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UNIVERSIDADE SALVADOR - UNIFACS
 PEDAGOGIA – 7º SEMESTRE 
LAIANE OLIVEIRA SANTOS
Relatório de Estágio CURRICULAR Supervisionado Iv
GESTÂO E Regência na Eja
 Santo Antônio de Jesus – BA
 Junho de 2015
 
 Laiane Oliveira Santos
Relatório de Estágio CURRICULAR Supervisionado IV
GESTÂO E Regência na Eja
Relatório apresentado à disciplina Estágio Supervisionado do Curso de Pedagogia da Universidade Salvador – UNIFACS, como requisito parcial para conclusão da disciplina.
Orientador (a):  Patrícia Maria Paula Santos D`Ávila Pires
 Santo Antônio de Jesus - BA
 Junho de 2015
AGRADECIMENTO
	Grata sou pela existência de um Deus que tem cuidado dia após dia de todos os detalhes, para que com determinação fosse possível concluir mais uma jornada. 
Pela sabedoria que Ele tem concedido à orientadora Patrícia D’Ávila, lhe permitido contribuir de maneira significativa para o desenvolvimento e crescimento dos acadêmicos.
Pela família que me presenteou, pessoas importantes que estão sempre ao meu lado, vivenciando alegrias e tristezas, me auxiliando em tudo que é possível.
Pelo meu ambiente de trabalho, uma comunidade escolar com suas inúmeras dificuldades, mas que tem contribuído com meu crescimento pessoal e profissional, valorizando meu trabalho, apoiando e incentivando na realização das atividades propostas.
Enfim, agradeço ao bom Deus por cada pessoa que Ele permitiu que ao cruzar o meu caminho fosse um apoio, um ombro amigo, um incentivo, um crítico, alguém que de uma forma ou de outra contribuiu para a Educadora que sou hoje. 
 
Resumo 
O presente relatório versa sobre as experiências vivenciadas na prática pedagógica de estágio supervisionado IV, realizado na Escola Municipal Plínio Tude de Souza, na Gestão e na Regência numa turma da EJA, tendo como Professora Regente Edjane Fiênes. O mesmo constitui-se numa atividade avaliativa obrigatória do 7º Semestre do Curso de Pedagogia da Universidade Salvador – UNIFACS. A partir de observações e participação direta no campo de estágio, foi possível descrever as principais características da instituição, apontar aspectos relacionados ao planejamento e execução das atividades desenvolvidas, destacando os pontos fortes e fracos a partir de uma análise crítica e argumentativa sobre os acontecimentos vivenciados durante a experiência, sendo possível a aplicação prática do Plano de Trabalho e do Projeto de Ensino-Aprendizagem elaborado como atividade parcial da disciplina de PPP VII, bem como das teorias aprendidas durante o desenvolvimento do curso. 
Palavras-chave: Gestão. Regência. Educação de Jovens e Adultos. 
SUMÁRIO
1	INTRODUÇÃO									06
2	DESCRIÇÃO DA INSTITUIÇÃO							07
3	DESCRIÇÃO DAS ATIVIDADES							11
4	AVALIAÇÃO DA ATIVIDADE PROFISSIONAL					14
5	A DIMENSÃO FORMATIVA DO ESTÁGIO 					17
6	CONSIDERAÇÕES FINAIS							18
REFERÊNCIAS									19
ANEXOS										21
1 Introdução 
Este relatório é resultado do estágio supervisionado IV de Gestão e Regência, realizado no 7º semestre do curso de Pedagogia, orientado pela tutora Patrícia D’avila, realizado na Escola Municipal Plínio Tude de Souza, localizada na Rua Caminho dos Remédios S/N, Batatan, Nazaré – BA, na Gestão e Regência na turma da EJA, tendo como Professora Regente Edjane Fiênes, com um total de 16 alunos, sendo 9 mulheres e 7 homens, todos numa faixa etária de 29 à 79 anos, no período de 08 a 17 de junho.
O estágio é sem dúvida uma oportunidade impar de complementar o aprendizado e aperfeiçoar a prática pedagógica, nele é possível observar e colocar em prática tudo o que foi aprendido no curso de pedagogia, relacionar as teorias com a prática vivenciada, possibilitando o preparo para o exercício da prática na gestão, com um propósito de mudanças, buscando cada vez mais a possibilidade do desenvolvimento de uma gestão democrática, afinal, a escola não é a casa do diretor, sendo de suma importância para o bom desenvolvimento das atividades educativas que haja a participação de toda comunidade escolar. Segundo Libâneo (2004, p. 102),
A participação é o principal meio de assegurar gestão democrática na escola, possibilitando o envolvimento de profissionais e usuário no processo de tomada de decisões e no funcionamento da organização escolar. Além disso, proporciona um melhor conhecimento dos objetivos e metas, da estrutura organizacional e de sua dinâmica, das relações da escola com a comunidade, e favorece uma aproximação maior entre professores, alunos e pais. 
Durante o mesmo, foi possível ainda desenvolver um olhar mais amplo para as atividades desenvolvidas na área administrativa da escola e os aspectos pedagógicos- educacionais que a envolve, a fim de que haja um preparo crítico para a prática profissional, bem como o rico trabalho que é possível desenvolver com jovens e adultos nas turmas da EJA, uma modalidade de ensino que embora sofra muito preconceito, tem o propósito de oferecer a educação básica a um público que teve negado o direito de educação durante a infância e/ou adolescência, 
Sendo assim, este relatório é constituído por relatos críticos e argumentativos que serão apresentados seguindo a seguinte estrutura: descrição da instituição com relatos referentes ao campo do estágio, descrição das atividades realizadas, apontando aspectos relacionados ao planejamento e execução das mesmas, avaliação da atividade profissional, apontando os pontos fortes e fracos da experiência vivenciada, a dimensão formativa do estágio, considerações finais, bem como referências e anexos. 
2 Descrição da INSTITUIÇÃO 
A Escola Plínio Tude de Souza, situada na rua Caminho dos Remédios, bairro Batatan, s/n, Nazaré – BA, foi fundada em 1935 pelo Sr. Siridião Tude (francês) com o objetivo de atender aos filhos de operários que trabalhavam em sua fábrica de gelo. Colocou na Escola o nome de seu filho Plínio Tude de Souza. A referida escola funcionava em sua fazenda localizada nos Remédios, na parte térrea do sobrado, onde os alunos estudavam desde o 1º ano atrasado até o 5º ano primário. As aulas eram ministradas por sua filha Virgínia Tude (1ª professora).
Havia na Escola um museu, com vários tipos de animais (barata, aranha, aves e esqueletos de pessoas para estudo, etc.). Esses esqueletos indicavam os nomes de cada osso pertencente ao ser humano. Às quintas-feiras, havia aula de carpintaria, onde os alunos (meninos) construíam vários tipos de móveis como: cadeirinhas, mesinhas, sofás, etc. e para as meninas aula de tricô, bordado, crochê, etc. Como civismo, o Hino Nacional era cantado por todos no início das aulas e no término, assim como nas datas cívicas e hasteamento da bandeira. 
 	Os alunos iniciavam o processo de aprendizagem com a carta do ABC, com a idade de 07 anos ingressando no 1º ano atrasado e em seguida era aprovado para o 1º ano adiantado, quando já poderia ler a cartilha e assim sucessivamente. A digníssima professora Maura santos de Santana fez seu estágio do curso de magistério nesta escola sendo a 1ª estagiária. Em 1960, a escola foi transferida da Fazenda Aliança para a rua Caminho dos Remédios, tendo como professora a senhora Leonídia Fernandes, professora contratada pelo estado.
 	Construída com uma sala grande, dois banheiros para alunos e um para professora, um depósito, um pátio na frente e um quintal bastante grande. A partir de 1979, a escola passou a ser de responsabilidade do município de Nazaré, tendo como professora a senhora Dilza Fienes Sampaio, que assume atualmente a direção da escola. Em 1997, a escola foi ampliada com a construção de duas salas e um muro na frente. A partir daí a escolacontempla a Educação Infantil, o ensino fundamental e EJA , beneficiando toda comunidade local.
Em 1999 criou-se a primeira APM (Associação de Pais e Mestres), que não surtiu o efeito desejado. Atualmente o Colegiado que foi fundado em 2005, tendo a eleição para escolha dos membros, com um representante para cada segmento (pai, professor, aluno e funcionário). A escola recebeu do PDDE (Programa Dinheiro Direto na Escola) a importância de R$ 2.710,00, que serviu para a adaptação de mais um banheiro, pintura, carpintaria, pedreiro, a compra de ventiladores para as salas de aula e um bebedouro eletrônico. Em 2010 foram construída mais duas salas, sendo uma para informática e mais dois banheiros. Em 2011 foi construído um muro nos fundos e uma área para recreação e foi recebido 19 computadores do Governo Federal, para equipar o laboratório de informática. Após a construção dos dois novos banheiros, foram demolidos os antigos para ampliação da secretaria. 
Embora tenham sido realizadas muitas adaptações, a escola continua com um espaço muito pequeno, tornando-se ainda mais complicado após o Programa Mais Educação, já que os alunos do 1º ao 5º ano permanecem na escola no horário integral. Porém com todas as dificuldades e desafios a escola busca em parceria realizar um trabalho pautado no que disse Paulo Freire “Precisamos contribuir para criar a escola que é aventura, que marcha, que não tem medo do risco, por isso que recusa o imobilismo. A escola em que se pensa, em que se atua, em que se cria, em que se fala, em que se ama, se adivinha, a escola que apaixonadamente diz sim à vida.” 
A mesma tem como visão de futuro ser uma escola eficiente e comprometida com a formação de cidadãos críticos, reflexivos e participativos e como Missão construir uma escola participativa, que possibilite a formação integral dos alunos através de ações educativas fundamentadas em valores que contribuam para a formação de cidadãos capazes de agir na transformação da sociedade. Sendo esses valores o AMOR o principal valor, pois supera tudo, e tanto na escola como na família ele deve prevalecer, o RESPEITO que é à base de toda a convivência. Respeitar é valorizar as potencialidades de cada um, respeitando as diferenças. Saber utilizar seus direitos e deveres, a SOLIDARIEDADE um dos valores essenciais, principalmente em nossa comunidade tão carente, a PARTICIPAÇÃO valor indispensável para um trabalho coletivo, a ÉTICA virtude que deve permear as relações humanas e a RESPONSABILIDADE comprometimento com o que se realiza as atividades propostas. 
A instituição tem como princípio propor a participação de toda comunidade escolar nas sugestões das ações de gestão e na execução do plano de ação e proposta pedagógica; trabalham por uma gestão democrática, participativa e descentralizada, objetivando oferecer uma educação de qualidade, igualitária e que garanta o processo de ensino aprendizagem, colaborando para a formação autônoma de cidadãos críticos e participativos, capazes de atuar com competência, dignidade responsabilidade na sociedade em que vivem. Dessa forma valoriza muito o PPP – Projeto Político Pedagógico, por compreender que através dele, a instituição norteia suas práticas e visibiliza seus valores socioculturais buscando a formação de uma sociedade mais justa, humana, fraterna e democrática, com homens críticos, politizados, de ampla visão de mundo, capazes de superar os preconceitos sociais, uma sociedade em que todos usufruam dos direitos e deveres presentes na Constituição Brasileira.
 
Identificação da Escola 
Escola Municipal Plínio Tude de Souza 
Email - escolapts@hotmail.com
Endereço: Rua Caminho dos Remédios, s/n, bairro-Batatan-Nazaré-Ba.
Entidade mantedora: Prefeitura Municipal 
Níveis de ensino: Ensino Fundamental do 1º ano 5º ano e Eja
Diretora- Laiane Oliveira Santos
Vice-diretora – Andreia dos Santos Silva
Secretária- Bruna Bárbara da Silva Cardoso Ribeiro
Coordenação Pedagógica- Meire Carlos Mota de Oliveira 
Professoras:
Marineide Conceição Jesus dos Santos – 1º ano A Matutino 
Rita de Cássia Mota – 1º ano B Matutino 
Célia Maria de Souza Silva - 2º ano Vespertino 
Marluce dos Santos Chagas - 3º ano Vespertino 
Nelcimar Maria Silva Pimentel Ribeiro – 4º ano Vespertino 
Nelcivane Maria Silva Pimentel – 5º ano Vespertino 
Ana Cláudia Carvalho de Cerqueira- EJA
Irislândia Souza Santana – EJA 
Edjane da Pureza – EJA
Patrícia Almeida – Profª de informática e Recreação - EJA 
 
Serviços Gerais: 
Isabel dos Santos Ferreira – Matutino 
Balbina Ferreira Barbosa – Matutino/Vespertino
Maria Nilza Fernandes Prazeres (contratada) 
Gonçala Cardoso de Jesus – Noturno 
Professora comunitária do PME: Marluce dos Santos Chagas 
Monitores do Programa Mais Educação:
Oficina de Instrumentos de Cordas – Irenilson dos Santos
Oficina de Flauta Doce – Henrique Jorge de Jesus Nogueira 
Oficina de Atletismo e Múltiplas Vivências – Henrique Jorge de Jesus Nogueira 
Oficina de Acompanhamento Pedagógico: LEITURA – Mileide da Cruz Santos
Oficina de Acompanhamento Pedagógico – Patrícia Conceição dos Santos
Oficina de Judô – Josenilson Almeida dos Santos Firmino
Dependências da escola: 
04 salas 
03 banheiros 
01 laboratório de informática
01 secretaria
01 cozinha adaptada 
01 área de lazer 
01 corredor 
01 pátio 
Representantes do Colegiado Escolar:
Segmento Pai- Francimeire Nepumoceno dos Reis 
 Edvânia Ferreira de Souza 
Segmento Aluno- Antonio José dos Santos
 Neuza Ribeiro dos Santos 
Segmento Professor- Marineide Conceição Jesus dos Santos
 Célia Maria Santos de Souza Silva
Segmento Funcionário- Bruna Bárbara da Silva Cardoso Ribeiro 
 Maria Nilza Fernandes Prazeres.
3 Descrição das atividades 
Segundo Freire (1996, p.38) “quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender”. E foi nessa relação que dei início a aplicação do Plano de Trabalho e em seguida do Projeto de Ensino Aprendizagem, enriquecendo grandemente a bagagem já adquirida no desenvolvimento dos demais estágios. 
No desenvolvimento das atividades de gestão foi possível vivenciar os desafios inerentes ao ambiente educacional sobre um novo olhar, afinal não era apenas a interação com os alunos, mas com toda a comunidade escolar. Durante a semana do estágio (11 a 15/05), embora já esteja na gestão a mais de um ano, tive a oportunidade de realizar em uma semana ações que contribuíram de maneira significativa para o desenvolvimento do trabalho na escola, algumas ações foram concluídas durante a semana, como a preparação e envio dos comunicados para reunião de pais, a realização da pauta, cartão de boas vindas e da reunião com os pais e com o colegiado.
Foi possível também participar de maneira mais ativa do AC (planejamento). Segundo Oliveira (2007, p. 21) “Planejar é pensar sobre aquilo que existe, sobre o que se quer alcançar, com que meios se pretende agir”. Esse foi sem dúvida um momento importante de visualizar o planejamento como uma ferramenta necessária e como uma garantia de resultados, pois somente assim o mesmo será devidamente aplicado, não permitindo que a educação seja um improviso, mas que contemple o aluno de forma a contribuir com seu desenvolvimento integral. Se o docente tem o desejo de transformar a realidade a sua volta, é necessário melhorar a sua prática pedagógica e essa melhora só ocorrerá à medida que houver a reavaliação e realimentação do planejamento a partir de uma ação crítica e reflexiva. 
A fim de melhor acompanhar os alunos com dificuldades pedagógicas e/ou comportamentais, foi elaborada uma ficha para registro de tais dificuldades pelos professores, após levantamento foi elaborado e enviado alguns comunicados para acompanhamento individual. Essa ação teve início na semana do estágio como atendimento de alguns pais, os demais serão atendidos no decorrer do ano letivo de acordo as demandas que surgirem. Outras atividades importantes foram desenvolvidas, como o acompanhamento do processo de compras realizadas com as verbas recebidas do governo federal pela escola, entre outras.
Embora todas as atividades da gestão tenham sido de suma importância para instrumentalização da prática pedagógica, não houve riqueza maior do que a regência na EJA. Porque diferentemente da criança, o jovem e o adulto sabe o que quer quando procura a escola. Ele chega com objetivos bem definidos, sendo possível aproveitar o seu interesse para promover a constituição de conhecimentos e valores que ajudarão em sua vida prática, profissional e pessoal. 
A aplicação do Projeto com o tema Profissões mostrou o quanto a prática nesse processo de educação deve ser permeada pela negociação entre a formalização dos desejos e saberes do aluno e a necessidade de sistematizar o conhecimento, não podendo ser ignorada a diferença na aprendizagem, nem tão pouco aplicar a mesma pedagogia para crianças e adultos. Todos os momentos foram encantadores, mas de todas as atividades desenvolvidas do Projeto a que mais me marcou foi à dinâmica com os objetos que representava a profissão de cada um, pois foi possível ver o brilho nos olhos pela valorização da profissão, por mais simples que a mesma fosse. 
Em cada dia foi possível vivenciar a alegria da segunda chance no aprender, no dia 08/06 foi realizada a apresentação do projeto a partir de imagens de diferentes profissões, indagando o que representava cada uma delas para os alunos. Em seguida desenvolvemos um bate papo legal sobre a profissão que cada um desenvolve, sendo registradas as profissões em forma de tabela. Para a próxima aula foi solicitado que cada aluno traga um objeto que represente a profissão que cada um sonhou, sonha em desempenhar, ou desempenha.
No dia 09/06 foi realizada a dinâmica que mais me marcou, em que o aluno pegava um objeto que não era o seu e tentava dizer a que profissão e a quem o objeto pertence. Nessa dinâmica foi possível descobrir alguns segredos de como melhor desenvolver algumas profissões. Em seguida foi montada outra tabela contendo a profissão “dos sonhos” de cada aluno. Análise e interpretação das duas tabelas. 
No dia 11/06 foi possível fazer um importante link através da aula de informática, sobre a importância da mesma no aprimoramento do indivíduo no desenvolvimento da sua profissão em uma era tão tecnológica. No dia 15/06 foi possível explorar a principal atividade profissional desenvolvida pelos alunos como PALAVRA GERADORA (dona de casa), realizando atividades com letras e sílabas da mesma. Aplicação de algumas situações problemas, a partir da profissão que gerou a palavra.
No dia 16/06 continuamos a explorar a PALAVRA GERADORA, realizando atividade de leitura e interpretação, nesse dia me encantei com a dedicação de Seu Geraldo em realizar a atividade, um aluno de 79 anos que teve esse ano de 2015 a oportunidade de ir à escola pela primeira vez, por fim realizamos uma roda de conversa sobre os cuidados necessários nos diferentes ambientes de trabalho para evitar acidentes.
No dia 17/06 foi realizado um debate sobre os direitos e deveres do trabalhador (carteira de trabalho). E como culminância ficou a festa junina da turma, porém não foi possível participar. É válido ressaltar que todas as atividades desenvolvidas estiveram pautadas na Andragogia, em que a aprendizagem é desfocada de conteúdos, é dirigida para a resolução de problemas e tarefas que se confrontam na vida cotidiana, sendo motivada por estímulos internos como autoestima e qualidade de vida. Levando em consideração uma prática pedagógica muito importante do professor da EJA, que é considerar a constituição de valores e, principalmente elevar a autoestima dos alunos, fazendo com que o processo de ensino e aprendizagem esteja todo contextualizado no cotidiano e na rotina de trabalho de cada um, como forma de garantir-lhe uma trajetória de êxito.
 
4 AVALIAÇÃO DA ATIVIDADE PROFISSIONAL
A educação, a escola e o ensino são os grandes meios que o homem busca para poder realizar o seu projeto de vida. Portanto, cabe à escola e aos professores o dever de planejar a sua ação educativa para construir o seu bem viver. (MENEGOLLA & SANT’ANNA, 2001, p.11).	
A experiência vivida durante o estágio deixou claro que nunca é tarde para o homem realizar seu projeto de vida, viver seus sonhos. A escola precisa ser sempre um ambiente onde a educação erga a bandeira da universalização, da gratuidade e da qualidade do ensino nas diferentes etapas da aprendizagem. Afinal, para que haja igualdade na educação, a mesma não pode começar apenas aos sete anos de idade e terminar aos catorze, pois antes e depois deste período existe um caminho a ser percorrido, valores a serem entendidos, apropriados e vivenciados pelos alunos. 
É bem verdade que os desafios a serem superados para tal realização, às vezes desanima, mas quando há união e participação de toca comunidade escolar, é possível alcançar uma educação de qualidade e sem preconceitos. A escola laboratório do estágio, embora seja pequena e com pouco conforto, conta com uma equipe (com exceção de alguns) dedicada em fazer acontecer à educação, se empenhando ao máximo com os recursos que tem para que haja qualidade no trabalho desenvolvido. 
Graças ao perfil da equipe, foram poucas as dificuldades encontradas na execução do estágio na Gestão, pois a mesma contribuiu de maneira significativa para que houvesse êxito na participação da rotina escolar. Os entraves se dão na questão disciplinar, primeiro pela fala de limites das crianças, segundo, pelo posicionamento de alguns pais e/ou responsáveis que vitimam seus filhos, tirando na maioria das vezes a autoridade do professor e da escola. 
De tudo que foi possível viver durante os estágios, o contato com a EJA foi com certeza o momento mais marcante, pois como registrado na atividade parcial 1 da disciplina Educação de Jovens e Adultos, um enorme preconceito sempre foi mantido em relação aos analfabetos, discriminando-os como seres incapazes não só socialmente, mas psicologicamente também. Por serem analfabetos não tinham direitos econômicos, políticos e jurídicos, não tinham acesso ao voto, eram explorados no trabalho, pois não tinham conhecimento e cultura. 
Com o oferecimento do ensino fundamental obrigatório e gratuito para jovens e adultos através da EJA, essa visão preconceituosa foi mudando e fez com que os analfabetos fossem vistos como seres “normais”, capazes de adquirir conhecimento e cultura, contribuindo para inclusão de jovens e adultos antes analfabetos, em um mundo letrado capaz de modificar a realidade existente.
Para que tais mudanças aconteçam e possibilitem a reinserção e emancipação social de jovens e adultos, a escola precisa ser mais que um ambiente para ler e escrever, precisa possibilitar uma postura atuante de jovens e adultos no seu contexto de vida. Segundo Paulo Freire:
Alfabetização é mais que o simples domínio mecânico de técnicas para escrever e ler. Com efeito, ela é o domínio dessas técnicas em termos conscientes. É entender o que se lê e escreve o que se entende .(...) Implica uma auto formação da qual se pode resultar uma postura atuante do homem sobre seu contexto. Para isso a alfabetização não pode se fazer de cima para baixo, nem de fora para dentro, como uma doação ou uma exposição, mas de dentro para fora pelo próprio analfabeto, apenas ajustado pelo educador. Isto faz com que o papel do educador seja fundamentalmente diálogos com o analfabeto sobre situações concretas, oferecendo-lhes os meios com que os quais possa se alfabetizar. (FREIRE, 1989, p.72)
Sendo assim, para que a EJA cumpra seu real papel, não basta apenas inserir o jovem ou adulto na escola, é preciso garantir os direitos de acesso e permanência, condições dignas de estudo e ensino, práticas docentes que incentivem a reflexão e a formação cidadã, através deconteúdos significativos que possibilitem o desenvolvimento integral, elevando a autoestima e autonomia. 
O ambiente escolar também precisa contribuir para formação de indivíduos participativos e autônomos, que tendo domínio de ferramentas da cultura letrada, garanta uma vida melhor, com condições justa e digna em que possa exercer seus direitos e deveres integralmente na sociedade, quer seja no âmbito social, econômico, político e/ou cultural. 
Baseado nesse principio, foi possível perceber algumas mudanças necessárias na prática das professoras, inclusive na da turma em que foi realizado o estágio, quanto à didática utilizada, pois muitas vezes observei que as mesmas reutilizam atividades aplicadas no diurno nas turmas do fundamental, para aplicar aos jovens e adultos à noite. Embora a Pedagogia e a Andragogia (educação para adultos), tenham como objeto a aprendizagem, o modelo andragógico estimula a participação e a criatividade, buscando a auto realização do sujeito, através da utilização de toda sua capacidade e potencialidade. 
De acordo com essa visão, os adultos possuem mais experiências que as crianças, e é isso que os diferencia, suas experiências são um recurso para suas próprias aprendizagens. O processo de aprendizagem dos adultos busca utilidade em sua vida pessoal e profissional, já na pedagogia a vontade de aprender está relacionada às finalidades de êxito escolar. 
Sendo assim, é de suma importância nesse processo que o professor seja um mediador da pratica de ensino, onde possa proporcionar momentos em que os alunos entrem em contato com novas informações, relacionando-as com os conhecimentos prévios. Afinal, ensinar nunca foi nem será transmitir conhecimento, mas sim propor momentos de reflexão e de criticidade da vida, principalmente na EJA, pois se mesmo as crianças ao chegarem à escola não podem ser consideradas como uma folha em branco, o que dizer de jovens e adultos envolvidos no mundo de trabalho e em experiências sociais que fazem com que os mesmo acumulem uma bagagem rica e diversa de conhecimentos.
Os momentos vivenciados foram tão prazerosos, que na maioria das aulas os alunos das outras turmas participaram juntos nas atividades. Foi possível colocar em prática durante o desenvolvimento de todo estágio muito do que foi aprendido em diversas disciplinas, mas principalmente a disciplina Educação de Jovens e Adultos que fez parte da grade nesse semestre e Educação Profissional e Pedagogia das Organizações, bem como Organização e Gestão de Instituições de Ensino.
5. A DIMENSÃO FORMATIVA DO ESTÁGIO
Ao transitar da universidade para escola e desta para a universidade, os estagiários podem tecer uma rede de relações, conhecimentos e aprendizagens, não com o objetivo de copiar, de criticar apenas os modelos, mas no sentido de compreender  a realidade para ultrapassá-la (PIMENTA, 2011, p.101).
Conhecer a realidade com certeza torna possível uma melhor atuação profissional, motivo que caracteriza o estágio como sendo uma das atividades mais importantes do curso, pois além de oportunizar a aplicação prática de tudo o que é aprendido, possibilita uma importante reflexão sobre os reais desafios e acertos da educação. E esse sem dúvida, precisar ser um incentivo dos professores que se empenham na formação de educadores, pois
Em tais espaços pode-se fazer emergir a consciência que guiará as ações pedagógicas dos profissionais da educação e, sendo assim, a função primeira do professor, formador de educadores, é garantir condições de ensino e de aprendizagem eficientes. (CROCE, 2003, p. 59).
	O campo de estágio é com certeza o meio mais eficiente de aprender e aprimorar o conhecimento, pois é nesse espaço que de fato não apenas se complementa o aprendizado, mas se torna possível aperfeiçoar a prática pedagógica. O mesmo se configura numa importante forma de fazer a transição de aluno para professor, possibilitando vivenciar experiências e conhecer melhor a área de atuação profissional. 
É de suma importância que dentro do atual contexto educacional, sejam inseridos profissionais que estejam preparados para lhe dar com as diversas realidades que estão além do aluno, mas em todo ambiente onde há o processo de ensino aprendizagem. A realização do estágio torna possível adquirir experiências, e buscar novas maneiras de atuar nos diversos desafios da educação, quer seja dentro ou fora da sala de aula, repensando sempre suas ações a fim de aprimorar os conhecimentos para um melhor desenvolvimento profissional.
É válido ressaltar que a riqueza de toda atividade que se desenvolve, está no nível de envolvimento de cada um, pois é a participação que definirá as vantagens de tê-la realizado, e com o estágio não é diferente, pois segundo Pimenta e Lima (2004, p. 45) “[...] a aproximação à realidade só tem sentido quando tem conotação de envolvimento, de intencionalidade [...]”, por esse motivo é de fundamental importância que as atividades do estágio sejam desenvolvidas com responsabilidade e afinco, para que as mesmas posam atingir seu objetivo de auxiliar na formação de profissionais preparados, afinal, a docência é “uma atividade profissional complexa, pois requer saberes diversificados” (Veiga, 2008, p. 20). E a busca por tais saberes nunca se esgota, sendo necessária uma busca constante para melhor se instrumentalizar para o mercado de trabalho, não importando apenas em ser o melhor, mas ser aquele que dá o melhor por uma educação de qualidade. 
6 Considerações finais 
[...] o homem não se faz homem naturalmente; ele não nasce sabendo ser homem, vale dizer, ele não nasce sabendo sentir, pensar, avaliar, agir. Para saber pensar e sentir; para saber querer, agir ou avaliar é preciso aprender, o que implica o trabalho educativo (SAVIANI, 1992, p.15). 
O aprender é de fato a chave que pode abrir portas para o sucesso. O estágio na formação do educador, além de proporcionar uma rica experiência sobre o trabalho educativo, possibilita refletir sobre os meios para uma educação mais humana. Ele tem seu papel colaborador na práxis educativa do professor em formação, o auxiliando a compreender, a partir de âmbitos diversos, as possibilidades do trabalho educativo. 
Realizar esse estágio foi uma oportunidade única e indispensável, pois na maioria das vezes o que é planejado e discutido na teoria, na prática não funciona tão bem quanto o esperado, sendo necessário ao futuro profissional vivenciar o ambiente escolar, e toda diversidade que perpassam o fazer na escola, a fim de buscar estratégias que lhe auxilie no futuro exercício da profissão, pois o estágio 
[...] não se resume à aplicação imediata, mecânica e instrumental de técnicas, rituais, princípios e normas aprendidas na teoria. A prática não se restringe ao fazer, ela se constitui numa atividade de reflexão que enriquece a teoria que lhe deu suporte. O estágio é um processo criador, de investigação, explicação, interpretação e intervenção na realidade (PIMENTA, 1995, p. 74).
Ao refletir criticamente sobre as ações realizadas, tornasse possível intervir na realidade de maneira a melhor desenvolver o trabalho educacional, pois não importa o tamanho da escola, a mesma sempre apresentará diversos desafios a serem vencidos. Com a EJA, o principal desafio é a evasão, pois muitas vezes os professores não estão preparados para desenvolveram um trabalho que de fato incentive aquele jovem e/ou adulto que chega cansado de um dia de trabalho, a permanecer na sala de aula. 
É de suma importância manter um olhar sensível a EJA, pois tal educação resultará na aquisição de elementos que permita, a jovens e adultos, discutir e participar de maneira democrática dos acontecimentos da sociedade em que estão inseridos, agindo de maneira crítica e autônoma sobre a realidade que o cerca, a fim de modificá-la, podendo também incorporar-se ao mundo do trabalho com maior qualificação e melhores condições de desempenho.
Quanto à gestão, é importante que a mesma se desenvolva com uma equipe competente, preparada e acima detudo, democrática, que discuta os problemas com a comunidade a fim de buscar soluções, que saiba escutar as sugestões e as críticas, e que esteja em constante avaliação, pois somente assim será possível corrigir os erros e seguir rumo ao alcance de uma educação de qualidade.
REFERÊNCIAS
CROCE, Marta Lucia. O ensino com pesquisa no Curso de Pedagogia e a formação de gestores para a educação. Curitiba: PUCPR, 2003. Dissertação de Mestrado em Educação.
FREIRE, Paulo. A educação como prática da liberdade. 23ª Ed.. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1989.
__________. Pedagogia da autonomia. São Paulo. Paz e Terra, 1996.
__________. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. 23 ed. São Paulo: Paz e Terra, 2002. 
LIBÂNEO, José Carlos. Organização e Gestão da Escola: teoria e prática. 5 ed. ver. ampl. – Goiania: Editora Alternativa, 2004.
MENEGOLLA, Maximiliano. SANT’ANNA, Ilza Martins. Por que planejar? Como planejar? 10ª Ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2001. 
OLIVEIRA, Dalila de Andrade. Gestão Democrática da Educação: Desafios Contemporâneos. 7ª edição. Petrópolis, RJ. Editora Vozes, 2007. 
PIMENTA, Selma Garrido. O pedagogo na Escola Pública. São Paulo: Edições Loyola, 1995.
_____________. Estágio e Docência. São Paulo: ed. Cortez, 2011.
PIMENTA, Selma Garrido; LIMA, Maria Socorro Lucena. Estágio e Docência. São Paulo: Cortez, 2004. 
Projeto Político Pedagógico. Escola Municipal Plínio Tude de Souza. Em fase de conclusão.
SAVIANI, Dermeval. Pedagogia histórico-crítica: primeiras aproximações. 3.ed. São Paulo: Cortez: Autores Associados, 1992.
VEIGA, I. P. & D’ÁVILA, C. A formação de professores: novos desafios novas perspectivas. São Paulo: Papirus, 2008.
ANEXOS

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