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1 FACULDADE DE ENFERMAGEM Departamento de Enfermagem Básica - EBA Disciplina: Fundamentos de Enfermagem II COMUNICAÇÃO E RELAÇÕES HUMANAS NO TRABALHO DE ENFERMAGEM Profª Drª Beatriz F. Farah 1. Contextualização Muitos conflitos gerados nos ambientes de trabalho são decorrentes da falta de interação entre os indivíduos e a falata de comunicação no cotidiano do trabalho. No trabalho em saúde o modo de operar os serviços de saúde é definido como um processo de produção do cuidado. Para Merhy (1995) torna-se um serviço peculiar, fundado numa intensa relação interpessoal, dependente do estabelecimento de vínculo entre os envolvidos para a eficácia do ato. Ainda segundo o mesmo autor, os serviços produzidos no setor saúde se concretizam pelo encontro entre quem produz e quem recebe, ou seja, a produção é singular e se dá no próprio ato. Portanto, a necessidade de trocar informações no desenvolvimento do trabalho é essencial na saúde para cooperar na melhor assistência ao indivíduo, família e comunidade, contribuindo dessa forma com o trabalho em equipe, permitindo o relacionamento entre os indivíduos. Esta relação acaba sendo imprescindível para a organização do processo de trabalho, pois, o relacionamento interpessoal é, sem sombra de dúvida, um dos fatores que influenciam no dia-a-dia e no desempenho de um grupo, cujo resultado depende de parcerias internas para obter melhores ganhos. É esperado que as equipes de saúde e no nosso caso específico, equipe de enfermagem, estejam afinadas com os objetivos traçados pelas mesmas e com a missão dos serviços de saúde, pois caso isso não ocorra podem prejudicar o desempenho de toda a equipe, interferindo nos resultados esperados impactando inclusive no clima organizacional do serviço. É importante saber conviver com as pessoas, até mesmo por ser o cenário da saúde muito dinâmico obrigando uma intensa interação com os outros, inclusive com as mudanças que ocorrem no contexto socioeconômico-político e cultural ou até mesmo diante de troca de lideranças. A comunicação e o dialogo tornam-se ferramentas fundamentais para a boa relação interpessoal e para o bom desempenho da equipe. Os problemas de relacionamento às vezes não são visíveis, ficam mascarados e embutidos intrinsecamente em cada um dos trabalhadores, e às vezes, só podem ser percebidos por meio de ações, do comportamento e no modo de agir com os outros membros da equipe (SILVA, 2008). A contribuição entre os membros das equipes é fundamental para se atingir as metas determinadas pelas equipes. Algumas considerações realizadas por Silva (2008) para o relacionamento interpessoal de ambientes organizacionais de empresas se adequam a saúde (grifo da autora): saber lidar com a diversidade existente no serviço de saúde, respeitar as diferenças e as particularidades de cada um; conquistar o apoio dos profissionais Trabalhar em equipe, ninguém trabalha sozinho (SILVA, 2008, adaptado por FARAH, 2010). 2 A forma de conduta dos gestores e gerentes de equipes está relacionada ao estilo de gestão e consequentemente das ações desenvolvidas decorrentes do modelo, e podem influenciar no desempenho dos liderados. Assim, o gestor terá que dar o exemplo para os demais, saber como falar com seus colaboradores, pois a maneira com que irá tratá-los poderá refletir no relacionamento entre a gerência x trabalhador e, conseqüentemente, nas metas e objetivos do trabalho em equipe (adaptado de SILVA, 2008). Silva (2008) relata alguns problemas que podem ocorrer com profissionais que assumem liderança e que interfere nas interelações: não conseguem lidar com pessoas adversas e com opiniões diferentes da sua, deixam se levar por uma impressão negativa sem ao menos procurar compreendê-las e conhecê-las mais detalhadamente. O mesmo autor cita também que ―um dos vilões que pode prejudicar o relacionamento entre os membros de uma equipe é o mau humor‖ (SILVA, 2008, p. 2); as pessoas (mal humoradas) geralmente se isolam das demais impedindo que seus colegas se aproximem para pedir algum tipo de ajuda, ou até mesmo para conversas sobre amenidades. Esta situação pode impactar o seu próprio desempenho de suas tarefas e nas da equipe, comprometendo a assistência, à saúde dos indivíduos, porque ela evitará a sua exposição e nem sempre poderá contar com alguém para auxiliá-la. Deixará de ouvir opiniões diferentes e de compartilhar com os demais membros da equipe alternativas e tomada de decisões. Na maioria das vezes, o trabalho será realizado pelo profissional de maneira individualizada, contrariando a lógica do serviço de saúde que é coletivo. Quando se enfrenta problemas de relacionamento, a gerência da equipe de saúde, o enfermeiro, tem a missão de sanar a dificuldade o quanto antes para não comprometer o clima de trabalho. É necessário que se tome medidas imediatas a fim de identificar as causas, para minimizar o efeito que este fator pode gerar, bem como sensibilizar os membros da equipe para que eles não deixem que essa variável prejudique o desenvolvimento das tarefas, resultando em queda na qualidade do atendimento e na produtividade. O gerente tem o papel de dar apoio, feedbacks com profissionais da equipe, evitando problemas que possam ocorrer futuramente na equipe. É necessário ressaltar que essa tarefa não depende somente do gerente: todos terão que estar envolvidos nesse processo. Os profissionais da equipe também têm um papel importante para a construção de um ambiente saudável, pois depende de suas condutas e atitudes para acabar com problemas desse tipo. O papel do gerente, do coordenador da equipe ou do enfermeiro no processo é de extrema importância, pois é de sua responsabilidade: administrar os conflitos existentes entre as pessoas da equipe, fazer com que o clima interno seja agradável, permitindo um ambiente sinérgico prevalecer a união e a cooperação entre todos. Para manter um clima um, ambiente favorável e sem manifestação de atritos, é necessário que as pessoas deixem de agir de forma individualizada e passem a interagir como uma equipe, promovendo relações amigáveis e fazendo com que cada um procure cooperar com o outro, mas, para isso, é preciso que cada um faça a sua parte, pois se todos não estiverem dispostos a contribuir, não iremos chegar a lugar algum (SILVA, 2008). 3 2. A Comunicação 2.2. Tipos: Comunicação Verbal: é aquela que utiliza palavras. Inclui o falar, ler, escrever. A capacidade de comunicar-se pode ser afetada por: pela falta de atenção pela compatibilidade da linguagem por habilidades verbais pela acuidade visual e auditiva por funções motoras que envolvem garganta, língua e dentes por ruídos e atividades que distraiam por atitudes interpessoais pelo grau de alfabetização por semelhanças culturais Comunicação não-verbal: é a troca de informações sem o uso de palavras. É aquilo que não é dito. Uma pessoa exerce menos controle sobre a comunicação não-verbal do que sobre a verbal. Tipos: Cinestesia: linguagem corporal ou aquela técnicas não verbais coletivas como: expressões faciais, postura, gestos e movimentos corporais. Ainda pode se acrescentar: estilo de vestir, uso de acessórios que afetam também o contexto da comunicação. Paralinguagem: sons emitidos pela boca que não constituem palavras, embora comuniquem uma mensagem. Ex. Suspiro, estalar de língua, assobiar, inflexões de voz, o volume, a altura e a velocidade. Chorar, rir e gemer. Proxemia: é o uso e a relação do espaço para a comunicação. A compreensão daamplitude da zona de bem-estar de alguém auxilia o enfermeiro a perceber a maneira como a relação espacial afeta a comunicação não-verbal. Toque: é o estímulo táctil, feito com o objetivo de contato pessoal com outra pessoa ou com objeto. Durante os cuidados com o paciente, o toque pode ser associado à tarefa ou ao afetivo, ou às duas situações. O toque associado à tarefa envolve o contato pessoal necessário durante os procedimentos de enfermagem. O toque afetivo é utilizado para demonstrar preocupação ou afetividade, deve ser utilizado com cautela, mesmo que sua intenção seja a de comunicar preocupação e apoio (TIMBY, 2001). Alguns elementos que podem contribuir para dificultar ou impedir a comunicação: (TAKAHASHI, 1991) Bloqueio – quando a mensagem não é captada o que pode acontecer por desconhecimento da mensagem, dificuldade na expressão, influências culturais, psicológicas ou sociais; Filtragens – quando a comunicação ocorre parcialmente o que pode acontecer quando o receptor não aceita a mensagem inteiramente, ouvindo e recebendo apenas o que lhe interessa; 2.1. Definição: ―Comunicação é uma troca de informações que envolve o envio e a recepção de mensagens entre dois ou mais indivíduos. É seguida de feedback indicativo de que a informação foi entendida ou requer mais esclarecimentos‖ (TIMBY,2001). 4 Ruído – quando na transmissão de uma mensagem esta sofre distorções; Efeito do Halo – quando há interferência na aceitação ou não da mensagem devido à supervalorização ou descrença em quem esta emitindo a mensagem; Emoção – as condições emocionais de quem emite e recebe a mensagem, também podem interferir na captação e compreensão correta da informação. A comunicação enfermeiro-paciente é denominada comunicação terapêutica, porque tem a finalidade de identificar e atender as necessidades de saúde do paciente e contribuir para melhorar à prática de enfermagem, ao criar oportunidades de aprendizagem e despertar nos pacientes sentimentos de confiança (STEFANELLI, 2005). Espera-se que toda atuação da enfermagem deva ocorrer de maneira compreensiva, privilegiando o paciente como centro da assistência. A importância de uma visão holística do enfermeiro sobre o paciente e acerca do cuidado e do emprego da comunicação terapêutica deve buscar constantemente a humanização da assistência combinada aos ganhos tecnológicos na área da saúde. A comunicação é essencial para se instituir a assistência de enfermagem humanizada e promover o relacionamento interpessoal. A interação é à base desse processo (BERTONE et al., 2007). A comunicação é vista na enfermagem como um instrumento básico (HORTA, 1979), mas também como uma competência da enfermeira e uma habilidade a ser desenvolvida (SUNDEEN, 1985; STEFANELLI, 1993) através do aprendizado da teoria da comunicação, técnicas e medidas terapêuticas de enfermagem (STEFANELLI, 1993; SADALA, 1992). Na enfermagem ela torna-se importante em todo o processo de cuidado, pois envolve as relações estabelecidas entre paciente e enfermeiro. O cuidado envolve necessidades bio-psico-sócio-espirituais e afetivas e está diretamente relacionado ao processo de comunicação entre o enfermeiro–cliente. Para haver o cuidado eficaz, ambos os sujeitos precisam compreender os sinais que determinam as relações interpessoais, seja pelos gestos, expressões ou palavras (SIQUEIRA et al., 2006). Para Lucena e Goes (1999), a comunicação na área da saúde é uma estratégia de uso constante no cotidiano do enfermeiro. Quando a comunicação faz parte do dia a dia do trabalho do enfermeiro, o paciente passa a vê-lo como uma pessoa capaz de ajudá-lo em todos os momentos, além do que, isto irá possibilitar uma recuperação mais rápida para o paciente. A relação de modo humanizado entre profissionais de saúde e pessoas que buscam atenção à saúde deve expressar o trabalho vivo em ato, sendo considerado por Merhy como um trabalho criador, no qual se efetiva como processos de produção de relações intercessoras estabelecidas no encontro entre aqueles. Neste encontro, transpõem-se os saberes tecnológicos estruturados e incorporam-se o acolhimento e o vínculo. Para uma comunicação efetiva o enfermeiro deve, conhecer os mecanismos de comunicação que podem contribuir para o seu melhor desempenho junto à equipe de trabalho, e para um melhor relacionamento entre os componentes da equipe. Sugere-se que no processo de comunicação possamos: Exercitar a validação das mensagens como uma forma de evitarmos mal-entendidos, Ter a consciência de que enviar e receber mensagens depende de nossa atitude, 5 Compreender que nossas mensagens são interpretadas também pelo modo como nos comportamos, Saber que toda comunicação é composta pelo conteúdo em si (fato ou informação) e pelos sentimentos envolvidos no processo (o que você quer comunicar e como se sente a respeito desse fato) (SILVA, 1996). A comunicação é um processo imprescindível na administração, uma vez que possibilita que as ações sejam coordenadas de modo que minimize as diferenças de compreensão e de percepções, contribuindo para a aproximação das pessoas (SILVA, 1996). Nas organizações, nas relações de trabalho, a comunicação pode ocorrer de forma ascendente, ou seja, dos subordinados para os superiores, ou de forma descendente, dos superiores para os subordinados; mas o importante é que ela ocorra sempre. Portanto, é importante compreender que ―nas relações de trabalho, como em todas as relações, não existe comunicação verbal sem a não-verbal. Para podermos nos comunicar mais eficazmente, devemos falar ‗com‘ alguém em vez de ‗para‘, lembrando que o real significado das mensagens se dá pela soma das expressões verbais e não-verbais, e que para conseguir desenvolver uma atitude de aceitação por outra pessoa, em primeiro lugar, é preciso aceitar-se como pessoa, compreendendo as próprias forças e fraquezas. Nós podemos errar, mas precisamos reconhecer e aprender com esses erros‖ (GRECO, 2014 apud SILVA, 1996). Dicas para ajudar a desenvolver uma boa comunicação nas relações de trabalho: 1. ―Conhecer a si próprio, suas características e necessidades; 2. Ser sensível às necessidades dos outros; 3. Acreditar na capacidade de relato das pessoas; 4. Reconhecer sintomas de ansiedade em si e no outro; 5. Observar o seu próprio não-verbal; 6. Usar as palavras cuidadosamente; 7. Reconhecer as diferenças... ... e tratar os outros com o mesmo carinho e respeito que gostaria que fossem dispensados a você.‖ (GRECO, 2014 apud SILVA, 1996). 3. Trabalho em equipe Segundo concepção de Piancastelli, Faria e Silveira (2000), trabalho em equipe consiste em um conjunto de pessoas com habilidades complementares, comprometidas umas com as outras pela missão comum (obtidas pela negociação entre os atores sociais envolvidos) e um plano de trabalho bem definido. É entendido, então, como um trabalho coletivo que se contrapõe ao modo independente e isolado com que os profissionais em saúde, usualmente executam seu trabalho no cotidiano em serviços. Fortuna et al (2002) esse trabalho é maior que a soma das parcelas de trabalho de cada um, envolve saberes que devem ser compartilhados para o desenvolvimento articulado desse trabalho coletivo. Almeida (2001) complementa esta idéia de trabalho em equipe, no sentido de relacionar o termo trabalho com interação, pois, segundo a autora, é por meio de linguagem, ou seja, da comunicação que se dá a articulação das intervenções técnicas. Existe uma diversidade de conhecimento e de habilidades entre os membros que se complementam e enriquecem o trabalho como um todo. Articulação das ações, na equipe, significa colocar em evidênciaas conexões existentes entre as várias intervenções realizadas. Já a interação dos membros de uma equipe multidisciplinar significa estabelecer uma modalidade de comunicação-linguagem comum – que busca não só o entendimento, como também o reconhecimento mútuo. Nesse sentido, almeja-se a formação de um agrupamento de agentes capazes de interagir e promover a articulação das ações. O trabalho de equipe é também uma estratégia para a recomposição do trabalho em saúde numa outra direção que não essa já conhecida (em cima da queixa do usuário) (FORTUNA et al, 2002. p.2). Trabalho em equipe envolve uma produção prestar assistência à saúde 6 O fato de existir um conjunto de trabalhadores contratados para trabalhar em equipe e aparentemente com um objetivo comum, não quer dizer que temos o desenvolvimento do trabalho em equipe. Trabalho Relações entre pessoas em equipe Interações objetivo mudança Vai se constituindo de modelo Prestar assistência de qualidade autonomia /transformação saúde Fonte: Fortuna et al., 2002. Adaptado por Farah A equipe deve construir a sua forma de entender suas relações, suas ações e as demandas que se apresentam no serviço trazido pelos usuários. Essas demandas segundo Martin (1990) geram angústias nos trabalhadores, pois ultrapassam a ordem para qual fomos preparados, a ordem do biológico, do corpo, das partes. São muitas vezes demandas que solicitam apoio, soluções e escuta diferente. Trabalho em saúde fazer > que a soma das saber e em enfermagem conjunto parcelas do trabalho uma história de cada um de vida formação espec. articulados Plano de atendimento as pessoas, família e comunidade. Plano gerencial em enfermagem trabalho coletivo sentar cada trabalhador reunir saber, formação discutir Como dividir tarefas sem perder o todo? responsabilização acolhimento cidadania Fonte: Fortuna et al., 2002. Adaptado por Farah O trabalho em saúde e na enfermagem tem um fazer conjunto que precisa ser maior do que a soma das parcelas do trabalho de cada um dessa equipe (FORTUNA et al., 2002). 7 Trabalho em equipe Objetivos Visíveis invisíveis implícitos Atender diferentes motivos, afeto, vínculo estabelecidos diferentes maneiras entre os trabalhadores Fonte: Fortuna et al., 2002. Adaptado por Farah Numa equipe também são colocados os objetivos individuais que também podem estar diferentes e serem desconhecidos para os demais membros. Por isso, a necessidade de conversar e saber quais são os objetivos de cada um. Tanto os objetivos individuais como aqueles que são do grupo, vão se modificando ao longo do tempo e por isso as equipes precisam estar conversando a respeito deles, procurando adaptá-los ou os modificando. Não podemos negar a existência da evolução das tecnologias, das necessidades de saúde, da comunidade etc. Para o trabalho de equipe faz-se necessário à atualização dentro de nós, desse outro (membros da equipe) e da imagem que dele fazemos, (reunir, conversar, conhecer). São essas pessoas que com o seu fazer, seu modo de agir, e pensar que no dia a dia vão construindo um jeito de trabalhar em saúde e na enfermagem. O jeito de trabalhar e a forma como o trabalhador está organizado influencia as relações da equipe de trabalho. O contrário também é verdadeiro: as relações influenciam o jeito de trabalhar. Jeito de trabalhar: Forma com que o trabalho está organizado influencia nas relações da equipe Pode-se inferir que as relações com pouco vínculo ou com vínculos desatualizados, entre os membros de uma equipe, provocam insatisfação e talvez desentendimentos freqüentes que nem sempre são resolvidos e explicitados (FORTUNA et al., 2002). Nas equipes onde os trabalhadores de saúde não tem clareza do objetivo das tarefas e finalidades do trabalho adotam uma postura de defesa, vindo a predominar os projetos individuais: trabalhar sem envolver muito, ganhar um salário no fim do mês, manter outro emprego, etc. (p.9) No desenvolvimento do trabalho em equipe, Pichon-Rivière (1982) observou que as equipes passam por diferentes períodos e por determinados momentos e movimentos, que podem ser analisados pelos seguintes vetores: afiliação, pertença, comunicação, aprendizagem, cooperação, pertinência. A ―afiliação, que são os primeiros contatos dos trabalhadores quando se conheceram e souberam que iriam trabalhar juntos‖ (FORTUNA et al, 2002, p. 11). Pertença ―vai-se desenvolvendo com o tempo, é o sentimento de que fazem parte, de que pertencem a essa equipe‖ (FORTUNA et al, 2002, p. 11). A comunicação ―envolve mais que um emissor, uma mensagem e um receptor, envolve esse caminho todo, o contexto, os gestos. As coisas ditas de modo implícito precisam ser esclarecidas, colocadas na mesa, checadas‖ (FORTUNA et al, 2002, p. 11). A cooperação, ―articulação dos integrantes da equipe, de seus saberes e de seus fazeres para a execução de tarefas a que esse grupo se propõe‖ (FORTUNA et al, 2002, p. 11), 8 A pertinência: com os objetivos do grupo. A desmotivação para com o desenvolvimento da proposta da equipe é muito presente nas equipes. É o “tele” que significa ―clima‖, ―clima muito permanente, que pode indicar conflitos aparentemente ocultos ou paralizações do grupo‖ (FORTUNA et al, 2002, p. 11). Aprendizagem: ―aprendizagem com o outro e não na transferência de saber de uma pessoa a outra‖ (FORTUNA et al, 2002, p. 11). O processo de trabalho em enfermagem não difere do processo de trabalho em saúde, pois ele faz parte deste processo maior que é o da saúde possuindo os mesmos componentes do trabalho. Ao enfermeiro administrador cabe supervisionar, gerenciar, coordenar os três componentes do processo de trabalho: os agentes, os meios e os objetos, para a efetividade e eficiência do trabalho em enfermagem. A viabilização do trabalho em equipe em enfermagem acontecerá a partir do momento que cada membro da equipe com seu saber, com sua formação, souber dividir tarefas sem perder o todo. Para isso, existe a necessidade da equipe sentar, reunir, discutir e construir um plano de trabalho, cujo objetivo seja do conhecimento de todos da equipe, que cada um dos profissionais possa sentir parte desse trabalho e motivados a realizá-lo, ou seja, que todos, sem exceção, estejam envolvidos nessa realização. Bersusa e Riccio (1996), o enfermeiro para buscar o espírito do trabalho em equipe deve: promover reuniões com a equipe de enfermagem e multiprofissional, no sentidode discutir sobre os problemas dos clientes e usuários, bem como estratégias para poder ajudá-los, deve também discutir questões relacionadas à própria equipe, no que diz respeito a conflitos, desempenho, utilizando-se de dinâmicas de grupo, dando espaço para desabafos e a exteriorização de sentimentos e angústias dos próprios elementos e nunca perder de vista o propósito da visão holística, não permitindo a fragmentação da assistência. Portanto, para que na prática se consolide o trabalho em equipe tornam-se pontos fundamentais (Peduzzi, 2005): maior interação dos profissionais, cooperação entre os mesmos, articulação e sinergismo de ações, complementariedade e interdependência dos trabalhos especializados, autonomia profissional relativa, descentralização da tomada da decisão, flexibilidade de divisão do trabalho e sobretudo construção de um projeto assistencial comum. Trabalhar em equipe não é uma tarefa fácil, exige de todos comunicação eficaz, dedicação e compromisso com o que se faz e o como se faz, em contrapartida pode ser mais prazeroso na medida em que os resultados podem ser mais efetivos (GRECO, 2014). Referências 9 BERTONEL, T.B.; RIBEIRO, A.P.S.; GUIMARÃES, J. Considerações sobre o Relacionamento Interpessoal Enfermeiro-Paciente. Revista Fafibe On Line, Bebedouro – SP, n.3 - ago. 2007. www.fafibe.br/revistaonline — Faculdades Integradas Fafibe. FUREGATO, A.R.F. 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