4 PG Pessoa Jurídica (Art 40 à 69)
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4 PG Pessoa Jurídica (Art 40 à 69)


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DIREITO CIVIL
TARTUCE/ DIZER o DIREITO/ CICLOS
PESSOA JURÍDICA
CONCEITO:
Denominadas pessoas coletivas, morais, fictícias ou abstratas, podem ser conceituadas como sendo o conjunto de pessoas ou de bens arrecadados, que adquirem personalidade jurídica própria por uma ficção legal, não se confundindo com os seus membros.
Não nasce da dogmática jurídica, mas sim do fato associativo, da tendência humana ao agrupamento. 
	PJ de Direito Público Interno
	PJ de Direito Público Externo
	PJ de Direito Público Privado
	União;
Estados, o Distrito Federal e os Territórios;
Municípios;
Autarquias, inclusive as associações públicas;
Demais entidades de caráter público criadas por lei.
	Estados estrangeiros e todas as pessoas que forem regidas pelo direito internacional público.
	Associações;
Sociedades;
Fundações.
Organizações religiosas;          
Os partidos políticos;
Empresas individuais de responsabilidade limitada. 
TEORIAS EXPLICATIVAS E NATUREZA JURÍDICA:
a) Corrente negativista (Brinz, Bekker, Ihering):
Negava a existência da pessoa jurídica, alegando que ela não seria nada mais que um grupo de pessoas físicas reunidas ou que seria um patrimônio reunido.
b) Corrente afirmativista:
Aceita a existência. Várias teorias se inserem nessa corrente. As três principais teorias dentro dessa corrente são: (1) a da ficção, (2) a da realidade objetiva e a (2) da realidade técnica.
b.1) Teoria da ficção (Windscheid, Savigny): a pessoa jurídica teria uma existência meramente abstrata ou ideal, fruto da técnica do direito. São criadas por uma ficção legal. 
Pecava por não reconhecer a existência objetiva e social da pessoa jurídica. 
b.2) Teoria da realidade objetiva ou orgânica (Cunha Goncalves, Clóvis Beviláqua): A pessoa jurídica teria uma existência objetiva e uma dimensão social. Possui a PJ identidade organizacional própria.
Incorria no exagero oposto de negar-lhe a influência da técnica do direito. Reduzia a pessoa jurídica a um fenômeno meramente sociológico.
b.3) Teoria da realidade técnica (Saleilles): Teoria adotada pelo CC/02. 
Para essa teoria a pessoa jurídica teria uma existência objetiva e dimensão social, mas a sua personificação seria fruto da técnica do direito. 
A personalidade jurídica é um atributo que a ordem jurídica outorga a entes que o merecerem. É uma realidade jurídica. 
	Art. 45. Começa a existência legal das pessoas jurídicas de direito privado com a 	inscrição do ato constitutivo no respectivo registro, precedida, quando 	necessário, de 	autorização ou aprovação do Poder Executivo, averbando-se no registro todas 	as 	alterações por que passar o ato constitutivo. 
	Parágrafo único. DECAI em três anos o direito de anular a constituição das pessoas 	jurídicas de direito privado, por defeito do ato respectivo, contado o prazo da 	publicação de sua inscrição no registro.
Maria Helena Diniz conceitua como Teoria da realidade das instituições jurídicas. 
Q710769/16. Se uma associação for constituída e houver defeito no ato, o prazo prescricional para a anulação começará a correr a partir da publicação de sua inscrição no registro respectivo (E).
SURGIMENTO DA PESSOA JURÍDICA:
O registro de uma pessoa física ou natural é meramente declaratório da sua personalidade, adquirida pelo nascimento com vida (Art. 2, CC). 
Diferentemente, nos termos do Art. 45, CC, o registro de uma pessoa jurídica é CONSTITUTIVO de sua personalidade. Ou seja, a PJ adquiri personalidade com o registro (Junta Comercial ou no Cartório de registro de PJ) de seu ato constitutivo \u2013 contrato social ou estatuto. 
Excepcionalmente, algumas pessoas jurídicas, para se constituírem e terem existência legal demandam uma autorização específica do poder executivo.
Ex: Bancos e Seguradoras. 
O registro da PJ deve obedecer alguns requisitos:
	Art. 46. O registro declarará:
	I - a denominação, os fins, a sede, o tempo de duração e o fundo social, quando houver;
	II - o nome e a individualização dos fundadores ou instituidores, e dos diretores;
	III - o modo por que se administra e representa, ativa e passivamente, judicial e 	extrajudicialmente;
	IV - se o ato constitutivo é reformável no tocante à administração, e de que modo;
	V - se os membros respondem, ou não, subsidiariamente, pelas obrigações sociais;
	VI - as condições de extinção da pessoa jurídica e o destino do seu patrimônio, nesse 	caso.
A regra geral é que toda pessoa jurídica tenha CNPJ, mas o fato de ter CNPJ não implica que à luz da Teoria do Direito Civil e do CC em vigor, necessariamente, haja uma pessoa jurídica.
Nos termos do CC, não havendo registro estamos diante de um ente despersonificado, regulado a partir do art. 986 do CC e denominado pela doutrina clássica de sociedade irregular ou de fato. 
A sua concepção não se confunde com a dos entes ou grupos despersonalizados, que são meros conjuntos de pessoas e de bens que não possuem personalidade jurídica própria ou distinta, não constituindo PJ. 
Maria Helena Diniz fala em personificação anômala. 
Art. 75 CPC/2015.
Quanto ao condomínio, tramita no Congresso Nacional o projeto de lei nº 80/2011 (aguardando parecer na CCJ em 27.06.13), que pretende, alterando o CC, permitir os condomínios edilícios se constituírem como pessoas jurídicas. 
Pessoa jurídica pode sofrer dano moral? SIM!
Doutrina majoritária, seguindo a corrente jusnaturalista, conceitua os danos morais como LESÕES aos DIREITOS DE PERSONALIDADE. Sendo assim, os danos morais podem atingir tanto as pessoas físicas como as jurídicas. 
S. 227, STJ. A pessoa jurídica pode sofrer dano moral.
Ofensa à honra objetiva (conceito que goza no meio social).
Pessoa jurídica pode sofrer dano moral in re ipsa?
INFO 619, STJ/17.
Precedente em sentido contrário:
INFO 619, STJ/17.
STJ entende que apenas pessoas jurídicas de direto privado podem sofrer dano moral (empresas). PJ de direito público não \u2013 Informativo 534.
Divergência doutrinária:
Uma parcela da doutrina critica a tese do dano moral à pessoa jurídica (Wilson Melo da Silva e Arruda Alvim), o que aparentemente ganhou reforço teórico a partir do enunciado 286 da IV Jornada de Direito Civil. 
	Enunciado 286 da JDC. Art. 52: Os direitos da personalidade são direitos 	inerentes e essenciais à pessoa humana, decorrentes de sua dignidade, não sendo 	as pessoas jurídicas titulares de tais direitos.
ESPÉCIES DE PESSOAS JURÍDICAS DE DIREITO PRIVADO.
O rol do Art. 44 não é exaustivo. 
Há dois grandes grupos: corporações (associações e sociedades) e fundações.
Organizações religiosas e partidos políticos:
As organizações religiosas e os partidos políticos são corporações autônomas, especiais ou sui generis.
Art. 44. São pessoas jurídicas de direito privado:
IV - as organizações religiosas;          
V - os partidos políticos.         
§ 1o São livres a criação, a organização, a estruturação interna e o funcionamento das organizações religiosas, sendo vedado ao poder público negar-lhes reconhecimento ou registro dos atos constitutivos e necessários ao seu funcionamento.         
 § 2o As disposições concernentes às associações aplicam-se subsidiariamente às sociedades que são objeto do Livro II da Parte Especial deste Código.           
§ 3o Os partidos políticos serão organizados e funcionarão conforme o disposto em lei específica.   
Não se caracterizam como associações.
Foram expressamente excluídas da adaptação do CC/02, nos termos do Art. 2.031, Parágrafo único.
Enunciado nº 143 da III JDC. A liberdade de funcionamento das organizações religiosas não afasta o controle de legalidade e legitimidade constitucional de seu registro, nem a possibilidade de reexame pelo Judiciário da compatibilidade de seus atos com a lei e com seus estatutos.
Associações:
São formadas pela união de indivíduos (o que faz delas uma corporação) com propósito de realizar uma finalidade ideal ou não econômica. Não podem ter finalidade lucrativa.
	Art. 53. Constituem-se as associações pela união de pessoas que se organizem para