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UNIDADE 1
DIREITO EMPRESARIAL
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir desta unidade, você será capaz de:
• compreender as formas de como se estabelecem as obrigações comerciais
utilizando-se da visão sistêmica do Direito Empresarial;
• identificar as relações comerciais e empresariais, com suas respectivas
obrigações, a ponto de facilitar no seu dia a dia profissional.
Esta unidade está dividida em seis tópicos. Ao final de cada um deles você
encontrará atividades que o(a) ajudarão a fixar os conhecimentos adquiridos.
TÓPICO 1 – DADOS HISTÓRICOS DO DIREITO EMPRESARIAL
TÓPICO 2 – CONCEITO DE DIREITO EMPRESARIAL
TÓPICO 3 – DA SOCIEDADE EMPRESÁRIA
TÓPICO 4 – DA SOCIEDADE ANÔNIMA
TÓPICO 5 – TÍTULOS DE CRÉDITO
TÓPICO 6 – RECUPERAÇÃO DE EMPRESAS E FALÊNCIA
2
3
TÓPICO 1
UNIDADE 1
DADOS HISTÓRICOS DO DIREITO EMPRESARIAL
1 INTRODUÇÃO
O comércio nasceu da própria necessidade dos seres humanos
conviverem harmoniosamente na sociedade. O seu desenvolvimento deveu-
se, inequivocamente, ao surgimento da moeda, pois, com seu uso, as riquezas
começaram a circular muito mais rapidamente, pois o seu transporte tornou-se
muito mais simples e prático do que transportar mercadorias para troca.
Nasceu, assim, a economia de mercado e, com ela, a figura do comerciante,
que se coloca entre o produtor e o consumidor, ou seja, torna-se aquele que compra
e vende mercadorias, cujas diferenças de valores atingem seu objetivo: o lucro.
A evolução dos conceitos levou à remodelação do Direito Comercial.
Ou seja, no auge da Segunda Guerra Mundial, com o advento do Código Civil
Italiano, unificou-se o direito privado, juntando em uma única codificação o
Direito Civil e o Direito Comercial, dando origem ao que chamamos, atualmente,
de Direito Empresarial.
2 SURGIMENTO DO COMÉRCIO E EVOLUÇÃO HISTÓRICA
Se nós fizermos uma breve pesquisa aos achados pré-históricos, veremos
que os homens viviam em completa bruteza, aproximando-se do estado irracional,
vagando em famílias ou em bandos, comandados por um chefe, em constante
combate pela sobrevivência.
Nessa forma primitiva de sociedade, devido à agressividade então
reinante, não havia ambiente propício para que se desenvolvesse o fenômeno
que, hoje, chamamos de comércio.
Após muitos séculos, a humanidade chegou ao entendimento de que
cada ser humano necessitou do seu semelhante para pôr em execução grandes
expedições de caça e para defender-se de animais, conforme nos dá notícias a
Paleontologia.
Os estudos históricos demonstram que os grupos menos agressivos foram
se aproximando cada vez mais, e passaram a se juntar em torno de templos e
outros lugares considerados sagrados, para a celebração de eventos festivos e
UNIDADE 1 | DIREITO EMPRESARIAL
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religiosos. Em decorrência desses encontros, começou a ganhar espaço a concepção
de trocarem, uns com os outros aqueles bens que lhes eram desnecessários ou
excedentes.
E foi assim que surgiu o que podemos considerar a forma embrionária do
comércio: a troca direta.
Mas as negociações realizadas pela simples troca eram muito limitadas.
O possuidor de determinado produto tinha de encontrar alguém que detinha
aquele outro bem de que ele precisava, na qualidade e na quantidade desejada.
Porém, havia o problema em determinar o valor dos bens a serem trocados.
Era preciso, portanto, achar um meio que permitisse uma facilitação nas
trocas e simplificasse o cálculo das mercadorias a serem trocadas, ou seja, algo
que fosse tanto um instrumento de troca e medida comum de valor, além de ser
facilmente transportável.
Não demorou muito para que tal elemento, chamado moeda, surgisse.
Desde que surgiu a moeda, mesmo em sua forma rudimentar e primitiva,
medindo e determinando valores, sobrepondo a troca direta, iniciou-se uma
nova atividade: a dos intermediários entre o produtor e o consumidor, ou seja,
a atividade do comerciante, cujo trabalho passou a ser exercido habitualmente,
com intuito de lucro.
Na Idade Antiga, povos primitivos, como os fenícios, destacaram-se pelo
exercício da atividade comercial, porém sem poder ainda falar-se na existência de
um direito comercial, com regras e princípios próprios.
IMPORTANT
E
Caro(a) acadêmico(a)! Rodrigues (2004, p. 15) explica sobre o assunto:
O comércio desenvolveu-se em larga escala entre as civilizações
primitivas, mas, a despeito disso, não se pode afirmar, pela escassez
de elementos históricos, haver nas remotas sociedades um direito
autônomo, com princípios, normas e institutos sistematizados, voltado
à regulamentação da atividade mercantil.
TÓPICO 1 | DADOS HISTÓRICOS DO DIREITO EMPRESARIAL
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Foi durante a Idade Média, contudo, que o comércio já atingira um nível
mais avançado, e já era uma característica de praticamente todos os povos. É neste
período da história que se costuma apontar o surgimento do Direito Comercial,
juntamente com o renascimento das cidades (burgos) e, principalmente, do
comércio marítimo. Surgem as chamadas Corporações de Ofício, que logo
assumiram relevante papel na sociedade da época, conseguindo obter, inclusive,
uma certa autonomia em relação à nobreza feudal.
Esta primeira fase do Direito Comercial compreende os usos e
costumes mercantis, observados na disciplina das relações jurídico-comerciais.
E na elaboração deste direito não havia ainda nenhuma participação do Estado.
Cada corporação tinha seus próprios usos e costumes, e os aplicava através de
cônsules, que eram os magistrados escolhidos/eleitos pelos próprios associados
para reger as relações entre os seus membros. Daí por que alguns autores usam
a expressão “codifi cação privada” do Direito Comercial.
FONTE: Adaptado de: <http://conhecendodireitos.blogspot.com.br/2011/11/direito-comercial-
-ou-direito.html>. Acesso em: 18 fev. 2013.
IMPORTANT
E
Ainda sobre a primeira fase do Direito Comercial, Requião (2003, p. 10-11)
esclarece:
É nessa fase histórica que começa a se cristalizar o Direito Comercial,
deduzido das regras corporativas e, sobretudo, dos assentos
jurisprudenciais das decisões dos cônsules, juízes designados
pela corporação para, em seu âmbito, dirimirem as disputas entre
comerciantes. Diante da precariedade do direito comum para
assegurar e garantir as relações comerciais, fora do formalismo que o
direito romano remanescente impunha, foi necessário, de fato, que os
comerciantes organizados criassem entre si um direito costumeiro,
aplicado internamente na corporação por juízes eleitos pelas suas
assembleias: era o juízo consular, ao qual tanto deve a sistematização
das regras do mercado.
Outra característica marcante desta fase inicial do Direito Comercial é
o seu caráter subjetivista, ou seja, era o direito dos membros das corporações.
Comentando o assunto, Coelho (2003, p.13) assim se manifesta: “Resultante da
autonomia corporativa, o Direito Comercial de então se caracteriza pelo acento
subjetivo e somente se aplica aos comerciantes associados à corporação. [...]
Adota-se, assim, um critério subjetivo para defi nir seu âmbito de incidência”.
UNIDADE 1 | DIREITO EMPRESARIAL
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Desse modo, era necessário que uma das partes de determinada relação
fosse comerciante para que fosse a mesma disciplinada pelo Direito Comercial -
ius mercatorum -, em detrimento dos demais direitos.
As fontes do ius mercatorum eram os estatutos das corporações
mercantis, o costume mercantil e a jurisprudência da cúria dos
mercadores. [...] O costume nascia da constante prática contratual dos
comerciantes: as modalidades consideradas vantajosas convertiam-
se em direito; as cláusulas contratuais transformavam-se,uma
vez generalizadas, no conteúdo legal dos contratos. Por último, os
comerciantes designados pela corporação compunham os tribunais
que decidiam as controvérsias comerciais. (GALGANO, 1990, p. 40).
Sobre o ius mercatorum, Galgano (1990, p. 39) muito bem destaca:
O ius mercatorum nasce, portanto, como um direito diretamente criado
pela classe mercantil, sem a mediação da sociedade política; nasce
como um direito imposto em nome de uma classe, e não em nome
da comunidade no seu conjunto. É imposto aos eclesiásticos, aos
nobres, aos militares, aos estrangeiros. Pressuposto da sua aplicação é
o mero fato de se haverem estabelecido relações com um comerciante.
Por fi m, é interessante notar a revolução que o Direito Comercial, nesta
fase, provocou na doutrina contratualista, rompendo com a teoria contratual,
até o momento disciplinada pelo direito romano. Isto ocorreu em Roma, com
os ideais de segurança e estabilidade da classe dominante, atrelando o contrato
ao instituto da propriedade. O contrato era apenas um instrumento através do
qual se adquiria ou se transferia a propriedade de uma coisa.
FONTE: Adaptado de: <pt.scribd.com/.../Andre-Luiz-Santa-Cruz-Ramos-Direito-Empresarial-
-...>.Acesso em: 18 fev. 2013.
Esta concepção de estabilidade das relações jurídicas pelo contrato, inerente
ao direito romano, obviamente, entrava em choque com os ideais da classe mercantil
em ascensão, que tinha preferência oposta, ou seja, pela mudança, pela instabilidade,
ganhando espaço o princípio da liberdade na forma de celebração dos contratos.
DICAS
Estimado (a) acadêmico(a)!
Após tanta informação, para descansarmos um pouco, convido-o(a) para assistir a um fi lme
chamado “O Mercador de Veneza”, lançado no ano de 2004 e estrelado pelo ator Al Pacino.
Este está baseado numa peça de William Shakespeare que foi escrita entre os anos de 1594
e 1597 e retrata muito bem a primeira fase do Direito Comercial.
Vale a pena ver!
TÓPICO 1 | DADOS HISTÓRICOS DO DIREITO EMPRESARIAL
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Com o fim do período medieval, surgem no cenário geopolítico mundial os
grandes Estados Nacionais Monárquicos que, representados na figura do monarca
absoluto, vão submeter os seus súditos, incluindo a classe dos comerciantes, a um
direito posto através do controle estatal das relações comerciais, que outrora eram
reguladas por parte dos próprios mercadores, através das corporações de ofício
e seus juízos consulares.
Tal assim foi que, em 1804 e 1808, respectivamente, foram editados na França
o Código Civil e o Código Comercial, inaugurando assim a segunda fase do Direito
Comercial, marcado por um sistema jurídico estatal destinado a disciplinar as
relações jurídico-comerciais.
2.1 A CODIFICAÇÃO NAPOLEÔNICA E A TEORIA DOS
ATOS DE COMÉRCIO
IMPORTANT
E
Prezado(a) acadêmico(a)!
Sobre este período da história do comércio, Galgano (1990, p. 43) relata que: “A classe
mercantil deixa de ser artífice do seu próprio direito. O Direito Comercial experimenta uma
dupla transformação: o que foi direito de classe transforma-se em direito do Estado; o que
foi direito universal converte-se em direito nacional”.
A codificação napoleônica divide claramente o direito privado: de um
lado, o Direito Civil, regido pelo Código Civil, um corpo de leis que atendia aos
interesses da burguesia fundiária, pois estava centrado no direito de propriedade;
e de outro, o Direito Comercial, regulado pelo Código Comercial, que seguia o
espírito da burguesia comercial e industrial, valorizando a riqueza mobiliária.
A divisão do direito privado em duas grandes partes cria a necessidade de
estabelecimento de um critério que delimitasse a incidência de cada uma destas
legislações nas diversas relações ocorridas no dia a dia dos cidadãos. Para tanto,
criou-se a Teoria dos Atos de Comércio, que tinha como atribuição principal
aplicar as normas do Código Comercial a quem praticasse os denominados “atos
de comércio”.
Por outro lado, não envolvendo a relação jurídica à prática destes atos,
seria ela regida então pelas normas do Código Civil.
UNIDADE 1 | DIREITO EMPRESARIAL
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DICAS
Caro(a) acadêmico(a)! Como sugestão de leitura, para maior
aprofundamento do tema convido à leitura da obra:
COELHO, Fábio Ulhoa. Manual de direito comercial. 14. ed. São Paulo:
Saraiva, 2003.
A partir da página 7, o autor retrata de modo claro e sucinto essas
mudanças ocorridas no Direito Comercial, no início do século XIX, na
França, o que acabou originando a divisão do direito privado em dois
códigos: o Código Civil e o Código Comercial (Code de Commerce).
Contudo, o sistema francês passou a apresentar deficiências, uma vez
que trazia dificuldades ao intérprete da lei, ao avaliar a aplicabilidade do Direito
Comercial ou do Direito Civil no caso concreto, até pela própria ausência de uma
definição satisfatória do que são atos de comércio.
A demais, outras atividades econômicas, tão importantes quanto o comércio,
não se encontravam na enumeração legal dos atos de comércio. Algumas delas
desenvolveram-se posteriormente, como, por exemplo, a prestação de serviços.
Há ainda outras delas, como bem atesta Coelho (2003, p. 15-16):
A exclusão da negociação de imóveis do âmbito de incidência do Direito
Comercial pelo Code de Commerce - que não se reproduz em outras
legislações adeptas da Teoria dos Atos de Comércio, a exemplo do
código italiano de 1882, é, por vezes, relacionada a um caráter sacro de
que se revestiria a propriedade imobiliária ou pela tardia distinção entre
circulação física e econômica dos bens. Porém, esta exclusão só pode ser
satisfatoriamente explicada à luz de considerações políticas e históricas,
ou seja, a partir da necessidade de a burguesia francesa preservar a sua
identidade na luta contra o feudalismo.
Outro problema detectado na época, em virtude da aplicação da Teoria
dos Atos de Comércio, referia-se aos chamados atos mistos, ou seja, aqueles
que eram comerciais para apenas uma das partes (na venda de produtos aos
consumidores, por exemplo, o ato era comercial para o comerciante vendedor
e civil para o consumidor adquirente). Nestes casos, aplicavam-se as normas
do Código Comercial para a solução de eventual litígio. Por esta razão, alguns
estudiosos denunciaram o retorno ao corporativismo do direito mercantil, como
na época de vigência das chamadas corporações de ofício, fazendo o cidadão se
submeter às normas distintas em razão, simplesmente, da qualidade da pessoa
com quem contratava.
TÓPICO 1 | DADOS HISTÓRICOS DO DIREITO EMPRESARIAL
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Apesar da existência de tais críticas, a teoria francesa dos atos de comércio
foi adotada por quase todas as codificações mercantis modernas, inclusive a do
Brasil, através do Código Comercial de 1850.
Contudo, em virtude do modelo francês não abranger atividades
econômicas tão ou mais importantes que o comércio de bens, tais como: a
prestação de serviços, a agricultura, a pecuária e a negociação imobiliária. Tal
fato fez surgir um novo critério, mais de cem anos após a edição dos códigos
napoleônicos e em plena Segunda Guerra Mundial.
2.2 O CÓDIGO CIVIL ITALIANO DE 1942 E A TEORIA DA
EMPRESA
Em 1942, a Itália editou um novo Código Civil, trazendo um novo sistema
delimitador da incidência do regime jurídico comercial: a teoria da empresa.
Além disso, o Código Civil Italiano promoveu uma unificação formal do
direito privado, disciplinando, em uma única lei, as relações civis e comerciais.
O Direito Comercial entrou, assim, na sua terceira fase, passando a adotar o
conceito da empresarialidade.
Na teoria da empresa, o Direito Comercialnão se limita a regular apenas
as relações jurídicas em que ocorra a prática de um determinado ato definido em
lei como ato de comércio, ou com alguns atos, mas com uma forma específica de
exercer uma atividade econômica: a forma empresarial.
Vejamos ainda o ensinamento de Bulgarelli (2000, p. 19): “Nos dias
que correm, transmudou-se (o Direito Comercial) de mero regulador dos
comerciantes e dos atos de comércio, passando a atender à atividade sob a forma
de empresa, que é o atual fulcro do Direito Comercial”.
Assim, restou superada a dificuldade existente na teoria francesa,
passando a teoria da empresa a enquadrar qualquer atividade econômica, desde
que exercida profissionalmente e destinada a produzir ou fazer circular bens ou
serviços.
2.3 O DIREITO COMERCIAL NO BRASIL
No Brasil Colônia, o Direito Comercial Brasileiro estava intrinsecamente
ligado ao Direito Português. Foi somente em 18 de agosto de 1769, através da
edição da Lei da Boa Razão, que foi permitida a aplicação de leis e normas de
nações cristãs para resolver litígios de natureza mercantil.
Assim, ao longo da história brasileira, o ramo do Direito Empresarial já
recebeu três diferentes denominações:
UNIDADE 1 | DIREITO EMPRESARIAL
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1- Direito Mercantil: sendo o primeiro nome usado a partir de 1553, quando
surgiu a primeira obra sobre o assunto, através dos jesuítas.
2 - Direito Comercial: foi o segundo, adotado a partir da publicação da Lei nº 556,
de 25 de junho de 1850, qual seja, o Código Comercial Brasileiro.
3 - Direito Empresarial: seu nome atual, que passou a ser empregado mediante
a publicação da Lei nº 10.406, em 10 de janeiro de 2002, o atual Código Civil,
que revogou a Primeira Parte (Arts. 1º a 456) do Código Comercial.
Assim, o Código Civil de 2002 unifica parcialmente o Direito Comum e o
Direito Comercial, da mesma forma que o Código Civil Italiano, trazendo em seu
âmago o denominado “Direito de Empresa”.
Quanto à denominação no Brasil, de uma forma bem resumida podemos
afirmar que, ao longo da história, o Direito Empresarial já recebeu três diferentes
denominações:
FIGURA 1 - DENOMINAÇÕES DO DIREITO COMERCIAL
FONTE: O autor
2ª - Direito
Comercial
(1850 – com
a entrada em
vigor do Código
Comercial).
1ª - Direito
Mercantil
(1553 – primeira
obra sobre a
matéria – Padres
Jesuítas).
3ª - Direito Empresarial
Nomenclatura atual, desde
2002, com a publicação do
Código Civil, que revogou
o Livro I do Código
Comercial
TÓPICO 1 | DADOS HISTÓRICOS DO DIREITO EMPRESARIAL
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FIGURA 1 - DENOMINAÇÕES DO DIREITO COMERCIAL
FONTE: O autor
LEITURA COMPLEMENTAR
DIREITO EMPRESARIAL
Luiz Braz Mazzafera
Pela primeira vez, de certa feita, dois seres humanos trocaram bens entre
si. Nessa primeira troca, observam-se claramente dois aspectos: um social e outro
econômico. O aspecto social decorre da utilização mútua dos objetos permutados,
e o econômico, o primeiro passo dado no sentido de fazer circular riquezas. Da
generalização desse hábito de permutar bens nasceu a economia de troca ou
escambo.
Nos primórdios da fundação de Roma, cidade que virá a tornar-se um dos
grandes centros do poder e da cultura da humanidade, o comércio era proibido
aos cidadãos. Já ao tempo de Numa, os comerciantes se uniam em corporações,
embora a agricultura continuasse a ser considerada profissão honrosa do cidadão
romano.
A evolução impôs, por final, o conceito Commercium est emendi
vendedique invicem jus (o comércio é o direito de comprar e vender mutuamente).
O desenvolvimento do comércio deveu-se inequivocamente ao surgimento
da moeda, porque, com seu uso, as riquezas começaram a circular muito mais
rapidamente e o transporte de moedas é muito mais simples e prático do que
transportar mercadorias para troca.
Nasceu, assim, a economia de mercado, e com ela a figura do comerciante,
que se coloca entre o produtor e o consumidor, ou seja, torna-se aquele que
compra e vende mercadorias e de cujas diferenças de valores atinge seu objetivo:
o lucro.
A palavra comércio tem sua origem no latim, composta de cum (preposição)
e de merx (substantivo), de onde, comércio, comerciar, comercial e comerciante.
A economia de mercado referida, cada vez mais ágil e dinâmica, passa
a exigir proteção àqueles que dela participavam. Surgem, então, as regras,
obrigações, direitos e penalidades e, como seria natural, o Direito Comercial.
Com todo este lastro histórico, chegamos à Idade Média, quando, então, o
Direito Comercial floresce, notadamente na Itália. A maioria dos autores acorda
que nesta época se encontram os primórdios, as origens reais, dos títulos de
crédito, quando, em face dos riscos decorrentes dos roubos durante o transporte
de dinheiro e de outros valores, surge a necessidade da transferência desse
encargo a terceiros.
UNIDADE 1 | DIREITO EMPRESARIAL
12
Significa isso a troca (câmbio) de dinheiro presente (pecúnia proesenti),
no ato, com dinheiro ausente, futuro (pecúnia absenti) e, nessa troca de valor
presente com o valor futuro, era essencial a existência de uma distância entre
os locais da entrega e do recebimento (distancia loci). Sem esta distância, que
necessariamente implicava risco, o câmbio era considerado um empréstimo
usurário e, como tal, condenado pelas leis eclesiásticas.
Em 1808 começa a vigorar o Código de Napoleão e, posterior a ele, firma-se
o Liberalismo Econômico, segundo o qual até pessoas não comerciantes podiam
responder judicialmente por atos de comércio.
Finalmente, vamos nos referir ao que já é uma aceitação unânime, ou seja,
não mais falar-se em Direito Comercial e sim em Direito Empresarial, denominação
muito mais abrangente, uma verdadeira imposição de nosso tempo.
Exige-se, hoje, a inclusão, entre as atribuições decorrentes do exercício
do comércio e da indústria, de obrigações pertinentes às leis do trabalho, da
previdência social, da saúde do transporte, do seguro, etc.
Fala-se, então, no Direito Empresarial, o qual abrange as disciplinas de
Direito Comercial, de Direito Tributário, de Direito Previdenciário, estendendo-se
até parte do Direito Civil, notadamente no capítulo dos contratos e da insolvência
civil.
No sistema em que se vive, sistema capitalista, a parte central da atividade
econômica é ocupada pela empresa, e nela fulgura o empresário, cujo objetivo
principal é o lucro. Com este lucro, o empresário faz reaplicações e reinvestimentos
geradores de mais empregos, mais arrecadação de impostos, maior e melhor
consumo através da livre concorrência, resultando isto tudo, como consequência,
na melhoria de vida da população.
Em resumo, o verdadeiro empresário é um decisivo fator de progresso
e bem-estar social, cabendo-lhe, ainda, o inteiro risco por todas as iniciativas
tomadas. Aliás, saliente-se, o risco lhe é inerente, pois que, nas atividades
comerciais e industriais, é o empresário o único cidadão contemplado com a
falência.
Dentro desta concepção, mercê, portanto, ao verdadeiro empresário, todo
respeito pelo patriótico trabalho que desempenha.
FONTE: MAZZAFERA, Luiz Braz. Notas introdutórias do Capítulo I. In: Curso Básico de Direito
Empresarial. Bauru: EDIPRO, 2003.
13
Nestetópico você viu que:
• O Direito Empresarial de hoje, na forma adotada pelo Direito brasileiro, é
originado de uma evolução histórica, marcada por três fases:
• A primeira fase atingiu o seu auge na Idade Média, com o surgimento
do D ireito Comercial, juntamente com o renascimento das cidades e
principalmente do comércio marítimo, quando surgiram as chamadas
Corporações de Ofício.
• A segunda fase, tendo como marco inicial os anos de 1804 e 1808, quando,
respectivamente, foram editados na França o Código Civil e o Código Comercial,
um sistema jurídico estatal destinado a disciplinar as relações jurídico-
comerciais.
• A terceira fase, que iniciou em 1942, na Itália, com a edição de um novo
Código Civil, trazendo a teoria da empresa, unindo formalmente o direito
privado, disciplinando, em uma única lei, as relações civis e comerciais.
RESUMO DO TÓPICO 1
14
Considerando a Leitura Complementar ao final deste tópico, respondam em
grupo às seguintes questões:
1 Explique os aspectos social e econômico das primeiras trocas de objetos.
2 Como nasceu a economia de mercado?
3 Por que se diz que o desenvolvimento do comércio deveu-se inequivocamente
ao surgimento da moeda?
4 O que poderá ser apontado atualmente como o foco da atividade econômica?
5 Aponte o principal objetivo da atividade do empresário.
6 Explique a afirmação do autor de que “o verdadeiro empresário é um
decisivo fator de progresso e bem-estar social”.
AUTOATIVIDADE
15
TÓPICO 2
CONCEITO DE DIREITO EMPRESARIAL E EMPRESÁRIO
UNIDADE 1
1 INTRODUÇÃO
Com a publicação do Código Civil Brasileiro em 2002, não mais se utiliza
a denominação “Direito Comercial”, mas sim “Direito Empresarial”. Neste
tópico estudaremos o conceito deste importante ramo do Direito Civil e também
as condições necessárias para ser empresário.
Também serão analisadas neste tópico as quatro condições para
caracterizar o empresário, as quais são:
• O exercício de atividade econômica.
• Atividade organizada.
• Profissionalismo
• A finalidade do lucro.
Vamos em frente?
2 CONCEITO DE DIREITO EMPRESARIAL
O Direito Empresarial é um ramo do Direito Privado que “disciplina sobre
a vida do empresário e das empresas, com nova estrutura aos diversos tipos de
sociedades empresariais contidas no novo Código Civil”. (OLIVEIRA, 2003, p.
111).
Assim, o Direito Empresarial é um ramo do Direito Privado que consiste
de um conjunto de normas referentes à pessoa do empresário, seja ele individual
ou coletivo, disciplinando sua atividade, economicamente organizada para a
produção ou circulação de bens ou de serviços, de forma a atender ao mercado
consumidor.
3 O EMPRESÁRIO
Como o Direito Empresarial é relativo à pessoa do empresário,
abordaremos a seguir os principais aspectos a ela relacionados e relevantes para
melhor estudo do Direito Empresarial.
UNIDADE 1 | DIREITO EMPRESARIAL
16
3.1 CONCEITO DE EMPRESÁRIO
Na nova modalidade legislativa adotada pelo Direito brasileiro, sempre
que alguém explora atividade econômica privada para habitual exercício da
produção ou circulação de bens ou de serviços, é considerado um empresário.
Este exerce sua atividade através do estabelecimento comercial ou industrial, do
qual é o titular e no qual se encontram os bens para o seu comércio ou para sua
indústria.
Contudo, para o empresário exercer sua atividade é preciso um mínimo
de organização dos fatores da produção de bens ou de serviços para o mercado
em geral.
IMPORTANT
E
Vejamos o conceito dado pelo Artigo 966 do Código Civil Brasileiro: “Considera-
se empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a
produção ou circulação de bens ou de serviços”.
Em decorrência do conceito dado pelo código civilista, são identificadas
quatro condições para caracterizar o empresário:
1. Exercício de atividade econômica: consiste na geração de riqueza através
da produção e circulação de bens ou serviços. A sua função essencial é a de
produzir bens ou serviços para atender ao mercado de consumo.
2. Atividade organizada: o empresário é aquele que organiza a empresa,
articulando os três fatores da produção: capital, trabalho e tecnologia. Neste
entendimento, considera-se que alguém dirige e ordena o trabalho próprio
ou de terceiras pessoas e organiza bens de capital, que também podem ser
próprios ou de terceiros, para exercer determinada atividade econômica.
3. Profissionalismo: é o exercício da atividade econômica de forma habitual, de
forma pessoal ou por sua conta, com o objetivo de lucro. Pessoas que agem em
nome do empresário são apenas seus prepostos ou auxiliares.
TÓPICO 2 | CONCEITO DE DIREITO EMPRESARIAL E EMPRESÁRIO
17
4. Finalidade do lucro: a fi nalidade do lucro é o quarto elemento do conceito
de empresário. O Código Civil menciona apenas atividade econômica, sem
referir-se expressamente ao objeto lucrativo. No entanto, interpretando-
se sistematicamente o Código Civil, verifi ca-se que a atividade econômica
signifi ca, na realidade, atividade com fi m lucrativo.
FONTE: Adaptado de: <www.cursomarcato.com.br/admin/mod.../oempresrionocdigocivil.do...>.
Acesso em: 19 fev. 2013.
Portanto, o empresário é aquele que exerce profi ssionalmente atividade
econômica organizada, através do estabelecimento empresarial, para o efetivo
exercício da produção ou circulação de bens ou de serviços. Ou seja, é o titular
da empresa, que possui a iniciativa da sua criação e que a dirige, correndo o risco
inerente à atividade empresarial.
FIGURA 2 - CONDIÇÕES PARA CARACTERIZAÇÃO DO EMPRESÁRIO
FONTE: O autor (2012), com base na legislação.
Condições para
caracterização do
empresário
Profi ssionalismo
Finalidade do
lucro
Atividade
organizada
Exercício de
atividade
econômica
Do conceito de empresário são excluídos aqueles que exercem profi ssão
intelectual, de natureza científi ca, literária ou artística, ainda com o auxílio de
colaboradores, salvo se o exercício da profi ssão constituir elemento de empresa,
conforme determina o parágrafo único do art. 966, a saber:
Parágrafo único. Não se considera empresário quem exerce profi ssão
intelectual, de natureza científi ca, literária ou artística, ainda com o concurso de
auxiliares ou colaboradores, salvo se o exercício da profi ssão constituir elemento
de empresa.
Desta forma, o legislador estabelece que os que exercem atividade
econômica de natureza intelectual não são considerados empresários, como, por
exemplo, os profi ssionais liberais.
UNIDADE 1 | DIREITO EMPRESARIAL
18
3.2 REQUISITOS PARA A CARACTERIZAÇÃO DO
EMPRESÁRIO
Além do exercício da atividade econômica organizada, do profissionalismo
e do fato de visar ao lucro, há o requisito da inscrição do empresário no Registro
Público de Empresas Mercantis, a cargo das Juntas Comerciais, o qual o próprio
Código Civil determina a observância desta regra.
IMPORTANT
E
Vejamos o art. 967 do Código Civil: É obrigatória a inscrição do empresário no
Registro Público de Empresas Mercantis da respectiva sede, antes do início de sua atividade.
Essa inscrição concede o uso exclusivo do nome nos limites do respectivo
Estado ou do próprio Distrito Federal, conforme determina o art. 1.166 do CC: A
inscrição do empresário, ou dos atos constitutivos das pessoas, ou as respectivas
averbações, no registro próprio, asseguram o uso exclusivo do nome nos limites
do respectivo Estado.
Assim, antes deiniciar a atividade empresarial, é obrigatória a inscrição,
que é feita na sede do órgão responsável pela inscrição, notadamente no Estado
onde está a sede da empresa, mediante requerimento que contenha:
1. o seu nome, nacionalidade, domicílio, estado civil e, se casado, o regime de
bens;
2. a firma, com a respectiva assinatura;
3. o capital;
4. o objeto e a sede da empresa.
O artigo 971 do Código Civil garante tratamento favorecido, diferenciado
e simplificado ao empresário rural e ao pequeno empresário (art. 971 do CC).
Por sua vez, o empresário individual que deseja abrir uma filial, sucursal
ou agência em outro Estado da Federação ou no Distrito Federal, deverá também,
primeiramente, providenciar a averbação no respectivo Registro Público de
Empresas Mercantis daquela jurisdição.
TÓPICO 2 | CONCEITO DE DIREITO EMPRESARIAL E EMPRESÁRIO
19
UNI
É o que determina o artigo 969 do Código Civil e seu parágrafo único:
O empresário que instituir sucursal, filial ou agência, em lugar sujeito à jurisdição de outro
Registro Público de Empresas Mercantis, neste deverá também inscrevê-la, com a prova da
inscrição originária.
Parágrafo único: Em qualquer caso, a constituição do estabelecimento secundário deverá
ser averbada no Registro Público de Empresas Mercantis da respectiva sede. (BRASIL, 2013).
Agora que você já entendeu as condições para que alguém seja considerado
empresário, vamos conhecer as espécies de empresário que existem em nosso
ordenamento: empresário individual e empresários reunidos na forma de
sociedade de pessoas, a qual denominamos de sociedade empresária.
3.3 TIPOS DE EMPRESÁRIO
No Direito Empresarial Brasileiro há dois tipos de empresários:
1 Empresário Individual.
2 Empresário na forma de sociedade de pessoas (sociedade empresária).
Como mencionamos acima, no Direito Empresarial Brasileiro há dois tipos de
empresários:
O empresário individual: que é representado pela pessoa física, através
de seu nome civil, completo ou abreviado. Quando for uma pessoa física, o
empresário deverá ter plena capacidade civil e estar legalmente livre para praticar
atividades empresariais.
O segundo tipo de empresário é o organizado na forma de sociedade de
pessoas (sociedade empresária). Quando se tratar de uma sociedade de pessoas,
os atos empresariais serão praticados em nome da pessoa jurídica.
Vejamos cada um destes tipos, em separado.
UNIDADE 1 | DIREITO EMPRESARIAL
20
3.4 EMPRESÁRIO INDIVIDUAL
Como visto, o empresário é a pessoa que organiza uma atividade
econômica a fi m de produzir ou fazer circular bens ou serviços. Contudo, tal
exercício realizado na pessoa física, de forma única e exclusiva, recebe o nome de
“individual”.
Portanto, o empresário individual é a própria pessoa física, que utiliza o
seu próprio nome no exercício de sua atividade empresarial.
IMPORTANT
E
É o que determina o art. 1.156 do Código Civil:
O empresário opera sob fi rma constituída por seu nome completo
ou abreviado, aditando-lhe, se quiser, designação mais precisa da sua
pessoa ou do gênero de atividade. (BRASIL, 2013).
Por outro lado, “fi rma” é o nome que este empresário adota para ser
conhecido na sua atividade empresarial. Em consequência, a fi rma individual
utilizada pela pessoa física em seu estabelecimento empresarial não pode ser
diferente da forma de seu nome civil.
Portanto, denomina-se o empresário individual a pessoa física capaz,
que atua em seu próprio nome civil, abreviado ou completo e que explora
com habitualidade (profi ssionalmente) atividade econômica organizada para a
produção de bens ou de serviços, tendo como objetivo o lucro.
Contudo, a lei não considera empresário individual quem exerce
profi ssão intelectual, de natureza científi ca, literária ou artística, ainda que com
o auxílio de colaboradores, salvo se o exercício da profi ssão constituir elemento
de empresa.
FONTE: Adaptado de: <http://www.univercidade.br/cursos/graduacao/direito/pdf/sumulasde-
aulas/TEORIA_GERAL_DO_DIREITO_CIVIL.pdf>. Acesso em: 19 fev. 2013.
Ou seja, se esses profi ssionais constituírem uma sociedade, uma empresa
para explorar sua atividade, como no caso de sociedade de advogados, de médicos,
de engenheiros, de contadores, passam a ser considerados também empresários.
TÓPICO 2 | CONCEITO DE DIREITO EMPRESARIAL E EMPRESÁRIO
21
3.4.1 Composição de firma individual
O já mencionado artigo 1.156 do Código Civil permite ao empresário
individual o uso de seu nome civil, completo ou abreviado, e, se desejar, a adição de
determinado qualificativo que melhor o identifique, ou que realce sua atividade.
Assim, a firma, o nome pelo qual o empresário passa a ser conhecido,
será sempre o próprio nome civil do titular da empresa, podendo adotar o nome
abreviado, mas mantendo o sobrenome. Portanto, um empresário que se chama
José dos Anzóis poderá ter como firma José dos Anzóis ou J. Anzóis. Esse nome
poderá, ainda, ser acrescido de uma palavra capaz de identificar a si próprio ou
a sua atividade, especialmente nos casos em que já existir cadastrado na Junta
Comercial um nome empresarial idêntico.
Se, por exemplo, o empresário for um indivíduo magro, poderá adotar a
firma J. Anzóis, o magrela. Mas se for atividade de açougue, poderá utilizar na
firma o nome J. Anzóis, o açougueiro.
IMPORTANT
E
O próprio parágrafo único do art. 1.163 do Código Civil determina que o nome
de empresário individual deve ser distinto de qualquer outro já inscrito no mesmo registro:
“Se o empresário tiver nome idêntico ao de outros já inscritos, deverá acrescentar designação
que o distinga”. (BRASIL, 2013).
3.4.2 Da capacidade para a atividade de empresário
individual
Para iniciar a exploração de atividade empresarial, a capacidade da pessoa
é condição essencial para que o negócio jurídico seja válido. Se praticado por
pessoa incapaz civilmente, não será juridicamente válido.
IMPORTANT
E
Assim dispõe o Art. 972 do C.C.: “Podem exercer atividade de empresário os que
estiverem em pleno gozo da capacidade civil e não forem legalmente impedidos”. (BRASIL,
2013).a
UNIDADE 1 | DIREITO EMPRESARIAL
22
3.4.3 Requisitos para o exercício da atividade de
empresário individual
De acordo com o artigo anteriormente citado, são dois os requisitos para
o exercício da atividade empresarial:
1. Capacidade para o exercício da profissão.
2. Não estar legalmente impedido de exercer sua atividade.
Neste sentido, podem ser empresários aquelas pessoas que estiverem
no pleno gozo da capacidade civil, que são os maiores de 18 anos. Em resumo:
atualmente, os maiores de 18 anos de idade, que não forem legalmente impedidos,
podem ser empresários individuais.
Como a atividade empresarial implica a prática de negócios jurídicos, é
fundamental que quem os realize esteja em pleno gozo da capacidade civil. As
pessoas têm capacidade plena com 18 anos completos e os emancipados.
Não têm capacidade civil os absolutamente e os relativamente incapazes,
nos termos da legislação civil.
3.4.3.1 Absolutamente incapazes
O art. 3º do C.C. enumera os absolutamente incapazes:
São absolutamente incapazes de exercer pessoalmente os atos da vida
civil:
I – Os menores de dezesseis anos.
II – Os que, por enfermidade ou deficiência mental, não tiverem o
necessário discernimento para a prática desses atos.
III – Os que, mesmo por causa transitória, não puderem exprimir sua
vontade. (BRASIL, 2013).
Por conseguinte, a lei civil não admite que o absolutamente incapaz exerça
atividade empresarial. Contudo, há exceções à regra dada pelo artigo 974 do
Código Civil:
Poderá, o incapaz, por meio de representanteou devidamente assistido,
continuar a empresa antes exercida por ele enquanto capaz, por seus pais ou pelo
autor de herança. (BRASIL, 2013).
Continua o artigo em seu parágrafo 1º:
TÓPICO 2 | CONCEITO DE DIREITO EMPRESARIAL E EMPRESÁRIO
23
Nos casos deste artigo, procederá autorização judicial após exame das
circunstâncias e dos riscos da empresa, bem como da conveniência em
continuá-la, podendo a autorização ser revogada pelo juiz, ouvidos os
pais, tutores ou representantes legais do menor ou do interdito, sem
prejuízo dos direitos adquiridos por terceiros. (BRASIL, 2013).
Assim, o exercício empresarial pelo incapaz, mesmo sua continuidade da
atividade antes exercida por ele mesmo, quando era capaz, poderá ser realizado
quando autorizado por ordem judicial, com a assistência de seus pais, pelo autor
da herança ou por representante legal.
Contudo, ficam protegidos dos riscos da atividade empresarial os bens
que o incapaz já possuía ao tempo da sucessão ou da interdição, nos termos do
artigo 974, parágrafo 2º do Código Civil.
3.4.3.2 Relativamente incapazes
O art. 4.º do Código Civil enumera os relativamente incapazes:
São incapazes, relativamente a certos atos, ou à maneira de exercê-los:
I – os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos;
II – os ébrios habituais, os viciados em tóxicos, e os que, por deficiência
mental, tenham o discernimento reduzido;
III – os excepcionais, sem desenvolvimento mental completo;
IV – os pródigos. (BRASIL, 2013).
As considerações descritas em relação ao absolutamente incapaz valem
também para o relativamente incapaz.
3.4.3.3 Emancipação
Antes de completar 18 anos de idade, pode o menor tornar-se plenamente
capaz. É o que se verifica por meio da emancipação, conforme determina o artigo
5º do Código Civil, em seu parágrafo único:
Cessará, para os menores, a incapacidade:
I – pela concessão dos pais, ou de um deles na falta do outro, mediante
instrumento público, independentemente de homologação judicial, ou
por sentença do juiz, ouvido o tutor, se o menor tiver dezesseis anos
completos;
II – pelo casamento;
III – pelo exercício de emprego público efetivo;
UNIDADE 1 | DIREITO EMPRESARIAL
24
IV – pela colação de grau em curso de ensino superior;
V – pelo estabelecimento civil ou comercial, ou pela existência de
relação de emprego, desde que, em função deles, o menor com dezesseis
anos completos tenha economia própria. (BRASIL, 2013).
O emancipado continua menor, mas se torna capaz para o exercício da
atividade empresarial. Evidentemente, se o menor se estabelecer sem economia
própria, necessitará da autorização paterna ou materna para obter a emancipação.
3.4.3.4 Dos impedimentos ao exercício da atividade
empresarial
O Direito Brasileiro enumera as pessoas impedidas de exercer atividades
de empresário individual, embora sejam elas capazes. Eis algumas:
1 Os funcionários públicos, estaduais e municipais.
2 O Presidente da República.
3 O governador do Estado.
4 O prefeito.
5 Os magistrados vitalícios e membros do Ministério Público.
6 Os falidos (enquanto não forem legalmente reabilitados, tendo sido declaradas
extintas todas as suas obrigações).
7 Os médicos, na exploração de farmácia.
IMPORTANT
E
O Código Civil, no seu art. 973, trata do assunto abordado:
A pessoa legalmente impedida de exercer atividade própria de empresário, se a exercer,
responderá pelas obrigações contraídas. (BRASIL, 2013).
Os magistrados, quais sejam, os juízes, desembargadores e ministros dos
tribunais superiores, não podem exercer a atividade de empresário ou participar
de sociedade empresária, inclusive de economia mista, exceto como acionista ou
cotista. Não podem, no entanto, exercer cargo de direção, tais como gerentes,
diretores, nem serem membros de Conselho Fiscal.
TÓPICO 2 | CONCEITO DE DIREITO EMPRESARIAL E EMPRESÁRIO
25
Já os médicos são proibidos de exercer a profi ssão com interação
ou dependência de farmácia, indústria farmacêutica, óptica ou qualquer
organização destinada à fabricação, manipulação, promoção ou comercialização
de produtos de prescrição médica, qualquer que seja sua natureza. Também não
podem os médicos exercer simultaneamente a Medicina e a Farmácia, tal como
determina a Resolução do Conselho Federal de Medicina nº 1.931/2009.
Já os médicos são proibidos de exercer a profi ssão com interação
ou dependência de farmácia, indústria farmacêutica, óptica ou qualquer
organização destinada à fabricação, manipulação, promoção ou comercialização
de produtos de prescrição médica, qualquer que seja sua natureza. Também não
podem os médicos exercer simultaneamente a Medicina e a Farmácia, tal como
determina a Resolução do Conselho Federal de Medicina nº 1.931/2009.
FONTE: Disponível em: <www.portalmedico.org.br/notasdespachos/CFM/2012/1_2012.pdf>.
Acesso em: 19 fev. 2013.
Os funcionários públicos não podem exercer individualmente a atividade
empresarial, mas podem ser acionistas, cotistas ou comanditários, não podendo,
em hipótese alguma, assumir a gerência ou a administração de uma sociedade.
A desobediência a essa proibição da Lei nº 1.711, de 1952, art. 195, incisos VI e VII,
não invalida os atos praticados, mas sujeita os infratores a penas administrativas,
tais como sua demissão.
3.4.3.5 Responsabilidade do empresário individual
Conforme decisões dos tribunais, em empresas individuais a
responsabilidade por obrigações contraídas recai sobre os patrimônios
individuais dos respectivos titulares.
IMPORTANT
E
Vejamos a decisão do Superior Tribunal de Justiça no Acórdão proferido no
Recurso Especial nº 227393/PR (DJ 29/11/1999):
Tratando-se de fi rma individual, há identifi cação entre empresa e pessoa
física, posto não constituir pessoa jurídica, não existindo distinção para
efeito de responsabilidade entre a empresa e seu único sócio.
Tratando-se de empresário individual, não é possível separar sua fi rma de
sua pessoa civil, para fi ns de responsabilidade patrimonial.
Contudo, com a edição da Lei n◦ 12.441/2011, passou a ser permitida a
criação da Empresa Individual de Responsabilidade Limitada (EIRELI), a qual
autoriza a uma única pessoa física ser titular de todo o capital, devidamente
integralizado.
UNIDADE 1 | DIREITO EMPRESARIAL
26
Esse capital não poderá ser inferior a cem vezes o valor do maior salário
mínimo vigente no país, sendo que a quantia deve estar disponível em dinheiro,
bens ou direitos.
A nova modalidade jurídica restringe a responsabilidade do empresário
individual ao capital da empresa, não comprometendo a totalidade de seu
patrimônio pessoal.
3.4.3.6 Perda da qualidade de empresário individual
Em várias situações pode cessar a qualidade de empresário singular:
1 Pela morte.
2 Pela desistência voluntária ou abandono da profissão.
3 Pela falência.
A morte, além de simbolizar o fim da vida da pessoa humana, para fins
de direito também causa a extinção do empresário individual, tendo em vista que
não pode haver a transferência de sua qualidade para seus herdeiros.
Por sua vez, a desistência voluntária ou abandono da profissão é causa
de extinção da qualidade de empresário individual, justamente porque a
própria pessoa física do empresário é a força motriz que impulsiona a atividade
empresarial.
Por fim, a falência é uma das formas de extinção, a qual será objeto de
estudo no final desta unidade, precisamente no Tópico 6.
27
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico, a respeito do Direito Empresarial,você viu que:
Com o advento do Novo Código Civil brasileiro, não se fala mais em “Direito
Comercial”, mas, sim, em “Direito Empresarial”, sendo este um conjunto de
normas referentes à pessoa do empresário, seja ele individual ou coletivo.
Para que a pessoa possa ser empresário, deve possuir capacidade civil e não
estar legalmente impedida. Além do mais, a fim de caracterizar o empresário,
há a necessidade de preenchimento de quatro condições básicas, tais como: o
exercício de atividade econômica, atividade organizada, o profissionalismo e a
finalidade lucratividade.
28
Para melhor fixação do que estudamos neste tópico, classifique V para as
sentenças verdadeiras e F para as falsas:
( ) Para ser empresário, não é necessária a inscrição na Junta Comercial.
( ) Existem limitações ao exercício da atividade empresarial.
( ) A firma é o nome pelo qual o empresário individual será conhecido.
( ) O patrimônio do empresário individual não responde por dívidas da
empresa.
( ) Uma das condições para a caracterização do empresário é o profissionalismo.
( ) O lucro é o principal objetivo da atividade empresarial.
( ) A morte do empresário individual não significa a perda de sua qualidade de
empresário individual.
( ) O empresário individual poderá acrescentar à sua firma uma designação,
caso já exista firma igual registrada.
( ) Para que uma pessoa possa ser empresária, ela deve ter capacidade civil e
não estar legalmente impedida de exercer esta atividade.
( ) O juiz de Direito pode ser empresário.
( ) A firma deve coincidir com o nome civil do empresário individual.
( ) No requerimento a ser encaminhado à Junta Comercial para o registro
da firma individual não é necessário estar apontado o valor do capital da
empresa.
Agora, assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
a) ( ) F – F – F – F – V – V – F – V – V – F – V – F .
b) ( ) F – V – F – V – F – F – F – V – V – F – V – F.
c) ( ) V – V – V – V – F – F – F – F – F – V - F – F .
d) ( ) F – F –F – F – V – V – V – F – F – F – V – V.
AUTOATIVIDADE
29
TÓPICO 3
DA SOCIEDADE EMPRESÁRIA
UNIDADE 1
1 INTRODUÇÃO
Este tópico é dedicado às sociedades empresariais, que nascem do esforço
de várias pessoas em nome de um objetivo comum, o lucro. Iniciaremos pelo
conceito legal deste tipo de sociedade.
Também estudaremos como são celebrados os contratos de sociedade e os
requisitos do contrato social, assim como o requisito essencial para que ganhe a
personalidade jurídica.
Vamos aos estudos!
2 CONCEITO
Sobre as sociedades empresariais, determina o artigo 981 do Código Civil:
Celebram contrato de sociedade as pessoas que, reciprocamente, se
obrigam a contribuir com bens ou serviços para o exercício de atividade
econômica e a partilha, entre si, dos resultados. (BRASIL, 2013).
Da leitura deste dispositivo legal podemos afirmar que uma sociedade
empresarial se forma quando duas ou mais pessoas se reúnem com o propósito
de combinarem esforços e bens, objetivando repartir entre si os proveitos obtidos.
Para alcançarem seus objetivos, exercem atividade de natureza econômica,
voltada para a produção e circulação de bens ou para a prestação de serviços.
Para uma sociedade ganhar personalidade jurídica é necessária a
inscrição de seu contrato ou estatuto social (ato constitutivo) no registro que lhe
é peculiar.
Todas as sociedades que possuem seu ato constitutivo inscrito no órgão
competente são reconhecidas pelo ordenamento jurídico como sujeitos de direito e
equiparadas às pessoas físicas.
3 CONSTITUIÇÃO DE UMA SOCIEDADE
Uma sociedade, na forma empresarial ou simples, é constituída mediante
contrato social.
30
UNIDADE 1 | DIREITO EMPRESARIAL
IMPORTANT
E
Prezado(a) acadêmico(a)! Segundo o artigo 997 do Código Civil:
“A sociedade constitui-se mediante contrato escrito, particular ou público. [...]”. (BRASIL,
2013).
O contrato social, por sua vez, deve conter, necessariamente, as seguintes
cláusulas:
I – nome, nacionalidade, estado civil, profissão e residência dos sócios,
se pessoas naturais, e a firma ou denominação, nacionalidade e sede
dos sócios, se jurídicas;
II – denominação, objeto, sede e prazo da sociedade;
III – capital da sociedade, expresso em moeda corrente, podendo
compreender qualquer espécie de bens, suscetíveis de avaliação
pecuniária;
IV – quota de cada sócio no capital social, e o modo de realizá-la;
V – prestações a que se obriga o sócio cuja contribuição consista em
serviços;
VI – pessoas naturais incumbidas da administração da sociedade, bem
como seus poderes e atribuições;
VII – a participação de cada sócio nos lucros e nas perdas;
VIII – se os sócios respondem, ou não, subsidiariamente, pelas
obrigações sociais.
(BRASIL, 2013).
A sociedade somente adquire personalidade jurídica (sujeito de direitos)
quando seu contrato social estiver arquivado nos registros próprios.
4 DISTINÇÃO ENTRE SOCIEDADE E ASSOCIAÇÃO
Uma sociedade empresária é formada por duas ou mais pessoas, que se
comprometem a juntar capital ou trabalho para a realização de um fim lucrativo.
Seu objetivo é, portanto, econômico. Por outro lado, a lei prevê também a
sociedade sem fins lucrativos ou econômicos. São as chamadas associações.
TÓPICO 3 | DA SOCIEDADE EMPRESÁRIA
31
IMPORTANT
E
Conforme o artigo 53 do Código Civil:
Constituem-se as associações pela união de pessoas que se organizem para fins não
econômicos. (BRASIL, 2013).
Mesmo não tendo finalidade lucrativa, nada impede que uma associação
de caráter cultural, ou altruísta, mantenha uma atividade econômica apenas para
sobreviver.
A questão está na destinação dos lucros, ou seja, na associação os lucros
são destinados à consecução dos objetivos ideais dos associados. Na sociedade
empresária, por sua vez, os lucros são repartidos entre os sócios.
A sociedade, assim como a associação, tem início com a inscrição dos
seus atos constitutivos no órgão correspondente.
5 SOCIEDADES NÃO PERSONIFICADAS
Aquelas sociedades que não possuem seu contrato inscrito (depositado) no
Registro Público competente são chamadas de não personificadas. São exemplos:
as sociedades em comum ou por conta de participação que, por consequência,
não são pessoas jurídicas.
Essa publicidade decorrente da sua inscrição no órgão competente é para
que terceiros tomem conhecimento de sua existência, do grau de responsabilidade
dos sócios e do conteúdo do seu contrato social.
IMPORTANT
E
Por isso, o art. 987 do Código Civil determina: “Os sócios, nas relações entre
si ou com terceiros, somente por escrito podem provar a existência da sociedade, mas os
terceiros podem prová-la de qualquer modo”. (BRASIL, 2013).
32
UNIDADE 1 | DIREITO EMPRESARIAL
Além disso, as sociedades não personificadas estão impossibilitadas de
participar de licitações, nas modalidades de concorrência pública (Lei nº 8.666/93).
E mais: não é permitido a ela contratar com o poder público (CF, art.195, & 3º),
abrir conta bancária, ter patrimônio em seu nome etc.
5.1 ESPÉCIES DE SOCIEDADES NÃO PERSONIFICADAS
São duas as espécies de sociedades não personalizadas:
● Sociedade em comum: é a sociedade irregular ou de fato, cuja principal
consequência de sua existência é a responsabilidade ilimitada das pessoas
físicas/jurídicas dos sócios pelas obrigações sociais, sendo que os bens e dívidas
sociais constituem patrimônio especial, do qual os sócios são titulares em
comum. Além do mais, todos os sócios respondem solidária e ilimitadamente
pelas obrigações sociais.
● Sociedade em contade participação: numa sociedade em conta de participação,
conforme artigo 990 do Código Civil, sua constituição independe de qualquer
formalidade e pode provar-se por todos os meios de direito, sem contar que o
contrato social produz efeito somente entre os sócios e a eventual inscrição de seu
instrumento em qualquer registro não confere personalidade jurídica à sociedade.
A sociedade em conta de participação constitui-se de duas ou mais pessoas,
uma delas, necessariamente, em cujo nome girarão os negócios, também denominada
de sócio ostensivo, que aparece perante terceiros como empresário. O outro sócio é
o oculto, que não aparece nem trata com terceiros. Toda a responsabilidade pelos
negócios é do sócio ostensivo.
IMPORTANT
E
Como determina o artigo 991 do Código Civil: na sociedade em conta de
participação, a atividade constitutiva do objeto social é exercida unicamente pelo sócio
ostensivo, em seu nome individual e sob sua própria e exclusiva responsabilidade, participando
os demais dos resultados correspondentes.
(BRASIL, 2013).
“A falência do sócio ostensivo acarreta a dissolução da sociedade e
a liquidação da respectiva conta, cujo saldo constituirá crédito quirografário”.
(BRASIL, 2013).
TÓPICO 3 | DA SOCIEDADE EMPRESÁRIA
33
6 SOCIEDADES PERSONIFICADAS
O surgimento das primeiras sociedades foi em decorrência da evolução
histórica do empresário individual, tendo em vista a necessidade do agrupamento
de comerciantes com a finalidade de enfrentar a concorrência.
Com a evolução dos conceitos, as sociedades passaram também a adquirir
personalidade jurídica, pelo registro do seu ato constitutivo (contrato social) no
órgão público competente, sendo, portanto, um sujeito de direito.
As sociedades que possuem seu ato constitutivo devidamente inscrito
no órgão competente são chamadas de sociedades personificadas.
Há duas espécies de sociedades personificadas:
1 A sociedade simples.
2 A sociedade empresária.
6.1 SOCIEDADE SIMPLES
O art. 982 do Código Civil Brasileiro faz a delimitação entre as sociedades
empresárias e as sociedades simples: salvo as exceções expressas, considera-se
empresária a sociedade que tem por objetivo o exercício de atividade própria
de empresário sujeita a registro (art. 967); e, simples, as demais. (BRASIL, 2013).
Portando, a sociedade empresária é a pessoa jurídica que exerce,
profissionalmente, atividade econômica organizada para a produção ou circulação
de bens ou de serviços. Porém, deve, antes do início de sua atividade, ter
obrigatoriamente inscrito seus atos constitutivos no Registro Público competente.
Já as sociedades simples não são estruturadas empresarialmente e
decorrem das antigas sociedades civis que visam ao lucro.
Sobre as sociedades simples, assim explica Fiúza (2004, p. 888):
A sociedade simples é aquela constituída para o exercício de atividades
que não sejam estritamente empresariais, como ocorre nos casos das
atividades rurais, educacionais, médicas ou hospitalares, de exercício
de profissões liberais nas áreas de engenharia, arquitetura, ciências
contábeis, consultoria, auditoria, pesquisa científica, artes, esportes e
serviço social.
Inclusive, de acordo com o que determina o artigo 1150 do Código Civil,
o registro da sociedade simples é efetuado em lugar diverso das sociedades
empresariais. Ou seja, perante o Registro Civil das Pessoas Jurídicas:
34
UNIDADE 1 | DIREITO EMPRESARIAL
O empresário e a sociedade empresária vinculam-se ao Registro
Público de Empresas Mercantis, a cargo das Juntas Comerciais, e a
sociedade simples ao Registro Civil das Pessoas Jurídicas, o qual
deverá obedecer às normas fixadas para aquele registro, se a sociedade
simples adotar um dos tipos de sociedade empresária. (BRASIL, 2013).
É importante salientar que também são exemplos de sociedades simples as
cooperativas, conforme determina o artigo 982 do Código Civil.
6.2 SOCIEDADE EMPRESÁRIA
Sociedade empresária é a pessoa jurídica que exerce, profissionalmente,
atividade econômica organizada para a produção ou circulação de bens ou de
serviços.
Há vários tipos de sociedade empresária a serem escolhidos pelos sócios,
dentro de suas adequações e objetivos.
1 Da sociedade em nome coletivo.
2 Da sociedade em comandita simples.
3 Da sociedade limitada.
4 Da sociedade anônima.
5 Da sociedade em comandita por ações.
Veja a figura a seguir.
TÓPICO 3 | DA SOCIEDADE EMPRESÁRIA
35
FIGURA 3 - TIPOS DE SOCIEDADES EMPRESARIAIS
FONTE: O autor
Sociedade em
comandita por
ações
Sociedade em
comandita
simples
Sociedade
em nome
coletivo
Sociedade anônima
Sociedade
limitada
Sociedades
empresárias
6.3 CLASSIFICAÇÃO DAS SOCIEDADES QUANTO À
RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS
Quanto ao critério da classificação dos sócios em face à sua responsabilidade
perante a sociedade empresária, estas recebem a seguinte classificação:
• Sociedade ilimitada: quando os sócios respondem ilimitadamente pelas
obrigações sociais. Significa que, se o patrimônio social não for suficiente para
o pagamento dos credores da sociedade, o saldo poderá ser exigido dos sócios,
nos seus patrimônios particulares.
• Sociedade mista: é aquela em que uma parte dos sócios tem responsabilidade
limitada e outra tem responsabilidade ilimitada.
• Sociedade limitada: t odos os sócios têm responsabilidade limitada ao
capital social integralizado na sociedade, não respondendo com seus
patrimônios particulares pelas obrigações sociais.
Estes tipos de sociedade, quanto à responsabilidade dos sócios, podem
ser assim subdivididas:
1 Sociedade Ilimitada: sociedade em nome coletivo.
2 Sociedade Mista: a) sociedade em comandita simples.
b) sociedade em comandita por ações.
36
UNIDADE 1 | DIREITO EMPRESARIAL
3 Sociedade Limitada: a) Sociedade limitada.
b) Sociedade anônima.
IMPORTANT
E
Dentre essas sociedades, são importantes apenas: a sociedade limitada, em
primeiro plano, e a sociedade anônima, em segundo. Conforme observa Borba (1997, p. 62):
As demais praticamente inexistem, pois, envolvendo a responsabilidade
ilimitada de todos ou de alguns sócios, perderam a preferência do meio
comercial. [...] Assim, as que existiam foram transformadas, e novas não
se constituíram. Restam pouquíssimas, sendo sempre citada, como
exemplo remanescente de sociedade em nome coletivo, “Klabin Irmãos
& Cia”, mantida como tal por apreço à tradição.
6.4 SOCIEDADE EM NOME COLETIVO
A sociedade em nome coletivo é o tipo societário em que todos os sócios
têm obrigações ilimitadas, respondendo particularmente com seus bens pelos
compromissos sociais. Porém, é importante frisar que esta responsabilidade é
subsidiária, uma vez que os bens pessoais dos sócios somente serão utilizados para
pagamento de dívidas quando inexistirem bens suficientes da própria sociedade.
UNI
É o que diz o art. 1.024 do Código Civil: “Os bens particulares dos sócios não
podem ser executados por dívidas da sociedade, senão depois de executados os bens
sociais”. (BRASIL, 2013).
Além do mais, somente pessoas físicas podem tomar parte na sociedade
em nome coletivo.
6.5 SOCIEDADE EM COMANDITA SIMPLES
Numa sociedade em comandita simples há duas categorias de sócios: os
comanditados, que são pessoas físicas, responsáveis solidária e ilimitadamente
com seus patrimônios particulares pelas obrigações sociais, de forma subsidiária;
e os comanditários,obrigados somente pelo valor de suas quotas, devendo o
contrato social discriminar a qual categoria os sócios pertencem.
TÓPICO 3 | DA SOCIEDADE EMPRESÁRIA
37
Os sócios comanditados são os administradores da sociedade e somente
eles podem usar a firma ou a razão social, integrando inclusive o seu nome na firma
da sociedade. Desse modo, a firma ou a razão social será composta do nome, por
extenso ou abreviadamente, de um, alguns ou de todos os sócios comanditados.
Ao sócio comanditário, por sua vez, é vedado utilizar o seu nome na
razão social ou até mesmo praticar qualquer ato de gestão interna ou externa da
sociedade, sob pena deste assumir responsabilidade solidária e ilimitada.
UNI
Os comanditários limitam-se ao direito de fiscalizar os negócios sociais. Diz o
art. 1021 do C.C.: Salvo estipulação que determine época própria, o sócio pode, a qualquer
tempo, examinar os livros e documentos, e o estado da caixa e da carteira da sociedade.
(BRASIL, 2013).
6.6 SOCIEDADE EM COMANDITA POR AÇÕES
De acordo com o artigo 1.090 do Código Civil: A sociedade em comandita
por ações tem o capital dividido por ações, regendo-se pelas normas relativas à
sociedade anônima, sem prejuízo das modificações constantes deste Capítulo, e
opera sob firma ou denominação. (BRASIL, 2013).
Neste tipo de sociedade há duas categorias de sócios:
a) Diretores: que têm responsabilidade subsidiária e ilimitada pelas obrigações
sociais.
b) Acionistas: que respondem apenas pelo valor das ações subscritas ou adquiridas.
Portanto, a sociedade possui sócios de responsabilidade limitada e de
responsabilidade ilimitada.
A sociedade em comandita por ações pode, em lugar de firma, adotar
denominações designativas do objeto social, aditada da expressão “comandita
por ações”. Esta sociedade não tem conselho de administração, mas precisa ter
assembleia geral e conselho fiscal.
38
UNIDADE 1 | DIREITO EMPRESARIAL
Por fi m, a assembleia geral não pode, sem o consentimento dos
diretores, mudar o objeto essencial da sociedade, prorrogar-lhe o prazo de
duração, aumentar ou diminuir o capital social, criar debêntures ou partes
benefi ciárias.
FONTE: Disponível em: <www.procon.sp.gov.br/texto.asp?id=671>. Acesso em: 26 fev. 2013.
6.7 DA SOCIEDADE COOPERATIVA
As sociedades cooperativas são criadas para a prestação de serviços aos
seus associados, sendo esta sua característica básica.
Bulgarelli (2000, p. 34) afi rma sobre o propósito básico da cooperativa o
seguinte:
Encontra-se e se exprime na formação de uma empresa comum,
formada pelos que têm as mesmas necessidades, empresa, essa,
capaz de atendê-los proporcionalmente. [...] Sociologicamente (a
cooperativa), adotou como fundamento a lei da cooperação, e não a
da concorrência; economicamente, tem como fi nalidade a melhoria das
condições econômicas através da criação de uma empresa de interesse
comum, destinada a prestar serviços a seus associados, afastando os
intermediários, que encarecem indevidamente os custos.
Atua, assim, a cooperativa no mercado, eliminando intermediários
e obtendo, em razão disto, maiores vantagens patrimoniais. É próprio destas
sociedades realizarem negócios, embora em seu nome, para o sócio, a quem irão
defl uir os resultados positivos, chamados de “sobras”.
FONTE: Disponível em: <www.jusbrasil.com.br/.../djsp-judicial-1a-instancia-capital-04-07-201...>.
Acesso em: 26 fev. 2013.
Em apoio a este entendimento, explica Ricardo Mariz de Oliveira (1996,
p. 65) que “(as cooperativas) existem para trabalhar por seus associados, e, por
isto mesmo, os lucros que são gerados por seu intermédio não lhes pertencem,
nem originalmente, porque originalmente eles já se destinam aos que atuam em
atividades econômicas de forma cooperada”.
Desta feita, a Lei nº 5.764, de 16.11.1971, que é a lei federal que trata
especialmente das sociedades cooperativas, adotou os princípios doutrinários
do cooperativismo, aprovados em 1966, pelo Congresso de Viena. Ou seja,
adesão livre, gestão democrática, retorno dos excedentes aos associados
proporcionalmente às operações realizadas junto à cooperativa, juros limitados
sobre o capital e desenvolvimento da educação cooperativa.
Reconheceu, outrossim, o princípio da cooperação e a fi nalidade não
lucrativa da sociedade.
TÓPICO 3 | DA SOCIEDADE EMPRESÁRIA
39
FONTE: Disponível em: <www.procon.sp.gov.br/texto.asp?id=671>. Acesso em: 26 fev. 2013.
O capital é ilimitado e variável, em conformidade com o número de
associados que entrem ou saiam. Há impossibilidade do ingresso na cooperativa
de quem opere no mesmo campo econômico (art. 29, § 4º da Lei Cooperativista).
O retorno das sobras na proporção às operações realizadas (o que
implica rigoroso controle dessas operações), a igualdade de direitos entre
os associados (arts. 37, 38, § 3º e 42) e a impossibilidade de distribuição
de qualquer espécie de benefício às quotas-partes do capital, ou estabelecer
outras vantagens ou privilégios, fi nanceiros ou não, em favor de quaisquer
associados ou terceiros, impossibilita que se utilize a cooperativa como fachada
para evasão fi scal.
FONTE: Adaptado de: <https://www.plenum.com.br/plenum_jp/lpext.dll/.../14bb?...>. Acesso em:
26 fev. 2013.
O retorno das sobras líquidas é atribuído, em proporção, às operações
que o associado tiver efetuado com a sociedade e não em função do valor ou
quantidade das quotas que possuir. Isto quer dizer que, como regra, o produto
econômico do trabalho dos associados a eles retorna (deduzidos, por exemplo,
os custos da cooperativa).
FONTE: Disponível em: <www.iob.com.br/bibliotecadigitalderevistas/bdr.dll?f...>. Acesso em: 26
fev. 2013
Aqui temos importante aspecto a diferenciar as cooperativas de outras
sociedades que costumam remunerar os sócios, de acordo com sua participação
no capital. Por isso é que o associado não passa a usufruir de qualquer vantagem
diretamente pelo fato de possuir quotas-partes. Estas servem, basicamente, para
injetar capital social que possibilite o funcionamento da cooperativa. O associado
não passa a exercer qualquer outro direito pelo fato de ser quotista.
6.8 DA SOCIEDADE LIMITADA
A sociedade limitada surgiu tendo como garantia aos sócios a não afetação
de seu patrimônio particular pelas dívidas da sociedade, salvo se o sócio praticou
ato com excesso de poderes ou infração da lei, do contrato social ou estatutos.
A lei exige que os sócios-quotistas apenas integralizem o capital social.
É o que determina o art. 1.052 do Código Civil: Na sociedade limitada, a
responsabilidade de cada sócio é restrita ao valor de suas quotas, mas todos
respondem solidariamente pela integralização do capital social. (BRASIL, 2013).
Assim, uma vez integralizado o capital social, cessa a responsabilidade
dos sócios, e os seus bens particulares não respondem pelas obrigações sociais.
40
UNIDADE 1 | DIREITO EMPRESARIAL
Contudo, se não houver a integralização do total do capital social, previsto
no contrato social, a responsabilidade entre os sócios será solidária até que seja
completado o montante do capital que falta, mesmo que um deles já tenha
completado a sua parte no capital.
6.8.1 Constituição da sociedade
A sociedade poderá ser constituída através de instrumento particular
ou por instrumento público, sendo que em qualquer hipótese será inscrito
(depositado) no “registro público competente”, dentro dos 30 dias subsequentes
à sua constituição.
No caso do socioquotista não integralizar a sua parte no capital social,
os outros sóciospodem tomá-la para si ou transferi-la a terceiros, excluindo o
primitivo titular e devolvendo-lhe o que houver pago, deduzidos os juros de
mora, as prestações estabelecidas no contrato e as despesas.
6.8.2 Formação do seu nome social
A sociedade pode adotar tanto firma social ou denominação. Ambas devem
sempre ser seguidas da palavra Limitada, que pode ser usada abreviadamente:
Ltda. (C.C., art. 1.158). A omissão da palavra Limitada determina a responsabilidade
solidária e ilimitada.
a) Firma ou razão social: conforme o § 1º do art. 1.158 do Código Civil: A firma
será composta com o nome de um ou mais sócios, desde que pessoas físicas, de
modo indicativo da relação social. (BRASIL, 2013).
Deverá ser acrescida da palavra LTDA, ou Limitada. Sempre que se
omitir o nome de pelo menos um deles, acrescentam-se as palavras & Cia. Ltda.
Por exemplo, se José dos Anzóis e Ambrósio de Abreu constituem uma sociedade
limitada, esta poderá ter como nome empresarial: José dos Anzóis & Cia. Ltda.,
ou Anzóis & Abreu Ltda.
Caso ocorra o falecimento, exclusão ou retirada do sócio que emprestou
seu nome para a formação do nome social, deverá ser procedida uma alteração do
contrato social. Uma vez que, de acordo com o art. 1.165 do Código Civil: o nome
de sócio que vier a falecer, for excluído ou se retirar, não pode ser conservado
na firma social. (BRASIL, 2013).
b) Denominação: pode ser composta por uma expressão fantasia, sendo permitido
nela figurar o nome de um ou mais sócios. Deve designar o objeto da sociedade.
Seu nome deve sempre ser acrescido da palavra limitada. Por exemplo: Anzóis
Oficina Mecânica Ltda.
TÓPICO 3 | DA SOCIEDADE EMPRESÁRIA
41
6.8.3 Da administração
O contrato social deve determinar quem possui os poderes de
representação da sociedade, ou seja, o administrador. Terceiros, não sócios,
podem ser administradores da sociedade, como acontece nas sociedades
anônimas, desde que o contrato permita e haja a aprovação unânime dos sócios.
IMPORTANT
E
Dispõe o art. 1.061 do Código Civil que:
se o contrato permitir administradores não sócios, a designação deles
dependerá da aprovação da unanimidade dos sócios, enquanto o
capital não estiver integralizado, e de dois terços, no mínimo, após a
integralização. (BRASIL, 2013).
Importante salientar que, havendo excesso de mandato ou atos praticados
com violação do contrato ou da lei, o sócio-gerente responde, perante a
sociedade e perante terceiros, limitadamente, com os seus bens particulares.
6.8.4 Das quotas e sua transferência
Numa sociedade limitada, o capital social divide-se em: quotas, iguais ou
desiguais, cabendo uma ou diversas a cada sócio.
Em caso de omissão do contrato, segundo o artigo 1.057 do Código Civil
Brasileiro, um dos sócios pode ceder suas quotas a terceiros, sem a anuência dos
demais sócios, desde que não haja oposição de titulares de mais de um quarto do
capital social.
6.8.5 Conselho fiscal
O contrato social ou o estatuto social pode instituir conselho fiscal composto
de três ou mais membros e respectivos suplentes, sócios ou não, residentes no
país, eleitos na assembleia anual. Os sócios minoritários que representarem um
quinto do capital social poderão indicar pelo menos um membro do conselho
fiscal.
A função deste órgão social, além daquelas estipuladas no próprio
contrato social, é a de fiscalizar a atuação dos administradores da sociedade,
exigindo destes a prestação de informações, além do exame de livros e papéis da
sociedade.
42
UNIDADE 1 | DIREITO EMPRESARIAL
6.9 DA SOCIEDADE ANÔNIMA
As sociedades anônimas ou companhias são uma espécie de sociedade
empresarial, reguladas por lei especial, qual seja, a Lei nº 6.404/1976. São
formadas, a maior parte das vezes, com o objetivo de realização de grandes
empreendimentos e que necessitam do emprego de elevado valor para a
formação de seu capital social, o que geralmente necessita da participação de
muitas pessoas, os chamados acionistas.
ESTUDOS FU
TUROS
Prezado(a) acadêmico(a)! Tendo em vista a grande importância que o tema
Sociedade Anônima possui no Direito Eempresarial, vamos abordá-lo com profundidade no
Tópico 4.
43
RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tópico apresentamos conceitos de sociedades não
personificadas e personificadas.
• Aprendemos que as sociedades não personificadas são aquelas que não
possuem seus atos constitutivos (contrato social) depositados (inscritos) no
registro público competente. Temos como exemplos as sociedades em comum
ou por conta de participação, que, por consequência, não são pessoas jurídicas.
• Por sua vez, as sociedades personificadas são aquelas que estão legalmente
constituídas. São exemplos: a sociedade em nome coletivo, a sociedade em
comandita simples, a sociedade limitada, a sociedade anônima, a sociedade
em comandita por ações e as sociedades cooperativas.
44
Responda às questões:
1 Sobre a Sociedade Empresária, assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) Celebram contrato de sociedade as pessoas que reciprocamente se
obrigam a contribuir com bens ou serviços para o exercício de atividade
econômica e a partilha entre si dos resultados.
b) ( ) Celebram contrato de sociedade somente as pessoas físicas.
c) ( ) Numa sociedade empresária de responsabilidade ilimitada, o capital
social é dividido em ações.
d) ( ) A sociedade empresária é formada por uma pessoa, que se compromete
a juntar capital ou trabalho para a realização de um fim lucrativo.
2 Sobre as Sociedades Empresariais, assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) Aquelas sociedades que não possuem seu contrato inscrito (registrado
e arquivado) no registro público competente são chamadas de não
personificadas.
b) ( ) A sociedade anônima é a sociedade irregular ou de fato, cuja principal
consequência de sua existência é a responsabilidade ilimitada das pessoas
físicas/jurídicas dos sócios pelas obrigações sociais, sendo que os bens
e dívidas sociais constituem patrimônio especial do qual os sócios são
titulares em comum. Além do mais, todos os sócios respondem solidária e
ilimitadamente pelas obrigações sociais.
c) ( ) Numa sociedade em comandita por ações, sua constituição independe
de qualquer formalidade e pode provar-se por todos os meios de direito,
sem contar que o contrato social produz efeito somente entre os sócios, e
a eventual inscrição de seu instrumento em qualquer registro não confere
personalidade jurídica à sociedade.
d) ( ) As sociedades anônimas não são estruturadas empresarialmente, e
decorrem das antigas sociedades civis que visam ao lucro.
3 Quanto ao critério da classificação dos sócios em face da sua responsabilidade
perante a sociedade empresária, assinale as alternativas CORRETAS:
a) ( ) Sociedade mista: todos os sócios têm responsabilidade limitada ao
capital social integralizado na sociedade, não respondendo com seus
patrimônios particulares pelas obrigações sociais.
b) ( ) Sociedade ilimitada: quando os sócios respondem ilimitadamente pelas
obrigações sociais. Significa que, se o patrimônio social não for suficiente
para o pagamento dos credores da sociedade, o saldo poderá ser exigido
dos sócios, nos seus patrimônios particulares.
AUTOATIVIDADE
45
c) ( ) Sociedade mista: é aquela em que parte dos sócios tem responsabilidade
limitada e outra tem responsabilidade ilimitada.
d) ( ) Sociedade limitada: todos os sócios têm responsabilidade limitada ao
capital social integralizado na sociedade, não respondendo com seus
patrimônios particulares pelas obrigações sociais.
4 Com relaçãoàs regras que disciplinam a situação do socioquotista da
sociedade limitada, assinale a alternativa CORRETA.
a) ( ) Todos os sócios têm responsabilidade limitada ao capital social
integralizado na sociedade, não respondendo com seus patrimônios
particulares pelas obrigações sociais.
b) ( ) As quotas podem ser integralizadas pelos sócios por valores
representados em dinheiro, bens ou prestação de serviços,
respondendo solidariamente todos os sócios pela exata estimação
dessas contribuições.
c) ( ) Mesmo sendo integralizado o capital social, a responsabilidade dos
sócios e os seus bens particulares continuam respondendo pelas obrigações
sociais.
d) ( ) As quotas representam a necessária divisão do capital social em partes
iguais, sendo as deliberações consideradas de acordo com o número de
quotas de cada sócio.
46
47
TÓPICO 4
DA SOCIEDADE ANÔNIMA
UNIDADE 1
1 INTRODUÇÃO
A sociedade anônima ou companhia é uma sociedade de capitais, regida
por um “estatuto social”. É regulada por lei especial, qual seja, a Lei nº 6.404, de
15 de dezembro de 1976, com as alterações sofridas pela Lei nº 9.457, de 5 de maio
de 1997 e Lei nº 10.303, de 31 de outubro de 2001.
O próprio Código Civil de 2002, em seu artigo 1.089, determina que a
sociedade anônima seja regida por lei especial, aplicando-se somente nos casos
omissos as disposições do código.
2 CARACTERÍSTICAS ESSENCIAIS
A sociedade anônima caracteriza-se por:
1 Divisão do capital social em ações.
2 Limitação da responsabilidade dos acionistas ao valor das ações subscritas ou
adquiridas.
3 Livre acessibilidade das ações.
2.1 DO CAPITAL SOCIAL
A sociedade anônima tem o seu capital dividido em parcelas iguais,
a que se convencionou chamar de ações, obrigando-se, cada sócio ou acionista,
somente pelo preço de emissão das ações que subscrever ou adquirir.
É importante salientar que a cessão ou transferência das ações ao novo
acionista não afeta a estrutura da sociedade. Por serem ações livremente
negociáveis (característica básica), nenhum dos acionistas pode impedir o
ingresso de quem quer que seja no quadro associativo de uma sociedade
anônima aberta. As sociedades anônimas de capital fechado já possuem outra
dinâmica.
48
UNIDADE 1 | DIREITO EMPRESARIAL
2.2 RESPONSABILIDADE DOS ACIONISTAS
Pago o valor da subscrição, termina a responsabilidade do acionista.
UNI
Lembremos que:
- Subscrição é uma promessa de compra de ações.
- Integralização é o pagamento da subscrição.
A garantia de terceiros, de credores da sociedade, estará, então, unicamente
no capital social. É por isso que a companhia é eminentemente de capital,
justamente porque vive em torno dele.
Vale salientar que, enquanto na sociedade limitada a responsabilidade do
sócio é considerada em função do valor de sua cota no capital social, na sociedade
anônima a responsabilidade não se limita ao valor de mercado das ações subscritas
ou adquiridas (cotação em bolsa de valores), mas, sim, ao preço de sua emissão.
3 OBJETO SOCIAL
A sociedade anônima tem o seu objeto social determinado no seu estatuto
social, sendo que este deve ter um fim lucrativo, desde que não seja contrário
à lei e à ordem pública. Por isso, a sociedade anônima é sempre empresária,
independentemente de seu objeto.
4 NOME EMPRESARIAL
Toda sociedade anônima deve adotar um nome sob o qual exerce
sua atividade comercial. A denominação pode conter nomes de pessoas, como o
do fundador, ou de quem tenha auxiliado para o êxito da sociedade.
UNI
Vejamos o artigo 3º da Lei nº 6.404: A sociedade será designada por
denominação acompanhada das expressões ‘companhia’ ou sociedade anônima’, expressas
por extenso ou abreviadamente, mas vedada a utilização da primeira ao final. (BRASIL, 2013).
TÓPICO 4 | DA SOCIEDADE ANÔNIMA
49
Pago o valor da subscrição, termina a responsabilidade do acionista.
Por exemplo: Casa José dos Anzóis S/A, Anzóis Cia. de Seguros ou, ainda,
Cia. Rhodia do Brasil.
A proibição do uso da palavra companhia no final da denominação visa
evitar qualquer confusão com a firma ou razão social da “sociedade em nome
coletivo”.
Por fim, a lei não permite usar ao mesmo tempo as expressões companhia e
sociedade anônima no seu nome social.
5 ESPÉCIES DE SOCIEDADE ANÔNIMA
Há duas espécies de sociedade anônima:
a) A companhia aberta.
b) A companhia fechada.
A companhia aberta é aquela que capta recursos junto ao público, tendo
seus valores mobiliários ou ações negociados em bolsa de valores.
UNI
Diz a Lei nº 6.404/76, art. 4º: Para os efeitos desta lei, a companhia é aberta
ou fechada conforme os valores mobiliários de sua emissão estejam ou não admitidos à
negociação no mercado de valores mobiliários. (BRASIL, 2013).
Contudo, para que uma sociedade anônima tenha suas ações ou valores
mobiliários de sua emissão admitidos na Bolsa de Valores ou no mercado de
valores mobiliários, é necessário que ela obtenha do Governo Federal a devida
autorização, qual seja, da Comissão de Valores Mobiliários.
A aberta ao público tem livre acessibilidade de suas ações. Tem as suas
ações negociadas no mercado de valores mobiliários, por intermédio das Bolsas
de Valores.
A fechada, por sua vez, não tem suas ações negociadas no referido mercado
de valores mobiliários, ou não as coloca à venda ao público.
50
UNIDADE 1 | DIREITO EMPRESARIAL
IMPORTANT
E
Vejamos o que determina o art. 36 da Lei nº 6.404: O estatuto da companhia
fechada pode impor limitações à circulação das ações nominativas, contanto que regule
minuciosamente tais limitações.
6 OS VALORES MOBILIÁRIOS
Há, portanto, duas espécies de sociedade anônima: a companhia aberta e
a companhia fechada. Somente a aberta é que procura captar recursos financeiros
no mercado pela emissão de papéis. Estes representam valores mobiliários. São
eles: as ações, partes beneficiárias, debêntures, ou bônus de subscrição, e as notas
promissórias.
7 AÇÕES
O capital social de uma sociedade anônima é formado pelas ações. Quem
as adquire passa a ser sócio da sociedade. O preço de emissão das ações não se
confunde com o valor nominal ou de mercado.
As ações são representadas por documentos que têm a natureza de títulos
de crédito. Como títulos de crédito, elas podem ser negociadas e transferidas,
sem que isso venha a modificar o ato constitutivo ou a organização da sociedade.
Formou-se, então, um verdadeiro mercado concernente, principalmente
às ações. É o denominado mercado de capitais ou mobiliários. Ou seja, um
mercado especial em que são realizados contratos de compra e venda de ações,
debêntures e demais valores emitidos pelas companhias, realizado geralmente por
intermédio das Bolsas de Valores, que é uma pessoa jurídica de direito privado,
constituída por diversas sociedades corretoras e que tem por objeto manter um
local de encontro adequado para os negócios de seus associados. A sua principal
finalidade é negociar os títulos emitidos pelas sociedades anônimas abertas.
8 ESPÉCIES DE AÇÕES
As ações se apresentam sob diversas categorias e, de acordo com a lei,
podem ser assim classificadas:
1 Quanto às vantagens oferecidas ao seu titular.
2 Quanto à forma de sua circulação.
TÓPICO 4 | DA SOCIEDADE ANÔNIMA
51
8.1 QUANTO ÀS VANTAGENS QUE AS AÇÕESCONFEREM
AOS SEUS TITULARES
Quanto às vantagens que as ações conferem a seus titulares, elas podem
ser de três espécies: ordinárias, preferenciais e de fruição.
8.1.1 Ações ordinárias
As ações ordinárias são aquelas que conferem ao titular os direitos de
participar nos dividendos e de participar das assembleias de uma companhia
aberta, deliberando a respeito da vida societária por intermédio de seu voto. Tem
ele, pois, o direito de votar e ser votado para eleger ou se eleger presidente, vice-
presidente, um dos diretores ou a outro cargo qualquer.
Não é demais lembrar que, em regra, cada ação dá direito a um voto. Se
o acionista for titular de 100 ações ordinárias, por exemplo, terá ele 100 votos nas
assembleias, deliberando a respeito da vida da sociedade. Vale dizer, os votos não
são tomados pelo número de pessoas, mas pelo número de ações.
8.1.2 Ações preferenciais
As ações preferenciais são aquelas que atribuem ao titular determinados
privilégios ou preferências. Esses privilégios podem, por exemplo, consistir
na prioridade, na distribuição dos lucros ou dividendos da sociedade ou no
reembolso do capital quando a sociedade tiver de ser liquidada.
As ações preferenciais podem ou não conferir o direito de voto aos
seus titulares. A ação preferencial só dará direito de voto se o estatuto assim o
dispuser. Basta a omissão no Estatuto para que cada ação corresponda a um voto.
O número de ações preferenciais sem direito a voto, ou sujeitas à restrição
no exercício desse direito, não pode ultrapassar 50% do total das ações emitidas.
É o que prescreve a Lei de Sociedade Anônima nº § 2, do art. 15. (BRASIL, 2013).
Se a sociedade prevê expressamente no estatuto o não direito de voto, o titular
das ações preferenciais poderá adquirir: o exercício desse direito se a companhia,
pelo prazo previsto no estatuto, não superior a 3 (três) exercícios consecutivos,
deixar de pagar os dividendos fixos ou mínimos a que fizerem jus, direito que
conservarão até o pagamento [...], conforme determina o § 1º do art. 111 da Lei
de Sociedade Anônima. Essa tomada de posição do nosso legislador é para evitar
abusos por parte dos administradores da sociedade.
52
UNIDADE 1 | DIREITO EMPRESARIAL
8.1.3 Ações de fruição
As ações de fruição são aquelas emitidas em substituição às ações
ordinárias ou preferenciais que tiverem sido totalmente amortizadas pela
sociedade. Melhor explicando, quando uma sociedade anônima vai entrar em
liquidação, ela antecipa aos acionistas as importâncias do valor das ações.
Uma vez pagas as importâncias das ações, em seu lugar a sociedade
poderá distribuir aos sócios outras espécies, denominadas ações de fruição, de
posse das quais os acionistas continuarão a ter os seus direitos na sociedade,
fazendo jus aos dividendos e tomando parte nas deliberações sociais se, neste
último caso, as ações substituídas lhe derem direito a voto.
Evidentemente, por ocasião da liquidação da sociedade, os acionistas
não mais receberão as importâncias correspondentes ao valor das ações. Essas já
foram pagas antecipadamente, por ocasião da amortização. Trata-se, portanto,
de uma operação excepcional.
8.2 QUANTO À FORMA DE SUA CIRCULAÇÃO
Era a classificação utilizada anteriormente à Lei nº 8.021/1990, que
extinguiu as ações ao portador e as endossáveis, criando as ações nominativas e
escriturais.
São nominativas as ações registradas em um livro da sociedade emissora,
denominado “Registro de Ações Nominativas”. Tais ações só podem ser transferidas
por meio de um termo de cessão no referido livro, ocasião em que haverá a
assinatura do cedente e do cessionário.
Portanto, as nominativas circulam mediante registro no livro próprio
da companhia, diferentemente das ações escriturais, que são representadas por
certificados.
8.3 DEBÊNTURES
Quando uma companhia necessita de empréstimo, talvez para
desenvolver-se, e não deseja um empréstimo bancário, pratica a emissão de
títulos negociáveis, as debêntures, colocando-as em circulação à disposição do
público. Quem as adquire passa a ser credor da sociedade. Caso esta deixe de
pagá-las, o credor poderá propor ação de execução com base nesse título.
Para a companhia poder negociar no mercado, as debêntures podem ter
garantia real, conter cláusula de correção monetária com base nos coeficientes
fixados para correção de título de dívida pública, participação nos lucros da
companhia, render juros fixos ou variáveis de reembolso.
TÓPICO 4 | DA SOCIEDADE ANÔNIMA
53
As debêntures podem ser convertidas em ações. Assim, há duas espécies de
debêntures: as debêntures simples e as debêntures conversíveis em ações.
9 CONSTITUIÇÃO DAS SOCIEDADES ANÔNIMAS
A sociedade anônima é constituída por dois modos diferentes:
a) Pela subscrição do capital por pessoa que deseja constituí-la, dando-se a essa
espécie de constituição de simultânea ou por subscrição particular.
b) Pela subscrição do capital do apelo ao público, havendo, neste caso, a constituição
sucessiva ou por subscrição pública.
9.1 CONSTITUIÇÃO POR SUBSCRIÇÃO PARTICULAR OU
SIMULTÂNEA
Ocorre quando dois ou mais subscritores de todo o capital social se
reúnem em assembleia de fundação, deliberam a constituição por subscrição
particular e, ao cabo da subscrição de todo o capital, dão por constituída
definitivamente a sociedade. Além da constituição por meio de assembleia geral
dos subscritores, poderá processar-se também por escritura pública.
Entretanto, para constituir-se, deve atender a três requisitos:
1 Subscrição, por pelo menos duas pessoas naturais e/ou jurídicas, de todo o
capital social fixado no estatuto da companhia.
2 Realização, como entrada, de 10%, no mínimo, do preço de emissão das ações
subscritas em dinheiro.
3 Depósito, no Banco do Brasil S/A, ou em outro estabelecimento bancário
autorizado pela CVM, da parte do capital realizado em dinheiro. Se o subscritor
entrar com bens, fica isento do depósito.
O depósito de 10% no estabelecimento bancário deverá ser feito em nome
do subscritor e a favor da sociedade em organização, que só o levantará depois
de haver adquirido personalidade jurídica.
Constituída a companhia, por deliberação da assembleia geral, a diretoria
eleita ou nomeada providenciará o arquivamento dos documentos constitutivos
(um exemplar do estatuto social, prova do depósito bancário, duplicata da ata em
que se deliberou a constituição da sociedade etc.) na Junta Comercial, para fins de
aquisição da personalidade jurídica e funcionamento regular.
54
UNIDADE 1 | DIREITO EMPRESARIAL
9.2 CONSTITUIÇÃO SUCESSIVA OU POR SUBSCRIÇÃO
PÚBLICA
Ocorre quando uma ou mais pessoas, denominadas fundadoras da
companhia, elaboram o “projeto do estatuto e o prospecto e contratam uma
financeira para servir de intermediária” no lançamento das ações na bolsa de
valores ou no mercado de balcão.
Assinado o prospecto pelos fundadores e pela financeira, faz-se, então, o
registro da constituição perante a CVM, que fará um estudo sobre a viabilidade
econômica e financeira do empreendimento, sobre o projeto do estatuto e sobre
o prospecto.
Se a CVM estiver de acordo, publica-se a oferta de subscrição das ações.
10 ACIONISTAS
O acionistaé sócio da sociedade anônima. Não o sócio que se associa a
outrem para constituir uma sociedade empresária de natureza contratual, mas
apenas o possuidor de ações integrantes do capital social da sociedade anônima.
10.1 DIREITOS DOS ACIONISTAS
No momento em que uma pessoa adquire ações de uma companhia, passa
a participar da sociedade, tendo os seguintes direitos:
• Participar dos lucros sociais.
• Participar do acervo da companhia, em caso de liquidação.
• Preferência para adquirir novas ações, quando houver aumento de capital.
• Fiscalizar a gestão dos negócios sociais, comparecendo nas assembleias.
• Votar nas deliberações sociais, desde que seja possuidor de ações que lhe
deem esse direito.
• Retirar-se da sociedade nos casos previstos em lei.
TÓPICO 4 | DA SOCIEDADE ANÔNIMA
55
10.2 O ACIONISTA CONTROLADOR
Acionista controlador é a pessoa física ou jurídica, ou um grupo de pessoas
vinculadas por acordo de voto, que tem a maioria de votos nas deliberações
da assembleia geral, podendo eleger os administradores e, assim, dirigir as
atividades sociais e orientar o funcionamento dos órgãos da companhia.
FONTE: Adaptado de: <xa.yimg.com/kq/groups/.../AULA+PODER+DE+CONTROLE.ppt>. Acesso
em: 27 fev. 2013.
10.3 DEVERES E RESPONSABILIDADES DO ACIONISTA
CONTROLADOR
Ao acionista controlador, a lei impõe deveres e responsabilidades para
com os demais acionistas da sociedade, respondendo ele pelos danos causados
por atos praticados com abuso de poder.
São modalidades de exercício abusivo de poder:
• Orientar a companhia para fi m estranho ao objeto social ou levá-la a favorecer
outra sociedade, brasileira ou estrangeira, em prejuízo da participação dos
acionistas minoritários nos lucros, no acervo da companhia ou na economia
nacional.
• Promover a liquidação de companhia próspera com o fi m de obter, para si ou
para outrem, vantagens indevidas.
• Promover alteração estatutária, emissão de valores mobiliários ou adoção
de políticas ou decisões que não tenham por fi m o interesse da companhia
e visem causar prejuízo aos acionistas minoritários, aos investidores em
valores mobiliários emitidos pela companhia.
• Eleger administrador ou fi scal que sabe inapto, moral ou tecnicamente.
• Induzir ou tentar induzir administrador ou fi scal a praticar ato ilegal.
• Contratar com a companhia, diretamente ou através de outrem, ou de
sociedade na qual tenha interesse, em condições de favorecimento.
• Aprovar ou fazer aprovar contas irregulares de administradores, para
favorecimento pessoal, ou deixar de apurar denúncia que saiba ou devesse
saber procedente.
FONTE: Adaptado de: <www.idevanlopes.com.br/.../Aula%205%20-%20Sociedades%20Estat...>.
Acesso em: 27 fev. 2013.
56
UNIDADE 1 | DIREITO EMPRESARIAL
11 ÓRGÃOS SOCIAIS
O funcionamento de uma sociedade anônima depende de sua
organização, que é composta por diversos órgãos sociais. Se for uma companhia
aberta terá:
• Assembleia geral.
• Conselho de Administração.
• Diretoria.
• Conselho Fiscal.
O Conselho de Administração é facultativo nas companhias fechadas.
12 ASSEMBLEIA GERAL
A assembleia geral é a reunião dos acionistas que deliberam sobre matéria
de interesse geral da sociedade. É um órgão deliberativo.
O art. 121 da Lei das S.A. dispõe o seguinte:
A assembleia geral, convocada e instalada de acordo com a lei e o estatuto,
tem poderes para decidir todos os negócios relativos ao objeto da companhia
e tomar as resoluções que julgar convenientes à sua defesa e desenvolvimento.
(BRASIL, 2013).
Portanto, é o órgão máximo da organização, pois tem o poder para
resolver todos os negócios relativos ao objeto da companhia.
É de competência privativa da assembleia geral:
• Reformar o estatuto social.
• Eleger ou destituir, a qualquer tempo, os administradores e fiscais da
companhia.
• Tomar, anualmente, as contas dos administradores e deliberar sobre as
demonstrações financeiras por eles apresentadas.
• Autorizar os administradores a confessar a falência e pedir concordata.
TÓPICO 4 | DA SOCIEDADE ANÔNIMA
57
12.1 Espécies de assembleias
As assembleias gerais poderão ser de duas espécies: ordinárias e
extraordinárias.
12.1.1 Assembleia geral ordinária
A assembleia geral ordinária é obrigatória uma vez ao ano e deve ser
realizada nos quatro primeiros meses após o término do exercício social, para:
• Tomar as contas dos administradores, examinar, discutir e votar as
demonstrações fi nanceiras.
• Deliberar sobre a destinação do lucro líquido do exercício e a distribuição de
dividendos.
• Eleger os administradores e os membros do conselho fi scal, quando for o caso.
• Aprovar a correção da expressão monetária do capital social. (art.167).
12.1.2 Assembleia geral extraordinária
A assembleia geral extraordinária será convocada para os fi ns
destinados no edital de convocação. Como o próprio nome diz, a assembleia
geral extraordinária é reservada a deliberações excepcionais, podendo até
aprovar ou discutir assunto da alçada da ordinária, desde que a reunião seja
fora da época legal destinada à ordinária.
12.2 PROCEDIMENTO
A convocação da assembleia geral compete, em primeiro lugar, ao
conselho de administração, se houver. Não existindo esse órgão, caberá aos
diretores.
A convocação também pode ser feita:
• Pelo conselho fi scal, quando o órgão de administração retardar a convocação
da assembleia geral ordinária por mais de um mês ou, no caso de assembleia
geral extraordinária, sempre que motivos graves ou urgentes a justifi carem.
• Por qualquer acionista, quando os administradores retardarem por mais de
sessenta dias a convocação.
58
UNIDADE 1 | DIREITO EMPRESARIAL
• Por acionistas que representem 5%, no mínimo, do capital votante, quando
os administradores não atenderem, no prazo de oito dias, ao pedido de
convocação que apresentarem devidamente fundamentado, com indicação
das matérias a serem tratadas.
• Por acionistas que representem 5%, no mínimo, do capital votante, quando
os administradores não atenderem, no prazo de oito dias, ao pedido de
convocação que apresentarem devidamente fundamentado, com indicação
das matérias a serem tratadas.
FONTE: Adaptado de: <www.camara.gov.br/.../prop_mostrarintegra;jsessionid...PL>. Acesso em:
27 fev. 2013.
Para se realizar uma assembleia, deve-se fazer a convocação por intermédio
de anúncios publicados, por três vezes no mínimo, no órgão ofi cial do Estado
ou da União, conforme o lugar da sede social, ou em outro jornal de grande
circulação editado no local da sede da companhia.
FONTE: Adaptado de: <www.conjur.com.br/.../normas_publicacoes_legais_sociedades_ano-
ni...>. Acesso em: 27 fev. 2013.
A primeira convocação na companhia aberta deverá ser feita com
quinze dias de antecedência, no mínimo, contando o prazo da publicação
do primeiro anúncio. Não se realizando a assembleia por falta de quorum, será
publicado novo anúncio. A segunda convocação com antecedência mínima
de oito dias.
FONTE: Disponível em: <www.sitesa.com.br/contabil/biblioteca/contratos/sa/53.rtf>. Acesso em:
4 mar. 2013.
Os acionistas sem direito de voto podem comparecer à assembleia geral
e discutir a matéria submetida à deliberação.
Durante o funcionamento da assembleia, as deliberações devem seguir a
disciplina prevista na“ordem do dia”, conforme consta da convocação e publicação.
Em livro próprio, será lavrada uma ata, que consiste no registro sucinto dos
acontecimentos ocorridos na reunião.
A assembleia terá um presidente e um secretário escolhidos pelos acionistas
presentes, salvo disposição do estatuto. As deliberações da assembleia geral são,
em regra, tomadas por minoria absoluta (50% mais um) de votos de acionistas
com direito a voto.
12.3 QUORUM DE INSTALAÇÃO DA ASSEMBLEIA GERAL
Ressalvadas as exceções legais, a assembleia geral instalar-se-á, em
primeira convocação, com a presença de acionistas que representem no mínimo ¼
do capital social com direito de voto. Em segunda convocação, instalar-se-á com
qualquer número, conforme determina a Lei de Sociedade Anônima, no art.125.
FONTE: Adaptado de: <www.jucemg.mg.gov.br ›... › Informações › Documentação para Regis-
tro>. Acesso em: 4 mar. 2013.
TÓPICO 4 | DA SOCIEDADE ANÔNIMA
59
13 CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO
As companhias abertas terão, obrigatoriamente, conselho de administração,
conforme determina o art. 138 da Lei de Sociedade Anônima.
O conselho de administração é um órgão de deliberação colegiado e
tem a função precípua de fixar a orientação geral dos negócios da companhia.
Compete à assembleia geral dos acionistas votantes, geralmente ao
acionista controlador, eleger ou destituir o conselho de administração; a este, por
sua vez, cabe o direito de eleger ou destituir os diretores.
13.1 COMPOSIÇÃO DO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO
Os membros do conselho de administração precisam ser obrigatoriamente
acionistas da sociedade e pessoas naturais residentes no país.
O conselho de administração será composto, no mínimo, por três membros.
O estatuto deve estabelecer o número de conselheiros. O prazo de gestão não
poderá ser superior a três anos, permitida a reeleição.
13.2 COMPETÊNCIA DO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO
Além da competência de fixar a orientação geral dos negócios sociais,
destaca-se a de fiscalizar a gestão de diretores, examinar, a qualquer tempo, os
livros e papéis da companhia, solicitar informações sobre contatos celebrados, ou
em vias de celebração, e quaisquer outros atos, de acordo com o estabelecido no
item III do art. 142.
14 DIRETORIA
A diretoria tem a função de representar a sociedade. É um órgão
executivo das deliberações da assembleia geral dos acionistas ou do conselho de
administração, conforme o caso.
Será a diretoria composta de dois ou mais diretores, conforme o estabelecido
no estatuto social. O prazo de gestão não será superior a três anos, permitida a
reeleição.
Os membros do conselho de administração, até o máximo de 1/3, poderão
ser eleitos para os cargos de diretores.
Só podem ser nomeadas para a diretoria pessoas naturais residentes no
país, podendo ser acionistas ou não da sociedade.
60
UNIDADE 1 | DIREITO EMPRESARIAL
Nas sociedades anônimas, a fi scalização dos negócios sociais é feita
através do Conselho Fiscal. É o órgão incumbido de examinar a marcha dos
negócios da companhia e de manifestar-se sobre os atos da administração. Assim,
ao menos um dos membros do conselho fi scal deverá comparecer às reuniões
da assembleia geral e responder aos pedidos de informações formulados pelos
acionistas.
Os pareceres de seus membros poderão ser apresentados e lidos na
assembleia geral dos acionistas, independentemente de publicação e ainda que a
matéria não conste da ordem do dia, de acordo com a Lei de Sociedade Anônima no
art. 164 e parágrafo único. Enfi m, a função precípua do conselho é a de fi scalizar
os atos da administração social, tanto do conselho como da diretoria.
O Conselho Fiscal será composto de, no mínimo, 3 (três) e, no máximo,
5 (cinco) membros, e suplentes em igual número, acionistas ou não, eleitos pela
assembleia geral, é o que determina o § 1º do art. 161.(BRASIL, 2013).
Na constituição do conselho fi scal serão observadas as seguintes normas:
15 CONSELHO FISCAL
• Os titulares de ações preferenciais sem direito a voto terão direito de eleger,
por votação em separado, um membro e seu respectivo suplente. Igual direito
terão os acionistas minoritários, desde que representem, em conjunto, 10%
(dez por cento) ou mais das ações com direito a voto.
FONTE: Disponível em: <www.cvm.gov.br/port/descol/respdecis.asp?File=5633-2.HTM>. Acesso
em: 4 mar. 2013.
• O acionista controlador tem o direito de eleger um membro a mais em relação
aos grupos minoritários e titulares de ações preferenciais. Assim, se o conselho
fi scal possuir cinco membros, os grupos minoritários elegem um. O grupo dos
titulares das ações preferenciais, os grupos minoritários têm o direito de eleger
um e o controlador dois.
Somente poderão fazer parte do conselho fi scal as pessoas naturais,
residentes no país, diplomadas em curso de nível superior, ou que tenham
exercido, pelo prazo mínimo de três anos, cargo de administrador de empresa
ou de conselheiro fi scal, exceto nas localidades em que não houver pessoas
habilitadas, em número sufi ciente, para o exercício da função.
61
RESUMO DO TÓPICO 4
Neste tópico apresentamos os seguintes conceitos inerentes às
sociedades anônimas:
• Aprendemos que as sociedades anônimas, ou companhias, são regidas por lei
especial, e que podem ser de capital aberto ou fechado.
• Identificamos que o capital social das companhias é constituído por ações que,
se forem de capital aberto, poderão ser negociadas no mercado mobiliário,
com a prévia autorização da Comissão de Valores Mobiliários.
• Verificamos que, para o seu funcionamento, existem vários órgãos sociais, como
a assembleia geral, conselho de administração, diretoria, conselho fiscal, todos
com responsabilidades e atribuições bem definidas por lei.
62
AUTOATIVIDADE
Responda às questões:
1 Considerando a doutrina relativa às espécies de nomes comerciais, assinale
a alternativa CORRETA:
a) ( ) Toda sociedade anônima deve adotar um nome sob o qual exerce sua
atividade comercial.
b) ( ) A omissão do termo “limitada” na denominação social não implica
necessariamente a responsabilidade solidária e ilimitada dos administradores
da firma.
c) ( ) A utilização da expressão “sociedade anônima” pode indicar a firma de
sociedade por comandita ou empresária.
d) ( ) O registro do nome comercial na Junta Comercial de um estado garante
à sociedade constituída a exclusividade da utilização internacional da
denominação registrada.
2 Sobre a Sociedade Anônima, classifique V para as sentenças verdadeiras e F
para as falsas:
( ) Nas companhias de capital fechado a responsabilidade pessoal e ilimitada
do acionista termina com o pagamento do valor da subscrição do capital
social.
( ) A cessão e transferência das ações ao novo acionista afeta a estrutura da
sociedade.
( ) As S/A são regidas legalmente e exclusivamente pelo Código Civil brasileiro.
( ) A S/A também pode ter fins não lucrativos.
Agora, assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
( ) F – F – V – F.
( ) V – F – F – F.
( ) F – V – F – F.
( ) F – F – F – V.
3 Sobre a Sociedade Anônima, classifique V para as sentenças verdadeiras e F
para as falsas:
( ) A Sociedade Anônima é uma sociedade empresária.
( ) O capital social das companhias é dividido em cotas sociais.
( ) A partir do registro do seu Estatuto Social na Junta Comercial, a sociedade
ganha personalidade jurídica.
( ) As sociedades anônimas, quanto à responsabilidade dos sócios, podem ser
limitadas ou ilimitadas.
63
Agora, assinale a alternativa queapresenta a sequência CORRETA:
( ) V – F – V – F.
( ) F – F – V – V.
( ) V – V – F – F .
( ) V – F – F – V.
4 Sobre a Sociedade Anônima, classifique V para as sentenças verdadeiras e F
para as falsas:
( ) As Sociedades Anônimas são classificadas em duas espécies: abertas ou
fechadas.
( ) As S/A de capital fechado são aquelas que têm suas cotas negociadas no
mercado mobiliário.
( ) O preço de emissão de uma ação não se confunde com o valor nominal ou de
mercado.
( ) Para uma companhia negociar suas ações na bolsa de valores, é necessária
prévia autorização da CVM.
Agora, assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
a) ( ) F – V – V - V.
b) ( ) V – V – V – F.
c) ( ) v – F – v – v.
d) ( ) V – F – V – V.
64
65
TÓPICO 5
TÍTULOS DE CRÉDITO
UNIDADE 1
1 INTRODUÇÃO
Você certamente já recebeu ou já assinou um cheque, uma nota promissória
ou outro documento que representa um crédito. Estes títulos de crédito são
bastante comuns em nosso dia a dia.
Neste tópico você estudará os principais títulos de crédito e entenderá a
função e o funcionamento de cada um deles.
Iniciaremos nosso estudo pelo surgimento do crédito.
2 DO SURGIMENTO DO CRÉDITO
O crédito, inegavelmente, tem um papel muito importante na história do
homem. Para isso, basta uma rápida retrospectiva em suas relações econômicas.
Já mencionamos antes que, nos primórdios de nossa civilização, toda
relação econômica movia-se com base na troca, no escambo. Mais tarde, porém,
percebeu-se o interesse comum das pessoas em determinados bens, que passaram
a servir como base das trocas, como produtos de intermediação, como, por
exemplo: o sal, o gado, as argolas, os fi os e bambus.
Posteriormente, chegou-se à fase do metalismo, na qual o ouro, a prata e
o bronze eram utilizados para servir como instrumentos de troca, sendo aceitos
por todos.
Após esse período, criou-se o dinheiro, o instrumento de troca por
excelência, que, no dizer de Carvalho de Mendonça (apud ALMEIDA, 1998, p. 1):
é a mercadoria por todos voluntariamente aceita para desempenhar
as funções intermediárias nas aquisições de outras mercadorias e na
obtenção de serviços indispensáveis, satisfazendo as necessidades
humanas no convívio social. É ainda o meio normal de pagamento.
Porém, a evolução dos instrumentos de troca não parou por aí, pois a
engenhosidade humana, frente às necessidades que surgiram, criou uma "nova
moeda", que permitiria trocar dinheiro presente por dinheiro futuro. De fato,
fruto do intelecto do homem, surgiu o crédito.
Porém, a evolução dos instrumentos de troca não parou por aí, pois a
engenhosidade humana, frente às necessidades que surgiram, criou uma "nova
moeda", que permitiria trocar dinheiro presente por dinheiro futuro. De fato,
fruto do intelecto do homem, surgiu o crédito.
FONTE: Adaptado de: <utjurisnet.tripod.com/artigos/080.html>. Acesso em: 4 mar. 2013.
66
UNIDADE 1 | DIREITO EMPRESARIAL
E para que servia este crédito? Servia para suprir a falta de dinheiro das
pessoas que não dispunham do capital necessário no momento da conclusão do
negócio, mas que o teriam futuramente. Com base nisso, geralmente o outro
contratante dava-lhe um crédito. Isto é, acreditava em sua palavra e concluía o
negócio, tendo em vista o dinheiro futuro, ou lhe emprestava a quantia necessária
para depois recebê-la. O crédito era, como ainda o é, baseado na confi ança, na
crença na palavra do outro (daí também a origem etimológica da palavra, que,
segundo Requião, vem de "credere", de "creditum", ato de confi ança, fé, crença).
Por isso pode-se conceituar crédito como sendo "a confi ança que uma
pessoa inspira à outra cumprir, no futuro, obrigação atualmente assumida”.
(REQUIÃO, 1995, p. 318).
Este crédito, geralmente em dinheiro, passou a ser representado por
um papel, um título, que dava mais segurança ao credor de que efetivamente o
devedor honraria a palavra e pagaria o débito.
Porém, este título ou cártula era simplesmente representativo do crédito,
não tendo a mesma força de troca, por exemplo, que tem o dinheiro.
Assim, o crédito não tinha grande função prática senão na relação em que
havia sido originado, na qual permitia, repita-se, a troca de dinheiro presente
por dinheiro futuro. Porém, não podia tal título ser transferido a outrem de
forma rápida, por estar vinculado à causa originária de sua existência. Não
servia, pois, como útil instrumento de troca, como forma de pagamento.
Assim, o crédito não tinha grande função prática senão na relação em que
havia sido originado, na qual permitia, repita-se, a troca de dinheiro presente
por dinheiro futuro. Porém, não podia tal título ser transferido a outrem de
forma rápida, por estar vinculado à causa originária de sua existência. Não
servia, pois, como útil instrumento de troca, como forma de pagamento.
FONTE: Adaptado de: <utjurisnet.tripod.com/artigos/080.html>. Acesso em: 4 mar. 2013.
Com relação a esse período, relata-nos Waldemar Ferreira (1962, p. 181)
que "esses entraves para a circulação de tais títulos se fi zeram sentir sobremodo
no mundo dos negócios. Havia a necessidade de suprimir a exigência da causa
para que eles se pudessem transmitir”.
E complementa:
Para o homem de negócios, nada de maior utilidade haveria do
que obter certifi cado ou título que pudesse transferir, com a mesma
facilidade que qualquer bem móvel, e lhe conferisse direito próprio,
justifi cado pela exibição do título à prestação, nele de qualquer maneira
incluída, sem necessidade de fazer descer sua perquirição até o credor
primitivo, em cujos direitos se houvesse investido. (FERREIRA, 1962).
TÓPICO 5 | TÍTULOS DE CRÉDITO
67
3 TEORIA GERAL DOS TÍTULOS DE CRÉDITO
3.1 CONCEITO E PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DO
TÍTULO DE CRÉDITO
3.1.1 Conceito
Cesare Vivante (1981, p. 1981) conceitua título de crédito:
"Título de crédito é o documento necessário para
o exercício do direito literal e autônomo nele
mencionado".
IMPORTANT
E
O Código Civil Brasileiro (Lei no 10.406/2002), em seu art. 887, também conceitua
o título de crédito: Art. 887. O título de crédito, documento necessário ao exercício do direito
literal e autônomo nele contido, somente produz efeito quando preencha os requisitos da
lei. (BRASIL, 2013).
O Código Civil de 2002 trata especificamente sobre os títulos de crédito,
do artigo 887 ao artigo 926.
3.1.2 Principais características (ou princípios) dos títulos
de crédito
Um documento, para ser um título de crédito, deve apresentar duas
características: a literalidade e a autonomia. Além disso, há também a cartularidade,
que é a materialização do título em uma cártula, ou seja, em um papel.
68
UNIDADE 1 | DIREITO EMPRESARIAL
DICAS
Releia o conceito de título de crédito que vimos acima. Neste conceito você
pode reconhecer o princípio da cartularidade, quando se diz que ele é um documento
necessário para o exercício do direito nele contido.
O princípio da cartularidade é, pois, o próprio documento para representar
o crédito. Sem o título, seria totalmente impossível exigir o direito nele contido.
O credor, para exercer seu direito de cobrança, necessita do título. Sem ele, o
devedor não estará obrigado a pagar.
A literalidade refere-se ao conteúdo do texto, significando que tudo
o que consta no título de crédito não mais se discute. Uma nota promissória,
por exemplo, é um título de crédito desde o seu nascedouro, e o devedor,
subscrevendo-a, não pode, posteriormente, por em dúvida o seu conteúdo, que
passa a valer pelo que nele está contido. Não se discute, por exemplo, ovalor
e o prazo contidos no título, porque o devedor, ao emitir a nota promissória,
reconheceu o seu conteúdo.
A autonomia do título de crédito refere-se à sua circulação e à segurança
de quem o recebe. De uma forma bem simplificada, pode-se explicar que o título
circula e aquele que o possuir terá o direito de receber o crédito nele representado
de quem nele consta como devedor. Ou seja, não ficará o credor exposto ao risco
de não receber o crédito em razão de circunstâncias ocorridas anteriormente
entre o devedor e o credor anterior. Por exemplo, se o título estiver com o credor,
o devedor não poderá eximir-se do pagamento, alegando que já pagou ao credor
anterior ou que foi coagido a assiná-lo, por o título ser autônomo.
Trata-se, pois, a autonomia de um fator de segurança das relações
econômicas travadas por meio de títulos de crédito. Se estiver de boa-fé, poderá,
sim, o credor, exercitar seu direito creditório, posto que o direito constituído na
cártula seja autônomo, independe das relações entre seus anteriores possuidores.
É como se, ao se adquirir de boa-fé um título de crédito, passassem a inexistir
todas as relações anteriores que o envolveram.
IMPORTANT
E
Esta característica é expressamente prevista na Lei nº 2.044/1908, em seu art.
43: As obrigações cambiais são autônomas e independentes umas das outras. [...] (BRASIL,
2013).
TÓPICO 5 | TÍTULOS DE CRÉDITO
69
3.2 CLASSIFICAÇÃO DOS TÍTULOS DE CRÉDITO
Os títulos de crédito podem ser classificados quanto: à causa, ao emitente,
à emissão, à circulação. Veja o quadro a seguir, que traz as principais classificações:
QUADRO 1 - CLASSIFICAÇÃO DOS TÍTULOS DE CRÉDITO
A – Quanto à Causa
Abstratos: deles não se interroga a origem. São exemplos:
Letra de Câmbio, Nota Promissória, Cheque.
Causais: ligam-se à origem (dizem respeito à compra e venda
de mercadorias e prestação de serviço). São exemplos: as
duplicatas e ações.
B – Quanto ao Emitente
Públicos: são emitidos por pessoas jurídicas de Direito
Público: União, Estados, Municípios, Territórios, Autarquias.
Privados: compreendem os títulos emitidos por particulares,
civil ou comerciante.
C – Quanto à Emissão
Individuais ou singulares: são títulos acessórios que se
contrapõem ao título principal ao qual se referem. Ex.: cheques
e duplicatas.
Em série ou em massa: emitidos em geral a longo prazo
(prestações periódicas, juros, dividendos etc.).
D – Quanto à Circulação
Ao portador: os títulos de crédito ao portador são os
transferíveis por tradição. O proprietário presume-se ser
o portador do título. Não obedece a formalidade alguma.
Transfere-se de forma simples e rápida. Entretanto, o devedor
poderá opor exceção ao seu portador fundando-se em direito
pessoal ou em nulidade de sua obrigação. É o que determina
o artigo 906 do Código Civil Brasileiro.
Nominativos: são os títulos cuja propriedade se transfere por
endosso, portanto diferem dos nominativos.
À ordem: se um título de crédito tiver inserido, pelo seu
emitente, a cláusula à ordem, perderá sua condição de
simples título nominativo, passando a circular pelo endosso
que, sendo em branco, fará com que circule como título ao
portador.
FONTE: Os autores (2009), com base na doutrina de Rubens Requião (1995)
3.3. CONCEITOS IMPORTANTES
Também são bastante usuais nos títulos de crédito institutos como o
endosso, o aval, o protesto, entre outros. Também é importante que entendamos
os mecanismos de apresentação e algumas medidas judiciais necessárias para o
recebimento do crédito. Iniciaremos pelo endosso.
70
UNIDADE 1 | DIREITO EMPRESARIAL
3.3.1 Endosso
Conforme Amador Paes de Almeida (2005, p. 23), “o endosso é o meio
pelo qual se transfere a propriedade de um título [...]”, sendo que, em havendo a
entrega do título transfere-se a posse deste, conforme dispõe o art. 893 do Código
Civil: a transferência do título de crédito implica a de todos os direitos que lhe
são inerentes. (BRASIL, 2013).
O endosso é efetuado com a assinatura do endossante ou de alguém com
poderes especiais para assinar em seu lugar (mandatário), no verso da letra,
conforme dispõe o art. 8º do Decreto nº 2.044/1908. Ou seja, para “a validade do
endosso é bastante a assinatura do próprio punho do endossante no verso da
letra [...] ou em folha ligada a este, sob pena de não produzir efeitos cambiais”.
(ALMEIDA, 2005, p. 40).
De uma forma bem simplificada, podemos classificar o endosso em
próprio e impróprio.
Quando aquele que endossa o título, chamado endossante, transfere a
propriedade do título, e sua titularidade, este fica co-obrigado pelo pagamento
do título, ou seja, caso o sacado não o pague, o beneficário ou o tomador poderá
cobrar dele. Este é o endosso próprio.
O endosso próprio é subdividido em endosso em preto, que é aquele:
que menciona expressamente o nome do endossatário, isto é, do
beneficiário do endosso. É indispensável a assinatura de próprio
punho do endossante ou de mandatário especial, como indispensável
é a indicação do endossatário [...] No endosso em branco, omite-se o
nome do endossatário, limitando-se o endossante a firmar de próprio
punho a sua assinatura no verso do título. (ALMEIDA, 2005, p. 42- 43).
Já o endosso impróprio, “sem privar o titular dos seus direitos cambiais,
transfere ao mandatário o exercício e a conservação destes direitos”. (ALMEIDA,
2005, p. 42). Não transfere a titularidade do crédito, mas apenas possibilidade ao
detentor do exercício de seus direitos.
São espécies de endosso impróprio o endosso-mandato, também
conhecido como “endosso procuração”, é aquele que confere ao endossatário a
possibilidade de agir como representante do endossante, exercendo os direitos
inerentes ao título; e o endosso-caução, em que o título fica em garantia (penhor)
em favor do credor do endossante.
Por fim, vejamos um exemplo de endosso:
TÓPICO 5 | TÍTULOS DE CRÉDITO
71
FIGURA 4 - ENDOSSO
FONTE: Cartório de Distribuição Rui Barbosa do Distrito Federal. Disponível em:
<http://www.distribuidordf.com.br/exec/default_1.asp?idp=44>. Acesso em: 15
fev. 2013.
3.3.2 Aval
Da doutrina de Amador Paes de Almeida colhe-se que “Aval é garantia de
pagamento firmada por terceiro”. (ALMEIDA, 2005, p. 48).
Ao avalizar um título, o avalista garante o pagamento do título. Caso o
devedor não o faça, assumindo obrigações cambiais iguais às do mesmo, como
dispõe expressamente o art. 32 da Lei Uniforme de Genebra, adotado pelo Brasil
através do Decreto nº 57.663, de 24 de janeiro de 1966, sendo, porém, autônoma.
Ou seja, o “avalista, dado o aval, se obriga ainda que nula, inexistente ou ineficaz
a obrigação principal. Daí não ser lícito ao avalista arguir em sua defesa falta de
causa na origem do título”. (ALMEIDA, 2005, p. 48).
Aval e fiança não se confundem! O aval é concedido nos títulos de crédito e a
fiança nos contratos. O aval é obrigação autônoma, como vimos acima, o que não acontece
com a fiança, que é obrigação acessória. Nulo o contrato, nula a fiança. Porém, em ambos
será necessária a autorização do cônjuge (outorga uxória ou autorização marital), conforme
exige o Código Civil de 2002.
ATENCAO
72
UNIDADE 1 | DIREITO EMPRESARIAL
3.3.3 Protesto
O protesto é o “ato formal extrajudicial que objetiva conservar e ressalvar
direitos”, podendo assim ser caraterizado como uma providência que o credor
toma para tornar público que o título foi apresentado para aceite ou para
pagamento sem que o devedor ou o aceitante tenham tomado esta providência.
Com o protesto, o credor torna público, inclusive aos demais co-obrigados pelo
título, que nem uma nem outra providência foi tomada por parte do sacado ou
aceitante,respectivamente. Assim, com o protesto, o portador prova aos demais
co-obrigados que não recebeu a quantia representada no título, ou ainda, que o
título não foi aceito ou devolvido.
O protesto não é obrigatório contra o devedor principal para que se possa
entrar na justiça, a fim de obter o pagamento. “Todavia, conquanto facultativo
relativo aos obrigados principais: aceitante e seu respectivo avalista, que lhe é
equiparado para todos os efeitos – o protesto se faz indispensável quando se trata
de coobrigados: sacador, endossantes e seus avalistas”. (ALMEIDA, 2005, p. 388).
É importante salientar que a falta do protesto obrigatório gerará a perda
do direto de regresso contra o sacador, endossadores e avalistas, conforme o art.
32 do Decreto nº 2.044/1908.
O protesto deve ser realizado no lugar onde a obrigação deve ser satisfeita
encaminhando-se o título a um cartório que se chama Tabelionato. É este que
encaminha ao devedor um aviso de que o título foi apontado para protesto.
O devedor ou coobrigado disporá de três dias a contar da notificação
para pagar ou sustar o protesto, sendo que esta última providência é tomada
judicialmente, como através de advogado que precisará provar porque o protesto
não deverá ser lavrado (ex.: a duplicata é nula porque não está vinculada a uma
compra e venda).
O cancelamento do protesto somente acontecerá mediante pagamento com
entrega do título em cartório ou com a concessão pelo credor de um documento
formal, chamado “carta de anuência”, ou ainda mediante decisão judicial, como
mencionamos acima.
3.3.4 Prescrição
Como mencionamos acima, o título cambial vincula o devedor e seus
obrigados à obrigação nele representada. Porém, esta vinculação não poderá ser
eterna. Em não havendo o adimplemento, o credor deverá ir a juízo para receber
o valor constante do título. O meio legal posto à sua disposição se chama “ação
executiva”. Porém, quando o credor fica inerte, ou seja, não toma as providências
TÓPICO 5 | TÍTULOS DE CRÉDITO
73
4 TÍTULOS DE CRÉDITO EM ESPÉCIE
Agora que conhecemos a Teoria Geral dos Títulos de Crédito, estudaremos
especificamente os títulos de crédito em espécie. Para nosso estudo vamos nos
limitar aos mais comumente usados no dia a dia das empresas.
Inicialmente, veja o quadro a seguir, que traz os títulos e a legislação que
os regulamenta:
necessárias ao recebimento do crédito, diz-se que seu direito “prescreveu”, e o
título se transforma em um título comum, que perde esta força. Restarão ao credor
caminhos um pouco “mais longos”, como a ação de cobrança e a ação monitória.
Os prazos prescricionais estão previstos em lei e dependem do tipo de
título, como veremos a seguir.
QUADRO 2- ESPÉCIES DE TÍTULO DE CRÉDITO
1. Títulos mais comumente usados
- Letra de Câmbio: Decreto n° 2.044, de 31/08/1908;
Decreto n° 57.663, de 24/01/1966.
- Nota Promissória: Decreto n° 2.044, de 31/08/1908;
Decreto n° 57.663, de 24/01/1966.
- Duplicata Mercantil: Lei n° 5.474, de 18/07/1968;
Resolução MF/BACEN n° 102, de 1968.
- Cheque: Lei n° 7.357, de 02/09/1985.
2. Títulos de Crédito Industrial
- Cédula de Crédito Industrial.
- Nota de Crédito Industrial.
Decreto-Lei n° 413, de 09/01/1969.
3. Títulos de Crédito Rural
- Nota Promissória Rural.
- Duplicata Rural.
- Cédula Rural Pignoratícia.
- Cédula Rural Hipotecária.
- Cédula Rural Pignoratícia e Hipotecária.
- Nota de Crédito Rural.
Decreto-Lei n° 167, de 14.02.1967.
4. Títulos da Dívida Agrária
Decreto n° 578, de 24 de junho de 1992 – Dá nova
regulamentação ao lançamento dos Títulos da
Dívida Agrária.
5. Títulos de Crédito Comercial - Cédula de Crédito Comercial.
Lei n° 6.840, de 3 de novembro de 1980.
6. Títulos de Crédito Bancário
Cédula de Crédito Bancário.
Lei n° 4.728, de 14/07/1965 (disciplina o mercado
de capitais e estabelece medidas para o seu
desenvolvimento), e a Medida Provisória n° 2.160-
25, de 23/08/2001, que dispõe sobre a Cédula de
Crédito Bancário.
7.Títulos de Crédito à Exportação
- Cédula de Crédito à Exportação.
- Nota de Crédito à Exportação.
Lei n° 6.313, de 16.12.1975.
74
UNIDADE 1 | DIREITO EMPRESARIAL
8. Títulos de Crédito Comercial
- Cédula de Crédito Comercial.
- Nota de Crédito Comercial.
Lei n° 6.840, de 03.11.1980.
9. Outros títulos de Crédito
Debêntures, ações, letras imobiliárias, warrants,
conhecimento de transporte, títulos da dívida
pública, cédula hipotecária, partes beneficiárias,
bilhete de mercadoria, certificados de depósitos,
certificados de investimentos, nota de crédito
comercial etc. Os títulos societários têm seu
fundamento legal na Lei n◦ 6.404/1976 (dispõe sobre
as sociedades por ações).
FONTE: O autor, com base na legislação brasileira.
UNI
Será interessante que você tenha em mãos a legislação apontada como
reguladora de cada um dos títulos de crédito. Você pode obtê-la no seguinte endereço:
<http://www. planalto.gov.br>.
4.1 LETRA DE CÂMBIO
É o Decreto n◦ 2.044/1908 que regulamenta a Letra de Câmbio e a Nota
Promissória, trazendo o conceito e os requisitos deste título:
Art. 1º A letra de câmbio é uma ordem de pagamento e deve conter
requisitos, lançados, por extenso, no contexto:
I. A denominação “letra de câmbio” ou a denominação equivalente na
língua em que for emitida.
II. A soma de dinheiro a pagar e a espécie de moeda.
III. O nome da pessoa que deve pagá-la. Esta indicação pode ser
inserida abaixo do contexto.
IV. O nome da pessoa a quem deve ser paga. A letra pode ser ao
portador e também pode ser emitida por ordem e conta de terceiro. O
sacador pode designar-se como tomador.
V. A assinatura de próprio punho do sacador ou do mandatário
especial. A assinatura deve ser firmada abaixo do contexto. (BRASIL,
2013).
A letra de câmbio é, pois, um título à ordem, que se cria mediante o saque.
Como salienta Amador Paes de Almeida (2005, p. 23):
TÓPICO 5 | TÍTULOS DE CRÉDITO
75
FONTE: O autor, com base na legislação brasileira.
O sacador cria a letra. Conhecido também como doador, ele saca o título
dando ordem ao sacado, na qual se consigna o valor a pagar e o dia do
vencimento. Este, o sacado, é o devedor, aquele que aceitando a letra
virá pagá-la na ocasião do vencimento. [...] o tomador é o beneficiário,
que poderá ser um terceiro ou confundir-se com o próprio sacador, o
que não é raro ocorrer.
A letra de câmbio é, assim, uma ordem que o emitente, chamado sacador,
dá ao sacado para que pague o valor constante do título ao beneficiário ou tomador.
A emissão deste título se chama saque. Assim, para entender seu mecanismo,
suponha que: A deve para C e tem crédito com B. Ao invés de B pagar para A,
através da letra de câmbio, A (sacador) dá uma ordem de pagamento para B
(sacado) pagar para C (beneficiário). Por isso, se diz que a letra de câmbio é uma
ordem de pagamento. O título pode circular e ser transferido de uma pessoa
para a outra através do endosso, como vimos acima, devendo haver o aceite do
sacador. O pagamento poderá ser garantido por aval.
Veja um modelo de letra de câmbio:
FIGURA 5 - MODELO DE LETRA DE CÂMBIO
FONTE: Disponível em: <http://www.marcoevangelista.com.br/titulos_de_credito.htm>.
Acesso em: 5 mar. 2013.
4.2 NOTA PROMISSÓRIA
O conceito e os requisitos da nota promissória também são trazidos pelo
art. 54 do Decreto nº 2.044/1908. Observe:
Art. 54. A nota promissória é uma promessa de pagamento e deve
conter estes requisitos essenciais, lançados, por extenso, no contexto:
76
UNIDADE 1 | DIREITO EMPRESARIAL
I. a denominação de “Nota Promissória” ou termo correspondente, na
língua em que for emitida;
II. a soma de dinheiro a pagar;
III. o nome da pessoa a quem deve ser paga;IV. a assinatura do próprio punho do emitente ou do mandatário
especial. (BRASIL, 2013).
Estes requisitos são essenciais, ou seja, são indispensáveis para a validade
do título. Outros requisitos são apontados pela doutrina como não essenciais:
a) a data e o lugar da emissão;
b) a época do vencimento;
c) o lugar do pagamento.
Na ausência dos requisitos não essenciais mencionados, obedece-se às
seguintes regras:
I - pode o portador inserir a data e o lugar da emissão;
II - será pagável à vista;
III - será pagável no domicílio do emitente. (ALMEIDA, 2005, p. 104)
Veja um modelo de Nota Promissória.
FONTE: Disponível em: <http://www.bigleilao.com.br/utilitarios/promissoria/form-promissoria.
htm>. Acesso em: 5 mar. 2013.
FIGURA 6 - MODELO DE NOTA PROMISSÓRIA
A prescrição da Nota Promissória, conforme determinado no art. 70 da
Lei Uniforme de Genebra, disciplinado pelo Decreto nº 57.663, de 24 de janeiro
de 1966, o qual definiu para as ações contra o aceitante dessas letras de crédito,
ocorre nos seguintes prazos:
TÓPICO 5 | TÍTULOS DE CRÉDITO
77
FIGURA 6 - MODELO DE NOTA PROMISSÓRIA
- 3 anos: do portador contra o emitente ou avalista;
- 1 ano: do portador contra o endossante(s);
- 6 meses: dos endossantes uns contra os outros. (BRASIL, 2013).
4.3 CHEQUE
Pode-se conceituar o cheque como sendo “o título revestido de
determinadas formalidades legais, contendo uma ordem de pagamento à vista,
passada em favor próprio ou de terceiro”. (ALMEIDA, 2005, p. 111).
Esta ordem pressupõe a existência de fundos em um banco denominado
sacado que cumprirá a ordem do emitente, pagando a quantia representada no
cheque ao beneficiário. Desde 1990, o cheque não pode ser ao portador, ou seja,
deverá ser nominal.
No Brasil, aplica-se ao cheque a Lei Uniforme de Genebra (Decreto nº
57663/66), além da Lei n◦ 7.357/85, que o regulamenta e que dispõe em seu art. 1º.
Que são requisitos do cheque:
I – a denominação “cheque” inscrita no contexto do título e expressa
na língua em que é regido;
II - a ordem incondicional de pagar quantia determinada;
III – o nome do banco ou instituição financeira que deve pagar (sacado);
IV – a indicação do lugar de pagamento;
V – a indicação da data e do lugar de emissão;
VI – a assinatura do emitente (sacador), ou de seu mandatário com
poderes especiais. (BRASIL, 2013).
Dos requisitos mencionados, na verdade não são essenciais o do
lugar do pagamento e o da emissão. Já que na falta de tais indicações
é considerado o lugar designado junto ao nome do sacado (banco);
designados vários lugares, o cheque é pagável no primeiro deles;
inexistindo indicação, o cheque é pagável no lugar de sua emissão.
Não indicando o lugar da emissão, considera-se emitido o cheque
no lugar indicado junto ao nome do emitente (sacador). (ALMEIDA,
2005, p. 116).
O cheque tem implícita a causa “à ordem”, significa dizer que se transmite
normalmente mediante endosso, conforme dispõe o art. 17 da Lei nº 7.357/85, que
pode ser feito no verso ou anverso do cheque. A figura do avalista também é
possível no cheque, sendo que esta garantia poderá ser lançada no verso (com a
expressão “por aval”) ou anverso do título.
Quanto às espécies de cheque, em resumo, podemos destacar as seguintes:
a) cheque visado; b) cheque administrativo; c) cheque cruzado; d) cheque para ser
creditado em conta.
78
UNIDADE 1 | DIREITO EMPRESARIAL
a) Cheque visado: é aquele em que há uma confirmação da existência de fundos
para compensá-lo através de um visto, certificado ou declaração equivalente
(BRASIL, 2013) do banco sacado colocado no verso do título. Em razão deste
visto, o dinheiro correspondente fica reservado na conta do emitente ou
sacador do cheque, durante o prazo de apresentação do cheque.
b) Cheque administrativo: o cheque administrativo é o “cheque emitido pelo
próprio banco, contra si mesmo”. “Passado (emitido ou sacado) contra o
próprio sacador (o banco)”. (ALMEIDA, 2005, p. 159). O cheque administrativo
deverá ser necessariamente nominal, por expressa exigência legal. (art. 9º. III
da Lei do Cheque).
c) Cheque cruzado: é aquele em que são colocadas duas linhas paralelas em seu
anverso, o que determina que o cheque só poderá ser depositado, não sendo
assim possível seu saque em dinheiro, mas apenas o depósito em banco. Se
houver o nome de um banco entre as duas linhas, somente no banco indicado
é que o cheque poderá ser depositado.
d) Cheque para se apresentar em conta: neste tipo de cheque, o emitente
identifica a conta do credor para depósito, não sendo possível seu pagamento
em dinheiro.
Para que seja liquidado, o cheque deverá ser apresentado ao banco, dentro
de um determinado prazo, de acordo com o tipo de cheque. Conforme o art. 11 da
Resolução nº 1.682 do Banco Central de 31 de janeiro de 1990, são os seguintes os
prazos, a contar do saque:
• Cheque da “mesma praça” 30 dias
• Cheque de “praças diferentes” 60 dias
Vejamos um modelo de cheque.
FIGURA 7 - MODELO DE CHEQUE
TÓPICO 5 | TÍTULOS DE CRÉDITO
79
FONTE: Cartório de Distribuição Rui Barbosa do Distrito Federal. Disponível em:
<http://www.distribuidordf.com.br/exec/default_1.asp?idp=44>. Acesso em: 15 fev.
2013.
IMPORTANT
E
A Resolução nº 1.682 do Banco Central de 31 de janeiro de 1990, em seu art. 06,
estabelece os motivos pelos quais o cheque pode ser devolvido pela instituição fi nanceira:
Art. 6º O cheque poderá ser devolvido por um dos motivos a seguir
classifi cados:
Cheque sem provisão de fundos
11 - Cheque sem fundos - 1ª apresentação.
12 - Cheque sem fundos - 2ª apresentação.
13 - Conta encerrada.
14 - Prática espúria.
Impedimento ao pagamento
21 - Contraordem (ou revogação) ou oposição (ou sustação) ao pagamento
pelo emitente ou pelo portador.
22 - Divergência ou insufi ciência de assinatura.
23 - Cheques emitidos por entidades e órgãos da administração pública
federal direta e indireta, em desacordo com os requisitos constantes do
artigo 74, 2º, do Decreto-Lei nº 200, de 25.02.67.
24 - Bloqueio judicial ou determinação do Banco Central do Brasil.
25 - Cancelamento de talonário pelo banco sacado.
26 - Inoperância temporária de transporte.
27 - Feriado municipal não previsto.
Art. 6º O cheque poderá ser devolvido por um dos motivos a seguir
classifi cados:
Cheque sem provisão de fundos
11 - Cheque sem fundos - 1ª apresentação.
12 - Cheque sem fundos - 2ª apresentação.
13 - Conta encerrada.
14 - Prática espúria.
Impedimento ao pagamento
21 - Contraordem (ou revogação) ou oposição (ou sustação) ao pagamento
pelo emitente ou pelo portador.
22 - Divergência ou insufi ciência de assinatura.
23 - Cheques emitidos por entidades e órgãos da administração pública
federal direta e indireta, em desacordo com os requisitos constantes do
artigo 74, 2º, do Decreto-Lei nº 200, de 25.02.67.
24 - Bloqueio judicial ou determinação do Banco Central do Brasil.
25 - Cancelamento de talonário pelo banco sacado.
26 - Inoperância temporáriade transporte.
27 - Feriado municipal não previsto.
80
UNIDADE 1 | DIREITO EMPRESARIAL
Cheque com irregularidade
31 - Erro formal (sem data de emissão, com o mês grafado numericamente,
ausência de assinatura, não registro do valor por extenso).
32 - Ausência ou irregularidade na aplicação do carimbo de compensação.
33 - Divergência de endosso.
34 - Cheque apresentado por estabelecimento bancário que não o indicado
no cruzamento em preto, sem o endosso-mandato.
35 - Cheque fraudado, emitido sem prévio controle ou responsabilidade do
estabelecimento bancário ("cheque universal"), ou ainda com adulteração
da praça sacada.
Apresentação indevida
41 - Cheque apresentado a banco que não o sacado.
42 - Cheque não compensável na sessão ou sistema de compensação em que
apresentado.
43 - Cheque devolvido anteriormente pelos motivos 21, 22, 23, 24 e 31,
não passível de reapresentação em virtude de persistir o motivo da
devolução.
44 - Cheque prescrito.
45 - Cheque emitido por entidade obrigada a realizar movimentação e
utilização de recursos fi nanceiros do Tesouro Nacional mediante ordem
bancária.
49 - Remessa nula, caracterizada pela reapresentação de cheque devolvido
pelos motivos 12, 13, 14, 43, 44 e 45, podendo a devolução ocorrer a
qualquer tempo.
Cheque com irregularidade
31 - Erro formal (sem data de emissão, com o mês grafado numericamente,
ausência de assinatura, não registro do valor por extenso).
32 - Ausência ou irregularidade na aplicação do carimbo de compensação.
33 - Divergência de endosso.
34 - Cheque apresentado por estabelecimento bancário que não o indicado
no cruzamento em preto, sem o endosso-mandato.
35 - Cheque fraudado, emitido sem prévio controle ou responsabilidade do
estabelecimento bancário ("cheque universal"), ou ainda com adulteração
da praça sacada.
Apresentação indevida
41 - Cheque apresentado a banco que não o sacado.
42 - Cheque não compensável na sessão ou sistema de compensação em que
apresentado.
43 - Cheque devolvido anteriormente pelos motivos 21, 22, 23, 24 e 31,
não passível de reapresentação em virtude de persistir o motivo da
devolução.
44 - Cheque prescrito.
45 - Cheque emitido por entidade obrigada a realizar movimentação e
utilização de recursos fi nanceiros do Tesouro Nacional mediante ordem
bancária.
49 - Remessa nula, caracterizada pela reapresentação de cheque devolvido
pelos motivos 12, 13, 14, 43, 44 e 45, podendo a devolução ocorrer a
qualquer tempo.
(BANCO CENTRAL DO BRASIL, 2013).
Após o prazo de seis meses, não será mais possível receber o cheque. Após
este prazo, o cheque perde sua força executiva, cabendo apenas ao benefi cário
cobrá-lo judicialmente através de ação monitória ou de cobrança.
IMPORTANT
E
O cheque pós-datado, que na prática se chama “pré-datado”, muito usado no
dia a dia, desvirtua o cheque como “ordem de pagamento à vista”. É por isso que o art. 32
da Lei no 7.357/85 é claro ao dispor que o cheque apresentado antes da data indicada como
de emissão é pagável no dia da apresentação. Apesar disso, já existem decisões judiciais
reconhecendo que o cheque, neste caso, se transforma em uma promessa de pagamento,
uma espécie de nota promissória, porque decorrente de um acordo entre as partes e, assim
sendo, deve ser respeitado o prazo de apresentação nele constante. (BRASIL, 2013).
TÓPICO 5 | TÍTULOS DE CRÉDITO
81
(BANCO CENTRAL DO BRASIL, 2013).
O pagamento do cheque pode ser impedido através da sustação, que deve
ser requerida diretamente ao banco sacado.
4.4 DUPLICATA
A duplicata é um título de crédito emitido em razão de uma compra e
venda mercantil, representada em uma fatura. A fatura “é uma nota do vendedor,
descrevendo a mercadoria, discriminando a sua qualidade e quantidade, fixando-
lhe o preço. É, portanto, uma prova do contrato de compra e venda mercantil”.
(ALMEIDA, 2005, p. 183).
Do exposto acima é possível entender que a duplicata é um título causal,
ou seja, depende da existência de uma fatura que legitima sua omissão. Se isso não
acontecer, estaremos diante do que se conhece como “duplicata fria”, tecnicamente
chamada de “duplicata simulada”, que inclusive é crime. A duplicata também se
transmite por endosso e seu pagamento pode ser garantido por aval.
Na emissão da duplicata, segundo a Lei nº 5.474/68 e Resolução 102 do
Conselho Monetário Nacional que a disciplina, devem ser observados os seguintes
requisitos:
- A denominação “duplicata”.
- A data de emissão.
- O número de ordem.
- O número da fatura da qual foi extraída.
- Data certa do vencimento ou a declaração de ser a duplicata à vista.
- O nome e o domicílio do vendedor e do comprador.
- A importância a pagar, em algarismos e por extenso.
- A praça de pagamento.
- A cláusula à ordem (a cláusula “não à ordem” somente pode ser
inserida no título por endossante, e, como o vendedor saca a seu favor,
ele, necessariamente, é o primeiro endossante do título).
- A declaração do reconhecimento de sua exatidão e da obrigação
de pagá-la. A ser assinada pelo comprador, como aceite cambial (o
comprador deve ser identificado com nome, domicílio e documento:
RG, CPF etc.) e a assinatura do emitente (seguindo, a indicação de seu
nome e domicílio). (BRASIL, 2013).
A duplicata deverá, segundo a lei, ser enviada para “aceite” do sacado, o
que corresponde ao reconhecimento da existência da dívida, e sua falta poderá
ser motivo de protesto, assim como a falta de devolução do título e a falta de
pagamento.
Para a cobrança judicial através de ação executiva, a duplicata sem aceite
deverá ser acompanhada do comprovante de entrega de mercadoria e do protesto,
e a ação ajuizada nos prazos máximos previstos na Lei nº 5.474/68, em seu art. 18:
82
UNIDADE 1 | DIREITO EMPRESARIAL
Em 3 anos, contados da data do vencimento do título, contra o sacado
e respectivos avalistas.
Em 1 ano, contando da data do protesto, contra os endossantes e
respectivos avalistas.
Em 1 ano, contando da data em que haja sido efetuado o pagamento
do título, de qualquer dos co-obrigados, uns contra os outros. A
duplicata poderá também ser referente a uma prestação de seviços.
(BRASIL, 2013).
Veja um modelo de duplicata.
FIGURA 8 – MODELO DE DUPLICATA
FONTE: Cartório de Distribuição Rui Barbosa do Distrito Federal. Disponível em:
<http://www.distribuidordf.com.br/exec/default_1.asp?idp=44#duplicata>. Acesso
em: 5 mar. 2013.
83
RESUMO DO TÓPICO 5
Neste tópico você viu que:
• A história do surgimento do crédito no mundo, como instrumento necessário a
suprir a falta de dinheiro das pessoas que não dispunham do capital necessário
no momento da conclusão do negócio, mas que o teriam futuramente.
• O conceito e as características dos títulos de crédito: autonomia, literalidade e
carturalidade.
• Os conceitos de endosso, aval e protesto.
• As características, requisitos e os vários títulos de crédito em espécie, admitidos
pelo Direito Brasileiro, quais sejam: a Letra de Câmbio, Nota Promissória,
Duplicata Mercantil, Cheque, Cédulade Crédito Industrial, Nota de Crédito
Industrial, Nota Promissória Rural, Duplicata Rural, Cédula Rural Pignoratícia,
Cédula Rural Hipotecária, Cédula Rural Pignoratícia e Hipotecária e a Nota de
Crédito Rural.
84
Para a fixação do conteúdo deste tópico, assinale a alternativa CORRETA:
1 A nota promissória é uma:
a) ( ) Ordem de pagamento.
b) ( ) Promessa de pagamento.
c) ( ) Forma de pagamento.
2 Sobre o protesto de título é correto afirmar:
a) ( ) É dispensável contra o devedor principal como regra geral.
b) ( ) É sempre indispensável.
c) ( ) É condição essencial para cobrança perante o devedor.
3 O aval:
a) ( ) É uma obrigação acessória.
b) ( ) É uma obrigação autônoma.
c) ( ) É uma obrigação principal.
4 A nota promissória em que não consta a data do vencimento:
a) ( ) Não é válida.
b) ( ) Considera-se com vencimento à vista.
c) ( ) Considera-se com vencimento no exercício financeiro seguinte ao da sua
emissão.
5 Esta característica do título de crédito refere-se ao fato de que o título vale
pelo que nele está escrito:
a) ( ) Autonomia.
b) ( ) Literalidade.
c) ( ) Exigibilidade.
6 Sobre o cheque administrativo, pode-se dizer que:
a) ( ) É o cheque passado pela administração pública a seus fornecedores.
b) ( ) É o cheque emitido pelo banco sacado contra si mesmo.
c) ( ) É o cheque emitido pelo administrador de uma empresa pública.
7 Tratando-se um cheque de cheque cruzado:
a) ( ) Este somente poderá ser depositado.
b) ( ) Este somente poderá ser sacado no caixa do banco.
c) ( ) Perde sua validade, pois está rasurado.
8 Sobre a duplicata é correto afirmar:
a) ( ) É título causal, porque depende da existência de uma fatura.
b) ( ) Não depende de fatura para ser emitida.
c) ( ) Para a cobrança judicial através de ação executiva, a duplicata sem aceite não
precisa estar acompanhada do comprovante de entrega de mercadoria e do protesto.
AUTOATIVIDADE
85
TÓPICO 6
RECUPERAÇÃO DE EMPRESAS E FALÊNCIA
UNIDADE 1
1 INTRODUÇÃO
Neste último tópico nos dedicaremos ao estudo da situação de insolvência
que pode acometer as sociedades empresárias quando estas deixam de cumprir
seus compromissos financeiros.
A Lei nº 11.101, de 9 de fevereiro de 2005, traz as disposições legais que
regulamentam esta situação, concedendo aos empresários instrumentos para
que sua situação seja revertida através da recuperação da empresa. Caso não seja
possível esta recuperação, haverá a liquidação forçada dos ativos da empresa, a
que comumente denominamos de falência.
Não sendo possível obter esse benefício, prevê a lei a liquidação forcada
de seu patrimônio para que, com o saldo apurado, sejam pagos os credores. Essa
última denomina-se falência.
2 DA RECUPERAÇÃO DA EMPRESA
Como dissemos acima, trata-se de um instrumento legal que permite
à sociedade convocar seus credores, propondo-lhes um plano de recuperação.
Existem duas espécies de recuperação da empresa: a extrajudicial e a judicial.
2.1 DA RECUPERAÇÃO EXTRAJUDICIAL
Por este sistema, a Lei nº 11.101/1995 permite à sociedade-devedora que
convoque seus credores ou parte destes (por classe) - exceto empregados e fisco
-, propondo-lhes um plano de recuperação. Este plano será materializado em um
documento, uma espécie de contrato particular e que será assinado pela devedora
e credores. Também poderá ser objeto de aprovação em assembleia geral de
credores que vier a ser convocada extrajudicialmente, para tal fim. Este plano,
que determinará a ordem dos pagamentos, privilegiando os trabalhistas, depois
de aprovado poderá ser apresentado à homologação judicial, passando a obrigar
todos os credores, mesmo os dissidentes. Os juízes devem relutar em decretar
falência, para evitar desemprego e destruição de ativos. Se o plano for rejeitado
pelo juiz, devolve-se aos credores signatários o direito de exigir seus créditos (§2º.
do art.165 da Lei de Falência).
86
UNIDADE 1 | DIREITO EMPRESARIAL
2.2 DA RECUPERAÇÃO JUDICIAL
A recuperação judicial tem por objetivo viabilizar a superação de
crise econômico-fi nanceira do devedor, a fi m de permitir a manutenção da
fonte produtora, do emprego dos trabalhadores e dos interesses dos credores,
promovendo assim a preservação da empresa.
A recuperação judicial tem por objetivo viabilizar a superação de
crise econômico-fi nanceira do devedor, a fi m de permitir a manutenção da
fonte produtora, do emprego dos trabalhadores e dos interesses dos credores,
promovendo assim a preservação da empresa.
FONTE: Disponível em: <www.ambito-juridico.com.br/site/index.php?n_link=revista..>. Acesso
em: 5 mar. 2013.
O empresário negocia o plano de recuperação com todos os seus credores,
inclusive trabalhadores e fi sco, visando, principalmente, à concessão de prazos e
condições especiais para pagamento das obrigações vencidas ou vincendas. Se
em 180 dias não houver acordo, o Judiciário poderá decretar a falência.
A empresa devedora peticionará ao juiz, requerendo a recuperação,
expondo as causas concretas de sua situação patrimonial e as razões da crise
econômico-fi nanceira que atravessa. Estando cumpridas as exigências legais,
o juiz defere, permite o processamento de pedido da recuperação judicial,
nomeando um administrador judicial.
IMPORTANT
E
Conforme ensina Amador Paes de Almeira (2009, p. 200), “o administrador não
é um simples representante do falido, mas um órgão ou agente auxiliar da justiça. Serve a
bem do interesse público e para consecução da fi nalidade do processo da falência. Age por
direito próprio em seu nome, no cumprimento dos deveres que a lei lhe impõe”.
Após esta decisão, o devedor deverá apresentar o plano de recuperação
em juízo, no prazo improrrogável de 60 dias, a contar da data da concessão do
processamento, sob pena de decretação da falência.
Veja então estas fases na fi gura a seguir.
FIGURA 9 – NOME
FONTE: O autor
60 d. (máx)
3o – Apresentação do
plano de recuperação
em juízo sob pena de
decretação de falência.
2o – Deferimento do
processamento ou
devolução.
1o – Requerimento
em juízo do
processamento da
recuperação judicial.
TÓPICO 6 | RECUPERAÇÃO DE EMPRESAS E FALÊNCIA
87
2.2 DA RECUPERAÇÃO JUDICIAL
FIGURA 9 – NOME
Esta fórmula legal só poderá ser utilizada se o empresário estiver em dia
com as obrigações legais e se, no momento do pedido, a empresa estiver exercendo
regularmente suas atividades há mais de dois anos. Na fase de recuperação não
poderá haver pedido de falência por parte dos credores.
As microempresas e as empresa de pequeno porte poderão apresentar
plano especial de recuperação judicial no prazo improrrogável de 60 dias da
publicação da decisão que deferir o processamento da recuperação judicial, sob
pena de convolação em falência.
FONTE: Adaptado de: <www.viajus.com.br/viajus.php?pagina=artigos&id=1617...>. Acesso em: 5
mar. 2013.
O plano abrangerá exclusivamente os créditos quirografários, os
quais serão pagos em até 36 parcelas mensais, iguais e sucessivas, corrigidas
monetariamente e acrescidas de juros de 12% a.a. Preverá, ainda, o pagamento
da primeira parcela no prazo máximo de 180 dias, contados da distribuição do
pedido de recuperação judicial.
FONTE: Adaptado de: <www.douglasfreitas.adv.br/dl_fi le.php?arquivo=down/arq..>. Acesso em:
5 mar. 2013.
3 FALÊNCIA
3.1 CONCEITO
Falência é o processo judicial através do qual o empresário é obrigado a
liquidar o seu patrimônio em benefício dos credores, ocasião em que se arrecada
o patrimônio do falido e são verifi cados os créditos, apurando-se o ativo e
procurando solver o passivo, porque a situação de insolvênciaé irreversível. É o
que se chama popularmente de “bancarrota”.
3.2 CARACTERIZAÇÃO DO ESTADO DE FALÊNCIA
Quando o empresário não tem condições de solver suas obrigações,
está caracterizada a sua insolvência. Mas, para instalar-se o estado de falência,
é necessária a concorrência de três pressupostos: 1) a qualidade de empresário
devedor; 2) a insolvência do devedor; 3) a declaração judicial da falência.
88
UNIDADE 1 | DIREITO EMPRESARIAL
1. A qualidade de empresário devedor: a falência só cabe contra o empresário
individual e conta com a sociedade empresária. Não conta a empresa pública,
sociedade de economia mista, instituição fi nanceira pública ou privada,
cooperativa de crédito, consórcio, entidade de previdência complementar,
sociedade operadora de plano de assistência à saúde, sociedade seguradora,
sociedade de capitalização e outras entidades legalmente equiparadas às
anteriores (LF, art. 2º, I E II).
FONTE: Disponível em: <www6.senado.gov.br/legislacao/ListaPublicacoes.action?id=250164>.
Acesso em: 5 mar. 2013.
1. A insolvência do devedor: dispõe o art. 94 da Lei das Falências que será
detectada falência do devedor que:
I. sem relevante razão de direito, não paga, no vencimento, obrigação
líquida materializada em título ou títulos executivos protestados,
cuja soma ultrapasse o equivalente a 40 salários-mínimos na data do
pedido de falência. Os credores podem reunir-se em litisconsórcio a
fi m de perfazer este limite;
II. executado por qualquer quantia líquida não paga, não deposita e
não nomeia à penhora bens sufi cientes dentro do prazo legal;
III. prática qualquer dos seguintes atos, exceto se fi zer parte do plano
de recuperação judicial:
a. procede à liquidação precipitada de seus ativos ou lança mão de
meios ruinosos ou fraudulentos para realizar pagamentos;
b. realiza ou, por atos inequívocos, tenta realizar, com o objetivo
de retardar pagamentos ou fraudar credores, negócio simulado ou
alienação de parte ou totalidade de seu ativo a terceiro, credor ou não;
c. transfere estabelecimento a terceiro, credor ou não, sem o
consentimento de todos os credores e sem fi car com os bens sufi cientes
para solver o passivo;
d. simula a transferência de seu principal estabelecimento com o
objetivo de burlar a legislação ou a fi scalização ou para prejudicar
credor;
e. dá ou reforça garantia ao credor por dívida contraída anteriormente,
sem fi car com bens livres e desembaraçados sufi cientes para saldar o
seu passivo;
f. ausenta-se sem deixar representante habilitado e com recursos
sufi cientes para pagar os credores; abandona estabelecimento ou tenta
ocultar-se de seu domicílio, do local de sua sede ou de seu principal
estabelecimento;
g. deixa de cumprir, no prazo estabelecido, obrigação assumida no
plano de recuperação judicial. (BRASIL, 2013).
Esses são os casos especiais de caracterização dos chamados atos de
falência.
2. A declaração judicial da falência: normalmente, a falência é requerida
por um dos credores quirografários, que exibe títulos da dívida vencida
(nota promissória, duplicata, cheque etc.) e a prova de caracterização da
impontualidade do devedor, para o que junta a certidão de protesto. É feito,
TÓPICO 6 | RECUPERAÇÃO DE EMPRESAS E FALÊNCIA
89
então, um requerimento que diz o motivo da falência. O pedido de falência,
seja qual for a sua fundamentação, deverá ser convenientemente instruído
para servir de base à decisão do juiz.
Em seguida, é dada ao devedor a oportunidade de defender-se:
a. Se o fundamento do pedido de falência for o da impontualidade (art.
94, I), dentro do prazo de contestação o empresário devedor poderá
suspender a falência depositando o valor da dívida acompanhada da
defesa. Evidentemente, feito o depósito, não haverá a declaração da
falência, ocasião em que a ação se converte em cobrança individual.
De qualquer maneira, poderá o requerido pagar a dívida dentro
desse prazo ou promover a devida defesa. Ainda dentro do prazo de
contestação, o devedor poderá pleitear sua recuperação judicial (LF,
art. 95).
b. Se fundado o pedido na ocorrência do chamado ato de falência
(art. 94, III), a defesa do devedor empresário, que recebe o nome
de embargos, deverá ser apresentada também dentro do prazo de
contestação. Será uma defesa com produção mais ampla de prova,
devido à complexidade do fato apresentado. (BRASIL, 2013).
Finalmente, cabe ao juiz decretar ou não a falência. Se decretar através de
sentença fundamentada, nomeará o administrador judicial e marcará prazo para
que os credores se habilitem, prazo esse que deverá ser de 15 dias. Não observado
esse prazo, as habilitações de crédito serão recebidas como retardatárias.
A decretação de falência determina o vencimento antecipado das dívidas
do devedor e dos sócios ilimitada e solidariamente responsáveis. O juízo da
falência é indivisível e competente (todas as ações deverão ser necessariamente
julgadas pelo mesmo juiz) para conhecer todas as ações sobre bens, interesses e
negócios do falido, ressalvadas as causas trabalhistas e fiscais.
Todas as ações terão prosseguimento com o administrador judicial, que
deverá ser intimado para representar a massa falida, sob pena de nulidade do
processo.
Vejamos o que dispõe o artigo 81 da Lei nº 11.101/1995:
Art. 81. A decisão que decreta a falência da sociedade com sócios
ilimitadamente responsáveis também acarreta a falência destes, que
ficam sujeitos aos mesmos efeitos jurídicos produzidos em relação
à sociedade falida e, por isso, deverão ser citados para apresentar
contestação, se assim o desejarem. (BRASIL, 2013).
90
UNIDADE 1 | DIREITO EMPRESARIAL
Aplica-se ao sócio que tenha se retirado voluntariamente ou que tenha
sido excluído da sociedade, há menos de dois anos. Quanto às dívidas existentes
na data do arquivamento da alteração do contrato, no caso de não terem sido
solvidas até a data da alteração do contrato, no caso de não terem sido solvidas
até a data da decretação da falência.
Aplica-se ao sócio que tenha se retirado voluntariamente ou que tenha
sido excluído da sociedade, há menos de dois anos. Quanto às dívidas existentes
na data do arquivamento da alteração do contrato, no caso de não terem sido
solvidas até a data da alteração do contrato, no caso de não terem sido solvidas
até a data da decretação da falência.
FONTE: Adaptado de: <www.mp.ce.gov.br/esmp/.../14_Pedro.Thiago.Costa.de.Freitas.pdf>.
Acesso em: 5 mar. 2013.
A sentença que acolhe o pedido do credor encerra a primeira fase do
processo falencial, conhecida como etapa pré-falencial. Ato contínuo, desencadeia-
se a segunda fase, a do processo de execução propriamente dito, chamada etapa
falencial, que é constituída por uma série de atos destinados à expropriação dos
bens do devedor, a fi m de satisfazer seus credores.
A partir do momento em que a sentença transita em julgado (ou seja,
quando dela não cabe mais recurso), ingressa-se no terreno da execução coletiva,
ocasião em que o juiz nomeia o administrador judicial.
O administrador judicial será profi ssional idôneo, preferencialmente
advogado, economista, administrador de empresas ou contador, ou pessoa
jurídica especializada. A ele será atribuída a missão especial de arrecadar todos
os bens do empresário falido. Todos os credores quirografários deverão vir ao
juízo da falência, provando os seus direitos, seus créditos.
Finalmente, o administrador judicial promoverá a venda dos bens da
massa, através do leilão público, e pagará os credores.
Primeiramente, paga-sea dívida aos credores privilegiados, tais como:
os credores trabalhistas, os tributários, os credores com direitos reais de garantia
etc. Do que sobrar, recebem os credores quirografários. Com isso, fi ca encerrada
defi nitivamente a insolvência.
Pelo exposto, tem-se que a falência é um processo de execução coletiva em
que são apurados o ativo e o passivo, pagando-se os credores na preferência de
seus créditos.
O falido fi ca inabilitado para exercer qualquer atividade empresarial a
partir da decretação da falência e até a sentença que extingue suas obrigações,
respeitando o disposto no §1º do art.181 da Lei de Falência. (Os efeitos da falência
perdurarão até cinco anos após a extinção da punibilidade, podendo, contudo,
cessar antes pela reabilitação penal), e poderá ser condenado pela prática de
crime falimentar previsto na Lei de Falências em seus arts. 168 a 178.
TÓPICO 6 | RECUPERAÇÃO DE EMPRESAS E FALÊNCIA
91
4 DA CLASSIFICAÇÃO DOS CRÉDITOS
A Lei de Falências estabelece as diferentes espécies de créditos, preferências
e privilégios a alguns credores, determinados pela própria natureza da respectiva
obrigação.
A Lei nº 11.101/2005, em seus artigos 83 e 84, dispõe sobre os créditos na
falência, classifi cando-os em:
a) créditos derivados da legislação do trabalho;
b) créditos com garantia real;
c) créditos tributários;
d) créditos com privilégio especial;
e) créditos com privilégio geral;
f) créditos quirografários;
g) as multas contratuais e as penas pecuniárias por infração das leis
penais ou administrativas, inclusive as multas tributárias;
h) créditos subordinados;
i) créditos extraconcursais. (BRASIL, 2013).
UNI
Os artigos 83 e 84 da Lei no 11.101/2005 dispõem sobre a classifi cação dos
créditos.
Seção II
Da Classifi cação dos Créditos
Art. 83. A classifi cação dos créditos na falência obedece à seguinte
ordem:
I - os créditos derivados da legislação do trabalho, limitados a 150 (cento e
cinquenta) salários mínimos por credor, e os decorrentes de acidentes de
trabalho;
II - créditos com garantia real até o limite do valor do bem gravado;
III - créditos tributários, independentemente da sua natureza e tempo de
constituição, excetuadas as multas tributárias;
92
UNIDADE 1 | DIREITO EMPRESARIAL
IV – créditos com privilégio especial, a saber:
a) os previstos no art. 964 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002;
b) os assim defi nidos em outras leis civis e comerciais, salvo disposição
contrária desta lei;
c) aqueles a cujos titulares a lei confi ra o direito de retenção sobre a coisa
dada em garantia;
V – créditos com privilégio geral, a saber:
a) os previstos no art. 965 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002;
b) os previstos no parágrafo único do art. 67 desta lei;
c) os assim defi nidos em outras leis civis e comerciais, salvo disposição
contrária desta lei;
VI – créditos quirografários, a saber:
a) aqueles não previstos nos demais incisos deste artigo;
b) os saldos dos créditos não cobertos pelo produto da alienação dos bens
vinculados ao seu pagamento;
c) os saldos dos créditos derivados da legislação do trabalho que excederem
o limite estabelecido no inciso I do caput deste artigo;
VII – as multas contratuais e as penas pecuniárias por infração das leis penais
ou administrativas, inclusive as multas tributárias;
VIII – créditos subordinados, a saber:
a) os assim previstos em lei ou em contrato;
b) os créditos dos sócios e dos administradores sem vínculo empregatício.
§ 1º Para os fi ns do inciso II do caput deste artigo, será considerado como
valor do bem objeto de garantia real a importância efetivamente arrecadada
com sua venda, ou, no caso de alienação em bloco, o valor de avaliação do
bem individualmente considerado.
§ 2º Não são oponíveis à massa os valores decorrentes de direito de sócio ao
recebimento de sua parcela do capital social na liquidação da sociedade.
§ 3º As cláusulas penais dos contratos unilaterais não serão atendidas se as
obrigações neles estipuladas se vencerem em virtude da falência.
§ 4º Os créditos trabalhistas cedidos a terceiros serão considerados
quirografários.
Art. 84. Serão considerados créditos extraconcursais e serão pagos
com precedência sobre os mencionados no art. 83 desta lei, na ordem a seguir,
os relativos a:
I – remunerações devidas ao administrador judicial e seus auxiliares, e
créditos derivados da legislação do trabalho ou decorrentes de acidentes
de trabalho relativos a serviços prestados após a decretação da falência;
IV – créditos com privilégio especial, a saber:
a) os previstos no art. 964 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002;
b) os assim defi nidos em outras leis civis e comerciais, salvo disposição
contrária desta lei;
c) aqueles a cujos titulares a lei confi ra o direito de retenção sobre a coisa
dada em garantia;
V – créditos com privilégio geral, a saber:
a) os previstos no art. 965 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002;
b) os previstos no parágrafo único do art. 67 desta lei;
c) os assim defi nidos em outras leis civis e comerciais, salvo disposição
contrária desta lei;
VI – créditos quirografários, a saber:
a) aqueles não previstos nos demais incisos deste artigo;
b) os saldos dos créditos não cobertos pelo produto da alienação dos bens
vinculados ao seu pagamento;
c) os saldos dos créditos derivados da legislação do trabalho que excederem
o limite estabelecido no inciso I do caput deste artigo;
VII – as multas contratuais e as penas pecuniárias por infração das leis penais
ou administrativas, inclusive as multas tributárias;
VIII – créditos subordinados, a saber:
a) os assim previstos em lei ou em contrato;
b) os créditos dos sócios e dos administradores sem vínculo empregatício.
§ 1º Para os fi ns do inciso II do caput deste artigo, será considerado como
valor do bem objeto de garantia real a importância efetivamente arrecadada
com sua venda, ou, no caso de alienação em bloco, o valor de avaliação do
bem individualmente considerado.
§ 2º Não são oponíveis à massa os valores decorrentes de direito de sócio ao
recebimento de sua parcela do capital social na liquidação da sociedade.
§ 3º As cláusulas penais dos contratos unilaterais não serão atendidas se as
obrigações neles estipuladas se vencerem em virtude da falência.
§ 4º Os créditos trabalhistas cedidos a terceiros serão considerados
quirografários.
Art. 84. Serão considerados créditos extraconcursais e serão pagos
com precedência sobre os mencionados no art. 83 desta lei, na ordem a seguir,
os relativos a:
I – remunerações devidas ao administrador judicial e seus auxiliares, e
créditos derivados da legislação do trabalho ou decorrentes de acidentes
de trabalho relativos a serviços prestados após a decretação da falência;
TÓPICO 6 | RECUPERAÇÃO DE EMPRESAS E FALÊNCIA
93
II – quantias fornecidas à massa pelos credores;
III – despesas com arrecadação, administração, realização do ativo e
distribuição do seu produto, bem como custas do processo de falência;
IV – custas judiciais relativas às ações e execuções em que a massa falida tenha
sido vencida;
V – obrigações resultantes de atos jurídicos válidos praticados durante a
recuperação judicial, nos termos do art. 67 desta lei, ou após a decretação
da falência, e tributos relativos a fatos geradores ocorridos após a
decretação da falência, respeitada a ordem estabelecida no art. 83 desta
lei. (BRASIL, 2013).
II – quantias fornecidas à massa pelos credores;
III – despesas com arrecadação, administração, realização do ativo e
distribuição do seu produto, bem como custas do processo de falência;
IV – custasjudiciais relativas às ações e execuções em que a massa falida tenha
sido vencida;
V – obrigações resultantes de atos jurídicos válidos praticados durante a
recuperação judicial, nos termos do art. 67 desta lei, ou após a decretação
da falência, e tributos relativos a fatos geradores ocorridos após a
decretação da falência, respeitada a ordem estabelecida no art. 83 desta
lei. (BRASIL, 2013).
FONTE: Disponível em: <www.senado.gov.br/sf/senado/advocacia/pdf/ADI3424.pdf>. Acesso
em: 5 mar. 2013.
ALMEIDA (2010, p. 251-253), referenciando Sampaio de Lacerda, sobre o
assunto explica:
Se na falência os bens do devedor constituem a garantia comum
dos credores, evidentemente que o produto da venda deles deve ser
dividido proporcionalmente ao valor dos créditos. A falência é, de
fato, processo igualitário, isto é, que visa colocar todos os credores na
mesma igualdade (pars conditio creditorum). Essa igualdade, todavia,
não deve ser considerada de modo absoluto. Corresponde a uma
igualdade de credores dentro de cada classe. De fato, como a falência
não altera os direitos materiais dos credores, para que esses direitos
sejam respeitados na execução coletiva, impõe-se a sua classifi cação,
a fi m de que cada credor receba o que legitimamente lhe é devido.
Há, portanto, créditos que, por sua natureza ou qualidade, fogem à
repartição proporcional e gozam de prioridade no pagamento.
94
RESUMO DO TÓPICO 6
Neste tópico você aprendeu:
• Que a Lei nº 11.101/2005 regula o processo de recuperação judicial e falência
no Brasil.
• A recuperação judicial tem por objetivo viabilizar a superação de crise
econômico-financeira da empresa, a fim de permitir a manutenção da fonte
produtora, do emprego dos trabalhadores e dos interesses dos credores.
• A falência é o processo judicial através do qual o empresário é obrigado a
liquidar o seu patrimônio em benefício dos credores, ocasião em que se arrecada
o patrimônio do falido e são verificados os créditos, apurando-se o ativo e
procurando solver o passivo, porque a situação de insolvência é irreversível.
A Lei nº 11.101/2005 classifica os créditos dos credores na recuperação judicial
e falência em: créditos derivados da legislação do trabalho; créditos com
garantia real; créditos tributários; créditos com privilégio especial; créditos
com privilégio geral; créditos quirografários; as multas contratuais e as penas
pecuniárias por infração das leis penais ou administrativas, inclusive as multas
tributárias; créditos subordinados e créditos extraconcursais.
95
Responda às questões a seguir:
1 Cite as formas de recuperação das empresas.
2 Cite qual o efeito da falência em relação às dívidas do falido.
3 Qual o prazo de inabilitação do empresário falido para exercer qualquer
atividade empresarial?
4 Como se caracteriza o estado de insolvência?
AUTOATIVIDADE