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1 Follette, W. C.; Naugle, A. E; Linnerooth, P. J. (1999). Functional alternatives to traditional assessment and diagnosis. Em: M. J. Dougher (ed.): Clinical Behavior Analysis. Reno, Nevada: Context Press. Cap. 5, pp. 99-125. Alternativas funcionais à avaliação e ao diagnóstico tradicionais Follette, W. C.; Naugle, A. E.; Linnerooth, P. J. Tradução1: Maly Delitti Para compreender a avaliação funcional, deve-se entender exatamente os objetivos da mesma e como esta difere de outros tipos de avaliação. Neste capítulo focalizaremos primeiramente a conceitualizaçâo funcional do caso. A conceitualização funcional do caso tem como objetivo a avaliação e a conceitualização de comportamentos considerados problemáticos do ponto de vista clinico, compreendidos adequadamente em seu contexto histórico, com a finalidade de identificar uma intervenção e um tratamento que produzam a mudança desejada. Assim, um dos padrões de medida da conceitualização funcional do caso diz respeito à possibilidade de uma determinada intervenção ser realizada ou não sem a avaliação. Se este procedimento, ou qualquer outro tipo de avaliação, não conduzir a uma intervenção diferente daquela que seria realizada sem uma avaliação funcional, pode ser que o tratamento não tenha utilidade (Hayes, Nelson & Jarret, 1987), não cabendo, portanto, nenhuma análise do tipo “custo-benefício”. A avaliação, por si só, é meramente um conjunto de dados. A avaliação funcional, ou a análise funcional do caso é um processo de ligação dos dados da avaliação a uma estrutura mais específica de tratamento. 1 Tradução elaborada para fins didáticos. 2 Os meios mais tradicionais de avaliação costumam ter três objetivos (Barrios, 1988). O primeiro deles é ajudar no diagnóstico ou na classificação dos problemas clínicos. Por exemplo, pode-se realizar uma entrevista estruturada para fazer um diagnóstico de depressão. Segundo, a avaliação tradicional procura identificar a origem do problema. Talvez os procedimentos da avaliação possam levar a algum indício a respeito da fonte original de um problema atual, tal como um histórico de abuso sexual da infância que possa levar a uma disfunção sexual atual. Em terceiro lugar, a avaliação tradicional é realizada para ajudar na realização de um prognóstico. Por exemplo, um escore em uma medida psicopatológica pode levar à conclusão que um determinado cliente não chegará a um nível mais elevado de funcionamento. Esses objetivos são, em grande medida, descritivos. A avaliação funcional, por outro lado, tem quatro objetivos: 1) identificar os comportamentos-alvo e as circunstâncias que mantêm tais comportamentos; 2) auxiliar na seleção de uma intervenção apropriada; 3) fornecer meios de monitoramento dos progressos do tratamento; e 4) auxiliar na avaliação da eficácia de uma intervenção. Assim utilizaremos os termos avaliação funcional ou análise funcional do caso. Pode-se observar a similaridade entre o que nós descrevemos acima e o que comumente se denomina avaliação (assessment) comportamental. De fato, a avaliação funcional e a avaliação (assessment) comportamental parecem significar a mesma coisa, mas não o são. A avaliação comportamental significa basicamente fazer contagens de comportamentos. Pode-se observar esta postura no DSM-IV (Associação Psiquiátrica Americana, 1994), onde um episódio depressivo pode ser diagnosticado como depressão, principalmente se forem observados cinco ou mais sintomas predefinidos durante um período de duas semanas (por exemplo, First, Francês, Widiger, Pincus & Davis, 1992). Enquanto a avaliação pelo DSM se concentra meramente no número dos sintomas, a avaliação comportamental funcional identifica sob que circunstâncias estes comportamentos depressivos são mais prováveis de ocorrer e o que acontece quando eles acontecem. Nós usaremos o termo avaliação funcional durante todo este capítulo enfatizando nosso interesse na função do comportamento, muito mais do que sua simples forma ou topografia. 3 Uma visão geral dos pressupostos da avaliação funcional Esta seção esboça alguns dos pressupostos básicos nos quais a avaliação funcional se apoia. Compreender as implicações destes pressupostos ajudará a compreender as diferenças entre a avaliação tradicional e a funcional. A distinção entre o topografia e Funcionalidade A primeira característica da análise funcional é que o comportamento é entendido de acordo com a sua funcionalidade, ou com as suas finalidades, ao invés de levar em conta seus aspectos formais (Hayes, Follette & Follette, 1995). A função do comportamento é compreendida pelo exame das variáveis relevantes que controlam um comportamento objetivo definido, incluindo seus antecedentes, consequências, e as condições sob as quais o comportamento ocorre mais frequentemente. A compreensão dos comportamentos em termos de sua função e não meramente em relação à sua forma ou topografia é essencial para uma avaliação adequada. Como exemplo óbvio, pode-se citar a diferença entre o tratamento da dor de garganta de um sujeito que sofre de uma dor de garganta por infecção, do tratamento da garganta de um indivíduo que sofre de ansiedade. A forma de tratamento da garganta pode ser idêntica, contudo a função é muito diferente nestes dois casos. Como um outro exemplo, considere o caso de um cliente que chora durante a terapia. O mero fato de chorar não é especialmente informativo. O cliente está chorando porque está triste? O cliente está chorando porque está aliviado? O cliente está chorando porque deseja que o terapeuta pare de seguir uma linha determinada de questionamento? O cliente chora por simpatia? Até que se compreenda qual a função do chorar, isto é, apenas com a observação de que o cliente está chorando não se pode fazer nada. Quando se compreende exatamente o motivo que desencadeou o choro, e que mudanças no ambiente são associadas com as oscilações do choro, pode-se afirmar que foi realizada uma avaliação funcional do choro e o que poderia afetar a sua ocorrência. Classes funcionais Temos falado até agora sobre o comportamento isolado. Entretanto, continuando 4 a distinção entre a topografia e a função, em uma análise funcional comportamentos individuais ou estímulos são considerados frequentemente como membros de classes funcionais maiores. Muitos comportamentos, à primeira vista desconexos, podem vir a ser compreendidos como membros de uma classe particular da resposta. Classes de resposta são agrupamentos hipotéticos de comportamentos que compartilham a mesma função, mesmo que a topografia dos comportamentos individuais em uma classe particular possa parecer completamente diferente (Malott, Whaley & Malott, 1996; Sturmey, 1996). Tudo o que é necessário para que dois ou mais comportamentos sejam elementos em uma classe de respostas é que estes comportamentos tenham uma função similar no ambiente Vamos considerar novamente o caso no qual observamos que um cliente chora frequentemente durante a terapia. Após uma análise cuidadosa, nós podemos concluir que o cliente chora sempre que o terapeuta tenta estabelecer alguma relação de confiança com o cliente. Quando o terapeuta desiste de buscar a confiança do cliente, o choro diminui. Neste caso, nós temos o começo de um entendimento funcional do chorar. Depois de um trabalho considerável na terapia, o terapeuta nota que o choro do cliente diminuiu para um nível razoável. Concorrentemente, entretanto, o cliente mostra gradualmente mais raiva durante a terapia. Sob uma análise minuciosa, o terapeuta se dá conta de quea raiva do cliente está exercendo uma função semelhante àquela exercida previamente pelo chorar. Isto é, quando o terapeuta busca a confiança do cliente, o cliente se torna “raivoso” a respeito de alguma questão. Choro e rsão conceitualizados como membros da mesma classe de respostas porque ambos funcionam como distratores dos esforços do terapeuta em estabelecer confiança na relação terapêutica. Poderia ser que, se o terapeuta então lidasse com a questão relacionada à raiva. O cliente passasse a chegar atrasado às sessões, tudo a serviço de moderar o grau de confiança o qual o cliente é solicitado na terapia. O leitor deve notar, entretanto, que isso não é a mesma coisa que um modelo hidráulico de explicação do comportamento, segundo o qual o bloqueio de um comportamento causa a emergência de um outro devido à alguma fluência intrapsíquica de energia. A noção de uma classe de respostas simplesmente implica que há múltiplas formas por meio das quais o cliente pode atingir um alvo em particular. No caso, para minimizar a confiança, o cliente pode chorar, tornar-se raivoso, atrasar às sessões, ou exibir qualquer um de um número de outros comportamentos que podem funcionar para estabelecer alguma distância entre o cliente 5 e o terapeuta. Há simplesmente uma eficiência a ser atingida ao se pensar em termos de funções maiores as quais o comportamento pode servir para o cliente, mais que o entendimento de cada comportamento de forma isolada de todos os outros. A identifcação de funções comuns que diferentes comportamentos podem exercer para um cliente pode simplificar o entendimento de qualquer novo comportamento que o terapeuta possa ver. Exatamente porque comportamentos podem ser elenmentos de classes de respostas mais amplas, é possível pensar em diferentes situações estimuladoras como sendo membros de uma classe de estímulos comum. Para um cliente que tenha um histórico de relacionamentos fracassados, pode ser que todos os relacionamentos sociais sejam vistos como potencialmente dolorosos. Neste caso, o cliente pode incorretamente discriminar que todos os relacionamentos terminam em sofrimento, ao invés de permitir que ele perceba que algumas pessoas podem ser perigosas, outras não, uma diferença que seria importante ele começar a perceber. Etiologia e topografia Neste ponto, talvez seja óbvio que um evento específico, histórico ou etiológico pode resultar em topografias comportamentais muito diferentes dependendo primeiramente da sua história pessoal, e do que acontece à pessoa subsequentemente ao evento original. Por exemplo, em um caso no qual uma jovem mulher que acabou de ficar noiva, e seu noivo morre em um acidente de automóvel, não se pode predizer como a mulher responderia a essa situação simplesmente sabendo que seu noivo morreu. Há a possibilidade de a mulher enlutar e logo depois conhecer outra pessoa, assumir um outro contato social com outro homem. Também, ela poderia tentar fugir da situação usando o álcool ou se metendo em uma série de relacionamentos em curto prazo, superficiais. Qual destes ou qualquer que seja o comportamento emitido deve ser compreendido no contexto inteiro de sua história. Do mesmo modo, não há nenhum comportamento que pode resultar de um e somente um evento antecedente. É um erro crasso dizer, por exemplo, que o medo do escuro em uma mulher de vinte e cinco anos é sinal definitivo de que ela sofreu de abuso sexual durante a infância. Não se trata de dizer que alguns comportamentos não podem estar mais provavelmente relacionados a 6 alguns antecedentes do que outros, ou que alguns antecedentes não conduzem a alguns resultados que são mais prováveis do que outros. Nós estamos enfatizando aqui o fato de que a ligação entre antecedentes e comportamentos é complexa e determinada multiplamente por vários fatores. Significado versus Amostra Para chegar a uma compreensão funcional de um problema particular, nós executamos uma análise funcional a fim identificar e compreender suas variáveis controladoras. Determinadas formas de avaliação tradicional partem da suposição de que, quando nós observamos um comportamento, estamos observando um sinal de algum problema subliminar e não o comportamento em si (Goldfried & Kent, 1972; Livingston, 1977). Por exemplo, pode-se pensar que, quando se observa a automutilação, não é a automutilação em si que é importante, mas ao invés disso, que este comportamento é um sinal de raiva ou ódio dirigido subjacente. Em uma avaliação funcional supõe-se que o comportamento acima é uma amostra de uma classe básica dos problemas que compartilham de uma função similar para o cliente. Neste caso nós estaríamos interessados em compreender a própria automutilação e todos os comportamentos funcionalmente relacionados. Quando ocorre? Como as pessoas respondem e quando? Há outros comportamentos que tem a mesma função? Esta diferença, entender o comportamento como sendo o próprio problema e não um sinal de alguma outra circunstância subjacente é uma característica importante da avaliação funcional. Unidade da análise Uma outra suposição importante da avaliação funcional ou de uma análise funcional é que a unidade de estudo é a pessoa inteira que interage com um determinado contexto ambiental. Isto é, não se pode compreender o comportamento de uma pessoa isolado das circunstâncias sob as quais ele ocorreu primeiramente e sob as quais funciona atualmente. Por exemplo, considere duas crianças que recebem a avaliação de seu professor de educação física. Imagine que uma das crianças tem um histórico crónico de ter sido criticado e isolado em casa. Imagine uma segunda criança que tenha um histórico de ser incentivado para tentar comportamentos novos e ser apoiado quando 7 não trabalhava bem. Caso se adote uma perspectiva analítico-funcional percebe-se que a experiência que cada uma destas crianças está tendo ao receber a avaliação do técnico é muito diferente, dadas as suas histórias pessoais individuais. Assim, uma avaliação funcional ocorre em um nível complexo e não considera o comportamento como meramente o movimento através do tempo e do espaço. O processo de Análise Funcional Lembre-se que a consequência desejada em uma avaliaçãofuncional é uma análise que tenha alguma utilidade no tratamento. Em uma situação ideal, uma análise funcional bem feita rende um bom resultado no tratamento.Assim sendo, duas características básicas relacionadas caracterizam uma análise funcional. Primeiramente, uma análise funcional é interativa. Isto significa que ela deve ser feita frequentemente durante com o processo de avaliação para conduzir a uma intervenção bem sucedida. A segunda característica-chave é que o processo analítico funcional é autocorretivo. Ele circula por todo o processo até que se inicie o resultado clínico desejado. Um diagrama esquemático do processo é mostrado na figura 1. Análise Funcional Clássica Etapa 6: Os resultados foram satisfatórios? Avaliação e intervenção completas Reformulação da conceitualização funcional Etapa 3. Delineamento da intervenção Etapa 4. Implementação da intervenção Etapa 5. Avaliação dos resultados Etapa 1. Identificação de características do cliente via avaliação Etapa 2. Organização destas características em uma análise dos comportamentos do cliente em termos de princípios comportamentais sim não Figura 1. Representação esquemática de uma análise funcional clássica 8 O passo 1 neste processo é familiar à maioria dos psicólogos clínicos. Neste momento a tarefa é identificar os problemas apresentados pelo cliente organizando-osem alguma espécie da hierarquia de importância clínica. Além disso, é feita uma avaliação dos recursos e habilidades do cliente. Os recursos podem incluir características como a sua vida social, atributos pessoais incluindo recursos financeiros e diversidade de atratividade nas fontes da vida social e do estado físico/saúde. Os riscos podem envolver coisas como oportunidades sociais limitadas, várias inabilidades, comprometimentos financeiros e problemas legais. As características originais da análise funcional tornam-se aparentes no passo 2. Aqui o analista funcional realiza uma análise dos problemas do cliente nos termos de princípios comportamentais. Uma análise funcional tem seu embasamento na teoria de aprendizagem comportamental e se baseia em princípios do condicionamento operante e clássico para compreender a função do comportamento.A partir da aplicação de princípios comportamentais é definida uma estratégia de intervenção como mostrado no passo 3. Uma vez que uma estratégia de intervenção foi formulada, será então executada no passo 4. Apesar de indicado diretamente na figura 1, a avaliação do resultado mostrada no passo 5 ocorre continuamente durante todo o processo do tratamento. Para simplificar, o passo 6 indica que os resultados da avaliação mostrados na etapa anteriores são então analisados. Se o resultado do tratamento baseado em uma avaliação funcional for bem sucedido, a avaliação e a intervenção podem ser encerradas. Se, entretanto, a avaliação indicar que os problemas identificados no passo 1 não foram resolvidos adequadamente, o analista funcional supõe que a análise foi incorreta ou inadequada. Esta perspectiva difere de uma interpretação do fracasso do tratamento que se utilize constructos como a resistência por parte do cliente. Frequentemente as conceituações funcionais são bem sucedidas e se tornam cada vez mais sofisticados conforme o tempo vai passando. Não é surpreendente ou ameaçador para o analista comportamental descobrir que a avaliação inicial baseada em informações limitadas não foi adequada. O que é importante é que quando um resultado bem sucedido não foi conseguido o processe continue. As interações sucessivas são geralmente mais eficientes porque a avaliação fica então embasada por uma familiaridade muito maior com a situação do cliente, e seus recursos. Uma das propostas que tornam este processo mais fácil foi chamada de 9 construtiva (Goldiamond, 1974. Goldiamond, 1975; Howkins, 1986). Usando esta abordagem, no fim do passo 1, o analista funcional estabelece o objetivo ou o resultado a ser alcançado final de uma intervenção bem sucedida. Este processo serve a dois objetivos. Primeira força o analista a identificar um repertório comportamental que seja útil ao cliente ao final da terapia. Este repertório deve ser facilmente observado e não deve se ater apenas a estados estritamente internos. Segundo, um objetivo bem- especificado facilita a avaliação do resultado no passo 6. Além de especificar o resultado desejado, requer- se do analista que dê uma descrição do repertório inicial do cliente, o que auxiliará muito no alcance do comportamento final desejado com a terapia. Isto nos leva então a prestar atenção nos atributos positivos que o cliente pode trazer à situação ao invés de focalizarmo-nos somente nos déficits do cliente. Na abordagem construtiva, a avaliação funcional requer a especificação e o uso de procedimentos de mudança que expandirão o repertório inicial do cliente para produzir o resultado desejado através de aproximações sucessivas. Esta aproximação molda o processo da intervenção tão positivamente quanto possível para o terapeuta e o cliente. Finalmente, o procedimento de avaliação deve identificar as variáveis naturais de manutenção que podem ser usadas para causar e manter a mudança, mais do que utilizar as consequências arbitrárias ou extrínsecas do processo (Ferster, 1967). A finalidade desta exigência é assegurar-se de que os reforçadores utilizados para o início do processo de mudança na situação terapêutica sejam os mesmos reforçadores que o cliente encontrará no mundo real, assegurando-se desse modo, que os ganhos do tratamento produzidos em toda a intervenção sejam mantidos no ambiente natural. Quando se começa uma avaliação funcional a primeira pergunta óbvia é “a que tipos das coisas devo me ater?” Quando não houver nenhuma resposta precisa a esta pergunta, Haynes e 0’Brien (1990) sugeriram focalizar-se nas variáveis que são importantes, controláveis e relacionadas aos problemas apresentados pelo cliente. Segundo Haynes e 0’Brien variável importante é a que explique uma parte significativa do problema apresentado. Por exemplo, um cliente pode se apresentar desejando aumentar a satisfação conjugal em seu casamento. A análise funcional poderia indicar alguma melhora se o marido gastasse menos tempo com a televisão, e uma enorme melhora caso ele gastasse mais tempo conversando com sua esposa, sobre os aspectos emocionais de sua relação. Petos critérios de Haynes e de 0’Brien neste caso, a avaliação deveria indicar modificações no padrão de comunicação do casal. 10 O segundo critério que Haynes e 0’Brien usam para identificar variáveis importantes em uma análise funcional é se a variável é passível de ser controlada.Este é um aspecto particularmente interessante, pois pode opor-se a tópicos que são do interesse do cliente e do terapeuta. Por exemplo, a variável histórica frequentemente não satisfaz este critério. Em uma análise funcional não é útil apenas saber se alguém sofreu de abuso sexual quando criança. Aqueles eventos ocorreram no passado e aqueles fatos não podem ser mudados e estão, conseqüentemente, fora de controle da maneira que Haynes e 0’Brien entendem o controle. Naturalmente, os clientes e os terapeutas tendem a dar um status causal do a tais eventos históricos vividos. Para que um evento histórico seja importante em uma análise funcional, entretanto, a avaliação deve focalizar em como esse histórico se manifesta no presente. Não é suficiente dizer que um histórico de abuso sexual na infância é a razão pela qual uma determinada pessoa não consegue manter relacionamentos pessoais próximos.Seria preciso identificar como este histórico interfere nas relações deste indivíduo no presente. Esta visão pode conduzir a uma avaliação se o cliente tem dificuldade em manter e responder à intimidade ou á confiança no momento presente. Tais hipóteses podem derivar do conhecimento do abuso sexual da infância, mas é a resposta à intimidade e ao comportamento de “confiar” que podem ser controlados; e este é o objeto de estudo em uma análise funcional. Assim, as variáveis históricas podem ser importantes para conduzir a uma identificação das variáveis de controle contemporâneas importantes. Se não, o mero conhecimento de fatos históricos não constitui uma análise funcional suficiente. O terceiro critério para identificar que variáveis levar em conta em uma análise funcional é que elas devem ser causais. A noção de Haynes e de 0’Brien da causalidade é prática e simples. Para que uma variável seja causal em uma analise funcional ela deve covariar com o comportamento problema. Isto significa que manipulando a variável causal proposta, o comportamento alvo deve mudar também. Haynes e 0’Brien não estão usando o termo causal no sentido estrito da filosofia da ciência. Não é importante se há um trajeto causal direto entre uma variável e outra ou se a mudança está mediada através de uma terceira variável. A característica importante da causalidade é que quando nós mudamos uma variável outra muda conseqüentemente. Sua segunda exigência para a causalidade derivada necessidade de compreender como causar a mudança do comportamento. Aqui, para uma variável ser considerada causal, as mudanças na variável causal devem preceder mudanças no problema determinado. 11 Em resumo, ao decidir que variáveis e o foco em uma análise funcional, deve-se dar prioridade àquelas que são importantes, controladoras, e causais. Organizando a Análise Usando Princípios Comportamentaís A avaliação funcional é feita no sentido de planejar uma intervenção que cause a mudança desejada do comportamento. Há uma ligação forte entre a avaliação e a intervenção. A análise funcional aplica princípios comportamentais para compreender a manutenção e a modificação de comportamentos problema observados. A fim de conduzir uma análise útil do comportamento deve-se ser perito na aplicação de princípios comportamentais. Durante os passos 2 e 3 da análise funcional é feita a aplicação de princípios comportamentais a um caso particular com o objetivo de se traçar uma estratégia de intervenção.Não há nenhuma “receita” a seguir durante uma análise funcional. Entretanto, uma compreensão de princípios comportamentais pode ajudar a organizar a busca por variáveis funcionalmente importantes e o planejamento da estratégia de intervenção. O restante desse capítulo esboça alguns princípios comportamentais básicos e descreve como eles podem aparecer na clínica. Uma descrição mais completa de princípios de aprendizagem pode ser encontrada em muitas outras fontes (por exemplo, Kimble & Catania, 1992; Malott et ai., 1996; Michaet, 1993). Será útil rever um diagrama do paradigma operante uma vez que ele organiza o material a seguir (veja figura 2). • Ö Figura 2: Esquema dos Comportamentos Operantes A porção mais à esquerda deste diagrama esquemático descreve as Operações Estabelecedoras Estímulos discriminativos (situações onde o comportamento Comportamento ou resposta (objetivo da intervenção) Conseqüências do comportamento 12 circunstâncias ambientais em que um comportamento pode ocorrer. As duas caixas ligadas são as operações estabelecedoras e os estímulos discriminativos. A ligação indica que estas duas circunstâncias ocorrem e devem ser avaliadas simultaneamente. A caixa seguinte, à direita, indica o comportamento que está sendo estudado. Do ponto de vista clínico este é tipicamente o problema ou o comportamento que é foco da intervenção. Observe que entre os estímulos discriminativos e a caixa da resposta há um ponto. O ponto representa uma função de probabilidade e indica que em uma dada circunstância há uma probabilidade que um comportamento aconteça. Em seguida, temos uma seta que liga o comportamento a alguma contingência no ambiente. A natureza dessa contingência determinará se o comportamento em questão é mais ou mais menos provável de ser emitido sob a mesma condição ou condições similares de estímulo. Antecedentes e controle pelos estímulos Conforme as circunstâncias ambientais mudam os comportamentos também mudam. Os antecedentes são os estímulos ambientais que precedem o comportamento como indicado na figura 2. Os antecedentes são relacionados geralmente aos estímulos discriminativos. Os estímulos discriminativos são os eventos ambientais que estabelecem a ocasião na qual uma determinada resposta particular é provavelmente reforçada. Geralmente, um estímulo discriminativo ocorre em relativa proximidade temporal ao comportamento. Entretanto, as circunstâncias antecedentes que exercem o controle sobre o comportamento podem frequentemente ser complicadas (por exemplo, ocorre algum tempo antes do comportamento).Controle por estímulo é uma operação que determina e sinaliza as circunstâncias sob as quais o comportamento provavelmente será reforçado. Considere um exemplo simples, não clínico. Os oficiais da lei usam estratégias de controle de estímulo colocando os sinais que detectam e indicam sua velocidade atual ao longo das rotas da estrada onde estão tentando controlar a velocidade dos veículos. Os sinais (e a viatura policial esperando por você um pouco mais adiante na estrada!) agem como estímulos discriminativos que sinalizam que uma contingência particular esta por ocorrer. Estes estímulos incluem uma ocasião para o comportamento dos motoristas de verificar e de ajustar sua velocidade atual para evitar a consequência aversiva de uma multa em caso de excesso de velocidade. 13 Contingências de Reforçamento Estímulos reforçadores são aqueles estímulos que ocorrem após um comportamento e aumentam a probabilidade de sua ocorrência. O reforço positivo é a liberação de um estímulo que fortalece o comportamento e aumenta sua probabilidade de ocorrência.Exercer o papel de mãe, por exemplo, frequentemente envolve a utilização de reforçadores arbitrários e naturais a fim de aumentar a probabilidade do comportamento desejável de uma criança. Elogiamos as crianças que arrumam seus quartos e comentamos o quão felizes ficamos quando vemos dois irmãos brincando harmoniosamente. Tanto os elogios como as recompensas monetárias podem servir como reforçadores, e influenciar a ocorrência do comportamento que se quer modelar. O reforço negativo reforça também o comportamento que é contingente, mas envolve a remoção de um estímulo aversivo. Tanto a fuga, escapar da estimulação aversiva como a esquiva de eventos aversivos são exemplos de reforço negativo. Em alguns casos o comportamento assertivo pode ser negativamente reforçado. Por exemplo, imagine dirigir um carro com um conhecido que acende um cigarro. A presença da fumaça dentro do confinamento de um automóvel é particularmente aversiva a você. Você pede polidamente pedir que o passageiro apague o cigarro, um pedido que ele ou ela atende. A remoção da condição aversiva é entendida aqui como reforçador negativo de seu comportamento assertivo. A punição, por outro lado, diminui a probabilidade da ocorrência de um comportamento através de um estímulo aversivo. Usando um exemplo de pais e filhos uma outra vez; pode-se conseguir um comportamento de criança muito nova que tenta tocar um fogão quente com um alto e severo “Não!” Neste exemplo, o comportamento de tocar da criança é punido pela verbalização áspera do pai e a probabilidade da criança tocar o fogão quente no futuro é diminuída. Além de especificar as contingências que mantêm o comportamento problematico, uma análise funcional adequada deve também identificai as contingências ambientais que dificultam um comportamento mais eficaz (Sturmey, 1996). É possível que o comportamento eficaz ou desejável nunca seja aprendido, que tais comportamentos nunca sejam adequadamente reforçados, ou que contingências de punição tenham diminuído a ocorrência do comportamento. Em termos simples, isto significa que uma pessoa pode não ter um 14 repertório comportamental suficientemente desenvolvido para utilizar as oportunidades que poderiam conduzir a benefícios pessoais importantes. Operações estabelecdoras Operações estabelecedoras ou motivacionais diferem das operações de controle de estímulo (Michael, 1982; Michael, 1993). Como foi dito anteriormente, estímulos discriminativos são aqueles estímulos que precedem diretamente o reforço contingente a uma resposta particular. Estímulos estabelecedores são condições ambientais tais como a privação, a saciedade, o estímulo aversivo, ou outros processos psicológicos que determinam um estímulo discriminativo como uma ocasião para o reforço ou a punição. Pode-se pensarem operações estabelecedoras como aquelas condições que produzem um estado motivacional. Estímulos estabelecedores podem mudar o valor do estímulo reforçador ou punitivo. A intoxicação por álcool ou droga é um exemplo de uma operação estabelecedora relevante ás populações clínicas (Wulfert, Greenway & Dougher, 1996). O nível de intoxicação pelo álcool ou por outras substâncias ilícitas pode alterar a eficácia de um reforçador. Um exemplo disto é ilustrado pela pergunta se as intervenções farmacológicas e psicológicas concomitantes para a ansiedade são ou não uma combinação eficaz. As intervenções baseadas na exposição podem ser menos efetivas quando combinadas com os medicamentos ansiolíticos. Tais intervenções são baseadas na suposição que repetindo a exposição prolongada ás circunstâncias que invoquem o medo ou a ansiedade haverá uma redução na ansiedade. Os aspectos de condicionamento clássico nas intervenções por exposição supõem que a redução na ansiedade está relacionada diretamente ao nível da resposta que é gerada durante os estímulos da exposição (Falis, 1998). Conseqüentemente, reduzindo a ansiedade com medicamentos não permite uma resposia máxima ao meão SOD as circunstâncias da exposição. O papel de eventos privados Atualmente, na análise do comportamento os eventos privados, tais como pensamentos, sentimentos, e respostas fisiológicas são considerados legítimos e devem ser compreendidos como qualquer outro comportamento. Isto é, quando se conduz uma 15 análise funcional nós examinamos eventos privados de acordo com suas funções ou examinando as variáveis de controle relevantes. Por exemplo, um terapeuta cognitivo pode selecionar pensamentos negativos de um cliente como o alvo para a intervenção (isto é, “eu sou um fracasso completo!”). De uma perspectiva de análise funcional nós procuramos compreender a função ou a finalidade de tal pensamento examinando as variáveis ambientais que o controlam. Quais são os antecedentes sob os quais o pensamento ocorre? Quais são as contingências de reforço que mantêm tal pensamento? Aspectos funcionais de problemas clínicos Nós demos uma visão geral elementar de alguns dos princípios comportamentais que podem ser úteis na análise do comportamento - problema dos clientes. Para ajudar melhor a organizar estas ideias, vamos considerar alguns exemplos específicos. A seguinte lista de aspectos funcionais é adaptada dos exemplos de problemas clínicos e das intervenções esboçadas por Hayes, por Follette & por Follette (1995). Nós revisaremos os aspectos dos antecedentes, do comportamento, e dos consequentes indicando diferentes maneiras como um problema clínico poderia ser compreendido. Antecedentes Falta de antecedentes apropriados. Considere um cliente que se apresente para o tratamento dizendo que se sente desconectado das pessoas ao seu redor. Ao fazer a análise funcional você não identifica nenhum déficit aparente de habilidade social ou de comunicação. Isto pode nos levar a olhar para o ambiente social do cliente e descobrir que ele não tem reais interlocutores em seu ambiente. Isto significa que não há, ou há poucas ocasiõesnas quais o client tem a oportunidade de emitir comportamentos que possam evocar intimidade e que ele tebnha esses comportamentos reforçados. Sem essa análise cuidadiosa, das condições antecedentes, alguém pode equivocadamente trabalhar com esse cliente visando seu repertório de habilidades sociais. A intervenção apropriada, revelada por uma investigação analítico-funcional cuidadosa, facilitaria a descoberta e a participação do cliente em ambientes nos quais contatos face a face fossem mais prováveis de ocorrer. Falta de controle discriminativo. Há algumas ocasiões em que o comportamento do cliente pode ocorrer e ser apropriado em alguns contextos, mas se 16 mostrar inapropriado em outros. Nestes casos, o cliente não reconhece a exata condição na qual comportamentos de uma certa classe levaria a resultados úteis, mais que outro que seja menos desejável. Por exemplo, um cliente pode demonstrar muitos atrivutos interpessoais positivos que o tornariam um parceiro desejável. Entretanto, tal cliente pode trazer como queixa para a terapi que ele não consegue desenvolver e sustentar relações interpessoais próximas. Uma análise funcional do repertório social do cliente revela que ele pode iniciar relacionamentos com sucesso, mas no terceiro encontro ele diz algo como “ eu te amopor toda a eternidade e quero que você seja o pai/mãe de meus filhos”. Aqui, o comportamento, dito apaixonado, poderia não ser um problema, se ele tivesse sido emitido quando o relacionamento tivesse uma duração significativa. Neste caso, entretanto, o cliente não doscriminou a condição de estímulo precisa sob a qual sua expressão de afeto seria acolhidea favoravelmente. A consequência desafortunada desta afirmação sincera, mas no tempo inapropriado pode ser assustadora e fazer com que o parceiro conduza a um término prematuro do relacionamento. Controle discriminativo inapropriado. Há alguns comportamentos que não são apropriados em nenhuma condição de estímulos, mesmo que eles possam consistentemente afetar o ambiente de uma forma que é desejável para o cliente. NO caso de uma criança com atraso no desenvolvimento, comportamentos tais como bater a cabeça ou agressão física aos cuidadores podem funcionar para interromper algum evento indesejado. Por exemplo, auto mutilação ou agressão podem permitir que a criança evitasse o treino de uma habilidade difícil de autocuidado. Neste caso seria muito mais útil para o cliente ser lhe apresentada uma forma para discriminar o contexto de atividades do autocuidado como uma oportunidade de emitir um comportamento funcionalmente equivalente, mas menos destrutivo, tal como um pedido verbal simples para auxílio ou para uma breve interrupção do treinamento. Consequências Falta de consequências apropriadas. Em algumas situações o indivíduo desenvolve comportamentos inapropriados porque o ambiente simplesmente não favorece respostas mais positivas. Por exemplo, em uma família onde os pais estivessem tão completamente ligados um com outro a ponto de serem incapazes de dar atenção à criança, esta poderia inicialmente se engajar em um comportamento social 17 apropriado sendo que esse seu comportamento passaria despercebido. Nesses casos um analista funcional poderia antecipar que o comportamento apropriado diminuiria a algum nível aquém da linha de base, e seria substituído eventualmente por comportamentos mais dramáticos, mais inapropriados que chamassem eficazmente a atenção dos pais. A diminuição no comportamento pró-social neste exemplo é uma função direta de uma falta de consequências apropriadas. Controle por consequências concorrentes. O mundo real é um lugar complexo. Algum dado comportamento pode ser determinado e refinado por uma variedade de influências concorrentes. Muitos tipos de comportamento desenvolvem-se sob um tipo de circunstâncias, mas tornam-se mais tarde influenciados por uma variedade de outras. Nestes casos o comportamento não é fácil de predizer porque é ás vezes difícil identificar as contingências que estão mantendo o comportamento. As crianças, por exemplo, desenvolvem frequentemente um repertório social e interpessoal perfeitamente razoável quando são novas. Pessoas no ambiente que compartilham de valores comuns são os primeiros a controlar este repertório. Os pais, os avós, e os professores da pré-escola, todos modelam comportamentos de cooperação, responsabilidade, respeito ao próximo, e partilhar. Assim que alcançam a adolescência, outras pessoas, que não compartilhammais dos mesmos valores passam a exercer uma influência significativa sobre o que ele ou ela não tem nenhum amigo. Isto significa que o cliente passa por poucas ocasiões em que teria uma oportunidade de emitir os comportamentos que realçariam a intimidade e serviriam como comportamentos reforçadores. Sem esta análise cuidadosa das condições antecedentes pode-se equivocadamente trabalhar muito com este cliente seu repertório de habilidades sem nenhum proveito. A intervenção apropriada, revelada pela investigação e análise funcional cuidadosa, deveria facilitar a descoberta pelo cliente de que é importante sua participação nos ambientes onde o contato social é mais provável de ocorrer. Falta do controle discriminativo. Há casos onde o comportamento do cliente pode ocorrer e ser apropriado em alguns contextos, mas inapropriado em outros. Nestes casos, o cliente não identifica as circunstâncias exatas sob as quais o comportamento de alguma classe será mais adequado que outro. Por exemplo, um cliente pode demonstrar muitos atributos interpessoais positivos que o fariam uma companhia desejável. Entretanto, tal cliente pode apresentar-se para a terapia queixando-se que ele ou ela não é capaz de desenvolver ou manter relacionamentos 18 pessoais próximos. Uma análise funcional do comportamento social do cliente revela que ele pode iniciar com sucesso relacionamentos, mas no terceiro encontro, ele acaba dizendo coisas do tipo, “eu te amo para todo a eternidade e quero que você seja a mãe dos meus filhos”.Aqui o comportamento de mostrar-se apaixonado, não seria um problema caso ele tivesse sido emitido quando o relacionamento fosse mais significativo e duradouro. Neste caso, entretanto, o cliente não discriminou as condições precisas do estímulo sob as quais sua expressão de afeição seria afirmação imprópria do ponto de vista temporal. A consequência de sua inadequação e da sua falta de timing pode levar a sua parceira a terminar prematuramente o relacionamento. Controle discriminativo impróprio. Há alguns comportamentos que são inadequados sob qualquer situação de estímulo e mesmo assim afeiam o ambiente em uma maneira que seja desejável para o cliente. No exemplo de uma criança com atraso de desenvolvimento, comportamentos tais como balançar a cabeça ou arroubos físicos de pedido de carinho poderiam funcionar para terminar algum evento comportamento social deste individuo. Os companheiros, por exemplo, podem modelar o comportamento menos responsável, mais hedonístico. Enquanto o tempo passado com seus parceiros aumenta e o tempo com os pais diminui, o comportamento que estava sob o controle de influências parentais passa a ficar sob o controle do grupo de amigos. Em tal situação, o repertório social do adolescente pode substancialmente mudar, para tristeza e aflição dos pais. Outros exemplos de controle por consequências concorrentes não envolvem o reforço mediado socialmente. Por exemplo, fazer dieta é um exemplo claro de como o comportamento “comer” está claramente sujeito às contingências concorrentes. O comportamento “comer de forma prudente” pode estar sob o controle de vestir uma roupa e perceber que esta ainda serve, enquanto a tendência a abandonar a dieta é controlada pela gratificação do sabor de um determinado alimento desejado. Frequentemente quando duas contingências concorrentes controlam o comportamento de forma igual, a contingência mais imediata é provavelmente a mais determinante. Controle por consequências inadequadas. Para alguns indivíduos os comportamentos são mantidos por estímulos reforçadores que não são apropriados. Um exemplo óbvio é o da pedofilia onde o comportamento sexual com uma criança reforça o comportamento de um adulto. Uma vez que um reforçador apropriado é identificado, a tarefa seria planejar o ambiente para restringir o acesso ao reforçador impróprio ou 19 aumentar o custo da resposta de emitir o comportamento impróprio. Comportamento Excessos comportamentais. Quando se conduz uma análise funcional de caso, o foco inicial está no comportamento que o cliente identifica como problemático. Um meio para se atingir a compreensão do comportamento deve ser a determinação se o comportamento está ocorrendo com muita frequência ou com demasiada intensidade. Tais comportamentos podem ser considerados excessos comportamentais. Lembre-se que quando nós falamos do comportamento nós estamos implicitamente nos referindo às classes da resposta ao invés comportamentos específicos. A tarefa é identificar as classes dos comportamentos que ocorrem com maior frequência e reforçar então os comportamentos alternativos que serão mais adequados para o cliente. 20 Déficits comportamentais. Em complemento ao excesso comportamental temos a identificação de déficits comportamentais. Um cliente pode ter déficits em habilidades de assertividade, pode ser deficiente na tomada de decisões, ou ter dificuldade em expressar emoções ou experimentar a intimidade. Os problemas de um cliente serem considerados excessos ou déficits comportamentais depende frequentemente da perspectiva do analista funcional quando realiza a avaliação. O repertório de um mesmo indivíduo poderia ser avaliado como: emitir um grau excessivo de falas sobre si próprio, ou pode-se afirmar que esta pessoa fala tanto que não permite que o outro fale. A pergunta sobre qual análise está correia depende de qual favorece uma estratégia mais eficaz de intervenção. Comportamentos incompatíveis. Às vezes é útil identificar os comportamentos que interferem no potencial de um cliente para emitir outros comportamentos mais úteis que estejam já em repertório. Uma análise funcional pode revelar que um cliente não está sendo socialmente tão bem sucedido como se pôde antecipar tendo em vista seus recursos interpessoais aparentes. Durante uma avaliação de role- playing ou na observação in vivo, pode-se observar que um cliente repete o fim das sentenças durante conversações com o outro. Além de ser irritante este comportamento, pode ser considerado um excesso comportamental e impede que o cliente seja um ouvinte eficaz e uma companhia social agradável. A distinção entre comportamentos incompatíveis e excessos comportamentais é que os primeiros impedem que o cliente emita os 20 comportamentos alternativos mais eficazes. Esta circunstância deve ser entendida e tratada antes que os comportamentos alternativos possam ser estabelecidos em um nível útil. Os excessos comportamentais por outro lado podem, a princípio, ser substituídos por comportamentos mais eficazes usando a aproximação construtiva descrita anteriormente. Aplicando a Análise para o Self Kanfer e Grimm (1977) separaram cada um dos aspectos descritos acima e revisaram os objetivos da avaliação em termos de como um cliente pôde ter problemas de autoregulação em vários aspectos de sua vida. Apesar de a maioria destas avaliações serem derivadas de âmbitos maiores dos quais fazem parte, nós os apresentamos individualmente porque podem ter valor heurístico na condução de uma análise funcional. Déficits na auto-regulação. Kanfer e Grimm descreveram oito áreas de avaliação que podem ser úteis para consideração. Embora se possa provavelmente esclarecer cada um dos seguintes déficits específicos sob a categoria mais geral de déficits comportamentais, os exemplos de avaliação talvez possam ter utilidade na realização de uma análise funcional. 1. Conhecimento inadequado para fazer escolhas comportamentais. Nós trataremos logo deste tópico da perspectiva do controle do comportamento por regras. Por agora, entretanto, nós podemos considerar que este seja um déficit do indivíduoem saber traçar a relação entre uma situação ambiental particular e a consequência de alguma escolha comportamental. Em termos simples, uma pessoa que manifesta este déficit não sabe o que fazer em uma situação particular a fim produzir um resultado específico. 2. Déficits das habilidades. Neste caso a cliente falha em emitir um comportamento social aceitável por causa dos déficits específicos das habilidades. Esta categoria é simplesmente uma subcategoria particular de déficits comportamentais. 3. Déficits em habilidades de autodireção. Neste caso a pessoa exibe uma inabilidade para suplementar ou opor influências ambientais imediatas a fim regular o seu próprio comportamento. Os indivíduos que se apresentam com problemas de controle de impulso ou são controlados por reforçadores imediatos mais que por 21 reforçadores em longo prazo mesmo que mais importantes podem ser considerados como tendo déficits em habilidades de autodireção. 4. Déficits no auto-reforço. Há muitos aspectos da vida onde as contingências externas não estão presentes no momento. Nestes casos um indivíduo deve prover seus próprios rerorços imediatos para o comportamento apropriado. Por exemplo, um estudante deve se manter responsável em seus estudos mesmo que as provas (a contingência mediada externamente) possam ocorrer somente uma vez após diversas semanas. Para ser bem sucedido na vida académica, o estudante deve aprender estruturar seu ambiente de modo a reforçar o hábito de estudar diariamente. 5. Déficits no automonítoramento. A fim predizer corretamente resultados é necessário monitorar o seu próprio comportamento. O automonitoramento pode ser pensado de duas maneiras. Primeiramente, pode-se monitorar o seu próprio comportamento, enquanto ele ocorre, a fim de determinar se ocorreu de maneira razoável. Se o indivíduo estiver monitorando seu comportamento e a situação social, deve-se certificar primeiramente se estão observando de modo adequado, com um contato de olho razoável, uma escuta reflexiva, adequando seu humor ao contexto, etc. A segunda e mais importante parte do automonitoramento requer que se avalie o impacto real que seu comportamento está tendo naqueles ao seu redor. Isto é, deve-se monitorar eficazmente se o comportamento emitido tem ou não o efeito desejado. Se o cliente conseguir monitorar exatamente ambos, o que faz e se funciona, é provável ele será socialmente bem sucedido. 6. Auto-controle. Esta avaliação requer que se avalie o grau em que seu cliente pode alterar suas respostas em uma situação de conflito. Quando um cliente é envolvido em uma situação de conflito, o objetivo de ganhar pôde transformar-se na maior fonte de controle do comportamento. Quando isto ocorre ao ponto em que impede a mudança do comportamento do cliente em detrimento de objetivos mais eficazes, o autocontrole pode se tornar um alvo para a mudança do comportamento. 7. Déficits na escala dos reforçadores. Esta categoria de problemas pode ser mais bem entendida na questão das consequências. Há alguma utilidade, entretanto, em ajudar o cliente a aceitar a responsabilidade de assegurar-se de que sua vida contenha uma variedade de comportamentos que são satisfatórios. Os clientes podem apresentar- se para a terapia quando algum aspecto central de sua vida foi rompido. Isto pode 22 ocorrer, por exemplo, dentro do contexto de um relacionamento íntimo, de um trabalho, ou de alguma mudança importante no status de saúde. A maior amostra de aflição psicológica será observada quando o cliente que “apostou todas as suas fichas em um jogo”, vê esse jogo “começar a virar”. Se um determinado cliente retirar a maior parte de seu prazer social em uma única relação, então, quando esse relacionamento se vê abalado, o isolamento e a depressão são comuns. Para um cliente que sente orgulho e dispôs vários reforçadores em seu trabalho ao ponto em que se diz ”ele é o que ele faz”, um stress psicológico após a perda do trabalho pode certamente acontecer. Avaliar os reforçadores disponíveis para os clientes pode formar um importante aspecto de qualquer avaliação funcional. A tarefa do terapeuta poderia ser identificar quando o cliente está vulnerável a por ter uma grande parte de reforçadores dependentes de um único aspecto de sua vida. 8. Déficits de habilidade em comportamentos cognitivos ou motores necessários para dar conta da vida cotidiana. É importante avaliar se o cliente tem a capacidade de emitir comportamentos que são necessários para encontrar satisfação pessoal (reforçadores). Em um nível mais simples, há com certeza limitações físicas e cognitivas que podem tornar difícil para o cliente dar conta das demandas diárias de sua vida. Um caso mais complexo ocorre quando a pessoa estabelece objetivos para si que são impossíveis de serem alcançados. Quando essas demandas são auto-impostas, a avaliação deve se focar na questão do estabelecimento de objetivos irreais ou outros que sejam razoavelmente possíveis de serem alcançados. Excessos comportamentais de auto-referência 1. Ansiedade excessiva resultante do medo impróprio de objetos ou eventos. Quando se observa a ansiedade ou o medo como o problema apresentando preliminarmente, é útil avaliar se esta é uma resposta decorrente de condicionamento clássico que poderia com sucesso ser tratada com um procedimento baseado na exposição. 2. Automonitoramento excessivo. É possível um indivíduo emitir excessivamente o comportamento de auto-observaçâo. Em tal caso, o indivíduo atentará excessivamente a seu próprio comportamento e inibirá conseqüentemente o seu desempenho. Hoberman e Lewinsohn (1985) sugeriram que isto pode conduzir às auto- 23 avaliações negativas. Os leitores que participaram de competições atléticas podem lembrar-se de que o automonitoramento por parte do opositor é um comportamento complexo que faz parte da arte dos jogos. Imagine que você está jogando golfe em um importante torneio. Imediatamente antes que você dê sua tacada seu oponente lhe diz ocasionalmente, “eu admiro realmente a maneira que com você realiza sua transferência do peso durante seu backswing”.Se essa observação induzir a um excedente automonitoramento, interferirá certamente na “produção da tacada” afetando o comportamento motor complexo. O mesmo fenómeno pode ser visto nos clientes que se acabam introspectivos ou se são socialmente ansiosos. Controle inadequado de estímulo autogerado 1. Autorotulação. A avaliação em torno dos padrões de autorotulação implica em identificar as autodescrições que funcionam como dicas para o comportamento que tem resultados negativos. A topografia de tal comportamento pode ser óbvia, como o cliente que afirma “Não sou uma pessoa que valha a pena”. Além de funcionar como uma profecia de autopiedade, este comportamento verbal pode funcionar como um estímulo discriminativo para evitar relacionamentos sociais novos. Se proclamados publicamente, a autorotulação do cliente, esteja ela certa ou não, pode restringir a atenção de outras pessoas e afetar negativamente novas interações sociais. Por exemplo, é às vezes útil ensinar aos clientes que não revelem prematuramente os aspectos de seu histórico que funcionam como rótulos negativos para os outros. Apesar de não ser desejável ensinar os clientes a mentir, é geralmente bom ensiná-los a não começar conversações com frases como “Oi, Eu sou Bob. Eu sou alcoólatra”. 2. Comportamentos encobertos que servem como dicas para comportamento inadequado. Os comportamentos encobertos incluem atividades simbólicas que funcionam como os estímulos que sinalizam stress ou perigo. Se durante o curso da avaliaçãofuncional do comportamento o cliente exibir comportamentos de esquiva que façam pouco sentido para o terapeuta, seria interessante investigar se o cliente está respondendo a algumas características de estímulo da situação que sinalize que esta é aversiva. Considere um caso onde você esteja trabalhando com um cliente com o objetivo de aumentar suas interações sociais. Em diversas ocasiões, o cliente descreveu oportunidades para encontros, mas subsequentemente fala que “Alguma coisa 24 aconteceu” e acabou não indo para o encontro. Neste momento, pode-se gerar e testar a hipótese que o cliente está engajado em algum comportamento encoberto que funciona para fazer com que a situação de encontrar alguém novo pareça perigosa (veja Hayes, 1994). 3. Discriminação falha de dicas internas. Um problema comum que confronta muitos clientes é uma inabilidade para nomear corretamente estados internos ou sentimentos e comunicar estes a outros. Isto pode sinalizar a presença de um ou dois problemas. O primeiro é que o cliente pode não se dar conta de como responder emocionalmente às pessoas ao seu redor. Pode-se observar indícios deste problema no consultório quando você pergunta a um cliente como se sentiria sobre alguma interação. Se o cliente frequentemente responder “Eu não sei”, ou se usar quase que exclusivamente a mesma verbalização tal como “Legal” para descrever seus sentimentos, isto pode indicar que o terapeuta deve prestar mais atenção na avaliação da sofisticação do repertório dos clientes para nomear sentimentos. A segunda consequência de ter um repertório inadequado para discriminar e classificar dicas internas é que é difícil para um cliente dizer para os outros sobre o impacto que eles têm em sua vida. Isto dificulta que as pessoas no ambiente dos clientes respondam corretamente às suas necessidades. Um contexto comum em que se pode ver exemplos deste problema é interação entre pa/s X adolescentes. Quando o adolescente diz “Eu não sei” ou “Eu não me importo” para a maioria das perguntas dos pais ainda que essas respostas possam ter outras funções, um efeito é que fica difícil, tanto para o adolescente como para os pais, entender o que fazer para melhorar a relação entre eles. Comportamento Governado por Regras Uma das características particular dos organismos verbais, isto é, as pessoas é que elas podem descrever algumas das contingências que controlam seu comportamento. Estas descrições das contingências podem vir a funcionar como regras para o indivíduo. O grau em que essas regras funcionam de uma maneira útil envolve geralmente uma relação da mesma com a situação. Quando um indivíduo se depara com uma situação nova, ele pode reconhecer aspectos similares às situações familiares e supor que sabe que comportamentos conduzirão a quais contingências. Tal predição a respeito do relacionamento entre o comportamento e as contingências é uma regra. 25 Quando estas predições estão inteiramente correias, pode-se supor um repertório existente sem ter que começar do zero. Há uma eficiência óbvia neste comportamento governado pela regra. Não se tem que tratar cada situação nova como sendo inteiramente única. Na realidade, entretanto, existem elementos originais a quase todas as situações. Obedecendo às regras, as pessoas podem não observar e não responder aos aspectos da novidade das situações nas maneiras que trariam as melhores consequências. Além disso, há a evidência experimental que uma vez que uma regra determina uma contingência particular, é difícil modificar essa regra quando as contingências realmente mudam (Hayes, Brownstein, Zettie, Rosenfarb & Korn, 1986). Embora as regras possam ser eficientes para os individuos, elas podem também ser uma fonte de problemas clínicos. Geração regras falsas. As regras são úteis somente na medida em que descrevem exatamente o relacionamento entre o comportamento e a consequência. Uma fonte de muitos problemas clínicos pode ser que um indivíduo não constrói as regras que descrevem exatamente esta relação. Por exemplo, depois que um cliente experimentou o fim de um relacionamento íntimo, ele pode gerar uma regra como “todos os relacionamentos levam a finais dolorosos, conseqüentemente para proteger- me eu nunca mais entrarei de cabeça em outro relacionamento”.Tal regra claramente não está correia e, se seguida, limitará e impossibilitará fontes novas significativas do reforço interpessoal. Dificuldades em aquiescer. O termo aquiescer(p\iar\ce) vem da palavra obediência (compliance) e descreve um tipo particular de comportamento governado por regras onde o próprio comportamento está sob o controle de consequências socialmente mediadas. Se alguém emitir um comportamento que corresponda a uma regra, e outra então reforçar esse comportamento, entende-se que a regra funciona então como uma aquiescência. Por exemplo, um amigo diz “Quando for pedir um aumento, seja firme e não dê pra trás” e um indivíduo exibe tal comportamento para estar em conformidade com o conselho do amigo, ele estaria demonstrando aquiescência. Se outro, intencionalmente não seguisse o conselho, este seria um exemplo da contra aquiescência. Aquiescência é seguir regra e como tal, é modelada pelas consequências 26 de seguir regras assim como consequências naturais de um comportamento particular em uma determinada circunstância. Isto quer dizer que, sob algumas circunstâncias o que é reforçador é simplesmente seguir regras. Seguir regras por si mesmo pode prover uma consequência suficiente para manter um comportamento. Sob outras circunstâncias o comportamento de seguir uma regra pode ser mantido somente se conduz a uma consequência ambiental útil. Em uma análise funcional podemos observar exemplos de aquiescência fraca. A aquiescência fraca é um problema clínico quando o indivíduo não emite adequadamente os comportamentos governados pela regra. O resultado clínico pode ser que o cliente entre em contato com as consequências aversivas que poderiam ser evitadas caso ele tivesse seguido a regra. Um exemplo simples ocorre quando uma criança não segue o que seus pais aconselham quando dizem “Coloque a capa de chuva que está chovendo lá fora”. Pode-se observar também o problema oposto, denominado aquiescência excessiva. O aquiescência excessiva significa que um indivíduo obedece excessivamente regras ou convenções que podem não corresponder ás consequências reais de seu comportamento. O resultado é que o indivíduo parece rígido e insensível. A aquiescência excessiva pode facilmente ser observada em situações sociais ambíguas, isto é, naquelas circunstâncias onde não se pode predizer prontamente o resultado de determinados comportamentos e deste modo, conseqüentemente, reverter a alguma regra implícita ou explícita. Qualquer um que passou por uma supervisão clínica viu exemplos de aquiescência excessiva por parte dos terapeutas iniciantes. Em uma sessão da supervisão, o supervisor pode sugerir “Na próxima sessão você deve começar com o histórico de seu cliente”. Na sessão seguinte, entretanto, o cliente abre com a indicação, “Eu tenho me sentido realmente mal, e não sei se poderei continuar com iss por mais tempo”. Os terapeutas iniciantes, exibindo a aquiescência excessiva, provavelmente responderão com “Então... pode me dizer mais sobre o relacionamento mais importante que você já teve”. Aqui, a tarefa é ensinar indivíduos a reconhecer quando seguir regras será mais útil versus situações em que devem ficar atentos às circunstâncias ambientais que exigem a flexibilidade comportamental. Fraco seguimento. Seguimento (tracking) aqui se refere ao comportamento de seguir uma regrae está sob o controle da aparente relação entre a regra e como o mundo parece funcionar. Pode-se dizer ”Para se dar bem na escola, você deve ter certeza que 27 compreendeu corretamente as suas atribuições, e então, fazer seu dever de casa”.Se o indivíduo seguir esta regra porque havia uma correspondência aparente entre a regra e como o mundo parece funcionar, seria um exemplo de seguimento. Um rastreamento fraco seria uma falha no seguir as regras que, de fato, correspondem a como o mundo funciona. Nesta discussão, nós não distinguiremos quando alguém tenta seguir a regra, mas falha na detecção de uma alternativa de alguém que não reconhece a correspondência entre a regra e a contingência. Na prática clínica esta distinção pode ser importante. tivesse seguido a regra. Um exemplo simples ocorre quanao uma criança não segue o que seus pais aconselham quando dizem “Coloque a capa de chuva que está chovendo lá fora”. Pode-se observar também o problema oposto, denominado aquiescência excessiva. O aquiescência excessiva significa que um indivíduo obedece excessivamente regras ou convenções que podem não corresponder às consequências reais de seu comportamento. O resultado é que o indivíduo parece rígido e insensível. A aquiescência excessiva pode facilmente ser observada em situações sociais ambíguas, isto é, naquelas circunstâncias onde não se pode predizer prontamente o resultado de determinados comportamentos e deste modo, conseqüentemente, reverter a alguma regra implícita ou explicita. Qualquer um que passou por uma supervisão clínica viu exemplos de aquiescência excessiva por parte dos terapeutas iniciantes. Em uma sessão da supervisão, o supervisor pode sugerir “Na próxima sessão você deve começar com o histórico de seu cliente”. Na sessão seguinte, entretanto, o cliente abre com a indicação, “Eu tenho me sentido realmente mal, e não sei se poderei continuar com iss por mais tempo”. Os terapeutas iniciantes, exibindo a aquiescência excessiva, provavelmente responderão com “Então... pode me dizer mais sobre o relacionamento mais importante que você já teve”. Aqui, a tarefa é ensinar indivíduos a reconhecer quando seguir regras será mais útil versus situações em que devem ficar atentos às circunstâncias ambientais que exigem a flexibilidade comportamental. Rastreamento fraco. Rastreamento (tracking) aqui se refere ao comportamento de seguir uma regra e está sob o controle da aparente relação entre a regra e como o mundo parece funcionar. Pode-se dizer ”Para se dar bem na escola, você deve ter certeza que compreendeu corretamente as suas atribuições, e então, fazer seu dever de casa”.Se o indivíduo seguir esta regra porque havia uma correspondência aparente entre 28 a regra e como o mundo parece funcionar, seria um exemplo de seguimento. Um rastreamento fraco seria uma falha no seguir as regras que, de fato, correspondem a como o mundo funciona. Nesta discussão, nós não distinguiremos quando alguém tenta seguir a regra, mas falha na detecção de uma alternativa de alguém que não reconhece a correspondência entre a regra e a contingência. Na prática clinica esta distinção pode ser importante. A Classificação Funcional e a Utilidade do Tratamento O aspecto principal de uma avaliação funcional é compreender problemas clínicos usando os princípios comportamentais empíricos que foram derivados e estudados no laboratório. Há uma ciência do comportamento humano que deve ser usada para dirigir nossas atividades clínicas uma vez que nós temos uma compreensão funcional dos problemas dos clientes. É a tarefa do cientista clínico aplicado compreender clinicamente o comportamento relevante usando princípios empiricamente derivados. No geral, nós supomos que os problemas clínicos são o resultado do indivíduo agir em um contexto que estabeleça e mantenha comportamentos disfuncionais. Os comportamentos disfuncionais são aqueles que, em longo prazo, servirão menos à pessoa que outros que poderiam vir a ser alternativas comportamentais mais úteis. Os comportamentos clinicamente problemáticos ou disfuncionais não são anormais no sentido que não podem ser compreendidos usando princípios comportamentais. Na maioria dos exemplos os clínicos podem facilmente ver como os comportamentos inapropriados foram instalados. Não é difícil compreender, por exemplo, como uma mulher com um histórico de abuso sexual na infância e revitimização subsequente viria exibir a desconfiança no sexo masculino, acarretando uma dificuldade clara para expressar emoções, ou os problemas da experienciar situações sexualmente mais intimistas. Pode-se prontamente compreender como estes comportamentos se desenvolveram e foram adaptativos inicialmente. Os problemas clínicos levantam-se, entretanto, quando uma pessoa com tal histórico não reconhece que nem todas as situações ou relacionamentos são abusivos. A tarefa clínica pode então ser, ensinar o cliente a discriminar os parceiros perigosos dos potencialmente seguros, e como reconhecer e comunicar claramente seus sentimentos e preferências. Como este exemplo ilustra, o uso do termo “anormal” é inútil dentro de uma análise funcional. O termo seria aplicado apropriadamente somente para aqueles casos onde um 29 cliente não se comporta de acordo com princípios do condicionamento operante ou respondente. Houve diversas criticas ao sistema atual da classificação das desordens mentais descritos no DSM-IV (por exemplo, Follette & Houts, 1996). Discutir profundamente estas críticas vai além do escopo deste capítulo, porém, dois aspectos são particularmente relevantes ao clínico que busca a mudança do comportamento e serão discutidos brevemente. O primeiro problema com a classificação do DSM-IV é que este esta que faz um diagnóstico que nos diz muito pouco sobre o que fazer clinicamente. Isto é, há pouca utilidade para o tratamento aplicar a classificação do DSM-IV a um determinado cliente.O segundo problema com o método de classificação DSM-IV é que os problemas clínicos estão vistos nos termos de desordem, excluindo toda a consideração de o que pode constituir a saúde psicológica ou o bem estar do indivíduo. O objetivo aparente do DSM-IV é classificar a desordem. O objetivo da análise funcional é fornecer ao clínico uma conceitualização do caso que permita não somente que este diminua comportamentos inapropriados dos clientes, mas que permitam identificar e modelar também maneiras eficazes para que o cliente interaja com o ambiente para promover o seu bem estar psicológico. Utilidade da Avaliação no Tratamento Acima, nós esboçamos como uma análise funcional pode ajudar a identificar problemas. A natureza da análise funcional implica que uma vez que se conduziu a avaliação, sabe-se o que deve ser mudado para melhorar o funcionamento clínico do indivíduo. Por exemplo, uma avaliação funcional pode indicar que um cliente que relata estar deprimido tem dificuldade em identificar as situações onde seus comportamentos são provavelmente reforçadores. Então, o programa do tratamento deve aumentar a identificação destas situações por parte do cliente. A avaliação funcional prescreve o tratamento e assim a própria avaliação é válida e útil. Além disso, a avaliação funcional é um processo interativo e autocorretor. Se a avaliação funcional inicial estiver incorreta, então o tratamento provavelmente não será bem sucedido e deverá olhar para trás do processo para refinar a análise e para alterar o tratamento. Há situações em que o processo da avaliação não terá nenhuma utilidade aparente no tratamento. A utilidade da avaliação no tratamento pode ser demonstrada 30 somente quando ainformação da avaliação conduz a uma alteração particular do tratamento para o beneficio ao cliente. Assim existem circunstâncias onde uma avaliação funcional pode não ser útil para o tratamento, e pode não ser justificada. Tratamentos padronizados baseados na topografia. Se o indivíduo trabalhar em um ambiente onde a forma e o método de tratamento dependam somente da presença de um diagnóstico baseado em determinados sintomas manifestos sem considerar suas origens e funções, então uma avaliação funcional pode não ser mostrar útil ao tratamento. Este é geralmente o caso nos ambientes onde um diagnóstico de DSM-IV é usado para justificar a escolha do tratamento. No caso de se assumir um diagnóstico de depressão usando os critérios de classificação DSM-IV, então, escolher-se-á sempre usar um manual determinado da terapia cognitiva, e fazer um diagnóstico próprio onde a avaliação e o tratamento são automáticos. Não haverá nenhuma vantagem adicional em se fazer uma avaliação funcional neste caso porque o tratamento não seria mudado não obstante a compreensão adicional que se poderia ganhar a respeito do problema. A menos que os padrões de tratamento fossem modificados a partir das novas informações, não há utilidade da avaliação funcional no tratamento. Causas Comuns. A avaliação funcional ocorre em um contexto clínico onde cliente e terapeuta desejam fazer o uso eficiente do tempo e dos recursos. Assim, se um problema clínico resultar de uma etiologia comum, e responder a um tratamento particular, então não há nenhum sentido do ponto de vista económico e racional, conduzir uma avaliação funcional a menos que o tratamento inicial apresente falhas. Um exemplo clínico óbvio é o tratamento de fobias simples. Se um cliente se apresenta com medo de um objeto específico de estímulo, por exemplo, medo de cachorros, a hipótese da maioria dos terapeutas comportamentais é que o medo é originado como uma resposta classicamente condicionada, que vem sendo mantida no presente pelo reforço negativo que segue à esquiva do objeto fóbico: o cão (Mowrer, 1939). Outras possibilidades poderiam existir para a aquisição e a manutenção do medo, mas as suposições iniciais conduzem a um tratamento (desensibilização) que é altamente durante boa parte de tempo não justificando o tempo e os custos adicionais de uma avaliação funcional mais profunda. Se, entretanto, o tratamento falhar, então, uma 31 análise” furncional está autorizada. A ideia neste exemplo é que alguns problemas têm uma etiologia comum ou um conjunto ae raiares ae manutenção. Nesses casos nós podemos eficientemente supor que sabemos a causa funcional do problema, e podemos conseqüentemente’ iniciar o tratamento sem uma análise adicional. Tecnologia de tratamento tendenciosa Há exemplos de problemas clínicos onde mesmo conhecendo sua causa funcional (ao menos descritiva), não somos capazes de realizar uma alteração eficaz do problema. Por exemplo, um cliente pedófilo tem um problema claro de ficar sob o controle de reforçadores impróprios, isto é, na atividade sexual com as crianças, apesar da moral da sociedade ditar exatamente o contrário. Nós compreendemos alguns aspectos do problema, mas mesmo assim não temos nenhuma tecnologia para o tratamento que leve à alteração das propriedades reforçadoras das crianças para um pedófilo. Neste caso, a utilidade da avaliação no tratamento não pode ser demonstrada uma vez que não temos um tratamento que altere estas propriedades reforçadoras. Nós podemos parcialmente tratar o problema aumentando o desconforto e a sensibilização encoberta direta do pedófilo. Alternativamente nós podemos usar a prevenção da resposta (prisão). Finalmente, nós podemos empregar estratégias de controle do estímulo antecedente ensinando o pedófilo a interromper a corrente comportamental que conduz a se pôr na posição de estar perto de crianças de uma maneira insegura. Nenhuma destas técnicas, entretanto, altera o problema básico. Não há uma estratégia eficaz para mudar os reforçadores impróprios que funcionam para o pedófilo até agora. Assim, a utilidade da avaliação neste tipo de tratamento não pode ser demonstrada uma vez que não há nenhuma tecnologia para mudar a causa identificada. Este exemplo ilustra, naturalmente, que conduzir uma análise funcional que identifique o problema é útil para destacar áreas que ainda precisem pesquisa adicional. Este resultado por si só é valioso, embora não demonstre a eficácia real do tratamento. Combinando programas de tratamento. A tendência geral em programas de desenvolvimento modernos de tratamento parece priorizar os programas que usam um grande número de técnicas para enfocar as causas mais comuns de determinados problemas. Algumas vezes há esforços para 32 conduzir estudos que identifiquem a variável ou elemento básico da terapia (Kazdin,1998).No momento, entretanto, muitas terapias usam técnicas múltiplas na esperança de incluir algo que será eficaz para uma população de pessoas com uma topografia definida do problema. Se um programa do tratamento apresentar muitas manipulações técnicas das variáveis, presumivelmente, mais cedo ou mais tarde, o tratamento focará a causa correta. Se isto fosse verdadeiro, no futuro, haveria pouca oportunidade para a utilidade adicional da avaliação no tratamento tornar-se aparente. Há dois problemas óbvios implícitos nesta ideia. Primeiramente, há uma ineficácia inerente nos programas de tratamento que são projetados para tratar todas as causas comuns ao invés da causa real de um problema para um cliente particular. Por exemplo, no caso da depressão, um conjunto de tratamento pode ser projetado tanto para aumentar comportamentos e assim o acesso aos reforçadores como também lidar com o comportamento impróprio governado por regras. Neste caso, parte da terapia está desperdiçada se a causa preliminar da depressão for a falta de reforço secundário para níveis baixos de atividades. Se os níveis baixos de atividade fossem o problema preliminar, a terapia poderia ser feita de modo mais eficaz, por uma avaliação ideográfica que conduzisse aos objetivos do problema preliminar. A eficácia pode ser aumentada, neste exemplo, com os benefícios económicos de uma terapia mais curta e focalizada. Além disso, um efeito maior será obtido se for utilizado o tempo adicional da terapia fortalecendo o componente do comportamento e ignorando que o controle por regras incorretas pode ser a causa. Usar tratamentos com multicomponentes tem algumas vantagens como é o caso em que a terapia pode ser ao menos parcialmente eficaz para muitos indivíduos sem requerer nenhuma avaliação. A avaliação custa recursos. A compensação vem quando o tratamento passa a ser menos eficaz do que ele poderia, ter sido se fosse feita a avaliação. Permanecendo com o exemplo da depressão, Biglan (1985) demonstrou que alguns tipos de depressão observados em mulheres ocorrem porque elas estão reforçadas negativamente pela redução do abuso do marido quando a mulher emite comportamentos depressivos. A depressão pode ser compreendida como uma estratégia de controle adaptativo nesses casos. Um tratamento para a depressão, provavelmente não se mostrará eficaz nestes casos, a menos que esta função do comportamento depressivo seja entendida e alterada. 33 Para sermos justos com os tratamentos que combinam diversos componentes, são frequentes os casos em que múltiplos fatores operam para manter um problema clínico independente das circunstâncias que conduziram originalmente à ocorrência do problema. Assim, os problemas com causas únicas são raros o bastante para que o “custo- benefício” de uma avaliaçãofuncional seja difícil de se demonstrar. O desejo de combinar o tratamento esteve em moda por muito tempo. Combinar o tratamento está no cerne da pergunta atualmente clássica de Gordon Paul (1967): “Que tratamento, por quem, é mais eficaz para esse indivíduo com aquele problema específico, e sob qual contexto de circunstâncias?”. A análise funcional emprega princípios comportamentais conhecidos da ciência para tentar responder a essa pergunta de modo que nós possamos maximizar resultados e a eficiência do tratamento no final do serviço. Limitações da Avaliação Funcional Dada a longa tradição comportamental da análise funcional e avaliação funcional quais os motivos que fizeram com que ela não se tornasse um dos pilares da avaliação psicológica? Há diversas razões legítimas. Nos casos onde a utilidade da avaliação para o tratamento é difícil de demonstrar, há uma questão real que é se as práticas funcionais da avaliação podem passar o teste de demonstrar o “custo- benefício” na era do controle dos cuidados de saúde. Se for assim, diversos problemas técnicos são pertinentes. Primeiramente, embora a avaliação funcional esteja claramente baseada em princípios comportamentais fortes, os advogados da análise funcional não têm resolvido problemas metodologicamente importantes. Um problema importante que existe ainda é aquele de como executar uma análise funcional confiável. Em um capítulo clássico do diagnóstico funcional, Kanfer e Salsow (1969) descreveram os elementos de uma análise funcional. O leitor do capítulo fica confuso e frustrado por sua falta da especificidade metodológica. Nós descrevemos muitos aspectos que podem ser relevantes ao desenvolvimento e à manutenção de problemas clínicos. No momento, nós sentimos falta tanto de uma racional claramente definida para a identificação de que áreas devem ser avaliadas primeiramente quanto para decidir quando se examinou adequadamente os aspectos necessários para fazer uma conceitualização do caso que tenha utilidade no tratamento. 34 De fato, não se sabe ainda como combinar confiantemente a informação da avaliação em uma conceitualização coerente do caso. A análise do comportamento ignorou os problemas da confiabilidade no diagnóstico funcional, aceitando as práticas tradicionais ideográficas da avaliação. A avaliação ideográfica enfatiza o fato de que a avaliação e a conceitualização devem estar aliadas a uma análise particular do indivíduo, em um contexto específico, usando as práticas da avaliação que são presumidas como as mais apropriadas para aquelas circunstâncias. No início do uso da análise funcional isto fez algum sentido. Se um clínico estivesse tratando o balançar de cabeça constante em uma criança autista, contar o comportamento era simples e tentar obter fidedignidade poderia talvez ter pouca importância. Entretanto, quando a observação e a intervenção ocorreram em ”settings” institucionais altamente controlados, o acesso a todas as variáveis controladoras estava mais prontamente disponível do que no caso de populações não institucionalizadas, com nível de funcionamento mais elaborado. Enquanto a avaliação funcional é expandida para incluir uma classe maior de problemas em contextos menos controlados, a questão da fidedignidade não pode mais ser ignorada. Finalmente, não há nenhuma estratégia específica definida para caminhar dos dados da avaliação para uma estratégia de tratamento. Como nós já discutimos anteriormente, em alguns casos, a estratégia de tratamento decorre logicamente da conceitualização funcional do caso. Por exemplo, quando se identifica que o estado depressivo é resultado do reforço contingente insuficiente havendo uma covariaçâo entre atividade social e baixa no humor, o tratamento consiste em aumentar a taxa de reforçamento. A literatura sobre tratamento, entretanto, não está sempre organizada para ligar a avaliação funcional ao tratamento correspondente. Embora seja óbvio, na avaliação funcional, o que fazer, não está sempre claro como fazer. Hayes e Follette (1992ª) descreveram alguns destes problemas e sugeriram soluções possíveis, mas não existem dados testados de suas proposições. Por outro lado, na pergunta “como examinar eficiente e fidedgnamente os aspectos a avaliar quando nós conduzimos nossa análise funcional”, Hayes e Follette (1992b) sugeriram que poderia ser possível identificar procedimentos funcionais replicáveis da avaliação usando-se algoritmos especificados da decisão. Uma vez que estes algoritmos foram especificados, seria possível testá-los um em relação ao outro para ver qual rende resultados melhores nos termos de eficácia e eficiência. Como desenvolver tais 35 algoritmos é ainda uma pergunta aberta. Nós sugerimos também o uso dos sistemas especiais baseados em como aqueles que ensinam e conduzem a análise funcional os estruturam em seu próprio setting. A questão complicada, entretanto, é determinar exatamente o que constitui um resultado clinicamente significativamente melhor quando se comparam duas intervenções baseadas em estratégias analíticas funcionais diferentes. Uma alternativa que pode ser mais prática e familiar é reorganizar problemas clínicos em termos de categorias diagnosticas funcionais ao invés de categorias topográficas, como é o caso na DSM-IV. As categorias diagnosticas são baseadas em princípios comportamentais, enquanto a avaliação seria parcialmente funcional e parcialmente topográfica. Por exemplo, Hayes e Follette (1993) descreveram uma ”desordem de esquiva emociona!” onde a topografia e a função, ambos, estão implicados. Neste exemplo, um cliente exibe uma classe comportamental, evitando as emoções fortes que são mantidas pelo principio comportamental do reforço negativo. Poderia até haver variações na categoria funcional naqueles casos onde o problema foi causado pelo comportamento emocional ter sido punido, levando desse modo a consequências aversivas que o cliente procuraria evitar no futuro. Em um outro caso o problema poderia ser causado pelo fato do cliente responder a uma variedade grande de estímulos verbais que eliciam sensações afetivas fortes, experimentadas como aversivas. O tratamento em um caso focalizaria em alterar as propriedades punitivas do ambiente, ao passo que o tratamento no segundo caso tentaria mudar as funções dos estímulos verbais.A classificação dependeria de identificar as topografias que constituem uma classe de resposta acima (esquiva emocional), e avaliar então os fatores causais possíveis que eliciam ou mantêm o comportamento (veja Hayes, Wilson,Follette & Stroshahl, 1996). O sucesso de um sistema de classificação funcional depende em parte da habilidade do clinico de manipular os estímulos suspeitos de manterem o comportamento problemático. O sucesso imediato de tai sistema depende de ter alguma utilidade para o tratamento. Assim, as categorias funcionais iniciais poderiam consistir dos problemas para os quais existe tecnologia para efetuar mudanças nas variáveis relevantes. Por exemplo, pode-se trabalhar para além da taxonomia de várias desordens de déficit comportamental antes de embarcar em desordens de operações estabelecedoras (isto é, déficits motivacionais), pois, no último caso não há tecnologia conhecida para alterar fatores motivacionais em clientes não institucionalizados. 36 Saúde Psicológica A tradição comportamental analítica geralmente não se ateve aos problemas clínicos do comportamento como a evidência de uma falha pessoal subjacente ou de uma condição patológica. Os comportamentos são compreendidos como sendo o resultado de histórias de aprendizagem particularese os focos da intervenção seriam mudanças nas histórias e no ambiente atual. A finalidade de fazer uma avaliação e uma intervenção é compreender a situação clinica o suficiente para modificar o contexto fazendo com que a pessoa adquira capacidades funcionais. Esta posição se contrapõe ao modelo das desordens mentais representados pelo DSM-IV. As intervenções clinicas no DSM- IV são primeiramente com a finalidade de fazer alguém se livrar da doença. Não há nada na filosofia por trás da DSM que levaria um clinico a fazer mais do que remover os sintomas, e, uma vez que os sintomas são removidos, o indivíduo não tem mais necessidade de ser submetida a um diagnóstico. Entretanto, uma conceitualização funcional do caso deve render uma estratégia da intervenção que ofereça substancialmente mais a um cliente do que meramente reduzir seus sintomas. Deve se conduzir uma análise completa do histórico dos clientes, do ambiente e do repertório comportamental; deve seguir que se procure otimizar sua funcionalidade em todos os domínios sem enfatizar estados de patologia ou de doença (Follette, 1997; Follette, Bach & Follette, 1993). O objetivo seria ensinar os clientes a manipular eficazmente seus ambientes para obter os níveis máximos de reforçamento e aumentar os reforçadores potenciais sem se contrapor aos direitos dos outros. Planejar uma intervenção funcionalmente baseada é procurar ensinar um cliente a estar disposto a experimentar a vida sem medo do medo. Uma intervenção ensinaria o cliente a estar sob o controle dos reforçadores auto-identificados que conduziriam às experiências ótimas de liberdade e de controle. O cliente emergiria com uma compreensão de como antecipar consequências e influenciar aqueles elementos de seu ambiente que conduzirão a comportamentos relacionados à saúde. Aprender a fazer uma conceitualização e uma intervenção funcionais do caso requer diligência, criatividade, e trabalho, mas os benefícios potenciais para o teraoeuta e o cliente são igualmente bons e valem o esforço.