Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

STRAUB, Richard O., Psicologia da Saúde: uma abordagem biopsicossocial. (Capítulo 13: Controlando a dor), 3ª ED., Porto Alegre: Artmed, 2014. 509 p.
Richard Straub é doutor em Psicologia Experimental e chefe do Departamento de Ciências Comportamentais na Universidade de Michigan (EUA). Sua área de interesse é a Psicologia da Saúde, tendo realizado várias pesquisas, especialmente sobre traços de personalidade como fatores de risco para doenças físicas, com publicações nos mais diversos e conceituados periódicos internacionais.
A luta para compreender a dor é um tópico central na psicologia da saúde. Ela é uma sensação física, e bastante subjetiva. É um importante problema de saúde pública que afeta mais de 50 milhões de norte-americanos. É a razão mais frequente para as pessoas procurarem tratamento médico. A dor ilustra de forma clara o modelo biopsicossocial, esse modelo distingue entre os mecanismos biológicos pelos quais estímulos dolorosos são processados pelo corpo. A experiência de dor é moldada por forças biológicas, psicológicas e sociocomportamentais, que refletem o legado genético, as experiências anteriores, a personalidade e os recursos de enfrentamento. A dor envolve nossa experiência total de reação a um evento prejudicial, incluindo o mecanismo físico pelo qual o corpo reage, a resposta emocional subjetiva (sofrimento) e nossas ações observáveis (comportamento de dor). 
Pesquisadores tentam, sem êxito, desenvolver medidas físicas objetivas da dor. Devido à natureza subjetiva da dor, todavia, eles precisam usar medidas comportamentais, escalas de avaliação e inventários de dor como o MPQ. De modo geral, a dor é dividida em três categorias: aguda, recorrente e crônica. A dor aguda é cruciante e pungente e normalmente se localiza em uma área ferida do corpo; A dor recorrente envolve episódios de desconforto intercalados com períodos nos quais o indivíduo está sem dor; A dor crônica é definida como a dor que dura seis meses ou mais. Uma forma de avaliar a dor é mensurar as mudanças fisiológicas específicas que a acompanham. O processo de dor começa quando sinais neurais dos terminais nervosos livres são enviados para o SNC pelas fibras nervosas rápidas e pelas fibras nervosas lentas. Certas dores tendem a aumentar em frequência com a idade.
A dor normalmente começa quando terminais nervosos livres na pele, chamados de nociceptores, são estimulados. Os nociceptores transmitem esse estímulo para as fibras nervosas rápidas, que indicam dor aguda e cruciante, ou para fibras nervosas lentas, que sinalizam dor lenta e ardente. Os sinais de dor viajam dessas fibras nervosas periféricas para a medula espinhal e dali para o tálamo, uma estação de separação de mensagens que transmite a mensagem de dor para o córtex cerebral, a parte do cérebro que raciocina. O córtex avalia o local e a gravidade da lesão. As endorfinas e as encefalinas produzidas no cérebro agem como neurotransmissores e inibem a dor, atuando sobre as células da substância gelatinosa da medula espinhal e a PAG do cérebro. A teoria da comporta sugere que exista uma comporta da dor na medula espinhal. Essa comporta pode ser fechada por estimulação do sistema de fibras de dor rápida, enquanto a atividade no sistema de dor lenta tende a abrir a comporta. Também pode ser fechada por influências sobre a via descendente do cérebro.
A experiência de dor está sujeita a uma variedade de fatores psicossociais. Ainda que pessoas mais velhas e mulheres tenham mais propensão a relatar níveis mais altos de dor do que indivíduos mais jovens e homens, as relações entre dor, gênero e envelhecimento são complexas. Elas também podem refletir um raciocínio errôneo que tende a exagerar as relativamente poucas maneiras em que grupos etários, homens e mulheres diferem, enquanto ignoram o número maior de semelhanças. Parece não haver uma “personalidade propensa à dor”, embora certos traços afetem a capacidade de lidar com a dor de forma eficaz. Provavelmente, as diferenças culturais em reações de dor estão relacionadas com diferenças no grau de tolerância à dor, em vez de discrepâncias no limiar da dor. Mesmo que alguns pesquisadores tenham relatado diferenças étnicas em relação à dor, outros encontraram variação muito maior entre membros individuais de um mesmo grupo étnico do que entre membros de grupos étnicos diferentes.
O método biomédico mais comum para tratar a dor é o uso de medicamentos analgésicos, incluindo opioides como a morfina. Esses agentes, que atuam de forma central, estimulam os receptores de endorfina do cérebro e da medula espinhal. Uma classe menos viciante de analgésicos, os AINEs, produz seus efeitos de alívio da dor bloqueando a formação de prostaglandinas no tecido lesionado. Técnicas de estimulação elétrica, como a TENS, aplicam impulsos elétricos moderados em tecidos próximos à área que produz dor para fechar a comporta da dor na medula espinhal. Os programas mais exitosos de tratamento para dor são multidisciplinares e combinam o uso de analgésicos com TCCs ecléticas. Esses programas usam uma mistura de técnicas para desenvolver estratégias individualizadas de controle da dor, incluindo reestruturação cognitiva de crenças relacionadas com a dor, distração, visualização guiada e treinamento de relaxamento. As intervenções comportamentais baseiam-se em procedimentos operantes para extinguir comportamentos indesejáveis relacionados com a dor, enquanto reforçam respostas mais adaptativas à dor crônica.
No início do capítulo, o autor faz um breve relato de histórias reais para contextualizar o tema a ser desenvolvido, o que motiva a leitura. Além disso, apresenta uma série de questionários, exercícios e endereços eletrônicos para que o leitor possa buscar informações. 
O presente texto é excelente para profissionais da saúde, pois utiliza o modelo biopsicossocial como parâmetro para abordar os conceitos de bem-estar físico e mental e a forma como eles se inter-relacionam. Os fatores biopsicossociais associados ao estilo de vida estão intimamente relacionados e certamente influenciam a saúde.

Mais conteúdos dessa disciplina