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Plano de Ensino
Nesta aula, estudaremos o conceito da avaliação psicopedagógica e a matriz diagnóstica.
Iremos analisar a queixa na avaliação institucional. Realizaremos o enquadramento do processo diagnóstico e a EOCMEA - Entrevista Operativa Centrada na Modalidade de Ensino Aprendizagem.
Conversa Inicial
Bem-vindos(as) à esta aula. Neste momento, será discutido sobre o processo da Avaliação Psicopedagógica Institucional, do qual se configura o rumo que vai direcionar a prática do profissional da psicopedagogia. Em todas as instituições em que exista algum tipo de aprendizagem e interação entre as pessoas há possibilidade de surgirem problemas. Assim, o psicopedagogo é o profissional que por meio de instrumentos e técnicas próprias pode analisar a queixa e propor soluções, estabelecendo um prognóstico que é um resultado obtido a partir de interpretações feitas com base num diagnóstico. Isso significa que o prognóstico de uma instuição está intrinsecamente ligado às estratégias de avaliação que resultarão no diagnóstico e planos de ação, no intuito de discutir com os envolvidos possíveis aprimoramentos.
Tema 01 – Conceitualização de Avaliação Psicopedagógica Institucional
A avaliação psicopedagógica institucional é uma importante ferramenta para tomar decisões que possam aprimorar o desempenho da aprendizagem, como, também, promover mudanças no contexto institucional. Sendo assim, muitos cuidados são necessários, pois uma ação de mudança mal elaborada pode ser desastrosa, tanto no âmbito profissional como no individual. O processo de aprendizagem pode ser comprometido desde a primeira intervenção avaliativa, desse modo é necessário que o avaliador tenha uma postura ética e que transmita confiança explicando aos avaliados como será o processo e qual a intenção deste, esta atitude não deve ser arbitrária, mas um diálogo aberto com os profissionais diretamente vinculados à realidade institucional. Desta forma, a avaliação institucional só pode ser realizada com todos os envolvidos no processo, e desde que estes estejam compromissados com o trabalho e as mudanças propostas.
Tema 02 – A matriz diagnóstica
A matriz diagnóstica é o primeiro nível para se trabalhar a avaliação psicopedagógica institucional. Ela envolve três níveis, o específico, que é o sintoma a ser observado; o singular, relacionado a instituição como um todo; e o universal, que diz respeito à concepção de mundo, de homem e de educação que impera na sociedade. O sintoma orienta para a ação diagnóstica sinalizando como as dinâmicas relacionais ocorrem dentro das instituições.
Numa instituição, os sintomas podem se apresentar como obstáculos de diferentes ordens, tais como: obstáculos da ordem do conhecimento; da ordem de interação; da ordem do funcionamento; e de ordem estrutural. A análise desses obstáculos é realizada por meio de instrumentos e técnicas que caracterizam o diagnóstico institucional. Tema 03 – A queixa na avaliação diagnóstica
A queixa é a entrevista para exposição de motivos, e é realizada no início de um diagnóstico psicopedagógico na instituição. Para o levantamento da queixa se faz uma entrevista, realizada com a equipe responsável pela instituição, de forma aberta e observadora. Neste momento, o psicopedagogo precisa analisar o discurso e as atitudes do entrevistado, apurar sua capacidade de escuta e de olhar, ficando atento para:
A temática da conversa, observar tudo o que é falado, coerências e incoerências, ler as entrelinhas, a objetividade e subjetividade nas respostas.
A dinâmica, observar todos os movimentos durante a entrevista, a atenção dispensada e a vontade de atender às mudanças. Assim, é importante observar a comunicação latente e a comunicação manifesta na ordem afetiva, cognitiva e física que vão se tornar referência para explicitar a queixa. Para tanto, é importante registrar todas as respostas que foram dadas e, após a entrevista, faz-se necessário a integração dos registros da temática e da dinâmica para que se obtenha um quadro geral a respeito da queixa formulada e se possa dar início à organização das hipóteses obtidas a partir desta primeira entrevista.
Segundo Alicia Fernandes (1994, p.109-110) coloca, o indivíduo, quando se queixa de algo, está envolvido com o problema, o que lhe faz ter dificuldade de enfrentá-lo e ter atitudes de mudança. Assim, é importante observar a comunicação latente e a comunicação manifesta na ordem afetiva, cognitiva e física que vão se tornar referência para explicitar a queixa. Para tanto, é importante registrar todas as respostas que foram realizadas e, após a entrevista, faz-se necessária a integração dos registros da temática e da dinâmica para que se obtenha um quadro geral a respeito da queixa formulada e se possa dar início à organização das hipóteses obtidas a partir desta primeira entrevista.
Tema 04 – Enquadramento no Processo Diagnóstico
Após a queixa é importante estabelecer um contrato juntamente com o responsável por aquela. O enquadramento é um termo criado por Pichon-Rivière que auxilia na obtenção de critérios como: estabelecer a quantidade de encontros (os dias da semana, a data do início e do último encontro); estabelecer o horário, espaço e material; esclarecer a justificativa e objetivos do diagnóstico; os honorários previstos e a entrega de um projeto de intervenção. Segundo Barbosa (2001, p. 150), é importante neste momento isolar a realidade do contexto e integrá-la a ele, novamente, de forma controlada. O enquadramento, no entanto, não é algo estático, conforme as necessidades e imprevistos alguns termos podem ser ajustados de comum acordo, o enquadramento serve para que o psicopedagogo tenha um controle sobre as variáveis que podem ocorrer ao longo do percurso, além da formalização que possibilita um certo distanciamento do fenômeno que está sendo investigado.
O distanciamento é essencial para que o psicopedagogo não se envolva com o fenômeno a ser investigado, isto possibilita observar sem colocar inferências pessoais, mantendo claro seu papel dentro da instituição. Este distanciamento possibilita analisar o sintoma pela aproximação sucessiva do objeto de estudos de maneira menos contaminada (Carlberg, 2000).  
Entenda melhor como fazer o enquadramento, assistindo ao vídeo a seguir.
Tema 05 – EOCMEA – Entrevista Operativa Centrada na Modalidade de Ensino Aprendizagem
Seguindo a base teórica da Epistemologia Convergente de Jorge Visca (2010), e os pressupostos de Pichon-Rivière (1994), a Entrevista Operativa Centrada no Modelo de Ensino-Aprendizagem (E.O.C.M.E.A.) tem como objetivo conhecer como a instituição aprende, como funciona, além de identificar a origem dos sintomas apresentados pela mesma. A EOCMEA consiste em uma consigna aplicada ao grupo relacionado a queixa, e, muitas vezes, se dá por meio de dinâmicas de grupo propostas para constatar os motivos levantados pelo gestor ou responsáveis pela instituição.
É uma técnica de análise do sintoma por meio da observação da dinâmica grupal. O sintoma é, portanto, um dos passos mais importantes de um diagnóstico psicopedagógico institucional, pois é a partir de tais observações que se delineia o processo diagnóstico como um todo. O coordenador da tarefa/atividade deve examinar a temática e a dinâmica por meio das observações e discursos do grupo de acordo com a queixa apresentada pela instituição. O trabalho se concretiza por meio do levantamento de hipóteses, e revela os obstáculos e potencialidades da instituição em função da integração das dimensões do conhecimento, da interação funcional e cultural.
Hipóteses de ordem do conhecimento.
Hipóteses de ordem da interação.
Hipóteses de ordem funcional.
Hipóteses de ordem estrutural.
Na Prática
Realize uma pesquisa sobre a atuação do psicopedagogo institucional em sua comunidade. Entreviste algum psicopedagogo sobre seu trabalho, dificuldades e desafios e reflita sobre a função deste profissional.
Saiba mais sobre este conteúdo assistindo ao vídeo a seguir.
Finalizando
Referências
BARBOSA, L. M. S. A Psicopedagogiano âmbito da instituição escolar. Curitiba: Expoente, 2000.
CARLBERG, S. Psicopedagogia: uma matriz de pensamento diagnóstico no âmbito clínico. Curitiba: InterSaberes, 2012.
FERNANDES, A. A inteligência Aprisionada. Porto Alegre: Artmed, 1994.
PICHÓN-REVIÈRE, E. O processo grupal. Tradução de Marco Aurélio Fernandes Velloso. 5.ed. São Paulo: Martins Fontes, 1994.
VISCA, J. Clínica Psicopedagógica: Epistemologia Convergente. Tradução de Laura Monte Serrat Barbosa. 2.ed. São José dos Campos: Pulso Editorial, 2010.

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