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NÃO FAÇA A PROVA SEM SABER 4 MPMG

Material de revisão (Ciclos de Revisão MP/MG, Grupo Temático 4) sobre Direito Material Coletivo: trata de bens coletivos, conflituosidade interna dos interesses difusos com exemplos (sindicatos/greves) e de Direitos Humanos (definição, fundamentação jusnaturalista e classificação por gerações).

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1 
 
NÃO FAÇA A PROVA SEM SABER – GRUPO TEMÁTICO 4 
CICLOS DE REVISÃO MP/MG 
 
 
 
 
SUMÁRIO 
 
 
 
1. Direito Material Coletivo.........................................................................................02 
2. Direito Processual Coletivo.....................................................................................82 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
2 
 
DIREITO MATERIAL COLETIVO1 
 
 
BENS COLETIVOS E RELAÇÕES GRUPAIS 
 
#DEOLHONOEDITAL: 
- Conflituosidade interna dos interesses difusos: reflete um conflito de participação política (capacidade de 
influenciar decisões) em um interesse indivisível (e não um conflito entre interesses opostos). 
 
- A conflituosidade é gerada pela heterogeneidade dos titulares de um mesmo interesse indivisível. Esse 
fenômeno é chamado pela doutrina costuma de “m|xima conflituosidade interna dos interesses difusos”. 
 
- Exemplo: conflito difuso entre o direito ao desenvolvimento econômico e o direito à proteção ambiental pode 
se manifestar mesmo no caso concreto, como um conflito entre o direito (individual) de liberdade no uso da 
propriedade e o interesse (metaindividual) ao meio ambiente ecologicamente equilibrado. 
 
- As ações coletivas são terreno fértil para o surgimento de conflitos de interesses dentro do grupo. Exemplo 
muito comum que acontece é a situação dos sindicatos representativos de determinada categoria que ajuízam 
ações relativas ao direito de greve para declarar a legalidade de movimentos por ela comandados. Embora tais 
entidades dirijam os movimentos grevistas, o fato é que a greve constitui direito exercitado pelas categorias que 
representam. 
 
- Contradições internas dentro de um grupo: é comum que no processo coletivo surjam dissidências entre os 
interesses dos integrantes do grupo ou entre os interesses de parte destes integrantes e o ente que os 
representa em juízo. 
 
 
DIREITOS HUMANOS 
 
André de Carvalho Ramos define direitos humanos como um conjunto de direitos considerado indispensável para 
uma vida humana pautada na liberdade, igualdade e dignidade. Os direitos humanos são, em suma, todos os 
direitos essenciais e indispensáveis à vida digna, não havendo um rol predefinido. 
 
Quanto aos fundamentos dos Direitos Humanos, prevalece a Teoria JUSNATURALISTA  Os direitos humanos 
se fundamentam em uma ordem superior, universal, imutável e inderrogável; 
 
#POSIÇÃODEPROVA: O entendimento majoritário é o de que os direitos humanos não encontram seu 
fundamento na positivação de suas normas. 
 
1 Por Liana Schuler. 
 
 
 
3 
 
 
#DEOLHONOEDITAL: 
No que diz respeito à classificação dos Direitos Humanos: 
 
- Classificação tradicional: A doutrina divide os direitos humanos em gerações. 
PRIMEIRA GERAÇÃO: Direitos civis e políticos, ou direitos de liberdade. Afirma-se a partir de ideais iluministas e 
liberais em voga nos séculos XVIII e XIX e dos movimentos político-sociais da descolonização da América Latina. 
Tais direitos são oponíveis contra o Estado. 
 
SEGUNDA GERAÇÃO: Refere-se aos direitos econômicos, sociais e culturais. São também conhecidos como 
“direitos de igualdade”. Relaciona-se com as consequências negativas da Revolução Industrial e do liberalismo 
sobre significativos contingentes humanos. Exigem do Estado prestações positivas. 
 
TERCEIRA GERAÇÃO: S~o os “direitos de fraternidade”, de car|ter difuso, que n~o se distinguem 
especificamente a um indivíduo ou a um grupo social, mas ao próprio gênero humano como um todo. Ex.: direito 
ao meio ambiente, à comunicação e ao patrimônio comum da humanidade. 
 
QUARTA GERAÇÃO (?) PAULO BONAVIDES defende a existência de uma quarta geração dos direitos humanos, 
adequada ao período da globalização na área política e à formação de um mundo marcado por fronteiras 
nacionais mais permeáveis, incluindo o direito à informação, à democracia e ao pluralismo. 
 
QUINTA GERAÇÃO (?) PAULO BONAVIDES defende ainda a existência de uma quinta geração de direitos 
humanos, preocupada com a PAZ MUNDIAL, entendida como fundamento da ‘alforria espiritual, moral e social 
dos povos, das civilizações e das culturas’ da forma de governar a sociedade ‘de modo a punir terrorista, julgar 
criminoso de guerra, encarcerar o torturador, manter invioláveis as bases do pacto social, estabelecer e 
conservar por intangíveis as regras, princípios e cl|usulas da comunh~o política.’ 
 
#APROFUNDAMENTO: Para alguns autores, a caracterização dos direitos humanos em gerações fere a 
indivisibilidade e a interdependência desses direitos, gerando uma visão fragmentária e hierarquizada. Afinal, o 
surgimento desses direitos não necessariamente se deu em caráter sucessivo, mas de forma concomitante, 
quando não em ordem diversa, como cita Mazzuoli ao recordar a criação da OIT em 1919, quando muitos direitos 
sociais se consolidaram no campo internacional antes dos direitos políticos. 
 
- Classificação conforme o Direito Internacional dos Direitos Humanos: as dimensões dos direitos humanos: 
A doutrina passou a classificar os direitos humanos em civis e políticos de um lado, e econômicos, sociais e 
culturais de outro, formando as ‘dimensões’ dos direitos humanos a partir da celebraç~o, em 1966, do Pacto 
Internacional dos Direitos Civis e políticos e do Pacto Internacional dos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais. 
 
1ª DIMENSÃO  DIREITOS CIVIS E POLÍTICOS, ‘a expans~o da personalidade sem interferência do Estado’ e 
‘proteç~o dos atributos que caracterizam a personalidade moral e física do indivíduo.’ Os direitos políticos seriam 
 
 
 
4 
 
aqueles exercidos frente ao Estado ou no Estado, consistindo em ‘poderes da pessoa de tomar parte na vida 
política e na direç~o dos assuntos políticos de seu país.’ 
 
2ª DIMENSÃO  DIREITOS ECONÔMICOS, SOCIAIS E CULTURAIS. José Afonso da Silva afirma que têm uma 
dimensão institucional, baseada no poder estatal de regular o mercado, em vista do interesse público. Os direitos 
sociais teriam a ver com ‘prestações positivas proporcionadas pelo Estado.’ Os direitos culturais s~o os que se 
relacionam aos elementos portadores de referência à identidade, à ação, à memória de uma sociedade, sendo 
composto por bens físicos e espirituais. 
 
3ª DIMENSÃO (?)  Carlos Weis trata ainda da dimensão adicional dos direitos humanos, os “direitos globais”, 
que corresponderiam aos direitos de terceira geração. 
 
O termo “dimens~o” é mais adequado para compor uma classificaç~o dos direitos humanos, visto que a 
express~o “geraç~o” pode induzir a erro, dando a entender que tais direitos se substituem ao longo da história, 
o que não é o caso. Assim, o termo dimensões reflete melhor a complementariedade e a interdependência dos 
direitos humanos. 
 
#ATENÇÃO: Em qualquer caso, o mero fato de os direitos serem classificados em gerações ou dimensões não 
tem qualquer relação com sua eficácia. 
#EXEMPLOS: 
 Direitos civis: autonomia do indivíduo contra interferências do Estado ou de terceiros; 
 Direitos políticos: De participação, ativa ou passiva, na elaboração das decisões políticas e na gestão da 
coisa pública); 
 Direitos econômicos: Organização da vida econômica, na ótica produtor-consumidor; 
 Direitos sociais: Asseguram uma vida material digna, exigindo prestações positivas do Estado); 
 Direitos culturais: Participação do indivíduo na vida cultural de uma comunidade, bem como a manutençãodo patrimônio histórico-cultural, que concretiza sua identidade e a memória. 
 
#DEOLHONOEDITAL: 
 
GERAÇÕES CLASSIFICAÇÃO CONFORME O DIREITO 
INTERNACIONAL - DIMENSÕES 
1ª geração: direito de liberdade Direitos civis e políticos 
2ª geração: direito de igualdade Direitos econômicos, sociais e culturais 
3ª geração: direito de fraternidade, vinculados à 
cooperação internacional e à promoção da igualdade 
entre os povos (paz, desenvolvimento, meio 
ambiente, etc) 
Direitos globais. 
 
 
 
5 
 
 
4ª geração: globalização dos direitos humanos 
5ª geração: paz 
#OLHAOGANCHO: IDC 
- O Incidente de Deslocamento de Competência (IDC) do art. 109, §5º, da CF é considerado um instrumento 
jurídico decorrente do dever internacional do Estado Brasileiro de estabelecer recursos internos eficazes e de 
duração razoável para a proteção dos direitos humanos. 
- Neste IDC, debatem-se: (i) O direito violado no caso concreto; (ii) A violação da obrigação internacional 
assumida pelo Estado brasileiro de prestar adequadamente justiça em prazo razoável. 
 
Os requisitos do IDC são: 
1) Legitimidade exclusiva de propositura do Procurador-Geral da República. 
2) Competência privativa do Superior Tribunal de Justiça, para conhecer e decidir, com recurso ao STF (recurso 
extraordinário). 
3) Abrangência cível ou criminal dos feitos deslocados, bem como de qualquer espécie de direitos humanos 
(abarcando todas as gerações de direitos) desde que se refiram a casos de “graves violações” de tais direitos. 
4) Permite o deslocamento na fase pré - processual (ex., inquérito policial ou inquérito civil público) ou já na 
fase processual. 
5) Relaciona-se ao cumprimento de obrigações decorrentes de tratados de direitos humanos celebrados pelo 
Brasil. 
6) Fixa a competência da Justiça Federal e do Ministério Público Federal para atuar no feito deslocado. 
 
#CONSTITUCIONALIDADE DO IDC: Prevalece na doutrina que a reforma constitucional não ofende o federalismo. 
Pelo contrário, permite o equilíbrio, por meio de um instrumento processual, cuja deliberação está nas mãos de 
tribunal de superposição, o STJ, e ainda assegura que o Estado Federal possua mecanismos para o correto 
cumprimento das obrigações internacionais contraídas. 
 
AÇÕES AFIRMATIVAS 
 
#DEOLHONOEDITAL: 
- Ações afirmativas: consistem em políticas públicas ou programas privados, em geral de caráter temporário, 
desenvolvidos para reduzir desigualdades decorrentes de discriminações ou de hipossuficiência, por meio da 
concessão de algum tipo de vantagem compensatória dessas condições. Exemplo: política de cotas nas 
universidades. 
- Discriminação direta: há um ato volitivo de discriminar, de retirar direitos ou colocar um grupo em 
desvantagem. Discriminação indireta: quando um ato aparentemente neutro, inofensivo e igualitário tem o 
 
 
 
6 
 
efeito de colocar indivíduos ou grupos de desvantagem ou em perda de direitos, trazendo consequências 
negativas. 
- Nesse contexto, surgem as chamadas ações afirmativas, que consistem em medidas públicas ou privadas, de 
caráter coercitivos ou não, adotadas com o fim de beneficiar grupos em situação de desvantagem ou exclusão 
em virtude de uma condição que de algum modo cause, sob o ponto de vista social, aquela situação de 
desvantagem ou exclusão (a chamada discriminação positiva), buscando a realização de igualdade 
fática/real/substancial entre grupos a partir de medidas formalmente desiguais 
 
PESSOAS EM SITUAÇÃO DE RUA 
 
#DEOLHONOEDITAL: 
- Considera-se população em situação de rua o grupo populacional heterogêneo que possui em comum a 
pobreza extrema, os vínculos familiares interrompidos ou fragilizados e a inexistência de moradia convencional 
ou regular, e que utiliza os logradouros públicos e as áreas degradadas como espaço de moradia e sustento, de 
forma temporária ou permanente, bem como as unidades de acolhimento para pernoite temporária ou como 
moraria provisória (art. 1º, parágrafo único, do Decreto nº 7.053/2009). 
- A “situação de rua primária” é aquela das pessoas que ainda possuem algum abrigo ou lugar habitável 
eventual, ou seja, pessoas que vivem na rua, mas ainda possuem, p. ex., uma casa de familiar ou mesmo abrigo 
público para um apoio eventual. J| “situação de rua secundária” é aquela das pessoas que n~o têm um lugar de 
residência habitual, estando direta e permanente vivendo sem moradia física ou abrigo mesmo que eventual. 
- Pessoas em situação de rua e direito à saúde mental: Objetiva assegurar os direitos sociais da população em 
situação de rua, criando condições para promover a garantia dos seus direitos fundamentais, da sua autonomia, 
integração e participação efetiva na sociedade. 
 
- São princípios da Política Nacional para a População em Situação de Rua: respeito à dignidade da pessoa 
humana; direito à convivência familiar e comunitária; valorização e respeito à vida e à cidadania; atendimento 
humanizado e universalizado; e respeito às condições sociais e diferenças de origem, raça, idade, nacionalidade, 
gênero, orientação sexual e religiosa, com atenção especial às pessoas com deficiência. 
 
- Cabe ao Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, por intermédio da Secretaria Nacional de 
Assistência Social, fomentar e promover a reestruturação e a ampliação da rede de acolhimento a partir da 
transferência de recursos aos Municípios, Estados e Distrito Federal. 
 
- No âmbito federal, a Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República instituirá o Centro 
Nacional de Defesa dos Direitos Humanos para a População em Situação de Rua, destinado a promover e 
defender os respectivos direitos. 
 
LGBTI 
 
#DEOLHONOEDITAL: 
 
 
 
7 
 
- Segundo a Resolução 12/2015 do Conselho Nacional, deve ser garantido pelas instituições de ensino o 
reconhecimento e a adoção do nome social àquele cuja identificação civil não reflita adequadamente sua 
identidade de gênero, mediante solicitação do próprio interessado. Deve ser garantido, também o tratamento 
oral exclusivamente pelo nome social. 
- Recomenda-se a utilização do nome civil para a emissão de documentos oficiais, garantindo 
concomitantemente, com igual ou maior destaque a referência ao nome social. 
- Quatro princípios devem orientar direitos sexuais e reprodutivos: (a) universalidade (b) indivisibilidade (c) 
diversidade e (d) democrático. 
- Transexual: a retificação de registro de nascimento quanto ao nome e sexo de transgênero foi analisada pelo 
STJ: A Turma, no REsp 737.993-MG, entendeu que, no caso, o transexual operado, conforme laudo médico 
anexado aos autos, convicto de pertencer ao sexo feminino, portando-se e vestindo-se como tal, fica exposto a 
situações vexatórias ao ser chamado em público pelo nome masculino, visto que a intervenção cirúrgica, por si 
só, não é capaz de evitar constrangimentos. Assim, acentuou que a interpretação conjugada dos arts. 55 e 58 da 
Lei de Registros Públicos confere amparo legal para que o recorrente obtenha autorização judicial a fim de 
alterar seu prenome, substituindo-o pelo apelido público e notório pelo qual é conhecido no meio em que vive, 
ou seja, o pretendido nome feminino. [...]. Nesse contexto, [...], decidiu-se autorizar a mudança de sexo de 
masculino para feminino, que consta do registro de nascimento, adequando-se documentos, logo facilitando a 
inserção social e profissional. Destacou-se que os documentos públicos devem ser fiéis aos fatos da vida, além 
do que deve haver segurança nos registros públicos. [...] Todavia, tal averbação deve constar apenas do livro deregistros, não devendo constar, nas certidões do registro público competente, nenhuma referência de que a 
aludida alteração é oriunda de decisão judicial, tampouco de que ocorreu por motivo de cirurgia de mudança 
de sexo, evitando, assim, a exposição do recorrente a situações constrangedoras e discriminatórias. (STJ, REsp 
737.993-MG, Rel. Min. João Otávio de Noronha, julgado em 10/11/2009 (Info n. 411)). 
- ENUNCIADO N. 42 do CNJ: quando comprovado o desejo de viver e ser aceito enquanto pessoa do sexo oposto, 
resultando numa incongruência entre a identidade determinada pela anatomia de nascimento e a identidade 
sentida, a cirurgia de transgenitalização é dispensável para a retificação de nome no registro civil. 
- ENUNCIADO N. 43 do CNJ - É possível a retificação do sexo jurídico sem a realização da cirurgia de 
transgenitalização. 
Princípios de Yogyakarta: tratam-se de normas de direitos humanos e de sua aplicação a questões de orientação 
sexual e identidade de gênero. O art. 3° dispõe: Toda pessoa tem o direito de ser reconhecida, em qualquer lugar, 
como pessoa perante a lei. As pessoas de orientações sexuais e identidades de gênero diversas devem gozar de 
capacidade jurídica em todos os aspectos da vida. A orientaç~o sexual e identidade de gênero autodefinida por 
cada pessoa constituem parte essencial de sua personalidade e um dos aspectos mais básicos de sua 
autodeterminação, dignidade e liberdade. Nenhuma pessoa deverá ser forçada a se submeter a procedimentos 
médicos, inclusive cirurgia de mudança de sexo, esterilização ou terapia hormonal, como requisito para o 
reconhecimento legal de sua identidade de gênero. Nenhum status, como casamento ou status parental, pode 
ser invocado para evitar o reconhecimento legal da identidade de gênero de uma pessoa. Nenhuma pessoa deve 
ser submetida a pressões para esconder, reprimir ou negar sua orientação sexual ou identidade de gênero. 
 
 
 
 
8 
 
- Crianças em condição de intersexo: O intersexo é uma condição de nascença em que os órgãos sexuais e/ou 
reprodutivos não correspondem ao que a sociedade espera para o sexo masculino ou feminino. Esta situação 
pode se expressar na dúvida sobre o sexo da criança ou, em adolescentes criadas como meninas, na ausência de 
útero, ovário ou presença de testículo na região do abdome. 
 
- Diferentemente da situação de intersexo, na transexualidade não há dúvida sobre o sexo da criança ao 
nascimento. Para as pessoas transexuais, seu corpo não expressa a forma como se sentem e como percebem seu 
gênero. 
 
- No processo de definição do sexo do bebê a família é de extrema importância. A equipe multidisciplinar deve 
dar suporte à família, sendo que o eixo orientador das decisões deve ser: a dignidade, o bem-estar e a saúde 
integral da criança. 
 
 
MULHERES 
 
 
#DEOLHONOEDITAL: 
- A violência doméstica e familiar contra a mulher qualquer ação ou omissão baseada no gênero que lhe cause 
morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico e dano moral ou patrimonial: I - no âmbito da unidade 
doméstica, compreendida como o espaço de convívio permanente de pessoas, com ou sem vínculo familiar, 
inclusive as esporadicamente agregadas; II - no âmbito da família, compreendida como a comunidade formada 
por indivíduos que são ou se consideram aparentados, unidos por laços naturais, por afinidade ou por vontade 
expressa; III - em qualquer relação íntima de afeto, na qual o agressor conviva ou tenha convivido com a 
ofendida, independentemente de coabitação e de orientação sexual. 
 
- Finalidades da Lei Maria da Penha: 
a) coibir e prevenir a violência doméstica e familiar contra a mulher; 
b) criação dos Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a mulher (competência cível e criminal); 
c) Estabelece medidas de assistência à mulher em situação de violência doméstica e familiar; 
d) Estabelece medidas de proteção à mulher em situação de violência doméstica e familiar. 
 
- A mulher vítima de violência doméstica e familiar terá uma tríplice assistência: 
a) assistência social 
b) assistência à saúde(SUS) 
c) assistência à segurança(art. 11 e art. 12). 
 
- Segundo o STF, a LMP é constitucional, tendo predicados de ação afirmativa, fornecendo instrumentos para 
garantir a igualdade a um destinatário. Trabalha a igualdade de fato. 
 
 
 
9 
 
- Violência de gênero: é a violência preconceito, tendo como motivação a opressão à mulher, fundamento de 
aplicação da LMP. Trata-se da violência que se vale da hipossuficiência da vítima mulher, discriminação quanto ao 
sexo feminino. 
Art. 5o Para os efeitos desta Lei, configura violência doméstica e familiar contra a mulher qualquer ação ou omissão 
baseada no gênero que lhe cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico e dano moral ou patrimonial: 
I - no âmbito da unidade doméstica, compreendida como o espaço de convívio permanente de pessoas, com ou sem 
vínculo familiar, inclusive as esporadicamente agregadas; 
II - no âmbito da família, compreendida como a comunidade formada por indivíduos que são ou se consideram 
aparentados, unidos por laços naturais, por afinidade ou por vontade expressa; 
III - em qualquer relação íntima de afeto, na qual o agressor conviva ou tenha convivido com a ofendida, 
independentemente de coabitação. 
Parágrafo único. As relações pessoais enunciadas neste artigo independem de orientação sexual. 
 
- São formas de violência: I - a violência física; II - a violência psicológica; III - a violência sexual; IV - a violência 
patrimonial; V - a violência moral. 
 
- Medidas protetivas de urgência à ofendida: encaminhamento da ofendida e seus dependentes a programa 
oficial ou comunitário de proteção ou de atendimento; determinar a recondução da ofendida e a de seus 
dependentes ao respectivo domicílio, após afastamento do agressor; determinar o afastamento da ofendida do 
lar, sem prejuízo dos direitos relativos a bens, guarda dos filhos e alimentos; determinar a separação de corpos. 
 
- Para fins de proteção patrimonial, asseguram-se: a restituição de bens indevidamente subtraídos pelo agressor 
à ofendida; proibição temporária para a celebração de atos e contratos de compra, venda e locação de 
propriedade em comum, salvo expressa autorização judicial; suspensão das procurações conferidas pela 
ofendida ao agressor; prestação de caução provisória, mediante depósito judicial, por perdas e danos materiais 
decorrentes da prática de violência doméstica e familiar contra a ofendida. 
- Vale lembrar que a violência obstétrica pode ocorrer durante a gestação, parto e abortamento. 
- Os hospitais devem oferecer às vítimas de violência sexual atendimento emergencial, integral e 
multidisciplinar, visando ao controle e ao tratamento dos agravos físicos e psíquicos decorrentes de violência 
sexual, e encaminhamento, se for o caso, aos serviços de assistência social. 
- Os serviços são prestados de forma gratuita a quem necessitar, compreendendo: I - diagnóstico e tratamento 
das lesões físicas no aparelho genital e nas demais áreas afetadas; II - amparo médico, psicológico e social 
imediatos; III - facilitação do registro da ocorrência e encaminhamento ao órgão de medicina legal e às delegacias 
especializadas com informações que possam ser úteis à identificação do agressor e à comprovação da violência 
sexual; IV - profilaxia da gravidez; V - profilaxia das Doenças Sexualmente Transmissíveis - DST; VI - coleta de 
material para realização do exame de HIV para posterior acompanhamento e terapia; VII - fornecimento de 
informações às vítimas sobre os direitos legais e sobre todos os serviços sanitários disponíveis. 
 
- Lei12.845/2013: 
 
 
 
10 
 
Art. 3o O atendimento imediato, obrigatório em todos os hospitais integrantes da rede do SUS, compreende os 
seguintes serviços: 
I - diagnóstico e tratamento das lesões físicas no aparelho genital e nas demais áreas afetadas; 
II - amparo médico, psicológico e social imediatos; 
III - facilitação do registro da ocorrência e encaminhamento ao órgão de medicina legal e às delegacias especializadas 
com informações que possam ser úteis à identificação do agressor e à comprovação da violência sexual; 
IV - profilaxia da gravidez; 
V - profilaxia das Doenças Sexualmente Transmissíveis - DST; 
VI - coleta de material para realização do exame de HIV para posterior acompanhamento e terapia; 
VII - fornecimento de informações às vítimas sobre os direitos legais e sobre todos os serviços sanitários disponíveis. 
 
- Descumprimento de medidas protetivas de urgência da Lei 11.340/06 (INFO 538, STJ) 
- Pode ser fixado multa 
- Pode ser decretada prisão preventiva 
 - Não configura crime de desobediência 
 Regra: Lei prevê sanção civil, administrativa ou processual penal (prisão cautelar) para a desobediência de 
ordem específica 
- N~o configura o crime do art. 330, salvo se a própria lei fizer a ressalva expressa (“sem prejuízo da sanção 
penal”) 
 
- Aplicação da Lei Maria da Penha nas ações civis (INFO 535, STJ): Medidas protetivas de urgência não tem 
natureza penal – podem ser aplicadas em ação cautelar civil de natureza satisfativa, independentemente da 
existência de Inquérito Policial ou Ação Penal 
- Súmula 536-STJ: A suspensão condicional do processo e a transação penal não se aplicam na hipótese de delitos 
sujeitos ao rito da Lei Maria da Penha. (INFO 564, STJ) 
- Súmula 542-STJ: A ação penal relativa ao crime de lesão corporal resultante de violência doméstica contra a 
mulher é pública incondicionada. (INFO 567, STJ) 
 
 
COMUNIDADES TRADICIONAIS E QUILOMBOLAS 
 
#DEOLHONOEDITAL: 
- O Decreto nº 6.040, de 7 de fevereiro de 2007, estabelecer a Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável 
dos Povos e Comunidades Tradicionais. Os moradores das comunidades de remanescentes de quilombos serão 
beneficiários de incentivos específicos para a garantia do direito à saúde, incluindo melhorias nas condições 
ambientais, no saneamento básico, na segurança alimentar e nutricional e na atenção integral à saúde. 
- Cabe à própria comunidade quilombola decidir quem é ou não quilombola: escolheu-se o critério da 
autoafirmação. 
Aos remanescentes das comunidades dos quilombos que estejam ocupando suas terras é reconhecida a 
propriedade (coletiva) definitiva, devendo o Estado emitir-lhes os títulos respectivos. 
 
 
 
11 
 
- A competência para demarcação da terra dos quilombolas é do INCRA, assistido pela Fundação Cultural 
Palmares. 
- Garífunas – grupo formado pela miscigenação de indígenas e quilombolas – espalhados por vários países. Eles 
encerram essa questão de divisão étnica entre índios e quilombolas, mas sofrem violações por terem que fazer a 
escolha por um ramo de proteção. 
 
#ATENÇÃO: A Lei 13.043/2014 conferiu isenção de ITR aos imóveis oficialmente reconhecidos como quilombos, 
ocupados e explorados pelos membros da comunidade. 
 
Cabe tecer algumas diferenciações entre a propriedade quilombola e a posse indígena: 
 
Posse Quilombola Posse Indígena 
Propriedade (art. 68, ADCT) Posse/usufruto (art. 231, § 2º, CF) 
Propriedade coletiva-privada (mas inalienável, 
impenhorável e imprescritível) 
Propriedade da União (art. 20, XI) 
Isenção do ITR (Lei n. 13.043/14) Imunidade tributária recíproca (art. 150, IV, a) 
Advento da CF/88 (ou abolição da escravatura) não 
constitui marco para seu reconhecimento. 
Advento da CF/88 constitui marco para 
reconhecimento de suas áreas (ocupação). 
 
 
RACISMO 
 
 
Racismo Institucional: O racismo deve ser reconhecido também como um sistema, uma vez que se organiza e se 
desenvolve através de estruturas, políticas, práticas e normas capazes de definir oportunidades e valores para 
pessoas e populações a partir de sua aparência, atuando em diferentes níveis: pessoal, interpessoal e 
institucional, excluindo seletivamente grupos racialmente subordinados - negros, indígenas, ciganos, para citar a 
realidade latino-americana e brasileira da diáspora africana. 
 
Caso Paradigma do Racismo 
Institucional 
(SIMONE ANDRÉ DINIZ x Brasil) 
de 21 de outubro de 2006 
 
 
 
 
 
 
 
Decisão: Primeira vez que um país membro da OEA é responsabilizado na 
Comissão Interamericana por racismo, tendo o caso se tornado paradigma 
do denominado “racismo institucional”. A Comiss~o recomendou ao Brasil: 
reparar material e moralmente a vítima pela violação de DH (art. 24 e art. 
1.1 da CADH); reconhecer publicamente a responsabilidade internacional; 
conceder apoio financeiro à vítima para iniciar e concluir curso superior; 
realizar modificações legislativas e administrativas para que a legislação 
antirracismo seja efetiva; realizar investigação completa, imparcial e efetiva 
dos fatos; adotar e instrumentalizar medidas de educação dos funcionais 
de justiça e da polícia; promover um encontro com organismos 
representados da imprensa brasileira para elaborar compromisso para 
 
 
 
12 
 
 evitar a publicidade de denúncias de cunho racista; organizar seminários 
estaduais com representantes do PJ, MP e Secretárias de Segurança 
Pública locais; solicitar aos governos estaduais a criação de delegacias 
especializadas na investigação de crimes raciais; solicitar aos MPEs e 
criação de Promotorias especializadas; promover campanhas publicitárias 
contra a discriminação racial e o racismo. 
 
DIREITO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE2 
 
- A teoria da proteção integral sustenta um modelo de tratamento da infância e juventude dotado de direitos 
próprios e especiais, considerando a condição peculiar de pessoas em desenvolvimento. A proteção proposta 
deve ser diferenciada, especializada e integral. A Constituição Federal, no art. 227, estabelece direitos 
fundamentais de todas as crianças e adolescentes, vedando quaisquer tipos de discriminações, prevendo, assim, 
a proteção integral. Tal proteção integral engloba um conjunto amplo de mecanismos jurídicos voltados à tutela 
da criança e do adolescente, não se limitando a tratar de medidas repressivas contra seus atos infracionais. 
- Nesse sentido, Luciano Rossato aduz que o “metaprincípio da proteç~o integral orienta a prescriç~o de direitos 
às pessoas em desenvolvimento, e impõe deveres à sociedade, de modo a consubstanciar um status jurídico 
especial às crianças e adolescentes. Mesmo sendo pessoa em desenvolvimento, tem a criança e o adolescente o 
direito de manifestarem oposição e exercerem seus direitos em face de qualquer pessoa, inclusive seus pais. A 
proteção integral revela, pois, que crianças e adolescentes são titulares de interesses subordinantes frente à 
família, { sociedade e ao Estado”. 
- A teoria da proteção integral surgiu para substituir e se contrapor à antiga teoria da situação irregular 
consubstanciada no Código de Menores de 1979. 
- Houve uma mudança de paradigma a partir da Constituição Federal no que tange à tutela infanto-juvenil. A 
Constituição Cidadã, amparada em textos internacionais de proteção aos direitos da criança, representados pela 
Doutrina das Nações Unidas de Direitos da Criança, rompeu com o sistema anterior da ultrapassada doutrina da 
situação irregular. Verificou-se uma superação da concepção de incapacidade para o estado de reconhecimento 
dascrianças e adolescentes como sujeitos em condição peculiar de desenvolvimento. 
- Uma das distinções entre essas doutrinas se refere ao fato de que a doutrina da situação irregular considerava a 
existência de duas infâncias, isto é, uma relativa aos menores, pessoas em situação irregular, e outra relativa a 
crianças e adolescentes, a quem os direitos eram assegurados. Enquanto isso a doutrina da proteção integral 
apenas considerou uma única infância, em que todas as crianças e adolescentes são qualificadas como sujeitos de 
direito, pessoas em peculiar condição de desenvolvimento. 
- Conforme já mencionado anteriormente, a teoria da proteção integral enxerga a criança e como sujeito de 
direitos, ao passo que a teoria da situação irregular apenas o considera como um objeto a ser protegido. 
- Outra distinç~o relevante diz respeito { conotaç~o empregada ao termo “menor”, isso porque na teoria da 
situação irregular vigente no Código de Menores de 1979, o menor era a pessoa em situação de abandono ou 
 
2 Por Liana Schuler e Daniel Dutra. 
 
 
 
13 
 
aquele que praticou uma infração, não se confundindo, portanto, com a atual concepção extraída do termo 
“criança”, que alcança os que est~o envolvidos, ou n~o, numa situaç~o de risco. 
- Na teoria da situação irregular a privação da liberdade era a regra, enquanto que na teoria da proteção integral, 
exceção. 
- A convenção internacional não distingue criança e adolescente como fez o ECA. Para os fins da Convenção, a 
criança e todo indivíduo menor de 18 anos, salvo se, em conformidade com a lei aplicável à criança, a maioridade 
seja alcançada antes. Nesse sentido, portanto, a Convenção não distingue criança de adolescente, o que não 
implica, entretanto, eu suas normas não protejam todo menor de dezoito anos. 
 
Tratados de Criminalidade Juvenil 
Os principais textos internacionais que tratam da matéria são: Regras Mínimas das Nações Unidas para a 
Administraç~o da Justiça da Inf}ncia e da Juventude (“Regras de Beijing”, 1985), as Diretrizes para as Nações 
Unidas para a Prevenç~o da Delinquência Juvenil (“Diretrizes de Riad”, 1990) e as Regras Mínimas das Nações 
Unidas para a Proteç~o dos Jovens Privados de Liberdade (“Regras de Tóquio”, 1990). 
Esses textos seguem uma lógica de escalada, acompanhando a questão da infância, desde a prevenção até a 
repressão. As Diretrizes de Riad têm o foco na prevenção, ou seja, na atuação anterior ao ato infracional. As 
Regras de Beijing trazem a resposta do Estado e da Sociedade para a proteção dos direitos humanos, no caso de 
cometimento de ato infracional. Por fim as Regras de Tóquio tratam da medida privativa de liberdade. 
Curiosidade! A convenção da criança e adolescente é a que possui o mais elevado número de ratificações, já que 
contava, em 2012, com 193 partes. 
 
- A CF/88, na toada da legislação internacional, consagrou a criança e o adolescente como sujeitos de direitos. 
Assim, consagram-se três personagens do Direito da Criança e do Adolescente em âmbito constitucional: (i) 
família; (ii) sociedade; e (iii) Estado. Isto porque a desorganização familiar tem reflexos imediatos no 
desenvolvimento da criança e do adolescente. Além disso, concebeu-se que a sociedade participe desta questão 
(a principal forma é o Conselho Tutelar). O Estado também acumula responsabilidades, no âmbito dos três 
poderes. Estes sujeitos garantem direitos e proteção à criança e ao adolescente, conforme previsão no art. 227, 
com absoluta prioridade (também a este respeito: art. 203, II, CF). 
- A CF prevê garantias processuais em prol do adolescente (art. 227, § 3º, IV): (i) pleno e formal conhecimento da 
atribuição de ato infracional; (ii) igualdade na relação processual e, (iii) de defesa técnica por profissional 
habilitado (conforme legislação específica). 
- Além disso, os consagrados princípios da brevidade, excepcionalidade e respeito à condição peculiar da 
condição de pessoa em desenvolvimento são previstos para a aplicação de qualquer medida privativa de 
liberdade (art. 227, § 3º, V). 
- Como pré-condição para o enquadramento em ato infracional, o art. 228 estabelece que são inimputáveis os 
menores de 18 anos. Sobre este tema, surge a acalorada discussão acerca da redução da maioridade penal. 
 
Os que são favoráveis à reforma sustentam que: Os que são contrários defendem que: 
 
i. O art. 228 não seria cláusula pétrea, pois está fora i. O próprio STF já decidiu que o rol de direitos e 
 
 
 
14 
 
das disposições do art. 5º, podendo ser alterado; 
ii. A mera internação pelo prazo de 3 anos, ao 
máximo, não seria suficiente a coibir a infração; 
iii. Os maiores de 16 já podem, inclusive, votar, 
devendo ser responsáveis penalmente; 
iv. A proposta é embasada no princípio da 
proporcionalidade, impondo rigor penal para casos 
de maior gravidade. 
 
garantias fundamentais não se limita ao art. 5º, 
podendo o art. 228 ser classificado como cláusula 
pétrea (art. 60, § 4º, IV); 
ii. Há vedação do retrocesso social nesta questão; 
iii. O Brasil é signatário de diversos tratados 
internacionais que confirmam os 18 anos como o 
marco da idade penal (vide Regras de Beijing, 
Diretrizes de Riad e art. 5º, § 3º, CF); 
iv. Os adolescentes já são responsabilizados no ato 
infracional, a partir dos 12 anos, respondendo com 
medidas socioeducativas. A tese da irresponsabilidade 
penal e da impunidade ou suavidade da legislação 
específica é um mito. A medida restritiva de liberdade 
de internação tem prazo máximo de três anos, o que é 
bastante, considerando que se trata de pessoa em 
desenvolvimento e este lapso na formação psicológica 
do adolescente tem intensos reflexos. Além disso, três 
anos em medida restritiva de liberdade pode ser muito 
mais do que receberia um adulto, com a 
individualização da pena, medidas despenalizadoras e 
cumprimento progressivo; 
v. não há qualquer prova de que a redução da 
maioridade reduza a violência. A redução da 
maioridade não afeta a causa, seria simplesmente 
tentar retirar estes sujeitos da órbita obrigacional do 
Estado, em termos de direitos fundamentais, como 
educação, saúde, moradia etc. 
 
 
- É fundamental a compreensão do caráter principiológico adotado pelo ECA. A Lei tem o objetivo de tutelar a 
criança e o adolescente de forma ampla, não se limitando a tratar apenas de medidas repressivas contra seus 
atos infracionais. Pelo contrário, o Estatuto dispõe sobre direitos infanto-juvenis, formas de auxiliar sua família, 
tipificação de crimes praticados contra crianças e adolescentes, infrações administrativas, tutela coletiva etc. 
Enfim, por proteção integral deve-se compreender um conjunto amplo de mecanismos jurídicos voltados à tutela 
da criança e do adolescente. 
- Guarda ligação com a doutrina da proteção integral o princípio do melhor interesse da criança e do adolescente. 
Este postulado traduz a ideia de que, na análise do caso concreto, o aplicador do direito – leia-se advogado, 
defensor público, promotor de justiça e juiz – deve buscar a solução que proporcione o maior benefício possível 
para a criança ou adolescente, que dê maior concretude aos seus direitos fundamentais. No estudo da colocação 
 
 
 
15 
 
da criança ou do adolescente em família substituta, o princípio do melhor interesse se faz presente de forma 
marcante. 
- O Estatuto define quem é criança e quem é adolescente em seu art. 2º: a) criança: pessoa até 12 anos de idade 
incompletos; b) adolescente pessoa entre 12 e 18 anos. Essa distinção possui relevância prática tanto no queconcerne às medidas socioeducativas quanto à colocação em família substituta: é que a criança infratora não 
pode sofrer medida socioeducativa, apenas medida de proteção (art. 101), enquanto o adolescente infrator se 
submete a medida socioeducativa (art. 112). Da mesma forma, para fins de adoção, o adolescente deve 
necessariamente ser ouvido (art. 45, §2º). 
- É possível a aplicação do ECA para as pessoas entre 18 e 21 anos de idade, desde que concorram dois requisitos: 
a) medida excepcional e b) casos expressos em lei. Assim, estabelece o parágrafo único do art. 2º que é possível a 
aplicação do Estatuto para os que se encontrem entre 18 e 21 anos de idade, desde que essa aplicação seja 
excepcional e prevista em lei. 
- Hipóteses de aplicação excepcional do ECA a pessoas de idade superior a 18 anos: a) adoção: art. 40 (as 
disposições relativas à adoção estabelecidas pelo Código Civil de 2002 não revogaram – salvo no que diz respeito 
à idade mínima para adoção, que passou de 21 para 18 anos – o contido no ECA, reclamando uma interpretação 
integrativa das normas, nos moldes do previsto no art.2º, §2º, da Lei de Introdução do Código Civil); b) aplicação e 
execução de medidas socioeducativas: art. 121, §5º. 
- O ECA não define quem é o jovem. Para a ONU Jovem é toda pessoa entre 15 e 24 anos. No Brasil, nos termos do 
Estatuto da Juventude (Lei 12.852 de 2013), são consideradas jovens as pessoas com idade entre 15 (quinze) e 29 
(vinte e nove) anos de idade. 
- A garantia de prioridade absoluta compreende: 
a) Primazia de receber proteção e socorro em quaisquer circunstâncias; 
b) Precedência de atendimento nos serviços públicos ou de relevância pública; 
c) Preferência na formulação e na execução das políticas sociais públicas; 
d) Destinação privilegiada de recursos públicos nas áreas relacionadas com a proteção à infância e à juventude. 
- Família Natural: entende-se por família natural a comunidaade formada pelos pais e seus descendentes ou por 
um dos pais e seus descendentes. (art. 25). Ex.: família monoparental. 
- Família Extensa ou ampliada: é a comunidade que se estende para além da unidade pais e filhos ou do casal, 
alcançando parentes próximos com os quais a criança ou adolescente conviva e mantenha vínculos de afinidade 
e afetividade. 
- Família substituta: possui caráter subsidiário, é a família resultante de guarda, tutela e adoção, sempre visando 
ao melhor interesse da criança e do adolescente. 
- O MP tem legitimidade para propor ação de investigação de paternidade como legitimado extraordinário por 
substituição processual (Lei n. 8.560, art. 2º, parágrafo 4º). Possui, também, legitimidade ativa para ajuizar ação 
de alimentos em proveito de criança ou adolescente, independentemente do exercício do poder familiar dos 
pais, ou de o infante se encontrar nas situações de risco descritas no art. 98 do ECA, ou de quaisquer outros 
questionamentos acerca da existência ou eficiência da Defensoria Pública na comarca. STJ. 2a Seção. REsp 
1.265.821-BA e REsp 1.327.471-MT, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgados em 14/5/2014 (recurso repetitivo) (Info 
541). 
 
 
 
16 
 
- Sempre que possível, a criança será ouvida e terá sua opinião levada em consideração. Obrigatoriamente, o 
maior de 12 (doze) anos deverá consentir, em audiência, com a sua colocação em família substituta. 
- Guarda é a forma revogável de colocação em família substituta que obriga seus detentores à prestação 
material, moral e educacional à criança ou adolescente, podendo aqueles se oporem aos pais destes e a terceiros. 
- A guarda destina-se a regularizar a posse de fato, podendo ser deferida, liminar ou incidentalmente, nos 
procedimentos de tutela e adoção, exceto no de adoção por estrangeiros. Excepcionalmente, deferir-se-á a 
guarda, fora dos casos de tutela e adoção, para atender a situações peculiares ou suprir a falta eventual dos pais 
ou responsável, podendo ser deferido o direito de representação para a prática de atos determinados. 
- Salvo expressa e fundamentada determinação em contrário, da autoridade judiciária competente, ou quando a 
medida for aplicada em preparação para adoção, o deferimento da guarda de criança ou adolescente a terceiros 
não impede o exercício do direito de visitas pelos pais, assim como o dever de prestar alimentos, que serão 
objeto de regulamentação específica, a pedido do interessado ou do Ministério Público. A guarda poderá ser 
revogada a qualquer tempo, mediante ato judicial fundamentado, ouvido o Ministério Público. 
 
Ao menor sob guarda deve ser assegurado o direito ao benefício da pensão por morte mesmo se o falecimento 
se deu após a modificação legislativa promovida pela Lei nº 9.528/97 na Lei nº 8.213/91. 
O art. 33, § 3º do ECA deve prevalecer sobre a modificação legislativa promovida na lei geral da Previdência 
Social, em homenagem ao princípio da proteção integral e preferência da criança e do adolescente (art. 227 da 
CF/88). 
STJ. Corte Especial. EREsp 1141788/RS, Min. Rel. João Otávio de Noronha, julgado em 07/12/2016. 
 
- Tutela é uma forma revogável de colocação da criança ou adolescente em família substituta com o objetivo de 
possibilitar a assistência ou representação destes. Diferentemente da guarda, a tutela pressupõe a perda ou 
suspensão do poder família, pois, se a criança ou adolescente está sob poder familiar, ela está devidamente 
representada ou assistida. A tutela é deferida nos termos do CC. O tutor pode ser nomeado por testamento 
sempre se analisando o princípio do melhor interesse do menor. 
- A adoção é medida excepcional e irrevogável, à qual se deve recorrer apenas quando esgotados os recursos de 
manutenção da criança ou adolescente na família natural ou extensa. É vedada a adoção por procuração. O 
adotando deve contar com, no máximo, dezoito anos à data do pedido, salvo se já estiver sob a guarda ou tutela 
dos adotantes, segundo o ECA. 
- A adoção atribui a condição de filho ao adotado, com os mesmos direitos e deveres, inclusive sucessórios, 
desligando-o de qualquer vínculo com pais e parentes, salvo os impedimentos matrimoniais. Não podem adotar 
os ascendentes e os irmãos do adotando. 
- Segundo o ECA, para adoção conjunta, em regra, é necessário que os adotantes sejam casados civilmente ou 
mantenham união estável, comprovada a estabilidade da família. Tal casamento ou união estável pode ser entre 
pessoas de sexos diferentes ou iguais, segundo precedentes do STJ. 
 
- Atenção: O STJ, no REsp 1.217.415 (Info 500), permitiu a adoção conjunta por um casal de irmãos com base no 
melhor interesse da criança, na socioafetividade etc. Formou-se uma família anaparental (aquela em que não há a 
figura de um ascendente). 
 
 
 
17 
 
 
- Os divorciados, separados judicialmente e os ex-companheiros podem adotar conjuntamente, desde que 
(requisitos concomitantes): I) o estágio de convivência tenha se iniciado na constância do período de 
convivência; II) comprovada existência de vínculos de afinidade e afetividade com o não detentor da guarda; III) 
acordo sobre guarda e visitas. 
- Adoção unilateral é aquela feita pelo cônjuge ou companheiro com relação ao filho de seu par, está prevista 
expressamente no ECA em seu art. 41, parágrafo 1º. 
- Art. 42, 6º: A adoção poderá ser deferida ao adotante que, após inequívoca manifestação de vontade, vier a 
falecer no curso do procedimento, antes de prolatada a sentença. Apesar de o ECA condicionar tal adoção ao 
falecimento durante o procedimento de adoção, ela é possível ainda que o falecimento tenha ocorrido antes de 
iniciado o procedimento, desde de que haja prova inequívoca da intenção de adotar pelo falecido. JurisprudênciaSTJ. 
- O que se entende por adoção intuitu personae ou adoção consentida? Ela é admitida no Brasil? 
É a modalidade de adoção em que os pais biológicos escolhem a quem desejam entregar o filho, não seguindo a 
ordem cadastral. Sua vantagem é proporcionar um maior contato entre o filho adotivo e seus pais biológicos, por 
outro lado, a desvantagem é a possibilidade de ser desvirtuada e utilizada como "barriga de aluguel", afrontando 
as disposições criadas pelo Conselho Federal de Medicina. 
Admite-se esta modalidade, inclusive com jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (AgRg na MC 15.097-MG 
março de 2009), pela aplicação do princípio do melhor interesse da criança (art. 1º e 100, IV, ambos do ECA, art. 
226, caput da CF), que norteia a teoria da proteção integral, bem como pela aplicação do parágrafo 13º do art. 50 
do ECA. Ademais, a obediência da ordem cadastral não é norma absoluta nem princípio no ECA. 
 
- No caso de adotantes residentes ou domiciliados no Brasil, o ECA não fixa prazo mínimo para o estágio de 
convivência, deixando a cargo do juiz, no caso concreto, a fixação do prazo de convivência. Por outro lado, no 
caso da adoção postulada por adotantes residentes ou domiciliados fora do Brasil, o ECA fixa o prazo de estágio 
de convivência por, no mínimo, 30 dias, podendo o juiz, no caso concreto, fixar prazo superior. 
- No caso dos adotantes residentes ou domiciliados no Brasil, o estágio de convivência pode ser dispensado se o 
adotando já estiver sob a tutela ou a guarda legal dos adotantes durante tempo suficiente para que seja possível 
avaliar a conveniência da constituição do vínculo (art. 46, parágrafo 1ª). 
- O art. 50 do ECA prevê que o indivíduo interessado em adotar deverá procurar a Vara (ou Juizado) da Infância e 
Juventude e passar por um período de preparação psicossocial e jurídica. Após isso, será ouvido o Ministério 
Público e, caso o interessado satisfaça os requisitos legais e não haja nenhum impedimento, ele será habilitado e 
incluído no cadastro de adotantes. A autoridade judiciária manterá, em cada comarca ou foro regional, um 
cadastro com as pessoas interessadas na adoção. Vale ressaltar que a alimentação do cadastro e a convocação 
criteriosa dos postulantes à adoção serão fiscalizadas pelo Ministério Público (custo legis). 
- O § 13 do art. 50 do ECA traz três hipóteses nas quais poderá ser deferida a adoção mesmo sem que o 
interessado esteja incluído no cadastro de adotantes: 
§ 13. Somente poderá ser deferida adoção em favor de candidato domiciliado no Brasil não cadastrado previamente 
nos termos desta Lei quando: 
I - se tratar de pedido de adoção unilateral; 
 
 
 
18 
 
II - for formulada por parente com o qual a criança ou adolescente mantenha vínculos de afinidade e afetividade; 
III - oriundo o pedido de quem detém a tutela ou guarda legal de criança maior de 3 (três) anos ou adolescente, desde 
que o lapso de tempo de convivência comprove a fixação de laços de afinidade e afetividade, e não seja constatada a 
ocorrência de má-fé ou qualquer das situações previstas nos arts. 237 ou 238 desta Lei. 
- E se o caso concreto envolver uma situação não abarcada pelo § 13 do art. 50 do ECA? O que acontece, por 
exemplo, se um casal ingressa com o pedido de adoção de uma criança por eles criada desde o nascimento, mas 
este casal, que não é parente do menor, não se encontra inscrito no cadastro de adotantes? A adoção deverá ser 
negada por esse motivo? Essa criança dever| ser adotada pelo primeiro casal da “fila” do cadastro? 
- Mesmo não se enquadrando nas hipóteses do § 13 do art. 50 acima transcrito, o STJ, com extremo acerto e 
sensibilidade, já decidiu que a observância de tal cadastro, ou seja, a preferência das pessoas cronologicamente 
cadastradas para adotar determinada criança, não é absoluta. Assim, no exemplo dado, a regra legal deve ser 
excepcionada em prol do princípio do melhor interesse da criança, base de todo o sistema de proteção ao menor. 
No caso em estudo, restou configurado o vínculo afetivo entre a criança e o casal pretendente à adoção, o que 
justifica seja excepcionada a exigência da ordem do cadastro. 
 
(...) A observância do cadastro de adotantes, ou seja, a preferência das pessoas cronologicamente cadastradas 
para adotar determinada criança, não é absoluta. A regra comporta exceções determinadas pelo princípio do 
melhor interesse da criança, base de todo o sistema de proteção. Tal hipótese configura-se, por exemplo, quando 
já formado forte vínculo afetivo entre a criança e o pretendente à adoção, ainda que no decorrer do processo 
judicial. Precedente. (...) 
A inobservância da preferência estabelecida no cadastro de adoção competente, portanto, não constitui 
obstáculo ao deferimento da adoção quando isso refletir no melhor interesse da criança. (...) 
(REsp 1347228/SC, Rel. Min. Sidnei Beneti, Terceira Turma, julgado em 06/11/2012, DJe 20/11/2012) 
 
- Segundo o art. 51, caput considera-se adoção internacional aquela postulada por pessoas residentes ou 
domiciliadas fora do Brasil, conforme o Estatuto de Haia. Ou seja, o brasileiro, domiciliado ou apenas residente no 
exterior, se desejar adotar criança ou adolescente brasileiro, irá se enquadrar nas disposições da adoção 
internacional. A adoção internacional tem caráter subsidiário e os brasileiros residentes ou domiciliados no 
exterior terão preferência em relação aos estrangeiros. 
- Em se tratando de crianças, a viagem para fora da Comarca onde reside, desacompanhada dos pais ou 
responsável, como regra, depende de autorização judicial. Será, contudo, dispensada a autorização quando, no 
território nacional, (i) se tratar de Comarca contígua à da residência da criança se na mesma unidade da 
Federação ou incluída na mesma região metropolitana ou, ainda, (ii) se a criança estiver acompanhada de 
ascendente ou colateral maior, até o terceiro grau, comprovado documentalmente o parentesco, ou de pessoa 
maior, expressamente autorizada pelo pai, mãe ou responsável. 
- Já se a viagem da criança e do adolescente for ao exterior, a autorização judicial será exigida, exceto (i) se 
estiver acompanhado de ambos ou pais ou responsável ou (ii) se viajar na companhia de um dos pais, autorizado 
expressamente pelo outro através de documento com firma reconhecida. 
- Finalmente, vale anotar, sem prévia e expressa autorização judicial, nenhuma criança ou adolescente nascido 
em território nacional poderá sair do País em companhia de estrangeiro residente ou domiciliado no exterior. 
 
 
 
19 
 
- Medidas protetivas previstas no ECA são aplicadas levando em conta não o ato infracional, mas sim a situação 
de risco que se encontra a criança, dependendo da situação, escolhe-se uma medida protetiva, que pode ser 
aplicada pelo Conselho Tutelar e outras que podem ser aplicadas apenas pelo juiz, por meio de um procedimento 
próprio, que estão no art. 101 do ECA inciso VII em diante, ex.: acolhimento institucional que tem como espécie o 
abrigamento, nesse caso o juiz vai aplicar a medida protetiva por conta da situação de risco que encontra a 
criança, ex.: a criança está precisando ser abrigada, está sem pai, sem mãe, precisa ser abrigado no acolhimento 
institucional, vejam que nessa hipótese, o juiz não está averiguando o ato infracional em si, mas a necessidade 
daquela criança. 
 
- Quais são as medidas protetivas previstas no ECA? 
Encaminhamento aos pais ou responsável, mediante termo de responsabilidade; orientação, apoio e 
acompanhamento temporários; matrícula e frequência obrigatórias em estabelecimento oficial de ensino 
fundamental; inclusão em programa comunitário ou oficial de auxílio à família, à criança e ao adolescente;inclusão em serviços e programas oficiais ou comunitários de proteção, apoio e promoção da família, da criança e 
do adolescente; requisição de tratamento médico, psicológico ou psiquiátrico, em regime hospitalar ou 
ambulatorial; inclusão em programa oficial ou comunitário de auxílio, orientação e tratamento a alcoólatras e 
toxicômanos; acolhimento institucional; inclusão em programa de acolhimento familiar; colocação em família 
substituta. 
 
#DEOLHONOEDITAL: 
- Em que pese a sua localização no capítulo referente à aplicação das medidas de proteção, os princípios 
estabelecidos pelo parágrafo único do art. 100 do ECA são princípios norteadores de todo o sistema de direitos e 
garantias previstos pelo Estatuto. São eles: 
i. Condição da criança e do adolescente como sujeitos de direitos; 
ii. Proteção integral e prioritária – também previsto no art. 227 da CF e nos arts. 1º e 3º do ECA; 
iii. Responsabilidade primária e solidária do poder público, das 3 (três) esferas de governo, sem prejuízo da 
municipalização do atendimento e da possibilidade de execução de programas por entidades não 
governamentais; 
iv. Interesse superior da criança e do adolescente; 
v. Privacidade, garantido o respeito à intimidade, direito à imagem e reserva de sua vida privada; 
vi. Intervenção precoce – a intervenção deve ser exercida exclusivamente pelas autoridades e instituições 
cuja ação seja indispensável à efetiva promoção dos direitos e à proteção da criança e do adolescente; 
vii. Intervenção mínima – a intervenção deve ser exercida exclusivamente pelas autoridades e instituições 
cuja ação seja indispensável à efetiva promoção dos diretos e à proteção da criança e do adolescente; 
viii. Proporcionalidade e atualidade; 
ix. Responsabilidade parental – a intervenção deve ser realizada de modo que os pais assumam os seus 
deveres para com a criança e o adolescente; 
x. Prevalência da família – na promoção de direitos e na proteção da criança e do adolescente deve ser dada 
prevalência às medidas que os mantenham ou reintegrem na sua família natural ou extensa ou, se isso não for 
possível, que promovam a sua integração em família substituta; 
 
 
 
20 
 
xi. Obrigatoriedade da informação; 
xii. Oitiva obrigatória e participação – direito a ser ouvidos e a participar nos atos e na definição da medida 
de promoção dos direitos e de proteção, sendo sua opinião devidamente considerada pela autoridade judiciária 
competente – ressalvado o disposto no art. 28, §§ 1º e 2º: a oitiva do adolescente é obrigatória, enquanto a oitiva 
da criança será ouvida sempre que possível. 
 
#DEOLHONOEDITAL: 
As medidas de proteção são aplicáveis tanto a crianças quanto a adolescentes, sempre que os seus direitos 
forem ameaçados ou violados: (i) por ação ou omissão da sociedade ou do Estado; (ii) por falta, omissão ou 
abuso dos pais ou responsáveis; (iii) em razão da sua própria conduta. 
O rol das medidas previstas é: 
i. Encaminhamento aos pais ou responsável, mediante termo de responsabilidade; 
ii. Orientação, apoio e acompanhamento temporários; 
iii. Matrícula e frequência obrigatórias em estabelecimento oficial de ensino fundamental; 
iv. Inclusão em programa comunitário ou oficial de auxílio à família, à criança e ao adolescente; 
v. Requisição de tratamento médico, psicológico ou psiquiátrico, em regime hospitalar ou ambulatorial; 
vi. Inclusão em programa oficial ou comunitário de auxílio, orientação e alcoólatras e toxicômanos; 
vii. Acolhimento institucional; 
viii. Inclusão em programa de acolhimento familiar; 
ix. Colocação em família substituta. 
Tais medidas podem ser aplicadas isolada ou cumulativamente, bem como substituídas a qualquer tempo. 
Na aplicação das medidas, deve-se observar as necessidades pedagógicas, preferindo-se aquelas que visem ao 
fortalecimento dos vínculos familiares e comunitários. 
Considerando que uma das hipóteses de cabimento das medidas é em razão da própria conduta da criança ou do 
adolescente, elas podem sim ser aplicadas em caso de prática de ato infracional por adolescente (art. 112, VII), 
com exceção das medidas de: (i) acolhimento institucional; (ii) inclusão em programa de acolhimento familiar; 
(iii) colocação em família substituta. 
 
- O acolhimento familiar e o acolhimento institucional são medidas provisórias e excepcionais, utilizadas como 
forma de transição para a reintegração familiar. Não sendo esta possível, caberá a colocação em família 
substituta. Mas, em nenhuma hipótese, a medida contará com privação de liberdade (art. 101, § 1º), mesmo em 
caso de prática de ato infracional. 
- O principal objetivo do plano individual de atendimento – PIA (art. 103, §§ 4º e 5º) é a reintegração da criança e 
do adolescente ao seu convívio familiar, por isso, ele tem um caráter multidisciplinar. 
- O PIA será imediatamente elaborado pela entidade responsável pelo programa assim que a criança ou o 
adolescente forem acolhidos, levando em conta a opinião da criança e do adolescente, bem como a oitiva dos 
pais ou do responsável. 
- O acolhimento familiar ou institucional ocorrerá no local mais próximo à residência dos pais ou do responsável 
e, como parte do processo de reintegração familiar, a família de origem será incluída em programas oficiais de 
orientação, de apoio e de promoção social (art. 101, § 7º). 
 
 
 
21 
 
- A autoridade judiciária manterá em cada comarca ou foro regional um cadastro atualizado com as informações 
de crianças ou adolescentes em regime de acolhimento familiar e institucional (art. 101, § 11º). Tal cadastro poderá 
ser acessado pelo: (i) MP; (ii) Conselho Tutelar; (iii) órgão gestor da Assistência Social; (iv) os Conselhos 
Municipais dos Direitos da Criança e do Adolescente; e (v) Conselho da Assistência Social. 
- O PIA deverá conter: (i) os resultados da avaliação interdisciplinar; (ii) os compromissos assumidos pelos pais ou 
responsáveis; (iii) a previsão das atividades a serem desenvolvidas com a criança ou com o adolescente acolhido 
e seus pais ou responsável, com vista à reintegração familiar ou, caso esta seja vedada pela autoridade judicial, as 
providências a serem tomadas para sua colocação em família substituta, sob direta supervisão da autoridade 
judiciária. 
- Princípio relacionados: (i) dignidade da pessoa humana (relacionado ao direito da criança e do adolescente em 
ser criado no por sua família natural); (ii) proteção integral. 
- Direitos relacionados: (i) direito à convivência familiar e comunitária, à educação, cultura, esporte, lazer; (ii) 
em relação à família, acesso a serviços públicos de orientação e acompanhamento das famílias, respeitando-se o 
matriciamento familiar, com a utilização do PAIF ou PAEFI. 
- Para o ECA (art. 103), considera-se ato infracional a conduta descrita como crime ou contravenção penal. Deduz-
se que criança ou adolescente não pratica delito, mas sim ato infracional análogo (ou equiparado a crime ou 
contravenção). A respeito do tempo em que é praticado, o ECA e o CP adotam o princípio da atividade – 
considera-se praticado no momento da ação ou omissão, ainda que outro seja o resultado (art. 104). 
- Destaca-se que criança também pratica ato infracional, mas a ela não são aplicáveis medidas socioeducativas, 
apenas medidas de proteção (art. 101). 
- A medida de proteção é aplicável à criança ou adolescente sempre que verificada a hipótese de lesão ou ameaça 
de lesão a seus direitos, tem previsão em rol exemplificativo do art. 101. A medida socioeducativa, por sua vez, é 
aplicável ao adolescente que pratica ato infracional e suas modalidades estão no art. 112, em rol taxativo. 
- Obs.: De acordo com a Resolução 113 do CONANDA,art. 12, somente o Conselho Tutelar tem competência para 
apurar atos infracionais praticados por criança, aplicando medidas específicas de proteção, previstas em lei. 
- Os dispositivos que tratam dos direitos individuais do adolescente que comete ato infracional trouxeram 
garantias ao adolescente que já estavam previstas na CF, para os presos. Este rol não está limitado ao capítulo 
em que aparece. Além disso, outros foram acrescidos pelo art. 49, L. 12594/12 – SINASE. 
- Obs.: Nomenclatura – para o adolescente não se fala em flagrante delito, mas sim em flagrante de ato 
infracional, não é preso e sim apreendido, não se imputa crime a ele, mas atribui-se ato infracional, não cumpre 
pena, é imposta medida socioeducativa. 
- De acordo com o art. 106, só haverá duas hipóteses legítimas de privação de liberdade: (i) flagrante e (ii) ordem 
judiciária escrita e fundamentada por autoridade competente. O adolescente em flagrante de ato infracional 
deve ser encaminhado à autoridade policial com atribuição de lavrar a ocorrência. Já a ordem judiciária deve ser 
fundamentada, conforme previsão do art. 5º, LXI. Para que seja determinada a apreensão provisória do 
adolescente, a decisão deve ser fundar nos requisitos do art. 108. E o adolescente tem direito à identificação dos 
responsáveis pela sua apreensão e deve ser informado acerca de seus direitos. 
- A apreensão e o local onde se encontre devem ser comunicados incontinenti à autoridade judicial e à família ou 
à pessoa indicada. Também deve ser examinada a possibilidade de liberação imediata (art. 107, p. único) – será 
liberado se a apreensão tiver sido ilegal ou, quando apreendido em flagrante, puder ser reintegrado à família (art. 
 
 
 
22 
 
174) e não está submetido ao pagamento de fiança. Ademais, é regulamentada a internação provisória e sua 
improrrogabilidade. 
- O prazo máximo da internação provisória é de 45 dias (art. 108 e art. 183). Sua não liberação, findo este prazo, 
acarreta constrangimento ilegal e cabe HC. O prazo curto é condizente com os princípios da brevidade, 
excepcionalidade e respeito à condição peculiar de pessoa em desenvolvimento (art. 121). 
- Tanto o STJ quanto o STF, já se manifestaram pela improrrogabilidade deste prazo e pelo afastamento da S. 
52/STJ, dadas as peculiaridades do Estatuto. 
- São requisitos para a internação: (i) indícios suficientes de autoria; (ii) materialidade e (iii) imperiosa necessidade 
da medida. 
- O art. 110 assegura o devido processo legal. Segundo a doutrina, os demais princípios processuais decorrem do 
princípio do devido processo legal, sendo também garantidos o contraditório e a ampla defesa (art. 5º, LV). O art. 
111 também traz um rol exemplificativo de garantias, entre elas, defesa técnica por advogado, assistência 
judiciária gratuita e integral, direito de solicitar a presença de seus pais, entre outros. 
- A S. 265 regulamenta a garantia processual de que não haja a regressão da medida (art. 122. III), sem oitiva 
pessoal do adolescente. Hoje, a questão está consolidada no art. 122, § 1º, com alteração da L. 12594/12. 
- De outro lado, a S. 342/STJ veda a desistência de outras provas em face da confissão do adolescente. Compete 
ao MP comprovar devidamente a autoria e a materialidade do ato infracional, o que não se consegue apenas 
através da confissão. 
 
a) O rol do art. 112 do ECA é taxativo, não pode ser ampliado a critério da autoridade judiciária. O Estatuto prevê 
como critérios de aplicação: a capacidade de cumprir a medida, as circunstâncias e a gravidade da infração (art. 
112, § 1º). Os adolescentes com doença ou deficiência mental receberão tratamento individual e especializado, em 
local adequado às suas condições. 
As MSE exigem provas suficientes de autoria e da materialidade da infração (art. 114), ressalvados os casos de 
remissão. A advertência é a única media que se contenta com provas da materialidade e indícios suficientes de 
autoria. 
b) Os objetivos da MSE estão previstos na Lei do SINASE (art. 1º, § 2º): (i) responsabilização do adolescente, 
incentivando a reparação, (ii) integração social e garantia de seus direitos, cumprindo o PIA e (iii) desaprovação 
da conduta infracional. 
c) A S. 338 do STJ estipula que a prescrição penal é aplicável às MSE. O fundamento é que, além do escopo 
pedagógico, tais medidas são repressivas, punitivas. Para o cálculo da prescrição, o STJ não se utiliza dos prazos 
aplicados como pena máxima ou penal ideal para crime. O Tribunal se vale da tabela de contagem dos prazos na 
parte geral do CP, com o tempo de cumprimento de MSE prevista no Estatuto. Além disso, o art. 115 estabelece 
que são reduzidos de metade o prazo de prescrição quando o agente era ao tempo do fato menor de 21 anos. 
Portanto, na MSE, os prazos prescricionais serão sempre reduzidos à metade. Ex.: nas medidas de semiliberdade 
e internação, o prazo máximo é de 3 anos (art. 121, § 3º), o prazo prescricional seria de 8 anos (art. 109, IV), 
reduzido à metade = 4 anos. 
d) Tanto a advertência, quanto a prestação de serviços se esgotam com o próprio cumprimento. Já a prestação 
de serviços à comunidade tem prazo máximo de 6 meses (art. 117) e a liberdade assistida, mínimo de 6 meses 
(art. 118, § 2º). Para o STJ, na falta de previsão de prazo máximo de cumprimento de liberdade assistida, aplica-se 
 
 
 
23 
 
a regra da internação, isto é, 3 anos (art. 121, § 3º). A semiliberdade não comporta prazo determinado, aplicando-
se, no que couber, as disposições relativas à internação. A internação também não tem prazo determinado, 
sendo fixado limite máximo de 3 anos. 
 
#DEOLHONOEDITAL: 
 
MEDIDAS DE SEMILIBERDADE INTERNAÇÃO 
Ambas importam cerceamento da liberdade e as duas são fixadas sem prazo determinado. 
Na semiliberdade, a realização de atividades 
externas independe de autorização judicial. 
Na medida de internação, a participação em atividades 
externas depende de autorização da equipe técnica da 
entidade e pode ser totalmente proibida pela 
autoridade judicial. 
O adolescente tem obrigação de buscar sua 
formação estudantil e profissional durante o dia. 
Enquanto na internação, escolarização e 
profissionalização são prestadas dentro da entidade, 
sendo obrigatória a participação nas atividades 
pedagógicas. 
A semiliberdade pode ser imposta desde o início ou 
como forma de transição para o meio aberto. 
Já a internação é aplicada desde o início ou diante do 
descumprimento reiterado e injustificável de medida 
anterior. 
 
- Obs.: Para o STF, a vedação de realização de atividades externas e de visitação à família depende de 
fundamentação expressa e razoável do juízo. 
- Para o STJ, a imposição da semiliberdade deve ser devidamente fundamentada, não está pautada pelos 
requisitos da medida extrema de internação. 
- Internação: Esta medida privativa de liberdade está sujeita aos princípios da brevidade, excepcionalidade e 
respeito à condição peculiar de pessoa em desenvolvimento. 
 Brevidade: a medida dever ser aplicada por período curto e pelo prazo estritamente necessário. Tão logo 
se verifique o avanço em sua formação pessoal, a medida deve ser substituída por outra menos gravosa ou 
encerrado seu cumprimento (averiguação pela autoridade judiciária a cada 6 meses (art. 121, § 2º). Além disso seu 
prazo máximo é de três anos, independente do ato infracional. 
 Excepcionalidade: a medida deve ser aplicada com extrema cautela, em situações peculiares 
especificamente previstas em lei. Somente será aplicada quando outra medida não se mostrar adequada (art. 122, 
§ 2º). 
 Condição peculiar da pessoa em desenvolvimento: guarda relação com o postuladoda proteção integral. 
O objetivo da internação é ressocializar o adolescente, o ECA traz um rol de direitos para tanto (art. 124), como 
atividades esportivas (XII), escolarização e profissionalização (XI). 
- As atividades externas são autorizadas pela equipe técnica, podendo ser vedadas expressamente pela 
autoridade judiciária, esta decisão pode ser revista a qualquer momento (art. 121, § 7º). 
 
 
 
24 
 
- A medida deve ser reavaliada em, no máximo, 6 meses (art. 121, § 2º). Para o STJ, o magistrado não se vincula aos 
pareceres da equipe interdisciplinar. Não se pode dizer que o prazo mínimo de cumprimento é de 6 meses, a 
medida pode ser reavaliada antes disso (art. 121). 
- Quanto aos prazos máximos, há dois marcos: (i) tempo de cumprimento de 3 anos (art. 121, § 3º) ou 3 meses, de 
pelo descumprimento reiterado de outra MSE; (ii) idade máxima de 21 anos, quando deve ser colocado em 
liberdade. 
- Segundo o STJ, a liberação compulsória também de aplica aos casos de distúrbio psiquiátrico. O critério é 
objetivo não se podendo impor requisitos de ordem subjetiva. 
- A MSE de internação somente pode ser aplicada em três hipóteses: (i) ato infracional cometido mediante 
violência ou grave ameaça à pessoa, (ii) reiteração no cometimento de outras infrações graves, (iii) 
descumprimento reiterado de medida anteriormente imposta. 
(i) ato infracional cometido mediante violência ou grave ameaça à pessoa: ainda que não haja antecedentes, já é 
possível a aplicação de internação. Porém, a mera gravidade do ato não suficiente para fundamentar a internação 
– deve haver estes dois requisitos da violência e grave ameaça. 
Obs.: para o STJ, é pacífico que não é possível a internação no caso de tráfico de drogas (S. 492/STJ), pois estes 
pressupostos não se fazem presentes. Sendo o adolescente primário, a internação não é possível. A mera 
gravidade abstrata do delito aos olhos do julgador não é suficiente para tanto (S. 718/STF). O raciocínio é válido 
para o porte ilegal de arma de fogo. 
(ii) reiteração no cometimento de outras infrações graves: neste caso, ainda que o ato seja sem violência ou grave 
ameaça, cabe internação. Inicialmente, o STJ previa que só há reiteração quando praticadas, pelo menos, três 
infrações graves (ou então, seria apenas reincidência). Houve mudança de entendimento para analisar as 
peculiaridades do caso concreto. 
(iii) descumprimento reiterado de medida anteriormente imposta: aplica-se a S. 264 e tem prazo máximo de 3 
meses (ou seja, o juiz pode determinar prazo menor). 
- Para o STJ, a internação deve ser cumprida em entidade exclusiva para adolescentes, não se admitindo o 
cumprimento da medida em estabelecimento penal, ainda que segregado dos maiores de idade (art. 123). O art. 
124 elenca os direitos do adolescente privado de liberdade, podendo haver suspensão temporária de visitas, 
inclusive dos pais ou responsável, se existirem motivos sérios e fundados de sua prejudicialidade aos interesses 
do adolescente. 
- Obs.: Conforme as Cortes Superiores, o princípio da insignificância é aplicado ao ECA, sendo afastado para casos 
de violência ou grave ameaça. 
- A remissão é medida prevista no ECA como perdão dado ao adolescente, não tem efeito de antecedente e não 
implica reconhecimento ou comprovação de responsabilidade. Poderá ser concedida pelo MP, antes de começar 
o processo, como forma de sua exclusão, atendendo às circunstâncias e consequências fato, o contexto social e 
personalidade do adolescente, maior/menor participação no ato infracional. 
- Também existe a modalidade de remisso judicial, que importa em suspensão ou extinção do processo (art. 126, 
p. único). Pode ser concedida em qualquer fase do processo anterior à sentença (art. 188). 
- O recurso cabível da concessão de remissão é apelação. Poderá ser cumulada com MSE, exceto semiliberdade e 
internação (art. 127 e S. 108/STJ). Para o STJ, a aplicação cumulativa de remissão e MSE pode ser proposta pelo 
 
 
 
25 
 
MP (art. 201, I), mas deve haver adesão e concordância do adolescente e seu defensor. Se o juiz discorda da 
concessão da medida concedida pelo MP, remete os autos ao PGJ (art. 181, § 2º). 
#DEOLHONOEDITAL: 
 
No âmbito do Direito da Criança e do Adolescente, o instituto da remissão consiste em causa de exclusão do 
processo, quando concedida pelo membro do Ministério Público antes do procedimento judicial de apuração do 
ato infracional, ou causa de extinção ou suspensão do processo, quando autorizada pelo magistrado no decurso 
do procedimento judicial. 
Nos termos do art. 127 do ECA, a aplicação de remissão não implica necessariamente o reconhecimento de 
culpa por parte do adolescente. Ademais, o mesmo dispositivo prevê que a remissão pode ser cumulada com 
medida socioeducativa, exceto aquelas que restringem a liberdade do adolescente, quais sejam, semiliberdade e 
internação. 
No RESP 457.684/SP, o STJ decidiu que, ao homologar a remissão concedida pelo órgão ministerial, o juiz 
pode impor outra medida socioeducativa prevista na Lei nº 8.069/90, excetuadas aquelas que impliquem 
semiliberdade ou internação do menor. 
- O Conselho Tutelar é órgão integrante do Poder Executivo municipal – sem natureza jurisdicional (art. 131), não 
obstante seu trabalho traga consequências que serão discutidas no Judiciário. Suas características são: 
permanente, autônomo e não jurisdicional. Destaca-se que as despesas de funcionamento do Conselho Tutelar 
devem ser suportadas pelo erário municipal ou distrital, ou seja, não podem ser utilizados os recursos do fundo 
municipal de direitos da criança e do adolescente. 
- As atribuições do Conselho estão no art. 136, ECA. Podem-se citar, em especial, dentre outras: 
 Atender crianças e adolescentes em situação de risco com possibilidade de aplicação de medidas de 
proteção, exceto colocação em família substituta (não pode aplicar medidas socioeducativas) e acolhimento 
familiar; 
 Atender e aconselhar pais e responsável com possibilidade de aplicação de medidas a eles pertinentes (art. 
129, ECA); 
 Noticiar ao MP a prática de infração administrativa ou penal contra criança ou adolescente e representar 
para ações de perda ou suspensão do poder familiar. 
- O Estatuto da Criança e do Adolescente, de acordo com a doutrina e o entendimento do STJ, adotou o princípio 
do juiz imediato, segundo o qual o foro competente para apreciar e julgar as medidas, as ações e procedimentos 
que tutelam interesses, direitos e garantias positivadas no ECA, é determinado pelo lugar onde a criança ou o 
adolescente exerce, com regularidade, seu direito à convivência familiar e comunitária, quer seja no domicílio dos 
pais do responsável ou da entidade de acolhimento institucional. 
- O STJ editou súmula dispondo que a competência para processar e julgar as ações conexas de interesse de 
criança ou adolescente é em princípio o foro do detentor de sua guarda. Em caso de conflito, é prevalecente a 
competência: a) do juízo do domicílio de quem já exerce a guarda, b) do juízo em que ficarem mais bem 
atendidos os interesses da criança e do adolescente. 
 
 
 
26 
 
- É competência da autoridade judiciária disciplinar a entrada e permanência de criança ou adolescente em 
determinados locais, desacompanhados de seus pais ou responsável, bem como sua participação em espetáculos 
públicos e concursos de beleza. Mediante portaria o juízo disciplina as situações previstas e através de alvará a 
empresa interessada obtém autorização para realizar o evento. O objetivo dessa regulação é, como sempre, a 
proteção integral da criança e do adolescente, pois se busca evitarsua exposição a eventos nocivos ao seu 
desenvolvimento sadio. 
- A obtenção de alvará é imprescindível para que a empresa que promove espetáculo ou a emissora de TV possa 
contar com a participação de crianças e adolescente. Ao interpretar o art. 149 do ECA o STJ entendeu não ser 
possível a determinação de portarias de conteúdo genérico, sendo assim para cada evento ou espetáculo, deve 
ser expedida autorização específica. 
- O STJ firmou o entendimento de que não há necessidade de participação da Defensoria Pública como curador 
da criança ou adolescente na ação de destituição do poder familiar, por inexistir prejuízo às crianças e 
adolescentes aptos a justificar a atuação de curador especial. Contudo, no entendimento da Defensoria Pública, 
a decisão em comento não representar um posicionamento jurisprudencial consolidado no STJ, face à existência 
de precedentes acolhendo a possibilidade de designação de curador especial de crianças e adolescentes nos 
processos de competência da Justiça da Infância e da Juventude, ressaltando que por força da LC 80/94 art. 4º, a 
curadoria especial é atribuição legal da Defensoria Pública. 
- De acordo entendimento doutrinário e do STJ a destituição ou suspensão do poder familiar é medida 
excepcional e jamais definitiva. A imutabilidade da coisa julgada protege apenas a declaração judicial apenas 
enquanto as circunstâncias fáticas e jurídicas da causa permanecem as mesmas, sendo assim diante de 
circunstância nova, plenamente possível a alteração da decisão. A medida judicial cabível é a ação de 
reconstituição do poder familiar com pedido liminar de suspensão de eventual ação de adoção em tramitação, 
com distribuição por dependência em razão da conexão das demandas. 
- Nem mesmo a destituição do poder familiar extinguirá a obrigação alimentícia, evitando, assim a premiação 
daquele genitor desidioso, que coloca em xeque a própria integridade do filho. 
 
No caso de apuração de ato infracional, aplica-se subsidiariamente o CPP ou o CPC? Resposta: Depende, aplica-se: 
a) O CPP para o processo de conhecimento (representação, produção de provas, memoriais e sentença) 
b) O CPC para as regras do sistema recursal. 
- Se o adolescente foi apreendido em flagrante, deverá ser, desde logo, encaminhado à autoridade policial 
competente. 
- Se o ato infracional foi praticado mediante grave ameaça ou violência à pessoa, a autoridade deverá: lavrar auto 
de apreensão, ouvidos testemunhas e o adolescente; apreender o produto e os instrumentos da infração; e, 
requisitar os exames ou perícias necessárias à comprovação da materialidade e autoria da infração. 
- Se o ato infracional foi praticado sem violência ou grave ameaça à pessoa: Em regra o adolescente será 
prontamente liberado, devendo, no entanto, o pai, a mãe ou outro responsável pelo adolescente assinar um 
termo de compromisso e responsabilidade no qual fica estabelecido que o adolescente irá se apresentar ao 
representante do Ministério Público, naquele mesmo dia, ou não sendo possível, no primeiro dia útil imediato. 
 
 
 
27 
 
Sendo o adolescente liberado, a autoridade policial encaminhará imediatamente ao representante do Ministério 
Público cópia do auto de apreensão ou boletim de ocorrência. 
- Mesmo o ato infracional tendo sido praticado sem violência ou grave ameaça à pessoa, a autoridade policial 
poderá decidir, com base na gravidade do ato infracional e em sua repercussão social, que o adolescente deve 
ficar internado a fim de garantir: sua segurança ou a manutenção da ordem pública. A internação do adolescente 
para manutenção de sua segurança é, repugnante, resquício do Código de Menores, que tinha o entendimento 
de que internar é proteger, o que viola frontalmente a doutrina da proteção integral do adolescente. Com 
relação à manutenção da ordem pública, a crítica da Defensoria tem a mesma base realizada na seara processual 
penal, pois a express~o ‘ordem pública’ é vaga, de conteúdo indeterminado. A ausência de um referencial 
semântico seguro para a ‘garantia de ordem pública’ acaba por colocar em risco a liberdade individual do 
adolescente. 
- Caso o adolescente não seja liberado, a autoridade policial encaminhará, desde logo, o adolescente ao 
representante do Ministério Público, juntamente com cópia do auto de apreensão ou boletim de ocorrência. 
Sendo impossível a apresentação imediata, a autoridade policial encaminhará o adolescente à entidade de 
atendimento, que fará a apresentação ao representante do Ministério Público no prazo de 24 horas. Nas 
localidades onde não houver entidade de atendimento, a apresentação far-se-á pela autoridade policial. À falta 
de repartição policial especializada, o adolescente aguardará a apresentação em dependência separada da 
destinada a maiores, não podendo, em qualquer hipótese, exceder o prazo de 24 horas. A Defensoria Pública 
deve ser comunicada quando o adolescente for apreendido e não indicar advogado, em até 24 horas, por 
intermédio da interpretação extensiva ao disposto no art. 306 §1º do CPP. 
- O adolescente apontado como autor do ato infracional deverá ser ouvido pelo MP. Assim, apresentado o 
adolescente, o representante do Ministério Público procederá a imediata e informalmente à sua oitiva, e em 
sendo possível, de seus pais ou responsável, vítima e testemunhas. Alguns doutrinadores defendem não ser 
necessário que esse ato seja reduzido a escrito, podendo o Promotor de Justiça ouvir o adolescente sem registro 
formal. 
- Após a oitiva informal do adolescente, o representante do Ministério Público poderá: a) Promover o 
arquivamento dos autos; b) Conceder a remissão; c) Representar à autoridade judiciária para aplicação de 
medida socioeducativa; d) Segundo a doutrina: Determinar a realização de novas diligências investigatórias. 
- O Estatuto estabelece um prazo máximo de 45 dias para a conclusão do procedimento de apuração do ato 
infracional quando o adolescente estiver internado provisoriamente. Esgotado o prazo, o adolescente deve ser 
imediatamente posto em liberdade. Não se aplicando a Súmula 52 do STJ ao procedimento do ECA, cuja redação 
é a seguinte: ”encerrada a instruç~o criminal, fica superada a alegaç~o de constrangimento por excesso de 
prazo”. Em diversos julgados, a Corte expressamente afasta a aplicaç~o da mencionada súmula quando se trata 
de adolescente, posição também adotada pelo STF. 
 
- O adolescente e seus pais ou responsáveis devem ser citados. Podendo ocorrer as seguintes situações: 
a) Adolescente em liberdade não é encontrado para citação Expedição de mandado de busca e apreensão e 
sobrestamento do feito 
b) Adolescente internadoSua apresentação é requisitada à entidade de atendimento. 
c) Adolescente é citado, mas não comparece Condução coercitiva. 
 
 
 
28 
 
d) Pais ou responsáveis não encontrados ou não comparecem  Designação de curador especial para 
acompanhar o adolescente na audiência. 
- Na hipótese de não localização, o juiz determinará a busca e apreensão do adolescente. Ainda que seja, 
atualmente, aplicável ao processo penal, não há previsão específica no Estatuto, não tendo como aceitar a 
citação por edital. 
- O implemento das atividades administrativas do Estado compete ao Poder Executivo, que tem atuação 
discricionária para analisar conveniência e oportunidade acerca do modo de atuar. Sua discricionariedade, 
porém, é regrada e pode sofrer análise do Poder Judiciário. Ao enfrentar a matéria, o STJ recorrentemente 
destaca que, diante de um dever imposto ao Estado, como direito da criança à creche, é possível à Administração 
Pública decidir de que forma vai prestar o serviço, mas não pode optar pela não prestação, sob pena de violaro 
direito. 
- SINASE é a sigla utilizada para designar o Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo, destinado a 
regulamentar a forma como o Poder Público, por seus mais diversos órgãos e agentes, deverá prestar o 
atendimento especializado ao qual adolescente em conflito com a lei têm direito. O SINASE foi originalmente 
instituído pela Resolução nº 119/2006, do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente - 
CONANDA, e foi recentemente aprovado pela Lei nº 12.594, de 18 de janeiro de 2012, que trouxe uma série de 
inovações no que diz respeito à aplicação e execução de medidas socioeducativas a adolescentes autores de ato 
infracional, dispondo desde a parte conceitual até o financiamento do Sistema Socioeducativo, definindo papeis 
e responsabilidades, bem como procurando corrigir algumas distorções verificadas quando do atendimento 
dessa importante e complexa demanda. 
- A Lei 12.594/12 traz o seguinte conceito de SINASE: “Entende-se por Sinase o conjunto ordenado de princípios, 
regras e critérios que envolvem a execução de medidas socioeducativas, incluindo-se nele, por adesão, os 
sistemas estaduais, distrital e municipais, bem como todos os planos, políticas e programas específicos de 
atendimento a adolescente em conflito com a lei.” 
- O objetivo do SINASE, é a efetiva implementação de uma política pública especificamente destinada ao 
atendimento de adolescentes em conflito com a lei e suas respectivas famílias, de cunho eminentemente 
intersetorial, que ofereça alternativas de abordagem e atendimento junto aos mais diversos órgãos e 
“equipamentos” públicos (com a possibilidade de atuação, em caráter suplementar, de entidades não 
governamentais), acabando de uma vez por todas com o “isolamento” do Poder Judici|rio quando do 
atendimento desta demanda, assim como com a “aplicaç~o de medidas” apenas “no papel”, sem o devido 
respaldo em programas e serviços capazes de apurar as causas da conduta infracional e proporcionar - de 
maneira concreta - seu tratamento e efetiva solução, como seria de rigor. 
- O SINASE, enfim, deixa claro que a aplicação e execução das medidas socioeducativas a adolescentes autores de 
ato infracional, por ser norteada, antes e acima de tudo, pelo “princípio da proteção integral à criança e ao 
adolescente”, deve observar uma “lógica” completamente diversa da que orienta a aplicaç~o e execuç~o de 
penas a imputáveis, e que a verdadeira solução para o problema da violência infanto-juvenil, tanto no plano 
 
 
 
29 
 
individual quanto coletivo, demanda o engajamento dos mais diversos órgãos, serviços e setores da 
Administração Pública, que não mais podem se omitir em assumir suas responsabilidades para com esta 
importante demanda. 
- Objetivos das medidas socioeducativas: 
a) a responsabilização do adolescente quanto às consequências lesivas do ato infracional, sempre que possível 
incentivando a sua reparação; 
b) a integração social do adolescente e a garantia de seus direitos individuais e sociais, por meio do cumprimento 
de seu plano individual de atendimento; e 
c) a desaprovação da conduta infracional, efetivando as disposições da sentença como parâmetro máximo de 
privação de liberdade ou restrição de direitos, observados os limites previstos em lei. 
- Princípios que regem a execução das medidas socioeducativas: 
a) legalidade, não podendo o adolescente receber tratamento mais gravoso do que o conferido ao adulto; 
b) excepcionalidade da intervenção judicial e da imposição de medidas, favorecendo-se meios de 
autocomposição de conflitos; 
c) prioridade a práticas ou medidas que sejam restaurativas e, sempre que possível, atendam às necessidades das 
vítimas; 
d) proporcionalidade em relação à ofensa cometida; 
e) brevidade da medida em resposta ao ato cometido; 
f) individualização, considerando-se a idade, capacidades e circunstâncias pessoais do adolescente; 
g) mínima intervenção, restrita ao necessário para a realização dos objetivos da medida; 
h) não discriminação do adolescente, notadamente em razão de etnia, gênero, nacionalidade, classe social, 
orientação religiosa, política ou sexual, ou associação ou pertencimento a qualquer minoria ou status; e 
i) fortalecimento dos vínculos familiares e comunitários no processo socioeducativo. 
- De acordo com o art. 46, a medida socioeducativa será declarada extinta: pela morte do adolescente; pela 
realização de sua finalidade; pela aplicação de pena privativa de liberdade, a ser cumprida em regime fechado ou 
semiaberto, em execução provisória ou definitiva; pela condição de doença grave, que torne o adolescente 
incapaz de submeter-se ao cumprimento da medida; e nas demais hipóteses previstas em lei. No caso de o maior 
de 18 (dezoito) anos, em cumprimento de medida socioeducativa, responder a processo-crime, caberá à 
autoridade judiciária decidir sobre eventual extinção da execução, cientificando da decisão o juízo criminal 
competente. 
- Em relação às medidas originalmente aplicadas em meio aberto, em sendo constatado seu descumprimento 
“reiterado e injustific|vel” e, após ouvido o adolescente e seus pais/respons|vel (além, é claro, da defesa), restar 
comprovado, inclusive por meio de equipe técnica habilitada, que não há possibilidade ou não é razoável sua 
substituição por outra medida, também em meio aberto (solução que sempre terá preferência ao decreto da 
privação de liberdade do adolescente), o adolescente poderá ser internado com fundamento no art. 122, inciso 
III, do ECA (a chamada “internaç~o-sanç~o”), por um prazo que n~o poder| ser superior a 03 (três) meses (cf. art. 
122, §1º, do ECA). Já no caso de ter sido originalmente aplicada medida privativa de liberdade (internação ou 
semiliberdade), posteriormente substituída por medida em meio aberto, que venha a ser descumprida também 
de forma reiterada e injustificável, ou por qualquer outra razão se mostre inadequada e também não seja 
possível ou razoável sua substituição por outra em meio aberto, o disposto no art. 43, §4º, da Lei nº 12.594/2012 
 
 
 
30 
 
abre espaço para que, em situações extremas e excepcionais, após o “devido processo legal”, ocorra a 
“regress~o integral”, ou seja, a retomada do cumprimento da medida original, pelo prazo m|ximo que restar. 
- Trata-se, portanto, de uma regra específica, destinada a retomar o curso da medida privativa de liberdade 
originalmente aplicada após a progressão, observados os prazos máximos de duração para esta fixados. Vale 
repetir que esta modalidade de “regress~o” n~o é aplic|vel quando a medida original for em meio aberto, caso 
em que a única alternativa ser| a “internaç~o-sanç~o” prevista no art. 122, inciso III, do ECA. 
- Um dos requisitos elementares para aplicação e execução das medidas socioeducativas em geral é a capacidade 
de cumprimento, por parte do adolescente (art. 112, §1º, do ECA), que deverá ser analisada caso a caso, a partir da 
intervenção de equipe técnica habilitada (art. 186, §4º, do ECA e art. 53, da Lei nº 12.594/2012). Adolescentes que 
se enquadram no conceito de “duplo-inimput|veis” (ou seja, que s~o penalmente inimput|veis n~o apenas em 
razão da idade, mas também em razão de transtornos graves de ordem psíquica, que os impedem de 
compreender o caráter ilícito de sua conduta ou de determinar-se de acordo com este entendimento), a rigor 
n~o devem ser vinculados a medidas socioeducativas “típicas” (cf. art. 112, §3º, do ECA), mas sim a medidas de 
cunho unicamente protetivo. 
 
- A Lei nº 12.594/2012 também dispôs sobre a matéria, estabelecendo o procedimento a adotar quando for 
constatado que o adolescente em cumprimento de medida apresenta indícios de transtorno e/oudeficiência 
mental, caso em que deverá ser submetido a uma avaliação técnica interdisciplinar e poderá, ouvidos o defensor 
e o Ministério Público, ter suspensa a execução da medida originalmente aplicada, visando incluir o adolescente 
em algum programa de atenção integral à saúde mental que melhor atenda aos objetivos terapêuticos 
estabelecidos para o seu caso específico (art. 64, caput e §4º, da Lei nº 12.594/2012). 
- Na forma da Lei, por força do disposto no art. 68, da Lei nº 12.594/2012, somente têm direito a visitas íntimas 
adolescentes/jovens casados ou que comprovadamente mantenham união estável. A partir do momento em que 
se reconhece que imputáveis inseridos no sistema prisional têm direito a visitas íntimas, não seria correto pura e 
simplesmente negar tal direito a jovens inseridos no Sistema Socioeducativo (inclusive diante do princípio 
relacionado no art. 35, inciso I, da Lei nº 12.594/2012). Ressalte-se que a medida pode trazer benefícios ao 
“processo de ressocializaç~o” dos adolescentes/jovens, permitindo a manutenç~o de vínculos familiares que 
serão importantes quando de sua progressão para o meio aberto. 
 
 
DIREITO DO IDOSO3 
 
1. Previsão Constitucional e Assistência Social. 
 
Benefício de prestação continuada: idade igual ou superior a 65 anos + não possuir meios de prover à própria 
manutenção ou de tê-la provida por sua família. 
 
Art. 203. A assistência social ser| prestada a quem dela necessitar, independentemente de contribuiç~o { 
seguridade social, e tem por objetivos: 
 
3 Por Liana Schuler e Ana Beatriz Fernandes. 
 
 
 
31 
 
(...) 
V – a garantia de um sal|rio mínimo de benefício mensal { pessoa portadora de deficiência e ao idoso que 
comprovem n~o possuir meios de prover { própria manutenç~o ou de tê-la provida por sua família, conforme 
dispuser a lei. 
Estatuto do Idoso- Art. 34. Aos idosos, a partir de 65 (sessenta e cinco) anos, que n~o possuam meios para prover 
sua subsistência, nem de tê-la provida por sua família, é assegurado o benefício mensal de 1 (um) sal|rio-mínimo, 
nos termos da Lei Org}nica da Assistência Social – Loas. 
 
A pessoa que recebe o amparo assistencial n~o pode receber ao mesmo tempo outro benefício no }mbito da 
seguridade social ou de outro regime, salvo os da assistência médica e da pensão especial de natureza 
indenizatória. 
Para concessão do benefício poderão ser utilizados outros elementos probatórios da condição de miserabilidade 
do grupo familiar e da situação de vulnerabilidade, conforme regulamento. 
A condição de acolhimento em instituições de longa permanência não prejudica o direito do idoso ao benefício. 
O idoso goza de prioridade absoluta nos programas habitacionais públicos ou subsidiados com recursos públicos. 
 
Art. 230. A família, a sociedade e o Estado têm o dever de amparar as pessoas idosas, assegurando sua 
participação na comunidade, defendendo sua dignidade e bem-estar e garantindo-lhes o direito à vida. 
§ 1º Os programas de amparo aos idosos serão executados preferencialmente em seus lares. 
§ 2º Aos maiores de sessenta e cinco anos é garantida a gratuidade dos transportes coletivos urbanos. 
 
2. Lei no 10.741/2003. 
2.1 Disposições preliminares 
Pessoa idosa é aquela com idade IGUAL ou SUPERIOR a 60 anos, sendo o envelhecimento um direito 
personalíssimo. 
Idoso é considerado hipervulnerável. 
Nem todos os direitos assegurados pelo Estatuto são destinados às pessoas com idade igual ou superior a 60 
(sessenta) anos. 
#DEOLHONOEDITAL: 
 
FAIXA ETÁRIA BENEFÍCIO 
Idade igual ou superior a 60 anos Ser considerado idoso e desfrutas, em geral, dos 
direitos e prerrogativas do Estatuto 
Idade igual ou superior a 65 anos Benefício de prestação continuada (BPC), nos termos da 
Lei Orgânica da Assistência Social, desde que não 
possua meios para prover sua subsistência nem tê-la 
provida por sua família, além de preencher os requisitos 
legais 
Idade igual ou superior aos 65 anos Gratuidade dos transportes coletivos públicos urbanos e 
semiurbanos 
 
 
 
32 
 
Idade igual ou superior aos 65 anos Possibilidade de acesso à gratuidade nos meios de 
transporte, desde que haja legislação local dispondo 
sobre o tema. 
 
As normas de proteção aos idosos são de ordem pública. O Estatuto do Idoso é considerado um microssistema 
jurídico, agregando normas de Direito Civil, Constitucional, Administrativo, Penal e Processo Penal. 
Os direitos dos idosos estão localizados nas 3 dimensões de direitos fundamentais. 
O idoso tem prioridade de atendimento no recebimento do IR. 
Deve-se dar preferência ao atendimento do idoso por sua própria família, em detrimento da modalidade asilar, 
EXCETO quando não possuam ou careçam de condições para manutenção da própria sobrevivência. 
 
2.2 Direitos fundamentais. 
O envelhecimento é um direito personalíssimo e sua proteção um direito social. 
A liberdade de ir e vir dos idosos está ligada à ideia de acessibilidade urbana, ou seja, adaptação dos logradouros, 
edifícios e veículos de transporte coletivo. 
A obrigação alimentar é solidária, qualquer um dos co-obrigados pode integrar o polo passivo da ação de 
alimentos, sem que haja necessidade de litisconsórcio unitário. 
 
REGRA GERAL DO CÓDIGO CIVIL REGRA ESPECIAL DO ESTATUTO DO IDOSO 
A obrigação alimentar é subsidiária. Existe uma 
ordem a ser seguida entre os familiares 
Obrigação solidária. O idoso pode optar livremente entre 
os parentes que deverão ser chamados a prestar 
alimentos. 
 
As transações relativas a alimentos poderão ser celebradas perante o Promotor de Justiça ou Defensor Público, 
que as referendará, e passarão a ter efeito de título executivo extrajudicial nos termos da lei processual civil. 
Se o idoso ou seus familiares não possuírem condições econômicas de prover o seu sustento, impõe-se ao Poder 
Público esse provimento, no âmbito da assistência social. 
Incumbe ao Poder Público fornecer aos idosos, gratuitamente, medicamentos, especialmente os de uso 
continuado, assim como próteses, órteses e outros recursos relativos ao tratamento, habilitação ou reabilitação. 
É vedada a discriminação do idoso nos planos de saúde pela cobrança de valores diferenciados em razão da 
idade. 
 
#RECURSOREPETITIVO #STJ #JURISSAINDODOFORNO 
 
TESE para os fins do art. 1.040 do CPC/2015: O reajuste de mensalidade de plano de saúde individual ou 
familiar fundado na mudança de faixa etária do beneficiário é válido desde que (i) haja previsão contratual, (ii) 
sejam observadas as normas expedidas pelos órgãos governamentais reguladores e (iii) não sejam 
aplicados percentuais desarrazoados ou aleatórios que, concretamente e sem base atuarial idônea, 
onerem excessivamente o consumidor ou discriminem o idoso. (REsp 1568244/RJ, Rel. Ministro RICARDO 
 
 
 
33 
 
VILLAS BÔAS CUEVA, SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 14/12/2016, DJe 19/12/2016) 
 
 
O idoso tem direito a moradia digna, no seio da família natural ou substituta, ou desacompanhado de seus 
familiares, quando assim o desejar, ou, ainda, em instituição pública ou privada. 
As instituições que abrigarem idosos são obrigadas a manter padrões de habitação compatíveis com as 
necessidades deles, bem como provê-los com alimentação regular e higiene indispensáveis às normas sanitárias e 
com estas condizentes, sob as penas da lei. 
Art. 38. Nos programas habitacionais, públicos ou subsidiados com recursos públicos, o idoso goza de prioridade 
na aquisição de imóvel para moradia própria, observado oseguinte: 
I - reserva de pelo menos 3% (três por cento) das unidades habitacionais residenciais para atendimento aos 
idosos; (Redação dada pela Lei nº 12.418, de 2011) 
 
II – implantação de equipamentos urbanos comunitários voltados ao idoso; 
III – eliminação de barreiras arquitetônicas e urbanísticas, para garantia de acessibilidade ao idoso; 
IV – critérios de financiamento compatíveis com os rendimentos de aposentadoria e pensão. 
Parágrafo único. As unidades residenciais reservadas para atendimento a idosos devem situar-se, 
preferencialmente, no pavimento térreo. (Incluído pela Lei nº 12.419, de 2011) 
 
Gratuidade nos transportes coletivos urbanos: 
#DEOLHONOEDITAL: 
 
TRANSPORTE COLETIVO URBANO E SEMIURBANO TRANSPORTE COLETIVO INTERESTADUAL 
- Ser idoso maior de 65 anos 
- Para ter direito basta apresentar qualquer 
documento pessoal que faça prova da idade 
- Ser idoso com idade igual ou superior a 60 anos. 
- Ter renda igual ou inferior a dois salários-mínimos 
- Solicitar um bilhete de viagem do idoso, com 
antecedência mínima de, pelo menos, 3 horas em relação 
ao horário de partida do ponto inicial da linha de serviço 
de transporte 
- Comparecer ao terminar 30 minutos antes do embarque 
- Apresentar documento pessoal que faça prova da renda 
igual ou inferior a dois salários-mínimos 
- Duas vagas gratuitas por veículo. Finalizadas das vagas 
gratuitas, o idoso tem direito a desconto de 50%, no 
mínimo, do valor da passagem 
- Não estão incluídas na gratuidade tarifas de pedágio e 
utilização de terminais, bem como despesas com a 
alimentação 
 
 
 
 
34 
 
É assegurada a reserva de vaga, para os idosos, nos termos da lei local, de 5% das vagas nos estacionamentos 
públicos e privados, as quais deverão ser posicionadas de forma a garantir a melhor comodidade dos idosos. 
 
2.3. Medidas de proteção 
 
As medidas de proteção ao idoso serão utilizadas para tutelar os direitos do idoso contra ação ou omissão de 
quem quer que seja. Ocorrendo ameaça ou violação dos direitos dos idosos, cabe às autoridades competentes 
(ESPECIALMENTE O MINISTÉRIO PÚBLICO) a adoção das providências previstas no art. 45 do Estatuto. 
Art. 45. Verificada qualquer das hipóteses previstas no art. 43, o Ministério Público ou o Poder Judiciário, a 
requerimento daquele, poderá determinar, dentre outras, as seguintes medidas: 
I – encaminhamento à família ou curador, mediante termo de responsabilidade; 
II – orientação, apoio e acompanhamento temporários; 
III – requisição para tratamento de sua saúde, em regime ambulatorial, hospitalar ou domiciliar; 
IV – inclusão em programa oficial ou comunitário de auxílio, orientação e tratamento a usuários dependentes de 
drogas lícitas ou ilícitas, ao próprio idoso ou à pessoa de sua convivência que lhe cause perturbação; 
V – abrigo em entidade; 
VI – abrigo temporário. 
 
2.4. A política de atendimento ao idoso. Disposições gerais. Entidades de atendimento ao idoso. 
A prioridade é atender o idoso através de sua própria família, em detrimento do atendimento asilar. 
MODALIDADE DE ATENDIMENTO ASILAR: atendimento em regime de INTERNATO, ao idoso SEM VÍNCULO 
FAMILIAR ou SEM CONDIÇÕES DE PROVER A PRÓPRIA SUBSISTÊNCIA. 
As entidades governamentais e não-governamentais de atendimento ao idoso serão fiscalizadas pelos Conselhos 
do Idoso, MINISTÉRIO PÚBLICO, Vigilância Sanitária e outros previstos em lei. 
O dirigente de instituição prestadora de atendimento ao idoso responderá civil e criminalmente pelos atos que 
praticar em detrimento do idoso, sem prejuízo das sanções administrativas. 
As instituições filantrópicas ou sem fins lucrativos prestadoras de serviço ao idoso terão direito à assistência 
judiciária gratuita. 
 
2.5. Acesso à Justiça. 
Possibilidade de o poder público criar varas privativas para idosos. 
Art. 71. É assegurada prioridade na tramitação dos processos e procedimentos e na execução dos atos e 
diligências judiciais em que figure como parte ou interveniente pessoa com idade igual ou superior a 60 
(sessenta) anos, em qualquer instância. 
§ 1o O interessado na obtenção da prioridade a que alude este artigo, fazendo prova de sua idade, requererá o 
benefício à autoridade judiciária competente para decidir o feito, que determinará as providências a serem 
cumpridas, anotando-se essa circunstância em local visível nos autos do processo. 
§ 2o A prioridade não cessará com a morte do beneficiado, estendendo-se em favor do cônjuge supérstite, 
companheiro ou companheira, com união estável, maior de 60 (sessenta) anos. 
 
 
 
35 
 
§ 3o A prioridade se estende aos processos e procedimentos na Administração Pública, empresas prestadoras de 
serviços públicos e instituições financeiras, ao atendimento preferencial junto à Defensoria Publica da União, dos 
Estados e do Distrito Federal em relação aos Serviços de Assistência Judiciária. 
 § 4o Para o atendimento prioritário será garantido ao idoso o fácil acesso aos assentos e caixas, identificados 
com a destinação a idosos em local visível e caracteres legíveis. 
 
2.6. Atuação do Ministério Público na defesa dos direitos das pessoas idosas #IMPORTANTE 
O representante do Ministério Público, no exercício de suas funções, terá livre acesso a toda entidade de 
atendimento ao idoso. 
Nos termos do art. 75 do Estatuto do Idoso, “nos processos e procedimentos em que não for parte, atuará 
obrigatoriamente o Ministério Público na defesa dos direitos e interesses de que cuida esta Lei, hipóteses em que 
terá vista dos autos depois das partes, podendo juntar documentos, requerer diligências e produção de outras 
provas, usando os recursos cabíveis”. Entretanto, nos termos da jurisprudência consolidada do STJ, não é 
obrigatória a intervenção do Ministério Público nas ações que envolvam interesse de idoso, exceto se comprovada 
a situação de risco de que cuida o art. 43 da Lei nº 10.741/2003. (AgRg no REsp 1202107/SP, Rel. Ministro RICARDO 
VILLAS BÔAS CUEVA, TERCEIRA TURMA, julgado em 18/06/2015, DJe 04/08/2015) 
 
#DEOLHONOEDITAL: 
 
ATRIBUIÇÕES DO MINISTÉRIO PÚBLICO ELENCADAS 
NO ESTATUTO DO IDOSO 
I – instaurar o inquérito civil e a ação civil pública para 
a proteção dos direitos e interesses difusos ou 
coletivos, individuais indisponíveis e individuais 
homogêneos do idoso; 
 
 II – promover e acompanhar as ações de alimentos, 
de interdição total ou parcial, de designação de 
curador especial, em circunstâncias que justifiquem a 
medida e oficiar em todos os feitos em que se 
discutam os direitos de idosos em condições de risco; 
 
III – atuar como substituto processual do idoso em 
situação de risco, conforme o disposto no art. 43 desta 
Lei; 
 
 IV – promover a revogação de instrumento 
procuratório do idoso, nas hipóteses previstas no art. 
43 desta Lei, quando necessário ou o interesse público 
justificar; 
 
V – instaurar procedimento administrativo e, para 
 
 
 
36 
 
instruí-lo: 
 
a) expedir notificações, colher depoimentos ou 
esclarecimentos e, em caso de não comparecimento 
injustificado da pessoa notificada, requisitar condução 
coercitiva, inclusive pela Polícia Civil ou Militar; 
 
b) requisitar informações, exames, perícias e 
documentos de autoridades municipais, estaduais e 
federais, da administração direta e indireta, bem como 
promover inspeções e diligências investigatórias; 
 
c) requisitar informações e documentos particulares 
de instituições privadas; 
 
VI – instaurar sindicâncias, requisitar diligências 
investigatórias e a instauração deinquérito policial, 
para a apuração de ilícitos ou infrações às normas de 
proteção ao idoso; 
 
VII – zelar pelo efetivo respeito aos direitos e garantias 
legais assegurados ao idoso, promovendo as medidas 
judiciais e extrajudiciais cabíveis; 
 
VIII – inspecionar as entidades públicas e particulares 
de atendimento e os programas de que trata esta Lei, 
adotando de pronto as medidas administrativas ou 
judiciais necessárias à remoção de irregularidades 
porventura verificadas; 
 
IX – requisitar força policial, bem como a colaboração 
dos serviços de saúde, educacionais e de assistência 
social, públicos, para o desempenho de suas 
atribuições; 
 
X – referendar transações envolvendo interesses e 
direitos dos idosos previstos nesta Lei. 
 
2.7. Interpretação jurisprudencial dos Tribunais Superiores sobre estes temas de Direito do Idoso. 
 
 
 
 
37 
 
Diante disso, esta expressão “na data de expedição do precatório” constante no § 2º do art. 100 da CF/88 foi 
declarada INCONSTITUCIONAL pelo STF. 
O STF entendeu que esta limitação até a data da expedição do precatório viola o princípio da igualdade e que 
esta superpreferência deveria ser estendida a todos os credores que completassem 60 anos de idade enquanto 
estivessem aguardando o pagamento do precatório de natureza alimentícia. STF. Plenário. ADI 4357/DF, ADI 
4425/DF, ADI 4372/DF, ADI 4400/DF, ADI 4357/DF, rel. orig. Min. Ayres Britto, red. p/ o acórdão Min. Luiz Fux, 13 e 
14/3/2013 (Info 698). 
 
Aplica-se o parágrafo único do art. 34 do Estatuto do Idoso (Lei 10.741/2003), por analogia, a pedido de benefício 
assistencial feito por pessoa com deficiência a fim de que benefício previdenciário recebido por idoso, no valor 
de um salário mínimo, não seja computado no cálculo da renda per capita prevista no art. 20, § 3º, da Lei 
8.742/1993. REsp 1.355.052-SP, Rel. Min. Benedito Gonçalves, Primeira Seção, julgado em 25/2/2015, DJe 5/11/2015. 
 
 
Incorre no tipo penal previsto no art. 102 da Lei 10.741/2003 (Estatuto do Idoso) - e não no tipo penal de furto 
(art. 155 do CP) - o estagiário de instituição financeira que se utiliza do cartão magnético e da senha de acesso à 
conta de depósitos de pessoa idosa para realizar transferências de valores para sua conta pessoal. REsp 
1.358.865-RS, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 4/9/2014. 
 
EMENTA: AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. ARTIGOS 39 E 94 DA LEI 10.741/2003 (ESTATUTO DO 
IDOSO). RESTRIÇÃO À GRATUIDADE DO TRANSPORTE COLETIVO. SERVIÇOS DE TRANSPORTE SELETIVOS E 
ESPECIAIS. APLICABILIDADE DOS PROCEDIMENTOS PREVISTOS NA LEI 9.099/1995 AOS CRIMES COMETIDOS 
CONTRA IDOSOS. 1. No julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade 3.768/DF, o Supremo Tribunal 
Federal julgou constitucional o art. 39 da Lei 10.741/2003. Não conhecimento da ação direta de 
inconstitucionalidade nessa parte. 2. Art. 94 da Lei n. 10.741/2003: interpretação conforme à Constituição do 
Brasil, com redução de texto, para suprimir a expressão "do Código Penal e". Aplicação apenas do 
procedimento sumaríssimo previsto na Lei n. 9.099/95: benefício do idoso com a celeridade processual. 
Impossibilidade de aplicação de quaisquer medidas despenalizadoras e de interpretação benéfica ao autor do 
crime. 3. Ação direta de inconstitucionalidade julgada parcialmente procedente para dar interpretação 
conforme à Constituição do Brasil, com redução de texto, ao art. 94 da Lei n. 10.741/2003. (ADI 3096, 
Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA, Tribunal Pleno, julgado em 16/06/2010, DJe-164 DIVULG 02-09-2010 PUBLIC 03-
09-2010 EMENT VOL-02413-02 PP-00358 RTJ VOL-00216-01 PP-00204) 
#DEOLHONOEDITAL: 
 
Concluindo: 
 
1) Se o crime previsto no Estatuto do idoso tiver uma pena máxima não superior a 2 anos, vai para o JECRIM, 
aplicando-se todos os institutos despenalizadores. 
2) Se o crime previsto no Estatuto do Idoso com pena máxima superior a 2 anos e não superior a 4 anos, a 
competência será do juízo comum, mas, em virtude do art. 94 do Estatuto, o procedimento a ser aplicado será 
 
 
 
38 
 
o sumaríssimo. 
3) Se o crime tiver pena máxima superior a 4 anos, aplica-se o procedimento comum. 
 
 
EMENTA DIREITO ADMINISTRATIVO. TRANSPORTE COLETIVO. GRATUIDADE PARA O IDOSO. MANDADO DE 
SEGURANÇA CONCEDIDO NA ORIGEM. DEVER DE FISCALIZAÇÃO E DE EXPEDIÇÃO DE NORMA PELO ESTADO. 
OFENSA À CONSTITUIÇÃO FEDERAL NÃO CONFIGURADA. Eficácia plena e aplicabilidade imediata do art. 230, § 
2º, da Constituição Federal, que assegurou a gratuidade nos transportes coletivos urbanos aos maiores de 65 
anos, reconhecida em precedente desta Corte (ADI 3.768/DF, rel. Min. Cármen Lúcia, Tribunal Pleno, DJe 
26.10.2007). Possibilidade de o Poder Judiciário determinar, em casos excepcionais, que o Poder Executivo adote 
medidas que viabilizem o exercício de direitos constitucionalmente assegurados. Ofensa ao princípio da 
separação de poderes não configurada. Precedentes. Agravo regimental conhecido e não provido. 
 (AI 707810 AgR, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Primeira Turma, julgado em 22/05/2012, ACÓRDÃO ELETRÔNICO 
DJe-110 DIVULG 05-06-2012 PUBLIC 06-06-2012 RTJ VOL-00223-01 PP-00654) 
 
 
DIREITOS DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA4 
 
1. Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, assinada em Nova Iorque, em 30 de março de 2007, 
ratificada no âmbito interno pelo Decreto Legislativo no 186/08 e promulgada pelo Decreto no 6.949/09. 
A Convenção Internacional sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência foi recepcionada pelo Brasil com status 
de emenda constitucional (o que revela a sua importância). 
Indispensável à Leitura da do Estatuto da Pessoa com Deficiência e da Convenção Internacional. 
O Estatuto da Pessoa com Deficiência vem fortemente influenciado pela Convenção de Nova York, buscando 
assegurar e a promover, em com dições de igualdade, o exercício dos direitos e das liberdades fundamentais por 
pessoa com deficiência, visando à sua inclusão social e cidadania. 
 
2. Previsão constitucional dos direitos das pessoas com deficiência. 
 
Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição 
social: XXXI - proibição de qualquer discriminação no tocante a salário e critérios de admissão do trabalhador 
portador de deficiência; 
(...) 
Art. 23. É competência comum da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios: II - cuidar da saúde e 
assistência pública, da proteção e garantia das pessoas portadoras de deficiência; 
(...) 
Art. 24. Compete à União, aos Estados e ao Distrito Federal legislar concorrentemente sobre: XIV - proteção e 
integração social das pessoas portadoras de deficiência; 
(...) 
 
4 Por Liana Schuler e Ana Beatriz Fernandes 
 
 
 
39 
 
Art. 37, VIII - a lei reservará percentual dos cargos e empregos públicos para as pessoas portadoras de deficiência 
e definirá os critérios de sua admissão; 
(...) 
Art. 40, § 4º É vedada a adoção de requisitos e critérios diferenciados para a concessão de aposentadoria aos 
abrangidos pelo regime de que trata este artigo, ressalvados, nos termos definidos em leis complementares, os 
casos de servidores: I - portadores de deficiência; 
(...) 
Art. 100, § 2º Os débitos de natureza alimentícia cujos titulares, originários ou por sucessão hereditária, tenham 
60 (sessenta) anos de idade, ou sejam portadores de doença grave, ou pessoas com deficiência, assim definidos 
na forma da lei, serão pagos com preferência sobre todos os demais débitos, até o valor equivalente aotriplo 
fixado em lei para os fins do disposto no § 3º deste artigo, admitido o fracionamento para essa finalidade, sendo 
que o restante será pago na ordem cronológica de apresentação do precatório. 
(...) 
Art. 201, § 1º É vedada a adoção de requisitos e critérios diferenciados para a concessão de aposentadoria aos 
beneficiários do regime geral de previdência social, ressalvados os casos de atividades exercidas sob condições 
especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física e quando se tratar de segurados portadores de 
deficiência, nos termos definidos em lei complementar. 
(...) 
Art. 203. A assistência social será prestada a quem dela necessitar, independentemente de contribuição à 
seguridade social, e tem por objetivos: V - a habilitação e reabilitação das pessoas portadoras de deficiência e a 
promoção de sua integração à vida comunitária; V - a garantia de um salário mínimo de benefício mensal à pessoa 
portadora de deficiência e ao idoso que comprovem não possuir meios de prover à própria manutenção ou de tê-
la provida por sua família, conforme dispuser a lei. 
(...) 
Art. 208. O dever do Estado com a educação será efetivado mediante a garantia de: III - atendimento educacional 
especializado aos portadores de deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino; 
(...) 
Art. 227, § 1º O Estado promoverá programas de assistência integral à saúde da criança, do adolescente e do 
jovem, admitida a participação de entidades não governamentais, mediante políticas específicas e obedecendo 
aos seguintes preceitos: II - criação de programas de prevenção e atendimento especializado para as pessoas 
portadoras de deficiência física, sensorial ou mental, bem como de integração social do adolescente e do jovem 
portador de deficiência, mediante o treinamento para o trabalho e a convivência, e a facilitação do acesso aos 
bens e serviços coletivos, com a eliminação de obstáculos arquitetônicos e de todas as formas de discriminação. 
 
§ 2º A lei disporá sobre normas de construção dos logradouros e dos edifícios de uso público e de fabricação de 
veículos de transporte coletivo, a fim de garantir acesso adequado às pessoas portadoras de deficiência. 
(...) 
Art. 244. A lei disporá sobre a adaptação dos logradouros, dos edifícios de uso público e dos veículos de 
transporte coletivo atualmente existentes a fim de garantir acesso adequado às pessoas portadoras de 
deficiência, conforme o disposto no art. 227, § 2º. 
 
 
 
40 
 
#DEOLHONOEDITAL: 
 
3. Lei no 13.146/2015 – Estatuto da Pessoa com Deficiência 
Considera-se pessoa com deficiência aquela que tem impedimento de longo prazo de natureza física, mental, 
intelectual ou sensorial, o qual, em interação com uma ou mais barreiras, pode obstruir sua participação plena e 
efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas. 
O conceito de deficiência deixa de ser somente médico, e passa a levar em consideração, em primeiro lugar, os 
aspectos sociais – AVALIAÇÃO BIOPSICOSSOCIAL. 
Acessibilidade é a possibilidade e condição de alcance para utilização, com segurança e autonomia, de espaços, 
mobiliários, equipamentos urbanos, edificações, transportes, informação e comunicação, inclusive seus sistemas 
e tecnologias, bem como de outros serviços e instalações abertos ao público, de uso público ou privados de uso 
coletivo, tanto na zona urbana como na rural, por pessoa com deficiência ou com mobilidade reduzida. 
São vedadas todas as formas de discriminação contra a pessoa com deficiência, inclusive por meio de cobrança 
de valores diferenciados por planos e seguros privados de saúde, em razão de sua condição. 
A fim de garantir a atuação da pessoa com deficiência em todo o processo judicial, o poder público deve 
capacitar os membros e os servidores que atuam no Poder Judiciário, no MINISTÉRIO PÚBLICO, na Defensoria 
Pública, nos órgãos de segurança pública e no sistema penitenciário quanto aos direitos da pessoa com 
deficiência. 
É assegurado à pessoa com deficiência que não possua meios para prover sua subsistência nem de tê-la provida 
por sua família o benefício mensal de 1 (um) salário-mínimo (BENEFÍCIO DE PRESTAÇÃO CONTINUADA). 
 
- Um dos objetivos da assistência social brasileira é a garantia de um salário mínimo de benefício mensal à 
pessoa portadora de deficiência e ao idoso (idade igual ou superior a 65 anos) que comprovem não possuir 
meios de prover à própria manutenção ou de tê-la provida por sua família, conforme dispuser a lei, nos termos 
do artigo 203, inciso V, da Constituição Federal: o chamado “LOAS” ou “benefício de prestaç~o continuada”. 
- Pelo critério legal, considera-se incapaz de prover a sua própria manutenção a pessoa portadora de 
deficiência ou idosa, em que a renda mensal per capita familiar seja inferior a 1/4 (um quarto) de salário 
mínimo. De acordo com o STF, verificou-se um processo de “inconstitucionalizarão” do critério legal da renda 
per capita menor que ¼ do salário mínimo, que havia sido fixado há 20 anos (1993), especialmente pela 
adoção superveniente de outros critérios mais favoráveis aos necessitados em leis assistenciais posteriores, 
como no Programa Bolsa-Família. Interpretando o artigo 34, parágrafo único, do Estatuto do Idoso5, o STF e o 
STJ estão estendendo analogicamente a excepcional disposição legal a qualquer benefício previdenciário no 
valor de um salário mínimo percebido por pessoa do grupo familiar, conquanto não haja qualquer prévia fonte 
de custeio. 
 
 
3.1 Da igualdade e da não discriminação 
 
5 Art. 34. Parágrafo único. O benefício já concedido a qualquer membro da família nos termos do caput não será 
computado para os fins do cálculo da renda familiar per capita a que se refere a Loas. 
 
 
 
41 
 
Art. 4o Toda pessoa com deficiência tem direito à igualdade de oportunidades com as demais pessoas e não 
sofrerá nenhuma espécie de discriminação. 
§ 1o Considera-se discriminação em razão da deficiência toda forma de distinção, restrição ou exclusão, por ação 
ou omissão, que tenha o propósito ou o efeito de prejudicar, impedir ou anular o reconhecimento ou o exercício 
dos direitos e das liberdades fundamentais de pessoa com deficiência, incluindo a recusa de adaptações 
razoáveis e de fornecimento de tecnologias assistivas. 
§ 2o A pessoa com deficiência não está obrigada à fruição de benefícios decorrentes de ação afirmativa. 
 (...) 
Art. 7o É dever de todos comunicar à autoridade competente qualquer forma de ameaça ou de violação aos 
direitos da pessoa com deficiência. 
Parágrafo único. Se, no exercício de suas funções, os juízes e os tribunais tiverem conhecimento de fatos que 
caracterizem as violações previstas nesta Lei, devem remeter peças ao Ministério Público para as providências 
cabíveis. 
 
3.2. Atendimento prioritário 
Art. 9o A pessoa com deficiência tem direito a receber atendimento prioritário, sobretudo com a finalidade de: 
I - proteção e socorro em quaisquer circunstâncias; 
II - atendimento em todas as instituições e serviços de atendimento ao público; 
III - disponibilização de recursos, tanto humanos quanto tecnológicos, que garantam atendimento em igualdade 
de condições com as demais pessoas; 
IV - disponibilização de pontos de parada, estações e terminais acessíveis de transporte coletivo de passageiros e 
garantia de segurança no embarque e no desembarque; 
V - acesso a informações e disponibilização de recursos de comunicação acessíveis; 
VI - recebimento de restituição de imposto de renda; 
VII - tramitação processual e procedimentos judiciais e administrativos em que for parte ou interessada,em todos 
os atos e diligências. 
 
3.3 Direito à Moradia 
 
Art. 32. Nos programas habitacionais, públicos ou subsidiados com recursos públicos, a pessoa com deficiência 
ou o seu responsável goza de prioridade na aquisição de imóvel para moradia própria, observado o seguinte: 
I - reserva de, no mínimo, 3% (três por cento) das unidades habitacionais para pessoa com deficiência; 
 
3.4 Tomada de decisão apoiada e curatela 
#DEOLHONOEDITAL: 
 
Tomada de Decisão Apoiada Curatela 
Visa a manutenção da autonomia do deficiente 
aliada ao seu melhor interesse. É preferencial em 
relação a curatela. 
É medida extraordinária. Limitada a atos patrimoniais 
ou negociais. 
 
 
 
42 
 
Não pressupõe a incapacidade, mas mera 
necessidade de apoio. 
Pressupõe a incapacidade relativa do deficiente. 
Somente pode ser promovida pelo próprio 
deficiente. 
 
Pode ser promovida pelo próprio deficiente, bem como 
por outros legitimados no art. 747 do CPC. 
 
3.5 Do direito à participação na vida pública e política. 
Art. 76. O poder público deve garantir à pessoa com deficiência todos os direitos políticos e a oportunidade de 
exercê-los em igualdade de condições com as demais pessoas. 
§ 1o À pessoa com deficiência será assegurado o direito de votar e de ser votada, inclusive por meio das seguintes 
ações: 
I - garantia de que os procedimentos, as instalações, os materiais e os equipamentos para votação sejam 
apropriados, acessíveis a todas as pessoas e de fácil compreensão e uso, sendo vedada a instalação de seções 
eleitorais exclusivas para a pessoa com deficiência; 
II - incentivo à pessoa com deficiência a candidatar-se e a desempenhar quaisquer funções públicas em todos os 
níveis de governo, inclusive por meio do uso de novas tecnologias assistivas, quando apropriado; 
III - garantia de que os pronunciamentos oficiais, a propaganda eleitoral obrigatória e os debates transmitidos 
pelas emissoras de televisão possuam, pelo menos, os recursos elencados no art. 67 desta Lei; 
IV - garantia do livre exercício do direito ao voto e, para tanto, sempre que necessário e a seu pedido, permissão 
para que a pessoa com deficiência seja auxiliada na votação por pessoa de sua escolha. 
§ 2o O poder público promoverá a participação da pessoa com deficiência, inclusive quando institucionalizada, na 
condução das questões públicas, sem discriminação e em igualdade de oportunidades, observado o seguinte: 
I - participação em organizações não governamentais relacionadas à vida pública e à política do País e em 
atividades e administração de partidos políticos; 
II - formação de organizações para representar a pessoa com deficiência em todos os níveis; 
III - participação da pessoa com deficiência em organizações que a representem. 
 
3.6 Acesso à justiça 
 A fim de garantir a atuação da pessoa com deficiência em todo o processo judicial, o poder público deve 
capacitar os membros e os servidores que atuam no Poder Judiciário, no MINISTÉRIO PÚBLICO, na Defensoria 
Pública, nos órgãos de segurança pública e no sistema penitenciário quanto aos direitos da pessoa com 
deficiência. 
Devem ser oferecidos todos os recursos de tecnologia assistiva disponíveis para que a pessoa com deficiência 
tenha garantido o acesso à justiça, sempre que figure em um dos polos da ação ou atue como testemunha, 
partícipe da lide posta em juízo, advogado, defensor público, magistrado ou membro do MINISTÉRIO PÚBLICO. 
Os serviços notariais e de registro não podem negar ou criar óbices ou condições diferenciadas à prestação de 
seus serviços em razão de deficiência do solicitante, devendo reconhecer sua capacidade legal plena, garantida a 
acessibilidade. 
 
 
 
 
 
43 
 
4. Interpretação jurisprudencial dos Tribunais Superiores sobre estes temas de Direito das Pessoas com 
Deficiência. 
 
Aplica-se o parágrafo único do artigo 34 do Estatuto do Idoso (Lei n. 10.741/03), por analogia, a pedido de 
benefício assistencial feito por pessoa com deficiência a fim de que benefício previdenciário recebido por idoso, 
no valor de um salário mínimo, não seja computado no cálculo da renda per capita prevista no artigo20, § 3º, da 
Lei n. 8.742/93. 
 
O portador de visão monocular tem direito de concorrer, em concurso público, às vagas reservadas aos 
deficientes. (Súmula 377, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 22/04/2009, DJe 24/05/2013, DJe 05/05/2009) 
 
O portador de surdez unilateral não se qualifica como pessoa com deficiência para o fim de disputar as vagas 
reservadas em concursos públicos. (Súmula 552, CORTE ESPECIAL, julgado em 04/11/2015, DJe 09/11/2015) 
 
As instituições financeiras devem utilizar o sistema braille na confecção dos contratos bancários de adesão e 
todos os demais documentos fundamentais para a relação de consumo estabelecida com indivíduo portador de 
deficiência visual. 
 
Não há imunidade tributária em relação ao ICMS decorrente da prática econômica desenvolvida por entidade de 
assistência social sem fins lucrativos que tem por finalidade realizar ações que visem à promoção da pessoa com 
deficiência, quando desempenhar atividade franqueada da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), 
ainda que a renda obtida reverta-se integralmente aos fins institucionais da referida entidade. 
 
Os candidatos que tenham "pé torto congênito bilateral" têm direito a concorrer às vagas em concurso público 
reservadas às pessoas com deficiência. 
 
Nos termos do art. 313, inciso III, do CPP, será admitida a prisão preventiva se o crime envolver violência 
doméstica e familiar contra a mulher, criança, adolescente, idoso, enfermo ou pessoa com deficiência, para 
garantir a execução das medidas protetivas de urgência. 
 
A concessão de prisão domiciliar para prestar cuidados especiais a pessoa com deficiência, prevista no art. 318, 
inciso III, in fine, do CPP, exige prova idônea da imprescindibilidade do agente, sendo insuficiente a mera 
apresentação de laudo médico comprovando o quadro clínico do dependente. 
 
S~o constitucionais o art. 28, § 1o e o art. 30 da Lei n. 13.146/2015, que determinam que as escolas privadas 
ofereçam atendimento educacional adequado e inclusivo {s pessoas com deficiência, sem que possam cobrar 
valores adicionais de qualquer natureza em suas mensalidades, anuidades e matrículas para cumprimento dessa 
obrigaç~o. STF. Plen|rio. ADI 5357 MC-Referendo/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 9/6/2016 (Info 829). 
 
 
 
 
 
44 
 
DIREITO À SAÚDE6 
 
- Direito fundamental de 2a dimensão: A saúde é um direito fundamental do ser humano, devendo o Estado 
prover as condições indispensáveis ao seu pleno exercício. A CF não veda a criação de empreendimentos 
voltados ao lucro na saúde, mas apenas o aporte de recursos públicos para auxílios ou subvenções às instituições 
privadas com fins lucrativos, salvo a quitação de serviços prestados ao SUS. Com relação à participação direta ou 
indireta de empresas ou capitais estrangeiras, somente é permitida nos casos autorizados por lei. 
 
Participação de todos os entes federados (art. 23, II, CF). A EC 29/2000 determinou que União, Estados/DF e 
Municípios aplicassem em ações e serviços de saúde percentuais mínimos que serão definidos em LC (LC 141). 
 
Vedação de retrocesso social: proibição do entrincheiramento ou amesquinhamento. Impede que a 
concretização alcançada por um direito social, com a saúde, seja objeto de um retrocesso. 
 
#DICA: EXPRESSÕES MUITO UTILIZADAS EM DEMANDAS DE DIREITOS SOCIAIS, ESPECIALMENTE O DIREITO À 
SAÚDE: 
 
O se entende por macrojustiça? É realizadapelo Poder Executivo com fulcro na “justiça distributiva”, configura-
se como típicas opções políticas em vista do bem comum, tomando por base a amplitude global da política 
pública e os seus potenciais destinatários. 
 
#DEOLHONOEDITAL #DEOLHONOEXAMINADOR: Antônio Joaquim Schellenberger Fernandes possui uma obra 
chamada “Direito { saúde tutela coletiva e mediaç~o sanit|ria” (2016). No livro, defende que o processo de 
judicialização da saúde no Brasil pode resolver-se de forma afirmativa, com a substituição da ótica individualista 
pela busca do atendimento integral às necessidades de saúde. Contrariando as diretrizes fixadas pelos poderes 
hegemônicos, a Constituição brasileira afirma a saúde como direito de todos e dever do Estado, tendo o 
Supremo Tribunal Federal reconhecido o direito subjetivo público à saúde como direito fundamental oponível 
contra o Estado. No Brasil, embora persistam os esforços para a implementação do modelo constitucional – que 
permanece inconclusa – são muitos os que defendem abertamente a reforma constitucional visando à redução 
da obrigação estatal na oferta de ações e serviços de assistência à saúde. A judicialização tornou-se um 
ingrediente a mais, no processo de luta, na medida em que sedimentou, no imaginário social, a compreensão da 
saúde como direito, e o Judiciário se transformou em trincheira privilegiada na luta contra a exclusão e a 
marginalização no sistema público de saúde. 
 
O se entende por microjustiça? É realizada pelo Poder Judiciário, que está vocacionado apenas a solucionar o 
caso concreto (em regra, individual) a partir de sua visão míope da realidade lato sensu da política reclamada e à 
míngua de aferição acerca do prejuízo à política pública como um todo, resultante da efetivação dos provimentos 
judiciais. 
 
6 Por Liana Schuler 
 
 
 
45 
 
O que se entende por Minimum core approach? É o mínimo existencial ou abordagem do núcleo mínimo, ou seja, 
trata-se do núcleo essencial (portanto, mínimo) que é intangível, devendo-se manter incólume quando em 
contraste com a reserva do possível (ratio decidendi da ADPF 45). Sem a garantia desse núcleo essencial, esvazia-
se o conteúdo normativo do direito e há inadimplemento do Poder Público do respectivo mandamento 
constitucional. 
OBS: A incapacidade financeira do Estado (teoria da reserva do possível), caso comprovada objetivamente, 
afasta a possibilidade de se exigir razoavelmente a imediata efetivação do comando positivado na Lei 
Fundamental. O mínimo existencial, do qual é corolário o estabelecimento de prioridades orçamentárias, pode 
conviver produtivamente com a reserva do possível, impondo-se, para tanto, a verificação da razoabilidade da 
pretensão individual ou social deduzida em face do Poder Público. 
 
O que se entende por metodologia fuzzy ou fuzzismo? Cuida-se de expressão cunhada por José Joaquim Gomes 
Canotilho para criticar o avanço desmedido do ativismo judicial, que se imiscuindo ao Poder Executivo, promove 
a seu talante e de forma míope, a implementação dos direitos econômicos, sociais e culturais. Entrementes, tal 
atuaç~o é marcada pela nota da “imprecis~o metodológica”, uma vez que os juristas n~o sabem o que fazem e 
desconhecem os impactos de suas decisões no que tange à universalidade da política pública, máxime quando 
abordam complexos problemas dos direitos econômicos, sociais e culturais. 
 
- Sistema Único de Saúde: sistema regionalizado; hierarquizado; descentralizado; atendimento integral; o 
principal foco é a prevenção; participação da comunidade. 
 
Questões relacionadas à saúde envolvem União, Estado e Municípios, dependendo da situação concreta poderá 
ser competência da justiça federal ou competência da justiça estadual. (RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DOS 
ENTES) 
 
- Deve ser privilegiado o tratamento padrão do SUS, em detrimento da opção diversa escolhida pelo paciente, 
sempre que não for comprovada a ineficácia ou a impropriedade da política pública existente. Na hipótese, 
contudo, de se demonstrar a imprescindibilidade do tratamento não fornecido regularmente, por razões 
específicas do organismo que redundem na impropriedade da política para aquele caso, deve ser custeado o 
fármaco, exame ou cirurgia não contemplado nas listas oficiais. 
 
- "É constitucional a regra que veda, no âmbito do Sistema Único de Saúde - SUS, a internação em acomodações 
superiores, bem como o atendimento diferenciado por médico do próprio SUS, ou por médico conveniado, 
mediante o pagamento da diferença dos valores correspondentes." STF. Plenário. RE 581488/RS, Rel. Min. Dias 
Toffoli, julgado em 3/12/2015 (repercussão geral) (Info 810). 
 
- É inconstitucional a possibilidade de um paciente do Sistema Único de Saúde (SUS) pagar para ter acomodações 
superiores ou ser atendido por médico de sua preferência, a chamada "diferença de classes". STF. Plenário. RE 
581488/RS, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 3/12/2015 (repercussão geral) (Info 810). 
Competência. 
 
 
 
46 
 
 
#DEOLHONOEDITAL: 
 
DISPOSITIVOS IMPORTANTES DA LEI DO SUS: 
São objetivos do Sistema Único de Saúde SUS: I - a identificação e divulgação dos fatores condicionantes e 
determinantes da saúde; II - a formulação de política de saúde destinada a promover, nos campos econômico e 
social, a observância do disposto no § 1º do art. 2º desta lei; III - a assistência às pessoas por intermédio de ações 
de promoção, proteção e recuperação da saúde, com a realização integrada das ações assistenciais e das 
atividades preventivas. 
 
As ações e serviços de saúde, executados pelo Sistema Único de Saúde (SUS), seja diretamente ou mediante 
participação complementar da iniciativa privada, serão organizados de forma regionalizada e hierarquizada em 
níveis de complexidade crescente. 
 
Direção do Sistema Único de Saúde: 
I - no âmbito da União, pelo Ministério da Saúde; II - no âmbito dos Estados e do Distrito Federal, pela respectiva 
Secretaria de Saúde ou órgão equivalente; e III - no âmbito dos Municípios, pela respectiva Secretaria de Saúde 
ou órgão equivalente. 
 
Campo de atuação do Sistema Único de Saúde (SUS): 
I - a execução de ações: a) de vigilância sanitária; b) de vigilância epidemiológica; c) de saúde do trabalhador; e d) 
de assistência terapêutica integral, inclusive farmacêutica; II - a participação na formulação da política e na 
execução de ações de saneamento básico; III - a ordenação da formação de recursos humanos na área de saúde; 
IV - a vigilância nutricional e a orientação alimentar; V - a colaboração na proteção do meio ambiente, nele 
compreendido o do trabalho; VI - a formulação da política de medicamentos, equipamentos, imunobiológicos e 
outros insumos de interesse para a saúde e a participação na sua produção; VII - o controle e a fiscalização de 
serviços, produtos e substâncias de interesse para a saúde; VIII - a fiscalização e a inspeção de alimentos, água e 
bebidas para consumo humano; IX - a participação no controle e na fiscalização da produção, transporte, guarda 
e utilização de substâncias e produtos psicoativos, tóxicos e radioativos; X - o incremento, em sua área de 
atuação, do desenvolvimento científico e tecnológico; XI - a formulação e execução da política de sangue e seus 
derivados. 
 
 
Entende-se por saúde do trabalhador, para fins desta lei, um conjunto de atividades que se destina, através das 
ações de vigilância epidemiológica e vigilância sanitária, à promoção e proteção da saúde dos trabalhadores, 
assim como visa à recuperação e reabilitação da saúde dos trabalhadores submetidos aos riscos e agravos 
advindosdas condições de trabalho, abrangendo: 
 
I - assistência ao trabalhador vítima de acidentes de trabalho ou portador de doença profissional e do trabalho; II 
- participação, no âmbito de competência do Sistema Único de Saúde (SUS), em estudos, pesquisas, avaliação e 
 
 
 
47 
 
controle dos riscos e agravos potenciais à saúde existentes no processo de trabalho; III - participação, no âmbito 
de competência do Sistema Único de Saúde (SUS), da normatização, fiscalização e controle das condições de 
produção, extração, armazenamento, transporte, distribuição e manuseio de substâncias, de produtos, de 
máquinas e de equipamentos que apresentam riscos à saúde do trabalhador; IV - avaliação do impacto que as 
tecnologias provocam à saúde; V - informação ao trabalhador e à sua respectiva entidade sindical e às empresas 
sobre os riscos de acidentes de trabalho, doença profissional e do trabalho, bem como os resultados de 
fiscalizações, avaliações ambientais e exames de saúde, de admissão, periódicos e de demissão, respeitados os 
preceitos da ética profissional; VI - participação na normatização, fiscalização e controle dos serviços de saúde do 
trabalhador nas instituições e empresas públicas e privadas; VII - revisão periódica da listagem oficial de doenças 
originadas no processo de trabalho, tendo na sua elaboração a colaboração das entidades sindicais; e VIII - a 
garantia ao sindicato dos trabalhadores de requerer ao órgão competente a interdição de máquina, de setor de 
serviço ou de todo ambiente de trabalho, quando houver exposição a risco iminente para a vida ou saúde dos 
trabalhadores. 
 
A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios exercerão, em seu âmbito administrativo, as seguintes 
atribuições: 
I - definição das instâncias e mecanismos de controle, avaliação e de fiscalização das ações e serviços de saúde; II 
- administração dos recursos orçamentários e financeiros destinados, em cada ano, à saúde; III - 
acompanhamento, avaliação e divulgação do nível de saúde da população e das condições ambientais; IV - 
organização e coordenação do sistema de informação de saúde; V - elaboração de normas técnicas e 
estabelecimento de padrões de qualidade e parâmetros de custos que caracterizam a assistência à saúde; VI - 
elaboração de normas técnicas e estabelecimento de padrões de qualidade para promoção da saúde do 
trabalhador; VII - participação de formulação da política e da execução das ações de saneamento básico e 
colaboração na proteção e recuperação do meio ambiente; VIII - elaboração e atualização periódica do plano de 
saúde; IX - participação na formulação e na execução da política de formação e desenvolvimento de recursos 
humanos para a saúde; X - elaboração da proposta orçamentária do Sistema Único de Saúde (SUS), de 
conformidade com o plano de saúde; XI - elaboração de normas para regular as atividades de serviços privados 
de saúde, tendo em vista a sua relevância pública; XII - realização de operações externas de natureza financeira 
de interesse da saúde, autorizadas pelo Senado Federal; XIII - para atendimento de necessidades coletivas, 
urgentes e transitórias, decorrentes de situações de perigo iminente, de calamidade pública ou de irrupção de 
epidemias, a autoridade competente da esfera administrativa correspondente poderá requisitar bens e serviços, 
tanto de pessoas naturais como de jurídicas, sendo-lhes assegurada justa indenização; XIV - implementar o 
Sistema Nacional de Sangue, Componentes e Derivados; XV - propor a celebração de convênios, acordos e 
protocolos internacionais relativos à saúde, saneamento e meio ambiente; XVI - elaborar normas técnico-
científicas de promoção, proteção e recuperação da saúde; XVII - promover articulação com os órgãos de 
fiscalização do exercício profissional e outras entidades representativas da sociedade civil para a definição e 
controle dos padrões éticos para pesquisa, ações e serviços de saúde; XVIII - promover a articulação da política e 
dos planos de saúde; XIX - realizar pesquisas e estudos na área de saúde; XX - definir as instâncias e mecanismos 
de controle e fiscalização inerentes ao poder de polícia sanitária; XXI - fomentar, coordenar e executar programas 
e projetos estratégicos e de atendimento emergencial. 
 
 
 
48 
 
 
A direção nacional do Sistema Único da Saúde (SUS) compete: 
I - formular, avaliar e apoiar políticas de alimentação e nutrição; II - participar na formulação e na 
implementação das políticas: a) de controle das agressões ao meio ambiente; b) de saneamento básico; e c) 
relativas às condições e aos ambientes de trabalho; III - definir e coordenar os sistemas: a) de redes integradas de 
assistência de alta complexidade; b) de rede de laboratórios de saúde pública; c) de vigilância epidemiológica; ed) 
vigilância sanitária; IV - participar da definição de normas e mecanismos de controle, com órgão afins, de agravo 
sobre o meio ambiente ou dele decorrentes, que tenham repercussão na saúde humana; V - participar da 
definição de normas, critérios e padrões para o controle das condições e dos ambientes de trabalho e coordenar 
a política de saúde do trabalhador; VI - coordenar e participar na execução das ações de vigilância 
epidemiológica; VII - estabelecer normas e executar a vigilância sanitária de portos, aeroportos e fronteiras, 
podendo a execução ser complementada pelos Estados, Distrito Federal e Municípios; VIII - estabelecer critérios, 
parâmetros e métodos para o controle da qualidade sanitária de produtos, substâncias e serviços de consumo e 
uso humano; IX - promover articulação com os órgãos educacionais e de fiscalização do exercício profissional, 
bem como com entidades representativas de formação de recursos humanos na área de saúde; X - formular, 
avaliar, elaborar normas e participar na execução da política nacional e produção de insumos e equipamentos 
para a saúde, em articulação com os demais órgãos governamentais; XI - identificar os serviços estaduais e 
municipais de referência nacional para o estabelecimento de padrões técnicos de assistência à saúde; XII - 
controlar e fiscalizar procedimentos, produtos e substâncias de interesse para a saúde; XIII - prestar cooperação 
técnica e financeira aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios para o aperfeiçoamento da sua atuação 
institucional; XIV - elaborar normas para regular as relações entre o Sistema Único de Saúde (SUS) e os serviços 
privados contratados de assistência à saúde; XV - promover a descentralização para as Unidades Federadas e 
para os Municípios, dos serviços e ações de saúde, respectivamente, de abrangência estadual e municipal; XVI - 
normatizar e coordenar nacionalmente o Sistema Nacional de Sangue, Componentes e Derivados; XVII - 
acompanhar, controlar e avaliar as ações e os serviços de saúde, respeitadas as competências estaduais e 
municipais; XVIII - elaborar o Planejamento Estratégico Nacional no âmbito do SUS, em cooperação técnica com 
os Estados, Municípios e Distrito Federal; XIX - estabelecer o Sistema Nacional de Auditoria e coordenar a 
avaliação técnica e financeira do SUS em todo o Território Nacional em cooperação técnica com os Estados, 
Municípios e Distrito Federal. 
 
A União poderá executar ações de vigilância epidemiológica e sanitária em circunstâncias especiais, como na 
ocorrência de agravos inusitados à saúde, que possam escapar do controle da direção estadual do Sistema Único 
de Saúde (SUS) ou que representem risco de disseminação nacional. 
 
À direção estadual do Sistema Único de Saúde (SUS) compete: 
I - promover a descentralização para os Municípios dos serviços e das ações de saúde; II - acompanhar, controlar 
e avaliaras redes hierarquizadas do Sistema Único de Saúde (SUS); III - prestar apoio técnico e financeiro aos 
Municípios e executar supletivamente ações e serviços de saúde; IV - coordenar e, em caráter complementar, 
executar ações e serviços: a) de vigilância epidemiológica; b) de vigilância sanitária; c) de alimentação e nutrição; 
ed) de saúde do trabalhador; V - participar, junto com os órgãos afins, do controle dos agravos do meio ambiente 
 
 
 
49 
 
que tenham repercussão na saúde humana; VI - participar da formulação da política e da execução de ações de 
saneamento básico; VII - participar das ações de controle e avaliação das condições e dos ambientes de trabalho; 
VIII - em caráter suplementar, formular, executar, acompanhar e avaliar a política de insumos e equipamentos 
para a saúde; IX - identificar estabelecimentos hospitalares de referência e gerir sistemas públicos de alta 
complexidade, de referência estadual e regional; X - coordenar a rede estadual de laboratórios de saúde pública e 
hemocentros, e gerir as unidades que permaneçam em sua organização administrativa; XI - estabelecer normas, 
em caráter suplementar, para o controle e avaliação das ações e serviços de saúde; XII - formular normas e 
estabelecer padrões, em caráter suplementar, de procedimentos de controle de qualidade para produtos e 
substâncias de consumo humano; XIII - colaborar com a União na execução da vigilância sanitária de portos, 
aeroportos e fronteiras; XIV - o acompanhamento, a avaliação e divulgação dos indicadores de morbidade e 
mortalidade no âmbito da unidade federada. 
 
 Art. 18. À direção municipal do Sistema de Saúde (SUS) compete: 
I - planejar, organizar, controlar e avaliar as ações e os serviços de saúde e gerir e executar os serviços públicos de 
saúde; II - participar do planejamento, programação e organização da rede regionalizada e hierarquizada do 
Sistema Único de Saúde (SUS), em articulação com sua direção estadual; III - participar da execução, controle e 
avaliação das ações referentes às condições e aos ambientes de trabalho; IV - executar serviços: a) de vigilância 
epidemiológica; b) vigilância sanitária; c) de alimentação e nutrição; d) de saneamento básico; e e) de saúde do 
trabalhador; V - dar execução, no âmbito municipal, à política de insumos e equipamentos para a saúde; VI - 
colaborar na fiscalização das agressões ao meio ambiente que tenham repercussão sobre a saúde humana e 
atuar, junto aos órgãos municipais, estaduais e federais competentes, para controlá-las; VII - formar consórcios 
administrativos intermunicipais; VIII - gerir laboratórios públicos de saúde e hemocentros; IX - colaborar com a 
União e os Estados na execução da vigilância sanitária de portos, aeroportos e fronteiras; X - observado o 
disposto no art. 26 desta Lei, celebrar contratos e convênios com entidades prestadoras de serviços privados de 
saúde, bem como controlar e avaliar sua execução; XI - controlar e fiscalizar os procedimentos dos serviços 
privados de saúde; XII - normatizar complementarmente as ações e serviços públicos de saúde no seu âmbito de 
atuação. 
 
 Art. 19. Ao Distrito Federal competem as atribuições reservadas aos Estados e aos Municípios. 
 
O atendimento e a internação domiciliares só poderão ser realizados por indicação médica, com expressa 
concordância do paciente e de sua família. 
#ATENÇÃO: houve importantes mudanças com o advento da EC nº 86/2015, a chamada "Emenda do orçamento 
impositivo". 
Art. 166, parágrafo 9º, da CF: as emendas individuais ao projeto de lei orçamentária serão aprovadas no limite de 
1,2% da receita corrente líquida prevista no projeto encaminhado pelo Poder Executivo, sendo que a metade 
deste percentual será destinada a ações e serviços públicos de saúde. 
 
 
 
50 
 
- LC 141/2012: prevê o percentual aplicável pelos Estados e DF em ações e serviços de saúde (12%) e pelos 
municípios e DF (15%) da arrecadação de impostos a que se refere o art. 156 e dos recursos de que tratam o art. 
158 e a alínea "b" do inciso I do caput e o parágrafo 3º do art. 159 da CF 
- Lei nº 8.142/90: dispõe sobre a participação da comunidade na gestão da saúde, conforme determinação 
constitucional (art. 194, parágrafo único, VII), prevendo a criação, em cada ente federativo, da Conferência de 
Saúde e do Conselho de Saúde. 
Requisito para recebimento de recursos do Fundo Nacional de Saúde: entes federativos devem efetivamente 
criar o Conselho de Saúde, além de contarem com seu próprio Fundo de Saúde. 
- Saúde mental: para esclarecer algumas situações, a Associação Brasileira de Psiquiatria elaborou o boletim 
científico nº 10, conforme tabela abaixo: 
#DEOLHONOEDITAL: 
 
Internação voluntária O paciente solicita voluntariamente sua internação. O psiquiatra deve colher 
dele uma declaração de sua opção por esse regime de tratamento. Quando da 
alta, se esta for a pedido do paciente, este também deve assinar uma 
solicitação por escrito. 
Internação compulsória e 
involuntária 
O juiz determina o procedimento, mas o paciente se recusa a ser internado. 
Nesse caso, o psiquiatra procede à internação, não precisando comunicar a 
sua execução ao judiciário. 
Internação compulsória, mas 
voluntária 
O juiz determina o procedimento e o paciente também deseja a internação. O 
psiquiatra procede normalmente à internação. 
Internação involuntária, mas 
não compulsória 
O psiquiatra indica, realiza a internação e comunica ao Ministério Público em 
um prazo de 72 horas. 
 
 
 
 
 
 
 
51 
 
DIREITO DO CONSUMIDOR7 
- O CDC é norma que tem relação direta com a terceira geração ou dimensão de direitos, em alusão aos 
ensinamentos de Karel Vasak. Os direitos de 3ª geração são relativos ao princípio da fraternidade. Em verdade, o 
CDC tem relação com as três dimensões. Todavia, é melhor enquadrá-lo nesta terceira, já que visa à pacificação 
social, na tentativa de equilibrar a díspar relação existente entre fornecedores e prestadores. 
- É tido pela doutrina como norma principiológica, diante da proteção constitucional dos consumidores, 
especialmente, no art. 5º, XXXII, CF, ao enunciar que o Estado promoverá, na forma da lei, a defesa do 
consumidor (alguns doutrinadores chegam a dizer que, por força disso, o CDC teria eficácia supralegal). 
- Além disso, a L. 8078/90 constitui típica norma de proteção de vulneráveis e foi instituída por ordem constante 
do art. 48, ADCT, que previa a elaboração de um Código do Consumidor no prazo de 120 dias. 
- Podemos fundamentar a proteção ao consumidor historicamente na evolução das sociedades, cujo volume de 
relações comerciais cresceu, refletindo tal necessidade nas normas constitucionais. A sociedade de massa 
justifica a existência do direito do consumidor, visando à proteção da parte vulnerável que utiliza serviços e 
produtos, muitas vezes essenciais à própria sobrevivência. O direito do consumidor tem base constitucional no 
art. 5º, XXXII, como direito fundamental e ainda, no art. 170, prevendo que a defesa do consumidor é princípio da 
ordem econômica, que deve assegurar a todos existência digna. 
- A identificação da existência, ou não, de uma relação de consumo é importante para verificação da incidência 
(ou não) do Código de Defesa do Consumidor. Essa relação jurídica de consumo possui certos elementos 
constitutivos, quais sejam os elementos subjetivos - sujeitos que integram a relação de consumo (consumidor e 
fornecedor - Obs. Consumidor/sujeito ativo e fornecedor/sujeito passivo) e um elemento objetivo (produto ou 
serviço), sendo que esses elementos possuem definição legal no CDC. 
- Há quem sustentea presença de outro elemento integrante da relação jurídica de consumo, que é o "elemento 
finalístico", que seria a necessidade de o consumidor ser o "destinatário final" do produto/serviço adquirido. 
#DEOLHONOEDITAL: 
- Consumidor é toda pessoa física ou jurídica que adquire produto ou serviço como destinatário final (Art. 2º do 
CDC). Em outras palavras, trata-se do sujeito vulnerável que se apresenta no centro de uma relação de consumo, 
capaz de absorver produtos e serviços. 
- O consumidor pode ser de dois tipos: "consumidor standard" ou padrão, que é aquele que se enquadra no 
conceito acima, e o consumidor 'stand by' ou por equiparação, que é aquele previsto no par. único do Art. 2º: 
"Equipara-se a consumidor a coletividade de pessoas, ainda que indetermináveis, que haja intervindo nas relações de 
consumo"; Art. 17: Equiparam-se aos consumidores todas as vítimas do evento; e Art. 29: Equiparam-se aos 
consumidores todas as pessoas, determináveis ou não, expostas às práticas comerciais. Portanto, consumidor 
 
7 Por Liana Schuler e Daniel Dutra. 
 
 
 
52 
 
standard/padrão é aquele definido no Art. 2º, caput, sendo que consumidor "stand by/ ou por equiparação" é 
aquele que se encaixa nos conceitos previstos no Art. 2º, par. único, Art. 17 e Art. 29, todos do CDC. 
- A respeito do “elemento finalístico” existente no conceito de consumidor, o que se entende por “destinatário 
final”? 
- Existem algumas teorias/correntes doutrinárias que procurar explicar o sentido dessa expressão: 
 Corrente Maximalista: Para esta corrente, o consumidor é todo aquele sujeito que adquire produto ou 
serviço como destinatário final, sob o ponto de vista fático. Basta que ele seja o último destinatário do produto 
ou serviço, para que seja considerado consumidor. (Assim, uma loja que compra aparelhos de ar-condicionado 
para instalação em seu estabelecimento é sim considerada consumidora, haja vista que é o destinatário final do 
produto, sob o ponto de vista fático. Do mesmo modo, uma loja que adquire papel e caneta para utilização de 
seus vendedores no atendimento de clientes, etc.). Vale dizer, essa corrente entende ser consumidor aquele 
destinatário final sob o aspecto fático, tão somente. 
 Corrente Finalista: Essa, por sua vez, concebe consumidor como sendo aquele que adquire produto/serviço 
como destinatário fático e econômico. Significa que, para se enquadrar no conceito de consumidor, não basta 
que o adquirente seja destinatário final do ponto de vista fático (ou seja, não basta que o bem/serviço não venha 
a servir a terceiros, depois dele), sendo necessário que esse produto/serviço não integre a cadeia produtiva de 
outro serviço/produto. Nos exemplos acima, os aparelhos de ar condicionado foram adquiridos para refrigerar 
uma loja, servindo a uma outra atividade econômica, assim como os utensílios e objetos adquiridos para 
utilização, em serviço, dos funcionários de uma loja. Outro ex. os pneus comprados pela Volkswagen para 
equipar os carros que serão vendidos às pessoas, etc. 
- Portanto, para que o sujeito se enquadre no conceito de consumidor, ele deve ser o último da cadeia fática e 
econômica a se utilizar do produto/serviço (final do ponto de vista fático e econômico). 
- Para a corrente maximalista, para que alguém seja consumidor, basta que adquira o produto/serviço e não 
repasse para outrem (isto é, basta não revender). Por outro lado, a corrente finalista defende que, para que um 
sujeito seja considerado consumidor, ele não pode lucrar a partir do produto/serviço adquirido, não pode 
emprega-lo na cadeia produtiva de outro produto/serviço. 
 Corrente/Teoria - Finalista Mitigada/Aprofundada (alguns falam até em Teleológica) - Existe uma terceira 
corrente, denominada "teoria/corrente do finalismo aprofundado", segundo a qual o sujeito deve ser o 
destinatário do ponto de vista fático e ele deve ser vulnerável - alguns julgados exigem que seja, também 
hipossuficiente. P.ex. Imagine uma mulher que compra farinha, ovos, etc. para fazer bolinhos e vender na rua. 
Essa mulher é vulnerável frente ao supermercado. Por outro lado, a costureira é vulnerável frente ao fabricante 
da máquina de costura; o taxista é vulnerável frente ao fabricante do veículo que ele utiliza para levar os 
passageiros, etc. Para essa teoria, defende-se a aplicação do CDC a essas relações jurídicas, enquadrando-as 
como relações de consumo, pois apesar de não ser destinatário final do ponto de vista econômico, cada um deles 
figuram como destinatário final do ponto de vista fático e são vulneráveis frente ao fornecedor do 
produto/serviço. 
 
 
 
53 
 
- A teoria que prevalece na doutrina e jurisprudência é a corrente/teoria finalista, prevalecendo, inclusive no STJ. 
Porém, destaca-se que, praticamente a maioria dos Tribunais, inclusive o STJ, tem aplicado a Teoria Finalista 
Mitigada/Aprofundada quando, apesar de o consumidor não ser destinatário final, no aspecto econômico, ele for 
considerado vulnerável frente ao fornecedor. 
- Obs. Em alguns julgados, além de falar em vulnerabilidade, para aplicação dessa teoria se requer a comprovação 
de ser o suposto consumidor Hipossuficiente, seja de ordem técnica, econômica, fática, etc. 
- Com relaç~o ao “consumidor coletivo”, entende-se por aquela coletividade de pessoas, ainda que 
indetermináveis, que tenha a potencial exposição ao mercado de consumo, configurando hipótese de 
“consumidor por equiparaç~o”, nos termos do Art. 2º, par|grafo único, e Art. 29 do CDC. 
- Neste particular, destaca-se que o CDC integra o microssistema de tutela coletiva de interesses transindividuais, 
admitindo-se todas as espécies de ações para a adequada proteção dos interesses da coletividade de pessoas 
expostas ao mercado de consumo (Art. 83 do CDC). 
- O conceito de fornecedor encontra-se previsto no Art. 3º do CDC, sendo “toda pessoa física ou jurídica, pública 
ou privada, nacional ou estrangeira, bem como os entes despersonalizados, que desenvolvem atividades de 
produção, montagem, criação, construção, transformação, importação, exportação, distribuição ou comercialização 
de produtos ou prestação de serviços”. 
- A partir da definição legal acima apontada, pode-se dizer que o voc|bulo “fornecedor” é gênero, do qual s~o 
espécies o fabricante, produtor, montador, criador, construtor, transformador, importador, exportador, 
distribuidor, comerciante e prestador de serviços. 
- Nesse particular, é interessante notar que, quando o CDC pretende que haja responsabilização de todas as 
espécies acima descritas, h| utilizaç~o da express~o “fornecedor”, como gênero. Por outro lado, quando quer 
dispor sobre um regime jurídico aplicável a uma figura, em particular, utiliza-se de um termo específico. P.ex. Art. 
12 (fabricante, produtor, importador, etc.), Art. 13 (profissionais liberais), Art. 32 (fabricante e importador de 
peças), etc. 
- No que tange ao conceito de fornecedor equiparado, citando a teoria criada pelo professor Leonardo Bessa, 
Cl|udia Lima Marques traz a noç~o de fornecedor equiparado, ou seja, “aquele terceiro na relaç~o de consumo, 
um terceiro apenas intermediário ou ajudante da relação principal, mas que atua frente a um consumidor [...] 
como se fornecedor fosse”. Exemplo de fornecedor equiparado são os bancos de dados, o estipulante 
profissional (o empregador) no caso de seguros de vida, as instituições financeiras e as agências publicitárias. 
Aqui, leva-se em consideração a atividade desenvolvida pelo sujeito, não necessita, portanto, conformar-se aos 
requisitos do caput do artigo 3º, bastando que a atividade, por si, apresente-se “potencialmente ofensiva a 
legítimosinteresses presentes no mercado”. Isto porque, afirma Leonardo Rosco e Bessa, “o objetivo da lei foi 
disciplinar e, logicamente, abranger situações de vulnerabilidade inerentes no mercado de consumo”. Assim, o 
fornecedor equiparado é aquele que atua no mercado de consumo por meio de uma atividade cujo risco de ferir 
direitos dos consumidores é iminente. Desta forma, esta teoria alarga o campo de aplicação do CDC haja vista ter 
 
 
 
54 
 
enquadrado dentro do conceito de fornecedor terceiros que a princípio estariam à margem da relação principal 
de consumo. 
- O CDC, nos §§1º e 2º do Art. 3º, traz a definição legal de produto e serviço. Entende-se por produto qualquer bem, 
móvel ou imóvel, material ou imaterial. Por sua vez, entende-se que “serviço” é “qualquer atividade fornecida no 
mercado de consumo, mediante remuneração, inclusive as de natureza bancária, financeira, de crédito e securitária, 
salvo as decorrentes das relações trabalhistas”. 
- Apesar de o Art. 3 º do CDC incluir no conceito de fornecedor a pessoa jurídica de direito público, entende-se 
que não se caracteriza como relação de consumo o serviço público prestado em caráter universal (uti universi), 
p.ex. serviço de segurança pública; serviço de iluminação pública. Por outro lado, no tocante aos serviços 
prestados em caráter individual (uti singuli) a jurisprudência do STJ tem firmado entendimento segundo o qual 
não haverá incidência do CDC quando se tratar de serviço não remunerado pelo consumidor, a exemplo do 
serviço público de saúde. 
#DEOLHONOEDITAL: 
- A vulnerabilidade referida no CDC é fenômeno de direito material com presunção absoluta – jure et de juris, o 
consumidor é reconhecido por lei como um ente vulnerável. Superada essa premissa, temos que para Claudia 
Lima Marques três tipos de vulnerabilidade são identificáveis: 
a) A técnica, que seria aquela na qual o comprador não possui conhecimentos específicos sobre o produto ou 
serviço, podendo, portanto, ser mais facilmente iludido no momento da contratação. 
b) A jurídica, que seria a própria falta de conhecimentos jurídicos, ou de outros pertinentes à relação, como 
contabilidade, matemática financeira e economia. 
c) A fática, que é a vulnerabilidade real diante do parceiro contratual, seja em decorrência do grande poderio 
econômico deste último, seja pela sua posição de monopólio, ou em razão da essencialidade do serviço que 
presta, impondo, numa relação contratual, uma posição de superioridade. 
- Recentemente, a referida autora, ainda tem apontado um outro tipo de vulnerabilidade, a informacional. 
Embora reconheça como espécie de vulnerabilidade técnica, Claudia Lima Marques dá destaque à necessidade de 
informação na sociedade atual. 
- Enganosa é a publicidade que induz em erro o consumidor, por trazer informação falsa ou omitir informação 
importante a respeito das características do produto/serviço. Já abusiva é a publicidade discriminatória, se 
aproveite de deficiência de julgamento da criança, incite a violência, desrespeita valores ambientais, dentre 
outros. Todas as duas formas são proibidas pelo CDC, tendo em vista o Princípio da Veracidade da Publicidade. O 
teaser é técnica utilizada para produzir expectativa ou curiosidade em relação aos produtos e serviços que serão 
lançados. Não constitui forma de publicidade vedada pelo CDC. 
 
 
 
55 
 
- A responsabilidade pode ser pelo fato do produto ou do serviço, ou pelo vício do produto ou do serviço. Aplica-
se a Teoria do risco, que trás a ideia de que toda atividade cria um risco de dano. Acontecendo o dano, surge o 
dever de reparar, independente de dolo ou culpa. 
- A responsabilidade pelo fato do produto ou do serviço, gera um acidente de consumo, em razão de um 
produto/serviço defeituoso. 
- Vício do produto: Trata-se de responsabilidade pela mera inadequação dos fins do produto/serviço viciados, 
defeituosos. Na doutrina há quem diferencie vício de defeito, assim como o CDC o faz, mas há quem diferencie 
vício/defeito de segurança de vício/defeito de qualidade, sem diferenciar vício de defeito. 
- Nos termos do Art. 12 do CDC. O fabricante, o produtor, o construtor, nacional ou estrangeiro, e o importador 
respondem, independentemente da existência de culpa, pela reparação dos danos causados aos consumidores 
por defeitos decorrentes de projeto, fabricação, construção, montagem, fórmulas, manipulação, apresentação 
ou acondicionamento de seus produtos, bem como por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua 
utilização e riscos. 
- O produto é defeituoso quando não oferece a segurança que dele legitimamente se espera, levando-se em 
consideração as circunstâncias relevantes, entre as quais: I - sua apresentação; II - o uso e os riscos que 
razoavelmente dele se esperam; há determinados produtos que possuem um risco inerente à sua natureza. Se 
esse risco for razoável e previsível. Ex.: Tesoura – Ela não é defeituosa pelo simples fato de gerar um risco. III - a 
época em que foi colocado em circulação. 
- O comerciante é igualmente responsável, nos termos do artigo anterior, quando: I - o fabricante, o construtor, o 
produtor ou o importador não puderem ser identificados; Ou II - o produto for fornecido sem identificação clara 
do seu fabricante, produtor, construtor ou importador; Fabricante, construtor, produtor ou importador não 
estiver identificado de forma clara. Ou III - não conservar adequadamente os produtos perecíveis. 
- Segundo artigo 12, § 3° o fabricante, o construtor, o produtor ou importador só não será responsabilizado 
quando provar: I - que não colocou o produto no mercado; (Por exemplo: prova que o lote foi roubado); II - que, 
embora haja colocado o produto no mercado, o defeito inexiste; (A produtora da pílula de farinha não conseguiu 
demonstrar que o defeito não existia); III - a culpa exclusiva do consumidor ou de terceiro. 
- O fornecedor de serviços responde, independentemente da existência de culpa (objetiva), pela reparação dos 
danos causados aos consumidores por defeitos relativos à prestação dos serviços, bem como por informações 
insuficientes ou inadequadas sobre sua fruição e riscos.§ 1° O serviço é defeituoso quando não fornece a 
segurança que o consumidor dele pode esperar, levando-se em consideração as circunstâncias relevantes, entre 
as quais: (Também associa defeito à falta de segurança) I - o modo de seu fornecimento; II - o resultado e os 
riscos que razoavelmente dele se esperam; III - a época em que foi fornecido. 
- § 3° O fornecedor de serviços só não será responsabilizado quando provar: I - que, tendo prestado o serviço, o 
defeito inexiste; II - a culpa exclusiva do consumidor ou de terceiro. No caso do caso fortuito e da força maior, 
 
 
 
56 
 
são excludentes desde que ocorram após ou durante a prestação do serviço e que sejam considerados fortuitos 
externos, ou seja, não possuam ligação direta com a atividade desempenhada. Ex.: Homicídio no interior de 
vagão de trem é fortuito externo porque é fato de 3º que não tem conexão com o serviço de transporte coletivo. 
(RESP 142186 RESP 247349); 2º ex.: Assalto em banco onde se levam talões de cheques dos seus clientes que, tem 
seus nomes incluídos em bancos de dados de proteção ao crédito por conta desses cheques, é fortuito interno 
porque a segurança é inerente ao desempenho da atividade bancária. 
- Os fornecedores de produtos de consumo duráveis ou não duráveis respondem solidariamente pelos vícios de 
qualidade ou quantidade (art. 19) que os tornem impróprios ou inadequados ao consumo a que se destinam ou 
lhes diminuam o valor, assim como por aqueles decorrentes da disparidade, com as indicaçõesconstantes do 
recipiente, da embalagem, rotulagem ou mensagem publicitária, respeitadas as variações decorrentes de sua 
natureza, podendo o consumidor exigir a substituição das partes viciadas. Os vícios de qualidade são aqueles que 
lhes diminuam o valor, ou aqueles decorrentes da disparidade, com as indicações constantes do recipiente, da 
embalagem, rotulagem ou mensagem publicitária. 
- Não sendo o vício sanado no prazo máximo de 30 dias, pode o consumidor exigir, alternativamente e à sua 
escolha: I - a substituição do produto por outro da mesma espécie, em perfeitas condições de uso; II - a 
restituição imediata da quantia paga, monetariamente atualizada, sem prejuízo de eventuais perdas e danos; III - 
o abatimento proporcional do preço. 
- Podem as partes convencionar a redução ou o aumento do prazo previsto, não podendo ser inferior a 7 nem 
superior a 180 dias. Nos contratos de adesão, a cláusula de prazo deverá ser convencionada em separado, por 
meio de manifestação expressa do consumidor. 
- Os fornecedores respondem solidariamente pelos vícios de quantidade do produto sempre que, respeitadas as 
variações decorrentes de sua natureza, seu conteúdo líquido for inferior às indicações constantes do recipiente, 
da embalagem, rotulagem ou de mensagem publicitária, podendo o consumidor exigir, alternativamente e à sua 
escolha: I - o abatimento proporcional do preço; II - complementação do peso ou medida; III - a substituição do 
produto por outro da mesma espécie, marca ou modelo, sem os aludidos vícios; IV - a restituição imediata da 
quantia paga, monetariamente atualizada, sem prejuízo de eventuais perdas e danos. 
- O fornecedor de serviços responde pelos vícios de qualidade que os tornem impróprios ao consumo ou lhes 
diminuam o valor, assim como por aqueles decorrentes da disparidade com as indicações constantes da oferta 
ou mensagem publicitária, podendo o consumidor exigir, alternativamente e à sua escolha: I - a reexecução dos 
serviços, sem custo adicional e quando cabível; II - a restituição imediata da quantia paga, monetariamente 
atualizada, sem prejuízo de eventuais perdas e danos; III - o abatimento proporcional do preço. 
- A ignorância do fornecedor sobre os vícios de qualidade por inadequação dos produtos e serviços não o exime 
de responsabilidade. Ademais o art. 25 do CDC expressa que: É vedada a estipulação contratual de cláusula que 
impossibilite, exonere ou atenue a obrigação de indenizar prevista nesta e nas seções anteriores. Havendo mais 
de um responsável pela causação do dano, todos responderão solidariamente pela reparação prevista nesta e 
nas seções anteriores. Sendo o dano causado por componente ou peça incorporada ao produto ou serviço, são 
 
 
 
57 
 
responsáveis solidários seu fabricante, construtor ou importador e o que realizou a incorporação. Isso, inclusive 
para as afirmações feitas pelo o operador de telemarketing, vinculam o fornecedor. 
#DEOLHONOEDITAL: 
Existe alguma diferença entre a desconsideração da personalidade jurídica do CDC e a do CC? 
R: Sim - 1º. No CDC a desconsideração pode ser decretada de ofício pelo juiz. Isso porque o CDC traz normas de 
ordem pública. No Código Civil há necessidade de requerimento. 
2º. O CDC adotou a teoria menor, o que significa dizer que basta a insolvência para que haja a desconsideração da 
personalidade jurídica nas relações de consumo. O NCC adotou a teoria maior, que pode ser: a) subjetiva -> além 
da insolvência, há necessidade da prova do desvio de finalidade. b) objetiva -> Além da insolvência, há 
necessidade da prova da confusão patrimonial. 
No CDC o juiz poderá desconsiderar a personalidade jurídica da sociedade quando, em detrimento do 
consumidor, houver abuso de direito, excesso de poder, infração da lei, fato ou ato ilícito ou violação dos 
estatutos ou contrato social. A desconsideração também será efetivada quando houver falência, estado de 
insolvência, encerramento ou inatividade da pessoa jurídica provocados por má administração. Ou sempre que 
sua personalidade for, de alguma forma, obstáculo ao ressarcimento de prejuízos causados aos consumidores. 
- A garantia legal corresponde ao prazo decadencial para reclamação sobre vícios nos produtos e serviços 
duráveis e não duráveis, sendo direito do consumidor independentemente de contrato ou vontade das partes. O 
CDC prevê ainda a garantia contratual, que é aquela conferida pelo fornecedor ou o prestador do serviço por 
liberalidade, no intuito de cativar consumidores. Segundo o art. 50, essa garantia é complementar à legal, 
havendo divergência sobre a interpretação desse termo. Para uma 1ª posição, que é adotada pelo STJ, 
“complementar” significa soma de prazos das garantias legal e contratual. 
- Assim, o prazo da 1ª só começa a contar do término da segunda. Para uma segunda interpretação, que tem 
como expoente a Professora Cláudia Lima Marques, a complementaridade a que se refere o CDC é de regimes 
distintos. No regime da garantia contratual, o fornecedor estaria garantindo que qualquer problema que venha a 
existir no produto durante o prazo será solucionado. Ou seja, o consumidor não terá que provar que o dano 
existia desde a época da compra, como faria no regime legal. Assim, o fornecedor não poderá alegar 
excludentes, pois estará garantindo a perfeição do produto pelo prazo de garantia. Ambos os regimes correrão 
concomitantemente e, em regra, o consumidor preferirá se vale do contratual, que é mais amplo que o legal, que 
dispensa a prova da preexistência do problema quando da entrega. A garantia contratual deve ser conferida por 
escrito e ser clara quanto eventuais limitações (como é uma faculdade, pode não cobrir determinado problema 
ou parte do produto), sob pena de se entender como garantia geral, quanto a todo e qualquer defeito. O termo 
da garantia deve ser entregue ao consumidor, sob pena de incidência na conduta penal descrita no art. 74, CDC. 
- Qual é o prazo e o termo inicial para reclamar sobre o fato de produto ou serviço? Qual é a natureza deste prazo? 
 
 
 
58 
 
Trata-se de prazo prescricional de 5 anos, que tem início a contar do conhecimento do dano e sua autoria (e não 
do evento). É necessário que ambos os elementos, existência do dano e autoria, sejam conhecidos. Nesse 
sentido, a título de exemplo, o prazo da ação para indenizar dano irreversível se inicia com a constatação, pela 
vítima, da irreversibilidade da lesão. Trata-se de aplicaç~o da teoria da “actio nata”, segundo a qual o termo a 
quo da prescrição inicia-se da ciência do prejuízo, e não, como alude o CC, como regra (art. 189), da ocorrência da 
violaç~o do direito (“Violado o direito, nasce para o titular a pretens~o, a qual se extingue, pela prescriç~o, nos 
prazos a que aludem os arts. 205 e 206”). O CC aplica expressamente esse princípio aos vícios redibitórios de 
difícil constatação (art. 445, §1o: Quando o vício, por sua natureza, só puder ser conhecido mais tarde, o prazo 
contar-se-á do momento em que dele tiver ciência, até o prazo máximo de 180 dias, em se tratando de bens 
móveis; e de 1 ano, para os imóveis). Deve-se ressaltar, porém, que, apesar da literalidade do CC02, a 
jurisprudência tem acolhido a teoria da “actio nata” para além do direito consumerista, em homenagem { 
adequada proteção da vítima. 
Há precedente do STJ no sentido de que, tratando-se de ato ilícito ocorrido no curso de relação contratual, o 
prazo não será o do CDC, mas o prazo geral de 10 anos do art. 205, CC02, uma vez que a responsabilidade 
contratual tem contornos próprios, mais amplos do que a responsabilidade pelo fato ilícito8. 
- Cláusula de decaimento é aquela que estabelece que o adquirente irá perder todas asprestações pagas durante 
o contrato caso se mostre inadimplente ou requeira o distrato. O CDC considera NULA a clausula de decaimento. 
Art. 53. Nos contratos de compra e venda de móveis ou imóveis mediante pagamento em prestações, bem como nas 
alienações fiduciárias em garantia, consideram-se nulas de pleno direito as cláusulas que estabeleçam a perda total 
das prestações pagas em benefício do credor que, em razão do inadimplemento, pleitear a resolução do contrato e a 
retomada do produto alienado. 
- O direito do consumidor previsto no art. 6º do CDC é o de modificação das cláusulas contratuais no caso 
referido, não implicando, a priori, a resolução do contrato, que ocorrerá apenas na impossibilidade de revisão, 
por ser regra mais vantajosa para o contratante vulnerável. Trata-se do Princípio da Preservação dos Contratos, 
em virtude de o CDC adotar a teoria da Base Objetiva do Negócio, em contrapartida do CC/02, que adota a Teoria 
da Imprevisão, privilegiando a resolução contratual em caso de circunstância imprevisível que torne as cláusulas 
contratuais desproporcionais. 
- Alguns entendem que publicidade e propaganda são institutos distintos e que tem como única semelhança o 
fato de se utilizarem de meios de divulgação em massa, como televisão, rádio, jornais, revistas e portais de 
internet. Enquanto a propaganda teria como objetivo a difusão de uma ideia ou de uma ideologia a publicidade 
faz a divulgação comercial direta ou indireta de produtos ou serviços. 
 
8O defeito do serviço que resultou na negativação indevida do nome do cliente da instituição bancária não se confunde 
com o fato do serviço, que pressupõe um risco à segurança do consumidor (...). 3. A violação dos deveres anexos, 
também intitulados instrumentais, laterais, ou acessórios do contrato - tais como a cláusula geral de boa-fé objetiva, 
dever geral de lealdade e confiança recíproca entre as partes -, implica responsabilidade civil contratual, (...) 
reconhecendo que, no caso, a negativação caracteriza ilícito contratual. 4. O caso não se amolda a nenhum dos prazos 
específicos do CC, incidindo o prazo prescricional de dez anos previsto no art. 205. (...) REsp: 1276311 RS, 20/09/11 
 
 
 
59 
 
 
1. Em relação ao banco de dados e cadastro de consumidores, é necessária a comunicação ao consumidor quando 
da abertura de cadastro ou ficha em seu nome? 
Sim. A abertura de cadastro, ficha, registro e dados pessoais e de consumo deverá ser comunicada por escrito ao 
consumidor, quando não solicitada por ele. 
2. Como devem ser tais sistemas de cadastros? 
Os cadastros e dados de consumidores devem ser objetivos, claros, verdadeiros e em linguagem de fácil 
compreensão, não podendo conter informações negativas referentes a período superior a cinco anos. 
 
3. Os serviços de proteção de crédito são considerados de caráter público ou privado? 
São considerados de caráter público. 
 
4. Se o consumidor está inadimplente, o fornecedor poderá incluí-lo em cadastros de proteção ao crédito (exs: 
SPC e SERASA)?Qual o cuidado prévio que deve ser tomado? 
SIM. A abertura de qualquer cadastro, ficha, registro e dados pessoais ou de consumo referentes ao consumidor 
deverá ser comunicada por escrito a ele (§ 2º do art. 43 do CDC). 
Logo, o órgão mantenedor do Cadastro de Proteção ao Crédito deverá notificar o devedor antes de proceder à 
inscrição (Súmula 359-STJ). 
Assim, é ilegal e sempre deve ser cancelada a inscrição do nome do devedor em cadastros de proteção ao crédito 
realizada sem a prévia notificação exigida pelo art. 43, § 2º, do CDC. 
Em outras palavras, antes de “negativar” o nome do consumidor, o SPC ou a SERASA dever~o notificar o 
devedor, por escrito, informando acerca dessa possibilidade a fim de que o consumidor, se quiser, possa pagar o 
débito ou questioná-lo judicialmente. 
 
5. O que acontece se não houver essa notificação prévia? 
A ausência de prévia comunicação ao consumidor da inscrição do seu nome em órgão de proteção ao crédito 
enseja indenização por danos morais a ser paga pelos órgãos mantenedores de cadastros restritivos (exs: 
SERASA, SPC). 
 
6. O credor (fornecedor) deverá também pagar indenização por danos morais pelo fato do consumidor ter sido 
negativado sem notificação prévia? 
NÃO. O credor não é parte legítima para figurar no polo passivo de ação de indenização por danos morais 
decorrentes da inscrição em cadastros de inadimplentes sem prévia comunicação. A responsabilidade pela 
inclusão do nome do devedor no cadastro incumbe à entidade que o mantém, e não ao credor, que apenas 
informa a existência da dívida (STJ AgRg nos EDcl no REsp 907.608/RS).A situação será diferente se o 
consumidor for negativado por conta de uma dívida que não existia realmente (dívida irregular). Nesse caso, o 
fornecedor é quem será responsabilizado. 
 
7. Se não houve comunicação prévia, a indenização é devida mesmo que depois fique provado que o débito 
realmente existe? 
 
 
 
60 
 
SIM. Para que se caracterize o dever da SERASA/SPC de indenizar é suficiente a ausência de prévia comunicação, 
mesmo quando existente a dívida que gerou a inscrição. 
 
8. Para que haja a condenação em dano moral é necessário que seja provado o prejuízo sofrido pelo consumidor? E 
no caso de dano material? 
NÃO. A indenização por danos morais decorre da simples ausência de prévia notificação, circunstância que se 
mostra suficiente à caracterização do dano moral. Não há necessidade da prova do prejuízo sofrido. Trata-se de 
dano moral in re ipsa, no qual o prejuízo é presumido. Para que haja condenação por danos materiais, é 
indispensável a prova dos prejuízos sofridos. 
 
9. Como é comprovada essa notificação prévia? Exige-se prova de que o consumidor tenha efetivamente recebido a 
notificação? 
NÃO. Basta que seja provado que foi enviada uma correspondência ao endereço do consumidor notificando-o 
quanto à inscrição de seu nome no respectivo cadastro, sendo desnecessário aviso de recebimento (AR). Súmula 
404-STJ. 
 
10. Se o consumidor possui uma negativação anterior legítima e sofre uma nova anotação, porém desta vez ele 
não é notificado previamente, este consumidor terá direito de ser indenizado por causa desta segunda? 
NÃO, ele terá direito apenas de pedir o cancelamento da segunda anotação feita sem notificá-lo. Súmula 385-STJ: 
Da anotação irregular em cadastro de proteção ao crédito, não cabe indenização por dano moral quando 
preexistente legítima inscrição, ressalvado o direito ao cancelamento. Desse modo, conclui-se que a ausência de 
prévia comunicação ao consumidor da inscrição do seu nome em cadastros de proteção ao crédito, prevista no 
art. 43, §2º do CDC, enseja o direito à compensação por danos morais, salvo quando preexista inscrição 
desabonadora regularmente realizada. 
 
11. Se o consumidor, após ser regularmente comunicado sobre a futura inscrição no cadastro, ajuíza uma ação para 
impedir ou retirar seu nome do cadastro negativo alegando que o débito não existe, o juiz poderá conceder tutela 
antecipada ou cautelar deferindo esse pedido? Quais os requisitos para tanto? 
Segundo o STJ, a abstenção da inscrição/manutenção em cadastro de inadimplentes, requerida em antecipação 
de tutela e/ou medida cautelar, somente será deferida se, cumulativamente: 
a) a ação for fundada em questionamento integral ou parcial do débito; 
b) houver demonstração de que a cobrança indevida se funda na aparência do bom direito e em jurisprudência 
consolidada do STF ou STJ; 
c) houver depósito da parcela incontroversa ou for prestada a caução fixada conforme o prudente arbítrio do 
juiz. 
A simplesdiscussão judicial da dívida não é suficiente para obstar a negativação do nome do devedor nos 
cadastros de inadimplentes. 
 
11. Existe um prazo máximo no qual o nome do devedor pode ficar negativado? 
 
 
 
61 
 
SIM. Os cadastros e bancos de dados não poderão conter informações negativas do consumidor referentes a 
período superior a 5 anos. Passado esse prazo, o próprio órgão de cadastro deve retirar a anotação negativa, 
independentemente de como esteja a situação da dívida (não importa se ainda está sendo cobrada em juízo ou 
se ainda não foi prescrita). (Súmula 323-STJ). 
 
12. Se o devedor paga a dívida, a quem caberá informar o SPC ou a SERASA dessa situação para que seja retirado o 
nome do devedor? 
Cumpre ao CREDOR (e não ao devedor) providenciar o cancelamento da anotação negativa do nome do devedor 
em cadastro de proteção ao crédito, quando paga a dívida. Vale ressaltar que é, inclusive, crime, previsto no CDC, 
quando o fornecedor deixa de comunicar o pagamento ao cadastro de proteção ao crédito. Assim, uma vez 
regularizada a situação de inadimplência do consumidor, deverão ser imediatamente corrigidos os dados 
constantes nos órgãos de proteção ao crédito (REsp 255.269/PR). 
 
13. Qual é o prazo que tem o credor para retirar (dar baixa) do nome do devedor no cadastro negativo? Qual foi o 
fundamento para se encontrar esse prazo? 
O STJ sempre afirmou que o credor deveria fazer isso “imediatamente” ou “em breve espaço de tempo”. No 
entanto, no julgado noticiado neste Informativo, o STJ avançou e estipulou um prazo certo para que o devedor 
tome essa providência. Desse modo, o STJ afirmou que, paga a dívida, o credor tem o prazo de 5 (cinco) dias 
úteis para a retirada do nome do consumidor dos cadastros de proteção ao crédito. (Terceira Turma. REsp 
1.149.998-RS, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 7/8/2012 
O STJ encontrou esse prazo por meio de aplicação analógica do art. 43, § 3º, do CDC: Art. 43 (...) § 3º - O 
consumidor, sempre que encontrar inexatidão nos seus dados e cadastros, poderá exigir sua imediata correção, 
devendo o arquivista, no prazo de cinco dias úteis, comunicar a alteração aos eventuais destinatários das 
informações incorretas. 
 
14. Qual é o termo inicial para a contagem do prazo? É possível estipular prazo diverso? 
Esse prazo começa a ser contado da data em que houve o pagamento efetivo. 
No caso de quitações realizadas mediante cheque, boleto bancário, transferência interbancária ou outro meio 
sujeito à confirmação, o prazo começa a ser contado do efetivo ingresso do numerário na esfera de 
disponibilidade do credor. 
É possível que seja estipulado entre as partes um outro prazo diferente desses 5 dias, desde que não seja 
abusivo. 
 
15. O que acontece se o credor não retirar o nome do devedor do cadastro no prazo de 5 dias? 
A manutenção do registro do nome do devedor em cadastro de inadimplentes após esse prazo impõe ao credor 
o pagamento de indenização por dano moral independentemente de comprovação do abalo sofrido. 
- O contrato de adesão é aquele cujas cláusulas tenham sido aprovadas pela autoridade competente ou 
estabelecidas unilateralmente pelo fornecedor de produtos ou serviços, sem que o consumidor possa discutir ou 
modificar substancialmente o seu conteúdo. Os contratos de adesão escritos devem ser redigidos em termos 
 
 
 
62 
 
claros e com caracteres ostensivos e legíveis, cujo tamanho da fonte não será inferior ao corpo 12, de modo a 
facilitar a compreensão pelo consumidor. 
- Nos termos do art. 101, I, do CDC, o consumidor pode propor ação em seu próprio domicílio. No entanto, ele 
pode optar por foro eleito em contrato, ao invés de seu domicílio, caso assim o prefira (STJ, 2ª Seção, CC 
107.441/SP, 2011). 
- A vítima poderá propor a ação indenizatória diretamente contra a seguradora em caso de falência do 
fornecedor (art. 101, II, CDC). No entanto, o CDC não prevê expressamente se a vítima poderia propor a ação 
indenizatória diretamente contra a seguradora, mesmo que o fornecedor não esteja falido. O STJ tende a admitir 
tal possibilidade desde que o fornecedor integre o polo passivo também, ou seja, o fornecedor e a seguradora 
são legitimados passivos para responderem à ação de responsabilidade, desde que conjuntamente (REsp. 
256.424/SE, 2006). 
#DEOLHONOEDITAL: 
 
O plano de saúde deve reembolsar o segurado pelas despesas que pagou com tratamento médico realizado em 
situação de urgência ou emergência por hospital não credenciado, ainda que o referido hospital integre 
expressamente tabela contratual que exclui da cobertura os hospitais de alto custo, limitando-se o reembolso, no 
mínimo, ao valor da tabela de referência de preços de serviços médicos e hospitalares praticados pelo plano de 
saúde. STJ. 3ª Turma. REsp 1.286.133 - MG, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado e m 5/4/2016 (Info 580). 
 
Quando o contrato de plano de saúde incluir atendimento obstétrico, a operadora tem o dever de prestar 
assistência ao recém-nascido durante os primeiros trinta dias após o parto (art. 12, III, "a", da Lei nº 9.656/98), 
independentemente de a operadora ter autorizado a efetivação da cobertura, ter ou não custeado o parto, 
tampouco de inscrição do neonato como dependente nos trinta dias seguintes ao nascimento. STJ. 4ª Turma. 
REsp 1.269.757-MG, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 3/5/2016 (Info 584). 
 
1) Aplicação do CDC em ação proposta por condomínio contra construtora na defesa dos condôminos 
Aplica-se o CDC ao condomínio de adquirentes de edifício em construção, nas hipóteses em que atua na defesa 
dos interesses dos seus condôminos frente a construtora ou incorporadora. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.560.728-MG, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 18/10/2016 (Info 592). 
 
2) Ausência de responsabilidade dos provedores de busca de produtos à venda on-line 
O provedor de buscas de produtos à venda on-line que não realiza qualquer intermediação entre consumidor e 
vendedor não pode ser responsabilizado por qualquer vício da mercadoria ou inadimplemento contratual. 
Exemplos de provedores de buscas de produtos: Shopping UOL, Buscapé, Bondfaro. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.444.008-RS, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 25/10/2016 (Info 593). 
 
3) É válido o desconto de pontualidade presente em contratos de serviços educacionais 
 
 
 
63 
 
O denominado "desconto de pontualidade", concedido pela instituição de ensino aos alunos que efetuarem o 
pagamento das mensalidades até a data do vencimento ajustada, não configura prática comercial abusiva. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.424.814-SP, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 4/10/2016 (Info 591). 
 
Obs: sobre este tema, importante reler o REsp 832.293-PR, Rel. Min. Raul Araújo, julgado em 20/8/2015 (Info 572) 
que traz um entendimento ligeiramente diferente em determinado aspecto. 
 
4) Validade do repasse da comissão de corretagem ao consumidor pela incorporadora imobiliária 
É válida a cláusula contratual que transfere ao promitente-comprador a obrigação de pagar a comissão de 
corretagem nos contratos de promessa de compra e venda de unidade autônoma em regime de incorporação 
imobiliária, desde que previamente informado o preço total da aquisição da unidade autônoma, com o 
destaque do valor da comissão de corretagem. 
STJ. 2ª Seção. REsp 1.599.511-SP, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 24/8/2016 (recurso repetitivo) 
(Info 589). 
 
5) Não se aplica o CDC ao contrato de plano de saúde administrado por entidade de autogestão 
Não se aplica o CDC às relações entre as operadoras de planos de saúde constituídas soba modalidade de 
autogestão e seus filiados. 
Assim, os planos de saúde de autogestão podem ser considerados como uma exceção à Súmula 469 do STJ: 
"Aplica-se o Código de Defesa do Consumidor aos contratos de plano de saúde." 
A operadora de plano privado de assistência à saúde na modalidade de autogestão é pessoa jurídica de direito 
privado sem finalidades lucrativas que, vinculada ou não à entidade pública ou privada, opera plano de 
assistência à saúde com exclusividade para um público determinado de beneficiários. 
A constituição dos planos sob a modalidade de autogestão diferencia, sensivelmente, essas pessoas jurídicas 
quanto à administração, forma de associação, obtenção e repartição de receitas, dos contratos firmados com 
empresas que exploram essa atividade no mercado e visam ao lucro. 
Em razão disso, não se aplica o CDC ao contrato de plano de saúde administrado por entidade de autogestão, 
por inexistência de relação de consumo. 
STJ. 2ª Seção. REsp 1.285.483-PB, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 22/6/2016 (Info 588). 
 
6) Validade da cláusula de coparticipação 
Não é abusiva cláusula contratual de plano privado de assistência à saúde que estabeleça a coparticipação do 
usuário nas despesas médico-hospitalares em percentual sobre o custo de tratamento médico realizado sem 
internação, desde que a coparticipação não caracterize financiamento integral do procedimento por parte do 
usuário, ou fator restritor severo ao acesso aos serviços. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.566.062-RS, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 21/6/2016 (Info 586). 
 
7) Cancelamento de voos sem razões técnicas ou de segurança é prática abusiva 
O transporte aéreo é serviço essencial e pressupõe continuidade. 
Considera-se prática abusiva o cancelamento de voos sem razões técnicas ou de segurança inequívocas. 
 
 
 
64 
 
Também é prática abusiva o descumprimento do dever de informar o consumidor, por escrito e 
justificadamente, quando tais cancelamentos vierem a ocorrer. 
Nas ações coletivas ou individuais, a agência reguladora não integra o feito em litisconsórcio passivo quando se 
discute a relação de consumo entre concessionária e consumidores, e não a regulamentação emanada do ente 
regulador. 
STJ. 2ª Turma. REsp 1.469.087-AC, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 18/8/2016 (Info 593). 
 
8) É possível a condenação em danos morais coletivos de empreendimento que oferecia, de forma ilegal, 
videobingos e caça-níqueis 
O dano moral sofrido pela coletividade decorre do caráter altamente viciante de jogos de azar, passíveis de 
afetar o bem-estar do jogador e desestruturar o ambiente familiar. 
A responsabilidade civil é objetiva, respondendo o réu, "independentemente da existência de culpa, pela 
reparação dos danos causados aos consumidores" (art. 12, caput, do CDC). 
O dano moral coletivo prescinde da comprovação de dor, de sofrimento e de abalo psicológico, pois tal 
comprovação, embora possível na esfera individual, torna-se inaplicável quando se cuida de interesses difusos e 
coletivos. 
STJ. 2ª Turma. REsp 1.464.868-SP, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 22/11/2016. 
 
9) A Súmula 385 do STJ aplica-se também para ações propostas pelo consumidor contra o credor que efetivou a 
inscrição irregular 
A inscrição indevida comandada pelo credor em cadastro de proteção ao crédito, quando preexistente legítima 
inscrição, não enseja indenização por dano moral, ressalvado o direito ao cancelamento (Súmula 385-STJ). 
Esta súmula 385-STJ é aplicada não apenas no caso de propostas contra o SERASA/SPC, mas também nas 
situações em que a demanda foi ajuizada contra o credor que efetivou inscrição irregular. Havia dúvidas sobre 
isso e agora está pacificado. 
STJ. 2ª Seção. REsp 1.386.424-MG, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, Rel. para acórdão Min. Maria Isabel 
Gallotti, julgado em 27/4/2016 (Info 583). 
 
10) Termo inicial do prazo de 5 anos que o nome do consumidor pode permanecer negativado 
A inscrição do nome do devedor pode ser mantida nos serviços de proteção ao crédito até o prazo máximo de 5 
anos. 
O termo inicial deste prazo inicia-se no dia subsequente ao vencimento da obrigação não paga, 
independentemente da data da inscrição no cadastro. 
Assim, vencida e não paga a obrigação, inicia-se no dia seguinte a contagem do prazo de 5 anos, não 
importando a data em que o nome do consumidor foi negativado. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.316.117-SC, Rel. Min. João Otávio de Noronha, Rel. para acórdão Min. Paulo de Tarso 
Sanseverino, julgado em 26/4/2016 (Info 588). 
 
 
 
 
 
65 
 
DIREITO AMBIENTAL9 
 
#DEOLHONOEDITAL: 
 
Princípio do Meio Ambiente como Direito Humano Fundamental 
Apesar de n~o estar contido no rol do artigo 5º da CF, o meio ambiente é considerado um direito fundamental, 
sendo uma extens~o do direito { vida e necess|rio { pessoa humana. Est| previsto expressamente no artigo 225 
da Constituiç~o Federal: “Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do 
povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e 
preservá-lo para as presentes e futuras gerações.” 
A subsunç~o da quest~o ambiental { busca da qualidade de vida se apresenta como elemento de encontro do 
direito ambiental com a dignidade da pessoa humana. 
 
Princípio da Prevenção 
Procura-se evitar o risco de uma atividade sabidamente danosa e efeitos nocivos ao meio ambiente. Aplica-se aos 
impactos ambientais já conhecidos. Finalidade: evitar que o dano possa chegar a produzir-se. Deve-se tomar as 
medidas necess|rias para evitar o dano ambiental porque as consequências de se iniciar determinado ato, 
prosseguir com ele ou suprimi-lo s~o conhecidas. 
Previs~o: Declaraç~o de Estocolmo (1972 – princípios 6 e 21) e Declaraç~o do Rio (ECO – 92 – princípio 2). A 
Política Nacional do Meio Ambiente fala em manutenç~o e proteç~o (Lei 6.938/81). CR/88: art. 225, §1º, IV - 
obrigatoriedade de EIA em obras ou atividades potencialmente causadoras de significativa degradaç~o ao meio 
ambiental). 
Principal instrumento de prevenç~o: EIA/RIMA. 
 
Princípio da precaução 
Incide quando não se tem certeza científica acerca dos danos que podem ser causados. Aplica-se o primado da 
prudência e o benefício da dúvida em favor do ambiente. A falta de plena certeza científica n~o deve ser usada 
como raz~o para postergar medidas para evitar ou minimizar essa ameaça. In dubio pro natura. Deve ser 
aplicado, contudo, apenas em face da ausência científica do impacto de RISCOS GRAVES E IRREVERSÍVEIS. 
Inversão do ônus é seu corolário: implica a necessidade de demonstraç~o de que a atividade n~o traz riscos ao 
meio ambiente. 
Marco inicial - Lei da Alemanha de 1976. Primeira previs~o internacional: Conferência do Mar do Norte de 1987. 
Foi proposto formalmente na Declaraç~o do Rio (ECO – 92 – princípio 15) e na Convenç~o Quadro das Nações 
Unidas sobre as mudanças do clima – 1992 (uma de suas emendas é o protocolo de Kyoto de 1997). Presente na 
Convenç~o sobre Diversidade Biológica – 1992. Amparo constitucional (art. 225, caput, de forma implícita). 
Primeira lei que tratou no Brasil foi a da Biossegurança (art. 11.105/05 – art. 1º). 
Destaca Paulo Afonso Leme Machado 3 características: 1 - incerteza do dano em face do atual estado da técnica; 
2 - possibilidade de efeitos graves e irreversíveis ao ambiente; 3 - dirige-se com primazia {s autoridades públicas. 
 
9 Por Liana Schuler e Rockweel Barbosa Silva. 
 
 
 
66 
 
A prevenç~o atua no sentido de inibiro risco de dano em potencial (atividade sabidamente perigosas), enquanto 
a precauç~o atua para inibir o risco de perigo potencial (ou seja, o dano em abstrato). 
Três correntes diferenciam o conteúdo, extens~o e acepç~o desse princípio: 1) radical: n~o tolera qualquer risco; 
2) minimalista: exige a presença de riscos sérios e irreversíveis; 3) intermediária: o risco deve ser baseado na 
ciência e deve ser crível, mas n~o exclui a moratória e adota a teoria din}mica da distribuiç~o do ônus da prova. 
 
Princípio do Poluidor-Pagador ou da Responsabilização 
Aquele que polui terá que arcar com os custos da reparação de dano causado (CARÁTER REPRESSIVO). 
Art 3º (PNMA) - Para os fins previstos nesta Lei, entende-se por: IV - poluidor, a pessoa física ou jurídica, de direito 
público ou privado, respons|vel, direta ou indiretamente, por atividade causadora de degradaç~o ambiental; 
Art 4º (PNMA) - A Política Nacional do Meio Ambiente visar|: VII - { imposiç~o, ao poluidor e ao predador, da 
obrigaç~o de recuperar e/ou indenizar os danos causados e, ao usu|rio, da contribuiç~o pela utilizaç~o de 
recursos ambientais com fins econômicos. 
Art. 14, § 1º (PNMA) - Sem obstar a aplicaç~o das penalidades previstas neste artigo, é o poluidor obrigado, 
independentemente da existência de culpa, a indenizar ou reparar os danos causados ao meio ambiente e a 
terceiros, afetados por sua atividade. O Ministério Público da Uni~o e dos Estados ter| legitimidade para propor 
aç~o de responsabilidade civil e criminal, por danos causados ao meio ambiente. 
Internalização das Externalidades Negativas - O ônus ambiental em decorrência da atividade deve ser 
considerado como integrante dos custos da produç~o, n~o podendo ser transferido para a sociedade. 
Previsto também na Declaração do Rio 92 (princípio 16) 
 
- Responsabilidade civil por dano ambiental 
a) Extracontratual - Decorre da Lei, sem que haja um vínculo jurídico contratual anterior; 
b) Objetiva - Independe da an|lise de culpa do agente ou licitude da atividade; 
c) Propter rem - O adquirente responder| ainda que n~o tiver provocado o dano. Qualquer Cl|usula de N~o 
Indenizar só ter| validade entre as partes; 
d) Solid|ria - Entre todos que de alguma forma deram origem ao dano (litisconsórcio facultativo). 
Majoritariamente entende-se que é possível a responsabilidade solid|ria do ente público quando, devendo agir 
para evitar o dano ambiental, mantém-se inerte ou atua de forma deficiente. Entretanto, apesar de solid|ria, a 
execuç~o contra o ente público é subsidi|ria, de modo se exigir execuç~o primeiro do poluidor direto, n~o 
devendo, em regra, a sociedade ser duplamente onerada pela degradaç~o ambiental; 
e) Invers~o do ônus da prova - Jurisprudência majorit|ria admite nos moldes do CDC (verossimilhança ou 
hipossuficiência). No caso de ACP ambiental, o STJ vem entendendo que em observ}ncia ao P. da Precauç~o e ao 
car|ter público e coletivo do bem jurídico tutelado, o ônus da prova é do empreendedor; 
f) Imprescritível - a responsabilizaç~o civil por dano ambiental é imprescritível. Fundamento: a titularidade do 
direito ambiental é difusa, pertence {s gerações atuais e futuras. N~o seria possível aceitar a penalizaç~o 
decorrente da prescriç~o {quela geraç~o que sequer existe - O dano ambiental inclui-se dentre os direitos 
indisponíveis e como tal est| dentre os poucos acobertados pelo manto da imprescritibilidade a aç~o que visa 
reparar o dano ambiental.” (REsp 1120117/AC) 
Esse princípio n~o tolera a poluiç~o, pois a finalidade primordial é evit|-la. Não se trata de uma autorização para 
 
 
 
67 
 
poluir, desde que se indenize. A poluiç~o continua vedada; se acontecer, contudo, deve dar-se a recomposiç~o in 
natura e a indenizaç~o dos danos insuscetíveis de recomposiç~o. 
 
Princípio do Usuário-Pagador 
N~o deve ser encarado como puniç~o, pois poder| ser implementado mesmo sem haver comportamento ilícito 
(art. 4, VII, da Lei 6.938/81). 
O usuário de recursos naturais (escassos) deve pagar por sua utilização. A ideia é de definiç~o do valor 
econômico ao bem natural com intuito de racionalizar o seu uso e evitar seu desperdício (o fato gerador é a mera 
utilizaç~o dos recursos, independentemente de dano ou ilicitude). Leme faz uma correlaç~o entre o princípio do 
usu|rio pagador e a compensaç~o ambiental: "a compensaç~o ambiental é uma das formas de implementaç~o 
do usu|rio pagador, antecipando possíveis cobranças por danos ambientais". 
O usu|rio é aquele que n~o causa poluiç~o. Paga por um direito outorgado pelo poder público. Ex: cobrança pelo 
uso de água, art. 19 e 20 da Lei nº 9.433/97. Pagar é garantir o art. 225 CF, em benefício das futuras gerações. 
 
Princípio do Protetor-Recebedor 
Tem previs~o expressa no art. 6º, II, da Lei nº 12.305/10 (Política Nacional de Resíduos Sólidos). Est| também 
previsto no Código Florestal (art. 1-A). 
O agente público ou privado que protege um bem natural em benefício da comunidade deve receber uma 
compensação financeira como incentivo pelo serviço de proteção ambiental prestado. 
Pode ser considerado o avesso do conhecido princípio do usu|rio-pagador. Exemplos: a) art. 10, §1º, II, da Lei nº 
9.393/96, que excluiu da |rea tribut|vel de ITR alguns espaços ambientalmente protegidos; b) Lei nº 12.512/11 
(Programa de Apoio { Conservaç~o Ambiental), voltado a famílias de baixa renda que desenvolvam atividades de 
conservaç~o em determinadas |reas. 
 
Princípio do Desenvolvimento Sustentável ou Ecodesenvolvimento 
A ideia de desenvolvimento socioeconômico em harmonia com a preservaç~o ambiental emergiu da Conferência 
de Estocolmo, de 1972. No início da década de 1980, a ONU retomou o debate das questões ambientais. O 
documento final desses estudos chamou-se Nosso Futuro Comum ou Relatório Brundtland. Apresentado em 
1987, propõe o desenvolvimento sustent|vel, que é “aquele que atende às necessidades do presente sem 
comprometer a possibilidade de as gerações futuras atenderem às suas necessidades”. 
CR/88: art. 170, VI, e 225. Pilares do desenvolvimento sustent|vel: crescimento econômico, preservação 
ambiental e equidade social. Car|ter social: forma de realizaç~o da justiça por meio da distribuiç~o da riqueza. 
As necessidades humanas s~o ilimitadas, mas os recursos ambientais n~o o s~o, sendo necess|rio buscar o 
equilíbrio, pela sustentabilidade, e decorre de uma ponderação casuística entre o direito fundamental ao 
desenvolvimento econômico e o direito fundamental { preservaç~o ambiental. 
 
Princípio do Ambiente Ecologicamente Equilibrado 
Reconhecido no art. 225 da CR e em Estocolmo (1972). Est| intimamente ligado ao direito fundamental { vida e { 
proteç~o da dignidade humana. Realiza-se com a manutenç~o de um bom equilíbrio ambiental, ou seja, sem 
alterações significativas provocadas pelo homem. 
 
 
 
68 
 
 
Princípio da Obrigatoriedade de Atuação (princípio da natureza pública da proteção ambiental) 
É dever irrenunci|vel do Poder Público promover a proteç~o do meio ambiente. Destaca-se a necessidade de 
intervenç~o do poder público (car|ter vinculado do poder de polícia ambiental), mas, ao mesmo tempo, aborda a 
quest~o do aumento da funç~o fiscalizatória/regulatória, via agências reguladoras. 
Por ser direito indisponível, a proteç~o ambiental n~o pode ser objeto de transaç~o (a única forma admitida é a 
negociaç~o de prazo, inclusive por meio de TAC). Esse princípio decorre da declaraç~o de Estocolmo (1972). 
Encontra-se na CF (art. 225 – dever de defender e preservar o meio ambiente) e na declaraç~o do Rio 92. 
Encontra previs~o expressa, ainda, no artigo 2º, inciso I, da Lei 6.938/81, destacando-se a obrigaç~o do PoderPúblico de: a) Preservar e restaurar os processos ecológicos essenciais e promover o manejo de espécies e 
ecossistemas; b) Preservar a diversidade e integridade genética do país; c) Definir espaços especialmente 
protegidos; d) Exigir estudo de impacto ambiental. 
A intervenç~o do Estado pode ocorrer ainda de forma indireta, como agente normativo e regulador (Art. 174, CF 
– fiscalizaç~o, incentivo e planejamento). 
 
Princípio da Participação Comunitária (Princípio Democrático/Cooperação) 
Inserido no caput do art. 225 da CF. Princípio nº 10 da Declaração do Rio de 1992. É dever de toda a sociedade 
atuar na defesa do meio ambiente. 
A participaç~o consubstancia-se: a) no dever jurídico de proteger e preservar o meio ambiente; b) no direito de 
opinar sobre as políticas públicas; e c) na utilizaç~o dos mecanismos de controle políticos (plebiscito, referendo, 
iniciativa popular), judiciais (aç~o popular, aç~o civil pública) e administrativos (informaç~o, petiç~o, EIA). 
Destaca-se aqui a atuaç~o das ONGs e assento dos cidad~os nos conselhos ambientais e da consulta pública para 
criaç~o de algumas unidades de conservaç~o, além da participaç~o como amicus curiae, em processos de 
controle abstrato de constitucionalidade. 
 
Princípio da Publicidade ou da Informação 
Toda informaç~o sobre o meio ambiente é pública. Visa assegurar a eficácia do princípio da participação. É 
necess|ria a devida publicidade das questões ambientais, sob pena de impossibilidade de atuaç~o do princípio 
democr|tico. O art. 5º, XXXIII da Constituiç~o Federal e a Lei 12.527/11, garantem o acesso { informaç~o de forma 
ampla, incluindo aquela que diz respeito ao meio ambiente. 
 
Princípio da Educação Ambiental 
Embora n~o seja obrigaç~o exclusiva do poder público, encontra-se constitucionalmente previsto no art. 225, § 1º, 
VI, CF. Para assegurar o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, incumbe ao Poder Público 
promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino e a conscientização pública para a preservação. 
A Lei 9.795/99 trata da educaç~o ambiental. O art. 10 assinala que a educaç~o ambiental ser| desenvolvida como 
uma pr|tica educativa integrada, contínua e permanente em todos os níveis e modalidades do ensino formal, e 
que n~o deve ser implantada como disciplina específica no currículo de ensino. 
 
Princípio da Função Socioambiental da Propriedade 
 
 
 
69 
 
Art. 186 da CF: a funç~o social da propriedade rural é atendida quando h| aproveitamento racional e adequado; 
utilizaç~o adequada dos recursos naturais disponíveis e preservaç~o do meio ambiente; observaç~o das 
disposições que regulam as relações de trabalho; exploraç~o que favoreça o bem-estar dos propriet|rios e 
trabalhadores. É o princípio que justifica serem as obrigações ambientais propter rem. 
 
Princípio do Equilíbrio (ou proporcionalidade) 
Consiste na ponderação de valores quando da pr|tica de algum evento que possa repercutir na esfera ambiental. 
Necessidade de se analisar quais os prejuízos e impactos, e ao contr|rio, quais os benefícios e ganhos. Nessa 
ponderaç~o, deve-se levar em conta todas as condições ambientais, no sentido legal do termo, como as 
influências e integrações de ordem química e biológica, que permitem abrigar e reger a vida em todas as formas. 
Esse equilíbrio está atrelado ao desenvolvimento econômico e seus impactos ambientais, guardando estreita 
relação com o desenvolvimento sustentável. Os aplicadores da política ambiental e do Direito Ambiental devem 
pesar as consequências previsíveis da adoç~o de uma determinada medida, de forma que esta possa ser útil { 
comunidade e n~o importar em gravames excessivos aos ecossistemas e { vida humana. N~o deve haver 
sobreposiç~o das necessidades e dos interesses econômicos. Ponderaç~o entre os prejuízos/impactos e os 
benefícios/ganhos que um empreendimento poder| causar ao meio ambiente. Mensuraç~o razo|vel dos efeitos 
de pr|ticas que intervenham no meio ambiente. 
 
Princípio do Acesso equitativo aos Recursos Naturais 
A utilizaç~o saud|vel do meio ambiente deve ser partilhada de forma equ}nime por toda a humanidade. (Prevista 
na Conferência de Estocolmo de 1972) 
 
Princípio do Limite ou Princípio do Controle do Poluidor pelo Poder Público 
Previs~o constitucional: art. 225, § 1º, inciso V. A Administração Pública tem a obrigação de fixar padrões 
máximos de emissões de poluentes, ruídos, enfim, de tudo aquilo que possa implicar prejuízos para os recursos 
ambientais e à saúde humana. É imprescindível para que se evite, ou pelo menos se minimize a poluiç~o e a 
degradaç~o. Faz-se necess|ria a intervenç~o do Estado no controle de interesses particulares e na defesa em prol 
da maioria. 
 
Princípio da Ubiquidade (Princípio da Variável Ambiental no processo decisório das políticas públicas) 
A Ubiquidade é a qualidade do que est| em toda parte, a onipresença, de modo que o direito fundamental ao 
meio ambiente ecologicamente equilibrado deverá nortear a atuação dos três Poderes na tomada de suas 
decisões, a fim de buscar a real efetivaç~o do desenvolvimento sustent|vel. 
 
Princípio do Direito à Sadia Qualidade de Vida 
Enquanto as primeiras constituições escritas colocavam o direito { vida entre os direitos individuais, a partir do 
séc. XX foi inserido o "direito { qualidade de vida", n~o sendo suficiente viver ou apenas conservar a vida (caput 
do art. 225 da CF). 
 
Princípio da Reparação Integral 
 
 
 
70 
 
Deve conduzir o meio ambiente e a sociedade a uma situaç~o, na medida do possível, equivalente { anterior ao 
dano. Incluem-se os efeitos ecológicos e ambientais da agress~o, as perdas de qualidade ambiental, os danos 
ambientais futuros e danos morais coletivos. Positivado na legislaç~o civil (art. 944, CC). 
 “Na hipótese de ação civil pública proposta em razão de dano ambiental, é possível que a sentença condenatória 
imponha ao responsável, cumulativamente, as obrigações de recompor o meio ambiente degradado e de pagar 
quantia em dinheiro a título de compensação por dano moral coletivo. Isso porque vigora em nosso sistema jurídico 
o princípio da reparação integral do dano ambiental, que, ao determinar a responsabilização do agente por todos 
os efeitos decorrentes da conduta lesiva, permite a cumulação de obrigações de fazer, de não fazer e de indenizar.” 
(REsp 1.328.753-MG) 
 
Princípio da Solidariedade Intergeracional 
Princípio 3 da RIO/92: “O direito ao desenvolvimento deve ser exercido de modo a permitir que sejam atendidas 
equitativamente as necessidades das gerações futuras. “ art. 225 da CF. 
O constituinte criou um sujeito de direito indeterminado: gerações futuras, que ainda n~o nasceram e para os 
quais os recursos naturais devem ser preservados. A solidariedade ambiental é sincrônica (presentes gerações) e 
diacrônica (futuras gerações). 
 
Princípio da Proibição do Retrocesso Ecológico (Canotilho) ou “non clicquet” ambiental 
Sendo o meio ambiente ecologicamente equilibrado um direito fundamental, as garantias de proteção ambiental 
já conquistadas não podem retroagir. S~o inadmissíveis recuos de salvaguarda ambiental para níveis abaixo dos 
j| positivados. 
A principal consequência deste princípio é obstar medidas legislativas e executivas que operem retrocesso em 
relaç~o ao direito ambiental. Segundo o STJ, esse princípio busca estabelecer “um piso mínimo de proteção 
ambiental, para além do qual devem rumar as futuras medidas normativas de tutela, impondo limites a impulsos 
revisionistas da legislaç~o”. 
OBS) CF permite alteraç~o e supress~o dos espaços territoriais especialmente protegidos, desde que por 
disciplina legal (225,§ 1º, III). 
 
Princípio do Progresso Ecológico (Canotilho) 
Necessidade de avançar e aprimorar a legislação ambiental. “Cl|usula de Progressividade” do Pacto 
Internacional de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais (art. 2º, 1). Finalidade de garantir a disponibilidade 
permanente e salubridade social. 
 
Princípio da Correção na Fonte (Canotilho) 
A poluição deve ser corrigida no local em que foi produzida. Ao poluidor cabe corrigir o dano, no local em que 
foi produzido, especialmente para que seja evitado o “turismo” da poluiç~o, ou seja, a migraç~o das 
consequências em dada |rea para outra até ent~o intacta. 
 
Princípio da Responsabilidade Social (ou Princípio do Equador) 
S~o critérios mínimos para a concessão de crédito, que asseguram que os projetos financiados sejam 
 
 
 
71 
 
desenvolvidos de forma socialmente e ambientalmente respons|vel. 
 
Princípio do Mínimo Existencial Ecológico (STJ) 
Por tr|s da garantia constitucional do mínimo existencial, subjaz a ideia de que a dignidade da pessoa humana 
está intrinsecamente relacionada à qualidade ambiental. Ao conferir dimens~o ecológica ao núcleo normativo, 
assenta a premissa de que n~o existe patamar mínimo de bem-estar sem respeito ao direito fundamental do 
meio ambiente sadio. 
 
#DEOLHONOEDITAL: 
RESPONSABILIDADE CIVIL POR DANO AMBIENTAL 
Tríplice responsabilidade em matéria ambiental: a responsabilização do poluidor, em decorrência de um único 
dano ambiental, pode ser penal, civil e administrativa (art. 225,§3º, da CF). 
Princípio 13 da Declaração do Rio: “os Estados deverão desenvolver a legislação nacional relativa à 
responsabilidade e à indenização referente às vítimas da contaminação e outros danos ambientais. Os Estados 
deverão cooperar de maneira inteligente e mais decidida no preparo de novas leis internacionais sobre 
responsabilidade e indenização pelos efeitos adversos dos danos ambientais causados pelas atividades realizadas 
dentro de sua jurisdição, ou sob seu controle, em zonas situadas fora de sua jurisdição”. 
Conceito legal de poluidor: a pessoa física ou jurídica, de direito público ou privado, responsável, diretamente ou 
indiretamente, por atividade causadora de degradação ambiental (Lei 6.938/1981). 
Degradação ambiental: expressão com acepção mais ampla que poluição, pois representa alteração adversa das 
características do meio ambiente, enquanto a poluição é a degradação da qualidade ambiental resultante de 
atividades que, direta ou indiretamente: a) prejudiquem a saúde, a segurança e o bem-estar da população; b) 
criem condições adversas às atividades sociais e econômicas; c) afetem desfavoravelmente a biota; d) afetem as 
condições estéticas ou sanitárias do meio ambiente; e) lancem matérias ou energia em desacordo com os 
padrões ambientais estabelecidos (Lei 6.938/1981). 
Poluição lícita e ilícita: A poluição poderá ser lícita ou ilícita. Ex: se uma pessoa desmata parte da vegetação de 
sua fazenda amparada por regular licenciamento ambiental, haverá uma poluição lícita, pois realizada dentro dos 
padrões de tolerância da legislação ambiental e com base em licença, o que exclui qualquer responsabilidade 
administrativa ou criminal do poluidor. Contudo, mesmo a poluição lícita não exclui a responsabilidade civil do 
poluidor na hipótese de geração de danos ambientais, pois a responsabilidade civil por danos ambientais não é 
sancionatória; mas sim, reparatória. 
Pessoa Jurídica de Direito Público como poluidora: a responsabilidade civil do Poder Público, em matéria 
ambiental, pode decorrer de atos omissos ou comissivos. No caso de omissão do ente estatal no dever de 
fiscalizar as atividades poluidoras, a responsabilidade é objetiva e solidária (Nesse sentido: STJ, REsp 1.071.741 e 
STJ, REsp 1.071.741-SP). Porém, a execução a responsabilização do Estado é subsidiária na hipótese de omissão 
de cumprimento adequado do seu dever de fiscalizar que foi determinante para a concretização ou o 
agravamento do dano causado pelo seu causador direto (STJ, REsp 1071741/SP). Intervenção de terceiros 
devedores solidários (denunciação à lide ou chamamento ao processo): é vedada a denunciação da lide ou o 
chamamento ao processo nos processos de reparação por danos ambientais, sendo necessário o ajuizamento de 
ação própria contra os codevedores ou responsáveis subsidiários (STJ, AgRg no Ag 1.213.458). 
 
 
 
72 
 
Inversão do ônus da prova: é possível a inversão do ônus da prova nas ações de reparação dos danos ambientais, 
com base no interesse público da reparação, no princípio da precaução, e nos art. 6º, VIII, da Lei 8.078/1990 c/c o 
art. 21 da Lei 7.347/1985 (STJ, REsp 972.902/RS). 
Desconsideração da personalidade jurídica: No campo do Direito Ambiental, aplica-se a teoria menor no caso de 
responsabilidade civil por dano ao meio ambiente (art. 4º da Lei 9.605/1998), ou seja, basta a mera prova de 
insolvência da pessoa jurídica para o pagamento de suas obrigações, independentemente da existência de 
desvio de finalidade ou de confusão patrimonial. 
Natureza objetiva da responsabilidade civil em matéria ambiental: em regra, no ordenamento jurídico pátrio, a 
responsabilidade civil é de cunho subjetivo, tendo por seu fundamento a culpa do causador de um dano (art. 186 
do CC/2002). No caso de dano ambiental, a responsabilidade civil é objetiva, conforme o art. 14, §1º, da Lei 
6938/1981, segundo o qual “[...] é o poluidor obrigado, independentemente da existência de culpa, a indenizar ou 
reparar os danos causados ao meio ambiente e a terceiros, afetados por sua atividade.”. 
Teoria do risco integral: prevalece na doutrina e na jurisprudência que a responsabilidade civil por dano 
ambiental é objetiva baseada na teoria do risco integral. Trata-se de uma responsabilidade civil extremada que 
não admite excludentes do nexo causal, como força maior, fato de terceiro ou culpa exclusiva da vítima, v.g. O 
fundamento da teoria do risco integral é que o poluidor deve assumir todos os riscos inerentes à atividade que 
pratica (STJ, REsp 598.281, Rel. Min. Teori Zavasscki). 
Solidariedade da responsabilidade civil ambiental: “No plano jurídico, o dano ambiental é marcado pela 
responsabilidade civil objetiva e solidária, que dá ensejo, no âmbito processual, a litisconsórcio facultativo entre os 
vários degradadores, diretos ou indiretos. Segundo a jurisprudência do STJ, no envilecimento do meio ambiente, a 
"responsabilidade (objetiva) é solidária" (REsp 604.725/PR, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJ 22.8.2005, 
p. 202), tratando-se de hipótese de "litisconsórcio facultativo" (REsp 884.150/MT, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira 
Turma, DJe 7.8.2008), pois, mesmo havendo "múltiplos agentes poluidores, não existe obrigatoriedade na formação 
do litisconsórcio", abrindo-se ao autor a possibilidade de "demandar de qualquer um deles, isoladamente ou em 
conjunto, pelo todo" (REsp 880.160/RJ, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 27.5.2010) [...]” 
(STJ, Resp 843978/SP, Rel. Min. HERMAN BENJAMIN, julgado em 21/09/2010). 
Imprescritibilidade: por envolver direito fundamental, a pretensão reparatória ambiental não prescreve (STJ, 
REsp 647.493/2007). 
Conceito de dano ambiental: prejuízo causado ao meio ambiente por uma ação ou omissão humana, que afeta 
de modo negativo o direito fundamental ao meio ambiente ecologicamente equilibrado e, por consequência, 
atinge, também de modo negativo, todas as pessoas, de maneira direta ou indireta. Em sentido amplo, o dano 
ambiental é aquele que afeta todas as modalidades de meio ambiente (natural, artificial, cultural e laboral), ao 
passo que o dano ambiental stricto sensu afeta os elementos bióticose/ou abióticos da natureza, sendo 
denominado puramente ecológico. 
Caráter punitivo da reparação civil por danos ambientais (punitive damages): não é possível conferir caráter 
punitivo à reparação por danos causados ao meio ambiente, pois a responsabilidade civil por danos ao meio 
ambiente prescinde de culpa e revestir a compensação de caráter punitivo propiciaria bis in idem, já que a 
punição imediata é incumbência específica do direito administrativo e penal (STJ, REsp 1.354.536-SE, julgado em 
26/03/2014). 
 
 
 
73 
 
Dano moral coletivo em matéria ambiental: é admissível o dano moral coletivo ambiental. O dano ao meio 
ambiente, por ser bem público, gera repercussão geral, impondo conscientização coletiva à sua reparação, a fim 
de resguardar o direito das futuras gerações a um meio ambiente ecologicamente equilibrado. O dano moral 
coletivo ambiental atinge direitos de personalidade do grupo massificado, sendo desnecessária a demonstração 
de que a coletividade sinta a dor, a repulsa, a indignação, tal qual fosse um indivíduo isolado (STJ, REsp 
1269494/MG). 
Obrigação propter rem: a obrigação de reparar o dano ambiental é propter rem, sendo o proprietário obrigado a 
reparar o dano ambiental em seu prédio rústico, mesmo que não o tenha causado (STJ, RESP 1251697). O Código 
Florestal também dispõe nesse mesmo sentido: “as obrigações previstas nesta Lei têm natureza real e são 
transmitidas ao sucessor, de qualquer natureza, no caso de transferência de domínio ou posse do imóvel rural” (art. 
2º,§2º, da Lei 12651/2012). 
Reparação in integrum: o princípio da reparação in integrum aplica-se ao dano ambiental. Com isso, a obrigação 
de recuperar o meio ambiente degradado é compatível com a indenização pecuniária por eventuais prejuízos, até 
sua restauração plena. Contudo, se quem degradou promoveu a restauração imediata e completa do bem 
lesado ao status quo ante, em regra, não se fala em indenização. Nas demandas ambientais, por força dos 
princípios do poluidor-pagador e da reparação in integrum, admite-se a condenação do réu, simultânea e 
agregadamente, em obrigação de fazer, não fazer e indenizar. Aí se encontra típica obrigação cumulativa ou 
conjuntiva. Assim, na interpretação dos arts. 4º, VII, e 14, § 1º, da Lei da Política Nacional do Meio Ambiente (Lei 
6.938/1981), e do art. 3º da Lei 7.347/1985, a conjunção "ou" opera com valor aditivo, não introduz alternativa 
excludente. A cumulação de obrigação de fazer, não fazer e pagar não configura bis in idem, porquanto a 
indenização, em vez de considerar lesão específica já ecologicamente restaurada ou a ser restaurada, põe o foco 
em parcela do dano que, embora causada pelo mesmo comportamento pretérito do agente, apresenta efeitos 
deletérios de cunho futuro, irreparável ou intangível. (STJ, RESP 1198727). 
Julgamento extra petita e demanda ambiental: em virtude do princípio do poluidor pagador, é lícito ao julgador 
determinar medida não requerida na petição inicial (STJ,REsp 967.375-RJ). 
- O particular que, por mais de vinte anos, manteve adequadamente, sem indício de maus-tratos, duas aves 
silvestres em ambiente doméstico, pode permanecer na posse dos animais. STJ. 2ª Turma. REsp 1.425.943-RN, 
Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 2/9/2014 (Info 550). 
 
DIREITO URBANÍSTICO10 
 
- A Constituição Federal de 1988, em seu art. 182, parágrafo segundo, assevera: “a propriedade urbana cumpre 
sua função social quando atende às exigências fundamentais de ordenação da cidade expressas no plano 
diretor”. 
- Por seu turno, o Estatuto da Cidade (Lei nº 10.257/01), prevê, em seu ar. 39, que “a propriedade urbana cumpre 
sua função social quando atende às exigências fundamentais de ordenação da cidade expressas no plano diretor, 
assegurando o atendimento das necessidades dos cidadãos quanto à qualidade de vida, à justiça social e ao 
desenvolvimento das atividades econômicas, respeitadas as diretrizes previstas no art. 2º desta lei”. 
 
10 Por Liana Schuler e Daniel Dutra. 
 
 
 
74 
 
- Do teor dos dispositivos legais supra declinados, conclui-se que o ordenamento jurídico brasileiro, ao traçar suas 
diretrizes para a política urbana, define como ponto essencial garantir o cumprimento da função social da 
propriedade, e aponta como instrumento fundamental para atingir esta meta o plano diretor, cujas exigências 
irão indicar como será exercido o direito individual de propriedade, dentro de um contexto que não inviabilize o 
acesso aos espaços habitáveis daquela expressiva maioria da população que nada tem. 
- Muito tem se falado, atualmente, sobre plano diretor, especialmente em razão da obrigatoriedade de sua 
aprovação definida pelo Estatuto da Cidade, em seu art. 41, incs. I e II, combinado com o seu art. 50, aos 
municípios que possuam mais de vinte mil habitantes, ou integrem aglomerações urbanos e regiões 
metropolitanas. Esta obrigação de aprovação do plano diretor, pelo mesmo diploma legal, deveria ser cumprida 
até o dia 09/10/2006, sob pena de serem impostas sanções ao gestor municipal que deixar de fazê-lo (o art. 52, 
inc. VII, do Estatuto da Cidade, define como ato de improbidade administrativa o descumprimento da obrigação 
de aprovação do plano diretor no prazo estipulado). 
- Há que se frisar, no entanto, que, a despeito do termo final expresso no art. 50, da Lei nº 10.257/01 se referir 
apenas às hipóteses de obrigatoriedade de aprovação do plano diretor previstas no art. 41, incs. I e II, do mesmo 
diploma legal (municípios com mais de vinte mil habitantes, ou integrantes de regiões metropolitanas e 
aglomerações urbanas que, à época da entrada em vigor do Estatuto da Cidade não possuíam plano diretor 
aprovado), a obrigatoriedade de elaboração deste instrumento se estende a todos os municípios que se 
enquadrem numa das hipóteses previstas nos demais incisos do art. 41, do Estatuto da Cidade. 
- O plano diretor é um instrumento de planejamento urbanístico, que tem por função sistematizar o 
desenvolvimento físico, econômico e social do território municipal, visando o bem-estar da comunidade local. De 
uma forma geral, o planejamento é um processo técnico destinado a transformar a realidade existente em 
direção a objetivos previamente estabelecidos. 
- Na visão de JOSÉ AFONSO DA SILVA, o planejamento possui fundamento constitucional, elencando ele como 
exemplo da obrigatoriedade de planejamento imposta pela Carta Magna os seguintes dispositivos 
constitucionais: 
a) art. 21, inc. IX, que reconhece a competência da União para elaborar e executar planos nacionais e 
regionais de ordenação do território e de desenvolvimento econômico e social; 
b) art. 174, § 1º, que inclui o planejamento entre os instrumentos de atuação do Estado no domínio 
econômico; 
c) arts. 30, inc. VIII, e 182, que atribuem aos Municípios competência para estabelecer o planejamento e os 
planos urbanísticos para o ordenamento de seu território. 
- O plano diretor estabelece objetivos a serem atingidos na ordenação do território municipal, as atividades a 
serem executadas e quem deve executá-las, fixando as diretrizes do desenvolvimento urbano do Município. 
- A existência do plano diretor é condição básica para o Município dispor sobre as limitações urbanísticas à 
propriedade urbana, determinar as obrigações de fazer ou não fazer de proprietário de imóvel urbano, e de 
estabelecer comportamentos visando ao cumprimento da função social da propriedade. 
- É, em suma, um instrumento através do qual o poder público municipal, agindo estritamente dentro de sua 
esfera de competência (art. 30, inc. VIII, e art. 182, § 1º, ambos da Constituição Federal),estabelece as regras para 
o adequado controle do uso, parcelamento e ocupação do solo urbano. 
 
 
 
75 
 
- Do ponto de vista físico, incumbe ao plano diretor ordenar a utilização do solo municipal, considerando o 
território do município como um todo (art. 40, § 2º, do Estatuto da Cidade). Isto significa que deve o 
planejamento municipal ser feito sobre o território global do município, tanto da área urbana quanto da rural, já 
que o crescimento da cidade sempre se dá em direção à zona rural. 
Fazer planejamento territorial é definir o melhor modo de ocupar o território de um município, prevendo os 
pontos onde se localizarão atividades, e todas as formas de uso do espaço, presentes e futuros. 
- Por ser integrante do processo de planejamento municipal, deverão o plano plurianual, as diretrizes 
orçamentárias e o orçamento anual incorporar as diretrizes e prioridades contidas no plano diretor (art. 40, § 1º, 
do Estatuto da Cidade). 
- Por sua vez, o art. 42, do Estatuto da Cidade, define o conteúdo mínimo do Plano Diretor, a saber: 
a) a delimitação da área sujeita ao parcelamento, edificação ou ocupação compulsórios, fixando-se prazos e 
condições previstos no art. 182, § 4º, da Constituição Federal, como forma de aproveitamento do solo não 
utilizado ou subutilizado; 
b) disposições acerca do exercício do direito de preempção pelo município. O direito de preempção vem a ser o 
direito de preferência, a favor do poder público municipal, na aquisição de um imóvel urbano, objeto de 
alienação entre particulares. O imóvel objeto de preferência deve integrar área delimitada no plano diretor, o 
qual também deverá fixar um prazo de vigência deste direito, não superior a cinco anos (art. 25, §§ 1º e 2º, da Lei 
nº 10.257/01). Trata-se de uma medida que visa racionalizar a atividade administrativa de desapropriação de 
imóveis para implantação de projetos habitacionais, equipamentos urbanos ou comunitários, ou demais 
finalidades elencadas no art. 26, do Estatuto da Cidade, reduzindo os custos de um procedimento expropriatório 
tradicional; 
c) disposições sobre outorga onerosa do direito de construir, instrumento previsto no art. 28, do Estatuto da 
Cidade. Cabe ao plano diretor da cidade fixar área onde o direito de construir possa exceder o chamado 
coeficiente de aproveitamento básico adotado, que é a relação estabelecida entre a área edificável e a área do 
terreno. Para que este direito de construir exceda o coeficiente de aproveitamento básico, deverá o 
empreendedor efetuar contrapartida financeira ao município. Este coeficiente de aproveitamento básico pode 
ser fixado, no plano diretor, de forma única para toda a região urbana, ou diferenciado para áreas específicas 
(art. 28, § 2º, do Estatuto da Cidade), atendendo às diferenças de infraestrutura básica existente em cada área do 
município. De qualquer sorte, deverá o plano definir os limites máximos de tal coeficiente (art. 28, § 3º, do 
Estatuto da Cidade). Relevante trazer { lume observaç~o de KIYOSHI HARADA, no sentido de que “o coeficiente 
básico não poderá ser fixado em limite tão baixo que conduza à subutilização do imóvel, pois isso seria retirar a 
função social, inerente ao direito de propriedade. Isso acontecendo, caracterizado estará o desvio legislativo e 
consequente nulidade da norma definidora desse coeficiente”; 
d) disposições sobre operações urbanas consorciadas (art. 32, do Estatuto da Cidade). Cabe ao plano diretor 
delimitar a área de aplicação destas operações, que vem a ser um conjunto de intervenções urbanas com 
participação de proprietários, moradores, usuários e investidores privados, sob coordenação do poder público 
municipal, para a realização de transformações urbanísticas estruturais que possam trazer melhorias sociais e 
valorização ambiental. Destinam-se a promover a recuperação de áreas deterioradas ou inadequadas diante das 
novas exigências da urbe moderna; 
 
 
 
76 
 
e) disposições sobre a transferência do direito de construir, instrumento este previsto no art. 35, do Estatuto da 
Cidade, através do qual se permite transferir o potencial construtivo de um imóvel, situado em determinado local 
da cidade, para outro imóvel, situado em outra localidade. Caberá ao plano diretor delimitar as áreas, dentro da 
política de zoneamento local, onde poderá incidir tal direito de transferência. Esta transferência não é feita 
aleatoriamente, pois seu exercício depende da previsão do plano diretor, além de prévia autorização legislativa 
(consoante determina o caput, do art. 35 e seu § 2º, do Estatuto da Cidade), a ser concedida exclusivamente para 
as hipóteses previstas nos três incisos do caput: I – implantação de equipamentos urbanos e comunitários para 
atender à demanda crescente; II – preservação de imóvel com valor histórico, ambiental, paisagístico, social ou 
cultural; III – para programas de regularização fundiária, urbanização de ocupações por população de baixa renda 
e habitação de interesse social. 
- No que concerne {s previsões definidas como “conteúdo mínimo” do plano diretor, h| que se considerar que 
nem sempre o município sentirá necessidade de se utilizar dos instrumentos jurídicos elencados no inc. II, do art. 
42, da Lei nº 10.257/01 (direito de preempção, operações urbanas consorciadas, etc.), especialmente se for ele de 
pequeno porte. No entanto, parece-nos que a determinação do Estatuto da Cidade é de ordem imperativa, sendo 
obrigatória a previsão da possibilidade da utilização de tais instrumentos quando da elaboração do plano, ao 
menos no que diz respeito à definição dos locais, dentro da política de zoneamento urbano, em que será viável 
sua aplicação, a qual poderá ser melhor explicitada, posteriormente, em lei municipal específica. 
O Estatuto da Cidade, em seu art. 40, § 4º, assevera que deverão ser garantidos no processo de elaboração do 
plano diretor e de fiscalização de sua implementação, a promoção de audiências públicas e debates com a 
participação da população e de associações representativas dos segmentos da comunidade, além da publicidade 
quanto aos documentos e informações produzidos. 
- Dispõe o art. 52, inc. VII, do Estatuto da Cidade, que incorrerá em improbidade administrativa o prefeito que não 
adotar as providências para garantir a revisão do plano diretor, a cada dez anos (prevista no art. 40, § 3º, do 
mesmo diploma legal), bem como não providenciar na elaboração e aprovação do plano diretor até 09/10/2006, 
no caso de municípios que ainda não o possuam e tenham obrigação de aprová-lo neste prazo por força do art. 
41, incs. I e II, da mesma lei (municípios com mais de 20.000 habitantes, ou que integrem regiões metropolitanas 
e aglomerações urbanas). 
#DEOLHONOEDITAL: 
- Usucapião especial de imóvel urbano: Previsto no art. 9º da Lei 10.257/2001 (Estatuto da Cidade): 
Art. 9º. Aquele que possuir como sua área ou edificação urbana de até duzentos e cinquenta metros quadrados, 
por cinco anos, ininterruptamente e sem oposição, utilizando-a para sua moradia ou de sua família, adquirir-lhe-á 
o domínio, desde que não seja proprietário de outro imóvel urbano ou rural. 
§ 1o O título de domínio será conferido ao homem ou à mulher, ou a ambos, independentemente do estado civil. 
§ 2o O direito de que trata este artigo não será reconhecido ao mesmo possuidor mais de uma vez. 
§ 3o Para os efeitos deste artigo, o herdeiro legítimo continua, de pleno direito, a posse de seu antecessor, desde 
que já resida no imóvel por ocasião da abertura da sucessão. 
- Esta modalidade de usucapião, por visar a aquisição de moradias, não pode ser exercida por pessoas jurídicas, 
mas apenas por pessoas físicas. Também em razão do cunho social,cada pessoa só será beneficiada uma única 
vez, evitando-se assim a concentração de imóveis pelo mesmo proprietário por meio desse instrumento. 
 
 
 
77 
 
#ATENÇÃO: A lei exige a destinação do imóvel para moradia, mas não impõe o uso exclusivo. Dessa maneira, o 
fim comercial de parte do imóvel não descaracteriza a usucapião, desde que, preponderantemente, o bem seja 
usado como residência. 
- A lei exige o animus domini do ocupante, que deve exercer sobre o bem as mesmas faculdades do proprietário. 
Por tal razão, não se aplica este instituto aos locatários que, na vigência do contrato, exercem posse ad 
interdicta, sem ânimo de dono do bem. 
- Sucessio possesssionis: o §3º prevê a transferência da posse causa mortis. Para que ocorra a continuidade no 
cômputo do prazo, é preciso que o herdeiro já resida no local na época do óbito, não bastando, nesse caso, a 
posse decorrente da saisine. 
- No caso de haver mais de um herdeiro, e nem todos habitarem o imóvel, a doutrina admite o aproveitamento da 
posse de um para os demais, de modo a considerar a posse exercida pelo autor da herança. 
- Objeto da usucapião: o limite legal de metragem abrange o terreno e a construção. A área urbana, assim 
considerada, é a definida em lei municipal, como previsto no Estatuto da Cidade. 
- Outros requisitos para a aquisição da propriedade: O prazo de 5 (cinco) anos não começa a contar a partir do 
advento da Lei 10.257/2001, mas do texto constitucional, documento que primeiro previu essa modalidade de 
usucapião. 
- ATENÇÃO!! Vale ressaltar que a Lei 10.257/2001, diferentemente do Código Civil, não exige justo título, nem 
boa-fé do adquirente para configurar a usucapião. 
 
Norma 
legal 
Sujeito 
ativo 
Finalidade Possibilidades Sucessão de 
posses 
Requisitos 
Lei 
10.257/01 
Pessoa 
física 
Moradia Apenas uma vez Apenas se 
morar no bem 
Apenas o animus domini 
por 5 anos. 
Código 
Civil 
Pessoa 
física e 
jurídica 
Sem definição Sem limite de vezes Art. 1243, CC Título, boa-fé, animus 
domini no prazo legal. 
- Usucapião especial coletiva urbana: A usucapião especial coletiva urbana está previsto no art. 10 do Estatuto 
das Cidades, nos seguintes termos: 
Art. 10. As áreas urbanas com mais de duzentos e cinquenta metros quadrados, ocupadas por população de baixa 
renda para sua moradia, por cinco anos, ininterruptamente e sem oposição, onde não for possível identificar os 
terrenos ocupados por cada possuidor, são susceptíveis de serem usucapidas coletivamente, desde que os 
possuidores não sejam proprietários de outro imóvel urbano ou rural. 
§ 1o O possuidor pode, para o fim de contar o prazo exigido por este artigo, acrescentar sua posse à de seu 
antecessor, contanto que ambas sejam contínuas. 
§ 2o A usucapião especial coletiva de imóvel urbano será declarada pelo juiz, mediante sentença, a qual servirá de 
título para registro no cartório de registro de imóveis. 
§ 3o Na sentença, o juiz atribuirá igual fração ideal de terreno a cada possuidor, independentemente da dimensão 
do terreno que cada um ocupe, salvo hipótese de acordo escrito entre os condôminos, estabelecendo frações 
ideais diferenciadas. 
 
 
 
78 
 
§ 4o O condomínio especial constituído é indivisível, não sendo passível de extinção, salvo deliberação favorável 
tomada por, no mínimo, dois terços dos condôminos, no caso de execução de urbanização posterior à 
constituição do condomínio. 
§ 5o As deliberações relativas à administração do condomínio especial serão tomadas por maioria de votos dos 
condôminos presentes, obrigando também os demais, discordantes ou ausentes. 
 
- Este instrumento tem como fim principal as favelas/comunidades e invasões que surgem desordenadamente, 
sendo uma ocupação indistinta das pessoas que vivem no local. 
- Discute-se na doutrina a constitucionalidade da forma coletiva da usucapião, considerando que a CF/88 previu 
apenas a modalidade individual. No entanto, há que se considerar que a usucapião é forma de aquisição da 
propriedade e, sendo matéria de Direito Civil, dispensa assento constitucional, bastando, para sua legalidade a 
previsão na legislação federal pertinente. 
 
- Requisitos: A doutrina aponta como requisitos dessa forma de usucapião: 
a) terreno COM MAIS de duzentos e cinquenta metros quadrados; 
b) ocupado por POPULAÇÃO DE BAIXA RENDA para sua moradia; 
c) por 5 CINCO anos, ininterruptamente; 
d) SEM oposição; 
e) onde NÃO for possível identificar os terrenos ocupados por cada possuidor; 
d) que os possuidores NÃO sejam proprietários de outro imóvel urbano ou rural. 
#ATENÇÃO: Nota-se assim, que esta espécie de usucapião dispensa inclusive o JUSTO TÍTULO e a BOA-FÉ do 
possuidor. 
- Accessio possessionis: distintamente da forma individual, a lei permite a soma de posses entre pessoas vivas, 
desde que estas sejam contínuas. 
- Criação de condomínio: o juiz, ao reconhecer a usucapião, criará um condomínio entre os ocupantes da área. A 
indivisibilidade do condomínio decorre da natureza da ocupação, que não autoriza a identificação da posse 
exercida por cada um. Sua extinção só será possível após a urbanização, quando destacável cada propriedade e 
mediante a aprovação de 2/3 (dois terços) dos condôminos. As deliberações se darão por maioria simples. Por 
falta de previsão legal, não se aplica aqui o direito de preferência entre os condôminos, previsto no art. 1.322 do 
Código Civil. 
 
Art. 11. Na pendência da ação de usucapião especial urbana, ficarão sobrestadas quaisquer outras ações, 
petitórias ou possessórias, que venham a ser propostas relativamente ao imóvel usucapiendo. 
Art. 12. São partes legítimas para a propositura da ação de usucapião especial urbana: 
I – o possuidor, isoladamente ou em litisconsórcio originário ou superveniente; 
II – os possuidores, em estado de composse; 
III – como substituto processual, a associação de moradores da comunidade, regularmente constituída, com 
personalidade jurídica, desde que explicitamente autorizada pelos representados. 
§ 1o Na ação de usucapião especial urbana é obrigatória a intervenção do Ministério Público. 
 
 
 
79 
 
§ 2o O autor terá os benefícios da justiça e da assistência judiciária gratuita, inclusive perante o cartório de registro 
de imóveis. 
Art. 13. A usucapião especial de imóvel urbano poderá ser invocada como matéria de defesa, valendo a sentença 
que a reconhecer como título para registro no cartório de registro de imóveis. 
Art. 14. Na ação judicial de usucapião especial de imóvel urbano, o rito processual a ser observado é o sumário. 
PARCELAMENTO E EDIFICAÇÃO COMPULSÓRIOS: 
(a) Definição: 
É um modo de intervenção na propriedade privada, previsto no Estatuto da Cidade como instrumento de política 
urbana, destinado a solo urbano não edificado, subutilizado ou não utilizado, pois que há descumprimento de 
sua função social. 
(b) Qual o procedimento para determinar o parcelamento e edificação compulsórios? 
É necessária lei municipal específica para área incluída no plano diretor e notificação ao proprietário averbada no 
cartório de registro de imóveis. 
Observa-se que não é válida previsão genérica. É necessária a existência de plano diretor (ele próprio uma lei 
municipal) e da edição de uma lei específica para cada caso, prevendo a instituição da obrigação em uma 
determinada área constante do plano diretor. 
(c) Quais os prazos para o cumprimento da obrigação? 
A lei municipal específica deverá fixar os prazos de cumprimento, que não poderão ser inferior a: 
- um ano, a partir da notificação, para que seja protocoladoo projeto no órgão municipal competente; 
- dois anos, a partir da aprovação do projeto, para iniciar as obras do empreendimento. 
(d) Quais as consequências da transmissão do imóvel após a notificação? 
Seja transmissão por ato inter vivo seja por causa mortis, as obrigações de parcelamento e edificação são 
transferidas, sem interrupção em quaisquer dos prazos. 
- O Estatuto da Metrópole foi editado para cumprir determinação da CF/88, presente nos seguintes dispositivos: 
Art. 21. Compete à União: 
XX - instituir diretrizes para o desenvolvimento urbano, inclusive habitação, saneamento básico e transportes 
urbanos; 
Art. 23. É competência comum da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios: 
IX - promover programas de construção de moradias e a melhoria das condições habitacionais e de saneamento 
básico; 
Art. 24. Compete à União, aos Estados e ao Distrito Federal legislar concorrentemente sobre: 
 
 
 
80 
 
I - direito tributário, financeiro, penitenciário, econômico e urbanístico; 
Art. 182. A política de desenvolvimento urbano, executada pelo Poder Público municipal, conforme diretrizes gerais 
fixadas em lei, tem por objetivo ordenar o pleno desenvolvimento das funções sociais da cidade e garantir o bem-
estar de seus habitantes. 
 
ESTATUTO DA CIDADE ESTATUTO DA METRÓPOLE 
Estabelece normas para regular o uso da 
propriedade urbana em prol do bem coletivo, da 
segurança, do bem-estar dos cidadãos e do 
equilíbrio ambiental. 
Estabelece normas gerais para regular as funções 
públicas de interesse comum que são realizadas nas 
regiões metropolitanas e em aglomerações urbanas 
instituídas pelos Estados. 
 
AGLOMERAÇÃO URBANA REGIÃO METROPOLITANA 
Aglomeração urbana é o agrupamento de dois ou 
mais Municípios limítrofes (“fazem fronteira”), que 
possuem entre si uma relação de 
complementaridade funcional, estando integrados 
(ligados) por vínculos geográficos, ambientais, 
políticos e socioeconômicos. 
A região metropolitana é uma aglomeração urbana 
que configure uma metrópole. 
Metrópole, por sua vez, é o espaço urbano que, em 
razão de sua população e de sua relevância política e 
socioeconômica, tem influência nacional ou pelo 
menos em uma região que abranja uma capital 
regional, conforme critérios do IBGE divulgados na 
internet. 
 
Em suma: aglomeração urbana é o conjunto de dois 
ou mais Municípios que mantêm estreitas relações 
entre si. 
Em suma: região metropolitana é uma aglomeração 
urbana com influência nacional ou regional, a ponto de 
se transformar em uma metrópole. 
 
- É possível que seja instituída uma região metropolitana ou aglomeração urbana envolvendo Municípios 
pertencentes a Estados-membros diferentes? 
SIM. A instituição de região metropolitana ou de aglomeração urbana poderá englobar Municípios pertencentes 
a mais de um Estado. No entanto, neste caso, deverão ser aprovadas leis complementares pelas assembleias 
legislativas de cada um dos Estados envolvidos. 
Até a aprovação das leis complementares por todos os Estados envolvidos, a região metropolitana ou a 
aglomeração urbana terá validade apenas para os Municípios dos Estados que já houverem aprovado a 
respectiva lei (art. 4º, caput e parágrafo único). 
 
- O plano de desenvolvimento urbano integrado é um instrumento (documento) no qual são definidas as 
diretrizes para o desenvolvimento urbano da região metropolitana ou da aglomeração urbana. 
- Todas as regiões metropolitanas e as aglomerações urbanas deverão possuir um plano de desenvolvimento 
urbano integrado, que deverá ser aprovado mediante lei estadual. 
- O plano de desenvolvimento urbano integrado deverá ser elaborado no âmbito da estrutura de governança 
interfederativa e aprovado pela instância colegiada deliberativa antes de ser enviado à assembleia legislativa. 
 
 
 
81 
 
- O Ministério Público deverá acompanhar o processo de elaboração do plano, além de fiscalizar a sua efetiva 
aplicação. 
 
#ATENÇÃO: Art. 21. Incorre em improbidade administrativa, nos termos da Lei n. 8.429, de 2 de junho de 1992: 
I – o governador ou agente público que atue na estrutura de governança interfederativa que deixar de tomar as 
providências necessárias para: 
a) garantir o cumprimento do disposto no caput do art. 10 desta Lei, no prazo de 3 (três) anos da instituição da 
região metropolitana ou da aglomeração urbana mediante lei complementar estadual; 
b) elaborar e aprovar, no prazo de 3 (três) anos, o plano de desenvolvimento urbano integrado das regiões 
metropolitanas ou das aglomerações urbanas instituídas até a data de entrada em vigor desta Lei mediante lei 
complementar estadual; 
II – o prefeito que deixar de tomar as providências necessárias para garantir o cumprimento do disposto no § 3º 
do art. 10 desta Lei, no prazo de 3 (três) anos da aprovação do plano de desenvolvimento integrado mediante lei 
estadual. 
 
- A União apoiará as iniciativas dos Estados e dos Municípios voltadas à governança interfederativa. A Lei afirma 
que, para que a União apoie a região metropolitana ou a aglomeração urbana, será exigido que essa região ou 
aglomeração possua gestão plena. 
- Diz-se que a região metropolitana ou a aglomeração urbana possui gestão plena quando ela atende aos 
seguintes requisitos: 
a) está formalizada e delimitada mediante lei complementar estadual; 
b) possui estrutura de governança interfederativa própria, nos termos do Estatuto da Metrópole; e 
c) já aprovou plano de desenvolvimento urbano integrado mediante lei estadual. 
 
PATRIMÔNIO CULTURAL BRASILEIRO 
 
Art. 216. Constituem patrimônio cultural brasileiro os bens de natureza material e imaterial, tomados 
individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação, à memória dos diferentes grupos 
formadores da sociedade brasileira, nos quais se incluem: 
 
I - as formas de expressão; 
II - os modos de criar, fazer e viver; 
III - as criações científicas, artísticas e tecnológicas; 
IV - as obras, objetos, documentos, edificações e demais espaços destinados às manifestações artístico-
culturais; 
 V - os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico, paleontológico, 
ecológico e científico. 
 
 
 
 
82 
 
§ 1º O Poder Público, com a colaboração da comunidade, promoverá e protegerá o patrimônio cultural brasileiro, 
por meio de inventários, registros, vigilância, tombamento e desapropriação, e de outras formas de 
acautelamento e preservação. 
 
§ 2º Cabem à administração pública, na forma da lei, a gestão da documentação governamental e as providências 
para franquear sua consulta a quantos dela necessitem. 
 
§ 3º A lei estabelecerá incentivos para a produção e o conhecimento de bens e valores culturais. 
 
§ 4º Os danos e ameaças ao patrimônio cultural serão punidos, na forma da lei. 
 
§ 5º - Ficam tombados todos os documentos e os sítios detentores de reminiscências históricas dos antigos 
quilombos. 
 
#DEOLHONOEDITAL: a Constituição optou por não tombar sítios paleontológicos, conforme mencionado no 
Concurso LIII do MPMG. 
 
§ 6º - É FACULTADO aos Estados e ao Distrito Federal vincular a fundo estadual de fomento à cultura até CINCO 
DÉCIMOS POR CENTO de sua receita tributária líquida, para o financiamento de programas e projetos culturais, 
vedada a aplicação desses recursos no pagamento de: 
I - despesas com pessoal e encargos sociais; 
II - serviço da dívida; 
III - qualquer outra despesa corrente não vinculada diretamente aos investimentos ou ações apoiadas.DIREITO PROCESSUAL COLETIVO11 
 
DIREITO PROCESSUAL COLETIVO: 
- É um ramo autônomo, tem regras e princípios próprios. Contudo, o NCPC será aplicado de forma residual. 
 
Aspecto formal do processo coletivo: 
- É a sistematização das normas e dos princípios do processo coletivo em leis esparsas, gerando o que se chama 
de “policentrismo” do ordenamento jurídico (normas n~o condensadas em um único corpo legislativo). 
- Desse policentrismo surge o sistema de vasos comunicantes e normas de reenvio. As leis e normas se 
comunicam entre si, regulamentando diversos aspectos do processo coletivo. É a ideia de diálogo de fontes. 
 
11 Por Liana Schuler 
 
 
 
83 
 
- Normas de reenvio: determinada norma remete a aplicação de outra e esta, por sua vez, faz a remessa de volta. 
Exemplo: art. 21, LACP e art. 90, CDC. 
 
Leis esparsas -> Policentrismo -> Sistema de vasos comunicantes -> Normas de reenvio. 
 
- Microssistema: é a sistematização das normas e dos princípios da tutela coletiva. Para grande parte da doutrina 
existem 2 microssistemas, um para o processo coletivo especial, outro para o processo coletivo comum. Esses 
dois sistemas não se comunicam. 
 
Aspecto material do direito coletivo: 
- Diz respeito à tutela jurisdicional, que pode ser analisada: 
a) em abstrato: exercida com instrumento potencializado de proteção do Estado Democrático de Direito, tendo 
como finalidade tutela a higidez do direito objetivo. Trabalha-se aqui com o processo coletivo especial (ações de 
controle: ADI ADPF, ADO). 
b) em concreto: exercida como instrumento potencializado de efetivação material do Estado Democrático de 
Direito, tendo como finalidade a tutela da higidez do direito subjetivo. Trabalha-se aqui com o processo coletivo 
comum. Ex: ACP, AP, MS coletivo, ação de impugnação de mandato eletivo, AIA, habeas data, habeas corpus. 
 
Objeto material da tutela coletiva 
- São os interesses transindividuais, metaindividuais ou coletivos em sentido amplo. Não há empecilho para que 
os 3 interesses sejam verificados na mesma demanda. 
 
- Intensa conflituosidade entre os interesses transindividuais: em um mesmo caso concreto os interesses 
transindividuais podem conflitar entre si. Isso é comum na análise da tutela coletiva. Ex: A organização de uma 
micareta na cidade de Ouro Preto poderia causar prejuízo ao patrimônio histórico cultural. Por outro lado, 
haveria interesse econômico do município em arrecadar (fonte de receita para tutelar esse patrimônio público). 
Como solucionar? Utilizar o critério da ponderação. 
 
- Os interesses transindividuais podem ser tripartidos em dois grandes grupos: 
1) Interesses essencialmente coletivos 
2) Interesses acidentalmente coletivos 
 
INTERESSES ESSENCIALMENTE COLETIVOS 
 
 
 
84 
 
DIREITOS DIFUSOS 
#DEOLHONOEDITAL 
- Fundamentação: art. 81, p.ú., I c/c art. 103, I, CDC 
- Sujeitos: de acordo com a lei, os sujeitos são indeterminados. A doutrina sustenta que os sujeitos são 
indetermináveis, porque não é possível determinar o titular do interesse, seja no plano abstrato, seja no plano 
concreto. Não pode identificá-los em momento algum. 
- Vinculo: subjetivo. De acordo com a lei são as circunstancias de fato. Não confundir com fato comum, pois esse 
último é fato determinado, individualizado. Exemplo de circunstancia de fato: residir no mesmo local, adquirir o 
mesmo produto, ter utilizado o mesmo serviço. Não existe vinculo jurídico. 
- Alteração da titularidade: é absolutamente informal. Exemplo: um turista que passa 10 dias no país é titular do 
direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado. Não tem como ter controle sob essa titularidade. 
- Indisponível: insuscetível de acordo, transação, conciliação, mediação, negócio jurídico processual. 
- (In)divisibilidade: a indivisibilidade se dá no prisma material. É insuscetível de apropriação individual. Isso não 
impede que a tutela jurisdicional seja concedida de forma divisível. 
#DEOLHONASÚMULA: a entidade de classe tem legitimação para o MS ainda quando a pretensão veiculada 
interesse apenas a uma parte da respectiva categoria (Súmula 630/STF). 
- Intransmissibilidade: o interesse é intransmissível. 
- Mutação no pólo ativo: é a alteração subjetiva da demanda, no tocante a parte em sentido material, que é 
aquele que titulariza o direito material posto em juízo. A mutação é absolutamente informal, pois o legitimado 
coletivo (parte em sentido formal) não está jungido a informar ao órgão jurisdicional toda e qualquer alteração 
subjetiva na titularidade. 
- Legitimidade ativa ad causam: para a maioria da doutrina essa legitimidade é extraordinária (art. 18, NCPC). 
Outra parte da doutrina afirma se tratar de uma legitimação autônoma para condução do processo. 
- Regime jurídico da imutabilidade: o regime é condicionado ao resultado da instrução probatória - mutabilidade 
secundum eventum probationem. Se o resultado do processo for improcedência por insuficiência de provas, 
apesar de ser sentença de mérito, não terá o condão de formar coisa julgada material. 
 
Art. 103. Nas ações coletivas de que trata este código, a sentença fará coisa julgada: 
I - erga omnes, exceto se o pedido for julgado improcedente por insuficiência de provas, hipótese em que 
qualquer legitimado poderá intentar outra ação, com idêntico fundamento valendo-se de nova prova, na 
hipótese do inciso I do parágrafo único do art. 81; 
 
 
 
 
85 
 
- Eficácia subjetiva da coisa julgada: é o limite subjetivo da coisa julgada. Há uma eficácia erga omnes, que 
ultrapasse os limites formais da demanda para atingir todos de forma indistinta (art. 103, I, CDC; art. 18, LAP; art. 
16, LACP; art. 2-A, Lei 9494/97). 
#OLHAOGANCHO: cuidado com o problema da limitação territorial. Os art. 16, LACP e 2-A, Lei 9494/97, fixaram 
uma limitação territorial para essa eficácia erga omnes, circunscrita à própria competência do órgão prolator. 
 
#JURISSAINDODOFORNO: Em outubro de 2016, após muitas discussões, o STJ resolveu afastar a limitação 
territorial do art. 16 a fim de estender a eficácia do acórdão a todos os consumidores que se encontrarem na 
situação prevista (EREsp 1.134.957). 
De acordo com a Ministra Nancy Andrighi, o art. 16, LACP tratou da eficácia da coisa julgada, tendo sido silente 
em relação aos efeitos da decisão. Por essa razão, o referido dispositivo não pode limitar territorialmente os 
efeitos da decisão, já que esse se estende a todos. Não se pode confundir eficácia da sentença com coisa 
julgada. 
Em resumo: o que o legislador logrou êxito em fazer foi definir que a sentença não poderá ser questionada em 
nenhuma demanda futura a ser decidida dentro da mesma base territorial mencionada na lei. 
 
DIREITOS COLETIVOS EM SENTIDO ESTRITO 
#DEOLHONOEDITAL 
Fundamentação: art. 81, p.ú., II c/c 103, II, CDC e art. 21, p.ú., Lei do Mandado de Segurança. 
(In) divisibilidade: são na essência indivisíveis, ou seja, insuscetíveis da apropriação individual. 
- Titularidade: sujeitos indeterminados. Essa indeterminação cinge-se ao plano abstrato, pois esses sujeitos no 
plano concreto são determináveis. 
- Vínculo: jurídico, pois ostentam a mesma relação jurídica base. Isso significa que esses sujeitos fazem parte de 
um mesmo grupo, categoria ou classe. Ex: servidores públicos, advogados públicos ou privados, adquirentes de 
um consórcio. 
- Tudo que foi visto em relação ao aspecto material do interesse difuso se aplica aos direitos coletivos em sentido 
estrito: a indivisibilidade, intransmissibilidade e indisponibilidade. 
OBS: intransmissibilidadee extinção do processo (art. 485 – o juiz extinguirá o processo no caso de morte da 
parte, se a ação for intransmissível). Essa solução não se aplica na tutela coletiva, pois a parte não é titular do 
interesse coletivo em sentido estrito, uma vez que este é insuscetível de apropriação individual. 
- Tudo que foi visto em relação ao aspecto processual do interesse difuso se aplica aos direitos coletivos em 
sentido estrito: mutação do pólo ativo, legitimidade ativa ad causam, regime jurídico da imutabilidade e eficácia 
subjetiva da coisa julgada. 
 
PECULIARIDADES: 
 
 
 
86 
 
a) Mutação no pólo ativo: é relativamente formal. No plano abstrato, a titularidade do direito coletivo em 
sentido estrito pertence a sujeitos indeterminados. Ex: servidores públicos do executivo. Abstratamente não 
se sabe quem são (não há como individualizá-los a priori), mas sabe-se que existe essa categoria. É possível 
pedir individualizá-los no plano concreto. Qualquer modificação na titularidade ativa não precisará, a priori ser, 
formalizada nos autos, mas em determinadas etapas do procedimento será imprescindível essa formalização, 
como ocorre na liquidação e na execução. 
 b) Eficácia subjetiva da imutabilidade: art. 103, II, CDC. É uma eficácia ultra partes. A sentença coletiva de 
procedência ultrapassará os limites subjetivos formais da demanda para atingir a parte material. 
Art. 103. Nas ações coletivas de que trata este código, a sentença fará coisa julgada: 
II - ultra partes, mas limitadamente ao grupo, categoria ou classe, salvo improcedência por insuficiência de 
provas, nos termos do inciso anterior, quando se tratar da hipótese prevista no inciso II do parágrafo único do 
art. 81; 
 
 
INTERESSES ACIDENTALMENTE COLETIVOS 
DIREITOS INDIVIDUAIS HOMOGÊNEOS 
#DEOLHONOEDITAL 
Fundamentação: art. 81, p.ú., II c/c 103, III, CDC e art. 21, p.ú., II, LMS. 
- São na essência direitos meramente individuais, mas tutelados de forma coletiva para evitar a multiplicação de 
demandas versando sobre o mesmo fato comum a todos. 
#OLHAOTERMO: 
 
Atomização dos litígios: atomização é a pulverização de demandas que versam sobre a mesma questão de 
direito ou a mesma questão de fato. Isso pode acabar violando a segurança jurídica. 
 
Molecularização dos litígios: busca solucionar o problema da pulverização e dispersão dos precedentes ao 
converter as demandas pulverizadas em uma única demanda (ação coletiva). 
 
- Titularidade: sujeitos determinados. Há como individualizar os membros da coletividade. 
- Vínculo: fático. O que liga os sujeitos é um fato de origem comum. A relação entre esses sujeitos é uma relação 
ex post factum. 
- Alteração da titularidade: considerando que os membros fazem parte de uma coletividade definida, a alteração 
da titularidade é facilmente identificada e deve ser formalizada nos autos. 
- (In)divisibilidade: os interesses individuais homogêneos são divisíveis e, portanto, suscetíveis de apropriação 
individual. 
 
 
 
87 
 
OBS: prevalece que a intervenção individual em ação coletiva, prevista no art. 94, CDC, somente será possível no 
bojo de ação acidentalmente coletiva (direitos individuais homogêneos). 
Essa intervenção traz uma consequência processual: sem intervenção, o indivíduo somente será atingindo pelo 
resultado benéfico (transporte in utilibus da coisa julgada coletiva). Com a intervenção, ele será atingindo por 
qualquer resultado, seja benéfico ou prejudicial. Nesse último caso, a imutabilidade passa a ser pro et contra, ou 
seja, imutabilidade incondicionada. 
- Transmissibilidade: é possível sucessão processual inter vivos ou mortis causa (art. 108, 109 e 110, NCPC). 
- (In)disponibilidade: como regra, são disponíveis. 
- Interesses individuais homogêneos e legitimidade do Ministério Público: em certa época a doutrina divergia se o 
MP poderia tutelar interesse individual homogêneo. Hoje discute-se qual desses interesses pode o MP tutelar. 
Hoje prevalece que o MP tem legitimidade para a tutela coletiva de interesses individuais homogêneos quando 
esses forem indisponíveis com relevância social Exemplo: criança, adolescente, idoso e portador de deficiência 
física (vagas em creche, obtenção de prótese, instituição de acolhimento). 
 
#CUIDADOPARANÃOESCORREGAR: ação civil pública não significa necessariamente ação coletiva! Trata-se de 
qualquer ação de cunho cível, podendo ser no plano coletivo ou individual, sendo que nesse último caso, o 
direito deve ser indisponível. 
 
- Mutação no pólo ativo: é absolutamente formal, ou seja, tem que formalizar nos autos a alteração, pois os 
sujeitos que titularizam os interesses são determinados. 
- Legitimidade: Para a maioria trata-se de uma legitimidade extraordinária. 
- Eficácia subjetiva da sentença coletiva de procedência (limite subjetiva da coisa julgada ou plano subjetiva da 
imutabilidade): eficácia erga omnes (art. 103, III, CDC). Nos interesses individuais homogêneos a eficácia subjetiva 
só deve atingir a esfera subjetiva das vítimas do evento. Portanto, alguns sustentam que a nomenclatura mais 
adequada é erga victmae. 
- Regime jurídico da imutabilidade (limite objetivo da coisa julgada ou plano objetivo da imutabilidade): o regime 
é condicionado ao resultado da lide (secundum eventum litis). A ideia do eventum litis é condicionar a 
imutabilidade ao resultado da demanda. 
 
Art. 103. Nas ações coletivas de que trata este código, a sentença fará coisa julgada: 
III - erga omnes, apenas no caso de procedência do pedido, para beneficiar todas as vítimas e seus sucessores, na 
hipótese do inciso III do parágrafo único do art. 81. 
 
#DEOLHONAJURISPRUDÊNCIA: 
Após o trânsito em julgado de decisão que julga improcedente ação coletiva proposta em defesa de direitos 
 
 
 
88 
 
individuais homogêneos, independentemente do motivo que tenha fundamentado a rejeição do pedido, não é 
possível a propositura de nova demanda com o mesmo objeto por outro legitimado coletivo, ainda que em 
outro Estado da federação. STJ. 2ª Seção. REsp 1.302.596-SP, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, Rel. para 
acórdão Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 9/12/2015 (Info 575). 
A eficácia das decisões proferidas em ações civis públicas coletivas NÃO deve ficar limitada ao território da 
competência do órgão jurisdicional que prolatou a decisão. STJ. Corte Especial. EREsp 1134957/SP, Rel. Min. 
Laurita Vaz, julgado em 24/10/2016 (não divulgado em Informativo). 
Fonte: Dizer o Direito. 
 
QUADRO COMPARATIVO 
 
 ESSENCIALMENTE COLETIVOS ACIDENTALMENTE 
COLETIVOS 
 
ESPÉCIES 
Direitos difusos e coletivos em sentido 
amplo. 
Direitos individuais homogêneos 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CARACTERÍST
ICAS 
Caracterizam pela sua Indisponibilidade e 
Indivisibilidade. 
 
Difusos: decorrem das mesmas 
CIRCUNTÂNCIAS DE FATO e são 
indetermináveis. Exemplo: meio ambiente, 
patrimônio público, moralidade 
administrativa. 
Coletivos: decorrem da mesma RELAÇÃO 
JURÍDICA e são considerados 
determináveis, ainda que não 
determinados. Exemplos: mensalidade 
escolar, mensalidade do plano de saúde. 
 
Caracterizam-se pela Divisibilidade, 
Disponibilidade e Determinabilidade (DDD) do 
direito. É um direito individual, mas em razão 
do grande número de titulares desses 
interesses, eles acabam sendo 
homogeneizados. 
 
São direitos de ORIGEM COMUM. Exemplo: 
danos morais devidos às vítimas de um 
acidente de consumo. 
 
 
 
89 
 
 
 
 
ORIGEM 
HISTÓRICA 
 
Os direitosdifusos e coletivos em sentido estrito têm origem na própria essência coletiva do 
direito, que impede a sua tutela individualizada. Os individuais homogêneos, por seu turno, 
têm origem nas class action for damages do ordenamento norte-americano. Diante da 
chamada molecularização dos conflitos, em nome da segurança jurídica, da economicidade e 
do acesso à justiça, passa-se a pensar o processo de forma coletiva. Fazer link mental com a 
denominada “2a Onda renovatória”. 
 
 
#OLHAOGANCHO #DEOLHONOEDITAL: Ondas renovatórias (Mauro Cappelletti). 
1ª Onda: tutela dos necessitados 
2ª Onda: coletivização do processo 
3ª Onda: efetividade do processo 
 
DIFERENCIAÇÃO ENTRE AÇÕES REPETITIVAS E AÇÕES COLETIVAS 
 
- Fato comum (questão de fato): se várias pessoas entram com ações sobre o mesmo fato (interesse individual 
homogêneo), não se pode afirmar que são ações repetitivas. Fato comum não enseja tecnicamente ações 
repetitivas, mas podem gerar ações conexas, continentes ou até idênticas, permitindo o ajuizamento de ações 
coletivas para tutela de interesses individuais homogêneos. 
- Tese jurídica comum (questão de direito) – Gera tecnicamente ações repetitivas. O IRDR é um exemplo de 
ações repetitivas. 
 
#OLHAOGANCHO: LITÍGIO POSSESSÓRIO COLETIVO (art. 565, caput e p. 2, NCPC) 
Nos casos em que uma coletividade litiga pela posse de determinado imóvel, pode haver a chamado 
litisconsórcio multitudinário, que não é ação coletiva. 
Nas ações possessórias propostas em face de uma coletividade, que estará no pólo passivo, deve haver a 
intimação do MP e DP (essa última, só nos casos de hipossuficientes). É um exemplo prático da possibilidade 
da AÇÃO COLETIVA PASSIVA (#OLHAOTERMO) 
 
 
 
#SAIBADIFERENCIAR: 
 
 
 
 
90 
 
1) Ações coletivas: 
- Ação essencialmente coletiva ou em sentido amplo: é aquela que tutela direitos difusos ou coletivos em 
sentido estrito (tutela de direitos coletivos); 
- Ação acidentalmente coletiva ou pseudocoletiva: é aquela que tutela direitos individuais homogêneos (tutela 
coletiva de direitos). O direito material é individual, mas a ação é coletiva. 
 
2) Ações individuais: 
- Ação meramente individual: tutela interesse individual com repercussão exclusivamente individual. Veiculam 
pretensões meramente individuais baseadas em um direito subjetivo com repercussão adstrita às partes. Ex: 
ação de cobrança entre credor e devedor; 
- Ação individual com efeitos coletivos: é uma ação meramente individual com base em direito meramente 
individual, mas o resultado do processo pode repercutir na esfera da coletividade. Ex: ação de dano infecto 
baseado em direito de vizinhança. Se for julgada procedente, tutelará a coletividade também. 
 
- Ação pseudoindividual: é uma ação meramente individual lastreada em direito eminentemente individual, mas 
que deveria ter ventilado um pedido coletivo. Tem a roupagem de uma ação individual, mas na verdade veicula 
uma pretensão de índole coletiva. Ex: ação de anulação de assembleia de uma determinada coletividade (ou a 
assembleia vai ser válida para todos que fazem parte da sociedade ou inválida para todos, pois não há como 
cindir). É o que ocorre nas relações jurídicas unitárias, incindíveis, indivisíveis. 
- IRDR: formado por ações meramente individuais, desde que possuam a mesma questão de direito. 
 
PRINCÍPIOS DO PROCESSO COLETIVO 
 
#DEOLHONOEDITAL: 
 
Princípio da atipicidade ou não taxatividade: se aplica à ação coletiva. Não interessa qual a ação proposta, mas se 
ela foi a mais adequada e efetiva. 
Art. 83, CDC: Para a defesa dos direitos e interesses protegidos por este código são admissíveis todas as espécies 
de ações capazes de propiciar sua adequada e efetiva tutela. 
 
 
OBS: esse princípio pode ser utilizado como argumento de reforço para admitir a tese da ação coletiva passiva. 
 
Princípio da primazia da solução do mérito: nos processos coletivos, a extinção do processo sem resolução de 
mérito deve ser adotada como solução final para os vícios processuais. O órgão jurisdicional deve sempre buscar 
a solução do mérito. A ideia passou a ser utilizada nos processos individuais com o advento do NCPC. 
 
 
 
 
91 
 
Princípio da indisponibilidade da demanda: estabelece que o objeto do processo coletivo é irrenunciável pelo 
autor coletivo. A razão é uma só: o bem que é objeto do processo coletivo não pertence ao autor, mas sim à 
coletividade. A indisponibilidade é verificada tanto na fase de conhecimento, como na fase de execução. 
- Fase de conhecimento: não poderá haver desistência imotivada da ação coletiva e, se houver, não implicará 
extinção do processo, mas sim sucessão processual. 
Art. 5º. §3°, LACP: Em caso de desistência infundada ou abandono da ação por associação legitimada, o Ministério 
Público ou outro legitimado assumirá a titularidade ativa. 
Art. 9º, LAP: Se o autor desistir da ação ou der motivo à absolvição da instância, serão publicados editais nos 
prazos e condições previstos no art. 7º, inciso II, ficando assegurado a qualquer cidadão, bem como ao 
representante do Ministério Público, dentro do prazo de 90 (noventa) dias da última publicação feita, promover 
o prosseguimento da ação. 
 
- Fase de execução: diferentemente da fase de conhecimento, em que o princípio da indisponibilidade é mitigado, 
na fase de execução é a indisponibilidade absoluta, não admitindo exceção. 
Art. 16, LAP: Caso decorridos 60 (sessenta) dias da publicação da sentença condenatória de segunda instância, 
sem que o autor ou terceiro promova a respectiva execução, o representante do Ministério Público a 
PROMOVERÁ nos 30 (trinta) dias seguintes, sob pena de falta grave. 
Art. 15, LACP: Decorridos sessenta dias do trânsito em julgado da sentença condenatória, sem que a associação 
autora lhe promova a execução, deverá fazê-lo o Ministério Público, facultada igual iniciativa aos demais 
legitimados. 
 
Princípio da informação adequada: 
 
a) Comunicação do art. 104, CDC: 
- Quando o legitimado coletivo promove a demanda tem que dar ciência aos autores individuais na demanda 
coletiva. 
- O autor da ação individual tem que ser formalmente intimado nos autos da sua ação individual para que ele 
exerça, no prazo de 30 dias, o direito de opção (Right to opt) pela suspensão da demanda individual. 
- Se ele optar por esperar pelo resultado da demanda coletiva, sua esfera jurídica somente será atingida para 
beneficiá-lo, jamais para prejudica-lo (transporte in utilibus da coisa julgada coletiva). 
- Essa suspensão não tem prazo máximo, podendo perdurar até o resultado final do processo coletivo. É possível 
retomar o curso da ação individual a qualquer tempo. A suspensão é sempre uma faculdade do autor. 
- Se o réu não fizer tal comunicação, os autores da ação individual poderão se beneficiar, solicitando a desistência 
do processo individual e se habilitando na demanda coletiva para promover a sua execução (INFO 585 – STJ). 
 
 
 
92 
 
 
b) Notificação do art. 94, CDC: 
- Necessidade de publicação de edital para que os interessados possam intervir nas ações acidentalmente 
coletivas. Trata-se do denominado Fair Notice (#OLHAOTERMO). 
- Se a demanda coletiva for julgada improcedente, aquele que interveio NÃO poderá propor a ação individual. 
- O art. 94, CDC traz a regra geral de intervenção individual no processo coletivo. 
- Tem prevalecido que essa intervenção individual só pode ocorrer nas ações acidentalmente coletivas. Os 
eventuais interessados são os titulares dos interesses individuais homogêneos. 
- Segundo corrente majoritária, trata-sede um litisconsórcio superveniente, da espécie assistência litisconsorcial. 
 
#VAMOSAPROFUNDAR: 
 
Assistência litisconsorcial: 
- O terceiro interveniente é parte em sentido material, pois titulariza o direito material posto em juízo. 
Enquanto ocorre a intervenção, o terceiro não será parte em sentido formal, pois não há uma ampliação 
subjetiva da demanda. 
- Apesar disso, será atingido pelo resultado do processo. Isso acontece porque quando alguém é parte material 
ela é atingida pelo resultado do processo, mesmo que não seja parte formal. 
 
 
Momento processual da intervenção: até a sentença. 
No Mandado de Segurança individual existe um limite temporal para a formação do litisconsórcio no pólo ativo: 
até o despacho inicial liminar positivo. 
 
Princípio do transporte in utilibus ou do regime jurídico in utilibus: 
- Resultado do processo na esfera jurídica individual: é a regra geral do processo coletivo, ou seja, o resultado só 
atinge o indivíduo para beneficiar, ressalvada a hipótese da intervenção individual (art, 94 c/c art.103, p.ú., III, 
CDC). 
- Consequência prática desse regime: transporte in utilibus, ou seja, a possibilidade da vítima ou seu sucessor 
transportar para sua esfera jurídica individual o resultado benéfico do processo coletivo. Usa a sentença de 
procedência para fundamentar a liquidação e execução no prisma individual. Tanto é que a sentença terá uma 
condenação genérica. 
 
 
 
 
93 
 
Princípio da representatividade adequada (adequacy representation): a representatividade adequada nada mais 
é que a averiguação da legitimidade coletiva. Esse princípio fundamenta o controle ope judicis da legitimação 
coletiva. 
 
Princípio da adequada certificação da ação coletiva: guarda estreita relação com o princípio da adequada 
representatividade. Trata-se de um controle de admissibilidade exercido pelo magistrado com o fim de verificar 
os seguintes pontos: 1) definição dos contornos da coletividade (identificar a coletividade, e não os legitimados); 
2) subsunção da ação proposta às hipóteses de cabimento da própria ação; 3) efetiva presença dos requisitos 
ensejadores da ação coletiva. 
 
Princípio da competência adequada: é a possibilidade do juiz, forte no princípio do kompetz kompetz, recusar 
determinadas demandas sob o argumento de que o foro escolhido pela parte não é o mais adequado. Só faz 
sentido quando existem foros concorrentes, pois haverá opções de foro para o autor, que escolherá a opção que 
lhe for mais favor|vel (“forum shopping”). Se essa opç~o gerar prejuízos indevidos para a parte contr|ria ou 
gerar risco para a efetividade da tutela jurisdicional, poderá o juiz, apesar de ser competente, recusar esta 
demanda argumentando não ser o foro mais conveniente, com a devida remessa do feito para aquele que o é. O 
juiz aplicar| o “fórum non conveniens”, o que n~o é declínio de competência, nem de atividade jurisdicional, 
apenas não é o foro mais adequado. 
A doutrina sustenta que esse princípio é plenamente compatível com o nosso ordenamento, mas já teve decisão 
do STJ em sentido contrário. 
 
TEORIA DA AÇÃO COLETIVA 
 
Condições da ação 
- Existe uma divergência acerca do fim das condições da ação com uma figura autônoma, pois o NCPC não fala 
mais em condições da ação. 
- Para uma primeira tese (Didier), com o NCPC houve o fim dessa categoria. Com o fim, a possibilidade jurídica do 
pedido e a legitimidade ad causam ordinária passam a ser considerados como mérito. O interesse processual e a 
legitimidade ad causam extraordinária vão para os pressupostos processuais. 
- Para uma segunda corrente, continua existindo a manutenç~o da categoria autônoma “condições da aç~o”, 
com a transferência da possibilidade jurídica para o mérito. 
 
Pontos importantes: 
 
 
 
94 
 
1) Controle de constitucionalidade: doutrina, STJ e STF entendem ser possível a utilização de ação coletiva para 
controle de constitucionalidade, desde que não seja utilizada como sucedâneo de ação de controle. Tem que ser 
por meio da via difusa. 
2) Controle judicial de políticas públicas (controle de omissões públicas ou de implementação de políticas 
públicas): não confundir com o controle de políticas públicas implementadas, que nada mais é que o controle de 
atos administrativos. No controle de implementação de políticas públicas, parte-se de uma omissão pública. 
Nesse último há divergência a respeito da possibilidade de controle. 
 
Espécies de omissão nas políticas públicas: 
a) Omissão pública legislativa: aqui não há divergência a respeito da possibilidade de controle, que poderá 
ocorrer por meio de MI ou ADO. 
b) Omissão pública administrativa: há divergência. 
Primeira tese: não é possível. Motivos: ausência de legitimidade democrática do poder Judiciário; princípio da 
separação de funções; impossibilidade de analisar o mérito administrativo (implementar política pública é ato 
discricionário); princípio da reserva do possível (reserva fática: escassez de recursos ou de mão de obra; ou 
reserva jurídica: vinculação ao orçamento, PPL, LRF). 
Segunda tese: é possível. Argumentos: princípio contramajoritário (legitimidade democrática não decorre só do 
voto, mas do acesso democrático aos cargos públicos); princípio da inafastabilidade do crivo jurisdicional; a 
implementação de política pública é ato administrativo vinculado e não discricionário, notadamente no que tange 
os direitos sociais; mínimo existencial ou piso vital mínimo (o estado não é um fim em si mesmo, ele existe em 
razão do cidadão). 
 
#DEOLHONOEXAMINADOR: A melhor posição a ser adotada em provas do MINISTÉRIO PÚBLICO é a segunda!! 
Sobretudo no MPMG, em que o examinador possui livro sobre controle das políticas públicas em matéria de 
saúde. 
 
3) Matéria tributária: vedação de ACP em matéria tributária. No entanto, é possível veicular ACP tratando de 
tributo, desde que a matéria tributária seja causa de pedir. Exemplo: no RE 576155-DF, o STF entendeu ser 
possível veiculação de ACP em matéria tributária com pedido de anulação de um acordo com concedia 
determinado benefício fiscal. 
 
LEGITIMIDADE NAS AÇÕES COLETIVAS 
 
#DEOLHONOEDITAL 
 
 
 
95 
 
- Legitimidade autônoma, concorrente e disjuntiva. É autônoma porque não depende de participação ou 
autorização do titular do direito material; concorrente e disjuntiva porque a atuação de um dos legitimados não 
impede e nem vincula a atuação dos demais. 
 
- Natureza da legitimação no processo coletivo. Há 3 correntes sobre o assunto: 
 
1ª Corrente Trata-se de caso de legitimação extraordinária (age em nome próprio, tutelando direito alheio). 
 
2ª Corrente Entende que não é possível transportar os modelos de legitimação do processo individual ao 
coletivo. Sugere um terceiro modelo sui generis que só se aplica ao processo coletivo: 
legitimação coletiva. 
 
3ª Corrente Para essa última corrente, é necessário fazer uma distinção. Em se tratando de tutela de direitos 
difusos ou coletivos, o autor da ação age com legitimação autônoma para a condução do 
processo (o que não passa de uma legitimação coletiva). É autônoma porque não decorre do 
direito material, mas sim da lei, que conferiu aos legitimados a possibilidade de defender aquele 
direito. Por outro lado, quando se tratar da tutela de interesses individuais homogêneos, 
teríamos uma legitimação extraordinária (age em nome próprio, na defesa do direito alheio). 
Essa é a corrente dominante. 
 
- Controle da legitimação nas ações coletivas: 
 
#SAIBADIFERENCIAR: 
 
Sistema ope legis de legitimação coletiva:para parcela da doutrina, o legislador teria estabelecido um rol legal 
taxativo de legitimados, afirmando haver uma presunção absoluta de representantes adequados, não cabendo 
ao magistrado essa avaliação. 
Sistema ope iudicis de legitimação coletiva: inspirado na experiência norte-americana (defendant class actions). 
Admite o controle judicial da representatividade adequada. Não basta a previsão legal da legitimidade, pois a 
simples circunstancia de estar legalmente autorizado para conduzir o processo coletivo, não significa que o 
ente seria capaz de representar adequadamente uma determinada coletividade. 
Há requisitos subjetivos para a aferição da adequada representatividade, como por exemplo: credibilidade, 
capacidade, experiência do legitimado, histórico na proteção judicial ou extrajudicial dos interesses do grupo, 
condutas em outros processos, coincidência ou não de interesses, tempo de constituição da associação, 
representatividade do indivíduo frente ao grupo. 
Assim, a análise deverá ocorrer em 2 fases: primeiro verifica-se se há autorização legal para que um ente possa 
 
 
 
96 
 
substituir os titulares do direito coletivos, cabendo também ao juiz, à luz do caso concreto, aferir a 
representatividade adequada dos direitos em apreço. 
No Brasil, nosso legislador presumiu que os legitimados para a propositura das ações coletivas representam 
adequadamente os interesses metaindividuais em debate. Portanto, a representatividade possui presunção 
ope legis (art. 5.º, da LACP). 
 
Legitimidade ativa do MINISTÉRIO PÚBLICO: 
- É uma de suas funções institucionais. Muitos afirmam que ele é o legitimado mais amplo, pois pode utilizar 
todos os instrumentos de tutela coletiva. 
- Atuação multifacetária do MP na tutela coletiva: 
a) Órgão agente: autor da ação coletiva; 
b) Órgão interveniente: fiscal da correta aplicação do ordenamento jurídico. O MP sempre será órgão 
interveniente em qualquer ação coletiva. 
- CUIDADOS: 
a) Na ação popular: sua legitimação é extraordinária, autônoma, concorrente, sucessiva (ele pode assumir a 
titularidade ativa na ação popular). Há quem afirme que se trata de uma legitimidade subsidiária, pois decorre da 
inércia do autor popular; 
b) No MS coletivo: a constituição e lei não elenca o MP como legitimado ativo. Assim, não há que se falar em 
legitimidade ativa do MP. Não obstante, há entendimento doutrinário no sentido de admitir o MP como 
impetrante, com base na aplicação do microssistema e nessa legitimação ampla do MP. Existe precedente nesse 
sentido. 
c) MP pode tutelar todos os interesses transindividuais: essa é a tese dominante na doutrina e jurisprudência. 
Mas, muita atenção: 
1) nos interesses individuais homogêneos, desde que indisponíveis e com relevância social. Há autores que 
afirmam que o simples fato de ser indisponível já há relevância social (tese minoritária). 
2) nos interesses meramente individuais, desde que indisponíveis, atrelados ao ECA, Estatuto do Idoso e Estatuto 
da Pessoa com Deficiência. Há precedentes no STJ nesse sentido. 
OBS: o STJ já reconheceu a legitimação do MP para ajuizar ação de alimentos em face da criança e do 
adolescente, ainda que não esteja em situação de risco social. 
 
Legitimação ativa da DEFENSORIA PÚBLICA 
- O STJ admitia a atuação da DP na defesa de consumidores hipossuficientes, desde que existisse um órgão 
específico para isso. 
- Com a alteração da LACP pela Lei 11.448/07, houve a inclusão da Defensoria como legitimado para ação coletiva. 
 
 
 
97 
 
- Foi conferida uma legitimação ampla e, em razão disso, foi ajuizada a ADI 3943, sob o argumento de que violaria 
as funções institucionais da DP. A tese era a ilegitimidade in totum e, de forma subsidiária, legitimidade só para 
interesse transindividual homogêneo. 
- Por força da EC n. 80/2014, que modificou o art. 134 da CRFB/88, a legitimidade da Defensoria para defender os 
direitos difusos e coletivos em juízo passou a ter expressa previsão legal. 
- Com o julgamento da ADI 3943, o STF confirmou a constitucionalidade da legitimação da DP, de forma ampla: 
direito difuso, coletivo e individual homogêneo, sem precisar individualizar os hipossuficientes. 
 
#DICADACOACH: 
 
Legitimação extraordinária 
a) exclusiva: o titular do direito material não ostenta legitimação ativa, porque o ordenamento fixou 
expressamente legitimidade a um terceiro. Ex: autor popular (cidadão eleitor). 
b) concorrente: o ordenamento elenca mais de um legitimado para a propositura da ação coletiva. É uma 
legitimação concorrente disjuntiva. 
 
Legitimação conglobante: no contexto da análise da representatividade adequada, à luz do sistema ope iudicis, 
o magistrado deverá proceder na verificação da chamada legitimidade conglobante, ou seja, aferir se estão 
presentes elementos indicativos de que há adequada representatividade, sem que haja contrariedade ao 
ordenamento jurídico e à finalidade da tutela coletiva. 
A legitimidade conglobante nada mais é do que a legitimidade extraordinária decorrente do ordenamento 
jurídico, e não apenas da lei. 
 
Legitimidade bifronte: é sinônimo de intervenção móvel / litisconsórcio pendular / intervenção multifacetária. 
É hipótese de litisconsórcio facultativo. Aplica-se também à ação de improbidade administrativa. 
Art. 6o, § 3º, Lei da Ação Popular - A pessoas jurídica de direito público ou de direito privado, cujo ato seja 
objeto de impugnação, poderá abster-se de contestar o pedido, ou poderá atuar ao lado do autor, desde que 
isso se afigure útil ao interesse público, a juízo do respectivo representante legal ou dirigente. 
 
Legitimidade híbrida: é muito comum nas ações de improbidade, em que a pessoa jurídica defende interesse 
próprio (legitimidade ordinária) e interesse da coletividade (legitimidade extraordinária). 
 
Legitimação coletiva passiva: é a ação coletiva proposta em desfavor de uma coletividade. Tem como 
fundamento a defendant class actions do ordenamento norte-americano. Há discussão na doutrina sobre a sua 
admissão. 
 
INTERVENÇÃO DE TERCEIROS NA TUTELA COLETIVA 
 
 
 
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#DEOLHONOEDITAL: 
Assistência 
- Presença de interesse jurídico no resultado da demanda (art. 119, NCPC). 
- Auxiliar a parte formal. 
- A maioria da doutrina não admite a assistência do particular no processo coletivo, pois não possui interesse 
diante do regime in utilibus. Admitem, contudo, a assistência litisconsorcial através da intervenção do 
colegitimado, que vai gerar, segundo esses autores, um litisconsórcio unitário ulterior facultativo (art. 5º, 2º, 
LACP; art. 5º, §6º, LAP, art. 94, CDC). 
- MP como assistente litisconsorcial do autor popular na ação popular: De acordo com Rodolfo Mancuso e 
Diddier, será plenamente possível, em virtude de sua atuação multifacetária na tutela coletiva. Contudo, deve 
haver a coincidência entre o objeto da AP e ACP. 
 
Oposição 
- Deixou de ser uma modalidade de intervenção de terceiro, mas a essência continua a mesma, que é a 
propositura de uma ação por um terceiro em face das partes originárias. 
- Para parcela da doutrina, a oposição é incompatível com os processos coletivos, pois o legitimado coletivo não 
titulariza o objeto da demanda. Além disso, o objeto da tutela é coletivo, logo, ninguém poderá pretender na 
demanda coletiva afastar autor e réu para prevalecer a sua posição jurídica. 
 
Nomeação à autoria 
- Também não está mais no capitulo de intervenção de terceiros. O objetivo é a correção do vicio da ilegitimidade 
passiva ad causam, gerando a extromissão de uma parte para o ingresso de outra. Passoua ser uma técnica de 
saneamento (art. 338, NCPC). 
- Para Luiz Manoel Gomes Junior, a nomeação à autoria é compatível com os processos coletivos, pois visa a 
correção do polo passivo. 
 
Chamamento ao processo 
- Visa a formação de litisconsórcio ulterior em casos específicos de responsabilidade. 
- Para Mazzilli, o instituto é compatível com demandas coletivas, desde que sejam hipóteses de solidariedade. O 
chamamento vai facilitar a esfera de responsabilização em virtude da solidariedade e da indivisibilidade da 
obrigação, em decorrência da própria incindibilidade do bem jurídico lesado. 
 
 
 
 
99 
 
Denunciação da lide 
- A doutrina diverge quanto sua aplicabilidade na tutela coletiva. Argumentos contrários: há uma ampliação 
indevida do tema probandum, além de retirar a efetividade da tutela jurisdicional. 
 
Incidente de desconsideração da personalidade jurídica – IDPJ 
- Plenamente compatível com as demandas coletivas. Não há discussão. Doutrina e jurisprudência admitem, 
ainda, na esfera da ação de improbidade. 
 
Amicus curiae 
- Compatível com as demandas coletivas. 
 
COMPETÊNCIA 
 
- A regra de competência na tutela coletiva é ABSOLUTA: foro do local do dano. 
- Se no local não existir vara federal, a ação não será proposta na justiça estadual. 
- Âmbito do dano: a) local: foro do local do dano; b) regional ou nacional: discussão a respeito da existência de 
foros exclusivos ou concorrentes. 
a) Exclusivo: se o dano for regional, deve ser proposta no foro da capital de um dos estados; se for nacional, tem 
que ser proposta no DF - Ada Pellegrini (minoritária). 
b) Concorrente: autor terá opções de foro. Capital de um dos estados ou DF. Tese dominante e do STJ. Princípio 
da competência adequada (fórum non conveniens). 
- Participação do MPF e regra de competência: 
A simples presença do MPF atrai a competência para a JF? Existem 2 correntes: 
a) Presença do MP atrelada às regras de competência. Seguindo essa premissa, o MPE só atua na Justiça 
Estadual; o MPF só na JF; o MPT só na JT. Afirmam que o MPF não tem personalidade jurídica e, portanto, é 
órgão da União. Tem precedentes da 2ª sessão do STJ nesse sentido. 
b) Não induz necessariamente a competência da JF (Diddier, Luiz Fux, Patrícia Miranda Pizzol e 1ª sessão do STJ). 
Fundamentos: o art. 109, da CF é taxativo; inexistência de vinculação entre as atribuições do MP e competência 
de órgão jurisdicional; MP não é órgão do Executivo, mas órgão independente e autônomo. ADOTAR ESSA 
CORRENTE EM PROVAS DO MPE. 
 
 
 
 
100 
 
- Litisconsórcio entre MP’S diversos x justiça competente: a doutrina recomenda que se observe a 
preponderância do interesse com o princípio da competência adequada. 
 
LITISPENDÊNCIA 
 
#DEOLHONOEDITAL: 
- Relação entre ação coletiva e ação individual: 
a) Não há litispendência; 
b) Pode haver conexão e continência. 
 
- Regras de prevenção: o NCPC unificou as regras de prevenção no art. 59, estabelecendo a prevenção ocorrerá 
com o registro ou a distribuição da ação. Nos processos coletivos, deve-se verificar que a regra para determinar o 
juízo prevento é a data da PROPOSITURA DA AÇÃO (LAP, LACP, LIA). 
 
- Relação entre as demandas: 
a) Relação entre demandas coletivas e individuais: não há litispendência. Pode haver conexão ou continência a 
depender do caso concreto (tese majoritária). 
b) Relação entre as demandas coletivas: é possível haver litispendência, que pode ser considera como um 
pressuposto processual negativo. Nada mais é do que a reprodução em juízo de ações idênticas. 
- Em ações coletivas com pedido e causa de pedir idênticos, há litispendência ainda que os legitimados das ações 
sejam diferentes, aplicando-se, no caso, a teoria da identidade da relação jurídica e não a teoria da identidade dos 
elementos da ação. 
- Teoria da identidade da pretensão ou da relação jurídica: o que interessa é se a relação de direito material é a 
mesma (pretensão / causar de pedir), e não se as partes são idênticas, tampouco a espécie de ação (não precisa 
ter identidade nominal). 
- Ação popular MULTILEGITIMÁRIA: possibilidade de haver litispendência entre duas demandas coletivas que 
tramitem por ritos diversos (ação civil pública e ação popular), já que a similitude do procedimento é irrelevante 
diante da atipicidade da tutela jurisdicional coletiva (STJ, Resp 401.964/RO Dj 11/11/2002). 
 
- Consequências: 
1) nos processos individuais, a litispendência gera a extinção do processo sem resolução de mérito. 
2) em se tratando de ações coletivas, há divergência. Tem prevalecido a tese da reunião dos processos no juízo 
prevento (Diddier). 
 
 
 
101 
 
 
CONEXÃO E CONTINÊNCIA 
 
#DEOLHONOEDITAL: 
Conexão/continência: a identidade PARCIAL tem como consequência a REUNIÃO das causas para julgamento 
simultâneo ou, se não for possível, a SUSPENSÃO. 
 
 Identidade TOTAL 
(litispendência) 
Identidade PARCIAL 
(conexão ou continência) 
Ação coletiva x individual NUNCA SUSPENSÃO da individual 
Ação coletiva x coletiva Discussão (prevalece a 
REUNIÃO) 
REUNIÃO, se possível. 
 
Continência: 
- Mesmas partes, mesma causa de pedir, pedido de uma ação mais amplo que o da outra. 
- Consequência processual: 
a) se a ação continente (mais ampla) for proposta antes da contida (menos ampla), haverá extinção sem 
resolução de mérito, por falta de interesse processual. 
b) se a contida (menos ampla) for proposta antes da continente (mais ampla), ocorre a reunião obrigatória das 
ações no juízo prevento. 
- Súmula 489/STJ: reconhecida a continência, as ACP’s devem ser reunidas na Justiça Federal, n~o importando 
qual o juízo prevento. 
 
Conexão: 
- Mesmo pedido ou causa de pedir. 
- A reunião permanece com viés facultativo, ressalvado o evidente risco de decisões conflitantes, decorrentes da 
potencial violação da isonomia e da segurança jurídica. 
- Nos casos de continência, ao reverso, a reunião será obrigatória quando a ação contida for proposta antes da 
continente. 
 
DESPESAS PROCESSUAIS 
#DEOLHONOEDITAL: 
 
 
 
102 
 
- A ação coletiva é gratuita. O seu autor só paga ao final e só será condenado se houver má-fé. 
- Essas regras específicas de custas só se aplicam ao autor da ação coletiva, e não ao réu (AgRg AResp 450222-
MG; AgRg Resp 1453237-RS). 
- O MP não pode adiantar custas dos honorários periciais e a condenação quando ocorrer, será suportada pela FP 
respectiva (AgRg Ag 1293413-RS; AgRg Resp 1168893-RS – recursos repetitivos). 
- Critério de simetria na condenação ao pagamento dos honorários: o STJ tem precedente no sentido de que, 
pelo critério da simetria, não é possível a condenação da parte vencida no pagamento dos honorários 
advocatícios em favor do MP nos autos da ACP, salvo comprovada a má-fé. Nesses casos, os valores vão para o 
fundo do MP. 
 
TUTELAS PROVISÓRIAS 
 
- A ACP tem por objeto a tutela preventiva (inibitória ou de remoção do ilícito) ou ressarcitória (moral ou 
material) dos bens ou direitos metaindividuais. 
 
Tutela preventiva: 
- Antes da ocorrência do dano, buscando evitá-lo. Divide-se em: 
a) Tutela inibitória (ANTES do ilícito, evitando a ocorrência do dano). Ex: impedir a importação de medicamento 
não aprovado pela ANVISA; 
b) Tutela da remoção do ilícito (DEPOIS de ocorrido o ilícito, mas enquanto ainda não ocorrido o dano). Ex: cessar 
a distribuição de medicamento não aprovado pela ANVISA. 
 
#DEOLHONOEDITAL: Antecipação de tutela e medidas de urgência: 
- Cuidado como regramento das tutelas provisórias instituído pelo NCPC, que deve ser aplicado aos processos 
coletivos. 
- Liminar inaldita altera pars em demanda coletiva em face da FP: Lei 8437/92 - oitiva prévia em 72h do 
representante da FP. Somente se aplica ao MS coletivo e na ACP, não se aplicando à ação popular, nem à ACP por 
ato de improbidade, pois não são contra o Poder Público, mas contra o agente público. 
- Atenção para a medida de indisponibilidade de bens e as cautelares de arresto e sequestro previstos na LIA, 
bem como para a possibilidade de concessão de medida liminar, prevista no art. 12, da LACP. 
- A jurisprudência do STJ é no sentido de que a decretação da indisponibilidade e do sequestro de bens em 
improbidade administrativa é possível antes do recebimento da ação (AgRg no REsp 1317653/SP). 
 
 
 
103 
 
- A indisponibilidade pode recair sobre bens adquiridos tanto antes como depois da prática do ato de 
improbidade (REsp 1204794/SP, Rel. Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 16/05/2013). 
- Segundo o STJ, o caráter de bem de família de imóvel não tem a força de obstar a determinação de sua 
indisponibilidade nos autos de ação civil pública, pois tal medida não implica em expropriação do bem (REsp 
1204794/SP). 
 
Suspensão da segurança (Lei 8437): 
- É um incidente processual que tem por objetivo sustar a eficácia de um provimento jurisdicional contrário aos 
interesses públicos – vertente política, jurídica, social e econômica. 
- É de competência exclusiva da Presidência do Tribunal, requerida pela pessoa jurídica de direito público ou pelo 
MP. Não impede a interposição do recurso respectivo em face da decisão que concedeu a tutela, já que se trata 
de um incidente. 
- Da decisão monocrática cabe agravo interno para o órgão especial, que proferirá um acórdão. 
- Desse acórdão, o STJ/STF não admitem recursos excepcionais, pois se trata de juízo político. No entanto, será 
possível nova suspensão da segurança aos tribunais superiores, conforme o caso. 
- Cabe ainda suspensão per saltum requerida diretamente ao tribunal superior. 
 
RECURSOS NO PROCESSO COLETIVO 
 
- Ponto específico para o processo coletivo: é possível recorrer para mudar a fundamentação e formar a coisa 
julgada material, no caso de improcedência por insuficiência de provas, já que não faz coisa julgada material. 
- Somente será possível recurso do individuo, como terceiro prejudicado, se for hipótese de intervenção 
individual, se for cidadão eleitor que possa recorrer no bojo de uma Ação Popular proposta por um terceiro ou no 
bojo de outra espécie de ação coletiva, desde que exista conexão com o objeto de ação popular. 
- Recurso interposto por outro legitimado/colegitimado: necessidade de demonstrar o nexo de interdependência 
do recurso para alterar a situação fática ensejadora. 
- Possibilidade do amicus curiae interpor recurso nas decisões que julgar o IRDR. 
- Efeito suspensivo: de acordo com o art. 14, LACP, poderá ser concedido efeito suspensivo pelo juiz. 
 
LIQUIDAÇÃO E EXECUÇÃO DA SENTENÇA COLETIVA 
 
A execução pode ser feita de forma individual ou coletiva, nesse último caso pelos entes legitimados para 
a propositura da ação. 
 
 
 
104 
 
 
1. Execução da sentença coletiva pelo legitimado coletivo: a regra é o processo sincrético. 
2. Execução individual da sentença coletiva pela vítima ou seu sucessor: processo autônomo de execução. Na 
doutrina, há quem defenda a tese do processo sincrético nos casos de intervenção individual no processo 
coletivo. 
 
#OLHAOGANCHO: 
Processo autônomo: citação do devedor. Nos casos de título executivo extrajudicial (acórdão do TC, TAC, 
acordo de leniência) e título executivo judicial em desfavor de devedor insolvente e sentença arbitral, 
estrangeira, penal condenatória e decisão estrangeira; 
Processo sincrético: mero requerimento com intimação do devedor. Nos casos de título executivo judicial. 
 
 
- Espécies de liquidação: incidente na liquidação (por arbitramento) ou uma verdadeira ação de procedimento 
comum (por artigos). Prevalece, contudo, que deve ser um incidente processual intermediário entre duas fases 
de um mesmo processo (sincretismo). 
- Peculiaridade do processo coletivo: se a liquidação for requerida pelo legitimado coletivo, será um mero 
incidente. Ao reverso, pela vítima ou sucessor, será através de ação autônoma. 
- Ações essencialmente coletivas: utiliza-se a técnica de fase processual (e não um mero incidente, pois o direito 
transindividual é insuscetível de divisão), pois ocorrerá dentro de um processo já existente. 
 
Liquidação individual da sentença coletiva 
- Vítimas e sucessores formulam requerimento expresso. 
- Natureza dessa legitimidade: sendo uma liquidação individual, a legitimação é ordinária. A vitima e os 
sucessores vão tutelar os seus próprios interesses transindividuais. 
OBS: Se a liquidação for feita por legitimado coletivo, prevalece que é uma legitimidade extraordinária 
subsidiária, pois a primária e principal é do indivíduo (art. 97, CDC). 
- É indispensável a comprovação da causa de pedir comum e de sua subsunção a cada uma das vítimas ao fato 
ensejador da demanda. Além disso, deve comprovar o dano individualmente suportado, o quantum debeatur e o 
nexo causal com a atividade lesiva. É o que se denomina de liquidação imprópria. 
- Liquidação zerada: para o STJ deve ser extinta essa liquidação, sem prejuízo de nova liquidação. 
 
#DEOLHONOEDITAL: Execução da sentença coletiva 
 
- A execução pode ocorrer de forma coletiva ou individual, pela vítima ou seus sucessores: 
 
 
 
105 
 
 
Interesses individuais 
homogêneos 
A execução da sentença coletiva será preferencialmente feita individualmente e, 
subsidiariamente, pelos legitimados coletivos. 
Interesses difusos Não há que se falar na execução individual da sentença coletiva (tese dominante). 
Somente os legitimados coletivos podem executar a sentença coletiva. 
Interesses coletivos 
em sentido estrito 
Há divergências. Há quem sustente que se trata de direito indivisível, de modo de só 
poderá ser pelos legitimados coletivos. Enquanto que outros afirmam que a TUTELA 
jurisdicional pode ser divisível (sujeitos determinados), de modo que 
preferencialmente deverá ser executada individualmente e, subsidiariamente, pelos 
legitimados coletivos. 
 
- Execução individual da sentença coletiva pela vítima ou seu sucessor: processo autônomo de execução. Há 
quem admita o processo sincrético nos casos de intervenção individual no processo coletivo. 
#ATENÇÃO: com o NCPC, execução contra FP agora é sincrético. 
 
Direitos individuais homogêneos: 
 
- Após a condenação genérica, os titulares dos direitos individuais são identificados para a liquidação e execução. 
Passado o período de 1 (um) ano, não comparecendo nenhum interessado, o MP ou os demais colegitimados 
poderão executar a sentença, sendo os valores recolhidos para o Fundo de Direitos Difusos e Coletivos (Fluidy 
recovery). 
- Ocorrendo inércia na habilitação (não havendo nº compatível de interessados), surge a legitimidade para os 
legitimados coletivos promoverem liquidação e execução, sendo o valor revertido para o fundo. 
- Vítimas e sucessores devem se habilitar no processo coletivo no prazo de 1 ano (natureza decadencial). 
- Início do prazo de 1 ano: a contar do trânsito em julgado (INFO 580 – STJ). 
- Consequências da perda do prazo: os legitimados coletivos serão instados a promover a liquidação e execução 
da sentença coletiva para o Fundo de Defesa dos Interesses Difusos. 
 - Direito de preferência (Art. 99, CDC):a indenização dos prejuízos individuais terá preferência no pagamento, de 
modo que pode ocorrer a sustação do valor destinação ao fundo. 
– O réu na ação coletiva deverá comunicar aos autores da ação individual sobre a existência do processo coletivo 
para que eles optem em 30 dias pela SUSPENSÃO ou não da ação individual (RIGHT TO OPT). 
- Caso escolham suspender as suas ações, poderão se beneficiar do resultado da ação coletiva (transporte IN 
UTILIBUS da sentença coletiva). 
#OLHAOGANCHO: se o réu não fizer tal comunicação, os autores da ação individual poderão se beneficiar da 
sentença coletiva, solicitando a DESISTÊNCIA do processo individual e se habilitando para promover a execução 
da sentença coletiva. 
 
 
 
106 
 
 
Fundo de Defesa dos Direitos Difusos: art. 13, LACP e art. 100, CDC 
- Conceito: o Fundo decorre do produto de receitas especificadas que por lei estão vinculadas à realização de 
determinados objetivos ou serviços, facultada a adoção de normas peculiares de aplicação. 
- Natureza jurídica: meramente contábil. Não tem personalidade jurídica, mas está vinculado a um órgão publico. 
- Fluidy recovery: a ideia é promover uma efetiva liquidação e execução coletiva, visando apurar o valor devido às 
vítimas indeterminadas que não propuseram as ações individuais). 
- A ideia é evitar o desestímulo para a execução, pois as vezes o valor individual é muito irrisório. Tem caráter 
punitivo e educativo para aqueles que causam lesão a interesses transindividuais. 
 
Jurisprudência: 
- O STJ, a partir do que decidiu o STF no RE 573232/SC (Info 746), vem entendendo que as associações, quando 
propõem ações coletivas, agem como REPRESENTANTES de seus associados (e não como substitutas 
processuais). Diante dessa mudança de perspectiva, tem-se o seguinte cenário: 
Regra: a pessoa não filiada não detém legitimidade para executar individualmente a sentença de procedência 
oriunda de ação coletiva proposta pela associação. 
Exceção: será possível executar individualmente, mesmo se não for associado, se a sentença coletiva que estiver 
sendo executada for decorrente de um mandado de segurança coletivo - STJ. 4ª Turma. REsp 1.374.678-RJ, Rel. 
Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 23/6/2015 (Info 565). 
 
- O prazo prescricional para a execuç~o individual é contado do tr}nsito em julgado da sentença coletiva, sendo 
desnecess|ria a providência de que trata o art. 94 da Lei no 8.078/90 (CDC), ou seja, a publicaç~o de editais 
convocando eventuais benefici|rios. STJ. 1a Seç~o. REsp 1.388.000-PR, Rel. Min. Napole~o Nunes Maia Filho, Rel. 
para acórd~o Min. Og Fernandes, julgado em 26/8/2015 (recurso repetitivo) (Info 580). 
 
- “A execuç~o de multa di|ria (astreintes) por descumprimento de obrigaç~o de fazer, fixada em liminar 
concedida em Ação Popular, pode ser realizada nos próprios autos, por isso que não carece do trânsito em 
julgado da sentença final condenatória“ (REsp 1098028, de 02/03/2010). 
 
COISA JULGADA NO PROCESSO COLETIVO 
 
Quadro geral da imutabilidade da coisa julgada nas ações coletivas (tabela: Dizer o Direito): 
 
#DEOLHONOEDITAL: 
 
SENTENÇA DIFUSOS COLETIVOS INDIVIDUAIS HOMOGÊNEOS 
PROCEDENTE 
Fará coisa julgada 
erga omnes. 
Fará coisa julgada 
ultra partes. 
 
Fará coisa julgada 
 
 
 
107 
 
erga omnes. 
 
IMPROCEDENTE 
COM EXAME DAS 
PROVAS 
 
Fará coisa julgada 
erga omnes. 
Impede nova ação 
coletiva. 
O lesado pode propor 
ação individual. 
 
Fará coisa julgada 
ultra partes. 
Impede nova ação 
coletiva. 
O lesado pode propor 
ação individual. 
Impede nova ação coletiva. 
O lesado pode propor ação 
individual se não participou da 
ação coletiva. 
IMPROCEDENTE 
POR 
FALTA DE PROVAS 
 
Não fará coisa julgada 
erga omnes. 
Qualquer legitimado 
pode propor nova ação 
coletiva, desde que haja 
prova nova. 
 
Não fará coisa julgada 
erga omnes. 
Qualquer legitimado pode 
propor nova ação coletiva, 
desde que haja prova 
nova. 
 
Impede nova ação coletiva. 
O lesado pode propor ação 
individual se não participou da 
ação coletiva. 
 
Em relação aos demais colegitimados, a coisa julgada poderá ocorrer da seguinte forma: 
 
DIREITOS DIFUSOS DIREITOS COLETIVOS DIREITOS INDIVIDUAIS HOMOGÊNEOS 
Secundum eventum probationem Pro et contra 
 
É condicionado ao resultado da instrução 
probatória. Se for IMPROCEDENTE por 
insuficiência de provas, não faz coisa julgada 
material para os demais colegitimados, que 
poderão repropor a ação. 
 
 
O resultado do processo (procedente ou improcedente) 
vincula os demais legitimados, ainda que a improcedência 
seja por insuficiência de provas. Impossibilita a 
repropositura da ação. 
 
 
No tocante aos particulares que tenham seu direito lesado, a formação da coisa julgada coletiva se dará nos 
seguintes termos: 
 
DIREITOS INDIVIDUAIS HOMOGÊNEOS 
Secundum eventum litis 
 
A coisa julgada no processo coletivo, em relação aos particulares, fica condicionada ao resultado da demanda. 
Em outras palavras: 
 
 
 
108 
 
 
Se a demanda coletiva for julgada procedente, beneficiará os particulares (benefício in utilibus da sentença 
coletiva). 
 
Se for julgada improcedente, não interfere na demanda individual que poderá ser ajuizada pelo particular. 
 
Há uma exceção: o particular não poderá ingressar com o processo individual, caso tenha participado do 
processo coletivo como assistente litisconsorcial. 
 
- Limitação territorial do art. 16, LACP: Após muitas discussões, no EREsp 1.134.957, o STJ resolveu afastar a 
limitação territorial do art. 16 a fim de estender a eficácia do acórdão a todos os consumidores que se 
encontrarem na situação prevista. Vejamos: 
 
“A eficácia das decisões proferidas em ações civis públicas coletivas NÃO deve ficar limitada ao território da 
competência do órgão jurisdicional que prolatou a decis~o”. STJ. Corte Especial. EREsp 1134957/SP, Rel. Min. 
Laurita Vaz, julgado em 24/10/2016 (não divulgado em Informativo). 
 
#OLHAOGANCHO: o art. 16, LACP trata da eficácia da coisa julgada, tendo sido silente em relação aos efeitos da 
decisão. Por essa razão, o referido dispositivo não pode limitar territorialmente os efeitos da decisão, já que esse 
se estende a todos. Não se pode confundir eficácia da sentença com coisa julgada. 
 
Em resumo: o que o legislador logrou êxito em fazer foi definir que a sentença não poderá ser questionada em 
nenhuma demanda futura a ser decidida dentro da mesma base territorial mencionada na lei. 
 
 
Jurisprudência: 
- Os autores de ações individuais em cujos autos n~o foi dada ciência do ajuizamento de aç~o coletiva e que n~o 
requereram a suspens~o das demandas individuais podem se beneficiar dos efeitos da coisa julgada formada na 
aç~o coletiva. STJ. 1a Turma. REsp 1.593.142-DF, Rel. Min. Napole~o Nunes Maia Filho, julgado em 7/6/2016 (Info 
585). 
 
- A associaç~o n~o tem legitimidade ativa para defender os interesses dos associados que vierem a se agregar 
somente após o ajuizamento da aç~o de conhecimento. STJ. 2a Turma. REsp 1.468.734-SP, Rel. Min. Humberto 
Martins, julgado em 1o/3/2016 (Info 579). 
 
- O prazo prescricional para a execuç~o individual é contado do tr}nsito em julgado da sentença coletiva, sendo 
desnecess|ria a providência de que trata o art. 94 da Lei no 8.078/90 (CDC), ou seja, a publicaç~o de editais 
convocando eventuais benefici|rios. STJ. 1a Seç~o. REsp 1.388.000-PR, Rel. Min. Napole~o Nunes Maia Filho, Rel. 
para acórd~o Min. OgFernandes, julgado em 26/8/2015 (recurso repetitivo) (Info 580). 
 
 
 
 
109 
 
- Após o trânsito em julgado de decisão que julga improcedente ação coletiva proposta em defesa de direitos 
individuais homogêneos, independentemente do motivo que tenha fundamentado a rejeição do pedido, não é 
possível a propositura de nova demanda com o mesmo objeto por outro legitimado coletivo, ainda que em outro 
Estado da federação - (Info 575). 
 
- Tem abrangência nacional a eficácia da coisa julgada decorrente de ACP ajuizada pelo MP, com assistência de 
entidades de classe de âmbito nacional, perante a seção judiciária do distrito federal, e sendo o órgão prolator da 
decisão final de procedência o STJ. É o que se extrai da inteligência dos arts. 16 da LACP, 93, II, e 103, III, do CDC – 
(Info 552 - STJ). 
 
TERMO DE AJUSTAMENTO DE CONDUTA 
#DEOLHONOEDITAL: 
Conceito: trata-se de um método de solução extrajudicial de conflito bastante utilizado na defesa dos direitos 
transindividuais. 
Legitimados: ao contrario do inquérito civil publico, o TAC pode ser celebrado por qualquer órgão publico 
legitimado à tutela dos direitos transindividuais. 
- A atuação dos vários legitimados pode ser disjuntiva e concorrente. 
- Não abrange: entidades civis (sindicatos, associações civis, entidades de classe – PJ de direito privado) 
Natureza jurídica: há discussão. Há quem entenda que o TAC é um negocio jurídico da administração e não um 
negocio jurídico administrativo, em que a Administração esteja em uma posição superior ao administrado. Como 
o TAC é meio de se garantir a prevenção do dano ou sua reparação no âmbito civil, não tem sentido imaginar que 
o legitimado ativo, pela sua natureza de órgão publico, possa estar em uma situação de superioridade 
desmedida. 
- É um negocio da Administração que também tem natureza de equivalente jurisdicional, por ser um meio 
alternativo de solução de conflito. 
- O TAC é um titulo executivo extrajudicial, devendo ser liquido e certo. O ajuste celebrado no inquérito civil ou no 
procedimento preparatório, deve ser devidamente motivado. É interessante que para cada obrigação fixada no 
ajuste haja uma previsão especifica de multa pelo seu inadimplemento. 
Homologação do TAC: a lei federal não condiciona a eficácia do ajuste à homologação pelo Conselho Superior do 
Ministério Público (MPE) ou pelos Orgãos de Revisão (MPU). 
#Cuidado: algumas leis estaduais determinam a homologação do ajuste como condição de sua eficácia. 
 
INQUÉRITO CIVIL 
 
 
 
 
110 
 
#DEOLHONOEDITAL: 
Conceito: trata-se de um procedimento de investigação de atribuição exclusiva do MP para a verificação da 
existência de lesão ou ameaça de lesão a direito transindividual. 
Natureza: procedimento administrativo de investigação e, tal qual o inquérito policial, não é obrigatório. 
Havendo elementos suficientes para a propositura da ação civil publica, da ação de improbidade, ou da ação 
coletiva, não é necessário que tenha havido inquérito civil prévio. 
Características: o inquérito civil se caracteriza pela nota do informalismo, não existindo um rito a ser observado 
na condução dessa investigação, embora deva ser sempre escrita, devendo as atividades orais ser reduzidas a 
termo. 
Instauração do IC: representação de qualquer pessoa, de associação, de pessoa jurídica de direito público ou 
privado, de outro órgão do MP, de designação do Procurador-Geral, do Conselho Superior do MP, das Câmaras 
de Coordenação e Revisão, ou de ofício. 
Indeferimento liminar da instauração da investigação: a) representação se revelar improcedente; b) noticia dos 
fatos demasiadamente genérica; c) fatos não configuram lesão a direitos cuja defesa está ao encargo do MP. 
Prazo para a resposta de ofícios requisitórios: 10 dias, sob pena de configuração de crime previsto na LACP, no 
caso de descumprimento infundado de requisição de elementos técnicos indispensáveis à propositura da ação. 
Prazo do IC: a resolução 23/07 estabeleceu o prazo de um ano de duração, prorrogável pelo mesmo prazo, 
quantas vezes forem necessárias. 
Arquivamento do IC: por meio de manifestação fundamentada, cabendo recurso no prazo de 10 dias, devendo os 
autos serem remetidos ao órgão de controle no prazo de 3 dias. Os órgãos de revisão poderão homologar o 
arquivamento, converter o julgamento em diligencias para a obtenção de melhores subsídios ou deliberar pela 
continuidade das investigações, ou ajuizamento da ação civil publica, em sessão publica, salvo caso de sigilo. 
#FIQUELIGADO: O arquivamento também pode ocorrer após a adoção de medidas extrajudiciais como a 
recomendação legal e o TAC. Quanto a este, não há uniformidade de tratamento nos diversos ramos do MP, o 
arquivamento pode ocorrer após a celebração do TAC ou apenas após seu cumprimento final. 
Desarquivamento do inquérito civil: dentro do prazo de seis meses, com base em novas provas. Após este 
período a resolução 23/07 determina a instauração de novo inquérito, sem prejuízo das provas colhidas na 
investigação anterior. 
 
#DEOLHONOEDITAL: 
* Prazos (Resolução 23/07 - CNMP) 
- Procedimento preparatório (PP): 90 dias, prorrogável por igual período, uma única vez, em caso de motivo 
justificável. 
- Notícia de Fato / Requerimento de instauração de Inquérito Civil (IC): 30 dias, improrrogáveis. Após isso, 
 
 
 
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deverá indeferir ou instaurar PP ou IC. 
- Indeferimento do requerimento de IC (notícia de fato): recurso em 10 dias e 3 dias para contrarrazões. 
- Arquivamento do IC ou PP: em 3 dias deve enviar para o órgão de revisão (CSMP - MPE ou CCR – MPU) 
 
* Prazos (Resolução 13/2016 – Procedimento de investigação Criminal: PIC) 
- PIC: 90 dias, permitida prorrogações sucessivas por igual período, em caso de motivo justificável. 
- Representações, requerimentos, petições e pecas de Informaç~o: 30 dias, prorrogáveis até 90 dias, de forma 
fundamentada. 
 
 
Recomendação: trata-se de um instrumento previsto na LC n. 75/93 e na Lei Orgânica Nacional do MP dos 
Estados. Consiste, como sugere o seu nome, na recomendação de medidas para favorecer a adequada prestação 
de serviços públicos ou o respeito aos interesses, direitos e bens transindividuais. 
 
MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO 
 
- Objeto: interesses coletivos em sentido estrito e individuais homogêneos. Embora a lei não tenha tratado de 
forma específica dos direitos difusos (art. 20, parágrafo único, LMS), a doutrina entende que o MS coletivo pode 
tutelar todos os direitos metaindividuais. 
- Legitimidade ativa: 
a) partido político com representação no Congresso Nacional; 
b) organização sindical, entidade de classe ou associação legalmente constituída e em funcionamento há pelo 
menos um ano, em defesa dos interesses de seus membros ou associados. 
#ATENÇÃO: de acordo com o STF, o sindicato fica fora da necessidade de constituição ânua. A exceção do art. 5º, 
parágrafo 4º, da LACP não se aplica ao MS coletivo, pois a previsão de constituição anual, nesse caso, é 
constitucional, enquanto que a exceção está prevista em lei infraconstitucional. 
- Associações: No RE 181438, o STF entendeu que o interesse protegido não precisa ser típico da categoria. Por 
exemplo: um sindicato pode impetrar MS coletivo para impugnar tributo que incida sobre a renda dos 
associados, vez que a renda é fruto das atividades por ele exercidas, não sendo este um direito peculiar da classe 
de trabalhadores defendida pelo mandamus. 
- Legitimidade passiva: somente a pessoa jurídica. A autoridade coatora não figura no polo passivo, apenas será 
notificada para prestar informações. Quem respondepor seus atos é a pessoa jurídica (art. 37, §6º, CF). Além 
 
 
 
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disso, deve-se atentar para a teoria da presentação (teoria da imputação volitiva, teoria do órgão). Essa é a tese 
dominante. 
- Teoria da encampação: se a autoridade coatora, ao ser notificada, exorbita da sua função de prestadora de 
informações, e defende o mérito do ato coator, entende-se que ela encampa para si o próprio ato. Para o STJ, a 
aplicação dessa teoria deve respeitar 3 requisitos: a) defesa do mérito; b) inalterabilidade da competência em 
razão da matéria; c) subordinação hierárquica ou vinculo hierárquico entre a autoridade coatora indicada na 
inicial e a PJ a qual ela se encontra vinculada. 
- Liminar: ouvir o representante da pessoa jurídica em 72 horas. 
- Coisa julgada: ultra partes, ou seja, limitadamente aos membros do grupo ou da categoria (direitos coletivos e 
individual homogêneo). Para se beneficiar da ação coletiva, é necessário DESISTIR da demanda individual. 
#CUIDADOPARANÃOCONFUNDIR: na ACP basta o pedido de suspensão da ação individual para se beneficiar da 
demanda coletiva. 
- Súmula 629, STF: dispensada a autorização dos associados para a impetração do MS coletivo, isso porque a 
legitimidade foi dada pela própria 
CF. 
- Súmula 630, STF: a entidade de classe tem legitimação para o MS coletivo, ainda que a pretensão veiculada 
interesse apenas a parte da categoria. 
 
MANDADO DE INJUNÇÃO COLETIVO 
#DEOLHONOEDITAL: 
 
- Omissões constitucionais: mandado de injunção e ADI por omissão (ADO). #OLHAOTERMO: síndrome da 
inefetividade das normas constitucionais. 
- Todas as normas constitucionais possuem eficácia jurídica, mas nem todas têm eficácia social (concretização do 
seu preceito). Tanto a ADO, como o MI buscam imprimir efetividade a tais normas. 
- É importante conhecer as principais diferenças entre a ADO e o MI, sobretudo no que diz respeito à 
abrangência, legitimidade, competência, objeto, efeitos da decisão etc. Ver a distinção no material de 
constitucional! 
- Requisitos do MI: a) norma de eficácia limitada que trate de liberdades constitucionais e prerrogativas inerentes 
à nacionalidade, soberania e cidadania; b) falta de norma regulamentadora, tornando inviável o exercício de tais 
direitos e prerrogativas. 
- Natureza jurídica: processo constitucional subjetivo (controle incidental de constitucionalidade). 
- Mesmo antes da Lei 13.300/16, o STF já entendia cabível o MI coletivo, que seguia o rito do MS coletivo. 
 
 
 
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- Objeto: omissão total ou parcial em relação aos interesses essencialmente coletivos. 
OBS: não inclui os individuais homogêneos, pois norma que atinge somente pessoas que estão numa mesma 
situação fática. Não faz sentido regulamentar um fato, sob pena de criação de norma concreta, e não geral e 
abstrata. 
- Legitimados ativo: DP (quando a tutela requerida for especialmente relevante para a promoção dos direitos 
humanos e a defesa dos direitos individuais e coletivos dos necessitados), MP (quando a tutela requerida for 
especialmente relevante para a defesa da ordem jurídica, do regime democrático ou dos interesses sociais ou 
individuais indisponíveis), partido político com representação no Congresso Nacional, organização sindical, 
entidade de classe ou associação legalmente constituída há pelo menos 1 ano (dispensada a autorização 
específica). 
- Legitimidade passiva: pessoa estatal responsável pela regulamentação da norma. Nunca o particular. 
- Liminar: a lei não trata da possibilidade de concessão de liminar. No mesmo sentido é o posicionamento do STF. 
- Efeitos da decisão: cuidado com esse tema! É muito importante conhecer as 4 correntes existentes sobre os 
efeitos da decisão em matéria de mandado de injunção (não concretista, concretista geral, concretista individual, 
concretista intermediária). 
A lei adotou a teoria concretista individual intermediária, de modo que, reconhecido o estado de mora 
legislativa, o julgador deve determinar prazo razoável para que o impetrado promova a edição da norma 
regulamentadora. Caso persista a mora, poderá o magistrado estabelecer as condições que serão exercidos os 
direitos e liberdades reclamadas. 
- Eficácia subjetiva: a decisão terá eficácia subjetiva limitada às partes e produzirá efeitos até o advento da norma 
regulamentadora. Excepcionalmente, poderá ser conferida eficácia ultra partes ou erga omnes (concretista 
geral). 
- Coisa julgada coletiva e right to opt out: mesmo regramento do MS coletivo. Caso o particular queira aproveitar 
o julgamento da ação coletiva, deverá DESISTIR da demanda individual. 
- Atenção: a jurisprudência do STF se firmou no sentido de que a edição do diploma reclamado pela Constituição 
leva à perda de objeto do mandado de injunção.

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