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RESUMÃO DE CLINICA MEDICA I   Seminários Parte 2

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ptose cria uma falsa 
impressão de que o globo ocular está interiorizado. Não há alterações dos reflexos 
pupilares. Apresenta diversas etiologias (também pode ser idiopática) como 
tumores de ápice pulmonar, traumatismos e massas cervicais. 
 
 
NISTAGMO 
 
São movimentos involuntários, repetitivos e rítmicos do globo ocular. Pode ser 
caracterizado por sua frequência (rápido ou lento), pela amplitude (amplo ou estreito), pela 
direção (horizontal, vertical ou rotacional) e pelo tipo de movimento (pendular e jerk). No 
pendular, o movimento do olho em cada direção é igual; no jerk, há um componente lento em 
uma direção e um rápido em outra. 
É provocado por impulsos motores irregulares para os músculos extraoculares. Pode ser 
causado por distúrbios oculares (estrabismos, catarata, coriorretinite) ou por disfunções 
neurológicas. Pode também ser fisiológico. Geralmente é acompanhado de diminuição da 
acuidade visual. 
 
OFTALMOPLEGIA INTERNUCLEAR 
 
É causada por danos ao fascículo longitudinal medial, que sobe do núcleo abducente na 
ponte ao núcleo oculomotor no mesencéfalo. A lesão das fibras que levam o sinal conjugado dos 
interneurônios do n. abducente aos motoneurônios do m. reto medial contralateral produz uma 
falha da adução à tentativa de olhar lateralmente. O olho ipsilateral à lesão é em geral mais altp 
do que o outro olho. O paciente que apresenta lesão bilateral do fascículo longitudinal medial 
terá esse oftalmoplegia bilateralmente. Sua causa mais comum é a esclerose múltipla, mas a 
lesão também pode ser provocada por tumores, acidentes vasculares, traumatismo ou qualquer 
processo no tronco encefálico. 
Obs.: Síndrome um-e-meio – causada por lesão combinada do fascículo longitudinal medial e 
núcleo abducente do mesmo lado. O único movimento ocular horizontal desses pacientes é a 
abdução do olho contralateral. 
 
 
 
A- Na posição inicial do olhar, os olhos parecem normais; B- O olhar horizontal para a 
esquerda encontra-se intacto; C- Ao tentar mover o olhar horizontalmente para a direita, o 
olho esquerdo não consegue aduzir. Nos pacientes levemente acometidos, o olho é 
capaz de aduzir parcialmente ou de forma mais lenta que o normal. Geralmente há 
nistagmo no olho abduzido. 
 
SÍNDROMES VESTIBULARES 
 
As doenças do aparelho vestibular são classificadas em síndromes vestibulares periféricas 
e centrais. Com o exame otoneurológico podemos classificar a patologia dentro das síndromes 
vestibulares em periféricas (irritativas ou deficitárias) e centrais (do ângulo ponto-cerebelar, da 
fossa posterior ou supra-tentoriais) que nos orientam para a pesquisa da etiologia através de 
exames complementares (bioquímicos, radiológicos, neurológicos, etc.). 
 
Síndromes Vestibulares Periféricas 
Localização da lesão: No labirinto ou nas vias vestibulares, até sua chegada ao tronco 
encefálico. 
Alteração neurológica: Não ocorre. 
São divididas: 
 Em relação à intensidade de resposta à eletronistagmografia: 
 Deficitárias (com hiporreflexia absoluta ou relativa à eletronistagmografia); 
 Irritativas (hiperreflexia absoluta ou relativa à eletronistagmografia). 
 Em relação ao local da lesão: 
 Endolabirínticas (comprometimento do labirinto); 
 Retrolabirínticas (comprometimento neural); 
 Não localizada. 
Sinais e sintomas: 
 Vertigens intensas, paroxísticas; 
 Surdez habitual; 
 Nistagmo horizontal, paroxístico, com período de latência, acompanhado de 
vertigem e não persistente após a repetição do movimento ou da posição que o 
originou; 
 Romberg lateral, não influenciado pela posição da cabeça; 
 Síndrome completa e harmônica (respectivamente, porque estão presentes todas 
as alterações que traduzem perturbação da função vestibular e porque todos os 
movimentos lentos ocorrem na mesma direção: p/ o lado do labirinto lesado). 
Classificação: doença de Ménière; doença de Mondini e outras malformações congênitas; 
vertigem postural paroxística benigna; pseudo-Ménière; neuronite vestibular; fístula perilinfática; 
fratura do rochedo, comoção labiríntica traumática, surdez e/ou vertigem súbita, síndrome de 
Lindsay; síndrome de Lermoyez; labirintopatias infecciosas (por vírus, bactérias, fungos); 
labirintopatias metanólicas (por DM, resistência à insulina, hipoglicemia, hiper e hipotireoidismo, 
disfunção hormonal ovariana); tumor do acústico; osteodistrofias (otosclerose, doença de Paget); 
síndromes cervicais; labirintopatias hemopáticas (por anemias, policitemias, leucemias); 
alterações da artéria vertebral ou sistema vertebrobasilar; síndrome do roubo da subclávia; 
labiritopatia vasculares (hipertensão arterial, hipotensão postural, estenose de carótidas); 
labirintopatias tóxicas (álcool, fumo, cafeína, barbitúricos anticonvulsivantes, diuréticos, 
salicilatos, quimioterápicos, ABs, uremia, hiperuricemia). 
 
Síndromes Vestibulares Centrais 
Localização da lesão: Nos núcleos vestibulares centrais ou nas vias vestibulares após os 
núcleos vestibulares – vias vestíbulo-cerebelares, vestíbulo-óculo motoras, vestíbulo-
mesencefálicas – ou a lesão pode estar ainda na via periférica – nn. vestibulares. 
Alteração neurológica: Ocorre. 
Classificação: 
 Síndromes da fossa posterior 
 Síndromes cerebelares; 
 Síndromes da linha média; 
 Síndrome do ângulo pontocerebelar. 
 Síndromes supratentoriais 
Sinais e sintomas: 
 Vertigens leves atípicas; 
 Surdez infrequente; 
 Curso com sintomas permanentes; 
 Romberg lateral, influenciado pela posição da cabeça; 
 Cefaleia; 
 Diplopia; 
 Convulsão; 
 Tremores; 
 Alterações da memória e comportamento; 
 Engasgos; 
 Disfonia; 
 Nistagmo de posição (paciente deitado em decúbito dorsal, lateral direito ou 
esquerdo, ou em posição de cabeça pendente) – quando presente pode indicar o 
comprometimento das vias vestibulares centrais. Tem as seguintes características: 
aparecer sem período de latência, não ser acompanhado de vertigem, não ser 
paroxístico e persistir após a repetição do movimento ou da posição que o originou. 
 Síndrome incompleta e desarmônica (nistagmo vertical nas lesões mesencefálicas, 
horizontal, nas pontinas e rotatótio, nas bulbares). 
Síndrome supratentoriais: 
Sintomas são vagos e o exame otoneurológico mostra múltiplos achados, principalmente 
com relação às alterações qualitativas do nistagmo, que precedem as alterações neurológicas. 
Síndromes cerebelares: Marcha atáxica, dismetria, disdiadococinesia e podem ser 
encontradas alterações no registro nistagmo. 
Síndromes da linha média da fossa posterior: alterações do nistagmo espontâneo ou semi-
espontâneo são muito importantes e mesmo patognomônicas. 
Síndromes do ângulo pontocerebelar: além da hipoacusia e alteração do equilíbrio, há 
alterações em relação às estruturas dessa região – tronco encefálico, cerebelo e pares 
cranianos V, VII, IX, X, XI e XII. Essas alterações são combinadas e dependem do volume da 
massa. As causas mais frequentes são, nessa ordem, tumor do acústico, meningioma, 
colesteatoma congênito e aneurismas. 212/222 
 
SÍNDROME PSEUDOBULBAR 
 
É causada por um comprometimento bilateral das aferências bulbares supranucleares (vias 
córtico-nucleares – feixe geniculado), gerando paralisia dos músculos inervados por elas, por 
diferentes fatores etiológicos. 
 Esta síndrome é observada quando existem pelo menos dois infartos cerebrais 
importantes em ambos os hemisférios cerebrais (instalando-se eventualmente em épocas 
diferentes) ou numerosas lacunas em ambos os lados, localizadas nos lobos frontais. 
 As lesões bilaterais dos hemisférios causam sinais reflexos bilaterais das vias córtico-
espinhais (c/ comprometimento dos movimentos