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SISTEMA DE ENSINO PRESENCIAL CONECTADO CUrso de pedagogia MAria helena savaris rigoni MEMÓRIAS DE MINHA INFÂNCIA, EXPERIÊNCIAS E EXPECTATIVAS SOBRE A EDUCAÇÃO Passo Fundo 2014 maria helena savaris rigoni MEMÓRIAS DE MINHA INFÂNCIA, EXPERIÊNCIAS E EXPECTATIVAS SOBRE A EDUCAÇÃO Trabalho Interdisciplinar e Individual apresentado ao Curso de Pedagogia da UNOPAR – Universidade Norte do Paraná, para as disciplinas; Educação, Sociedade e Práxis Educativa, Psicologia da Educação, Desenvolvimento e Aprendizagem, Políticas Públicas na Educação Básica, Teoria e Práticas do Currículo, Prática Pedagógica Interdisciplinar, Escola e Sociedade, Seminário Interdisciplinar II. Prof. Cyntia Simioni , Edilaine Vagula, Fabiane Musardo, Fábio Luis da Silva Marlizete Stainle, Okçana Battini, Raquel Lemos, Rosely Montagnini, Sandra Reis, Vilze Vidotte. Wilson Sanches. Passo Fundo 2014 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO............................................................................................3 2 DESENVOLVIMENTO................................................................................4 2.1 As memórias de minha infância e das experiências vivenciadas na escola. ................................................................................................................4 2.2 Minhas expectativas quanto ao ingresso num Curso Superior – Pedagogia ................................................................................................................6 3 EDUCAÇÃO E PEDAGOGIA......................................................................7 4 CONCLUSÃO..............................................................................................9 5 REFERÊNCIAS............................................................................................10 1 - INTRODUÇÃO Pela primeira vez em minha vida escrevo um memorial. Desafio nada fácil. Primeiro, porque poucas vezes em nossa vida paramos para refletir ou mesmo relembrar o que já vivemos. Assim, muitas coisas acabam passando despercebidas ou sendo esquecidas com o passar do tempo. Segundo, porque escrever requer muito mais do que lembranças. Nesse reencontro com minha memória, é como se eu entrasse em mim sem pedir licença, e sem medo de evidenciar os pontos pouco desvendados da minha trajetória, buscando ultrapassar o espaço do trabalho e falando de outras dimensões de minha vida. Nunca gostei de falar das dificuldades pelas quais passei na minha infância, porém elas me fizeram perceber que a vida deve ser exercitada a cada momento e que de certa forma, desde a minha formação de criança a idade adulta, essas dificuldades me fizeram crescer enquanto pessoa e chegar até aqui nessa etapa tão importante da minha vida, o meu curso de Pedagogia. A nossa vida nada mais é do que um livro por escrever. Assim, a cada dia, escrevemos uma página deste livro e são algumas destas páginas que desejo compartilhar, relembrando aspectos da minha história que possam ilustrar um pouco da trajetória da minha vida, com destaque para o processo de minha formação pessoal e experiência profissional enquanto educadora. 2 - DESENVOLVIMENTO 2.1 - As memórias de minha infância e das experiências vivenciadas na escola A Escola Ideal, segundo Rubem Alves (2006) “É uma escola que encoraja os seus alunos a pensar, que não corta a sua imaginação. É uma escola que os faz confiantes em si mesmos. É uma escola que cria, entre os alunos, um espírito de solidariedade e cooperação. São escolas que ajudam as crianças a ver. Insisto nessa palavra ver: “A primeira missão de educação é ensinar a ver,” dizia Nietzsche, ensinar a se assombrar diante das coisas do mundo e da vida, é ensinar a pensar. Não existe nada mais fatal para o pensamento que uma resposta pronta. Eu me chamo Maria Helena Savaris Rigoni, nasci no dia vinte e nove de outubro de mil novecentos e sessenta e cinco, no hospital da cidade de Casca - RS. Sou filha de Delvino Savaris e Zelinda Casarotto Savaris. Tenho uma irmã chamada Vanderléia Janete Savaris Yaroseski. Minha história começa no meio rural, onde passei minha infância e adolescência, tudo o que aprendi neste período, na convivência com o meio rural e com a escola, é que construo minha identidade profissional, de professora, educadora e de idealista. Quando iniciei no processo de alfabetização eu tinha seis anos de idade, foi na Escola João XXlll. Lembro-me de não ter tido dificuldades de aprendizagem. Fazia as atividades em tempo hábil na escola e em casa não costumava contar com a ajuda de minha mãe, porque ela não tinha estudo, não sabia ler e nem escrever, somente assinava o seu nome. Recordo que sentava no chão da sala, colocava a tarefa numa mesa de centro e começava a fazer sozinha. Assim aprendi a ler na pequena escola rural, a escola de encantamento, da qual relembro com saudades da rotina escola, da professora Deonilda Gertrudes Vanzella, da sala única para todas as séries iniciais, do pátio, das carteiras de madeira... A pequena escola rural onde frequentei os três primeiros anos escolares é a parte mais bonita de minha infância, onde fazíamos teatros, limpávamos a sala de aula, puxávamos água de balde de um poço... O caminho para a escola também fazia parte do encantamento... Percorrido a pé com outros coleguinhas, caminhávamos até a escola desmanchando as teias de aranha nas cercas, dos potreiros e na volta nos deliciávamos nos pés de bergamota e de pitanga à beira do caminho. O contato com a natureza era uma grande fonte de aprendizagem, de visão de mundo, que acompanhava a escola. Quando passei para a quarta série, fomos morar na cidade de Nova Araçá e lá fui estudar num colégio de freiras, me adaptar a nova escola, a nova professora, aos novos colegas, tudo isso não foi fácil para mim, mas com muito esforço consegui me adaptar. Quando terminou o ano e fui aprovada para a 5ª série, mudamos de Cidade novamente. As lembranças que tenho da quinta à oitava série do primeiro grau são muitas. Quando penso nesta fase, a qual estudei na Escola Estadual de Ensino Fundamental Marechal Arthur da Costa e Silva, sinto uma alegria de recordar estes momentos e uma dificuldade de selecionar quais trazer a público. Lembro que na quinta série passei a ter vários professores, várias matérias, mais conteúdo, de início foi um pouco confuso assimilar essa mudança, mas com o tempo fui me adaptando e gostando do ritmo. Assim que o ano de oitava série estava terminando, fizemos uma festa de formatura. Nunca esqueço, usei um vestido amarelo com babados e a festa foi num antigo hotel que havia em frente à escola. Foi aí que meu pai me matriculou na Escola de 2º grau, onde fui cursar Auxiliar de Escritório. O tempo que cursei o segundo grau valeu pelas amizades, pelos professores, ou seja, mais pelo convívio social e pelo conteúdo adquirido. Me recordo de professoras legais que ensinavam e ajudavam com prazer nas tarefas, tornando a aprendizagem mais agradável e proveitosa, contribuindo para o meu desenvolvimento e tornando-me hoje alguém que gosta de aprender com consciência de que jamais devemos estacionar na linha do saber, mas buscar novas fontes do conhecimento. Estava cursando o último ano do 2º grau, comecei a trabalhar de emprega doméstica na casa de uma professora. Trabalhava durante o dia e à noite estudava. Me formei e fui fazer o Magistério de férias em Passo Fundo, no Colégio Bom Conselho. Logo comecei a estudar, fiz uma prova na Prefeitura do meu município e comecei a lecionar numa escola rural distante 8 km de minha casa. Foi um desafio para mim. Além de lecionar de bicicleta, pois não tinha carro eu dava aula para alunos da 1ª série a 5ª série, preparava merenda escolar e limpava a escola. Durante as férias eu me deslocava para Passo Fundo e pagava aluguel na casa de uma senhorachamada Inês onde cursava o Magistério. E veio o estágio supervisionado pela Irmã Erminda do Colégio Bom Conselho. Tudo era muito rígido, objetivos, aulas práticas, registros, horta escolar e jardim. Analisei muito o processo que vivenciei com esses alunos, portanto, conceituo essa fase da minha vida como uma aprendizagem, uma fase enriquecedora, pois para ensiná-los tive que buscar conhecimentos inserindo-me na realidade deles. Quando cheguei ao fim desse ano como professora, vi que a profissão, mesmo cansativa, era algo que eu gostava e sentia muita satisfação em exercê-la. Resolvi seguir adiante por esse caminho. Conclui o Magistério, continuei lecionando no município, logo depois me casei com Jaime Rigoni, fiz concurso Estadual, passei e quando tive meu primeiro e único filho Rodolfo Rigoni, fui chamada para assumir o concurso numa escola do Estado. Uma realidade totalmente diferente das que eu havia experimentado anteriormente. Uma escola maior, com mais professores, um diretor e uma só turma para mim trabalhar. Procurei colocar em prática o que havia aprendido ao longo de minha formação no Magistério. Me senti muito frustrada quando vi a ruína da escola na face dos meus colegas professores, todos os dias ouvia muitas reclamações, muitos colegas frustrados, que não gostavam da profissão, reclamando de tudo, e notei que a educação perde qualidade por causa das convicções de muitos professores. Continuei trabalhando vinte horas semanais na Escola Municipal e vinte horas semanais na Escola Estadual. Com a ajuda da minha mãe, do meu pai, do meu esposo criamos o nosso amado filho. Fui convidada a assumir mais vinte horas semanais como Coordenadora da Casa Da Cultura do município de Casca. Aceitei, e passei a trabalhar pela parte da noite também. 2.2 - Minhas expectativas quanto ao ingresso num Curso Superior – Pedagogia Depois de quase trinta anos trabalhando como professora, com o incentivo do meu filho e do meu esposo, resolvi cursar um curso superior. Fiz vestibular na UNOPAR e foi a maior alegria, quando recebi a notícia que havia conseguido passar e ficar entre as dez candidatas. Continuo trabalhando manhã, tarde e noite. É bastante sacrificado o meu dia a dia, mas acredito que em tempo algum, devemos perder nossos objetivos, nossos sonhos, acreditando que é possível, não perdendo a direção de nossa vidas, unindo pensamento, vontade e ação para conquistar o que desejamos. Hoje sou muito grata a muitas pessoas que contribuíram para o meu processo de crescimento que se deu também pelo meu esforço pessoal e pela ajuda e contribuição de muitas mãos e vozes que me orientaram e me ampararam, contribuindo para a colheita de muitos frutos bons. Para mim, está sendo uma experiência enriquecedora, porque, vivenciando a prática escolar e estudando num Curso Superior de Pedagogia, posso aperfeiçoar minha prática e receber a parte teórica, a qual está sendo muito valiosa. 3 - EDUCAÇÃO E PEDAGOGIA O que eu entendo por “EDUCAÇÃO” e por “PEDAGOGIA” Educação é o meio em que os hábitos, costumes e valores são transferidos de uma geração para geração. A educação se dá através de situações presenciadas e experiências vividas por cada pessoa ao longo de sua vida, é o processo contínuo do desenvolvimento das faculdades físicas, intelectuais e morais do ser humano para uma melhor integração na sociedade. A educação pode ser definida como sendo o processo de socialização dos indivíduos. Ao receber educação, a pessoa assimila e adquire conhecimentos. Paulo Freire nos diz que “a educação tem caráter permanente. Não há seres educados e não educados, estamos todos nos educando. Existem graus de educação, mas estes são absolutos.” Afirmação que nos faz refletir sobre o processo educativo contínuo, como base de uma constante busca pela melhoria da qualidade de formação do docente e discente. Não posso querer transmitir o conhecimento, pois este já existe, posso orientar tal indivíduo a buscar esse conhecimento já existente, estimular e descobrir suas afinidades em determinadas áreas. Educação engloba os processos de ensinar e aprender, de ajuste e adaptação. Pedagogia para mim é a ciência que estuda a educação e tem como objetivo principal, a melhoria no processo de aprendizagem dos indivíduos, visto que está conectada com os aspectos da sociedade e também com as normas educacionais do país. Considero a Pedagogia não só uma ciência, mas a arte de educar, de direcionar a criança no caminho da aprendizagem em busca do conhecimento. Nem todo professor, mas todo pedagogo é um professor. E como Paulo Freire diz: “Ser professor é a certeza de que faz parte de sua tarefa docente, não apenas ensinar conteúdos, mas também ensinar a pensar certo”. 4 - CONCLUSÃO Vivendo intensamente atividades ligadas ao ensino, minha capacidade crítica e prospectiva vem sendo desafiada. Portanto, no ser uma pedagoga está presente o compromisso com a sociedade e com a educação, em desenvolver atividades diárias em sala de aula, no qual se destaca a importância da articulação entre o processo de ensino aprendizagem. Ao relatar uma parte importante da minha vida escolar fiquei muito contente, pois revivi momentos importantes e inesquecíveis da minha vida escolar, pois foi naquele período que desenvolvi em mim uma imensa vontade de um dia tornar uma profissional bem qualificada da educação. Hoje, sabemos que viver é enfrentar, mas não é amargurar; que estudar é buscar, superar, mas não é desesperar. O aprendizado deve ser prazeroso, e este pode ser o desafio mais importante do profissional de educação. Talvez tenha sido Cecília Meirelles quem fez a síntese mais poética do que seja ensinar. Para o doce poeta e educadora, “ensinar é: Acordar”. (MEIRELLES, 1993, p. 196) Sem dúvida para professores como eu que estão em constante aprendizagem e passam por tantas dificuldades nesta longa caminha, é imprescindível ter heróis que sejam reais e que realmente lutaram pela mesma causa que eu, ou seja lutaram por uma educação democrática. Desafiar faz parte da prática educacional, por isso temos de ser sempre malabaristas do conhecimento, isto é, reinventar, criar, organizar e desorganizar. Assim somos realmente os construtores do que desejamos ser. E também continuarei sendo uma professora em busca de melhores formas de trabalho, de conhecimento, de melhorar sempre a minha prática, e de sempre tornar o conhecimento significativo para os meus alunos. 5 - REFERÊNCIAS ALVES, Rubem, Uma Escola para Voar. 2006. FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo, Editora São Paulo, 1996. MEIRELLES, Cecília, Poesia Completa. São Paulo, Editora Nova Aguilar, 1993 p.196. PPAP, Propostas Político administrativa pedagógica da Escola Estadual de Ensino Fundamental Marechal Arthur da Costa e Silva.