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1 Processamento e Armazenagem de Produtos Agrícolas AERAÇÃO DE GRÃOS ARMAZENADOS 2 ÍNDICE 1. INTRODUÇÃO 2. OBJETIVOS DA AERAÇÃO 2.1. Resfriar a Massa de Grãos. 2.2. Inibir a Atividade de Insetos-praga e Ácaros. 2.3. Inibir o Desenvolvimento da Microflora. 2.4. Preservar a Qualidade dos Grãos. 2.5. Uniformizar a Temperatura. 2.6. Prevenir o Aquecimento dos Grãos. 2.7. Promover a Secagem Dentro de Certos Limites. 3 ÍNDICE 3. SISTEMA DE AERAÇÃO 4. OPERAÇÃO DO SISTEMA DE AERAÇÃO 4.1. Como Resfriar ou Aquecer uma Massa de Grãos 5. SUCÇÃO OU INSUFLAÇÃO DO AR 5.1. Ventilação positiva 5.2. Ventilação negativa 4 ÍNDICE 6. ACONDICIONAMENTO DO PRODUTO 7. SISTEMA DE TERMOMETRIA 7.1. Instalação do Sistema de Termometria 7.2. Monitoramento do Produto Armazenado 8. CÁLCULO DE UM SISTEMA DE AERAÇÃO 5 1. INTRODUÇÃO Os grãos, como materiais biológicos vivos, estão sujeitos a transformações de naturezas distintas, oriundas da tecnologia aplicada ao sistema de pré- processamento. Em unidades armazenadoras mais antigas, é comum fazer a passagem da massa de grãos através do ar ambiente, quando se verifica qualquer problema de armazenagem ou de aquecimento que possa comprometer a qualidade do produto. A esse procedimento denomina-se "transilagem". 6 1. INTRODUÇÃO A transilagem, apesar de resolver parcial ou totalmente os problemas, na prática, resulta em vários inconvenientes, como: Eleva o índice de danos. Necessita de muito tempo para ser executada e pode não apresentar bons resultados; Apresenta elevado custo de instalação (uma célula ou silo de estocagem vazio); Tem custo operacional mais elevado (tempo, número de equipamentos e energia). 7 Diferentemente da "transilagem", com a aeração, mantém-se a qualidade dos grãos sem movimentá-los. O processo de aeração tem como finalidades principais: - resfriamento da massa de grãos, - aeração de manutenção ou conservação, - aeração secante ou seca-aeração, - remoção de odores, e - aplicação de fumigantes. 1. INTRODUÇÃO 8 A aeração, técnica de forçar pequenas quantidades de ar através dos grãos armazenados visando controlar sua temperatura, é utilizada para manter a qualidade inicial dos grãos durante o período de armazenamento. Para atingir este objetivo, a aeração tem que reduzir ou eliminar as seguintes condições. 1. Variações de Temperatura e de Umidade dentro da Massa de Grão Assim que a célula de armazenamento estiver sendo carregada, os grãos variarão, provavelmente, em temperatura e conteúdo de umidade, por causa de variações em maturidade, condições climáticas e na secagem. Porções de grãos, quentes e deterioradas podem ser criadas dentro do silo mesmo que a condição média da massa de grão possa ser considerada adequada. 1. INTRODUÇÃO 9 2. Grãos com Temperaturas Elevadas ou Quentes Se a célula de armazenagem está cheia com grãos sob temperatura elevada ou ainda quentes, problemas podem surgir até mesmo se o conteúdo de umidade for baixo. Alto calor de campo ou grãos inadequadamente esfriados depois de saírem do secador são as duas fontes produtoras de grãos quentes. 1. INTRODUÇÃO 10 Diagrama de Conservação A melhor condição para armazenar os grãos é estabelecida pela delimitação da área no espaço inferior à linha A e à esquerda da linha B 11 3. Variações de temperatura entre Massa de Grão e Condições do Ambiente Externo Variação de temperaturas entre a massa de grão e as condições ambientais causam problemas de migração de umidade. A Figura representa uma migração típica de umidade causada por abaixamento da temperaturas externa. As diferenças em temperatura criarão uma corrente convectiva, com o ar descendo pela camada de grãos frios ao longo e próximos das paredes do silo e subindo através das camadas de grãos quentes no centro do silo. 1. INTRODUÇÃO 12 Migração de Umidade- Ambiente Frio 13 À medida que o ar sobe pelo centro do silo, irá sendo aquecido e terá sua capacidade de absorver umidade aumentada e retirando água dos grãos. Entretanto, quando o ar estiver próximo da superfície superior e fria ele resfriará, perdendo capacidade de absorver umidade e transferindo a umidade adquirida anteriormente para a camada superior de grãos. Isto criará uma região de grãos úmidos no topo central do silo com grande potencial para deterioração. Por ocasião da estação mais quente, ocorrerá um fluxo de ar oposto (Figura) por causa das temperaturas ambientais mais altas. A condensação com um potencial para deterioração acontecerá na região central no fundo do silo. 1. INTRODUÇÃO 14 Migração de Umidade – Ambiente Quente 15 O produto deve ser aerado o mais rápido possível depois de ter sido colocado no armazenamento. Esta operação é especialmente importante se existirem grandes variações de umidade e ou temperatura ou se a camada de grãos estiver quente ao iniciar o período de armazenagem. Antes da estação fria, a massa de grãos deve ser resfriada para adequar às condições médias ambientais. A aeração deve começar sempre que a média da temperatura do ar ambiente for, pelo menos, 5°C inferior que a camada de grãos mais quente dentro do silo. Continuar esfriando até que a diferença entre temperatura da massa e do ambiente esteja próxima de 0°C. Durante a estação quente, o aquecimento dos grãos é necessário se o armazenamento for continuado ou se a massa de grão estiver abaixo da média ambiental. Se necessário, os ventiladores de aeração deveriam ser ligados assim que a média de temperatura externa seja 5-7°C acima da temperatura da massa de grãos. Quando Ventilar os Grãos 16 Tempo Requerido para a Aeração A aeração resfria ou aquece uma camada de grãos de modo semelhante ao processo de secagem em silos, que se dá por meio da frente de secagem. Na aeração, a “Frente de aeração" se movimenta para cima ou para baixo através da massa de grãos segundo a direção do fluxo de ar. O tempo utilizado para que a “frente de aeração" atravesse a camada de grãos é o tempo de aeração. Este tempo depende do fluxo de ar por quantidade de grãos e da quantidade de calor a ser removida ou adicionada para esfriar ou aquecer o produto. Uma vez iniciado, o processo de aeração deveria ser continuado (até mesmo por períodos de altas umidades) até que a frente de aeração tenha atravessado completamente a massa de grão. Terminada a aeração, a camada de grão estará relativamente uniforme e uma aeração continuada, especialmente durante longos períodos com umidades muito diferentes da umidade média da aeração prévia causará a formação de uma nova frente. 17 Fluxos de Ar para Aeração Em geral, os fluxos de ar para aeração variam entre 0,06 a 0,12 m3 de ar por minuto e por metro cúbico de grão (0,06 - 0,12 m-3 min-1 m-3). Alguns sistemas com grandes capacidades usam fluxos de ar muito inferior (0.018 - 0.03 m-3 min-1 m-3), porém, requerem um gerenciamento mais aprimorado e instalações mais sofisticadas. Altos fluxos de ar devem ser usados (0,12 - 0,36 m-3 min-1 m-3) se o produto for armazenado com teores de umidade mais altos ou se existirem grandes variações nos teores de umidade quando o produto estiversendo introduzido no silo. Não se pode esperar que um sistema de aeração seja usado para secagem. Geralmente, os fluxos de ar recomendados para secagem são dez a quinze vezes superiores aos recomendados para aeração. 18 Direção do Fluxo de Ar O ar de aeração pode mover para cima ou abaixo através da massa de grãos. A maioria dos ventiladores tem a possibilidade de insuflar (pressão positiva) ou succionar o ar (pressão negativa). Porém, quantidades de fluxos de ar e potências necessárias para o movimento do ar mudarão frequentemente com segundo direção do fluxo. Resumindo, quaisquer das duas direções funcionarão no sentido de promover a aeração da massa de grãos. Os fatores mais importantes, entretanto, são: entendimento do método e do monitoramento cada sistema. 19 Direção do fluxo de ar 20 Preparo do Produto para Aeração Material fino, sementes de erva daninha e outros materiais estranhos irão afetar negativamente a aeração, especialmente, se estes materiais estiverem concentrados em um determinado local da unidade armazenadora. Considerando que na aeração é usado pequenos fluxos de ar, qualquer aumento na resistência ao fluxo terá grandes efeitos na sua trajetória. Como resultado, será necessário mais tempo para a frente de aeração (ou de secagem) atravessar a região com concentração de materiais finos (Figura). 21 Velocidade de Aeração 22 Concentração de Finos (Solução) Um ou mais dos seguintes procedimentos podem ser considerados: 1. Faça uma limpeza correta antes de carregar a célula de armazenagem. 2. Empeça que o produto caia com alta velocidade para reduzir o número de quebrados e finos. 3. Na impossibilidade de boa limpeza, distribua, uniformemente, o produto (inclusive os materiais estranhos e finos) ao longo da célula armazenadora. A distribuição uniforme da "resistência" causará uma densidade global mais alta no silo aumentando a resistência geral ao fluxo de ar. 23 4. Após o carregamento, tente remover um pouco do produto do centro do silo. Esse procedimento ajudaria a eliminar parte do material "resistente" acumulado no centro do silo. O material central removido será, consequentemente, substituído por um produto mais limpo. 5. Certifique-se de que a frente de aeração tenha percorrido toda a massa de grãos. Ou seja: ventilar por um tempo mais prolongado, usar um ventilador de maior capacidade ou diminuir a altura da camada de grãos. Solução (continuação) 24 Se aerações sucessivas resultarem em formação de blocos de grãos e concentração de finos, que dificultam a passagem do ar, deve-se corrigir o problema com a técnica de TRANSILAGEM e passando o produto pelo sistema de limpeza. A armazenagem a granel por longos períodos torna- se muito difícil sem a prática da aeração. Solução (continuação) 25 Esquema da Aeração 26 2. OBJETIVOS DA AERAÇÃO 2.1. Inibir a atividade de insetos: - A maioria dos insetos que infestam os grãos armazenados é de origem tropical e subtropical. - As condições ideais para desenvolvimento dos insetos são definidas entre 23° e 35° C e com umidade relativa próxima de 70%. 27 2.2. Inibir o desenvolvimento da microflora: - O teor de umidade, a temperatura e a umidade relativa na massa de grãos influenciam o desenvolvimento da microflora. - Grãos com umidade de até 15% (b.u.) podem ser armazenados, se a temperatura for baixa (8 a 10oC) com umidade relativa inferior a 70%. - Em regiões de clima tropical e subtropical, é difícil estabelecer estas condições por meio de aeração. 2. OBJETIVOS DA AERAÇÃO 28 2.3. Preservar a qualidade dos grãos: - Grãos cuja viabilidade é reduzida são mais vulneráveis a infestação de fungos e, portanto, mais susceptíveis ao processo de deterioração. - Modificações químicas durante a armazenagem são muito lentas ou insignificantes, em baixa temperatura. 2. OBJETIVOS DA AERAÇÃO 29 2.3. Preservar a qualidade dos grãos - Desde que o processo não resulte em perda de qualidade, as condição de aparente inatividade deve ser mantida pelo maior tempo possível - A introdução de uma massa de ar com temperatura baixa é uma técnica benéfica à conservação dos grãos, em estado de repouso, por período de tempo mais prolongado. 2. OBJETIVOS DA AERAÇÃO 30 GRÃO COM ALTA QUALIDADE 31 2.3. Preservar a qualidade dos grãos - Um dos maiores problemas decorrentes da migração de umidade consiste na mistura das camadas contaminadas com o restante da massa, quando o produto estocado é movimentado por qualquer motivo. - Dentre os danos causados, o mais preocupante é a contaminação por FUNGOS produtores de toxinas. 2. OBJETIVOS DA AERAÇÃO 32 2.4. Uniformizar a temperatura - Objetivo importante da aeração, principalmente para as regiões onde existem grandes flutuações de temperatura e quando a aplicação desta técnica for para prevenir ou evitar a migração de umidade. - A aeração é feita para promover a uniformização da temperatura na massa de grãos, evitando os focos de aquecimento, sem, necessariamente, cumprir o objetivo de resfriamento. 2. OBJETIVOS DA AERAÇÃO 33 Migração de Umidade 34 2.5. Prevenir o aquecimento dos grãos Esta vantagem aplica-se frequentemente à armazenagem, em silo pulmão ou em moegas, com grãos recém-colhidos, aguardando a secagem. 1 - O produto deve passar por uma operação de pré- limpeza. 2 - O operador deve estar atento e consultar a tabela sobre o tempo permissível para a armazenagem do produto 2. OBJETIVOS DA AERAÇÃO 35 Tempo permissível para armazenagem Temperatura (ºC) Teor de água (% b.u.) 15 16 17b 19b 21 23 25 0 c c c 377 206 131 92 4 c c 448 197 108 68 48 10 491 265 155 69 39 26 21 16 275 148 85 39 22 16 10 21 154 83 49 22 12 8 5 27b 86 47 28 12 7 4 3 32 48 26 15 7 4 2 2 38 27 15 9 4 3 1 1 Notas: b aeração contínua, com fluxo de 30 a 60 m3 h-1 t-1, durante o período em que o milho foi mantido com 18% b.u. e, ou à temperatura de 27 ºC. c mais que dois anos. Fonte: Steele et al.; Thompson; Friday, citados por Noyes & Navarro (2002). 36 2.6. Promover a Secagem O fluxo de ar mínimo recomendado para secagem, dependendo das condições ambientais, é 15 a 25 vezes maior que o fluxo utilizado para a aeração de resfriamento. 2. OBJETIVOS DA AERAÇÃO 37 2.7. Remover os odores - A aeração pode ser utilizada para remover, além desses odores, os gases resultantes do combate às pragas e devolver aos grãos o cheiro característico. 2. OBJETIVOS DA AERAÇÃO 38 SISTEMA DE AERAÇÃO • O sistema de aeração consiste de um conjunto de equipamentos necessários à perfeita conservação do produto armazenado. • É composto por: Ventilador com motor. Dutos Silos Dispositivos para monitoramento Dutos para distribuição de ar 39 Equipamentos Necessários 40 SISTEMA DE AERAÇÃO Dutos Em unidades armazenadoras cilíndricas podem ser usados uns dos seguintes sistemas: 1. um único duto perfurado. 2. um arranjo de dutos. 3. dutos em forma de V. 4. uma chapa retangular e perfurada localizada no meio do piso do silo. 5. um piso falso confeccionado em chapa perfurada. 41 Dutos 42 Dutos Os dutos geralmente estão localizadosabaixo do nível do piso do silo. Dutos abaixo do piso permitem o uso fácil de roscas varredoras que reduzem a mão-de-obra durante a descarga final da unidade armazenadora. As principais dimensões de um sistema de dutos são: a) Tamanho; b) Área superficial; c) Espaçamento entre dutos. 43 Dutos (guia para dimensionamento do sistema) Adaptado de http://www.omafra.gov.on.ca – Grain aeration 44 Unidades Armazenadoras Permitem a proteção da massa de grãos contra os agentes de deterioração. Esta estrutura pode ser vertical ou horizontal e depende das características técnicas e da relação entre a altura e o diâmetro ou altura e largura da estrutura. Pequenas unidades armazenadoras de grãos ou pequenos silos podem ser ventilados ou aerados com o uso de sistema portátil, construído com tubos perfurados e que podem ser montados dentro do silo. Um pequeno ventilador para aeração é acoplado na ponta do tubo. Para unidades armazenadoras de maiores dimensões, sistemas mais complexos são requeridos. 45 Monitoramento do Produto Para manejar corretamente o produto, o operador deve estar apto a determinar as temperaturas da massa de grãos em vários pontos do silo. Especial atenção deve ser dada na obtenção das temperaturas das últimas partes a serem atingidas pela frente de aeração. Em silos pequenos, pode-se trabalhar, razoavelmente, com sondas simples, porém, em silos com grandes dimensões, um sistema de termometria eficiente é altamente recomendado. Caso seja necessário a entrado do operador no silo, para o monitoramento das condições do produto, devem ser usadas medidas de segurança adequadas como: 1. nunca entrar no silo durante o descarregamento. 46 Monitoramento do Produto 2. se parte do silo foi descarregada, fique atento de que um produto compactado pode esconder uma cavidade que se desmorona facilmente provocando sérios acidentes. 3. escadas especiais devem ser instaladas nas paredes do silo para permitir acesso fácil e seguro. Uma corda de segurança, bem ajustada, deve ser usada se houver necessidade o operador deixar a escada ou ter que liberar uma das mãos. 4. Mesmo usando equipamentos de segurança e com iluminação adequada, nunca entre em um silo sem estar acompanhado de um auxiliar. 47 Sistema de Controle Indicam as condições do ambiente interno e externo da massa de grãos e, em alguns casos, podem acionar ou ligar o sistema de ventilação em função daquelas condições. 48 Sistema de Controle 49 Sistema de Controle 50 Seleção de Ventiladores O ventilador é a máquina utilizada para movimentar o ar através da massa de grãos. Ventiladores tubo-axial e centrífugo são usados para aeração. O primeiro, entretanto, é o mais comum. Os ventiladores devem ser selecionados com base nos fluxos de ar requeridos e nas pressões estáticas oferecidas pelos produtos. O ventilador deve fornecer a quantidade de ar necessária ao resfriamento do produto e ser capaz de vencer a resistência oferecida à passagem deste ar pela massa de grãos armazenada A pressão estática é dependente da taxa de aeração desejada, profundidade da camada de grãos e tipo de grão (Tabela 3). 51 Rotores para ventilador Siroco Centrífugo Axial 52 Tipos de Ventiladores Tubo axial Centrífugo 53 Ventilador Fluxo de ar: O ventilador deve-se fornecer uma quantidade de ar, determinada como: a) m3 de ar por minuto por m3 de grãos ou b) m3 de ar por minuto por tonelada de grãos. Para silos verticais, pode variar entre 0,05 e 0,1 m3 min-1. t-1 de grãos. Para estruturas horizontais, entre 0,1 e 0,20 m3. min-1. t-1 de grãos. 54 Fluxos de ar para aeração Fluxo de ar (m3 min-1. t-1 de grãos) Tipo de unidade e finalidade Região fria Região quente Horizontal / grão seco 0,06 a 0,12 0,12 a 0,20 Vertical / grão seco 0,02 a 0,05 0,03 a 0,10 Pulmão / grãos úmidos 0,30 a 0,60 0,30 a 0,60 Seca-aeração 0,50 a 1,00 0,50 a 1,00 55 Ventilador Pressão estática: o ventilador deve vencer a resistência à passagem do fluxo de ar, isto é, ter pressão superior à pressão estática do sistema (resistência que os grãos e o sistema de distribuição oferecem à passagem do ar). - Normalmente este valor é dado em milímetros de coluna de água (mmca) ou Pascal (Pa). - A pressão estática varia com a altura da camada de grãos e com a velocidade com que o ar atravessa esta camada. 56 Pressão Estática aproximada (Pascal) Grão Profundidade de grão (m) Taxa de Aeração ( m3.min-1.m-3 ) 0,156 0,078 0,039 Milho e Soja 3 125 110 100 4.5 150 140 125 6 190 160 140 9 250 200 160 Trigo Aveia Sorgo 3 290 250 240 4.5 380 310 260 6 540 400 300 9 750 510 360 57 Pressão Estática 58 3. OPERAÇÃO DA AERAÇÃO Antes de optar pelo uso da aeração, deve-se avaliar as condições climáticas, para atender aos objetivos propostos: conservação dos grãos durante a armazenagem. Um diagrama que relaciona temperatura e teor de umidade da massa de grãos armazenado é usado para prever as características de conservação durante o armazenamento. 59 Diagrama de Conservação A melhor condição para armazenar os grãos é estabelecida pela delimitação da área no espaço inferior à linha A e à esquerda da linha B 60 Diagrama indicativo de aeração Para umidade relativa superior a 90%, a aeração é recomendada quando a diferença de temperatura entre os grãos e o ar for superior a 6,5 oC. Para umidade relativa inferior ou igual a 60%, a aeração só é recomendada para grãos úmidos ou que estejam aquecidos a uma temperatura muito superior à do ar (Poderá haver supersecagem). 61 Indicativo de Aeração 62 Indicativo de Aeração Resfriamento inferior a 3oC torna a aeração desnecessária. Resfriamento entre 3 e 5oC torna a aeração recomendável. Resfriamento com gradiente de temperatura superior a 7oC torna a aeração possível, porém pode provocar condensação do vapor d'água na superfície da massa e nas paredes do silo. 63 Como Resfriar o Produto O conceito de frente de resfriamento, assim como se entende o conceito de frente de secagem, é importante para se entender a técnica da aeração. O funcionamento do sistema de ventilação por umas poucas horas não irá resfriar toda a massa de grãos, a não ser que o silo esteja carregado com uma fina camada do produto. PRÓXIMO 64 Como Resfriar o Produto Em um silo com carga superior a 2 m de espessura, os grãos próximos da entrada de ar serão resfriados à temperatura do ar, enquanto a temperatura dos grãos nas camadas superiores permanecerá praticamente nas condições iniciais, exceto em uma faixa onde está acontecendo a frente de resfriamento. 65 Frente de Resfriamento 66 Como Resfriar o Produto E necessário continuar a operação de aeração até que a camada superior tenha sido resfriada e atingido valor igual à temperatura do ar. Com a interrupção prematura da aeração, as diferenças de temperatura entre as camadas resfriadas, a frente de resfriamento e as camadas superiores (temperatura inicial) são suficientes para provocar a migração de umidade e acelerar a deterioração do produto. Deve-se operar o ventilador sempre que a temperatura externa for 7oC inferior à temperaturados grãos. 67 SUCÇÃO OU INSUFLAÇÃO DO AR A forma de passar o fluxo pela massa de grãos pode gerar algumas características muito importantes para o sistema de aeração. Quando o movimento de ar é ascendente e o ventilador encontra-se instalado na base do silo, o sistema é conhecido como insuflação ou ventilação positiva. Em sentido contrário, a ventilação é chamada de sucção ou ventilação negativa. 68 SUCÇÃO OU INSUFLAÇÃO DO AR A insuflação poderá adicionar muito calor ao ar devido à ineficiência dos ventiladores. A escolha da insuflação poderá ser uma alternativa correta, se a umidade da massa de grãos estiver acima da ideal para comercialização. A adição de calor provocará secagem do produto, caso a umidade do grão esteja acima da umidade de equilíbrio com a nova umidade relativa do ar. Em se considerando o controle de pó, devido principalmente a problemas ambientais e de segurança, o uso da sucção ou ventilação negativa é a opção correta. 69 SUCÇÃO OU INSUFLAÇÃO DO AR Outro fator que pode ser considerado na adoção de ventilação positiva ou negativa é a posição do foco de aquecimento. Se o ventilador estiver instalado na base do silo e o foco quente estiver na parte superior da camada de grãos, a ventilação deve ser ascendente. Caso o foco esteja nas camadas inferiores, o fluxo deve ser descendente. 70 SUCÇÃO OU INSUFLAÇÃO DO AR FA – foco de aquecimento 71 Vantagens da Insuflação Facilita a avaliação da temperatura da massa de grão, em caso da inexistência do sistema de termometria; O calor gerado pela radiação solar no teto da unidade armazenadora não é incorporado à massa; O aquecimento do ar pelo ventilador causará redução em sua umidade relativa reduzida antes de entrar na massa de grãos, sem perigo de aumentar o teor de umidade do produto 72 Vantagens da Sucção Menor probabilidade de ocorrência de condensação na superfície da massa de grãos e no teto da unidade armazenadora; Os odores característicos que indicam a deterioração podem ser facilmente detectados na saída do ventilador; O calor proveniente do ventilador e do sistema de distribuição de ar não é transferido para a massa de grãos; e, No caso de se usar ventiladores com motores trifásicos, basta usar uma chave de reversão para mudar o sentido do fluxo de ar. 73 SISTEMA DE TERMOMETRIA Conceitos Termopar: Uma corrente elétrica é estabelecida ao longo de dois fios de metais diferentes quando as junções de suas extremidades são expostas a duas temperaturas diferentes. f.e.m.: A corrente gerada é chamada de corrente termelétrica e, devido à diferença de temperatura, a força eletromotriz existente entre as duas junções é chamada de termo-força eletromotriz. A f.e.m. gerada nos termopares é dada em mV e depende da temperatura da junção de trabalho, da resistência e do tipo do termopar empregado. 74 Escolha do Termopar Na escolha do termopar devem-se levar em consideração o custo, a finalidade ou faixa de temperatura a ser medida, as condições ambientais, o esforço físico a que será submetido e a precisão da medida. Na prática, o termopar “cobre-constantan” é o mais utilizado para monitorar temperaturas em sistemas de aeração grãos. 75 Instalação da Termometria A instalação é feita com fixação dos cabos em pontos estratégicos na massa de grãos. O espaçamento entre os cabos e entre os pontos é determinado por critérios técnicos e econômicos, estabelecendo-se uma distância máxima de 6,0 m entre cabos e 2,0 m entre os pontos de cada cabo. Além dos fios condutores, o sistema é composto por cabos de aço com capacidade para suportar esforços de tração provenientes do escoamento dos grãos durante a descarga. 76 Instalação da Termometria O sistema de leitura pode ser feito por instrumentos (potenciômetros) portáteis, próprios para pequenas instalações, ou mesas computadorizadas, próprias para grandes unidades armazenadoras, cujos pontos de medição são identificados em quadros sinópticos. 77 78 Cabos Termométricos 79 Cabo Termométrico 80 Cabo Termométrico Tipo E Tipo J Tipo K Tipo T 81 INSTALAÇÃO DA TERMOMETRIA 82 INSTALAÇÃO DA TERMOMETRIA 83 COCARI - PA COCARI – Um caso de sucesoo https://www.youtube.com/watch?v=Xf8GrhOcKN0 84