apostila imuno médica
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Imunologia 
Médica 
1°/2012 
 
Tássia Micheli 
Imunologia Médica \u2013 Tássia Micheli Página 2 
 
Imunidade ao Transplante 
Transplantes é o processo de retirada de células, tecidos ou órgãos chamados de enxerto, de 
um indivíduo (doador) e sua inserção em outro indivíduo (receptor). 
Se o enxerto é inserido em sua localização anatômica habitual o procedimento é chamado de 
ORTÓPICO. Mas se é inserido em um local diferente, o procedimento é chamado de 
transplante HETEROTÓPICO. 
A transfusão é um transplante de células sanguíneas circulantes e plasma. 
Uma grande limitação para o transplante é a resposta imunológica do receptor ao tecido 
doando. E um grande desafio é entender o porquê das fortes reações imunológicas montadas 
contra as células do transplante. 
A rejeição é o resultado de uma resposta inflamatória adquirida, isso porque a rejeição 
apresenta características como: especificidade, montagem de memória imunológica e resposta 
imunológica mediada por células B sensibilizadas, que só são observadas nas respostas 
imunológicas associadas a linfócitos. 
Enxerto autólogo \uf0e0um enxerto transplantado de um indivíduo para si mesmo. 
Enxerto Singênico \uf0e0 Um enxerto transplantado de um doador idêntico ao receptor 
geneticamente. É o que ocorre entre gêmeos univitelínicos. 
Enxerto alogênico \uf0e0 um enxerto transplantado entre dois indivíduos geneticamente 
diferentes, mas da mesma espécie. No aloenxerto as moléculas reconhecidas como estranhas 
são denominadas de aloantígenos, e os linfócitos que reagem com essas moléculas são 
chamados de alorreativos. 
Enxerto Xenogênico \uf0e0 um enxerto transplantado entre duas espécies diferentes. No 
xenoenxertos as moléculas reconhecidas como estranhas são chamadas de xenoantígenos, e 
os linfócitos que reagem com essas moléculas recebem o nome de xenorreativos. 
Aloenxertos 
O reconhecimento de células transplantadas como próprias ou estranhas é determinado por 
genes polimórficos herdados de ambos os pais e expressos de maneira co-dominante. 
Moléculas do complexo de histocompatibilidae (MHC) são responsáveis por quase todas as 
reações de rejeição forte (Rápida). 
Reconhecimento Direto de Aloantígenos. 
A vai de apresentação direta, envolve o reconhecimento de uma molécula de MHC intacta 
exibida por células apresentadoras de antígeno (APCs) do doador no enxerto e é uma 
conseqüências da similaridade entre as estruturas de uma molécula de MHC estranha 
(alogênica) intacta e as moléculas de MHC próprios. 
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O reconhecimento direto de uma molécula do MHC estranha é uma reação cruzada de um 
receptor da célula T normal (TCR), que foi selecionado para reconhecer uma molécula de MHC 
próprio com um antígeno estranho (peptídeo), com uma molécula de MHC alogênica e um 
peptídeo. 
Uma molécula de MHC alogênica com uma peptídeo ligado pode imitar o determinante 
formado por uma molécula do MHC próprio mais um peptídeo estranho particular. 
Células T específicas para peptídeos próprios mais MCH alogênico não são removidas do 
organismo e permanecem disponíveis para responder a aloenxertos. 
O fato de que cada molécula do MCH alogênica é reconhecida por tantos TCRs diferentes, cada 
qual selecionado para diferentes peptídeos estranhos, pode ser devido a diversos fatores: 
pode ser atribuído a diferenças nas seqüências de aas entre moléculas de MHC próprias e 
alogênicas, e o peptídeo ligado serve apenas para garantir a expressão estável da molécula de 
MCH alogênica; muito diferentes peptídeos podem se combinar a um produto de gene do 
MHC alogênico, produzindo determinantes que são reconhecidos por diferentes células T por 
reação cruzada, e como são necessárias somente algumas poucas centenas de complexos 
peptídeo-MHC para ativar um clone particular de célula T, muitos clones diferentes podem ser 
ativado pela mesma célula alogênica; e também todas as moléculas de MHC em uma APC são 
estranhas para um receptor, e podem, portanto, ser reconhecidas por células T, assim a 
abundancias de moléculas do MHC alogênicas reconhecíveis pode permitir a ativação de 
células T com pouca afinidade pelo determinante, desta forma aumentando o número de 
células T que podem responder; e por fim a resposta inicial contra aloantígenos é mediada, em 
parte, por clones já expandidos de células T de memória. 
Devido à alta freqüência de células T alorreativas, as respostas primárias contra os 
aloantígenos são as únicas respostas que podem ser rapidamente detectadas in vitro. 
Apresentação indireta de aloantígenos 
Moléculas do MHC alogências podem ser processadas e apresentadas por APCs do receptor 
que penetram nos enxertos, e as moléculas do MHC processadas são reconhecidas por células 
T como antígenos protéicos estranhos convencionais. 
A molécula do MHC do doador é processada pelas APC através da via endossômica e 
apresentada através do MHC de classe II do receptor para as células TCD4+. Contudo, alguns 
antígenos de células do enxerto fagocitados parecem adentrar a via de apresentação de 
antígenos do MHC de classe I e são indiretamente reconhecidos por células TCD8+. (Fenômeno 
de apresentação cruzada ou crossing priming). Assim, como as moléculas de MHC são as mais 
polimórficas do genoma, cada molécula do MHC alogênica pode gerar múltiplos peptídeos 
estranhos, cada um sendo reconhecido por células T diferentes. 
Esse tipo de reconhecimento pode contribuir principalmente para a rejeição tardia do 
aloenxerto. 
Pode haver outros antígenos polimórficos além de moléculas do MHC que diferem entre 
doador e receptor. Esses antígenos induzem reações de rejeição fracas ou mais lentas (mais 
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graduais) que as moléculas do MHC e são chamados de antígenos de histocompatibilidade 
secundário. Estes são processados e apresentados pelas APCS do receptor. 
Ativação dos Linfócitos Alorreativos 
Células T alorreativas no receptor podem ser ativadas por ambas as vias, e estas células T 
migram para os enxertos e causam a sua rejeição. Células TCD4+ auxiliares alorreativas se 
diferenciam em células efetoras produtoras de citocinas que lesam os enxertos mediante 
reações que se parecem com a hipersensibilidade retardada (DTH). 
As células CTLs TCD8+ induzidas pelo reconhecimento direto do aloantígeno são mais 
importantes na rejeição aguda dos enxertos. Já as células TCD4+ efetoras quando estimuladas 
desempenham papel mais importantes nas rejeições crônicas. 
Cultura mista de linfócitos (MLR) \uf0e0 é um modelo de reconhecimento direto pelas células T de 
moléculas do MHC e é usada como um teste preditivo de rejeição do enxerto mediada por 
células T. A MRL é induzida pelo cultivo de leucócitos mononucleados (que incluem células T, 
células B, células NK, fagócitos mononucleados e células dendríticas) de um indivíduo com 
leucócitos mononucleares derivados de outro indivíduo. Destaque para o reconhecimento do 
MHC alogênico através da via direta. 
A rejeição aguda de aloenxertos e a estimulação de células T alorreativas podem ser inibidas 
por agentes que se ligam e bloqueiam as moléculas B7 quando esta ocorre pela via direta. 
Contudo, a rejeição crônica e a ativação de células T alorreativas pela via indireta o bloqueio 
das moléculas B7 são ineficientes. 
Fetos podem ser considerados semi-alogenico para o organismo materno. 
Mecanismos efetores da rejeição de aloenxertos 
A rejeição de enxertos é classificada com base nas características histopatológicas ou no curso 
temporal da rejeição após o transplante, e não nos mecanismos imunológicos efetores. 
Os padrões histopatológicos são: 
Hiperagudo 
A rejeição hiperaguda se caracteriza pela oclusão temporária da vasculatura do