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ESTUDO DIRIGIDO – DISCIPLINA DIREITO AMBIENTAL Nesta Rota de Aprendizagem destacamos a importância para seus estudos de alguns temas diretamente relacionados ao contexto estudado nesta disciplina. Os temas sugeridos abrangem o conteúdo programático da sua disciplina nesta fase e lhe proporcionarão maior fixação de tais assuntos, consequentemente, melhor preparo para o sistema avaliativo adotado pelo Grupo Uninter. É importante ressaltar que os conteúdos abaixo apresentados foram abordados pelos professores em suas aulas, por isso a dica é: veja e reveja as aulas quantas vezes forem necessárias. Esse é apenas um material complementar! Além do livro, os vídeos e os slides das aulas compõem o referencial teórico que irá embasar o seu aprendizado. Utilize-os da melhor maneira possível. Bons estudos! Referências: JUNIOR, Moacir Ribeiro de Carvalho. Apontamentos sobre o Direito Processual Ambiental. Editora IBPEX, 1ª edição 2011; FILIPPIN, Rafael. Vídeo aulas e slides; artigos e roteiro de estudos. O QUE É DIREITO AMBIENTAL? O Direito ambiental é um ramo do Direito, constituído de um conjunto de princípios jurídicos e de normas jurídicas voltado à proteção da qualidade do meio ambiente, sendo uma resposta do Estado para os conflitos ambientais em torno da apropriação e uso dos recursos naturais. Serve para evitar que alguém se aproprie dos recursos naturais de modo desproporcional e também impõe padrões de comportamento em relação ao meio ambiente. Assim, tem por objetivo estudar as interações do homem com a natureza e os mecanismos legais para proteção do meio ambiente. Atualmente, podemos ver muitos exemplos de problemas causados pela crise ambiental do século XXI, dentre eles podemos citar: a perda da qualidade de vida, a poluição da água, contaminação dos alimentos e a perda de biodiversidade. O ambiente é de todos, porque temos o direito a ter acesso, de nos apropriar de certa quantidade de recursos naturais para podermos sobreviver. No entanto, é preciso tratá- lo como algo de todos, de modo que não podemos usá-lo de qualquer maneira. Devemos nos apropriar do ambiente de maneira adequada. Para auxiliar no controle e na fiscalização dos interesses ambientais, foi criado o CONAMA (Conselho Nacional do Meio Ambiente), cujo objetivo é evitar que alguém se aproprie dos recursos naturais de modo desproporcional e também impõe padrões de como as pessoas devem se comportar e de quanto de poluição elas podem emitir na natureza, de modo a permitir que todos vivam dentro de um contexto sadio. Sabendo que o meio ambiente é propriedade de TODOS, e que podemos usufruir de seus recursos com responsabilidade, numa espécie de consumo sustentável, que é requisito básico para o desenvolvimento sustentável, que seja capaz de suprir as necessidades da geração atual, sem comprometer a capacidade de atender as necessidades das futuras gerações, ou seja, é o desenvolvimento que não esgota os recursos para o futuro. ( FILIPPIN, aula 1) PRINCÍPIOS DO DIREITO AMBIENTAL Os princípios do Direito Ambiental visam proporcionar, para às presentes e futuras gerações, as garantias de preservação da qualidade de vida, em qualquer forma que esta se apresente, conciliando elementos econômicos e sociais, isto é, crescendo de acordo com a ideia de desenvolvimento sustentável. Abaixo, listamos os princípios do Direito Ambiental, porém, vale salientar que os mais importantes são: o princípio da prevenção, o princípio da precaução, o princípio do poluidor-pagador e o princípio do protetor- recebedor. Princípio do Direito Humano Fundamental: o direito ao meio ambiente protegido é um direito difuso, já que pertence a todos e é um direito humano fundamental, consagrado nos Princípios 1 e 2 da Declaração de Estocolmo (1972) e reafirmado na Declaração do Rio de Janeiro (1992). Direito difuso significa que todos têm direito a um ambiente ecologicamente equilibrado e a uma sadia qualidade de vida. (Aula 1 slide 13). Os direitos difusos, também identificados como superindividuais, transidividuais ou metaindividuais, são aquele disseminados pela sociedade e cuja a tutela, dá- se de maneira coletiva. (JUNIOR, MOACIR RIBEIRO DE CARVALHO. Apontamentos sobre o Direito Processual Ambiental. Editora IBPEX, 1ª edição 2011. p. 156) Princípio da precaução: sua meta é afastar os riscos. Estabelece a vedação de intervenções no meio ambiente, salvo se houver a certeza que as alterações não causarão reações adversas, já que nem sempre a ciência pode oferecer à sociedade respostas conclusivas sobre a inocuidade de determinados procedimentos. Princípio da prevenção: seu objetivo principal é evitar perigos. É muito semelhante ao Princípio da Precaução, mas com este não se confunde. Sua aplicação se dá nos casos em que os impactos ambientais já são conhecidos, restando certo a obrigatoriedade do licenciamento ambiental e do estudo de impacto ambiental (EIA), que são dois dos principais instrumentos de proteção ao meio ambiente. Princípio de Responsabilidade: visa garantir que o causador será responsabilizado pelo dano causado. Pelo Princípio da Responsabilidade o poluidor, pessoa física ou jurídica, responde por suas ações ou omissões em prejuízo do meio ambiente, ficando sujeito a sanções cíveis, penais ou administrativas. Logo, a responsabilidade por danos ambientais é objetiva, conforme prevê o § 3º do Art. 225 CF/88. Princípio do poluidor-pagador: é uma norma do Direito Ambiental que consiste em obrigar o poluidor a arcar com os custos da reparação do dano causado por ele ao meio ambiente. Princípio do protetor-recebedor: propicia aos atores sociais uma recompensa financeira pelas práticas protecionistas realizadas em favor do meio ambiente, beneficiando aqueles que tomem uma atitude pró meio ambiente. O Princípio do Usuário Pagador: estabelece que quem utiliza o recurso ambiental deve suportar seus custos, sem que essa cobrança resulte na imposição taxas abusivas. Então, não há que se falar em Poder Público ou terceiros suportando esses custos, mas somente naqueles que dele se beneficiaram. Princípio Democrático - assegura ao cidadão o direito à informação e a participação na elaboração das políticas públicas ambientais, de modo que a ele deve ser assegurado os mecanismos judiciais, legislativos e administrativos que efetivam o princípio. Esse Princípio é encontrado não só no capítulo destinado ao meio ambiente, como também no capítulo que trata os direitos e deveres individuais e coletivos. (Fonte: “Princípios do Direito Ambiental” – disponível no roteiro de estudos da aula 2) O Direito Ambiental, visando tutelar a coletividade, traz vários conceitos para que um uso não inviabilize os demais e, dessa forma, preserve a qualidade de vida da presente e das futuras gerações. Entre esses conceitos, temos o chamado conceito de direito difuso significa que todos têm direito a um ambiente ecologicamente equilibrado e a uma sadia qualidade de vida. Os direitos difusos, também identificados como superindividuais, transidividuais ou metaindividuais, são aqueles disseminados pela sociedade e cuja a tutela, dá-se de maneira coletiva. Direito difuso: todos têm direito ao ambiente ecologicamente equilibrado (Art. 225 da Constituição de 1988) A Administração Pública brasileira, também, é orientada por alguns princípios. É importante o conhecimento destes, pois os principais atos processuais das demandas ambientais são desenvolvidos por agentes do Poder Público. Princípios Constitucionais dos atos da Administração Pública Cabe ao Poder Público atender a demanda e proteger os direitos na defesa no meio ambiente e da vida, mesmo considerando-se as iniciativas do Terceiro Setor no campo da proteção ambiental. Os agentes da AdministraçãoPública têm a prerrogativa de fiscalizar, multar, processar e até de educar, de acordo com as suas respectivas funções e guardadas as limitações impostas no texto constitucional. Para evitar abusos de poder por parte dos agentes, a Constituição Federal de 1988 estabeleceu alguns princípios pautados na ordem democrática. Esses princípios são da legalidade, da impessoalidade, da moralidade, da publicidade e da eficiência e estão expressos no art. 37 da referida constituição. Os princípios constitucionais dos atos administrativos embasam os atos dos agentes do Poder Público brasileiro e orientam o administrador público no sentido de empregar de modo racional os recursos limitados, tendo como fim o bem-estar da coletividade. São eles: • Princípio da legalidade: atenção estritamente ao texto da lei. • Princípio da impessoalidade: atenção aos fins da administração independentemente dos sujeitos ou grupos atendidos. • Princípio da moralidade: atenção a um juízo de valores, conexos com a moral social, visando ao bem comum no trato com a res publica. • Princípio da publicidade: quando o ato se torna público para que seja do conhecimento dos cidadãos e das partes interessadas. • Princípio da eficiência: atividade administrativa com melhores resultados dispondo-se de recursos limitados (JUNIOR, 2011, p. 46) Competência legislativa é a prerrogativa que cada um dos entes da federação tem de elaborar as normas jurídicas ambientais. Os entes federativos são a União, os estados e os municípios, e qualquer um deles pode produzir leis, pode legislar de modo a produzir normas do Direito Ambiental. A Constituição Federal de 1988 atribuiu competências à União, aos Estados, Municípios e Distrito Federal para editar leis e normas de caráter ambiental. No entanto, esta competência é distinta e limitada para cada um deles. A competência em razão da matéria (material) é comum quanto ao dever de proteger o Meio Ambiente e combater a poluição; e de preservar as florestas, a fauna e a flora. Assim, União, Estados, Municípios e Distrito Federal possuem competência material comum para legislar sobre os assuntos acima citados, conforme artigo 23, incisos VI e VII da Constituição. (Fonte: PORTAL EDUCAÇÃO – artigo “Competência em Matéria Ambiental” disponível no roteiro de estudos da aula 3) A descentralização é uma técnica de governo utilizada justamente para tornar o governo mais eficiente perante a opinião pública e, ainda, fortalecer as instituições governamentais. Um governo pode apenas beneficiar alguns segmentos, em detrimento dos interesses de todo o conjunto social, contribuindo para o surgimento de conflitos no interior dessa sociedade. O federalismo, por sua vez, é um regime que aproxima o cidadão do governo, fazendo que este participe da sua gestão. O meio empregado é a divisão do exercício do poder, levando em conta a base territorial existente, onde há de surgir órgãos federais, estaduais e municipais como entes independentes e autônomos, controlados por uma constituição escrita e rígida. O Brasil adota a forma federativa de Estado desde a Proclamação da República, em 1889, em especial desde o texto da Constituição de 24 de fevereiro de 1891. A estruturação dos níveis de poder evoluiu no sentido de consolidarem órgãos de atuação central (União), regional (os estados-membros) e local (os municípios), sendo que estes últimos tiveram grande destaque no texto da Constituição de 1988 (Brasil, 1988). Conforme Bernardi (2007, p. 93), com a atual Carta Magna o município ganhou status de ente federativo de terceiro grau (primeiro a União, segundo os estados-membros e o Distrito Federal). Como tal, a competência legislativa do município é suplementar às legislações federal e estadual (art. 23, CF/1988). O município é o ente de maior importância para a vida democrática, uma vez que é a instituição que mais facilmente é percebida pelo cidadão, visto que as demais são construções jurídicas e abstratas. A organização federativa, ao mesmo tempo em que traz benefícios com a fragmentação do poder, também traz uma relação perversa, que é a de permitir à União legislar ao seu favor em detrimento dos demais entes a ela subordinados. Na hierarquia das normas jurídicas, o texto constitucional é aquele que está acima dos demais no direito interno, trazendo validade para todo o edifício normativo nacional. É na Constituição que se busca a fonte para compreender a estrutura do Estado que a redigiu, uma vez que no seu texto, os principais órgãos estão descritos e os poderes dos poderes públicos estão legitimados. (JUNIOR, 2011, p. 93-95) Já as competências fiscalizatórias (executivas) e judiciárias são aquelas exercidas pelo poder executivo e pelo poder judiciário. É necessário ter um sistema de fiscalização ambiental e, no Brasil, temos um conjunto de regras bastante rigoroso a respeito desse tipo de questão. Quando um conflito não pode ser resolvido pelos órgãos de fiscalização, recorremos ao poder judiciário. A competência executiva tem a atribuição de fiscalizar o cumprimento da norma. Caso estejamos diante de uma dúvida, de uma polêmica ou de uma controvérsia, nós temos a necessidade de invocar a competência judiciária, que é a atribuição de julgar se a norma foi cumprida ou não. A tradição latina observou a necessidade de trazer para a organização do Estado a responsabilidade de resolver as pendências existentes entre indivíduos, evitando-se, assim, a “justiça com as próprias mãos”, que, numa extensão ampla, pode colaborar para a fragmentação da sociedade, conduzindo-a ao caos. Ao pensar a defesa objetiva do meio ambiente, é prudente ao estudioso do direito brasileiro observar as particularidades da sua organização judiciária, pois, como observa Machado (2010, p. 401), foi criado com a Carta Magna de 1988 um federalismo de coordenação e de cooperação em que coexistem harmonicamente uma jurisdição no nível federal e outra no estadual, cabendo ao STF a guarda do conteúdo do texto constitucional (conforme expresso no art. 102, caput, CF/1988). A atuação da jurisdição serve para manter uma disciplina na sociedade, submetendo os diversos interesses dispersos perante a lei vigente de forma a buscar a pacificação social. ((JUNIOR, 2011, p. 117 e 117) De acordo com Filippin (aula 3 – slides), as competências legislativa, executiva e judiciária têm suas especificidades e devem ser analisadas segundo a hierarquia e a territorialidade, assim resumindo, temos: Competências em Matéria Ambiental Todos os entes federativos podem legislar e impor padrões e limites ao uso dos recursos naturais Competência Legislativa: Sobre um mesmo espaço geográfico vigoram ao mesmo tempo leis federais, estaduais e municipais. Prevalece a maior restrição. Competência Executiva: atribuição de fiscalizar o cumprimento da norma A Fiscalização é prévia (licenciamento e autorização) e posterior (auditoria e autuação) Quando o impacto é nacional (mais de um estado, na fronteira, mar territorial etc.), a competência é da União; Quando o impacto é regional (em mais de um município), a competência é do Estado. E quando o impacto é local, a competência é do Município Competência Judiciária: atribuição de julgar se a norma foi cumprida cabe à Justiça Federal (se houver atuação de órgão da União; à Justiça Estadual (se órgão da União não atuar); à Justiça Especializada (trabalho, militar) PRINCIPAIS NORMAS AMBIENTAIS O Sistema Nacional do Meio Ambiente - SISNAMA, foi instituído pela Lei 6.938, de 31 de agosto de 1981, regulamentada pelo Decreto 99.274, de 06 de junho de 1990, sendo constituído pelos órgãos e entidades da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Municípios e pelas Fundações instituídas pelo Poder Público, responsáveis pela proteção e melhoriada qualidade ambiental. A atuação do SISNAMA se dará mediante articulação coordenada dos Órgãos e entidades que o constituem, observado o acesso da opinião pública às informações relativas as agressões ao meio ambiente e às ações de proteção ambiental, na forma estabelecida pelo CONAMA. Cabe aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios a regionalização das medidas emanadas do SISNAMA, elaborando normas e padrões supletivos e complementares. (Fonte: artigo disponível no roteiro de estudos – aula 4) Na Constituição de 1988, temos a principal norma que fundamenta a existência do Sisnama e de todas as outras regras que estão em vigor. As regras de Direito vistas durante esta disciplina estão fundamentadas ou validadas graças ao artigo 225 da Constituição de 1988. Algumas dessas normas compõem a espinha dorsal das políticas executadas pelos governos: fiscalização, conservação e remediação. A Constituição de 1988 fez uma nova abordagem das questões envolvendo o meio ambiente e os recursos naturais. Antes, esses recursos eram protegidos pelo Estado apenas por interesses econômicos, porém, na Constituição procurou-se proteger um bem ainda maior: a vida. A complexidade dos problemas ambientais brasileiros contribui para que haja uma grande quantidade de leis que regulam assuntos distintos. Para tanto, alguns recursos naturais têm leis específicas para regular o seu uso e sistemas organizados exclusivamente para geri-los. Por exemplo, há normas e leis específicas para a água, as florestas, o solo urbano e a biodiversidade. Para usar cada um desses recursos naturais: água, floresta, solo e biodiversidade, é necessário atender os limites e procedimentos das respectivas leis. Direito Processual Ambiental A utilização dos recursos naturais geralmente acaba acarretando conflitos, porque são vários os interessados em utilizar esses recursos ao mesmo tempo. Diante dessa conjuntura, na qual muitos interesses estão sendo contrapostos, é evidente que podem acontecer os conflitos. Então, perante essa situação conflitiva, é preciso atuar de modo a resolver isso, e o gestor ambiental é especialmente necessário para essas soluções. O gestor é a pessoa indicada para dar auxílio para encontrar as melhores técnicas disponíveis para a utilização dos recursos ambientais com menos conflito, pois, ele vai tratar dos temas relacionados ao processo ambiental, contribuindo com o seu conhecimento científico, de modo a proporcionar a melhor solução para um conflito do ponto de vista técnico, do ponto de vista ambiental. O direito processual ambiental tem como objetivo analisar e solucionar a lide (conflito) criada entre duas ou mais partes. As lides ambientais são os conflitos em torno do uso dos recursos naturais, pela ameaça de sua destruição ou pelos danos que lhe foram causados. As pessoas não podem resolver seus conflitos usando a própria força, é preciso um julgamento do Judiciário para que um conflito seja resolvido em definitivo. Conflitos ambientais devem ser solucionados pelo Judiciário por meio de processos, cujos elementos são: partes, pedidos, fundamentos, provas e julgamento • Processo: é uma sucessão de atos pré-ordenados, que tem por objetivo um julgamento Parte: pessoa que participa do processo pedindo algo (autor), ou de quem foi pedido algo (réu) Juiz: quem decide o processo Pedido: objetivo do processo Fundamento: argumentos que embasam o pedido Prova: elemento material que mostra o que ocorreu Aplicabilidade do direito processual ambiental: • As pessoas não podem resolver seus conflitos usando a própria força • É preciso um julgamento do Judiciário para que um conflito seja resolvido em definitivo Ações Ambientais As ações ambientais têm a finalidade de proporcionar uma melhoria na qualidade dos recursos naturais e também estabelecer procedimentos que possam permitir o desenvolvimento de uma atividade econômica de forma sustentável. Entre suas finalidades está a proteção do meio ambiente por intermédio de alguns meios. Por exemplo, a imposição de penas aos agressores e medidas reparatórias e obrigações a fazer. Há 03 (Três) tipos principais de ação: ação civil pública, ação popular e ação individual. A diferença principal é quem pode propor cada uma delas. Características de cada tipo de ação: - Ação civil pública: o pedido pode ser reparação de danos e obrigações a fazer; pode ser preventiva ou reparatória e o autor pode ser o Ministério Público, Defensoria Pública, ONGs etc. - Ação popular: o autor deve ser o cidadão, sendo que o pedido pode ser a nulidade de um ato lesivo ao ambiente e deve ser preventiva e reparatória. - Ação individual: o autor pode ser qualquer pessoa e o pedido pode ser declaratório, condenatório ou mandamental, além de ser preventiva e reparatória. Crimes Ambientais É considerado um dever do Estado a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio, através de determinados órgãos. A integridade é um direito que deve ser efetivamente preservado, porém determinados atos podem ameaçar essa integridade garantida pelo Estado. A Lei n. 9.605, de 1998, é a principal legislação ambiental criminal brasileira. Ao fim do século XX, havia a necessidade de se fazer a consolidação de uma série de leis anteriores que precisavam ser organizadas, de modo a permitir que a sociedade soubesse o que ela podia e o que não podia fazer. Em um Estado democrático, é preciso que o cidadão saiba aquilo que ele pode e aquilo que ele não pode fazer. Então, para facilitar o acesso àquilo que não pode ser feito, essa lei foi criada. Assim, em 12 de fevereiro de 1998, o presidente Fernando Henrique Cardoso sancionou a Lei nº 9.605, que dispõe sobre as sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente. De acordo com a Lei de Crimes Ambientais (Lei N.º 9.605 de 13 de fevereiro de 1998), podemos classificar esses crimes em diferentes tipos, por exemplo, crimes ambientais contra flora, fauna, recursos naturais e, até mesmo, o patrimônio cultural. Eles também podem ser classificados de acordo com algum tipo de má conduta em relação às normas ambientais legais. Quaisquer crimes relacionados ao meio ambiente (desmatamento ilegal, pesca ilegal, caça, poluição de rios e corpos d’água entre outros) cometidos por pessoas físicas e jurídicas são passíveis de punição de acordo com essa Lei. Define-se crime como a conduta prevista claramente na legislação que é proibida e em cuja investigação seja possível identificar a culpa ou a vontade de cometê-lo. As penalidades são consideradas um modo de repressão, pelo Poder Público, à violação da ordem social, sendo que consistem em uma punição imposta pelo Estado ao contraventor, em processo judicial por causa de crime ou contravenção que tenha cometido, com o fim de criar um exemplo e evitar a prática de novas infrações. Assim, a abertura de processos penais e administrativos não tem por objetivo a punição simplesmente, mas a solução do problema, com sua remediação e a educação do infrator. A Lei dos Crimes Ambientais, visando proteger e garantir a função social da cidade, conforme o disposto no texto constitucional nos seus arts. 182 e 183, estabeleceu sanções (arts. 63 e 64) visando proteger o meio ambiente artificial, já que desde de 1970 o Brasil observa um processo de urbanização excludente que retirou do meio rural e lançou, de modo precário no meio urbano grandes contingentes de famílias, trabalhando em subempregos e morando e sub – habitações ou ocupações irregulares, sobrecarregando a estrutura urbana e causando danos ao meio ambiente. (JUNIOR, 2011, p. 261 e 262). Em relação a esse tema, “a legislação brasileira consagrou o direito urbanístico com otexto da Lei 10.257, de 10 de julho de 2001, que traz o estatuto da cidade. Trata-se de importante produção legal que estabelece instrumentos para implementar a política urbana, zelando, inclusive, com pela qualidade do meio ambiental artificial [...]” (JUNIOR, 2011, p. 262) A preocupação em proteger o meio ambiente depende, sob muitos aspectos, das iniciativas do Poder Público, pois é essa pessoa jurídica que dispõe da maior infraestrutura existente no território nacional para fazer valer a aplicação da lei e que pode valer-se de medidas de prevenção aos acidentes ambientais. A título de conclusão e, de acordo com o professor Moacir Ribeiro de Carvalho Júnior, podemos afirmar que a letra fria da lei não tem força preventiva e, dependendo da lesão imposta ao meio ambiente, pouco importam futuras indenizações! Daí a necessidade da conduta preventiva no trato com o meio ambiente. É sabido que o Poder Público se apresenta como um dos maiores poluidores na forma de instituição. É inadmissível que aquele ente que tem o dever de zelar pelo meio ambiente seja responsável pela sua degradação. Não é apenas na agressão direta que o Poder Público pode ser responsabilizado; também a visão equivocada de determinados administradores públicos contribuiu para a instituição de políticas públicas de “geração de emprego e renda” fundamentadas no extrativismo predatório. Assim, é possível assistir pelos noticiários à expansão da fronteira agrícola na Amazônia, ao derramamento de petróleo em córregos de rios, à contaminação de todas as espécies, colocando os seres vivos numa condição de fragilidade da própria vida. A boa notícia é que houve uma expansão nos direitos dos cidadãos a partir de 1988, como foi aqui demonstrado com base nos institutos de defesa do meio ambiente. No entanto, sabemos que a cidadania é uma arte que se aprende na prática, e não na teoria. (JUNIOR, 2011, p. 263)