casais de casamentos 
subsequentes, com idades variando entre 25 e 45 anos, tempo de vida conjugal de 3 a 13 anos e número 
de filhos variando de 1 a 4. 
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Figura 29 – Casamento
Os resultados encontrados, pela autora, indicam algumas diferenças quanto à manifestação das 
dimensões de aliança e de sexualidade em casais de primeiro casamento e em casais recasados. 
As conclusões foram:
• escolha conjugal – no grupo de primeiro casamento a aliança assume um papel mais significativo 
do que a sexualidade, enquanto esta é mais relevante para os recasados; 
• relacionamento com a família de origem – é frequente, mais forte e mais valorizado no grupo de 
primeiro casamento; 
• relacionamento com os diferentes grupos de amigos – o grupo de amigos comuns é mais presente 
e valorizado no primeiro casamento, enquanto os recasados possuem mais amigos individuais e 
valorizam que os membros do casal possam sair às vezes separadamente; 
• renda familiar – as diferenças não são grandes entre os dois grupos, embora entre os recasados 
haja mais mulheres participando da renda familiar, algumas das quais em proporção maior que os 
homens; nesse grupo, os papéis de homem e de mulher aparecem de forma menos rígida, mesmo 
assim, a mulher que trabalha fora se sente mais exigida em ambos os grupos; 
• relacionamento sexual – em ambos os grupos o relacionamento sexual é considerado muito 
importante para o casal, mas a sexualidade aparece de forma mais personalizada