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Respostas - Análise do Documentário - Pro Dia Nascer Feliz

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enfrentam as mazelas sociais que dizem respeito à violência e ao tráfico de drogas, o planejamento do professor, no sentido de antever-se ao aluno e conhecer a realidade dele, é extremamente importante. O planejamento do ensino deve ser pautado no contexto escolar em que está inserido, ou seja, deve ser feita a “Previsão das situações do professor com a classe. (Mattos, 1968, p.14)” 
(GAMA, Anailton de Souza e FIGUEIREDO, Sonner arfux de. O planejamento no contexto escolar. p. 4)
Compare as imagens de escola retratadas no documentário com o seguinte trecho de Arroyo, 2004:
“A condição de sobreviventes, de carentes é tão marcante na visão que temos da infância-adolescência popular que essa imagem com que convivemos nas escolas públicas nos impede de reconhecê-las como sujeitos humanos, sociais, culturais, em formação. A palavra carente tão usada no discurso pedagógico escolar é reveladora de que só conseguimos ver os alunos populares pela carência, pelo avesso.” (p. 78)
Uma das escolas públicas que são retratadas no documentário, a saber o Colégio Estadual Guadalajara (Duque de Caxias – RJ) tem alunos que relatam que é interessante andar armado, conhecer traficantes e dar uma volta no baile exibindo armas. Essa escola encontra-se localizada em um bairro de extrema violência, em que muitas vezes a saída encontrada pelos moradores, e até mesmo pelos alunos é ingressar na “vida do crime”, visando a obtenção de dinheiro, o que na opinião de alguns alunos, seria comparado como uma ascensão social.
Por outro lado, o Colégio Católico de Santa Cruz, localizado no bairro alto de Pinheiros, São Paulo – SP tem uma realidade extremamente diferente. A escola é de classe social alta e os problemas que são enfrentados pelos alunos são de ordem mais subjetiva, de cunho cultural e familiar.
Os alunos do Colégio Estadual Guadalajara, se fosse feita uma analogia ao trecho de Arroyo do enunciado da questão, poderiam ser comparados aos sobreviventes, pois enfrentam uma luta diária para poderem comparecer às aulas e assimilar o conteúdo que é passado, muitas vezes sem preocupação alguma com o aprendizado. Já o Colégio Estadual Guadalajara, estaria de posse dos alunos “carentes”, pois esses enfrentam problemas que são subjetivos, como a solidão e casos de alunas que estudam demais e sofrem “bullying” por esse motivo.
A questão central de ambas é que bastante tempo passou, a sociedade transformou-se porém a imagem dos alunos por mais que seja evidente que passou por transformações, aos olhos de muitos, principalmente de educadores conservadores, não mudou. Mas o fato é que as pessoas se transformaram, os conceitos são outros, as verdades não são as mesmas, daí que a educação e os professores precisam ser vistos com outros olhares e sobre outros ângulos.
Para que haja uma mudança do paradigma atual a primeira imagem que precisa ser quebrada é a que se tem do educando. A partir de agora o educando precisa ser visto como ser humano que é inserido num convívio de humanos e está sujeito as consequências que as mazelas da sociedade pode trazer.
As imagens cândidas e inocentes da infância foram quebradas. As crianças se mostram marcadas pelos problemas sociais que permeiam a comunidade em que estão inseridos. Agora os alunos convivem com a violência, as drogas, a vida sexual, a depressão, a solidão e diversos temas que antes não afetavam os educandos.
“Por vezes, nossos alunos, passam anos assistindo aulas onde se explica tudo, menos suas vidas. Por que a escola e seus professores que sabem tanto sobre tantas matérias pouco sabem e explicam sobre a infância, a adolescência, a juventude, suas trajetórias, impasses, medos, questionamentos, culturas, valores?" 
(ARROYO, Miguel G. Imagens quebradas, trajetórias e tempos de alunos e mestres, Petrópolis, Vozes, 5ª. Edição, 2009.p.305).
Portanto os alunos agora passam a assustar, como nunca haviam assustado antes. Porém é necessário que se reconheça que esse espanto não é advindo da transformação que os alunos sofreram, mas sim da resistência por parte dos estudantes à olhares estereotipados que focam as carências, e vasculham o avesso desses jovens e crianças.
“A escola, o estudo aparecem no imaginário social e docente como um impulso certo para longos voos, mas e aqueles a quem desde a infância cortavam-lhes as asas?” (ARROYO, 2004, p.103) Qual o papel da escola? Como pensar na concepção, forma e organização de uma escola que não seja a “mão com a tesoura”?
 A escola, desde a sua criação no Brasil, passou por perspectivas diferentes quanto ao papel que desempenhou. Em um primeiro momento a escola era vista como fornecedora de uma educação de redenção, como forma de salvação, de uma possível mobilidade social.
Numa outra perspectiva, a Escola era encarada como uma formadora profissionalizante de indivíduos para compor o mercado de trabalho e executar uma função específica na sociedade. A visão contemporânea do sistema educacional é de uma educação com o propósito de transformação da sociedade, como é retratada no trecho acima, como uma impulsionadora de longos voos.
O que há de comum nessas três perspectivas de escola, é a formação não só quanto à aprendizagem de conteúdos, mas também a construção da cidadania nos alunos. A escola não pode se limitar ao papel de transmitir conhecimento, ela tem que ir muito além da sua função de estar a serviço da educação e precisa passar a ser um serviço em vista da formação integral do ser humano indo além e quebrando os paradigmas que envolvem o seu mundo.
O imaginário dos educandos precisa encontrar na escola uma resposta para suas mais profundas inquietações. A evasão, a desatenção, a não aprendizagem e até mesmo a violência podem ser sintomas que a educação não está alcançando o objetivo de ser o imaginário construído. Parece que aquilo que se ensina não é referência para a vida. A especificidade de ensinar consiste em facilitar que o outro aprenda e isto obviamente não se dá enquanto o educador for visto e tratado como aquele que sabe a serviço daquele que não sabe.
Dessa forma, a concepção de professor como doador de conhecimento, deve ser repensada, pois o docente deve ser um guia para o aluno, um facilitador do processo de aprendizagem. Para que esse padrão recorrente nas salas de aula brasileiras (de educação vista como um depósito de uma verdade absoluta nos “sem luz”) seja quebrado é preciso reformular o sistema educacional, e empregar a forma que seja condizente com cada realidade que está sendo considerada.
Uma das escolas que desempenha um papel social e é evidenciada no documentário está na cidade de Duque de Caxias - RJ, e tem o nome de Colégio Estadual Guadalajara. No colégio há um Núcleo de Cultura que tem um programa que comporta uma banda e tem oficinas de Dança Afro, de Ritmo e de Teatro, que visam resgatar os alunos, após o tempo normal da aula, evitando que eles fiquem na rua e se envolvam com o tráfico de drogas ou armas e até mesmo sejam vítimas de homicídio em um bairro extremamente violento, como o dessa escola.
Percebe-se aí o papel social das escolas, enquanto alternativa para o crime organizado, o assalto e a violência que poderia estar sendo cometida. As escolas que possuem projetos como esse, tem o propósito de aumentar o interesse do aluno e ao contrário da “mão com a tesoura”, são capazes de oferecer aos alunos um propósito de vida diferente, contribuindo para a sua formação moral, ética e também cultural, ampliando os horizontes de pessoas que não teriam chance alguma de elevação numa sociedade capitalista extremamente preconceituosa, como a brasileira.
Portanto a “mística” do educador consiste em ir preparando sujeitos que serão muito mais do que “caixas de ferramentas” plenamente cheias e prontas para o uso num determinado momento de sua existência, mas que vão se construindo cotidianamente. Essa construção é pautada em aspectos educacionais, morais, sociológicos, culturais e políticos.
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