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impressão 5 - Epistemolofgia Genética

Aula sobre provas operatórias piagetianas (Epistemologia Genética): explica o método clínico piagetiano — tipos de perguntas e conduta do examinador — e descreve provas de conservação, classificação e seriação com materiais e instruções.

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EPISTEMOLOGIA GENÉTICA 
AULA 5 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof. Wilson da Silva 
Profª Márcia Regina Mocelin 
 
 
 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
Nesta aula estudaremos as provas operatórias piagetianas, que fazem 
parte do método clínico desenvolvido por Jean Piaget e têm como objetivo 
principal determinar o grau de aquisição de algumas noções-chave do 
desenvolvimento cognitivo, detectando o nível de pensamento alcançado pela 
criança ou pelo adolescente, ou seja, o nível de estrutura cognoscitiva com que 
ela/ele opera. Veremos: 
1. O método clínico piagetiano; 
2. Provas de conservação; 
3. Provas de classificação; 
4. Provas de seriação; 
5. Aplicação das provas piagetianas. 
TEMA 1 – O MÉTODO CLÍNICO PIAGETIANO 
O método clínico piagetiano é um método de livre conversação sobre um 
tema dirigido pelo interrogador, que orienta o curso do interrogatório e é dirigido 
pelas respostas do sujeito. No método, são identificadas três formas de 
perguntas: 
1. Exploratórias: têm como objetivo fazer aflorar a estrutura do sujeito por 
meio das perguntas que o interrogador lhe faz. 
2. Justificativas: objetivam saber o ponto de vista e a legitimidade das ideias 
do investigado. 
3. Contra-argumentativas: buscam descobrir se as respostas obtidas são 
variáveis ou não, bem como qual é o grau de equilíbrio entre a ação e a 
reação do sujeito ante uma problemática. 
Esse método exige do investigador algumas qualidades, como a 
habilidade de observar, a precisão na coleta de dados e, ao mesmo tempo, a 
seleção e a apreensão das informações necessárias. As respostas devem se 
manifestar de maneira espontânea e não induzida, para que não haja equívocos 
com relação aos pensamentos e às ações do indivíduo. 
É necessário, então, que o investigador tenha uma boa compreensão 
teórica dos conteúdos de avaliação e um trato coeso na maneira de lidar com a 
criança. Para isso, exige-se uma coerência epistêmica na condução da 
 
 
3 
avaliação, de modo que os resultados tenham o alcance objetivo da avaliação 
proposta. 
Para a realização do exame, o investigador pode fazer uso de um roteiro 
como auxílio, e não como um procedimento padrão. Sua linguagem, seus gestos 
e suas atitudes devem ser manejados de maneira a serem compreendidos pelo 
examinado. O examinador deve estar atento e acompanhar o raciocínio do 
sujeito, sem corrigi-lo ou completar o que ele diz, tendo em mente que o interesse 
principal é o processo pelo qual este chega à resposta (Delval, 2002). 
TEMA 2 – PROVAS DE CONSERVAÇÃO 
As provas de conservação são bastante diversificadas e se dividem em 
substância discreta (fichas, bolas de gude), contínua (água, massa), volume, e 
peso. Vejamos alguns tipos de provas, bem como o material utilizado: 
 Conservação da quantidade de matéria: utiliza duas massas de 
modelar de cores diferentes, cujo tamanho permite a confecção de duas 
bolas de aproximadamente 4 cm de diâmetro. 
 Conservação da quantidade de líquidos: utiliza dois copos iguais (A1 e 
A2), um copo mais fino e alto (B) e um copo mais largo e baixo (C). 
 Conservação de pequenos conjuntos discretos de elementos: utiliza 
dez fichas vermelhas e dez fichas azuis, cada uma com 2 cm de diâmetro. 
 Conservação de volume: utiliza dois copos iguais (A1 e A2) com a 
mesma quantidade de água e duas massas de modelar de cores 
diferentes. 
 Conservação de peso: utiliza duas massas de modelar de cores 
diferentes e uma balança com dois pratos, cuja leitura se dá pela posição 
dos braços. 
 Conservação de comprimento: utiliza dois pedaços de barbante, um 
com 10 cm e outro com 15 cm. 
TEMA 3 – PROVAS DE CLASSIFICAÇÃO 
As provas piagetianas de classificação podem ser divididas em mudança 
de critério – dicotomia e quantificação de inclusão de classes. Vejamos exemplos 
desses dois tipos de provas, acompanhados do material utilizado: 
 
 
4 
 Mudança de critério – dicotomia: utiliza três quadrados vermelhos em 
três tamanhos diferentes (G = grande; M = médio; P = pequeno) e três 
círculos azuis em três tamanhos diferentes (G = grande; M = médio; P = 
pequeno). 
 Quantificação de inclusão de classes: utiliza flores (sete margaridas e 
três rosas vermelhas) ou animais (sete coelhos e três camelos – ou outros 
animais a escolher). 
Pode-se fazer também com outros elementos/objetos, como carros e 
ônibus, por exemplo. 
TEMA 4 – PROVAS DE SERIAÇÃO 
A prova de seriação é uma importante prova piagetiana que tem como 
objetivo ordenar as diferenças. Vejamos um exemplo de seriação de palitos: 
 Material utilizado: dez palitos de aproximadamente 1 cm de largura, com 
diferença de 0,6 mm de altura entre um e outro; se os palitos tiverem o 
mesmo tamanho, deverão ser cortados para que um seja menor que o 
outro. 
 Instrução de aplicação: deve-se mostrar os palitos para o sujeito e pedir a 
ele que os disponha do maior para o menor. Em seguida, observa-se se 
o sujeito utiliza um método operatório para fazer a seleção dos palitos – 
como, por exemplo, segurar os palitos na mão e apoiá-los numa mesa 
para descobrir qual é o maior. Crianças do nível pré-operatório não 
conseguem realizar essa seriação completa, ao passo que as do nível 
operatório cumprem a tarefa sem grandes problemas. 
TEMA 5 – APLICAÇÃO DAS PROVAS PIAGETIANAS 
Para a aplicação das provas, é necessário primeiramente preparar bem o 
material que será utilizado em cada uma delas. Nesse sentido, recomendamos 
consultar o livro Introdução à prática do método clínico: descobrindo o 
pensamento das crianças, de Juan Delval (2002), que traz uma ampla reflexão 
sobre a aplicação do método clínico piagetiano, bem como das principais provas 
utilizadas pelo pensador suíço. Antes da aplicação das provas, recomendamos 
fazer um estudo piloto com poucos sujeitos, para que você possa testar a 
 
 
5 
metodologia de aplicação e identificar possíveis problemas que poderão ser 
encontrados no decurso. 
À medida que foi desenvolvendo seu método clínico, Jean Piaget foi 
refinando-o e incorporando novas características, como a contra-argumentação. 
Por exemplo: quando um sujeito dava uma resposta errada para determinada 
situação-problema, Piaget informava ao sujeito que, diante desse mesmo 
problema, outro participante, de mesma idade e sexo, disse x, apresentando a 
resposta certa na boca desse hipotético sujeito. 
O objetivo era ver se, diante da resposta certa, o participante mudava sua 
resposta errada. Se o sujeito desse a resposta certa, o pensador procedia de 
maneira contrária, idealizando outro sujeito que teria informado a resposta 
errada (para verificar se o participante mudava a resposta). 
Como já mencionamos, a ideia de Piaget com relação às questões contra-
argumentativas era saber se as respostas obtidas são variáveis ou não, além de 
reconhecer o grau de equilíbrio entre a ação e a reação do sujeito ante uma 
problemática (Delval, 2002). 
NA PRÁTICA 
Aplique a prova de conservação dos líquidos para três crianças: uma de 
quatro anos, uma de seis anos e outra de oito anos. Compare as respostas delas 
com o conteúdo que expusemos neste capítulo. Em seguida, comente suas 
conclusões com seus colegas e observe se houve diferenças/semelhanças entre 
sua aplicação e a de seus pares. 
FINALIZANDO 
Nesta aula vimos que as provas operatórias fazem parte do método clínico 
desenvolvido por Jean Piaget e têm como objetivo principal determinar o grau de 
aquisição de algumas noções-chave do desenvolvimento cognitivo, detectando 
o nível de pensamento alcançado pela criança ou pelo adolescente, ou seja, o 
nível de estrutura cognoscitiva com que opera (Santos,2017). 
Vimos ainda como é o método clínico piagetiano, bem como as provas de 
conservação, de classificação e de seriação, estudando, por fim, a aplicação 
dessas provas. Também destacamos que, para a avaliação, as respostas são 
divididas em três níveis, assim sintetizados (Santos, 2017): 
 
 
6 
 Nível 1: não há conservação, o sujeito não atinge o nível operatório nesse 
domínio (nível pré-operatório). 
 Nível 2 ou intermediário: as respostas apresentam oscilações, 
instabilidade ou não são completas. Em um momento conversam, em 
outro não (oscilação entre os níveis pré-operatório e operatório). 
 Nível 3: as respostas demonstram aquisição da noção sem vacilação 
(nível operatório). 
 
 
7 
REFERÊNCIAS 
DELVAL, J. Introdução à prática do método clínico: descobrindo o 
pensamento das crianças. Porto Alegre: Artmed, 2002. 
SANTOS, A. F. dos. Aplicação das provas piagetianas segundo o método clínico: 
um estudo experimental. Psicologia.pt, p. 1-13, 2017. Disponível em: 
<http://www.psicologia.pt/artigos/textos/A1063.pdf>. Acesso em: 28 fev. 2019.