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1 FMU – CURSO DE MEDICINA VETERINÁRIA – NUTRIÇÃO ANIMAL NA AVICULTURA Prof. Armando José Capeletto Exercício Avaliado: Nutrição das aves 1 Introdução Há alguns anos, as aves eram criadas e alimentadas de maneira empírica, sem nenhuma metodologia que pudesse levar a um aumento de produção e produtividade. Nos quintais, sítios e fazendas, por exemplo, eram mantidas soltas, recebendo apenas uma porção de milho na parte da manhã, passando o resto do dia ciscando e procurando outros alimentos, como pequenos animais, vegetais, etc. Além disso, as galinhas chocavam os seus ovos e criavam os seus próprios pintinhos. Com o advento da avicultura, ou seja, da criação racional de aves, com objetivos comerciais para a obtenção de lucros, os métodos de criação foram aperfeiçoados. Entre os fatores mais importantes que permitiram a criação de aves em larga escala, temos a técnica desenvolvida para a sua alimentação em confinamento total, inclusive a introdução do farelo de soja na sua alimentação. Temos também as técnicas e procedimentos que permitem que as aves criadas em confinamento se desenvolvam bem mesmo sem que sejam expostas ao sol, mas permitindo que desenvolvam as atividades fisiológicas necessárias para nascerem, crescerem, se desenvolverem e entrarem em reprodução o mais cedo possível, para a produção de carne ou de ovos. Composição das rações As rações para aves devem satisfazer às suas necessidades fisiológicas básicas e totais. Para isso, precisam ser as mais completas possíveis, sendo compostas por proteínas, sais minerais, gorduras, vitaminas e por outros elementos nutricionais, para evitar que os animais, mal alimentados, sofram carência desses elementos e, consequentemente, desenvolvam doenças ou apresentem má formação. Uma alimentação deficiente em quantidade ou em composição pode provocar uma série de problemas, mais ou menos graves, na reprodução das aves, em todas as suas fases, postura dos ovos, incubação, eclosão, nascimento das aves, crescimento e desenvolvimento. Afetam a sua saúde, produção e reprodução, o que concorre para a diminuição dos lucros do produtor. As rações especiais para os diversos tipos de criação podem ser adquiridas já prontas, no comércio especializado, ou então podem ser produzidas pelo próprio criador, desde que esta produção torne possível a redução nos custos de produção das aves. As rações devem prover às aves a energia necessária para a vida e uma produção adequada, seja de ovos ou de carne. Desta forma, em uma ração, todos os seus componentes, exceto os sais minerais, possuem certo grau de energia que pode ser convertido em energia metabolizável ou energia produtiva. Quando é deficiente em energia, a ração pode causar sérios prejuízos, pois prejudica o crescimento e desenvolvimento das aves, além de diminuir a produção de carne e de ovos. As principais fontes de energia em uma ração são os amidos e açúcares (carboidratos). Como fontes de carboidratos, temos a farinha de peixe, farinha de carne, farelo de soja, gordura animal, sorgo, óleos vegetais, etc. 1 Fontes: Rural News: http://www.ruralnews.com.br/ EMBRAPA SUÍNOS E AVES: http://sistemasdeproducao.cnptia.embrapa.br/FontesHTML/Ave/ProducaodeFrangodeCorte/Nutricao-geral.html 2 Frangos de corte: alimentação por fases produtivas A nutrição adequada dos frangos de corte depende de conhecimento técnico sobre nutrientes, energia, aminoácidos, minerais, vitaminas, ácidos graxos e água. É importante anotar o consumo diário de água, pois uma flutuação repentina no consumo pode indicar o inicio de problema. Os nutrientes usados em pequenas quantidades são chamados de micro ingredientes e são adicionados à ração através de pré-misturas vitamínicas e minerais (Premix). As dietas devem ter especificações de qualidade de ingredientes para entrarem na fabricação de rações. Entre as especificações devem ser atendidas as exigências dos frangos de acordo com o peso ou fases produtivas, a qualidade e preços dos ingredientes. A alimentação dos frangos deve ser balanceada para cada fase para a qual é pretendida uma dada dieta, visando atender as necessidades para o crescimento rápido, seguro e saudável. As fases são estabelecidas de acordo com a curva de crescimento do frango, dividindo sua vida em períodos cuja exigência de nutrientes é variável, em função de vários fatores (sexo, fase produtiva, temperatura ambiental). Pré-misturas vitamínicas e minerais Os micro ingredientes são adicionados à ração através de pré-misturas (Premix) de minerais e de vitaminas. Os nutrientes que contém são essenciais ao desenvolvimento dos frangos e são em geral, adicionados em quantidades menores do que 2 kg / tonelada de ração. Fazem parte as vitaminas, micro- minerais, minerais-traço, aminoácidos, antioxidantes, enzimas, anticoccidianas, antibióticos, flavorizantes, entre outros. Além da alta sensibilidade às condições ambientais, alguns desses produtos são usados em pequenas quantidades, o que pode implicar em falta de uniformidade dentro de uma formula de rações. Sendo o Premix necessário na fabricação de rações, ficam prejudicadas as rações que por qualquer razão não consigam ter todos os micro ingredientes na mistura final. Os resultados disso poderão ser a perda de desempenho e o aumento na mortalidade. Não se recomenda a fabricação própria de Premix vitamínicos e de minerais para produções familiares de frangos devido à dificuldade de manutenção de estoques atualizados de ingredientes, dificuldade de manipulação de pequenas quantidades, perda de potência de alguns produtos com as condições ambientais, maiores preços na compra de menores quantidades, falta de controle das matérias primas da pré-mistura e maior possibilidade de erro na mistura. Evidentemente que devem ser buscados fabricantes/fornecedores idôneos de pré-misturas minerais e vitamínicas, os quais, em geral, dispõem de assistência técnica especializada e fornecem serviços de análises laboratoriais para controle de qualidade das rações. Prebióticos Diante da proibição dos antibióticos promotores de crescimento nas rações de frangos de corte, várias pesquisas foram desenvolvidas com o objetivo de obter alternativas eficientes, dando ênfase especial ao uso de Probióticos, Prebióticos e outras formas de reduzir os microrganismos patógenos das aves. Os Prebióticos são ingredientes alimentares que não sofrem a ação de enzimas digestivas, mas estimulam seletivamente o crescimento e/ou a atividade de bactérias benéficas no intestino. Estes carboidratos não digestíveis (como parede celular de plantas e leveduras) são classificados desta forma 3 por serem constituídos de complexos de oligomananoproteínas, principalmente de mananoligossacarídeos, que possuem a capacidade de ligar-se à fímbria das bactérias e inibir a colonização do aparelho digestivo. Os Prebióticos mais estudados como aditivos alimentares para as aves são os mananoligossacarídeos (MOS), os glucoligossacarideos (GOS) e os frutoligossacarídeos (FOS). O efeito positivo dos Prebióticos (MOS) foi detectado por Rostagno et al. (2003b) quando utilizaram cama reutilizada, similar a um aviário comercial. Os frangos de corte alimentados com rações contendo antibiótico ou Prebiótico mostraram melhor ganho de peso e conversão alimentar que as aves da ração controle sem promotor Existem resultados controversos na literatura sobre a efetividade dos Prebióticos na nutrição de aves, assim como dos Probióticos, discutidos mais à frente. No entanto, é extremamente importante salientar a necessidade de determinar a dosagemcorreta para cada tipo de aditivo e de considerar o desafio sanitário para a comprovação ou não da atuação destes, a fim de garantir a ausência de organismos patogênicos como E. Coli e Salmonella. Probióticos A base do conceito da utilização dos Probióticos é a manipulação da flora intestinal que influencia beneficamente a saúde do animal hospedeiro. Os principais microrganismos utilizados como Probióticos pertencem aos gêneros Lactobacillus, Bifidobacterium, Enterococcus, Streptococcus, Bacillus e leveduras. O termo exclusão competitiva, que também pode ser denominado como “Conceito de Nurmi”, significa que a colonização intestinal por patógenos como Salmonella, E. coli e Campylobacter spp pode ser prevenida mediante a administração oral de conteúdo intestinal de aves adultas normais aos pintinhos de um dia de idade. Para que a cultura de exclusão competitiva seja mais eficiente, é necessário que esta seja administrada rapidamente às aves, de preferência no incubatório. Comparando o desempenho de frangos de corte Ross, machos de 1 a 42 dias de idade alimentados com rações suplementadas com Probiótico à base de Bacillus subtilis e com antibiótico, como promotor de crescimento, Lora Graña (2006) não observou diferenças nos parâmetros de desempenho entre os tratamentos contendo Probiótico e antibiótico em nenhum dos períodos avaliados (inicial, crescimento e terminação). No entanto, maior valor de viabilidade foi encontrado no tratamento contendo 355 g/t de Probiótico, indicando maior sobrevivência dos animais. Flemming (2005), avaliando o desempenho de frangos de corte alimentados com dietas contendo Probióticos, Prebióticos e ainda o efeito das associações desses produtos, concluiu que, na fase de 1 a 21 dias de idade, o Probiótico acarretou em um ganho de peso acumulado melhor do que o grupo controle, porém não diferenciando estatisticamente dos outros tratamentos. Na fase de 1 a 42 dias de idade, não se observou diferença entre os parâmetros de desempenho analisados. É fato que os Probióticos e Prebióticos possuem um futuro promissor na alimentação de frangos, principalmente com o avanço das restrições ao uso de antibióticos promotores de crescimento. Várias pesquisas demonstram resultados satisfatórios, principalmente quanto à redução da mortalidade e por apresentar um custo/tonelada de ração similar ao do uso de antibióticos, assim muitas empresas e granjas comerciais já vêm fazendo uso desses aditivos como prática rotineira. Porém, muitos questionamentos ainda merecem respostas diante da necessidade do melhor entendimento quanto às espécies e às concentrações dos microrganismos que devem ser utilizados. 4 Questões – Discussão em grupo, um relatório grupal (até quatro componentes). Sugere-se a cada aluno registrar suas respostas individualmente, para estudo futuro. Entrega no fim da aula: 1. Descreva resumidamente os fatores que levaram à evolução do manejo nutricional na Avicultura industrial, consequentemente aumentando a produtividade. 2. O que é a alimentação por fases produtivas? Como é utilizada e quais suas vantagens? 3. Qual a constituição dos Premix? Por que seu uso é difícil nas pequenas criações? 4. Diferencie Prebióticos de Probióticos e explique seus componentes. 5. Qual o papel dos Prebióticos e Probióticos no manejo nutricional das aves de corte? 6. Comente possíveis vantagens e desvantagens do uso dos Prebióticos na alimentação das aves de corte. Idem para os Probióticos. Mencione os cuidados a serem tomados em cada caso.