resumo direito penal segundo bimestre
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resumo direito penal segundo bimestre


DisciplinaDireito Penal - dos Crimes Contra A Pessoa31 materiais421 seguidores
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Art. 122. Induzir ou instigar alguém a suicidar-se ou prestar-lhe auxílio para que o faça
Aumento de pena	
I- se o crime é praticado por motivo egoístico;	
II- se a vítima é menor ou tem diminuída, por qualquer causa, a capacidade de resistência
Tipo qualificado pela menoridade da vítima: trata-se de menor de 18 e maior de 14 anos. Se a vítima é maior de 18 anos, aplica-se o caput do art. 122. Se a vítima é menor de 14 anos, há crime de homicídio	. 
Tipo qualificado pela resistência diminuída da vítima: se anular completamente a capacidade, há crime de homicídio (ex: embriaguez anula completamente tal capacidade).	
Sujeito ativo: qualquer pessoa
Sujeito passivo: qualquer pessoa, salvo se de resistência nula (alienado mental, criança, ausência de vontade válida)
Elemento subjetivo do tipo: dolo, direto ou eventual.
Vítima determinada
Lapso temporal: é irrelevante, bastando prova do nexo objetivo entre eles.
Tentativa: É inadmissível, embora em tese possível, pois de acordo com o CP, se não houver morte ou lesões corporais graves, o fato é atípico.
Participação: pode ser moral ou material. 
Moral é a praticada por induzimento (faz penetrar na mente da vítima a ideia da autodestruição) ou instigação (a vítima já pensava em suicidar-se e esta ideia é acoroçoada pelo partícipe). 
Material é a realizada por meio de auxílio.
Momento consumativo: ocorre com a morte da vítima ou com a produção de lesões corporais de natureza grave. 
Hipóteses:
1- a vítima tenta suicidar-se e vem a falecer: pune-se o participante com pena de reclusão, de dois a seis anos
2- da tentativa de suicídio resulta lesão corporal de natureza grave: pune-se o fato com pena de reclusão, de um a três anos
Se a vítima, pretendendo matar-se com um tiro de revólver, erra o alvo e fere um terceiro, vindo matá-lo: responde por homicídio culposo
Pacto de morte
A e B se trancam em um quarto hermeticamente fechado. 
 sobrevivente é quem abriu a torneira: responde por homicídio, uma vez que praticou o ato executório de matar
Os dois abrem a torneira de gás, não se produzindo qualquer lesão corporal em face da intervenção de terceiro: ambos respondem por tentativa de homicídio, uma vez que realizaram ato executório de matar.
Se um terceiro abre a torneira e os dois se salvam não recebendo lesão corporal de natureza grave: os dois ficam impunes, sendo que o terceiro responde por tentativa de duplo homicídio, uma vez que realizou ato executório de matar
A abre a torneira e A e B sofrem lesão corporal grave: A responde por tentativa de homicídio e B por participação em suicídio.
Roleta russa e duelo americano
O sobrevivente responde por participação em suicídio 
se passar a arma com o gatilho puxado: dolo eventual
Art. 123. Infanticídio- Matar, sob a influência do estado puerperal, o próprio filho, durante o parto ou logo após
Sujeito ativo: só pode ser a mãe. Não impede que terceiro responda por infanticídio diante do concurso de pessoas.
Sujeito passivo: neonato ou nascente, de acordo com a ocasião da prática do fato: durante o parto ou logo após.
O que vem a ser \u201cinfluência do estado puerperal\u201d?
Estado puerperal é o conjunto das perturbações psicológicas e físicas sofridas pela mulher em face do fenômeno do parto. 
Distinção aborto e infanticídio: antes do inicio do parto existe aborto; a partir de seu início, infanticídio. O parto começa com a dilatação, em que se apresentam as circunstâncias caracterizadoras das dores e da dilatação do colo.
Distinção homicídio e infanticídio: influência do estado puerperal
Momento consumativo: ocorre com a morte do nascente ou neonato
E se o infanticídio fosse parágrafo do art. 121?
O partícipe ou co-autor, que não se encontra no estado puerperal, não seria beneficiado como é no art. 123. Não seria elementar, e sim circunstância.
Discute-se se a figura culposa seria típica ou atípica.
doutrina que considera típica: homicídio culposo 
Art. 124. Aborto provocado pela gestante ou com seu consentimento. Provocar aborto em si mesma ou consentir que outrem lho provoque
Conceito de aborto: conduta, da gestante ou de terceiro, consistente na interrupção da gestação com a consequente morte do feto. 
Sujeitos ativos: a gestante, no autoaborto, e qualquer pessoa, nas outras figuras típicas.
Sujeito passivo: o feto. No aborto provocado por terceiro há dois sujeitos passivos: a vida do feto e a liberdade pessoal da gestante. 
Momento consumativo: se dá com a morte do feto, decorrente da interrupção da gravidez.
Momento da morte: pode ser tanto no ventre materno ou depois da prematura expulsão provocada.
Autoaborto e aborto consentido
Concurso de pessoas:
1- participação de terceiro na hipótese de indução, instigação ou auxílio de maneira secundária à gestante a provocar aborto em si mesma. 
Se o terceiro executar ato de provocação do aborto, não será partícipe do crime do art. 124, mas sim autor do fato do art. 126
2- o terceiro, ainda que atue como partícipe, induzindo, instagando, etc, responde nos termos do art. 126.
Se ocorrer morte ou lesão corporal de natureza grave, o partícipe ou coautor do autoaborto, além de responder por este delito, pratica homicídio culposo ou lesão corporal de natureza culposa
Gestante que provoca em si mesma o aborto terapêutico ou sentimental:
tratando-se de aborto necessário previsto no art. 128, I, não há crime. Se se trata de aborto sentimental entendemos que subsiste o delito, uma vez que essa disposição só permite a provocação do aborto por médico. 
Art. 125. Provocar aborto, sem o consentimento da gestante
Homicídio de mulher grávida: há crime de aborto provocado, desde que consciente o sujeito da gravidez.
Concurso de crimes: quando ocorre grave ameaça ou violência como meios de execução da provocação do aborto, existem dois crimes em concurso formal: aborto sem o consentimento da gestante e constrangimento ilegal. 
Art. 126. Provocar aborto com o consentimento da gestante:	
Parágrafo único. Aplica-se a pena do artigo anterior, se a gestante não é maior de 14 anos, ou é alienada ou débil mental, ou se o consentimento é obtido mediante fraude, grave ameaça ou violência.
O consentimento pode não ser verbal ou expresso, resultando da própria conduta da gestante. É necessário que persista durante toda a conduta do terceiro, conhecendo a gestante o fato em suas bases integrantes. 
Art. 127. As penas cominadas nos dois artigos anteriores são aumentadas de um terço, se, em consequência do aborto ou dos meios empregados para provoca-lo, a gestante sofre lesão corporal de natureza grave; e são duplicadas, se, por qualquer dessas causas, lhe sobrevém a morte.
Morte que causa aborto \u2260 aborto seguido de morte
Art. 128. Não se pune o aborto praticado por médico:
Aborto necessário	
I- se não há outro meio de salvar a vida da gestante;	
Aborto no caso de gravidez resultante de estupro (aborto sentimental)	
II- se a gravidez resulta de estupro e o aborto é precedido de consentimento da gestante ou, quando incapaz, de seu representante legal.
Natureza das causas: excludentes da antijuridicidade
Aborto praticado por enfermeira: tratando-se de aborto necessário, em que não há outro meio de salvar a gestante, não responde por delito. Não por causa do art. 128, mas sim pelo estado de necessidade elencado no art. 24. No caso do aborto sentimental, porém, a enfermeira responde pelo delito, uma vez que a norma permissiva faz referência expressa à qualidade do sujeito que pode ser favorecido: deve ser médico.
Aborto necessário:	
o consentimento da gestante é dispensável
Se a gestante se recusa e o médico provoca o aborto necessário: o médico não reponde por delito de aborto. Seu comportamento é lícito diante do estado de necessidade.
Requisitos: que a vida da gestante corra perigo e que não exista outro meio de salvá-la.
Aborto sentimental
Só é permitido em face de prévio consentimento da gestante. 
Requisitos: que a gravidez seja resultante de estupro e que haja consenso prévio da gestante ou de seu representante