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119 Revista Conbrad Maringá, v.2, n.2, 119-132, 2017 UM ESTUDO SOBRE MOTIVAÇÃO E SUAS CONTRIBUIÇÕES PARA A EFICIÊNCIA EM UMA EMPRESA DE MOTOPEÇAS E OFICINA MECÂNICA EM IMPERATRIZ – MA Leonardo Ramos Leite Universidade Estadual do Maranhão leonardoramosleite@outlook.com.br Breno Sousa de Brito Universidade Estadual do Maranhão breno_sousa_b2k@hotmail.com Marilsa de Sá Rodrigues Tadeucci Universidade de Taubaté marilsasarodrigues@outlook.com Sandna Nolêto de Araújo Universidade Estadual do Maranhão sandna-@hotmail.com Janara Pereira dos Santos Borges Universidade Estadual do Maranhão janara_borges@hotmail.com RESUMO: O presente artigo refere-se a uma pesquisa realizada em uma empresa de motopeças e oficina mecânica em Imperatriz–MA com objetivo de investigar quais os fatores que mais contribuem para a motivação dos colaboradores e consequentemente aumentam a produtividade na empresa. Trata-se de um estudo de caso com abordagem qualitativa de caráter exploratório e como instrumento de utilizou-se entrevista semiestruturada com a gestora da empresa e análise do discurso. E como resultado percebeu-se que as teorias de motivação servem de base para as boas práticas de motivação dos colaboradores visando uma melhor produtividade na organização fazendo parte da sua estratégia, no entanto observa-se que isso somente torna o clima organizacional mais favorável a motivação dos colaboradores pois a motivação por vezes vem de dentro do colaborador não podendo a empresa intervir neste ponto. Palavras-Chave: Motivação. Produtividade. Estratégia. ABSTRACT: This article refers to a study conducted in a motorcycle parts and machine shop company in Imperatriz-MA in order to investigate what factors most contribute to employee motivation and thus increase productivity in the company. This is a case study with a qualitative approach of exploratory and as instrument was used semistructured interviews with the management of the company and discourse analysis. And as a result it was noticed that the theories of motivation are the basis for good motivation practices of employees to better productivity in the organization as part of its strategy, however it is observed that this only makes the most favorable organizational climate motivation employee motivation because sometimes comes from within the employee can not intervene the company at this point. 120 Revista Conbrad Maringá, v.2, n.2, 119-132, 2017 Keywords: Motivation. Productivity. Strategy. 1 INTRODUÇÃO Motivação, a palavra pode ser explicada por vários sentidos e analises diferentes, para Maximiano (2012, p.187) considera-se motivação o motivo e (ou) causa que produz determinado comportamento. Outra denominação seria “A motivação é a energia ou força que movimenta o comportamento”. Segundo Bergamini (1997) após a revolução industrial as organizações começaram a se preocupar mais com o fator humano nas organizações aumentando os investimentos para a melhoria e eficiência dos processos produtivos buscando melhores formas de se trabalhar. Estudos apontam para a importância da motivação dentro das empresas, e que as teorias servem de base para uma aplicação das técnicas gerenciais sendo o gestor capaz de analisar a situação correta aplicando assim uma determinada técnica que mais se adeque ao tipo situação. Tadeucci (2009, p.36) defende que “As aplicações das técnicas gerenciais abordadas por Maslow para motivar os funcionários no ambiente de trabalho, pressupõem o conhecimento detalhado das necessidades de cada funcionário e das políticas da empresa”. Chiavenato (2003) também explica uma outra teoria bem difundida que procura explicar as fontes de motivação no trabalho é a Teoria dos fatores de Herzberg, segundo teórico existem dois fatores que norteiam o comportamento das pessoas são eles: Fatores higiênicos e motivacionais, o primeiro diz respeito a fatores extrínsecos como, salário, benefícios sócias, condições físicas e ambientais de trabalho, tipo de chefia e etc. O segundo se traduz em fatores intrínsecos que estão relacionados com o conteúdo do cargo, crescimento individual, reconhecimento profissional e autorrealização. Tadeucci (2009) afirma que essa teoria proposta por Herzberg propicia o aumento da produtividade e o aumento da eficácia organizacional dentre vários outros benefícios, o que justifica ainda mais a importância do se estudar a motivação nas organizações. Diante da necessidade de se ter empresas cada vez mais eficientes a motivação dos colaboradores pode se tornar um diferencial para as empresas que almejam estar entre as mais rentáveis e sustentáveis do mercado, visto que este é um dos fatores que pode proporcionar um aumento da produtividade nas empresas. Tendo em vista o exposto acima despertou-se o seguinte questionamento. A 121 Revista Conbrad Maringá, v.2, n.2, 119-132, 2017 motivação influencia o desempenho dos colaboradores na organização a ponto de aumentar a produtividade e eficiência, em uma empresa do setor de motopeças e oficia mecânica de motos? A motivação exerce uma grande influência na produtividade e eficiência organizacional a ponto de ser melhor avaliada e implementada nas empresas, sendo as teorias da motivação uma boa base para que a gestão consiga motivar os seus colaboradores. Proporcionando benefícios à empresa a longo prazo a ponto de ser considerada uma das ferramentas estratégicas da administração da empresa quando se trata de proporcionar maior efetividade nas suas operações. Sendo que o objetivo pretendido deste trabalho é investigar quais os fatores que mais contribuem para a motivação dos colaboradores e consequentemente podem aumentar a produtividade na empresa para isso estuda-se algumas teorias da motivação que explicam algumas fontes de motivação que podem condicionar o colaborador a um trabalho mais produtivo na empresa, feito assim um levantamento bibliográfico e realizada uma entrevista, analisou-se alguns fatores motivacionais que exercem grande influência na eficiência dos colaboradores por fim descreveu-se a importância da motivação na empresa. 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 2.1 CONCEITO DE MOTIVAÇÃO Bergamini (1997, p.31) define como é complexo entender a motivação humana quando diz, “O caráter motivacional do psiquismo humano abrange, portanto, os diferentes aspectos que são inerentes ao processo, por meio do qual o comportamento das pessoas poder ser ativado”. E conforme Maximiano (2012) os estudos iniciais sobre motivação têm suas origens na filosofia e na psicologia com o objetivo de estudar e compreender o comportamento humano nos diversos contextos. E para ele a motivação é a base do enfoque comportamental sendo que para as empresas faz-se de grande importância entender o que motiva os seus colaboradores para um trabalho produtivo, por isso a importância de se estudar a motivação nas empresas fica evidente quando ele destaca: 122 Revista Conbrad Maringá, v.2, n.2, 119-132, 2017 O estudo da motivação – dos fatores que movimentam as pessoas – é um dos temas centrais do enfoque comportamental. Essa importância se justifica porque é necessário compreender os mecanismos que movimentam as pessoas, para os comportamentos de alto desempenho, indiferença ou improdutividade, a favor ou contra os interesses da organização e da alta administração (MAXIMIANO, 2012, p.187). O autor defende que a força da motivação tem três propriedades são elas: direção, intensidade e permanência. A direção é o objetivo do comportamento, o resultado a ser alcançado, já a intensidade está ligada amagnitude da motivação o quanto a pessoa está motivada, e a permanência é a relação temporal, ou seja, quanto tempo a pessoa ficará motivada. Para tanto as teorias que tratam da motivação e explicam o desempenho das pessoas em situações de trabalho, são divididas em dois grupos são elas: teorias de processo, que procuram explicar como funciona a motivação, teorias de conteúdo, que tentam explicar os motivos específicos que fazem as pessoas agir, a tabela a seguir mostra esta classificação. Quadro 1: Tipos de teorias sobre a motivação TEORIAS DE PROCESSO: procuram explicar como funciona a motivação. TEORIAS DE CONTEÚDO: procuram explicar quais fatores ou estímulos motivam as pessoas 1. Modelo do comportamento 2. Teoria da expectativa 3. Behaviorismo 4. Teoria da equidade 1. Teorias das necessidades 2. Frustração 3. Teoria dos dois fatores Fonte: Quadro dos Dois tipos de teorias sobre a motivação. (MAXIMIANO, 2012, p.188) Pois bem, as teorias que serão abordadas neste estudo são: Teria da equidade de Adams, a teoria da Hierarquia das Necessidades de Maslow e a Teoria dos dois fatores de Herzberg, visto que estas teorias proporcionam um melhor embasamento teórico e fornece ótimos parâmetros para as análises e conclusões posteriores acerca da empresa pesquisada. 2.2 TEORIAS DA MOTIVAÇÃO 2.2.1 Teoria da Equidade de Adams 123 Revista Conbrad Maringá, v.2, n.2, 119-132, 2017 A procura por imparcialidade e justiça nas relações interpessoais constitui a base da teoria da equidade proposta por John Stacy Adams, para ele existem duas peças básicas na relação entre indivíduo e empresa: os insumos e os resultados. Os insumos podem ser as características pessoais do colaborador que agregam valor a empresa, conhecimento, habilidades, criatividade, já os resultados são as recompensas, o reconhecimento pelo bom trabalho prestado, bonificações, novas responsabilidades, aprendizagem constante entre outros (KINICKI; KREITNER, 2006) Maximiano (2012, p.194) destaca que o ponto central desta teoria é “[...] a crença de que as recompensas devem ser proporcionais ao esforço e iguais para todos”, ou seja deve haver um equilíbrio entre o que a produtividade do colaborador e seus benefícios e resultados, pois uma das premissas da teoria da equidade e que o colaborador sempre faz a comparação de seu esforço e as suas recompensas com esforço e recompensas de outros, o que pode resultar em comportamentos produtivos se houver equidade caso contrário poderá produzir frustração e prejuízos ao desempenho. 2.2.2 Teoria da Hierarquia das Necessidades de Maslow O papel do gerente para motivar é saber quando aplicar as técnicas gerenciais adequadas a cada momento é um dos pilares da administração com abordagem comportamental, e dentre as teorias que são relevantes para este estudo destaca-se a teoria da hierarquia das necessidades de Maslow. E Chiavenato (2003, p.329) explica que nesta teoria “as necessidades humanas estão organizadas e dispostas em níveis, em uma hierarquia de importância e de influenciação. Essa hierarquia de necessidades pode ser visualizada como uma pirâmide”, sendo que na base da pirâmide estão as necessidades mais imediatas como necessidades fisiológicas e no topo as mais elevadas como autorrealização. Sendo assim quando um nível de necessidade inferior for satisfeito o indivíduo procura satisfazer a seguinte sendo assim até conseguir alcançar o nível mais elevado da pirâmide. Tadeucci (2009) explica a teoria da hierarquia das necessidades de Maslow que está organizada em cinco categorias hierárquicas são elas: 124 Revista Conbrad Maringá, v.2, n.2, 119-132, 2017 a) Necessidades fisiológicas: essas necessidades se apresentam na base da pirâmide é estão associadas às necessidades físicas básicas como alimentos, água, repouso, oxigênio, sono, sexo, repouso – são instintivas uma vez que já nascem com o indivíduo e não estando satisfeitas o sujeito tentará satisfazê-las só assim ele passará a outro nível de motivação. b) Necessidades de segurança: relacionam-se ao ambiente ao qual o trabalho é realizado sendo que se faz necessário segurança física e mental, estabilidade, busca de proteção contra ameaças e comportamentos ofensivos, quando está necessidade for satisfeita o funcionário passa para o terceiro nível. c) Necessidades sociais: são as necessidades de relacionamentos sociais dentro da organização é a presença de sentimentos como amor, afeto e amizade. d) Necessidades de estima: incluem a presença de autoconfiança, autorrespeito e respeito aos outros, ter sua importância reconhecida dentro do grupo. Sua frustração produz sentimento de impotência. e) Necessidade de autorrealização: é entendida como chegar ao máximo que se pretendia alcançar, explorar o seu potencial de forma a conseguir todos os seus objetivos estabelecidos. Alguns autores não compartilham desta ideia sendo esta necessidade a que mais recebe críticas no estudo de Maslow. 2.2.3 Teoria dos dois fatores de Herzberg Diferentemente da teoria de Maslow, Herzberg afirma que não são todas as necessidades que motivam, algumas apenas evitam a insatisfação. A teoria dos dois fatores de Herzberg é usada para explicar o comportamento das pessoas nas empresas e para ele há dois fatores que orientam este comportamento que são, os fatores higiênicos e os motivacionais, Herzberg (apud, SCHMIDT, 2000). Segue que os Fatores Higiênicos são os que podem ser classificados como extrínsecos como condições de trabalho, ambiente físico, salário e o relacionamento entre a empresa e os funcionários, não são responsáveis por provocar satisfação apenas evitam a insatisfação. (CHIAVENATO, 2003) 125 Revista Conbrad Maringá, v.2, n.2, 119-132, 2017 MODELO DE FATORES DE HIGIENE-MOTIVAÇÃO DE HERZBERG MODELO DA HIERARQUIA DAS NECESSIDADES DE MASLOW Já os Fatores motivacionais estão ligados ao indivíduo com aquilo que ele faz são os seus sentimentos, reconhecimento profissional, natureza das suas atividades, realização pessoal, atividades que envolvem mais responsabilidade e consequentemente aumenta mais a importância do colaborador na organização. Chiavenato (2003, p.334), “Os fatores motivacionais estão sob controle do indivíduo, pois estão relacionados com aquilo que ele faz e desempenha. ” Esses fatores higiênicos e motivacionais são independentes, ou seja, na ausência dos que provocam a satisfação não necessariamente os colaboradores estariam insatisfeitos, pois os fatores que provocam a insatisfação não seria a ausência dos que provocam a satisfação. O que fica claro quando ele mesmo Herzberg (1997, p. 61) fala: [...] segue-se que esses dois sentimentos não são antagônicos O oposto de satisfação no trabalho não é insatisfação no trabalho, mas sim a ausência de satisfação; e, da mesma forma, o oposto de insatisfação no trabalho não é satisfação no trabalho, mas sim ausência de satisfação. Embora as teorias de Maslow e Herzberg convergirem em alguns pontos elas apresentam muitos pontos de mesmo sentido. E Chiavenato (2003) apresenta em seu livro um quadro onde é possível perceber melhor quais são os pontos de mesma ideia, como mostra a figura 1 a seguir. M o ti v a ci o n a is O trabalho em si Responsabilidade de Progresso Crescimento Realização Reconhecimento Status H ig iê n ic o s Relações interpessoais Supervisão Colegas e subordinados Supervisão técnica Politicas administrativas e empresariais Segurança no cargoCondições físicas de Neces. de auto- Realização Necessidade sociais Necessidade de Segurança Necessidades Fisiológicas Necessidades do ego (estima) 126 Revista Conbrad Maringá, v.2, n.2, 119-132, 2017 trabalho Salário Vida pessoal Figura 1 – Comparação dos modelos de motivação de Maslow e Herzberg Fonte: Chiavenato (2003, p. 337) O que gera uma complicação por conta de se ter várias teorias com embasamento científico para explicar a motivação humana (ROBBINS, 2002). Contudo observa-se que essas várias teorias relacionam-se entre si tendo muitos pontos em comum. Sendo que Lawler (1993) entende a motivação como um desafio para os gestores no que tange fazer a relação de quais pontos ele deve aplicar na sua organização levando em conta o planejamento organizacional, observando quais praticas gerenciais são viáveis a fim de evitar impactos negativos sobre os comportamentos individuais. 3 METODOLOGIA Trata-se de uma pesquisa qualitativa de natureza exploratória, Minayo (2010) no campo das ciências sociais, pesquisa qualitativa é um conjunto de técnicas a serem adotadas visando a construção da realidade E Gil (2010, p.27) defende que, “As pesquisas exploratórias têm como principal finalidade desenvolver, esclarecer e modificar conceitos e ideias, tendo em vista a formulação de problemas mais precisos ou hipóteses pesquisáveis para estudos posteriores”. Tendo em vista um melhor embasamento teórico foi realizada uma pesquisa bibliográfica que para Pádua (2004, p.55) “sua finalidade é colocar o pesquisador em contato com o que já se produziu e registrou a respeito do seu tema de pesquisa”, o que trouxe para este trabalho uma visão bem mais enriquecedora de outros estudiosos sobre o referido tema e suas implicações nas organizações. Quanto aos procedimentos técnicos, a pesquisa é um estudo de caso que para Yin (2001, p.23) “Um estudo de caso é uma investigação empírica que investiga um fenômeno contemporâneo dentro de seu contexto da vida real, especialmente quanto os limites entre o fenômeno e o contexto não estão claramente definidos”. A pesquisa foi direcionada por conveniência a uma gestora de uma empresa do setor de motopeças e oficina mecânica de motos para qual a pesquisa foi direcionada, por representar a liderança dentro da empresa considera-se que ela tenha as informações 127 Revista Conbrad Maringá, v.2, n.2, 119-132, 2017 necessárias a responder os questionamentos deste trabalho que tem como instrumento de coleta de dados entrevista semiestruturada. Sendo conduzida conforme as etapas descritas por Marconi e Lakatos (2003, p.195) que destacam “A entrevista é um encontro entre duas pessoas, a fim de que uma delas obtenha informações a respeito de determinado assunto, mediante uma conversação de natureza profissional.” Atendendo assim ao objetivo de investigar quais as técnicas e práticas a empresa adota para motivar os seus funcionários. Sendo que toda a entrevista foi gravada e posteriormente transcrita procedendo-se então a análise de conteúdo conforme explica Bardin (1977, p.42). Um conjunto de técnicas de análise das comunicações visando obter, por procedimentos, sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens, indicadores (quantitativos ou não) que permitem a inferência de conhecimentos relativos às condições de produção / recepção (variáveis inferidas) destas mensagens. Quanto a análise de conteúdo Vergara (2012, p.7) também fundamenta “A análise de conteúdo é considerada a técnica para o tratamento de dados que visa identificar o que está sendo dito a respeito de determinado tema”, obtém-se assim uma interpretação é análise das informações obtidas na entrevista que passam a ser expostos logo à diante. 4 RESULTADOS E DISCUSSÃO A empresa está presente no mercado de motopeças e oficina mecânica, fundada em 2015 recentemente completou um ano de abertura estando em fase de constante aprendizagem com um potencial de crescimento para os próximos anos visando aumentar a sua carteira de clientes, ela aposta em muitas estratégias para isso, entre elas a motivação de seus colaboradores tendo em vista uma forma de dar mais produtividade e maior eficiência em seus serviços. A partir da análise de conteúdo foi possível identificar na fala da gestora que a motivação dos colaboradores é devido ao estilo de liderança que dá um pouco de autonomia aos seus colaboradores e quando se precisa eles podem até participar de decisões pertinentes a suas áreas de atuação. 128 Revista Conbrad Maringá, v.2, n.2, 119-132, 2017 Isso fica claro quando ela diz, “quando um colaborador tem uma boa ideia para dar para gente ele tem essa abertura de vim falar o que a gente pode melhorar na questão de serviço, e qual o produto de melhor qualidade que nós podemos comprar”. Relacionando-se com as ideias de Tadeucci (2009) no que tange as necessidades de estima na teoria da hierarquia das necessidades de Maslow, incluem a presença de autoconfiança e ter sua importância reconhecida dentro do grupo. E falando em reconhecimento profissional a gestora disse, “O que eu posso dizer que o reconhecimento profissional que a empresa pratica é as vezes agradecer ao colaborar pelo bom desempenho e oferecer uma gratificação [...] a empresa reconhece o valor que ele tem dentro da organização”. Entrando em sintonia com as ideias de Herzberg, os fatores motivacionais que estão ligados ao que indivíduo faz, o seu reconhecimento profissional, atividades que envolvem mais responsabilidade e etc. (MAXIMIANO, 2012) Quando indagada sobre como é a relação liderança X colaboradores a gestora responde, “É uma relação saudável eu tento sempre me relacionar bem com os meus funcionários, [...] eu tenho sempre que tomar muitos cuidados na relação com os colaboradores [...] então eu tenho que agir de forma que os colaboradores saibam que eu os trato com respeito”. Chiavenato (2003) as necessidades de segurança da teoria de hierarquia das necessidades de Maslow atentam para busca de proteção contra comportamentos ofensivos, e relacionam-se ao ambiente ao qual o trabalho e realizado sendo necessário segurança física e mental. Isso mostra que embora se tente exercer a sua liderança de forma democrática as vezes faz-se necessário o gestor tomar certos cuidados, pois a gestão de pessoas implica em desafios para a gestora. No que diz respeito ao atendimento das necessidades sociais há uma relação de companheirismo os colaboradores se “ajudam e inclusive existe uma relação de troca de conhecimentos entre o assistente é o mecânico”, afirma a gestora. Ela completa a sua fala dizendo, “Os benefícios são que as ações são tomadas como muito mais rapidez para a resolução dos problemas na empresa”. O que ajuda em parte a responder o objetivo desta pesquisa, pois trouxe uma eficiência nas tomadas de decisões da empresa. Fazendo uma relação com a teoria de Adams tem-se um trecho da fala da gestora “Eu observo que tanto a empresa tem uma boa contribuição para os seus colaboradores por suas boas práticas de gestão [...] um colaborador que possui estas qualidades é mais produtivo e responsável no trabalho, além de ser mais fácil a questão de lidar com esses tipos de 129 Revista Conbrad Maringá, v.2, n.2, 119-132, 2017 funcionários”. Em que fica implícito essa relação de que trata esta teoria quanto aos insumos o conhecimento e habilidades que o colaborador possui e os resultados são a contrapartida que a empresa oferece ao seu colaborador boas condições de trabalho, reconhecimento, bonificações e etc. Consoante as ideiasde Bergamini (2003, p.67) “ninguém consegue motivar ninguém. O administrador é tão-somente capaz de satisfazer as necessidades presentes”. E quando perguntado a sobre a satisfação dos colaboradores gestora ela respondeu “isso depende muito do momento porque não temos como determinar a satisfação do colaborador a gente oferece boas condições de trabalho e tratamos bem os nossos colaboradores agora a satisfação deles não é algo certo porque isso depende de muitos fatores”, o que segue na mesma linha de pensamento do autor acima. Conforme a tudo o que já foi exposto pode se dizer que a empresa tem sido muito assertiva quanto a motivação de seus colaboradores tanto que a gestora ao responder a última pergunta disse os motivos que acredita que motivam os pessoas na organização, “ter um bom reconhecimento salarial, ter bom um clima organizacional mais receptivo em que ele se sinta melhor, tratar os colaboradores com respeito não sendo nem autoritário de mais nem permissivo de mais, ter uma importância nas atividades que eles desenvolvem, é o reconhecimento do seu bom trabalho desenvolvido, ter as suas ideias ouvidas quando necessário.” Dentre tantos benefícios de se implantar e aplicar essas técnicas de motivação dos colaboradores existem algumas implicações que devem ser consideradas para a empresa identificar o que realmente pode motivar os colaboradores Aguiar (2005) em seu estudo também justifica a importância de entender o que motiva os colaboradores. 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS Fica evidente que o estudo da motivação na empresa é um fator que pode e muito ajudar a aumentar a produtividade além de ser ferramenta importante para a conquista e fidelização dos clientes, pois proporciona a melhora da qualidade dos serviços ou produtos oferecidos. Os gestores devem estar atentos e saber quais as formas de motivar os seus colaboradores, o que faz parte da estratégia da empresa, saber trabalhar o que traz benefícios para a produtividade e eficiência das atividades dentro da empresa. 130 Revista Conbrad Maringá, v.2, n.2, 119-132, 2017 O que no entendimento de vários teóricos aqui abordados as pessoas motivadas trabalham com mais disposição o que pode tornar o trabalho do colaborador menos suscetível a erros futuros, estas formas de motivar o colaborador também proporcionam uma integração maior da equipe. Benefícios que podem ir além de simples práticas produtivas mais podem abrir as portas para grandes retornos futuros, pois empregados satisfeitos podem se tornar grandes intraempreendedores e sendo criativos poderão trazer novas oportunidades de mercado. Reflete também em um bom aspecto com relação a equipe de pessoas da empresa que por sua vez estarão melhor sintonizados. Outro aspecto importante a ser ressaltado e que empresas com alto grau de motivação e satisfação de seus colaboradores são mais visadas e procuradas o que pode refletir em um bom processo de recrutamento de seleção, refletindo futuramente em um bom desenvolvimento de colaboradores futuramente. Saliente-se que apesar de uma tarefa nem tão fácil para as empresas, pois conforme já anteriormente citado não é tão simples motivar pessoas, mas o que é pertinente dizer é que a empresa tem que dispor dos mecanismos que possam incentivar e facilitar a motivação do seu grupo de trabalho e para que isso ocorra de forma certeira é preciso que a empresa conheça bem o seu colaborador. Ciente de que os gestores devem conhecer os seus colaboradores fez de grande importância os estudos aqui já expostos, pois constituem um grande passo para entender o comportamento das pessoas nas organizações, principalmente quando cita-se as necessidades autorrealização, ego (estima), sociais, segurança e fisiológicas. A importância que cada um desses pontos exerce dentro de uma organização foi demonstrada nos resultados deste trabalho, sendo as pessoas influenciadas constantemente por estas necessidades ora quando atendidas ora quando não atendidas. Necessidades fisiológicas por si só já praticamente fica subentendido que ela terá influência nas rotinas no colaborador e partindo para a necessidade de segurança essa pode trazer ao colaborador uma tanto uma maior confiança na empresa quanto uma garantia de que terá seus direitos preservados entre outros benefícios que a organização pode promover. Trazendo o debate para a abordagem social pode se dizer que a relação empresa colaborador é ganha-ganha, ou seja, quanto mais a empresa promove a integração social dos colaboradores mais ela tem a ganhar com colaboradores mais em tese comprometidos e preocupados em trazer um retorno para a empresa que se preocupa com o seu bem-estar social. 131 Revista Conbrad Maringá, v.2, n.2, 119-132, 2017 Para trazer um enriquecimento deste ciclo motivacional a empresa deve trazer a pauta a tentativa de fazer com que seu colaborador se sinta auto-realizado com o que ele faz, desempenha, este sentimento está ligado ao quanto o colaborador se sente satisfeito com o seu trabalho relacionamento com os colegas de trabalho, status, relação desempenho / recompensas, benefícios enfim é uma junção de todos os outros bons pontos aqui citados tudo isso vem agregar aumentando este sentimento. É evidente que esta pesquisa proporcionará uma visão de como na pratica a motivação está sendo realmente implementada em uma empresa o que pode contribuir para futuros estudos no campo da administração é principalmente o foco desse estudo que é motivação. Com um objetivo claro que foi atingido que é investigar os fatores que contribuem para a motivação mostrou ser de grande importância para os gestores que querem motivar os seus colaboradores e cultivar uma cultura que proporcione mais produtividade na empresa. Diante de um tema tão complexo fez-se de grande importância entender as teorias de dois teóricos mais conceituados neste tema é cabe a administração da empresa identificar qual parte da teoria se aplica a sua empresa já que não tem como considerar todos os colaboradores utilizando as mesmas orientações, pois a motivação varia de pessoa para pessoa. Portanto as organizações estão tomando cada vez mais ciência de que pessoas motivadas ao trabalho são mais produtivas e garantem a sustentabilidade no trabalho, um clima ambiente organizacional mais saudável e mais qualidade nos produtos e serviços, isso faz parte de da cultura da empresa que visa estar entre as melhores para se trabalhar. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AGUIAR, M. A. F. Psicologia Aplicada à Administração: uma abordagem interdisciplinar. São Paulo: Saraiva, 2005. BARDIN, Laurence. Análise de conteúdo. Lisboa: Edições 70, 1977. BERGAMINI, Cecília Whitaker. A motivação nas organizações. 4ª ed. São Paulo: Atlas, 1997. BERGAMINI, Cecília Whitaker. Motivação: uma viagem ao centro do conceito. Arquivos da FGV-EAESP, on-line, São Paulo, v. 1, n. 2, nov.2002-jan.2003. Disponível em: <http://bibliotecadigital.fgv.br/ojs/index.php/gvexecutivo/issue/viewIssue/1899/736>. Acesso em 25 de mar. 2016. 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