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Manual de Teologia   FINAL 1

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pai e mãe exclusivamente através um do outro e o direito do filho de ser concebido e nascer 
no matrimónio e através do matrimónio14. 
b) Fecundação in vitro e transferência de embriões 
Esta técnica consiste em colocar O esperma (do marido ou do doador) e os óvulos em contacto 
num vaso para realizar a fecundação, em um laboratório. Este processo responde a questões de 
 
13 O lugar da colocação do espermatozóide [vagina, cervix, útero, trompas] depende dos resultados do exame médico 
na mulher. As causas da impotência ou esterilidade masculina ou feminina têm que serem conhecidas. A inseminação 
artificial fica exigida só quando tentativas de eliminação dessas causas não dão resultados bons. Il problema etico da 
chiarire è il seguente: fino a che punto l’atto medico, l’intervento del medico o biologo che sia, ha carattere di aiuto 
terapeutico oppure diventa atto sostitutivo o manipulatorio?: See - SGRECCIA, Manuale di Bioetica I, p. 505. 
14 SGRECCIA, ManualediBioetica, p. 520; CONGREGAZIONE PER LA DOTTRINA DELLA FEDE, Domum 
Vitae, II, 6. CONGREGAZIONE PER LA DOTTRINA DELLA FEDE, Domum Vitae, II, 2. 
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esterilidade feminina ou em ambos os cônjuges. Esta técnica coloca um problema de base que é o 
do futuro dos embriões já fecundados e não alocados a uma mãe. Por isso a Igreja desencoraja esta 
técnica. 
c) Maternidade substitutiva 
Trata-se de uma prática de contratação de mulheres que com pagamento assumem a gestão de 
embriões fecundados in vitro com óvulos e espermatozóides de outras pessoas ou dos bancos de 
embriões (Screccia, 2007, p, 552). Esta técnica é igualmente desencorajada pela Igreja. 
4.3.3. O Aborto 
O aborto é a interrupção da gestação que pode ser espontânea ou provocada. 
O aborto espontâneo é aquele que acontece sem a concorrência humana. 
O aborto provocado pode ser terapêutico ou por outros motivos. O aborto terapêutico é interrupção 
da gravidez para salvar a vida salvável da mãe ou da criança, trata-se daqueles casos em que se 
deve escolher entre deixar as duas vidas morrer ou salvar uma das duas vidas (Häring, 1982, p. 
32). A Igreja apenas condena o aborto provocado por outros motivos que não sejam a questão 
terapêutica. 
 
 
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CAPÍTULO V: PENSAMENTO SOCIAL DA IGREJA CATÓLICA 
 
Os princípios permanentes da doutrina social da Igreja constituem os verdadeiros pilares do 
ensinamento social católico. Eles radicam no princípio da dignidade da pessoa humana e podem 
ser desenvolvidos em temas referentes à vida em sociedade. 
5.1. A Justiça 
A justiça consiste na constante e firme vontade de dar a Deus e ao próximo o que lhes é devido. 
Ela se traduz na atitude determinada pela vontade de reconhecer o outro como pessoa com direitos 
e deveres. A justiça social representa um verdadeiro desenvolvimento da justiça geral, reguladora 
das relações sociais com base no critério da observância da lei. A justiça social, exigência conexa 
com a questão social, diz respeito aos aspectos sociais, políticos e económicos e, sobretudo, à 
dimensão estrutural dos problemas e das respectivas soluções. 
A justiça mostra-se particularmente importante no contexto actual, em que o valor da pessoa, da 
sua dignidade e dos seus direitos, a despeito das proclamações de intentos, é seriamente ameaçado 
pela generalizada tendência a recorrer exclusivamente aos critérios da utilidade e do ter. Também 
a justiça, com base nestes critérios, é considerada de modo redutivo, ao passo que adquire um 
significado mais pleno e autêntico na antropologia cristã. A justiça, com efeito, não é uma simples 
convenção humana, porque o que é «justo» não é originariamente determinado pela lei, mas pela 
identidade profunda do ser humano. 
A plena verdade sobre o homem permite superar a visão contratualista da justiça, que é visão 
limitada, e abrir também para a justiça o horizonte da solidariedade e do amor: «A justiça sozinha 
não basta; e pode mesmo chegar a negar-se a si própria, se não se abrir àquela força mais profunda 
que é o amor». Ao valor da justiça a doutrina social da Igreja acosta o da solidariedade, enquanto 
via privilegiada da paz. 
5.1.1. A Caridade 
Entre as virtudes no seu conjunto e, em particular, entre virtudes, valores sociais e a caridade, 
subsiste um profundo liame, que deve ser cada vez mais acuradamente reconhecido. A caridade, 
não raro confinada ao âmbito das relações de proximidade, ou limitada aos aspectos somente 
subjectivos do agir para o outro, deve ser reconsiderada no seu autêntico valor de critério supremo 
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e universal de toda a ética social. Dentre todos os caminhos, mesmo os procurados e percorridos 
para enfrentar as formas sempre novas da actual questão social, o «mais excelente de todos» (1 
Cor 12,31) é a via traçada pela caridade. 
Os valores da verdade, da justiça, do amor e da liberdade nascem e se desenvolvem do manancial 
interior da caridade: a convivência humana é ordenada, fecunda de bens e condizente com a 
dignidade do homem, quando se funda na verdade; realiza-se segundo a justiça, ou seja, no respeito 
efectivo pelos direitos e no leal cumprimento dos respectivos deveres; é realizada na liberdade que 
condiz com a dignidade dos homens, levados pela sua mesma natureza racional a assumir a 
responsabilidade pelo próprio agir; é vivificada pelo amor, que faz sentir como próprias as 
carências e as exigências alheias e torna sempre mais intensas a comunhão dos valores espirituais 
e a solicitude pelas necessidades materiais. Estes valores constituem pilares dos quais recebe 
solidez e consistência o edifício do viver e do agir: são valores que determinam a qualidade de 
toda a acção e instituição social. 
A caridade pressupõe e transcende a justiça: esta última «deve ser completada pela caridade». Se 
a justiça «é, em si mesma, apta para “servir de árbitro” entre os homens na recíproca repartição 
justa dos bens materiais, o amor, pelo contrário, e somente o amor (e portanto também o amor 
benevolente que chamamos “misericórdia”), é capaz de restituir o homem a si próprio».Não se 
podem regular as relações humanas unicamente com a medida da justiça: «A experiência do 
passado e do nosso tempo demonstra que a justiça, por si só, não basta e que pode até levar à 
negação e ao aniquilamento de si própria, se não se permitir àquela força mais profunda, que é o 
amor plasmar a vida humana nas suas várias dimensões. 
5.1.2. Bem comum 
O bem comum é a dimensão social e comunitária do bem moral. Ele não consiste na simples soma 
dos bens particulares de cada sujeito do corpo social. Sendo de todos e de cada um, é e permanece 
comum, porque indivisível e porque somente juntos é possível alcançá-lo, aumentá-lo e conservá-
lo, também em vista do futuro. Assim como o agir moral do indivíduo se realiza fazendo o bem, 
assim o agir social alcança a plenitude realizando o bem comum. 
Uma sociedade que, em todos os níveis, quer intencionalmente estar ao serviço do ser humano é a 
que se propõe como meta prioritária o bem comum, enquanto bem de todos os homens e do homem 
todo. 
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As exigências do bem comum derivam das condições sociais de cada época e estão estreitamente 
conexas com o respeito e com a promoção integral da pessoa e dos seus direitos fundamentais. 
Essas exigências referem-se, antes de mais, ao empenho pela paz, à organização dos poderes do 
Estado, a uma sólida ordem jurídica, à salvaguarda do ambiente, à prestação dos serviços 
essenciais às pessoas, alguns dos quais são, ao mesmo tempo, direitos do homem: alimentação, 
morada, trabalho, educação e acesso à cultura, saúde, transportes, livre circulação das informações 
e tutela da liberdade religiosa. 
O bem comum empenha

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