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1
UNIDADE 1
DIREITO EMPRESARIAL
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir desta unidade, você será capaz de:
• compreender as formas de como se estabelecem as obrigações comerciais 
utilizando-se da visão sistêmica do Direito Empresarial; 
•	 identificar	 as	 relações	 comerciais	 e	 empresariais,	 com	 suas	 respectivas	
obrigações,	a	ponto	de	facilitar	no	seu	dia	a	dia	profissional.
Esta	unidade	está	dividida	em	seis	tópicos.	Ao	final	de	cada	um	deles	você	
encontrará	atividades	que	o(a)	ajudarão	a	fixar	os	conhecimentos	adquiridos.
TÓPICO	1	–	DADOS	HISTÓRICOS	DO	DIREITO	EMPRESARIAL	
TÓPICO	2	–	CONCEITO	DE	DIREITO	EMPRESARIAL
TÓPICO	3	–	DA	SOCIEDADE	EMPRESÁRIA			
TÓPICO	4	–	DA	SOCIEDADE	ANÔNIMA
TÓPICO	5	–	TÍTULOS	DE	CRÉDITO
TÓPICO	6	–	RECUPERAÇÃO	DE	EMPRESAS	E		FALÊNCIA
2
3
TÓPICO 1
UNIDADE 1
 DADOS HISTÓRICOS DO DIREITO EMPRESARIAL
1 INTRODUÇÃO
O	 comércio	 nasceu	 da	 própria	 necessidade	 dos	 seres	 humanos	
conviverem	 harmoniosamente	 na	 sociedade.	 O	 seu	 desenvolvimento	 deveu-
se,	 inequivocamente,	ao	 surgimento	da	moeda,	pois,	 com	seu	uso,	as	 riquezas	
começaram	a	circular	muito	mais	rapidamente,	pois	o	seu	transporte	tornou-se	
muito	mais	simples	e	prático	do	que	transportar	mercadorias	para	troca.
Nasceu,	assim,	a	economia	de	mercado	e,	com	ela,	a	figura	do	comerciante,	
que	se	coloca	entre	o	produtor	e	o	consumidor,	ou	seja,	torna-se	aquele	que	compra	
e	vende	mercadorias,	cujas	diferenças	de	valores	atingem	seu	objetivo:	o	lucro.
A	 evolução	 dos	 conceitos	 levou	 à	 remodelação	 do	 Direito	 Comercial.	
Ou	seja,	no	auge	da	Segunda	Guerra	Mundial,	com	o	advento	do	Código	Civil	
Italiano,	 unificou-se	 o	 direito	 privado,	 juntando	 em	 uma	 única	 codificação	 o	
Direito	Civil	e	o	Direito	Comercial,	dando	origem	ao	que	chamamos,	atualmente,	
de	Direito	Empresarial.
2 SURGIMENTO DO COMÉRCIO E EVOLUÇÃO HISTÓRICA
Se	nós	fizermos	uma	breve	pesquisa	aos	achados	pré-históricos,	veremos	
que	os	homens	viviam	em	completa	bruteza,	aproximando-se	do	estado	irracional,	
vagando	em	 famílias	ou	em	bandos,	 comandados	por	um	chefe,	 em	constante	
combate	pela	sobrevivência.																		
Nessa	 forma	 primitiva	 de	 sociedade,	 devido	 à	 agressividade	 então	
reinante,	 não	 havia	 ambiente	 propício	 para	 que	 se	 desenvolvesse	 o	 fenômeno	
que,	hoje,	chamamos	de	comércio.
Após	 muitos	 séculos,	 a	 humanidade	 chegou	 ao	 entendimento	 de	 que	
cada	ser	humano	necessitou	do	seu	semelhante	para	pôr	em	execução	grandes	
expedições	de	caça	e	para	defender-se	de	animais,	 conforme	nos	dá	notícias	a	
Paleontologia.
Os	estudos	históricos	demonstram	que	os	grupos	menos	agressivos	foram	
se	aproximando	cada	vez	mais,	 e	passaram	a	se	 juntar	em	 torno	de	 templos	e	
outros	 lugares	 considerados	 sagrados,	 para	 a	 celebração	de	 eventos	 festivos	 e	
UNIDADE 1 | DIREITO EMPRESARIAL
4
religiosos.	Em	decorrência	desses	encontros,	começou	a	ganhar	espaço	a	concepção	
de	trocarem,	uns	com	os	outros		aqueles	bens	que	lhes	eram	desnecessários	ou	
excedentes.
E foi assim que surgiu o que podemos considerar a forma embrionária do 
comércio: a troca direta.
Mas	as	negociações	realizadas	pela	simples	troca	eram	muito	limitadas.	
O	possuidor	 de	 determinado	produto	 tinha	de	 encontrar	 alguém	que	detinha	
aquele	outro	bem	de	que	ele	precisava,	na	qualidade	e	na	quantidade	desejada.	
Porém,	havia	o	problema	em	determinar	o	valor	dos	bens	a	serem	trocados.
Era	preciso,	portanto,	achar	um	meio	que	permitisse	uma	facilitação	nas	
trocas	e	simplificasse	o	cálculo	das	mercadorias	a	serem	trocadas,	ou	seja,	algo	
que	fosse	tanto	um	instrumento	de	troca	e	medida	comum	de	valor,	além	de	ser	
facilmente	transportável.
Não	demorou	muito	para	que	tal	elemento,	chamado	moeda,	surgisse.
Desde	que	surgiu	a	moeda,	mesmo	em	sua	forma	rudimentar	e	primitiva,	
medindo	 e	 determinando	 valores,	 sobrepondo	 a	 troca	 direta,	 iniciou-se	 uma	
nova atividade: a dos intermediários entre o produtor e o consumidor,	ou	seja,	
a atividade do comerciante,	cujo	trabalho	passou	a	ser	exercido	habitualmente,	
com	intuito	de	lucro.
Na Idade Antiga,	povos	primitivos,	como	os	fenícios,	destacaram-se	pelo	
exercício	da	atividade	comercial,	porém	sem	poder	ainda	falar-se	na	existência	de	
um	direito	comercial,	com	regras	e	princípios	próprios.
IMPORTANT
E
Caro(a) acadêmico(a)! Rodrigues (2004, p. 15) explica sobre o assunto:
O comércio desenvolveu-se em larga escala entre as civilizações 
primitivas, mas, a despeito disso, não se pode afirmar, pela escassez 
de elementos históricos, haver nas remotas sociedades um direito 
autônomo, com princípios, normas e institutos sistematizados, voltado 
à regulamentação da atividade mercantil.
TÓPICO 1 | DADOS HISTÓRICOS DO DIREITO EMPRESARIAL
5
Foi	durante	a	Idade Média,	contudo,	que	o	comércio	já	atingira	um	nível	
mais	avançado,	e	já	era	uma	característica	de	praticamente	todos	os	povos.	É	neste	
período	da	história	que	se	costuma	apontar	o	surgimento	do	Direito	Comercial,	
juntamente	 com	 o	 renascimento	 das	 cidades	 (burgos)	 e,	 principalmente,	 do	
comércio	 marítimo.	 Surgem	 as	 chamadas	 Corporações	 de	 Ofício,	 que	 logo	
assumiram	relevante	papel	na	sociedade	da	época,	conseguindo	obter,	inclusive,	
uma	certa	autonomia	em	relação	à	nobreza	feudal.
Esta primeira fase do Direito Comercial compreende os usos e 
costumes	mercantis,	observados	na	disciplina	das	relações	jurídico-comerciais.	
E	na	elaboração	deste	direito	não	havia	ainda	nenhuma	participação	do	Estado.		
Cada	corporação	tinha	seus	próprios	usos	e	costumes,	e	os	aplicava	através	de	
cônsules,	que	eram	os	magistrados	escolhidos/eleitos	pelos	próprios	associados	
para	reger	as	relações	entre	os	seus	membros.	Daí	por	que	alguns	autores	usam	
a	expressão	“codifi	cação	privada”	do	Direito	Comercial.
FONTE: Adaptado de: <http://conhecendodireitos.blogspot.com.br/2011/11/direito-comercial-
-ou-direito.html>. Acesso em: 18 fev. 2013.
IMPORTANT
E
Ainda sobre a primeira fase do Direito Comercial, Requião (2003, p. 10-11) 
esclarece:
É nessa fase histórica que começa a se cristalizar o Direito Comercial, 
deduzido das regras corporativas e, sobretudo, dos assentos 
jurisprudenciais das decisões dos cônsules, juízes designados 
pela corporação para, em seu âmbito, dirimirem as disputas entre 
comerciantes. Diante da precariedade do direito comum para 
assegurar e garantir as relações comerciais, fora do formalismo que o 
direito romano remanescente impunha, foi necessário, de fato, que os 
comerciantes organizados criassem entre si um direito costumeiro, 
aplicado internamente na corporação por juízes eleitos pelas suas 
assembleias: era o juízo consular, ao qual tanto deve a sistematização 
das regras do mercado. 
Outra característica marcante desta fase inicial do Direito Comercial é 
o	seu	caráter	 subjetivista,	ou	seja,	era	o	direito	dos	membros	das	corporações.	
Comentando	o	assunto,	Coelho	(2003,	p.13)	assim	se	manifesta:	“Resultante	da	
autonomia	corporativa,	o	Direito	Comercial	de	então	se	caracteriza	pelo	acento	
subjetivo	 e	 somente	 se	 aplica	 aos	 comerciantes	 associados	 à	 corporação.	 [...]	
Adota-se,	assim,	um	critério	subjetivo	para	defi	nir	seu	âmbito	de	incidência”.	
UNIDADE 1 | DIREITO EMPRESARIAL
6
Desse	modo,	era	necessário	que	uma	das	partes	de	determinada	relação	
fosse comerciante para que fosse a mesma disciplinada pelo Direito Comercial - 
ius mercatorum -,	em	detrimento	dos	demais	direitos.		
As	 fontes	 do	 ius mercatorum eram os estatutos das corporações 
mercantis,	 o	 costume	 mercantil	 e	 a	 jurisprudência	 da	 cúria	 dos	
mercadores.	[...]	O	costume	nascia	da	constante	prática	contratual	dos	
comerciantes: as modalidades consideradas vantajosas convertiam-
se	 em	 direito;	 as	 cláusulas	 contratuais	 transformavam-se,uma	
vez	 generalizadas,	 no	 conteúdo	 legal	 dos	 contratos.	 Por	 último,	 os	
comerciantes	 designados	 pela	 corporação	 compunham	 os	 tribunais	
que	decidiam	as	controvérsias	comerciais.	(GALGANO,	1990,	p.	40).
Sobre	o	ius mercatorum,	Galgano	(1990,	p.	39)	muito	bem	destaca:
O ius mercatorum nasce,	portanto,	como	um	direito	diretamente	criado	
pela	 classe	mercantil,	 sem	 a	mediação	 da	 sociedade	 política;	 nasce	
como	um	direito	 imposto	 em	 nome	 de	 uma	 classe,	 e	 não	 em	 nome	
da	 comunidade	 no	 seu	 conjunto.	 É	 imposto	 aos	 eclesiásticos,	 aos	
nobres,	aos	militares,	aos	estrangeiros.	Pressuposto	da	sua	aplicação	é	
o	mero	fato	de	se	haverem	estabelecido	relações	com	um	comerciante.
Por	fi	m,	é	interessante	notar	a	revolução	que	o	Direito	Comercial,	nesta	
fase,	provocou	na	doutrina	contratualista,	rompendo	com	a	teoria	contratual,	
até	o	momento	disciplinada	pelo	direito	romano.	Isto	ocorreu	em	Roma,	com	
os	ideais	de	segurança	e	estabilidade	da	classe	dominante,	atrelando	o	contrato	
ao	instituto	da	propriedade.	O	contrato	era	apenas	um	instrumento	através	do	
qual	se	adquiria	ou	se	transferia	a	propriedade	de	uma	coisa.
FONTE: Adaptado de: <pt.scribd.com/.../Andre-Luiz-Santa-Cruz-Ramos-Direito-Empresarial-
-...>.Acesso em: 18 fev. 2013.
Esta	concepção	de	estabilidade	das	relações	jurídicas	pelo	contrato,	inerente	
ao	direito	romano,	obviamente,	entrava	em	choque	com	os	ideais	da	classe	mercantil	
em	ascensão,	que	tinha	preferência	oposta,	ou	seja,	pela	mudança,	pela	instabilidade,	
ganhando	espaço	o	princípio	da	liberdade	na	forma	de	celebração	dos	contratos.
DICAS
Estimado (a) acadêmico(a)!
Após tanta informação, para descansarmos um pouco, convido-o(a) para assistir a um fi lme 
chamado “O Mercador de Veneza”, lançado no ano de 2004 e estrelado pelo ator Al Pacino. 
Este está baseado numa peça de William Shakespeare que foi escrita entre os anos de 1594 
e 1597 e retrata muito bem a primeira fase do Direito Comercial.
Vale a pena ver!
TÓPICO 1 | DADOS HISTÓRICOS DO DIREITO EMPRESARIAL
7
Com	o	fim	do	período	medieval,	surgem	no	cenário	geopolítico	mundial	os	
grandes Estados Nacionais Monárquicos que,	representados	na	figura	do	monarca	
absoluto,	vão	submeter	os	seus	súditos,	incluindo	a	classe	dos	comerciantes,	a	um	
direito	posto	através	do	controle	estatal	das	relações	comerciais,	que	outrora	eram	
reguladas	por	parte	dos	próprios	mercadores,	através	das	corporações de ofício 
e	seus	juízos	consulares.
Tal	assim	foi	que,	em	1804	e	1808,	respectivamente,	foram	editados	na	França	
o	Código	Civil	e	o	Código	Comercial,	inaugurando	assim	a	segunda fase do Direito 
Comercial,	marcado	por	um	 sistema	 jurídico	 estatal	 destinado	 a	disciplinar	 as	
relações	jurídico-comerciais.
2.1 A CODIFICAÇÃO NAPOLEÔNICA E A TEORIA DOS 
ATOS DE COMÉRCIO
IMPORTANT
E
Prezado(a) acadêmico(a)!
Sobre este período da história do comércio, Galgano (1990, p. 43) relata que: “A classe 
mercantil deixa de ser artífice do seu próprio direito. O Direito Comercial experimenta uma 
dupla transformação: o que foi direito de classe transforma-se em direito do Estado; o que 
foi direito universal converte-se em direito nacional”.
A	codificação	 napoleônica	 divide	 claramente	 o	 direito	 privado:	 de	 um	
lado,	o	Direito	Civil,	regido	pelo	Código	Civil,	um	corpo	de	leis	que	atendia	aos	
interesses	da	burguesia	fundiária,	pois	estava	centrado	no	direito	de	propriedade;	
e	de	outro,	o	Direito	Comercial,	regulado	pelo	Código	Comercial,	que	seguia	o	
espírito	da	burguesia	comercial	e	industrial,	valorizando	a	riqueza	mobiliária.
A	divisão	do	direito	privado	em	duas	grandes	partes	cria	a	necessidade	de	
estabelecimento de um critério que delimitasse a incidência de cada uma destas 
legislações	nas	diversas	relações	ocorridas	no	dia	a	dia	dos	cidadãos.	Para	tanto,	
criou-se	 a	 Teoria	 dos	Atos	 de	 Comércio,	 que	 tinha	 como	 atribuição	 principal	
aplicar	as	normas	do	Código	Comercial	a	quem	praticasse	os	denominados	“atos	
de	comércio”.
Por	outro	 lado,	não	envolvendo	a	relação	 jurídica	à	prática	destes	atos,	
seria	ela	regida	então	pelas	normas	do	Código	Civil.	
UNIDADE 1 | DIREITO EMPRESARIAL
8
DICAS
 Caro(a) acadêmico(a)! Como sugestão de leitura, para maior 
aprofundamento do tema convido à leitura da obra: 
COELHO, Fábio Ulhoa. Manual de direito comercial. 14. ed. São Paulo: 
Saraiva, 2003. 
A partir da página 7, o autor retrata de modo claro e sucinto essas 
mudanças ocorridas no Direito Comercial, no início do século XIX, na 
França, o que acabou originando a divisão do direito privado em dois 
códigos: o Código Civil e o Código Comercial (Code de Commerce). 
Contudo,	 o	 sistema	 francês	 passou	 a	 apresentar	 deficiências,	 uma	 vez	
que	trazia	dificuldades	ao	intérprete	da	lei,	ao	avaliar	a	aplicabilidade	do	Direito	
Comercial	ou	do	Direito	Civil	no	caso	concreto,	até	pela	própria	ausência	de	uma	
definição	satisfatória	do	que	são	atos	de	comércio.
 
A	demais,	outras	atividades	econômicas,	tão	importantes	quanto	o	comércio,	
não	 se	 encontravam	na	 enumeração	 legal	dos	 atos	de	 comércio.	Algumas	delas	
desenvolveram-se	posteriormente,	como,	por	exemplo,	a	prestação	de	serviços.
Há	ainda	outras	delas,	como	bem	atesta	Coelho	(2003,	p.	15-16):
A	exclusão	da	negociação	de	imóveis	do	âmbito	de	incidência	do	Direito	
Comercial pelo Code de Commerce - que não se reproduz em outras 
legislações	 adeptas	 da	 Teoria	 dos	 Atos	 de	 Comércio,	 a	 exemplo	 do	
código	italiano	de	1882,	é,	por	vezes,	relacionada	a	um	caráter	sacro	de	
que se revestiria a propriedade imobiliária ou pela tardia distinção entre 
circulação	física	e	econômica	dos	bens.	Porém,	esta	exclusão	só	pode	ser	
satisfatoriamente	explicada	à	luz	de	considerações	políticas	e	históricas,	
ou	seja,	a	partir	da	necessidade	de	a	burguesia	francesa	preservar	a	sua	
identidade	na	luta	contra	o	feudalismo.
Outro	problema	detectado	na	época,	em	virtude	da	aplicação	da	Teoria	
dos	Atos	 de	 Comércio,	 referia-se	 aos	 chamados	 atos	 mistos,	 ou	 seja,	 aqueles	
que eram comerciais para apenas uma das partes (na venda de produtos aos 
consumidores,	por	 exemplo,	o	 ato	 era	 comercial	para	o	 comerciante	vendedor	
e	 civil	 para	 o	 consumidor	 adquirente).	 Nestes	 casos,	 aplicavam-se	 as	 normas	
do	Código	Comercial	para	a	solução	de	eventual	litígio.	Por	esta	razão,	alguns	
estudiosos	denunciaram	o	retorno	ao	corporativismo	do	direito	mercantil,	como	
na	época	de	vigência	das	chamadas	corporações de ofício,	fazendo	o	cidadão	se	
submeter	às	normas	distintas	em	razão,	simplesmente,	da	qualidade	da	pessoa	
com	quem	contratava.
TÓPICO 1 | DADOS HISTÓRICOS DO DIREITO EMPRESARIAL
9
Apesar	da	existência	de	tais	críticas,	a	teoria	francesa	dos	atos	de	comércio	
foi	adotada	por	quase	todas	as	codificações	mercantis	modernas,	inclusive	a	do	
Brasil,	através	do	Código	Comercial	de	1850.
Contudo,	 em	 virtude	 do	 modelo	 francês	 não	 abranger	 atividades	
econômicas	 tão	 ou	 mais	 importantes	 que	 o	 comércio	 de	 bens,	 tais	 como:	 a	
prestação	de	 serviços,	 a	 agricultura,	 a	pecuária	 e	 a	negociação	 imobiliária.	Tal	
fato	 fez	 surgir	um	novo	critério,	mais	de	 cem	anos	após	a	 edição	dos	 códigos	
napoleônicos	e	em	plena	Segunda	Guerra	Mundial.
2.2 O CÓDIGO CIVIL ITALIANO DE 1942 E A TEORIA DA 
EMPRESA
Em	1942,	a	Itália	editou	um	novo	Código	Civil,	trazendo	um	novo	sistema	
delimitador	da	incidência	do	regime	jurídico	comercial:	a	teoria	da	empresa.
 Além	disso,	o	Código	Civil	Italiano	promoveu	uma	unificação	formal	do	
direito	privado,	disciplinando,	em	uma	única	lei,	as	relações	civis	e	comerciais.	
O	 Direito	 Comercial	 entrou,	 assim,	na	 sua	 terceira fase,	 passando	a	 adotar	o	
conceito	da	empresarialidade.
Na	teoria	da	empresa,	o	Direito	Comercialnão	se	limita	a	regular	apenas	
as	relações	jurídicas	em	que	ocorra	a	prática	de	um	determinado	ato	definido	em	
lei	como	ato	de	comércio,	ou	com	alguns	atos,	mas	com	uma	forma	específica	de	
exercer	uma	atividade	econômica:	a	forma	empresarial.
Vejamos	 ainda	 o	 ensinamento	 de	 Bulgarelli	 (2000,	 p.	 19):	 “Nos	 dias	
que	 correm,	 transmudou-se	 (o	 Direito	 Comercial)	 de	 mero	 regulador	 dos	
comerciantes	e	dos	atos	de	comércio,	passando	a	atender	à	atividade	sob	a	forma	
de	empresa,	que	é	o	atual	fulcro	do	Direito	Comercial”.
Assim,	 restou	 superada	 a	 dificuldade	 existente	 na	 teoria	 francesa,	
passando	a	teoria	da	empresa	a	enquadrar	qualquer	atividade	econômica,	desde	
que	exercida	profissionalmente	e	destinada	a	produzir	ou	fazer	circular	bens	ou	
serviços.
2.3 O DIREITO COMERCIAL NO BRASIL
No	Brasil	Colônia,	o	Direito	Comercial	Brasileiro	estava	intrinsecamente	
ligado	ao	Direito	Português.	Foi	 somente	em	18	de	agosto	de	1769,	através	da	
edição	da	Lei	da	Boa	Razão,	que	foi	permitida	a	aplicação	de	leis	e	normas	de	
nações	cristãs	para	resolver	litígios	de	natureza	mercantil.
Assim,	ao	longo	da	história	brasileira,	o	ramo	do	Direito	Empresarial	já	
recebeu três diferentes denominações: 
 
UNIDADE 1 | DIREITO EMPRESARIAL
10
1- Direito Mercantil:	 sendo	 o	 primeiro	 nome	usado	 a	 partir	 de	 1553,	 quando	
surgiu	a	primeira	obra	sobre	o	assunto,	através	dos	jesuítas.	
 
2 - Direito Comercial:	foi	o	segundo,	adotado	a	partir	da	publicação	da	Lei	nº	556,	
de	25	de	junho	de	1850,	qual	seja,	o	Código	Comercial	Brasileiro.
3 - Direito Empresarial: seu	nome	atual,	que	passou	a	ser	empregado	mediante	
a	publicação		da	Lei	nº	10.406,	em	10	de	janeiro	de	2002,	o	atual	Código	Civil,	
que	revogou	a	Primeira	Parte	(Arts.	1º	a	456)	do	Código	Comercial.																																																												
Assim,	o	Código	Civil	de	2002	unifica	parcialmente	o	Direito	Comum	e	o	
Direito	Comercial,	da	mesma	forma	que	o	Código	Civil	Italiano,	trazendo	em	seu	
âmago	o	denominado	“Direito	de	Empresa”.			
Quanto	à	denominação	no	Brasil,	de	uma	forma	bem	resumida	podemos	
afirmar	que,	ao	longo	da	história,	o	Direito	Empresarial	já	recebeu	três	diferentes	
denominações:
FIGURA 1 - DENOMINAÇÕES DO DIREITO COMERCIAL
FONTE: O autor 
2ª - Direito 
Comercial
(1850	–	com	
a entrada em 
vigor do Código 
Comercial).
1ª - Direito 
Mercantil
(1553 – primeira 
obra sobre a 
matéria – Padres 
Jesuítas).
3ª - Direito Empresarial
Nomenclatura	atual,	desde	
2002,	com	a	publicação	do	
Código	Civil,	que	revogou	
o	Livro	I	do	Código	
Comercial
TÓPICO 1 | DADOS HISTÓRICOS DO DIREITO EMPRESARIAL
11
FIGURA 1 - DENOMINAÇÕES DO DIREITO COMERCIAL
FONTE: O autor 
LEITURA COMPLEMENTAR
DIREITO EMPRESARIAL
Luiz	Braz	Mazzafera
Pela	primeira	vez,	de	certa	feita,	dois	seres	humanos	trocaram	bens	entre	
si.	Nessa	primeira	troca,	observam-se	claramente	dois	aspectos:	um	social	e	outro	
econômico.	O	aspecto	social	decorre	da	utilização	mútua	dos	objetos	permutados,	
e	o	econômico,	o	primeiro	passo	dado	no	sentido	de	fazer	circular	riquezas.	Da	
generalização	 desse	 hábito	 de	 permutar	 bens	 nasceu	 a	 economia	 de	 troca	 ou	
escambo.
Nos	primórdios	da	fundação	de	Roma,	cidade	que	virá	a	tornar-se	um	dos	
grandes	centros	do	poder	e	da	cultura	da	humanidade,	o	comércio	era	proibido	
aos	cidadãos.	Já	ao	tempo	de	Numa,	os	comerciantes	se	uniam	em	corporações,	
embora	a	agricultura	continuasse	a	ser	considerada	profissão	honrosa	do	cidadão	
romano.
A	 evolução	 impôs,	 por	 final,	 o	 conceito	 Commercium	 est	 emendi	
vendedique	invicem	jus	(o	comércio	é	o	direito	de	comprar	e	vender	mutuamente).	
O desenvolvimento do comércio deveu-se inequivocamente ao surgimento 
da	moeda,	porque,	com	seu	uso,	as	riquezas	começaram	a	circular	muito	mais	
rapidamente e o transporte de moedas é muito mais simples e prático do que 
transportar	mercadorias	para	troca.
Nasceu,	assim,	a	economia	de	mercado,	e	com	ela	a	figura	do	comerciante,	
que	 se	 coloca	 entre	 o	 produtor	 e	 o	 consumidor,	 ou	 seja,	 torna-se	 aquele	 que	
compra e vende mercadorias e de cujas diferenças de valores atinge seu objetivo: 
o	lucro.
 
A	palavra	comércio	tem	sua	origem	no	latim,	composta	de	cum	(preposição)	
e	de	merx	(substantivo),	de	onde,	comércio,	comerciar,	comercial	e	comerciante.
A	economia	de	mercado	referida,	cada	vez	mais	ágil	e	dinâmica,	passa	
a	 exigir	 proteção	 àqueles	 que	 dela	 participavam.	 Surgem,	 então,	 as	 regras,	
obrigações,	direitos	e	penalidades	e,	como	seria	natural,	o	Direito	Comercial.
 
Com	todo	este	lastro	histórico,	chegamos	à	Idade	Média,	quando,	então,	o	
Direito	Comercial	floresce,	notadamente	na	Itália.	A	maioria	dos	autores	acorda	
que	 nesta	 época	 se	 encontram	 os	 primórdios,	 as	 origens	 reais,	 dos	 títulos	 de	
crédito,	quando,	em	face	dos	riscos	decorrentes	dos	roubos	durante	o	transporte	
de	 dinheiro	 e	 de	 outros	 valores,	 surge	 a	 necessidade	 da	 transferência	 desse	
encargo	a	terceiros.
UNIDADE 1 | DIREITO EMPRESARIAL
12
Significa	isso	a	troca	(câmbio)	de	dinheiro	presente	(pecúnia	proesenti),	
no	 ato,	 com	dinheiro	 ausente,	 futuro	 (pecúnia	 absenti)	 e,	 nessa	 troca	de	 valor	
presente	 com	o	valor	 futuro,	 era	 essencial	 a	 existência	de	uma	distância	 entre	
os	 locais	da	 entrega	 e	do	 recebimento	 (distancia	 loci).	 Sem	esta	distância,	 que	
necessariamente	 implicava	 risco,	 o	 câmbio	 era	 considerado	 um	 empréstimo	
usurário	e,	como	tal,	condenado	pelas	leis	eclesiásticas.
Em	1808	começa	a	vigorar	o	Código	de	Napoleão	e,	posterior	a	ele,	firma-se	
o	Liberalismo	Econômico,	segundo	o	qual	até	pessoas	não	comerciantes	podiam	
responder	judicialmente	por	atos	de	comércio.
Finalmente,	vamos	nos	referir	ao	que	já	é	uma	aceitação	unânime,	ou	seja,	
não	mais	falar-se	em	Direito	Comercial	e	sim	em	Direito	Empresarial,	denominação	
muito	mais	abrangente,	uma	verdadeira	imposição	de	nosso	tempo.
Exige-se,	 hoje,	 a	 inclusão,	 entre	 as	 atribuições	 decorrentes	 do	 exercício	
do	 comércio	 e	 da	 indústria,	 de	 obrigações	 pertinentes	 às	 leis	 do	 trabalho,	 da	
previdência	social,	da	saúde	do	transporte,	do	seguro,	etc.
Fala-se,	então,	no	Direito	Empresarial,	o	qual	abrange	as	disciplinas	de	
Direito	Comercial,	de	Direito	Tributário,	de	Direito	Previdenciário,	estendendo-se	
até	parte	do	Direito	Civil,	notadamente	no	capítulo	dos	contratos	e	da	insolvência	
civil.
No	sistema	em	que	se	vive,	sistema	capitalista,	a	parte	central	da	atividade	
econômica	é	ocupada	pela	empresa,	e	nela	 fulgura	o	empresário,	cujo	objetivo	
principal	é	o	lucro.	Com	este	lucro,	o	empresário	faz	reaplicações	e	reinvestimentos	
geradores	 de	mais	 empregos,	 mais	 arrecadação	 de	 impostos,	 maior	 e	melhor	
consumo	através	da	livre	concorrência,	resultando	isto	tudo,	como	consequência,	
na	melhoria	de	vida	da	população.
Em	resumo,	o	verdadeiro	empresário	é	um	decisivo	 fator	de	progresso	
e	 bem-estar	 social,	 cabendo-lhe,	 ainda,	 o	 inteiro	 risco	 por	 todas	 as	 iniciativas	
tomadas.	 Aliás,	 saliente-se,	 o	 risco	 lhe	 é	 inerente,	 pois	 que,	 nas	 atividades	
comerciais	 e	 industriais,	 é	 o	 empresário	 o	 único	 cidadão	 contemplado	 com	 a	
falência.								
 
Dentro	desta	concepção,	mercê,	portanto,	ao	verdadeiro	empresário,	todo	
respeito	pelo		patriótico	trabalho	que	desempenha.																																																																																																	
FONTE: MAZZAFERA, Luiz Braz. Notas introdutórias do Capítulo I. In: Curso Básico de Direito 
Empresarial. Bauru: EDIPRO, 2003. 
13
Nestetópico você viu que:
• O	Direito	 Empresarial	 de	 hoje,	 na	 forma	 adotada	 pelo	Direito	 brasileiro,	 é	
originado	de	uma	evolução	histórica,	marcada	por	três	fases:
• A	 primeira	 fase	 atingiu	 o	 seu	 auge	 na	 Idade Média,	 com	 o	 surgimento	
do	 D ireito	 Comercial,	 juntamente	 com	 o	 renascimento	 das	 cidades	 e	
principalmente	 do	 comércio	 marítimo,	 quando	 surgiram	 as	 chamadas	
Corporações	de	Ofício.
• A	segunda	 fase,	 tendo	 como	marco	 inicial	 os	 anos	 de	 1804	 e	 1808,	 quando,	
respectivamente,	foram	editados	na	França	o	Código	Civil	e	o	Código	Comercial,	
um sistema jurídico estatal destinado a disciplinar as relações jurídico-
comerciais.
• A	 terceira	 fase,	 que	 iniciou	 em	 1942,	 na	 Itália,	 com	 a	 edição	 de	 um	 novo	
Código	 Civil,	 trazendo	 a	 teoria	da	 empresa,	 unindo	 formalmente	 o	direito	
privado,	disciplinando,	em	uma	única	lei,	as	relações	civis	e	comerciais.
RESUMO DO TÓPICO 1
14
Considerando	a	Leitura	Complementar	ao	final	deste	tópico,	respondam	em	
grupo	às	seguintes	questões:
1		 Explique	os	aspectos	social	e	econômico	das	primeiras	trocas	de	objetos.
2 Como nasceu a economia de mercado?
3 Por que se diz que o desenvolvimento do comércio deveu-se inequivocamente 
ao surgimento da moeda?
4		 O	que	poderá	ser	apontado	atualmente	como	o	foco	da	atividade	econômica?
5		 Aponte	o	principal	objetivo	da	atividade	do	empresário.	
6		 Explique	 a	 afirmação	 do	 autor	 de	 que	 “o	 verdadeiro	 empresário	 é	 um	
decisivo	fator	de	progresso	e	bem-estar	social”.
AUTOATIVIDADE
15
TÓPICO 2
CONCEITO DE DIREITO EMPRESARIAL E EMPRESÁRIO
UNIDADE 1
1 INTRODUÇÃO
Com	a	publicação	do	Código	Civil	Brasileiro	em	2002,	não	mais	se	utiliza	
a	 denominação	 “Direito	 Comercial”,	 mas	 sim	 “Direito	 Empresarial”.	 Neste	
tópico estudaremos o conceito deste importante ramo do Direito Civil e também 
as	condições	necessárias	para	ser	empresário.	
Também serão analisadas neste tópico as quatro condições para 
caracterizar	o	empresário,	as	quais	são:
•		 O	exercício	de	atividade	econômica.
•		 Atividade	organizada.
•		 Profissionalismo	
•	 A	finalidade	do	lucro.
Vamos em frente?
2 CONCEITO DE DIREITO EMPRESARIAL
O	Direito	Empresarial	é	um	ramo	do	Direito	Privado	que	“disciplina	sobre	
a	vida	do	empresário	e	das	empresas,	com	nova	estrutura	aos	diversos	tipos	de	
sociedades	empresariais	 contidas	no	novo	Código	Civil”.	 (OLIVEIRA,	2003,	p.	
111).
Assim,	o	Direito	Empresarial	é	um	ramo	do	Direito	Privado	que	consiste	
de	um	conjunto	de	normas	referentes	à	pessoa	do	empresário,	seja	ele	individual	
ou	 coletivo,	 disciplinando	 sua	 atividade,	 economicamente	 organizada	 para	 a	
produção	ou	circulação	de	bens	ou	de	serviços,	de	forma	a	atender	ao	mercado	
consumidor.
3 O EMPRESÁRIO 
Como	 o	 Direito	 Empresarial	 é	 relativo	 à	 pessoa	 do	 empresário,	
abordaremos a seguir os principais aspectos a ela relacionados e relevantes para 
melhor	estudo	do	Direito	Empresarial.	 
UNIDADE 1 | DIREITO EMPRESARIAL
16
3.1 CONCEITO DE EMPRESÁRIO 
Na	nova	modalidade	legislativa	adotada	pelo	Direito	brasileiro,	sempre	
que	 alguém	 explora	 atividade	 econômica	 privada	 para	 habitual	 exercício	 da	
produção	ou	circulação	de	bens	ou	de	serviços,	é	considerado	um	empresário.	
Este	exerce	sua	atividade	através	do	estabelecimento	comercial	ou	industrial,	do	
qual é o titular e no qual se encontram os bens para o seu comércio ou para sua 
indústria.																																																																																								
Contudo,	para	o	empresário	exercer	sua	atividade	é	preciso	um	mínimo	
de organização dos fatores da produção de bens ou de serviços para o mercado 
em	geral.	
IMPORTANT
E
Vejamos o conceito dado pelo Artigo 966 do Código Civil Brasileiro: “Considera-
se empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a 
produção ou circulação de bens ou de serviços”.
Em	decorrência	do	conceito	dado	pelo	código	civilista,	são	identificadas	
quatro condições para caracterizar o empresário:
1.	 Exercício de atividade econômica: consiste na geração de riqueza através 
da	produção	e	circulação	de	bens	ou	serviços.	A	sua	função	essencial	é	a	de	
produzir	bens	ou	serviços	para	atender	ao	mercado	de	consumo.
2.	 Atividade organizada: o	 empresário	 é	 aquele	 que	 organiza	 a	 empresa,	
articulando	os	três	fatores	da	produção:	capital,	trabalho	e	tecnologia.	Neste	
entendimento,	 considera-se	que	alguém	dirige	 e	ordena	o	 trabalho	próprio	
ou	de	 terceiras	pessoas	e	organiza	bens	de	capital,	que	 também	podem	ser	
próprios	ou	de	terceiros,	para	exercer	determinada	atividade	econômica.
3.	 Profissionalismo:	é	o	exercício	da	atividade	econômica	de	forma	habitual,	de	
forma	pessoal	ou	por	sua	conta,	com	o	objetivo	de	lucro.	Pessoas	que	agem	em	
nome	do	empresário	são	apenas	seus	prepostos	ou	auxiliares.
TÓPICO 2 | CONCEITO DE DIREITO EMPRESARIAL E EMPRESÁRIO
17
4. Finalidade do lucro:	a	fi	nalidade	do	lucro	é	o	quarto	elemento	do	conceito	
de	empresário.	O	Código	Civil	menciona	apenas	atividade	econômica,	sem	
referir-se	 expressamente	 ao	 objeto	 lucrativo.	 No	 entanto,	 interpretando-
se	 sistematicamente	 o	Código	Civil,	 verifi	ca-se	 que	 a	 atividade	 econômica	
signifi	ca,	na	realidade,	atividade	com	fi	m	lucrativo.
FONTE: Adaptado de: <www.cursomarcato.com.br/admin/mod.../oempresrionocdigocivil.do...>. 
Acesso em: 19 fev. 2013.
Portanto,	o	empresário	é	aquele	que	exerce	profi	ssionalmente	atividade	
econômica	 organizada,	 através	do	 estabelecimento	 empresarial,	 para	 o	 efetivo	
exercício	da	produção	ou	circulação	de	bens	ou	de	serviços.	Ou	seja,	é	o	titular	
da	empresa,	que	possui	a	iniciativa	da	 sua	criação	e	que	a	dirige,	correndo	o	risco	
inerente	à	atividade	empresarial.
FIGURA 2 - CONDIÇÕES PARA CARACTERIZAÇÃO DO EMPRESÁRIO
FONTE: O autor (2012), com base na legislação. 
Condições para 
caracterização do 
empresário
Profi	ssionalismo
Finalidade	do	
lucro
Atividade	
organizada
Exercício	de	
atividade 
econômica
Do	conceito	de	empresário	são	excluídos	aqueles	que	exercem	profi	ssão	
intelectual,	de	natureza	 científi	ca,	 literária	ou	artística,	 ainda	com	o	auxílio	de	
colaboradores,	salvo	se	o	exercício	da	profi	ssão	constituir	elemento	de	empresa,	
conforme	determina	o	parágrafo	único	do	art.	966,	a	saber:
Parágrafo único.	 Não	 se	 considera	 empresário	 quem	 exerce	 profi	ssão	
intelectual,	de	natureza	científi	ca,	literária	ou	artística,	ainda	com	o	concurso	de	
auxiliares	ou	colaboradores,	salvo	se	o	exercício	da	profi	ssão	constituir	elemento	
de	empresa.
Desta	 forma,	 o	 legislador	 estabelece	 que	 os	 que	 exercem	 atividade	
econômica	de	natureza	intelectual	não	são	considerados	empresários,	como,	por	
exemplo,	os	profi	ssionais	liberais.
UNIDADE 1 | DIREITO EMPRESARIAL
18
3.2 REQUISITOS PARA A CARACTERIZAÇÃO DO 
EMPRESÁRIO
Além	do	exercício	da	atividade	econômica	organizada,	do	profissionalismo	
e do fato de	visar	ao	lucro,	há	o	requisito	da	inscrição	do	empresário	no	Registro	
Público	de	Empresas	Mercantis,	a	cargo	das	Juntas	Comerciais,	o	qual	o	próprio	
Código	Civil	determina	a	observância	desta	regra.
IMPORTANT
E
Vejamos o art. 967 do Código Civil: É obrigatória a inscrição do empresário no 
Registro Público de Empresas Mercantis da respectiva sede, antes do início de sua atividade.
Essa	inscrição	concede	o	uso	exclusivo	do	nome	nos	limites	do	respectivo	
Estado	ou	do	próprio	Distrito	Federal,	conforme	determina	o	art.	1.166	do	CC: A 
inscrição do empresário, ou dos atos constitutivos das pessoas, ou as respectivas 
averbações, no registro próprio, asseguram o uso exclusivo do nome nos limites 
do respectivo Estado.
Assim,	antes	deiniciar	a	atividade	empresarial,	é	obrigatória	a	inscrição,	
que	é	feita	na	sede	do	órgão	responsável	pela	inscrição,	notadamente	no	Estado	
onde	está	a	sede	da	empresa,	mediante	requerimento	que	contenha:
1.	o	seu	nome,	nacionalidade,	domicílio,	estado	civil	e,	 se	casado,	o	 regime	de	
bens;
2.	a	firma,	com	a	respectiva	assinatura;
3.	o	capital;
4.	o	objeto	e	a	sede	da	empresa.
O	artigo	971	do	Código	Civil	garante	tratamento	favorecido,	diferenciado	
e	simplificado	ao	empresário	rural	e	ao	pequeno	empresário	(art.	971	do	CC).	
Por	sua	vez,	o	empresário	individual	que	deseja	abrir	uma	filial,	sucursal	
ou	agência	em	outro	Estado	da	Federação	ou	no	Distrito	Federal,	deverá	também,	
primeiramente,	 providenciar	 a	 averbação	 no	 respectivo	 Registro	 Público	 de	
Empresas	Mercantis	daquela	jurisdição.
TÓPICO 2 | CONCEITO DE DIREITO EMPRESARIAL E EMPRESÁRIO
19
UNI
É o que determina o artigo 969 do Código Civil e seu parágrafo único: 
O empresário que instituir sucursal, filial ou agência, em lugar sujeito à jurisdição de outro 
Registro Público de Empresas Mercantis, neste deverá também inscrevê-la, com a prova da 
inscrição originária.
Parágrafo único: Em qualquer caso, a constituição do estabelecimento secundário deverá 
ser averbada no Registro Público de Empresas Mercantis da respectiva sede. (BRASIL, 2013).
Agora	que	você	já	entendeu	as	condições	para	que	alguém	seja	considerado	
empresário,	 vamos	 conhecer	 as	 espécies	de	 empresário	 que	 existem	 em	nosso	
ordenamento: empresário individual e empresários reunidos na forma de 
sociedade	de	pessoas,	a	qual	denominamos	de	sociedade empresária.
3.3 TIPOS DE EMPRESÁRIO
No	Direito	Empresarial	Brasileiro	há	dois	tipos	de	empresários:
1	 Empresário	Individual.
2	 Empresário	na	forma	de	sociedade	de	pessoas	(sociedade	empresária).
Como	mencionamos	acima,	no	Direito	Empresarial	Brasileiro	há	dois	tipos	de	
empresários:
 O empresário individual:	que	é	representado	pela	pessoa	física,	através	
de	 seu	 nome	 civil,	 completo	 ou	 abreviado.	 	 Quando	 for	 uma	 pessoa	 física,	 o	
empresário deverá ter plena capacidade civil e estar legalmente livre para praticar 
atividades	empresariais.	
O segundo tipo de empresário é o organizado na forma de sociedade de 
pessoas	(sociedade	empresária).	Quando	se	tratar	de	uma	sociedade	de	pessoas,	
os	atos	empresariais	serão	praticados	em	nome	da	pessoa	jurídica.	
Vejamos	cada	um	destes	tipos,	em	separado.
UNIDADE 1 | DIREITO EMPRESARIAL
20
3.4 EMPRESÁRIO INDIVIDUAL
Como	 visto,	 o	 empresário	 é	 a	 pessoa	 que	 organiza	 uma	 atividade	
econômica	 a	fi	m	de	produzir	 ou	 fazer	 circular	 bens	 ou	 serviços.	 Contudo,	 tal	
exercício	realizado	na	pessoa	física,	de	forma	única	e	exclusiva,	recebe	o	nome	de	
“individual”.
Portanto,	o	empresário	individual	é	a	própria	pessoa	física,	que	utiliza	o	
seu	próprio	nome	no	exercício	de	sua	atividade	empresarial.		
IMPORTANT
E
É o que determina o art. 1.156 do Código Civil: 
O empresário opera sob fi rma constituída por seu nome completo 
ou abreviado, aditando-lhe, se quiser, designação mais precisa da sua 
pessoa ou do gênero de atividade. (BRASIL, 2013). 
Por	 outro	 lado,	 “fi	rma”	 é	 o	 nome	 que	 este	 empresário	 adota	 para	 ser	
conhecido	na	sua	atividade	 empresarial.	 Em	 consequência,	 a	 fi	rma	 individual	
utilizada pela pessoa física em seu estabelecimento empresarial não pode ser 
diferente	da	forma	de	seu	nome	civil.	
Portanto,	 denomina-se	 o	 empresário	 individual	 a	 pessoa	 física	 capaz,	
que	 atua	 em	 seu	 próprio	 nome	 civil,	 abreviado	 ou	 completo	 e	 que	 explora	
com	habitualidade	 (profi	ssionalmente)	atividade	econômica	organizada	para	a	
produção	de	bens	ou	de	serviços,	tendo	como	objetivo	o	lucro.
Contudo,	 a	 lei	 não	 considera	 empresário	 individual	 quem	 exerce	
profi	ssão	intelectual,	de	natureza	científi	ca,	literária	ou	artística,	ainda	que	com	
o	auxílio	de	colaboradores,	salvo	se	o	exercício	da	profi	ssão	constituir	elemento	
de	empresa.	
FONTE: Adaptado de: <http://www.univercidade.br/cursos/graduacao/direito/pdf/sumulasde-
aulas/TEORIA_GERAL_DO_DIREITO_CIVIL.pdf>. Acesso em: 19 fev. 2013.
Ou	seja,	se	esses	profi	ssionais	constituírem	uma	sociedade,	uma	empresa	
para	explorar	sua	atividade,	como	no	caso	de	sociedade	de	advogados,	de	médicos,	
de	engenheiros,	de	contadores,	passam	a	ser	considerados	também	empresários.
TÓPICO 2 | CONCEITO DE DIREITO EMPRESARIAL E EMPRESÁRIO
21
3.4.1 Composição de firma individual
O	 já	 mencionado	 artigo	 1.156	 do	 Código	 Civil	 permite	 ao	 empresário	
individual	o	uso	de	seu	nome	civil,	completo	ou	abreviado,	e,	se	desejar,	a	adição	de	
determinado	qualificativo	que	melhor	o	identifique,	ou	que	realce	sua	atividade.
Assim,	 a	firma,	 o	nome	pelo	qual	 o	 empresário	passa	 a	 ser	 conhecido,	
será	sempre	o	próprio	nome	civil	do	titular	da	empresa,	podendo	adotar	o	nome	
abreviado,	mas	mantendo	o	sobrenome.	Portanto,	um	empresário	que	se	chama	
José	dos	Anzóis	poderá	ter	como	firma	José dos Anzóis ou J. Anzóis.	Esse	nome	
poderá,	ainda,	ser	acrescido	de	uma	palavra	capaz	de	identificar	a	si	próprio	ou	
a	sua	atividade,	especialmente	nos	casos	em	que	 já	existir	 cadastrado	na	 Junta	
Comercial	um	nome	empresarial	idêntico.
Se,	por	exemplo,	o	empresário	for	um	indivíduo	magro,	poderá	adotar	a	
firma	J. Anzóis, o magrela.	Mas	se	for	atividade	de	açougue,	poderá	utilizar	na	
firma	o	nome	J. Anzóis, o açougueiro.
IMPORTANT
E
O próprio parágrafo único do art. 1.163 do Código Civil determina que o nome 
de empresário individual deve ser distinto de qualquer outro já inscrito no mesmo registro: 
“Se o empresário tiver nome idêntico ao de outros já inscritos, deverá acrescentar designação 
que o distinga”. (BRASIL, 2013).
3.4.2 Da capacidade para a atividade de empresário 
individual
Para	iniciar	a	exploração	de	atividade	empresarial,	a	capacidade	da	pessoa	
é	 condição	 essencial	 para	 que	 o	 negócio	 jurídico	 seja	 válido.	 Se	 praticado	por	
pessoa	incapaz	civilmente,	não	será	juridicamente	válido.
IMPORTANT
E
Assim dispõe o Art. 972 do C.C.: “Podem exercer atividade de empresário os que 
estiverem em pleno gozo da capacidade civil e não forem legalmente impedidos”. (BRASIL, 
2013).a
UNIDADE 1 | DIREITO EMPRESARIAL
22
3.4.3 Requisitos para o exercício da atividade de 
empresário individual
De	acordo	com	o	artigo	anteriormente	citado,	são	dois	os	requisitos	para	
o	exercício	da	atividade	empresarial:
1.	Capacidade	para	o	exercício	da	profissão.
2.	Não	estar	legalmente	impedido	de	exercer	sua	atividade.
 
Neste	 sentido,	 podem	 ser	 empresários	 aquelas	 pessoas	 que	 estiverem	
no	pleno	gozo	da	capacidade	civil,	que	são	os	maiores	de	18	anos.	Em	resumo:	
atualmente,	os	maiores	de	18	anos	de	idade,	que	não	forem	legalmente	impedidos,	
podem	ser	empresários	individuais.
Como	a	atividade	empresarial	implica	a	prática	de	negócios	jurídicos,	é	
fundamental	que	quem	os	realize	esteja	em	pleno	gozo	da	capacidade	civil.	As	
pessoas	têm	capacidade	plena	com	18	anos	completos	e	os	emancipados.
	Não	têm	capacidade	civil	os	absolutamente	e	os	relativamente	incapazes,	
nos	termos	da	legislação	civil.
3.4.3.1 Absolutamente incapazes
O	art.	3º	do	C.C.	enumera	os	absolutamente	incapazes:
São	absolutamente	incapazes	de	exercer	pessoalmente	os	atos	da	vida	
civil: 
I	–	Os	menores	de	dezesseis	anos.	
II	 –	Os	 que,	 por	 enfermidade	 ou	 deficiência	mental,	 não	 tiverem	 o	
necessário	discernimento	para	a	prática	desses	atos.	
III	–	Os	que,	mesmo	por	causa	transitória,	não	puderem	exprimir	sua	
vontade.	(BRASIL,	2013).
Por	conseguinte,	a	lei	civil	não	admite	que	o	absolutamente	incapaz	exerça	
atividade	empresarial.	 Contudo,	 há	 exceções	 à	 regra	 dada	 pelo	artigo	 974	 do	
Código Civil:
Poderá,	o	incapaz,	por	meio	de	representanteou	devidamente	assistido,	
continuar	a	empresa	antes	exercida	por	ele	enquanto	capaz,	por	seus	pais	ou	pelo	
autor	de	herança.	(BRASIL,	2013).
Continua	o	artigo	em	seu	parágrafo	1º:
TÓPICO 2 | CONCEITO DE DIREITO EMPRESARIAL E EMPRESÁRIO
23
Nos	casos	deste	artigo,	procederá	autorização	judicial	após	exame	das	
circunstâncias	e	dos	riscos	da	empresa,	bem	como	da	conveniência	em	
continuá-la,	podendo	a	autorização	ser	revogada	pelo	juiz,	ouvidos	os	
pais,	tutores	ou	representantes	legais	do	menor	ou	do	interdito,	sem	
prejuízo	dos	direitos	adquiridos	por	terceiros.	(BRASIL,	2013).
 
Assim,	o	exercício	empresarial	pelo	incapaz,	mesmo	sua	continuidade	da	
atividade	antes	exercida	por	ele	mesmo,	quando	era	capaz,	poderá	ser	realizado	
quando	autorizado	por	ordem	judicial,	com	a	assistência	de	seus	pais,	pelo	autor	
da	herança	ou	por	representante	legal.											
Contudo,	ficam	protegidos	dos	 riscos	da	atividade	empresarial	os	bens	
que	o	incapaz	já	possuía	ao	tempo	da	sucessão	ou	da	interdição,	nos	termos	do	
artigo	974,	parágrafo	2º	do	Código	Civil.
3.4.3.2 Relativamente incapazes 
O	art.	4.º	do	Código	Civil	enumera	os	relativamente	incapazes:	
São	incapazes,	relativamente	a	certos	atos,	ou	à	maneira	de	exercê-los:	
 
I – os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos; 
 
II	–	os	ébrios	habituais,	os	viciados	em	tóxicos,	e	os	que,	por	deficiência	
mental,	tenham	o	discernimento	reduzido;
III	–	 os	excepcionais,	sem	desenvolvimento	mental	completo;	
IV	–	os	pródigos.	(BRASIL,	2013).
As	considerações	descritas	em	relação	ao	absolutamente	 incapaz	valem	
também	para	o	relativamente	incapaz.
3.4.3.3 Emancipação
Antes	de	completar	18	anos	de	idade,	pode	o	menor	tornar-se	plenamente	
capaz.	É	o	que	se	verifica	por	meio	da	emancipação,	conforme	determina	o	artigo	
5º	do	Código	Civil,	em	seu	parágrafo	único:
Cessará,	para	os	menores,	a	incapacidade:
I	–	pela	concessão	dos	pais,	ou	de	um	deles	na	falta	do	outro,	mediante	
instrumento	público,	independentemente	de	homologação	judicial,	ou	
por	sentença	do	juiz,	ouvido	o	tutor,	se	o	menor	tiver	dezesseis	anos	
completos;
II – pelo casamento;
III	–	pelo	exercício	de	emprego	público	efetivo;
UNIDADE 1 | DIREITO EMPRESARIAL
24
IV – pela colação de grau em curso de ensino superior;
V	 –	 pelo	 estabelecimento	 civil	 ou	 comercial,	 ou	 pela	 existência	 de	
relação	de	emprego,	desde	que,	em	função	deles,	o	menor	com	dezesseis	
anos	completos	tenha	economia	própria.	(BRASIL,	2013).
 
O	emancipado	continua	menor,	mas	se	torna	capaz	para	o	exercício	da	
atividade	empresarial.	Evidentemente,	se	o	menor	se	estabelecer	sem	economia	
própria,	necessitará	da	autorização	paterna	ou	materna	para	obter	a	emancipação.
3.4.3.4 Dos impedimentos ao exercício da atividade 
empresarial
O	Direito	Brasileiro	enumera	as	pessoas	impedidas	de	exercer	atividades	
de	empresário	individual,	embora	sejam	elas	capazes.	Eis	algumas:
1		Os	funcionários	públicos,	estaduais	e	municipais.
2		O	Presidente	da	República.
3		O	governador	do	Estado.
4		O	prefeito.
5		Os	magistrados	vitalícios	e	membros	do	Ministério	Público.
6		Os	falidos	(enquanto	não	forem	legalmente	reabilitados,	tendo	sido	declaradas	
extintas	todas	as	suas	obrigações).
7		Os	médicos,	na	exploração	de	farmácia.
IMPORTANT
E
O Código Civil, no seu art. 973, trata do assunto abordado: 
A pessoa legalmente impedida de exercer atividade própria de empresário, se a exercer, 
responderá pelas obrigações contraídas. (BRASIL, 2013).
Os	magistrados,	quais	sejam,	os	juízes,	desembargadores	e	ministros	dos	
tribunais	superiores,	não	podem	exercer	a	atividade	de	empresário	ou	participar	
de	sociedade	empresária,	inclusive	de	economia	mista,	exceto	como	acionista	ou	
cotista.	Não	podem,	 no	 entanto,	 exercer	 cargo	de	direção,	 tais	 como	gerentes,	
diretores,	nem	serem	membros	de	Conselho	Fiscal.
TÓPICO 2 | CONCEITO DE DIREITO EMPRESARIAL E EMPRESÁRIO
25
Já	 os	 médicos	 são	 proibidos	 de	 exercer	 a	 profi	ssão	 com	 interação	
ou	 dependência	 de	 farmácia,	 indústria	 farmacêutica,	 óptica	 ou	 qualquer	
organização	destinada	à	fabricação,	manipulação,	promoção	ou	comercialização	
de	produtos	de	prescrição	médica,	qualquer	que	seja	sua	natureza.	Também	não	
podem	os	médicos	exercer	simultaneamente	a	Medicina	e	a	Farmácia,	tal	como	
determina	a	Resolução	do	Conselho	Federal	de	Medicina	nº	1.931/2009.
Já	 os	 médicos	 são	 proibidos	 de	 exercer	 a	 profi	ssão	 com	 interação	
ou	 dependência	 de	 farmácia,	 indústria	 farmacêutica,	 óptica	 ou	 qualquer	
organização	destinada	à	fabricação,	manipulação,	promoção	ou	comercialização	
de	produtos	de	prescrição	médica,	qualquer	que	seja	sua	natureza.	Também	não	
podem	os	médicos	exercer	simultaneamente	a	Medicina	e	a	Farmácia,	tal	como	
determina	a	Resolução	do	Conselho	Federal	de	Medicina	nº	1.931/2009.
FONTE: Disponível em: <www.portalmedico.org.br/notasdespachos/CFM/2012/1_2012.pdf>. 
Acesso em: 19 fev. 2013.
Os	funcionários	públicos	não	podem	exercer	individualmente	a	atividade	
empresarial,	mas	podem	ser	acionistas,	cotistas	ou	comanditários,	não	podendo,	
em	hipótese	alguma,	assumir	a	gerência	ou	a	administração	de	uma	sociedade.	
A	desobediência	a	essa	proibição	da	Lei	nº	1.711,	de	1952,	art.	195,	incisos	VI	e	VII,	
não	invalida	os	atos	praticados,	mas	sujeita	os	infratores	a	penas	administrativas,	
tais	como	sua	demissão.
3.4.3.5 Responsabilidade do empresário individual
Conforme	 decisões	 dos	 tribunais,	 em	 empresas	 individuais	 a	
responsabilidade	 por	 obrigações	 contraídas	 recai	 sobre	 os	 patrimônios	
individuais	dos	respectivos	titulares.																
IMPORTANT
E
Vejamos a decisão do Superior Tribunal de Justiça no Acórdão proferido no 
Recurso Especial nº 227393/PR (DJ 29/11/1999): 
Tratando-se de fi rma individual, há identifi cação entre empresa e pessoa 
física, posto não constituir pessoa jurídica, não existindo distinção para 
efeito de responsabilidade entre a empresa e seu único sócio.
Tratando-se	de	empresário	individual,	não	é	possível	separar	sua	fi	rma	de	
sua	pessoa	civil,	para	fi	ns	de	responsabilidade	patrimonial.
Contudo,	com	a	edição	da	Lei	n◦	12.441/2011,	passou	a	ser	permitida	a	
criação	da	Empresa	Individual	de	Responsabilidade	Limitada	(EIRELI),	a	qual	
autoriza	 a	 uma	 única	 pessoa	 física	 ser	 titular	 de	 todo	 o	 capital,	 devidamente	
integralizado.
UNIDADE 1 | DIREITO EMPRESARIAL
26
Esse capital não poderá ser inferior a cem vezes o valor do maior salário 
mínimo	vigente	no	país,	sendo	que	a	quantia	deve	estar	disponível	em	dinheiro,	
bens	ou	direitos.
A	nova	modalidade	jurídica	restringe	a	responsabilidade	do	empresário	
individual	 ao	 capital	 da	 empresa,	 não	 comprometendo	 a	 totalidade	 de	 seu	
patrimônio	pessoal.	
3.4.3.6 Perda da qualidade de empresário individual
Em várias situações pode cessar a qualidade de empresário singular:
1	 Pela	morte.
2	 Pela	desistência	voluntária	ou	abandono	da	profissão.
3	 Pela	falência.
A	morte,	além	de	simbolizar	o	fim	da	vida	da	pessoa	humana,	para	fins	
de	direito	também	causa	a	extinção	do	empresário	individual,	tendo	em	vista	que	
não	pode	haver	a	transferência	de	sua	qualidade	para	seus	herdeiros.
Por	sua	vez,	a	desistência	voluntária	ou	abandono	da	profissão	é	causa	
de	 extinção	 da	 qualidade	 de	 empresário	 individual,	 justamente	 porque	 a	
própria pessoa física do empresário é a força motriz que impulsiona a atividade 
empresarial.
Por	fim,	a	 falência	é	uma	das	 formas	de	extinção,	a	qual	será	objeto	de	
estudo	no	final	desta	unidade,	precisamente	no	Tópico	6.
27
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico, a respeito do Direito Empresarial,você viu que:
 Com	o	advento	do	Novo	Código	Civil	brasileiro,	não	se	fala	mais	em	“Direito	
Comercial”,	mas,	sim,	em	“Direito Empresarial”,	sendo	este	um	conjunto	de	
normas	referentes	à	pessoa	do	empresário,	seja	ele	individual	ou	coletivo.
 Para	que	a	pessoa	possa	ser	empresário,	deve	possuir	capacidade	civil	e	não	
estar	legalmente	impedida.	Além	do	mais,	a	fim	de	caracterizar	o	empresário,	
há	a	necessidade	de	preenchimento	de	quatro	condições	básicas,	tais	como:	o	
exercício	de	atividade	econômica,	atividade	organizada,	o	profissionalismo	e	a	
finalidade	lucratividade.
28
Para	 melhor	 fixação	 do	 que	 estudamos	 neste	 tópico,	 classifique	 V	 para	 as	
sentenças	verdadeiras	e	F	para	as	falsas:
(		)	Para	ser	empresário,	não	é	necessária	a	inscrição	na	Junta	Comercial.
(		)	Existem	limitações	ao	exercício	da	atividade	empresarial.
(		)	A	firma	é	o	nome	pelo	qual	o	empresário	individual	será	conhecido.
(		)	O	 patrimônio	 do	 empresário	 individual	 não	 responde	 por	 dívidas	 da	
empresa.
(		)	Uma	das	condições	para	a	caracterização	do	empresário	é	o	profissionalismo.
(		)	O	lucro	é	o	principal	objetivo	da	atividade	empresarial.
(		)	A	morte	do	empresário	individual	não	significa	a	perda	de	sua	qualidade	de	
empresário	individual.
(		)	O	empresário	 individual	poderá	acrescentar	à	 sua	firma	uma	designação,	
caso	já	exista	firma	igual	registrada.
(		)	Para	que	uma	pessoa	possa	ser	empresária,	ela	deve	ter	capacidade	civil	e	
não	estar	legalmente	impedida	de	exercer	esta	atividade.
(		)	O	juiz	de	Direito	pode	ser	empresário.
(		)	A	firma	deve	coincidir	com	o	nome	civil	do	empresário	individual.	
(		)	No	 requerimento	 a	 ser	 encaminhado	 à	 Junta	 Comercial	 para	 o	 registro	
da	firma	individual	não	é	necessário	estar	apontado	o	valor	do	capital	da	
empresa.
Agora,	assinale	a	alternativa	que	apresenta	a	sequência	CORRETA:
a)		(		)	F	–	F	–	F	–	F	–	V	–	V	–	F	–	V	–	V	–	F	–	V	–	F	.
b)		(		)	F	–	V	–	F	–	V	–	F	–	F	–	F	–	V	–	V	–	F	–	V	–	F.
c)		(		)	V	–	V	–	V	–	V	–	F	–	F	–	F	–	F	–	F	–	V	-		F	–	F	.
d)	(		)	F	–	F	–F	–	F	–	V	–	V	–	V	–	F	–	F	–	F	–	V	–	V.
AUTOATIVIDADE
29
TÓPICO 3
DA SOCIEDADE EMPRESÁRIA
UNIDADE 1
1 INTRODUÇÃO
Este	tópico	é	dedicado	às	sociedades	empresariais,	que	nascem	do	esforço	
de	várias	pessoas	 em	nome	de	um	objetivo	 comum,	o	 lucro.	 Iniciaremos	pelo	
conceito	legal	deste	tipo	de	sociedade.
Também estudaremos como são celebrados os contratos de sociedade e os 
requisitos	do	contrato	social,	assim	como	o	requisito	essencial	para	que	ganhe	a	
personalidade	jurídica.
Vamos aos estudos!
2 CONCEITO
Sobre	as	sociedades	empresariais,	determina	o	artigo	981	do	Código	Civil:	
Celebram contrato de sociedade as pessoas que, reciprocamente, se 
obrigam a contribuir com bens ou serviços para o exercício de atividade 
econômica e a partilha, entre si, dos resultados.	(BRASIL,	2013).
Da	 leitura	deste	dispositivo	 legal	podemos	afirmar	que	uma	sociedade 
empresarial se forma	quando	duas	ou	mais	pessoas	se	reúnem	com	o	propósito	
de	combinarem	esforços	e	bens,	objetivando	repartir	entre	si	os	proveitos	obtidos.	
Para	 alcançarem	 seus	 objetivos,	 exercem	 atividade	 de	 natureza	 econômica,	
voltada	para	a	produção	e	circulação	de	bens	ou	para	a	prestação	de	serviços.
Para	 uma	 sociedade	 ganhar	 personalidade	 jurídica	 é	 necessária	 a	
inscrição	de	seu	contrato	ou	estatuto	social	(ato	constitutivo)	no	registro	que	lhe	
é	peculiar.
Todas as sociedades que possuem seu ato constitutivo inscrito no órgão 
competente	são	reconhecidas	pelo	ordenamento	jurídico	como	sujeitos	de	direito	e	
equiparadas	às	pessoas	físicas.							
3 CONSTITUIÇÃO DE UMA SOCIEDADE
Uma	sociedade,	na	forma	empresarial	ou	simples,	é	constituída	mediante	
contrato	social.
30
UNIDADE 1 | DIREITO EMPRESARIAL
IMPORTANT
E
Prezado(a) acadêmico(a)! Segundo o artigo 997 do Código Civil:
“A sociedade constitui-se mediante contrato escrito, particular ou público. [...]”. (BRASIL, 
2013).
O	contrato	social,	por	sua	vez,	deve	conter,	necessariamente,	as	seguintes	
cláusulas:
I	–	 nome,	nacionalidade,	estado	civil,	profissão	e	residência	dos	sócios,	
se	pessoas	naturais,	e	a	firma	ou	denominação,	nacionalidade	e	sede	
dos	sócios,	se	jurídicas;
II	–	denominação,	objeto,	sede	e	prazo	da	sociedade;
III	 –	 capital	 da	 sociedade,	 expresso	 em	 moeda	 corrente,	 podendo	
compreender	 qualquer	 espécie	 de	 bens,	 suscetíveis	 de	 avaliação	
pecuniária;
IV	–	quota	de	cada	sócio	no	capital	social,	e	o	modo	de	realizá-la;
V – prestações a que se obriga o sócio cuja contribuição consista em 
serviços;
VI	–	pessoas	naturais	incumbidas	da	administração	da	sociedade,	bem	
como seus poderes e atribuições;
VII – a participação de cada sócio nos lucros e nas perdas;
VIII	 –	 se	 os	 sócios	 respondem,	 ou	 não,	 subsidiariamente,	 pelas	
obrigações	sociais.	
(BRASIL,	2013).
A	sociedade	somente	adquire	personalidade	jurídica	(sujeito	de	direitos)	
quando	seu	contrato	social	estiver	arquivado	nos	registros	próprios.
4 DISTINÇÃO ENTRE SOCIEDADE E ASSOCIAÇÃO
Uma sociedade empresária é	formada	por	duas	ou	mais	pessoas,	que	se	
comprometem	a	juntar	capital	ou	trabalho	para	a	realização	de	um	fim	lucrativo.	
Seu	 objetivo	 é,	 portanto,	 econômico.	 Por	 outro	 lado,	 a	 lei	 prevê	 também	 a	
sociedade	sem	fins	lucrativos	ou	econômicos.	São	as	chamadas	associações.
TÓPICO 3 | DA SOCIEDADE EMPRESÁRIA
31
IMPORTANT
E
Conforme o artigo 53 do Código Civil:
 Constituem-se as associações pela união de pessoas que se organizem para fins não 
econômicos. (BRASIL, 2013).
Mesmo	não	tendo	finalidade	lucrativa,	nada	impede	que	uma	associação	
de	caráter	cultural,	ou	altruísta,	mantenha	uma	atividade	econômica	apenas	para	
sobreviver.
A	questão	está	na	destinação	dos	 lucros,	ou	seja,	na	associação	os	 lucros	
são	destinados	à	consecução	dos	objetivos	 ideais	dos	associados.	Na	sociedade	
empresária,	por	sua	vez,	os	lucros	são	repartidos	entre	os	sócios.
A	sociedade,	 assim	 como	 a	 associação,	 tem	 início	 com	 a	 inscrição	 dos	
seus	atos	constitutivos	no	órgão	correspondente.
5 SOCIEDADES NÃO PERSONIFICADAS
Aquelas	sociedades	que	não	possuem	seu	contrato	inscrito	(depositado)	no	
Registro	Público	competente	são	chamadas	de	não	personificadas.	São	exemplos:	
as	sociedades	em	comum	ou	por	conta	de	participação	que,	por	consequência,	
não	são	pessoas	jurídicas.
Essa publicidade decorrente da sua inscrição no órgão competente é para 
que	terceiros	tomem	conhecimento	de	sua	existência,	do	grau	de	responsabilidade	
dos	sócios	e	do	conteúdo	do	seu	contrato	social.
IMPORTANT
E
Por isso, o art. 987 do Código Civil determina: “Os sócios, nas relações entre 
si ou com terceiros, somente por escrito podem provar a existência da sociedade, mas os 
terceiros podem prová-la de qualquer modo”. (BRASIL, 2013). 
32
UNIDADE 1 | DIREITO EMPRESARIAL
Além	disso,	as	 sociedades	não	personificadas	estão	 impossibilitadas	de	
participar	de	licitações,	nas	modalidades	de	concorrência	pública	(Lei	nº	8.666/93).	
E	mais:	não	é	permitido	a	ela	contratar	com	o	poder	público	(CF,	art.195,	&	3º),	
abrir	conta	bancária,	ter	patrimônio	em	seu	nome	etc.
5.1 ESPÉCIES DE SOCIEDADES NÃO PERSONIFICADAS 
	São	duas	as	espécies	de	sociedades	não	personalizadas:																																																			
 
●	 Sociedade em comum: é	 a	 sociedade	 irregular	 ou	 de	 fato,	 cuja	 principal	
consequência	 de	 sua	 existência	 é	 a	 responsabilidade	 ilimitada	 das	 pessoas	
físicas/jurídicas	dos	sócios	pelas	obrigações	sociais,	sendo	que	os	bens	e	dívidas	
sociais	 constituem	 patrimônio	 especial,	 do	 qual	 os	 sócios	 são	 titulares	 em	
comum.	Além	do	mais,	todos	os	sócios	respondem	solidária	e	ilimitadamente	
pelas	obrigações	sociais.
●	Sociedade em contade participação: numa	sociedade	em	conta	de	participação,	
conforme	 artigo	 990	 do	Código	Civil,	 sua	 constituição	 independe	 de	 qualquer	
formalidade	e	pode	provar-se	por	 todos	os	meios	de	direito,	 sem	contar	que	o	
contrato social produz efeito somente entre os sócios e a eventual inscrição de seu 
instrumento	em	qualquer	registro	não	confere	personalidade	jurídica	à	sociedade.
A	sociedade	em	conta	de	participação	constitui-se	de	duas	ou	mais	pessoas,	
uma	delas,	necessariamente,	em	cujo	nome	girarão	os	negócios,	também	denominada	
de	sócio	ostensivo,	que	aparece	perante	terceiros	como	empresário.	O	outro	sócio	é	
o	oculto,	que	não	aparece	nem	trata	com	terceiros.	Toda	a	responsabilidade	pelos	
negócios	é	do	sócio	ostensivo.
IMPORTANT
E
Como determina o artigo 991 do Código Civil: na sociedade em conta de 
participação, a atividade constitutiva do objeto social é exercida unicamente pelo sócio 
ostensivo, em seu nome individual e sob sua própria e exclusiva responsabilidade, participando 
os demais dos resultados correspondentes. 
(BRASIL, 2013).
“A	 falência	 do	 sócio	 ostensivo	 acarreta	 a	 dissolução	 da	 sociedade	 e	
a	 liquidação	 da	 respectiva	conta,	 cujo	 saldo	constituirá	crédito	quirografário”.	
(BRASIL,	2013).
TÓPICO 3 | DA SOCIEDADE EMPRESÁRIA
33
6 SOCIEDADES PERSONIFICADAS
O surgimento das primeiras sociedades foi em decorrência da evolução 
histórica	do	empresário	individual,	tendo	em	vista	a	necessidade	do	agrupamento	
de	comerciantes	com	a	finalidade	de	enfrentar	a	concorrência.
Com	a	evolução	dos	conceitos,	as	sociedades	passaram	também	a	adquirir	
personalidade	jurídica,	pelo	registro	do	seu	ato	constitutivo	(contrato	social)	no	
órgão	público	competente,	sendo,	portanto,	um	sujeito	de	direito.
As	sociedades	que	possuem	seu	ato	constitutivo	devidamente	inscrito	
no	 órgão	competente	são	chamadas	de	sociedades	personificadas.
Há	duas	espécies	de	sociedades	personificadas:
1 A sociedade simples.
2 A sociedade empresária.
6.1 SOCIEDADE SIMPLES
O	art.	982	do	Código	Civil	Brasileiro	faz	a	delimitação	entre	as	sociedades	
empresárias e as sociedades simples: salvo as exceções expressas, considera-se 
empresária a sociedade que tem por objetivo o exercício de atividade própria 
de empresário sujeita a registro (art. 967); e, simples, as demais.	(BRASIL,	2013).
Portando,	 a	 sociedade	 empresária	 é	 a	 pessoa	 jurídica	 que	 exerce,	
profissionalmente,	atividade	econômica	organizada	para	a	produção	ou	circulação	
de	 bens	 ou	 de	 serviços.	 Porém,	 deve,	 antes	 do	 início	 de	 sua	 atividade,	 ter	
obrigatoriamente	inscrito	seus	atos	constitutivos	no	Registro	Público	competente.
Já as sociedades simples não são estruturadas empresarialmente e 
decorrem	das	antigas	sociedades	civis	que	visam	ao	lucro.
Sobre	as	sociedades	simples,	assim	explica	Fiúza	(2004,	p.	888):
A	sociedade	simples	é	aquela	constituída	para	o	exercício	de	atividades	
que	não	sejam	estritamente	empresariais,	como	ocorre	nos	casos	das	
atividades	rurais,	educacionais,	médicas	ou	hospitalares,	de	exercício	
de	 profissões	 liberais	 nas	 áreas	 de	 engenharia,	 arquitetura,	 ciências	
contábeis,	consultoria,	auditoria,	pesquisa	científica,	artes,	esportes	e	
serviço	social.					
 
Inclusive,	de	acordo	com	o	que	determina	o	artigo	1150	do	Código	Civil,	
o registro da sociedade simples é efetuado em lugar diverso das sociedades 
empresariais.	Ou	seja,	perante	o	Registro	Civil	das	Pessoas	Jurídicas:																																																																		
34
UNIDADE 1 | DIREITO EMPRESARIAL
O	 empresário	 e	 a	 sociedade	 empresária	 vinculam-se	 ao	 Registro	
Público	 de	Empresas	Mercantis,	 a	 cargo	 das	 Juntas	Comerciais,	 e	 a	
sociedade	 simples	 ao	 Registro	 Civil	 das	 Pessoas	 Jurídicas,	 o	 qual	
deverá	obedecer	às	normas	fixadas	para	aquele	registro,	se	a	sociedade	
simples	adotar	um	dos	tipos	de	sociedade	empresária.	(BRASIL,	2013).																																																																																													
É	importante	salientar	que	também	são	exemplos	de	sociedades	simples	as	
cooperativas,	conforme	determina	o	artigo	982	do	Código	Civil.
6.2 SOCIEDADE EMPRESÁRIA
Sociedade	empresária	é	a	pessoa	jurídica	que	exerce,	profissionalmente,	
atividade	econômica	organizada	para	a	produção	ou	circulação	de	bens	ou	de	
serviços.
Há	vários	tipos	de	sociedade	empresária	a	serem	escolhidos	pelos	sócios,	
dentro	de	suas	adequações	e	objetivos.
1	 Da	sociedade	em	nome	coletivo.
2	 Da	sociedade	em	comandita	simples.
3	 Da	sociedade	limitada.
4	 Da	sociedade	anônima.
5	 Da	sociedade	em	comandita	por	ações.
Veja	a	figura	a	seguir.
TÓPICO 3 | DA SOCIEDADE EMPRESÁRIA
35
FIGURA 3 - TIPOS DE SOCIEDADES EMPRESARIAIS 
FONTE: O autor 
Sociedade	em	
comandita por 
ações
Sociedade	em	
comandita 
simples
Sociedade	
em nome 
coletivo
Sociedade	anônima
Sociedade	
limitada
Sociedades	
empresárias
6.3 CLASSIFICAÇÃO DAS SOCIEDADES QUANTO À 
RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS
Quanto	ao	critério	da	classificação	dos	sócios	em	face	à	sua	responsabilidade	
perante	a	sociedade	empresária,	estas	recebem	a	seguinte	classificação:
• Sociedade ilimitada: quando os sócios respondem ilimitadamente pelas 
obrigações	sociais.	Significa	que,	se	o	patrimônio	social	não	for	suficiente	para	
o	pagamento	dos	credores	da	sociedade,	o	saldo	poderá	ser	exigido	dos	sócios,	
nos	seus	patrimônios	particulares.
• Sociedade mista: é aquela em que uma parte dos sócios tem responsabilidade 
limitada e outra tem	responsabilidade	ilimitada.
• Sociedade limitada: t odos os sócios têm responsabilidade limitada ao 
capital	 social	 integralizado	 na	 sociedade,	 não	 respondendo	 com	 seus	
patrimônios	 particulares	 pelas	obrigações	sociais.
Estes	 tipos	de	sociedade,	quanto	à	 responsabilidade	dos	sócios,	podem	
ser assim subdivididas:
1	 Sociedade	Ilimitada:	 sociedade	em	nome	coletivo.
2	 Sociedade	Mista:	 			a)	sociedade	em	comandita	simples.
 b)	sociedade	em	comandita	por	ações.
36
UNIDADE 1 | DIREITO EMPRESARIAL
3	 Sociedade	Limitada:		a)	Sociedade	limitada.
	 																											 			b)	Sociedade	anônima.
IMPORTANT
E
Dentre essas sociedades, são importantes apenas: a sociedade limitada, em 
primeiro plano, e a sociedade anônima, em segundo. Conforme observa Borba (1997, p. 62):
As demais praticamente inexistem, pois, envolvendo a responsabilidade 
ilimitada de todos ou de alguns sócios, perderam a preferência do meio 
comercial. [...] Assim, as que existiam foram transformadas, e novas não 
se constituíram. Restam pouquíssimas, sendo sempre citada, como 
exemplo remanescente de sociedade em nome coletivo, “Klabin Irmãos 
& Cia”, mantida como tal por apreço à tradição.
6.4 SOCIEDADE EM NOME COLETIVO
A	sociedade	em	nome	coletivo	é	o	tipo	societário	em	que	todos	os	sócios	
têm	 obrigações	 ilimitadas,	 respondendo	 particularmente	 com	 seus	 bens	 pelos	
compromissos	 sociais.	 Porém,	 é	 importante	 frisar	 que	 esta	 responsabilidade	 é	
subsidiária,	uma	vez	que	os	bens	pessoais	dos	sócios	somente	serão	utilizados	para	
pagamento	de	dívidas	quando	inexistirem	bens	suficientes	da	própria	sociedade.
UNI
É o que diz o art. 1.024 do Código Civil: “Os bens particulares dos sócios não 
podem ser executados por dívidas da sociedade, senão depois de executados os bens 
sociais”. (BRASIL, 2013). 
Além	do	mais,	somente	pessoas	físicas	podem	tomar	parte	na	sociedade	
em nome coletivo.
6.5 SOCIEDADE EM COMANDITA SIMPLES 
Numa	sociedade	em	comandita	simples	há	duas	categorias	de	sócios:	os	
comanditados,	que	são	pessoas	físicas,	responsáveis	solidária	e	ilimitadamente	
com	seus	patrimônios	particulares	pelas	obrigações	sociais,	de	forma	subsidiária;	
e os comanditários,obrigados	 somente	 pelo	 valor	 de	 suas	 quotas,	 devendo	 o	
contrato	social	discriminar	a	qual	categoria	os	sócios	pertencem.
 
TÓPICO 3 | DA SOCIEDADE EMPRESÁRIA
37
Os sócios comanditados são os administradores da sociedade e somente 
eles	podem	usar	a	firma	ou	a	razão	social,	integrando	inclusive	o	seu	nome	na	firma	
da	sociedade.	Desse	modo,	a	firma	ou	a	razão	social	será	composta	do	nome,	por	
extenso	ou	abreviadamente,	de	um,	alguns	ou	de	todos	os	sócios	comanditados.
Ao	 sócio	 comanditário,	 por	 sua	 vez,	 é	 vedado	 utilizar	 o	 seu	 nome	 na	
razão	social	ou	até	mesmo	praticar	qualquer	ato	de	gestão	interna	ou	externa	da	
sociedade,	sob	pena	deste	assumir	responsabilidade	solidária	e	ilimitada.
UNI
Os comanditários limitam-se ao direito de fiscalizar os negócios sociais. Diz o 
art. 1021 do C.C.: Salvo estipulação que determine época própria, o sócio pode, a qualquer 
tempo, examinar os livros e documentos, e o estado da caixa e da carteira da sociedade. 
(BRASIL, 2013).
6.6 SOCIEDADE EM COMANDITA POR AÇÕES
De	acordo	com	o	artigo	1.090	do	Código	Civil:	A	sociedade	em	comandita	
por	ações	tem	o	capital	dividido	por	ações,	regendo-se	pelas	normas	relativas	à	
sociedade	anônima,	sem	prejuízo	das	modificações	constantes	deste	Capítulo,	e	
opera	sob	firma	ou	denominação.	(BRASIL,	2013).
Neste	tipo	de	sociedade	há	duas	categorias	de	sócios:
a) Diretores: que têm responsabilidade subsidiária e ilimitada pelas obrigações 
sociais.
b)	Acionistas:	que	respondem	apenas	pelo	valor	das	ações	subscritas	ou	adquiridas.
Portanto,	 a	 sociedade	 possui	 sócios	 de	 responsabilidade	 limitada	 e	 de	
responsabilidade	ilimitada.
A	 sociedade	 em	 comandita	 por	 ações	 pode,	 em	 lugar	 de	 firma,	 adotar	
denominações	designativas	do	objeto	 social,	 aditada	da	 expressão	 “comandita	
por	ações”.	Esta	sociedade	não	tem	conselho	de	administração,	mas	precisa	ter	
assembleia	geral	e	conselho	fiscal.
38
UNIDADE 1 | DIREITO EMPRESARIAL
Por	 fi	m,	 a	 assembleia	 geral	 não	 pode,	 sem	 o	 consentimento	 dos	
diretores,	 mudar	 o	 objeto	 essencial	 da	 sociedade,	 prorrogar-lhe	 o	 prazo	 de	
duração,	 aumentar	 ou	 diminuir	 o	 capital	 social,	 criar	 debêntures	 ou	 partes	
benefi	ciárias.
FONTE: Disponível em: <www.procon.sp.gov.br/texto.asp?id=671>. Acesso em: 26 fev. 2013.
6.7 DA SOCIEDADE COOPERATIVA
As	sociedades	cooperativas	são	criadas	para	a	prestação	de	serviços	aos	
seus	associados,	sendo	esta	sua	característica	básica.
Bulgarelli	(2000,	p.	34)	afi	rma	sobre	o	propósito	básico	da	cooperativa	o	
seguinte:
Encontra-se	 e	 se	 exprime	 na	 formação	 de	 uma	 empresa	 comum,	
formada	 pelos	 que	 têm	 as	 mesmas	 necessidades,	 empresa,	 essa,	
capaz	 de	 atendê-los	 proporcionalmente.	 [...]	 Sociologicamente	 (a	
cooperativa),	adotou	como	fundamento	a	lei	da	cooperação,	e	não	a	
da	concorrência;	economicamente,	tem	como	fi	nalidade	a	melhoria	das	
condições	econômicas	através	da	criação	de	uma	empresa	de	interesse	
comum,	destinada	a	prestar	serviços	a	seus	associados,	afastando	os	
intermediários,	que	encarecem	indevidamente	os	custos.
Atua,	 assim,	 a	 cooperativa	 no	 mercado,	 eliminando	 intermediários	
e	obtendo,	 em	razão	disto,	maiores	vantagens	patrimoniais.	É	próprio	destas	
sociedades	realizarem	negócios,	embora	em	seu	nome,	para	o	sócio,	a	quem	irão	
defl	uir	os	resultados	positivos,	chamados	de	“sobras”.
FONTE: Disponível em: <www.jusbrasil.com.br/.../djsp-judicial-1a-instancia-capital-04-07-201...>. 
Acesso em: 26 fev. 2013.
Em	apoio	a	este	entendimento,	explica	Ricardo	Mariz	de	Oliveira	(1996,	
p.	65)	que	“(as	cooperativas)	existem	para	trabalhar	por	seus	associados,	e,	por	
isto	mesmo,	os	lucros	que	são	gerados	por	seu	intermédio	não	lhes	pertencem,	
nem	originalmente,	porque	originalmente	eles	já	se	destinam	aos	que	atuam	em	
atividades	econômicas	de	forma	cooperada”.
Desta	 feita,	 a	 Lei	 nº	 5.764,	 de	 16.11.1971,	 que	 é	 a	 lei	 federal	 que	 trata	
especialmente	das	 	 sociedades	 cooperativas,	 adotou	os	princípios	doutrinários	
do	 cooperativismo,	 aprovados em	 1966,	 pelo	 Congresso	 de	 Viena.	 Ou	 seja,	
adesão	 livre,	 gestão	 democrática,	 retorno	 dos	 excedentes	 aos	 associados	
proporcionalmente	às	operações	realizadas	junto	à	cooperativa,	juros	limitados	
sobre	o	capital	e	desenvolvimento	da	educação	cooperativa.																																			
Reconheceu,	 outrossim,	 o	 princípio	 da	 cooperação	 e	 a	 fi	nalidade	 não	
lucrativa	da	sociedade.	 
TÓPICO 3 | DA SOCIEDADE EMPRESÁRIA
39
FONTE: Disponível em: <www.procon.sp.gov.br/texto.asp?id=671>. Acesso em: 26 fev. 2013.
O	 capital	 é	 ilimitado	 e	 variável,	 em	 conformidade	 com	 o	 número	 de	
associados	que	entrem	ou	saiam.	Há	impossibilidade	do	ingresso	na	cooperativa	
de	quem	opere	no	mesmo	campo	econômico	(art.	29,	§	4º	da	Lei	Cooperativista).
O	 retorno	 das	 sobras	 na	 proporção	 às	 operações	 realizadas	 (o	 que	
implica	 rigoroso	 controle	 dessas	 operações),	 a	 igualdade	 de	 direitos	 entre	
os	 associados	 (arts.	 37,	 38,	 §	 3º	 e	 42)	 e	 a	 impossibilidade	 de	 distribuição	
de	qualquer	 espécie	 de	 benefício	 às	 quotas-partes	 do	 capital,	ou	 estabelecer	
outras	 vantagens	 ou	 privilégios,	 fi	nanceiros	 ou	 não,	 em	 favor	 de	 quaisquer	
associados	ou	terceiros,	impossibilita	que	se	utilize	a	cooperativa	como	fachada	
para	evasão	fi	scal.
FONTE: Adaptado de: <https://www.plenum.com.br/plenum_jp/lpext.dll/.../14bb?...>. Acesso em: 
26 fev. 2013.
O	retorno	das	sobras	líquidas	é	atribuído,	em	proporção,	às	operações	
que o associado tiver efetuado com a sociedade e não em função do valor ou 
quantidade	das	quotas	que	possuir.	 Isto	quer	dizer	que,	como	regra,	o	produto	
econômico	do	trabalho	dos	associados	a	eles	retorna	(deduzidos,	por	exemplo,	
os	custos	da	cooperativa).
FONTE: Disponível em: <www.iob.com.br/bibliotecadigitalderevistas/bdr.dll?f...>. Acesso em: 26 
fev. 2013
Aqui	 temos	 importante	 aspecto	 a	diferenciar	 as	 cooperativas	de	outras	
sociedades	que	costumam	remunerar	os	sócios,	de	acordo	com	sua	participação	
no	capital.	Por	isso	é	que	o	associado	não	passa	a	usufruir	de	qualquer	vantagem	
diretamente	pelo	fato	de	possuir	quotas-partes.	Estas	servem,	basicamente,	para	
injetar	capital	social	que	possibilite	o	funcionamento	da	cooperativa.	O	associado	
não	passa	a	exercer	qualquer	outro	direito	pelo	fato	de	ser	quotista.
6.8 DA SOCIEDADE LIMITADA
A	sociedade	limitada	surgiu	tendo	como	garantia	aos	sócios	a	não	afetação	
de	seu	patrimônio	particular	pelas	dívidas	da	sociedade,	salvo	se	o	sócio	praticou	
ato	com	excesso	de	poderes	ou	infração	da	lei,	do	contrato	social	ou	estatutos.
A	lei	exige	que	os	sócios-quotistas	apenas	integralizem	o	capital	social.
É	o	que	determina	o		art.	1.052	do	Código	Civil:	Na sociedade limitada, a 
responsabilidade de cada sócio é restrita ao valor de suas quotas, mas todos 
respondem solidariamente pela integralização do capital social.	(BRASIL,	2013).
Assim,	uma	vez	 integralizado	o	capital	 social,	 cessa	a	 responsabilidade	
dos	sócios,	e	os	seus	bens	particulares	não	respondem	pelas	obrigações	sociais.
40
UNIDADE 1 | DIREITO EMPRESARIAL
Contudo,	se	não	houver	a	integralização	do	total	do	capital	social,	previsto	
no	contrato	social,	a	responsabilidade	entre	os	sócios	será	solidária	até	que	seja	
completado	 o	 montante	 do	 capital	 que	 falta,	 mesmo	 que	 um	 deles	 já	 tenha	
completado	a	sua	parte	no	capital.
6.8.1 Constituição da sociedade
A	 sociedade	 poderá	 ser	 constituída	 através	 de	 instrumento	 particular	
ou	 por	 instrumento	 público,	 sendo	 que	 em	 qualquer	 hipótese	 será	 inscrito	
(depositado)	no	“registro	público	competente”,	dentro	dos	30	dias	subsequentes	
à	sua	constituição.
No	caso	do	 socioquotista	não	 integralizar	 a	 sua	parte	no	 capital	 social,	
os	outros	sóciospodem	 tomá-la	para	 si	ou	 transferi-la	a	 terceiros,	 excluindo	o	
primitivo	 titular	 e	devolvendo-lhe	 o	 que	 houver	 pago,	 deduzidos	 os	 juros	 de	
mora,	as	prestações	estabelecidas	no	contrato	e	as	despesas.
6.8.2 Formação do seu nome social
A	sociedade	pode	adotar	tanto	firma	social	ou	denominação.	Ambas	devem	
sempre	ser	seguidas	da	palavra	Limitada,	que	pode	ser	usada	abreviadamente:	
Ltda.	(C.C.,	art.	1.158).	A	omissão	da	palavra	Limitada	determina	a	responsabilidade	
solidária	e	ilimitada.
a) Firma ou razão social:	conforme	o	§	1º	do	art.	1.158	do	Código	Civil:	A firma 
será composta com o nome de um ou mais sócios, desde que pessoas físicas, de 
modo indicativo da relação social.	(BRASIL,	2013).
	 Deverá	 ser	 acrescida	 da	 palavra	 LTDA,	 ou	 Limitada.	 Sempre	 que	 se	
omitir	o	nome	de	pelo	menos	um	deles,	acrescentam-se	as	palavras	&	Cia.	Ltda.	
Por	exemplo,	se	José	dos	Anzóis	e	Ambrósio	de	Abreu	constituem	uma	sociedade	
limitada,	esta	poderá	ter	como	nome	empresarial:	José	dos	Anzóis	&	Cia.	Ltda.,	
ou	Anzóis	&	Abreu	Ltda.	
Caso	ocorra	o	falecimento,	exclusão	ou	retirada	do	sócio	que	emprestou	
seu	nome	para	a	formação	do	nome	social,	deverá	ser	procedida	uma	alteração	do	
contrato	social.	Uma	vez	que,	de	acordo	com	o	art.	1.165	do	Código	Civil:	o nome 
de sócio que vier a falecer, for excluído ou se retirar, não pode ser conservado 
na firma social.	(BRASIL,	2013).
b) Denominação:	pode	ser	composta	por	uma	expressão	fantasia,	sendo	permitido	
nela	figurar	o	nome	de	um	ou	mais	sócios.	Deve	designar	o	objeto	da	sociedade.	
Seu	nome	deve	sempre	ser	acrescido	da	palavra	limitada.	Por	exemplo:	Anzóis	
Oficina	Mecânica	Ltda.					
TÓPICO 3 | DA SOCIEDADE EMPRESÁRIA
41
6.8.3 Da administração 
O contrato social deve determinar quem possui os poderes de 
representação	 da	 sociedade,	 ou	 seja,	 o	 administrador.	 Terceiros,	 não	 sócios,	
podem	 ser	 administradores	 da	 sociedade,	 como	 acontece	 nas	 sociedades	
anônimas,	desde	que	o	contrato	permita	e	haja	a	aprovação	unânime	dos	sócios.						
IMPORTANT
E
Dispõe o art. 1.061 do Código Civil que: 
se o contrato permitir administradores não sócios, a designação deles 
dependerá da aprovação da unanimidade dos sócios, enquanto o 
capital não estiver integralizado, e de dois terços, no mínimo, após a 
integralização. (BRASIL, 2013).
Importante	salientar	que,	havendo	excesso	de	mandato	ou	atos	praticados	
com	 violação	 do	 contrato	 ou	 da	 lei,	 o	 sócio-gerente	 responde,	 perante	 a	
sociedade	 e	perante	 terceiros,	limitadamente,	com	os	seus	bens	particulares.
6.8.4 Das quotas e sua transferência
Numa	sociedade	limitada,	o	capital	social	divide-se	em:	quotas,	iguais	ou	
desiguais,	cabendo	uma	ou	diversas	a	cada	sócio.
Em	caso	de	omissão	do	contrato,	segundo	o	artigo	1.057	do	Código	Civil	
Brasileiro,	um	dos	sócios	pode	ceder	suas	quotas	a	terceiros,	sem	a	anuência	dos	
demais	sócios,	desde	que	não	haja	oposição	de	titulares	de	mais	de	um	quarto	do	
capital	social.
6.8.5 Conselho fiscal
O	contrato	social	ou	o	estatuto	social	pode	instituir	conselho	fiscal	composto	
de	 três	ou	mais	membros	e	respectivos	suplentes,	sócios	ou	não,	residentes	no	
país,	eleitos	na	assembleia	anual.	Os	sócios	minoritários	que	representarem	um	
quinto	do	 capital	 social	poderão	 indicar	pelo	menos	um	membro	do	 conselho	
fiscal.
A	 função	 deste	 órgão	 social,	 além	 daquelas	 estipuladas	 no	 próprio	
contrato	 social,	 é	 a	 de	 fiscalizar	 a	 atuação	 dos	 administradores	 da	 sociedade,	
exigindo	destes	a	prestação	de	informações,	além	do	exame	de	livros	e	papéis	da	
sociedade.
42
UNIDADE 1 | DIREITO EMPRESARIAL
6.9 DA SOCIEDADE ANÔNIMA
As	sociedades	anônimas	ou	companhias	 são	uma	espécie	de	 sociedade	
empresarial,	 	 reguladas	 por	 lei	 especial,	 qual	 seja,	 a	 Lei	 nº	 6.404/1976.	 São	
formadas,	 a	maior	 parte	 das	vezes,	 com	 o	 objetivo	 de	 realização	 de	 grandes	
empreendimentos e que necessitam do emprego de elevado valor para a 
formação	de	 seu	 capital	 social,	 o	 que	 geralmente	 necessita	 da	participação	de	
muitas	pessoas,	os	chamados	acionistas.
ESTUDOS FU
TUROS
Prezado(a) acadêmico(a)! Tendo em vista a grande importância que o tema 
Sociedade Anônima possui no Direito Eempresarial, vamos abordá-lo com profundidade no 
Tópico 4.
43
RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tópico apresentamos conceitos de sociedades não 
personificadas e personificadas.
•		 Aprendemos	 que	 as	 sociedades	 não	 personificadas	 são	 aquelas	 que	 não	
possuem seus atos constitutivos (contrato social) depositados (inscritos) no 
registro público	competente.	Temos	como	exemplos	as	sociedades	em	comum	
ou	por	conta	de	participação,	que,	por	consequência,	não	são	pessoas	jurídicas.
•		 Por	 sua	vez,	as	 sociedades	personificadas	 são	aquelas	que	estão	 legalmente	
constituídas.	 São	 exemplos:	 a	 sociedade	 em	 nome	 coletivo,	 a	 sociedade	 em	
comandita	simples,	a	sociedade	 limitada,	 a	 sociedade	anônima,	 a	 sociedade	
em	comandita	por	ações	e	as	sociedades	cooperativas.
44
Responda	às	questões:
1		 Sobre	a	Sociedade	Empresária,	assinale	a	alternativa	CORRETA:
a) ( ) Celebram contrato de sociedade as pessoas que reciprocamente se 
obrigam	a	contribuir	com	bens	ou	serviços	para	o	exercício	de	atividade	
econômica	e	a	partilha	entre	si	dos	resultados.
b)	 (		)	Celebram	contrato	de	sociedade	somente	as	pessoas	físicas.
c)	 (		)	Numa	sociedade	empresária	de	 responsabilidade	 ilimitada,	o	 capital	
social	é	dividido	em	ações.
d)	(		)	A	sociedade	empresária	é	formada	por	uma	pessoa,	que	se	compromete	
a	juntar	capital	ou	trabalho	para	a	realização	de	um	fim	lucrativo.
2		 Sobre	as	Sociedades	Empresariais,	assinale	a	alternativa	CORRETA:
a)	 (		)	Aquelas	sociedades	que	não	possuem	seu	contrato	inscrito	(registrado	
e	 arquivado)	 no	 registro	 público	 competente	 são	 chamadas	 de	 não	
personificadas.
b)	 (		)	A	sociedade	anônima	é	a	sociedade	irregular	ou	de	fato,	cuja	principal	
consequência	de	sua	existência	é	a	responsabilidade	ilimitada	das	pessoas	
físicas/jurídicas	 dos	 sócios	 pelas	 obrigações	 sociais,	 sendo	 que	 os	 bens	
e	 dívidas	 sociais	 constituem	 patrimônio	 especial	 do	 qual	 os	 sócios	 são	
titulares	em	comum.	Além	do	mais,	todos	os	sócios	respondem	solidária	e	
ilimitadamente	pelas	obrigações	sociais.
c)	 (		)	Numa	sociedade	em	comandita	por	ações,	sua	constituição	independe	
de	qualquer	formalidade	e	pode	provar-se	por	todos	os	meios	de	direito,	
sem	contar	que	o	contrato	social	produz	efeito	somente	entre	os	sócios,	e	
a eventual inscrição de seu instrumento em qualquer registro não confere 
personalidade	jurídica	à	sociedade.
d)	(	 	 )	As	 sociedades	 anônimas	 não	 são	 estruturadas	 empresarialmente,	 e	
decorrem	das	antigas	sociedades	civis	que	visam	ao	lucro.	
3		 Quanto	ao	critério	da	classificação	dos	sócios	em	face	da	sua	responsabilidade	
perante	a	sociedade	empresária,	assinale	as	alternativas	CORRETAS:
a)	 (	 	 )	Sociedade	mista:	 todos	 os	 	 sócios	 têm	 responsabilidade	 limitada	 ao	
capital	 social	 integralizado	 na	 sociedade,	 não	 respondendo	 com	 seus	
patrimônios	particulares	pelas	obrigações	sociais.	
b)	 (		)	Sociedade	ilimitada:	quando	os	sócios	respondem	ilimitadamente	pelas	
obrigações	sociais.	Significa	que,	se	o	patrimônio	social	não	for	suficiente	
para	o	pagamento	dos	credores	da	sociedade,	o	saldo	poderá	ser	exigido	
dos	sócios,	nos	seus	patrimônios	particulares.	
AUTOATIVIDADE
45
c)	 (		)	Sociedade	mista:	é	aquela	em	que	parte	dos	sócios	tem	responsabilidade	
limitada	e	outra	tem	responsabilidade	ilimitada.
d)	(		)		Sociedade	 limitada:	 todos	os	 	sócios	 têm	responsabilidade	 limitada	ao	
capital	 social	 integralizado	 na	 sociedade,	 não	 respondendo	 com	 seus	
patrimônios	particulares	pelas	obrigações	sociais.	
 
4		 Com	 relaçãoàs	 regras	 que	 disciplinam	 a	 situação	 do	 socioquotista	 da	
sociedade	limitada,	assinale	a	alternativa	CORRETA.
a) ( ) Todos os sócios têm responsabilidade limitada ao capital social 
integralizado	 na	 sociedade,	 não	 respondendo	 com	 seus	 patrimônios	
particulares	pelas	obrigações	sociais.
b)	 ( 	 	 ) 	 As	 quotas	 podem	 ser	 integralizadas	 pelos	 sócios	 por	 valores	
representados	 em	 dinheiro,	 bens	 ou	 prestação	 de	 serviços,	
respondendo	 solidariamente	 todos	 os	 sócios	 pela	 exata	 estimação	
dessas	contribuições.
c)	 (	 	 )	 Mesmo	 sendo	 integralizado	 o	 capital	 social,	 a	 responsabilidade	 dos	
sócios e os seus bens particulares continuam respondendo pelas obrigações 
sociais.
d) 	( 	 	 ) 	As	quotas	representam	a	necessária	divisão	do	capital	social	em	partes	
iguais,	 sendo	 as	 deliberações	 consideradas	 de	 acordo	 com	 o	 número	 de	
quotas	de	cada	sócio.
46
47
TÓPICO 4
DA SOCIEDADE ANÔNIMA
UNIDADE 1
1 INTRODUÇÃO
A	sociedade	anônima	ou	companhia	é	uma	sociedade	de	capitais,	regida	
por	um	“estatuto	social”.	É	regulada	por	lei	especial,	qual	seja,	a	Lei	nº	6.404,	de	
15	de	dezembro	de	1976,	com	as	alterações	sofridas	pela	Lei	nº	9.457,	de	5	de	maio	
de	1997	e	Lei	nº	10.303,	de	31	de	outubro	de	2001.
O	próprio	Código	Civil	 de	 2002,	 em	 seu	 artigo	 1.089,	 determina	que	 a	
sociedade	anônima	seja	regida	por	lei	especial,	aplicando-se	somente	nos	casos	
omissos	as	disposições	do	código.
2 CARACTERÍSTICAS ESSENCIAIS 
A	sociedade	anônima	caracteriza-se	por:																																																																															
1	 	Divisão	do	capital	social	em	ações.																																																																																																
2	 	Limitação	da	responsabilidade	dos	acionistas	ao	valor	das	ações	subscritas	ou	
adquiridas.							
3	 	Livre	acessibilidade	das	ações.								
2.1 DO CAPITAL SOCIAL 
A	sociedade	anônima	 tem	o	seu	capital	dividido	em	parcelas	 iguais,	
a	 que	 se	convencionou	chamar	de	ações,	obrigando-se,	cada	sócio	ou	acionista,	
somente	pelo	preço	de	emissão	das	ações	que	subscrever	ou	adquirir.																			
É	importante	salientar	que	a	cessão	ou	transferência	das	ações	ao	novo	
acionista	 não	 afeta	 a	 estrutura	 da	 sociedade.	 Por	 serem	 ações	 livremente	
negociáveis	 (característica	 básica),	 nenhum	 dos	 acionistas	 pode	 impedir	 o	
ingresso de quem quer que seja no quadro associativo de uma sociedade 
anônima	aberta.	As	sociedades	anônimas	de	capital	fechado	já	possuem	outra	
dinâmica.
48
UNIDADE 1 | DIREITO EMPRESARIAL
2.2 RESPONSABILIDADE DOS ACIONISTAS
Pago	o	valor	da	subscrição,	termina	a	responsabilidade	do	acionista.
UNI
Lembremos que:
- Subscrição é uma promessa de compra de ações.
- Integralização é o pagamento da subscrição.
A	garantia	de	terceiros,	de	credores	da	sociedade,	estará,	então,	unicamente	
no	 capital	 social.	 É	 por	 isso	 que	 a	 companhia	 é	 eminentemente	 de	 capital,	
justamente	porque	vive	em	torno	dele.
Vale	salientar	que,	enquanto	na	sociedade	limitada	a	responsabilidade	do	
sócio	é	considerada	em	função	do	valor	de	sua	cota	no	capital	social,	na	sociedade	
anônima	a	responsabilidade	não	se	limita	ao	valor	de	mercado	das	ações	subscritas	
ou	adquiridas	(cotação	em	bolsa	de	valores),	mas,	sim,	ao	preço	de	sua	emissão.
3 OBJETO SOCIAL
A	sociedade	anônima	tem	o	seu	objeto	social	determinado	no	seu	estatuto	
social,	sendo que	 este	deve	 ter	um	fim	 lucrativo,	desde	que	não	 seja	 contrário	
à	 lei	 e	 à	 ordem	 pública.	 Por isso,	 a	 sociedade	 anônima	 é	 sempre	 empresária,	
independentemente	de	seu	objeto.
4 NOME EMPRESARIAL
Toda	 sociedade	 anônima	 deve	 adotar	 um	 nome	 sob	 o	 qual	 exerce	
sua	 atividade	comercial. A	denominação	pode	conter	nomes	de	pessoas,	como	o	
do	fundador,	ou	de	quem	tenha	auxiliado	para	o	êxito	da	sociedade.
UNI
Vejamos o artigo 3º da Lei nº 6.404: A sociedade será designada por 
denominação acompanhada das expressões ‘companhia’ ou sociedade anônima’, expressas 
por extenso ou abreviadamente, mas vedada a utilização da primeira ao final. (BRASIL, 2013).
TÓPICO 4 | DA SOCIEDADE ANÔNIMA
49
Pago	o	valor	da	subscrição,	termina	a	responsabilidade	do	acionista.
Por exemplo:	Casa	José	dos	Anzóis	S/A,	Anzóis	Cia.	de	Seguros	ou,	ainda,	
Cia.	Rhodia	do	Brasil.
A	proibição	do	uso	da	palavra	companhia	no	final	da	denominação	visa	
evitar	qualquer	confusão	com	a	firma	ou	razão	social	da	“sociedade	em	nome	
coletivo”.
Por	fim,	a	lei	não	permite	usar	ao	mesmo	tempo	as	expressões	companhia	e	
sociedade	anônima	no	seu	nome	social.
5 ESPÉCIES DE SOCIEDADE ANÔNIMA
Há	duas	espécies	de	sociedade	anônima:
a) A companhia aberta.
b) A companhia fechada.
A	companhia	aberta	é	aquela	que	capta	recursos	junto	ao	público,	tendo	
seus	valores	mobiliários	ou	ações	negociados	em	bolsa	de	valores.		
UNI
Diz a Lei nº 6.404/76, art. 4º: Para os efeitos desta lei, a companhia é aberta 
ou fechada conforme os valores mobiliários de sua emissão estejam ou não admitidos à 
negociação no mercado de valores mobiliários. (BRASIL, 2013). 
Contudo,	para	que	uma	sociedade	anônima	tenha	suas	ações	ou	valores	
mobiliários de sua emissão admitidos na Bolsa de Valores ou no mercado de 
valores	mobiliários,	é	necessário	que	ela	obtenha	do	Governo	Federal	a	devida	
autorização,	qual	seja,	da	Comissão	de	Valores	Mobiliários.		
 
A	aberta ao público	tem	livre	acessibilidade	de	suas	ações.	Tem	as	suas	
ações	negociadas	no	mercado	de	valores	mobiliários,	por	intermédio	das	Bolsas	
de	Valores.
A	fechada,	por	sua	vez,	não	tem	suas	ações	negociadas	no	referido	mercado	
de	valores	mobiliários,	ou	não	as	coloca	à	venda	ao	público.
50
UNIDADE 1 | DIREITO EMPRESARIAL
IMPORTANT
E
Vejamos o que determina o art. 36 da Lei nº 6.404: O estatuto da companhia 
fechada pode impor limitações à circulação das ações nominativas, contanto que regule 
minuciosamente tais limitações.
6 OS VALORES MOBILIÁRIOS
Há,	portanto,	duas	espécies	de	sociedade	anônima:	a	companhia	aberta	e	
a	companhia	fechada.	Somente	a	aberta	é	que	procura	captar	recursos	financeiros	
no	mercado	pela	emissão	de	papéis.	Estes	representam	valores	mobiliários.	São	
eles:	as	ações,	partes	beneficiárias,	debêntures,	ou	bônus	de	subscrição,	e	as	notas	
promissórias.
7 AÇÕES
O	capital	social	de	uma	sociedade	anônima	é	formado	pelas	ações.	Quem	
as	adquire	passa	a	ser	sócio	da	sociedade.	O	preço	de	emissão	das	ações	não	se	
confunde	com	o	valor	nominal	ou	de	mercado.	
As	ações	são	representadas	por	documentos	que	têm	a	natureza	de	títulos	
de	 crédito.	Como	 títulos	de	 crédito,	 elas	podem	ser	negociadas	 e	 transferidas,	
sem	que	isso	venha	a	modificar	o	ato	constitutivo	ou	a	organização	da	sociedade.
Formou-se,	então,	um	verdadeiro	mercado	concernente,	principalmente	
às	 ações.	 É	 o	 denominado	 mercado	 de	 capitais	 ou	 mobiliários.	 Ou	 seja,	 um	
mercado	especial	em	que	são	realizados	contratos	de	compra	e	venda	de	ações,	
debêntures	e	demais	valores	emitidos	pelas	companhias,	realizado	geralmente	por	
intermédio	das	Bolsas	de	Valores,	que	é	uma	pessoa	jurídica	de	direito	privado,	
constituída por diversas sociedades corretoras e que tem por objeto manter um 
local	de	encontro	adequado	para	os	negócios	de	seus	associados.	A	sua	principal	
finalidade	é	negociar	os	títulos	emitidos	pelas	sociedades	anônimas	abertas.
8 ESPÉCIES DE AÇÕES
As	ações	 se	apresentam	sob	diversas	categorias	e,	de	acordo	com	a	 lei,	
podem	ser	assim	classificadas:
1	 Quanto	às	vantagens	oferecidas	ao	seu	titular.
2	 Quanto	à	forma	de	sua	circulação.
TÓPICO 4 | DA SOCIEDADE ANÔNIMA
51
8.1 QUANTO ÀS VANTAGENS QUE AS AÇÕESCONFEREM 
AOS SEUS TITULARES
Quanto	às	vantagens	que	as	ações	conferem	a	seus	titulares,	elas	podem	
ser	de	três	espécies:	ordinárias,	preferenciais	e	de	fruição.
8.1.1 Ações ordinárias
As	 ações	 ordinárias	 são	 aquelas	 que	 conferem	 ao	 titular	 os	 direitos	 de	
participar	 nos	dividendos	 e	 de	 participar	 das	 assembleias	 de	uma	 companhia	
aberta,	deliberando	a	respeito	da	vida	societária	por	intermédio	de	seu	voto.	Tem	
ele,	pois,	o	direito	de	votar	e	ser	votado	para	eleger	ou	se	eleger	presidente,	vice-
presidente,	um	dos	diretores	ou	a	outro	cargo	qualquer.
	Não	é	demais	lembrar	que,	em	regra,	cada	ação	dá	direito	a	um	voto.	Se	
o	acionista	for	titular	de	100	ações	ordinárias,	por	exemplo,	terá	ele	100	votos	nas	
assembleias,	deliberando	a	respeito	da	vida	da	sociedade.	Vale	dizer,	os	votos	não	
são	tomados	pelo	número	de	pessoas,	mas	pelo	número	de	ações.																																																																																																																
8.1.2 Ações preferenciais 
As	ações	preferenciais	são	aquelas	que	atribuem	ao	titular	determinados	
privilégios	 ou	 preferências.	 Esses	 privilégios	 podem,	 por	 exemplo,	 consistir	
na	 prioridade,	 na	 distribuição	 dos	 lucros	 ou	 dividendos	 da	 sociedade	 ou	 no	
reembolso	do	capital	quando	a	sociedade	tiver	de	ser	liquidada.		
 
As	 ações	 preferenciais	 podem	 ou	 não	 conferir	 o	 direito	 de	 voto	 aos	
seus	 titulares.	A	ação	preferencial	só	dará	direito	de	voto	se	o	estatuto	assim	o	
dispuser.	Basta	a	omissão	no	Estatuto	para	que	cada	ação	corresponda	a	um	voto.
O número de ações preferenciais sem direito a voto, ou sujeitas à restrição 
no exercício desse direito, não pode ultrapassar 50% do total das ações emitidas. 
É	o	que	prescreve	a	Lei	de	Sociedade	Anônima	nº	§	2,	do	art.	15.	(BRASIL,	2013).
Se	a	sociedade	prevê	expressamente	no	estatuto	o	não	direito	de	voto,	o	titular	
das ações preferenciais poderá adquirir: o exercício desse direito se a companhia, 
pelo prazo previsto no estatuto, não superior a 3 (três) exercícios consecutivos, 
deixar de pagar os dividendos fixos ou mínimos a que fizerem jus, direito que 
conservarão até o pagamento [...],	conforme	determina	o	§	1º	do	art.	111	da	Lei	
de	Sociedade	Anônima.	Essa	tomada	de	posição	do	nosso	legislador	é	para	evitar	
abusos	por	parte	dos	administradores	da	sociedade.
52
UNIDADE 1 | DIREITO EMPRESARIAL
8.1.3 Ações de fruição
As	 ações	 de	 fruição	 são	 aquelas	 emitidas	 em	 substituição	 às	 ações	
ordinárias ou preferenciais que tiverem sido totalmente amortizadas pela 
sociedade.	Melhor	 explicando,	quando	uma	 sociedade	anônima	vai	 entrar	 em	
liquidação,	ela	antecipa	aos	acionistas	as	importâncias	do	valor	das	ações.	
Uma	 vez	 pagas	 as	 importâncias	 das	 ações,	 em	 seu	 lugar	 a	 sociedade	
poderá	distribuir	aos	sócios	outras	espécies,	denominadas	ações de fruição,	de	
posse	 das	 quais	 os	 acionistas	 continuarão	 a	 ter	 os	 seus	 direitos	 na	 sociedade,	
fazendo	 jus	aos	dividendos	e	 tomando	parte	nas	deliberações	 sociais	 se,	neste	
último	caso,	as	ações	substituídas	 lhe	derem	direito	a	voto.
	 Evidentemente,	 por	 ocasião	 da	 liquidação	 da	 sociedade,	 os	 acionistas	
não	mais	receberão	as	importâncias	correspondentes	ao	valor	das	ações.	Essas	já	
foram	pagas	antecipadamente,	por	ocasião	da	amortização.	Trata-se,	portanto,	
de	uma	operação	excepcional.
8.2 QUANTO À FORMA DE SUA CIRCULAÇÃO
Era	 a	 classificação	 utilizada	 anteriormente	 à	 Lei	 nº	 8.021/1990,	 que	
extinguiu	as	ações ao	portador	e	as	endossáveis,	criando	as	ações	nominativas	e	
escriturais.
São	nominativas	as	ações	registradas	em	um	livro	da	sociedade	emissora,	
denominado	“Registro	de	Ações	Nominativas”.	Tais	ações	só	podem	ser	transferidas	
por	meio	de	um	 termo	de	 cessão	 no	 referido	 livro,	 ocasião	 em	 que	 haverá	 a	
assinatura	do	cedente	e	do	cessionário.
Portanto,	 as	 nominativas	 circulam	 mediante	 registro	 no	 livro	 próprio	
da	 companhia,	diferentemente	das	ações	escriturais,	que	são	representadas	por	
certificados.
8.3 DEBÊNTURES
Quando	 uma	 companhia	 necessita	 de	 empréstimo,	 talvez	 para	
desenvolver-se,	 e	 não	 deseja	 um	 empréstimo	 bancário,	 pratica	 a	 emissão	 de	
títulos	negociáveis,	as	debêntures,	 colocando-as	em	circulação	à	disposição	do	
público.	Quem	as	adquire	passa	a	ser	credor	da	sociedade.	Caso	esta	deixe	de	
pagá-las,	o	credor	poderá	propor	ação	de	execução	com	base	nesse	título.
Para	a	companhia	poder	negociar	no	mercado,	as	debêntures	podem	ter	
garantia	real,	 conter	 cláusula	de	correção	monetária	 com	base	nos	coeficientes	
fixados	 para	 correção	 de	 título	 de	 dívida	 pública,	 participação	 nos	 lucros	 da	
companhia,	render	juros	fixos	ou	variáveis	de	reembolso.
TÓPICO 4 | DA SOCIEDADE ANÔNIMA
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As	debêntures	podem	ser	convertidas	em	ações.	Assim,	há	duas	espécies	de	
debêntures: as debêntures simples e as debêntures conversíveis em ações.
9 CONSTITUIÇÃO DAS SOCIEDADES ANÔNIMAS
A	sociedade	anônima	é	constituída	por	dois	modos	diferentes:
a)	Pela	subscrição	do	capital	por	pessoa	que	deseja	constituí-la,	dando-se	a	essa	
espécie	de	constituição	de	simultânea	ou	por	subscrição	particular.							
 
b)	Pela	subscrição	do	capital	do	apelo	ao	público,	havendo,	neste	caso,	a	constituição	
sucessiva	ou	por	subscrição	pública.				
9.1 CONSTITUIÇÃO POR SUBSCRIÇÃO PARTICULAR OU 
SIMULTÂNEA 
Ocorre quando dois ou mais subscritores de todo o capital social se 
reúnem	 em	assembleia	 de	 fundação,	 deliberam	 a	 constituição	 por	 subscrição	
particular	 e,	 ao	 cabo	 da	 subscrição	 de	 todo	 o	 capital,	 dão	 por	 constituída	
definitivamente	a	sociedade.	Além	da	constituição	por	meio	de	assembleia	geral	
dos	subscritores,	poderá	processar-se	também	por	escritura	pública.
 
Entretanto,	para	constituir-se,	deve	atender	a	três	requisitos:
1	 Subscrição,	 por	pelo	menos	duas	pessoas	naturais	 e/ou	 jurídicas,	 de	 todo	o	
capital	social		fixado	no	estatuto	da	companhia.
2	 Realização,	como	entrada,	de	10%,	no	mínimo,	do	preço	de	emissão	das	ações	
subscritas	em	dinheiro.
3	 Depósito,	 no	 Banco	 do	 Brasil	 S/A,	 ou	 em	 outro	 estabelecimento	 bancário	
autorizado	pela	CVM,	da	parte	do	capital	realizado	em	dinheiro.	Se	o	subscritor	
entrar	com	bens,	fica	isento	do	depósito.
O	depósito	de	10%	no	estabelecimento	bancário	deverá	ser	feito	em	nome	
do	subscritor	e	a	favor	da	sociedade	em	organização,	que	só	o	levantará	depois	
de	haver	adquirido	personalidade	jurídica.
Constituída	a	companhia,	por	deliberação	da	assembleia	geral,	a	diretoria	
eleita ou nomeada providenciará o arquivamento dos documentos constitutivos 
(um	exemplar	do	estatuto	social,	prova	do	depósito	bancário,	duplicata	da	ata	em	
que	se	deliberou	a	constituição	da	sociedade	etc.)	na	Junta	Comercial,	para	fins	de	
aquisição	da	personalidade	jurídica	e	funcionamento	regular.
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UNIDADE 1 | DIREITO EMPRESARIAL
9.2 CONSTITUIÇÃO SUCESSIVA OU POR SUBSCRIÇÃO 
PÚBLICA
Ocorre	 quando	 uma	 ou	 mais	 pessoas,	 denominadas	 fundadoras	 da	
companhia,	 elaboram	 o “projeto do estatuto e o prospecto e contratam uma 
financeira para servir de intermediária” no lançamento das ações na bolsa de 
valores	ou	no	mercado	de	balcão.	
Assinado	o	prospecto	pelos	fundadores	e	pela	financeira,	faz-se,	então,	o	
registro	da	constituição	perante	a	CVM,	que	fará	um	estudo	sobre	a	viabilidade	
econômica	e	financeira	do	empreendimento,	sobre	o	 projeto do estatuto e sobre 
o	prospecto.
Se	a	CVM	estiver	de	acordo,	publica-se	a	oferta	de	subscrição	das	ações.
10 ACIONISTAS
O	acionistaé	sócio	da	sociedade	anônima.	Não	o	sócio	que	se	associa	a	
outrem	 para	 constituir	uma	sociedade	empresária	de	natureza	contratual,	mas	
apenas	o	possuidor	de	ações	integrantes	do	capital	social	da	sociedade	anônima.
10.1 DIREITOS DOS ACIONISTAS
No	momento	em	que	uma	pessoa	adquire	ações	de	uma	companhia,	passa	
a	participar	da	sociedade,	tendo	os	seguintes	direitos:
•		Participar	dos	lucros	sociais.
•		Participar	do	acervo	da	companhia,	em	caso	de	liquidação.
•		Preferência	para	adquirir	novas	ações,	quando	houver	aumento	de	capital.
•		Fiscalizar	a	gestão	dos	negócios	sociais,	comparecendo	nas	assembleias.
•		Votar	 nas	 deliberações	 sociais,	 desde	 que	 seja	 possuidor	 de	 ações	 que	 lhe	
deem	esse	direito.
•		Retirar-se	da	sociedade	nos	casos	previstos	em	lei.
TÓPICO 4 | DA SOCIEDADE ANÔNIMA
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10.2 O ACIONISTA CONTROLADOR
Acionista	controlador	é	a	pessoa	física	ou	jurídica,	ou	um	grupo	de	pessoas	
vinculadas	por	acordo	de	voto,	que	 tem	a	maioria	de	votos	nas	deliberações	
da	 assembleia	 geral,	 podendo	 eleger	 os	 administradores	 e,	 assim,	 dirigir	 as	
atividades	sociais	e	orientar	o	funcionamento	dos	órgãos	da	companhia.				
 FONTE: Adaptado de: <xa.yimg.com/kq/groups/.../AULA+PODER+DE+CONTROLE.ppt>. Acesso 
em: 27 fev. 2013.
10.3 DEVERES E RESPONSABILIDADES DO ACIONISTA 
CONTROLADOR 
Ao	acionista	 controlador,	 a	 lei	 impõe	deveres	 e	 responsabilidades	para	
com	os	demais	acionistas	da	sociedade,	respondendo	ele	pelos	danos	causados	
por	atos	praticados	com	abuso	de	poder.					
São	modalidades	de	exercício	abusivo	de	poder:												
•		 Orientar	a	companhia	para	fi	m	estranho	ao	objeto	social	ou	levá-la	a	favorecer	
outra	sociedade,	brasileira	ou	estrangeira,	em	prejuízo	da	participação	dos	
acionistas	minoritários	nos	lucros,	no	acervo	da	companhia	ou	na	economia	
nacional.
 
•		 Promover	a	liquidação	de	companhia	próspera	com	o	fi	m	de	obter,	para	si	ou	
para	outrem,	vantagens	indevidas.
•		 Promover	 alteração	 estatutária,	 emissão	de	 valores	mobiliários	 ou	 adoção	
de	políticas	ou	decisões	que	não	tenham	por	fi	m	o	interesse	da	companhia	
e	 visem	 causar	 prejuízo	 aos	 acionistas	 minoritários,	 aos	 investidores	 em	
valores	mobiliários	emitidos	pela	companhia.
•		 Eleger	administrador	ou	fi	scal	que	sabe	inapto,	moral	ou	tecnicamente.
•	 Induzir	ou	tentar	induzir	administrador	ou	fi	scal	a	praticar	ato	ilegal.
•	 Contratar	 com	 a	 companhia,	 diretamente	 ou	 através	 de	 outrem,	 ou	 de	
sociedade	na	qual	tenha	interesse,	em	condições	de	favorecimento.
•	 Aprovar	 ou	 fazer	 aprovar	 contas	 irregulares	 de	 administradores,	 para	
favorecimento	pessoal,	ou	deixar	de	apurar	denúncia	que	saiba	ou	devesse	
saber	procedente.
FONTE: Adaptado de: <www.idevanlopes.com.br/.../Aula%205%20-%20Sociedades%20Estat...>. 
Acesso em: 27 fev. 2013.
56
UNIDADE 1 | DIREITO EMPRESARIAL
11 ÓRGÃOS SOCIAIS
O	 funcionamento	 de	 uma	 sociedade	 anônima	 depende	 de	 sua	
organização,	 que	 é	composta	por	diversos	órgãos	sociais.	Se	for	uma	companhia	
aberta terá:
•		 Assembleia	geral.
•		 Conselho	de	Administração.
•		 Diretoria.
•		 Conselho	Fiscal.
O	Conselho	de	Administração	é	facultativo	nas	companhias	fechadas.
12 ASSEMBLEIA GERAL
A	assembleia	geral	é	a	reunião	dos	acionistas	que	deliberam	sobre	matéria	
de	interesse	geral	da	sociedade.	É	um	órgão	deliberativo.
O	art.	121	da	Lei	das	S.A.	dispõe	o	seguinte:	
A	assembleia	geral,	convocada	e	instalada	de	acordo	com	a	lei	e	o	estatuto,	
tem	poderes	 para	decidir	 todos	 os	 negócios	 relativos	 ao	 objeto	 da	 companhia	
e	tomar	as	resoluções	que	julgar	convenientes	à	sua	defesa	e	desenvolvimento.	
(BRASIL,	2013).
	 Portanto,	 é	 o	 órgão	 máximo	 da	 organização,	 pois	 tem	 o	 poder	 para	
resolver	todos	os	negócios	relativos	ao	objeto	da	companhia.
É	de	competência	privativa	da	assembleia	geral:
•		 Reformar	o	estatuto	social.
•		 Eleger	 ou	 destituir,	 a	 qualquer	 tempo,	 os	 administradores	 e	 fiscais	 da	
companhia.
•	 Tomar,	 anualmente,	 as	 contas	 dos	 administradores	 e	 deliberar	 sobre	 as	
demonstrações	financeiras	por	eles	apresentadas.
•		 Autorizar	os	administradores	a	confessar	a	falência	e	pedir	concordata.
TÓPICO 4 | DA SOCIEDADE ANÔNIMA
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12.1 Espécies de assembleias
As	 assembleias	 gerais	 poderão	 ser	 de	 duas	 espécies:	 ordinárias e 
extraordinárias.
12.1.1 Assembleia geral ordinária
A	assembleia geral ordinária é obrigatória uma vez ao ano e deve ser 
realizada	nos	quatro	primeiros	meses	após	o	término	do	exercício	social,	para:
•		 Tomar	 as	 contas	 dos	 administradores,	 examinar,	 discutir	 e	 votar	 as	
demonstrações	fi	nanceiras.
•		 Deliberar	sobre	a	destinação	do	lucro	líquido	do	exercício	e	a	distribuição	de	
dividendos.
•		 Eleger	os	administradores	e	os	membros	do	conselho	fi	scal,	quando	for	o	caso.																									
•		 Aprovar	a	correção	da	expressão	monetária	do	capital	social.	(art.167).															 
12.1.2 Assembleia geral extraordinária
A	 assembleia geral extraordinária	 será	 convocada	 para	 os	 fi	ns	
destinados	 no	 edital	de	 convocação.	 Como	 o	 próprio	 nome	 diz,	 a	 assembleia	
geral	 extraordinária	 é	 reservada	 a	 deliberações	 excepcionais,	 podendo	 até	
aprovar	 ou	 discutir	 assunto	 da	 alçada	 da	 ordinária,	desde	que	a	reunião	seja	
fora	da	época	legal	destinada	à	ordinária.			
12.2 PROCEDIMENTO
A	 convocação	 da	 assembleia	 geral	 compete,	 em	 primeiro	 lugar,	 ao	
conselho	 de	 administração,	 se	 houver.	 Não	 existindo	 esse	 órgão,	 caberá	 aos	
diretores.
A convocação também pode ser feita:
•	 Pelo	conselho	fi	scal,	quando	o	órgão	de	administração	retardar	a	convocação	
da	assembleia	geral	ordinária	por	mais	de	um	mês	ou,	no	caso	de	assembleia	
geral	extraordinária,	sempre	que	motivos	graves	ou	urgentes	a	justifi	carem.
•	 Por	qualquer	acionista,	quando	os	administradores	retardarem	por	mais	de	
sessenta	dias	a	convocação.
58
UNIDADE 1 | DIREITO EMPRESARIAL
•	 Por	 acionistas	que	 representem	5%,	no	mínimo,	do	 capital	 votante,	 quando	
os	administradores	 não	 atenderem,	 no	 prazo	 de	 oito	 dias,	 ao	 pedido	 de	
convocação	que	apresentarem	devidamente	fundamentado,	com	indicação	
das	matérias	a	serem	tratadas.
•	 Por	 acionistas	que	 representem	5%,	no	mínimo,	do	 capital	 votante,	 quando	
os	administradores	 não	 atenderem,	 no	 prazo	 de	 oito	 dias,	 ao	 pedido	 de	
convocação	que	apresentarem	devidamente	fundamentado,	com	indicação	
das	matérias	a	serem	tratadas.
FONTE: Adaptado de: <www.camara.gov.br/.../prop_mostrarintegra;jsessionid...PL>. Acesso em: 
27 fev. 2013.
Para	se	realizar	uma	assembleia,	deve-se	fazer	a	convocação	por	intermédio	
de	anúncios	publicados,	por	três	vezes	no	mínimo,	no	órgão	ofi	cial	do	Estado	
ou	da	União,	conforme	o	 lugar	da	sede	social,	ou	em	outro	 jornal	de	grande	
circulação	editado	no	local	da	sede	da	companhia.
FONTE: Adaptado de: <www.conjur.com.br/.../normas_publicacoes_legais_sociedades_ano-
ni...>. Acesso em: 27 fev. 2013.
A	 primeira	 convocação	 na	 companhia	 aberta	 deverá	 ser	 feita	 com	
quinze dias de antecedência,	no	mínimo,	contando	o	prazo	da	publicação	
do	primeiro	anúncio.	Não	se	realizando a assembleia por falta de quorum,	será	
publicado	novo	anúncio.	A	segunda	convocação	com antecedência mínima 
de	oito	dias.
FONTE: Disponível em: <www.sitesa.com.br/contabil/biblioteca/contratos/sa/53.rtf>. Acesso em: 
4 mar. 2013.
Os	acionistas	sem	direito	de	voto	podem	comparecer	à	assembleia	geral	
e	discutir	a	matéria	submetida	à	deliberação.
Durante	o	funcionamento	da	assembleia,	as	deliberações	devem	seguir	a	
disciplina	prevista	na“ordem	do	dia”,	conforme	consta	da	convocação	e	publicação.	
Em	 livro	próprio,	 será	 lavrada	 uma	 ata,	 que	 consiste	 no	 registro	 sucinto	 dos	
acontecimentos	ocorridos	na	reunião.
A	assembleia	terá	um	presidente	e	um	secretário	escolhidos	pelos	acionistas	
presentes,	salvo	disposição	do	estatuto.	As	deliberações	da	assembleia	geral	são,	
em	 regra,	tomadas	por	minoria	absoluta	(50%	mais	um)	de	votos	de	acionistas	
com	direito	a	voto.
12.3 QUORUM DE INSTALAÇÃO DA ASSEMBLEIA GERAL
Ressalvadas	 as	 exceções	 legais,	 a	 assembleia	 geral	 instalar-se-á,	 em	
primeira	convocação,	com	a	presença	de	acionistas	que	representem	no	mínimo	¼	
do	capital	social	com	direito	de	voto.	Em	segunda	convocação,	instalar-se-á	com	
qualquer	número,	conforme	determina	a	Lei	de	Sociedade	Anônima,	no	art.125.
FONTE: Adaptado de: <www.jucemg.mg.gov.br ›... › Informações › Documentação para Regis-
tro>. Acesso em: 4 mar. 2013.
TÓPICO 4 | DA SOCIEDADE ANÔNIMA
59
13 CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO
As	companhias	abertas	terão,	obrigatoriamente,	conselho	de	administração,	
conforme	determina	o	art.	138	da	Lei	de	Sociedade	Anônima.
O	 conselho	 de	 administração	 é	 um	 órgão	 de	 deliberação	 colegiado	 e	
tem	a	 função	precípua	de	fixar	a	orientação	geral	dos	negócios	da	companhia.
Compete	 à	 assembleia	 geral	 dos	 acionistas	 votantes,	 geralmente	 ao	
acionista	controlador,	eleger	ou	destituir	o	conselho	de	administração;	a	este,	por	
sua	vez,	cabe	o	direito	de	eleger	ou	destituir	os	diretores.
13.1 COMPOSIÇÃO DO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO
Os	membros	do	conselho	de	administração	precisam	ser	obrigatoriamente	
acionistas	da	sociedade	e	pessoas	naturais	residentes	no	país.	
 
O	conselho	de	administração	será	composto,	no	mínimo,	por	três	membros.	
O	estatuto	deve	 estabelecer	 o	 número	de	 conselheiros.	O	prazo	de	 gestão	 não	
poderá	ser	superior	a	três	anos,	permitida	a	reeleição.													
13.2 COMPETÊNCIA DO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO
Além	 da	 competência	 de	 fixar	 a	 orientação	 geral	 dos	 negócios	 sociais,	
destaca-se	a	de	fiscalizar	a	gestão	de	diretores,	examinar,	a	qualquer	tempo,	os	
livros	e	papéis	da	companhia,	solicitar	informações	sobre	contatos	celebrados,	ou	
em	vias	de	celebração,	e	quaisquer	outros	atos,	de	acordo	com	o	estabelecido	no	
item	III	do	art.	142.
14 DIRETORIA
A	 diretoria	 tem	 a	 função	 de	 representar	 a	 sociedade.	 É	 um	 órgão	
executivo	das	deliberações	da	assembleia	geral	dos	acionistas	ou	do	conselho	de	
administração,	conforme	o	caso.
Será	a	diretoria	composta	de	dois	ou	mais	diretores,	conforme	o	estabelecido	
no	estatuto	social.	O	prazo	de	gestão	não	será	superior	a	três	anos,	permitida	a	
reeleição.
Os	membros	do	conselho	de	administração,	até	o	máximo	de	1/3,	poderão	
ser	eleitos	para	os	cargos	de	diretores.
Só	podem	ser	nomeadas	para	a	diretoria	pessoas	naturais	residentes	no	
país,	podendo	ser	acionistas	ou	não	da	sociedade.
60
UNIDADE 1 | DIREITO EMPRESARIAL
Nas	 sociedades	 anônimas,	 a	 fi	scalização	 dos	 negócios	 sociais	 é	 feita	
através	do	Conselho	 Fiscal.	 É	 o	 órgão	 incumbido	 de	 examinar	 a	 marcha	 dos	
negócios	da	companhia	e	de	manifestar-se	sobre	os	atos	da	administração.	Assim,	
ao	menos	 um	 dos	membros	 do	conselho	fi	scal	deverá	comparecer	às	reuniões	
da assembleia geral e responder aos pedidos de informações formulados pelos 
acionistas.	
Os pareceres de seus membros poderão ser apresentados e lidos na 
assembleia	geral	dos	acionistas,	independentemente	de	publicação	e ainda que a 
matéria	não	conste	da	ordem	do	dia,	de	acordo	com	a	Lei	de	Sociedade	Anônima no 
art.	164	e	parágrafo	único.	Enfi	m,	a	função	precípua	do	conselho	é	a	de	fi	scalizar	
os atos da	administração	social,	tanto	do	conselho	como	da	diretoria.
 
 O Conselho Fiscal será composto de, no mínimo, 3 (três) e, no máximo, 
5 (cinco) membros, e suplentes em igual número, acionistas ou não, eleitos pela 
assembleia geral,	é	o	que	determina	o	§	1º	do	art.	161.(BRASIL,	2013).
Na	constituição	do	conselho	fi	scal	serão	observadas	as	seguintes	normas:
15 CONSELHO FISCAL
•		Os	titulares	de	ações	preferenciais	sem	direito	a	voto	terão	direito	de	eleger,	
por	votação	em	separado,	um	membro	e	seu	respectivo	suplente.	Igual	direito	
terão	os	acionistas	minoritários,		desde	que	representem,	em	conjunto,	10%	
(dez	por	cento)	ou	mais	das	ações	com	direito	a	voto.
FONTE: Disponível em: <www.cvm.gov.br/port/descol/respdecis.asp?File=5633-2.HTM>. Acesso 
em: 4 mar. 2013.
• O acionista controlador tem o direito de eleger um membro a mais em relação 
aos	grupos	minoritários	e	titulares	de	ações	preferenciais.	Assim,	se	o	conselho	
fi	scal	possuir	cinco	membros,	os	grupos	minoritários	elegem	um.	O	grupo	dos	
titulares	das	ações	preferenciais,	os	grupos	minoritários	têm	o	direito	de	eleger	
um	e	o	controlador	dois.
Somente	 poderão	 fazer	 parte	 do	 conselho	 fi	scal	 as	 pessoas	 naturais,	
residentes	 no	 país,	 diplomadas	 em	 curso	 de	 nível	 superior,	 ou	 que	 tenham	
exercido,	pelo	prazo	mínimo	de	 três	anos,	cargo	de	administrador	de	empresa	
ou	 de	 conselheiro	 fi	scal,	 exceto	 nas	 localidades	 em	 que	 não	 houver	 pessoas	
habilitadas,	em	número	sufi	ciente,	para	o	exercício	da	função.
61
RESUMO DO TÓPICO 4
Neste tópico apresentamos os seguintes conceitos inerentes às 
sociedades anônimas:
•	 Aprendemos	que	as	sociedades	anônimas,	ou	companhias,	são	regidas	por	lei	
especial,	e	que	podem	ser	de	capital	aberto	ou	fechado.
•	 Identificamos	que	o	capital	social	das	companhias	é	constituído	por	ações	que,	
se	 forem	de	 capital	 aberto,	 poderão	 ser	 negociadas	 no	mercado	mobiliário,	
com	a	prévia	autorização	da	Comissão	de	Valores	Mobiliários.
•	 Verificamos	que,	para	o	seu	funcionamento,	existem	vários	órgãos	sociais,	como	
a	assembleia	geral,	conselho	de	administração,	diretoria,	conselho	fiscal,	todos	
com	responsabilidades	e	atribuições	bem	definidas	por	lei.
62
AUTOATIVIDADE
Responda	às	questões:
1		 Considerando	a	doutrina	relativa	às	espécies	de	nomes	comerciais,	assinale	
a		alternativa	CORRETA:
a)	 (	 	 )	Toda	sociedade	anônima	deve	adotar	um	nome sob	o	qual	exerce	sua	
atividade	comercial.
b)	 (	 	 )	 A	 omissão	 do	 termo	 “limitada”	 na	 denominação	 social	 não	 implica	
necessariamente a responsabilidade solidária e ilimitada dos administradores 
da	firma.	
c)	 (		)	A	utilização	da	expressão	“sociedade	anônima”	pode	indicar	a	firma	de	
sociedade	por	comandita	ou	empresária.	
d) ( ) O registro do nome comercial na Junta Comercial de um estado garante 
à	 sociedade	 constituída	 a	 exclusividade	 da	 utilização	 internacional	 da	
denominação	registrada.	
2		 Sobre	a	Sociedade	Anônima,	classifique	V		para	as	sentenças	verdadeiras	e		F	
para as falsas:
(		)	Nas	companhias	de	capital	fechado	a	responsabilidade	pessoal	e	ilimitada	
do acionista termina com o pagamento do valor da subscrição do capital 
social.
(		)	A	 cessão	 e	 transferência	 das	 ações	 ao	 novo	 acionista	 afeta	 a	 estrutura	 da	
sociedade.
(		)	As	S/A	são	regidas	legalmente	e	exclusivamente	pelo	Código	Civil	brasileiro.
(		)	A	S/A	também	pode	ter	fins	não	lucrativos.
Agora,	assinale	a	alternativa	que	apresenta	a	sequência	CORRETA:
(		)	F	–	F	–	V	–	F.
(		)	V	–	F	–	F	–	F.
(		)	F	–	V	–	F	–	F.
(		)	F	–	F	–	F	–	V.
3		 Sobre	a	Sociedade	Anônima,	classifique	V	para	as	sentenças	verdadeiras	e	F	
para as falsas:
(		)	A	Sociedade	Anônima	é	uma	sociedade	empresária.	
(		)	O	capital	social	das	companhias	é	dividido	em	cotas	sociais.
(		)	A	partir	do	registro	do	seu	Estatuto	Social	na	Junta	Comercial,	a	sociedade	
ganha	personalidade	jurídica.
(		)	As	sociedades	anônimas,	quanto	à	responsabilidade	dos	sócios,	podem	ser	
limitadas	ou	ilimitadas.
63
Agora,	assinale	a	alternativa	queapresenta	a	sequência	CORRETA:
(		)	V	–	F	–	V	–	F.
(		)	F	–	F	–	V	–	V.
(		)	V	–	V	–	F	–	F	.
(		)	V	–	F	–	F	–	V.
4		 Sobre	a	Sociedade	Anônima,	classifique	V		para	as	sentenças	verdadeiras	e		F	
para as falsas:
(		)	As	 Sociedades	 Anônimas	 são	 classificadas	 em	 duas	 espécies:	 abertas	 ou	
fechadas.
(		)	As	 S/A	de	 capital	 fechado	 são	 aquelas	 que	 têm	 suas	 cotas	 negociadas	 no	
mercado	mobiliário.	
( ) O preço de emissão de uma ação não se confunde com o valor nominal ou de 
mercado.
(		)	Para	uma	companhia	negociar	suas	ações	na	bolsa	de	valores,	é	necessária	
prévia	autorização	da	CVM.
Agora,	assinale	a	alternativa	que	apresenta	a	sequência	CORRETA:
a)	 (		)	F	–	V	–	V	-		V.
b)	 (		)	V	–	V	–	V	–	F.
c)	 (		)	v	–	F	–	v	–	v.
d)	(		)	V	–	F	–	V	–	V.
64
65
TÓPICO 5
TÍTULOS DE CRÉDITO
UNIDADE 1
1 INTRODUÇÃO
Você	certamente	já	recebeu	ou	já	assinou	um	cheque,	uma	nota	promissória	
ou	 outro	 documento	 que	 representa	 um	 crédito.	 Estes	 títulos	 de	 crédito	 são	
bastante	comuns	em	nosso	dia	a	dia.
Neste tópico você estudará os principais títulos de crédito e entenderá a 
função	e	o	funcionamento	de	cada	um	deles.
Iniciaremos	nosso	estudo	pelo	surgimento	do	crédito.
2 DO SURGIMENTO DO CRÉDITO
O	crédito,	inegavelmente,	tem	um	papel	muito	importante	na	história	do	
homem.	Para	isso,	basta	uma	rápida	retrospectiva	em	suas	relações	econômicas.	
Já	 mencionamos	 antes	 que,	 nos	 primórdios	 de	 nossa	 civilização,	 toda	
relação	econômica	movia-se	com	base	na	troca,	no	escambo.	Mais	tarde,	porém,	
percebeu-se	o	interesse	comum	das	pessoas	em	determinados	bens,	que	passaram	
a	 servir	 como	 base	 das	 trocas,	 como	 produtos	 de	 intermediação,	 como,	 por	
exemplo:	o	sal,	o	gado,	as	argolas,	os	fi	os	e	bambus.
	Posteriormente,	chegou-se	à	fase	do	metalismo,	na	qual	o	ouro,	a	prata	e	
o	bronze	eram	utilizados	para	servir	como	instrumentos	de	troca,	sendo	aceitos	
por	todos.	
Após	 esse	 período,	 criou-se	 o	 dinheiro,	 o	 instrumento	 de	 troca	 por	
excelência,	que,	no	dizer	de	Carvalho	de	Mendonça	(apud	ALMEIDA,	1998,	p.	1):
é	a	mercadoria	por	 todos	voluntariamente	aceita	para	desempenhar	
as funções intermediárias nas aquisições de outras mercadorias e na 
obtenção	 de	 serviços	 indispensáveis,	 satisfazendo	 as	 necessidades	
humanas	no	convívio	social.	É	ainda	o	meio	normal	de	pagamento.
Porém,	a	evolução	dos	instrumentos	de	troca	não	parou	por	aí,	pois	a	
engenhosidade	humana,	frente	às	necessidades	que	surgiram,	criou	uma	"nova	
moeda",	que	permitiria	 trocar	dinheiro	presente	por	dinheiro	 futuro.	De	fato,	
fruto	do	intelecto	do	homem,	surgiu	o	crédito.
Porém,	a	evolução	dos	instrumentos	de	troca	não	parou	por	aí,	pois	a	
engenhosidade	humana,	frente	às	necessidades	que	surgiram,	criou	uma	"nova	
moeda",	que	permitiria	 trocar	dinheiro	presente	por	dinheiro	 futuro.	De	fato,	
fruto	do	intelecto	do	homem,	surgiu	o	crédito.
FONTE: Adaptado de: <utjurisnet.tripod.com/artigos/080.html>. Acesso em: 4 mar. 2013.
66
UNIDADE 1 | DIREITO EMPRESARIAL
E	para	que	servia	este	crédito?	Servia	para	suprir	a	falta	de	dinheiro	das	
pessoas	que	não	dispunham	do	capital	necessário	no	momento	da	conclusão	do	
negócio,	mas	 que	 o	 teriam	 futuramente.	 	Com	base	 nisso,	 geralmente	 o	 outro	
contratante	dava-lhe	um	crédito.	Isto	é,	acreditava	em	sua	palavra	e	concluía	o	
negócio,	tendo	em	vista	o	dinheiro	futuro,	ou	lhe	emprestava	a	quantia	necessária	
para	depois	recebê-la.	O	crédito	era,	como	ainda	o	é,	baseado	na	confi	ança,	na	
crença	na	palavra	do	outro	(daí	também	a	origem	etimológica	da	palavra,	que,	
segundo	Requião,	vem	de	"credere",	de	"creditum",	ato	de	confi	ança,	fé,	crença).
Por	 isso	 pode-se	 conceituar	 crédito	 como	 sendo	 "a	 confi	ança	 que	 uma	
pessoa	 inspira	 à	 outra	 cumprir,	 no	 futuro,	 obrigação	 atualmente	 assumida”.	
(REQUIÃO,	1995,	p.	318).
Este	 crédito,	 geralmente	 em	 dinheiro,	 passou	 a	 ser	 representado	 por	
um	papel,	um	título,	que	dava	mais	segurança	ao	credor	de	que	efetivamente	o	
devedor	honraria	a	palavra	e	pagaria	o	débito.
Porém,	este	título	ou	cártula	era	simplesmente	representativo	do	crédito,	
não	tendo	a	mesma	força	de	troca,	por	exemplo,	que	tem	o	dinheiro.
Assim,	o	crédito	não	tinha	grande	função	prática	senão	na	relação	em	que	
havia	sido	originado,	na	qual	permitia,	repita-se,	a	troca	de	dinheiro	presente	
por	 dinheiro	 futuro.	 Porém,	 não	 podia	 tal	 título	 ser	 transferido	 a	 outrem	de	
forma	 rápida,	 por	 estar	 vinculado	 à	 causa	 originária	 de	 sua	 existência.	 Não	
servia,	pois,	como	útil	instrumento	de	troca,	como	forma	de	pagamento.
Assim,	o	crédito	não	tinha	grande	função	prática	senão	na	relação	em	que	
havia	sido	originado,	na	qual	permitia,	repita-se,	a	troca	de	dinheiro	presente	
por	 dinheiro	 futuro.	 Porém,	 não	 podia	 tal	 título	 ser	 transferido	 a	 outrem	de	
forma	 rápida,	 por	 estar	 vinculado	 à	 causa	 originária	 de	 sua	 existência.	 Não	
servia,	pois,	como	útil	instrumento	de	troca,	como	forma	de	pagamento.
FONTE: Adaptado de: <utjurisnet.tripod.com/artigos/080.html>. Acesso em: 4 mar. 2013.
Com	relação	a	esse	período,	relata-nos	Waldemar	Ferreira	(1962,	p.	181)	
que	"esses	entraves	para	a	circulação	de	tais	títulos	se	fi	zeram	sentir	sobremodo	
no	mundo	dos	negócios.	Havia	a	necessidade	de	suprimir	a	exigência	da	causa	
para	que	eles	se	pudessem	transmitir”.	
E complementa:
Para	 o	 homem	 de	 negócios,	 nada	 de	 maior	 utilidade	 haveria	 do	
que	obter	certifi	cado	ou	título	que	pudesse	transferir,	com	a	mesma	
facilidade	que	qualquer	bem	móvel,	e	 lhe	conferisse	direito	próprio,	
justifi	cado	pela	exibição	do	título	à	prestação,	nele	de	qualquer	maneira	
incluída,	sem	necessidade	de	fazer	descer	sua	perquirição	até	o	credor	
primitivo,	em	cujos	direitos	se	houvesse	investido.	(FERREIRA,	1962).
TÓPICO 5 | TÍTULOS DE CRÉDITO
67
3 TEORIA GERAL DOS TÍTULOS DE CRÉDITO
3.1 CONCEITO E PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DO 
TÍTULO DE CRÉDITO
3.1.1 Conceito
Cesare	Vivante	(1981,	p.	1981)	conceitua	título	de	crédito:
"Título	de	crédito	é	o	documento	necessário	para	
o	exercício	do	direito	literal	e	autônomo	nele	
mencionado".
IMPORTANT
E
O Código Civil Brasileiro (Lei no 10.406/2002), em seu art. 887, também conceitua 
o título de crédito: Art. 887. O título de crédito, documento necessário ao exercício do direito 
literal e autônomo nele contido, somente produz efeito quando preencha os requisitos da 
lei. (BRASIL, 2013).
O	Código	Civil	de	2002	trata	especificamente	sobre	os	títulos	de	crédito,	
do	artigo	887	ao	artigo	926.
3.1.2 Principais características (ou princípios) dos títulos 
de crédito
Um	 documento,	 para	 ser	 um	 título	 de	 crédito,	 deve	 apresentar	 duas	
características: a literalidade e a autonomia.	Além	disso,	há	também	a	cartularidade,	
que	é	a	materialização	do	título	em	uma	cártula,	ou	seja,	em	um	papel.	
68
UNIDADE 1 | DIREITO EMPRESARIAL
DICAS
Releia o conceito de título de crédito que vimos acima. Neste conceito você 
pode reconhecer o princípio da cartularidade, quando se diz que ele é um documento 
necessário para o exercício do direito nele contido.
O princípio da cartularidade	é,	pois,	o	próprio	documento	para	representar	
o	crédito.	Sem	o	título,	seria	totalmente	impossível	exigir	o	direito	nele	contido.	
O	 credor,	 para	 exercer	 seu	direito	de	 cobrança,	 necessita	do	 título.	 Sem	ele,	 o	
devedor	não	estará	obrigado	a	pagar.
A	 literalidade refere-se	 ao	 conteúdo	 do	 texto,	 significando	 que	 tudo	
o	 que	 consta	 no	 título	 de	 crédito	 não	mais	 se	 discute.	Uma	nota	 promissória,	
por	 exemplo,	 é	 um	 título	 de	 crédito	 desde	 o	 seu	 nascedouro,	 e	 o	 devedor,	
subscrevendo-a,	não	pode,	posteriormente,	por	em	dúvida	o	seu	conteúdo,	que	
passa	a	valer	pelo	que	nele	está	contido.	Não	se	discute,	por	exemplo,	ovalor	
e	 o	 prazo	 contidos	 no	 título,	 porque	 o	devedor,	 ao	 emitir	 a	 nota	promissória,	
reconheceu	o	seu	conteúdo.
A	autonomia	do	título	de	crédito	refere-se	à	sua	circulação	e	à	segurança	
de	quem	o	recebe.	De	uma	forma	bem	simplificada,	pode-se	explicar	que	o	título	
circula e aquele que o possuir terá o direito de receber o crédito nele representado 
de	quem	nele	consta	como	devedor.	Ou	seja,	não	ficará	o	credor	exposto	ao	risco	
de	 não	 receber	 o	 crédito	 em	 razão	 de	 circunstâncias	 ocorridas	 anteriormente	
entre	o	devedor	e	o	credor	anterior.	Por	exemplo,	se	o	título	estiver	com	o	credor,	
o	devedor	não	poderá	eximir-se	do	pagamento,	alegando	que	já	pagou	ao	credor	
anterior	ou	que	foi	coagido	a	assiná-lo,	por	o	título	ser	autônomo.	
Trata-se,	 pois,	 a	 autonomia	 de	 um	 fator	 de	 segurança	 das	 relações	
econômicas	travadas	por	meio	de	títulos	de	crédito.	Se	estiver	de	boa-fé,	poderá,	
sim,	o	credor,	exercitar	seu	direito	creditório,	posto	que	o	direito	constituído	na	
cártula	seja	autônomo,	independe	das	relações	entre	seus	anteriores	possuidores.	
É	como	se,	ao	se	adquirir	de	boa-fé	um	título	de	crédito,	passassem	a	 inexistir	
todas	as	relações	anteriores	que	o	envolveram.	
IMPORTANT
E
Esta característica é expressamente prevista na Lei nº 2.044/1908, em seu art. 
43: As obrigações cambiais são autônomas e independentes umas das outras. [...] (BRASIL, 
2013).
TÓPICO 5 | TÍTULOS DE CRÉDITO
69
3.2 CLASSIFICAÇÃO DOS TÍTULOS DE CRÉDITO
Os	títulos	de	crédito	podem	ser	classificados	quanto:	à	causa,	ao	emitente,	
à	emissão,	à	circulação.	Veja	o	quadro	a	seguir,	que	traz	as	principais	classificações:
QUADRO 1 - CLASSIFICAÇÃO DOS TÍTULOS DE CRÉDITO
A – Quanto à Causa
Abstratos: deles	não	 se	 interroga	a	origem.	São	exemplos:	
Letra	de	Câmbio,	Nota	Promissória,	Cheque.
Causais: ligam-se	à	origem	(dizem	respeito	à	compra	e	venda	
de	mercadorias	 e	prestação	de	 serviço).	 São	 exemplos:	 as	
duplicatas	e	ações.
B – Quanto ao Emitente
Públicos: são emitidos por pessoas jurídicas de Direito 
Público:	União,	Estados,	Municípios,	Territórios,	Autarquias.
Privados: compreendem	os	títulos	emitidos	por	particulares,	
civil	ou	comerciante.
C – Quanto à Emissão
Individuais ou singulares: são títulos acessórios que se 
contrapõem	ao	título	principal	ao	qual	se	referem.	Ex.:	cheques	
e	duplicatas.
Em série ou em massa: emitidos em geral a longo prazo 
(prestações	periódicas,	juros,	dividendos	etc.).
D – Quanto à Circulação
Ao portador: os títulos de crédito ao portador são os 
transferíveis	 por	 tradição.	O	proprietário	presume-se	 ser	
o	portador	do	 título.	Não	obedece	 a	 formalidade	 alguma.	
Transfere-se	de	forma	simples	e	rápida.	Entretanto,	o	devedor	
poderá	opor	exceção	ao	seu	portador	fundando-se	em	direito	
pessoal	ou	em	nulidade	de	sua	obrigação.	É	o	que	determina	
o	artigo	906	do	Código	Civil	Brasileiro.
Nominativos: são os títulos cuja propriedade se transfere por 
endosso,	portanto	diferem	dos	nominativos.	
À ordem: se	um	 título	de	 crédito	 tiver	 inserido,	pelo	 seu	
emitente,	 a	 cláusula	 à	 ordem,	 perderá	 sua	 condição	 de	
simples	título	nominativo,	passando	a	circular	pelo	endosso	
que,	sendo	em	branco,	fará	com	que	circule	como	título	ao	
portador.
FONTE: Os autores (2009), com base na doutrina de Rubens Requião (1995)
3.3. CONCEITOS IMPORTANTES
Também são bastante usuais nos títulos de crédito institutos como o 
endosso,	o	aval,	o	protesto,	entre	outros.	Também	é	importante	que	entendamos	
os mecanismos de apresentação e algumas medidas judiciais necessárias para o 
recebimento	do	crédito.	Iniciaremos	pelo	endosso.
70
UNIDADE 1 | DIREITO EMPRESARIAL
3.3.1 Endosso
Conforme	Amador	Paes	de	Almeida	 (2005,	p.	23),	“o	endosso	é	o	meio	
pelo	qual	se	transfere	a	propriedade	de	um	título	[...]”,	sendo	que,	em	havendo	a	
entrega	do	título	transfere-se	a	posse	deste,	conforme	dispõe	o	art.	893	do	Código	
Civil: a transferência do título de crédito implica a de todos os direitos que lhe 
são inerentes.	(BRASIL,	2013).
O endosso é efetuado com a assinatura do endossante ou de alguém com 
poderes	 especiais	 para	 assinar	 em	 seu	 lugar	 (mandatário),	 no	 verso	 da	 letra,	
conforme	dispõe	o	art.	8º	do	Decreto	nº	2.044/1908.	Ou	seja,	para	“a	validade	do	
endosso	 é	bastante	 a	 assinatura	do	próprio	punho	do	endossante	no	verso	da	
letra	[...]	ou	em	folha	ligada	a	este,	sob	pena	de	não	produzir	efeitos	cambiais”.	
(ALMEIDA,	2005,	p.	40).
	 De	 uma	 forma	 bem	 simplificada,	 podemos	 classificar	 o	 endosso	 em	
próprio	e	impróprio.
Quando	 aquele	 que	 endossa	 o	 título,	 chamado	endossante, transfere a 
propriedade	do	título,	e	sua	titularidade,	este	fica	co-obrigado	pelo	pagamento	
do	título,	ou	seja,	caso	o	sacado	não	o	pague,	o	beneficário	ou	o	tomador	poderá	
cobrar	dele.	Este	é	o	endosso	próprio.
O endosso próprio é subdividido em endosso em preto,	que	é	aquele:	
que	 menciona	 	 expressamente	 o	 nome	 do	 endossatário,	 isto	 é,	 do	
beneficiário	 do	 endosso.	 É	 indispensável	 a	 assinatura	 de	 próprio	
punho	do	endossante	ou	de	mandatário	especial,	como	indispensável	
é	a	indicação	do	endossatário	[...]	No	endosso	em	branco,	omite-se	o	
nome	do	endossatário,	limitando-se	o	endossante		a	firmar	de	próprio	
punho	a	sua	assinatura	no	verso	do	título.	(ALMEIDA,	2005,	p.	42-	43).
Já	o	endosso	impróprio,	“sem	privar	o	titular	dos	seus	direitos	cambiais,	
transfere	ao	mandatário	o	exercício	e	a	conservação	destes	direitos”.	(ALMEIDA,	
2005,	p.	42).	Não	transfere	a	titularidade	do	crédito,	mas	apenas	possibilidade	ao	
detentor	do	exercício	de	seus	direitos.	
São	 espécies	 de	 endosso	 impróprio	 o	 endosso-mandato,	 também	
conhecido	como	“endosso	procuração”,	é	aquele	que	confere	ao	endossatário	a	
possibilidade	de	agir	como	representante	do	endossante,	exercendo	os	direitos	
inerentes	ao	título;	e	o	endosso-caução,	em	que	o	título	fica	em	garantia	(penhor)	
em	favor	do	credor	do	endossante.
Por	fim,	vejamos	um	exemplo	de	endosso:
TÓPICO 5 | TÍTULOS DE CRÉDITO
71
FIGURA 4 - ENDOSSO
FONTE: Cartório de Distribuição Rui Barbosa do Distrito Federal. Disponível em: 
<http://www.distribuidordf.com.br/exec/default_1.asp?idp=44>. Acesso em: 15 
fev. 2013.
3.3.2 Aval
Da	doutrina	de	Amador	Paes	de	Almeida	colhe-se	que	“Aval	é	garantia	de	
pagamento	firmada	por	terceiro”.	(ALMEIDA,	2005,	p.	48).
 
Ao	avalizar	um	título,	o	avalista	garante	o	pagamento	do	título.	Caso	o	
devedor	não	o	faça,	assumindo	obrigações	cambiais	iguais	às	do	mesmo,	como	
dispõe	expressamente	o	art.	32	da	Lei	Uniforme	de	Genebra,	adotado	pelo	Brasil	
através	do	Decreto	nº	57.663,	de	24	de	janeiro	de	1966,	sendo,	porém,	autônoma.		
Ou	seja,	o	“avalista,	dado	o	aval,	se	obriga	ainda	que	nula,	inexistente	ou	ineficaz	
a	obrigação	principal.	Daí	não	ser	lícito	ao	avalista	arguir	em	sua	defesa	falta	de	
causa	na	origem	do	título”.	(ALMEIDA,	2005,	p.	48).
Aval e fiança não se confundem! O aval é concedido nos títulos de crédito e a 
fiança nos contratos. O aval é obrigação autônoma, como vimos acima, o que não acontece 
com a fiança, que é obrigação acessória. Nulo o contrato, nula a fiança. Porém, em ambos 
será necessária a autorização do cônjuge (outorga uxória ou autorização marital), conforme 
exige o Código Civil de 2002.
ATENCAO
72
UNIDADE 1 | DIREITO EMPRESARIAL
3.3.3 Protesto
O	protesto	é	o	“ato	formal	extrajudicial	que	objetiva	conservar	e	ressalvar	
direitos”,	podendo	assim	ser	caraterizado	como	uma	providência	que	o	credor	
toma	 para	 tornar	 público	 que	 o	 título	 foi	 apresentado	 para	 aceite	 ou	 para	
pagamento	sem	que	o	devedor	ou	o	aceitante	tenham	tomado	esta	providência.	
Com	o	protesto,	o	credor	torna	público,	inclusive	aos	demais	co-obrigados	pelo	
título,	que	nem	uma	nem	outra	providência	foi	tomada	por	parte	do	sacado	ou	
aceitante,respectivamente.	Assim,	com	o	protesto,	o	portador	prova	aos	demais	
co-obrigados	que	não	recebeu	a	quantia	representada	no	título,	ou	ainda,	que	o	
título	não	foi	aceito	ou	devolvido.	
O protesto não é obrigatório contra o devedor principal para que se possa 
entrar	na	 justiça,	a	fim	de	obter	o	pagamento.	“Todavia,	conquanto	facultativo	
relativo	aos	obrigados	principais:	aceitante	e	 seu	 respectivo	avalista,	que	 lhe	é	
equiparado para todos os efeitos – o protesto se faz indispensável quando se trata 
de	coobrigados:	sacador,	endossantes	e	seus	avalistas”.	(ALMEIDA,	2005,	p.	388).	
É	importante	salientar	que	a	falta	do	protesto	obrigatório	gerará	a	perda	
do	direto	de	regresso	contra	o	sacador,	endossadores	e	avalistas,	conforme	o	art.	
32	do	Decreto	nº	2.044/1908.
O protesto deve ser realizado no lugar onde a obrigação deve ser satisfeita 
encaminhando-se	o	 título	 a	um	cartório	que	 se	 chama	Tabelionato.	É	 este	que	
encaminha	ao	devedor	um	aviso	de	que	o	título	foi	apontado	para	protesto.	
O	 devedor	 ou	 coobrigado	 disporá	 de	 três	 dias	 a	 contar	 da	 notificação	
para	pagar	 ou	 sustar	 o	protesto,	 sendo	que	 esta	última	providência	 é	 tomada	
judicialmente,	como	através	de	advogado	que	precisará	provar	porque	o	protesto	
não	deverá	ser	lavrado	(ex.:	a	duplicata	é	nula	porque	não	está	vinculada	a	uma	
compra	e	venda).	
O cancelamento do protesto somente acontecerá mediante pagamento com 
entrega do título em cartório ou com a concessão pelo credor de um documento 
formal,	chamado	“carta	de	anuência”,	ou	ainda	mediante	decisão	judicial,	como	
mencionamos	acima.	
3.3.4 Prescrição
Como	mencionamos	 acima,	 o	 título	 cambial	 vincula	 o	 devedor	 e	 seus	
obrigados	à	obrigação	nele	representada.	Porém,	esta	vinculação	não	poderá	ser	
eterna.		Em	não	havendo	o	adimplemento,	o	credor	deverá	ir	a	juízo	para	receber	
o	valor	constante	do	título.	O	meio	legal	posto	à	sua	disposição	se	chama	“ação	
executiva”.	Porém,	quando	o	credor	fica	inerte,	ou	seja,	não	toma	as	providências	
TÓPICO 5 | TÍTULOS DE CRÉDITO
73
4 TÍTULOS DE CRÉDITO EM ESPÉCIE
Agora	que	conhecemos	a	Teoria	Geral	dos	Títulos	de	Crédito,	estudaremos	
especificamente	os	 títulos	de	crédito	em	espécie.	Para	nosso	estudo	vamos	nos	
limitar	aos	mais	comumente	usados	no	dia	a	dia	das	empresas.	
Inicialmente,	veja	o	quadro	a	seguir,	que	traz	os	títulos	e	a	legislação	que	
os regulamenta:
necessárias	ao	recebimento	do	crédito,	diz-se	que	seu	direito	“prescreveu”,	e	o	
título	se	transforma	em	um	título	comum,	que	perde	esta	força.	Restarão	ao	credor	
caminhos	um	pouco	“mais	longos”,	como	a	ação	de	cobrança	e	a	ação	monitória.	
Os prazos prescricionais estão previstos em lei e dependem do tipo de 
título,	como	veremos	a	seguir.
QUADRO 2- ESPÉCIES DE TÍTULO DE CRÉDITO
1. Títulos mais comumente usados
- Letra de Câmbio:	Decreto	n°	2.044,	de	31/08/1908;	
Decreto	n°	57.663,	de	24/01/1966.	
- Nota Promissória:	Decreto	n°	2.044,	de	31/08/1908;	
Decreto	n°	57.663,	de	24/01/1966.	
- Duplicata Mercantil:	Lei	n°	5.474,	de	18/07/1968;	
Resolução	MF/BACEN	n°	102,	de	1968.		
- Cheque:	Lei	n°	7.357,	de	02/09/1985.
2. Títulos de Crédito Industrial
- Cédula de Crédito Industrial.
- Nota de Crédito Industrial.	
Decreto-Lei	n°	413,	de	09/01/1969.
3. Títulos de Crédito Rural
- Nota Promissória Rural.
- Duplicata Rural.
- Cédula Rural Pignoratícia.
- Cédula Rural Hipotecária.
- Cédula Rural Pignoratícia e Hipotecária.
- Nota de Crédito Rural.
Decreto-Lei	n°	167,	de	14.02.1967.
4. Títulos da Dívida Agrária
Decreto	n°	578,	de	24	de	junho	de	1992	–	Dá	nova	
regulamentação ao lançamento dos Títulos da 
Dívida	Agrária.	
5. Títulos de Crédito Comercial - Cédula de Crédito Comercial.
Lei	n°	6.840,	de	3	de	novembro	de	1980.
6. Títulos de Crédito Bancário
Cédula de Crédito Bancário.
Lei	n°	4.728,	de	14/07/1965	(disciplina	o	mercado	
de capitais e estabelece medidas para o seu 
desenvolvimento),	e	a	Medida	Provisória	n°	2.160-
25,	de	23/08/2001,	que	dispõe	 sobre	a	Cédula	de	
Crédito	Bancário.
7.Títulos de Crédito à Exportação
- Cédula de Crédito à Exportação.
- Nota de Crédito à Exportação.
	Lei	n°	6.313,	de	16.12.1975.
74
UNIDADE 1 | DIREITO EMPRESARIAL
8. Títulos de Crédito Comercial
- Cédula de Crédito Comercial.
- Nota de Crédito Comercial.
Lei	n°	6.840,	de	03.11.1980.
9. Outros títulos de Crédito
Debêntures,	 ações,	 letras	 imobiliárias,	warrants,	
conhecimento	 de	 transporte,	 títulos	 da	 dívida	
pública,	 cédula	hipotecária,	 partes	 beneficiárias,	
bilhete	de	mercadoria,	 certificados	de	depósitos,	
certificados	 de	 investimentos,	 nota	 de	 crédito	
comercial	 etc.	 Os	 títulos	 societários	 têm	 seu	
fundamento	legal	na	Lei	n◦	6.404/1976	(dispõe	sobre	
as	sociedades	por	ações).
FONTE: O autor, com base na legislação brasileira.
UNI
Será interessante que você tenha em mãos a legislação apontada como 
reguladora de cada um dos títulos de crédito. Você pode obtê-la no seguinte endereço: 
<http://www. planalto.gov.br>.
4.1 LETRA DE CÂMBIO
É	o	Decreto	n◦	2.044/1908	que	regulamenta	a	Letra	de	Câmbio	e	a	Nota	
Promissória,	trazendo	o	conceito	e	os	requisitos	deste	título:
Art.	1º	A	letra	de	câmbio	é	uma	ordem	de	pagamento	e	deve	conter	
requisitos,	lançados,	por	extenso,	no	contexto:
I.	A	denominação	“letra	de	câmbio”	ou	a	denominação	equivalente	na	
língua	em	que	for	emitida.
II.	A	soma	de	dinheiro	a	pagar	e	a	espécie	de	moeda.
III.	 O	 nome	 da	 pessoa	 que	 deve	 pagá-la.	 Esta	 indicação	 pode	 ser	
inserida	abaixo	do	contexto.
IV.	 O	 nome	 da	 pessoa	 a	 quem	 deve	 ser	 paga.	A	 letra	 pode	 ser	 ao	
portador	e	também	pode	ser	emitida	por	ordem	e	conta	de	terceiro.	O	
sacador	pode	designar-se	como	tomador.
V.	 A	 assinatura	 de	 próprio	 punho	 do	 sacador	 ou	 do	 mandatário	
especial.	A	assinatura	deve	ser	firmada	abaixo	do	contexto.	(BRASIL,	
2013).
A	letra	de	câmbio	é,	pois,	um	título	à	ordem,	que	se	cria	mediante	o	saque.	
Como	salienta	Amador	Paes	de	Almeida	(2005,	p.	23):
TÓPICO 5 | TÍTULOS DE CRÉDITO
75
FONTE: O autor, com base na legislação brasileira.
O	sacador	cria	a	letra.	Conhecido	também	como	doador, ele saca o título 
dando ordem ao sacado,	na	qual	se	consigna	o	valor	a	pagar	e	o	dia	do	
vencimento.	Este,	o	sacado,	é	o	devedor,	aquele	que	aceitando	a	letra	
virá	pagá-la	na	ocasião	do	vencimento.	[...]	o	tomador é	o	beneficiário,	
que	poderá	ser	um	terceiro	ou	confundir-se	com	o	próprio	sacador,	o	
que	não	é	raro	ocorrer.	
A	letra	de	câmbio	é,	assim,	uma	ordem	que	o	emitente,	chamado	sacador,	
dá	ao	sacado	para	que	pague	o	valor	constante	do	título	ao	beneficiário	ou	tomador.	
A	emissão	deste	 título	 se	 chama	 saque.	Assim,	para	 entender	 seu	mecanismo,	
suponha	que:	A	deve	para	C	e	tem	crédito	com	B.	Ao	invés	de	B	pagar	para	A,	
através	 da	 letra	 de	 câmbio,	A	 (sacador)	 dá	uma	ordem	de	pagamento	para	 B	
(sacado)	pagar	para	C	(beneficiário).	Por	isso,	se	diz	que	a	letra	de	câmbio	é	uma	
ordem	de	 pagamento.	O	 título	 pode	 circular	 e	 ser	 transferido	 de	 uma	 pessoa	
para	a	outra	através	do	endosso,	como	vimos	acima,	devendo	haver	o	aceite	do	
sacador.	O	pagamento	poderá	ser	garantido	por	aval.	
Veja	um	modelo	de	letra	de	câmbio:
FIGURA 5 - MODELO DE LETRA DE CÂMBIO
FONTE: Disponível em: <http://www.marcoevangelista.com.br/titulos_de_credito.htm>. 
Acesso em: 5 mar. 2013.
4.2 NOTA PROMISSÓRIA
O conceito e os requisitos da nota promissória também são trazidos pelo 
art.	54	do	Decreto	nº	2.044/1908.	Observe:
Art.	 54.	A	 nota	 promissória	 é	 uma	 promessa	 de	 pagamento	 e	 deve	
conter	estes	requisitos	essenciais,	lançados,	por	extenso,	no	contexto:
76
UNIDADE 1 | DIREITO EMPRESARIAL
I.	a	denominação	de	“Nota	Promissória”	ou	termo	correspondente,	na	
língua em que for emitida;
II.	a	soma	de	dinheiro	a	pagar;
III.	o	nome	da	pessoa	a	quem	deve	ser	paga;IV.	 a	 assinatura	 do	 próprio	 punho	 do	 emitente	 ou	 do	 mandatário	
especial.	(BRASIL,	2013).
Estes	requisitos	são	essenciais,	ou	seja,	são	indispensáveis	para	a	validade	
do	título.	Outros	requisitos	são	apontados	pela	doutrina	como	não	essenciais:
a) a data e o lugar da emissão;
b) a época do vencimento;
c)	o	lugar	do	pagamento.	
Na	ausência	dos	requisitos	não	essenciais	mencionados,	obedece-se	às	
seguintes regras:
I - pode o portador inserir a data e o lugar da emissão;
II	-	será	pagável	à	vista;
III	-	será	pagável	no	domicílio	do	emitente.	(ALMEIDA,	2005,	p.	104)
Veja	um	modelo	de	Nota	Promissória.
FONTE: Disponível em: <http://www.bigleilao.com.br/utilitarios/promissoria/form-promissoria.
htm>. Acesso em: 5 mar. 2013.
FIGURA 6 - MODELO DE NOTA PROMISSÓRIA
A	prescrição	da	Nota	Promissória,	conforme	determinado	no	art.	70	da	
Lei	Uniforme	de	Genebra,	disciplinado	pelo	Decreto	nº	57.663,	de	24	de	janeiro	
de	1966,	o	qual	definiu	para	as	ações	contra	o	aceitante	dessas	letras	de	crédito,	
ocorre nos seguintes prazos: 
TÓPICO 5 | TÍTULOS DE CRÉDITO
77
FIGURA 6 - MODELO DE NOTA PROMISSÓRIA
- 3 anos: do portador contra o emitente ou avalista;
- 1 ano: do portador contra o endossante(s);
-	6	meses:	dos	endossantes	uns	contra	os	outros.	(BRASIL,	2013).
4.3 CHEQUE
Pode-se	 conceituar	 o	 cheque	 como	 sendo	 “o	 título	 revestido	 de	
determinadas	formalidades	legais,	contendo	uma	ordem	de	pagamento	à	vista,	
passada	em	favor	próprio	ou	de	terceiro”.	(ALMEIDA,	2005,	p.	111).
Esta	ordem	pressupõe	a	existência	de	fundos	em	um	banco	denominado	
sacado	que	cumprirá	a	ordem	do	emitente,	pagando	a	quantia	representada	no	
cheque	ao	beneficiário.	Desde	1990,	o	cheque	não	pode	ser	ao	portador,	ou	seja,	
deverá	ser	nominal.
No	Brasil,	 aplica-se	 ao	 cheque	 a	 Lei	Uniforme	de	Genebra	 (Decreto	 nº	
57663/66),	além	da	Lei	n◦	7.357/85,	que	o	regulamenta	e	que	dispõe	em	seu	art.	1º.	
Que	são	requisitos	do	cheque:
I	–	a	denominação	“cheque”	inscrita	no	contexto	do	título	e	expressa	
na língua em que é regido;
II - a ordem incondicional de pagar quantia determinada;
III	–	o	nome	do	banco	ou	instituição	financeira	que	deve	pagar	(sacado);
IV – a indicação do lugar de pagamento; 
V – a indicação da data e do lugar de emissão;
VI	–	a	assinatura	do	emitente	 (sacador),	ou	de	seu	mandatário	com	
poderes	especiais.	(BRASIL,	2013).
Dos	 requisitos	 mencionados,	 na	 verdade	 não	 são	 essenciais	 o	 do	
lugar do pagamento e o da emissão. Já que na falta de tais indicações 
é considerado o lugar designado junto ao nome do sacado (banco); 
designados	 vários	 lugares,	 o	 cheque	 é	 pagável	 no	 primeiro	 deles;	
inexistindo	 indicação,	 o	 cheque	 é	pagável	 no	 lugar	de	 sua	 emissão.	
Não	 indicando	 o	 lugar	 da	 emissão,	 considera-se	 emitido	 o	 cheque	
no	lugar	indicado	junto	ao	nome	do	emitente	(sacador).	(ALMEIDA,	
2005,	p.	116).
O	cheque	tem	implícita	a	causa	“à	ordem”,	significa	dizer	que	se	transmite	
normalmente	mediante	endosso,	conforme	dispõe	o	art.	17	da	Lei	nº	7.357/85,	que	
pode	 ser	 feito	no	verso	ou	anverso	do	 cheque.	A	figura	do	avalista	 também	é	
possível	no	cheque,	sendo	que	esta	garantia	poderá	ser	lançada	no	verso	(com	a	
expressão	“por	aval”)	ou	anverso	do	título.	
Quanto	às	espécies	de	cheque,	em	resumo,	podemos	destacar	as	seguintes:	
a)	cheque	visado;	b)	cheque	administrativo;	c)	cheque	cruzado;	d)	cheque	para	ser	
creditado	em	conta.
78
UNIDADE 1 | DIREITO EMPRESARIAL
a) Cheque visado:	é	aquele	em	que	há	uma	confirmação	da	existência	de	fundos	
para	compensá-lo	através	de	um	visto,	certificado ou declaração equivalente 
(BRASIL,	2013)	do	banco	sacado	colocado	no	verso	do	título.	Em	razão	deste	
visto,	 o	 dinheiro	 correspondente	 fica	 reservado	 na	 conta	 do	 emitente	 ou	
sacador	do	cheque,	durante	o	prazo	de	apresentação	do	cheque.
b) Cheque administrativo: o	 cheque	 administrativo	 é	 o	 “cheque	 emitido	pelo	
próprio	 banco,	 contra	 si	 mesmo”.	 “Passado	 (emitido	 ou	 sacado)	 contra	 o	
próprio	sacador	(o	banco)”.	(ALMEIDA,	2005,	p.	159).	O	cheque	administrativo	
deverá	ser	necessariamente	nominal,	por	expressa	exigência	legal.	(art.	9º.	III	
da	Lei	do	Cheque).
c) Cheque cruzado:	é	aquele	em	que	são	colocadas	duas	linhas	paralelas	em	seu	
anverso,	o	que	determina	que	o	cheque	só	poderá	ser	depositado,	não	sendo	
assim	possível	seu	saque	em	dinheiro,	mas	apenas	o	depósito	em	banco.	Se	
houver	o	nome	de	um	banco	entre	as	duas	linhas,	somente	no	banco	indicado	
é	que	o	cheque	poderá	ser	depositado.	
d) Cheque para se apresentar em conta:	 neste	 tipo	 de	 cheque,	 o	 emitente	
identifica	a	conta	do	credor	para	depósito,	não	sendo	possível	seu	pagamento	
em	dinheiro.
Para	que	seja	liquidado,	o	cheque	deverá	ser	apresentado	ao	banco,	dentro	
de	um	determinado	prazo,	de	acordo	com	o	tipo	de	cheque.	Conforme	o	art.	11	da	
Resolução	nº	1.682	do	Banco	Central	de	31	de	janeiro	de	1990,	são	os	seguintes	os	
prazos,	a	contar	do	saque:	
•		 Cheque	da	“mesma	praça”		30	dias
•		 Cheque	de	“praças	diferentes”		60	dias
Vejamos	um	modelo	de	cheque.
FIGURA 7 - MODELO DE CHEQUE
TÓPICO 5 | TÍTULOS DE CRÉDITO
79
FONTE: Cartório de Distribuição Rui Barbosa do Distrito Federal. Disponível em: 
<http://www.distribuidordf.com.br/exec/default_1.asp?idp=44>. Acesso em: 15 fev. 
2013.
IMPORTANT
E
A Resolução nº 1.682 do Banco Central de 31 de janeiro de 1990, em seu art. 06, 
estabelece os motivos pelos quais o cheque pode ser devolvido pela instituição fi nanceira:
Art.	6º	O	cheque	poderá	ser	devolvido	por	um	dos	motivos	a	seguir	
classifi	cados:																																	
Cheque	sem	provisão	de	fundos																																				
11	-	 Cheque	sem	fundos	-	1ª	apresentação.														
12	-	 Cheque	sem	fundos	-	2ª	apresentação.											
13	-	 Conta	encerrada.																																
14	-	 Prática	espúria.																																											
Impedimento ao pagamento 
21 - Contraordem (ou revogação) ou oposição (ou sustação) ao pagamento 
pelo	emitente	ou	pelo	portador.															
22	-	 Divergência	ou	insufi	ciência	de	assinatura.						
23	-	 Cheques	 emitidos	 por	 entidades	 e	 órgãos	 da	 administração	 pública	
federal	direta	e	indireta,	em	desacordo	com	os	requisitos	constantes	do	
artigo	74,	2º,	do	Decreto-Lei	nº	200,	de	25.02.67.																																					
24	-	 Bloqueio	judicial	ou	determinação	do	Banco	Central	do	Brasil.																																																								
25	-	 Cancelamento	de	talonário	pelo	banco	sacado.																
26	-	 Inoperância	temporária	de	transporte.																						
27	-	 Feriado	municipal	não	previsto.																													
Art.	6º	O	cheque	poderá	ser	devolvido	por	um	dos	motivos	a	seguir	
classifi	cados:																																	
Cheque	sem	provisão	de	fundos																																				
11	-	 Cheque	sem	fundos	-	1ª	apresentação.														
12	-	 Cheque	sem	fundos	-	2ª	apresentação.											
13	-	 Conta	encerrada.																																
14	-	 Prática	espúria.																																											
Impedimento ao pagamento 
21 - Contraordem (ou revogação) ou oposição (ou sustação) ao pagamento 
pelo	emitente	ou	pelo	portador.															
22	-	 Divergência	ou	insufi	ciência	de	assinatura.						
23	-	 Cheques	 emitidos	 por	 entidades	 e	 órgãos	 da	 administração	 pública	
federal	direta	e	indireta,	em	desacordo	com	os	requisitos	constantes	do	
artigo	74,	2º,	do	Decreto-Lei	nº	200,	de	25.02.67.																																					
24	-	 Bloqueio	judicial	ou	determinação	do	Banco	Central	do	Brasil.																																																								
25	-	 Cancelamento	de	talonário	pelo	banco	sacado.																
26	-	 Inoperância	temporáriade	transporte.																						
27	-	 Feriado	municipal	não	previsto.																													
80
UNIDADE 1 | DIREITO EMPRESARIAL
Cheque	com	irregularidade																																								
31	-	 Erro	formal	(sem	data	de	emissão,	com	o	mês	grafado	numericamente,	
ausência	de	assinatura,	não	registro	do	valor	por	extenso).																		
32	-	 Ausência	ou	irregularidade	na	aplicação	do	carimbo	de	compensação.																	
33	-	 Divergência	de	endosso.														
34	-	 Cheque	apresentado	por	estabelecimento	bancário	que	não	o	indicado	
no	cruzamento	em	preto,	sem	o	endosso-mandato.				
35	-	 Cheque	fraudado,	emitido	sem	prévio	controle	ou	responsabilidade	do	
estabelecimento	bancário	("cheque	universal"),	ou	ainda	com	adulteração	
da	praça	sacada.																					
Apresentação	indevida
41	-	 Cheque	apresentado	a	banco	que	não	o	sacado.																
42	-	 Cheque	não	compensável	na	sessão	ou	sistema	de	compensação	em	que	
apresentado.																																									
43	-	 Cheque	 devolvido	 anteriormente	 pelos	 motivos	 21,	 22,	 23,	 24	 e	 31,	
não passível de reapresentação em virtude de persistir o motivo da 
devolução.																																						
44	-	 Cheque	prescrito.																																											
45	-	 Cheque	 emitido	 por	 entidade	 obrigada	 a	 realizar	 movimentação	 e	
utilização	de	recursos	fi	nanceiros	do	Tesouro	Nacional	mediante	ordem	
bancária.																																				
49	-	 Remessa	nula,	caracterizada	pela	reapresentação	de	cheque	devolvido	
pelos	motivos	 12,	 13,	 14,	 43,	 44	 e	 45,	 podendo	 a	 devolução	 ocorrer	 a	
qualquer	tempo.	
Cheque	com	irregularidade																																								
31	-	 Erro	formal	(sem	data	de	emissão,	com	o	mês	grafado	numericamente,	
ausência	de	assinatura,	não	registro	do	valor	por	extenso).																		
32	-	 Ausência	ou	irregularidade	na	aplicação	do	carimbo	de	compensação.																	
33	-	 Divergência	de	endosso.														
34	-	 Cheque	apresentado	por	estabelecimento	bancário	que	não	o	indicado	
no	cruzamento	em	preto,	sem	o	endosso-mandato.				
35	-	 Cheque	fraudado,	emitido	sem	prévio	controle	ou	responsabilidade	do	
estabelecimento	bancário	("cheque	universal"),	ou	ainda	com	adulteração	
da	praça	sacada.																					
Apresentação	indevida
41	-	 Cheque	apresentado	a	banco	que	não	o	sacado.																
42	-	 Cheque	não	compensável	na	sessão	ou	sistema	de	compensação	em	que	
apresentado.																																									
43	-	 Cheque	 devolvido	 anteriormente	 pelos	 motivos	 21,	 22,	 23,	 24	 e	 31,	
não passível de reapresentação em virtude de persistir o motivo da 
devolução.																																						
44	-	 Cheque	prescrito.																																											
45	-	 Cheque	 emitido	 por	 entidade	 obrigada	 a	 realizar	 movimentação	 e	
utilização	de	recursos	fi	nanceiros	do	Tesouro	Nacional	mediante	ordem	
bancária.																																				
49	-	 Remessa	nula,	caracterizada	pela	reapresentação	de	cheque	devolvido	
pelos	motivos	 12,	 13,	 14,	 43,	 44	 e	 45,	 podendo	 a	 devolução	 ocorrer	 a	
qualquer	tempo.	
(BANCO CENTRAL DO BRASIL, 2013). 
Após	o	prazo	de	seis	meses,	não	será	mais	possível	receber	o	cheque.	Após	
este	prazo,	o	cheque	perde	sua	força	executiva,	cabendo	apenas	ao	benefi	cário	
cobrá-lo	judicialmente	através	de	ação	monitória	ou	de	cobrança.
IMPORTANT
E
 O cheque pós-datado, que na prática se chama “pré-datado”, muito usado no 
dia a dia, desvirtua o cheque como “ordem de pagamento à vista”. É por isso que o art. 32 
da Lei no 7.357/85 é claro ao dispor que o cheque apresentado antes da data indicada como 
de emissão é pagável no dia da apresentação. Apesar disso, já existem decisões judiciais 
reconhecendo que o cheque, neste caso, se transforma em uma promessa de pagamento, 
uma espécie de nota promissória, porque decorrente de um acordo entre as partes e, assim 
sendo, deve ser respeitado o prazo de apresentação nele constante. (BRASIL, 2013).
TÓPICO 5 | TÍTULOS DE CRÉDITO
81
(BANCO CENTRAL DO BRASIL, 2013). 
O	pagamento	do	cheque	pode	ser	impedido	através	da	sustação,	que	deve	
ser	requerida	diretamente	ao	banco	sacado.
4.4 DUPLICATA
A	duplicata	é	um	título	de	crédito	emitido	em	razão	de	uma	compra	e	
venda	mercantil,	representada	em	uma	fatura.	A	fatura	“é	uma	nota	do	vendedor,	
descrevendo	a	mercadoria,	discriminando	a	sua	qualidade	e	quantidade,	fixando-
lhe	o	preço.	É,	portanto,	uma	prova	do	contrato	de	compra	e	venda	mercantil”.	
(ALMEIDA,	2005,	p.	183).		
Do	exposto	acima	é	possível	entender	que	a	duplicata	é	um	título	causal,	
ou	seja,	depende	da	existência	de	uma	fatura	que	legitima	sua	omissão.	Se	isso	não	
acontecer,	estaremos	diante	do	que	se	conhece	como	“duplicata	fria”,	tecnicamente	
chamada	de	“duplicata	simulada”,	que	inclusive	é	crime.	A	duplicata	também	se	
transmite	por	endosso	e	seu	pagamento	pode	ser	garantido	por	aval.
Na	emissão	da	duplicata,	segundo	a	Lei	nº	5.474/68	e	Resolução	102	do	
Conselho	Monetário	Nacional	que	a	disciplina,	devem	ser	observados	os	seguintes	
requisitos: 
-	A	denominação	“duplicata”.
-	A	data	de	emissão.
-	O	número	de	ordem.
-	O	número	da	fatura	da	qual	foi	extraída.
-	Data	certa	do	vencimento	ou	a	declaração	de	ser	a	duplicata	à	vista.
-	O	nome	e	o	domicílio	do	vendedor	e	do	comprador.
-	A	importância	a	pagar,	em	algarismos	e	por	extenso.
-		A	praça	de	pagamento.
-	A	 cláusula	 à	 ordem	 (a	 cláusula	 “não	 à	 ordem”	 somente	 pode	 ser	
inserida	no	título	por	endossante,	e,	como	o	vendedor	saca	a	seu	favor,	
ele,	necessariamente,	é	o	primeiro	endossante	do	título).
-	 A	 declaração	 do	 reconhecimento	 de	 sua	 exatidão	 e	 da	 obrigação	
de	pagá-la.	A	 ser	 assinada	pelo	 comprador,	 como	 aceite	 cambial	 (o	
comprador	deve	ser	identificado	com	nome,	domicílio	e	documento:	
RG,	CPF	etc.)	e	a	assinatura	do	emitente	(seguindo,	a	indicação	de	seu	
nome	e	domicílio).	(BRASIL,	2013).
A	duplicata	deverá,	segundo	a	lei,	ser	enviada	para	“aceite”	do	sacado,	o	
que	corresponde	ao	reconhecimento	da	existência	da	dívida,	e	sua	falta	poderá	
ser	motivo	de	protesto,	assim	como	a	 falta	de	devolução	do	 título	e	a	 falta	de	
pagamento.			
Para	a	cobrança	judicial	através	de	ação	executiva,	a	duplicata	sem	aceite	
deverá	ser	acompanhada	do	comprovante	de	entrega	de	mercadoria	e	do	protesto,	
e	a	ação	ajuizada	nos	prazos	máximos	previstos	na	Lei	nº	5.474/68,	em	seu	art.	18:	
82
UNIDADE 1 | DIREITO EMPRESARIAL
Em	3	anos,	contados	da	data	do	vencimento	do	título,	contra	o	sacado	
e	respectivos	avalistas.	
Em	 1	 ano,	 contando	 da	 data	 do	 protesto,	 contra	 os	 endossantes	 e	
respectivos	avalistas.
Em	1	ano,	contando	da	data	em	que	haja	sido	efetuado	o	pagamento	
do	 título,	 de	 qualquer	 dos	 co-obrigados,	 uns	 contra	 os	 outros.	 A	
duplicata	poderá	 também	ser	 referente	 a	uma	prestação	de	 seviços.	
(BRASIL,	2013).	
Veja	um	modelo	de	duplicata.
FIGURA 8 – MODELO DE DUPLICATA
FONTE: Cartório de Distribuição Rui Barbosa do Distrito Federal. Disponível em: 
<http://www.distribuidordf.com.br/exec/default_1.asp?idp=44#duplicata>. Acesso 
em: 5 mar. 2013.
83
RESUMO DO TÓPICO 5
Neste tópico você viu que:
•		 A	história	do	surgimento	do	crédito	no	mundo,	como	instrumento	necessário	a	
suprir	a	falta	de	dinheiro	das	pessoas	que	não	dispunham	do	capital	necessário	
no	momento	da	conclusão	do	negócio,	mas	que	o	teriam	futuramente.
•		 O	conceito	e	as	características	dos	títulos	de	crédito:	autonomia,	literalidade	e	
carturalidade.
•		 Os	conceitos	de	endosso,	aval	e	protesto.
•		 As	características,	requisitos	e	os	vários	títulos	de	crédito	em	espécie,	admitidos	
pelo	 Direito	 Brasileiro,	 quais	 sejam:	 a	 Letra	 de	 Câmbio,	 Nota	 Promissória,	
Duplicata	Mercantil,	Cheque,	Cédulade	Crédito	Industrial,	Nota	de	Crédito	
Industrial,	Nota	Promissória	Rural,	Duplicata	Rural,	Cédula	Rural	Pignoratícia,	
Cédula	Rural	Hipotecária,	Cédula	Rural	Pignoratícia	e	Hipotecária	e	a	Nota	de	
Crédito	Rural.
84
Para	a	fixação	do	conteúdo	deste	tópico,	assinale	a	alternativa	CORRETA:
1		 A	nota	promissória	é	uma:
a)		(		)	Ordem	de	pagamento.
b)		(		)	Promessa	de	pagamento.
c)		(		)	Forma	de	pagamento.
2		 Sobre	o	protesto	de	título	é	correto	afirmar:
a)		(		)	É	dispensável	contra	o	devedor	principal	como	regra	geral.
b)		(		)	É	sempre	indispensável.
c)		(		)	É	condição	essencial	para	cobrança	perante	o	devedor.
3 O aval:
a)		(		)	É	uma	obrigação	acessória.
b)		(		)	É	uma	obrigação	autônoma.
c)		(		)	É	uma	obrigação	principal.
4		 A	nota	promissória	em	que	não	consta	a	data	do	vencimento:
a)	 (		)	Não	é	válida.
b)	 (		)	Considera-se	com	vencimento	à	vista.
c)	 (		)	Considera-se	com	vencimento	no	exercício	financeiro	seguinte	ao	da	sua	
emissão.
5 Esta característica do título de crédito refere-se ao fato de que o título vale 
pelo que nele está escrito:
a)	 (		)	Autonomia.
b)	 (		)	Literalidade.	
c)	 (		)	Exigibilidade.
6	 Sobre	o	cheque	administrativo,	pode-se	dizer	que:
a)	 (		)	É	o	cheque	passado	pela	administração	pública	a	seus	fornecedores.
b)	 (		)	É	o	cheque	emitido	pelo	banco	sacado	contra	si	mesmo.
c)	 (		)	É	o	cheque	emitido	pelo	administrador	de	uma	empresa	pública.
7	 Tratando-se	um	cheque	de	cheque	cruzado:
a)	 (		)	Este	somente	poderá	ser	depositado.
b)	 (		)	Este	somente	poderá	ser	sacado	no	caixa	do	banco.
c)	 (		)	Perde	sua	validade,	pois	está	rasurado.
8	 Sobre	a	duplicata	é	correto	afirmar:
a)	 (		)	É	título	causal,	porque	depende	da	existência	de	uma	fatura.
b)	 (		)	Não	depende	de	fatura	para	ser	emitida.
c)	 (		)	Para	a	cobrança	judicial	através	de	ação	executiva,	a	duplicata	sem	aceite	não	
precisa	estar	acompanhada	do	comprovante	de	entrega	de	mercadoria	e	do	protesto.
AUTOATIVIDADE
85
TÓPICO 6
RECUPERAÇÃO DE EMPRESAS E FALÊNCIA
UNIDADE 1
1 INTRODUÇÃO
Neste	último	tópico		nos	dedicaremos	ao	estudo	da	situação	de	insolvência	
que	pode	acometer	as	sociedades	empresárias	quando	estas	deixam	de	cumprir	
seus	compromissos	financeiros.
A	Lei	nº	11.101,	de	9	de	fevereiro	de	2005,	traz	as	disposições	legais	que	
regulamentam	 esta	 situação,	 concedendo	 aos	 empresários	 instrumentos	 para	
que	sua	situação	seja	revertida	através	da	recuperação	da	empresa.	Caso	não	seja	
possível	esta	recuperação,	haverá	a	liquidação	forçada	dos	ativos	da	empresa,	a	
que	comumente	denominamos	de	falência.	
	Não	sendo	possível	obter	esse	benefício,	prevê	a	lei	a	liquidação	forcada	
de	seu	patrimônio	para	que,	com	o	saldo	apurado,	sejam	pagos	os	credores.	Essa	
última	denomina-se	falência.
2 DA RECUPERAÇÃO DA EMPRESA
Como	 dissemos	 acima,	 trata-se	 de	 um	 instrumento	 legal	 que	 permite	
à	 sociedade	 convocar	 seus	 credores,	propondo-lhes	um	plano	de	 recuperação.	
Existem	duas	espécies	de	recuperação	da	empresa:	a	extrajudicial	e	a	judicial.
2.1 DA RECUPERAÇÃO EXTRAJUDICIAL
Por	este	sistema,	a	Lei	nº	11.101/1995	permite	à	sociedade-devedora	que	
convoque	seus	credores	ou	parte	destes	(por	classe)	-	exceto	empregados	e	fisco	
-,	propondo-lhes	um	plano	de	recuperação.	Este	plano	será	materializado	em	um	
documento,	uma	espécie	de	contrato	particular	e	que	será	assinado	pela	devedora	
e	 credores.	 Também	 poderá	 ser	 objeto	 de	 aprovação	 em	 assembleia	 geral	 de	
credores	que	vier	a	ser	convocada	extrajudicialmente,	para	 tal	fim.	Este	plano,	
que	determinará	a	ordem	dos	pagamentos,	privilegiando	os	trabalhistas,	depois	
de	aprovado	poderá	ser	apresentado	à	homologação	judicial,	passando	a	obrigar	
todos	os	credores,	mesmo	os	dissidentes.	Os	 juízes	devem	relutar	em	decretar	
falência,	para	evitar	desemprego	e	destruição	de	ativos.	Se	o	plano	for	rejeitado	
pelo	juiz,	devolve-se	aos	credores	signatários	o	direito	de	exigir	seus	créditos	(§2º.	
do	art.165	da	Lei	de	Falência).		
86
UNIDADE 1 | DIREITO EMPRESARIAL
2.2 DA RECUPERAÇÃO JUDICIAL
A	 recuperação	 judicial	 tem	 por	 objetivo	 viabilizar	 a	 superação	 de	
crise	 econômico-fi	nanceira	 do	 devedor,	 a	 fi	m	 de	 permitir	 a	 manutenção	 da	
fonte	produtora,	do	emprego	dos	trabalhadores	e	dos	interesses	dos	credores,	
promovendo	assim	a	preservação	da	empresa.
A	 recuperação	 judicial	 tem	 por	 objetivo	 viabilizar	 a	 superação	 de	
crise	 econômico-fi	nanceira	 do	 devedor,	 a	 fi	m	 de	 permitir	 a	 manutenção	 da	
fonte	produtora,	do	emprego	dos	trabalhadores	e	dos	interesses	dos	credores,	
promovendo	assim	a	preservação	da	empresa.
FONTE: Disponível em: <www.ambito-juridico.com.br/site/index.php?n_link=revista..>. Acesso 
em: 5 mar. 2013.
O	empresário	negocia	o	plano	de	recuperação	com	todos	os	seus	credores,	
inclusive	trabalhadores	e	fi	sco,	visando,	principalmente,	à	concessão	de	prazos	e	
condições	especiais	para	pagamento	das	obrigações	vencidas	ou	vincendas.	Se	
em	180	dias	não	houver	acordo,	o	Judiciário	poderá	decretar	a	falência.	
A	 empresa	 devedora	 peticionará	 ao	 juiz,	 requerendo	 a	 recuperação,	
expondo	 as	 causas	 concretas	 de	 sua	 situação	 patrimonial	 e	 as	 razões	 da	 crise	
econômico-fi	nanceira	 que	 atravessa.	 Estando	 cumpridas	 as	 exigências	 legais,	
o	 juiz	 defere,	 permite	 o	 processamento	 de	 pedido	 da	 recuperação	 judicial,	
nomeando	um	administrador	judicial.
IMPORTANT
E
Conforme ensina Amador Paes de Almeira (2009, p. 200), “o administrador não 
é um simples representante do falido, mas um órgão ou agente auxiliar da justiça. Serve a 
bem do interesse público e para consecução da fi nalidade do processo da falência. Age por 
direito próprio em seu nome, no cumprimento dos deveres que a lei lhe impõe”.
Após	esta	decisão,	o	devedor	deverá	apresentar	o	plano	de	recuperação	
em	juízo,	no	prazo	improrrogável	de	60	dias,	a	contar	da	data	da	concessão	do	
processamento,	sob	pena	de	decretação	da	falência.
Veja	então	estas	fases	na	fi	gura	a	seguir.
FIGURA 9 – NOME
FONTE: O autor
60	d.	(máx)
3o –	Apresentação	do	
plano de recuperação 
em juízo sob pena de 
decretação	de	falência.
2o – Deferimento do 
processamento ou 
devolução.
1o –	Requerimento	
em juízo do 
processamento da 
recuperação	judicial.
TÓPICO 6 | RECUPERAÇÃO DE EMPRESAS E FALÊNCIA
87
2.2 DA RECUPERAÇÃO JUDICIAL
FIGURA 9 – NOME
Esta fórmula legal só poderá ser utilizada se o empresário estiver em dia 
com	as	obrigações	legais	e	se,	no	momento	do	pedido,	a	empresa	estiver	exercendo	
regularmente	suas	atividades	há	mais	de	dois	anos.	Na	fase	de	recuperação	não	
poderá	haver	pedido	de	falência	por	parte	dos	credores.
As	microempresas	e	as	empresa	de	pequeno	porte poderão apresentar 
plano	 especial	 de	 recuperação	 judicial	 no	prazo	 improrrogável	de	 60	dias	da	
publicação	da	decisão	que	deferir	o	processamento	da	recuperação	judicial,	sob	
pena	de	convolação	em	falência.	
FONTE: Adaptado de: <www.viajus.com.br/viajus.php?pagina=artigos&id=1617...>. Acesso em: 5 
mar. 2013.
O	 plano	 abrangerá	 exclusivamente	 os	 créditos	 quirografários,	 os	
quais	serão	pagos	em	até	36	parcelas	mensais,	 iguais	e	sucessivas,	corrigidas	
monetariamente	e	acrescidas	de	juros	de	12%	a.a.	Preverá,	ainda,	o	pagamento	
da	primeira	parcela	no	prazo	máximo	de	180	dias,	contados	da	distribuição	do	
pedido	de	recuperação	judicial.
FONTE: Adaptado de: <www.douglasfreitas.adv.br/dl_fi le.php?arquivo=down/arq..>. Acesso em: 
5 mar. 2013.
3 FALÊNCIA
3.1 CONCEITO
Falência	é	o	processo	judicial	através	do	qual	o	empresário	é	obrigado	a	
liquidar	o	seu	patrimônio	em	benefício	dos	credores,	ocasião	em	que	se	arrecada	
o	 patrimônio	 do	 falido	 e	 são	 verifi	cados	 os	 créditos,	 apurando-se	 o	 ativo	 e	
procurando	solver	o	passivo,	porque	a	situação	de	insolvênciaé	irreversível.	É	o	
que	se	chama	popularmente	de	“bancarrota”.
3.2 CARACTERIZAÇÃO DO ESTADO DE FALÊNCIA
Quando	 o	 empresário	 não	 tem	 condições	 de	 solver	 suas	 obrigações,	
está	caracterizada	a	sua	 insolvência.	Mas,	para	 instalar-se	o	estado	de	 falência,	
é necessária a concorrência de três pressupostos: 1) a qualidade de empresário 
devedor;	2)	a	insolvência	do	devedor;	3)	a	declaração	judicial	da	falência.
88
UNIDADE 1 | DIREITO EMPRESARIAL
1.		A qualidade de empresário devedor: a falência só cabe contra o empresário 
individual	e	conta	com	a	sociedade	empresária.	Não	conta	a	empresa	pública,	
sociedade	 de	 economia	 mista,	 instituição	 fi	nanceira	 pública	 ou	 privada,	
cooperativa	de	crédito,	consórcio,	entidade	de	previdência	complementar,	
sociedade	operadora	de	plano	de	assistência	à	saúde,	sociedade	seguradora,	
sociedade	 de	 capitalização	 e	 outras	 entidades	 legalmente	 equiparadas	 às	
anteriores	(LF,	art.	2º,	I	E	II). 
FONTE: Disponível em: <www6.senado.gov.br/legislacao/ListaPublicacoes.action?id=250164>. 
Acesso em: 5 mar. 2013.
1.	A insolvência do devedor: dispõe	 o	 art.	 94	 da	 Lei	 das	 Falências	 que	 será	
detectada falência do devedor que:
	I.	sem	relevante	razão	de	direito,	não	paga,	no	vencimento,	obrigação	
líquida	 materializada	 em	 título	 ou	 títulos	 executivos	 protestados,	
cuja	soma	ultrapasse	o	equivalente	a	40	salários-mínimos	na	data	do	
pedido	de	falência.	Os	credores	podem	reunir-se	em	litisconsórcio	a	
fi	m	de	perfazer	este	limite;
II.		executado	por	qualquer	quantia	líquida	não	paga,	não	deposita	e	
não	nomeia	à	penhora		bens	sufi	cientes	dentro	do	prazo	legal;
III.		prática	qualquer	dos	seguintes	atos,	exceto	se	fi	zer	parte	do	plano	
de recuperação judicial:
a.	procede	à	 liquidação	precipitada	de	 seus	ativos	ou	 lança	mão	de	
meios ruinosos ou fraudulentos para realizar pagamentos;
b.	 realiza	 ou,	 por	 atos	 inequívocos,	 tenta	 realizar,	 com	 o	 objetivo	
de	 retardar	 pagamentos	 ou	 fraudar	 credores,	 negócio	 simulado	 ou	
alienação	de	parte	ou	totalidade	de	seu	ativo	a	terceiro,	credor	ou	não;
c.	 transfere	 estabelecimento	 a	 terceiro,	 credor	 ou	 não,	 sem	 o	
consentimento	de	todos	os	credores	e	sem	fi	car	com	os	bens	sufi	cientes	
para solver o passivo;
d.	 simula	 a	 transferência	 de	 seu	 principal	 estabelecimento	 com	 o	
objetivo	 de	 burlar	 a	 legislação	 ou	 a	 fi	scalização	 ou	 para	 prejudicar	
credor;
e.	dá	ou	reforça	garantia	ao	credor	por	dívida	contraída	anteriormente,	
sem	fi	car	com	bens	livres	e	desembaraçados	sufi	cientes	para	saldar	o	
seu passivo;
f.	 ausenta-se	 sem	 deixar	 representante	 habilitado	 e	 com	 recursos	
sufi	cientes	para	pagar	os	credores;	abandona	estabelecimento	ou	tenta	
ocultar-se	de	seu	domicílio,	do	local	de	sua	sede	ou	de	seu	principal	
estabelecimento;
g.	 deixa	 de	 cumprir,	 no	 prazo	 estabelecido,	 obrigação	 assumida	 no	
plano	de	recuperação	judicial.	(BRASIL,	2013).
Esses	 são	 os	 casos	 especiais	 de	 caracterização	 dos	 chamados	 atos	 de	
falência.
2.	 A declaração judicial da falência:	 normalmente,	 a	 falência	 é	 requerida	
por	 um	 dos	 credores	 quirografários,	 que	 exibe	 títulos	 da	 dívida	 vencida	
(nota	 promissória,	 duplicata,	 cheque	 etc.)	 e	 a	 prova	 de	 caracterização	 da	
impontualidade	do	devedor,	para	o	que	junta	a	certidão	de	protesto.	É	feito,	
TÓPICO 6 | RECUPERAÇÃO DE EMPRESAS E FALÊNCIA
89
então,	um	requerimento	que	diz	o	motivo	da	falência.	O	pedido	de	falência,	
seja	 qual	 for	 a	 sua	 fundamentação,	 deverá	 ser	 convenientemente	 instruído	
para	servir	de	base	à	decisão	do	juiz.
Em	seguida,	é	dada	ao	devedor	a	oportunidade	de	defender-se:
a.	Se	o	fundamento	do	pedido	de	falência	for	o	da	impontualidade	(art.	
94,	I),	dentro	do	prazo	de	contestação	o	empresário	devedor	poderá	
suspender	a	falência	depositando	o	valor	da	dívida	acompanhada	da	
defesa.	Evidentemente,	 feito	o	depósito,	não	haverá	a	declaração	da	
falência,	ocasião	em	que	a	ação	se	converte	em	cobrança	individual.	
De	 qualquer	 maneira,	 poderá	 o	 requerido	 pagar	 a	 dívida	 dentro	
desse	prazo	ou	promover	a	devida	defesa.	Ainda	dentro	do	prazo	de	
contestação,	o	devedor	poderá	pleitear	sua	recuperação	 judicial	 (LF,	
art.	95).
b.	 Se	 fundado	 o	 pedido	 na	 ocorrência	 do	 chamado	 ato	 de	 falência	
(art.	 94,	 III),	 a	 defesa	 do	 devedor	 empresário,	 que	 recebe	 o	 nome	
de	 embargos,	 deverá	 ser	 apresentada	 também	 dentro	 do	 prazo	 de	
contestação.	 Será	 uma	 defesa	 com	 produção	mais	 ampla	 de	 prova,	
devido	à	complexidade	do	fato	apresentado.	(BRASIL,	2013).	
Finalmente,	cabe	ao	juiz	decretar	ou	não	a	falência.	Se	decretar	através	de	
sentença	fundamentada,	nomeará	o	administrador	judicial	e	marcará	prazo	para	
que	os	credores	se	habilitem,	prazo	esse	que	deverá	ser	de	15	dias.	Não	observado	
esse	prazo,	as	habilitações	de	crédito	serão	recebidas	como	retardatárias.
	A	decretação	de	falência	determina	o	vencimento	antecipado	das	dívidas	
do	 devedor	 e	 dos	 sócios	 ilimitada	 e	 solidariamente	 responsáveis.	 O	 juízo	 da	
falência é indivisível e competente (todas as ações deverão ser necessariamente 
julgadas	pelo	mesmo	juiz)	para	conhecer	todas	as	ações	sobre	bens,	interesses	e	
negócios	do	falido,	ressalvadas	as	causas	trabalhistas	e	fiscais.	
Todas	as	ações	terão	prosseguimento	com	o	administrador	judicial,	que	
deverá	ser	 intimado	para	representar	a	massa	 falida,	sob	pena	de	nulidade	do	
processo.
	Vejamos	o	que	dispõe	o	artigo	81	da	Lei	nº	11.101/1995:
Art.	 81.	 A	 decisão	 que	 decreta	 a	 falência	 da	 sociedade	 com	 sócios	
ilimitadamente	 responsáveis	 também	acarreta	 a	 falência	destes,	 que	
ficam	 sujeitos	 aos	 mesmos	 efeitos	 jurídicos	 produzidos	 em	 relação	
à	 sociedade	 falida	 e,	 por	 isso,	 deverão	 ser	 citados	 para	 apresentar	
contestação,	se	assim	o	desejarem.	(BRASIL,	2013).
90
UNIDADE 1 | DIREITO EMPRESARIAL
Aplica-se	ao	sócio	que	tenha	se	retirado	voluntariamente	ou	que	tenha	
sido	excluído	da	sociedade,	há	menos	de	dois	anos.	Quanto	às	dívidas	existentes	
na	data	do	arquivamento	da	alteração	do	contrato,	no	caso	de	não	terem	sido	
solvidas	até	a	data	da	alteração	do	contrato,	no	caso	de	não	terem	sido	solvidas	
até	a	data	da	decretação	da	falência.	
Aplica-se	ao	sócio	que	tenha	se	retirado	voluntariamente	ou	que	tenha	
sido	excluído	da	sociedade,	há	menos	de	dois	anos.	Quanto	às	dívidas	existentes	
na	data	do	arquivamento	da	alteração	do	contrato,	no	caso	de	não	terem	sido	
solvidas	até	a	data	da	alteração	do	contrato,	no	caso	de	não	terem	sido	solvidas	
até	a	data	da	decretação	da	falência.	
FONTE: Adaptado de: <www.mp.ce.gov.br/esmp/.../14_Pedro.Thiago.Costa.de.Freitas.pdf>. 
Acesso em: 5 mar. 2013.
A	 sentença	 que	 acolhe	 o	 pedido	 do	 credor	 encerra	 a	 primeira	 fase	 do	
processo	falencial,	conhecida	como	etapa pré-falencial.	Ato	contínuo,	desencadeia-
se	a	segunda	fase,	a	do	processo	de	execução	propriamente	dito,	chamada	etapa 
falencial,	que	é	constituída	por	uma	série	de	atos	destinados	à	expropriação	dos	
bens	do	devedor,	a	fi	m	de	satisfazer	seus	credores.	
A	 partir	 do	momento	 em	 que	 a	 sentença	 transita	 em	 julgado	 (ou	 seja,	
quando	dela	não	cabe	mais	recurso),	ingressa-se	no	terreno	da	execução	coletiva,	
ocasião	em	que	o	juiz	nomeia	o	administrador	judicial.
O	 administrador	 judicial	 será	 profi	ssional	 idôneo,	 preferencialmente	
advogado,	 economista,	 administrador	 de	 empresas	 ou	 contador,	 ou	 pessoa	
jurídica	especializada.	A	ele	será	atribuída	a	missão	especial	de	arrecadar	todos	
os	bens	do	empresário	 falido.	Todos	os	credores	quirografários	deverão	vir	ao	
juízo	da	falência,	provando	os	seus	direitos,	seus	créditos.
Finalmente,	 o	 administrador	 judicial	 promoverá	 a	 venda	 dos	 bens	 da	
massa,	através	do	leilão	público,	e	pagará	os	credores.
Primeiramente,	 paga-sea	 dívida	 aos	 credores	 privilegiados,	 tais	 como:	
os	credores	trabalhistas,	os	tributários,	os	credores	com	direitos	reais	de	garantia	
etc.	Do	que	sobrar,	recebem	os	credores	quirografários.	Com	isso,	fi	ca	encerrada	
defi	nitivamente	a	insolvência.
Pelo	exposto,	tem-se	que	a	falência	é	um	processo	de	execução	coletiva	em	
que	são	apurados	o	ativo	e	o	passivo,	pagando-se	os	credores	na	preferência	de	
seus	créditos.
O	 falido	fi	ca	 inabilitado	para	 exercer	 qualquer	 atividade	 empresarial	 a	
partir	da	decretação	da	falência	e	até	a	sentença	que	extingue	suas	obrigações,	
respeitando	o	disposto	no	§1º	do	art.181	da	Lei	de	Falência.	(Os	efeitos	da	falência	
perdurarão	até	cinco	anos	após	a	extinção	da	punibilidade,	podendo,	contudo,	
cessar	 antes	 pela	 reabilitação	 penal),	 e	 poderá	 ser	 condenado	 pela	 prática	 de	
crime	falimentar	previsto	na	Lei	de	Falências	em	seus	arts.	168	a	178.
TÓPICO 6 | RECUPERAÇÃO DE EMPRESAS E FALÊNCIA
91
4 DA CLASSIFICAÇÃO DOS CRÉDITOS
A	Lei	de	Falências	estabelece	as	diferentes	espécies	de	créditos,	preferências	
e	privilégios	a	alguns	credores,	determinados	pela	própria	natureza	da	respectiva	
obrigação.	
A	Lei	nº	11.101/2005,	em	seus	artigos	83	e	84,	dispõe	sobre	os	créditos	na	
falência,	classifi	cando-os	em:
a)	créditos	derivados	da	legislação	do	trabalho;
b) créditos com garantia real;
c) créditos tributários;
d) créditos com privilégio especial;
e) créditos com privilégio geral;
f) créditos quirografários;
g) as multas contratuais e as penas pecuniárias por infração das leis 
penais	ou	administrativas,	inclusive	as	multas	tributárias;
h)	créditos	subordinados;
i)	créditos	extraconcursais.	(BRASIL,	2013).
UNI
Os artigos 83 e 84 da Lei no 11.101/2005 dispõem sobre a classifi cação dos 
créditos.
Seção	II
Da	Classifi	cação	dos	Créditos
Art.	 83.	A	 classifi	cação	dos	 créditos	 na	 falência	 obedece	 à	 seguinte	
ordem:
I	-	 os	créditos	derivados	da	legislação	do	trabalho,	limitados	a	150	(cento	e	
cinquenta)	salários	mínimos	por	credor,	e	os	decorrentes	de	acidentes	de	
trabalho;
II - créditos com garantia real até o limite do valor do bem gravado;
III	-	créditos	 tributários,	 independentemente	 da	 sua	 natureza	 e	 tempo	 de	
constituição,	excetuadas	as	multas	tributárias;
92
UNIDADE 1 | DIREITO EMPRESARIAL
IV	–	créditos	com	privilégio	especial,	a	saber:
a)		os	previstos	no	art.	964	da	Lei	nº	10.406,	de	10	de	janeiro	de	2002;
b)	 os	 assim	 defi	nidos	 em	 outras	 leis	 civis	 e	 comerciais,	 salvo	 disposição	
contrária desta lei;
c)		aqueles	a	 cujos	 titulares	a	 lei	 confi	ra	o	direito	de	 retenção	sobre	a	coisa	
dada em garantia;
V	–	créditos	com	privilégio	geral,	a	saber:
a)	os	previstos	no	art.	965	da	Lei	nº	10.406,	de	10	de	janeiro	de	2002;
b)	os	previstos	no	parágrafo	único	do	art.	67	desta	lei;
c)	 os	 assim	 defi	nidos	 em	 outras	 leis	 civis	 e	 comerciais,	 salvo	 disposição	
contrária desta lei;
 
VI	–	créditos	quirografários,	a	saber:
a) aqueles não previstos nos demais incisos deste artigo;
b) os saldos dos créditos não cobertos pelo produto da alienação dos bens 
vinculados ao seu pagamento;
c)	os	saldos	dos	créditos	derivados	da	legislação	do	trabalho	que	excederem	
o limite estabelecido no inciso I do caput deste artigo;
VII – as multas contratuais e as penas pecuniárias por infração das leis penais 
ou	administrativas,	inclusive	as	multas	tributárias;
VIII	–	créditos	subordinados,	a	saber:
a) os assim previstos em lei ou em contrato;
b)	os	créditos	dos	sócios	e	dos	administradores	sem	vínculo	empregatício.
§	1º	Para	os	fi	ns	do	inciso	II	do	caput	deste	artigo,	será	considerado	como	
valor	do	bem	objeto	de	garantia	real	a	importância	efetivamente	arrecadada	
com	sua	venda,	ou,	no	caso	de	alienação	em	bloco,	o	valor	de	avaliação	do	
bem	individualmente	considerado.
	 §	2º	Não	são	oponíveis	à	massa	os	valores	decorrentes	de	direito	de	sócio	ao	
recebimento	de	sua	parcela	do	capital	social	na	liquidação	da	sociedade.
	 §	3º	As	cláusulas	penais	dos	contratos	unilaterais	não	serão	atendidas	se	as	
obrigações	neles	estipuladas	se	vencerem	em	virtude	da	falência.
	 §	 4º	 Os	 créditos	 trabalhistas	 cedidos	 a	 terceiros	 serão	 considerados	
quirografários.
Art.	 84.	 Serão	 considerados	 créditos	 extraconcursais	 e	 serão	 pagos	
com	precedência	sobre	os	mencionados	no	art.	83	desta	lei,	na	ordem	a	seguir,	
os relativos a:
I	–	 remunerações	 devidas	 ao	 administrador	 judicial	 e	 seus	 auxiliares,	 e	
créditos	derivados	da	legislação	do	trabalho	ou	decorrentes	de	acidentes	
de	trabalho	relativos	a	serviços	prestados	após	a	decretação	da	falência;
IV	–	créditos	com	privilégio	especial,	a	saber:
a)		os	previstos	no	art.	964	da	Lei	nº	10.406,	de	10	de	janeiro	de	2002;
b)	 os	 assim	 defi	nidos	 em	 outras	 leis	 civis	 e	 comerciais,	 salvo	 disposição	
contrária desta lei;
c)		aqueles	a	 cujos	 titulares	a	 lei	 confi	ra	o	direito	de	 retenção	sobre	a	coisa	
dada em garantia;
V	–	créditos	com	privilégio	geral,	a	saber:
a)	os	previstos	no	art.	965	da	Lei	nº	10.406,	de	10	de	janeiro	de	2002;
b)	os	previstos	no	parágrafo	único	do	art.	67	desta	lei;
c)	 os	 assim	 defi	nidos	 em	 outras	 leis	 civis	 e	 comerciais,	 salvo	 disposição	
contrária desta lei;
 
VI	–	créditos	quirografários,	a	saber:
a) aqueles não previstos nos demais incisos deste artigo;
b) os saldos dos créditos não cobertos pelo produto da alienação dos bens 
vinculados ao seu pagamento;
c)	os	saldos	dos	créditos	derivados	da	legislação	do	trabalho	que	excederem	
o limite estabelecido no inciso I do caput deste artigo;
VII – as multas contratuais e as penas pecuniárias por infração das leis penais 
ou	administrativas,	inclusive	as	multas	tributárias;
VIII	–	créditos	subordinados,	a	saber:
a) os assim previstos em lei ou em contrato;
b)	os	créditos	dos	sócios	e	dos	administradores	sem	vínculo	empregatício.
§	1º	Para	os	fi	ns	do	inciso	II	do	caput	deste	artigo,	será	considerado	como	
valor	do	bem	objeto	de	garantia	real	a	importância	efetivamente	arrecadada	
com	sua	venda,	ou,	no	caso	de	alienação	em	bloco,	o	valor	de	avaliação	do	
bem	individualmente	considerado.
	 §	2º	Não	são	oponíveis	à	massa	os	valores	decorrentes	de	direito	de	sócio	ao	
recebimento	de	sua	parcela	do	capital	social	na	liquidação	da	sociedade.
	 §	3º	As	cláusulas	penais	dos	contratos	unilaterais	não	serão	atendidas	se	as	
obrigações	neles	estipuladas	se	vencerem	em	virtude	da	falência.
	 §	 4º	 Os	 créditos	 trabalhistas	 cedidos	 a	 terceiros	 serão	 considerados	
quirografários.
Art.	 84.	 Serão	 considerados	 créditos	 extraconcursais	 e	 serão	 pagos	
com	precedência	sobre	os	mencionados	no	art.	83	desta	lei,	na	ordem	a	seguir,	
os relativos a:
I	–	 remunerações	 devidas	 ao	 administrador	 judicial	 e	 seus	 auxiliares,	 e	
créditos	derivados	da	legislação	do	trabalho	ou	decorrentes	de	acidentes	
de	trabalho	relativos	a	serviços	prestados	após	a	decretação	da	falência;
TÓPICO 6 | RECUPERAÇÃO DE EMPRESAS E FALÊNCIA
93
II	–	 quantias	fornecidas	à	massa	pelos	credores;
III	–	despesas	 com	 arrecadação,	 administração,	 realização	 do	 ativo	 e	
distribuição	do	seu	produto,	bem	como	custas	do	processo	de	falência;
IV	–	custas	judiciais	relativas	às	ações	e	execuções	em	que	a	massa	falida	tenha	
sido vencida;
V – obrigações resultantes de atos jurídicos válidos praticados durante a 
recuperação	judicial,	nos	termos	do	art.	67	desta	lei,	ou	após	a	decretação	
da	 falência,	 e	 tributos	 relativos	 a	 fatos	 geradores	 ocorridos	 após	 a	
decretação	da	falência,	respeitada	a	ordem	estabelecida	no	art.	83	desta	
lei.	(BRASIL,	2013).
II	–	 quantias	fornecidas	à	massa	pelos	credores;
III	–	despesas	 com	 arrecadação,	 administração,	 realização	 do	 ativo	 e	
distribuição	do	seu	produto,	bem	como	custas	do	processo	de	falência;
IV	–	custasjudiciais	relativas	às	ações	e	execuções	em	que	a	massa	falida	tenha	
sido vencida;
V – obrigações resultantes de atos jurídicos válidos praticados durante a 
recuperação	judicial,	nos	termos	do	art.	67	desta	lei,	ou	após	a	decretação	
da	 falência,	 e	 tributos	 relativos	 a	 fatos	 geradores	 ocorridos	 após	 a	
decretação	da	falência,	respeitada	a	ordem	estabelecida	no	art.	83	desta	
lei.	(BRASIL,	2013).
FONTE: Disponível em: <www.senado.gov.br/sf/senado/advocacia/pdf/ADI3424.pdf>. Acesso 
em: 5 mar. 2013.
ALMEIDA	(2010,	p.	251-253),	referenciando	Sampaio	de	Lacerda,	sobre	o	
assunto	explica:
Se	 na	 falência	 os	 bens	 do	 devedor	 constituem	 a	 garantia	 comum	
dos	credores,	evidentemente	que	o	produto	da	venda	deles	deve	ser	
dividido	 proporcionalmente	 ao	 valor	 dos	 créditos.	A	 falência	 é,	 de	
fato,	processo	igualitário,	isto	é,	que	visa	colocar	todos	os	credores	na	
mesma igualdade (pars conditio creditorum).	Essa	 igualdade,	 todavia,	
não	 deve	 ser	 considerada	 de	 modo	 absoluto.	 Corresponde	 a	 uma	
igualdade	de	credores	dentro	de	cada	classe.	De	fato,	como	a	falência	
não	altera	os	direitos	materiais	dos	credores,	para	que	esses	direitos	
sejam	respeitados	na	execução	coletiva,	 impõe-se	a	sua	classifi	cação,	
a	fi	m	de	que	 cada	 credor	 receba	o	que	 legitimamente	 lhe	 é	devido.	
Há,	portanto,	 créditos	que,	por	sua	natureza	ou	qualidade,	 fogem	à	
repartição	proporcional	e	gozam	de	prioridade	no	pagamento.
94
RESUMO DO TÓPICO 6
Neste tópico você aprendeu:
•		 Que	a	Lei	nº	11.101/2005	regula	o	processo	de	recuperação	judicial	e	falência	
no	Brasil.
•	 A	 recuperação	 judicial	 tem	 por	 objetivo	 viabilizar	 a	 superação	 de	 crise	
econômico-financeira	da	empresa,	a	fim	de	permitir	a	manutenção	da	 fonte	
produtora,	do	emprego	dos	trabalhadores	e	dos	interesses	dos	credores.
•		 A	 falência	 é	 o	 processo	 judicial	 através	do	 qual	 o	 empresário	 é	 obrigado	 a	
liquidar	o	seu	patrimônio	em	benefício	dos	credores,	ocasião	em	que	se	arrecada	
o	patrimônio	do	 falido	 e	 são	verificados	 os	 créditos,	 apurando-se	 o	 ativo	 e	
procurando	solver	o	passivo,	porque	a	situação	de	insolvência	é	irreversível.	
A	Lei	nº	11.101/2005	classifica	os	créditos	dos	credores	na	recuperação	judicial	
e	 falência	 em:	 créditos	 derivados	 da	 legislação	 do	 trabalho;	 créditos	 com	
garantia real; créditos tributários; créditos com privilégio especial; créditos 
com privilégio geral; créditos quirografários; as multas contratuais e as penas 
pecuniárias	por	infração	das	leis	penais	ou	administrativas,	inclusive	as	multas	
tributárias;	créditos	subordinados	e	créditos	extraconcursais.
95
Responda	às	questões	a	seguir:
1		 Cite	as	formas	de	recuperação	das	empresas.
2		 Cite	qual	o	efeito	da	falência	em	relação	às	dívidas	do	falido.	
3		 Qual	 o	 prazo	 de	 inabilitação	 do	 empresário	 falido	 para	 exercer	 qualquer	
atividade empresarial?
4 Como se caracteriza o estado de insolvência?
AUTOATIVIDADE

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