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DIREITO CIVIL IV - BEDONE

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- Há reflexos igualmente na locação (arts. 35 e 36, da Lei nº 8.245/91), como mencionado, os quais são um pouco diferentes do que os da posse em geral
	Necessárias: realizáveis sem autorização do locador + indenizáveis + retenção; úteis: indenizáveis, se previamente autorizadas + retenção; voluptuárias: não indenizáveis, mas podem ser levantadas
	OBS: contrato pode dispor em contrário e tal não implica em falta de validade do mesmo, consoante a Súmula nº 335, do STJ
H-) OUTRAS AÇÕES DE CARÁTER POSSESSÓRIO:
	- Também consideradas desse modo, em função de se poder argüir a posse como fundamento das mesmas
	Trata-se da ação de nunciação de obra nova, dos embargos de terceiro e da imissão de posse
	- Nunciação de obra nova: consiste no direito de se impedir a edificação de obra que desatenda aos ditames legais (procedimento especial de jurisdição contenciosa, CPC, art. 934 a 940)
	Legitimados para essa demanda: proprietário, condômino, Município e possuidor; quer dizer, este último não guarda relação de domínio sobre a coisa (proprietário ou condômino), nem de vigilância (Município), mas pode defender sua posse “a fim de impedir que a edificação de obra nova em imóvel vizinho lhe prejudique o prédio, suas servidões ou fins a que é destinado” (art. 934, I, CPC)
	Nota distintiva dessa ação: possibilidade de embargo extrajudicial da obra, mediante ratificação em juízo posteriormente (art. 935, CPC), tema igualmente já examinado na aula passada
- Embargos de terceiro: outra ação de procedimento especial de jurisdição contenciosa, CPC, art. 1.046 a 1.054, por meio da qual aquele que não é parte na ação defende sua propriedade ou posse contra atos de constrição judicial que recaiam sobre seus bens
Atos de constrição: penhora, arresto, seqüestro, alienação judicial, etc, ou seja, atos judiciais que impedem o pleno exercício do direito de propriedade ou da posse, importando na turbação ou no esbulho possessório, de modo que o possuidor pode defender sua posse através do remédio aos embargos de terceiro (CPC, arts. 1.046 e 1.047)
A ação recebe esse nome porque é promovida por quem não é parte no processo, exceto o caso do art. 1.046, §§ 2º e 3º
- Imissão de posse: era catalogada como ação possessória no CPC de 1.939, que antecedeu o atual, de 1.973, e se destinava a fazer com que o adquirente entrasse na posse da coisa adquirida
Noutros termos, por intermédio dessa ação não se defendia posse alguma; diferentemente, buscava-se a aquisição da posse pela primeira vez através de comando judicial, para o adquirente de determinado bem
Atualmente, cuida-se de ação de rito comum, cuja imissão de posse se pode pleitear via antecipação de tutela
Não confundir com a imissão na posse, que é um incidente em execução para entrega de coisa certa imóvel (art. 625, CPC)
I-) USUCAPIÃO:
	- Não se trata de ação de cunho possessório, mas seja qual for a espécie de usucapião (assunto a ser abordado no segundo semestre), sempre haverá um ponto em comum: invariavelmente ela se baseia na posse prolongada da coisa (posse ad usucapionem)
	A usucapião se presta à aquisição da propriedade ou de servidão (arts. 1.238 e 1.260 para aquisição de propriedade, e art. 1.379 para aquisição de servidão)
J-) OUTROS EFEITOS:
	- Podem ser encontrados muitos outros efeitos da posse, se se vasculhar a legislação em vigor, podendo os mesmos, portanto, ser enumerados à exaustão
	Por exemplo, um autor francês (Tapia), analisando a legislação de seu país em determinada época, catalogou 72 efeitos da posse
	- Longe disso, apenas enumerar-se-ão alguns efeitos, à guisa de exemplificação
	Desapropriação: prevista na legislação esparsa, onde se permite a imissão provisória na posse como incidente processual, após o depósito da oferta inicial pelo poder público (Lei nº 3.365/41)
	Responsabilidade civil pela guarda de animais: responde eventualmente o possuidor ou até mesmo o detentor do animal (art. 936)
	Responsabilidade civil pela queda e arremesso da coisa (de effusis et dejectis): é de quem habita um prédio, ou seja, pode ser o mero possuidor (art. 938)
	Evicção: possuidor tem direito de regresso contra o alienante (art. 447 e ss.)
	Compra e venda: proibição para determinadas situações nas quais há de dever de guarda e administração (art. 497)
	Abertura de sucessão: com a morte, a posse dos bens é transmitida aos herdeiros (arts. 1.784 e 1.791, parágrafo único)
	Casamento: administração de bens particulares de um cônjuge por outro (arts. 1.651 e 1.652)
15/03/13
A-) INTRODUÇÃO:
	- Encerrados os temas atinentes à posse, é de se voltar a atenção agora para a propriedade
	Antes, contudo, mencione-se figura distinta das duas, a detenção, aludida no art. 1.198, como o que ocorre, v.g., com o caseiro em relação à propriedade de que toma conta; por estar nessa condição, não chega a ser possuidor
	Bem por isso é que, quando demandado como proprietário ou possuidor, pode se valer do instituto da nomeação à autoria, nos termos dos arts. 62 e 63, do CPC:
Art. 62. Aquele que detiver a coisa em nome alheio, sendo-lhe demandada em nome próprio, deverá nomear à autoria o proprietário ou o possuidor.
Art. 63. Aplica-se também o disposto no artigo antecedente à ação de indenização, intentada pelo proprietário ou pelo titular de um direito sobre a coisa, toda vez que o responsável pelos prejuízos alegar que praticou o ato por ordem, ou em cumprimento de instruções de terceiro.
- Já a origem da propriedade, enquanto mero fato social, está ligada a tempos imemoriais, provavelmente anteriores ao próprio Direito
	De fato, a propriedade é antes de tudo um sentimento atávico, quer dizer, um desejo do ser humano de se assenhorear das coisas, o que pode ser denotado até com crianças
	- Já a concepção jurídica de propriedade varia de legislação para legislação, mas sempre existiu, ainda que mesmo na antiga URSS, já que a propriedade privada era permitida relativamente a bens de pequeno valor, ao passo que o mais consistia em propriedade coletiva, pertencente formalmente ao Estado
	Outra nota distintiva é que a concepção jurídica de propriedade também é tributária de determinado momento histórico, como o que se pode verificar no CC Francês, o qual chega a falar que se pode agir em relação à coisa da “maneira mais absoluta”, o que conceitualmente é um contrassenso, porquanto o absoluto não é mais nem menos
	No entanto, a explicação reside no fato de que aquele é de 1.804, ou seja, um pouco posterior à Revolução Francesa de 1.789, que acabou com o regime feudal para privilegiar a nova classe emergente, a burguesia
	- No Brasil, a CF e o CC consagram a propriedade privada, mas a condicionam à sua função econômica e social, consoante se vê, respectivamente, nos arts. 5º, XXII e XXIII, e 1.228, § 1º
	Ou seja, essa construção conceitual demonstra que, por um lado, o Estado garante o direito à propriedade privada; porém, por outro lado, exige-se o exercício responsável desse mesmo direito
B-) CONCEITO:
	- Os textos legais e doutrinários curiosamente não costumam definir a propriedade em si mesmo considerada; diversamente, apenas mencionam os atributos da propriedade, o que, por sua vez, traduzem-se nos direitos do proprietário
	As exceções ficam por conta de Clóvis Beviláqua e Lafayette, apud Caio Mário da Silva Pereira e Sílvio Rodrigues, respectivamente
	- Etimologicamente, proprietas é a qualidade própria de alguma coisa, de sorte a se poder dizer, numa primeira instância de idéias, que a propriedade é aquilo que pertence a alguém
	Mais precisamente, é o poder jurídico de se incorporar bens e direitos à esfera do patrimônio do respectivo titular, ou, de outra maneira, é a prerrogativa que confere a possibilidade da titularidade acerca de bens e direitos
	Será justamente a propriedade, o principal dos direitos reais, que ensejará o nascimento de um vínculo de submissão entre os bens e direitos

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