APOSTILA 1 - AUTACÓIDES
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APOSTILA 1 - AUTACÓIDES


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Farmacologia e Toxicologia 
 
 
1. Farmacologia dos Autacóides 
O termo autacóide deriva do grego auto (próprio) + átos (remédio), referindo-se às substancias 
químicas normalmente encontradas no organismo ou que podem ser nele sintetizadas. 
São agrupadas como autacóides: a histamina, a serotonina, as angiotensinas, as cininas e os 
eicosanóides. Todas participam de fenômenos fisiológicos e patológicos relevantes, porém 
manipulações farmacológicas de algumas delas ainda não tem relevância terapêutica (cininas); 
outros autacóides, ao contrário, têm importância fundamental na homeostase do organismo animal 
(prostaglandinas). 
 
a) Histamina 
Em tecidos animais, a histamina funciona primeiramente como mediadora de processos 
inflamatórios, além de ser um modulador importante de numerosos processos fisiológicos, 
compreendendo as reações alérgicas, proliferação celular (incluindo a reparação tecidual e 
estimulação do crescimento de certas neoplasias), angiogênese, permeabilidade vascular, anafilaxia 
e secreção gástrica. 
Assim, embora a própria histamina não seja utilizada como um medicamento, o emprego de seus 
antagonistas (os chamados anti-histamínicos) tem grande importância terapêutica em diversas 
enfermidades na medicina veterinária. 
 
\ufffd Síntese, Armazenamento e Liberação: 
A histamina é uma amina primária sintetizada no organismo a partir do aminoácido histidina, que 
sofre descarboxilação através da enzima histidina-descarboxilase, uma enzima que se expressa nas 
células de todo o organismo, inclusive nos neurônios do SNC, nas células da mucosa gástrica parietal, 
nas células tumorais, nos mastócitos e nos basófilos. 
Após sua síntese no aparelho de Golgi, a histamina é transportada para o interior de grânulos 
citoplasmáticos, onde é armazenada. As principais células que contêm esses grânulos são os 
mastócitos teciduais e basófilos presentes na circulação. A histamina também pode ser encontrada 
em outras células do trato gastrointestinal, endoteliais, na derme, em alguns neurônios do SNC 
(hipotálamo) e em células em crescimento ou de tecidos em regeneração. 
A liberação da histamina pode ser a principal resposta a uma lesão, embora ela seja, na maioria das 
vezes, apenas um dos mediadores químicos envolvidos. Sendo assim, a liberação de seus locais de 
armazenamento pode ocorrer após ação de agentes que causam a lise das células (como toxinas e 
agentes físicos), agentes sensibilizantes ou por estimulação direta, como ocorre por alguns 
medicamentos. 
 
\ufffd Receptores da Histamina 
 A histamina liberada promove seus efeitos fisiológicos ou patológicos pela ligação a receptores de 
superfície localizados nas diversas células-alvo. Existem quatro tipos de receptores histaminérgicos: 
H\u2081, H\u2082, H\u2083 e H\u2084. Todos os receptores da histamina realizam a transdução de sinais extracelulares por 
meio de sistemas de segundo mensageiro mediados pela proteína G. 
H\u2081: é encontrado em diversos tecidos do organismo e está relacionado com várias funções celulares, 
como contração da musculatura lisa dos brônquios, intestino e vasos, aumento da permeabilidade 
vascular (a histamina estimula o endotélio a liberar o óxido nítrico) e no desenvolvimento da maioria 
dos processos alérgicos e anafiláticos (como asma, rinites, alergia alimentar, alergia a picada de 
insetos ou a medicamentos, atopia e outras). A ligação da histamina a este tipo de receptor também 
aumenta a síntese de prostaglandina E. 
 
H\u2082: os receptores H\u2082 estão presentes no estômago, vasos, SNC e também no trato respiratório. 
Apresenta diversos efeitos inibitórios, como a redução da síntese de anticorpos, da proliferação dos 
linfócitos T e da produção de Citocinas. 
 
H\u2083: são responsáveis pelo controle da liberação da histamina, ou seja, são receptores pré-sinápticos 
(autorreceptores) que inibem a liberação da histamina por meio da inibição da adenilato ciclase, via 
proteína G inibitória. Podem funcionar também como heterorreceptores, pois estão presentes em 
outras terminações nervosas e são capazes de inibir a síntese e a liberação de outros 
neurotransmissores, como acetilcolina, dopamina, norepinefrina e serotonina. 
 
H\u2084: são encontrados principalmente em mastocitos e eosinófilos em diversos tecidos do organismo, 
como intestino, baço, timo e em outras células do sistema imune, como neutrófilos, monócitos e 
linfócitos T. 
 
 
 
 
 
\ufffd Efeitos fisiológicos, farmacológicos e patológicos da Histamina 
 
Inflamação e Hipersensibilidade: a histamina é um dos mediadores da inflamação, sendo liberada 
principalmente de mastócitos dos tecidos lesados ou de basófilos sanguíneos após o estimulo 
desencadeado pela reação inflamatória, por danos físicos ou por reações alérgicas. A liberação da 
histamina promove a sensação de dor e prurido, que é levada ao SNC por meio de terminações 
nervosas sensoriais. 
As imunoglobulinas E (IgE), que participam das reações alérgicas do tipo antígeno-anticorpo, têm 
grande afinidade de ligação a mastócitos e basófilos, de tal forma que uma única célula desta pode 
estar ligada a 500 mil moléculas de IgE. Assim, quando a reação antígeno-anticorpo ocorre com 
imunoglobulinas já ligadas a mastócitos ou basófilos, há a ruptura destas células ou a liberação de 
seus grânulos, com consequente liberação de grandes quantidades de diversos mediadores e de 
histamina, promovendo o desenvolvimento de diversos sinais clínicos, como edema e hipotensão, 
que podem evoluir ate a ocorrência de choque circulatório e morte. 
Após o estimulo desencadeante, a liberação da histamina e dos demais mediadores dos seus locais 
de armazenamento pode promover uma resposta alérgica localizada ou generalizada. 
 - Reação localizada: se a liberação da histamina ocorre de forma lenta, permitindo sua 
inativação antes de atingir a corrente sanguínea, a reação será localizada. 
 - Reação generalizada: se a liberação for rápida o bastante para impedir uma inativação 
satisfatória, a reação será generalizada. 
 
Secreções: a histamina estimula a secreção do pâncreas e das glândulas salivares, lacrimais e 
brônquicas. No entanto, tem maior importância a ação da histamina sobre a secreção gástrica, 
constituída de ácido clorídrico e de pepsina. Deve-se ressaltar que os receptores histaminérgicos 
relacionados com a secreção ácida gástrica são os do tipo H\u2082. 
 
Sistema Cardiovascular: a histamina promove vasodilatação, sendo a hipotensão o efeito resultante 
geralmente observado na maioria das espécies. Os vasos de maior calibre, no entanto, tendem a 
contrair-se pela ação da histamina. Em algumas espécies, como nos coelhos, a vasoconstrição pode 
promover aumento da resistência vascular com consequente aumento da pressão arterial; nesta 
espécie, a hipertensão é o efeito esperado. 
Os efeitos sobre o sistema vascular estão relacionados com os receptores H\u2081 e H\u2082. 
- Os receptores H\u2081 são estimulados por baixas doses de histamina, produzindo o efeito rapidamente, 
com curta duração, também estão envolvidos no aumento da permeabilidade vascular. 
- Os receptores H\u2082 respondem a doses mais elevadas de histamina, de maneira mais lenta e com 
efeitos mais prolongados. Estão relacionados com manifestações gástricas, inotropismo positivo e 
vasodilatação. 
As manifestações clínicas são: 
\ufffd Edema: o efeito vasodilatador local da histamina, associado à sua capacidade de 
aumentar a permeabilidade capilar com consequente extravasamento de fluido e de 
proteínas plasmáticas para os tecidos, promove o aparecimento do edema. 
\ufffd Mácula, Pápula e Eritema: experimentalmente, a participação da histamina em 
processos inflamatórios pode ser observada após administração subcutânea, sendo 
os efeitos conhecidos como \u201ctríplice
Cintia
Cintia fez um comentário
muito bom o material...
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marcilene
marcilene fez um comentário
Perfeito!!!! mto obrigadaaaaa :)
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