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Texto para a questão I: 
 
Papo de Domingo: ‘Esse procedimento é uma visão míope da Língua’ 
 Por Bruno Gutierrez 
Não é comum o uso formal, por escrito, dos pronomes “tu” e “vós” em nosso dia a dia. Duvido 
que tu, leitor, achaste algum texto jornalístico recente, por exemplo, que utiliza tempos verbais 
empregando tais pronomes. 
Neste Papo de Domingo, o professor Evanildo Cavalcante Bechara oferece um contraponto sobre 
a questão. Titular da cadeira número 33 da Academia Brasileira de Letras (ABL), ele é autor de 
várias das principais gramáticas da Língua Portuguesa. 
Bechara classifica o método como “uma visão míope da língua” e defende o foco do ensino na 
Gramática ao invés da interpretação de texto. 
 
Diário do Litoral - Professor, qual sua opinião sobre a exclusão do “tu” e “vós” na Língua 
Portuguesa? 
Evanildo Bechara - Em primeiro lugar, isso foi uma novidade que os linguistas e sociolinguistas 
sugerem que o professor deve ensinar aos alunos, principalmente das primeiras séries, somente a 
língua que eles conhecem. Ora, isso didaticamente é um absurdo. Você ensinar ao aluno a língua 
que ele conhece é chover no molhado. Você tem que ensinar ao aluno, não só fixar a língua que 
ele traz de casa, mas também determinadas potencialidades que a língua tem. Resumidamente, o 
que quero dizer é que o professor tem que apresentar ao aluno a língua em toda a sua 
potencialidade. 
DL - Qual a importância de saber a conjugação dos verbos nesses pronomes? 
Bechara - O verbo deve ser conjugado em todas as pessoas. Se fosse assim, você também não 
ensinaria o aluno a usar o futuro porque geralmente nós não usamos o futuro na língua falada. 
Você diz “amanhã vou ao cinema”, você não diz “amanhã eu irei ao cinema”. Esse procedimento 
é uma visão míope da língua. A maioria das grandes gramáticas conjuga o verbo em todas as 
formas. Se fosse assim, você não ensinaria o mais que perfeito, porque você só utiliza em 
expressões do tipo “tomara que chova”, “tomara que caia”. Isso é uma visão míope da língua. 
DL - E no caso do “vós”? 
Bechara - Quanto ao pronome “vós”, se você não ensina o aluno a conjugação, ele não vai saber 
dizer o “Pai- Nosso” porque a oração tem o “vós”. “Pai-Nosso que estás no céu. Santificado seja 
o vosso nome”. Você tirar do aluno a possibilidade de ele conjugar corretamente o verbo, em 
todas as suas formas, é você tirar do aluno a possibilidade dele conhecer a língua em toda a sua 
extensão. Esse procedimento não deve ser usado. O que não se recomenda é, como muitos livros 
antigos colocavam entre os seus exercícios, dar um texto que está no tratamento “você” e passar 
para o tratamento “tu” e “vós”. Isso é realmente exigir do aluno uma situação, um emprego 
linguístico, de que ele não faz uso. 
((http://www.diariodolitoral.com.br/conteudo/52024-papo-de-domingo-esse-procedimento-
e-uma-visao-miope-da-lingua) 
QUESTÃO I: Disserte acerca da posição de Bechara com relação à visão que ele apresenta sobre 
norma, expondo, em sua resposta, se a posição do gramático é convergente ou divergente em 
relação à posição de Faraco. Sustente sua resposta com argumentos apresentados pelos dois 
autores. 
Texto para a questão II: 
 
 
Durante muito tempo, ninguém duvidou que o desempenho dos falantes pudesse ser qualificado 
em certo e errado. Mas, há pelo menos dois séculos, essa tese caiu em desuso. A questão ainda 
não é bem compreendida, mas a confusão atual é um indício de avanço. Bem ou mal, as variedades 
(antes) tidas por erradas são levadas em conta, até aceitas, desde que fiquem em seu lugar. Mais 
na prática do que na teoria, diria. 
(...) 
Disponível em: http://cienciahoje.uol.com.br/revista-ch/2013/306/lingua-modos-de-usar/ 
QUESTÃO II: Coloque em relação os paradigmas certo x errado / variação linguística e norma 
culta brasileira, levando em conta, especialmente, fatos de concordância verbal como o 
apresentado no texto acima. 
QUESTÃO III: (Retirada da prova do ENEM/2009) 
Após a leitura do texto, assinale a alternativa que não considera a variação como um fenômeno natural. 
a) “Essas crenças sobre a superioridade de uma variante ou falar sobre os demais é um dos mitos que se arraigam na 
cultura brasileira. Toda variedade regional ou falar é, antes de tudo, um instrumento identitário, isto é, um recurso que 
confere identidade a um grupo social.” (Stella Maris Bortoni-Ricardo, Educação em Língua Materna, p. 33) 
b) “Podemos flagrar variação em todos os níveis de língua. Por exemplo, no nível lexical, poderíamos citar 
conhecidas oposições de forma: ‘jerimum’ (Bahia) e ‘abóbora’ (Rio de Janeiro). No nível gramatical, vimos a 
variação ‘elas brincam/brinca’.” (Mário Eduardo Martelotta, Manual de Linguística, p.145) 
c) “As variedades linguísticas são as variações que uma língua apresenta, de acordo com as condições sociais, 
culturais, regionais e históricas em que é utilizada.” (Revista Conhecimento Prático de Língua Portuguesa, edição 
16, p. 57) 
d) “Fiat lux. E a luz se fez. Clareou este mundão cheinho de jecas-tatus. (...) Falamos o caipirês. Sem nenhum 
compromisso com a gramática portuguesa. Vale tudo:eu era, tu era, nós era, eles era.” (Dad Squarisi, Correio 
Braziliense, 22/6/1996) 
e) “Existe muito preconceito decorrente do valor atribuído às variedades padrão e ao estigma associado às variedades 
não padrão, consideradas inferiores ou erradas pela gramática.” (Parâmetros Curriculares Nacionais, Língua 
Portuguesa, p.31). 
 
	Papo de Domingo: ‘Esse procedimento é uma visão míope da Língua’
	QUESTÃO III: (Retirada da prova do ENEM/2009)
	Após a leitura do texto, assinale a alternativa que não considera a variação como um fenômeno natural.
	a) “Essas crenças sobre a superioridade de uma variante ou falar sobre os demais é um dos mitos que se arraigam na cultura brasileira. Toda variedade regional ou falar é, antes de tudo, um instrumento identitário, isto é, um recurso que confere identi...
	b) “Podemos flagrar variação em todos os níveis de língua. Por exemplo, no nível lexical, poderíamos citar conhecidas oposições de forma: ‘jerimum’ (Bahia) e ‘abóbora’ (Rio de Janeiro). No nível gramatical, vimos a variação ‘elas brincam/brinca’.” (M...
	c) “As variedades linguísticas são as variações que uma língua apresenta, de acordo com as condições sociais, culturais, regionais e históricas em que é utilizada.” (Revista Conhecimento Prático de Língua Portuguesa, edição 16, p. 57)
	d) “Fiat lux. E a luz se fez. Clareou este mundão cheinho de jecas-tatus. (...) Falamos o caipirês. Sem nenhum compromisso com a gramática portuguesa. Vale tudo:eu era, tu era, nós era, eles era.” (Dad Squarisi, Correio Braziliense, 22/6/1996)
	e) “Existe muito preconceito decorrente do valor atribuído às variedades padrão e ao estigma associado às variedades não padrão, consideradas inferiores ou erradas pela gramática.” (Parâmetros Curriculares Nacionais, Língua Portuguesa, p.31).

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