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Abrangência das Ações de Saúde ( Módulo IV ) Unime 2018.2

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o cuidado, e atendendo as suas 
necessidades de saúde; prestação de serviços especializados em lugar 
adequado; existência de mecanismos de coordenação, continuidade do 
cuidado e integração assistencial por todo o contínuo da atenção; atenção à 
saúde centrada no indivíduo, na família e na comunidade, tendo em conta as 
particularidades culturais, gênero, assim como a diversidade da população; 
sistema de governança único para toda a rede com o propósito de criar uma 
missão, visão e estratégias nas organizações que compõem a região de saúde; 
definir objetivos e metas que devam ser cumpridos no curto, médio e longo 
prazo; articular as políticas institucionais; desenvolver a capacidade de gestão 
necessária para planejar, monitorar e avaliar o desempenho dos gerentes e 
das organizações; participação social ampla; gestão integrada dos sistemas de 
apoio administrativo, clínico e logístico; recursos humanos suficientes, 
competentes, comprometidos e com incentivos pelo alcance de metas da rede; 
sistema de informação integrado que vincula todos os membros da rede, com 
identificação de dados por sexo, idade, lugar de residência, origem étnica e 
outras variáveis pertinentes; financiamento tripartite, garantido e suficiente, 
alinhado com as metas da rede; ação intersetorial e abordagem dos 
 
 
determinantes da saúde e da equidade em saúde; e gestão baseada em 
resultados. Com base nesses atributos define RAS como “arranjos 
organizativos de ações e serviços de saúde, de diferentes densidades 
tecnológicas, que integradas por meio de sistemas técnico, logístico e de 
gestão, buscam garantir a integralidade do cuidado”. 
 
 Explicar os modelos de atenção voltados para condições 
crônica e agudas 
 
 Ainda que convocando modelos de atenção à saúde distintos, são como 
faces de uma mesma moeda. Para melhorar a atenção às condições agudas e 
aos eventos decorrentes das agudizações das condições crônicas, há que se 
implantar as redes de atenção às urgências e às emergências. Contudo, para 
que essa rede funcione de forma efetiva, eficiente e humanizada, há que se 
distribuir, equilibradamente, por todos os seus pontos de atenção à saúde, as 
pessoa usuárias, segundo seus riscos. Não é possível organizar os hospitais 
terciários de urgência e emergência sem retirar, deles, o grande número de 
pessoas portadoras de urgências menores, classificadas como azuis e verdes. 
Por outro lado, para que as pessoas com situações de urgências verdes e 
azuis possam ser atendidas na APS, esse nível de atenção necessita de ser 
mudado pela implantação do modelo de atenção às condições crônicas para 
que possa atender às urgências menores e, no médio e longo prazos, diminuir 
a demanda às unidades de urgência e emergência maiores. 
 
 
 Modelo de atenção aguda 
 
 O objetivo de um modelo de atenção às condições agudas é identificar, no 
menor tempo possível, com base em sinais de alerta, a gravidade de uma 
pessoa em situação de urgência ou emergência e definir o ponto de atenção 
adequado para aquela situação, considerando-se, como variável crítica, o 
tempo de atenção requerido pelo risco classificado. Isso implica adotar um 
modelo de triagem de risco nas redes de atenção às urgências e às 
emergências. 
 Observa-se, em todos os países, um aumento constante na demanda por 
serviços de urgência e uma consequente pressão, muitas vezes insuportável, 
sobre as estruturas e os profissionais de saúde. A urgência é a principal causa 
de insatisfação da população que utiliza o sistema de atenção à saúde. Sempre 
haverá uma demanda por serviços maior que a oferta e o aumento da oferta 
sempre acarreta aumento da demanda, criando-se, assim, um sistema de difícil 
equilíbrio. A solução tem sido a construção de alternativas de racionalização da 
oferta ou estratégias regulatórias. 
 O enfrentamento da organização do sistema de atenção à saúde, para 
responder às necessidades colocadas pelas condições agudas e pelos eventos 
agudos das condições crônicas, implica, na perspectiva das RASs, a 
construção de uma linguagem que permeie todo o sistema, estabelecendo o 
melhor local para a resposta a uma determinada situação. As experiências 
mundiais vêm mostrando que essa linguagem estrutura-se em diretrizes 
clínicas codificadas num sistema de classificação de risco, como base de uma 
rede de atenção às urgências e as emergências. 
 
 
 Os modelos de triagem em urgências e emergências apresentam grande 
variação, de acordo com as várias experiências, mas têm em comum uma 
triagem de riscos. Há modelos que utilizam de dois a cinco níveis de gravidade, 
sendo os últimos os mais aceitos. 
 No Brasil se utiliza a rede de serviços denominada Sistema de Manchester 
(Manchester Triage System – MTS ) que opera com algoritmos e 
determinantes, associados a tempos de espera simbolizados por cores. O 
Sistema Manchester de classificação de risco tem sido utilizado em países 
como o Reino Unido, Portugal, Espanha, Alemanha, Suécia, Holanda, Japão e 
no Brasil. Em nosso país foi experimentado em Minas Gerais e tem sido 
utilizado em outros estados. 
 
 
 
 
 
 O objetivo da classificação dos risco é definir não um diagnóstico, mas uma 
prioridade clínica, facilitando a gestão da clínica e a gestão do serviço. O 
diagnóstico não está ligado à prioridade. O método requer que o profissional 
defina o motivo pelo qual a pessoa usuária procura o serviço de urgência, a 
queixa principal. Segue-se a escolha, entre as condições apresentadas em 
fluxogramas, daquele mais pertinente à queixa. Depois procura-se um conjunto 
de sinais e sintomas em cada nível de prioridade clínica, os discriminadores, 
nos fluxogramas de apresentação, compatível com a gravidade apresentada. 
 A metodologia de classificação de risco envolve passos : Prioridade e 
gestão, tomada de decisões , identificação do problema, avaliação das 
alternativas para solução do problema, monitoramento e avaliação dos 
resultados, organização do fluxo de acesso nos serviços de urgência e 
emergência. 
 Ainda que o modelo de atenção às condições agudas seja diferente do 
modelo de atenção às condições crônicas, tanto nas condições agudas quanto 
nas crônicas, devem ser aplicadas a mesma estrutura operacional das RASs, 
ou seja, a APS, os pontos de atenção secundária e terciária 
 As diferenças entre as redes de atenção às condições crônicas e às 
condições agudas, estão no papel da APS e na forma de regulação. Nas redes 
de atenção às condições crônicas a APS é um ponto de atenção à saúde e 
constitui, também, o centro de comunicação das RASs, exercitando a função 
de regulação dessas redes. Nas redes de atenção às urgências e às 
emergências, a APS desloca-se do centro para constituir um importante ponto 
de atenção à saúde, mas sem cumprir a função de coordenação dos fluxos e 
contrafluxos dessas redes. Nesse caso, a regulação deve ser feita pelo 
complexo regulador com um médico na ponta desse sistema. Não faz sentido, 
numa situação de urgência maior, como um infarto agudo do miocárdio, 
transitar as pessoas pela APS porque implicaria perder um tempo precioso na 
atenção à saúde. 
 
 
 
 Modelo de Atenção Crônica 
 
 Diferente do modelo de atenção aguda, esse modelo acabou não dando tão 
certo, por isso foram realizadas várias adaptações pelos países e no Brasil, 
Mendes, desenvolveu um modelo de atenção às condições crônicas para ser 
aplicado no SUS. 
 Esse modelo recolhe e acolhe todas as evidências produzidas pela validação 
empírica do modelo seminal de atenção crônica, o CCM, seja nos seus seis 
elementos 
fundantes, seja nas relações entre as equipes de saúde e as pessoas usuárias 
dos sistemas de atenção à saúde. 
 As principais variáveis incorporadas no MACC e que derivam de evidências

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