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Oncologia -   Bases da Oncologia

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Arlindo Ugulino Netto ● MEDRESUMOS 2016 ● ONCOLOGIA 
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www.medresumos.com.br 
 
 
BASES DA ONCOLOGIA 
 
 A oncologia é a especialidade médica que estuda e trata do câncer, bem como a forma de comportamento 
patológico que esta entidade desenvolve no organismo, buscando entender a sua fisiopatologia e desenvolver métodos 
terapêuticos adequados para o seu tratamento. 
 Podemos dizer que o câncer é consequência de alterações moleculares que conferem à célula modificações em 
seu comportamento e resultam em alterações na fisiologia celular que, em última instância, são responsáveis pela 
biologia do câncer. 
 
 
DIFERENÇAS ENTRE A CÉLULA NORMAL E A CÉLULA CANCEROSA 
 Quando as células extraídas de tumores são colocadas em cultura, elas apresentam um padrão de crescimento 
diferente das células extraídas de tecidos normais. Essa característica confere-lhes a condição de células 
transformadas, isto é, são células independentes de mecanismos de ancoragem, de fatores de crescimento e de inibição 
por contato. Ao proliferarem, sofrem mudanças na forma, reúnem-se em “blocos” e crescem na maneira irrestrita, com 
um mínimo de nutrição. 
 As principais características da célula tumoral são: 
 Resistência à apoptose: a célula normal apresenta a capacidade de entrar em auto-destruição (apoptose) 
quando mecanismos vigilantes percebem erros irreversíveis em seu metabolismo molecular. Contudo, este 
mecanismo não acontece com as células tumorais. 
 Perda da inibição por contato: as células tumorais formam aglomerados celulares com empilhamento sem que 
haja a inibição de crescimento por contato com as demais células, fazendo com que o tecido base deste 
processo neoplásico perca, gradativamente, suas características iniciais. 
 Mudanças na proliferação: in vitro, células sobreviventes da senescência transformam-se; células transformadas 
malignas imortalizam-se (crescem em cultura indefinidamente). In vivo, ocorre o aumento da expressão de 
proteínas oncogênicas e, com isso, acontece a perda de expressão de produtos de genes supressores do tumor. 
 Mudanças citológicas: in vitro e in vivo, ocorre aumento no número e tamanho do núcleo, aumento de basofilia 
citoplasmática, aumento do raio núcleo/citoplasma. 
 Perda do controle do ciclo celular. 
 Alterações na membrana celular: alterações na composição de proteínas de superfície celular. 
 Alterações nos receptores de membrana para agentes que induzem à diferenciação celular. In vivo, ocorre um 
aumento na habilidade em induzir e sustentar a angiogênese. 
 Habilidade de escapar de respostas imunes antitumorais (mecanismo de escape tumoral). 
 
 
ONCOGÊNESE 
 O processo de desenvolvimento neoplásico pode ser dividido em três etapas: iniciação, promoção e progressão 
tumoral. Durante a iniciação, ocorrem modificações no genótipo da célula que a levam à imortalização. Na promoção, 
essa célula gera um clone com vantagens proliferativas que promoverão, enfim, a progressão tumoral. 
 Estágio de iniciação: É o primeiro estágio da carcinogênese. Nele as células sofrem o efeito de um agente 
carcinogênico (agente oncoiniciador) que provoca modificações em alguns de seus genes. Nesta fase as células 
encontram-se geneticamente alteradas, porém ainda não é possível se detectar um tumor clinicamente. 
Exemplos de substâncias químicas carcinógenas: sulfato de dimetila, metilnitrossureia, cloreto de vinila, 
aflatoxinas, dimetilnitrosoamina e benzopireno. 
 Estágio de promoção: As células geneticamente alteradas sofrem o efeito dos agentes cancerígenos 
classificados como oncopromotores. A célula iniciada é transformada em célula maligna, de forma lenta e 
gradual. Para que ocorra essa transformação, é necessário um longo e continuado contato com o agente 
cancerígeno promotor. A suspensão do contato muitas vezes interrompe o processo nesse estágio. 
 Estágio de progressão: É o terceiro e último estágio e caracteriza-se pela multiplicação descontrolada, sendo 
um processo irreversível. O câncer já está instalado, evoluindo até o surgimento das primeiras manifestações 
clínicas da doença. 
 
 O câncer é, portanto, um distúrbio genético caracterizado pela mutação de genes importantes para a síntese de 
proteínas e enzimas que estão ligadas ao processo de crescimento e maturação celular. De maneira geral, são 
necessárias múltiplas alterações genéticas para dar origem ao câncer. Estes distúrbios genéticos podem ser herdados 
geneticamente ou adquiridos por eventos do meio externo. 
Arlindo Ugulino Netto. 
ONCOLOGIA 2016 
Arlindo Ugulino Netto ● MEDRESUMOS 2016 ● ONCOLOGIA 
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 Os fatores que promovem a iniciação ou progressão da carcinogênese são chamados de carcinógenos. O fumo, 
por exemplo, é um agente carcinógeno completo, pois possui componentes que atuam nos três estágios da 
carcinogênese. 
 Oncogênese (tumorigênese ou carcinogênese) é um processo de múltiplos eventos, e cada evento reflete uma 
progressiva transformação da célula normal para a célula maligna, passando por uma série de estados pré-malignos. 
Para uma abordagem didática da oncogênese, tem-se que um câncer se forma a partir das alterações genéticas 
(mutações) dos genes que controlam a proliferação celular normal. Dentre os genes que podem sofrer alterações, 
destacam-se: 
 Oncogenes (genes promotores do crescimento ou protooncogenes): genes que codificam, por exemplo, 
fatores de crescimento que estimula seu próprio crescimento ou o crescimento de células vizinhas de uma forma 
ordenada. Uma vez alterado, o oncogene pode promover uma maior produção de fatores de crescimento ou um 
aumento na expressão de receptores destes fatores, promovendo uma aceleração do crescimento celular 
desordenado. Este crescimento acelerado predispõe a alterações de outros genes celulares, como o próprio 
gene que regula a síntese de DNA, promovendo, assim, mutações celulares. Além disso, quando mutados, 
esses genes inibem a apoptose celular. 
 Genes supressores de tumor: estão envolvidos na síntese de fatores que inibem o crescimento e a divisão 
celular em casos de falhas durante a replicação. Quando mutados, deixam de funcionar e a célula passa a se 
replicar e formar colônias cada vez mais defeituosas e pouco diferenciadas (isto é, mais diferentes do tecido de 
origem). 
 Genes de reparação: são genes que sintetizam proteínas ou enzimas que reparam os erros metabólicos da 
replicação, como os Genes que regulam a apoptose e os Genes envolvidos no reparo do DNA. 
 
 
CICLO CELULAR E CÂNCER 
 O ciclo celular pode ser definido como o conjunto de processos moleculares que uma célula eucariótica passa 
para crescer, duplicar seu material genético e se dividir. O feito mais importante desse ciclo é fazer com que todo o 
material genético da célula-mãe seja duplicado sem erros e, em seguida, igualmente dividido entre as células filhas. Para 
este feito, o ciclo celular dispõe de mecanismos de vigilância que incluem alguns dos genes relacionados com a 
oncogênese. 
 De um modo geral, o ciclo celular pode ser dividido basicamente em duas partes: a intérfase e a mitose. 
 Intérfase: período em que ocorre toda a preparação da célula para a divisão, incluindo-se a duplicação do DNA. 
Ela pode ser subdividida em três fases: G1, S (em que ocorre, de fato, a duplicação do DNA) e G2 e cada uma 
delas é muito bem regulada por enzimas denominadas quinases. 
 Mitose (fase M): consiste na divisão celular propriamente dita, que por sua vez também é dividida em prófase, 
metáfase, anáfase e telófase. 
 
 Podemos considerar também que as células normalmente permanecem em estado quiescente (também 
chamado de G0) até receberem um estímulo externo, como a ligação de um determinado fator de crescimento ao seu 
respectivo receptor de membrana celular, e assim iniciado o ciclo (fase G1). 
 O ciclo celular é marcado por específicos pontos de verificação cuja função é avaliar se determinados 
requisitos moleculares atendem a demanda necessária, tais como tamanho da