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CONCEITOS E TÉCNICAS BÁSICAS DE QUALIDADE, SELEÇÃO, AQUISIÇÃO, ARMAZENAMENTO, PRÉ- PREPARO E PREPARO DE ALIMENTOS UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE DEPARTAMENTO DE NUTRIÇÃO DISCIPLINA: TÉCNICA DIETÉTICA Professora: Amélia Somensi Zeggio Florianópolis, setembro de 2017 INTRODUÇÃO • O preparo de alimentos requer conhecimentos que abrangem desde a origem da matéria–prima até o consumo da refeição, podendo ser dividido nos seguintes passos: üSeleção üAquisição üArmazenamento üPré-preparo üPreparo de alimentos AQUISIÇÃO ü Depende de vários fatores: econômico, tempo, disponibilidade; ü Influência na qualidade dos alimentos; ü Movimenta a economia. SELEÇÃO • Identificar as características de qualidade a partir do reconhecimento do padrão de identidade e qualidade do alimento; • Cada grupo alimentar apresentará características particulares em relação ao seu padrão de qualidade. SELEÇÃO o Conhecimentos científicos e técnicos de nutrição – propriedades nutricionais e finalidades culinárias; o Planejamento da alimentação à per-capita, perdas inevitáveis, número de comensais; o Sazonalidade; o Preço; o Condições de higiene e armazenamento; o Prazo de validade. ARMAZENAMENTO • oDepende do tipo de alimento vCongelados -18°C ou menos (ex: freezer). vRefrigerados - de 0°C C a 10°C (ex: geladeira) vTemperatura ambiente - depende do produto, não devendo ultrapassar 26°C. ARMAZENAMENTO üCarnes em geral e seus produtos manipulados crus: até 4°C (tempo máximo de 72h) üPescados e seus produtos manipulados crus: até 2°C (tempo máximo de 24h) üSobremesas prontas, frios e laticínios manipulados: até 4°C (tempo máximo de 72h), 6°C (máximo 48h) e 8°C (máximo 24h) üHortifrutigranjeiros (legumes, frutas, verduras e ovos) in natura pós- manipulados: até 10°C (tempo máximo 72h). oREFRIGERAÇÃO Manual ABERC, 2009 ARMAZENAMENTO üPrateleiras superiores: alimentos prontos para consumo; üPrateleiras do meio: os semi-prontos e/ ou pré-preparados; üPrateleiras inferiores: alimentos crus (exemplo: carnes cruas, verduras não higienizadas), separadas entre si e de outros produtos; oREFRIGERAÇÃO Manual ABERC, 2009 PRÉ-PREPARO E PREPARO • As etapas de produção de um alimento são divididas em pré- preparo e preparo; • Durante estas etapas os alimentos passam por transformações químicas, físicas, sanitárias e sensoriais; • O laboratório de TD é a oportunidade de termos contato prático com as transformações sofridas pelos alimentos; • Este conhecimento pauta a atuação do nutricionista em escala doméstica ou coletiva. LABORATÓRIO DE TDCOZINHA DE CASA PRÉ-PREPARO E PREPARO • Compreender e controlar as alterações que os alimentos sofrem no processo; • Compreender o efeito das diferentes técnicas de preparo sobre as características nutricionais, sensoriais e sanitárias dos alimentos; • Indicar o processamento que resulte em maior retenção de nutrientes e que melhore a biodisponibilidade; • Reconhecer temperaturas compatíveis com a segurança sanitária para as etapas de pre ́-preparo, preparo, conservação e distribuição de alimentos de modo a evitar situações de risco, que derivem em enfermidades transmitidas por alimentos. O estudo da TD possibilita: PRÉ-PREPARO • Compreende os processos de: üPesagem; üLimpeza; üDivisão (divisão simples ou com separação de partes); üUnião. PESAGEM • É uma das etapas mais importantes para execução correta das preparações e padronização; • Instrumentos para obtenção de medidas exatas: balanças, provetas e béqueres (utensílios graduados); • A utilização de medidas caseiras conduz a erros; • Pode-se padronizar as medidas caseiras a partir dos instrumentos de precisão. LIMPEZA • Nos vegetais é a operação mais utilizada para remoção da sujeira grosseira e parte dos microrganismos; • A limpeza é realizada com água ou detergente próprio para o alimento; • A sanitização consiste na imersão dos vegetais em solução desinfetante (geralmente a base de cloro) para reduzir os microrganismos que não foram eliminados na fase anterior; • Higienização = limpeza + sanitização; • Nos produtos cárneos consiste na retirada de peles e tecidos conectivos. DIVISÃO • Divisão Simples – o alimento é fracionado em partes, porém cada parte conserva as características do todo; • Consiste num processo mecânico que pode ser feita com o uso de instrumentos cortantes (faca) ou máquinas (moedor, liquidificador, processador). DIVISÃO • Divisão Simples • Cortar/picar – dividir o alimento em pedações menores utilizando-se de facas ou lâminas; • Moer – dividir o alimento em pequenos pedaços tornando-o homogêneo; • Triturar – dividir o alimento em pedaços muito pequenos; • Amassar – pressionar o alimento. DIVISÃO • Divisão com separação de partes – alimento é fracionado em partes menores, sendo que cada parte contém diferentes componentes. • Esse tipo de divisão permite a separação de dois líquidos, dois sólidos ou um sólido e um líquido. • A separação entre dois líquidos pode ser realizada por: • Decantação – separação dois componentes líquidos, deixando-os descansar e se separarem em razão das diferentes densidades (ex.: retirada da gordura do caldo de carne); • Centrifugação – separação de líquidos de diferentes densidades causada pela ação centrífuga (retirada da gordura/creme do leite). DIVISÃO • Divisão com separação de partes • Separação de dois sólidos: • Pelar ou descascar – retirar a pele ou casca utilizando facas; • Peneirar – separar partículas sólidas de diversos tamanhos com auxílio de uma peneira • Moer – utilização de um moinho para separar parte de um alimento (ex.: retirada do germe dos cereais) DIVISÃO • Divisão com separação de partes • Separação de um sólido e um líquido • Espremer – extrair líquido de um alimento sólido, utilizando agentes de pressão como um espremedor • Filtrar ou coar – separar partículas sólidas de um líquido (ex.: caldos, bebidas, chá, café) • Sedimentar – deixar o líquido em repouso para que as partículas sólidas nele contidas depositem-se no fundo do recipiente (ex.: suco de maracujá) • Centrifugar – separar sólidos e líquidos por força centrífuga. MÉTODOS DE UNIÃO DOS ALIMENTOS • Operações realizadas com o intuito de unir diferentes alimentos: • Misturar – unir dois ou mais ingredientes de fácil mistura (ex.: temperar, massa de bolo) • Bater –unir dois ou mais ingredientes de difícil mistura. Nesse caso há necessidade de movimentos mais rápidos ou com batedeira (ex.: merengue, gema de ovo) • Amassar, sovar – amassar a massa com as mãos ou em masseiras até que fique uniforme, homogênea e lisa • Sempre que as etapas de divisão e união ocorre após o cozimento de alimentos deve ser considerado etapa de PREPARO. MISE EN PLACE • Termo francês que significa ”pôr em ordem, fazer a disposição” • Consiste na etapa inicial para o preparo de qualquer prato, na qual separam-se utensílios e ingredientes necessários para executá-los; • Os ingredientes devem ser medidos, descascados e cortados; • Etapa fundamental para a boa execução de qualquer receita. PREPARO DOS ALIMENTOS • O preparo compreende as operação de energia mecânica (divisão ou união), energia térmica (calor ou frio) ou pela associação de ambas. Ø Durante o preparo frequentemente utiliza-se a cocção para possibilitar o consumo de alimentos. POR QUE COZINHAR OS ALIMENTOS? 1. Promover a diminuição da atividade água o Limita o desenvolvimento de microrganismos e a atividade enzimática, dois determinantes importantes da deterioração. o Com a diminuição da água disponível, aumentao período de conservação do alimento POR QUE COZINHAR OS ALIMENTOS? 2. Diminuir ou eliminar as formas viáveis de microrganismos oDiferentes combinações de tempo e temperatura – Pasteurização: 72 a 75°C por 15 a 20 seg. ou 62 a 65°C por 30 min. – Ultra-alta temperatura (UAT ou UHT): 130 a 150 °C por 2 a 4 seg. – Temperaturas elevadas de cozimento utilizando diferentes técnicas (fervura, assamento, fritura) POR QUE COZINHAR OS ALIMENTOS? 3. Desnaturar proteínas oA desnaturação das proteínas desorganiza sua conformação estrutural original; oAs proteínas com atividade enzimática naturalmente presentes nos alimentos, especialmente de origem vegetal, perdem sua capacidade de ação, resultando em maior tempo de conservação do produto; oA desnaturação também favorece a digestibilidade, onde o calor expõe as ligações peptídicas, facilitando o acesso das proteases digestivas, aumentando assim o aproveitamento deste nutriente. POR QUE COZINHAR OS ALIMENTOS? 4. Gelatinizar o amido oA gelatinização do amido resulta da adição de água sob ação do calor com agitação oOs grãos entumecem ao incorporar água facilitando o acesso das amilases digestivas e favorecendo a digestibilidade do amido POR QUE COZINHAR OS ALIMENTOS? 5. Inativar fatores antinutricionais e toxinas oGrande parte dos componentes antinutricionais de ocorrência natural nos alimentos é sensível ao aquecimento e perde sua atividade com a cocção o Exemplos clássicos são os inibidores de proteases, de amilases e as lectinas presentes nas leguminosas, que são componentes termolábeis, cuja inativação pelo calor torna o alimento cozido seguro para o consumo POR QUE COZINHAR OS ALIMENTOS? 6. Abrandar e modificar carboidratos não digeríveis ou parcialmente digeríveis oO calor promove modificações na estrutura de carboidratos como a celulose, a hemicelulose, e outros compostos não digeríveis pelo trato digestório humano como a lignina oO abrandamento das paredes celulares facilita a mastigação, promovendo a ação das enzimas sobre os macronutrientes presentes em seu interior oA melhoria da solubilidade de micronutrientes contribui para sua absorção, elevando a biodisponibilidade Ex: biodisponibilidade do licopeno maior em molhos POR QUE COZINHAR OS ALIMENTOS? 7. Desenvolver atributos sensoriais oO uso do calor promove a combinação dos componentes alimentares, que desenvolve sabores, odores, texturas e colorações atraentes ao consumidor oA aceitação decorrente da satisfação sensorial é um dos efeitos da seleção e do preparo dos alimentos mais relevantes para a prática dietética COZINHAR NOS TORNOU HUMANOS • Hipótese do cozimento: • O advento da comida cozida alterou os rumos da evolução humana,; • Dieta com maior densidade energética, segura e de fácil digestão; • Desenvolvimento do cérebro e encolhimento dos intestinos em relação aos demais primatas; • Comida crua exige muito mais tempo e energia para ser mastigada e digerida; • Passar menos tempo comendo para realizar outras atividades; • Digerir alimentos que até então não digeria; • Desenvolvimento de cultura e sociedade. RISCOS DECORRENTES DA COCÇÃO DE ALIMENTOS 1. Diminuição do teor de nutrientes oMuitos nutrientes, especialmente vitaminas hidrossolúveis e compostos bioativos, são sensíveis ao aumento de temperatura à nutrientes termolábeis o Lixiviação: refere à remoção dos nutrientes do conteúdo intracelular por ação da água nos processos de higienização ou na cocção úmida por imersão dos alimentos RISCOS DECORRENTES DA COCÇÃO DE ALIMENTOS 2. Produção de Aminas heterocíclicas e Hidrocarbonetos policíclicos aromáticos (HPAs) oO excesso de calor produz aminas heterocíclicas pela queima da creatinina presente nas carnes, bem como HPAs a partir da combustão parcial da gordura à ambos com atividade mutagênica oQuantidades proporcionais ao tempo e temperatura empregados à especialmente deletérios os processos de cocção seca sob intenso calor como fritura ou tostadura oOs HPAs também estão presentes na fumaça RISCOS DECORRENTES DA COCÇÃO DE ALIMENTOS 3. Produção de acroleína e odores típicos oO uso de temperaturas superiores ao ponto de fumaça das gorduras, aproximadamente 210 a 220°C para óleos refinados, promove a liberação dos ácidos graxos e a desidratação do glicerol, com formação de acroleína oA formação de fumaça clara e odor forte é uma indicativo TRANSFERÊNCIA DE CALOR • As formas de transmissão do calor são: 1. Condução 2. Convecção 3. Radiação TRANSFERÊNCIA DE CALOR • Condução • A transferência do calor decorre do contato de molécula para molécula; • O corpo mais quente cede calor ao menos quente; • Fundamenta-se na premissa da vibração das moléculas presentes em todos os corpos da matéria; • A adição de calor intensifica a vibração entre as moléculas e favorece o contato (chocam-se entre si), havendo transferencia de energia – das mais energéticas para as de menos energia; • Trata-se de uma ação lenta, porém persiste até o calor da fonte alcanças as moléculas mais distantes através da parede do recipiente; • O calor é conduzido à porção central do alimento. TRANSFERÊNCIA DE CALOR • Condução • As chapas e frigideiras para grelhar são exemplos de recipientes em que a transferência de calor se faz por condução; • A condutibilidade depende do material que são feitos os utensílios e equipamentos; • Os de metais são excelentes condutores, já os de vidro tem menor condutividade. TRANSFERÊNCIA DE CALOR • Convecção • O calor é transmitido por meio do ar (gás) ou do próprio líquido; • As moléculas se dispersam formando correntes de convecção; • A porção de gás ou líquido próxima ao calor é a primeira a se tornar menos densa; • Essa porção menos densa se dirige à superfície; • A porção mais densa se desloca para a parte inferior do recipiente. TRANSFERÊNCIA DE CALOR • Convecção • O aquecimento em forno convencional é um exemplo de transmissão de calor por convecção; • A fonte de aquecimento localiza-se na porção inferior, o calor se desloca para porção superior, substituindo continuamente a porção mais fria; • Essa corrente cria uma temperatura uniforme no centro do forno, com posições mais quentes próximas às paredes; • Se dois recipientes forem postos juntos para assar, em alturas distintas, é necessário que não sejam posicionados um sobre o outro na mesma direção para não dificultar a passagem da corrente de convecção. • Na cocção de alimentos em água fervente, o calor é transferido primeiro por condução a partir do fundo da panela, depois pelas correntes de convecção. No interior do alimento, a transferência de calor se dá por condução. TRANSFERÊNCIA DE CALOR • Radiação • O calor é transferido por ondas de energia que vibram em alta frequência e se deslocam rapidamente pelo ar; • As ondas transmitidas por radiação elevam a temperatura da superfície do alimento, mas não conseguem ultrapassar o seu interior (cocção por condução). • Ex.: Microondas, Fogo MÉTODOS DE COCÇÃO • Os processos básicos de cocção realizam-se por: Calor úmido: üFervura üVapor üPocher ou escalfar Calor seco: üRefogar üAssar ou rôtir üGrelhar üSaltear ou sauter üFritar Calor misto: üEnsopar üEstufar üGuizar MÉTODOS DE COCÇÃO • CALOR ÚMIDO • Utiliza-se meio aquoso (água, vinho, leite...) em seus diferentes estados; • Esse tipo de calor hidrata o alimento e dissolve as substâncias químicas responsáveis pelos parâmetros organolépticos, pela concentração de nutrientes ou por outros elementos hidrossolúveis; • Pode ser utilizado em praticamente todos os alimentos, variando o tempo e a temperatura conforme a consistência do produto; • A quantidade de água deverser mínima para evitar persas excessivas de substâncias hidrossolúveis; • Os alimentos devem ser preferencialmente submetidos à cocção inteiros e não devem ser deixados por tempo prolongado; • Trata-se de um método muito utilizado para dietas hipolipídicas, uma vez que dispensa a presença de gorduras; • Produz alimentos macios que podem ser consumidos por pessoas com disfagia ou dificuldade mastigatória. MÉTODOS DE COCÇÃO • CALOR ÚMIDO – FERVURA • Consiste em submergir o alimento em meio aquoso fervente até que esteja apto para o consumo; • As hortaliças devem ser colocadas em um mínimo de água para manter a cor e evitar perdas nutricionais; • Para as massas o volume deve ser grande para evitar aglomeração; oVantagens: cocção sem o uso de gordura; aumentar o volume de certos alimentos; tornar as carnes mais tenras (geleificação do colágeno); reter na água da cocção sabor, aroma, nutrientes (tampada); oDesvantagens: perda de nutrientes por dissolução (utilizar a água do cozimento para outras preparações). MÉTODOS DE COCÇÃO • CALOR ÚMIDO –VAPOR • Consiste em submeter o alimento ao vapor de água ou de outros líquidos com ou sem pressãom- varia de acordo com o tipo de utensílio utilizado: • Cuscuzeira – os alimentos são colocados sobre uma grelha que está alocada em cima de um recipiente com água fervente; • Panela de pressão – Na panela de pressão a temperatura atinge cerca de 121ºC, permitindo uma cocção mais rápida; • Cocção em papillotte – alimento enrolado em folha de papel manteiga, papel alumínio, folha de bananeira ou palha de milho e colocado no forno para cocção. MÉTODOS DE COCÇÃO • CALOR ÚMIDO – Pocher ou Escalfar • Método de cocção em que se utiliza pequenas quantidades de líquido quente, porém abaixo da temperatura de ebulição da água (< 100ºC); • Consiste em cozinhar em líquido, lenta e delicadamente, sem tampar o recipiente, numa temperatura entre 65 e 80 °C à ferver sem fervura • Utiliza alimentos que cozinham abaixo dos 100º.C – peixe, ovo. MÉTODOS DE COCÇÃO • CALOR SECO • A cocção seca é caracterizada pela desidratação do alimento provocada por excesso de calor • Podem ser classificados em calor seco com gordura ou sem gordura; o O calor seco sem gordura é empregado quando se aplica apenas o ar seco e nenhum líquido é acrescentadoà Ex: assar, grelhar e defumar o No caso do calor seco com gordura, a gordura adicionada tem função diferente dos líquidos de cocção, não sendo considerado elemento umedecedor à Ex: saltear e fritar • A aplicação do calor seco deve ser preferencialmente lenta e a baixas temperaturas, caso contrário o alimento ficará cozido na superfície e cru no seu interior; • No caso de frituras em imersão, o alimento absorverá mais gordura se o alimento estiver em baixa temperatura. MÉTODOS DE COCÇÃO • CALOR SECO – REFOGAR • O alimento é aquecido em gordura, mexendo-se rapidamente a mistura; • O alimento é cozido por condução tanto pela ação da gordura, quanto da água presente no alimento; • A panela deve permanecer destampada para que ocorra redução do suco liberado por evaporação e para que a cor do alimento se mantenha. MÉTODOS DE COCÇÃO • CALOR SECO – ASSAR • É a cocção de alimentos preparados em fornos ou espetos, sem tampa e sem adição de líquidos; • Mediante aplicação de ar quente e calor direto à o calor transferido retira a umidade do alimento e promove o cozimento; • O tempo de permanência no forno e a temperatura dependem do peso e das características dos alimentos • Temperaturas elevadas podem promover o aquecimento exagerado, enquanto em seu interior o alimento permanecerá cru. MÉTODOS DE COCÇÃO • CALOR SECO – GRELHAR o Consiste em preparar os alimentos por exposição direta ao calor seco e forte, utilizando-se grelha, chapa ou broiler; o Esta técnica requer carnes bem macias o Pincelar óleo ou manteiga para não grudar nem ressecar • Indicado para porções pequenas, para permitir ao mesmo tempo cozimento adequado no interior do alimento, formando-se uma camada superficial mais torrada. MÉTODOS DE COCÇÃO • CALOR SECO – Saltear • O alimento é revolvido rapidamente, utilizando-se pouca gordura e corando- o em fogo alto; o Sauter (pular, em francês); o Altas temperaturas, sem tampa, agitando em movimentos contínuos e ascendentesà fazer os alimentos “pularem”. MÉTODOS DE COCÇÃO • CALOR SECO – FRITAR OU FRIGIR o Frigir: com pouca gordura, sempre muito quente, sem movimentar o recipiente de cocção (Fritura rasa) - necessidade de virar os alimentos; o Fritar (por imersão): mergulhar completamente o alimento em grande quantidade de gordura em frigideiras ou fritadeiras; • O óleo deve estar à alta temperatura; • Deve-se observar o ponto de fumaça – temperatura na qual substâncias de decomposição da gordura se tornam visíveis formando fumaça; • Quanto mais alto o ponto de fumaça mais esse óleo é indicado para fritura (óleos vegetais com exceção do de oliva e banha); • As características sensoriais mais relevantes são a cor, crocância e umidade no interior do produto. CALOR MISTO oNeste caso, o calor seco e o calor úmido agem conjuntamente, buscando concentrar e dissolver substâncias do alimento conforme o resultado desejado oA ação do calor misto faz com que os compostos organolépticos e nutricionais se concentrem primeiramente no interior do alimento para, depois, pela adição de líquido, formarem molhos de sabor peculiar. CALOR MISTO: ENSOPAR E GUIZAR oEnsopar: refoga-se o alimento para amaciar e acrescenta-se líquido (água, suco, vinho) para dissolver sabores, ao final destampa-se a panela para redução e espessamento do molho. Ex.: frango ensopado; oGuisar: Refogar o alimento, cozinhando em pouco líquido para formar um molho mais grosso que o ensopado. É feito com a panela destampada e mexendo frequentemente. CALOR MISTO: ESTUFAR oMétodo de cocção lento no qual os alimentos são cozidos no próprio suco ou com adição de muito pouco líquido ou gordura oAlguns estufados podem ser preparados em panelas de barro hermeticamente fechadas e seladas com uma pasta feita à base de farinha de trigo e água, atualmente substituída por papel alumínio o Ex: barreado, prato típico do Paraná MÉTODO DE COCÇÃO CONTEMPORÂNEOS São métodos de cocção tradicionais, porém com a utilização de equipamento modernos, ágeis e econômicos MICROONDAS oAs ondas de calor produzem calor pela vibração das moléculas de água do alimentoà interior para o exterior oDescongelar, esquentar e cozinhar alimentos oA quantidade de água mal distribuída no alimento faz com que certas partes fiquem mais ou menos quentes oNão há mudança química perigosaà ondas não ionizantes oUtilizar recipientes para cobrir o alimentoà evitar perdas oAspectos sensoriaisà aparência, textura FORNO COMBINADO o Utiliza calor seco e calor úmidoà separados ou em conjunto o Cocção de vários alimentos ao mesmo tempo à pode-se controlar o tempo e a temperatura em cada camada o Economia de espaço e de tempo no preparo dos alimentos o Programas: – Vaporização: branquear, esterilizar, cozinhar à poché – Vaporização rápida: tubérculos e leguminosas secas (106 a 120 °C) – Bivaporização: peixes, frutos do mar, pudins, crescimento de massas (30 a 98 °C) – Combinado: Vapor inicial seguido de ar quente - alimentos com crosta crocante (100 a 250 °C) – Regeneração: pratos já montados sem ressecamento (eventos e UPRs) – Convecção: usado em produtos com maior valor de atividade água, como carnes. FORNO COMBINADO COCÇÃO À VÁCUO (SOUS-VIDE) oOs alimentos são selados a vácuo em embalagens plásticas à cozidos no vapor do próprio alimento e resfriados rapidamenteà alimentos estocados entre 3 e 5 °C oPermite conservar as qualidades organolépticas enutricionais dos alimentos MÉTODOS AUXILIARES DE COCÇÃO MÉTODOS AUXILIARES: GRATINAR oNão se trata de um método de cocção, e sim de finalização ou acabamentoà crosta de cor dourada oPode ser feito ao forno, salamandra ou grill oObtido por polvilhamento de queijo ou farinha de rosca oOs alimentos devem ser cozidos antes de serem gratinados MÉTODOS AUXILIARES: BRANQUEAR oConsiste na pré-cocção do alimento em água fervente por um curto período de tempo, seguida de resfriamento imediato em água gelada à confere firmeza, manutenção da cor, inativação de enzimas (escurecimento) e inibição de micro-organismos; oUtiliza-se em seguida para outros métodos de cocção. MÉTODOS AUXILIARES: BANHO-MARIA oColoca-se o alimento em um recipiente que, por sua vez, é colocado em outro com água quente ou fervente oMétodo ideal para alimentos delicados que não podem ir diretamente ao calor forte o Ex: molho holandês, chocolate oTambém pode ser utilizado para manter a temperatura dos alimentos REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ü PHILIPPI, S.T. Nutrição e Técnica Dietética. 3. ed. Barueri, SP: Manole, 2014. ü DOMENE, S.M.A. Técnica Dietética - Teoria e Aplicações. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2011. ü ARAÚJO, W.M.C; MONTEBELLO, N. P.; BOTELHO, R. B. A.; BORGO, L.A. Alquimia dos Alimentos. 3. ed. São Paulo: Senac, 2016. ü POLLAN, M. Cozinhar: uma história natural da transformação. 1.ed. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2014.