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EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO 1ª Questão Com relação aos princípios gerais do direito processual civil, analise as afirmativas seguintes: I. Os princípios, em relação ao modelo constitucional de processo civil, são mandados de otimização do sistema com conteúdo normativo de teor mais aberto se comparados às regras, podendo-se afirmar que a coisa julgada é uma regra que densifica, primordialmente, o princípio da segurança jurídica. II. O princípio do devido processo legal decorre da norma contida na Constituição, no art. 5º, LIV, garantindo às partes voz e meios para se defenderem, respeitando os direitos fundamentais. III. No que diz respeito ao princípio da inafastabilidade da jurisdição como meio de propiciar o amplo e incondicionado exercício ao direito de ação, é perfeitamente exigível o depósito prévio como requisito de admissibilidade de ação judicial interposta para discussão da exigibilidade do crédito tributário, consagrando-se a regra do solve et repete. IV. Segundo o princípio da congruência, deve o juiz decidir, observados os limites da lide estabelecidos pelo pedido do autor, evitando-se decisões extra petita, citra ou infra petita ou ultra petita. A partir da análise, conclui-se que estão corretas: Alternativas: a) I e III apenas. b) I, II e IV, apenas. c) II e III apenas. d) III e IV apenas. Gabarito Comentado Nota da tutoria: em sintonia com a aula ministrada, a questão versa sobre os princípios gerais do direito processual civil. A propósito, com os estudos de Robert Alexy, Ronald Dworkin, Humberto Ávila, dentre outros, é fato que os princípios ganharam uma nova roupagem, deixando de ser considerados meios de colmatação de lacunas e passando a integrar o ordenamento jurídico como espécies de norma jurídica. Enquanto o CPC/73 trazia os princípios de forma esparsa, o legislador moderno, atento ao modelo constitucional de processo civil e ao reconhecimento da carga normativa dos princípios, condensou-os no Capítulo I, Título único, Livro I, Parte Geral, arts. 1.º ao 12. O princípio do devido processo legal (art. 5º, LIV, CF), por exemplo, síntese de todo o necessário para que a prestação jurisdicional seja justa e adequada, está destacado no art. 1º, CPC/2015. O princípio da razoável duração do processo (art. 5º, LXXVIII, CF) possui disposição expressa no art. 4º, CPC/2015. Ainda, o princípio do contraditório (art. 5º, LV, CF), traduz uma tentativa de idealização do contraditório participativo e valoriza o princípio da cooperação no processo. Consagra-se na previsão do art. 9º, CPC/2015, ao determinar que o juiz deve intimar as partes antes de decidir até mesmo questões de ordem pública (as chamadas decisões de terceira via). Além disso, o princípio da inafastabilidade da jurisdição, também conhecido como princípio do acesso à justiça (art. 5º, XXXV, CF), encontra-se prenunciado no caput do art. 3º, CPC/2015. Alternativa correta: letra “B”. Item I: correto, uma vez que a ideia do modelo constitucional de processo civil consubstancia-se no fato de a Constituição Federal trazer inúmeros princípios processuais, que permearão todo o sistema e que devem ser considerados por todos os operadores do direito e pelo legislador. De acordo com a doutrina do professor Humberto Ávila, os princípios são mandados de otimização do sistema, inspirados em valores, conforme esquematizado abaixo: Contudo, o conteúdo normativo dos princípios é mais aberto se comparado ao das regras, que têm teor mais concreto. Como exemplo, tem-se a coisa julgada, regra que compacta, precipuamente, o princípio da segurança jurídica. Item II: correto, tendo em vista que o devido processo legal é princípio fundamental do processo, do qual decorrem diversos outros princípios como seu consectário lógico, a exemplo do contraditório e da ampla defesa. O princípio do due process of law pode ser analisado sob duas perspectivas diferentes: a) devido processo legal formal ou procedimental, composto pelas diversas garantias processuais, tais como o direito ao contraditório, à ampla defesa, à duração razoável do processo e o juiz natural; b) devido processo legal substancial, consistente na aplicação das regras processuais levando-se em consideração a razoabilidade e a proporcionalidade. Item III: incorreto, pois a jurisprudência vinculante do Supremo Tribunal Federal afastou peremptoriamente a cláusula solve et repete como condição para se impugnar em Juízo a exigibilidade do crédito tributário. Conforme a Súmula Vinculante 28, é inconstitucional a exigência de depósito prévio como requisito de admissibilidade de ação judicial na qual se pretenda discutir a exigibilidade do crédito tributário. Do contrário, estar-se-ia impedindo o acesso pleno à justiça e, consequentemente, a plenitude do princípio da inafastabilidade da jurisdição, previsto no inciso XXXV, do art. 5º, CF. Item IV: correto, pois o juiz decidirá a lide nos limites em que foi proposta, conforme dispõem os arts. 141 e 492 do CPC/2015. O princípio da congruência também é chamado de princípio da adstrição ou correlação. 2ª Questão Acerca dos princípios do processo civil, assinale a opção correta: Alternativas: a) O sistema informal previsto para as ações que tramitam perante os Juizados Especiais permitem a adoção, pelo magistrado, do sistema do livre convencimento puro. b) A Constituição Federal de 1988 consagra o princípio do duplo grau de jurisdição em sua acepção clássica. c) O princípio dispositivo vincula o julgador no que diz respeito aos limites objetivos e subjetivos da lide e aos limites da instrução do processo. d) O princípio da instrumentalidade das formas torna irrelevante o vício, desde que o ato tenha atingido sua finalidade. Gabarito Comentado Alternativa correta: letra “D”. Alternativa “A”: incorreta. Existem três sistemas gerais de avaliação de prova: o da prova legal, o do livre convencimento puro e o do convencimento motivado. No primeiro, o valor que o juiz deve dar a cada prova é previamente estabelecido por lei. No segundo, o magistrado pode julgar conforme a sua convicção, não sendo necessário que a fundamentação de seu convencimento esteja alicerçada na prova dos autos, bastando que esteja conforme a sua própria consciência. O terceiro é o sistema adotado no Brasil, do qual não estão dispensadas, por força da Constituição (art. 93, IX), as decisões proferidas no âmbito dos Juizados. Assim também é o art. 371, CPC/2015, segundo o qual “o juiz apreciará a prova constante dos autos, independentemente do sujeito que a tiver promovido, e indicará na decisão as razões da formação do seu convencimento”. Alternativa “B”: incorreta. A Constituição Federal não consagrou expressamente o princípio do duplo grau de jurisdição. A doutrina considera que é uma garantia implícita, decorrente do devido processo legal e da forma escalonada com que foram previstos os órgãos da Justiça. O duplo grau de jurisdição é mencionado no Pacto de San José da Costa Rica, mas, lá, foi limitado à esfera penal. Alternativa “C”: incorreta. O princípio dispositivo vincula o julgador tão somente à propositura da ação (art. 2º, CPC/2015) e aos limites objetivos e subjetivos da lide (arts. 141 e 492, CPC/2015). Com relação à instrução do processo, o juiz poderá determinar as provas que julgar necessárias, nos termos do art. 370, CPC/2015: “caberá ao juiz, de ofício ou a requerimento da parte, determinar as provas necessárias ao julgamento do mérito”. Alternativa “D”: correta. A afirmativa encontra respaldo nos arts. 188 e 277, CPC/2015, que consagram o princípio da instrumentalidade das formas, destacando-sea redação deste último: “quando a lei prescrever determinada forma, o juiz considerará válido o ato se, realizado de outro modo, lhe alcançar a finalidade”. 3ª Questão De acordo com o Código de Processo Civil, é correto afirmar que: Alternativas: a) O princípio constitucional da inafastabilidade do controle jurisdicional aplica-se ao processo civil e significa que ninguém pode alegar o desconhecimento da lei para impedir a prestação jurisdicional. b) O princípio da igualdade processual encerra a ideia de que cabe ao juiz tratar desigualmente os desiguais, na medida desta desigualdade, o que justifica, por exemplo, o prazo em quádruplo para a Fazenda Pública contestar. c) O princípio isonômico previsto processualmente é meramente formal e abstrato, ao contrário de igual princípio constitucional. d) As prerrogativas da Fazenda Pública em juízo são ainda constitucionais e compatíveis com o princípio da isonomia de tratamento entre as partes. Gabarito Comentado Alternativa correta: letra “D”. Alternativa “A”: incorreto, tendo em vista que não se trata do “desconhecimento da lei”, mas, sim, da garantia, conferida a todos, do acesso ao Poder Judiciário, que não pode deixar de atender a quem venha em juízo deduzir uma pretensão fundada no direito e pedir solução para ela. O art. 3º, CPC/2015, valoriza o princípio em questão ao prever que “não se excluirá da apreciação jurisdicional ameaça ou lesão a direito”. No art. 139, IV, CPC/2015 há, inclusive, uma cláusula executiva geral, que representa a possibilidade de o juiz tomar todas as medidas necessárias para efetivar a tutela, atuando de ofício e escolhendo a medida mais adequada para a espécie. Por outro lado, é o art. 3º da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (LINDB) que estabelece que ninguém se escusa de cumprir a lei alegando que não a conhece. Alternativa “B”: incorreta. Muito embora a CF tenha consagrado o princípio da igualdade substancial – segundo o qual os iguais devem ser tratados igualmente e os desiguais de forma desigual, na medida de suas desigualdades –, o art. 183, CPC/2015, dispõe que “a União, os Estados, o Distrito Federal, os Municípios e suas respectivas autarquias e fundações de direito público gozarão de prazo em dobro para todas as suas manifestações processuais, cuja contagem terá início a partir da intimação pessoal”. Alternativa “C”: incorreta. O processo civil é informado pelo princípio da igualdade ou isonomia substancial e não a meramente formal. Assim, deve-se assegurar às partes igualdade de tratamento na medida da sua igualdade. Havendo um discriminem justificado, autoriza-se tratamento desigual a fim de equilibrar as partes da relação jurídica. Alternativa “D”: correta. O princípio da isonomia busca a igualdade material das partes, sendo uma das bases do Estado Democrático de Direito, na forma do art. 5º, caput e I, CF. No âmbito do processo civil, reflete por meio do princípio da paridade de armas, previsto, no CPC/73, no inciso I de seu art. 125. No CPC/2015, a previsão desloca-se para o inciso I do art. 139. As prerrogativas da Fazenda Pública, segundo a doutrina, possuem a ideia de equalizar, conferindo àquela prazos maiores em razão de sua dimensão e volume de acervo processual. Embora existam críticas, ainda prevalece a ideia de que tais privilégios foram recepcionados pela CF e não ofendem o princípio da igualdade ou isonomia. 4ª Questão Acerca dos princípios do processo civil, assinale a alternativa incorreta: Alternativas: a) A inobservância, pelo juiz, do princípio da adstrição, tem o condão de gerar ofensa aos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa. b) Observa o princípio da igualdade das partes o juiz que determina a emenda da inicial, antes de indeferi-la. c) A legislação brasileira contempla situações em que o juiz está autorizado a agir de ofício, mitigando-se, nessas hipóteses, o princípio dispositivo. d) Pelo princípio do contraditório, o autor pode deduzir a ação em juízo, alegar e provar os fatos constitutivos de seu direito, e ao réu é assegurado o direito de contestar todos os fatos alegados pelo autor, como também o de fazer a prova contrária, ainda que em caso de revelia. Gabarito Comentado Alternativa: letra “B”. Alternativa “A”: correta. O principio da adstrição, também chamado de correlação ou congruência, indica que a sentença deve resolver a lide à luz do que expressamente pedido, nem mais nem menos (art. 492, CPC/2015). Trata-se de princípio de fundamental importância, segundo o qual o juiz não pode decidir nem fora e nem além do pedido pelo autor. O desrespeito a este princípio fere o contraditório, pois, caso a sentença alcance situações jurídicas estranhas às partes componentes originariamente do litígio, a surpresa em relação ao ponto excedente inviabiliza o exercício do direito de informação e reação dos litigantes, mutilando, ainda, o conceito de contraditório participativo trazido pela doutrina moderna. Alternativa “B”: incorreta. O magistrado que, verificando a existência de vícios sanáveis na petição inicial, faculta à parte sua emenda antes de indeferi-la, observa o princípio do contraditório, e não o da igualdade. Trata-se de princípio que recebeu tratamento diferenciado no CPC/15, especialmente em razão da adoção do princípio cooperativo. Por isso, incumbe ao magistrado indicar precisamente o que deve ser corrigido ou complementado. Alternativa “C”: correta. Além das matérias que o juiz pode (e deve) conhecer de ofício enquanto não ocorrer o trânsito em julgado (art. 485, §3.º, CPC/2015), o aluno deve se lembrar das hipóteses que excepcionam o princípio em estudo, como, por exemplo, as hipóteses em procedimento de jurisdição voluntária (arts. 738 e 744, CPC/2015), que podem ser iniciadas de ofício pelo juiz. Alternativa “D”: correta. O direito ao contraditório constitui garantia fundamental elencada no art. 5º, LV, CF, que deve ser entendido como a ciência bilateral dos atos do processo com a possibilidade de contrariá-los, a qual não impede o réu revel de produzir provas, desde que compareça em tempo oportuno (Súmula 231, STF). A propósito, não pode o juiz decidir qualquer questão, ainda que seja autorizado a fazê-lo de ofício, sem oportunizar a prévia manifestação das partes, em respeito aos princípios do devido processo legal, da ampla defesa, do contraditório e da cooperação. O CPC/2015, entendendo o contraditório como sinônimo de efetiva participação das partes, proíbe expressamente a decisão das questões de ordem pública, também chamadas “decisões de terceira via”, sem a prévia oitiva das partes, à exceção das hipóteses previstas em lei: “não se proferirá decisão contra uma das partes sem que ela seja previamente ouvida. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica: I – à tutela provisória de urgência; II – às hipóteses de tutela de evidência previstas no art. 311, incisos II e III; III – à decisão prevista no art. 701” (art. 9º, CPC/2015). 5ª Questão Sobre os princípios dispostos no novo Código de Processo Civil – Lei n.º 13.105/2015 –, assinale a alternativa correta: Alternativas: a) O CPC/2015 reforça a exigência de contraditório prévio, ainda que se trate de matéria que o juiz deva conhecer sem a necessária provocação dos litigantes. b) O princípio da boa-fé processual é destinado apenas às partes e aos advogados. c) O princípio da primazia do julgamento do mérito não conta com previsão na nova lei processual civil, que se contenta com decisões terminativas. d) O princípio da cronologia é de observância obrigatória tanto para os juízes e tribunais, quanto para o escrivão ou chefe de secretaria.Gabarito Comentado Nota da tutoria: como se vê, os arts. 1.º a 12 elencam uma série de princípios – alguns já dispostos no texto constitucional – que traduzem a forma adequada, ou “contemporânea”, de pensar sobre o processo civil: à luz do texto constitucional. Não é por outra razão que o art. 1.º do CPC dispõe que “o processo civil será ordenado, disciplinado e interpretado conforme os valores e as normas fundamentais estabelecidos na Constituição da República Federativa do Brasil, observando-se as disposições deste Código”. Alternativa correta: letra “A”. Alternativa “A”: correta. De acordo com o art. 10, CPC/2015, “o juiz não pode decidir, em grau algum de jurisdição, com base em fundamento a respeito do qual não se tenha dado às partes oportunidade de se manifestar, ainda que se trate de matéria sobre a qual deva decidir de ofício”. Nas palavras de Zulmar Duarte, “não há mais espaço para decisões solipsistas, por assim dizer, em que as questões ou perspectivas consideradas não restam submetidas ao contraditório prévio das partes. O magistrado não pode se considerar como sujeito isolado na cadeia processual. Seus atos processuais dependem e pressupõe os atos das partes, numa contínua relação dialética, em que a síntese, ainda que superadora, não se separa da tese e da antítese apresentadas” (DUARTE, Zulmar; DELLORE, Luiz; GAJARDONI, Fernando; ROQUE, André Vasconcelos. Teoria geral do processo: comentários ao CPC de 2015: Parte Geral. São Paulo: Forense, 2015, p. 64). Alternativa “B”: incorreta. O princípio da boa-fé processual estava disposto no art. 14 do CPC/1973, mais precisamente no capítulo que tratava dos deveres das partes e dos procuradores. Apesar da localização topográfica, já se entendia que tal princípio tinha aplicabilidade a todos os que participassem do processo (juiz, partes, advogados, terceiros, auxiliares da justiça, Ministério Público, etc). O art. 5º, CPC/2015, traduz esse entendimento ao elencar tal princípio no capítulo relativo às normas fundamentais do processo civil. Alternativa “C”: incorreta. É exatamente o contrário. A primazia do julgamento do mérito (ou princípio da primazia da decisão de mérito) é reforçada por diversos dispositivos do CPC/2015. Exemplos: arts. 4.º; 6.º; 76; 139, IX; 317; 321; 485, §7.º; 488, 932, parágrafo único; 1.029, §3.º. De acordo com esse princípio, deve o órgão julgador priorizar a decisão de mérito, tê-la como objetivo e fazer o possível para que ocorra. Alternativa “D”: incorreta. A ordem cronológica de julgamento, segundo a redação original da Lei 13.105/2015, dispunha que os juízes e tribunais deveriam obedecer à ordem cronológica de conclusão para proferir sentença ou acórdão. Tal dever incumbia também ao escrivão e ao chefe de secretaria. Contudo, a Lei 13.256/2016 modificou a redação dos arts. 12 e 153 da Lei 13.105/2015 (CPC/2015), e o que era obrigatório passou a ser apenas preferencial. 6ª Questão A respeito do princípio do contraditório no processo civil, é INCORRETO afirmar que: Alternativas: a) O contraditório consiste em uma garantia de efetiva participação das partes no desenvolvimento de todo o litígio, mediante a possibilidade de influírem, em igualdade de condições, no convencimento do magistrado, contribuindo na descrição dos fatos, na produção de provas e no debate das questões de direito. b) O contraditório não é necessário apenas para a prolação da sentença de mérito, devendo ser observado ao longo de todo o procedimento, relativamente a todas as questões, sejam de rito ou de mérito. c) O juiz também é sujeito do contraditório, devendo submeter a debate entre as partes as questões jurídicas, aí incluídas as matérias que ele há de apreciar de ofício. d) Em razão das máximas iura novit curia e da mihi factum dabo tibi ius, constitui tarefa privativa do juiz a aplicação do direito, independentemente da sua arguição pelas partes, cabendo a estas últimas apenas a alegação dos fatos; quer isso dizer que o contraditório somente alcança as questões de fato, não sendo necessário para as questões de direito. Gabarito Comentado Nota da tutoria: o princípio do contraditório é um dos mais importantes corolários do devido processo legal. Está consagrado no art. 5º, LV, CRFB/88, além de constar de forma expressa na parte final do art. 7º, CPC/2015 – que dispõe ser incumbência do juiz “velar pelo efetivo contraditório” –, bem como nos arts. 9º e 10 da nova lei processual. O princípio do contraditório, assim como o devido processo legal, apresenta duas dimensões. Em um sentido formal, é o direito de participar do processo, de ser ouvido. Mas essa participação há de ser efetiva, capaz de influenciar o convencimento do magistrado. Essa é a perspectiva substancial do contraditório. Alternativa: letra “E”. Alternativa “A”: correta. Conforme nota, o princípio do contraditório não exige apenas a manifestação formal da parte contrária. Tal manifestação há de ser capaz de influenciar na formação da decisão do magistrado. Por isso, o novo diploma processual considera não fundamentada a decisão que “não enfrentar todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador” (art. 489, §1.º, inciso IV). Alternativa “B”: correta. O contraditório não se torna necessário apenas para a prolação da sentença. Ao longo do procedimento há diversas questões que devem ser enfrentadas, todas, sob o crivo do contraditório prévio. Nesse sentido é a orientação consagrada no art. 10, CPC/2015, que impede o magistrado de proferir decisão surpresa, in verbis: “o juiz não pode decidir, em grau algum de jurisdição, com base em fundamento a respeito do qual não se tenha dado às partes oportunidade de se manifestar, ainda que se trate de matéria sobre a qual deva decidir de ofício”. Alternativa “C”: correta. Há o dever do juiz de provocar o prévio contraditório entre as partes, sobre qualquer questão que apresente relevância decisória, seja ela processual ou de mérito, de fato ou de direito, prejudicial ou preliminar. O desrespeito ao contraditório sobre as questões de direito expõe as partes ao perigo de uma sentença de surpresa. Por outro lado, o juiz instar as partes a se manifestarem, antes da decisão, sobre uma determinada questão de direito, não pode ser considerado uma perda de imparcialidade, por estar prejulgando a causa. Ao contrário, é mais uma oportunidade que se dá às partes e, principalmente, àquela parte que seria prejudicada pela decisão, de apresentar suas alegações e influenciar o convencimento do juiz. Alternativa “D”: incorreta. O contraditório alcança tanto as questões de fato quanto as de direito, em especial as teses jurídicas levantadas e sustentadas pelas partes. Isso porque, se o contraditório significa o direito de influir no processo, o dever de consulta por parte do juiz – seja sobre questão de fato, seja sobre fundamento jurídico – é medida que se impõe, não havendo sentido raciocinar o contrário. 7ª Questão No que se refere aos princípios que regem o processo civil e aos relativos à jurisdição civil, assinale a opção correta. Alternativas: a) O princípio da publicidade não impede que existam processos em segredo de justiça, no interesse das próprias partes; esse sigilo é restrito a estranhos, enquanto não prejudicar o interesse público à informação. Assim, por autorização do juiz, os atos processuais podem ser investigados e conhecidos por outros, além das partes e seus advogados. b) Pelo princípio da inafastabilidade do controle jurisdicional, nenhum juiz será afastado de suas funções sem que lhe sejam garantidos, em processo adequado, os direitos inerentes ao contraditório e àampla defesa. c) Pelo princípio do contraditório, o autor pode deduzir a ação em juízo, alegar e provar os fatos constitutivos de seu direito, e ao réu é assegurado o direito de contestar todos os fatos alegados pelo autor, como também o de fazer a prova contrária, salvo em caso de revelia. d) Por representar garantia constitucional que visa à proteção do interesse público representado pelo patrimônio das pessoas de direito público, o duplo grau de jurisdição é exigido em todo e qualquer processo em que tais pessoas sejam partes ou intervenientes. Gabarito Comentado Alternativa correta: letra “A”. Alternativa “A”: correta, uma vez que a afirmativa encontra respaldo no art. 5.º, inciso LX, CF, que consagra o princípio da publicidade dos atos processuais, permitindo a sua restrição para garantir a defesa da intimidade ou o interesse social. Dando concretude ao mandamento constitucional, o art. 189, caput e incisos I a IV, do CPC/2015, trata das hipóteses em que é lícito ao magistrado decretar que o processo tramite em segredo de justiça, a saber: “Os atos processuais são públicos, todavia tramitam em segredo de justiça os processos: I - em que o exija o interesse público ou social; II - que versem sobre casamento, separação de corpos, divórcio, separação, união estável, filiação, alimentos e guarda de crianças e adolescentes; III - em que constem dados protegidos pelo direito constitucional à intimidade; IV - que versem sobre arbitragem, inclusive sobre cumprimento de carta arbitral, desde que a confidencialidade estipulada na arbitragem seja comprovada perante o juízo”. Alternativa “B”: incorreta. O princípio da inafastabilidade da jurisdição, consagrado no art. 5.º, inciso XXXV, CF, assegura que nenhuma lesão ou ameaça de lesão serão excluídas da apreciação do Poder Judiciário. O preceptivo constitucional não deixa dúvida acerca do espectro de proteção do direito fundamental, albergando em seu núcleo essencial tanto a tutela preventiva ou inibitória (ameaça de lesão) quanto a repressiva (pós-lesão). Ademais, “embora o destinatário principal desta norma seja o legislador, o comando constitucional atinge a todos indistintamente, vale dizer, não pode o legislador nem ninguém mais impedir que o jurisdicionado vá a juízo deduzir pretensão”. O CPC/2015 reforça o princípio da inafastabilidade do controle jurisdicional em seu art. 3.º, caput. Alternativa “C”: incorreta. O direito ao contraditório constitui garantia fundamental elencada no art. 5.º, inciso LV, CF, que deve ser entendido como a ciência bilateral dos atos do processo com a possibilidade de contrariá-los, a qual não impede o réu revel de produzir provas, desde que compareça em tempo oportuno (Súmula 231, STF). A propósito, não pode o juiz decidir qualquer questão, ainda que seja autorizado a fazê-lo de ofício, sem oportunizar a prévia manifestação das partes, em respeito aos princípios do devido processo legal, da ampla defesa e do contraditório. Isso porque o devido processo (processo justo) pressupõe a incidência da isonomia; do contraditório; do direito à prova; da igualdade de armas; da motivação das decisões administrativas e judiciais; do direito ao silencio; do direito de não produzir provas contra si mesmo e de não se auto-incriminar; do direito de estar presente em todos os atos do processo e fisicamente nas audiências; do direito de comunicar-se em sua própria língua nos atos do processo; da presunção de inocência; do direito ao duplo grau de jurisdição no processo penal; do direito à publicidade dos atos processuais; do direito à razoável duração do processo; do direito ao julgador administrativo e ao acusador e juiz natural; do direito a juiz e tribunal independentes e imparciais; do direito de ser comunicado previamente dos atos do juízo, inclusive sobre as questões que o juiz deva decidir de ex officio, entre outros derivados da procedural due process clause. O CPC/2015, em seus arts. 346, p. único, e 349, disciplina a possibilidade de o réu intervir no feito, em qualquer fase procedimental, bem como, caso queira, produzir provas. Alternativa “D”: incorreta. Consiste o princípio do duplo grau de jurisdição na garantia assegurada ao jurisdicionado de impugnar as decisões judiciais pelas vias recursais adequadas, fazendo com que a questão seja reexaminada por um outro órgão judicial. Embora prevaleça a ideia doutrinária de que se trata de princípio implícito na Constituição Federal, há quem sustente que o princípio não estaria inserido no texto constitucional, nem mesmo em suas entrelinhas. Em âmbito internacional, o duplo grau é consagrado como garantia penal na Convenção Americana de Direitos Humanos (Pacto de San José da Costa Rica). Não se trata, contudo, de garantia absoluta, sendo falsa a premissa de que sempre que o Poder Público estiver em juízo deverá ser garantido o duplo grau de jurisdição. Ademais, nem mesmo o reexame necessário é obrigatório em toda demanda promovida contra o Poder Público, porquanto existem situações antevistas pelo legislador em que é dispensável o reexame necessário, a exemplo da sentença proferida em desfavor da Fazenda Pública que estiver fundada em súmula de tribunal superior; acórdão proferido pelo STF ou pelo STJ em julgamento de recursos repetitivos; entendimento firmado em incidente de resolução de demandas repetitivas ou de assunção de competência; entendimento coincidente com orientação vinculante firmada no âmbito administrativo do próprio ente público, consolidada em manifestação, parecer ou súmula administrativa. Mas atenção: o entendimento pacificado pelo STJ na Súmula 490, segundo a qual “a dispensa de reexame necessário, quando o valor da condenação ou do direito controvertido for inferior a sessenta salários mínimos, não se aplica a sentenças ilíquidas”, foi expressamente consagrado no art. 496, §3.º, CPC/2015, que exige que o proveito econômico obtido na causa seja de valor líquido e inferior aos quantitativos mencionados. 8ª Questão Assinale a assertiva correta. Alternativas: a) O princípio da cooperação processual se relaciona à prestação efetiva da tutela jurisdicional e representa a obrigatoriedade de participação ampla de todos os sujeitos do processo, de modo a ser uma decisão de mérito justa e efetiva em tempo razoável. b) Com o objetivo de garantir valores fundamentais estabelecidos na Constituição Federal de 1988, é vedado ao juiz conceder tutela provisória de urgência contra uma das partes sem que ela seja previamente ouvida. c) O princípio da publicidade encontra restrições apenas na Constituição Federal. d) O princípio do impulso oficial deve reger toda a atividade jurisdicional, ressalvada a possibilidade de inventário ex officio, mantida no CPC/2015. Gabarito Comentado Nota da tutoria: uma parte da doutrina afirma que os princípios dispostos no novo CPC têm apenas caráter simbólico, eis que a maioria ou já estava expressa no texto constitucional, ou decorria dos fundamentos elencados pelo constituinte. Essa, contudo, não deve ser a perspectiva do aplicador do direito. Ainda que alguns dispositivos sejam mera repetição do que consta na Constituição Federal, o legislador processual optou claramente por uma posição no sentido de reconhecer a força normativa da Constituição e de conclamar a efetivação dos direitos processuais fundamentais. Alternativa correta: letra “A”. Alternativa “A”: correta. “Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva”. Essa é a regra disposta no art. 6.º do novo CPC, que estabelece um modelo cooperativo de processo, através do qual o órgão jurisdicional propõe um diálogoentre as partes a fim de que, em tempo razoável, seja prestada a tutela jurisdicional mais adequada (e efetiva) ao caso concreto. Alternativa “B”: incorreta. Apesar de o Código ter conferido reforço ao princípio do contrário, também fez algumas ressalvas (incisos do art. 9.º). Nos termos do art. 9.º, “não se proferirá decisão contra uma as partes sem que ela seja previamente ouvida”. Essa regra não se aplica, por exemplo, às tutelas provisórias de urgência (cautelar ou antecipada). Isso porque, nessa hipótese, a postergação do contraditório tem o objetivo de evitar a inutilidade do provimento jurisdicional. Alternativa “C”: incorreta. O art. 11, CPC/2015, estabelece uma cláusula geral de publicidade, que se coaduna com a previsão do inciso X, do art. 93 da CF/88. Entretanto, o art. 189 do Código, correspondente do art. 155 do CPC/1973, prevê em quais situações ou hipóteses os processos devem tramitar em segredo de justiça. Alternativa “D”: incorreta. Há dois erros na assertiva. Em primeiro lugar, o princípio do impulso oficial (art. 2.º) comporta exceções. O juiz pode, por exemplo, instaurar o cumprimento de sentença que reconheça a exigibilidade de obrigação de fazer, de não fazer ou de entregar coisa distinta de dinheiro (arts. 536 e 538). Ademais, o inventário ex officio (art. 989, CPC/1973) não conta com previsão no ordenamento atual, de modo que, se o processo de inventário não for instaurado no prazo de 2 (dois) meses a contar da abertura da sucessão (art. 611, CPC/2015), o juiz não pode fazê-lo de ofício. 9ª Questão A principiologia no Código de Processo Civil (Lei 13.105/2015) permite-nos concluir que: Alternativas: a) O art. 7º, CPC/2015, assegura às partes paridade de tratamento em relação ao exercício de direitos e faculdades processuais, aos meios de defesa, aos ônus, aos deveres e à aplicação de sanções processuais, de modo que não se pode mais falar em prazo diferenciado para a prática de ato processual por parte da Fazenda Pública ou do Ministério Público. b) O art. 5.º, ao tratar da boa-fé processual, está relacionado à boa-fé subjetiva, ou seja, à existência de boas ou más intenções por parte dos sujeitos do processo. c) O princípio da dignidade da pessoa humana só tem aplicação no processo civil em situações nas quais haja necessidade de se resguardar, através do processo, os direitos dos litigantes que estejam em situação de vulnerabilidade. d) É possível que o juiz postergue a manifestação da parte contrária em ação monitória quando evidente o direito do autor. Gabarito Comentado Nota da tutoria: sobre a postergação do contraditório, as situações capituladas pelo parágrafo único do art. 9º são exceções e assim merecem ser interpretadas, já que interrompem a consequencialidade lógica do sistema processual fundado no contraditório. Alternativa correta: letra “D”. Alternativa “A”: incorreta. Por mais paradoxal que possa parecer, o tratamento distinto é, em alguns casos, a principal forma de igualar as partes. Apesar das inúmeras críticas da doutrina às prerrogativas processuais conferidas à Fazenda Pública, o legislador do novo CPC manteve a regra do prazo diferenciado, aplicando-a também ao Ministério Público e à Defensoria Pública. Não há mais, contudo, dicotomia entre o prazo para contestar e o prazo para recorrer (art. 188, CPC/1973). Nos termos dos arts. 180, 183, 186, o prazo para as manifestações processuais do Ministério Público, da Fazenda Pública e da Defensoria Pública será contado em dobro. Exemplo: se o prazo para contestar é de 15 dias (art. 335), o prazo para esses entes será de 30 dias. Alternativa “B”: incorreta. A boa-fé subjetiva é elemento do suporte fático de alguns fatos jurídicos; é fato, portanto. A boa-fé objetiva é uma norma de conduta: impõe e proíbe condutas, além de criar situações jurídicas ativas e passivas. O art. 5.º do CPC não está relacionado à boa-fé subjetiva, à intenção do sujeito processual: trata-se de norma que impõe condutas em conformidade com a boa-fé objetivamente considerada, independentemente da existência de boas ou más intenções. Alternativa “C”: incorreta. O art. 8.º, CPC/2015, determina que, no processo civil, deve o julgador resguardar e promover a dignidade da pessoa humana. A proteção a esse princípio não se restringe à situação descrita no enunciado da assertiva, pois o comando legal – e também constitucional (art. 1.º, III, CF/88) – dirige-se à regulação do Estado com o indivíduo, independentemente de qual situação esse indivíduo se encontre no processo. Alternativa “D”: correta. O art. 701, CPC/2015, dispõe que “sendo evidente o direito do autor, o juiz deferirá a expedição de mandado de pagamento, de entrega de coisa ou para execução de obrigação de fazer ou de não fazer, concedendo ao réu prazo de 15 (quinze) dias para o cumprimento e o pagamento de honorários advocatícios de cinco por cento do valor atribuído à causa”. Essa decisão pode ser proferida sem a prévia oitiva da parte contrária (art. 9.º, parágrafo único, III). Trata-se de uma exceção ao contraditório prévio. 10ª Questão A nova lei processual civil estabelece, no art. 3.º, §3.º, que “a conciliação, a mediação e outros métodos de solução consensual de conflitos deverão ser estimulados por juízes, advogados, defensores públicos e membros do Ministério Público, inclusive no curso do processo judicial”. A partir desse dispositivo, analise as seguintes afirmativas: I. O juiz deve promover, a qualquer tempo, a autocomposição, obrigatoriamente com auxílio de conciliadores e mediadores judiciais. II. Instalada a audiência de instrução e julgamento, o juiz deve tentar conciliar previamente as partes, salvo quando estas já tiverem participado de anterior audiência de conciliação ou mediação. III. Nas ações de família, todos os esforços serão empreendidos para a solução consensual da controvérsia, devendo o juiz dispor do auxílio de profissionais de outras áreas de conhecimento para a mediação e conciliação. IV. A audiência de conciliação ou mediação é etapa obrigatória do procedimento comum, só podendo ser dispensada se houver concordância das partes ou se a demanda envolver direito indisponível. São corretas: Alternativas: a) I, II e III. b) I, III e IV. c) IV, apenas. d) III e IV. Gabarito Comentado Nota da tutoria: a solução consensual dos conflitos foi um dos vetores que norteou a elaboração do novo Código de Processo Civil. De acordo com a exposição de motivos do anteprojeto do Novo CPC, “deu-se ênfase à possibilidade de as partes porem fim ao conflito pela via da mediação ou da conciliação. Entendeu-se que a satisfação efetiva das partes pode dar-se de modo mais intenso se a solução é por elas criada e não imposta pelo juiz”. Alternativa correta: letra “D”. Item I: incorreto. Dentre os deveres do juiz está a promoção, a qualquer tempo, da autocomposição (art. 139, V). A lei não exige, contudo, que o juiz seja auxiliado por conciliadores ou mediadores judiciais. Nesse sentido: “o juiz dirigirá o processo conforme as disposições deste Código, incumbindo-lhe: V – promover, a qualquer tempo, a autocomposição, preferencialmente com auxílio de conciliadores e mediadores judiciais.” Item II: incorreto. A prévia audiência de conciliação ou mediação não inviabiliza nova tentativa de autocomposição em audiência de instrução (art. 139, CPC). Item III: correto, porque reproduz a redação do art. 694 do Código de Processo Civil. Item IV: correto. De acordo com o art. 334, §4.º, I e II, a audiência não será realizada se ambas as partes manifestarem expressamente desinteresse na autocomposição ou se o próprio direitoenvolvido não admitir autocomposição. Assim, se somente o autor, na petição inicial, manifestar o seu desinteresse, mas o réu, ao ser citado, permanecer silente, o referido ato processual ocorrerá normalmente.