LIVRO radioterapia geral
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C a p í t u l o 6
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Ações de enfermagem para o controle do câncer
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BASES DO TRATAMENTO DO CÂNCER
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Bases do Tratamento do Câncer W
Capítulo 6
As duas últimas décadas testemunharam um considerável avanço no
tratamento do câncer, tendo-se a cura como objetivo terapêutico real em 50%
dos tumores diagnosticados. A radioterapia é um tratamento de ampla utiliza-
ção, visto que mais de 60% de todos os tumores malignos terão indicação de
irradiação no curso de sua evolução.
O enfermeiro que trabalha em radioterapia deve buscar conhecimentos
teóricos e práticos sobre o tratamento em teleterapia, braquiterapia e em
radioproteção, através de cursos de atualização, reuniões científicas do serviço
e participação nos programas de controle de qualidade.
Cabe ao enfermeiro especialista, ainda, traçar metas que assegurem uma
assistência de qualidade ao cliente oncológico atuando na prevenção, trata-
mento, orientação e reabilitação nos procedimentos radioterápicos, através da
sistematização da consulta de enfermagem. O enfermeiro deve promover par-
cerias com toda a equipe de radioterapia, viabilizando o cumprimento das nor-
mas de radioproteção, e garantir participação ativa nos programas de pesquisa,
contribuindo portanto para uma exata aplicação da dose prescrita pelo
Radioterapeuta no volume-alvo e realizando um cuidado seguro e humanizado.
1.1 - Considerações Físicas
Conceito
A radioterapia é a modalidade terapêutica que utiliza as radiações ionizantes
no combate aos agentes neoplásicos com objetivo de atingir células malignas,
impedindo sua multiplicação por mitose e/ou determinando a morte celular.
¨¨¨¨¨Radiações Ionizantes
Da interação das radiações com a matéria resulta a transferência da ener-
gia existente na radiação para os átomos do meio através do qual a radiação
está passando.
O conhecimento do mecanismo de interação das radiações é de funda-
mental importância para compreendermos:
\u2022 As bases do processo de sua DETECÇÃO;
\u2022 como são produzidos os EFEITOS BIOLÓGICOS;
\u2022 os princípios e filosofia de PROTEÇÃO RADIOLÓGICA.
¨¨¨¨¨Ionização e Excitação
Em decorrência das diferenças existentes entre as partículas e as radia-
ções eletromagnéticas, suas cargas e massas, cada uma delas interage de modo
diferente com a matéria.
1 - RADIOTERAPIA
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As partículas atravessam a matéria CEDENDO sua ENERGIA CINÉTICA
através de colisões com os átomos do meio absorvedor. Já os FÓTONS (radiação
eletromagnética) sofrem ATENUAÇÃO, o que corresponde a uma diminuição do
número de fótons emergentes do meio, e não se acompanha, necessariamente,
de uma diminuição de energia do fóton.
Podemos então definir RADIAÇÃO IONIZANTE como qualquer tipo de
radiação capaz de remover um elétron orbital de um átomo ou podendo trans-
portar elétrons para níveis energéticos superiores (órbitas mais externas), acar-
retando sua EXCITAÇÃO OU ATIVAÇÃO.
Pode ser dividida em:
a) Radiação de partículas (corpusculares).
- Partículas alfa (\u3b1\u3b1\u3b1\u3b1\u3b1) - é uma partícula equivalente a um núcleo de Hélio
2He4 (2 p + 2n) e tem duas cargas positivas. Devido à sua alta DENSI-
DADE DE IONIZAÇÃO, a energia da partícula \u3b1 é rapidamente cedida
ao meio, o que torna o seu poder de penetração bastante limitado (apro-
ximadamente 5 cm no ar ou cerca de 100 mm no tecido mole).
- Partículas beta (\u3b2\u3b2\u3b2\u3b2\u3b2) - é um processo mais comum entre os núcleos leves,
que possuem excesso de nêutrons ou prótons em relação a estrutura
estável correspondente. Podemos então afirmar que emissão \u3b2 é o ter-
mo usado para descrever e- de origem nuclear, carregados positiva-
mente ou negativamente. Dependendo da sua energia uma partícula \u3b2
pode atravessar 10 a 100 cm no ar e de 1 a 2cm no tecido biológico.
b) Radiação de ondas eletromagnéticas.
São ondas eletromagnéticas de alta energia de origem intranuclear, trans-
mitidos em forma de movimento ondulatório; geradas por isótopos radioativos.
Esta emissão se destina à liberação de excesso de energia do núcleo e/ou são
produzidos por equipamentos especiais, como os aparelhos de raios-X ou acele-
radores lineares. Essas ondas não possuem nem massa nem carga elétrica e
podem ser divididas em:
- Raios X - São produzidas quando elétrons de movimento rápido se cho-
cam com um objeto de metal. A energia cinética do elétron é transfor-
mada em energia eletromagnética. É importante lembrar que a origem
desta radiação é extra nuclear, isto é, formada na eletrosfera ou cama-
da eletrônica do átomo. A função do Aparelho de Raios X é providenci-
ar uma intensidade suficiente do fluxo de elétrons de maneira controla-
da, para que produza um feixe de Raios X com uma qualidade e quan-
tidade desejada.
- Radiação Gama (\u3b3\u3b3\u3b3\u3b3\u3b3) - São pacotes de energia, de origem nuclear, trans-
mitidas em forma de movimentos ondulatórios. Tem grande poder de
penetração. Esta emissão se destina à liberação de excesso de energia
de um núcleo atômico instável.
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Capítulo 6
1.2 - Conceitos em Radioterapia
O uso da radiação ionizante para o tratamento de câncer reporta o final do
século passado. Nas décadas seguintes, a medicina descreveu novas técnicas, sem-
pre no sentido de alcançar um efeito diferenciado nos tecidos normais em relação
aos tecidos neoplásicos. Atualmente podemos dividir a Radioterapia em:
¨¨¨¨¨ Teleterapia
Consiste na terapia à distância, ou seja, a fonte emissora de radiação fica
a mais ou menos 1 metro do paciente. Nesta categoria, enquadram-se os feixes
de raios-X, de raios gama, elétrons de alta energia e nêutrons. Os principais
aparelhos utilizados são:
- Raios X Superficial, Semi-Profundo ou de Ortovoltagem - São equipa-
mentos de raios X que operam com quilovoltagem entre 10 e 100 kVp
(kilo volt pico) (RX superficial) e entre 100 e 250 kVp (ortovoltagem).
Trata lesões de pele ou com infiltração até cerca de 3cm de profundida-
de, como, por exemplo, a irradiação preventiva dos quelóides opera-
dos, dos hemangiomas e dos carcinomas basocelulares. Atualmente
este tipo de irradiação vem sendo substituído pela eletronterapia, isto é,
por feixes de elétrons com energia entre 4 e 10 MeV (milhão de eletrons
volt), obtidos com aceleradores lineares. Com feixe de elétrons de 16
MeV pode-se tratar lesões com até cerca de 5 cm de profundidade.
- Cobalto-60 - Fontes de cobalto-60 liberam fótons sob forma de raios \u3b3
com energias de 1,17 MeV e 1,33 MeV. Como a fonte é radioativa, a
emissão de fótons é contínua, ou seja, a fonte não para de emitir fótons.
Quando a máquina está desligada, a fonte permanece guardada numa
blindagem adequada que bloqueia a saída dos raios \u3b3.
Alguns serviços mais antigos, ainda usam fontes de césio-137, o que
não é mais recomendado devido á baixa penetração de seu feixe.
Como conseqüência do decaimento radioativo, as fontes de alta atividade
(centenas de Giga Bekuerel - GBq) dos aparelhos de cobalto-60 dimi-
nuem de intensidade na taxa de 1,1% ao mês. Depois de 5,27 anos,
que é o valor de uma meia-vida, a exposição do paciente ao feixe
demora o dobro do tempo em relação ao inicial para que seja atingida
a mesma dose. Isto acarreta uma chance maior do paciente mover-se,
principalmente quando sente dores intensas, fazendo com que o tumor
fique fora do campo de irradiação e não seja adequadamente tratado e
também que partes sadias entrem no campo e sejam lesadas.
Desse modo, uma fonte de cobalto-60 de teleterapia deve ser trocada
pelo menos a cada 8 anos. Entretanto, deve ser dito que aparelhos de
cobalto-60.
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¨Aceleradores Lineares
Estes aparelhos usam microondas para acelerar elétrons a grandes velo-
cidades em um tubo com vácuo. Numa extremidade do tubo, os elétrons muito
velozes chocam-se com um alvo metálico de alto número atômico. Na colisão
com os núcleos