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UNIVERSIDADE LUTERANA DO BRASIL
PRÓ-REITORIA DE GRADUAÇÃO
CURSO DE FONOAUDIOLOGIA
PORTFÓLIO DA DISCIPLINA DE AUDIOLOGIA
Bianca Weber
Canoas, 27 de junho de 2017.
INTRODUÇÃO
O presente portfólio tem objetivo de apresentar a compilação das aulas de Audiologia do primeiro semestre do ano de 2017 na Universidade Luterana do Brasil ministrada pela Fonoaudióloga Marion De Borba.
O Audiologista é o fonoaudiólogo especialista que se dedica ao estudo do sentido AUDIÇÃO, desde a recepção das ondas sonoras pelo ouvido até o completo processamento das informações auditivas pelo córtex do sistema nervoso central, dedicando-se pois ao estudo da anatomia, da fisiologia, da neurofisiologia e das patologias de todo o aparelho auditivo. Este profissional sem dúvida, é o mais capacitado para diagnosticar, atestar e tratar os distúrbios da audição e suas consequências no dia-a-dia do indivíduo por eles acometido.
JUSTIFICATIVA
Este portfólio foi montado no intuito de aprofundar os conhecimentos sobre a área da Fonoaudiologia relacionada a Audiologia, expondo os materiais anexados para nível de conhecimento coletivo dos profissionais da área e interessados no assunto.
1. AUDIOLOGIA
A resolução número 320 de 17/02/2006 do Conselho Federal de Fonoaudiologia diz que: A audiologia é o campo da fonoaudiologia voltado para promoção, prevenção, diagnóstico e reabilitação da função auditiva e vestibular, incluindo estudos e pesquisa. O objetivo principal da audiologia é garantir a comunicação e a qualidade de vida do indivíduo por meio da otimização de suas habilidades auditivas.
Áreas de atuação da Audiologia
- Audiologia Clínica
- Audiologia Educacional
- Audiologia Industrial
- Audiologia Infantil
- Audiologia Neonatal
Oportunidades Profissionais
Hospitais ou centros de saúde
- Equipe multidisciplinar (otorrino, neurologistas, psicólogos, outros)
- Diagnóstico audiológico (Ambulatório)
- Triagem auditiva em berçários (teste da orelhinha)
- Monitoramento audiológico em pacientes em UTI (uso de ototóxicos, ou cirurgias neurais)
Empresas de aparelhos auditivos
- Responsável pelo processo de seleção e adaptação do AASI
- Responsável pelo treinamento de outros profissionais
Consultórios
- Diagnóstico audiológico em adultos e crianças
- Seleção e adaptação de AASI
- Parcerias com outros profissionais
- Reabilitação da audição e da fala
Escolas
- Triagem escolar
- Assistência audiológica em crianças com PA em escolas de ouvintes (sistemas FM)
- Orientação aos pais e professores
Indústrias
- Audiometria ocupacional, Programa de Conservação Auditiva, Consultorias
Centros de Reabilitação
- Saúde auditiva
Universidades
- Pesquisa e ensino superior
2. AVALIAÇÃO AUDIOLÓGICA
A avaliação audiológica básica é iniciada através da anamnese e composta por vários exames que serão citados no decorrer deste texto e aprofundados posteriormente um a um neste portfólio.
Meatoscopia: É um exame que através de um instrumento denominado otoscópio realiza-se a inspeção do meato auditivo externo com fins de verificar se a orelha encontra-se apta para execução do exame.
Acumetria: Utiliza-se o instrumento Diapasão, este é feito de metal (aço ou alumínio) em forma de U que produz um tom puro cuja requência varia conforme a espessura de suas hastes e o material. Com ele, podem ser realizados testes simples e diagnosticada uma possível perda auditiva e diferencial entre condutiva e neurossensorial. 
Audiometria Tonal Liminar: Realizado em uma cabina audiométrica através do aparelho denominado Audiômetro (aparelho eletroacústico), é considerada uma ferramenta indispensável na avaliação básica da audição pois permite avaliar audição periférica, investigando audição por via aérea e via óssea.
Audiometria Vocal: Também realizado na cabina audiométrica, é um exame no qual investiga a habilidade de perceber e reconhecer os sons da fala. É composto de dois testes: Limiar de Reconhecimento de Fala (LRF) ou Speech Reception Threshold (SRT), Índice Percentual de Reconhecimento de Fala (IPRF), Limiar de Detecção de Fala (LDF) ou Speech Detection Threshold (SDT).
Imitanciometria: Este exame avalia a complacência (flacidez ou rigidez) da membrana timpânica, bem como os limiares dos reflexos do tímpano, e os ossículos do ouvido médio (martelo, bigorna e estribo). Pode ser divido em três etapas: timpanometria, compliância e pesquisa do reflexo estapédico.
É extremamente importante saber correlacionar os resultados audiológicos para poder identificar resultados falso-positivos. 
3. PERDAS AUDITIVAS
A perda auditiva geralmente ocorre de forma gradual e, muitas vezes, é notada, primeiramente, por amigos e família. Um diagnóstico precoce – através de uma clara avaliação auditiva – e um tratamento imediato são importantes e potenciam resultados mais favoráveis.
A perda de audição pode ser dividida em cinco tipos:
3.1 Perda auditiva Condutiva
A perda auditiva condutiva também conhecida por hipoacusia deve-se a um problema no ouvido médio ou na parte externa do ouvido, o que impede que o som chegue ao ouvido interno de forma clara e perceptível. Normalmente, este problema, ocorre porque o canal do ouvido fica entupido ou os ossinhos do ouvido, como o estribo, ficam mais rígidos, o que impede que o tímpano se movimente, ocorrendo no caso de otosclerose, por exemplo.
Nesta perda pode haver presença ou não de zumbido.
No exame audiológico, há perda auditiva nos limiares aéreos e normais na via óssea. Gap entre as vias aéreas e ósseas deve ser no mínimo 15 dB e no máximo 60 dB (quando problema Condutivo puro). As medidas timpanométricas apresentam-se alteradas, e os reflexos acústicos ausentes.
Em casos da fala, se o som da fala for intenso o paciente não haverá dificuldades para discriminar a fala.
As causas mais comuns de perda auditiva condutiva é a obstrução do canal do ouvido, causado pela presença excessiva de cera. Porém, pode ocorrer devido:
- Infecção no canal do ouvido ou no ouvido médio;
- Tímpano furado;
- Líquido no ouvido médio, como água;
- Presença de um objetos estranhos no canal do ouvido;
- Otosclerose, que é um mau funcionamento dos ossículos do ouvido;
- Tumores.
​​Normalmente, a perda auditiva é temporária, no entanto, é necessário ir ao otorrinolaringologista para detectar a causa e iniciar o tratamento mais adequado.
 
3.2 Perda auditiva sensorioneural/neurossensorial
A deficiência auditiva neurossensorial pode ser advinda por questões de hereditariedade, onde foi adquirida por problemas da mãe no pré-natal, tais como rubéola, sífilis, herpes, entre outros. Também pode ser causada por traumas físicos, prematuridade, trauma no parto, caxumba, podendo também ser induzida pela exposição a ruídos, lesões na cabeça, processo de envelhecimento e outros.
Os sintomas enfrentados são de não percepção dos sons como suaves, mas como abafados ou distorcidos, tornando difícil separar um som do outro, como conversas em um ambiente ruidoso.
Nesta perda pode haver presença ou não de zumbido.
No exame audiológico, a perda auditiva atinge tanto a via aérea como a via óssea, não há presença de Gap entre a via aérea e a via óssea ou se haver no máximo de 10 dB. As medidas timpanométricas geralmente estão dentro da normalidade. O reflexo acústico pode estar presente ou não.
O tratamento normalmente ocorre pelo uso de aparelhos auditivos, dependendo do grau de perda auditiva enfrentado. Já quando a perda auditiva neurossensorial for de severa à profunda, esta pode ser tratada com um sistema de implante coclear.
3.3 Perda auditiva mista
A deficiência auditiva mista é a combinação da deficiência auditiva condutiva e a neurossensorial. Esta pode advir tanto de problemas do ouvido externo, como do médio, ou do ouvido interno.Ela pode ocorrer quando há uma alteração na condução do som até o órgão terminal sensorial, alteração esta associada à lesão do órgão sensorial ou do nervo auditivo.
Um dos sintomas mais comum de quem sofre desta perda é ouvir em volume baixo os sons, sendo difícil de compreendê-los. Tal deficiência pode se agravar levando a uma perda auditiva profunda.
No exame audiológico, o reconhecimento de fala pode não estar comprometido (se maior condutivo). O teste de Weber lateralizará em função da influência de um dos componentes e a Timpanometria mostrará o tamanho do componente condutivo e os reflexos acústicos estarão ausentes.
Dependendo do grau da perda auditiva, esta poderá ser tratada com o uso dos aparelhos 
auditivos.
3.4 Perda auditiva central
A perda auditiva central atinge a via auditiva central, a porção do nervo coclear e de suas conexões, que se encontram entre o núcleo coclear e o córtex do lobo temporal.
As ondas sonoras são transmitidas normalmente através das três partes da orelha, porém, o nervo auditivo pode não ser capaz de enviar os impulsos elétricos para o cérebro ou os centros auditivos do cérebro podem não receber os sinais corretamente. A perda central pode ser resultado de traumatismos cranianos, doenças ou tumores.
O paciente apresenta dificuldade para reconhecer a fala e para interpretar informações complexas e em alguns casos pode haver presença de lesões neurológicas.
Em crianças com perda congênita pode haver flutuação ou presença de respostas auditivas, somente para sons de grande intensidades.
Seu desenvolvimento de linguagem pode estar comprometido, chegando inabilidade. Seu tempo de atenção para estímulos sonoros é muito curto e apresenta dificuldade de concentração em uma única atividade.
No exame audiológico, os limiares tonais estão dentro da normalidade ou com características de lesão de percepção.
3.5 Perda auditiva funcional
Considera-se a perda auditiva como funcional quando o déficit deste sentido passa a gerar um prejuízo social, seja pela incompreensão da voz humana, seja pelos sons ambientais, assim como pela necessidade de se imprimir maiores níveis de intensidade sonora para que estes sejam compreendidos.
O paciente com este tipo de perda, tem tendência a demorar para responder ao nome, olhares interrogativos ao examinador, parece agitado, nervoso, ansioso e com pressa.
Audiometria revela perda auditiva intensa, mas SRT pode apresentar-se melhor ou normal.
Os reflexos acústicos podem estar melhores do que os limiares tonais apresentados.
Seu padrão de fala e qualidade vocal, não condizem com o grau de perda auditiva
3.6 Classificação do Grau da Perda Auditiva
No Brasil ainda existe divergência do tipo mais adequado, por haver mais de uma classificação, porém a classificação adotada pela Ulbra é a da OMS, conforme segue abaixo.
 
4. ANAMNESE
A anamnese é uma entrevista pessoal do profissional com o paciente que tem como objetivo obter informações sobre as condições da função auditiva do mesmo.
Nesta entrevista, pode-se observar se a perda auditiva está impactando a comunicação, inclusive podendo avaliar qualitativamente a audição, levantar hipótese sobre os possíveis resultados e também determinar a forma mais adequada de avaliação para este paciente.
	Os prinicipais elementos da anamnese são: 
- Identificação;
- Queixa Principal;
- História da Doença Atual;
- História Médica Pregressa;
- História Familiar;
- História Pessoal
Na clínica de Fonoaudiologia da ULBRA utiliza-se uma anamnese pré-estruturada, sendo que foi criado um modelo para adultos e idosos e outro modelo infantil. Optou-se por este modo para que nenhuma informação seja perdida.
5. AUDIOMETRIA TONAL LIMIAR
A Audiometria é um exame indolor e subjetivo (depende da participação do paciente) que investiga a audição tanto por via aérea quanto óssea. Tem um papel chave no diagnóstico, localizando e identificando o distúrbio, quantificando o grau de perda auditiva e servindo, ainda, como referencial para outros testes diagnósticos e diversos planejamentos terapêuticos. A Audiometria Tonal Limiar é um exame de determinação dos Limiares Auditivos, ou seja, a menor intensidade que o paciente consegue escutar. Este teste é realizado em cabina acústica com a utilização de tons puros para obter limiares da sensação auditiva. É indicada para indivíduos com queixa de dificuldade de audição, ouvido tampado, zumbido, dor de ouvido, incômodo com o som alto e como prevenção em casos de trabalho em ambiente ruidoso.
Para a realização de audiometria tonal liminar, além da cabina tratada acusticamente, o fonoaudiólogo deve dispor de um audiômetro, onde estarão acoplados transdutores (fones), para a pesquisa de limiares tonais por via aérea e um vibrador ósseo, para a pesquisa de limiares tonais por via óssea.
Os transdutores normalmente usados são do modelo TDH39. Observa-se que um dos lados apresenta um cabo vermelho e o outro lado um cabo azul. O vermelho é usado na orelha direita e o azul na orelha esquerda. Estas cores serão sempre usadas da mesma forma. Tudo o que se referir ao lado direito é escrito com vermelho e o que se referir ao lado esquerdo com azul.
Para a realização da audiometria tonal liminar o paciente deve estar sentado dentro da cabina. Deve ser orientado a levantar a mão a cada vez que ouvir um som (apito), mesmo que este seja muito fraco. Se ouvir o som no lado direito deverá levantar a mão direita. Se ouvir do lado esquerdo, deverá levantar a mão esquerda.
O exame tem inicio pela melhor orelha, caso o paciente relate não perceber diferenças, pode-se então iniciar pela orelha direita.
É importante a colocação dos fones de forma adequada, pois alguns pacientes têm suas orelhas colabadas por causa do posicionamento inadequado dos fones e isto pode provocar uma falsa perda condutiva decorrente do efeito oclusão.
5.1 Audiometria Tonal Limiar por Via Aérea
O teste inicia-se pela frequência de 1000hz na intensidade de 30dB, posterior as frequências 2.000, 4.000, 6.000, 8.000, 500 e 250 Hz. Após resposta do paciente diminui-se a intensidade em degraus de 10 dB. Movimentos ascendentes de intensidade são reprisados em degraus de 5dB e os descendentes em degraus de 10 dB. Caso não se obtenha resposta, aumenta-se de 10 em 10 dB até a intensidade de saída máxima do audiômetro ou até a obtenção de uma resposta. O limiar auditivo obtido deverá ser anotado no audiograma. Quando os limiares estão além da saída máxima do audiômetro, uma flecha descendente é acoplada ao "O" ou ao "X" para indicar ausência de resposta.
5.2 Audiometria Tonal Limiar por Via Óssea
	É realizada sempre que os limiares por via aérea forem maiores do que 25 dB (adultos) ou 15 dB (crianças).
	O estímulo atinge diretamente a cóclea sem passar pelas orelhas externa e média, através dos ossos do crânio, pois o sinal de um tom puro é apresentado ao paciente por meio de um vibrador ósseo que é colocado na mastóide para a obtenção dos limiares auditivos. Deve-se ter cuidado para que o vibrador não encoste no pavilhão auricular por provocar um falso limiar auditivo.
	A intensidade máxima do vibrador é de 70 dB para as frequências de 1.000 a 4.000 Hz e de 65 dB para 500 Hz, porém varia de acordo com o modelo do audiômetro.
	Os limiares auditivos por via óssea quando estão além da saída do audiômetro são anotados como uma flecha descendente que é acoplada ao "<" e ao ">" para indicar ausência de resposta.
	Mensurados os limiares por via óssea, pode-se compará-los aos limiares por via aérea, estabelecendo o diferencial aéreo-ósseo (Gap) e assim classificar os tipos de perda auditiva em: condutiva, neurossensorial e mista.
6.0 AUDIOMETRIA VOCAL OU LOGOAUDOMETRIA
A audiometria vocal é um exame complementar da audiometria tonal. A audiometria tonal fornece apenas os limiares absolutos de percepção de sons puros (função periférica), enquanto a audiometria vocal determina a compreensãoda linguagem (inteligibilidade) e a discriminação (capacidade de discernir os fonemas), testando os sistemas periférico (cóclea) e central (via e centros auditivos). Este exame desempenha um papel fundamental no diagnóstico de determinadas patologias retrococleares (Tumores do acústico, neuropatia/dessincronia auditiva) e na indicação de próteses auditivas.
A avaliação geralmente inclui:
1. Limiar de Recepção de Fala ou Speech Reception Threshold (SRT).
2. Limiar de Detecção de Fala ou Speech Detection Threshold (SDT).
3. Índice Percentual de Reconhecimento da Fala (IPRF) ou índice percentual de discriminação.
6.1 Limiar de Recepção de Fala (SRT)
	Este exame corresponde à menor intensidade com a qual o paciente é capaz de repetir 50% das palavras faladas (geralmente dissílabos para adultos ou trissílabos e ordens simples para crianças). 
	O paciente repete palavras que são representadas com intensidades cada vez menor. Para iniciar a avaliação devemos fazer a media dos limiares auditivos de VA de 500, 1000 e 2000Hz e somar 40dB a este valor.
	A técnica utilizada é ler uma palavra e a cada palavra corretamente repetida pelo paciente, diminui-se 10 dB, até que o paciente não consiga repetir ou ouvir. Então, aumenta-se 5 dB e mais quatro palavras são solicitadas para o paciente repetir, chegando a um determinado ponto em que acerte 50% das palavras apresentadas. 
	O SRT deve corresponder à média dos limiares tonais por via aérea nas frequências de 500, 1.000 e 2.000 Hz podendo ser obtido um resultado igual ou no máximo 10 dB piores que esta média . Caso a média das frequências de fala, não corresponda ao SRT, deve-se suspeitar que o paciente tenha uma perda auditiva que prejudique a compreensão da fala. O teste de recepção e reconhecimento da fala podem ser aplicados em criança, mas com algumas modificações.
	
6.2 Índice Percentual de Reconhecimento de Fala (IRF)
	Tem como objetivo verificar o percentual de reconhecimento de fala e auxilia também na avaliação das estruturas centrais da audição.
Mede a habilidade do paciente em repetir palavras (monossílabos ou dissílabos) com 40 dB acima de média de limiar das frequências de 500, 1000 e 2.000 Hz. Caso o paciente refira desconforto a 40 dB, deve-se ajustar a intensidade sonora até que o paciente refira conseguir repetir as palavras sem apresentar desconforto. 
A técnica do exame consiste em ler uma lista de 25 palavras para cada orelha (monossílabos e dissílabos) e ao final deverá ser contado o numero de acertos ou erros para então calcular o percentual de reconhecimento. 
Cada palavra em lista de 25 dissílabos ou monossílabos equivale a 4%, assim cada erro diminui-se 4% ou a cada acerto aumenta-se 4%.
Os resultados dependem do grau e tipo de perda auditiva que o paciente apresenta.
Caso o resultado for igual a 88% é obrigatório fazer o exame também com a lista de dissílabos e o resultado deverá ser igual ou melhor que as palavras monossílabas.
Em indivíduos normais ou perdas auditivas condutivas, a discriminação pode variar de 92 a 100%. Inferior a 92%, são consideradas perdas auditivas neurossensoriais. 
6.3 Limiar de Detectabilidade da Fala (SDT ou LDF)
Este exame tem por objetivo investigar em que nível de intensidade o paciente apresenta resposta a detectação da voz. É realizado quando o paciente não consegue ou não quer repetir as palavras de SRT. O limiar obtido ao SDT é o melhor limiar obtido nas frequências testadas e este deverá estar igual a media dos limiares de VA ou o melhor limiar auditivo nas frequências de 500 a 4000 Hz.
7.0 MASCARAMENTO
	O mascaramento segundo ANSI S3.6-1989, é o processo pelo qual o limiar de audibilidade para um som é elevado pela presença de outro som mascarante.
	Este exame é feito para eliminar a participação da orelha não testada na avaliação da orelha testada. 
	É um ruído utilizado tanto na medida da via aérea como na via óssea, para evitar o fenômeno de lateralização, que é a percepção do estímulo pela orelha contra-lateral à testada. Este fenômeno aprece no audiograma quando os resultados da orelha pior é semelhante à da orelha melhor mas em intensidades maiores.
	Para que esse ruído seja efetivo, o ideal é que ele tenha uma faixa restrita de frequências e nelas esteja contida a frequência a ser mascarada no tom puro.
	Audição Cruzada: Quando a orelha não testada responde para o som apresentada na orelha testada devido a capacidade do crânio vibrar frente a estimulação sonora, ocasionando a curva sombra.
	Existe uma quantidade mínima de energia necessária para iniciar a vibração do crânio, variável de acordo com a frequência. 
	Então, a intensidade que atinge a cóclea da orelha não testada, é sempre inferior a intensidade apresentada pela via aérea da orelha testada. Essa redução de energia chama-se ATENUAÇÃO INTERAURAL (AI).
	Conhecendo os valores de AI, nos permitirá decidir quando será necessário o uso do mascaramento.
	Partindo que o uso básico da AI é comparar a resposta da via aérea na orelha testada e a via óssea da orelha não testada, se atingir ou exceder os valores da AI em determinada frequência, é necessário o uso do mascaramento.
7.1 Mascaramento na audiometria tonal aérea
	
	Para saber se devemos aplicar o mascaramento na via aérea, precisamos comparar a resposta da via aérea da orelha testada e a via óssea da orelha não testada. Conhecendo os valores de AI, precisamos verificar se o resultado atinge ou excede os valores da AI em determinada frequência, caso si, devemos mascarar.
	A técnica do exame consiste em colocar o fone da orelha testada no qual se originará os apitos e o outro na orelha não testada, onde sairá os chiados.
	O paciente deve ser informado de que ele vai escutar alguns apitos e também um chiado, mas que deverá levantar a mão somente quando ouvir o apito e que não deve dar importância ao chiado. 
	Formula = NS + 10dB + LVAONT
	NS: Nível de sensação
	LVAONT: Limiar da via aérea da orelha não testada.
	O resultado final desta formula deve ser colocado no audiômetro como intensidade do chiado, juntamente incluímos o limiar e a frequência da via óssea e dar-se inicio ao exame anotando no audiograma com os símbolos ou.
	Abaixo a atenuação interaural:
	Frequência: 
	250
	500
	1000
	2000
	3000
	4000
	6000
	8000
	AI (dB)
	40
	40
	40
	45
	45
	50
	50
	50
	
7.2 Mascaramento na audiometria tonal ósseo 
	Sempre que os limiares obtidos por via aérea da orelha testada e da não testada apresentarem um GAP igual ou maior que 15dB.
	A técnica do exame consiste em colocar o vibrador ósseo na mastoide da orelha testada no qual se originará os apitos e o fone de inserção na orelha não testada, onde sairá os chiados.
	O paciente deve ser informado de que ele vai escutar alguns apitos e também um chiado, mas que deverá levantar a mão somente quando ouvir o apito e que não deve dar importância ao chiado. 
	Fórmula = VOT + AI – 5
	VOT: Via óssea da orelha testada
	AI: Atenuação interaural 
	O resultado final desta formula deve ser colocado no audiômetro como intensidade do chiado, juntamente incluímos o limiar e a frequência da via óssea e dar-se inicio ao exame anotando no audiograma com os símbolos ou .
7.2 Mascaramento na audiometria vocal
	Quando o SRT da orelha testada ou a media de tons puros da via aérea ou da via óssea apresentarem a diferença igual ou maior que Ai de 45dB.
	
8.0 IMITANCIOMETRIA
	É uma forma de medida objetiva de avaliar a integridade e função dos mecanismos periféricos da audição.
	A técnica baseia-se no principio de que o nível de pressão sonora (NPS) é uma função de volume da cavidade fechada.
	Um sinal de intensidade fixa introduzido em uma cavidade grande terá um nível de pressão sonora mais baixo, do que o sinal introduzido em uma cavidade pequena.
	A imitanciometria informa com certa precisão sobre a integridade funcionaldo conjunto tímpano-ossicular e permite a pesquisa objetiva do fenômeno de recrutamento.
	O equipamento utilizado para realizar o exame é o imitanciômetro que possui em um dos fones uma sonda três orifícios no qual inclui 1 microfone que capta o som refletido, 1 plug que envia um som de 226 Hz a 90 dB NS, 1 manômetro que altera a pressão (mm H20) dentro do CAE.
	
8.1 Timpanometria
	A timpanometria é usada para diferenciar as patologias condutivas entre si e também permite inferir sobre o funcionamento da tuba auditiva. 
	A oliva do impedanciômetro deve estar perfeitamente adaptada ao CAE do paciente, a oliva contém três tubos: 8 - 1 microfone que capta o som refletido - 1 plug que envia um som de 226 Hz a 90 dB NS - 1 manômetro que altera a pressão (mm H20) dentro do CAE. 
	Em uma orelha normal, a medida que se aumenta a pressão dentro do CAE estaremos empurrando o sistema timpano-ossicular contra a janela oval, aumentando portanto a impedância do sistema. Da mesma forma a medida que diminuímos a pressão no CAE, também diminuímos a complacência do sistema por estarmos tracionando o conjunto tímpano-ossicular. A complacência máxima deve ser atingida com uma pressão de zero imposta ao sistema, já que no ouvido normal a pressão dentro do ouvido médio deve se equiparar à pressão atmosférica. 
	Quando a complacência de orelha média está diminuída, o som oferecido ao CAE vai ser pouco transmitido ao ouvido interno e portanto boa parte vai ser refletida. 
	A técnica do exame consiste em explicar para o paciente que será colocado uma sonda na entrada da sua orelha, que deverá permanecer o mais quieto possível não realizando nenhum movimento brusco durante a realização do exame. Informa-lo de que sentira uma pequena pressão no ouvido e ouvirá alguns apitos, mas que não sentirá nenhuma dor.
	O audiologista deverá escolher uma oliva que será acoplada a sonda de acordo com o tamanho da entrada do conduto auditivo do paciente, iniciar o exame no imitanciômetro e manter-se atento aos resultados para informa-los na folha do exame.
	É através dos dados abaixo que podemos gravar os seguintes timpanogramas: 
	Tipo A: é encontrada em orelha média com função normal ou individuo com otosclerose. 
	Complacência: 0,3 á 1,6 mL
	Pressão: + 50 á -100 daPa
	Tipo As ou Ar: é encontrada em indivíduos portadores de otosclerose, timpanosclerose, membranas timpânicas engrossadas ou muito cicatrizadas.
	Complacência: inferior a 0,3 mL
	Pressão: + 50 á -100 daPa
	Tipo Ad: é encontrada em indivíduos onde na orelha média ocorreu descontinuidade a cadeia ossicular. Pode significar membrana timpânica muito flácida ou monomérica. 
	Complacência: maior que 1,6 mL
	Pressão: + 50 á -100 daPa
	Tipo B: é encontrada em pacientes com otite média serosa e adesiva; mal formações congênitas do OM, perfurações de tímpano com canais totalmente oclusos por cerume ou com tubo de ventilação patente.
	Complacência: no apresentam o pico de máxima complacência m nenhuma pressão de ar;
	Pressão: ausência de mobilidade, logo não há
	Tipo C: é encontrada em indivíduos portadores de mau funcionamento da tuba auditiva, e pode ser um precursor de otite media secretora.
	Complacência: 0,3 à 1,6 mL
	Pressão: alem de -100 daPa
9.0 ANEXOS: 
	9.1 Exemplos de curvas timpanométricas
	
	9.2 Símbolos utilizados no audiograma 
9.3 Lista de Palavras para realizar o exame SRT
	Pacote
	Numero
	Girafa
	Parede
	Sapato
	Relógio
	Paletó
	Cenoura
	Telefone
	Boneca
	Soldado
	Soverte
	Tapete
	Tomate
	Televisão
	Caneta
	Xicara
	Papagaio
	Tomada
	Casaco
	Elefante
	Cozinha
	Camisa
	Aspirador
	Banana
	Brinquedo
	Geladeira
	Azeite
	Gelado
	Cozinha
	Galinha
	Janela
	Pirulito
	Macaco
	Lâmpada
	Cadeira
	Novela
	Cabelo
	Campanhia
	Fósforo
	Coração
	Biscoito
	Caderno
	Talha
	Desenho
9.4 Lista de Palavras Monossilabicas e dissilábicas para realizar o exame IRF
	ORELHA DIREITA
	
	ORELHA ESQUERDA
	MONO
	DIS
	%
	MONO
	DIS
	Pá
	Poste
	96
	Pé
	Pato
	Tom
	Toca
	92
	Teu
	Tela
	Cor
	Cola
	88
	Cal
	Cama
	Bom
	Bota
	84
	Bar
	Bola
	Dar
	Dama
	80
	Dom
	Data
	Gás
	Gola
	76
	Gás
	Gota
	Fio
	Fita
	72
	Fiz
	Fonte
	Cha
	Chuva
	68
	Chá
	Cheio
	Sim
	Vento
	64
	Sol
	Santo
	Vão
	Zona
	60
	Vaz
	Valsa
	Zás
	Gelo
	56
	Zás
	Zebra
	Já
	Mata
	52
	Giz
	Gema
	Mal
	Ninho
	48
	Mão
	Mala
	Não
	Minha
	44
	Nó
	Nariz
	Nhõ
	Logo
	40
	Nha
	Manhã
	Ler
	Malha
	36
	Lar
	Lago
	Lhe
	Farol
	32
	Lha
	Calha
	Réu
	Preto
	28
	Rir
	Caro
	Trés
	Grama
	24
	Brim
	Cravo
	Grau
	Bloco
	20
	Gao
	Grito
	Tia
	Classe
	16
	Por
	Placa
	Cal
	Drama
	12
	Dor
	Vidro
	Dia
	Plano
	8
	Pão
	Branco
	Pau
	Trava
	4
	Bem
	Blusa
	Tai
	Cento
	0
	Cão
	Flauta
CONCLUSÃO
Atualmente existe uma melhor qualidade, além de maior rapidez no que se refere aos equipamentos utilizados. Contudo, nenhum deles substitui o “olhar” de um profissional habilitado e experiente, que cria as condições para a observação do comportamento auditivo de seu paciente, desde o momento em que este atravessa sua porta de entrada.
PENSAMENTO
“Jamais considere seus estudos como uma obrigação, mas como uma oportunidade invejável para aprender a conhecer a influencia da beleza do reino do espírito, para seu próprio prazer pessoal e para proveito da comunidade a qual seu futuro trabalho pertence.”
Albert Einstein
BIBLIOGRAFIA
http://www.ufrgs.br/napead/repositorio/objetos/avaliacao-audiologica/audiotonal.html
http://forl.org.br/Content/pdf/seminarios/seminario_22.pdf
http://www.cochlea.eu/po/exploracao-funcional/methodes-subjectives/audiometrie-vocale