Prévia do material em texto
Colheita e qualidade da fibra do algodão Prof. Amilton Ferreira da Silva Sete Lagoas, Outubro de 2018 Colheita do algodão • Nível mundial – Cultivo familiar, colheita essencialmente manual • EUA, Uzbequistão e Brasil principalmente – áreas extensas – Colheita mecânica • Se desenvolveu em grande escala nos EUA a partir da segunda guerra mundial. • Adoção da colheita mecanizada (EUA) • 1922 – 22% • 1954 – 59% • 1972 – 99% Mecanizada x manual • Reduz mão de obra; • Menores custos operacionais; • Otimiza tempo; • Viabiliza o plantio em grande escala; • Teor de impurezas é menor (Se bem feita). • A colheita deve ser feita por etapas • A primeira “apanha” quando 50% a 60% dos frutos estiverem abertos (Capulhos). • A colheita deve ser realizada em dia de sol. • Efetuadas por camadas da planta de algodão •Baixeiro, médio e ápice • Rendimento de colheita: um bom colhedor apanha cerca de 45kg de algodão por dia Colheita manual Fonte:www.novatrento.com.br Colheita manual • Etapa importante na preservação da qualidade da fibra; • Com a migração da cultura algodoeira para o cerrado e as extensas áreas de plantio, a colheita mecanizada praticamente extinguiu a colheita manual. Colheita mecanizada Fonte: dafvm.msstate.edu Primeiras colhedoras de algodão 1928 Model "E" Cotton Picker Machine Fonte: texasescapes.com Primeiras colhedoras de algodão Fonte: dafvm.msstate.edu Máquinas presentes no Brasil • Colhedora Picker, de fusos • Essas colhedoras colhem mais de 90% do algodão brasileiro • Cultivado em sistema de espaçamento de 0,76 a 0,90 cm • Principio: Com a ajuda de fusos de aço com diversos movimentos de rotação, enrolar o algodão e extrai-lo do capulho aberto. Sistema recolhedor com fusos e desfibrador Funcionamento da colhedora • As plantas são conduzidas para os tambores colhedores; • A extração da fibra se dá pelos fusos giratórios; • Após separado, o sistema pneumático é acionado pelas turbinas e succiona o algodão até o cesto, nesse processo ocorre uma pré-limpeza. Reguladores básicos da colhedora • Regulagens feitas diariamente para preservar a qualidade do algodão. • Pressão das placas • Distância do desfibrador para o fuso • Escova de limpeza dos fusos • Ajuste de posição dos fusos em relação ao tambor • Ajuste de altura do tambor (Corpo da colheita) • Lubrificação Regulagem da folga entre fusos e placa de pressão (Foto: Evandro Ribeiro) Reguladores básicos da colhedora Colhedoras • A maior parte do parque de máquinas no Brasil é da marca John Deere (Modelos JD 9970, JD 9976, JD 9996 e JD 7760). • A mais recente (JD 7760) tem capacidade de produzir fardinhos compactados de algodão em caroço de 2,5 a 3 t. Sistema de enfardamento cilíndrico • Enfardamento dentro da própria máquina; • Descarregamento sem a necessidade de parar a máquina; • Não há contato com o solo; • Sistema mais moderno de colheita de algodão. Fonte: www.ampasul.com.br Sistema de enfardamento cilíndrico Fonte: www.gruposinagro.com.br12 www.lettosimoes.com.br Sistema de enfardamento cilíndrico Como funciona o enfardamento cilíndrico enfardamento cilíndrico Fonte: www.deere.com.br • As máquinas Case IH são de modelo CASE IH 2555, CASE IH 420, CASE IH 610 e case IH 635 Module express, esta última produzindo fardões quadrados compactados de algodão em caroço de aproximadamente 4,5 t. Colhedoras Fonte: www.caseih.com Enfardamento retangular na colhedora Fardões – fora da colhedora Fonte: fazplanalto.wordpress.com 1. Descarga da colhedoa no Reboque basculante (Bass Boy) 2. Descarga do Reboque basculante na prensa compactadora Prensa compactadora Foto: Lucas Sttraci Comporta aproximadamente 4 cestos cheios da colhedeira para formar um fardão (+/- 10 toneladas) - Densidade de 200kg/m3 Fardões • A ideia dos fardões foi a de possibilitar o armazenamento em campo do algodão que não pudesse ser processado imediatamente, permitindo que a colheita seguisse independentemente do beneficiamento • Prensagem pode chegar a uma densidade de 180 até 250 kg/m3, o que permite que o fardão não se desmanche quando for retirado da prensa. Algumas plataformas de colheita Picker de fusos foram desenvolvidos para poder colher linhas com espaçamento mais estreito, de menos de 0,50m. Colhedoras Colhedora do tipo “stripper” • Menos utilizada • Mais usada na colheita do algodão adensado • Consiste em arrancar , com diversos sistemas de escovas ou dentes, o capulho inteiro da planta e em uma segunda etapa, eliminar as casquinhas (Carpelos do capulho) e pedaços de ramos laterais. Retira os capulhos com os pentes e/ou dedos com auxílio de um molinete; A colheita não é seletiva, arrancando partes da planta (brácteas, ramos, maçãs imaturas) que não passam entre os pentes da unidade de colheita; Após a retirada pelos dedos os capulhos são conduzidos aos dutos por uma rosca-sem-fim; As colhedoras são equipadas com 1 ou 2 limpadores (HL) que fazem a pré-limpeza do algodão em caroço, removendo parte do material indesejável; Ocorre aumento da contaminação da fibra reduzindo a sua qualidade. Colhedora do tipo “stripper” Fonte: www.abrapa.com.br Colhedora do tipo “stripper” Detalhes da plataforma de colheita “stripper” acoplada na colheitadeira (A) e roscasem- fim para o transporte do algodão em caroço até os dutos (B). Fotos: Silva, O.R.R.F. Colhedora do tipo “stripper” Máquina antiga com plataforma “stripper” de pente para colheita do algodão adensado Foto: Silva, O.R.R.F. A colheita do algodão adensado com Picker e “stripper” De acordo com CHANSELME e RIBAS (2010) as colheitas com os diferentes tipos de colheitadeiras ocasionam as seguintes alterações na fibra: A colheita com “stripper” apresenta 16% de material estranho contra 7,7 % em colhedoras de fusos (Picker); Para produzir um fardo de 200 kg de fibra são necessários: •530 kg de algodão em caroço colhido com “Picker” •670 kg de algodão em caroço colhido com “stripper” Fonte: Valdinei Sofiatti, Embrapa Algodão Algodão em caroço colhido com colheitadeira “stripper” de pente com pré- limpeza na colheita por meio de dois extratores HL Foto: Silva, O.R.R.F. Colhedoras “stripper” Diversos modelos de colheitadeiras stripper de ‘pente’ (A- Busa; B- Wouchuck ; C- Montana; D- Dalazen) Desempenho das colhedoras • Pontos que devem ser observados ao implantar e manejar a cultura para se obter o máximo desempenho da colhedora: •Semeadura em linha reta; •Tamanho homogêneo das plantas; •Em condições normais, colhem entre 15 a 17 hectares/dia (Picker) • Algodão – Crescimento indeterminado. •Arquitetura de plantas, precocidade, maturação homogênea dos frutos; •Terreno plano (Máximo 8% de declividade) Desempenho das colhedoras • Altura ideal das plantas entre 1,0 e 1,3 m. • Desfolhantes: A recomendação é aplicar quando 60 a 70% dos capulhos estiverem abertos; •Ex: ethephon (ácido 2 cloro etil fosfônico), thidiazuron (N- fenil-N’-1,2,3,-thiadiazol-5-ureia) e dimethipim (2,3- dehidro- 5,6-dimetil-1,4,-dithiin-1-1-4-4-tetraoxido) • Uso de dessecantes deve ser evitado. • A presença de folhas verdes prejudica a qualidade da fibra ( Manchas). Desempenho das colhedoras• Mais de 90% dos capulhos abertos (Ideal 100%) • Umidade ideal de no máximo da pluma de 8% e da semente abaixo de 12%. • Evitar a colheita nos horários mais frescos do dia • (orvalho/umidade) – embuchamento. • Perdas admitidas: até 10% • Velocidade média de trabalho: 3,5 km/h • Presença de plantas daninhas – dificuldade na colheita e depreciação da fibra Desempenho das colhedoras Medidas de seguranças • As colheitadeiras de algodão são máquinas complexas, delicadas, caras e perigosas quando funcionam; • Capacitação dos operadores; • Limpeza diária; • É recomendado que a máquina seja acompanhada ao longo do dia por um tanque de água. Pós colheita • Destruição das soqueiras • Rotação de culturas • Vazio sanitário •Mato Grosso: 16 de setembro e 30 de novembro •Minas Gerais: 20 de setembro e 30 de novembro Transporte Transporte de fardões - Transmódulo Fonte: www.terrastock.com.br Fonte: www.busa.com.br Transportando os fardões Transporte Transporte de fardos cilíndricos Beneficiamento do algodão • Consiste em separar a fibra do caroço • Etapa de transformação do algodão, essencial para a sua valorização; • Todas as etapas do processo de beneficiamento têm um impacto sobre os componentes do lucro da empresa que são a produção (ritmo de beneficiamento), custo de produção, rendimento de fibra e qualidade. • Inicialmente, o beneficiamento se dava manualmente ou com a utilização de um descaroçador denominado Churka, originado na Índia (300 a.C.). • Em meados de 1794, o americano Eli Whitney patenteou uma máquina que utilizava dentes metálicos inseridos num tambor de madeira • Dois anos depois da invenção de Whitney, outro construtor americano, Henry O. Holmes, apresentou uma máquina utilizando serras circulares montadas num eixo e girando entre costelas metálicas Beneficiamento do algodão Descaroçador de Whitney. (Fonte: PILETTE, 1959, p. 29). Descaroçador de Holmes. (Fonte: PILETTE, 1959, p. 29). Modelo de Churka oriental. (Foto: CIRAD, [19--]). beneficiamento do algodão beneficiamento do algodão Usina moderna de fabricação brasileira. (Foto: Cotimes, 2007). Fases do beneficiamento 1. Recepção, qualificação e armazenamento temporário (pode ser necessária uma secagem) 2. Separação da fibra/semente 3. Prensagem, enfardamento e armazenamento da fibra. 1. Limpeza antes do descaroçamento (Pré-limpeza); 2. No descaroçador ( Limpeza da fibra); 3. Após o descaroçamento ( Limpeza da fibra) Importância do beneficiamento • Retirada as impurezas que vieram do campo; • Cuidado: regulagem e manutenção das máquinas; • Evitar esmagamento das sementes • Prejudica a qualidade do algodão • Provocando mudança de cor e pegajosidade da fibra Prensagem e enfardamento Qualidade da fibra • Para que as máquinas de beneficiamento operem com maior eficiência e para obter fibra e semente de boa qualidade, é recomendado que o algodão em caroço, ao entrar na usina, apresente as seguintes características: • Umidade do algodão em torno de 7%; • Sem excesso de impurezas; • Isenta de pragas e doenças; • Grau e maturidade ideal ( Verificada em laboratório). Qualidade da fibra – Comercialização • Nas últimas décadas, outras características da fibra do algodão, além do comprimento e do tipo, passaram a ter importância na determinação do valor final da fibra do algodão. • Aparelhos para se analisar as características físicas da fibra; • Equipamento HVI “ High Volume Instruments” • A indústria têxtil nacional exige fibras médias, longas e extralongas com as características que a indústria considera ideais para fibra, cada vez mais finas e resistentes. http://www.kuhlmann.com.br/lab/lab_primavera.php Fonte: abapa.com.br Interpretação do HVI • Comprimento; • Índice de uniformidade do comprimento; • O conteúdo de fibras curtas; • Resistência; • Algongamento; • O índice Micronaire; • A quantidade (Número de partículas de impurezas); • Área ocupada pelas impurezas em relação a área total; • Grau de refletância; • Grau de cor. Controle de qualidade TIPO: ASPECTO E COR GRAU DE FOLHA CLASSIFICAÇÃO VISUAL Controle de qualidade Para a classificação HVI (Tabela 1), o primeiro dígito é relativo ao tipo visual do algodão (onde o tipo 1 é o melhor e o 8 já é considerado fora do padrão), o segundo dígito refere-se a cor (1-branco, 2- ligeiramente creme, 3- creme, 4-avermelhado) e o terceiro dígito representa a quantidade de impurezas e folhas designado pelo grau de folha da amostra (1 é o menor número de folhas e impurezas e 8 é fora do padrão) (BRASIL, 2002). Controle de qualidade Custo de produção http://www.imea.com.br/upload /publicacoes/arquivos/03032017 194935.pdf • Os preços da comercialização do algodão são determinados no mercado internacional; • O que influencia? Preço do dólar; Clima; Problemas nos países que importam; Mercado de sintéticos; Alta oferta. Formação dos preços Caroço do algodão • O algodoeiro é também, produtora de proteína de qualidade, podendo funcionar como suplemento protéico na alimentação animal e humana; • Logo após a separação da fibra, seu principal produto, é em escala de importância é o óleo comestível; • Quando o caroço de algodão é aberto para liberar o grão que será esmagado, sobra a casca, excelente fonte de fibra efetiva, com real capacidade de estimular o rúmen e de alta palatabilidade para os ruminantes. • No processamento, obtêm-se subprodutos : • Primários • O línter, a casca e a amêndoa; • Secundários • farinha integral, óleo bruto, torta e farelo; • Terciários • Óleo refinado, borra, farinha desengordurada. Caroço do algodão Torta de algodão • Obtida após a extração do óleo, pode ser usada como fertilizante, na indústria de corantes, na alimentação animal e na elaboração de rações animais, devido ao seu alto valor proteico. • Importante: Os subprodutos são usados principalmente na alimentação de poligástricos, pois o gossipol é tóxico aos monogástricos Produtos a partir do algodão OBRIGADO