A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
127 pág.
DIREITO CIVIL IV - BEDONE

Pré-visualização | Página 7 de 14

e os donos respectivos, razão de ser da redação do art. 1.225 e seus incisos, notadamente o I
C-) ATRIBUTOS DA PROPRIEDADE:
	- Previstos no art. 1.228, caput, com o complemento advindo do art. 1.314, caput, de sorte que incumbe ao proprietário o direito de usar, gozar, dispor, reaver e gravar a coisa
	- Usar: direito atribuível ao proprietário de utilizar a coisa como bem lhe aprouver, respeitados, é claro, os direitos de terceiros e a função social da propriedade
	Em essência, é o direito de o proprietário servir-se da coisa
	- Gozar: direito à percepção dos frutos gerados pela coisa, que pertencerão a terceiros apenas quando a lei ou o contrato dispuserem a respeito (art. 1.232)
- Dispor: faculdade de o proprietário alienar a coisa (vender, doar, trocar, dar em pagamento), ressalvados os casos de fraude contra credores e de legitimação (ex.: casamento e venda de ascendente para descendente)
- Reaver: figura que abrange a defesa da propriedade contra terceiros, seja na defesa da posse da coisa, seja na do título dominial da mesma
Defesa da posse da coisa: ações possessórias (aulas passadas)
Defesa do título dominial da coisa: consubstanciada na ação reivindicatória, na qual se discute o próprio título dominial, como o que ocorre, por exemplo, na evicção, onde o evictor (terceiro) prova ser o verdadeiro dono em relação ao evicto (adquirente), que fica apenas com direito de regresso contra o alienante
- Gravar: possibilidade de serem impostos gravames sobre o bem de sua titularidade, visando a diversas finalidades:
1-) exploração do direito de construir e plantar (superfície)
2-) constituição de serventia de um imóvel relativamente a outro (servidão)
3-) instituição de uso e/ou gozo da coisa (usufruto, uso e habitação)
4-) garantia de débito (penhor e hipoteca)
5-) pagamento de dívida (anticrese)
D-) PROPRIEDADE PLENA E LIMITADA:
- Conceitos advindos do art. 1.231, sendo um expresso (plena) e outro implícito (limitada)
- Plena: propriedade cercada de todos os seus elementos constitutivos, donde o proprietário poder usar, gozar, dispor, reaver e gravar a coisa livremente
- Limitada: propriedade gravada com algum ônus, tolhendo, assim, seu pleno exercício
Esse ônus, por seu turno, pode ser de índole temporal ou jurídica
Temporal: propriedade resolúvel, ou seja, a propriedade limitada no tempo por estar sujeita a condição resolutiva (art. 1.359 e ss.), assunto a ser examinado no segundo semestre, com a nota de que a propriedade fiduciária (móvel e imóvel) constitui espécie da propriedade resolúvel
No Direito das Sucessões, o fideicomisso igualmente é exemplo de propriedade resolúvel (art. 1.951 e ss.)
Jurídica: propriedade limitada pela existência de um gravame, o qual visa às diversas finalidades apontadas acima:
1-) superfície (art. 1.369 e ss.)
2-) servidão (art. 1.378 e ss.)
3-) usufruto, uso e habitação (art. 1.390 e ss.)
4-) penhor e hipoteca (art. 1.419 e ss.)
5-) anticrese (art. 1.506 e ss.)
E-) EXTENSÃO DO DIREITO DE PROPRIEDADE:
	- Análise das dimensões corporais da propriedade, assunto que só faz sentido em se tratando de imóveis, já que os bens móveis não causam problemas relativamente à definição de seus contornos e à possibilidade de utilização
	Sendo assim, cumpre saber-se até onde se estende o domínio relativo a um imóvel, seja no plano horizontal como no vertical
	- Horizontal: limites da propriedade imóvel, o que compreende sua demarcação no solo e, conseqüentemente, confrontação com outros imóveis ao redor
	Por vezes o tema se torna conflituoso, o que pode gerar a chamada ação demarcatória, a ser examinada posteriormente
- Vertical: segundo a tradição romana, nessa perspectiva a propriedade se estendia literalmente desde os infernos até as estrelas (usque ad inferos et usque ad sidera)
O CC manteve essa tradição, mas limitou o exercício do domínio ao interesse do dono e à utilidade do aproveitamento (art. 1.229)
A falta de interesse do dono, por exemplo, acontece na construção de metrô e rota de aviões
Utilidade do aproveitamento: plantação, alicerce de obra, poço artesiano ou semi-artesiano, instalação de antena, construção de torre de caixa d’água
- Exceções quanto aos limites verticais: as preconizadas pelo art. 1.230, as quais fazem coro com o disposto nos arts. 20, IX, e 176, caput, CF (recursos hídricos e minerais, e monumentos arqueológicos)
Referidos bens são de propriedade da União, a qual pode conceder a exploração econômica a particulares, sendo que o proprietário do solo recebe apenas royalties em função disso
F-) CARACTERÍSTICAS DO DIREITO DE PROPRIEDADE:
	- Historicamente, todas elas se mostravam intocáveis, mas ao longo dos séculos foram relativizadas
	Diz-se, nesse sentido, que o direito de propriedade é absoluto, exclusivo e perpétuo
	- Absoluto: denota o poder que o dono detém sobre a coisa, decorrente do vínculo de submissão dela àquele
	Consiste na prerrogativa de o dono proceder em relação à coisa como bem lhe aprouver, mas, modernamente, tal é limitado à noção do exercício responsável do direito de propriedade
	Daí as limitações do art. 1.228, § 1º usque 5º
	§ 1º: função econômico-social da propriedade
	§ 2º: abuso de direito
	§ 3º: desapropriação levada a efeito pelo Poder Público
	§§ 4º e 5º: posse-trabalho (espécie de expropriação privada)
- Exclusivo: prerrogativa prevista no art. 1.231, significando duas coisas
Primeiro, que o proprietário pode agir em relação à coisa sem depender de ninguém para tanto
Depois, que duas ou mais pessoas podem ser donas da mesma coisa (cada uma com direito a fração ideal dela), mas jamais serão tratadas como se fossem uma só pessoa; noutros termos, cada pessoa é dona da sua coisa (só um dono) ou de fração ideal correspondente a ela (mais de um dono)
Exs.: imóvel pertencente a 5 pessoas, cada qual com direito a fração ideal correspondente a 1/5; se uma delas é casada e a fração se comunica com o cônjuge, esse 1/5 é fracionado entre marido e mulher, de sorte que compete 1/10 a cada qual
Em suma, o direito do proprietário é sempre exclusivo, ainda que se trate de co-propriedade
- Perpétuo: denota que a propriedade mantém-se nas mãos do proprietário indefinidamente, por prazo indeterminado, só se extinguindo pela sua morte, alienação ou perecimento da coisa
Por óbvio não se pode levar isso em conta literalmente, já que a propriedade também cessa por outros motivos, como a desapropriação e a propriedade resolúvel, por exemplo
22/03/13
A-) DESCOBERTA:
	- Instituto voltado ao procedimento a ser adotado na hipótese de se achar coisa móvel perdida.
	Sendo conhecido o dono ou possuidor, ao mesmo será entregue a coisa; em não se conhecendo o mesmo, à delegacia de polícia (art. 1.233).
	O problema jurídico diz respeito ao estado de espírito de quem acha a cosia, pois se o mesmo se assenhorear dela, cuida-se de ocupação, que é um modo de aquisição de domínio de bens móveis (art. 1.263).
	- Notas distintivas:
	1-) direito de recompensa ao descobridor + reembolso de despesas de transporte e conservação (art. 1.234);
	2-) delegado de polícia deve dar conhecimento da descoberta através dos meios de comunicação + expedição de editais (art. 1.236);
	3-) alienação em hasta pública, caso ninguém se apresente reclamando a coisa (art. 1.237, caput);
	4-) descobridor responde em relação aos prejuízos causados à coisa, se proceder com dolo (art. 1.235);
	5-) pode se transformar em fonte de aquisição dominial, se o Município não desejar ficar com a coisa (art. 1.237, parágrafo único).
B-) POSSE-TRABALHO:
	- Expressão criada por Miguel Reale, atinente à hipótese do art. 1.228, §§ 4º e 5º.
	Por outra ótica, cuida-se, em linguagem livre de técnica, de espécie de expropriação privada, pois há uma alienação forçada (contra a vontade do dono), ocorrendo, no entanto, que o proprietário

Crie agora seu perfil grátis para visualizar sem restrições.