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Unidade I LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS – LIBRAS Profa. Ana Camargo O que é a Libras? Língua Brasileira de Sinais reconhecida pela Lei 10.436/02: Status linguístico da Língua Brasileira de Sinais. Difusão e uso da Libras como forma de expressão e comunicação das comunidades surdas. Garantia do ensino da Libras em todos níveis e sistemas de ensino e nos cursos de formação de professores. Modalidade viso-gestual. Tem estrutura gramatical própria. Língua natural dos surdos. Fonte: http://2.bp.blogspot.com/_prWiYb9-l2s/ TBISeFsAAAAAABBk/a-lRHkLbdfw/s1600/gra nde- sinais_libras.jpg Audição Processamento auditivo normal: Fonte: http://brasilescola.uol.com.br/upload/e/ouvido(1).jpg Surdez Decreto 5626/05 regulamenta a Lei 10.436/02 e define o que é surdez: Art. 2º: considera-se pessoa surda aquela que, por ter perda auditiva, compreende e interage com o mundo por meio de experiências visuais, manifestando sua cultura principalmente pelo uso da Língua Brasileira de Sinais – Libras. Parágrafo único: Considera-se deficiência auditiva a perda bilateral, parcial ou total, de quarenta e um decibéis (dB) ou mais, aferida por audiograma nas frequências de 500Hz, 1.000Hz, 2.000Hz e 3.000Hz. Surdez: níveis e tipos Fonte: http://www.cochlea.org/po/ tratamentos Fonte: http://cfq8.wordpress.com/2010/05/ Audiometria tonal – ouvinte Fonte: http://clinicarenatacavion.blogspot.com.br Audiograma Fonte: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-72992003000200022 Audiometria tonal – surdo Audiograma Aparelho de Amplificação Sonora Individual – AASI Fonte: http://www.aparelhoauditivo.com/principais-modelos- aparelhos-auditivos/ Fonte: http://goiasinclui.blogspot.com.br/2011/06/implante- coclear_27.html Implante Coclear – IC Sistema FM Fonte: http://www.amigosdaaudicao.com.br/noticias- detalhes.php?id=1198&nome=sistema-de-fm-ja-esta- disponivel-pelo-sus-para-estudantes-com-deficiencia-auditiva Aparelhos auditivos Interatividade Ao receber um aluno surdo em sala de aula, a professora é informada que ele tem uma perda auditiva de 95 decibéis. Considerando os diferentes níveis e tipos de surdez, podemos afirmar que o aluno apresenta: a) Surdez leve. b) Surdez profunda. c) Surdez moderada. d) Audição normal. e) Surdez severa. História da Educação dos surdos A educação de surdos é marcada por três propostas pedagógicas: o oralismo, a comunicação total e o bilinguismo. Cada proposta está fundamentada em uma visão sobre o surdo, a deficiência e o conceito de língua. Na Antiguidade, a ideia central que prevalecia era a de Aristóteles: “a linguagem é que dá ao indivíduo a condição de humano”, sendo assim, como não falavam, os surdos não eram considerados humanos (língua oral). Visão clínico-patológica: Foco na deficiência. Fonte: http://www.esperanca.com.br/wp-content/uploads/2010/10/simbolo_surdez.jpg Oralismo A oralização foi a metodologia imposta: Aceitação social. Exclusão das classes mais pobres. Não era eficiente com todos os surdos. Objetivos de ensino: leitura, escrita e oralização. 1880: Congresso de Milão proibiu o uso da língua de sinais na educação dos surdos. Desaparecimento da figura do professor surdo e das escolas que trabalhavam por meio de qualquer metodologia viso-gestual. Principal metodologia de ensino até a década de 1960. Gestualismo Gestualistas: aceitavam o uso dos sinais e do alfabeto manual: Mudança na metodologia de ensino e dos objetivos educacionais. Desenvolvimento do pensamento e da linguagem (não apenas a oral). Aquisição da leitura e da escrita para acesso aos bens culturais. Sinais metódicos para comunicação e ensino. Sucesso educacional. Diferença conceitual entre língua e fala. Garantia do desenvolvimento da linguagem e do sujeito. Educadores de surdos: oralistas x gestualistas , , , . Fonte: a autora Comunicação total Fracasso do oralismo. Década de 1960 – estudos linguísticos e novas pesquisas sobre a língua de sinais. Propostas educacionais que contemplavam o uso de uma comunicação viso-gestual. Uso dos sinais, leitura labial, expressão facial e corporal, alfabeto manual e recursos visuais para fornecer inputs linguísticos. A oralização não é o objetivo final, e sim um dos meios para levar a integração dos surdos na sociedade. Criação de sinais gramaticais com elementos presentes na língua oral, mas não na língua de sinais. Problemas da comunicação total Diferentes usos dos sinais. Não respeito às diferenças gramaticais das duas línguas. Fracasso no processo de ensino (escrita artificial). Problemas da comunicação total Fonte: http://3.bp.blogspot.com/- KSndKO8/Ui5D0L_lfDI/AAAAAAAAAXs/wa7f2BLfoY/s1600/pinte++o+++++++++++++++++ +++meio+de+comunica%C3%A7%C3%A3o+++++++++++pinte++++++++++++++++++++++ ++++++++televis%C3%A3o_0002.jpg Bilinguismo A língua de sinais é a língua natural dos surdos e tem que ser ensinada primeiro como (L1). Depois de uma língua estruturada, os surdos terão condições de aprender a língua utilizada no seu país como (L2) – oral ou escrita de acordo com as características de cada indivíduo (tipo, nível de surdez, idade de aquisição, tipo de atendimento educacional, relações familiares e terapêuticas). Visão socioantropológica: Foco na capacidade de interação social do sujeito. Prioriza o desenvolvimento cognitivo-linguístico-social. Valoriza situações comunicativas naturais com adultos sinalizantes (familiares, professores surdos e ouvintes). Interatividade A educação de surdos é marcada por três propostas pedagógicas distintas quanto à visão sobre o sujeito surdo, a linguagem e a língua de sinais. A proposta pedagógica cuja deficiência auditiva é considerada um fator de limitação social, sendo a escola responsável pela reabilitação da fala, corresponde à: a) Corrente pedagógica contemporânea da surdez. b) Corrente pedagógica da comunicação total. c) Corrente socioantropológica. d) Corrente pedagógica oralista. e) Corrente pedagógica gestualista. Bilinguismo – legislação Decreto 5626/05 regulamenta a educação bilíngue e propõe: Garantia de profissionais capacitados: § 1o Para garantir o atendimento educacional especializado e o acesso às instituições federais de ensino devem: I. promover cursos de formação de professores para o ensino e uso da Libras; para a tradução e interpretação de Libras/Língua Portuguesa e para o ensino da Língua Portuguesa como L2 para pessoas surdas. Precocidade no atendimento especializado: favorece aquisição da língua de sinais na primeira infância (Educação Infantil e Ensino Fundamental I, prioritariamente). Garantia de acesso às duas línguas de forma plena. Decreto 5626/05 II. ofertar, obrigatoriamente, desde a educação infantil, o ensino da Libras e também da Língua Portuguesa, como segunda língua para alunos surdos. III. prover as escolas com: professor de Libras ou instrutor de Libras (preferencialmente surdo). tradutor e intérprete de Libras – Língua Portuguesa (profissional ouvinte com domínio das duas línguas). professor para o ensino de Língua Portuguesa como segunda língua para pessoas surdas (profissional bilíngue ouvinte ou surdo com formação pedagógica na área de Letras, Pedagogia). professor regente de classe (profissional ouvinte) com conhecimento acerca da singularidade linguística manifestada pelos alunos surdos (capacitação docente). Decreto 5626/05 Os artigos 22 e 23 determinam ainda...A organização do atendimento aos surdos em: I. escolas e classes de educação bilíngue, abertas a alunos surdos e ouvintes, com professores bilíngues, na educação infantil e nos anos iniciais do ensino fundamental. II. escolas bilíngues ou escolas comuns da rede regular de ensino, abertas a alunos surdos e ouvintes, para os anos finais do ensino fundamental, ensino médio ou educação profissional, bem como a presença de tradutores e intérpretes de Libras/Língua Portuguesa. Fonte: http://io.statig.com.br/bancodeima gens/3v Decreto 5626/05 § 1o São denominadas escolas ou classes de educação bilíngue aquelas em que a Libras e a modalidade escrita da Língua Portuguesa sejam línguas de instrução utilizadas no desenvolvimento de todo o processo educativo. § 2o Os alunos têm o direito à escolarização em um turno diferenciado ao do atendimento educacional especializado para o desenvolvimento de complementação curricular, com utilização de equipamentos e tecnologias de informação. (AEE) § 4o O disposto no § 2o deste artigo deve ser garantido também para os alunos não usuários da Libras. Bilinguismo e educação escolar Considerando que a maioria das crianças surdas é oriunda de famílias ouvintes, é na escola que elas terão acesso a adultos fluentes na Libras. É por meio da Libras que os alunos terão compreensão dos conteúdos curriculares, sendo alfabetizados em ambas as línguas. Somente com a presença do intérprete, a inclusão não ocorre de fato, pois o aluno surdo tem outras necessidades relacionadas à educação, principalmente na fase de aquisição linguística. Questões metodológicas devem ser revistas, contemplando as peculiaridades e os aspectos culturais da comunidade surda (Pedagogia Visual). Educação bilíngue e educação especial Escola especial: divergência (segregação) x (inclusão). Na escola de surdos há fortalecimento da comunidade surda, sua cultura, identidade e língua. A língua de sinais preenche as mesmas funções que a linguagem falada tem para os ouvintes. Como ocorre com crianças ouvintes, espera-se que a língua de sinais seja adquirida na interação com usuários fluentes dessa, os quais, envolvendo as crianças surdas em práticas discursivas e interpretando os enunciados produzidos por elas, insiram-se no funcionamento dessa língua. (PEREIRA, 2000, p. 65) Língua Portuguesa para surdos O processo de alfabetização do surdo na Língua Portuguesa deve considerar a leitura e a escrita de forma visual. A alfabetização dos surdos não ocorre pela aquisição fonológica do sistema de escrita alfabético, para eles não há relação entre som e escrita como nas crianças ouvintes. Língua Portuguesa para surdos Fonte: a autora Língua Portuguesa para surdos Nos exercícios a seguir, é possível verificar o uso da Língua Portuguesa e do alfabeto manual no começo do processo de alfabetização. Utilizando exercícios semelhantes, a criança surda irá de forma significativa perceber a diferença entre as duas línguas. Língua Portuguesa para surdos Fonte: livro-texto Qual é a letra? Língua Portuguesa para surdos Por meio de exercícios como os exemplos, a criança surda desenvolve gradualmente o conhecimento sobre a forma escrita da L2. A proposta bilíngue também permite ao aluno surdo construir uma autoimagem positiva, pois, além de utilizar a L1 como língua natural, vai recorrer à L2 para integrar-se na cultura ouvinte. Língua Portuguesa para surdos Fonte: livro-texto Interatividade Considerando as necessidades educacionais do aluno surdo, pode-se afirmar que uma proposta educacional que vise a uma inclusão real do aluno no ambiente escolar deve: a) Desenvolver suas capacidades linguísticas na L1 e L2 consecutivamente. b) Desenvolver suas capacidades linguísticas por meio de treinamento auditivo e de leitura labial. c) Desenvolver as habilidades de leitura e escrita por meio de apoio pedagógico fonoaudiológico. d) Desenvolver a L2 concomitantemente com a escrita da L1. e) Desenvolver sua autoestima por meio da inclusão em classes regulares. Sobre o tradutor intérprete de Libras educacional Art. 23. As instituições federais de ensino, de educação básica e superior, devem proporcionar aos alunos surdos os serviços de tradutor e intérprete de Libras – Língua Portuguesa em sala de aula e em outros espaços educacionais, bem como equipamentos e tecnologias que viabilizem o acesso à comunicação, à informação e à educação. Fonte: http://revistaescola.abril.com.br/formacao/palavra- especialista-desafios-educacao-inclusiva-foco-redes- apoio-734436.shtml?page=2 Tradutor intérprete de Libras Lei que regulamenta a profissão: 12.319/2010 (8 anos após o reconhecimento da Libras). A atividade de interpretação ocorre em diversos locais: instituições religiosas, congressos, reuniões e áreas: médica, jurídica ou profissional. No meio acadêmico, o exercício tradutório realizado de forma escrita é denominado “tradução” e a prática tradutória oral denomina-se “interpretação”. Interpretação: Consecutiva (intérprete ouve uma longa parte do discurso e depois interpreta para outra língua). Simultânea (intérprete sinaliza a fala do ouvinte em tempo real ou vocaliza a sinalização do surdo para a Língua Portuguesa oral). Intérprete de Libras Formação: Artigos 11 e 12 do Decreto 5626/05: curso superior ou pós- graduação, no prazo de 10 anos. Enquanto não houver cursos específicos, as instituições poderão contratar profissionais com nível médio ou superior com certificação de proficiência expedido pelo PROLIBRAS (MEC). Atuação: Artigo 13: processos seletivos para cursos na instituição, salas de aula para o acesso aos conteúdos curriculares, em todas as atividades didático-pedagógicas e no apoio à acessibilidade aos serviços e às atividades da instituição de ensino. Intérprete de Libras Coordenadoria Nacional para Integração da Pessoa Portadora de Deficiência – Corde (BRASIL, 1996): para o exercício da profissão de intérprete de língua de sinais são necessários três requisitos básicos: Conhecimento sobre a surdez (visão clínico-patológica ou socioantropológica), não há neutralidade na interpretação. Domínio da língua de sinais (qualidade da interpretação, vocabulário específico e gramática da língua). Bom nível de cultura (equivalência interlingual por meio do conhecimento linguístico, do contexto situacional e ideológico conscientes ou não que podem interferir na produção e na recepção do texto de partida e de chegada). Histórico da Educação de surdos no Brasil 1855 – Hernest Huert, professor surdo da escola de L’Epee, veio para o Brasil a convite do imperador D. Pedro II para iniciar um trabalho de educação de surdos. 1857 – é fundado o Instituto Nacional de Surdos-Mudos, atual Instituto Nacional de Educação do Surdo (Ines). Em 1911, o Ines estabeleceu o oralismo como método de educação dos surdos por conta da decisão do Congresso de Milão. 1977 – criada, no Rio de Janeiro, a Federação Nacional de Educação e Integração dos Deficientes Auditivos (FENEIDA) com diretoria de ouvintes. Histórico da Educação de surdos no Brasil 1982 – diversos estudos linguísticos sobre Libras são efetuados sob a orientação da linguista Lucinda Ferreira Brito, principalmente na UFRJ. 1983 – criação, no Brasil, da Comissão de Luta pelos Direitos dos Surdos. 1986 – o Centro Suvag (PE) faz sua opção metodológica pelo bilinguismo, tornando-se o primeiro lugar no Brasil em que efetivamente essa orientação passou a ser praticada. 1987 – criação daFederação Nacional de Educação e Integração dos Surdos (Feneis), em 16/05, sob a direção de surdos. Histórico da Educação de surdos no Brasil 1991 – a Libras é reconhecida oficialmente pelo governo do Estado de Minas Gerais (Lei n. 10.397, de 10/01/91). 1994 – começa a ser exibido na TV Educativa o programa Vejo Vozes (out/94 a fev/95), usando a língua de sinais brasileira. 1995 – criado por surdos no Rio de Janeiro o comitê Pró-oficialização da língua de sinais. 1996 – primeiras experiências com classes bilíngues na Educação Infantil no Ines, em convênio com a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), sob a coordenação da linguista Eulália Fernandes. Histórico da Educação de surdos no Brasil 1999 – em março começam a ser instaladas em todo o Brasil telessalas com o Telecurso 2000 legendado. 2000 – início da utilização do closed caption ou legenda oculta. 2002 – oficialização da Libras pela Lei Federal 10.436. 2005 – Decreto 5.626 que regulamenta a Libras e a educação bilíngue. 2010 – Lei 12.319 regulamenta a profissão do tradutor intérprete de Libras. 2015 – Lei 13.146 – Criação do Estatuto da Pessoa com Deficiência (Lei Brasileira da Inclusão). 2017 – a temática da Educação de Surdos é tema do ENEM – Exame Nacional do Ensino Médio. Interatividade O Decreto 5626/05 prevê a formação do tradutor intérprete de Libras por meio de cursos de graduação ou pós-graduação. Aos intérpretes que não têm essa formação, mas têm a proficiência em Libras adquirida diretamente no contato com as pessoas surdas no prazo de 10 anos, poderão certificar-se por meio de: a) Exame de qualificação promovido pelas diretorias regionais de ensino. b) Exame de qualificação promovido pelas associações de surdos nos estados. c) Exame de proficiência promovido pelo Ministério da Educação – Prolibras. d) Exame de proficiência em Letras promovido pelas universidades federais. e) Exame da qualificação promovido pelo Ministério da Educação. ATÉ A PRÓXIMA!