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Etnomatemática uma nova perspectiva para a Discalculia

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FACULDADES METROPOLITANAS UNIDAS 
 
 
 
 
 
GIOVANNA MARMUGI BEGA 
 
 
 
 
 
ETNOMATEMÁTICA: UMA NOVA PERSPECTIVA PARA O TRABALHO COM A 
DISCALCULIA 
 
 
 
 
 
 
 
 
SÃO PAULO 
2016 
 
 
FACULDADES METROPOLITANAS UNIDAS 
 
 
 
 
 
GIOVANNA MARMUGI BEGA 
 
 
 
 
 
ETNOMATEMÁTICA: UMA NOVA PERSPECTIVA PARA O TRABALHO COM A 
DISCALCULIA 
 
 
Trabalho de Conclusão de Curso 
apresentado ao curso de 
Pedagogia, como requisito 
parcial para obtenção do título 
de licenciada em Pedagogia sob 
orientação da Prof. Ms. Silvia 
Tavares de Oliveira. 
 
 
SÃO PAULO 
2016 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Dedico esse trabalho aos meus pais, que me 
apoiaram a todo instante, desde o meu 
primeiro ano escolar. Tenho certeza que 
esse trabalho o encheram de orgulho e 
felicidade. Meu amor por vocês é eterno e 
incondicional. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Gostaria de agradecer primeiramente aos 
meus pais por me apoiarem nessa fase tão 
difícil, mas principalmente ao meu marido 
por toda paciência e dedicação. Agradeço 
imensamente a minha orientadora por todo 
auxílio, todas as dicas, paciência e carinho 
em cada orientação. Muito obrigada a cada 
educador que passou em minha caminhada 
e por cada ensinamento transmitido com 
tanto amor e carinho, vocês me incentivaram 
a seguir nesse caminho maravilhoso da 
Educação. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
“Desistir... eu já pensei seriamente nisso, 
mas nunca me levei realmente a sério; é que 
tem mais chão nos meus olhos do que o 
cansaço nas minhas pernas, mais esperança 
nos meus passos, do que tristeza nos meus 
ombros, mais estrada no meu coração do 
que medo na minha cabeça.” 
(Cora Coralina) 
 
 
 
Resumo 
 
Nesse trabalho será pesquisado o que é, como, onde e quando ocorre a Discalculia. 
O método da Etnomatemática será apresentado, para que assim possa ser utilizado 
como auxílio aos alunos discalcúlicos, procurando encontrar estratégias e 
metodologias para o educador obter sucesso no aprendizado. O objetivo desse 
trabalho é conhecer metodologias e estratégias para auxiliar os alunos discalcúlicos 
por intermédio da Etnomatemática. O trabalho foi bibliográfico e baseou-se em 
pesquisas de livros, artigos científicos e em outras monografias associadas ao tema. 
Pesquisou-se sobre a construção do raciocínio lógico matemático, a importância do 
professor na aprendizagem do aluno, distúrbios de aprendizagem, e a Discalculia. 
Também é apresentada a Etnomatemática, o que é, conceitos e procedimentos. 
Ressalta-se algumas metodologias que podem ser utilizadas em sala de aula para 
auxiliar alunos discalcúlicos. O distúrbio de aprendizagem Discalculia, é um 
transtorno que pode ser trabalhado com o aluno a fim de auxiliá-lo. A importância do 
novo projeto, Etnomatemática, proveio para auxiliar a matemática em suas 
dificuldades, demonstrando em quais conceitos a Etnomatemática se baseia. O 
aluno discalcúlico ao deparar-se com metodologias diferencias e lúdicas para a 
realização do aprendizado, sente-se mais capaz para tal objetivo. Concluiu-se que 
para auxiliar alunos discalcúlicos é preciso modificar as metodologias e estratégias 
utilizadas hoje em dia em sala de aula, e para isso os educadores podem se basear 
na Etnomatemática, que abrange não apenas a matemática, mas a cultura do aluno 
também, e com isso facilita a elaboração de práticas pedagógicas para se trabalhar 
com o mesmo. 
 
 
 
Palavras Chaves: Discalcúlia. Etnomatemática. Metodologias. Transtorno 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Abstract 
On this study will be discussed what is, how, where and when happens Dyscalculia. 
Ethnomathematics's method will be presented as a support for students that have 
Dyscalculia, searching for strategies and methodologies that can help the educator to 
achieve success on the learning process. The objective of this study is to identify 
strategies and methodologies that can help students with this disorder through the 
Ethnomathematics. The study was bibliographic and based on books researches, 
scientific articles and in others monographs that share the same theme. A research 
was made about the logical-mathematical reasoning, about the teacher's significance 
on the student's learning process, about learning disorder and about the Dyscalculia. 
Ethnomathematics was studied as well, and will be discussed what is, concepts and 
procedures. Some methodologies that can be used inside classrooms to help 
students that have Dyscalculia can be highlighted. The learning disorder Dyscalculia, 
is a condition that can be work with the student in order to help him. The importance 
of the news project, Ethnomathematics, came to help math in its difficulty, showing in 
which concepts Ethnomathematics is based on. A students that have Dyscalculia 
when faces a different learning method with playful activities feels more able to 
achieve his objective. It was concluded that in order to help students that have 
Dyscalculia the methods and strategies that are used inside classrooms nowadays, 
need to be changed, and for that, educator can base themselves on 
Ethnomathematics, that cover not only math, but students culture as well, and, by 
that, makes it easier to produce pedagogical practice to work with the student. 
 
Keywords: Dyscalculia, Ethnomathematics, Methodologies, Disorder. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
SUMÁRIO 
 
1. INTRODUÇÃO ......................................................................................................8 
2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA.................................................................................10 
2.1 A Matemática e seus distúrbios de aprendizagem............................................10 
2.1.1 A construção do pensamento lógico-matemático ..........................................10 
2.1.2 Papel do professor e da escola no ensino da matemática.............................11 
2.1.3 Distúrbios de Aprendizagem...........................................................................13 
2.1.3.1 A Dislexia.....................................................................................................16 
2.1.3.2 A Discalculia................................................................................................16 
2.2 A Etnomatemática.............................................................................................21 
2.3 Ensinando o aluno discalcúlico por meio de jogos elaborados através da 
etnomatemática......................................................................................................29 
3 . DISCUSSÃO DE RESULTADOS.........................................................................39 
4 . CONSIDERAÇÕES FINAIS.................................................................................45 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.........................................................................46
8 
 
1. Introdução 
Percebe-se que alguns alunos possuem facilidade no aprendizado da matemática, 
mas a maioria sofre com a dificuldade desse aprendizado, portanto esse tema 
poderia ajudar muitos pedagogos que sentem a dificuldade de ensinar esses alunos. 
Quanto antes o aluno receber o auxílio necessário, facilitará a resolução do 
problema, ou seja, se o aluno começar a trabalhar essa dificuldade desde a 
Educação Básica, no início de seu aprendizado,no futuro ele poderá ter mais 
facilidade em sua vida cotidiana, no profissional e pessoal. 
A Etnomatemática, um projeto de pesquisa revolucionário, veio para auxiliar, mudar 
e até mesmo melhorar o ensino da matemática. 
A questão que se faz é como o professor da Educação Básica pode utilizar a 
Etnomatemática como ferramenta de trabalho com seus alunos que sofrem desse 
distúrbio. 
O objetivo desse trabalho é conhecer metodologias e estratégias, para auxiliar os 
alunos discalcúlicos por intermédio da etnomatemática. 
A suposição inicial é que a Discalculia sendo um distúrbio de aprendizagem de 
conceitos matemáticos, o uso de ferramentas, ou seja, metodologias, motivadoras e 
atraentes podem auxiliar o professor na sala de aula. A Etnomatemática busca 
envolver o aluno juntamente a matemática e seu cotidiano, para que consigamos 
prender a atenção do aluno e assim ele consiga entender e compreender o 
conteúdo. Ao invés de transmitir o conteúdo para o aluno de uma forma concreta, 
sólida, o professor deve fazer com que o aluno entenda e compreenda como surgiu 
aquele conteúdo e o porquê, assim estará o ajudando a compreender a matemática. 
Acredita-se que a Etnomatemática pode ser uma ferramenta muito eficaz em sala de 
aula para o trabalho com crianças discalcúlicas. 
O trabalho foi baseado em uma pesquisa qualitativa bibliográfica, fundamentou-se 
em pesquisas de livros, artigos científicos e em outras monografias associadas ao 
tema. O mesmo foi dividido em três capítulos; no primeiro capítulo explica-se um 
pouco sobre a construção do raciocínio lógico, a importância do professor na 
aprendizagem do aluno, distúrbios de aprendizagem e a Discalculia. No segundo 
capítulo é apresentado a Etnomatemática, o que é, conceitos e procedimentos. Já 
9 
 
no terceiro capítulo ressalta-se algumas metodologias que pode ser utilizada em 
sala de aula para auxiliar alunos discalcúicos. 
A discussão de resultados foi realizada através da análise comparativa entre as 
ideias dos autores pesquisados. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
10 
 
2. Revisão Bibliográfica 
 
2.1 A Matemática e seus distúrbios de aprendizagem 
 
2.1.1 A construção do pensamento lógico-matemático 
A criança possui o contato com os números, com a matemática, desde muito 
cedo, por intermédio do convívio familiar. Esse contato é apresentado de inúmeras 
maneiras, como calendário, telefone, número da própria roupa ou calçados, entre 
diversas outras formas de expressão escrita do número. Entretanto deve-se lembrar 
que o número não possui apenas a forma escrita de se expressar, temos também a 
forma falada, como a idade, peso, horário, preço, entre muitas outras. Essas duas 
formas possuem a função de estimular a construção de um esquema para ocorrer a 
representação dos números, porém a construção do número necessita de mais 
elementos para tal aprendizado. (MATOS, 2008, p.92) 
Piaget (2005, p.56) preocupava-se com a construção psicológica real das 
operações matemáticas. O mesmo acreditava que o desenvolvimento do 
pensamento matemático nas crianças pode acontecer, quando a mesma aprende a 
matemática sem ao menos saber que esta trabalhando com a matemática, como 
quando o professor expõe situações que o aluno resolva acreditando ser algo 
simples, mas que por trás disso tudo estará o raciocínio lógico matemático. 
Segundo Matos (2008, p.91) a atividade mental da criança é a origem do 
pensamento matemático, e para a construção desse pensamento é utilizado objetos 
essenciais como apoio para tal aprendizagem. Portanto o professor necessita 
focalizar o aluno, em busca de alcançar a afetividade, e a emoção contida na 
matemática, para que consiga como resultado a construção do raciocínio lógico-
matemático pela própria criança. 
Matos (2008, p.90) também nos orienta que a construção do raciocínio lógico-
matemático é desenvolvida pela percepção das diferenças contidas nos objetivos da 
realidade externa. Essa percepção também se estabelece quando a criança realiza 
suas arrumações intuitivas, mas não ocorre a construção do conceito. 
11 
 
Segundo Kamii (2003, p.14) o psicólogo Piaget constituiu uma separação entre 
três tipos de conhecimento: o conhecimento físico, a criança tem a percepção 
externa dos objetos; o conhecimento social, estão implícitas as convenções criadas 
pelas pessoas; o conhecimento lógico-matemático, a criança estabelece relações 
mentais sobre objetos, coisas e pessoas. 
O Parâmetro Curricular Nacional (PCN) (1997) mostrou a necessidade que a 
Educação possui em adequar o ensino da matemática e a realidade do aluno, do 
educando, fazendo com que a matemática desempenhe o papel de formadora das 
capacidades intelectuais, da estruturação e agilidade do raciocínio e da elaboração 
do pensamento lógico. (BRASIL)1 
Segundo Matos (2008, p.99), como as emoções provocam ações e reações, 
facilitam assim a autoconfiança, motivando o aluno a aprender a matemática com 
mais entusiasmo. 
 
2.1.2 Papel do professor e da escola no ensino da Matemática 
Segundo o PCN (1997), conforme vai redefinindo o papel do aluno diante do 
saber, da aprendizagem, é necessário redefinir também o papel do professor que 
leciona a Matemática. Numa perspectiva de trabalho onde consideramos os alunos, 
crianças, como os protagonistas da construção de sua aprendizagem, do seu saber, 
a função de professor ganha novamente novas dimensões. Uma das faces desse 
papel é de organizar a aprendizagem, e para desempenhar esse papel com sucesso 
é necessário conhecimentos e condições socioculturais, expectativas e 
competências cognitivas dos alunos, e ainda escolher problematizações que 
possibilitem a construção do procedimento de aprendizagem, e ainda alimentar cada 
vez mais esse processo. (BRASIL)¹ 
Para Campos (2014, p. 26) a escola tem um papel fundamental de auxiliar o 
aluno no aperfeiçoamento de suas habilidades e aprender a lidar com suas 
inabilidades. 
Segundo Matos (2008, p.100) é necessário que o educador encontre formar de 
trabalhar junto com as emoções do aluno na construção dos conceitos matemáticos, 
 
1 http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/livro03.pdf 
12 
 
pois trabalhando com esse modo a comunicação influenciará o aluno e envolvê-lo 
em uma discussão proveitosa e facilitando a sinergia2, condição para podermos 
demostrar ao aluno a “mágica” essencial ao aprender e ao ensinar. ” 
De acordo com Campos (2014, p.26) “ser professor é antes de tudo ter 
competência e habilidades para lidar com pessoas e para ensinar”. Campos (2014, 
p.29) ainda nos diz que se o professor não conseguir demonstrar ao seu aluno a 
relação que a matemática possui com a própria rotina deles, o aluno não conseguirá 
desenvolver habilidades e competências necessárias no campo da matemática. 
Segundo Lucini e Nogaro, quando o professor se preocupa mais com suas 
disciplinas ou para aspectos isolados da vida ou do conhecimento de cada 
estudante ao invés de se preocupar com o que é o ser humano por inteiro, traz em 
evidência a perspectiva de formação global do estudante. 3 
Os autores Lucini e Nogaro também nos dizem que o professor dominar o 
conteúdo que está ensinando é importante, mas os recursos metodológicos que o 
professor utiliza, ou seja, linguagem utilizada, recursos, exemplos, são 
determinantes, porque esses métodos podem prejudicar ou ajudar no processo 
ensino aprendizagem do aluno.3 
Para Libâneo (2011, p.31) o principal é que o professor tenha como objetivo 
formar um aluno pensante, como na citação a baixo: 
 
O que está em questão,portanto, é uma formação que ajude o aluno a 
transformar-se num sujeito pensante, de modo que aprenda a utilizar seu 
potencial de pensamento por meio de meios cognitivos de construção e 
reconstrução de conceitos, habilidades, atitudes, valores. Trata-se de investir 
numa combinação bem-sucedida da assimilação consciente e ativa desses 
conteúdos com o desenvolvimento das capacidades cognitivas e afetivas 
pelos alunos visando à formação de estruturas próprias de pensamento, ou 
seja, instrumentos conceituais de apreensão dos objetos de conhecimento, 
mediante a condução pedagógica do professor que disporá de práticas de 
 
2 A sinergia é criação em conjunto, é o trabalho ou o esforço coordenado na realização de uma tarefa 
complexa. 
3 http://www.webartigos.com/artigos/a-formacao-do-professor-e-sua-influencia-na-aprendizagem-do-
estudante/79002/ 
13 
 
ensino intencionais e sistemáticas de promover o “ensinar a aprender a 
pensar”. (LIBÂNEO, 2011, p.31) 
 
2.1.3 Distúrbio de Aprendizagem 
Um distúrbio ou transtorno de aprendizagem para Kirk (1962, p.263) apud 
Garcia é: 
 
[...] um retardamento, transtorno ou desenvolvimento lento em um ou mais 
processos da fala, linguagem, leitura, escrita, aritmética ou outras áreas 
escolares, resultantes em um handicap causado por uma possível disfunção 
cerebral e/ou alteração emocional ou condutual. Não é o resultado do 
retardamento mental, deprivação sensorial ou fatores culturais e 
instrucionais.4 
 
Correia (2008, p.99) demonstra uma perspectiva de dificuldades de 
aprendizagem que diz: 
As dificuldades de aprendizagem específicas dizem respeito à forma como 
um indivíduo processa a informação – a recebe, a integra, a retém e a 
exprime –, tendo em conta as suas capacidades e o conjunto das suas 
realizações. As dificuldades de aprendizagem específicas podem, assim, 
manifestar-se nas áreas da fala, da leitura, da escrita, da matemática e/ou da 
resolução de problemas, envolvendo défices que implicam problemas de 
memória, preceptivos, motores, de linguagem, de pensamento e/ou 
metacognitivos. Estas dificuldades, que não resultam de privações sensoriais, 
deficiência mental, problemas motores, défice de atenção, perturbações 
emocionais ou sociais, embora exista a possibilidade de estes ocorrerem em 
concomitância com elas, podem, ainda, alterar o modo como o indivíduo 
interage com o meio envolvente. (CORREIA, 2005 apud CORREIA 2008, 
p.99). 
 
 O termo “dificuldades de aprendizagem” abrange para todos os tipos de 
problemas de aprendizagem, seja ele de origem interna (um problema neurológico 
ou psicológico) ou seja, de origem externa (como uma metodologia de ensino que 
seja desadequada ou inapropriada). Porém possuem algumas dificuldades de 
aprendizagem que já são estudadas, justamente por possuírem definições 
exclusivas, causas e características próprias, e assim podemos chama-las de 
 
4 http://www.ciec-
uminho.org/documentos/ebooks/2307/pdfs/8%20Inf%C3%A2ncia%20e%20Inclus%C3%A3o/Dislexia.pdf 
14 
 
“dificuldades de aprendizagem específicas”, que são a Dislexia, Disgrafia, 
Disortografia e a Discalculia. (COELHO)5 
Muitos dizem que uma dificuldade escolar pode ser igualada a um distúrbio de 
aprendizagem, mas o que não sabem é que a capacidade escolar é originada por 
uma prática pedagógica, ou seja métodos e metodologias adotados pelo educador, 
enquanto o distúrbio está ligado a algo orgânico, ou seja, do nosso corpo, do nosso 
organismo. (CARVALHO; CRENITTE; CIASCA, 2007, p.231) 
O distúrbio de aprendizagem possui duas classificações, o verbal e o não 
verbal. O verbal está relacionado à leitura e a escrita, e ambos estão ligados a 
dislexia. Para Carvalho, Crenitte e Ciasca (2007, p.231) o distúrbio não verbal está 
relacionado aos problemas visoespaciais – dificuldade de visualizar uma imagem 
mentalmente – e a incapacidade para entender e compreender o significado de 
contextos sociais. Possuem a dificuldade de percepção tátil e visual, habilidades de 
coordenação motora, visual, habilidades em lidar com situações novas, 
determinando assim dificuldades acadêmicas e sociais. Portanto podemos entender 
que o distúrbio não verbal é deparado em momentos que a criança precisa entender 
momentos do seu dia, como uma brincadeira, ou até mesmo um desenho. Já o 
distúrbio verbal é deparado no momento em que a criança precisa se expressar 
através da leitura e da escrita. 
Segundo Ciasca (2004) apud Carvalho, Crenitte e Ciasca (2007, p.230), 
aprendizagem: 
 
[...] é uma atividade individual que se desenvolve dentro de um 
sistema único e contínuo, operando sobre todos os dados recebidos e 
tornando-os revestidos de significado. Esse ato não é limitado à 
intenção ou ao esforço para reter itens ou habilidades 
deliberadamente repetidas de momento a momento, mas se amplia 
na qualidade do aprendido, no grau de abstração e com o transcorrer 
da idade. 
 
 
De acordo com Carvalho, Crenitte e Ciasca (2007, p.231), para ocorrer um 
processo de aprendizagem é preciso três elementos comunicativos, a mensagem 
 
 
15 
 
(conteúdo a ser transmitido), o receptor (quem receberá esse conteúdo transmitido) 
e o meio ambiente (local que ocorrerá essa transmissão). Para acontecer esse 
processo um precisa interagir com o outro, e caso ocorra a falha de um desses 
elementos surge um problema. Para a aprendizagem é necessária uma série de pré-
requisitos que irão desenvolver condições, capacidades, habilidades para processos 
específicos, que incluem as áreas de motricidade, interação sensório-motora, 
desenvolvimento da linguagem e habilidades perceptivo-motoras, conceituais e 
sociais. 
Segundo Villar, um dos maiores problemas que as escolas enfrentam é a 
dificuldades na aprendizagem dos alunos, isso muitas vezes está relacionado com a 
motivação, pois quando o aluno possui pouca ou até mesmo nenhuma motivação, 
fracassam no quesito aprendizagem. Isso também pode ser atribuído aos 
educadores, que depositam pouca confiança em seus alunos, e no final sentem-se 
incompetentes.6 Villar também nos diz que: 
 
A não obtenção de êxito dos estudantes nas aprendizagens pode associar-
se, à carência de recursos biológicos e psicológicos necessários para que o 
aluno aprenda. Problemas maturacionais de certas estruturas cerebrais 
podem originar transtornos específicos na aprendizagem, definindo como 
indivíduos com distúrbios ou transtornos de aprendizagem.6 
 
Segundo Coelho, a psicologia conclui que o fato de indivíduos serem portadores 
de problemas psíquicos, possuem uma probabilidade maior em carregar algum 
distúrbio de aprendizagem, pois o aspecto emocional interfere no desenvolvimento 
de determinadas funções. Coelho também nos diz que podemos considerar a área 
genética como um fator para esse distúrbio, onde há um gene responsável pela 
transmissão dos transtornos de cálculos. 5 
 
 
5 http://www.ciec-
uminho.org/documentos/ebooks/2307/pdfs/8%20Inf%C3%A2ncia%20e%20Inclus%C3%A3o/Dislexia.
pdf 
6 http://www.ufjf.br/ebrapem2015/files/2015/10/EBRAPEM_trabalho.pdf 
 
 
 
16 
 
2.1.3.1 A Dislexia 
Etimologicamente, a dislexia deriva dos conceitos “dis” (desvio) + “lexia” (leitura, 
reconhecimento das palavras). Segundo Coelho, diferente do que alguns julgam, a 
dislexia não está associada e também não possui vínculo algum a um baixo nível 
intelectual. O que muitos não sabem é que um disléxico pode revelar padrões acima 
da média, em outras áreas que não seja a leitura.5 
De acordo comCarvalho, Crenitte e Ciasca (2007, p.231) a Dislexia pode ser 
classificada em três tipos: 
 Dislexia disfonética: indivíduos que conseguem ler palavras conhecidas, mas 
com certa dificuldade em palavras novas, e com isso acaba ocorrendo a troca 
de letras. 
 Dislexia deseidética: possuem uma leitura lenta em palavras irregulares, ou 
seja palavras que são escritas com uma letra mas com som de outra. 
 Dislexia mista: onde ocorre a mistura dos outros tipos de dislexia. 
 
2.1.3.2 A Discalculia 
Etimologicamente, a Discalculia vem do Grego e significa dis + cálculo, ou seja, 
dificuldade de calcular. 
 
Indicadores estatísticos dizem-nos que a maior parte dos alunos revela 
problemas na aprendizagem desta disciplina. Muitos deles não compreendem 
os enunciados dos problemas, outros demoram muito tempo a perceber se 
precisam de somar/dividir/multiplicar e alguns não conseguem concluir uma 
operação aparentemente simples. É importante referir, no entanto, que estas 
dificuldades podem não estar associadas a fatores como a 
preguiça/desmotivação/desinteresse (como alguns pais/professores julgam), 
mas relacionadas com a Discalculia.” (COELHO)5 
 
De acordo com Campos (2014, p.21), indivíduos discalcúlicos possuem a 
dificuldade apenas na Matemática, como contar o tempo, medidas, resolver 
problemas, entre outros, mas é essencial lembrar que esse distúrbio de 
 
5 http://www.ciec-
uminho.org/documentos/ebooks/2307/pdfs/8%20Inf%C3%A2ncia%20e%20Inclus%C3%A3o/Dislexia.pdf 
 
17 
 
aprendizagem pode se manifestar em qualquer indivíduo, ainda que o mesmo 
possua um QI alto. A Discalculia para Campos (2014, p. 22), é: 
 
[...] como um distúrbio de aprendizado, que pode ser desencadeado por 
diversos fatores, como hereditariedade, disfunções do Sistema Nervoso 
Central, ansiedade e outros. [...] é uma dificuldade significativa no 
desenvolvimento das habilidades matemáticas e não é ocasionada por 
deficiência mental, deficiências visual ou aditiva nem por má escolarização, é 
a falta do mecanismo do cálculo e da resolução de problemas, ou seja, por 
transtorno neurológico. 
 
Villar nos adverte que mesmo o educando possuindo o distúrbio da Discalculia, 
pode possuir uma habilidade em diversas áreas do conhecimento. O aluno 
discalcúlico pode desenvolver todas as habilidades necessárias para as demais 
disciplinas escolares, mas poderá ter uma deficiência para a área da matemática.6 
Segundo Campos (2014, p.22) a Discalculia não pode ser considerada como 
consequência de uma má escolarização ou por deficiência mental, visual ou auditiva, 
pois ela é a falta do mecanismo do cérebro na função de calcular e da resolução de 
problemas, ou seja, é considerada como um transtorno neurológico, e com isso o 
aluno desenvolve uma dificuldade significativa no aprendizado e no desenvolvimento 
das habilidades matemáticas. 
 Segundo Coelho, o desenvolvimento neurológico das crianças caracteriza-se 
por funções diversificadas do sistema nervoso, que se estabelecem de maneira 
ordenada, progressiva e cronologicamente. Segundo Romagnoli (2008) apud 
Coelho, esta linha de pensamento, é dividida em três etapas de imaturidade 
neurológia que pode ajudar a definir os níveis presentes na Discalculia: 
 1º nível: é chamado de grau leve, pois a criança demonstra reações 
favoráveis a terapia; 
 2º nível: é chamado de grau médio, é o grau que a maior dos discalcúlicos 
apresentam; 
 
6 http://www.ufjf.br/ebrapem2015/files/2015/10/EBRAPEM_trabalho.pdf 
18 
 
 3º nível: é chamado de grau limite, pois a criança possui uma lesão 
neurológica ocasionada por traumatismos e que resultam em um défice 
intelectual. 5 
Segundo Campos (2014, p.21), na Discalculia encontramos uma relação grande 
com a dislexia (explicada anteriormente) e a disgrafia (problemas para formar 
símbolos). Pode-se perceber algumas características semelhantes a um disléxico 
em alguns discalcúlicos, mas não necessariamente possuam este distúrbio também. 
Muitas vezes o indivíduo pode apresentar mais de um problema, mas não podemos 
dizer que a Discalculia é sempre acompanhada de outro distúrbio, pois ela pode se 
apresentar como único problema. 
De acordo com muitas pesquisas de diversos neurologistas, já foi dito que a 
região cerebral mais importante usada para a matemática é o lobo parietal nos dois 
hemisférios, junto com outras áreas do cérebro, como o lobo occiptal, memória de 
trabalho visual, entre outras. Para ocorrer o aprendizado, fazer cálculos, reconhecer 
símbolos e outras funções ligadas a matemática é necessário estar com toda a parte 
neurológica “em ordem”, pois se houver qualquer problema, pequeno que seja, pode 
prejudicar todo o processo de aprendizagem do aluno, por isso é sempre importante 
realizar exames frequentemente para verificar se todas as funções estão 
funcionando como deveriam. (CAMPOS, 2014, p.22) 
Educadores possuem a dúvida de a partir de quantos anos podemos perceber 
sinais da Discalculia no aluno, e Campos (2014, p.23) responde que embora 
devamos estar atentos desde muito cedo nas dificuldades que as crianças 
apresentam (coordenação motora, visual, social, entre outras), a Discalculia só pode 
ser diagnosticada em crianças a partir das séries iniciais, ou seja, com idade entre 
seis e sete anos, pois é quando já estão acostumados à Matemática, como com os 
números, sequências, problematizações, atividades, entre outras. Mas antes de 
diagnosticar o aluno com Discalculia devemos primeiramente descartar quaisquer 
outras possibilidades. 
De acordo com Kamii (2003), a criança necessita de um tempo até se adaptar a 
matemática e adquirir conhecimentos e habilidades matemáticas. “O fato de que as 
 
5 http://www.ciec-
uminho.org/documentos/ebooks/2307/pdfs/8%20Inf%C3%A2ncia%20e%20Inclus%C3%A3o/Dislexia.pdf 
19 
 
crianças pequenas não conservam o número antes dos cincos anos mostra que o 
número não é conhecido inatamente e leva anos para ser construído. ” (KAMII, 
2003, p.26) 
De acordo com Campos (2014, p.27), deve-se tomar cuidado ao diagnosticar 
uma criança com Discalculia, porque quando realiza o diagnóstico do aluno estará o 
rotulando para a vida inteira. Portanto é preciso uma equipe profissional preparada 
para realizar esse diagnóstico, com pedagogos, psiquiatras, neurologistas entre 
outros. Campos (2014, p.25) afirma que a Discalculia foi descoberta em 1974 por Dr. 
Ladislav Kosc. Na época, o desbravador desse distúrbio havia o classificado em seis 
tipos, que são: 
 Verbal: dificuldade para nomear as quantidades matemáticas, os 
números, os termos, os símbolos e as relações; 
 Practogóstica: dificuldade para enumerar, comparar e manipular 
objetos reais ou em imagens; 
 Léxica: dificuldade na leitura de símbolos matemáticos; 
 Gráfica: dificuldade na escrita de símbolos matemáticos; 
 Ideognóstica: dificuldades parar fazer operações mentais e para 
entender e compreender conceitos matemáticos; 
 Operacional: dificuldade para calcular e para executar operações 
matemáticas. 
Depois de diagnosticar o tipo de Discalculia, é necessário verificar em 
qual classe ela se encaixa. Abaixo especificasse um pouco de cada classe: 
 Natural: ainda não foi apresentado para a criança todo o processo da 
contagem, por isso ainda não possui conhecimento suficiente para 
realizar e compreender processos matemáticos; 
 Verdadeira: não apresenta evolução no raciocínio lógico-matemático, 
mesmo diversas intervenções pedagógicas; 
 Secundária: suas dificuldades estão relacionadas a outros 
transtornos,como por exemplo, a dislexia. 
Campos (2014, p.?) demonstra algumas dificuldades e incapacidades dos 
discalcúlicos. 
20 
 
 Visualizar conjunto de objetos dentro de um conjunto maior; 
 Conservar a quantidade, o que a impede de compreender que um quilo de 
café é o mesmo que 4 pacotes de 250 gramas; 
 Compreender sinais matemáticos, como soma (+), subtração (-), multiplicação 
(x) e divisão (÷); 
 Sequenciar números, como por exemplo, o número que vem depois do 13 e 
antes do 15, ou seja, antecessor e sucessor; 
 Classificar números; 
 Montar operações; 
 Entender os princípios de medidas; 
 Lembrar as sequencias dos passos para realizar operações matemáticas; 
 Estabelecer correspondência um a um, ou seja, não relaciona o número de 
alunos de uma sala de aula com a quantidade de carteiras; 
 Dificuldade em entender e compreender os números cardiais e ordinais; 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
21 
 
2.2 A Etnomatemática 
Segundo D’Ambrósio (1998, p.5) é preciso demonstrar algumas reflexões 
antes de iniciar, que terão como objetivo demonstrar o contexto teórico do assunto 
em questão, junto com a definição de matemática, sua história e seu ensino. É 
necessário lembrar que a Etnomatemática é um programa de pesquisa que 
necessita aliar-se com uma prática escolar. 
Para Guerdes, a definição de Etnomatemática pode ser vista como a 
antropologia cultural da matemática. A educação matemática desde o início era vista 
como um ensinamento que não necessitava de cultura para se fundamentar, e agora 
a Etnomatemática vem com uma nova teoria, dizendo que se utilizar a cultura na 
matemática podemos revolucionar o ensino e o aprendizado da matemática.7 
De acordo com Ribeiro, Domite e Ferreira (2006, p.42) na Etnomatemática 
são considerados três escritores principais, que são: Ubiratan D’Ambrósio (Brasil), 
Paulus Guerdes (Moçambique) e Márcia Ascher (América). Embora Alan Bishop não 
fale diretamente sobre a Etnomatemática, é frequentemente associado a esse 
assunto. Ribeiro, Domite e Ferreira (2006, p.49), relatam que existe uma grande 
diferença entre os autores da Etnomatemática, mas que essa diferença pode ser 
entendida pelas intenções distintas de cada autor, porém há uma única evolução 
que se aplica para as três intenções. 
Ribeiro, Domite e Ferreira (2006, p.52) afirmam que embora os autores 
possuam uma ideia diferenciada sobre a matemática e a Etnomatemática em 
questão, chegam a conclusão que há uma “linha comum em todos os modelos é a 
ideia de Etnomatemática como um programa interpretativo entre matemática e a 
cultura. ”. 
Segundo Knijnik (1996, p.74), a Etnomatemática ao demonstrar seus 
conhecimentos e métodos abre a questão da “universalidade” que a Matemática 
possui. Não podemos considerar a Etnomatemática como universal, pois é 
dependente da cultura de cada local, portanto acaba sendo diferenciada em cada 
cultura. Mesmo não podendo dizer que a Etnomatemática é universal, podemos 
afirmar que é internacional, pois é utilizada em diversos lugares do mundo. 
 
7 http://heema.org/wp-content/uploads/2011/05/pg-FE-USP-Explora%C3%A7%C3%A3o-2.pdf 
22 
 
Etimologicamente, o termo Etnomatemática significa etno (algo amplo, 
referente ao contexto cultural), matema (uma raiz difícil, que vai explicar, conhecer e 
entender) e tica (vem de techne, que é da mesma raiz da arte e da tecnologia). De 
acordo com D’Ambrósio (1998, p.17), quando se fala de uma matemática associada 
a formas culturais distintas e diferente, estamos falando da Etnomatemática. 
Segundo D’Ambrosio (1998, p.18) para estudarmos a Etnomatemática é 
necessário um grande entendimento de etno e matemática. Etno não é uma simples 
associação de etnias, mas sim referências de culturas identificáveis (como 
sociedades nacionais); também inclui a memória cultural (como código, símbolos, 
entre outros). O autor também diz que a Etnomatemática se encontra em uma área 
de transição que fica entre a antropologia cultural e a matemática que chamamos de 
institucionalizada, e esse estudo abre portas para poder chamar de matemática 
antropológica. 
Maria do Carmo8 propõem que para entender a relação entre a 
Etnomatemática e a educação, ou seja a escola, é necessária uma reflexão sobre a 
visão da ação educacional, como por exemplo quais objetivos são almejados 
alcançar. (DOMITE; FERREIRA; RIBEIRO, 2006, p.21) 
Segundo Costa, Tenório e Tenório, a prática pedagógica chamada 
Etnomatemática estuda o conhecimento sociocultural dos alunos, e ao analisar 
esses conhecimentos percebe-se que o ensino da Matemática precisa ser renovado, 
são necessárias novas formas de ensinar essa disciplina.9 
De acordo com Domite, Ferreira e Ribeiro (2006, p.18), a Etnomatemática 
está vinculada tanto pelas críticas e sugestões pedagógicas quanto por 
investimentos no campo da história e da antropologia. 
Segundo Alexandrina10, a concepção da Etnomatemática no processo 
educacional readquiri transformações que exerce aspectos metodológicos. A ideia 
da Etnomatemática nos conduz para questões e temas socioculturais e faz com que 
 
8 Bacharelada e licenciada em Matemática pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC), possui 
Mestrado em Master of Arts In Mathematics Education - University of Georgia e Doutorado em Psicologia da 
Educação pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) 
9 http://www.scielo.br/pdf/bolema/v28n50/1980-4415-bolema-28-50-1095.pdf 
10 Graduada em Matemática pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC), possui mestrado em 
Educação Matemática pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP) e doutorado em 
Educação pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) 
23 
 
os professores abordem um novo método de incluir espaços para a diversidade e 
valores dos saberes de contextos diversificados. Portanto se olhar por esse sentido, 
será necessário um currículo flexível, onde poderemos alterar a cada identidade, 
valores e culturas diferentes. (DOMITE; FERREIRA; RIBEIRO, 2006, p.19) 
Para Halmenschlager (2001, p. 15) os aspectos que vêm sido atribuídos para 
a educação matemática são outros, ao contrário de apenas ensinar a matemática 
como solução para problemas imediatos e auxílio nas atividades cotidianas, surge a 
preocupação de ajudar na compreensão de mundo dos alunos. Para essa nova 
função algumas escolas já estão utilizando a Etnomatemática como auxilio, pois 
assim conseguem unir a cultura da criança, junto com a cultura da matemática. 
De acordo com Costa, Tenório e Tenório, a Etnomatemática estimula 
propósitos educacionais. Observando por uma visão mais ampla, pode-se enxergar 
que ultrapassa os limites da matemática, pois preserva culturas, divulga a 
coabitação de etnias, pois demonstra inúmeras formas de enxergar o mundo. A 
Etnomatemática não possui apenas a intenção de desenvolver habilidades ou 
resolver problemas, mas sim o entendimento de como é utilizado os sistemas 
matemáticos para a resolução de problemas do dia-a-dia.9 
Para Alexandrina, ao abordar a Etnomatemática é necessário um trabalho em 
equipe, não apenas dos professores, mas de toda escola, pois para tal assunto o 
projeto pedagógico deverá ser carregado de valores culturais e sociais, portanto os 
conteúdos a serem apresentados aos alunos não deveriam ser apenas os 
tradicionais. Para que o professor consiga trabalhar com esse método, é importante 
ser sensível, ético, crítico, reflexivo e principalmente saber trabalhar em equipe. 
(DOMITE; FERREIRA; RIBEIRO, 2006, p.31) 
De acordo com Halmenschlager (2001, p.27)como a Etnomatemática é 
ampla, não é necessário identificar a matemática produzida e praticada pelo grupo 
cultural, restringindo apenas a esse meio. Ainda diz que os saberes matemáticos 
dos próprios alunos, construído em seus mundos, também são utilizados e 
incorporados nos conhecimentos transmitidos pela instituição. 
 
9 http://www.scielo.br/pdf/bolema/v28n50/1980-4415-bolema-28-50-1095.pdf 
24 
 
Segundo Vergani (2007, p.9), a Etnomatemática possui três fases, que 
convivem conjuntamente. Possuem características distintas e manifestam-se em 
sincronia com as fases da lua: 
I. Lua Nova - A consciência de que os diferentes povos do mundo sempre se 
dedicaram as atividades matematizantes (funcionais, simbólicas, lúdicas, 
rituais ou estéticas). O 1º “tempo” da Etnomatemática consiste em conhecê-
las, reconhecê-las e traduzi-las na nossa linguagem matemática 
universalizante. 
Essa conversão a nível de entendimento/linguagem, permite apresentar as 
diferentes práticas tradicionais sob a forma de exemplos/exercícios/atividades 
prontos a serem inseridos nos programas escolares standardizados de 
qualquer país. 
[...] 
Tem como resultado imediato promover o conhecimento mútuo entre 
diferentes grupos socioculturais, através da divulgação/ compreensão das 
suas práticas locais. Um dos mais ativos representantes desta tendência é 
Paulus Gerdes, cujo trabalho se tem centrado sobre motivos geométricos 
africanos. 
II. Quarto Crescente - A consciência de que as atividades matematizantes das 
diferenças tradições não se reduzem a meras práticas numéricas, 
geométricas ou operativas. Trazem em si uma forte carga de sentido humano 
e emergem sob a forma de representação sociais simbólicas. Olhá-las como 
simples atividades de cálculo ou de exploração espacial é esvaziá-las dos 
conteúdos internacionais que se tornam veículos de um saber profundamente 
significativo. 
A “tradução matemática” destas representações não deve se alhear da 
“tradução antropológica” das mesmas, que as projeta nas diferentes 
dimensões do seu valor sociocultural eminente. Marcia Ascher, por exemplo, 
é uma autora atenta à significado vivencial dos dados etnomatemáticos em 
diferentes partes do nosso vasto mundo. 
III. Lua Cheia – A consciência de que a Etnomatemática tem uma missão no 
mundo de hoje que transcende o interconhecimento das alteridades 
socioculturais. Cabe-lhe apontar um caminho de transformação crítica das 
nossas próprias comunidades ocidentais, solidariamente abertas e outras 
formas de refletir, de saber, de sentir e de agir. 
Saberes e comportamentos que questionam o nosso modo de conhecer e 
induzem atitudes educacionais mais globalizantes, mais justas, mais 
decididamente enraizadas em autênticos valores sociais e humanos. 
Ubiratan D’Ambrosio, fundador da Etnomatemática e grande inspirador de 
inovações profundas a todos os níveis do nosso atual sistema de ensino, é a 
mais prestigiada figura da Etnomatemática em fase de lua cheia. 
IV. Quarto Minguante - Esse é o tempo futuro, onde a Etnomatemática será uma 
simples designação histórica ligada a um período do percurso humano. 
(VERGANI, 2007, p.9-10) 
 
Segundo D’Ambrosio (1998, p.35), podemos comparar a passagem da 
Etnomatemática para a matemática, como a passagem da língua oral para a língua 
escrita. A linguagem escrita, é baseada nos conhecimentos da linguagem oral, que a 
criança já possui em sua bagagem; também é preciso lembrar que o aprendizado da 
linguagem escrita não pode omitir a linguagem oral. Entender, respeitar e praticar a 
Etnomatemática cria um pontencial do aluno para o questionamento, 
25 
 
reconhecimento de parâmetros específicos e sentimento do equilíbrio global. A 
Etnomatemática, ainda é uma prática extremamente desvalorizada, seja no sistema 
educacional ou até mesmo na vida particular e profissional. 
Vergani (2007, p.24) diz que a linguagem verbalizada e a linguagem 
matematizada são dois aspectos das capacidades humanas de se expressar. Do 
mesmo modo que o aluno hoje em dia é incentivado a aprendizagem do bilinguismo 
em relação à expressão verbal, ou seja, o aprendizado de outra língua além de sua 
língua materna, precisará considerar a alteridade específica da sua linguagem 
matematizante, ao se deparar focado em um meio sócio cultural que encara de 
formas diferentes o pensamento e a prática racionalizante. 
De acordo com Alexandrina, para uma proposta educacional ser voltada para 
a metodologia da Etnomatemática é preciso uma transformação na organização da 
escola, na relação de tempo e espaço e na inclusão de valores voltados para 
culturas, etnias e sociedade, para que os alunos e professores sintam-se por dentro 
desse projeto. Essas modificações deverão surgir dos professores, através de seus 
estudos e experiências em salas de aula, e ainda sim deverão se abrir cada vez para 
esse novo processo. (DOMITE; FERREIRA; RIBEIRO, 2006, p.31) 
Segundo Vergani (2007, p.32) localizar a antropologia dentro das “ciências 
sociais humanas” e ainda localizá-la também dentro das “ciências exatas e 
tecnológicas”, nos leva até uma representação como está abaixo: 
 
FONTE: VERGANI (2007, p. 33) 
Mas se enxergar por uma abordagem voltada a interdisciplinaridades seria 
aproximadamente como a representação abaixo: 
26 
 
 
FONTE: VERGANI (2007, p. 33) 
Entretanto, se enxergar pela visão etnomatemática, veremos que a mesma tem 
a função de representar as três partes de uma maneira globalizante, veja: 
 
FONTE: VERGANI (2007, p. 33) 
Segundo Ribeiro, Domite e Ferreira (2006, p.55) a etnomatemática está mais 
para uma busca de tentar descrever e entender as formas que as ideias são 
27 
 
compreendidas, e usadas por outros que não compartilham do mesmo conceito ou 
pensamento do que é a matemática. Como na antropologia, a etnomatemática tenta 
esboçar o outro e seu mundo com suas ideias e sua linguagem. A etnomatemática 
cria um intermédio entre a matemática e as ideias de outras culturas. (DOMITE; 
FERREIRA; RIBEIRO, 2006, p.55) 
Para D’Ambrosio (1998, p.34) é importante apresentar algumas características da 
Etnomatemática: 
 Suas técnicas são um pouco restritas, pois é baseada em fontes limitadas. 
Porém possui uma criatividade elevada, por não existirem regras; 
 Por ser limitada em seu contexto, acaba por se tornar particularística; 
 Trabalha por meio de códigos, metáforas e símbolos psicoemocioanais 
(embora sejam diferentes dos símbolos utilizados na matemática). 
Segundo Vergani (2007, p.25) a Etnomatemática entenderá o estudo que se 
baseia em comparações de técnicas, modos, artes e estilos de explicações, 
resultante da realidade em diferentes meios naturais e culturais. Essa metodologia 
possui um potencial que faz surgir uma vocação para uma aliança junto a prática 
escolar, por meio de: 
 Uma metodologia culturalmente dinâmica; 
 Um enraizamento na “realidade real” 
 Uma observação vivificante das práticas comportamentais; 
 Uma ação autenticamente sócio significativa. 
A Etnomatemática vem se estabelecendo como uma linha de pesquisa, por seus 
métodos de pesquisar e questionar o universalismo em que a matemática é 
associada e também para realçar um novo conceito de educação matemática, para 
que ocorra a valorização das culturas, demonstrando soluções para alguns 
problemas no processo de ensino aprendizagem. Embora o aumento no número de 
iniciativas para o estudo da Etnomatemática, ainda é considerado de forma isolada, 
e pouco socializada. Portanto, podemos entender que embora o estudo da 
Etnomatemática tenha crescido e sendo reconhecido ao longo desses anos, ainda é 
pouco discutido e por isso resulta em ser mal interpretadose com isso torna-se 
isolado. (RIBEIRO; DOMITE; FERREIRA, 2006, p. 75) 
28 
 
Para Ribeiro, Domite e Ferreira (2006, p. 77) a Etnomatemática encontra-se em 
constante busca para novos caminhos para o processo de ensino-aprendizagem da 
matemática, tentando inová-lo por meio de diálogo, e assim possibilitando a troca 
contínua de conhecimento e saberes do professor com o aluno, e também entre a 
sociedade e a escola, de forma que o aluno consiga abandonar a postura que 
possui hoje, de passividade e a simples reprodução de procedimentos e adquira 
novas posturas, abandonando o hábito de transmitir conhecimentos, mas que ao 
menos o absorvam. 
 
O conhecimento matemático adquire validade à medida que se integra, 
localmente, em um grupo humano. A “universalidade” é relativizada pelo 
crédito – pragmático e científico – que a comunidade lhe atribui. A 
matemática, modelizando situações ou estruturando problemas, faz parte do 
diálogo vital que o homem teve com o meio. A educação etnomatemática é 
um processo antropológico que veicula todas as componentes de conceito de 
cultura. (VERGANI, 2007, p.34) 
 
Os autores Ribeiro, Domite e Ferreira (2006, p.261) nos diz que para facilitar 
a comunicação entre a escola, cultura e realidade, pode-se ser utilizado a 
Etnomatemática que utiliza a linha de pesquisa e investigação matemática, 
investigando as raízes culturais das ideias matemáticas na origem de como resulta 
nos grupos sociais diferenciados. 
Para Ribeiro, Domite e Ferreira (2006, p.251) a situação em que se encontra 
as escolas públicas torna-se cada vez mais difícil propor projetos pedagógicos 
diversificados e diferenciados que respeitem e utilizem os saberes cotidianos de 
cada aluno (como ocorre no processo da Etnomatemática). Os professores das 
escolas públicas são obrigados a trabalhar com 40 ou até mesmo 50 alunos por sala 
e sempre com as mesmas metodologias e mesmos projetos, e com isso o processo 
de ensino aprendizagem dos alunos (que é o objetivo principal) não é bem-sucedido. 
Embora os professores tenham esse obstáculo da recusa de projetos educacionais 
inovadores, muitos ainda tentam trabalhar com a cultura dos alunos e da família, 
fazendo com que os alunos criem e recriem sempre que possível. 
 
 
29 
 
2.3. Ensinando o aluno discalcúlico por meio de jogos elaborados por meio da 
Etnomatemática 
 Segundo Fiorentini e Miorin, os professores e alunos constantemente se 
deparam com dificuldades no processo de ensino aprendizagem da matemática. O 
aluno, inúmeras vezes é reprovado na disciplina por não entender ou compreender, 
ou até mesmo é aprovado e isso resulta em diversas dificuldades no ano seguinte. O 
professor, por outro lado, sente-se frustrado por não conseguir transmitir o 
conhecimento e conteúdo ao aluno. O professor tenta cada vez mais encontrar 
formas de conseguir auxiliar o aluno nesse processo.11 
De acordo com Silvia e Kodama (2004, p.3) é no momento que a criança 
brinca, que a mesma deixa transparecer o prazer e ao mesmo tempo busca a 
satisfação de seus desejos, por isso os educadores deveriam a todo momento tentar 
inovar, para que assim os alunos descobrissem um mundo prazeroso dentro da 
matemática. 
Segundo Campos (2015, p. 20) a maioria dos alunos que adquirem 
dificuldades de aprendizagem matemáticas, acabam não se comunicando como 
deveriam, muitas vezes por timidez, receio ou medo de se expressar (até mesmo 
com pessoas que já estão habituados). Trabalhar com metodologias diversificadas, 
abordando de formas diferentes e com clareza, ajuda o aluno no processo de ensino 
aprendizagem da matemática, não apenas para os anos escolares, mas também 
para vida. 
Para Silvia e Kodama (2004, p.3) a teoria de Piaget demonstra que a 
competição entre crianças nos jogos faz parte de um desenvolvimento, que começa 
no egocentrismo e vai até uma habilidade em descentrar e coordenar pontos de 
vistas. Esse desenvolvimento pode ser encontrado em diversas maneiras e lugares, 
como no julgamento moral, na classificação, na linguagem, na conservação, entre 
outros. Desde o começo deve-se demonstrar aos alunos a importância de ganhar 
como também de perder, para que a criança esteja pronta para a competitividade e 
aceite qualquer resultado, pois assim não será necessário estipular uma idade 
correta para trabalharmos esse tipo de metodologia 
 
11 http://www.drb-
assessoria.com.br/1UmareflexaosobreousodemateriaisconcretosejogosnoEnsinodaMatematica.pdf 
30 
 
Segundo Campos (2015, p.32) os professores possuem dificuldades em fazer 
o aluno procurar em seu mundo a matemática, pois as questões que poderiam ser 
exploradas nem sempre são claras aos alunos. Portanto, quando muda o modo de 
enxergar essas questões, através de jogos e atividades lúdicas, ou seja, inserindo 
na linguagem e na cultura da criança (como sugere a Etnomatemática), a criança 
passa a entender e compreender melhor essas questões e enxergá-las com mais 
facilidade. 
 
Num contexto de jogo, a participação ativa do sujeito sobre o seu 
saber é valorizada por pelo menos dois motivos. Um deles deve-se ao 
fato de oferecer uma oportunidade para os estudantes estabelecerem 
uma relação positiva com a aquisição de conhecimento, pois 
conhecer passa a ser percebido como real possibilidade. [...]. Outro 
motivo que justifica valorizar a participação do sujeito na construção 
do seu próprio saber é a possibilidade de desenvolver seu raciocínio. 
Os jogos são instrumentos para exercitar e estimular um agir-pensar 
com lógica e critério, condições para jogar bem e ter um bom 
desempenho escolar. (FIORENTINI, MIORIN, 2004, p. 3) 
 
De acordo com Fiorentini e Miorin o educador não deve apenas ter como 
base os materiais dedicados aos jogos ou ao lúdico, pois se caso alguns alunos não 
alcançarem o resultado desejado pelo professor, que seria a aprendizagem, o 
mesmo precisará sua metodologia e exercer outra abordagem com o aluno, portanto 
é preciso já ter planejado uma segunda possibilidade para ministrar aquele conteúdo 
aos alunos.11 
 Silvia e Kodama (2004, p.5) ressaltam que os educadores, primeiramente, 
necessitam de um extremo cuidado com a abordagem por meio de jogos ou 
atividades lúdicas, pois antes de apresentar essa metodologia ao educando, o 
educador precisa levar em consideração o estudo do jogo planejado, e o melhor 
modo de realizar as considerações necessárias, é o próprio educador jogar, pois 
assim conseguirá realizar considerações e até mesmo pensar em situações para 
apresentar no momento da dinâmica. 
 
Para que o jogo se torne um recurso valioso em sala de aula, é 
preciso que o professor tenha um bom planejamento, com objetivos 
 
11 http://www.drb-
assessoria.com.br/1UmareflexaosobreousodemateriaisconcretosejogosnoEnsinodaMatematica.pdf 
31 
 
definidos e forneça condições necessárias para que o mesmo seja 
aplicado de forma que estimule a aprendizagem do aluno. (SILVA; 
GANDULFO, 2013)12 
 
Segundo Campos (2015, p.35), para que o processo de ensino aprendizagem 
ocorra com sucesso, é necessário que o aluno possua motivação, para que surja o 
interesse da criança e assim sentirá vontade de participar e realizar as atividades. 
Para que o professor consiga despertar esse interesse e a motivação necessária 
para tais atividades, é possível inserir a cultura dos alunos nesses projetos, como 
nos orienta a Etnomatemática, pois se o professor conversar com o aluno em uma 
linguagem acessível e mais compreensível para o mesmo, a aprendizagem será 
mais prazerosa, fácil e proveitosa. 
Segundo Carraher, Carraher e Schliemann, quando a criançaestá em um 
ambiente costumeiro, de sua cultura, do seu cotidiano, resulta na facilidade do 
desenvolver da matemática, como por exemplo, a soma de quantos reais precisam 
para comprar algumas balas, ou quantas balas precisam ser divididas para cada 
criança. Ao realizar algo que se sinta à vontade, a criança pratica a matemática sem 
ao menos perceber, mas ao se deparar com uma sala de aula, um caderno cheio de 
contas e um lápis, sentindo-se obrigada a resolver aqueles problemas, não 
consegue desenvolver seu raciocínio lógico-matemático com tanta facilidade quanto 
no momento em que estava rodeado de amigos. Quando o professor representa 
matematicamente os problemas que os alunos precisam resolver, surgirá um 
bloqueio, e a maioria não conseguirá desenvolver o necessário, porém se ao invés 
de apresentar esse problema de uma maneira tão formal, e apresentar através de 
uma linguagem mais informal e mais acessível aos alunos, o resultado será diferente 
e a maioria dos alunos atingirão o resultado almejado.13 
Campos (2015, p.37) nos orienta dizendo que o professor ao ministrar um 
jogo como uma metodologia aos alunos, deverá antes explicar o jogo, e só depois 
de finalizado demonstrar momentos e situações que a criança poderia ter se 
deparado em seu dia-a-dia, como por exemplo brincar de feirante, se mostrar ao 
aluno que no cotidiano dele, ele poderia ter realizado a mesma compra que ocorreu 
 
12 http://cibem7.semur.edu.uy/7/actas/pdfs/1307.pdf 
13 http://publicacoes.fcc.org.br/ojs/index.php/cp/article/view/1552/1551 
32 
 
ali no momento, auxiliará na compreensão de que a matemática está presente em 
muitos momentos de suas vidas, e isso fará com que o aluno sinta-se interessado, 
motivado e entusiasmado para ocorrer o processo de ensino aprendizagem. 
 
O jogo para ensinar Matemática deve cumprir o papel de auxiliar no 
ensino do conteúdo, propiciar a aquisição de habilidades, permitir o 
desenvolvimento operatório do sujeito e, mais, estar perfeitamente 
localizado no processo que leva a criança do conhecimento primeiro 
ao conhecimento elaborado. (MOURA)14 
 
Para Carraher, Carraher e Schliemann existem diversas formas lógicas e 
corretas de realizar um cálculo. O papel da escola é fornecer conteúdo para que o 
aluno consiga entender, compreender e aprender as operações matemáticas, como 
somar, subtrair, multiplicar e dividir, mas não obrigatoriamente, o aluno seguirá a 
linha de raciocínio que o professor lhe ensinou. Muitas vezes o aluno faz de uma 
outra maneira, priorizando a facilidade de resolver aquele problema, porém na 
maioria das vezes, o professor desconsidera o método utilizado pelo aluno para 
realizar a atividade, alegando estar incorreto, mesmo que o aluno tenha alcançado o 
resultado correto.13 
De acordo com Fiorentini e Miorin deve ser dado aos alunos, primordialmente, 
o direito de aprender, mas não aprender de uma maneira repetitiva e mecanizada, 
sem saber o porquê e para que estão aprendendo aquele conteúdo, mas um 
aprender que seja significativo e marcante, pois assim o aluno apresentará a 
vontade de participar desse aprendizado raciocinando, compreendendo e 
reelaborando o saber em conjunto com o professor e seu grupo de alunos. Para que 
ocorra esse processo, o professor deve escolher o material que trabalhará com seus 
alunos, porém nem sempre o material mais adequado para o projeto seja aquele 
mais bonito, ou mais atual, muitas vezes ao produzir o material com os próprios 
alunos, aquele aprendizado se tornará mais significativo e importante para seus 
alunos, facilitando a aprendizagem e o alcance dos objetivos impostos.11 
 
 
14 http://www.crmariocovas.sp.gov.br/pdf/ideias_10_p045-053_c.pdf 
11 http://www.drb-
assessoria.com.br/1UmareflexaosobreousodemateriaisconcretosejogosnoEnsinodaMatematica.pdf 
33 
 
O professor não pode subjugar sua metodologia de ensino a algum 
tipo de material porque ele é atraente ou lúdico. Nenhum material é 
válido por si só. Os materiais e seu emprego sempre devem estar em 
segundo plano. A simples introdução de jogos ou atividades no 
ensino da matemática não garante uma melhor aprendizagem desta 
disciplina.11 
 
Segundo Panizza (2006, p.22) a escola possui uma tradição de não enxergar 
a maneira que o aluno utiliza para aprender o conteúdo. Muitas vezes se o professor 
se concentrasse no aluno, compreendesse seu método e o aceitasse, poderia até 
mesmo auxiliar os demais alunos, porém a tradição escolar não permite essa 
atitude, pois é aconselhável utilizar apenas métodos e metodologias elaboradas por 
educadores. 
Campos (2015, p.37-39) diz que ao trabalhar com essa metodologia, surge 
costumeiramente a dúvida de qual tipo de jogo trabalhar (de regras, construção, 
motor, competitivo, estratégico, entre outros), e a autora afirma que todos os tipos de 
jogos podem ser aproveitados e serem muito eficientes, mas para isso ocorrer o 
professor necessita encontrar e demonstrar coerência nessa metodologia, dando 
sentido e significado a tal conteúdo. A proposta de se trabalhar utilizando jogos no 
ensino da matemática é avançar das metodologias tradicionais e ultrapassadas, 
baseadas apenas na memorização de fórmulas. Os alunos de hoje em dia precisam 
de desafios, atividades diversificadas, para que analisem e questionem o conteúdo 
recebido, para que consiga relacioná-lo com sua vida e sua cultura. 
 
O principal objetivo de usar jogos em sala de aula é estimular a 
imaginação, o raciocínio lógico e atingir outros objetivos, como 
educar, instruir, desenvolver a inteligência, ser um dos instrumentos 
para tentar entender o que se passa com os alunos no campo 
pessoal e, desta forma, trabalhar toda a parte biopsicossocial do 
aluno. (CAMPOS, 2008, p, 51) 
 
Demonstraremos algumas propostas para se utilizar em sala aula. Para assim 
auxiliar o aluno discalcúlico, por meio de sua própria cultura e seu dia-a-dia. 
 
11 http://www.drb-
assessoria.com.br/1UmareflexaosobreousodemateriaisconcretosejogosnoEnsinodaMatematica.pdf 
 
34 
 
As autoras Silva e Kodama (2004, p.11) orientam alguns tipos de jogos, 
como: um jogo chamado Xadrez Chinês, que se for observar pode-se abrangir a 
cultura dos orientais. 
 
 Xadrez Chinês 
 
Objetivo: mover todos os peões de um lado ao outro do tabuleiro. 
Regras: 
1) Cada participar deve posicionar seus peões na cor de base escolhida, como 
na figura abaixo: 
 
 FONTE: http://www.bienasbm.ufba.br/OF11.pdf 
2) Só poderá mover um peão por vez, por qualquer linha próxima 
3) Se a casa próxima estiver ocupada por um peão de sua cor ou da cor do 
adversário e a casa seguinte estiver vazia, o peão poderá pular a casa 
ocupada. 
4) O primeiro jogador que atravessar o tabuleiro é o vencedor. 
 
As autoras orientam que ao decorrer do jogo, o professor que estiver 
supervisionando tente capturar situações para poder discutir com os alunos ao 
término do jogo. Sempre observando noções de espaço da criança, explorações e 
possíveis tentativas de ataque, entre outras. 
35 
 
 
Campos (2015, p.52) demonstra algumas técnicas para auxiliar os alunos a 
assimilarem com mais facilidade os números. 
 
 Usando os dedo 
 
Essa metodologia auxilia o aluno a associar a contagem dos números com seus 
próprios dedos. “Comece por mostrar até o número cinco e enumerar gradualmente 
para que o sujeito perceba a relação de sistema base dez com os dez dedos. ”, 
como na imagem a baixo: 
 
FONTE: CAMPOS (2008, p.53) 
 
Campos (2015, p. 54) também demonstra a metodologia abaixopara auxiliar 
alunos discalcúlicos ou com algumas dificuldades de aprendizagem 
 
 Material Dourado 
 
O Material Dourado é composto por barras com 100 casas, barras com 10 casas 
e casas soltas (centenas, dezenas e unidades, respectivamente). Ao utilizar esse 
material, pode-se demonstrar ao aluno o conceito de retirar, subtrair, ou até mesmo 
somar. Depois de compreender estes conceitos, o próprio aluno se sentirá seguro 
para deixar esse auxílio de lado e passar a utilizar o cálculo mental. 
 
36 
 
 
FONTE: http://www.edupp.com.br/2015/05/aplicacao-do-material-dourado-montessoriano-em-sala-de-aula/ 
Barretos (2002) representa algumas metodologias para trabalhar em sala de 
aula.15 
 A Batalha 
O jogo deve ser jogado com no mínimo 2 pessoas, porém se quiser jogar com 
mais alunos também é permitido. O material utilizado para o jogo é um baralho. 
Objetivo do jogo é fazer com que os jogadores pensem qual o número é 
maior, e com isso acontecer o aprendizado de menor e maior. 
O jogo começa com cada jogador uma carta, ao virar a carta, o jogador que 
pegar a carta mais alta, fica com as cartas do adversário. Vence quem tiver o maior 
número de cartas. 
Observação: se as cartas sorteadas forem de um valor igual, devem retirar 
mais duas cartas e a maior vence. 
Barretos (2002) também mostra uma técnica para trabalhar em relação as 
formas geométricas.15 
 Palitos 
Esse jogo é jogado individualmente, composto por um tabuleiro e 16 palitos. 
 O objetivo do jogo é que a criança forme três quadrados com apenas o 
movimento de quatro palitos. 
 O jogo se inicia com os dezesseis palitos no tabuleiro formando cinco 
quadrados (como na representação abaixo), e o aluno deve movimentar apenas 
 
15 http://biblioteca.unilasalle.edu.br/docs_online/tcc/graduacao/matematica/2012/abbarreto.pdf 
37 
 
quatro palitos e alcançar os desejados três quadrados. 
 
FONTE: http://biblioteca.unilasalle.edu.br/docs_online/tcc/graduacao/matematica/2012/abbarreto.pdf 
 
Leal (2012) apresenta um jogo que muitas crianças conhecem, a Batalha 
Naval, porém voltado para a Matemática, na área da multiplicação, que é a:16 
 
 Batalha da Multiplicação 
1. Um jogador fica com as fichas que tiverem o fundo vermelho e outro com a 
que tiver o fundo branco; 
2. Antes de começar o jogo é preciso definir quantas fichas cada participante 
deverá usar (10, 20 ou 30 fichas para cada integrante); 
3. No próximo passo, os jogadores dividem suas fichas nas cartelas da maneira 
que preferir, mas o importante é não deixar o adversário ver seu jogo; 
4. O primeiro jogador, escolhe um número de 1 à 7 e uma letra de A à J, por 
exemplo G1; 
5. O segundo jogador deve, verificar se em sua cartela, no local G1 encontra-se 
uma ficha. Se houver, ele diz qual é o número para que o jogador que 
arriscou o palpite efetue a multiplicação correspondente. Por exemplo: se em 
G1 estiver escrito na ficha o número 12, ele deve dizer 6 x 2 ou 4 x 3; 
6. Caso a resposta da multiplicação esteja correta, o jogador pega a ficha para 
si, mas se estiver incorreta o adversário continua com sua ficha; 
 
16 http://rei.biblioteca.ufpb.br/jspui/bitstream/123456789/199/1/MCCL15042013.pdf 
38 
 
7. Vence quem obter o maior número de fichas. 
 
FONTE: http://educador.brasilescola.uol.com.br/estrategias-ensino/batalha-naval.htm 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
3. Discussão de resultados 
39 
 
Segundo Piaget (2005) o desenvolvimento do pensamento matemático nos 
alunos pode ocorrer até mesmo quando o aluno não sabe que está em um momento 
de aprendizado, através de conteúdos que envolvem o cotidiano do mesmo. 
Percebe-se que o aluno aprende e compreende com mais facilidade quando não 
possui a pressão e responsabilidade do aprendizado. Muitas vezes, quando o 
aprendizado ocorre desta forma, ou seja, por vontade própria, o aprendizado torna-
se para a vida inteira, pois será algo significativo, do interesse e prazer do aluno. 
Matos (2008) diz que para o aluno construir o pensamento lógico matemático 
possuem objetos essenciais para auxiliar nesse processo. 
Existem professores que ao invés de trabalhar com a afetividade e com o prazer da 
criança no momento da aprendizagem, é trabalhado com a pressão de compreender 
o conteúdo (por meio de metodologias repetitivas e desinteressantes ao aluno), e 
isso resulta no desinteresse e até mesmo na repulsa pelo processo de ensino 
aprendizagem da matemática. 
Matos (2008) também nos alerta que as emoções facilitam a autoconfiança, e 
com isso o aluno aprende com mais entusiasmo. 
É importante ressaltar que o aluno desenvolve com mais facilidade quando trabalha 
junto com seu cotidiano, com objetivos e temas costumeiros, e principalmente 
quando envolve a emoção nesse processo 
Segundo o PCN (1997), ao mesmo tempo que o papel do aluno perante a 
aprendizagem se modifica, é necessário que o papel do professor modique junto. 
Para que o professor consiga transmitir seus conhecimentos ao aluno é preciso 
metodologias atualizadas, para que consiga captar a atenção e o interesse do aluno. 
Também pode-se considerar importante a interdisciplinaridade, para que o professor 
consiga demonstrar ao aluno que não existe apenas uma disciplina ou conteúdo 
importante, mas que todos se completam. 
Campos (2014) afirma que o papel da escola é demonstrar ao aluno algumas 
de suas habilidades e também auxiliá-lo em suas inabilidades. 
40 
 
Esse papel não é principalmente a escola que deveria exercer, mas sim o professor, 
pois encontra-se presente com o aluno a maioria do tempo, e consegue enxergar 
melhor suas habilidades e inabilidades. 
A autora também demonstra que para ser professor é preciso competência e 
habilidade para lidar com pessoas. 
O professor precisa primeiramente de uma sensibilidade aguçada, pois inúmeras 
vezes precisará captar problemas, assuntos e até mesmo dificuldades em que os 
alunos não gostariam de mencionar. 
Matos (2008) alerta que as emoções facilitam a autoconfiança, e com isso o 
aluno aprende com entusiasmo. 
É importante ressaltar que o aluno desenvolve com mais facilidade quando trabalha 
junto com seu cotidiano, com objetivos e temas costumeiros, e principalmente 
quando envolve a emoção no processo ensino aprendizagem. 
 Villar afirma que muitas vezes as dificuldades de aprendizagem que os alunos 
apresentam estão relacionadas a motivação do aluno. 
O aluno quando bem motivado alcança resultados muitas vezes inimagináveis, 
porém quando o aluno não é motivado, muitas vezes acaba retrocedendo em seu 
processo de aprendizagem. Quando os alunos são apenas repreendidos, resulta em 
uma desmotivação por parte da criança, por isso é preciso constantemente lembrar 
aos alunos atitudes boas que realizam, por menores que sejam, pois assim, sentirão 
que são capazes de realizar até o que os professores acreditam ser difícil para tal 
faixa etária. 
 Campos (2014) lembra que o aluno discalcúlico apresenta dificuldade apenas 
na disciplina de Matemática, como na contagem de tempo, medidas, resolução de 
problemas, entre outros. 
É comum na sociedade de hoje em dia, que ao se deparar com uma pessoa com 
algum distúrbio, deficiência, ou qualquer outro tipo de problema que o desqualifique 
da zona “normal” que a sociedade estipulou, seja rotulado como alguém incapaz de 
realizar inúmeras funções, sendo que na maioria das vezes o indivíduo possui a 
capacidade de viver independente. 
41 
 
 Nesse quesito, pode-se observar que Villar e Campos (2014) concordam coma situações, pois como dito antes Campos demonstra que o aluno discalcúlico 
possui a capacidade de praticar diversas outras atividades. Villar também demonstra 
que o discalcúlico mesmo possuindo a dificuldade que a Discalculia apresenta, pode 
desenvolver habilidades para as outras disciplinas escolares. 
 Campos (2014) nos diz que a Discalculia só pode ser diagnosticada a partir 
das séries iniciais, ou seja, quando os alunos deparam-se com problemas e 
situações matemáticas. 
Embora a Discalculia só possa ser diagnosticada nas séries iniciais, é importante 
estar atentos as dificuldades das crianças, pois desde pequenos já podem 
apresentar a dificuldade com símbolos, uma característica da Discalculia. 
 Guerdes nos diz que a Etnomatemática veio para revolucionar a matemática 
inserindo a cultura como base da matemática. 
Desde o início, a matemática foi considerada como única, sem precisar se basear 
em nada. Depois de muito tempo, a Etnomatemática veio revolucionando os 
conceitos já conhecidos, mostrando que se usar a cultura como base matemática, 
poderá facilitar a compreensão e o aprendiza do educando. 
Knijnik (1996) demonstra que embora a matemática seja considerada 
universal, a Etnomatemática não pode se considerar nessa categoria, pois a 
Etnomatemática depende cada cultura, que é modificada a cada lugar. 
Se a matemática se basear na Etnomatemática não poderá ser considerada mais 
como universal, pois seu ensino modificará a cada cultura, porém isso pode ser 
considerado como uma aspecto positivo, pois a criança ao aprender com sua 
cultura, terá um aprendizado significativo e muitas vezes com uma maior facilidade. 
 Ribeiro, Domite e Ferreira (2006) dizem que a Etnomatemática está 
estabelecendo uma linha de pesquisa que questiona o universalismo da matemática 
e também para realçar e renovar os conceitos da educação matemática, para que 
essa área da ciência também seja voltada a valorização das culturas. 
Knijnik (1996) e Ribeiro, Domite e Ferreira concordam que é preciso revolucionar a 
universalidade da matemática para poder renovar as metodologias utilizadas hoje 
42 
 
em dia. 
 Costa, Tenório e Tenório afirmam que ao ser estuda a prática pedagógica da 
Etnomatemática percebeu-se que o ensino da matemática precisa ser renovado. 
A matemática, como dito anteriormente, manteve-se única por diversos anos, sem 
mudança alguma, porém, os alunos modificaram-se, evoluíram, e muitas 
metodologias utilizadas hoje pelos educadores não auxiliam os educandos em seus 
aprendizados, por isso muitos apresentam dificuldades no aprendizado. É preciso 
modificar e evoluir também as metodologias utilizadas pelos educadores. 
 Alexandrina diz que para se trabalhar com a Etnomatemática é preciso um 
trabalho em equipe, não apenas dos professores, mas de toda a escola, pois para 
que ocorra esse processo, é necessário que esteja implantado no Projeto Político 
Pedagógico da escola. 
Por mais que o professor esteja disposto a renovar suas metodologias utilizando a 
Etnomatemática, sem a ajuda da escola, não conseguirá concluir seu trabalho. Para 
que esse processo de renovação ocorra, é importante que haja um trabalho em 
conjunto, não apenas da escola ou do professor, mas também dos pais e até mesmo 
do próprio educando. 
 D’Ambrosio (1998) compara a Etnomatemática e a Matemática com a língua 
oral e a língua escrita (respectivamente), pois a língua oral se baseia na língua 
escrita, em que a criança carrega em sua bagagem. 
Nessa comparação pode-se ver que a Etnomatemática se baseia nos conceitos da 
Matemática, porém para que o aluno compreenda a matemática com mais facilidade 
pode-se utilizar metodologias baseadas na Etnomatemática, pois embora a língua 
oral se baseie na língua escrita, muitas vezes pode-se compreender melhor com a 
utilização da língua oral, ou seja, nesse caso da Etnomatemática. 
 Como D’Ambrosio (1998), Vergani (2007) também transforma a matemática 
em uma linguagem. Ao dizer que os alunos são incentivados ao bilinguismo hoje em 
dia, pode-se incentivá-los com a linguagem verbalizada e a linguagem 
matematizada, pois assim o aluno entenderá e compreenderá mais facilmente os 
dizeres da matemática. 
43 
 
Muitas vezes o aluno sente dificuldade para compreender o que a matemática pede, 
e com o incentivo da linguagem matematizada, o aluno terá constantemente a 
facilidade de interpretar a matemática. 
 Ribeiro, Domite e Ferreira (2006) apresentam a dificuldade que os 
professores da escola pública de hoje em dia enfrentam, pois a cada dia sentem 
mais dificuldade em apresentar métodos e metodologias novas para conseguirem 
renovar o aprendizado de seus alunos. Possuem a dificuldade de passar os 
conteúdos pois possuem em suas salas em média de 40 a 50 alunos e são 
obrigados a utilizar metodologias ultrapassadas, pois as novas apresentadas não 
são aceitas por superiores. 
Como os professores possuem muitos alunos na mesma sala e não podem tomar 
uma atitude em relação a metodologias utilizadas, resulta no mau aprendizado de 
seus alunos. 
 Campos (2015) alerta que a criança quando não tem sucesso no processo de 
aprendizagem da matemática, resulta na dificuldade de se expressar e até mesmo 
conversar com outros. 
Não pode-se considerar que isso ocorra apenas no aprendizado da matemática, 
mas também com todas as disciplinas e aprendizados. A criança quando não 
alcança com êxito o processo de aprendizagem, se sente incapaz, pois esse é um 
dos maiores objetivos de uma criança na idade escolar. 
 Silvia e Kodama (2004) dizem que a teoria de Piaget demonstra que a 
competição entre as crianças nos jogos estimula seu desenvolvimento, começando 
com o egocentrismo e vai até as habilidades em descentrar e coordenar pontos de 
vistas. 
O jogo é uma metodologia muito importante e produtiva para os alunos, mas os 
professores não a utilizam com tanta frequência. Os jogos tornam o aprendizado 
mais prazeroso, por isso, muitas vezes, fazem o aprendizado ser mais significativo 
do que quando os alunos aprendem por meio de livros. 
 Carraher, Carraher e Schliemann dizem que o professor tem como função 
fornecer ao aluno o conteúdo, para que o aluno aprenda e compreenda as 
44 
 
operações matemáticas, mas ressaltam que nem sempre o aluno realizará as 
operações matemáticas da forma ensinada. 
O aluno quando compreende o conteúdo transmitido pelo professor, tentará realizá-
lo da maneira ensinada, porém após de algum tempo transforma esse conteúdo 
para forma mais simplificada ou para a mais prática para si mesmo, ou seja, 
realizará de sua maneira. Mesmo que o aluno não realize do jeito ensino pelo 
professor, não significa que esteja errado, o importante é se o aluno aprendeu e 
compreendeu o conteúdo. 
 Campos (2015) demonstra que independentemente do tipo de jogo que será 
utilizado, seja de regras, construção, motor, entre outros, serão eficientes e 
proveitos, basta o professor encontrar e demonstrar coerência nessa metodologia. 
O professor pode utilizar qualquer tipo de jogo em sua sala de aula, mas é preciso 
relaciona-lo com algum conteúdo didático, pois se não houver conteúdo por trás do 
jogo não haverá significado. 
É importante saber relacionar qualquer tipo de metodologia com o conteúdo, 
seja um jogo, uma brincadeira, um vídeo, ou qualquer outra, a metodologia é 
utilizada apenas para intervir e transmitir o principal, que é o conteúdo didático. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
45 
 
4. Considerações Finais 
Metodologias de ensino foram estudadas com base na Etnomatmática para que 
possam ajudar alunos discalcúlicos em seu distúrbio de aprendizagem. Essas 
metodologias possuem o intuito de tornaro processo de ensino aprendizagem 
lúdico, resultando em um aprendizado significativo para o aluno. 
O estudo da Discalculia ajudou a entender o que é esse distúrbio, como pode-se 
ajudar, quais suas maiores dificuldades, grau de dificuldade e o porquê. Já o estudo 
da Etnomatemática ajudou a entender esse novo projeto de pesquisa e também 
associá-lo a algumas metodologias de ensino para auxiliar no aprendizado dos 
alunos discalcúlicos. Com a Etnomatemática pode-se inovar no processo de ensino 
da matemática, basta encontrar métodos e metodologias possíveis para tal atitude. 
Para auxiliar alunos discalcúlicos é preciso modificar as metodologias e estratégias 
utilizadas hoje em dia em sala de aula, e para isso os educadores podem se basear 
na Etnomatemática, que abrange não apenas a matemática, mas também a cultura 
do aluno, resultando na facilidade da elaboração de práticas pedagógicas para se 
trabalhar com o mesmo. 
A hipótese deste trabalho foi confirmada, pois a metodologia utilizada pelo professor 
pode influenciar no aprendizado do aluno. Com metodologias ultrapassadas, o 
professor sentirá mais dificuldade em transmitir seu conhecimento, mas ao invés de 
reconhecer que o problema está no professor, rotulam o aluno com dificuldades de 
aprendizagem. É preciso estar inovando no processo de ensino, assim como os 
alunos encontram-se em constante evolução. 
A Etnomatemática é pouco usada hoje em dia, ainda está sendo avaliada como um 
projeto de pesquisa, porém na teoria, pode-se encontrar ideologias inovadoras para 
o ensino da matemática, que encontra-se ultrapassado, e os alunos com dificuldade 
nesse aprendizado. É importante investir nesse método que veio para revolucionar a 
matemática. 
 
 
 
46 
 
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