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Manual de Teologia   FINAL 1

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mas a qual se vê obrigada a obedecer. Chamado a amar o bem e a evitar o mal, a voz da 
consciência pode, quando necessário, falar-lhe ao coração mais especificamente: faz isto, evita 
aquilo. Isto porque o homem tem no seu coração uma lei escrita por Deus. Obedecer a ela constitui 
a verdadeira dignidade da pessoa, que será julgada de acordo com tal lei (Cfr. Rm. 2,15-16). 
3.3.2. A consciência é uma faculdade moral. 
A consciência é elemento que “manifesta aos homens as suas obrigações morais e os impele a 
cumpri-las”9.A pessoa humana é receptora de normas que deve executar na intimidade da sua 
consciência onde descobre uma lei que lhe é imposta. É importante sublinhar a individualidade da 
 
7 .CEI=CONFERENZA EPISCOPALE ITALIANA, La Verita vi fara Liberi, Catechismo degli adulti; Ed.Città del 
Vaticano Roma 1995, pp 486. Cf: Gn. 2,9 «Iahweh Deus fez crescer do solo toda espécie de árvores formosas de ver 
e boas de comer, e a àrvore da vida no meio do jardim, e a árvore do conhecimento do bem e do mal».Cf.Gn. 3,9-13 
«Iahweh Deus chamou o homem: onde estas?…respondeu o homem, tive medo porque estou nu, e me escondi, Ele 
retorquiu e quem ti fez saber que estas nu? O homem respondeu, a mulher que puseste junto de mim…Deus disse a 
mulher que fizeste? a mulher respondeu a serpente me seduziu e eu comi». 
8O imperative categórico foi formulado por Kant quando diz “age de modo a que a tua acção possa ser elevada a lei 
universal”, ou por outra faz o bem e evita o mal 
92 K.H.Peschke, Ética Cristiana 1 UrbanianaUniversityPress, Roma 1986, 275. 
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pessoa humana na descoberta e execução da tal lei o que concorre para a explicação da 
responsabilidade pessoal do sujeito ao cometer qualquer acto humano. 
3.3.3. A Consciência pode ser recta ou errónea 
Quando a consciência se encontra de acordo com a norma moral objectiva chama-se consciência 
certa; no caso contrário chama-se consciência errónea. A existência de doutrinas e correntes 
filosóficas que deturpam a verdade sobre o ser humano, pode influenciar a rectidão de uma 
consciência. A formação errada da consciência designa-se ignorância invencível e o mal cometido 
por causa da ignorância invencível, é um mal, embora não possa ser imputado á pessoa que o 
comete. 
3.3.4. Consciência certa ou duvidosa 
A consciência é certa quando é capaz de formular um juízo moral sem medo de se enganar. 
Quando, porém, existe alguma possibilidade de se enganar no juízo que se emite, então está-se 
perante uma situação de consciência duvidosa. 
É importante ter presente que a certeza não coincide com a rectidão; isto aplicado a nossa reflexão, 
quer dizer que nem sempre a consciência certa é uma consciência recta. Por outro lado, a 
consciência duvidosa não coincide com consciência errónea: consciência recta tem a ver com a 
bondade moral do acto que se pratica. 
Quando alguém está perante uma consciência duvidosa deve suspender o juízo e recorrer à ajuda 
externa. 
3.3.5. A Primazia da Consciência 
A voz da consciência, por ser a voz de Deus, tem de ser seguida sempre, mesmo que a sua decisão 
pareça pouco clara. Na sua primazia a consciência é considerada como a norma subjectiva suprema 
e final da moralidade. Mas, porque o juízo prático da consciência depende da razão humana, que 
naturalmente não é infalível, pode acontecer que a consciência faça juízos errados. Isso quer dizer 
que a consciência, como juízo do acto, não está isenta de erro. Mas, mesmo quando ela erra, por 
ignorância invencível, a consciência não perde a sua dignidade (João Paulo II, 1993, 62). 
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3.3.6. A Formação da consciência 
Há uma obrigação absoluta de obedecer a consciência. Por causa disso é importante a formação 
da consciência. A consciência é bem formada quando é recta e verídica, quer dizer, quando formula 
o seu juízo segundo o bem estabelecido pela sabedoria do criador. Para os crentes, a formação da 
sua consciência deve basear-se no ensino diligente da Sagrada Escritura e na doutrina da Igreja, 
pois, por Cristo, a Igreja Católica foi constituída mestra da verdade e, por isso, ela tem a missão 
de fazer conhecer e ensinar a verdade que é Cristo. Ademais, pela sua autoridade, ela declara e 
confirma os princípios morais que dimanam da natureza humana (Concílio Vaticano II, D.H.,14). 
3.3.7. O Homem é um ser responsável e imputável 
A Responsabilidade é a capacidade que os seres humanos têm de responder pelos seus actos. Os 
seres humanos são considerados capazes de agir responsavelmente uma vez que são dotados de 
liberdade10. 
A responsabilidade implica, que o ser humano pode e deve responder pelos seus actos, que, por 
radicarem na sua liberdade, lhe são imputáveis. Ela é a característica do homem adulto e 
consciente. 
3.3.8. Imputabilidade 
A imputabilidade é dever de responder pelos seus actos. Concorrem para a imputabilidade as 
seguintes condições: 
a) Liberdade de acção 
b) Consciência do acto cometido 
c) Conhecimento crítico dos seus actos. 
3.3.9. Factores que afectam a imputabilidade 
a) –A falta de conhecimento crítico por: 
 
10Designa-se por liberdade a faculdade de agir ou não agir, de fazer isto ou aquilo, de praticar actos deliberados. 
 
 
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 Ignorância, sobretudo a invencível. A ignorância vencível não exclui a imputabilidade mas 
pode diminuir o seu grau; 
 Erro,que consiste no conhecimento falso ou defeituoso que leva à uma avaliação 
equivocada ou errada da moralidade de uma determinada acção. 
 Distracção que é uma falta, momentânea, de conhecimento, de percepção ou de 
consciência. A não imputabilidade de uma acção depende do grau de distracção que 
acompanha essa acção. 
c) Factores que impedem o consentimento pleno da vontade: 
 As Paixões enquanto reacções instintivas, internas produzidas pelo bem ou pelo mal 
percebidos intuitivamente. Embora sejam factores necessários de integração da pessoa 
humana elas diminuem a imputabilidade porque impedem o funcionamento normal da 
razão e também a sua atenção; algumas paixões constituem um forte incentivo para acção 
e até podem diminuir ou destruir a vontade; 
 O Medo entendido como repressão da vontade por causa de um perigo iminente ou previsto, 
o qual pode ser grave ou ligeiro. Em geral o medo não elimina a imputabilidade, mas a 
diminui. Só não existe imputabilidade quando o medo endurece pois paralisa 
completamente a vontade; 
 Violência que é a força compulsiva física ou psíquica extrínseca à vontade. 
 Alguns hábitos, disposições inatas, e motivações inconscientes As disposições são 
inclinações de uma pessoa sobre uma determinada coisa, dependendo da história da pessoa 
(infância) e a situação hereditária. Por seu turno, o hábito é a segunda etapa em que há a 
repetição de uma acção, de maneira que ela fica estabelecida; se o hábito for positivo leva 
à virtude, e se for mau ao vício, que deve ser combatido. 
 As sugestões de massas (meios de comunicação e publicidade). 
 
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3.4. O homem é susceptível ao pecado 
3.4.1. Conceito do pecado. 
O conceito de “pecado” é eminentemente teológico e designa, no sentido estrito da palavra, um 
acto voluntário de ruptura com Deus. O ser humano não geneticamente determinado e isso abre a 
possibilidade de se construir paulatinamente. Quando há uma recusa de viver segundo o melhor 
das suas possibilidades biológicas, psíquicas e amorosas há recusa da própria humanização e da 
humanização dos demais. 
Assim o pecado não é uma fatalidade. Não tem necessariamente que acontecer, ele é uma 
possibilidade inscrita no plano da criação – porque o homem é vocacionado a ser livre (à 
liberdade), consciente,

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