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pensamento pedagogico  historia dos sistemas educacionais no Brasil

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UNIDADE 2
PENSAMENTO PEDAGÓGICO
ObjETIvOS DE APrENDIzAGEM
	Reconhecer atribuições das diferentes esferas de governo e o papel 
da escola diante das Políticas Educacionais vigentes no país.
TÓPICO 1 – A ORGANIZAÇÃO DOS SISTEMAS 
EDUCATIVOS NO BRASIL
TÓPICO 2 – A EDUCAÇÃO NO PRIMEIRO E NO 
SEGUNDO REINADO 
TÓPICO 3 – A EDUCAÇÃO NO PERÍODO 
REPUBLICANO E A 
REDEMOCRATIZAÇÃO DA NOVA 
REPÚBLICA
TÓPICO 4 – A LEGISLAÇÃO E A ORGANIZAÇÃO 
DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA NA 
ATUALIDADE
TÓPICO 5 – POLÍTICAS E PROGRAMAS 
EDUCACIONAIS (PDE, FUNDEB 
/ FUNDEF, AVALIAÇÃO 
INSTITUCIONAL ESCOLAR)
PLANO DE ESTUDOS
Esta unidade está dividida em cinco tópicos. Ao final de cada 
um deles, você encontrará atividades visando à compreensão dos 
conteúdos apresentados.
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A ORGANIZAÇÃO DOS SISTEMAS 
EDUCATIVOS NO BRASIL
1 INTRODUÇÃO
TÓPICO 1
Embora esse caderno não possua a pretensão de comparar conceitos e épocas, até 
porque, segundo Veyne (1992), o passado é morto e ausente, enquanto que o presente, 
vivo e mutável oferece-nos apenas uma releitura do que se foi; algumas transformações, 
acontecimentos e pensamentos ocorridos no mundo merecem maior atenção para que se possa 
esclarecer como o Brasil construiu seu sistema educativo e que influências foram relevantes 
nesse processo.
A Europa do século XVI convenceu-se de que era detentora da verdadeira fé, superior 
a outros povos, baseada nos bons costumes e com a prevalência das tradições cristãs sobre 
as demais expressões religiosas. As coisas, pessoas e fatos deveriam permanecer onde Deus 
as havia colocado, seguindo uma hierarquia, essa era a lógica social da época. Nesse sentido, 
o missionário, um vigilante da cristandade, deveria converter os costumes que não estivessem 
de acordo com a visão projetada pela interpretação cristã (PAIVA, 2003).
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DICA
S!
Cristandade é o conjunto dos países ou povos cristãos. A palavra 
provém do latim christianitas, e tem três vertentes principais: o 
Catolicismo, a Ortodoxia Oriental (separada do catolicismo em 
1054 após o Grande Cisma do Oriente) e o Protestantismo (que 
surgiu durante a Reforma Protestante do século XVI). Os cristãos 
acreditam que Jesus Cristo é o Filho de Deus que se tornou 
homem e o Salvador da humanidade, morrendo pelos pecados do 
mundo. Geralmente, os cristãos se referem a Jesus como o Cristo 
ou Messias. É considerado modelo de vida virtuosa, e encarnação 
de Deus. Os cristãos chamam a mensagem de Jesus Cristo de 
Evangelho.
FONTE: Adaptado de: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Cristianismo>. Acesso 
em: 22 mar. 2013.
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Deve-se inicialmente esclarecer o que é a Companhia de Jesus. Em latim Societas Iesu 
(S. J.), a Companhia de Jesus é uma congregação religiosa fundada em 1534, por um grupo 
de estudantes da Universidade de Paris, liderados pelo basco Inácio de Loyola. A Congregação 
foi reconhecida por bula papal em 1540, e seus membros ficaram conhecidos como jesuítas 
(COSTA, 2004).
Resultado de inúmeras transformações sociais na cultura europeia, e da Reforma 
(deflagrada por Martinho Lutero, na Alemanha, opondo-se a alguns conceitos da Igreja), a 
Companhia de Jesus era fruto e meio da disseminação do cristianismo, pois a legitimidade 
de reinos e povos daquela época estava diretamente atrelada à fidelidade e à Igreja. A ordem 
social, o poder político, valores, costumes, tudo era explicado de acordo com a fé cristã (a 
crença em um Deus único e onipresente) (PAIVA, 2003). 
NOTA
! �
Martinho Lutero, nascido na Alemanha, sacerdote católico 
agostiniano, opôs-se aos conceitos da Igreja católica quanto à 
cobrança de indulgências, ou seja, remissão parcial ou total sobre 
os castigos impostos aos pecadores; sendo, por isso, excomungado 
pela Igreja, acusado de heresia. Sua proposta reformista fundou o 
Protestantismo, que seguia apenas a doutrina registrada na Bíblia. 
Traduziu a Bíblia para o alemão, com grande aceitação popular. 
Hoje, há cerca de 70 milhões de luteranos no mundo.
Pode-se saber um pouco mais sobre sua vida assistindo ao filme 
“Lutero” ou “Luther”, dirigido por Eric Till: Alemanha, 2003.
Assim, a Companhia de Jesus é fruto de uma tentativa de teocratização da Europa, em 
que a Igreja buscava converter os povos dos países recém-descobertos por meio da religião 
católica. No Brasil, não foi diferente. Descoberto pelos portugueses em 1500, a história colonial 
brasileira se estende até 1822, com a independência do país. Na verdade, a colonização do 
Brasil só se inicia com a chegada da expedição do primeiro Governador Geral do Brasil, Tomé 
de Sousa, em 1549, que trouxe os primeiros jesuítas para evangelizar os índios. O período 
que vai desde a chegada dos portugueses às terras brasileiras em 1500, até essa data (1549) 
é chamado de período pré-colonial (ARRUDA; PILETTI, 2007).
Para melhor compreender o contexto educacional brasileiro e a importância da 
participação jesuítica nesse processo, é imperativo destacar que não se considera a educação 
indígena marcante, pois se estabelece o período jesuítico como primeiro a ser considerado 
para fins de estudo, embora os índios que aqui viviam possuíam um sistema educacional 
característico a cada tribo, ainda que não escolarizado. A divisão cronológica da história 
educacional brasileira ocorreu, sempre salientando o caráter didático dessa divisão, conforme 
mostra o quadro a seguir.
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QUADRO 2 – DIVISÃO CRONOLÓGICA DA EDUCAÇÃO NO BRASIL
Períodos que marcaram a Educação no Brasil
Período Jesuítico (1549-1759). Período da Segunda República (1930-1936).
Período Pombalino (1760-1807). Período do Estado Novo (1937-1945).
Período Joanino (1808-1821). Período da Nova República (1946-1963).
Período Imperial (1822-1888). Período do Regime Militar (1964-1985).
Período da Primeira República (1889-1929). Período da Abertura Política (1986-2003).
Fonte: Adaptado de: <http://www.pedagogiaemfoco.pro.br/heb3.html>. Acesso em: 15 ago. 2012.
Pode-se compreender melhor esse contexto a partir dos tópicos subsequentes desse 
caderno, em que todo esse contexto é abordado.
2 OS JESUÍTAS E A EDUCAÇÃO NO PERÍODO COLONIAL
A colonização brasileira iniciou-se com a chegada dos jesuítas, trazidos por Tomé de 
Sousa e comandados pelo Padre Manoel de Nóbrega. Nas experiências europeias, a propagação 
missionária da fé já se defrontara com a intolerância dos adultos, e os missionários descobriram 
que mais fácil seria conquistar os jovens. A partir daí começaram a criar escolas para esse fim.
Quinze dias depois da chegada ao Brasil, os missionários já haviam edificado a primeira 
escola elementar em Salvador. No entanto, o Brasil, com seus índios nativos, já tinham um 
sistema educativo, pois segundo Meksenas (2002), sempre que se considera a existência de uma 
sociedade, por mais primitiva que seja, deve-se considerar também sua concepção de educação.
A cultura e a organização social dos índios não foram consideradas durante o processo 
educacional, gerando muitos conflitos. Esse “projeto civilizatório” impôs um padrão universal 
de costumes e de poder, baseado na cultura europeia (ELIAS, 1994). A evangelização 
inicialmente foi destinada aos índios e escravos, depois aos filhos de colonos, à formação de 
novos sacerdotes e à elite intelectual.