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APOSTILA TRAUMATOLOGIA GERAL 2014 IBMR.

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TIPOS ESPECIAIS DE FRATURAS 
 
Fratura em galho-verde – Ocorre em ossos longos de crianças, sendo sempre uma fratura 
incompleta, pois parte da cortical óssea é sempre mantida (semelhante a um galho verde 
quebrado). Esse tipo de fratura sempre produz grande deformidade e é muito freqüente nos 
ossos do antebraço. 
Obs: Os ossos das crianças são mais maleáveis, pois possuem uma maior quantidade de 
colágeno. 
 
 
Fratura impactada – Ocorre quando um fragmento ósseo penetra, parcialmente, no fragmento 
adjacente. É geralmente uma fratura de bom prognóstico, devido a sua grande estabilidade. É 
mais freqüente no colo cirúrgico do úmero e colo do fêmur. 
 
 
Fratura por avulsão – Ocorre quando um músculo traciona a saliência óssea onde é fixado. 
Também conhecida como fratura por arrancamento. Ex: Fratura do tubérculo maior e fratura da 
base do 5º metatarso. 
 
Fratura por fadiga ou estresse – Ocorre por micro traumas repetitivos típicos de excesso de 
treinamento. Fraturas típicas de atletas profissionais. Ossos mais afetados: metatarsos e tíbia. 
 
Fratura patológica – Fratura que ocorre por uma fragilidade óssea gerada por uma doença. É 
provocada por traumas banais ou mesmo de forma espontânea. Exemplos de doenças ósseas: 
osteoporose, osteogênese imperfeita e raquitismo. 
 
 
FASES DO PROCESSO DE CONSOLIDAÇÃO DAS FRATURAS 
 
 
1) Fase hemorrágica – Se inicia com a ruptura da rede vascular e com acumulo de sangue ao 
redor do foco de fratura, formando o chamado hematoma (o sangue pode ou não estar contido 
pelo periósteo). Ocorre necrose osteomedular na região fraturada. 
2) Fase inflamatória – Caracteriza-se pela presença de exsudato serofibroso. Ocorre a infiltração 
de leucócitos, monócitos, macrófagos e mastócitos; com objetivo de remoção do coágulo e dos 
restos celulares. Ao mesmo tempo os osteoclastos iniciam a absorção do osso necrótico. 
3) Fase do calo fibroso ou mole – Ocorre intensa atividade dos osteoblastos e condroblastos. 
Os osteoblastos depositam componente orgânico não mineralizado (tecido osteóide) no foco da 
fratura. Ao mesmo tempo há formação de tecido cartilaginoso que se prolifera. 
4) Fase do calo ósseo ou duro – Ocorre a mineralização do tecido osteóide. O tecido ósseo já 
formado ainda é imaturo, a disposição das fibras conjuntivas é irregular e aleatória. 
5) Fase de remodelagem – Substituição do tecido ósseo imaturo por tecido ósseo maduro. Neste 
estágio, ocorre regularidade na distribuição das fibras da matriz, seguindo as orientações das 
linhas de força. Caracteriza-se pela intensa atividade osteoblástica e osteoclástica. 
 
Esta fase respeita a lei de Wolff que diz que o osso de remodela depositando osso onde for 
necessário e reabsorvendo-o onde desnecessário. 
 
TRATAMENTO DAS FRATURAS 
 
Após uma fratura, há necessidade da estabilização dos fragmentos ósseos. A estabilização é 
necessária para que a consolidação ocorra. 
 
Existem, basicamente, duas maneiras de se estabilizar uma fratura, são elas: 
1) Tratamento incruento ou conservador – Realizado através de imobilizações. 
 
 
2) Tratamento cruento ou cirúrgico – Realizado através do uso de osteossínteses, que são 
dispositivos metálicos utilizados para estabilizar os fragmentos ósseos. 
 
2.1) Tipos de osteossínteses 
A) placa e parafuso 
Permanente, estabilidade média e grande incisão cirúrgica. 
 
 
B) parafuso 
Permanente, estabilidade média e incisão cirúrgica média. 
 
 
 
C) fio de kirschner 
Provisório, estabilidade baixa e pequena incisão cirúrgica. 
 
 
D) haste intramedular 
Permanente, estabilidade alta e média incisão cirúrgica. 
 
 
E) fixador externo 
Provisório, estabilidade média (uni e bipolar) ou alta (Ilizarov) e pequena incisão cirúrgica. 
 
 
 
PRINCIPAIS COMPLICAÇÕES DAS FRATURAS 
 
 
 Osteomielite (infecção no osso) – Pode ocorrer em fraturas expostas ou tratadas 
cirurgicamente. Nas fraturas expostas quanto maior o tempo de exposição do foco de 
fratura maior o risco de osteomielite. 
 
 Retardo de consolidação – ocorre quando uma fratura demora um tempo maior que o 
esperado para consolidar. Pode ser provocada por vários fatores como: interposição de 
partes moles, infecções, desvios excessivos, má nutrição e até mesmo por causa 
desconhecida. 
 
 Pseudoartrose (não consolidação) – Os fatores causadores da pseudoartrose 
geralmente são os mesmos que provocam o retardo de consolidação. A pseudoartrose 
ocorre quando o calo ósseo não evolui em um período de 3 meses ou quando a fratura 
não consolida após 9 meses. Existem dois tipos de pseudoartrose: atrófica e hipertrófica. 
Na pseudoartrose atrófica há diminuição do volume ósseo no local da fratura, sendo 
geralmente provocada por infecções. Já na pseudoartrose hipertrófica há aumento do 
volume ósseo no local da fratura, sendo geralmente provocada por desvios excessivos ou 
interposição de partes moles. 
 
 
Pseudoartrose hipertrófica Pseudoartrose atrófica 
 
 Consolidação viciosa – ocorre quando o osso consolida de forma “errada”. 
 
Consolidação Viciosa 
 
 Necrose avascular – ocorre quando parte de um osso necrosa por rupturas de vasos. 
Este tipo de complicação é mais comum na cabeça do fêmur, escafóide e tálus. 
 
 
 
 
 
 Aderências intra e periarticulares – é provocada por excesso de tecido fibroso nas 
regiões articulares, ocorre em fraturas intrarticulares ou próximas das articulações. 
 
 Distrofia simpática reflexa (atrofia de Sudek) – ë uma disfunção do sistema simpático 
de causa desconhecida. O seu quadro clínico quase sempre é caracterizado por: dor 
intensa, edema, hiperemia e hiperestesia. A DSR é mais freqüente em mulheres, e o tipo 
de personalidade do paciente parece ter uma forte influência na instalação dos sintomas. 
Estes pacientes com freqüência são inseguros, instáveis, hiperqueixosos e desconfiados. 
Esta disfunção acomete predominantemente a extremidade dos membros superiores, 
principalmente fraturas distais de rádio. Muitas vezes a radiografia mostra um osteopenia. 
 
Necrose da cabeça do fêmur E. (fase 
crônica) com deformidade 
 
Necrose da cabeça do fêmur (fase 
aguda) sem deformidade. 
 Síndrome compartimental – ocorre quando fluidos intra ou extracelulares (geralmente 
sangue) se acumulam em compartimentos fechados musculofasciais. O maior risco da 
síndrome compartimental é a compressão vascular e nervosa. 
 
 
 Lesão vascular – ocorre quando um fragmento ósseo lesiona uma artéria ou veia 
importante. 
 
 Lesão tendinosa – ocorre quando um fragmento ósseo lesiona um tendão. 
 
 Lesão nervosa – Pode ser de 3 tipos: 
1) Neuropraxia – lesão microscópica sem importância clínica, geralmente ocorre uma 
diminuição da condução nervosa transitória. 
 
2) Axoniotmese – é uma secção parcial do nervo. 
3) Neurotmese- é uma secção total do nervo. Neste tipo de lesão o procedimento cirúrgico 
de neurorrafia é indispensável. 
 
 Artrose precoce – é um processo degenerativo da cartilagem articular (artrose – ver 
apostila de reumatologia) que ocorre precocemente. Na maioria das vezes é decorrente de 
fraturas intrarticulares graves. 
 
Síndrome Compartimental 
 
TRAUMATOLOGIA DOS MEMBROS SUPERIORES 
 
FRATURA PROXIMAL DO ÚMERO 
 
- São as fraturas do úmero mais comuns nos idosos e normalmente (80%) não apresentam 
desvios. 
 
- Mecanismo traumático: 
 Queda sobre o ombro (+ comum) 
 Queda com mão espalmada 
 
- As fraturas proximais do úmero são consideradas com desvio quando o afastamento entra os 
fragmentos for igual ou maior que 1 cm ou angulado mais de

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