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Pedagogia Hospitalar - Projeto de pesquisa

Trabalho de conclusão de curso sobre Pedagogia Hospitalar que examina a atuação do pedagogo com crianças hospitalizadas, discute conteúdos da formação (filosófico, científico e técnico-pedagógico), o marco legal (ECA, Resolução CNE/2001) e traz introdução, objetivos, justificativa, referencial teórico, problema, metodologia e referências.

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FACULDADE NOROESTE 
LICENCIATURA EM PEDAGOGIA 
 
 
 
 
 
 
 
 
KEROLLINY OLIMPIA GOMES SANTOS 
 
 
 
 
PEDAGOGIA HOSPITALAR: OS DESAFIOS PARA A EDUCAÇÃO FORA DO 
AMBIENTE ESCOLAR 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Goiânia 
2017
2 
 
 
KEROLLINY OLIMPIA GOMES SANTOS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
PEDAGOGIA HOSPITALAR – OS DESAFIOS PARA A EDUCAÇÃO FORA 
DO AMBIENTE ESCOLAR 
 
 
 
 
Trabalho de conclusão de curso para 
obtenção do diploma de graduação no 
Curso Licenciatura em Pedagogia, da 
Faculdade Noroeste. 
 
ORIENTADOR: Prof. Guilherme 
Augusto Batista Carvalho. 
 
 
 
 
 
Goiânia 
2017
3 
 
 
Sumário 
 
INTRODUÇÃO.................................................................................................................4 
OBJETIVO GERAL..........................................................................................................7 
OBJETIVOS ESPECIFICOS............................................................................................7 
JUSTIFICATIVA..............................................................................................................8 
REFERENCIAL TEÓRICO..............................................................................................9 
PROBLEMA...................................................................................................................15 
METODOLOGIA............................................................................................................16 
REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS............................................................................17 
 
4 
 
INTRODUÇÃO 
A cada dia aumenta a luta dos educadores modernos em busca de estruturas de 
igualdade e justiça social, pois para a constituição de uma sociedade inclusiva e 
acolhedora, tão necessária para a humanização e dignidade a que todos tem direito, a 
escola possui um lugar de proeminência, senão essencial. 
O trabalho do pedagogo assume diversas especificidades e possibilidades que 
podem ser exploradas em vários âmbitos. Entende-se como pedagogo o profissional que 
é formado em pedagogia, que no Brasil é uma graduação para licenciatura ou gestão 
escolar. Pedagogia é de origem da Grécia antiga e está subdividida em “paidos” que 
significa criança e “agoge” que significa condução, sendo assim, pedagogo é aquele 
que conduz a criança. Por possuir uma ramificação imensa, o curso de pedagogia 
envolve três conjuntos básicos, sendo eles: 
1-Conteúdos filosóficos são estudos relacionados existência, ao conhecimento, a 
verdade, aos valores morais e estéticos, à mente e a linguagem. 
2-Conteúdos científicos são estudos relacionados especificamente a área da pedagogia 
estudando teorias, metodologias, é onde é preciso que o acadêmico aprenda a “pensar 
certo” que nas palavras de Freire (2003) implica em um compromisso do educador com 
a consciência crítica desses educando, uma vez que a superação da ingenuidade não é 
um processo que se faz automaticamente. Pensar certo, do ponto de vista do professor, 
tanto implica o respeito ao senso comum no processo de sua necessária superação 
quanto o respeito e o estímulo à capacidade criadora do educando. (Freire, 2003, p. 29). 
3-Conteúdos técnico-pedagógicos, ou seja, são técnicas administrativas gerais ou 
especificas implantações e controles das práticas pessoais, seleção, classificação e 
armazenamento de documentos, é o aprendizado de planejamentos e execuções de 
projetos educacionais. 
A Pedagogia Hospitalar é uma desses âmbitos que há na atuação do pedagogo. 
Ela surge da necessidade das crianças hospitalizadas de terem um acompanhamento 
pedagógico em seu período de internação, que é assegurado pelo Estatuto da Criança e 
do Adolescente (ECA). A pedagogia hospitalar é um modo de ensino da Educação 
Especial que visa a ação do educador no ambiente hospitalar, no qual atende crianças ou 
adolescentes com necessidades educativas especiais transitórias, ou seja, crianças que 
por motivo de doença precisam de atendimento escolar diferenciado e especializado. 
Essa modalidade está inclusa na 2º resolução do Conselho Nacional de Educação (CNE) 
de 11 de fevereiro de 2001, onde é instruído às Diretrizes Nacionais para a educação e 
5 
 
estabelece às necessidades para uma melhor aplicação dá educação básica, destacando-
se o artigo 3º 
Por educação especial, modalidade da educação escolar, entende-se um 
processo educacional definido por proposta pedagógica que assegure 
recursos e serviços educacionais especiais, organizados institucionalmente 
para apoiar, complementar, suplementar e, em alguns casos, substituir os 
serviços educacionais comuns, de modo a garantir a educação escolar e 
promover o desenvolvimento das potencialidades dos educandos que 
apresentam necessidades educacionais especiais, em todas as etapas e 
modalidades da educação básica (BRASIL, 2001, s/p). 
O papel desse profissional pode se realizar de diversas maneiras, quando 
analisado as três principais formas de atuação da pedagogia hospitalar, que está disposta 
em basicamente três modalidades: 
1- Classe hospitalar/ atendimento em ambiente domiciliar - que não é nada menos que a 
escola no ambiente hospitalar na circunstância de internação temporária ou permanente, 
que garante o vínculo com a escola garantindo a admissão ou retorno ao seu grupo 
escolar, correspondente. Logo que apresenta o Parecer CNE / CEB nº 17, de 03 de julho 
de 2001: 
Os objetivos das classes hospitalares e do atendimento em ambiente domiciliar são: 
dar continuidade ao processo de desenvolvimento e ao processo de aprendizagem de 
alunos matriculados em escolas da Educação Básica, contribuindo para seu retorno e 
reintegração ao grupo escolar; e desenvolver currículo flexibilizado com crianças, 
jovens e adultos não matriculados no sistema educacional local, facilitando seu 
posterior acesso à escola regular (BRASIL,2001, p.24). 
2- Brinquedoteca – este existe por que o brincar é muito importante para a criança, pois 
dessa maneira ela usufrui de oportunidades que desenvolve novas competências e 
aprende um pouco mais sobre o mundo, as pessoas e sobre si mesma, é ali onde há a 
socialização do brinquedo, o resgate de brincadeiras tradicionais e é onde se encontra o 
9º e o 19º item do ECAH sendo assim expostos respectivamente: 
“9 - Direito de desfrutar de alguma forma de recreação, programas de educação para 
a saúde, acompanhamento do currículo escolar durante sua permanência hospitalar.” 
“19 - Direito a ter seus direitos constitucionais e os contidos no Estatuto da Criança 
e do Adolescente respeitados pelos hospitais integralmente.” (BRASIL, 2001, s/p).” 
3-Recreação Hospitalar – Atividade que proporciona oportunidade da criança brincar, 
mas brincar não se atém somente ao contato ou interação com o elemento brinquedo, 
essencial é constituir a probabilidade de uma atividade que pode ser efetivada em um 
espaço adentro ou exteriorizo. 
Para um bom trabalho pedagógico é fundamental que em ambiente hospitalar 
seu trabalho seja pensado e trabalhado criticamente para que sua ação não seja limitada 
e meramente humanitarista. A pedagogia no ambiente hospitalar adéqua à garantia do 
prosseguimento do processo de aprendizagem, fazendo com que as crianças ao 
6 
 
regressarem à escola não venham a se sentir em discrepância em relação aos seus 
colegas e que não percam o vínculo com a escola e seu cotidiano. 
 
 
7 
 
OBJETIVO GERAL 
Descrever a importância do profissional da educação no ambiente hospitalar, 
contemplando suas funções, seu perfil e a necessidade de uma fundamentação teórica 
adequadaao meio ao qual está submetido seu trabalho, no caso, o ambiente hospitalar 
onde ocorre o atendimento de crianças, jovens e adultos inseridos no processo 
educacional, nas diferentes modalidades de ensino e que, por vários motivos, 
encontram-se hospitalizados, impossibilitados de participar do ambiente escolar formal. 
 
OBJETIVOS ESPECIFICOS 
1. Submergir a natureza e o papel de tarefas educacionais realizadas em hospitais e sua 
relação com a identidade do profissional que o cumpre; 
2. Ponderar a reação das crianças com as atividades propostas e verificar como é 
estabelecida a afinidade entre o pedagogo ou outro profissional responsável pelo 
trabalho educativo com a escola onde a criança/adolescente hospitalizada está 
matriculada; 
3. Descrever e analisar como se dá o processo de elaboração das atividades educativas 
no contexto hospitalar; 
4. Analisar como se dá à reintegração da criança hospitalizada na sociedade, 
especialmente, na escola; 
5. Avaliar se há diferença entre o trabalho pedagógico realizado pelo pedagogo e o 
realizado por outros profissionais. 
 
8 
 
 
JUSTIFICATIVA 
A escolha do tema se deu mediante a curiosidade em conhecer novas áreas não 
escolares da pedagogia a partir de uma palestra realizada na Faculdade Noroeste no dia 
18 de agosto de 2014, porém, foi a partir de uma participação em um grupo de 
voluntários de Goiânia - GO, e ao questionar um dos médicos do hospital Santa Casa de 
Misericórdia como era feito para que os pacientes (em idade escolar) ali internados 
prosseguissem sua vida escolar, onde a resposta recebida consistiu em que existem 
profissionais que trabalham essa questão com esses pacientes no que é chamado classe 
hospitalar, onde o trabalho pedagógico no ambiente hospitalar vem sido desenvolvido 
por diversos profissionais, que não o pedagogo, o que tornou se um motivo a mais. Pois, 
percebeu-se que a atuação do pedagogo não se reduz apenas ao ambiente escolar e, 
portanto, faz-se imprescindível que este profissional atue em outros ambientes e 
conquiste novos espaços. 
A importância que se dá a outras obrigações na vida de uma criança/adolescente 
hospitalizada, não apenas clínicas, constitui em reconhecer que outros fenômenos 
possuem igual relevância e podem também contribuir de forma significativa para 
amenizar a sua internação no hospital e também para o seu pleno restabelecimento 
social. Além de pensarmos na qualidade de vida oportunizada às crianças 
hospitalizadas, devemos pensar num estado de cura definitiva, em situações de doença, 
o que aumenta a responsabilidade social de integração desta criança ao meio 
social/escolar formal. 
Ao compreender que é indispensável a contribuição do profissional pedagogo às 
crianças/ adolescente hospitalizadas, entendemos que o tema abordado é de fundamental 
importância, por ampliar a contribuição das ciências da educação ao trabalho 
pedagógico nos hospitais, mobilizando a sociedade no sentido de garantir o direito ao 
atendimento pedagógico às crianças hospitalizadas. 
Portanto, almeja-se mostrar a importância desse profissional atuando nesse 
ambiente paraescolar, o hospital, contemplando suas funções, seu perfil, sua práxis e a 
necessidade de uma fundamentação teórica adequada ao meio essa nova realidade, bem 
como destacar sua participação política/pedagógica no processo de escolarização e a 
importância de sua presença nas políticas de humanização na área de saúde 
9 
 
 
REFERENCIAL TEÓRICO 
A inquietação acerca da função do docente e da atuação da escola frente à 
formação do educando no processo de ensino/aprendizagem, vem ao longo tempo 
gerando estudos entre os pesquisadores com o objetivo de ressaltar-se a importância do 
professor na prática educativa, assim como sua atuação que deve estar voltada para a 
cultivo do conhecimento do aluno. Não existe quem ensina ou quem aprende, mas quem 
aprende a aprender, dessa forma torna-se necessário a presença do professor como 
referência no ato educativo, sendo este um aprendiz e não o que ensina, pois a sua 
aprendizagem é adequada a do educando. 
Segundo Lüdke (2001, p.79) “Para se tornar um educador é preciso explorar, 
refletir e compreender a realidade vivenciada pelos membros de uma comunidade, 
integrando teoria e prática”. Dessa maneira, o professor deve atuar empenhado com essa 
transmissão do conhecimento, mas sempre voltado à pesquisa, socializando suas buscas 
e conhecimentos durante a prática educativa, para a melhoria da qualidade de ensino. 
A realidade brasileira, embora ainda de uma forma um tanto sucinta, inicia a 
partir da década de 1990 a busca de novas abordagens e modelos para compreender a 
prática pedagógica, ciências pedagógicas e epistemológicos relativos ao conteúdo 
escolar a ser ensinado/aprendido. Nóvoa (1995) afirma que a declaração profissional 
dos professores é carregada por lutas e conflitos, já que muitos dos problemas vividos 
hoje na educação, tem suas raízes nas dificuldades enfrentadas pela profissionalização 
docente ao longo de sua história. O professor é consciente de como é fundamental sua 
atuação na formação de pensadores, contudo o programa curricular preestabelecido 
pelas escolas tem o propósito de preparar o aluno para o ingresso numa universidade, 
realidade está comum na educação brasileira. 
 Oliveira, afirma que 
O ato de educar compete a todas as instituições sociais comprometidas com o 
desenvolvimento do país. Principalmente a família – uma das instituições mais 
antigas – deve ter sua coparticipação junto à escola, uma vez que é ela que compete 
a transmissão de valores morais. Essa parceria deve visar à formação do educando, a 
fim de que este exerça sua autonomia e liberdade frente as suas atividades no 
contexto escolar e no seu convívio em sociedade. (OLIVEIRA, p. s/n) 
Ressaltando o que já se é conhecido por todos já envolvidos no âmbito da educação, ou 
seja, que ela se faz em todos os ambientes que frequentamos, seja em casa, na rua, na 
igreja, escola e demais locais onde exista envolvimento com a comunidade, onde o 
indivíduo ensina, aprende e/ou aprende-e-ensina. Brandão (1940, p.09) afirma que “Não 
10 
 
há uma forma única, nem um único modelo de educação, a escola não é o único lugar 
onde ela acontece e talvez, não seja o melhor; o ensino escolar não é a sua única prática 
e o professor profissional não é o seu único praticante.” 
Um professor não deve ser um mero transmissor de dados, que aprende no 
ambiente acadêmico o que vai ser ensinado aos alunos, mas um professor que determine 
o conhecimento em concordância com o aluno. Não é suficiente que ele saiba o 
conteúdo de sua disciplina. Ele precisa não só interagir com outras disciplinas, como 
também conhecer o aluno. Conhecer o aluno faz parte do papel desempenhado pelo 
professor por ocorrência da necessidade de saber o que ensinar, para que e para quem, 
ou seja, como o aluno vai utilizar o que aprendeu na escola em sua relação com o social. 
Dessa forma, Libâneo (1998, p.29) afirma que o professor medeia à relação ativa 
do aluno com a matéria, inclusive com os conteúdos próprios de sua disciplina, mas 
considerando o conhecimento, a experiência e o significado que o aluno traz à sala de 
aula, seu potencial cognitivo, sua capacidade e interesse, seu procedimento de pensar, 
seu modo de trabalhar. Nesse sentido o conhecimento de mundo ou o conhecimento 
prévio do aluno tem de ser respeitado e ampliado. Destacando ainda Libâneo (1998, 
p.13), apud Onrubia (1994, p. 101) 
O ensino deve ser entendido (...) como uma ajuda ao processo de aprendizagem. 
Ajuda necessária, porque sem ela é muito pouco provável que os alunos cheguem a 
aprender, e a aprender da maneira mais significativapossível, os conhecimentos 
necessários para seu desenvolvimento pessoal e para sua capacidade de 
compreensão da realidade e de atuação nela. Entretanto, só ajuda, porque o ensino 
não substitui a atividade mental construtiva do aluno, nem ocupa seu lugar (Onrubia, 
1994, p. 101) 
Lecionar bem não significa repassar os conteúdos, mas levar o aluno a refletir, e 
tornar-se crítico, tornando-se um cidadão ativo dentro da sociedade, apto a questionar, 
debater e romper paradigmas. A dúvida neste casso, torna-se uma exposição de um 
aspecto positivo, pois gera a curiosidade, levando o aluno a refletir e buscar respostas. 
Cury (2003, p.127) afirma que “a exposição interrogada gera a dúvida, a dúvida gera o 
estresse positivo, e este estresse abre as janelas da inteligência. Assim formamos 
pensadores, e não repetidores de informações”. O autor citado ressalta que a exposição 
interrogada transforma a informação em saber e esse saber, em experiência e o melhor; 
o professor não mais é persuasivo, ou o que convence, mas o que provoca e estimula a 
inteligência. O professor deve portanto, provocar o aluno passivo para que se torne num 
aluno sujeito da ação, contribuindo com seu conhecimento e sua experiência, tornando o 
aluno crítico e criativo. Cury (2003, p.65) 
11 
 
“Os educadores, apesar das suas dificuldades, são insubstituíveis, porque a gentileza, 
a solidariedade, a tolerância, a inclusão, os sentimentos altruístas, enfim todas as 
áreas da sensibilidade não podem ser ensinadas por máquinas, e sim por seres 
humanos.” 
Conclui-se com essa afirmação que o professor é a alma do estabelecimento de 
ensino. Ele tem a tarefa respeitável de formar cidadãos e de ampliar neles o senso crítico 
da realidade, para que possam aproveitar o que aprenderam na escola e em diversas 
situações e/ou lugares. 
A escola não é a que detém o saber, mas é a responsável por preparar o aluno 
para as exigências postas pela sociedade. Sabe-se que a escola não é responsável 
sozinha pelas transformações sociais, porém é nela que acontece a interferência 
pedagógica, resultando no processo de ensino/aprendizagem. É preciso então, que ela 
tenha consciência da sua importância para melhor desenvolvimento do educando a sua 
formação crítica e oferecer condições para que ele possa interagir das decisões da sua 
comunidade local ou mundial. 
De acordo com o Art. 9º (PCNs, p.15); Na observância da Contextualização, as 
escolas terão presente que: 
I. na situação de ensino e aprendizagem, o conhecimento é transposto da situação 
em que foi criado, inventado ou produzido, e por causa desta transposição didática 
deve ser relacionado com a prática ou a experiência do aluno a fim de adquirir 
significado; 
II. a relação entre teoria e prática requer concretização dos conteúdos curriculares 
em situações mais próximas e familiares do aluno, nas quais se incluem as do 
trabalho e do exercício da cidadania; 
III. a aplicação de conhecimentos constituídos na escola às situações da vida 
cotidiana e da experiência espontânea permite seu entendimento, crítica e revisão 
Portanto, a escola deve trabalhar de forma que acomode os conteúdos à realidade e à 
diversidade cultural, e que a teoria e a prática estejam em consonância com as situações 
vividas pelos alunos 
A escola, enquanto instituição social, é um dos espaços distintos de formação e 
informação, em que a aprendizagem dos conteúdos deve estar em conformidade com as 
questões sociais que marcam cada momento histórico. Ou seja, deve estar relacionada 
ao cotidiano dos alunos, desde o aspecto local ao global. Dessa forma, a escola deve 
deixar de ser uma instituição transmissiva de informações e transformar-se num lugar 
onde a informação seja produzida e o conhecimento seja significante. 
O educando assegura sua identidade através do conhecimento e competências 
adquiridos na escola. Charlot (Nova Escola, p.18) afirma “a escola ideal é aquela que 
faz sentido para todos e na qual o saber é fonte de prazer.” Diante disso vê-se que a 
escola que se deseja é a que promova saberes que o aluno entenda. 
12 
 
Libâneo (2001, p.153) afirma que vivemos “uma ampliação do conceito de 
educação e a diversificação das atividades educativas, levando por consequência, a uma 
diversificação da ação pedagógica na sociedade”. Fazendo com que essa ampliação saia 
da referência “edifício” escola indo até os seus alunos esteja ele no ambiente que 
estiver. 
Tudo o que entendemos conscientemente, no âmbito da educação é, e só é, o que 
acontece dentro de uma sala que fica dentro de um edifício. Aquele que chamamos 
escola ou, quando caminhamos para a vida adulta, de universidade, seguindo o que 
apresenta-se acima, há mais lógica quando relacionarmos educação com construção de 
conhecimento, onde aprende-se e reflete-se sobre como as coisas e seres que nos cercam 
e fazem parte da nossa vida existem, funcionam, se relacionam, interferem uns nos 
outros, independentemente de onde, como e quando isso acontece. 
Para Carlos Libâneo (2001) A pedagogia se ocupa, de fato, com a formação 
escolar de criança, com processos educativos, métodos, maneiras de ensinar, mais antes 
disso, ela tem um significado mais amplo, bem mais globalizante. Ela é um campo de 
conhecimento sobre a problemática educativa na sua totalidade e historicidade e, ao 
mesmo tempo, uma diretriz orientadora da ação educativa. A preocupação em manter a 
formação de professores no curso de Pedagogia foi maior do que a suas vertentes da 
própria ação educativa, tanto é que, muito se discute sobre essa atuação profissional, do 
espaço escolar e principalmente do espaço não escolar. 
Primeiramente entendamos a distinção entre o espaço formal, não formal. 
O espaço formal é caracterizado por uma formalização no sistema educativo, é 
aquele em que a educação possui um espaço hierarquicamente estruturada. O espaço 
não formal é caracterizado pela atividade organizada e sistemática que acontece fora do 
sistema formal da educação, também caracterizado, por experiências diárias, suas 
relações cotidianas com o meio e o que acontece durante toda sua vida. 
O curso de Licenciatura em Pedagogia enfatiza principalmente o campo escolar, 
o que também prepara os acadêmicos para atuar em espaços extraescolares, uma vez 
que, se compreendermos com excelência como acontece o processo ensino 
aprendizagem nas escolas, também nos tornaremos capazes de ensinar em outros 
âmbitos não-escolares e vice-versa. Sendo assim, as práticas realizadas em espaços não 
formais podem contribuir com o campo escolar, como destaca Trilla (2008, p. 18): 
O processo educativo global do indivíduo e os efeitos produzidos pela escola não 
podem ser entendidos independentemente dos fatores e intervenções educacionais 
não escolares, uma vez que ambos interferem continuamente na ação escolar. [...] o 
13 
 
estudo dos processos educativos verificados fora da escola pode contribuir, 
inclusive, para sua melhoria. 
Portanto, a pedagogia no espaço não escolar é um componente importante no que se 
refere à educação. A valorização de forma recente e o desenvolvimento dessa nova 
tendência pedagógica têm mostrado e deixado em evidência a necessidade da 
participação do pedagogo em ambientes educacionais. 
Este novo ambiente de atuação do Pedagogo vem sendo analisado como uma 
nova visão de ensinar, oferecendo oportunidade as crianças afastadas da escola por 
motivos de saúde, também ajuda nos transtornos emocionais causados pela internação, 
como a raiva, insegurança, incapacidades e frustrações que podem prejudicar na 
recuperação do paciente. 
De acordo com o dicionário Aurélio, o hospital é um local proposto ao 
diagnóstico e ao tratamento de doentes,onde se exercita também a investigação e a 
educação. O hospital como estabelecimento de saúde, tem como finalidade cumprir as 
funções de prevenção, diagnóstico e tratamento de doenças. Os hospitais podem ser 
gerais, psiquiátricos, geriátricos e materno-infantis (as maternidades), entre outras 
especialidades. 
O pedagogo hospitalar tem papel fundamental dentro da educação pois tem 
como finalidade acompanhar a criança ou adolescente no período de ausência escolar, 
internados em instituições hospitalares, dessa maneira a pedagogia hospitalar, é um dos 
ambientes da pedagogia extra escolar, assume a responsabilidade de promover a 
educação escolar fora da escola a criança/Adolescente em condições especiais da saúde, 
minimizando possíveis problemas de aprendizagens e colaborando com a melhor no 
quadro clinico. 
Uma criança ao ser internada, por exemplos muitas vezes perde a sua identidade, 
pois ao ser internada ele perde o contato com amigos, afasta-se da escola, fica distante 
do seu convívio social e passa a viver outra realidade. Para que não haja essa perca de 
identidade, criou-se a intervenção pedagógica hospitalar, Olivia Porto (2008, P.15) 
afirma que: 
 “O homem é um animal inicialmente dependente da interação entre os seus iguais. 
Da mesma espécie precisando de outras pessoas para receber cuidado, carinho, afeto 
e se manter vivo, tendo necessidades especificas que outros animais não possuem 
para se desenvolver plenamente, tais como: relações sociais, de seguranças, 
cognitivas e de capacidade. 
O que nós leva a concluir que, todo ser necessita de outro para ser capaz de lutar e 
regenerar-se em situações distantes do meio social quando, situações como essas, 
deixam de agir, diminuem e abalam o seu psicológico o que por inúmeras vezes 
14 
 
comprometem aspectos físicos e biológicos, tornando-se necessários o atendimento 
médico e a tratamento escolar. 
Dando ênfase a esta prática Wolf (2007, p. 2) 
A prática do pedagogo se dará através das variadas atividades lúdicas e recreativas 
como a arte de contar histórias, brincadeiras, jogos, dramatização, desenhos e 
pinturas, a continuação dos estudos no hospital. Essas práticas são as estratégias da 
Pedagogia Hospitalar para ajudar na adaptação, motivação e recuperação do 
paciente, que por outro lado, também estará ocupando o tempo ocioso. 
Ressalta-se ainda, que a atuação não ocorre apenas com os enfermos, mas 
também com os pais/ acompanhantes é uma ponte entre todos, tendo como foco 
principal a cura do paciente e seu pleno desenvolvimento. A Pedagogia Hospitalar 
busca oferecer auxílio e acolhimento emocional e humanístico para os familiares e 
pacientes que, muitas vezes, apresentam problemas de ordem psico/afetiva que podem 
prejudicar na adaptação no espaço hospitalar. (WOLF, 2007) Muitos fatores precisam 
ser analisados pelo profissional que atua nesta área, um deles é como o paciente se sente 
estando no ambiente do hospital e como o mesmo reagirá frente as suas atividades. 
Geralmente, o ambiente do hospital é visto como um lugar triste, com poucas 
possibilidades, obscuro e deprimente. Não só pelas crianças e adolescentes, mas pela 
grande maioria das pessoas que por ali passam. Assim Paula, Foltran (2007 p. 1) 
afirmam que 
Quando uma criança ou um adolescente hospitalizado brinca ou consegue ter 
momentos de distração e de divertimento no contexto hospitalar, mergulham em um 
universo de possibilidades, pois nestes espaços eles recriam e enfrentam situações 
vividas por eles no seu cotidiano. É por isso que crianças e adolescentes precisam 
usufruir dos benefícios emocionais, intelectuais e culturais que as atividades lúdicas 
proporcionam. 
Dentro desta perspectiva, a educação no hospital se constitui como processo 
necessário, uma vez que “propicia a criança o conhecimento e a compreensão daquele 
espaço, resinificando não somente ele, como a própria criança, sua doença e suas 
relações nessa nova situação de vida” (FONTES, 2005b, p. 135). 
 
 
15 
 
PROBLEMA 
 
Como é desenvolvido o trabalho pedagógico em ambientes hospitalares com crianças 
internadas por longo período de tempo ou recorrentes, e como é a atuação do pedagogo e 
de outros profissionais nestas atividades? 
 
16 
 
METODOLOGIA 
 
O trabalho será desenvolvido via pesquisa bibliográfica e qualitativa 
exploratória, no intuito de atribuir valores teóricos ao estudo, mas também 
aplicabilidade em atuação dos profissionais. Será utilizado como instrumento de 
pesquisa também um questionário, composto de questões abertas e fechadas, que 
entregues pessoalmente e enviados via correio eletrônico aos pedagogos e responsáveis 
pela área de atuação a ser pesquisada, a fim de analisar como é o trabalho em espaços 
não escolares, suas dificuldades, quais os conhecimentos necessários para desenvolver 
as atividades, qual a característica da população atendida, entre outras indagações 
referentes a esse tema. Juntamente a essas análises serão feitas pesquisas de campo com 
utilitários científico no Hospital do Câncer de Goiânia (HCG) e no Hospital das Clínicas 
(HC) do município de Goiânia em Goiás. 
Sendo assim, a pesquisa é de natureza exploratória que envolve levantamento 
bibliográfico, entrevistas com pessoas que tiveram (ou tem) experiências práticas com o 
problema pesquisado e análise de exemplos que estimulem a compreensão. 
 
 
 
 
 
 
17 
 
REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS 
 
BRANDÃO, Carlos Rodrigues. O que é educação. 1940. São Paulo: Brasiliense. 
BRASIL, Conselho Nacional De Educação Câmara De Educação Básica. Visto em: 
< http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/res2_b.pdf> Acesso em 17 de outubro de 
2017. 
BRASIL, Estatuto da Criança e do Adolescente Hospitalizado Visto em: < 
http://www.hospitalinfantilsabara.org.br/sintomas-doencas-tratamentos/direitos-da-
crianca-e-do-adolescente-hospitalizados/ > Acesso em 06 de setembro de 2017. 
BRASIL, Estatuto da criança e do Adolescente. Visto em: < 
http://www.crianca.mppr.mp.br/arquivos/File/publi/caopca/eca_anotado_2013_6ed.pdf
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