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Módulo: Patologia Professora: Ana Karla Assunto: Patologia da glândula tireoide PATOLOGIA DA GLÂNDULA TIREOIDE Glândula tireoide: Situa-se na base do pescoço, imediatamente por baixo da laringe, revestindo a parte anterior da traqueia. Constituída por dois lobos laterais, um direito e esquerdo, cada um com cerca de 4 a 6 cm de comprimento, 1,5 cm de largura e 2 a 3 cm de espessura, situados em ambos os lados da traqueia e unidos por uma estreita porção de tecido, denominada istmo. Em algumas pessoas, a glândula apresenta igualmente um pequeno prolongamento na parte superior, denominado lobo piramidal. Histologia: A glândula tireóide é organizada funcionalmente por folículos. Glândula extremamente vascularizada Note que as dimensões e formas destes folículos variam. Formados por uma única camada de células (epitélio cúbico simples) dispostas ao redor da massa homogênea no centro do folículo (coloide = material proteinado). As células foliculares produzem os hormônios tireoidianos (T3 E T4) A altura varia de pavimentosa, a cuboide muito baixo, a cilíndrico alto: depende da atividade em que a célula se encontra Quanto mais ativa, mais citoplasma, por isso um aspecto um pouco mais alto; O inverso também é verdadeiro. Mas sempre respeitando a regra de ter uma camada única de célula delimitando a pequena esfera preenchida por coloide As células C ou parafoliculares: Não estão compondo os folículos, se encontram justapostas a essas unidades Não participam da síntese dos hormônios tireoidianos Produzem a calcitonina, hormônio que participa do metabolismo do cálcio Os paratormônios, que são produzidos pelas paratireoides, antagonizam a calcitonina Células de Hürthle ou oxifilicas São células foliculares que sofrem ao longo da sua existência uma metaplasia Metaplasia: uma célula se transforma em outra As células foliculares vão se tornando maiores, o seu citoplasma fica mais abundante as custas de muitos grânulos eosinófilicos, por isso é chamada de metaplasia oxifilicas Não significa uma patologia da glândula tireoide Encontradas nos nódulos da tireoide, na tireoidite de Hashimoto e na atrofia glandular do idoso. Não se sabe o porquê da metaplasia Dados Epidemiológicos: Câncer da glândula tireoide representa a neoplasia mais comum da Cabeça e Pescoço. 3:1 (F:M). – Mulheres preferencialmente mais acometidas EUA: 3% de todos os cânceres em mulheres. Brasil: 1,3% de todos os pacientes do INCA (1994 a 1998). Carcinomas bem diferenciados são mais frequentes. Quanto mais diferente ela for da sua célula original, a neoplasia é pouco diferenciada; quanto mais parecida, mais semelhante, mais características comuns ela tiver com a célula que deu origem é uma neoplasia bem diferenciada. Normalmente falando, as neoplasias bem diferenciadas têm um prognostico melhor do que as mal diferenciadas ou pouco diferenciadas Carcinoma = origem em células epiteliais Células epiteliais podem ser: Revestimento: carcinomas de céls. Escamosas Secretora ou glandular: adenocarcinoma Fatores de risco: irradiação do pescoço e história familiar Avaliação clínica História clínica: Você deve se posicionar na região posterior ao paciente, posicionar suas mãos na região posterior, palpar os dois lobos quando conseguir e pedir para que o paciente fique em decúbito no intuito de verificar se o paciente tem ou não mobilidade. O que procurar? Possíveis nódulos Nódulos fixos ou não Avaliar as cadeias linfáticas da região cervical Toda neoplasia maligna tem um comportamento de crescimento e disseminação Via hematolinfoide: Por contiguidade Por que sempre é necessário avaliar se existe adenopatia cervical? Para saber se já existe comprometimento desses linfonodos por uma possível neoplasia tireoidiana Anamnese: Antecedentes familiares; Síndromes neuroendócrinas Pacientes apresentam várias neoplasias endócrinas acontecendo ao mesmo tempo Irradiação cervical. Exame físico: Características do nódulo; Adenopatias cervicais. Exames complementares – USG Método de maior eficiência/ eficácia para analisar os nódulos tireoidianos Consegue quantificar um maior ou menor risco daquele nódulo tireoidiano ser maligno T Rask: A partir de alterações de imagens pesquisar alterações de imagens que a lesão venha a ter e essas alterações podem ou não está associada a um maior ou menor risco de malignade. Não é aceito por todos Indicam maior risco de malignidade: Quanto mais características tiver, maior a chance de ser maligno Hipoecogenicidade: tem maior chance de apresentar malignidade que os hiperecogenicos Microcalcificações; Distróficas: acontecem em tecidos pré-lesionados Metastáticas: acontecem quando tem níveis de hipercalcemia Não existe relação que necessariamente apresenta malignidade Margens irregulares; Fluxo sanguíneo intranodular aumentado; Adenomegalia regional. PAAF Punção Aspirativa de Agulha Fina Anamnese – Exame Clínico – Exame complementar radiológico – risco de malignidade presente – indicação de biopsiar a lesão É preciso biopsiar este nódulo para a partir das alterações celulares indicar ou não a cirurgia Método acurado e acessível para distinguir nódulos benignos de malignos; Fácil, seguro e de baixo custo; Pode ser feita sem a ajuda da USG Classificação de Bethesda Quanto maior a classe, maior a indicação da cirurgia IV: Precisa avaliar a histologia da capsula para saber se há infiltração ou não. Sempre é indicada a cirurgia, podendo ponderar a amplitude da cirurgia É necessário ter um número mínimo de células para diagnosticar 6 grupos de células foliculares, cada um com o mínimo de 10 células, ou seja, menos que 60 células foliculares não é considerado uma amostra do diagnostico Menos que 60 células não é possível dar um diagnóstico com segurança, ou seja, se repete a punção O que pode contribuir/ fatores para ter uma amostra insatisfatória? Nódulos pequenas PAAF sem USG guiando Nódulos com uma localização muito posterior na glândula Indivíduos com pescoço muito curto Indivíduos com a região cervical muito rico em gordura O tempo de avaliação clínica é individual, depende de cada paciente Neoplasias derivadas de células foliculares Benignos Adenoma folicular (incluindo o de células de Hürthle) Malignos Diferenciados Carcinoma folicular (incluindo o de células de Hürthle) Carcinoma papilífero ( e suas variantes) Pouco diferenciados Carcinoma insular Indiferenciados Carcinoma anaplásico Neoplasias derivadas das células parafoliculares (C) Carcinoma medular (Carcinomas mistos) Outras neoplasias Linfomas Sarcomas Neoplasias foliculares benignas 7.1. Adenoma Folicular Derivada do epitélio folicular; Macroscopicamente: Nódulo único, bem delimitado, encapsulado; Precisa-se de uma capsula fibrosa envolvendo a neoplasia Compressão do parênquima glandular; Padrões histológicos: normofolicular, microfolicular, macrofolicular, trabecular, etc.; esse padrão organizacional não tem impacto no comportamento da lesão, mas sim a invasão da capsula e dos vasos, são os únicos critérios histológicos que definem e separam o carcinoma do adenoma; inclusive nem o tamanho da lesão influência na sua malignidade ou benignidade Não há infiltração Células cúbicas: núcleo redondo e cromatina densa, mas bem distribuída. Não há pleomorfismo, hipercromatismo ou figuras de mitose Tumor benigno encapsulado, com diferenciação folicular. - Há um tecido fibroso separando a neoplasia do parênquima - É um adenoma - Neoplasia do lado esquerdo!! Definida pela densidade de células foliculares muito maior que o parênquima normal - Não há infiltração Obs: Outro tipo de invasão *Invasão de vasos sanguíneos: Ou seja, mesmo não encontrado nenhuma área da capsula infiltrada pela neoplasia, se eu encontro células tumorais dentro de vasos, eu sei que essaneoplasia vai se disseminar. Neoplasias Malignas: 8.1 Carcinoma folicular: Neoplasia maligna bem diferenciada – formação de folículos 10% a 20% das neoplasias da tireoide. Pico de incidência: 50 a 60 anos. Metástases para linfonodos são raras. Disseminação por via sanguínea: ossos, pulmão e fígado são os mais acometidos Pode acontecer por via linfática, mas é raro. Invasão capsular E/OU vascular. Presença de células malignas dentro do vaso 2 tipos de apresentação: Minimamente invasivo; Fracamente invasor. Obs.: O que dará certeza que a parede do vaso foi invadida e não que as células foram colocadas a luz dos vasos? Se o vaso teve a sua parede infiltrada pela neoplasia, a delimitação desse aglomerado de células neoplásicas vai ser a parede superficial da parede do vaso. Vai encontrar revestindo todo o bloco de neoplasias por células endoteliais; mesmo ficando com dúvida poderá ser feito uma imuno-histoquímica. - Invasão capsular Presença de malignidade dentro dos vasos - Invasão vascular 8.2. Carcinoma Papilifero Carcinoma mais comum (80%) da tireoide. Bem diferenciado Pico de incidência: 30 a 50 anos. (+jovens) Predominância em mulheres (2 a 3:1). Associação com exposição à radiação é mais frequente que a folicular Em geral, comportamento indolente e bom prognostico. Metástases para linfonodos regionais. Critérios morfológicos da macroscópica: massas sólidas, pouco circunscritas (< 10% são encapsulados) Microcarcinoma papilifero: <1cm. (melhor prognostico) Padrões de crescimento: papilar, folicular e misto. O diagnóstico estuda somente as células, pois não precisa avaliar capsula (já que a maioria não apresenta), nem encontrar invasão de vaso para dizer que é um carcinoma; precisa estudar os núcleos das células Características nucleares: Núcleos claros (Orphan Annie), Existe uma tendência da cromatina se concentrar na borda interna da membrana nuclear. Ou seja, observa-se um núcleo com área central clara, vazia, e uma membrana nuclear realçada. Fendas cromatínicas Cromatina forma uma fenda Pseudo-inclusões citoplasmáticas Pode ter a impressão que o citoplasma está se projetando para o interior do núcleo Observa-se uma bola de citoplasma dentro do núcleo Dois Padrões de organização das células foliculares Padrão folicular: ou seja, formando folículos Os núcleos dessas células têm todas as características de um carcinoma papilífero Carcinoma papilífero com padrão folicular Padrão papilar: Papilas: projeção, lembrando dos dedos, esse centro da projeção é tecido conjuntivo e vaso; há um epitélio revestindo a estrutura Nucléolos evidentes e excêntricos. Presença de corpos psamomatosos São corpúsculos calcificados, freqüentemente com estrutura lamelada concêntrica, encontrados geralmente nos eixos conjuntivos das papilas. Têm importância para o diagnóstico de carcinoma papilífero porque são muito mais raros em outros tipos de carcinoma da tiróide como o folicular, medular e anaplásico Fatores de mau prognóstico: Maior chance de ser mais agressivo Idade (pior em < 20 ou ˃ 45 anos); Tamanho do tumor: ˃ 3 cm; Presença de extensão extra-tireoidiana; Envolvimento de linfonodos bilaterais cervicais e/ou mediastinais; Sexo masculino, etc... Variantes do Carcinoma Papilífero: Microcarcinoma Papilífero Variante Folicular Variante mais comum após a clássica. Crescimento micro, macrofolicular ou misto. Características nucleares definem o diagnóstico. Comportamento biológico semelhante aos papilíferos habituais. Seu prognóstico é melhor que o do carcinoma folicular verdadeiro Variante de Células Altas 10 % dos Carcinomas Papilíferos. >30% de células colunares. Comportamento mais agressivo que o clássico. Células colunares: altura 2x a largura, citoplasma amplo e eosinofílico, núcleos volumoso com frequentes pseudo-inclusões e fendas. Pior prognóstico: tumores maiores, com extensão extra-tireoidiana, invasão vascular, recorrência, MTX à distância e 25% são fatais Variante de Células Colunares Comportamento agressivo: extensão extra-tireoidiana e MTX regionais. Papilas revestidas por células colunares altas, núcleos hipercromáticos e citoplasma escasso. Variante Esclerosante Difusa o Mais comum em crianças e adolescentes. Comprometimento difuso da glândula. o Frequentes: psamomas, fibrose e invasão linfática. Carcinoma Insular (Carcinoma Pouco Diferenciado) Comportamento biológico intermediário. Pico de incidência: > 50 anos. Tumores grandes, sólidos, esbranquiçados com necrose. Células pequenas disposta em ninhos. Núcleos centrais e citoplasmas escasso. Atividade mitótica alta. Em termos prognósticos, situa-se entre os carcinomas bem diferenciados (Folicular e Papilífero) e os indiferenciados. Carcinoma Anaplásico 5% das neoplasias malignas da tireoide. Um dos tumores mais agressivos da espécie humana. Pico de incidência: 60 a 65 anos. Mais frequente em mulheres (3 - 4:1). Massa cervical de rápido crescimento e compressão de estruturas adjacentes. Padrões microscópicos: epitelial, fusiforme, células gigantes. Marcada anaplasia. Alto índice mitótico (mitoses atípicas). Hemorragia e necrose. Carcinoma Medular Origem nas Células “C”. – produzem calcitonina Não formam folículos 10% dos tumores da tireoide. 70% a 80% são esporádicos. Maior incidência: 40 a 50 anos. 20% a 30%: o Síndrome NEM (tipo IIa, tipo IIB): multifocais e bilaterais, ocorrem em pacientes jovens (infância). Tumores familiares (lesões de adultos). Herança autossômica dominante, relacionada à mutação no gene RET. Tumores circunscritos, raramente encapsulados, pouco infiltrativos Esbranquiçados e firmes. Hemorragia e necrose (tumores maiores). Células poligonais ou fusiformes, dispostas em ninhos delimitados por traves conjuntivo-vasculares. Substância amiloide (15 – 20%) – vermelho congo. Depositada entre folículos Estudo imuno-histoquímico: positividade para calcitonina e marcadores neuroendócrinos (cromocranina e sinaptofisina).. À microscopia, são hipercelulares.