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TCC   CÂNCER DE MAMA FATORES QUE CONTRIBUEM PARA O DIAGNÓSTICO EM ESTÁGIOS AVANÇADOS

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CÂNCER DE MAMA: FATORES QUE CONTRIBUEM PARA O DIAGNÓSTICO EM ESTÁGIOS AVANÇADOS
LEMOS, Juliana Cassiano *
BOSCAGLIA, Michele Thiebaut Miranda**
Trabalho de Conclusão de Curso da Residência Multiprofissional em Atenção ao Câncer
Cachoeiro de Itapemirim – ES, 2017
RESUMO
Introdução: O câncer de mama é uma doença crônica degenerativa e multifatorial, com a maior incidência na população feminina mundial. Através do resultado do BI-RADS (Breast Imaging – Reporting and Data System) que classifica e determina as condutas de acordo com os achados mamográficos, e da realização da biópsia é que se confirma a malignidade do tumor, suas características e estadiamento. O diagnóstico tardio do câncer de mama e consequentemente o estágio avançado da doença leva a uma maior taxa de morbimortalidade. Objetivo: Identificar os fatores que contribuem para o diagnóstico do câncer de mama em estágios avançados. Método: Para o presente estudo optou-se pela revisão integrativa em livros e artigos de bases científicas. Resultados: As causas que levam ao retardo no diagnóstico do câncer de mama são fatores referentes ao Sistema Público de Saúde, aos Profissionais da Atenção Primária e à própria mulher. Conclusão: Nota-se que é imprescindível a educação em todos os níveis de assistência e que o somatório das ações preventivas dos profissionais em conjunto com a sociedade, pode repercutir positivamente nos indicadores do câncer de mama.
Descritores: Câncer de mama; Detecção precoce; Diagnóstico tardio; Prevenção; Educação em saúde.
SUMMARY
Introduction: Breast cancer is a chronic degenerative and multifactorial disease, with the highest incidence in the female population worldwide. The results of the BI-RADS (Breast Imaging - Reporting and Data System) that classifies and determine the conducts according to the mammographic findings, and the biopsy is confirmed the malignancy of the tumor, its characteristics and staging. The late diagnosis of breast cancer and consequently the advanced stage of the disease leads to a higher rate of morbidity and mortality.Objective: To identify the factors that contribute to the diagnosis of breast cancer in advanced stages. Method: For the present study we opted for the integrative revision in books and articles of scientific bases. Results:The causes that lead to the delay in the diagnosis of breast cancer are factors related to the Public Health System, Primary Care Professionals and the woman herself. Conclusion: It is noteworthy that education at all levels of care is essential and that the sum of the preventive actions of professionals in conjunction with society can have a positive impact on breast cancer indicators.
Keywords: Breast cancer; Early detection; Late diagnosis; Prevention; Health education. 
INTRODUÇÃO
O câncer é conhecido como uma doença crônica degenerativa cujo crescimento desordenado de células invade tecidos e órgãos que se dividem rapidamente. Essas tendem a ser agressivas e incontroláveis determinando a formação de tumores malignos com potencial para desenvolver metástases em diferentes órgãos do corpo. (HERR, G.E; et al, 2013)
	De acordo com o INCA (2016), o câncer de mama é o tipo que possui a maior incidência e a maior mortalidade na população feminina em todo o mundo, tanto em países em desenvolvimento quanto em países desenvolvidos. Para o Brasil, em 2016/2017, são esperados 57.960 casos novos de câncer de mama, com um risco estimado de 56,20 casos a cada 100 mil mulheres.
	De acordo com Fonseca e Pereira (2013), o câncer de mama é um tipo de câncer multifatorial, envolvendo fatores biológico-endócrinos, vida reprodutiva, comportamento e estilo de vida. Seu método diagnóstico pode ser dividido em rastreamento, diagnóstico e estadiamento.
	Segundo Nettina (2007), Mourão; et al (2008), e Herr; et al (2013), o rastreamento se dá mediante ações preventivas. Para Cestari e Zago (2005), o termo prevenção em oncologia é classificado em níveis primário e secundário. 	A prevenção primária situa-se no período anterior à doença, incluindo medidas de proteção, no que se refere a toda e qualquer ação voltada para redução da exposição da população aos fatores de risco da doença, tendo como objetivo diminuir a sua incidência, por meio da promoção da saúde e proteção específica. Já Moulina, Dalbem e De Luca (2003) reiteram que em relação à prevenção secundária os esforços para melhoria dos indicadores do câncer de mama são direcionados de forma a antecipar o diagnóstico, diminuindo assim a agressividade do tratamento administrado e reduzindo as taxas de mortalidade.
	Diversos autores nos artigos analisados referenciam a detecção precoce do câncer de mama à realização do autoexame das mamas, visto que, grande parte dos casos eles são descobertos pelas próprias mulheres. E segundo Davim; et al (2003) quando uma mulher examina suas próprias mamas, exerce uma função importante, com possibilidade de promover o diagnóstico precoce e a cura. 											Com relação ao exame clínico das mamas, de acordo com Gebrim, Quadros (2006) corroborado pelo INCA (2016), o Ministério da Saúde no Brasil preconiza a realização deste, anualmente a partir dos 40 anos de idade e a mamografia bienal para mulheres entre 50 a 69 anos como estratégia para o rastreamento do câncer de mama. 
O BI-RADS (Breast Imaging – Reporting and Data System), permite a classificação e determina condutas de acordo com os achados no exame de mamografia, para que então, mediante uma biópsia da área suspeita, o diagnóstico seja estabelecido. As categorias são: 0 – inconclusivo; 1 – sem achados; 2 – achados benignos; 3 – provavelmente benigno; 4 – suspeito de malignidade; 5 – altamente sugestivo de malignidade; 6 – biópsia prévia com malignidade comprovada. (GEBRIM, L.H; QUADROS, L.G.A; 2006; FONSECA, S.M; PEREIRA, S.R.; 2013; SILVA, G. A.; et al; 2014)
O câncer de mama, além de ser classificado em diversos tipos, com características e graus de gravidade diferentes, deve sempre ser estadiado. 
De acordo com Nettina (2007), Barros e Buzaid (2007), a American Joint Committe of Cancer (AJCC) desenvolveu um sistema de classificação simples (TNM), que pode ser aplicado a todos os tipos de tumores. Trata-se de uma avaliação numérica do tamanho e/ou extensão local do tumor primário (T0; T1; T2; T3 e T4), presença ou ausência de comprometimento dos linfonodos regionais (N0; N1; N2 e N3) e presença ou ausência de metástases distantes (M0; M1). 
Neste sistema, além do estádio IV, existe também um grupo de estágios denominados de câncer localmente avançado, que é comentado por Barros e Buzaid (2007) em seus estudos, como: Estágio IIIA (o tumor é pequeno, com comprometimento de muitos linfonodos; ou o tumor é grande, porém com pouca disseminação linfonodal); Estágio IIIB (o tumor se espalhou para a parede torácica ou para a pele da mama e pode, ou não, ter-se espalhado para os linfonodos); Estágio IIIC (o tumor pode ser de qualquer tamanho, no entanto, tem grande comprometimento linfonodal) e Estágio IV (o câncer já é metastático e o tumor se espalhou para outros órgãos, tais como: pulmões; ossos; fígado; sistema nervoso central; cavidade abdominal; ovários e pele).
Embora a ocorrência do câncer de mama em países desenvolvidos seja maior, sua mortalidade é menor devido à melhor eficiência tanto no rastreamento quanto no tratamento. No Brasil, entretanto, observa-se aumento tanto da incidência como da morbidade e mortalidade, e isso se dá, pelo fato de, em média, 60% dos tumores de mama ser diagnosticados em estágios avançados. (PINHEIRO, A.B; et al, 2013)
Batiston; et al (2009), apresenta em seu estudo um comparativo sobre os custos do tratamento de mulheres com câncer de mama em estágio inicial e tardio, e verificou-se que o custo destinado aos casos detectados em estágios 0 e 1 varia em torno de R$ 6.000,00. Todavia, esse valor altera de R$ 25.000,00 a R$ 62.500,00 quando o tumor é detectado em estágios III e IV.
O presente estudo tem como objetivo identificar os fatores que contribuem para