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ESTRUTURAS DISCRETAS – Relações e Funções - Prof. Alexandre Andreatta – 2017.2 1/23
Sumário
1 TEORIA DOS CONJUNTOS – CONCEITOS BEM BÁSICOS ...................................................... 2
1.1 Lista ou tupla ............................................................................................................. 3
1.2 Conjunto finito de inteiros positivos .......................................................................... 3
1.3 Técnicas de demonstração – conceitos bem básicos .................................................. 3
2 RELAÇÕES ......................................................................................................................... 5
2.1 RELAÇÃO BINÁRIA R DE S EM T. CLASSIFICAÇÃO ........................................................ 6
2.2 PROPRIEDADES DE RELAÇÕES BINÁRIAS .................................................................... 7
2.3 FECHO DE RELAÇÕES ................................................................................................. 9
2.4 ORDEM PARCIAL ...................................................................................................... 11
2.4.1 Diagrama de Hasse........................................................................................... 11
2.5 Relações de Equivalência, Partições, e Classes de Equivalência ................................ 12
3 FUNÇÕES......................................................................................................................... 14
3.1 PROPRIEDADES DAS FUNÇÕES ................................................................................. 15
3.1.1 Composição de Funções ................................................................................... 16
3.2 FUNÇÕES DE INTEIROS............................................................................................. 18
3.2.1 Funções Piso e Teto ......................................................................................... 18
3.2.2 Aplicações Funções Piso e Teto ........................................................................ 18
3.2.3 Operação módulo ............................................................................................ 22
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1 TEORIA DOS CONJUNTOS – CONCEITOS BEM BÁSICOS
Conjuntos são coleções de objetos. Mas que objetos? Podem ser números, podem ser
coisas, podem ser conjuntos de coisas, etc. Portanto, é natural definir antes de quais
objetos estamos falando. Normalmente esta definição está implícita no próprio tema
que estamos discutindo. Em teoria de conjuntos esta definição é feita através da
especificação do conjunto universo 𝒰 , ou universo do discurso.
Subconjunto A do conjunto B
A é subconjunto de B (ou contido em B), denotado por A B, se, e só se,
Se x A, então x B.
Todos os conjuntos são subconjuntos do conjunto universo 𝒰
Subconjunto próprio A do conjunto B
A é subconjunto próprio de B (ou contido propriamente em B), denotado por A B,
se, e só se,
quando x A, então x B e, além disso, x B tal que x A
Em outras palavras, A B se A B e A B
Conjunto Complementar
O conjunto complementar de A é definido por 𝒰 – A e normalmente denotado por A¯
𝒰 = A ∪ A¯, qualquer que seja A 𝒰
Cardinalidade de um conjunto A é o número de elementos que pertencem ao
conjunto, e é denotado por | A | . Se o conjunto é infinito, como ℕ por exemplo, |ℕ| =
Diferença entre dois conjuntos A e B
x A – B = A\B se, e somente se, x A e x B
Diferença simétrica entre dois conjuntos A e B
x A B se, e somente se, x A \ B ou x B \ A
Ou seja, A B = (A – B) ∪ (B – A) = (A ∪ B) – (A ∩ B)
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x 𝒰 – ( A ∪ B ) = (A∪B)
y (A – B) A
w A ∩ B
z (B – A) B
{ y,z } A B = (A ∪ B ) – (A ∩ B)
1.1 LISTA OU TUPLA
Uma lista de elementos é diferente de um conjunto de elementos. Numa lista, está
implícita uma ordem de apresentação que a caracteriza, enquanto em um conjunto não
existe esta exigência.
Numa lista é possível ter elementos duplicados, enquanto que num conjunto isto não é
permitido.
Por exemplo, supondo x y, ( x , y ) é uma lista de dois elementos, e { x,y } é um
conjunto de dois elementos. Mas, { x,y } = { y,x }, enquanto ( x,y ) ( y,x ).
Uma lista de k elementos é denominada usualmente como uma k-tupla.
Se k = 2 , a lista é uma dupla ou uma 2-tupla.
Se k = 3, a lista é uma tripla ou uma 3-tupla.
Se k = 4, a lista é uma quádrupla ou uma 4-tupla. etc..
1.2 CONJUNTO FINITO DE INTEIROS POSITIVOS
O conjunto { 1, 2, 3 , ... , n } é denotado por [ n ]
1.3 TÉCNICAS DE DEMONSTRAÇÃO – CONCEITOS BEM BÁSICOS
Suponha que você queira demonstrar que
“Se P é verdade, então Q é verdade”
Denotamos esta proposição pela implicação P Q
Chamamos P de premissa ou hipótese, chamamos Q de conclusão ou conseqüência.
Para provar que P implica Q há diversas possibilidades:
U (conjunto universo)
A B
B – A
A∩B
A – B
• y
• x
• w
• z
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1) Partindo da premissa P, e de uma série de fatos que você lembrou e assume
como verdadeiros (premissas normalmente não explicitadas na apresentação do
problema) H1 , H2 , ... , Hn , você utiliza uma série de deduções até chegar em Q.
Isto se chama demonstração direta.
2) Provar que P Q, é o mesmo que provar que P é condição suficiente para Q
ser verdade. Então, se Q não é verdade, significa que P não é verdade. Isto é o
mesmo que provar que “Se Q é falso, então P é falso”, ou, numa notação de
lógica, Q P. Então podemos provar P Q por dedução direta da
implicação equivalente Q P. Esta técnica de demonstração é denominada
demonstração por contraposição ou demonstração contrapositiva.
3) Novamente, provar que P Q, é o mesmo que provar que P é condição
suficiente para Q ser verdade. Então, caso esta implicação seja verdadeira, é
impossível termos P verdadeiro e Q falso ao mesmo tempo. A demonstração
por contradição ou demonstração por absurdo consiste em assumir que P é
verdade e Q é falso e obter, por meio de uma série de deduções, algum fato que
seja contraditório a alguma premissa tomada como correta no início da
demonstração.
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2 RELAÇÕES
O conjunto S é denominado conjunto subjacente da relação R.
Qualquer conjunto de pares ordenados de elementos de S é uma relação binária em S.
Então, dois elementos de S, por exemplo x e y, se relacionam por R se, e só se, (x,y) R.
Às vezes denotamos uma relação R entre elementos de S por um símbolo, como ‘ ‘, ‘≥’,
Nestes casos, denotamos ( x,y ) R por x y.
Exemplo 1 Considere o conjunto A={1,2,3}. O número de pares ordenados de A são
|A A| =3*3=9: A2={(1,1),(1,2),(1,3),(2,1),(2,2),(2,3),(3,1),(3,2),(3,3)}
Exemplo 2 A relação binária em S = {1,2,4}, definida por R={( x,y ) | x=y/2} é igual a
R = { (1,2), (2,4) }.
Exemplo 3 S = {1,2,4}, R = { (x,y) S2 : x ≤ y } = { (1,2), (1,4), (2,4) }, pois 1≤ 2, 1≤ 4, e 2≤ 4
Dados n conjuntos S1,S2,…,Sn, n ≥ 2, uma relação n-ária destes n conjuntos, nesta
ordem, é um subconjunto de S1 S2 … Sn.
Exemplo 4 Considere os conjuntos S={1,2,3} e T={ a,b}.
Sabemos que | S T | = 3*2=6
S T ={(1,a),(1,b),(2,a),(2,b),(3,a),(3,b)}
R = {(2,a), (3, b)} S TDizemos que o conjunto R é uma relação binária de S em T.
Exemplo 5 Seja S = {1,2,3} e T ={2,4,7}.
Defina a relação binária R = {(x,y) S T : x < y}
R={(1,2),(1,4),(1,7),(2,4),(2,7),(3,4),(3,7)}
Definição - RELAÇÕES BINÁRIAS e conjunto subjacente
Dado um conjunto S qualquer (finito ou infinito, tanto faz), uma relação binária R
em S é um conjunto R S × S (ou S2 ).
Definição - RELAÇÕES BINÁRIAS ENTRE CONJUNTOS DIFERENTES
Dados dois conjuntos S e T, uma relação binária de S em T é um subconjunto de S T
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2.1 RELAÇÃO BINÁRIA R DE S EM T. CLASSIFICAÇÃO
▪ Relação um-para-um:
o Se R S T é um-para-um, então, para todo par ( x,y ) R, nem x, nem y se
relacionam com mais ninguém através da relação R.
o Matematicamente,
▪ ((x,y) R)( (w,z) R) (x = w y = z) (y = z x = w ), ou
▪ ⌐ ( (x,y) R) ( (w,z) R) (x= w y≠ z) (y=z x≠ w )
▪ Relação um-para-muitos:
o Se R S T é um-para-muitos, então, para todo par ( x,y ) R, somente x
pode se relacionar por R com outro(s) elemento(s) de T, e existe pelo menos um caso
em que isto acontece. Entretanto, y só se relaciona com x.
o Matematicamente,
▪ ((x,y) R)((w,z)R)(y=z x=w) ( {(x,y), (x,z)} R)( y z)
▪ Relação muitos-para-um:
o É análoga à anterior. Apenas a 2ª componente pode aparecer em mais de
um par, e existe pelo menos uma situação deste tipo.
S
T •
•
•
•
•
•
S T
•
•
•
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▪ Relação muitos-para-muitos:
o Se R S T é muitos-para-muitos, então, existe pelo menos um caso em
que um elemento de S se relaciona por R com mais de um elemento de T, e existe pelo
menos um caso em que isto ocorre com um elemento de T.
o Matematicamente,
▪ ( {(x,y), (x,z)} R)( y z) ( {(x,y), (w,y)} R)( x w)
Exercício 1
Seja S = {2,5,7,9}. Classifique as relações em S2 de acordo com a classificação anterior.
a) R={(5,2),(7,5),(9,2)}
b) R={(2,5),(5,7),(7,2)}
c) R={(7,9),(2,5),(9,9),(2,7)}
Exercício 2
Seja S o conjunto de seres humanos. Classifique as relações abaixo de acordo com a
classificação anterior.
a) ( x,y ) R ↔ x é pai biológico de y
b) ( x,y ) R ↔ x e y têm pai ou mãe (biológicos) em comum.
c) ( x,y ) R ↔ x é filho biológico de y
2.2 PROPRIEDADES DE RELAÇÕES BINÁRIAS
As relações binárias que estamos interessados são aquelas sobre um único conjunto
subjacente S. As propriedades que serão vistas são as seguintes:
• Reflexividade, Simetria, Transitividade, e Anti-simetria
S T
•
•
•
•
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Definição - Relação reflexiva
Seja R uma relação binária em S.
R é reflexiva, se, e somente se, x S, (x,x) R
S = {1,2,3} e R={(1,1),(2,2),(3,3),(2,3),(1,2)} Reflexiva
Definição - Relação Simétrica
Seja R uma relação binária em S.
R é simétrica, se ( (x,y) R )( (y,x) R)
S = {1,2,3} e R={(1,2),(1,3),(2,1),(2,3),(3,1),(3,2)} Simétrica
Definição - Relação Transitiva
Seja R uma relação binária em S. R é transitiva, se
( (x,y) R)( (y,z) R (x,z) R)
S = {1,2,3} e R={(1,1),(1,2),(1,3),(2,2),(2,3),(3,3)} transitiva
Definição - Relação Anti-simétrica
Seja R uma relação binária em S. R é antisimétrica, se
( (x,y) R )( (y,x) R y = x )
S = {1,2,3} e R={(1,1),(1,2),(1,3),(2,2),(2,3),(3,3)}
R’={(1,1),(1,2),(1,3),(3,1),(2,2),(2,3),(3,3)}
não é anti-simétrica (por conta da presença de (1,3) e (3,1)),
não é simétrica (por conta da ausência de (2,1) e (3,2)
Exemplo Seja S = {1,2,3}
• Se uma relação R em S é reflexiva, que pares ordenados têm que pertencer a R?
• Se uma relação R em S é simétrica e se (a,b) R, que outro par ordenado tem que
pertencer a R?
• Se uma relação R em S é anti-simétrica, e se (a,b) R e (b,a) R, o que tem que ser
verdade?
• A relação R={(1,2)} em S é transitiva?
Não simetria
As propriedades de simetria e anti-simetria não são opostas.
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A relação R não é simétrica se: ( (x,y) R)( (y,x) R)
S={1,2,3} e R={(1,1),(2,2),(3,3)}. R é Reflexiva, Simétrica, Transitiva, e Anti-simétrica
Exemplo S={1,2,3} e R={(1,2),(2,1),(1,3)}
Não é reflexiva, Não é simétrica, Não é transitiva, Não é anti-simétrica
Exercícios
a) S = Z e (x,y) R x+y é par (pares obtidos com x e y ímpares ou x e y pares).
b) S = N+ e (x,y) R x divide y.
c) S={0,1} e (x,y) R x=y2.
2.3 FECHO DE RELAÇÕES
Exemplo ilustrativo:
Seja S = ℕ - {0} o conjunto subjacente da relação R definida por
(x,y) R S × S x divide y.
A relação R é reflexiva, transitiva, anti-simetrica, e não simétrica.
Seja F o conjunto formado apenas pelos pares necessários para que a propriedade
simetria passe a ser válida, F={ (x,y) ℕ2: y divide x , e x y }
O conjunto R* = R ∪ F é o fecho simétrico da relação R.
Repare que R* não é transitiva! Por exemplo, (2,4) R*, (2,6) R*, e (4, 2 ) R*, mas
(4,6) R*. Obviamente, por ser simétrica, R* também não é anti-simétrica.
Definição - Fecho de uma relação binária
A relação binária R* é o fecho de uma relação R em S, relativa a uma propriedade
(reflexividade, simetria, ou transitividade), se, e só se, R* tem a propriedade, R R*, e
R* é a relação minimal com estas características que tem o menor número de
elementos.
R* é minimal porque é a relação com estas características que tem o menor número de
elementos.
Dependendo da propriedade que estamos tratando, dizemos que R* é o fecho
reflexivo; ou o fecho simétrico; ou o fecho transitivo.
Exemplo 1 S={1,2,3} e R={(1,1),(1,2),(1,3),(3,1),(2,3)}
Fecho reflexivo: R*ref =R ∪.{(2,2),(3,3)},
Fecho simétrico: R*sim =R ∪ {(2,1),(3,2)}
Fecho transitivo: R*tr =R ∪ {(3,2),(3,3),(2,1)}∪ {(2,2)}
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Exercício S={a,b,c,d} e R={(a,a),(b,b),(c,c),(a,c),(a,d),(b,d),(c,a),(d,a)}
Obtenha os fechos reflexivo, simétrico, e transitivo de R
Para obter o fecho transitivo, cada vez que introduzimos um elemento novo no
conjunto, abrimos a possibilidade para a introdução de outros elementos. No Exemplo
1 acima, a introdução do elemento (2,1) fez com que (2,2) tivesse que ser inserido
também, pois (1,2) R e o fecho transitivo deve preservar a propriedade de
transitividade.
Uma forma de obter o fecho transitivo de uma relação R é a seguinte
algoritmo FechoTransitivo ( R )
F R , Q ← R ; T ←
loop
T ← Q , Q ←
/* T é o conjunto de elementos recém introduzidos em F
/* Q agora receberá os elementos novos
Para cada elemento ( x,y ) F, com x ≠ y faça
Para cada ( y,z ) T, com y ≠ z faça
se ( x,z ) F ∧ ( x,z ) ∉ Q então
insira ( x,z ) em Q
fim-se
fim-para fim-para
Para cada elemento ( x,y ) T, com x ≠ y faça
Para cada ( y,z ) F, com y ≠ z faça
se ( x,z ) F ∧ ( x,z ) ∉ Q então
insira ( x,z ) em Q
fim-se
fim-para fim-para
F ← Q ∪ F ;
se ( Q = ) então retorne F fim-se
fim-loop
fim-algoritmo
Cada elemento do F parcial deve ser testado com cada elemento do T que foi obtido na
iteração anterior do loop (ou do T inicial) para ver se é possível criar uma nova
transição. Da mesma forma, cada elemento do T deve sertestado com cada elemento
do F para ver se é possível criar uma nova transição.
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2.4 ORDEM PARCIAL
Definição - Ordem Parcial
Uma ordem parcial é uma relação binária reflexiva, anti-simétrica e transitiva.
Exemplo: S = N+ e (x,y) R x divide y ,
O par (S,R) é chamado conjunto parcialmente Ordenado
Exemplo S={1,2,3,6,12,18} e R: x divide y
R={...}, Predecessores de 6, Predecessores imediatos de 6
Note que um mínimo é um minimal.
Note que um máximo é um maximal.
2.4.1 Diagrama de Hasse
Podemos representar qualquer conjunto parcialmente ordenado (S,R) por um
diagrama de Hasse, desde que S seja um conjunto finito. No diagrama, cada elemento
x S deve ser representado. Se x é predecessor imediato de y, y é colocado acima de x e
os dois são ligados por um segmento de reta.
Definições - Predecessor, sucessor e predecessor imediato
Seja (S,R) um conjunto parcialmente ordenado. Se (x,y) R, dizemos que x é um
predecessor de y ou que y é um sucessor de x.
Se (x,y) R, e não existe z tal que (x, z ) R e ( z, y) R, então x é um predecessor
imediato de y.
Definições - Elemento mínimo e elemento minimal
Seja (S,R) um conjunto parcialmente ordenado. Se existe um y S tal que y é
predecessor de todos os elementos de S, então y é um elemento mínimo. Se y S
não tem predecessor, então y é dito minimal.
Definições - Elemento máximo e elemento maximal
Seja (S,R) um conjunto parcialmente ordenado. Se existe um y S tal que y é
sucessor de todos os elementos de S, então y é um elemento máximo. Se y S não
tem sucessor, então y é dito maximal.
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Exemplo Ilustrativo
S = ({1,2,3}), S é o conjunto de todos os subconjuntos de {1,2,3}, e R é a relação R = {
(A,B) S2 : A B }.
Repare que é predecessor imediato de três subconjuntos, indicando que ele se
relaciona com estes três conjuntos. Dado um elemento qualquer, ele vai se relacionar a
todos os elementos que consegue alcançar, de baixo para cima, no diagrama de Hasse,
refletindo a transitividade da ordem parcial.
Repare também que a relação R deste exemplo tem um mínimo, o conjunto , e um
máximo, o conjunto {1,2,3}.
Exercício S={a,b,c,d,e,f}, R={(a,a),(b,b),(c,c),(d,d),(e,e),(f,f),(a,b),(a,c),(a,d),(a,e),(d,e)}
e (S,R) um conjunto parcialmente ordenado. Faça o diagrama de Hasse
Definição - Ordem Total
Uma ordem parcial R onde todo elemento do conjunto está relacionado a todos os
outros elementos é chamada ordem total ou cadeia.
Exemplo: S = ℕ e R é a relação “menor ou igual”
2.5 RELAÇÕES DE EQUIVALÊNCIA, PARTIÇÕES, E CLASSES DE EQUIVALÊNCIA
Definição - Relação de Equivalência
Uma relação binária em um conjunto S é uma relação de equivalência se, e somente se,
é uma relação reflexiva, simétrica e transitiva
{ 1 , 3 } { 1, 2 }
{ 2 } { 1 }
{ 1 , 2 , 3 }
{ 2 , 3 }
{ 3 }
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Definição - Partição de um Conjunto
Uma partição de um conjunto S é uma coleção de subconjuntos disjuntos não vazios
de S cuja união é igual a S.
Dizendo de outra forma, suponha que S é um conjunto qualquer (finito ou infinito,
tanto faz) e {S1,S2,…,Sn} é uma coleção de n subconjuntos de S, onde n é um inteiro
positivo (ou seja, Si S, i = 1,2,..., n ). Suponha que S1 ∪ S2 ∪ ... ∪ Sn = S. Suponha que os
conjuntos da coleção são todos disjuntos (ou seja, Si ∩ Sj = , onde 1 ≤ i < j ≤ n ). Então a
coleção {S1,S2,…,Sn} é uma partição de S.
Observação: Uma partição pode até ser feita com uma coleção de um número infinito
de subconjuntos.
Teorema 1
Toda relação de equivalência em um conjunto S determina uma partição em S.
Prova
Seja R uma relação de equivalência.
Considere um elemento qualquer x S. Considere o conjunto [ x ] = { y : ( x , y ) R }.
Considere um outro elemento qualquer z S tal que z [ x ].
Então, necessariamente, [ z ] ∩ [ x ] = .
Se isto não é verdade, ou seja, se existe algum y [ z ] ∩ [ x ] ,
então ( y, z) R, ( x, y) R e, pela transitividade de R, ( x,z ) R.
Ora, isto contradiz a hipótese de que z [ x ].
Como R é uma relação de equivalência, cada elemento x S pertence a algum par da
relação (lembre-se que, por reflexividade ( x,x ) R ... ).
Portanto, a relação de equivalência R determina uma partição de S dada pelos
subconjuntos de S formados pelos elementos que se relacionam por R em S.
fim-prova
Teorema 2
Toda partição de um conjunto S determina uma relação de equivalência em S.
Prova
Definição - Classes de Equivalência (ou Parte da Partição)
Seja {S1,S2,…,Sn} uma partição de S. Então, cada subconjunto Si , i = 1,2,...,n, da
coleção é uma classe de equivalência ou parte da partição. É comum denotar Si pela
notação [ s ], onde s Si é um elemento qualquer de Si , geralmente s é aquele mais
facilmente identificável da classe.
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Seja {S1,S2,… } uma partição de S (infinita neste caso, mas pode ser finita também, tanto
faz). Então podemos definir uma relação R onde ( x,y ) R se, e só se, x e y pertencem à
mesma parte da partição.
Ora, R é reflexiva, pois, para todo x S, ( x,x ) R. A relação R é obviamente simétrica,
por sua definição.
Finalmente, R é transitiva; pois se ( x,y ) R e ( y,z ) R, isto quer dizer que x, y, e z
pertencem à mesma parte da partição de S e, portanto, ( x,z ) R.
fim-prova
Exemplo 1 (número finito de partes)
S=Z+ e R={(x,y) : x mod 2 = y mod 2}
[0], classe de equivalência dos pares; [1] , classe de equivalência dos ímpares
Exemplo 2 (número infinito de partes)
S = ℝ e R = { (x,y) : x = y }
S = { ... , [ -2 ] , [ -1 ], [ 0 ] , [ 1 ] , [ 2 ] , ... }
3 FUNÇÕES
Definição
Sejam S e T dois conjuntos quaisquer . Uma função f , de S em T, f:ST é uma relação
de S em T (ou seja, um subconjunto de S T) tal que cada elemento de S aparece
exatamente uma vez como a primeira componente de um par ordenado.
Uma função não pode ser uma relação “um-para-muitos” nem “muitos-para-muitos”,
mas pode ser uma relação “um-para-um” ou “um-para-muitos”.
• S é o domínio, T é o contradomínio
• Se (s,t) f, então diz-se que f(s) = t
• f(s) é a imagem de s sob a função f
• s é uma imagem inversa de f(s)
• O conjunto Im(f ) de todas as imagens é o conjunto imagem de f, Im(f ) T
Note que o conjunto das imagens inversas é o próprio domínio S.
Exemplos
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• S=T={1,2,3}, f S T, f={(1,1),(2,3),(3,1),(2,1)} não é função
• f:ℝ ℝ , f(x)=|x|, é função com domínio ℝ,. contradomínio ℝ, e imagem ℝ+∪ {0}...
Função de mais de uma variável
A função de mais de uma variável f:S1 S2 … Sn T associa a cada tupla de n
elementos (s1,s2, …, sn), si Si, um único elemento de T.
Seja f a função f :ℝ ℝ {1,2} ℝ dada por f (x,y,z)=xy+z
f (-4,3,1)=(-4)3+1=-64+1=-63
Exemplo
Função piso f:ℝ ℤ , f(x)= x associa a x ℝ o maior inteiro x; f(2,8)= 2,8 = 2
Função teto f:ℝ ℤ , f(x)= x , associa a x ℝ o menor inteiro ≥ x; f(2,8)=2,8 =3
Definição - Funções Iguais
Duas funções são ditas iguais se têm o mesmo domínio, o mesmo contradomínio e a
mesma associação de valores do contradomínioa valores do domínio.
Definição - Função Identidade em um conjunto S
É a função Is = { ( x,x ) : x S }.
Ou seja, a função identidade IS leva cada elemento x S ao elemento x, ou seja deixa
cada elemento de S fixo.
3.1 PROPRIEDADES DAS FUNÇÕES
• Sobrejetividade
• Injetividade
• Bijetividade
Definição - Função Sobrejetora (Sobrejeção)
Uma função f:S T é dita sobrejetora se sua imagem é igual a seu contradomínio, ou
seja, (tT)(s S)(t=f(s))
Definição - Função Injetora (Injeção)
Uma função f:S T, é dita injetora se nenhum elemento de T é a imagem de dois
elementos distintos de S; ou seja, ( t T )( t = f( s1 ) t = f( s2 ) s1 = s2 )
Definição - Função Bijetora (Bijeção)
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Uma função é bijetora se é ao mesmo tempo injetora e sobrejetora
Uma bijeção é uma relação um-para-um. Portanto, se f : S → T é uma bijeção, cada
imagem inversa de y T é única. Neste caso, podemos definir a função inversa de f.
Definição - Função Inversa
Seja f uma bijeção f :ST. Então existe função f-1:T S tal que, se f( s )= t, então f-1( t )= s.
Exercícios
1. Seja S={1,2,3} e T={2,3,4}, f={(1,2),(2,4),(3,3)}. Determine f-1
2. Seja f:ℝ ℝ dada por f(x)=3x+4. f é uma bijeção? Em caso positivo descreva f-1
3.1.1 Composição de Funções
Definição - Função Composta
Dadas duas funções f e g , onde f:ST, e g:T U, a função g○ f: S U , definida por
g○ f = { ( x , z ) : z = g( f ( x ) ) }, ou seja, g○f( x)=g( f ( x ) ), é função composta de f e g
O diagrama abaixo ilustra a composição g ○ f. Repare que o conjunto imagem da
função composta é subconjunto do conjunto imagem da função g.
Exercício
f:ℝ ℝ definida por f(x)=x2 e g: ℝ ℝ definida por g(x)= x
Qual o valor de g ○ f(2,3)? Qual o valor de f ○ g(2,3)?
Propriedades: A composição de funções preserva a Sobrejetividade, a Injetividade e a
Bijetividade. Ou seja, dadas duas funções f:ST, e g:T U
▪ se ambas são sobrejetoras, então f ○ g é sobrejetora;
▪ se ambas são injetoras, então f ○ g é injetora;
▪ se ambas são bijetoras, então f ○ g é bijetora, e g ○ f é a inversa de f ○ g
S
Im( g ○ f )
Im( f )
f: S → T
T
U
g: T → U
g: Im( f ) → U
Im( g )
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Diagrama - Manutenção da sobrejetividade
Diagrama - Manutenção da Injetividade
Nas funções injetoras, a imagem inversa de um elemento da imagem é única (relação
um-para-um). Os elementos e as projeções em vermelho, portanto, não podem existir.
Diagrama - Manutenção da Bijetividade
Prove as afirmações:
S
Im( f ) = Im( g-1 ) =T
T
U
Im( g ) = Im( g ○ f ) = U
f: S → T
Im( f -1 ) = Im( f ○ g ) = S
f: S → T
f -1: T → S g -1: U → T
g: T → U
S
Im( g ○ f )
Im( f )
f: S → T
T
U
g: T → U
g: Im( f ) → U
Im( g )
S
S
Im( f ) = T
f: S → T
T
U
g: T → U
Im( g ) = Im( g ○ f ) = U
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a) se f e g são injetoras, então g ○ f é injetora;
b) se f e g são sobrejetoras, então g ○ f é sobrejetora;
c) se f e g são bijetoras, então g ○ f é bijetora;
d) Existe uma injeção de A em B se, e só se, existe uma sobrejeção de B em A.
A mais difícil é a (d). Vamos lá:
Se f é injeção de A em B, para cada b ∈ Imagem( f ) ⊆ B , existe um único a ∈ A tal que
f(a) = b. Portanto, podemos montar uma sobrejeção de B em A fazendo assim:
- associar a cada b ∈ Imagem( f ) ⊆ B, este único a ∈ A tal que f(a) = b;
- associar a cada b ∈ B \ Imagem( f ) um elemento qualquer de A.
Agora suponha que existe uma sobrejeção g de B em A. Vamos criar uma injeção f de A
em B assim:
Para cada a ∈ A tal que exista um conjunto Ba ⊆ B tal que para cada b ∈ Ba , g(b) = a,
escolha um único elemento de Ba para que f(a) seja este elemento.
3.2 FUNÇÕES DE INTEIROS
3.2.1 Funções Piso e Teto
x ℝ , o piso de x, x o maior inteiro menor do que x
x ℝ , o teto de x, x o menor inteiro maior do que x
Ex.: ℝ , = 3 , - = -4 , = 4 , - = -3
a) x ℤ x = x x = x
b) x - x = bool_isInteiro( x )
c) x – 1 < x x x < x + 1
d) - x = - x , - x = -x
e) x = n n x < n + 1, ou x – 1 < n x
f) x = n n - 1 < x n , ou x n < x + 1
g) x + n = x + n , n ℤ
h) x = x + parteFracionaria( x )
3.2.2 Aplicações Funções Piso e Teto
Exemplo 1
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25 35 < 26 log2 35 = 5
35 = (100011)2 , são 6 bits
25 32 < 26 log232 = log232 = 5
32 = (100000)2 , são 6 bits
São necessários m bits para escrever um inteiro n tal que 2m-1 n < 2m
m-1 = log2n m = log2n + 1
são necessários log2n + 1 bits para escrever um inteiro n > 0 na base 2
103 2456 < 104 , é escrito com 4 algarismos
103 1000 < 104 , é escrito com 4 algarismos
São necessários m algarismos para escrever um inteiro n tal que 10m-1 n < 10m
m-1 = log n m = log n + 1
são necessários log n + 1 algarismos para escrever um inteiro n > 0 na base
decimal
Exemplo 2
x = x , pois teto ou piso de qualquer inteiro é o próprio inteiro...
Exemplo 3
Prove que para x ≥ 0
(1)
m2 x < (m + 1)2
m2 x < (m + 1)2
(2)
de (1) e (2) provamos o teorema...
De forma análoga podemos provar que
Exemplo 4
Se f( x ) é uma função contínua de ℝ em ℤ, monotonicamente crescente, então,
f ( x ) = f ( x ) , e f ( x ) = f ( x )
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Prova:
Se x = x , não há o que provar.
Para x > x ,
f ( x ) > f ( x ), uma vez que f é crescente
f ( x ) ≥ f ( x ) , uma vez que piso é não decrescente
Se f ( x ) > f ( x ) , então deve existir y tal que x < y x , e f( y ) = f( x ) , uma
vez que f é contínua
Mas y deve ser inteiro, pela propriedade da função dada pela hipótese.
Mas não pode haver um inteiro entre x e x . Esta contradição indica que
f ( x ) = f ( x )
Caso especial: f( x ) = ( x + m ) / n
onde m e n são inteiros
( x + m ) / n = ( x + m ) / n
da mesma forma
( x + m ) / n = ( x + m ) / n
Exemplo 5
m = 0, n = 10 f( x ) = x / 10 x / 10 = x / 10
Exemplo 6
[ a,b ] intervalo fechado de a até b
( a,b ) intervalo aberto de a até b
[ a,b ) intervalo que inclui a e exclui b
( a,b ] intervalo que exclui a e inclui b
n número de inteiros no intervalo
Suponha x ℤ
Quantos inteiros há no intervalo?
a,b ℤ
x [ a,b ] n = b – a + 1
x [ a,b ) n = b – a
x ( a,b ] n = b – a
x ( a,b ) n = b – a – 1
Generalizando para a,b ℝ
x [ a,b ] a x b n = b - a + 1
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x [ a,b ) a x < b n = b - a
x ( a,b ] a < x b n = b - a
x ( a,b ) a < x < b n = b - a - 1
Exemplo 7
Seja W o número de inteiros n [1,1000]tal que é divisor de n.
Determine W
Solução: Vou usar bool( proposição) como uma função booleana que verifica se a
proposição é verdadeira ou falsa. E a \ b é a proposição que diz que a é divisor de b
Podemos eliminar n dessa equação, uma vez que para n = 1, k =1 e para n=1000, k = 10
Se x [ k2 , (k + 1)3/ k ) , então (pelo que vimos anteriormente)
k2 x < (k + 1)3/ k
Portanto,
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Podemos generalizar o resultado lembrando que o valor máximo k = 10 foi obtido
porque
Portanto, se n [1, N ] , então o valor máximo de k seria
3.2.3 Operação módulo
n = m q + r (teorema fundamental da aritmética)
Qualquer inteiro n pode ser escrito como esta soma, onde q e r são o quociente e o resto
da divisão pelo inteiro m.
n = m n / m + n mod m
Então, o resto da divisão de um inteiro n por outro inteiro m é
n mod m = n - m n / m
Cuidado com os números negativos!
5 mod 3 = 5 – 3 5/3 = 5 – 3 1 = 2
5 mod (-3) = 5 – (-3) 5/(-3) = 5 + 3 -5/3 =5 + 3( -2) = -1
(-5) mod 3 = -5 – 3 (-5)/3 = -5 -3 -5/3 =-5+6 = 1
(-5) mod (-3) = -5 – (-3) (-5)/(-3) = -5 + 3 5/3 = -5 + 3 1= -2
Podemos generalizar para números reais arbitrários
x mod y = x – y x / y
O significado pode ser percebido intuitivamente considerando um círculo com
perímetro y marcado como um intervalo de [0.. y ). O valor x seria a distância
percorrida no círculo. Se o percurso começa em 0, então depois de percorrer a distância
x estaríamos no ponto x mod y. O número de voltas (passagem pelo ponto 0) seria x/y
0 x mod y < y, para y > 0
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0 ≥ x mod y > y para y < 0
Não há aplicações relevantes para considerar o caso em que y = 0, e 0 não é divisor de
nenhum número.
A parte fracionária de um número pode ser escrita como x mod 1, pois
x = x / 1 + x mod 1
x = x + x mod 1
Para a função módulo, a mais importante propriedade algébrica é a lei distributiva:
t ( x mod y ) = ( tx ) mod ( ty )
Basta verificar pela definição de x mod y