Prévia do material em texto
CÁLCULO I Prof. Edilson Neri Júnior | Prof. André Almeida Aula n o 10: Taxa de Variação, Velocidade, Aceleração e Taxas Relacionadas Objetivos da Aula • Definir taxa de variação; • Usar as regras de derivação no cálculo de taxas instantâneas de variação; • Resolver problemas envolvendo taxas relacionadas. 1 Taxa de Variação Suponha que y seja uma quantidade que depende de outra quantidade x. Assim, y é uma função de x e escrevemos y = f(x). Se x variar de x1 a x2, então a variação em x (também chamada de incremento) será ∆x = x2 − x1 e a variação correspondente em y será ∆y = f(x2)− f(x1). De posse destas informações, definimos: Definição 1 (Taxa média de variação de y em relação a x). O quociente das diferenças ∆y ∆x = f(x2)− f(x1) x2 − x1 é denominado taxa de variação de y em relação a x no intervalo [x1, x2] e pode ser interpretado como a inclinação da reta secante PQ. Observe graficamente: 1 Cálculo I Aula n o 10 Exemplo 1. A temperatura Fahrenheit F é dada em termos da temperatura Celsius C pela fórmula F = 1, 8C + 32. Determine a taxa média de variação de F em relação a C quando a temperatura passa de 20◦ C a 30◦ C. Solução: Considerando o intervalo dado: [20, 30], temos: ∆F ∆C = F (30)− F (20) 30− 20 = 86− 68 10 = 1, 8F/◦C. Isto significa que no intervalo considerado, cada aumento de 1 ◦ C corresponde a um aumento de 1,8 F, ou seja, a temperatura em Farenheit aumenta 1,8 vezes mais rapidamente que em Celsius. � 2 Taxa Instantânea de Variação Se uma quantidade y é função de uma quantidade x, isto é, y = f(x), já vimos que a taxa média de variação de y por unidade de variação em x, no intervalo [x1, x1 + ∆x], é dada por: ∆y ∆x = f(x1 + ∆x)− f(x1) ∆x . O "limite" deste quociente, quando x→ 0, isto é, lim x→0 f(x1 + ∆x)− f(x1) ∆x (1) e o que definimos como a taxa (instantânea) de variação de y em relação a x em x = x1. Exemplo 2. Usando a função dada no Exemplo 1, determine a taxa de variação de F em relação a C quando C=20 ◦ . Solução: Inicialmente vamos calcular a taxa média de F em relação a C no intervalo [20, 20 + ∆C], com ∆C 6= 0. Taxa Média = ∆F ∆C = 1, 8. Assim, a taxa instantânea quando C = 20◦ é dada por: lim ∆C→0 1, 8 = 1, 8. Uma vez que a taxa média é constante, independe do valor atribuído a ∆C, segue que a taxa de variação de F em relação a C quando C = 20◦C é 1,8 F/◦C. � É importante destacar que o limite da equação (1) é a derivada f ′(x1). Geometricamente, f ′(a) é a inclinação da reta tangente à curva y = f(x), quando x = a. Assim, temos uma segunda interpretação: A derivada f ′(a) é a taxa instantânea de variação de y = f(x) em relação a x quando x = a. Exemplo 3. O custo em real da fabricação de x brinquedos é dado pela função: C(x) = 110 + 4x+ 0, 02x2 Encontre a taxa com a qual o custo está variando quando x = 40. Solução: A taxa (instantânea) de variação de C(x) em x1 = 40 é dada por C ′(40). Como C ′(x) = 4 + 0, 04x ⇒ C ′(40) = 5, 6 reais. � Prof. Edilson Neri | Prof. André Almeida 2 Cálculo I Aula n o 10 Exemplo 4. Se a água de uma piscina está sendo escoada e V (t) = 250(40 − t)2 litros é o volume de água na piscina t minutos após o escoamento ter começado, encontre a velocidade com que a água flui da piscina 5 minutos após o escoamento ter começado. Solução: Como V (t) é uma função composta, usaremos a regra da cadeia. Fazendo u = 40− t, ficamos com: V = 250u2 e u = 40− t Segue que: dV dt = dV du . du dt = −500u = −500(40− t). Assim: dV dt ∣∣∣∣ t=5 = −500(40− 5) = −17.500 L/min. � 3 Velocidade e Aceleração Suponha que uma partícula se move ao longo de uma reta horizontal com sua posição no instante t dada pela função posição x(t). Quando o tempo sofre uma variação de t a t+ ∆t, a partícula se move da posição x(t) a x(t+ ∆t). O deslocamento da partícula, neste intervalo de tempo, é então dado por: ∆x = x(t+ ∆t)− x(t). Calculamos a velocidade média v da partícula, dividindo o deslocamento pelo tempo gasto neste deslo- camento. Assim, v = x(t+ ∆t)− x(t) ∆t E definimos a velocidade instantânea v da partícula no instante t, como o limite da velocidade média, quando ∆t→ 0, isto é, v(t) = lim ∆t→0 x(t+ ∆t)− x(t) ∆t = dx dt . (2) De modo análogo, definimos a acelaração a da partícula como a taxa de variação instantânea de sua velocidade: a(t) = lim ∆t→0 v(t+ ∆t)− v(t) ∆t = dv dt . (3) Exemplo 5. Um carro está viajando a velocidade de 80 km/h quando repentinamente o motorista pisa no freio. A função posição do carro em derrapagem é dada por x(t) = 80t − 2400t2. Por qual distância e durante quanto tempo o carro continua derrapando até parar? Solução: Consideremos o instante em que o motorista pisa no freio como t = 0. A velocidade do carro t horas após ele ter pisado no freio é dada por v(t) = dx dt = 80− 4800t. No momento em que o carro parar sua velocidade é nula. Fazendo então: v(t) = 0 ⇒ 80− 4800t = 0 ⇒ t = 1 60 h = 1min. Usando a equação de posição, podemos encontrar distância percorrida neste intervalo de tempo. Temos: x ( 1 60 ) = 2 3 km. � Prof. Edilson Neri | Prof. André Almeida 3 Cálculo I Aula n o 10 Exemplo 6. Um foguete lançado verticalmente para cima é rastreado por um estação localizado no solo a 8 km da plataforma de lançamento. Suponha que o ângulo θ de elevação da linha de visão até o foguete esteja aumentando de pi 60 radianos por segundo, quando θ = pi 3 rad. Determine a velocidade do foguete neste instante. Solução: Vamos considerar y(t) a função que dá a altura (em km) do foguete t segundos após o lança- mento. Das relações trigonométricas no triângulo retângulo ABC, temos: tg(θ) = y(t) 8 ⇒ y(t) = 8tg(θ). Dos dados do problema, temos de dθ dt ∣∣∣∣ t=pi 3 = pi 60 rad/s. Então: v(t) = dy dt = dy dθ . dθ dt = 8 sec2 x dθ dt ⇒ dy dt ∣∣∣∣ θ=pi 3 = 9 sec2 (pi 3 ) . pi 60 ≈ 1, 68 km/s. � 4 Taxas Relacionadas Suponha que duas variáveis x e y sejam funções de uma terceira variável t, isto é, x = f(t) e y = g(t). Como já vimos anteriormente, as derivadas dx dt = f ′(t) e dy dt = g′(t) são interpretadas como as taxas de variação, respectivamente, de x e y em relação a variável t. Se estas variáveis estão relacionadas por meio de alguma equação: Q(x(t), y(t)) = 0 derivando esta equação em relação a t, obtemos também uma equação relacionando as derivadas dx dt e dy dt : d dt [Q(x(t), y(t))] = 0. Neste caso, dx dt e dy dt são chamadas de taxas relacionadas. Prof. Edilson Neri | Prof. André Almeida 4 Cálculo I Aula n o 10 Exemplo 7. Se a área A de um círculo com raio r e o círculo expande à medida que o tempo passa, encontre dA dt em termos de dr dt . Solução: Sabemos que área A de um círculo de raio r é dada por: A = pir2 Como, tanto área, quanto raio variam no tempo, temos A = A(t) e r = r(t). Para encontrar dA dr , basta derivar em relação ao tempo, a fórmula acima membro a membro usando derivada implícita e regrada cadeia em relação a r = r(t). Temos assim: dA dt = d dt (pir2) = 2pir dr dt � Exemplo 8. Suponha que petróleo vaze por uma ruptura de um petroleiro e espalha-se em um padrão circular. Se o raio do petróleo derramado crescer a uma taxa constante de 1m/s, quão rápido a área do vazamento está crescendo quando a raio é igual a 30 m. Solução: Como o raio do petróleo derramado crescer a uma taxa constante de 1 m/s, significa que dr dt = 1m/s e quando r = 30 m, a área do vazamento estará crescendo conforme dA dt 2pir dr dt = 2pi.30.1 = 60pim2/s. � Exemplo 9. Um tanquecilíndrico com raio de 5 m está recebendo água a uma taxa de 3 m3/min. Quão rápido a altura de água está aumentando? Solução: Temos que: V = pir2h Derivando esta equação em relação a t, lembrando que V e h são funções de t: dV dt = 2pir dh dt e substituindo nesta equação os valores dados no problema, temos: dV dt = 2pir dh dt ⇒ dh dt = 3 25pi m/min. � Exemplo 10. Um tanque de água possui o formato de um cone circular reto invertido com raio da base igual a 10 m e altura igual a 15 m. Se a água está sendo bombeada para dentro do tanque a uma taxa de 0,1 m3/min, encontre a taxa na qual o nível da água está aumentando quando a água estiver a 5 m de profundidade. Solução: Sabemos que o volume do reservatório é dado por: V = 1 3 pir2h Note que a equação acima possui duas variáveis, r e h. Sendo assim, vamos eliminar uma delas, escrevendo-a em função da outra. Observe que: Prof. Edilson Neri | Prof. André Almeida 5 Cálculo I Aula n o 10 Logo, por semelhança de triângulos, temos: 15 h = 10 r ⇒ r = 2 3 h. Deste modo, podemos escrever o volume como: V = 1 3 pi ( 2 3 h )2 h ⇒ V = 4 27 pih3 Derivando em relação a t, obtemos: dV dt = 4pi 27 .3h2. dh dt = 4pi 9 .h2. dh dt . Substituindo os dados da questão na equação anterior, temos: dV dt = 4pi 9 .h2. dh dt = 0, 9 100pi m/s. � Resumo Faça um guia para a resolução de problemas envolvendo taxas relacionadas. Aprofundando o conteúdo Leia mais sobre o contúeudo desta aula no Capítulo 3 - Seções 3.5 e 3.9 do livro texto. Sugestão de exercícios Resolva os exercícios das seções 3.5 e 3.9 do livro texto. Prof. Edilson Neri | Prof. André Almeida 6