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ESTUDO DIRIGIDO – DISCIPLINA DIREITO AMBIENTAL 
 
Nesta Rota de Aprendizagem destacamos a importância para seus estudos de 
alguns temas diretamente relacionados ao contexto estudado nesta disciplina. Os temas 
sugeridos abrangem o conteúdo programático da sua disciplina nesta fase e lhe 
proporcionarão maior fixação de tais assuntos, consequentemente, melhor preparo 
para o sistema avaliativo adotado pelo Grupo Uninter. É importante ressaltar que os 
conteúdos abaixo apresentados foram abordados pelos professores em suas aulas, por 
isso a dica é: veja e reveja as aulas quantas vezes forem necessárias. Esse é apenas um 
material complementar! Além do livro, os vídeos e os slides das aulas compõem o 
referencial teórico que irá embasar o seu aprendizado. Utilize-os da melhor maneira 
possível. 
Bons estudos! 
Referências: JUNIOR, Moacir Ribeiro de Carvalho. Apontamentos sobre o Direito 
Processual Ambiental. Editora IBPEX, 1ª edição 2011; FILIPPIN, Rafael. Vídeo aulas e 
slides; artigos e roteiro de estudos. 
 
O QUE É DIREITO AMBIENTAL? 
O Direito ambiental é um ramo do Direito, constituído de um conjunto de princípios 
jurídicos e de normas jurídicas voltado à proteção da qualidade do meio ambiente, 
sendo uma resposta do Estado para os conflitos ambientais em torno da apropriação e 
uso dos recursos naturais. Serve para evitar que alguém se aproprie dos recursos 
naturais de modo desproporcional e também impõe padrões de comportamento em 
relação ao meio ambiente. Assim, tem por objetivo estudar as interações do homem 
com a natureza e os mecanismos legais para proteção do meio ambiente. 
Atualmente, podemos ver muitos exemplos de problemas causados pela crise ambiental 
do século XXI, dentre eles podemos citar: a perda da qualidade de vida, a poluição da 
água, contaminação dos alimentos e a perda de biodiversidade. 
O ambiente é de todos, porque temos o direito a ter acesso, de nos apropriar de certa 
quantidade de recursos naturais para podermos sobreviver. No entanto, é preciso tratá-
lo como algo de todos, de modo que não podemos usá-lo de qualquer maneira. 
Devemos nos apropriar do ambiente de maneira adequada. 
Para auxiliar no controle e na fiscalização dos interesses ambientais, foi criado o 
CONAMA (Conselho Nacional do Meio Ambiente), cujo objetivo é evitar que alguém se 
aproprie dos recursos naturais de modo desproporcional e também impõe padrões de 
como as pessoas devem se comportar e de quanto de poluição elas podem emitir na 
natureza, de modo a permitir que todos vivam dentro de um contexto sadio. 
Sabendo que o meio ambiente é propriedade de TODOS, e que podemos usufruir de 
seus recursos com responsabilidade, numa espécie de consumo sustentável, que é 
requisito básico para o desenvolvimento sustentável, que seja capaz de suprir as 
necessidades da geração atual, sem comprometer a capacidade de atender as 
necessidades das futuras gerações, ou seja, é o desenvolvimento que não esgota os 
recursos para o futuro. ( FILIPPIN, aula 1) 
 
PRINCÍPIOS DO DIREITO AMBIENTAL 
Os princípios do Direito Ambiental visam proporcionar, para às presentes e futuras 
gerações, as garantias de preservação da qualidade de vida, em qualquer forma que esta 
se apresente, conciliando elementos econômicos e sociais, isto é, crescendo de acordo 
com a ideia de desenvolvimento sustentável. Abaixo, listamos os princípios do Direito 
Ambiental, porém, vale salientar que os mais importantes são: o princípio da prevenção, 
o princípio da precaução, o princípio do poluidor-pagador e o princípio do protetor-
recebedor. 
 
 Princípio do Direito Humano Fundamental: o direito ao meio ambiente 
protegido é um direito difuso, já que pertence a todos e é um direito humano 
fundamental, consagrado nos Princípios 1 e 2 da Declaração de Estocolmo (1972) 
e reafirmado na Declaração do Rio de Janeiro (1992). 
Direito difuso significa que todos têm direito a um ambiente ecologicamente 
equilibrado e a uma sadia qualidade de vida. (Aula 1 slide 13). 
Os direitos difusos, também identificados como superindividuais, transidividuais 
ou metaindividuais, são aquele disseminados pela sociedade e cuja a tutela, dá-
se de maneira coletiva. (JUNIOR, MOACIR RIBEIRO DE CARVALHO. 
Apontamentos sobre o Direito Processual Ambiental. Editora IBPEX, 1ª edição 
2011. p. 156) 
 Princípio da precaução: sua meta é afastar os riscos. 
Estabelece a vedação de intervenções no meio ambiente, salvo se houver a 
certeza que as alterações não causarão reações adversas, já que nem sempre a 
ciência pode oferecer à sociedade respostas conclusivas sobre a inocuidade de 
determinados procedimentos. 
 Princípio da prevenção: seu objetivo principal é evitar perigos. 
É muito semelhante ao Princípio da Precaução, mas com este não se confunde. Sua 
aplicação se dá nos casos em que os impactos ambientais já são conhecidos, restando 
certo a obrigatoriedade do licenciamento ambiental e do estudo de impacto ambiental 
(EIA), que são dois dos principais instrumentos de proteção ao meio ambiente. 
 Princípio de Responsabilidade: visa garantir que o causador será 
responsabilizado pelo dano causado. 
Pelo Princípio da Responsabilidade o poluidor, pessoa física ou jurídica, responde 
por suas ações ou omissões em prejuízo do meio ambiente, ficando sujeito a 
sanções cíveis, penais ou administrativas. Logo, a responsabilidade por danos 
ambientais é objetiva, conforme prevê o § 3º do Art. 225 CF/88. 
 Princípio do poluidor-pagador: é uma norma do Direito Ambiental que consiste 
em obrigar o poluidor a arcar com os custos da reparação do dano causado por 
ele ao meio ambiente. 
 Princípio do protetor-recebedor: propicia aos atores sociais uma recompensa 
financeira pelas práticas protecionistas realizadas em favor do meio ambiente, 
beneficiando aqueles que tomem uma atitude pró meio ambiente. 
 O Princípio do Usuário Pagador: estabelece que quem utiliza o recurso 
ambiental deve suportar seus custos, sem que essa cobrança resulte na 
imposição taxas abusivas. Então, não há que se falar em Poder Público ou 
terceiros suportando esses custos, mas somente naqueles que dele se 
beneficiaram. 
 Princípio Democrático - assegura ao cidadão o direito à informação e a 
participação na elaboração das políticas públicas ambientais, de modo que a ele 
deve ser assegurado os mecanismos judiciais, legislativos e administrativos que 
efetivam o princípio. 
Esse Princípio é encontrado não só no capítulo destinado ao meio ambiente, 
como também no capítulo que trata os direitos e deveres individuais e coletivos. 
 
 (Fonte: “Princípios do Direito Ambiental” – disponível no roteiro de estudos da aula 2) 
 
O Direito Ambiental, visando tutelar a coletividade, traz vários conceitos para que um 
uso não inviabilize os demais e, dessa forma, preserve a qualidade de vida da presente 
e das futuras gerações. Entre esses conceitos, temos o chamado conceito de direito 
difuso significa que todos têm direito a um ambiente ecologicamente equilibrado e a 
uma sadia qualidade de vida. 
Os direitos difusos, também identificados como superindividuais, transidividuais ou 
metaindividuais, são aqueles disseminados pela sociedade e cuja a tutela, dá-se de 
maneira coletiva. 
Direito difuso: todos têm direito ao ambiente ecologicamente equilibrado (Art. 225 da 
Constituição de 1988) 
A Administração Pública brasileira, também, é orientada por alguns princípios. É 
importante o conhecimento destes, pois os principais atos processuais das demandas 
ambientais são desenvolvidos por agentes do Poder Público. 
 
 
 
Princípios Constitucionais dos atos da Administração Pública 
 Cabe ao Poder Público atender a demanda e proteger os direitos na defesa no meio 
ambiente e da vida, mesmo considerando-se as iniciativas do Terceiro Setor no campo 
da proteção ambiental. 
Os agentes da AdministraçãoPública têm a prerrogativa de fiscalizar, multar, processar 
e até de educar, de acordo com as suas respectivas funções e guardadas as limitações 
impostas no texto constitucional. 
Para evitar abusos de poder por parte dos agentes, a Constituição Federal de 1988 
estabeleceu alguns princípios pautados na ordem democrática. Esses princípios são da 
legalidade, da impessoalidade, da moralidade, da publicidade e da eficiência e estão 
expressos no art. 37 da referida constituição. 
 Os princípios constitucionais dos atos administrativos embasam os atos dos agentes do 
Poder Público brasileiro e orientam o administrador público no sentido de empregar de 
modo racional os recursos limitados, tendo como fim o bem-estar da coletividade. São 
eles: 
• Princípio da legalidade: atenção estritamente ao texto da lei. 
• Princípio da impessoalidade: atenção aos fins da administração 
independentemente dos sujeitos ou grupos atendidos. 
• Princípio da moralidade: atenção a um juízo de valores, conexos com a moral 
social, visando ao bem comum no trato com a res publica. 
• Princípio da publicidade: quando o ato se torna público para que seja do 
conhecimento dos cidadãos e das partes interessadas. 
• Princípio da eficiência: atividade administrativa com melhores resultados 
dispondo-se de recursos limitados 
(JUNIOR, 2011, p. 46) 
 
Competência legislativa é a prerrogativa que cada um dos entes da federação tem de 
elaborar as normas jurídicas ambientais. 
Os entes federativos são a União, os estados e os municípios, e qualquer um deles pode 
produzir leis, pode legislar de modo a produzir normas do Direito Ambiental. 
A Constituição Federal de 1988 atribuiu competências à União, aos Estados, Municípios 
e Distrito Federal para editar leis e normas de caráter ambiental. No entanto, esta 
competência é distinta e limitada para cada um deles. A competência em razão da 
matéria (material) é comum quanto ao dever de proteger o Meio Ambiente e combater 
a poluição; e de preservar as florestas, a fauna e a flora. Assim, União, Estados, 
Municípios e Distrito Federal possuem competência material comum para legislar sobre 
os assuntos acima citados, conforme artigo 23, incisos VI e VII da Constituição. 
(Fonte: PORTAL EDUCAÇÃO – artigo “Competência em Matéria Ambiental” disponível 
no roteiro de estudos da aula 3) 
A descentralização é uma técnica de governo utilizada justamente para tornar o governo 
mais eficiente perante a opinião pública e, ainda, fortalecer as instituições 
governamentais. Um governo pode apenas beneficiar alguns segmentos, em detrimento 
dos interesses de todo o conjunto social, contribuindo para o surgimento de conflitos 
no interior dessa sociedade. O federalismo, por sua vez, é um regime que aproxima o 
cidadão do governo, fazendo que este participe da sua gestão. O meio empregado é a 
divisão do exercício do poder, levando em conta a base territorial existente, onde há de 
surgir órgãos federais, estaduais e municipais como entes independentes e autônomos, 
controlados por uma constituição escrita e rígida. 
O Brasil adota a forma federativa de Estado desde a Proclamação da República, em 1889, 
em especial desde o texto da Constituição de 24 de fevereiro de 1891. A estruturação 
dos níveis de poder evoluiu no sentido de consolidarem órgãos de atuação central 
(União), regional (os estados-membros) e local (os municípios), sendo que estes últimos 
tiveram grande destaque no texto da Constituição de 1988 (Brasil, 1988). 
Conforme Bernardi (2007, p. 93), com a atual Carta Magna o município ganhou status 
de ente federativo de terceiro grau (primeiro a União, segundo os estados-membros e 
o Distrito Federal). Como tal, a competência legislativa do município é suplementar às 
legislações federal e estadual (art. 23, CF/1988). O município é o ente de maior 
importância para a vida democrática, uma vez que é a instituição que mais facilmente é 
percebida pelo cidadão, visto que as demais são construções jurídicas e abstratas. 
A organização federativa, ao mesmo tempo em que traz benefícios com a fragmentação 
do poder, também traz uma relação perversa, que é a de permitir à União legislar ao seu 
favor em detrimento dos demais entes a ela subordinados. 
Na hierarquia das normas jurídicas, o texto constitucional é aquele que está acima dos 
demais no direito interno, trazendo validade para todo o edifício normativo nacional. É 
na Constituição que se busca a fonte para compreender a estrutura do Estado que a 
redigiu, uma vez que no seu texto, os principais órgãos estão descritos e os poderes dos 
poderes públicos estão legitimados. (JUNIOR, 2011, p. 93-95) 
Já as competências fiscalizatórias (executivas) e judiciárias são aquelas exercidas pelo 
poder executivo e pelo poder judiciário. É necessário ter um sistema de fiscalização 
ambiental e, no Brasil, temos um conjunto de regras bastante rigoroso a respeito desse 
tipo de questão. Quando um conflito não pode ser resolvido pelos órgãos de fiscalização, 
recorremos ao poder judiciário. 
A competência executiva tem a atribuição de fiscalizar o cumprimento da norma. Caso 
estejamos diante de uma dúvida, de uma polêmica ou de uma controvérsia, nós temos 
a necessidade de invocar a competência judiciária, que é a atribuição de julgar se a 
norma foi cumprida ou não. 
A tradição latina observou a necessidade de trazer para a organização do Estado a 
responsabilidade de resolver as pendências existentes entre indivíduos, evitando-se, 
assim, a “justiça com as próprias mãos”, que, numa extensão ampla, pode colaborar 
para a fragmentação da sociedade, conduzindo-a ao caos. 
Ao pensar a defesa objetiva do meio ambiente, é prudente ao estudioso do direito 
brasileiro observar as particularidades da sua organização judiciária, pois, como observa 
Machado (2010, p. 401), foi criado com a Carta Magna de 1988 um federalismo de 
coordenação e de cooperação em que coexistem harmonicamente uma jurisdição no 
nível federal e outra no estadual, cabendo ao STF a guarda do conteúdo do texto 
constitucional (conforme expresso no art. 102, caput, CF/1988). 
A atuação da jurisdição serve para manter uma disciplina na sociedade, submetendo os 
diversos interesses dispersos perante a lei vigente de forma a buscar a pacificação social. 
((JUNIOR, 2011, p. 117 e 117) 
De acordo com Filippin (aula 3 – slides), as competências legislativa, executiva e 
judiciária têm suas especificidades e devem ser analisadas segundo a hierarquia e a 
territorialidade, assim resumindo, temos: 
Competências em Matéria Ambiental 
Todos os entes federativos podem legislar e impor padrões e limites ao uso dos recursos 
naturais 
 Competência Legislativa: Sobre um mesmo espaço geográfico vigoram ao 
mesmo tempo leis federais, estaduais e municipais. Prevalece a maior restrição. 
 Competência Executiva: atribuição de fiscalizar o cumprimento da norma 
A Fiscalização é prévia (licenciamento e autorização) e posterior (auditoria e 
autuação) 
Quando o impacto é nacional (mais de um estado, na fronteira, mar territorial 
etc.), a competência é da União; 
Quando o impacto é regional (em mais de um município), a competência é do 
Estado. 
E quando o impacto é local, a competência é do Município 
 
 Competência Judiciária: atribuição de julgar se a norma foi cumprida cabe à 
Justiça Federal (se houver atuação de órgão da União; à Justiça Estadual (se 
órgão da União não atuar); à Justiça Especializada (trabalho, militar) 
 
PRINCIPAIS NORMAS AMBIENTAIS 
O Sistema Nacional do Meio Ambiente - SISNAMA, foi instituído pela Lei 6.938, de 31 de 
agosto de 1981, regulamentada pelo Decreto 99.274, de 06 de junho de 1990, sendo 
constituído pelos órgãos e entidades da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos 
Municípios e pelas Fundações instituídas pelo Poder Público, responsáveis pela proteção 
e melhoriada qualidade ambiental. 
A atuação do SISNAMA se dará mediante articulação coordenada dos Órgãos e 
entidades que o constituem, observado o acesso da opinião pública às informações 
relativas as agressões ao meio ambiente e às ações de proteção ambiental, na forma 
estabelecida pelo CONAMA. 
Cabe aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios a regionalização das medidas 
emanadas do SISNAMA, elaborando normas e padrões supletivos e complementares. 
(Fonte: artigo disponível no roteiro de estudos – aula 4) 
Na Constituição de 1988, temos a principal norma que fundamenta a existência do 
Sisnama e de todas as outras regras que estão em vigor. As regras de Direito vistas 
durante esta disciplina estão fundamentadas ou validadas graças ao artigo 225 da 
Constituição de 1988. Algumas dessas normas compõem a espinha dorsal das políticas 
executadas pelos governos: fiscalização, conservação e remediação. 
A Constituição de 1988 fez uma nova abordagem das questões envolvendo o meio 
ambiente e os recursos naturais. Antes, esses recursos eram protegidos pelo Estado 
apenas por interesses econômicos, porém, na Constituição procurou-se proteger um 
bem ainda maior: a vida. 
A complexidade dos problemas ambientais brasileiros contribui para que haja uma 
grande quantidade de leis que regulam assuntos distintos. Para tanto, alguns recursos 
naturais têm leis específicas para regular o seu uso e sistemas organizados 
exclusivamente para geri-los. 
Por exemplo, há normas e leis específicas para a água, as florestas, o solo urbano e a 
biodiversidade. 
Para usar cada um desses recursos naturais: água, floresta, solo e biodiversidade, é 
necessário atender os limites e procedimentos das respectivas leis. 
Direito Processual Ambiental 
A utilização dos recursos naturais geralmente acaba acarretando conflitos, porque são 
vários os interessados em utilizar esses recursos ao mesmo tempo. Diante dessa 
conjuntura, na qual muitos interesses estão sendo contrapostos, é evidente que podem 
acontecer os conflitos. 
Então, perante essa situação conflitiva, é preciso atuar de modo a resolver isso, e o 
gestor ambiental é especialmente necessário para essas soluções. 
O gestor é a pessoa indicada para dar auxílio para encontrar as melhores técnicas 
disponíveis para a utilização dos recursos ambientais com menos conflito, pois, ele vai 
tratar dos temas relacionados ao processo ambiental, contribuindo com o seu 
conhecimento científico, de modo a proporcionar a melhor solução para um conflito do 
ponto de vista técnico, do ponto de vista ambiental. 
O direito processual ambiental tem como objetivo analisar e solucionar a lide (conflito) 
criada entre duas ou mais partes. As lides ambientais são os conflitos em torno do uso 
dos recursos naturais, pela ameaça de sua destruição ou pelos danos que lhe foram 
causados. 
As pessoas não podem resolver seus conflitos usando a própria força, é preciso um 
julgamento do Judiciário para que um conflito seja resolvido em definitivo. 
Conflitos ambientais devem ser solucionados pelo Judiciário por meio de processos, 
cujos elementos são: partes, pedidos, fundamentos, provas e julgamento 
• Processo: é uma sucessão de atos pré-ordenados, que tem por objetivo um 
julgamento 
 Parte: pessoa que participa do processo pedindo algo (autor), ou de quem foi 
pedido algo (réu) 
 Juiz: quem decide o processo 
 Pedido: objetivo do processo 
 Fundamento: argumentos que embasam o pedido 
 Prova: elemento material que mostra o que ocorreu 
 
Aplicabilidade do direito processual ambiental: 
• As pessoas não podem resolver seus conflitos usando a própria força 
• É preciso um julgamento do Judiciário para que um conflito seja resolvido 
em definitivo 
 
 
 
Ações Ambientais 
As ações ambientais têm a finalidade de proporcionar uma melhoria na qualidade dos 
recursos naturais e também estabelecer procedimentos que possam permitir o 
desenvolvimento de uma atividade econômica de forma sustentável. Entre suas 
finalidades está a proteção do meio ambiente por intermédio de alguns meios. Por 
exemplo, a imposição de penas aos agressores e medidas reparatórias e obrigações a 
fazer. 
Há 03 (Três) tipos principais de ação: ação civil pública, ação popular e ação individual. 
A diferença principal é quem pode propor cada uma delas. 
Características de cada tipo de ação: 
- Ação civil pública: o pedido pode ser reparação de danos e obrigações a fazer; pode 
ser preventiva ou reparatória e o autor pode ser o Ministério Público, Defensoria 
Pública, ONGs etc. 
- Ação popular: o autor deve ser o cidadão, sendo que o pedido pode ser a nulidade de 
um ato lesivo ao ambiente e deve ser preventiva e reparatória. 
- Ação individual: o autor pode ser qualquer pessoa e o pedido pode ser declaratório, 
condenatório ou mandamental, além de ser preventiva e reparatória. 
Crimes Ambientais 
É considerado um dever do Estado a preservação da ordem pública e da incolumidade 
das pessoas e do patrimônio, através de determinados órgãos. A integridade é um 
direito que deve ser efetivamente preservado, porém determinados atos podem 
ameaçar essa integridade garantida pelo Estado. 
A Lei n. 9.605, de 1998, é a principal legislação ambiental criminal brasileira. Ao fim do 
século XX, havia a necessidade de se fazer a consolidação de uma série de leis anteriores 
que precisavam ser organizadas, de modo a permitir que a sociedade soubesse o que 
ela podia e o que não podia fazer. Em um Estado democrático, é preciso que o cidadão 
saiba aquilo que ele pode e aquilo que ele não pode fazer. Então, para facilitar o acesso 
àquilo que não pode ser feito, essa lei foi criada. 
Assim, em 12 de fevereiro de 1998, o presidente Fernando Henrique Cardoso sancionou 
a Lei nº 9.605, que dispõe sobre as sanções penais e administrativas derivadas de 
condutas e atividades lesivas ao meio ambiente. 
 
De acordo com a Lei de Crimes Ambientais (Lei N.º 9.605 de 13 de fevereiro de 1998), 
podemos classificar esses crimes em diferentes tipos, por exemplo, crimes ambientais 
contra flora, fauna, recursos naturais e, até mesmo, o patrimônio cultural. Eles também 
podem ser classificados de acordo com algum tipo de má conduta em relação às normas 
ambientais legais. 
Quaisquer crimes relacionados ao meio ambiente (desmatamento ilegal, pesca ilegal, 
caça, poluição de rios e corpos d’água entre outros) cometidos por pessoas físicas e 
jurídicas são passíveis de punição de acordo com essa Lei. 
Define-se crime como a conduta prevista claramente na legislação que é proibida e em 
cuja investigação seja possível identificar a culpa ou a vontade de cometê-lo. 
As penalidades são consideradas um modo de repressão, pelo Poder Público, à violação 
da ordem social, sendo que consistem em uma punição imposta pelo Estado ao 
contraventor, em processo judicial por causa de crime ou contravenção que tenha 
cometido, com o fim de criar um exemplo e evitar a prática de novas infrações. 
Assim, a abertura de processos penais e administrativos não tem por objetivo a punição 
simplesmente, mas a solução do problema, com sua remediação e a educação do 
infrator. 
A Lei dos Crimes Ambientais, visando proteger e garantir a função social da cidade, 
conforme o disposto no texto constitucional nos seus arts. 182 e 183, estabeleceu 
sanções (arts. 63 e 64) visando proteger o meio ambiente artificial, já que desde de 1970 
o Brasil observa um processo de urbanização excludente que retirou do meio rural e 
lançou, de modo precário no meio urbano grandes contingentes de famílias, 
trabalhando em subempregos e morando e sub – habitações ou ocupações irregulares, 
sobrecarregando a estrutura urbana e causando danos ao meio ambiente. (JUNIOR, 
2011, p. 261 e 262). 
Em relação a esse tema, “a legislação brasileira consagrou o direito urbanístico com otexto da Lei 10.257, de 10 de julho de 2001, que traz o estatuto da cidade. Trata-se de 
importante produção legal que estabelece instrumentos para implementar a política 
urbana, zelando, inclusive, com pela qualidade do meio ambiental artificial [...]” 
(JUNIOR, 2011, p. 262) 
A preocupação em proteger o meio ambiente depende, sob muitos aspectos, das 
iniciativas do Poder Público, pois é essa pessoa jurídica que dispõe da maior 
infraestrutura existente no território nacional para fazer valer a aplicação da lei e que 
pode valer-se de medidas de prevenção aos acidentes ambientais. 
A título de conclusão e, de acordo com o professor Moacir Ribeiro de Carvalho Júnior, 
podemos afirmar que a letra fria da lei não tem força preventiva e, dependendo da lesão 
imposta ao meio ambiente, pouco importam futuras indenizações! Daí a necessidade da 
conduta preventiva no trato com o meio ambiente. É sabido que o Poder Público se 
apresenta como um dos maiores poluidores na forma de instituição. É inadmissível que 
aquele ente que tem o dever de zelar pelo meio ambiente seja responsável pela sua 
degradação. 
Não é apenas na agressão direta que o Poder Público pode ser responsabilizado; 
também a visão equivocada de determinados administradores públicos contribuiu para 
a instituição de políticas públicas de “geração de emprego e renda” fundamentadas no 
extrativismo predatório. 
Assim, é possível assistir pelos noticiários à expansão da fronteira agrícola na Amazônia, 
ao derramamento de petróleo em córregos de rios, à contaminação de todas as 
espécies, colocando os seres vivos numa condição de fragilidade da própria vida. 
A boa notícia é que houve uma expansão nos direitos dos cidadãos a partir de 1988, 
como foi aqui demonstrado com base nos institutos de defesa do meio ambiente. No 
entanto, sabemos que a cidadania é uma arte que se aprende na prática, e não na teoria. 
(JUNIOR, 2011, p. 263)

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