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FACULDADE NOROESTE LICENCIATURA EM PEDAGOGIA KEROLLINY OLIMPIA GOMES SANTOS PEDAGOGIA HOSPITALAR: OS DESAFIOS PARA A EDUCAÇÃO FORA DO AMBIENTE ESCOLAR Goiânia 2017 2 KEROLLINY OLIMPIA GOMES SANTOS PEDAGOGIA HOSPITALAR – OS DESAFIOS PARA A EDUCAÇÃO FORA DO AMBIENTE ESCOLAR Trabalho de conclusão de curso para obtenção do diploma de graduação no Curso Licenciatura em Pedagogia, da Faculdade Noroeste. ORIENTADOR: Prof. Guilherme Augusto Batista Carvalho. Goiânia 2017 3 Sumário INTRODUÇÃO.................................................................................................................4 OBJETIVO GERAL..........................................................................................................7 OBJETIVOS ESPECIFICOS............................................................................................7 JUSTIFICATIVA..............................................................................................................8 REFERENCIAL TEÓRICO..............................................................................................9 PROBLEMA...................................................................................................................15 METODOLOGIA............................................................................................................16 REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS............................................................................17 4 INTRODUÇÃO A cada dia aumenta a luta dos educadores modernos em busca de estruturas de igualdade e justiça social, pois para a constituição de uma sociedade inclusiva e acolhedora, tão necessária para a humanização e dignidade a que todos tem direito, a escola possui um lugar de proeminência, senão essencial. O trabalho do pedagogo assume diversas especificidades e possibilidades que podem ser exploradas em vários âmbitos. Entende-se como pedagogo o profissional que é formado em pedagogia, que no Brasil é uma graduação para licenciatura ou gestão escolar. Pedagogia é de origem da Grécia antiga e está subdividida em “paidos” que significa criança e “agoge” que significa condução, sendo assim, pedagogo é aquele que conduz a criança. Por possuir uma ramificação imensa, o curso de pedagogia envolve três conjuntos básicos, sendo eles: 1-Conteúdos filosóficos são estudos relacionados existência, ao conhecimento, a verdade, aos valores morais e estéticos, à mente e a linguagem. 2-Conteúdos científicos são estudos relacionados especificamente a área da pedagogia estudando teorias, metodologias, é onde é preciso que o acadêmico aprenda a “pensar certo” que nas palavras de Freire (2003) implica em um compromisso do educador com a consciência crítica desses educando, uma vez que a superação da ingenuidade não é um processo que se faz automaticamente. Pensar certo, do ponto de vista do professor, tanto implica o respeito ao senso comum no processo de sua necessária superação quanto o respeito e o estímulo à capacidade criadora do educando. (Freire, 2003, p. 29). 3-Conteúdos técnico-pedagógicos, ou seja, são técnicas administrativas gerais ou especificas implantações e controles das práticas pessoais, seleção, classificação e armazenamento de documentos, é o aprendizado de planejamentos e execuções de projetos educacionais. A Pedagogia Hospitalar é uma desses âmbitos que há na atuação do pedagogo. Ela surge da necessidade das crianças hospitalizadas de terem um acompanhamento pedagógico em seu período de internação, que é assegurado pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). A pedagogia hospitalar é um modo de ensino da Educação Especial que visa a ação do educador no ambiente hospitalar, no qual atende crianças ou adolescentes com necessidades educativas especiais transitórias, ou seja, crianças que por motivo de doença precisam de atendimento escolar diferenciado e especializado. Essa modalidade está inclusa na 2º resolução do Conselho Nacional de Educação (CNE) de 11 de fevereiro de 2001, onde é instruído às Diretrizes Nacionais para a educação e 5 estabelece às necessidades para uma melhor aplicação dá educação básica, destacando- se o artigo 3º Por educação especial, modalidade da educação escolar, entende-se um processo educacional definido por proposta pedagógica que assegure recursos e serviços educacionais especiais, organizados institucionalmente para apoiar, complementar, suplementar e, em alguns casos, substituir os serviços educacionais comuns, de modo a garantir a educação escolar e promover o desenvolvimento das potencialidades dos educandos que apresentam necessidades educacionais especiais, em todas as etapas e modalidades da educação básica (BRASIL, 2001, s/p). O papel desse profissional pode se realizar de diversas maneiras, quando analisado as três principais formas de atuação da pedagogia hospitalar, que está disposta em basicamente três modalidades: 1- Classe hospitalar/ atendimento em ambiente domiciliar - que não é nada menos que a escola no ambiente hospitalar na circunstância de internação temporária ou permanente, que garante o vínculo com a escola garantindo a admissão ou retorno ao seu grupo escolar, correspondente. Logo que apresenta o Parecer CNE / CEB nº 17, de 03 de julho de 2001: Os objetivos das classes hospitalares e do atendimento em ambiente domiciliar são: dar continuidade ao processo de desenvolvimento e ao processo de aprendizagem de alunos matriculados em escolas da Educação Básica, contribuindo para seu retorno e reintegração ao grupo escolar; e desenvolver currículo flexibilizado com crianças, jovens e adultos não matriculados no sistema educacional local, facilitando seu posterior acesso à escola regular (BRASIL,2001, p.24). 2- Brinquedoteca – este existe por que o brincar é muito importante para a criança, pois dessa maneira ela usufrui de oportunidades que desenvolve novas competências e aprende um pouco mais sobre o mundo, as pessoas e sobre si mesma, é ali onde há a socialização do brinquedo, o resgate de brincadeiras tradicionais e é onde se encontra o 9º e o 19º item do ECAH sendo assim expostos respectivamente: “9 - Direito de desfrutar de alguma forma de recreação, programas de educação para a saúde, acompanhamento do currículo escolar durante sua permanência hospitalar.” “19 - Direito a ter seus direitos constitucionais e os contidos no Estatuto da Criança e do Adolescente respeitados pelos hospitais integralmente.” (BRASIL, 2001, s/p).” 3-Recreação Hospitalar – Atividade que proporciona oportunidade da criança brincar, mas brincar não se atém somente ao contato ou interação com o elemento brinquedo, essencial é constituir a probabilidade de uma atividade que pode ser efetivada em um espaço adentro ou exteriorizo. Para um bom trabalho pedagógico é fundamental que em ambiente hospitalar seu trabalho seja pensado e trabalhado criticamente para que sua ação não seja limitada e meramente humanitarista. A pedagogia no ambiente hospitalar adéqua à garantia do prosseguimento do processo de aprendizagem, fazendo com que as crianças ao 6 regressarem à escola não venham a se sentir em discrepância em relação aos seus colegas e que não percam o vínculo com a escola e seu cotidiano. 7 OBJETIVO GERAL Descrever a importância do profissional da educação no ambiente hospitalar, contemplando suas funções, seu perfil e a necessidade de uma fundamentação teórica adequadaao meio ao qual está submetido seu trabalho, no caso, o ambiente hospitalar onde ocorre o atendimento de crianças, jovens e adultos inseridos no processo educacional, nas diferentes modalidades de ensino e que, por vários motivos, encontram-se hospitalizados, impossibilitados de participar do ambiente escolar formal. OBJETIVOS ESPECIFICOS 1. Submergir a natureza e o papel de tarefas educacionais realizadas em hospitais e sua relação com a identidade do profissional que o cumpre; 2. Ponderar a reação das crianças com as atividades propostas e verificar como é estabelecida a afinidade entre o pedagogo ou outro profissional responsável pelo trabalho educativo com a escola onde a criança/adolescente hospitalizada está matriculada; 3. Descrever e analisar como se dá o processo de elaboração das atividades educativas no contexto hospitalar; 4. Analisar como se dá à reintegração da criança hospitalizada na sociedade, especialmente, na escola; 5. Avaliar se há diferença entre o trabalho pedagógico realizado pelo pedagogo e o realizado por outros profissionais. 8 JUSTIFICATIVA A escolha do tema se deu mediante a curiosidade em conhecer novas áreas não escolares da pedagogia a partir de uma palestra realizada na Faculdade Noroeste no dia 18 de agosto de 2014, porém, foi a partir de uma participação em um grupo de voluntários de Goiânia - GO, e ao questionar um dos médicos do hospital Santa Casa de Misericórdia como era feito para que os pacientes (em idade escolar) ali internados prosseguissem sua vida escolar, onde a resposta recebida consistiu em que existem profissionais que trabalham essa questão com esses pacientes no que é chamado classe hospitalar, onde o trabalho pedagógico no ambiente hospitalar vem sido desenvolvido por diversos profissionais, que não o pedagogo, o que tornou se um motivo a mais. Pois, percebeu-se que a atuação do pedagogo não se reduz apenas ao ambiente escolar e, portanto, faz-se imprescindível que este profissional atue em outros ambientes e conquiste novos espaços. A importância que se dá a outras obrigações na vida de uma criança/adolescente hospitalizada, não apenas clínicas, constitui em reconhecer que outros fenômenos possuem igual relevância e podem também contribuir de forma significativa para amenizar a sua internação no hospital e também para o seu pleno restabelecimento social. Além de pensarmos na qualidade de vida oportunizada às crianças hospitalizadas, devemos pensar num estado de cura definitiva, em situações de doença, o que aumenta a responsabilidade social de integração desta criança ao meio social/escolar formal. Ao compreender que é indispensável a contribuição do profissional pedagogo às crianças/ adolescente hospitalizadas, entendemos que o tema abordado é de fundamental importância, por ampliar a contribuição das ciências da educação ao trabalho pedagógico nos hospitais, mobilizando a sociedade no sentido de garantir o direito ao atendimento pedagógico às crianças hospitalizadas. Portanto, almeja-se mostrar a importância desse profissional atuando nesse ambiente paraescolar, o hospital, contemplando suas funções, seu perfil, sua práxis e a necessidade de uma fundamentação teórica adequada ao meio essa nova realidade, bem como destacar sua participação política/pedagógica no processo de escolarização e a importância de sua presença nas políticas de humanização na área de saúde 9 REFERENCIAL TEÓRICO A inquietação acerca da função do docente e da atuação da escola frente à formação do educando no processo de ensino/aprendizagem, vem ao longo tempo gerando estudos entre os pesquisadores com o objetivo de ressaltar-se a importância do professor na prática educativa, assim como sua atuação que deve estar voltada para a cultivo do conhecimento do aluno. Não existe quem ensina ou quem aprende, mas quem aprende a aprender, dessa forma torna-se necessário a presença do professor como referência no ato educativo, sendo este um aprendiz e não o que ensina, pois a sua aprendizagem é adequada a do educando. Segundo Lüdke (2001, p.79) “Para se tornar um educador é preciso explorar, refletir e compreender a realidade vivenciada pelos membros de uma comunidade, integrando teoria e prática”. Dessa maneira, o professor deve atuar empenhado com essa transmissão do conhecimento, mas sempre voltado à pesquisa, socializando suas buscas e conhecimentos durante a prática educativa, para a melhoria da qualidade de ensino. A realidade brasileira, embora ainda de uma forma um tanto sucinta, inicia a partir da década de 1990 a busca de novas abordagens e modelos para compreender a prática pedagógica, ciências pedagógicas e epistemológicos relativos ao conteúdo escolar a ser ensinado/aprendido. Nóvoa (1995) afirma que a declaração profissional dos professores é carregada por lutas e conflitos, já que muitos dos problemas vividos hoje na educação, tem suas raízes nas dificuldades enfrentadas pela profissionalização docente ao longo de sua história. O professor é consciente de como é fundamental sua atuação na formação de pensadores, contudo o programa curricular preestabelecido pelas escolas tem o propósito de preparar o aluno para o ingresso numa universidade, realidade está comum na educação brasileira. Oliveira, afirma que O ato de educar compete a todas as instituições sociais comprometidas com o desenvolvimento do país. Principalmente a família – uma das instituições mais antigas – deve ter sua coparticipação junto à escola, uma vez que é ela que compete a transmissão de valores morais. Essa parceria deve visar à formação do educando, a fim de que este exerça sua autonomia e liberdade frente as suas atividades no contexto escolar e no seu convívio em sociedade. (OLIVEIRA, p. s/n) Ressaltando o que já se é conhecido por todos já envolvidos no âmbito da educação, ou seja, que ela se faz em todos os ambientes que frequentamos, seja em casa, na rua, na igreja, escola e demais locais onde exista envolvimento com a comunidade, onde o indivíduo ensina, aprende e/ou aprende-e-ensina. Brandão (1940, p.09) afirma que “Não 10 há uma forma única, nem um único modelo de educação, a escola não é o único lugar onde ela acontece e talvez, não seja o melhor; o ensino escolar não é a sua única prática e o professor profissional não é o seu único praticante.” Um professor não deve ser um mero transmissor de dados, que aprende no ambiente acadêmico o que vai ser ensinado aos alunos, mas um professor que determine o conhecimento em concordância com o aluno. Não é suficiente que ele saiba o conteúdo de sua disciplina. Ele precisa não só interagir com outras disciplinas, como também conhecer o aluno. Conhecer o aluno faz parte do papel desempenhado pelo professor por ocorrência da necessidade de saber o que ensinar, para que e para quem, ou seja, como o aluno vai utilizar o que aprendeu na escola em sua relação com o social. Dessa forma, Libâneo (1998, p.29) afirma que o professor medeia à relação ativa do aluno com a matéria, inclusive com os conteúdos próprios de sua disciplina, mas considerando o conhecimento, a experiência e o significado que o aluno traz à sala de aula, seu potencial cognitivo, sua capacidade e interesse, seu procedimento de pensar, seu modo de trabalhar. Nesse sentido o conhecimento de mundo ou o conhecimento prévio do aluno tem de ser respeitado e ampliado. Destacando ainda Libâneo (1998, p.13), apud Onrubia (1994, p. 101) O ensino deve ser entendido (...) como uma ajuda ao processo de aprendizagem. Ajuda necessária, porque sem ela é muito pouco provável que os alunos cheguem a aprender, e a aprender da maneira mais significativapossível, os conhecimentos necessários para seu desenvolvimento pessoal e para sua capacidade de compreensão da realidade e de atuação nela. Entretanto, só ajuda, porque o ensino não substitui a atividade mental construtiva do aluno, nem ocupa seu lugar (Onrubia, 1994, p. 101) Lecionar bem não significa repassar os conteúdos, mas levar o aluno a refletir, e tornar-se crítico, tornando-se um cidadão ativo dentro da sociedade, apto a questionar, debater e romper paradigmas. A dúvida neste casso, torna-se uma exposição de um aspecto positivo, pois gera a curiosidade, levando o aluno a refletir e buscar respostas. Cury (2003, p.127) afirma que “a exposição interrogada gera a dúvida, a dúvida gera o estresse positivo, e este estresse abre as janelas da inteligência. Assim formamos pensadores, e não repetidores de informações”. O autor citado ressalta que a exposição interrogada transforma a informação em saber e esse saber, em experiência e o melhor; o professor não mais é persuasivo, ou o que convence, mas o que provoca e estimula a inteligência. O professor deve portanto, provocar o aluno passivo para que se torne num aluno sujeito da ação, contribuindo com seu conhecimento e sua experiência, tornando o aluno crítico e criativo. Cury (2003, p.65) 11 “Os educadores, apesar das suas dificuldades, são insubstituíveis, porque a gentileza, a solidariedade, a tolerância, a inclusão, os sentimentos altruístas, enfim todas as áreas da sensibilidade não podem ser ensinadas por máquinas, e sim por seres humanos.” Conclui-se com essa afirmação que o professor é a alma do estabelecimento de ensino. Ele tem a tarefa respeitável de formar cidadãos e de ampliar neles o senso crítico da realidade, para que possam aproveitar o que aprenderam na escola e em diversas situações e/ou lugares. A escola não é a que detém o saber, mas é a responsável por preparar o aluno para as exigências postas pela sociedade. Sabe-se que a escola não é responsável sozinha pelas transformações sociais, porém é nela que acontece a interferência pedagógica, resultando no processo de ensino/aprendizagem. É preciso então, que ela tenha consciência da sua importância para melhor desenvolvimento do educando a sua formação crítica e oferecer condições para que ele possa interagir das decisões da sua comunidade local ou mundial. De acordo com o Art. 9º (PCNs, p.15); Na observância da Contextualização, as escolas terão presente que: I. na situação de ensino e aprendizagem, o conhecimento é transposto da situação em que foi criado, inventado ou produzido, e por causa desta transposição didática deve ser relacionado com a prática ou a experiência do aluno a fim de adquirir significado; II. a relação entre teoria e prática requer concretização dos conteúdos curriculares em situações mais próximas e familiares do aluno, nas quais se incluem as do trabalho e do exercício da cidadania; III. a aplicação de conhecimentos constituídos na escola às situações da vida cotidiana e da experiência espontânea permite seu entendimento, crítica e revisão Portanto, a escola deve trabalhar de forma que acomode os conteúdos à realidade e à diversidade cultural, e que a teoria e a prática estejam em consonância com as situações vividas pelos alunos A escola, enquanto instituição social, é um dos espaços distintos de formação e informação, em que a aprendizagem dos conteúdos deve estar em conformidade com as questões sociais que marcam cada momento histórico. Ou seja, deve estar relacionada ao cotidiano dos alunos, desde o aspecto local ao global. Dessa forma, a escola deve deixar de ser uma instituição transmissiva de informações e transformar-se num lugar onde a informação seja produzida e o conhecimento seja significante. O educando assegura sua identidade através do conhecimento e competências adquiridos na escola. Charlot (Nova Escola, p.18) afirma “a escola ideal é aquela que faz sentido para todos e na qual o saber é fonte de prazer.” Diante disso vê-se que a escola que se deseja é a que promova saberes que o aluno entenda. 12 Libâneo (2001, p.153) afirma que vivemos “uma ampliação do conceito de educação e a diversificação das atividades educativas, levando por consequência, a uma diversificação da ação pedagógica na sociedade”. Fazendo com que essa ampliação saia da referência “edifício” escola indo até os seus alunos esteja ele no ambiente que estiver. Tudo o que entendemos conscientemente, no âmbito da educação é, e só é, o que acontece dentro de uma sala que fica dentro de um edifício. Aquele que chamamos escola ou, quando caminhamos para a vida adulta, de universidade, seguindo o que apresenta-se acima, há mais lógica quando relacionarmos educação com construção de conhecimento, onde aprende-se e reflete-se sobre como as coisas e seres que nos cercam e fazem parte da nossa vida existem, funcionam, se relacionam, interferem uns nos outros, independentemente de onde, como e quando isso acontece. Para Carlos Libâneo (2001) A pedagogia se ocupa, de fato, com a formação escolar de criança, com processos educativos, métodos, maneiras de ensinar, mais antes disso, ela tem um significado mais amplo, bem mais globalizante. Ela é um campo de conhecimento sobre a problemática educativa na sua totalidade e historicidade e, ao mesmo tempo, uma diretriz orientadora da ação educativa. A preocupação em manter a formação de professores no curso de Pedagogia foi maior do que a suas vertentes da própria ação educativa, tanto é que, muito se discute sobre essa atuação profissional, do espaço escolar e principalmente do espaço não escolar. Primeiramente entendamos a distinção entre o espaço formal, não formal. O espaço formal é caracterizado por uma formalização no sistema educativo, é aquele em que a educação possui um espaço hierarquicamente estruturada. O espaço não formal é caracterizado pela atividade organizada e sistemática que acontece fora do sistema formal da educação, também caracterizado, por experiências diárias, suas relações cotidianas com o meio e o que acontece durante toda sua vida. O curso de Licenciatura em Pedagogia enfatiza principalmente o campo escolar, o que também prepara os acadêmicos para atuar em espaços extraescolares, uma vez que, se compreendermos com excelência como acontece o processo ensino aprendizagem nas escolas, também nos tornaremos capazes de ensinar em outros âmbitos não-escolares e vice-versa. Sendo assim, as práticas realizadas em espaços não formais podem contribuir com o campo escolar, como destaca Trilla (2008, p. 18): O processo educativo global do indivíduo e os efeitos produzidos pela escola não podem ser entendidos independentemente dos fatores e intervenções educacionais não escolares, uma vez que ambos interferem continuamente na ação escolar. [...] o 13 estudo dos processos educativos verificados fora da escola pode contribuir, inclusive, para sua melhoria. Portanto, a pedagogia no espaço não escolar é um componente importante no que se refere à educação. A valorização de forma recente e o desenvolvimento dessa nova tendência pedagógica têm mostrado e deixado em evidência a necessidade da participação do pedagogo em ambientes educacionais. Este novo ambiente de atuação do Pedagogo vem sendo analisado como uma nova visão de ensinar, oferecendo oportunidade as crianças afastadas da escola por motivos de saúde, também ajuda nos transtornos emocionais causados pela internação, como a raiva, insegurança, incapacidades e frustrações que podem prejudicar na recuperação do paciente. De acordo com o dicionário Aurélio, o hospital é um local proposto ao diagnóstico e ao tratamento de doentes,onde se exercita também a investigação e a educação. O hospital como estabelecimento de saúde, tem como finalidade cumprir as funções de prevenção, diagnóstico e tratamento de doenças. Os hospitais podem ser gerais, psiquiátricos, geriátricos e materno-infantis (as maternidades), entre outras especialidades. O pedagogo hospitalar tem papel fundamental dentro da educação pois tem como finalidade acompanhar a criança ou adolescente no período de ausência escolar, internados em instituições hospitalares, dessa maneira a pedagogia hospitalar, é um dos ambientes da pedagogia extra escolar, assume a responsabilidade de promover a educação escolar fora da escola a criança/Adolescente em condições especiais da saúde, minimizando possíveis problemas de aprendizagens e colaborando com a melhor no quadro clinico. Uma criança ao ser internada, por exemplos muitas vezes perde a sua identidade, pois ao ser internada ele perde o contato com amigos, afasta-se da escola, fica distante do seu convívio social e passa a viver outra realidade. Para que não haja essa perca de identidade, criou-se a intervenção pedagógica hospitalar, Olivia Porto (2008, P.15) afirma que: “O homem é um animal inicialmente dependente da interação entre os seus iguais. Da mesma espécie precisando de outras pessoas para receber cuidado, carinho, afeto e se manter vivo, tendo necessidades especificas que outros animais não possuem para se desenvolver plenamente, tais como: relações sociais, de seguranças, cognitivas e de capacidade. O que nós leva a concluir que, todo ser necessita de outro para ser capaz de lutar e regenerar-se em situações distantes do meio social quando, situações como essas, deixam de agir, diminuem e abalam o seu psicológico o que por inúmeras vezes 14 comprometem aspectos físicos e biológicos, tornando-se necessários o atendimento médico e a tratamento escolar. Dando ênfase a esta prática Wolf (2007, p. 2) A prática do pedagogo se dará através das variadas atividades lúdicas e recreativas como a arte de contar histórias, brincadeiras, jogos, dramatização, desenhos e pinturas, a continuação dos estudos no hospital. Essas práticas são as estratégias da Pedagogia Hospitalar para ajudar na adaptação, motivação e recuperação do paciente, que por outro lado, também estará ocupando o tempo ocioso. Ressalta-se ainda, que a atuação não ocorre apenas com os enfermos, mas também com os pais/ acompanhantes é uma ponte entre todos, tendo como foco principal a cura do paciente e seu pleno desenvolvimento. A Pedagogia Hospitalar busca oferecer auxílio e acolhimento emocional e humanístico para os familiares e pacientes que, muitas vezes, apresentam problemas de ordem psico/afetiva que podem prejudicar na adaptação no espaço hospitalar. (WOLF, 2007) Muitos fatores precisam ser analisados pelo profissional que atua nesta área, um deles é como o paciente se sente estando no ambiente do hospital e como o mesmo reagirá frente as suas atividades. Geralmente, o ambiente do hospital é visto como um lugar triste, com poucas possibilidades, obscuro e deprimente. Não só pelas crianças e adolescentes, mas pela grande maioria das pessoas que por ali passam. Assim Paula, Foltran (2007 p. 1) afirmam que Quando uma criança ou um adolescente hospitalizado brinca ou consegue ter momentos de distração e de divertimento no contexto hospitalar, mergulham em um universo de possibilidades, pois nestes espaços eles recriam e enfrentam situações vividas por eles no seu cotidiano. É por isso que crianças e adolescentes precisam usufruir dos benefícios emocionais, intelectuais e culturais que as atividades lúdicas proporcionam. Dentro desta perspectiva, a educação no hospital se constitui como processo necessário, uma vez que “propicia a criança o conhecimento e a compreensão daquele espaço, resinificando não somente ele, como a própria criança, sua doença e suas relações nessa nova situação de vida” (FONTES, 2005b, p. 135). 15 PROBLEMA Como é desenvolvido o trabalho pedagógico em ambientes hospitalares com crianças internadas por longo período de tempo ou recorrentes, e como é a atuação do pedagogo e de outros profissionais nestas atividades? 16 METODOLOGIA O trabalho será desenvolvido via pesquisa bibliográfica e qualitativa exploratória, no intuito de atribuir valores teóricos ao estudo, mas também aplicabilidade em atuação dos profissionais. Será utilizado como instrumento de pesquisa também um questionário, composto de questões abertas e fechadas, que entregues pessoalmente e enviados via correio eletrônico aos pedagogos e responsáveis pela área de atuação a ser pesquisada, a fim de analisar como é o trabalho em espaços não escolares, suas dificuldades, quais os conhecimentos necessários para desenvolver as atividades, qual a característica da população atendida, entre outras indagações referentes a esse tema. Juntamente a essas análises serão feitas pesquisas de campo com utilitários científico no Hospital do Câncer de Goiânia (HCG) e no Hospital das Clínicas (HC) do município de Goiânia em Goiás. Sendo assim, a pesquisa é de natureza exploratória que envolve levantamento bibliográfico, entrevistas com pessoas que tiveram (ou tem) experiências práticas com o problema pesquisado e análise de exemplos que estimulem a compreensão. 17 REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS BRANDÃO, Carlos Rodrigues. O que é educação. 1940. 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