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�PAGE �21� �PAGE �119� UNIVERSIDADE FEDERAL DO ACRE PRÓ-REITORIA DE GRADUAÇÃO CENTRO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E DA NATUREZA CURSO DE ENGENHARIA AGRONÔMICA NUTRIÇÃO ANIMAL PROFESSOR: Dr. HENRIQUE JORGE DE FREITAS RIO BRANCO – ACRE MARÇO - 2019 � INDICE 41. INTRODUÇÃO � 42. EVOLUÇÃO DA CIÊNCIA DA NUTRIÇÃO � 63. ALIMENTO � 63.1. Conceito � 73.2. Importância do alimento � 73.3. Constituição dos Alimentos � 83.4. Classificação dos Nutrientes � 83.4.1. Compostos Orgânicos � 103.4.2. Compostos Inorgânicos � 104. Processos Digestivos nos animais � 134.1. Processos Físicos da Digestão � 144.2. Aspectos Gerais da Digestão � 225. ÁGUA � 225.1. Distribuição da água corpórea � 245.2. Principais Funções da Água � 245.3. Fontes de Água � 255.4. Fatores que Afetam a Ingestão de Água � 275.5. Necessidade de Água � 275.6. Restrição de Água � 276. GLICÍDIOS OU CARBOIDRATOS � 276.1. Características � 286.2. Funções � 286.3. Classificação � 296.4. Metabolismo dos Carboidratos � 296.5. Digestão dos Carboidratos nos Não Ruminantes � 306.6. Digestão dos Carboidratos nos Ruminantes � 326.7. Rotas Metabólicas mais Importantes e seus Controles � 356.8. Utilização de Carboidratos por Suínos � 356.9. Utilização da Fibra Bruta por Suínos e Aves � 387. LIPÍDEOS � 387.1. Características � 387.2. Funções � 397.3. Classificação � 407.4. Metabolismo dos Lipídeos � 417.5. Ácidos Graxos � 437.6. Rancidez das Gorduras � 438. PROTEÍNAS � 438.1. Características � 458.2. Classificação das Proteínas � 458.3. Funções das Proteínas � 468.4. Qualidade das Proteínas � 478.5. Metabolismo das Proteínas � 508.6. Necessidade de Proteínas e Aminoácidos � 518.7. Uréia na Alimentação Animal � 559. Metabolismo Energético � 569.1. Partição Biológica da Energia � 579.2. Calorimetria � 589.3. Cálculo da Energia dos Alimentos � 609.4. Importância da Energia nas Rações � 6110. Vitaminas � 6110.1. Característica � 6210.2. Classificação das Vitaminas � 6210.3. Vitaminas Lipossolúveis � 7711. MINERAIS � 7711.1. Principais Funções dos Minerais � 7811.2. Classificação dos Minerais � 9212. Aditivos Utilizados na Alimentação Animal � 9212.1. Uso dos Aditivos � 9312.2. Classificação dos Aditivos � 10013. Aspectos Químicos e Físicos da Ração � 10013.1. Classificação dos Alimentos � 10013.1.1. Alimentos de Primeira Categoria - VOLUMOSOS � 10013.1.2. Alimentos de Segunda Categoria – CONCENTRADOS � 10114. Digestibilidade dos Alimentos � 10114.1. Métodos de Avaliação dos Alimentos � 10214.2. Determinação da Digestibilidade dos Alimentos � 10315. Balanços Nutricionais � 10315.1. Balanço de Nitrogênio � 10415.2. Balanço de Carbono � 10415.3. Balanço de Nitrogênio e Carbono � 10515.4. Balanço de Minerais � 10515.5. Balanço de Energia � 10516. Principais Alimentos para Animais � 10516.1. Produtos de Origem Vegetal � 11116.2. Produtos de Origem Animal � 11516.3. Outros Produtos � 11617. Fatores Antinutricionais presentes nos Alimentos � 11918. Formulação de Ração Animal � 12419. Termos usados em Nutrição Animal � 12520. BIBLIOGRAFIA � � � NUTRIÇÃO ANIMAL 1. INTRODUÇÃO A ciência da Nutrição engloba conhecimentos de Bioquímica e Fisiologia, relacionando o organismo animal com a fonte alimentar de suas células. Desta forma, o objetivo final da nutrição é transformar os alimentos de menor valor nutricional em alimentos para o consumo humano, com um melhor valor biológico. Tal objetivo foi alcançado através de conhecimentos envolvendo os alimentos e o organismo animal. A exploração dos animais domésticos visa à obtenção de lucro, no entanto para que tenhamos uma produção econômica devemos observar os seguintes aspectos: Genética, Manejo, Alimentação dos animais e o Ambiente em que ele se encontra. Estes aspectos estão intrinsecamente ligados. Não podemos fazer dissociação entre eles, pois certamente não teremos eficiência produtiva dos animais que estamos criando. A Genética diz respeito ao potencial de cada indivíduo e é transmitido hereditariamente dos pais para os filhos. A evolução genética dos animais tem sido muito trabalhada desde o último século e podemos obter animais com alto potencial para produção de carne, leite, ovos, etc. O Manejo compreende todas as atividades desenvolvidas com os animais domésticos visando o seu melhor desempenho produtivo e reprodutivo. Podemos escolher o manejo que pretendemos adotar em uma criação, assim como os indivíduos a serem criados, com vistas a atender a uma demanda, diagnosticada no mercado consumidor. O ambiente deve ser compatível com a espécie e a raça a ser criada. Deve-se oferecer condições climáticas ideais para que o animal expresse aquilo que se espera dele. A alimentação tem por base o conhecimento das necessidades nutricionais dos seres vivos. A alimentação fornecida para o animal doméstico deve conter todos os nutrientes necessários para o seu desenvolvimento e produção bem como estes nutrientes devem estar nas quantidades necessárias aos animais. A disponibilidade dos nutrientes deve ser observada para que possamos ter a máxima produção. Na alimentação não é importante a quantidade, mas a qualidade do alimento fornecido. Atualmente trabalha-se com os seguintes nutrientes: 12 aminoácidos essenciais, 17 vitaminas, 15 minerais, ácidos graxos, glicídios, água e fatores não identificados. 2. EVOLUÇÃO DA CIÊNCIA DA NUTRIÇÃO Remonta do tempo dos romanos, o conceito de que os alimentos diferiam em sua capacidade de gerar produção e reprodução, além da existência de alguma tecnologia de conservação e manejo dos alimentos. Estes conhecimentos foram desenvolvidos no Século XVIII, com o início dos avanços da Agricultura, paralelamente ao avanço de outras ciências como: Física, Química e Bioquímica. Os primeiros passos da Nutrição foram dados em 1947, com o descobrimento da cura do Escorbuto pelo físico Inglês Lind, apesar de que muitas observações de caráter nutricional tenham sido discutidas antes do Século XVII, época considerada como “a idade de ouro da ciência”. Em 1790, Antoine Laurent Lavoisier, introduziu o termômetro e a balança nos seus estudos, e através de experimentos utilizando a calorimetria animal, verificou que parte do calor animal se originava da combustão de substâncias no organismo, concluindo que a respiração e a combustão eram processos semelhantes. Concluiu assim que a vida era uma função química. René Reamur (1683-1757) fez uma das primeiras observações com relação à digestão. Forneceu alimentos para as aves e retirou-os do intestino após curtos períodos de tempo e verificou mudanças na composição do alimento durante esse processo. Lázaro Spalanzani (1729-1799) engoliu saquinhos confeccionados com pano contendo carne e pão, os quais extraídos após um tempo, com auxílio de um cordão amarrado, verificaram mudanças na composição do alimento. Ainda no Século XVIII, com o auxílio de fístulas, foram estudados aspectos de fisiologia e química do processo digestivo. William Beaumont (1883) reportou observações no paciente Alexis St. Martin, que teve o estômago perfurado por uma bala em uma caçada. Foi instalada uma fístula no seu estômago e introduzidos vários tipos de alimentos, sendo observada diferença na digestão. Esta experiência descreveu o suco gástrico e o ácido clorídrico (HCl) e os movimentos do estômago, verificando o efeito da emoção sobre a secreção e motilidade gástricas. Neste período concluiu-se que o organismo animal necessitava de vários nutrientes e que o valor do alimento não estava em um único componente químico e sim em três componentes: proteínas, lipídeos e carboidratos. Em 1833 o químico Dinamarquês, Johan Kjeldahl, descobriu um método rápido de determinar o valor nitrogenado dos alimentos, contribuindo enormemente com a evolução nos estudos de nutrição protéica. Os resultados da pesquisa eram muito variados e em 1909, Karl Thomas descobriu que as proteínastinham valores nutricionais diferentes e que a porcentagem de nitrogênio absorvido, que ficava retido no organismo era variável de uma fonte protéica para outra. No final do século eram conhecidos 12 aminoácidos (AA´s) nas proteínas e, com as experiências de Thomas, concluiu-se que havia variação na composição de AA´s e que isso afetava o valor biológico das proteínas. William C. Rose demonstrou em 1938 que os ratos necessitavam de certos AA’s na dieta para o máximo desempenho e dividiu-os em essenciais e não essenciais. Em 1814 o químico francês Michel Eugene Chevreul descobriu que as gorduras eram compostas de ácidos graxos e glicerol. Assim, estudos posteriores mostraram a essencialidade dos ácidos graxos na dieta animal. Cassimir Funk (1912) verificou que a substância contida no farelo de arroz curava o beriberi e introduziu o termo vitamina pela primeira vez. Wilissi Aldrovandri (1600) realizou as primeiras investigações com minerais. Verificou que pintos consumindo casca de ovos cresciam mais rápido e mais saudáveis, em comparação com os que não recebiam este componente. Em1930 houve a descoberta de vários minerais como o cálcio (Ca), fósforo (P) enxofre (S) e ferro (Fe) e também a descoberta de novos elementos, acompanhou a evolução dos equipamentos. A importância dos minerais se tornou mais pronunciada nos anos mais recentes. A partir do Século XIX onde o melhoramento genético acelerou a velocidade de crescimento e a produção dos animais, com mudanças nos hábitos alimentares, aumentou a necessidade de minerais. Várias ciências contribuíram para a evolução da nutrição: Física (Raio X, espectrofotometria, radioisótopos, cromatografia, etc.), Bioquímica (enzimologia e metabolismo dos nutrientes), Fisiologia (estudo do funcionamento dos órgãos e secreções), Microbiologia (exigências nutricionais e síntese de vitaminas), Genética (melhoramento dos animais para maior produção), etc. O Quadro 1 apresenta um resumo da evolução histórica da Nutrição Animal. QUADRO 1 – Evolução histórica da nutrição animal: sequência histórica dos avanços científicos relacionados à nutrição de ruminantes Descoberta ou Desenvolvimento Autor Data Digestão péptica REAMUR 1752 Oxidação e metabolismo aeróbico LAVOISIER 1777 Análise de fibra no alimento EINHOF 1806 Ácidos acético e butírico no rúmen TIEDEMANN, GMELIN 1831 Celulose PAYEN 1834 Necessidade dietética de proteínas BOUSSINGAULT 1842 Composição corporal e dietas LAWES E GILBERT 1847 Digestibilidade de fibras HAUBNER 1855 Lignina SCHULTZ 1855 Metano no rúmen RETSET 1863 Digestão de celulose no rúmen WILD 1874 Conceito de fermentação anaeróbica PASTEUR 1876 Produção de AGV no rúmen TAPPEINER 1884 Hemicelulose SCHULTZ 1891 Conceito de vitaminas FUNK 1912 Ciclo do ácido cítrico KREBS 1937 Glicólise anaeróbica EMBDEN, MEYER HOF 1939 Uso de NNP por ruminantes BOHSTEDT et. al. 1946 Cromatografía de AGV HUNGATE 1946 Técnica de cultura anaeróbica 1947 Fonte: Adaptado de VAN SOEST (1982) 3. ALIMENTO 3.1. Conceito Existem na literatura vários conceitos de alimento. Atualmente o mais utilizado é o de Jaquot: “Alimento é uma substância que consumida por um indivíduo é capaz de contribuir para assegurar o ciclo regular de sua vida e a sobrevivência da espécie a qual pertence”. O conceito de alimento é muito amplo e engloba os produtos vegetais, produtos animais, subprodutos animais e vegetais e substâncias nutritivas puras (quimicamente sintetizadas ou fruto de fermentação microbiana). 3.2. Importância do alimento Não existe um alimento natural completo. Na natureza os alimentos que mais se aproximam de serem completos são o leite e os ovos. Com essa visão, a alimentação dos animais deve ser composta de diversas fontes alimentares visando fornecer os nutrientes que os seres vivos necessitam. Um produto pode ser considerado alimento para um indivíduo ou para determinada espécie e não ser para outro. Na escolha de um alimento devemos observar as seguintes características: não conter substâncias tóxicas; adaptado a particularidades dos animais; capacidade de uso de cada espécie e considerações de ordem econômica. Devemos observar também que o alimento a ser utilizado na alimentação animal não pode concorrer com a alimentação humana. Alguns alimentos como o trigo, cevada, mandioca e arroz são descartados da alimentação animal por serem fundamentais na alimentação humana. Alimentar é fornecer alimento para um animal enquanto nutrir está relacionado com o fornecimento de alimento que satisfaça as necessidades do indivíduo. Segundo Morison: “Nutriente é um constituinte ou um grupo de constituintes dos alimentos, de igual composição química geral, que ajuda a manter a vida animal”. Na alimentação dos animais existem várias substâncias que podem ser usadas para melhorar a palatabilidade dos alimentos a serem fornecidos aos animais. 3.3. Constituição dos Alimentos Os alimentos são formados por nutrientes. Existem seis categorias de nutrientes: água, carboidratos (glicídios), proteínas, lipídeos, minerais e vitaminas. Quando o alimento é submetido a uma temperatura de 105 ºC, em estufa, o constituinte inicial diminui em peso e volume. A perda sofrida foi devido a vaporização da água. Portanto, podemos dizer que o alimento é constituído de água e matéria seca (MS). Quando submetemos a MS a 650 ºC, uma parte dela se queima e esta parte é denominada matéria orgânica (MO). O que sobra é a cinza, também chamada de matéria mineral (MM). Os teores de água e matéria seca variam no alimento de 5 a 95%. A degradação do alimento pode ser observada na Figura 1. ALIMENTO ÁGUA MATÉRIA SECA MATÉRIA ORGÂNICA MATÉRIA MINERAL FIGURA 1 – Decomposição do alimento em seus constituintes O valor nutritivo dos alimentos depende da quantidade de matéria seca. Na matéria orgânica encontramos quatro grupos de substancias diferentes por suas propriedades químicas, físico-químicas e biológicas (Figura 2): Glicídios Lipídeos Proteínas Vitaminas Na matéria mineral encontramos todos os elementos minerais conhecidos em quantidade e formas variadas, divididos em dois grupos: Macro elementos – Na, P, Ca, Cl, K, Mg, S, etc. Micro elementos – Fe, I, Cu, F, Mn, Co, Se, Mo, etc. MATÉRIA ORGÂNICA MATÉRIA MINERAL GLICÍDIOS LIPÍDEOS PROTEÍNAS VITAMINAS MACRO MICRO Figura 2 – Decomposição da Matéria Orgânica (MO) e Matéria Mineral (MM) dos alimentos. 3.4. Classificação dos Nutrientes São chamados de nutrientes todos os compostos presentes nos alimentos ou de forma livre que são usados para a nutrição das células do organismo e podem ser classificados de acordo com o seguinte critério: 3.4.1. Compostos Orgânicos Apresentam necessariamente Carbono e Hidrogênio e, às vezes, oxigênio, nitrogênio, enxofre, fósforo ou outros elementos. Carboidratos Solúveis (Extrativo Não Nitrogenado – ENN) A – Monossacarídeos Trioses (C3H6O3) - Gliceraldeído e Diidroxicetona Tetroses (C4H8O4) – Eritrose – Eritrulose Pentoses (C5H10O5) – Xilose – Xilulose Hexoses (C6H12O6) – Glicose – Frutose Heptoses (C7H14O7) – Sedoheptulose B – Dissacarídeos Sacarose (glicose + frutose) Lactose (glicose + galactose) Maltose (glicose + glicose) Celobiose (glicose + glicose) C – Trissacarídeos Rafinose (frutose + glicose + galactose) D – Polissacarídeos Amido Glicogênio Hemi-celulose Insolúveis A – Fibra em Detergente Neutro (FDN) – Celulose + Hemicelulose + Lignina B – Fibra em Detergente Ácido (FDA) – Celulose + Lignina 3.4.1.2. Lipídeos (Extrato Etéreo – EE) 3.4.1.2.1. SimplesÁcidos Graxos Gorduras Neutras (mono, di e triglicerol) Ceras (ésteres de ácidos graxos com alcoóis de cadeia longa) 3.4.1.2.2. Compostos A – Fosfolipídeos Ácidos Fosfatídicos, lecitinas, cefalinas, etc. Plasmalogens Esfingomielinas B – Glicolipídeos Mucina C – Lipoproteínas Lipoproteínas Transportadoras (VLDL, IDL, LDL, HDL e Quilomícrons). Compostos Nitrogenados Proteínas (Aminoácidos) Aminoácidos Monoanimo e Monocarboxílicos Alifáticos Aminoácidos Básicos Aminoácidos Aromáticos Iminoácidos Aminoácidos formados por translação Aminas, Amidas, Uréia, Ácido Úrico, etc. Vitaminas Vitaminas Lipossolúveis – Vitaminas A, D, E e K. Vitaminas Hidrossolúveis Vitaminas do Complexo B (B1, B2, B6, B12, Biotina, Colina, Inositol, Niacina, Ácido Pantotênico e Ácido Paraminobenzóico). Vitamina C (Ácido Ascórbico) 3.4.2. Compostos Inorgânicos 3.4.2.1. Minerais Macrominerais – Cálcio, Cloro, Magnésio, Fósforo, Potássio, Sódio e Enxofre Microminerais – Cobre, Cobalto, Iodo, Ferro, Zinco, Manganês, Selênio, Molibdênio e Flúor. 4. Processos Digestivos nos animais Animais e vegetais apresentam algumas diferenças estruturais em sua constituição orgânica. Nos animais, a membrana celular é constituída de proteína enquanto nos vegetais a parede celular é formada por celulose e outros carboidratos. Nos vegetais a reserva alimentar é representada pelo amido, que pode ser encontrado em várias partes da planta, de acordo com o vegetal que estamos estudando. Nos animais o carboidrato de reserva é o glicogênio que tem como seu maior local de reserva no fígado, no entanto este pode ser acumulado em várias outras células como é o caso das células musculares. Outra forma de armazenamento de energia nos animais é a gordura. Os vegetais usam a energia solar para elaboração de seus compostos orgânicos enquanto os animais vivem dos compostos orgânicos produzidos pelas plantas. Os alimentos são fornecidos para os animais na forma de macromoléculas e para o seu aproveitamento devem ser quebradas em partículas menores. A quebra e o aproveitamento do alimento pelos animais se chamada de digestão. A digestão pode ser definida como o conjunto de transformações que sofre o alimento no tubo digestório até a eliminação dos resíduos não absorvidos. Na digestão os alimentos são transformados e os nutrientes ficam à disposição do organismo para aproveitamento. Quanto à anatomia e ao regime alimentar, os animais se classificam nos seguintes grupos: Herbívoros de estômago composto Herbívoros de estômago simples Carnívoros Onívoros Aves O aparelho digestório dos animais varia conforme a espécie como podemos verificar nas figuras 3, 4, 5 e 6. FIGURA 3 – Diagrama do aparelho digestório dos suínos FIGURA 4 – Diagrama do aparelho digestório de aves FIGURA 5 – Diagrama do aparelho digestório de equinos FIGURA 6 – Diagrama do aparelho digestório de ruminantes 4.1. Processos Físicos da Digestão A – Preensão dos Alimentos Os animais usam diferentes formas de apreender os alimentos e esta variação depende das características dos animais, de sua estrutura e dos órgãos encarregados desta função. Os cavalos e pequenos ruminantes, como os ovinos e caprinos, apreendem os alimentos com os lábios o que proporciona um corte da forragem bem mais próxima ao solo, o que pode levar ao desaparecimento de certas espécies vegetais quando não se realiza um manejo eficiente da pastagem. Os ruminantes que não apresentam incisivos superiores, como é o caso dos bovinos, captam o alimento com a língua. Já os animais carnívoros usam os dentes incisivos e molares para captar os alimentos. As aves apresentam o bico, estrutura córnea, com a qual realiza a apreensão. As espécies animais que recebem alimentos líquidos utilizam a língua e os lábios. Os suínos possuem formação óssea própria para consumir alimentos pastosos, líquidos ou semilíquidos. Nos carnívoros a língua funciona como órgão importante na ingestão de líquidos. As aves apreendem os alimentos com o bico e através de movimentos bruscos da cabeça o alimento é deglutido e, por gravidade, chegam até o estômago químico (pró-ventrículo). As aves não apresentam movimentos peristálticos no esôfago daí o trânsito do alimento neste segmento do aparelho digestório ser através da gravidade. B – Mastigação A mastigação é um processo mecânico que tem como finalidade: quebrar o alimento, aumentar a superfície de contato do alimento com a saliva e facilitar a deglutição. Os carnívoros possuem dentes que cortam e trituram os alimentos. Os herbívoros apresentam movimentos circulares que moem e trituram os alimentos enquanto os ruminantes realizam duas mastigações. A primeira mastigação dos ruminantes é muito rápida e o animal deglute a forragem quase inteira. Após o rúmen estar cheio o animal realizará a segunda mastigação, ajudada pela regurgitação do alimento. O alimento volta para a boca para ser remastigado e reinsalivado. A este processo nos ruminantes chamamos de ruminação. Atualmente os suínos são alimentados com rações fareladas e não necessitam de grande mastigação. As aves também recebem alimentos finamente triturados. Como sabemos, elas não apresentam dentes, mas possuem a moela que realiza a função dos dentes, a trituração dos alimentos. C – Deglutição Os alimentos depois de insalivados e mastigados serão deglutidos. A deglutição é uma atividade que inicialmente é voluntária, no entanto termina de maneira reflexa. A deglutição só irá acontecer se houver alimento, sólido ou líquido, na boca. 4.2. Aspectos Gerais da Digestão Quando o alimento sai da boca e cai no esôfago, observamos em quase todos os animais, com exceção das aves, movimentos peristálticos que irão conduzir o alimento até o estômago. A – Saliva A saliva é a primeira secreção líquida que age sobre o alimento. Ela é formada por produto das glândulas parótidas, submaxilares, sublinguais e bucais e fornece água e mucina para o bolo alimentar. A produção de saliva pode aumentar por estímulo psíquico (cheiro), estímulo mecânico (mastigação) e estímulo químico (ácidos, sais, etc). A saliva dos animais geralmente é incolor, viscosa e aquosa, com pH que varia de 6,5 a 7,3. Na saliva encontramos a ptialina que apresenta a enzima amilase. A amilase atua na degradação do amido. Nos ruminantes a saliva é observada em grande quantidade e ajuda na deglutição e no retorno do alimento à boca para que seja remastigado. As aves apresentam pouca saliva, pois não possuem a glândula parótida que é a maior produtora de saliva. B – Suco Gástrico Este suco é secretado por diversas glândulas da mucosa do estômago. Os seus mais importantes componentes são: ácido clorídrico, mucina, pepsina, lipase gástrica, renina e catepsina. O ácido clorídrico (HCl) é secretado pelas células parietais da parede do estômago e tem concentração que varia conforme o tipo de alimento, concentração do alimento e quantidade de saliva. O HCl exerce ação anti-séptica sobre os microrganismos ingeridos. A mucina é secretada pelas glândulas mucóides da parede gástrica. É uma substância viscosa que adere ao alimento e à mucosa gástrica com a finalidade de proteger o epitélio da ação do HCl. A mucina absorve a pepsina e neutraliza o HCl. A pepsina é secretada pelas glândulas pépticas sob a forma de pepsinogênio. O pepsinogênio é ativado pelo HCl a pepsina e tem a função de degradar as proteínas formando proteases e pepotonas. A lipase gástrica atua na hidrólise das gorduras que apresentam baixo ponto de fusão. A renina é ativada pelo HCl do estômago e age sobre a caseína que é a proteína do leite. A catepsina é um suco encontrado no estômago e que age sobre as proteínas. Seu pH ótimo para atuar é entre 3 a 5. Não apresenta ação muito pronunciada. C – Suco Pancreático Substância produzida pelo Pâncreas e secretada por estímulo nervoso.O suco Pancreático é um fluido claro com pH variando de 7,8 a 8,2. Este fluido é liberado no intestino delgado, mais precisamente no duodeno, e possui quase todas as enzimas responsáveis pela degradação do alimento no intestino. Sua quantidade varia com a espécie animal. Outra função do suco pancreático é anular a acidez do bolo alimentar que vem do estômago já que as enzimas que vão atuar na degradação do alimento no intestino delgado não atuam em pH ácido. As principais enzimas existentes no suco pancreático são: tripsina, quimiotripsina, carboxipeptidase, amilase pancreática e lipase pancreática. A Tripsina é uma enzima proteolítica que é secretada na forma de tripsinogênio. Através da enteroquinase o tripsinogênio é convertido a Tripsina. A tripsina atua em pH que varia de 8 a 9 e hidrolisa quase todas as proteínas. A quimiotripsina também é uma enzima proteolítica e apresenta atuação semelhante à da Tripsina. O pâncreas produz o quimiotripsinogênio que sob ação da enzima enteroquinase o transforma quimiotripsina. Sua maior ação é na coagulação do leite. A procarboxipeptidade é produzida pelo pâncreas que sob a ação da enzima enteroquinase a converte em carboxipeptidase. Este suco age sobre os aminoácidos em pH 7,4. A amilase pancreática atua sobre o amido em pH que varia de 6,5 a 7,2. A degradação do amido resultará amilose e amilopectina. Estes dois produtos são formados por cadeias de glicose e fornecerão energia para os animais. A lipase pancreática atua sobre os lipídeos em pH que varia entre 7 e 8. A ação da lipase é ajudada pela ação dos sais biliares que realizam a emulsificação das gorduras. D – Suco Entérico Este é um líquido viscoso que apresenta grande quantidade de muco. Seu pH varia entre 5,5 a 6,0 no início do intestino delgado; 6,0 a 6,5 no íleo; e ligeiramente alcalino no cólon. O suco entérico é constituído pelo suco duodenal e suco intestinal. O suco duodenal tem aspecto viscoso e é rico em mucina enquanto o suco intestinal é aquoso de cor clara e inativo para as proteínas. E – Digestão no Intestino Grosso O intestino grosso do monogástrico, principalmente o ceco, apresenta microrganismos que têm a capacidade de digestão da fibra que compõe o alimento. Estes microrganismos são semelhantes aos encontrados no rúmen. A microbiota encontrada é variável em quantidade e proporção. Os microrganismos presentes têm a capacidade de degradar os alimentos que não foram digeridos no intestino delgado. Estes microrganismos usam os glicídios como fonte de energia. A degradação da celulose é pouco significativa para monogástricos. As proteínas sofrem fermentação e putrefação, ocorre síntese de Vitaminas do Complexo B e de Vitamina K. A digestão no intestino grosso é realizada com eficiência nos monogástricos herbívoros, no entanto a absorção não é tão eficiente quanto no intestino delgado. F – Processo Digestivo nos Equinos Os equinos apreendem os alimentos com os lábios. O lábio superior é muito móvel e possui diversas estruturas sensitivas que identificam os alimentos para que o animal selecione o vegetal que irá apreender. A secreção salivar é abundante, mas as enzimas existentes são pouco eficientes na degradação dos alimentos, sendo a principal função da saliva, o umedecimento do alimento visando a deglutição. Nos equinos o alimento não retorna à boca, somente em caso de vômito. O estômago dos equinos tem capacidade de aproximadamente 18 litros e 2/3 deste é ocupado no pastejo dos animais. O estômago é esvaziado cerca de 6 a 8 vezes por dia e a digestão gástrica não é muito eficaz. O pH do estômago é ácido devido a ação do HCl e varia entre 2,6 (região pilórica), a 4,5 (região fúndica). Neste compartimento ocorre o início da digestão dos lipídeos e proteínas. No intestino delgado o pH é de 6,7 a 6,9 no jejuno e 7,5 no íleo. Neste segmento ocorre a secreção biliar e pancreática, mas a celulose não é atacada devido à falta da enzima celulase. Os glicídios e lipídeos sofrem digestão e absorção eficazes. Neste segmento também ocorre absorção de proteína, na forma de aminoácido, assim como de vitaminas. No intestino grosso são encontrados microrganismos semelhantes aos existentes no rúmen e o bolo alimentar permanece por cerca de 24 horas. Neste compartimento do aparelho digestivo chegam somente 30% dos glicídios e amido consumidos pelo animal. O excesso de celulose prejudica a absorção intestinal assim como a falta de fibra altera o trânsito intestinal. A microbiota existente no intestino grosso usa o nitrogênio das proteínas para produzir suas próprias proteínas. Os alimentos Nitrogenados Não Proteicos (NNP), como é o caso da uréia, são impróprios para a alimentação de equinos. Observamos neste compartimento síntese abundante de Vitaminas do Complexo B e Vitamina K, no entanto estas vitaminas são pouco aproveitadas, pois verifica-se uma absorção muito pequena nesta região, quase nula. G – Processo Digestivo em Aves As aves apreendem o alimento com o bico que é uma estrutura córnea feita principalmente de uma proteína chamada queratina. O bico apresenta receptores táteis que enviam mensagens ao cérebro sobre o alimento que será ingerido. A apreensão dos alimentos é influenciada pela visão e pelas sensações táteis do bico. As aves não conseguem enxergar cores como o azul e cinza, sendo atraídas pelas cores mais fortes como é o caso do vermelho. As aves apresentam uma língua córnea. A gustação nas aves é pouco desenvolvida. Podemos fornecer alimentos doces ou salgados que estas não distinguem tais sabores. O olfato é rudimentar. Algumas aves apresentam o olfato bastante desenvolvido enquanto outras não. A saliva é produzida em pequena quantidade devido a ausência das glândulas parótidas e apresenta fraco papel digestivo, tendo como função principal o favorecimento do trânsito do alimento. A deglutição é mecânica. O alimento cai no esôfago por gravidade já que neste setor não são observados movimentos peristálticos, como em outros animais. O esôfago apresenta uma dilatação chamada papo. O papo tem a função de armazenar alimento. Sabe-se que alimentos umedecidos apresentam uma maior taxa de passagem neste segmento. Nas aves existem dois tipos de estômagos: glandular (pró-ventrículo) e muscular (moela). O Pró-ventrículo apresenta mucosa rica em glândulas secretoras de suco gástrico enquanto a moela tem a função de triturar os alimentos. O intestino delgado (duodeno, jejuno e íleo) é o local onde haverá o maior trabalho para degradação e absorção de nutrientes. No intestino grosso (cecos, cólon e reto) praticamente não haverá absorção de carboidratos, lipídeos, proteínas e vitaminas. A absorção de água e de minerais é regular. As aves apresentam dois cecos e que apresentam microrganismos capazes de produzir a enzima celulase que degrada a celulose, no entanto o seu aproveitamento é deficiente. No final do aparelho digestivo as aves apresentam a cloaca. A cloaca apresenta três orifícios que servem ao aparelho digestório (coprodeum), urinário (urodeum) e reprodutor (proctodeum). Existe uma crendice de que aves não urinam e isso não é verdade. Ocorre que a urina é excretada juntamente com as fezes, no entanto saem de canais diferentes. H – Processo Digestivo dos Ruminantes A apreensão dos alimentos pelos ruminantes depende da espécie que se deseja estudar. A mastigação dos ruminantes é dividida em 2 etapas: mastigação propriamente dita e ruminação. O estômago dos ruminantes é multicavitário e composto de 4 cavidades: rúmen, retículo, omaso e abomaso. Os três primeiros são chamados de pré-estômagos e o abomaso é conhecido como estômago verdadeiro. Os pré-estômagos têm forma, tamanho e capacidade dependendo da idade e porte do animal. Ao nascer os três primeiros compartimentos apresentam pouco desenvolvimento e o ruminante se comporta como um monogástrico. Os pré-estômagos começam sua atividade nas duas primeiras semanas de vida. Com 10 a 12 semanas estes estão perfeitamente desenvolvidos. O rúmentem é um local de armazenamento de alimento, local onde ocorre fermentação microbiana e síntese de vitaminas do complexo B. O retículo é o compartimento responsável pela captação de corpos estranhos. O omaso também chamado de livro tritura e desidrata os alimentos. Nos animais jovens, que só se alimentam de leite, este produto chega ao abomaso, também chamado de coagulador, e é processado. O abomaso tem a função de secretar ácidos, enzimas e sucos. Com o desenvolvimento do animal e o contato com a forragem, o rúmen começa a se desenvolver e exercer suas funções. Os ruminantes caracterizam-se pela presença de microrganismos no rúmen e no intestino grosso (ceco), os quais são responsáveis, em grande parte, pela digestão de nutrientes, pelo mecanismo de simbiose com o animal. Os microrganismos presentes no rúmen e ceco permitem o aproveitamento eficiente de vários nutrientes, principalmente para a produção de energia, essencial para a manutenção e produção animal. Devido ao grande número de microrganismos presentes, a microbiologia do rúmen é extremamente complexa, dado às suas diferentes naturezas e mudanças da população que é a resultante das mudanças da dieta animal (hospedeiro). Os principais habitantes do rúmen são as bactérias e protozoários, no entanto as recentes pesquisas indicam que ambiente ruminal também é habitado por fungos e leveduras; as últimas, principalmente em animais jovens. Desta forma este compartimento dos ruminantes apresenta características peculiares que o tornam um ecossistema anaeróbico propício para o desenvolvimento microbiano. Tais características são: O sistema é essencialmente isotérmico (38-42 ºC) o qual é regulado pelo metabolismo homeotérmico do hospedeiro; O pH (6,0-7,0) permanece relativamente constante, devido à remoção contínua dos ácidos graxos (produto da fermentação ruminal), pela absorção através da parede do rúmen e sua neutralização pelas substâncias tamponantes presentes na saliva; Estas condições características do rúmen são também aplicadas a outras fermentações gastrointestinais, como as muitas que ocorrem no intestino grosso dos ruminantes e trato gastrointestinal dos herbívoros monogástricos. No Quadro 2 observamos a comparação entre as características da fermentação que ocorre no silo e no rúmen. QUADRO 2 – Características da fermentação que ocorre no silo e no rúmen Item Silagem de boa qualidade Fermentação ruminal PH 3,8 6-7 Espécie de microrganismos Poucas Muitas Síntese celular 5% 20-40% Celulose potencialmente digerível 0 90% Produto Final Ácido Lático Ácido Acético, Butírico, Propiônico, pouco Ac. Lático. Os principais microrganismos encontrados no rúmen os quais são responsáveis em grande parte pela fermentação, são as bactérias, que podem atingir entre 1 a 10 bilhões de células/grama de conteúdo ruminal. A maior parte é anaeróbica, podendo-se encontrar também, anaeróbicas facultativas. Dos 22 gêneros e 63 espécies descritas, acredita-se que somente 16 gêneros e 28 espécies são importantes. Do ponto de vista morfológico (cocos e bastonetes), tamanho (variam entre 0,3 a 50 (m) e estrutura (incluindo a presença de uma célula envolvente, estrutura citoplasmática, presença de apêndice e área aderente). A classificação adotada pela maioria dos pesquisadores é baseada no substrato sobre o qual elas atuam e pelos produtos finais da fermentação. Bactérias celulolíticas Bacterioides succinogenes. Ruminococcus flaverfaciens. Butyrivibrio fibrisolvens. Eubacterium cellulosolvens (em certas condições). Clostridium lochheadii (de menor importância). Bactérias hemicelulolíticas Butybrivio fibrisolvens. Bacterioides ruminicola. Ruminococcus spp. Lachnospira multiparus. Succinivibrio dextrinosolvens. Treponema spp. Streptococcus bovis. Bactérias aminolíticas Bacterioides amylophilus. Streptococcus bovis. Succininimonas amylolytica. Bacteriodes ruminicola. Succinivibrio dextrinosolvens. Bactérias utilizadoras de açúcares simples Ruminococcus flavefasciens. Treponema bryantii. Lactobacillus vitulinus. Lactobacillus ruminicus. Bactérias que utilizam ácidos Megasphaera elsdenii. Selenomonas ruminantium. Veillonella alcalescens. Anaerovibrio lipolytica. Propioni bacterium. Veillonella gazogenes. Peptoestreptococcus elsdenii. Bactérias proteolíticas Bacterioides amylophilus. Bacterioides ruminicola. Butyrivibrio fibrisolvens (algumas linhagens). Streptococcus bovis (algumas linhagens). Bactérias produtoras de amônia Bacterioides ruminicola. Megasphaera elsdenii. Selenomonas ruminatium. Butyrivibrio spp. Bactérias produtoras de metano Methanosarcina barkerii. Methanobrevibacter ruminantium. Methanobacterium formicicum. Methanobacterium mobile. Bactérias lipolíticas Anaerovibrio lipolytica. Butyvibrio spp. Butyvibrio fibrisolvens. Treponema bryantii. Eubacterium spp. Fusocillus spp. Micrococcus spp. Ruminococcus albus. Protozoários do rúmen - Estes foram os primeiros microrganismos identificados no rúmen, cuja população é da ordem de 100 mil a 1 bilhão de células/ml de conteúdo ruminal. Representam a maior parte da microbiota, e têm tamanho maior que as bactérias e são responsáveis por 60% dos produtos da fermentação encontrada no rúmen. Todos são anaeróbicos. A presença de protozoários no rúmen parece ser um fator fundamental para o processo fermentativo. Fungos anaeróbicos - O primeiro pesquisador a demonstrar que alguns dos microrganismos encontrados no ecossistema ruminal, que acredita-se ser protozoário flagelado, foi ORPIN (1.975). A partir desses estudos, algumas pesquisas com ovinos e bovinos, confirmam a presença destes microrganismos. É pouco conhecido o papel dos fungos no processo fermentativo, mas parece que eles estão associados com a degradação da fibra no rúmen, principalmente (celulose), encontrando-se em grandes quantidades quando a dieta é rica em forragens. Os ruminantes apresentam no intestino grosso, especialmente no ceco, um ecossistema que se assemelha em muito ao ecossistema ruminal, onde ocorre um processo fermentativo muito intenso. Neste segmento do intestino grosso, como no cólon e reto, há predominância de espécies anaeróbicas, as quais na maioria das vezes são encontradas também no rúmen. A fermentação microbiana que ocorre no intestino grosso é predominante em animais novos, sendo indicativo de que a produção de ácidos graxos voláteis no intestino é importante no metabolismo energético destes animais. Em animais adultos tem sido demonstrada a presença de grande número de bactérias no intestino delgado, que aparentemente não teriam nenhuma importância no processo digestivo, a não ser competindo com o animal por substrato, como o amido. A população bacteriana vai aumentando à medida que se aproxima do intestino grosso. A população bacteriana no trato gastrointestinal dos ruminantes começa a se desenvolver logo após o nascimento, pelo contato do recém-nascido com a mãe, através da secreção salivar, secreção vaginal, ruminação, fezes, microbiota ambiental, outros animais, úbere, leite e outras formas de alimento. Inicialmente é encontrada uma grande microbiota aeróbicas, que vai desaparecendo a medida que o animal vai ingerindo forragens, predominando daí em diante, bactérias anaeróbicas. Pesquisas têm demonstrado que bezerros alimentados com dietas contendo leite, feno e concentrado, começam a desenvolver a microbiota ruminal, a partir da 9a semana, e esta é muito semelhante à população dos animais adultos, com relação às espécies predominantes. O estabelecimento de protozoários no rúmen é bastante difícil e depende do contato com outros animais que tenham protozoários no ecossistema ruminal. Esta se dá pela saliva e ruminação. Em bezerros lactantes, o pH ruminal é baixo, devido a presença de ácido lático no rúmen, produto da fermentação do leite, o que dificultao estabelecimento de protozoários, pois estes são sensíveis ao pH baixo. Os protozoários são encontrados no rúmen a partir da terceira semana de vida, aumentando consideravelmente na medida em que aumenta o pH ruminal, podendo atingir o nível de animais adultos com nove semanas. Os produtos da fermentação, resultante da ação das bactérias, são variados e dependem sobretudo da natureza do substrato e da espécie das bactérias. A maior quantidade de ácidos produzidos é representado pelo ácido acético, propiônico e butírico e em menor quantidade por outros ácidos voláteis. No quadro abaixo encontramos os produtos finais da fermentação ruminal (Quadro3). QUADRO 3 – Relação de produtos resultantes da fermentação ruminal. Produto de Fermentação Número de Espécies que Produzem Fórmico 16 Acetato 21 Propionato 06 Butirato 07 Lactato 13 Succinato 12 Etanol 08 CO2 09 Hidrogênio 10 Metano 01 H2O 09 Os ácidos graxos do rúmen, normalmente classificados como ácidos graxos voláteis, incluem o ácido fórmico, acético, butírico, isobutírico, 2-metilbutírico, propiônico, valérico, isovalérico e traços de ácidos graxos com seis e oito carbonos. 5. ÁGUA A água constitui um nutriente indispensável para a vida dos animais. Todas as células orgânicas necessitam de água para exercer suas funções. A água é tão importante para o organismo animal que este pode perder toda a gordura corporal, metade de suas proteínas orgânicas e aproximadamente 40% do seu peso vivo e permanecer vivo. No entanto com a perda de 10% da água corporal, ocorrerão transtornos que poderão levar o animal à morte. Economicamente, a água é o nutriente mais barato mas é fisiologicamente essencial para os seres vivos. A facilidade e rapidez com que ocorre a dissociação desta molécula (HOH) é que caracteriza a sua participação nas reações do metabolismo. 5.1. Distribuição da água corpórea A distribuição da água pelo corpo é heterogênea, de forma a manter o equilíbrio dinâmico entre os compartimentos corpóreos. O conteúdo intracelular representa mais de 45% do peso vivo, enquanto o conteúdo extracelular é de aproximadamente 20%. O funcionamento normal do organismo se dá através da perda constante da água, que tem que ser reposta, principalmente pela água de bebida. O balanço hídrico corpóreo deve ser constante, ou seja, a quantidade de água ingerida deve ser semelhante à quantidade perdida (Figura 7). FIGURA 7. Distribuição dos líquidos do corpo em porcentagem do peso corporal. No Quadro 4 estão apresentados os dados de balanço de água em frangos de corte de acordo com Leeson et al (1976). A ave mantém praticamente constante a entrada e a saída de água no corpo. Na fase de crescimento ocorre balanço positivo devido a deposição dos tecidos. As aves jovens possuem maior teor (%) de água corporal que as adultas. A utilização da água metabólica aumenta com a idade. QUADRO 4 – Metabolismo diário de água em frangos de corte Idade (sem) Temper. ºC Umid. % Entrada de Água (g) Saída de Água (g) Bebida Ração Metab. Cresci. Excretas Respir. 1 31 70 11,4 1,5 3,1 4,6 4,1 7,3 2 25 70 11,8 2,4 5,0 6,7 6,3 6,2 3 25 70 21,4 3,6 7,4 10,2 9,6 12,6 4 23 70 48,8 4,8 9,3 15,0 12,8 35,1 5 22 70 72,3 6,1 12,7 17,1 16,1 58,0 6 20 75 90,2 7,4 17,7 15,9 19,4 80,0 7 20 79 109,3 8,3 22,4 12,8 21,8 105,3 8 20 67 114,7 9,0 21,3 20,0 23,9 100,8 Fonte: Adaptado de Leeson et al (1976) As excretas dos frangos de corte apresentam cerca de 60 a 70% de umidade enquanto em poedeiras essa taxa é de 80%. O maior valor para poedeiras pode estar relacionado com a maior necessidade de perda de calor orgânico. As aves não possuem glândulas sudoríparas e dissipam o calor corporal através da respiração, condução e convecção. Elas gastam em torno de 575 calorias para vaporizar 1 grama de água pela respiração. Em temperaturas que variam entre 26 e 35 ºC frangos de corte gastam grande quantidade de calorias. Howard (1975) verificou que durante a formação do ovo, as aves consomem o dobro de água do que aquelas que não estão em postura e que este aumento se dá por volta de 12 horas antes da ovoposição. Verificou também que nas horas que antecedem a postura o consumo de água é reduzido, cessando o consumo duas horas antes da postura. Logo após a ovoposição, a ave atinge o pico de consumo de água. O conteúdo de água corporal (%) diminui com a idade. Esta interação negativa também acontece quando relacionamos o conteúdo de água com a gordura corporal. Isto pode ser explicado pelo aumento da energia metabolizável da ração (Quadro 5). QUADRO 5 – Conteúdo de água corporal e no plasma de aves Leghorn Branca de acordo com a idade Idade (semanas) % Plasma % Água Corporal 1 95,5 85,2 3 96,1 67,1 6 95,8 59,2 8 95,5 65,9 16 95,1 48,7 32 94,6 55,0 FONTE: Adaptado de Patrtick e Schaible (1980) Os animais normalmente consomem cerca de 10-20% a mais de água que o necessário, no entanto a restrição de cerca de 20% de água pode resultar em prejuízo no desempenho zootécnico (Patrtick e Schaible, 1980). 5.2. Principais Funções da Água Digestão – processo hidrolítico (hidrólise) Absorção dos nutrientes no trato digestivo Translocação de todos os compostos químicos no organismo Excreção de todos os resíduos do metabolismo orgânico Secreção de hormônios, enzimas e outras substâncias bioquímicas Termorregulação corporal – a água possui alto calor específico Manutenção da pressão osmótica intracelular Equilíbrio ácido-básico Facilita as reações enzimáticas que ocorrem no metabolismo intermediário Além destas funções a água apresenta uma série de funções especiais no organismo: Fluido cerebroespinhal – proteção do sistema nervoso contra choques Fluido sinovial – lubrificação das juntas Fluido auricular – transporte de sons Fluido intra-ocular – processo de visão Fluido aminiótico – proteção do feto 5.3. Fontes de Água Para os animais existem basicamente três fontes de água: de bebida, coloidal e metabólica. Água de Bebida É a principal fonte de água para os animais e ela deve ser: limpa, fresca e livre de contaminações. Existem certas características que tornam a água imprópria para o consumo, pois pode afetar o desempenho dos animais. As principais são: Minerais traços: a presença de elementos como o flúor, selênio, ferro e molibdênio em excesso são extremamente tóxicos; Nitrogênio: a presença de N na água indica decomposição de matéria orgânica, contaminação fecal ou nitratos. Os animais têm pequena tolerância à presença de nitratos na água; Coloração: uma boa água de bebida deve ser insípida, inodora e incolor; pH: valores ideais variam de 7 a 7,6. Níveis maiores indicam alcalinidade devendo-se pesquisar presença de Cálcio e Magnésio; Dureza: presença de sais de Cálcio e de Magnésio torna a água imprópria para o consumo; Bactérias: sua presença na água indica a presença de matéria orgânica e/ou contaminação fecal, havendo a necessidade de tratamento. Água Metabólica É a formada durante o processo de oxidação de H2 contido nas proteínas, carboidratos e gorduras. As gorduras produzem maior quantidade de água metabólica que os carboidratos e proteínas (Quadro 6). Os carboidratos, por sua vez, produzem mais água metabólica por Kcal de Energia Metabolizável (EM) produzida. Isto é importante, pois no caso de privação de água, seria indicada a ingestão de carboidratos. QUADRO 6 – Produção de água metabólica de carboidratos, proteínas e gorduras. NUTRIENTE H2O Metabólica/100g Valor Calórico H2O Metabólica/100 Kcal de EM Carboidrato 60 400 15,0 Proteína 42 400 10,5 Gordura 100 900 11,1 Água ColoidalA água coloidal é aquela que se encontra presa nos alimentos. Os alimentos suculentos possuem alto teor de água e esta contribui para que sejam atendidas as necessidades diárias dos animais. Os ingredientes da ração (milho, farelo de soja, etc) apresentam cerca de 10 a 12% de água, no entanto esta se encontra presa nos alimentos, não contribuindo para satisfazer as necessidades dos animais. 5.4. Fatores que Afetam a Ingestão de Água Existem vários fatores que afetam a ingestão de água pelos animais. Os mais importantes são: temperatura e umidade relativa do ambiente, função fisiológica do animal, espécie e idade do animal. Temperatura e Umidade Relativa do Ambiente O aumento da temperatura do ambiente leva a um aumento do consumo de água pelos animais. Normalmente, o aumento do calor de determinado ambiente leva a um aumento na transpiração ou na respiração que eleva as necessidades de consumo de água. Em condições de baixas temperaturas ocorre o catabolismo das proteínas orgânicas, aumentando também a necessidade de água. Os suínos possuem dificuldade em eliminar o calor corporal através da pele daí a necessidade de ambientes adequados e água fresca. As aves apresentam a mesma dificuldade e estas podem eliminar o calor corporal através da respiração. Aves de postura podem apresentar ovos com casca mole ou sem casca devido a eliminação do CO2. O Carbono eliminado é componente essencial para a formação do Carbonato de Cálcio (CaCO3), componente da casca dos ovos. Função Fisiológica A necessidade de água depende da função fisiológica do animal. Fêmeas em lactação necessitam de mais água do que as gestantes e estas, menos que os animais em crescimento (Quadro 7). QUADRO 7 – Consumo de água por suínos por categoria animal Categoria Litro/Animal/Dia Leitão 2,5 Crescimento 7,0 Gestação 6,5 Lactação 20,0 Fonte: Adaptado do NRC (1988) Espécie Animal As aves necessitam de menor quantidade de água que os mamíferos em porcentagem do peso vivo. Este fato se deve à forma de eliminação do Nitrogênio corporal. As aves eliminam o Nitrogênio na forma de Ácido Úrico enquanto os mamíferos o eliminam na forma de Uréia. Na degradação das proteínas o Nitrogênio é liberado na forma de Amônia. Devido a sua toxidez esta é convertida em Uréia (mamíferos) ou Ácido Úrico (aves), e eliminada pela urina. Idade do Animal Em todas as espécies animais, o consumo de água aumenta com a idade, porém decresce em relação ao seu peso vivo. Este aumento do consumo de água está relacionado com o aumento do consumo de ração (Quadro 8). A restrição de água resulta na diminuição do consumo de alimento. QUADRO 8 – Consumo de água diário (ml/dia) de acordo com a idade em aves Idade (sem) Frangos de Corte Poedeiras Comerciais Perus 1 20 19 38 2 50 38 76 4 140 64 151 6 260 95 227 7 320 106 284 8 380 114 360 10 - 144 473 15 - 158 606 20 - 170 757 35 - 189 908 Fonte: Adaptado de NRC (1994) 5.5. Necessidade de Água De uma maneira geral, os animais consomem maior quantidade de água que suas necessidades. Caso aconteça uma restrição de 10-20% de água esta não afeta a produção. No entanto uma restrição contínua e acima de 20% ocorre prejuízo na produção animal. A necessidade hídrica varia conforme a espécie e a idade do animal, o tipo e a quantidade de ração, além do estado fisiológico do animal. 5.6. Restrição de Água Os animais devem ter acesso livre a bebedouros com isso, apresentam consumo de ração de acordo com suas necessidades nutricionais. Em frangos de corte utiliza-se a restrição de água com vistas à realização de restrição alimentar, para que seja reduzida a taxa de crescimento dos animais evitando a Síndrome Ascítica e a da Morte Súbita (Quadro 9). QUADRO 9 – Efeito da restrição de água sobre o consumo de ração em frangos de corte Idade (semana) Restrição de Água (%) 0 10 20 30 40 50 2 100 84 84 75 73 70 4 100 98 94 90 85 80 6 100 88 82 78 73 71 Média 100 90 87 81 77 74 Fonte: Adaptado de Kellerup et al. (1971) A restrição de água em poedeiras comerciais resulta em diminuição da postura. Restrição por períodos curtos não afetam a produção. Em matrizes pesadas a restrição alimentar é realizada para o controle de peso das aves. 6. GLICÍDIOS OU CARBOIDRATOS 6.1. Características Os glicídios ou carboidratos são substâncias ternárias formadas por carbono, hidrogênio e oxigênio. São chamados de carboidratos, pois o hidrogênio e o oxigênio se encontram na mesma proporção observada na água. Geralmente apresentam 5 ou 6 átomos de carbono. São os nutrientes mais abundantes na natureza e representam a fonte primária de energia para os organismos vivos. Os carboidratos são representados pelos açúcares, amido, celulose e gomas. Considerando o aspecto nutricional o principal carboidrato é a glicose. Na natureza a molécula de glicose se encontra na forma polimerizada (sacarose, lactose, maltose, celulose, etc) e, dependendo do tipo de ligação entre as moléculas de glicose, vai caracterizar a solubilidade do sacarídeo. O amido (carboidrato de reserva dos vegetais) e o glicogênio (carboidrato de reserva dos animais) apresentam ligações ( 1,4 e ( 1,6, a celulose (principal carboidrato estrutural dos vegetais), apresenta ligações ( 1,4. Suínos e aves não possuem enzimas capazes de quebrar esta ligação. Os ruminantes, através dos microrganismos existentes no rumem, produzem tais enzimas. Os carboidratos são sintetizados pelos vegetais clorofilados a partir do dióxido de carbono (CO2) e da água (H2O). 6 CO2 + 6 H2O C6H12O6 + 6 O2 O termo glicídio ou glucídio vem do grego GLUKUS que quer dizer doce. O amido é facilmente digerido pelos animais e tem alto valor energético. A celulose e outros glicídios complexos são digeridos com mais dificuldade e mais gasto de energia. Os ruminantes digerem bem esses nutrientes devido aos microrganismos do rúmen. 6.2. Funções Os glicídios apresentam diversas funções sendo as duas mais importantes as seguintes: Fonte de calor para o corpo. Fonte de energia para os processos vitais. 6.3. Classificação Os carboidratos podem ser classificados em monossacarídeos, dissacarídeos e polissacarídeos. Os monossacarídeos são carboidratos simples que possuem importância nutricional para as células, porém, sem importância dietética, pois não aparecem desta forma na natureza. Os monossacarídeos são importantes intermediários no metabolismo de carboidratos para as células dos animais e geradores de energia para a manutenção da homeostase energética orgânica. Os principais monossacarídeos são: trioses (gliceraldeido e diidroxiacetona), pentoses (ribose, xilose e arabinose) e as hexoses (glicose, manose, galactose e frutose). Os dissacarídeos possuem importância dietética, pois são encontrados na natureza e são usados como fonte de energia pelos animais. São comumente chamados de açúcares e também chamados de oligossacarídeos, sendo os mais comuns: sacarose, maltose, lactose e celobiose. A sacarose, encontrada nas frutas, é formada por glicose e frutose, sendo o Carboidrato mais abundante na natureza. A lactose existe somente no leite e é formada por glicose e galactose. Esses sacarídeos são importantes para os animais somente após sua hidrólise. Quando encontrados na corrente sanguínea são rapidamente eliminados, pois não são quebrados para que possam ser aproveitados. Os polissacarídeos, polímeros complexos de monossacarídeos, são a principal fonte energética para os animais. O principal polissacarídeo dietético é o amido que está presente em grande quantidade nos grãos de cereais. O amido é o carboidrato de reserva dos vegetais. Formado por um polímero de glicose, possuindo dois componentesprincipais: amilose (15-20%) e amilopectina (80-85%). Estas duas cadeias são formadas por 24 a 30 moléculas. A amilose apresenta cadeia glicosídica reta e a amilopectina, ramificada. O carboidrato de reserva dos animais é o glicogênio, encontrado em maior quantidade no fígado e músculos. O glicogênio mantém a glicemia dos animais, especialmente no metabolismo do jejum. A estrutura do glicogênio é parecida com a da amilopectina, no entanto apresenta de 6 mil a 30 mil unidades de glicose. Outro polímero de glicose importante é a celulose. Ela é a base da estrutura da parede celular dos vegetais. O seu aproveitamento por suínos e aves é limitado e ocorre no intestino delgado pela ação microbiana. Nos monogástricos tem função importante no processo físico da digestão, sendo importante para a formação do bolo alimentar. Nos ruminantes ela é facilmente desintegrada pelos microrganismos existentes no rumem. A hemi-celulose está presente nos vegetais juntamente com a celulose formando a parede celular. Difere da celulose por ser solúvel em solventes alcalinos e ácidos. Devido a esta característica Van Soest (1967) desenvolveu um método de fracionamento dos constituintes da parede celular de acordo com a solubilidade dos compostos e denominou de FDA (celulose e lignina) e FDN (celulose, hemi-celulose e lignina). 6.4. Metabolismo dos Carboidratos O metabolismo é a soma das mudanças sofridas pelo alimento e sua transformação em produtos excretáveis. A assimilação e a excreção são processos vitais para os animais. Devido a diferenças anatômicas entre as diversas espécies animais o metabolismo dos carboidratos é diferente para algumas espécies. Conforme a divisão dos estômagos, podemos classificar os animais em dois grupos: ruminantes e não ruminantes. Entre os ruminantes podemos citar os bovinos, ovinos e caprinos. Fazendo parte do grupo dos não ruminantes temos aves, suínos, equinos e coelhos. Mesmo fazendo parte do grupo dos não ruminantes equinos e coelhos, segundo o regime alimentar, são classificados como herbívoros e se diferenciam dos suínos e aves. O aparelho digestório das aves também se diferencia do aparelho digestório dos suínos por algumas particularidades. 6.5. Digestão dos Carboidratos nos Não Ruminantes Os principais alimentos usados para a produção de ração para aves e suínos são o milho e a soja. Estes alimentos são ricos em amido que é o principal carboidrato de reserva dos vegetais. Os carboidratos ao serem ingeridos por aves e suínos, na forma de amido ou qualquer outro açúcar solúvel, são umedecidos pela saliva para que a digestão seja facilitada. Nos suínos já começa a haver uma pequena hidrólise do amido pela ação da enzima (-amilase com a produção de sacarídeos de menor cadeia como a dextrose e maltose. Nas aves esta hidrólise inicial do amido não acontece já que as aves não possuem a glândula parótida que é a principal produtora de ptialina e, é na ptialina que se encontra a (-amilase que é produzida pelas células serosas, ausentes nas aves. No estômago dos monogástricos devido ao pH ácido, ocorre a paralisação da digestão dos carboidratos e esta continua no Intestino Delgado, com a produção final de monossacarídeos e sua absorção. Os monossacarídeos absorvidos são convertidos a glicose. A frutose pode circular na corrente sanguínea e no fígado, é transformada em glicose. O carboidrato consumido é transformado em glicose, absorvido no Intestino Delgado e conduzido para o fígado onde pode seguir diversas rotas. A entrada de glicose nas células é auxiliada pelo hormônio Insulina. A Insulina é produzida no Pâncreas e é um dos responsáveis pela manutenção da Glicemia (nível de glicose no sangue). A entrada de glicose nas células do fígado e cérebro independe da presença da Insulina. Nas células a glicose é utilizada para a produção de energia. Ela é degradada em um processo chamado de Glicólise e em seguida o seu produto (Piruvato) será utilizado para a formação de Acetil CoA que entrará no ciclo do Ácido Cítrico (Ciclo de Krebs) para formação de maior quantidade de energia. Quando o teor energético do organismo está muito alto, as células param de usar a glicose para a produção de energia e esta passa a produzir Glicogênio, carboidrato de reserva dos animais. Esta rota de produção de Glicogênio se chama Glicogênese. A capacidade das células de armazenar Glicogênio é pequena e quando as células não conseguem mais armazená-lo, a glicose em excesso será utilizada para a formação de gordura. A gordura produzida no fígado será conduzida para as células adiposas onde haverá o armazenamento. Quando o nível de glicose no sangue começa a baixar, entra em ação um outro Hormônio, o Glucagon, também produzido no Pâncreas. Este hormônio tem efeito contrário ao da Insulina. O Glucagon irá atuar na conversão do Glicogênio armazenado em Glicose. Esta transformação é importante para a manutenção da glicemia, em períodos de jejum e esta transformação é denominada de Glicogenólise (quebra do Glicogênio). Quando o período de jejum é prolongado e o estoque de Glicogênio é utilizado, o organismo busca as reservas de gorduras para a manutenção da homeostase da Glicose e geração de energia. Quando o estoque de gordura se acaba, com vistas à manutenção da vida, o organismo lança mão das proteínas para a obtenção de glicose e consequentemente de energia. Esta transformação de lipídeos e proteínas em glicose se chama Gliconeogênese. GLICOSE + O2 ENERGIA + CO2 + H2O Os animais não ruminantes (monogástricos) não possuem capacidade de degradar a celulose e outros polissacarídeos no seu estômago, bem como no intestino delgado. O estômago destes animais, devido a sua acidez, não abriga microrganismos como os encontrados no rúmen. A ação bacteriana nos monogástricos ocorre no Intestino Grosso (ceco) e é muito importante para os equinos e coelhos já que estes são herbívoros. 6.6. Digestão dos Carboidratos nos Ruminantes O estômago dos ruminantes é dividido em 04 (quatro) compartimentos: rúmen, retículo, omaso e abomaso. O rúmen é o maior compartimento e é neste que ocorre a fermentação dos alimentos pela ação de microrganismos que convivem em perfeita simbiose com o animal. As bactérias são os microrganismos mais importantes na digestão dos carboidratos pelos ruminantes. Estes microrganismos também são responsáveis pela síntese de aminoácidos e algumas vitaminas. A importância do rúmen na degradação dos alimentos começou a ser estuda por Colin em 1886 ao realizar uma fístula em um ruminante. Hoje sabemos que da ação microbiana resulta a produção de ácidos e gases e que a quantidade destes depende, fundamentalmente, do tipo de alimentação fornecida ao animal. No rúmen são gerados os Ácidos: Acético, Butírico e Propiônico e os Gases Metano e Dióxido de Carbono. Estes são absorvidos pelas paredes do rúmen e são responsáveis pela geração de energia para estas espécies animais. A alimentação dos ruminantes é predominantemente formada por pastagens. Os vegetais são ricos em celulose. A celulose e o amido são transformados em monossacarídeos. A glicose, ao chegar ao fígado e demais células será geradora de energia, seguindo rotas semelhantes às descritas para os monogástricos. Os microrganismos existentes no rúmen produzem uma enzima, a Celulase. A Celulase é capaz de degradar a celulose e, como esta é composta de unidades de glicose, liberar esse glicídeo para a produção de energia através da Glicólise. A Lignina que também é um polissacarídeo existente nos vegetais é mais dificilmente degradado pelos ruminantes, diferentemente da Celulose. A lignificação da planta ocorre por um processo de envelhecimento da forrageira que será utilizada para a alimentação dos animais. O gás formado no rúmen dos animais pode, devido a problemas do indivíduo, se acumular no rúmen e provocar um quadro chamado de Timpanismo. O gás acumulado deve ser eliminado de forma natural, com o uso de medicamentos,ou com a intervenção de um Médico Veterinário, que irá retirar esse gás com o uso de um trocáter. O amido é rapidamente degradado no rúmen pela ação de enzimas bacterianas, dando origem à maltose, sendo depois decomposta pela maltase-fosforilase e maltase, com a formação de glicose-fosfato. Os ácidos graxos solúveis são rapidamente fermentados no rúmen dando origem aos ácidos graxos voláteis, metano e CO2. A formação de metano representa perda de energia, mas é benéfica porque elimina H2, aumenta a concentração de CO2 e facilita a formação de ácido propiônico. A atividade amilolítica é devida à ação de enzimas das plantas, em pequena escala, e principalmente de enzimas produzidas pelos microrganismos. Dietas ricas em amido podem ocasionar problemas de diarréia. Excesso de cevada pode ocasionar súbito aumento na atividade bacteriana, levando à acumulação de ácidos, suspensão de certas bactérias anaeróbicas e um marcante aumento de Estreptococcus seguido de Lactobacilos. A celulose é o composto químico-orgânico mais abundante nas plantas e na superfície da terra. É um polissacarídeo que compreende uma cadeia linear de unidades de glicose. O aparelho digestório dos mamíferos não tem capacidade de produzir enzimas que atuem na digestão dos principais constituintes da planta, ou seja da celulose e da lignina. A celulose não é atacada por enzimas digestivas secretadas pelos animais, pois até o momento não há evidências de que os mamíferos produzam celulase; assim, ela é atacada por microorganismos do rúmen e digerida. Assim foi evidenciado que as bactérias do rúmen produzem enzimas capazes de desdobrar a celulose. As celulases encontram-se unidas à parede da bactéria, sendo que as bactérias estão quase em íntimo contato com o substrato. Após anos de pesquisa, conclui-se que as bactérias celulolíticas produzem enzimas extracelulares as quais decompõem a celulose e a hemicelulose. Estas bactérias podem atuar fermentando os produtos desta integração. Existe controvérsia quanto à ação dos protozoários na digestão da celulose. Trabalhos de pesquisa mostram que no rúmen de ovelhas, isento de protozoários, a velocidade da digestão da celulose não se altera, entretanto, a capacidade de digestão da celulose por determinados protozoários do rúmen parece ocorrer em bom nível. No rúmen a celulose é decomposta em celobiose pela ação da (-1,4 glicosidade, a qual passa depois para glicose pela ação de uma fosforilase. A quantidade de celulose que é degradada no rúmen depende do grau de lignificação da planta, já que a lignina é resistente ao ataque das bactérias e parece dificultar a “ruptura” da celulose a que está associada. Assim, pode ser digerida até 80% da celulose de uma forragem tenra (cuja matéria seca não contém mais do que 5% de lignina). No entanto, uma forragem madura (com 10% de lignina), a proporção de celulose digerida é de 60% ou menos. A digestão da celulose diminui também, quando aumenta a proporção de amido ou açúcares na dieta. A presença de pelo menos 1% de nitrogênio na dieta favorece a digestão da celulose por serem compostos nitrogenados indispensáveis aos microorganismos, o mesmo ocorrendo com alguns minerais como: Ca, P e Na. Outros fatores interferem no processo da digestão ruminal, como o volume do rúmen (cujo conteúdo corresponde de 10-20% do peso vivo do animal), permitindo o acúmulo e permanência do aumento por tempo suficiente para que ocorra a degradação da celulose; os movimentos do rúmen e do retículo bem como a ruminação, contribuem para a divisão dos alimentos, expondo-os ao ataque dos microorganismos. 6.7. Rotas Metabólicas mais Importantes e seus Controles Os carboidratos da ração são absorvidos no Intestino Delgado, principalmente jejuno, daí podem seguir diversas rotas do metabolismo. As principais rotas seguidas são: Glicólise, Glicogenólise, Glicogênese, Gliconeogênese, Ciclo das Pentoses e Ciclo de Krebs (Figura 8). Figura 8 – Rotas metabólicas da Glicose. A Glicólise é a quebra da Glicose gerando Piruvato e Lactato. Esta via é chamada de via Glicolítica. A Glicólise começa com a fosforilação da Glicose através das enzimas glicoquinase e exoquinase. Nesta via há a produção de 4 ATP’s e gasto de 2 ATP’s. A Glicogenólise é a degradação do Glicogênio com a liberação de unidades de Glicose, em resposta a ação do Glucagon, com a finalidade de repor o nível de Glicose no sangue. Esta rota ocorre somente quando o animal está em jejum ou em condições de estresse. A Glicogênese ocorre quando a Glicemia está alta e tem como função repor os estoques de Glicogênio do Fígado e Músculos. A glicose é fosforilada a Glicose 6-Fosfato e a enzima Glicogênio Sintetase é muito importante nesta rota metabólica. Gliconeogênese é a formação de glicose a partir de compostos que não são carboidratos. No estado de jejum, após queimados os estoques de Glicogênio, a Gordura pode ser usada para gerar Glicose. Os aminoácidos podem gerar Glicose, através de suas entradas no Ciclo de Krebs. Esta condição poderá ocorrer no caso de jejum severo ou dieta rica em proteína. O Ciclo das Pentoses Fosfatadas é uma rota alternativa da via Glicolítica. Ela é mais rápida e tem por finalidade gerar produtos para a síntese de ácidos graxos durante a Lipogênese (formação de gordura). O Clico de Krebs é a rota final da oxidação dos carboidratos e tem por finalidade a produção de ATP. O Acetato é oxidado gerando CO2 e H2O enquanto são gerados 36 ATP’s. Os diversos destinos metabólicos que os carboidratos podem seguir estão esquematizados na Figura 9. Figura 9 – Destinos metabólicos dos Carboidratos da dieta. 6.8. Utilização de Carboidratos por Suínos Os leitões recém-nascidos são incapazes de utilizar certos carboidratos dietéticos devido a insuficiente atividade de algumas enzimas. A Lactose é bem aproveitada por estes animais já que produzem com eficiência a enzima Lactase. Na degradação da Lactose serão produzidas a Glicose e a Galactose. Com o desenvolvimento dos animais outras carboidrases vão se desenvolvendo e com 21 dias as enzimas Maltase, Sacarase e Amilase já são produzidas de forma eficiente, ocorrendo o aproveitamento da Maltose, Sacarose e Amido existentes na ração. Ao mesmo tempo a ação da Lactase vai sendo reduzida (Figura 10). Figura 10 - Atividade de enzimas sobre os carboidratos em leitões. 6.9. Utilização da Fibra Bruta por Suínos e Aves Os monogástricos também chamados de não ruminantes possuem pequena capacidade de digerir alimentos fibrosos, no entanto esta digestão, em certos momentos, pode atender as necessidades de mantença do animal. A ração de suínos e aves é composta basicamente por fubá de milho e farelo de soja. Estes componentes apresentam em torno de 3% de fibra bruta (FB) na ração destas espécies. O nível de FB na dieta destes animais depende de alguns fatores: tipo e nível de FB na ração; níveis dos outros nutrientes na ração; e idade e/ou peso dos animais. A degradação da FB nos não ruminantes é realizada no Intestino Grosso, mais precisamente no ceco. Este compartimento possui microorganismos semelhantes aos encontrados no rumem o que garante a quebra da fibra, resultando na produção de AGV´s, o que pode atender às necessidades de mantença de alguns animais. 6.10. Utilização da Fibra pelos Ruminantes O teor de fibra tem sido utilizado como índice negativo de qualidade, uma vez que representa a fração menos digestível dos alimentos. A fração fibrosa dilui a energia do alimento e reduz o consumo voluntário, pelo efeito do enchimento do rúmen e pela saturação da capacidade de ruminação do animal. A fibra é requerida para o funcionamento e metabolismo normal do rúmen e por isso, a qualidade da fibra torna-se um fator muito importante na dieta dos ruminantes, particularmente das vacas em lactação. A celulose e hemicelulose são a maior fração da dieta dos ruminantes, constituindo-se na maior fonte de substrato disponível para a fermentaçãono rúmen. Na composição química a fibra é um carboidrato essencial, mas devido a sua insolubilidade é utilizado apenas parcialmente como um nutriente alimentar pelos animais domésticos. O primeiro passo na digestão da fibra (porção não lignificada) é o “amolecimento” dos tecidos fibrosos que ocorre quando é absorvida grande quantidade de água. Sua digestão acontece pela ação das bactérias, protozoários e fungos anaeróbicos presentes no rúmen. Aí os fungos colonizam de preferência partículas lignificadas e são capazes de digerir celulose e hemicelulose, sendo que o papel destas na digestão da fibra ainda não está bem determinado. Os protozoários são importantes na degradação da fibra. Estudos “IN VITRO” mostram que a sua retirada causa uma depressão na digestão da parede celular da ordem de 5-15% e que a inoculação de protozoários em animais sem estes microorganismos aumenta a hidrólise da hemicelulose de 30 a 230%. A adição de carboidratos de fácil digestão à ração dos ruminantes reduz a digestão da fibra, dado ao fato de que as bactérias atacam primeiro os carboidratos mais simples. Os complexos polissacarídeos de plantas maduras são menos digestíveis do que os das plantas novas; isto é devido à estrutura química e física e particularmente à presença de certas substâncias, principalmente lignina, pois esta não só é indigesta, como também reduz a digestibilidade da celulose e de outros carboidratos complexos. Ocorrem diferenças na digestibilidade de outros nutrientes, pois a “fibra intacta” dificulta a ação das enzimas digestivas de outros nutrientes. Não são apenas os fatores relativos a organismos os responsáveis pela decomposição da celulose e implicados na destruição de envoltórios protetores, pois a parede celular rompe-se através dos processos mecânicos da digestão, ou é amaciada e desintegrada por meio da ação química no aparelho digestivo. A Bioavaliação dos componentes da forragem está exposta no Quadro 10. QUADRO 10 - Bioavaliação dos componentes da forragem Componentes Digestibilidade Verdadeira Fator Limitante CHO solúveis 100 Ingestão Amido 90 Passagem com perda fecal Ácidos Orgânicos 100 Ingestão e/ou toxicidade Proteína 90 Fermentação Pectina 98 Fermentação Celulose Variável Lignificação, silicificão e cutinização Hemicelulose Variável Lignificação, silicificão e cutinização Cutina Indigestível Lignina Indigestível Uso limitado da parede celular Sílica Indigestível A digestibilidade da fibra no rúmen depende da competição entre a “taxa de passagem” e a digestão. A fibra potencialmente digestível “desaparece” do rúmen através da hidrólise pelos microorganismos ou pela passagem pelo omaso. Assim, os ruminantes são capazes de digerir 50% da fibra dos alimentos ingeridos. O aumento no consumo de alimento afeta a digestibilidade em função do aumento na taxa de passagem, que por sua vez provoca decréscimo na digestibilidade da fração do alimento que apresenta digestão mais lenta. Altos níveis de fibra na alimentação (volumosos) limitam a produção de leite devido ao “enchimento” do rúmen antes que todos os nutrientes necessários aos animais sejam ingeridos. Assim, uma quantidade mínima de fibra é essencial para manter um balanço adequado da fermentação ruminal, prevenir depressão no teor de gordura do leite e queda do pH ruminal. A fibra na forma longa estimula o fluxo de saliva, a mistura da digesta no rúmen e a capacidade tampão do conteúdo ruminal, sendo a fibra em detergente neutro, por suas características intrínsecas, responsável direta por uma porção significativa desse “tampão”. A quantidade exata requerida de fibra pode variar com a espécie, adaptação às dietas, forma física da fibra, condição corporal e nível de produção. Vacas leiteiras necessitam no mínimo 1% de seu peso vivo como matéria seca de forragens, sendo aproximadamente um terço do seu consumo em matéria seca. Para obter-se o máximo de ingestão pós-parto e atingir o mais alto pico de produção, a dieta deve conter alta energia e fibra suficiente para garantir o funcionamento normal do rúmen. Geralmente, isto corresponde a um mínimo de 17% de fibra bruta ou 19% de FDA (Fibra em Detergente Ácido) na Matéria Seca (MS) da dieta. O conteúdo de fibra da dieta de gado de leite é inversamente relacionado ao conteúdo de Energia Líquida (EL). Animais alimentados para produzir grande quantidade de leite ou para atingir rápido crescimento, devem receber mais energia e menos fibra que os animais menos produtivos. Forragens processadas a pequenos tamanhos são mais rapidamente consumidas e fermentadas no rúmen e isto reduz o tempo de ruminação, reduzindo a secreção salivar, o pH do líquido ruminal e a relação acetato-propionato no líquido ruminal, resultando na diminuição do teor de gordura do leite. Alguns autores citam porcentagens maiores de FDA e FDN para alcançar alta produção de leite com 4% de gordura, sendo que o mínimo de 21% de FDA e de 28% de FDN é recomendado para vacas durante as três primeiras semanas de lactação. Em épocas de grande produção de leite podem-se reduzir estes níveis para 19 e 25% respectivamente, e então níveis adequados de energia podem ser incluídos para atender às necessidades das vacas. Os níveis de FDA e FDN podem ser aumentados no fim da lactação para prevenir a diminuição de gordura no leite e porque menos energia é necessária para a produção de leite. 7. LIPÍDEOS 7.1. Características Os lipídeos são substâncias formadas, basicamente, por carbono, hidrogênio e oxigênio. Eles são um grupo heterogêneo de moléculas orgânicas insolúveis em água (hidrofóbicas) que podem ser extraídas dos tecidos por solventes apolares (éter, clorofórmio, benzeno, acetona, etc). Devido a sua insolubilidade em soluções aquosas, os lipídeos corporais geralmente são encontrados compartimentalizados. Os lipídeos são uma importante fonte de energia para o corpo, mas possuem diversas funções orgânicas importantes. A deficiência ou desequilíbrio no metabolismo de lipídeos pode levar a diversos problemas clínicos como é o caso da arteriosclerose e da obesidade. 7.2. Funções Os lipídeos têm como função principal a produção de energia. As gorduras produzem 2,25 vezes mais calorias que os carboidratos. Isto é provado quando se sabe que 1 (um) grama de gordura gera 9 Kcal enquanto a mesma quantidade de carboidrato produz somente 4 Kcal. Podemos também destacar outras funções dos lipídeos: A gordura que cobre o corpo tem função de proteção e isolamento; São precursores de vitaminas Lipossolúveis. Participam da secreção da Bílis e síntese de prostaglandinas e hormônios de importância vital na reprodução; Em condições de privação de água, as gorduras queimadas liberam no organismo maior quantidade de água metabólica do que seu peso oxidado; Nas rações, os lipídeos melhoram a palatabilidade, diminuem a poeira, reduzem a perda de nutrientes, auxiliam na manutenção dos equipamentos, facilitam a peletização, além de ser um método prático de se elevar o conteúdo energético de uma ração. 7.3. Classificação Os lipídeos compreendem as gorduras, óleos, ceras e compostos relacionados. As gorduras e os óleos são importantes do ponto de vista nutricional e são encontrados de forma abundante na natureza. Os óleos são Produtos de Origem Vegetal (POV) enquanto as gorduras são Produtos Origem Animal (POA). Os lipídeos são divididos basicamente em três grupos: simples, compostos e derivados. 7.3.1. Lipídeos Simples Os Lipídeos Simples são formados por ésteres de ácidos graxos com álcool. Este grupo é representado pelas gorduras, óleos e ceras. As gorduras e óleos são formados por ácidos graxos e glicerol e as ceras por ácidos graxos e álcool de cadeia longa. São incolores no estado natural, mas podem conter pigmentos. A gordura do leite e do ovo possui pigmentos chamados caroteno e xantofila. A manteiga é produzida a partir da gordura extraída doleite e contém ácido butírico. Ao se ferver uma gordura é formado glicerol e um sal alcalino e este processo é chamado de saponificação. Os sais alcalinos são chamados de sabões. A quebra da gordura no organismo animal ocorre, em maior quantidade, no Intestino Delgado por ação da Bílis. Ela é produzida no fígado e armazenada na vesícula biliar (órgão anexo ao Fígado). A bílis é liberada no Intestino Delgado para que ocorra a emulsificação das gorduras. As gorduras podem se oxidar e sofrer rancificação. A rancidez ocorre na presença da luz, calor e umidade. A luz ultravioleta acelera o processo. O processo de rancificação é retardado pelos antioxidantes. Gorduras rançosas podem destruir a Vitamina A, Vitamina E e o Caroteno. 7.3.2. Lipídeos Compostos Os Lipídeos Compostos são formados por ésteres de ácidos graxos contendo outros grupos de substâncias além do álcool e ácidos graxos. Entre os lipídeos compostos mais importantes temos os fosfolipídeos, lecitina, cefalina, esfingomielina, glicolipídeos e lipoproteínas. Um dos grupos mais importantes é a Lecitina, fundamental na estrutura e atividade celular. As lipoproteínas mais importantes são: VLDL, IDL, LDL e HDL e Quilomícrons. Elas são classificadas como lipoproteínas transportadoras. 7.3.3. Lipídeos Derivados Os Lipídeos Derivados são substâncias que, por hidrólise, derivam dos citados anteriormente e compreendem os ácidos graxos, alcoóis e esteróis. Os ácidos graxos se dividem em dois grupos: voláteis e verdadeiros. Os Ácidos Graxos Voláteis possuem de 2 a 10 átomos de carbono, são solúveis em água e estão presentes na silagem e produtos finais da digestão da celulose. Os Ácidos Graxos Verdadeiros possuem acima de 10 átomos de Carbono (ômega 3, 6 e 9), são insolúveis em água e são solúveis em solventes orgânicos. Dentre os lipídeos derivados temos também os Complexos Insaponificáveis e os Esteróis. Nos animais o mais importante é o Colesterol e nos vegetais o Ergosterol. 7.4. Metabolismo dos Lipídeos Os Lipídeos são encontrados em todas as células do organismo. As células com maior capacidade de armazenamento de lipídeos são os adipócitos. A gordura armazenada nos adipócitos serve de fonte energética. A gordura que fica localizada sob a pele regula a temperatura corporal, rodeia as vísceras e serve de suporte para alguns órgãos. Os lipídeos encontrados na dieta dos animais não sofrem degradação nas partes iniciais do aparelho digestório. Eles são digeridos e absorvidos (principalmente os triglicerídeos) no Intestino Delgado, seguindo daí, diversos destinos metabólicos. No Intestino Delgado ocorre a emulsificação e hidrólise dos triglicerídeos, que formam miscelas com ácidos e sais biliares. Os ácidos e sais biliares são formados no Fígado e armazenados na vesícula biliar, recebendo o nome de Biles. O triglicerídeo é formado por três moléculas de ácido graxo e uma de glicerol. Este composto é reduzido a Monoglicerídeo e duas moléculas de Ácido Graxo. Eles são absorvidos pelas microvilosidades do Intestino Delgado. Nos enterócitos, que são as células da parede do intestino, ocorre a reesterificação e o Monoglicerídeo recebe novamente as duas moléculas de Ácido Graxo, reconstituindo o Triglicerídeo. O triglicerídeo recomposto irá formar juntamente com outras moléculas o quilomícron, que é uma lipoproteína transportadora. Os quilomícrons vão transportar os triglicerídeos para o fígado. Nas aves o transporte ocorre através do mesentério e nos suínos e demais mamíferos, através dos vasos linfáticos. Ambas as circulações desembocam no fígado, local de maior metabolismo dos lipídeos. A maior parte da gordura que chega ao Fígado é metabolizada e transformada em Lecitina. Quando o fígado perde a capacidade de metabolizar os Lipídeos, temos o quadro denominado Fígado Gorduroso ou Adiposo. O Fígado distribui os lipídeos para as células do corpo (oxidação), para a síntese de gorduras modificadas, envia os ácidos graxos para a formação de lipídeos de reserva (toucinho nos suínos, ovos em poedeiras e formação de carcaça e gordura abdominal nos frangos de corte). O produto final da digestão dos lipídeos é o CO2 e a H2O que podem ser eliminados através dos Rins, Pulmões ou Epiderme. Os lipídeos da dieta são altamente digestíveis, no entanto existem diferenças na absorção no Intestino Delgado. Diversos fatores podem influenciar nesta absorção e entre eles podemos citar: comprimento da cadeia carbônica do Ácido Graxo; número de duplas ligações do Ácido Graxo; presença ou ausência da ligação éster entre o glicerol e ácido graxo; relação entre ácido graxo saturado e insaturado; composição da dieta em ácidos graxos. Os principais destinos metabólicos dos lipídeos estão esquematizados na Figura 11. FIGURA 11 – Destinos metabólicos dos Lipídeos da dieta. 7.5. Ácidos Graxos Os Ácidos Graxos são produtos da hidrólise dos triglicerídeos. Geralmente estão presentes na gordura e nos óleos em número par de Carbonos, devido a biossíntese a partir de unidades de dois Carbonos. Os ácidos graxos podem ser classificados em saturados e insaturados. Os ácidos graxos saturados não apresentam dupla ligação e se apresentam sólidos à temperatura ambiente já que seu ponto de fusão se eleva com o aumento do número de carbonos na molécula. As gorduras, geralmente de origem animal, são compostas por ácidos graxos saturados. Os óleos, geralmente de origem vegetal, possuem cadeia insaturada e se apresentam na forma líquida. Os triglicerídeos são formados por três moléculas de Ácido Graxo e uma molécula de Glicerol. A composição dos Ácidos Graxos ligados à molécula de Glicerol determina a qualidade física da gordura (Quadro 11). QUADRO 11 – Ácidos Graxos encontrados nos lipídeos e seus pontos de fusão. Ácidos Graxos Fórmula Ponto de Fusão (ºC) SATURADOS Butírico C4H8O2 Líquido Capróico C6H12O2 Líquido Caprílico C8H16O2 16 Cáprico C10H20O2 31 Láurico C12H24O2 44 Merístico C14H28O2 54 Palmítico C16H28O2 63 Esteárico C18H36O2 70 Aráquico C20H40O2 75 Lignocérico C24H48O2 84 INSATURADOS Palmitoléico C16H30O2 Líquido Oléico C18H34O2 Líquido Linoléico C18H32O2 Líquido Linolênico C18H30O2 Líquido Araquidônico C20H32O2 Líquido Clupanodônico C20H34O2 Líquido Fonte: Conn & Stumpf (1975) Os Ácidos Graxos Linolênico, Linoléico e Aracdônico são considerados essenciais ao organismo animal. O Linolênico e Aracdônico podem ser sintetizados pelo organismo animal. O Linoléico é considerado dietético essencial por não ser possível a sua produção orgânica. Os ácido graxos Linolênico pode ser chamado de ômega-3 (w-3), o Linoléico de ômega-6 (w-6) e o Oléico de ômega-9 (w-9). Eles podem ser encontrados nos óleos de peixe e em alguns óleos vegetais. Estes têm sido objeto de estudos de pesquisa a partir de 1979 quando foi descoberta a baixa incidência de doenças cardíacas e artrites em esquimós na Groenlândia, que registravam alto consumo de peixes que contém as maiores concentrações destes ácidos graxos em sua gordura. A partir deste fato, as pesquisas têm evidenciado o efeito fisiológico atribuído aos ácidos graxos de cadeia longa. Modernamente há interesse em transferir esses ácidos graxos aos produtos como ovo, carcaça de suínos e aves, através do enriquecimento das dietas de tais animais. 7.6. Rancidez das Gorduras A rancidez se caracteriza por modificações na composição química das gorduras, que modificam seu aspecto físico e suas características organolépticas. Basicamente existem dois tipos de rancificação: Hidrolítica e Oxidativa. A rancidez hidrolítica ocorre no meio exterior pela ação de microorganismos causando uma simples hidrólise com liberação de mono e diglicerídeos e ácidos graxos, não afetando o valor nutricional das gorduras.No intestino delgado, ocorre a rancidez hidrolítica, durante a hidrolização dos triglicerídeos para absorção. Na rancidez oxidativa também chamada de peroxidação dos lipídeos, resulta em sério decréscimo no valor energético da gordura. A entrada de O2 na cadeia carbônica insaturada dos ácidos graxos, reduz a capacidade de absorção de O2 durante a oxidação, com consequente perda do valor energética. Além de afetar o valor energético das gorduras, a peroxidação modifica as características físico-químicas, afeta o mecanismo das vitaminas lipossolúveis, oxidando-as. A ordem de prejuízo com relação às vitaminas seria: Vitamina E, A e D. Existem alguns fatores que favorecem a rancidez das gorduras e os mais importantes são a umidade, a alta temperatura e a presença de íons metálicos como o Ca, Cu, Fe e Zn. As rações que apresentam alto nível de gordura devem ser protegidas quanto às condições citadas, sob pena de perda do valor energético e também de vitaminas lipossolúveis durante o armazenamento. 8. PROTEÍNAS 8.1. Características As Proteínas correspondem a um grupo complexo de substâncias quimicamente semelhantes, mas fisiologicamente distintas. As Proteínas são compostas basicamente por C, H, O, N e S e às vezes P e Fe (Quadro 12). QUADRO 12 – Composição básica das Proteínas Componente % Carbono 51 – 55 Hidrogênio 6,5 – 7,3 Oxigênio 21,5 – 23,5 Nitrogênio 15,5 – 18 Enxofre 0,5 – 2 Fósforo 0 – 1,5 Estruturalmente as proteínas são compostas de unidades básicas, que são os aminoácidos (AA’s), unidos por ligações peptídicas (grupo amino de um aminoácido ligado ao grupo carboxílico de outro). As proteínas são o principal componente dos órgãos dos animais sendo necessárias para o crescimento e recuperação tecidual. Em nutrição é muito importante a transformação de proteína alimentar em proteína orgânica. Não existem duas proteínas iguais. A sequência de aminoácidos que compõem cada proteína é diferente das demais. Os aminoácidos são o alfabeto das proteínas. Atualmente são conhecidos 23 aminoácidos, no entanto somente 11 são considerados dieteticamente essenciais. Os demais podem ser sintetizados pelo organismo. Cada espécie animal aproveita de forma diferente a proteína existente na alimentação. Após a ingestão, a proteína alimentar é quebrada em AA’s. Os AA’s são absorvidos e a proteína é recomposta, formando a proteína orgânica. A proteína orgânica é produzida conforme a necessidade orgânica de cada indivíduo. A proteína da ração começa sua digestão no estômago, pela ação do suco gástrico, porém no Intestino Delgado encontra-se o principal local de digestão e absorção dos aminoácidos e peptídeos. A principal utilização dos aminoácidos ocorre na síntese de proteína orgânica, no entanto em caso de deficiência energética, esses aminoácidos poderão ser desaminados e o esqueleto carbônico entrar no metabolismo energético para a produção de ATP. Os aminoácidos absorvidos em excesso também serão desaminados e o nitrogênio resultante será eliminado na forma de uréia (mamíferos) ou ácido úrico (aves), através da urina. Nos monogástricos a absorção dos AA’s ocorre no Intestino Delgado. Nos ruminantes a proteína alimentar é aproveitada pelos microrganismos existentes no rúmen e transformada em proteína microbiana. A proteína microbiana chegando ao intestino delgado é decomposta em aminoácidos que são absorvidos. Os aminoácidos serão reagrupados formando a proteína orgânica. Os ruminantes têm a capacidade de sintetizar proteína no rúmen, através dos microorganismos. A alimentação de ruminantes não necessariamente deve conter proteína de alta qualidade já que a proteína alimentar é degradada pelos microrganismos ruminais para fabricação da proteína microbiana. Na alimentação destes animais pode-se fornecer uma fonte de Nitrogênio Não Protéico (NNP) que os microrganismos se encarregarão de produzir a proteína necessária para o desenvolvimento destas espécies. A principal fonte de NNP usada na alimentação de ruminantes é a Uréia. Todos os aminoácidos que compõem as proteínas são essencialmente metabólicos isto é, devem estar disponíveis no organismo. No entanto eles não são dietéticos essenciais já que alguns deles não necessariamente têm que fazer parte da ração, pois podem ser produzidos pelos animais. Sabe-se que para que haja a formação da proteína orgânica todos os aminoácidos devem estar presentes no organismo e disponíveis nos tecidos. Caso ocorra a falta de algum deles a proteína não é produzida. As rações são uma combinação de diversas proteínas apresentando uma quantidade variável de aminoácidos. Quando estes aminoácidos não são utilizados para a produção de proteína orgânica ele pode ser desviado para a produção de energia. Animais em crescimento necessitam de maior quantidade de aminoácidos que aqueles em mantença. O termo Proteína Bruta (PB) usado em nutrição animal refere-se a todo o N existente no alimento que é analisado pelo método de Kjeldahl. O valor do N encontrado na análise é multiplicado por 6,25, para se obter o teor de PB de determinado alimento. Este valor refere-se a uma citação que aponta que toda proteína possui 16% de Nitrogênio. No entanto esta referência é feita somente para um cálculo aproximado já que se sabe que o teor de Nitrogênio pode variar conforme o tipo de proteína existente no alimento (Quadro 13). Sabe-se também que nem todo Nitrogênio existente no alimento se encontra sob a forma proteica. QUADRO 13 – Fatores de conversão do Nitrogênio para proteína dos diversos alimentos. Alimento Fator Soro de Leite 6,49 Leite, caseína 6,38 Milho, sorgo, mandioca, feijão, peixe, carne de bovinos e de aves 6,25 Arroz 5,95 Aveia e Trigo 5,83 Sangue 5,80 Soja 5,71 Algodão, girassol e coco 5,30 Fonte: FAO (1989) 8.2. Classificação das Proteínas As proteínas podem ser divididas em três grupos: simples, conjugadas e derivadas. As proteínas simples quando hidrolisadas produzem aminoácidos e seus derivados. As mais importantes são as globulinas, gluteínas, albuminóides, histones e protaminas. As proteínas conjugadas são resultado da combinação de uma proteína simples com um radical não protéico. As mais importantes são: nucleoproteínas (ácido nucléico), fosfoproteína (fósforo), glicoproteína (glicose), hemoglobina (hematina) e lecitoproteína (lecitina). Os ácidos nucléicos são compostos nitrogenados presentes em todas as células. Funcionam no metabolismo celular e estão presentes no Ácido Ribonucléico (RNA) e Ácido Desoxiribonucléico (DNA). São ácidos ligados à hereditariedade, presentes na estrutura cromossômica. As proteínas derivadas formam um grupo de proteínas produzidas através do calor, de enzimas e de ácidos químicos, que agem sobre as proteínas naturais. 8.3. Funções das Proteínas As proteínas desempenham diversas funções no organismo dos animais. Entre elas podemos destacar: Estrutural – formação e manutenção dos tecidos orgânicos; Formação de hormônios e enzimas; Fonte secundária de energia; Transporte e armazenamento das gorduras e minerais; Agente tamponante e auxílio na pressão osmótica; Reprodução – formação de espermatozóide e óvulo; Estrutura coloidal; e Transporte de oxigênio – hemoglobina. 8.4. Qualidade das Proteínas O valor de uma proteína é determinado pela sua composição em Aminoácidos. Quanto à essencialidade os aminoácidos podem ser classificados em essenciais e não essenciais. Os não essenciais não precisam ser adicionados na alimentação já que o organismo tem a capacidade de sintetizá-los a partir de outros aminoácidos ou outros nutrientes presentes na ração. Quando estes aminoácidos faltam na dieta, o desempenho animal não é afetado. A essencialidade dos aminoácidos pode variar conforme a espécie e/ou a idade dos animais Os aminoácidos essenciais são aqueles que precisam ser adicionados à alimentação animal, pois não são produzidas pelo organismoou são sintetizados em velocidade insuficiente para atender às necessidades de máximo desempenho animal (Quadro 14). QUADRO 14 – Classificação dos Aminoácidos para aves e suínos Aminoácidos Essenciais Aminoácidos não Essenciais Leitões/Aves Suínos/Aves Pintos Lisina Lisina Lisina Glicina a Metionina Metionina Metionina Serina Triptofano Triptofano Triptofano Alanina Valina Valina Valina Ácido Aspártico Histidina Histidina Histidina Ácido Glutâmico Fenilalanina Fenilalanina Fenilalanina Cistina b Leucina Leucina Leucina Prolina Isoleucina Isoleucina Isoleucina OH-Prolina Treonina Treonina Treonina Tirosina c Arginina - Glicina ou Serina Asparagina - - Prolina Glutamina a - Parcialmente sintetizado (60%) b - Pode atender até a metade da exigência de Metionina c - Pode atender até 30% das exigências de Fenilalanina Os pintos necessitam de Glicina ou Serina e Prolina na fase inicial de criação, além de outros 10 aminoácidos. Nenhum alimento natural apresenta a quantidade de aminoácidos que os animais necessitam para ter um desempenho máximo. A combinação de diversos alimentos permite que tenhamos uma formulação da dieta com níveis adequados de aminoácidos. A combinação entre o fubá de milho e farelo de soja na alimentação de suínos permite um equilíbrio de aminoácidos. Na alimentação de aves isto não é verdadeiro já que ainda ocorre a deficiência de Metionina. Na prática a Lisina, Metionina, Triptofano e Treonina estão limitados nas fontes protéicas e energéticas fornecidas para os monogástricos. Há necessidade de complementação daí o uso de aminoácidos sintéticos. Para aves a Metionina é considerada o primeiro aminoácido limitante, seguida da Lisina. Na nutrição de suínos esta ordem é invertida. A importância maior da Metionina para as aves ocorre pelo fato de que a pena, que recobre o corpo destes animais, é produzida a partir deste aminoácido. A pena é formada de uma proteína chamada queratina. A Metionina é um aminoácido Sulfuroso isto é, apresenta enxofre na sua molécula. As pontes de Enxofre dão a estrutura da queratina. A Lisina é considerada o primeiro aminoácido limitante para suínos devido a grande produção de carne deste animal. Atualmente alguns aminoácidos são sintetizados em laboratórios com isso, facilitou-se a complementação de aminoácidos na dieta de animais. Esta produção possibilitou a redução da quantidade de proteína na ração. O primeiro aminoácido produzido industrialmente foi a DL-Metionina, um pó comercial produzido na década de 40. Em escala industrial são sintetizados nos dias de hoje: DL-Metionina (98-99%), L-Lisina – HCl (99% de pureza e 78% de eficiência), L-Treonina (98%) e L-Triptofano (98%). 8.5. Metabolismo das Proteínas Após uma refeição contendo proteína, os aminoácidos livres e dipeptídeos são absorvidos pelas células intestinais (enterócitos), nas quais os dipeptídeos são hidrolisados a aminoácidos, antes de entrarem no Sistema Porta. Estes Aminoácidos são metabolizados no Fígado ou liberados na circulação geral. A concentração de aminoácidos livres no líquido extracelular é menor que dentro das células. Existem dois tipos de aminoácidos de acordo com a natureza de seus produtos metabólicos finais: os cetogênicos e os glicogênicos. Os aminoácidos cetogênicos originam no seu catabolismo acetoacetatos ou seus precursores como é o caso do Acetil CoA ou acetoacetil CoA. A Leucina e Lisina são os únicos aminoácidos exclusivamente cetogênicos. Os aminoácidos que do seu catabolismo resulta o Piruvato ou um dos intermediários do Ciclo de Krebs são denominados Glicogênicos. Estes intermediários são substratos para a Gliconeogênese e podem participar da formação de glicogênio no fígado e músculos. No mínimo sete sistemas de transporte são conhecidos para os aminoácidos. Um deste envolve a reabsorção dos aminoácidos através dos túbulos renais. Quando ocorre algum defeito neste sistema de transporte (Doença conhecida como Cistinúria), ocorre a precipitação da Cistina o que dá origem à formação de cálculos renais que podem bloquear o trato urinário. O primeiro passo no metabolismo dos aminoácidos é a remoção do grupo alfa-amino. Este grupo possui em sua estrutura o NH3. Uma vez removido, o Nitrogênio pode ser incorporado em outros compostos ou excretado através da urina. O nitrogênio que se encontra na forma de amônia é muito tóxico e não pode circular no organismo desta forma. O fígado tem a capacidade de transformar este produto da digestão dos aminoácidos em Uréia (mamíferos) e Ácido Úrico (aves). Os aminoácidos também podem servir de precursores de muitos compostos nitrogenados que possuem importantes funções fisiológicas: porfirinas, neurotransmissores, hormônios, purinas e pirimidinas. Entre as porfirinas temos o Heme que é um grupo formador da hemoglobina e mioglobina. Elas estão constantemente sendo produzidas e degradadas. Os principais neurotransmissores que apresentam nitrogênio são as catecolaminas (adrenalina, noradrenalina e dopamina). Eles funcionam como neurotransmissores no cérebro e sistema nervoso autônomo. A adrenalina e noradrenalina também são sintetizadas no cérebro. Diversos hormônios apresentam aminoácidos na sua composição e são chamados de hormônios protéicos. Entre estes podemos citar a Insulina, Glucagon e Oxitocina. O RNA e DNA são classificados como nucleotídeos e são essenciais para todas as células. Os nucleotídeos são formados por uma base nitrogenada, um monossacarídeo pentose e um, dois ou três grupos fosfatos. As bases nitrogenadas podem pertencer a uma das duas famílias: purina e pirimidina. As bases purinas são representadas pela Adenina e Guanina e as pirimidínicas pela Timina, Citosina e Uracil. Quando a alimentação recebida pelo animal apresenta baixo nível de proteína, o organismo utiliza o protoplasma para suprir esta necessidade já que o organismo não consegue ter uma reserva de proteína para suprir esta necessidade. Quando a dieta é restaurada a quantidade de protoplasma utilizada é reposta para que o equilíbrio seja mantido. Quando esta falta de proteína na alimentação é crônica, instala-se a anemia, as reservas de protoplasma estão esgotadas e instala-se um quadro denominado hipoproteinemia que pode resultar na morte do animal. Os anticorpos são produzidos à partir da soro-globulina que é uma proteína. Na deficiência protéica, a produção de anticorpos também fica prejudicada e o animal não consegue provê defesa para as infecções que tentam se instalar e adoecem mais facilmente. Os ruminantes possuem uma elevada capacidade de digestão de carboidratos, aliada a eficiente utilização da proteína dietética e da habilidade de utilização do NNP na síntese de proteína no rúmen. Quanto à origem, o nitrogênio no rúmen pode ser dividido em N exógeno e endógeno, proveniente da uréia reciclada da: descamação epitelial, quebra de células microbianas e da excreção de metabólitos dos microorganismos. O nitrogênio dietético é composto por: Proteínas verdadeiras, que variam quanto à solubilidade e valor biológico; Ácidos nucléicos contendo bases púricas e pirimídicas; NNP, que engloba: aminoácidos livres, peptídeos, aminas, amidas, sais de amônia, nitritos, nitratos, uréia, biureto e ácido úrico. O N é continuamente reciclado para o rúmen da corrente sanguínea para sua reutilização. Esse mecanismo de conservação permite ao ruminante sobreviver em dietas com teores muito baixos de N. A uréia plasmática entra no rúmen por duas vias: pela saliva e por difusão através da parede ruminal. Em dietas de forragens de 15 a 50% da uréia total reciclada pode seguir a via salivar. A transferência através da parede ruminal ocorre por difusão. Quando a uréia é difundida da corrente sangüínea para os tecidos ruminais encontra a enzima urease das bactérias ruminais aderidas ao epitélio ruminal, sendo hidrolisada à amônia eCO2. O tecido ruminal não produz urease, mas 10-15% das bactérias aderidas à parede ruminal produzem esta enzima. Presume-se que a presença de urease no conteúdo ruminal seja devido à liberação de células epiteliais, que contém bactérias aderidas. Com a adaptação à uréia, a taxa de hidrólise é reduzida, devido à inibição do substrato ou produto (NH4+) ou mudança nas espécies microbianas. A degradação protéica no rúmen (Quadro 15) depende do alimento a ser ministrado. No Quadro 15 podemos verificar os valores médios de degradação de proteína dietética no rúmen (PDR) de alguns alimentos. QUADRO 15 - Valores médios de degradação de proteína dietética no rúmen (PDR) de alguns alimentos. ALIMENTO PDR (%) Farinha de carne 23 Farelo de coco 37 Farinha de peixe 40 Grão de sorgo 46 Milho, pão 48 Farinha de carne e osso 51 Farelo de algodão 57 Gramíneas 60 Farelo de soja 65 Silagem de milho 69 Silagem de gramíneas 71 Feno de alfafa 72 Cevada 73 Grão de soja moído 74 Glúten de milho 75 Farelo de amendoim 75 Silagem de alfafa 77 Caseína 81 Os principais destinos metabólicos seguidos pelas proteínas no organismo animal podem ser observados na Figura 12. FIGURA 12 – Destinos Metabólicos da Proteína da Ração 8.6. Necessidade de Proteínas e Aminoácidos Há uma série de fatores que influem na necessidade por proteínas (AA’s) dos animais, no entanto as principais são: idade do animal, nível de energia da ração, temperatura ambiental e sexo. As necessidades dietéticas de proteína decrescem com o aumento da idade. Suínos e aves jovens necessitam de mais proteína na ração que os adultos. Segundo uma das teorias sobre o consumo de ração pelos animais, acredita-se que este consome ração para atender, primeiramente, as suas necessidades energéticas. Com isso, o consumo dos nutrientes da ração é alterado, inclusive de proteína, dependendo do nível de energia da ração. O nível protéico, bem como de todos os outros nutrientes deve ser ajustado conforme a necessidade do animal. A temperatura ambiente afeta diretamente o consumo de ração. Aves e suínos têm dificuldade de trocar o calor corporal com o meio ambiente, o que é realizado, através da respiração. O aumento da taxa de respiração reduz o consumo alimentar e, por conseguinte, o consumo de proteína. Nos períodos muito quentes, devemos manter as luzes acesas, em parte da noite, para que a ave consiga consumir o alimento que deixou de consumir durante o dia. A tendência moderna é criar suínos e aves separados por sexo. Sabe-se que as necessidades nutricionais são diferentes entre machos e fêmeas. 8.7. Uréia na Alimentação Animal A uréia apresenta-se como a fonte de NNP efetivamente utilizada na nutrição de ruminantes, devido as suas propriedades físico-químicas e pelo aspecto econômico. O denominador comum na utilização da uréia para ruminantes é a amônia, uma vez que após a ingestão, toda a uréia é rapidamente degradada, produzindo NH3 e CO2, conforme o seguinte esquema: UREASE MICROBIANA Uréia NH3 + CO2 Carboidratos Cetoácido + AGV ENERGIA (1) NH3 + CETOÁCIDO Aminoácido Microbiano AMINOÁCIDO MICROBIANO Proteína Microbiana DIGESTÃO QUÍMICA (2) PROTEÍNA MICROBIANA Aminoácidos Livres Absorção (3) AMINOÁCIDOS LIVRES Proteína Animal (1) No Rúmen (2) No Omaso (3) No Intestino Delgado. Existem duas situações típicas para a utilização da uréia: O fornecimento de uréia visa suprir uma deficiência de proteína da dieta, resultando em melhor desempenho dos animais; situação característica dos períodos de estiagem. Quando não existe deficiência de proteína na dieta, sendo que a uréia é utilizada para promover a economia de farelos protéicos de custo elevado. O ruminante aproveita a uréia proveniente de duas fontes: uma exógena, fornecida através da ração e é produzida sinteticamente a partir da amônia e gás carbônico. A endógena, biossintetizada no fígado através de um processo chamado “ciclo da uréia”. A uréia endógena proveniente deste ciclo chega ao rúmen por difusão através de sua parede e através da saliva. Tanto a uréia endógena como a exógena, ao atingir o rúmen do animal, é imediatamente degradada pela ação da urease, dando origem a gás carbônico e amônia. UREASAE MICROBIANA Uréia NH3 + CO2 Entre os cuidados para a eficiente utilização da uréia, temos a considerar, o nível de proteína na ração, pois este afeta a conversão de NNP em proteína microbiana. Níveis elevados reduzem acentuadamente a utilização da amônia pelas bactérias do rúmen. Tal redução começa segundo alguns pesquisadores, quando a porcentagem de proteína bruta da ração excede 14%. A quantidade de uréia não pode ser superior a 1% da matéria seca da ração. De modo geral aconselha-se fornecer, no máximo, 40 g de uréia para cada 100 kg de peso vivo do animal/dia. Nas palhadas de culturas, fenos e cascas de cereais, que possuem 70-90% de MS, recomenda-se até 2% de uréia, assim: Volumosos secos (70-90% de MS): até 2% de Uréia. Volumosos úmidos (20-40% de MS): até 1% de Uréia A idade mínima do animal para aproveitar a uréia depende do estágio de desenvolvimento do rúmen, o que ocorre em função do sistema de desmama adotado. Na desmama precoce, em que o consumo de concentrados e volumosos de alta qualidade é estimulado desde os primeiros dias de vida, os bezerros podem apresentar rúmen funcional com apenas seis semanas de idade. Já na desmama natural, o leite materno representa o principal alimento do bezerro por um período de seis a oito meses e o desenvolvimento do rúmen ocorre mais lentamente, tornando-se funcional quando o bezerro tiver de quatro a seis meses de idade. Assim, a idade mínima do animal para o aproveitamento da uréia dependerá do estágio de desenvolvimento do rúmen. Geralmente não se deve usar uréia na alimentação de animais com menos de três meses de idade. O uso da uréia na silagem tem a vantagem de enriquecê-la em proteína, proporcionando melhor desempenho zootécnico dos animais e economia de concentrados. Ela pode ser adicionada a silagem de duas maneiras: no momento da ensilagem ou no momento da distribuição No momento da ensilagem - O procedimento tem sido empregado por várias razões: o consumo de uréia ocorre durante quase todo o dia; o gosto indesejável da uréia é mascarado; a amônia proveniente da hidrólise da uréia combina com os sais orgânicos da silagem evitando a sua perda e, ainda, como consequência, evita o desprendimento de odores indesejáveis dos ácidos. O material a ser ensilado, para ser tratado com uréia, deve estar com 30-40% de matéria seca (MS). A forragem com menos de 30% de MS provoca grande perda de uréia por lixiviação. A quantidade recomendada chega até 1% do material a ser ensilado. Conhecendo-se a capacidade do silo, calcula-se a quantidade necessária de uréia a ser empregada. Para alcançar uma maior homogeneidade da uréia com a forragem, recomenda-se dissolvê-la em água (1 Kg de uréia para 4 litros de água), aspergindo-a sobre as camadas. Tais camadas para a operação, não devem exceder a espessura de 0,5m. No momento dadistribuição - Também se pode misturar a uréia à silagem no próprio cocho, homogeneizando bem, antes que os animais tenham acesso. Pode ser aplicada na forma seca ou em solução (1 Kg de uréia para 4 litros de água) em proporção de até de 1% da forragem. Cabe lembrar que para qualquer um dos métodos adotados, deve-se considerar o consumo de silagem e respeitar os limites máximos (40-50 g de uréia/100 Kg de peso vivo), com a respectiva adaptação dos animais. As sobras de silagem nos cochos devem ser descartadas antes do novo fornecimento, já a silagem é facilmente atacada por leveduras e fungos indesejáveis, tornando-a inaproveitável. A Uréia também pode ser misturada com a Cana de Açúcar. Embora pobre em proteína, a cana de açúcar, é uma excelente fonte de carboidratos na forma de sacarose com alta solubilidade no rúmen do animal. Devido à sua palatabilidade e por ser facilmente consumida pelos animais, faz parte do plantio de quase todas as propriedades rurais. Sua utilização na época da seca, na suplementação dos animais, principalmente novilhas, permite a continuidade do crescimento, contribuindo para a antecipação da idade do primeiro parto. A seguir os passos para o uso de cana de açúcar e uréia: Picar a cana de açúcar integralmente (caule e folhas); Para cada 100 Kg de cana de açúcar picada, usar 0,5 Kg de uréia nos 15 primeiros dias e 1 Kg posteriormente; Para obtermos uma mistura homogênea de cana de açúcar há necessidade de dissolver a uréia em água (1 Kg de uréia em 4 litros de água); Adicionar essa solução com auxílio de regador, a cana picada já distribuída nos cochos. Os cochos para esta finalidade não necessitam cobertura, pois é importante que não acumulem água. Para se conseguir uma melhor utilização da uréia, recomenda-se a aplicação de enxofre à mistura cana de açúcar com uréia. A fonte de enxofre pode ser sob a forma de Sulfato de Amônio, na proporção de nove parte de uréia para uma de Sulfato de Amônio (900 g de uréia mais 100 g de Sulfato de amônio), dissolvidos em água. A Uréia em Mistura com Sal Mineral pode ser utilizada quando houver pastagens secas e que apresentem grande quantidade de massa. Esta pastagem é responsável pelo fornecimento de energia, que muitas vezes, ocorre de forma limitada, pois nesta época estão muito maduras e com a fibra lignificada. Algumas instruções devem ser seguidas para o uso de uréia e sal mineral: Nivelar o consumo de sal mineral, administrando-se uma semana antes do início do fornecimento da mistura contendo uréia, seguido o seguinte esquema: A – 1ª Semana: 90 Kg de sal mineral + 10 Kg de uréia; B – 2ª Semana: 75 Kg de sal mineral + 25 Kg de uréia; C – 3ª Semana: 60 Kg de sal mineral + 40 Kg de uréia. Não interromper o fornecimento, pois em três dias os animais perdem a adaptação; A mistura de sal mineral/uréia deve ser preparada evitando-se a formação de pelotas; Evitar que os cochos acumulem água; Evitar encher demasiadamente os cochos; Colocar uma quantidade necessária para o consumo de uma semana no período seco e para dois ou três dias no período de chuvas. Quebrar periodicamente a crosta formada sobre a mistura e nos cantos dos cochos; Não fornecer a mistura aos animais em jejum e, depauperados, sedentos ou cansados; Ter água em abundância, pois o consumo aumenta; O fornecimento nos pastos deve ser realizado em cochos cobertos Neste sistema, o fósforo e o enxofre são elementos importantes para o aproveitamento da uréia, devendo-se garantir seu fornecimento. A Uréia em Mistura com Melaço tem sido bem aceita pelos animais, associada ao aproveitamento de resíduos agrícolas grosseiros. Constitui uma fonte de energia e de nitrogênio para os microorganismos do rúmen, os quais se multiplicam e passam a promover um ataque intenso à fração fibrosa dos volumosos grosseiros, melhorando seu aproveitamento. Essa mistura pode ser realizada na própria propriedade, na proporção de 9 Kg de melaço para 1 Kg de uréia, sem diluir em água, para não fermentar a mistura armazenada. Assim, permite seu armazenamento por muito tempo sem perder seu valor. Seu fornecimento pode ser realizado em cochos com uma grade de madeira que fica boiando sobre a mistura para evitar derramamento. Esta grade além de evitar o desperdício, possibilita ao animal lamber a mistura em pequenas quantidades durante todo o dia. Para se aumentar o consumo de volumosos grosseiros e secos, pode-se diluir a mistura melaço-uréia com água, na proporção 1:1 e aplicar sobre o volumoso, misturando cuidadosamente. Cabe lembrar que esta solução de melaço-uréia diluída, é de difícil conservação e, portanto, deve ser preparada diariamente. Ao se fornecer uréia para os animais há necessidade de adaptação do fígado deste para que ocorra biossíntese da uréia nos níveis desejáveis e ainda aos microorganismos do rúmen, para absorver níveis elevados de amônia enquanto que outras nem a utilizam. O fornecimento de níveis elevados de uréia a animais não submetidos previamente a adaptação, pode resultar em alta concentração de amônia no rúmen e no sangue, reduzindo seu aproveitamento e em altos riscos de intoxicação. Recomenda-se um período de adaptação de 2-4 semanas, dependendo do nível e forma de fornecimento de uréia. O esquema indicado é o seguinte: - 1a quinzena: 33% do total ou 13 g/100 Kg de peso vivo. - 2a quinzena: 66% do total ou 26 g/100 Kg de peso vivo - 3a quinzena: 100% do total ou 40 g/100 Kg de peso vivo. Obs: O fornecimento de uréia deve ser contínuo, pois os animais perdem a adaptação em três dias. Se houver uma interrupção de três dias no fornecimento, recomenda-se fazer novamente a adaptação. Quando a uréia é consumida em grandes quantidades e em curto espaço de tempo, pode provocar intoxicação dos animais. Na intoxicação, o excesso de amônia não é o principal fator, mas sim, quando o pH do rúmen está elevado. Isto porque o carbamato de amônia libera ácido fórmico, que na presença de nitratos e molibidatos é oxidado a ácido oxálico, sendo este o verdadeiro causador da intoxicação. Principais sintomas de intoxicação pela uréia são: Respiração difícil; Salivação excessiva; Incoordenação motora; Nervosismo e inquietação; Tremor muscular, tetania, prostração. Convulsão e morte. Ao identificar tais sintomas, deve-se forçar a ingestão de oito ou mais litros de Vinagre (Ácido Acético), a depender da quantidade de uréia ingerida pelo animal. A Hidrólise da uréia é mais intensa quando o pH do rúmen é elevado, devido à maior atividade da urease. O ácido acético (vinagre) baixa o pH do rúmen e reduz a hidrólise da uréia, ao se combinar com a amônia livre, forma acetato de amônio. Desta maneira a passagem da amônia por difusão pela parede do rúmen é diminuída. 9. Metabolismo Energético Energia pode ser definida como a capacidade de realização de um trabalho. Em Nutrição Animal, a capacidade máxima de realização de um trabalho significa máxima produção de carne, de ovos, máximo ganho de peso e melhor conversão alimentar. Os seres vivos utilizam primeiramente a energia para a manutenção da temperatura corporal. A energia que restar é usada para a realização de trabalho. Todas as formas de energia são convertidas em calor, por isso as transformações energéticas dos processos vitais são expressas em unidades calóricas (calorias). Caloria (cal) – quantidade de calor necessário para elevar em 1 ºC a temperatura de 1g de água. Quilocaloria (Kcal) - quantidade de calor necessário para elevar em 1 ºC a temperatura de 1 Kg de água. Equivale a 1000 calorias. Megacaloria (Mcal) - quantidade de calor necessário para elevar em 1 ºC a temperatura de 1ton. de água. Equivale a 1000 Kcal. Joule (J) – 0,239 cal. 1cal equivale a 4,18J. Unidade Térmica Britânica (BTU) – 0,252 Kcal A caloria também pode ser chamada de pequena caloria. A Kcal também pode ser chamada de grande caloria. A Mcal também pode ser chamada de Terma ou Termia.O organismo animal tem uma eficiência de, aproximadamente, 40%. Para aves e suínos, que são animais de sangue quente, a perda de energia na forma de calor (60%) é importante na homeotermia destes animais. Na oxidação de uma molécula de glicose são produzidos 38 ATP`s, como vemos no esquema abaixo. C6H12O6 6H2O + 686 Kcal C6H12O6 GLICÓLISE CICLO DE KREBS CK 277Kcal (37 X 7,3 Kcal/ATP) Eficiência Metabólica = (277 / 686) X 100 = 40% 9.1. Partição Biológica da Energia A energia pode ser dividida em várias frações, à medida que o organismo a utiliza. As frações obtidas são a Energia Bruta (EB), Energia Digestível (ED), Energia Metabolizável (EM) e Energia Líquida (EL). A Energia Bruta é aquela encontrada nos alimentos que serão ingeridos pelos animais. O calor é proveniente da queima de determinado produto até produzir CO2 e H2O. A EB pode ser determinada através de aparelho chamado de Bomba Calorimétrica ou Calorímetro. Neste aparelho há a oxidação de toda a matéria orgânica através de alta pressão de oxigênio (25 ATM) e o calor liberado é medido. Os valores médios encontrados na análise energética dos nutrientes são: carboidratos, 4,15 cal/g; Proteínas, 5,65 cal/g e Lipídeos, 9,40 cal/g. Parte da Energia Bruta consumida é eliminada através das fezes e a energia retida no organismo animal é denominada Energia Digestível. Devemos calcular esta perda e por diferença calcular o valor da Energia Digestível. Para isso, usamos as gaiolas de metabolismo. Os animais são confinados nestas gaiolas e as fezes são recolhidas. Sabendo-se o valor da Energia Bruta fornecida ao animal e posteriormente a Energia perdida nas fezes, calculamos a Energia Digestível. Uma parte da Energia Digestível é perdida através da urina. A fração retida no organismo após esta perda é denominada Energia Metabolizável. Sabendo-se o valor da Energia Digestível e da energia excretada através da Urina calculamos, por diferença, a Energia Metabolizável. Como nas aves as fezes são eliminadas junto com a urina costuma-se calcular nesta espécie a Energia Metabolizável. Em suínos pode-se calcular tanto ED como a EM. Atualmente as tabelas de composição dos alimentos trazem os valores energéticos em EM para as aves e ED e EM em suínos. O Incremento Calórico (IC) tem grande importância no planejamento da energia dos alimentos. Representa toda a perda de energia durante os processos de digestão, absorção e metabolismo dos nutrientes. Esta energia servirá, em parte, para a manutenção da temperatura corporal (Figura 13). FIGURA 13 – Partição da Energia Ingerida 9.2. Calorimetria Para a determinação do calor dos alimentos a serem fornecidos aos animais podemos usar dois métodos: calorimetria direta ou indireta. Para a calorimetria direta podemos usar uma câmara de respiração ou o calorímetro. Nos dois métodos a perda de energia é medida nas fezes, urina, gases e calor desprendido pelo corpo. Na calorimetria indireta usamos o método de realizar os balanços de Nitrogênio e Carbono assim como podemos utilizar aparelhos para medir as trocas gasosas. 9.3. Cálculo da Energia dos Alimentos Sabendo-se que os carboidratos fornecem 4,15 cal/g, as Proteínas fornecem 5,65 cal/g e os Lipídeos fornecem 9,40 cal/g, podemos calcular a quantidade de energia existente em determinados alimentos quando temos a sua composição nestes nutrientes. 9.3.1. Cálculo da Energia Bruta dos Alimentos A energia bruta dos alimentos pode ser obtida através de uma Bomba Calorimétrica ou realizando cálculos matemáticos. Ex: Sabendo-se que o alimento A possui a constituição expressa no Quadro 16, calcule a sua Energia Bruta. QUADRO 16 – Energia Bruta (EB) do alimento A determinada através de cálculos matemáticos Quantidade (g) Cal/g Energia Bruta (cal) Umidade 10,0 - - - Proteína Bruta 9,0 X 5,65 50,85 Extrato Etéreo 4,0 X 9,40 37,60 Fibra Bruta 5,0 X 4,15 20,70 Minerais 5,0 - - - Extrato não Nitrogenados 67,0 X 4,15 278,05 Total 100,0 - - 387,20 O Extrato Etéreo (EE) equivale aos Lipídeos. A Fibra Bruta (FB) e Extrato não Nitrogenado (ENN) são dos glicídios (carboidratos) Pelos cálculos contidos no Quadro 14, 100g do alimento A possui 387,20 cal de EB. 9.3.2. Cálculo da Energia Digestível dos Alimentos Sabe-se que a Energia Digestível é calculada subtraindo-se da Energia Bruta, a energia eliminada pelas fezes. Caso os coeficientes de digestibilidade sejam os expressos abaixo calcule o valor da Energia digestível do alimento A. PB = 85% EE = 90% FB = 5% ENN = 92% Com os coeficientes de digestibilidade apresentados acima podemos calcular a ED do alimento A (Quadro 17): QUADRO 17 – Energia Digestível (ED) do alimento A determinada através de cálculos matemáticos Quantidade (g) Digestibilidade (%) Fração Digestível (g) cal/g Total Umidade 10,0 - - - - - Proteína Bruta 9,0 85 7,65 X 5,65 43,23 Extrato Etéreo 4,0 90 3,60 X 9,40 33,84 Fibra Bruta 5,0 5 0,25 X 4,15 1,04 Minerais 5,0 - - - - - ENN 67,0 92 61,64 X 4,14 255,81 Total 100,0 - - - - 333,92 Conforme os cálculos matemáticos observados no Quadro 15 o alimento A apresenta 333,92 cal de ED em cada 100g. 9.3.3. Cálculo da Energia Metabolizável dos Alimentos As maiores perdas da Energia Digestível ocorrem através da urina. A perda urinária é fixa e é estimada em 1,25 cal/g de proteína (Quadro 18). QUADRO 18 – Energia Metabolizável (ED) do alimento A determinada através de cálculos matemáticos Quantidade (g) Digestibilidade (%) Fração Digestível (g) cal/g Total Umidade 10,0 - - - - - Proteína Bruta 9,0 85 7,65 X 4,40 33,66 Extrato Etéreo 4,0 90 3,60 X 9,40 33,84 Fibra Bruta 5,0 5 0,25 X 4,15 1,04 Minerais 5,0 - - - - - Extrato não Nitrogenados 67,0 92 61,64 X 4,14 255,81 Total 100,0 - - - - 324,35 Com a perda de 1,25 cal/g de Proteína o valor calórico Protéico cai de 5,65 para 4,40 cal/g. Conforme os cálculos matemáticos expostos no Quadro 16 o alimento A apresenta 324,35 cal de EM em cada 100g. 9.4. Importância da Energia nas Rações Existem diversas teorias que tentam explicar a regulação do consumo de alimento pelos animais. Uma delas é aquela que diz que o animal consome alimento em tal quantidade até que a necessidade energética seja satisfeita. Quando se aumenta o teor energético da ração o consumo de alimento diminui. A proporção entre os diversos nutrientes e a quantidade de energia fornecida aos animais deve ser observada, garantindo o consumo ideal de todos os nutrientes para manter a produção animal. O nível energético de ração para frangos de corte varia de 2800 a 3200 Kcal de Energia Metabolizável. O aumento no nível de energia metabolizável na ração de frangos de corte resulta em redução no consumo de alimento, melhoria no ganho de peso e na conversão alimentar. Este aumento resulta em aumento do teor de gordura na carcaça, efeito prejudicial à qualidade de carcaça destes animais (Figura 14). Figura 14 – Ganho de peso, Consumo de ração, Conversão Alimentar e Gordura na carcaça de frangos de corte submetidos a dietas com vários níveis de Energia Metabolizável. Rações formuladas para poedeiras comerciais possuem valores calóricos mais baixos que as de frangos de corte, variando de 2650 a 2750 Kcal de EM. Ração com alto nível calórico em poedeira resulta em maior deposição de gordura abdominal o que promove uma diminuição na postura, aumentando também a mortalidade (Quadro 19). QUADRO 19 – Efeito de rações de alta ebaixa energia sobre a produtividade e qualidade de ovos de poedeiras criadas em ambiente quente e frio. VARIÁVEIS AMBIENTE FRIO (18 ºC) Quente (29 ºC) Alta Baixa Alta Baixa Postura (%) 80,0 75,4 80,9 76,0 Peso do Ovo (g) 55,8 55,6 52,5 51,5 Peso da Casca (g) 5,76 5,48 5,08 4,76 Densidade do ovo (mg/cm2) 83,4 80,6 77,6 74,0 Unidade Haugh 82,5 80,7 82,1 82,9 O nível de energia da ração para suínos (Figura 15) varia de 3150 a 3550 Kcal de ED/Kg. O aumento do nível energético nas rações nas fases: inicial, crescimento e terminação de suínos resulta em redução no consumo (Figura 16) e melhoria na conversão alimentar. Nesta espécie ocorre também a maior deposição de gordura corporal. Para se obter uma carcaça de melhor qualidade, em suínos, costuma-se reduzir o fornecimento de energia nas últimas semanas de criação, resultando em melhor qualidade da carcaça. Figura 15 – Consumo de ração em função do nível de Energia Metabolizável em suínos 10. Vitaminas 10.1. Característica No início do estudo da Nutrição Animal, só eram conhecidos 3 grupos de nutrientes que eram considerados importantes para os animais: sacarina (carboidrato), óleos (lipídeos) e albuninóides (proteínas). Em 1912, Casimir Funk descobriu uma substância obtida do polimento do arroz (tiamina). Esta substância previnia o Beriberi e a Polineurite. A este elemento dietético orgânico essencial foi dado o nome de Vitamina – amina vital. Nesta época não havia equipamentos bioquímicos que pudessem isolar e descobrir a estrutura dessas substâncias. Desta forma os pesquisadores lhe atribuíram as letras do alfabeto, que ainda hoje são utilizadas. Sabe-se hoje que as Vitaminas representam um grupo de substâncias distintas quimicamente e exigidas em pequenas quantidades na dieta. Elas geralmente funcionam como catalisadores ou reguladores metabólicos. As Vitaminas não são usadas para a produção de energia nem entram nas rotas metabólicas para a produção de carboidratos. 10.2. Classificação das Vitaminas Com base em sua solubilidade as Vitaminas podem ser classificadas em dois diferentes grupos: Lipossolúveis e Hidrossolúveis. São chamadas de vitaminas Lipossolúveis aquelas solúveis em Lipídeos (Vitaminas A, D, E e K). São chamadas de Hidrossolúveis as Vitaminas solúveis em Água: Vitaminas do Complexo B (B1, B2, B6, B12, ácido fólico, ácido nicotínico, ácido pantotênico, biotina e colina) e Vitamina C. 10.3. Vitaminas Lipossolúveis 10.3.1. Vitamina A A - Característica A Vitamina A foi descrita inicialmente como um fator lipossolúvel necessário para o crescimento de animais que recebem dietas preparadas a partir de carboidratos purificados, proteínas e sais minerais. A vitamina A é um composto de cor amarelada devido ao caroteno. Os carotenóides são de origem vegetal e alguns deles apresentam atividade biológica. Todos os animais necessitam de uma fonte dietética de Vitamina A. Os vegetais possuem o precursor da Vitamina A ou seja, a Pró-Vitamina A, também chamada de Caroteno. Na mucosa intestinal e no fígado os monogástricos transformam o Caroteno em Vitamina A. Parte do Caroteno e Vitamina A são armazenados no Fígado e Tecido Adiposo. A absorção de Vitamina A é limitada e uma parte do Caroteno ingerido é destruída no Intestino Delgado. Quando há carência, os tecidos orgânicos convertem o Caroteno em Vitamina A. Para que esta destruição seja minimizada deve-se usar a Vitamina E, que funciona como antioxidante. As gorduras facilitam a absorção da Vitamina A e Caroteno. B – Fontes da Vitamina A As principais fontes de Vitamina A são os produtos de origem animal e vegetal (Quadro 20). QUADRO 20 – Principais fontes de Vitamina A FONTES VITAMINA A (UI/g) Óleo de fígado de baleia 400.000 Óleo de fígado de bacalhau 4.000 Manteiga 35 Queijo 14 Ovos 10 Leite 1,5 Como Pró-Vitamina A Alfafa desidratada (folhas) 530 Alfafa (feno) 150 Cenoura 120 Farinha de Glúten de milho amarelo (41%) 28 Milho Amarelo 8 FONTE: Scott et al. (1982) C – Funções da Vitamina A As vitaminas desempenham funções importantes no organismo. As lipossolúveis diferem fisiologicamente da hidrossolúveis por participarem da estrutura dos componentes orgânicos e por isso são chamadas de Vitaminas do Crescimento. Já as hidrossolúveis, com exceção da colina, participam do metabolismo intermediário na forma de coenzimas e são eliminadas rapidamente do organismo. Estas recebem a denominação de Vitaminas de Manutenção Orgânica. Processo da Visão Na retina encontramos um pigmento chamado Rodopsina, que é uma proteína conjugada. Esta proteína, na presença da luz, é transformada em Opsina e Retileno. Nesta reação é exigida a presença da Vitamina A. Na deficiência desta vitamina a formação da Rodopsina fica prejudicada, e esta carência se manifesta inicialmente pela falta de adaptação ao escuro e pode progredir até a cegueira noturna. A rodopsina é o receptor da luz para a visão. Manutenção da Integridade dos Epitélios A Vitamina A é indispensável para a manutenção do epitélio que recobre todos os canais, cavidades e áreas de exposição externa, atua diretamente na formação de mucopolissacarídeos. Formação Óssea Para a formação dos ossos os sais de cálcio são depositados em uma matriz de polissacarídeos que são sintetizados pela ação da Vitamina A. Reprodução Na reprodução, a Vitamina A atua na síntese de hormônios esteróides a partir do Colesterol orgânico nas gônadas, placenta e adrenais. Em caso de deficiência desta Vitamina ocorrem alterações histológicas dos órgãos reprodutivos de machos e de fêmeas, tornando as gônadas atrofiadas. Quando ocorre a fecundação poderá haver reabsorção fetal ou nascimento de leitões mal formados ou mortos. D - Sintomas de Deficiência Pintos de um dia recebendo ração deficiente de Vitamina A apresentam sintomas ao final da primeira semana de vida: anorexia, crescimento retardado, incoordenação motora, enfraquecimento geral, acúmulo de uratos nos ureteres e túbulos renais e aumento da mortalidade. Em suínos podem ser observados: diminuição dos níveis sanguíneos com elevação da pressão do fluido cerebroespinhal, redução da resistência a doenças, principalmente as ligadas ao aparelho respiratório. Pode haver incoordenação motora com paralisia dos membros posteriores, podendo evoluir para ataxia geral. Nos reprodutores ocorrem problemas reprodutivos. 10.3.2. Vitamina D A – Características Em 1922 descobriu-se que o Raquitismo era provocado pela deficiência de uma proteína. Esta recebeu o nome de Fator antiraquítico. O fator antiraquítico foi chamado de Vitamina D em 1925 por McCollum. Eles descobriram que o óleo de fígado de bacalhau possuía dois compostos ativos, a Vitamina A que era eliminada com o aquecimento do óleo e a atividade antiraquítica que era estável ao aquecimento. Existem basicamente dois tipos de Vitamina D, o ergocalciferol vegetal irradiado (D2) e o colecalciferol animal (D3). Os precursores das duas formas são respectivamente o ergosterol vegetal e o 7-dehidrocolesterol. Esses compostos quando submetidos a ação dos raios ultravioletas, modificam suas moléculas e se transformam em Vitamina D. A Vitamina D3 para ser metabolicamente ativa sofre transformações orgânicas no Fígado e Rins. Vários fatores são responsáveis pela ativação da Vitamina D3 e a soma desses fatores faz com que haja uma elevação rápida na concentração da Vitamina ativa na corrente sanguínea. A Vitamina D é necessária para o normal crescimento dos ossos. A quantidade de Vitamina D absorvida varia conforme a relação Ca:P na dieta e a espécie animal. A vitamina é armazenada no fígado, pulmões e rins. B – Fontes da Vitamina D Os produtos de origem animal e vegetal fornecem os precursores desta vitamina. Para que esta conversão seja realizada há a necessidadede exposição dos animais à irradiação ultravioleta do sol. C – Funções da Vitamina D Absorção de Cálcio no intestino delgado A Vitamina D3 ativa (1,25 dihidroxicolecalciferol) atua na mucosa do duodeno na síntese de uma proteína responsável pela absorção do cálcio no lúmen do intestino. O processo de absorção do Ca depende de energia e Sódio. As pesquisas têm demonstrado que a Vitamina D também está envolvida na absorção de Fósforo, no entanto este mecanismo ainda não está bem esclarecido. D – Sintomas de Deficiência A Vitamina D pode ser sintetizada na pele dos animais quando são expostos à luz ultravioleta do sol. Animais que são criados em confinamento necessitam da suplementação desta vitamina. Em Aves na fase de crescimento observamos ao final da 2ª ou 3ª semana de vida, redução do crescimento e raquitismo, ossos e bico tornam-se moles e dobráveis, observação de nódulos nas costelas que são denominados de rosário raquítico, redução da postura, produção de ovos de casca mole ou sem casca. Exame póst-mortem revela hipertrofia da glândula paratireóide e osteodistrofia com redução da substância mineral dos ossos. Em suínos podemos observar redução no crescimento, engrossamento e rigidez nas juntas com paralisia dos membros posteriores e osteomalácia em animais adultos com redução da resistência óssea e predisposição a fraturas. 10.3.3. Vitamina E A - Características A Vitamina E foi descrita pela primeira vez por Evans e Bishop (1922) ao relatarem deficiência reprodutiva em ratas alimentadas com dietas purificadas. O composto foi reconhecido como lipossolúvel e designado como Vitamina E. Os descobridores também sugeriram o nome de Tocoferol (toco = parto e ferol = sustentar ou carregar). Vitamina E e Tocoferol são termos utilizados para designar um grupo de compostos estruturalmente relacionados. O Tocoferol natural ou livre é facilmente oxidado e essa oxidação é acelerada pela presença de cobre ou ferro. Sabe-se que a Vitamina E é um fator essencial para a reprodução e que foi designada por algum tempo como vitamina anti-esterilidade e vitamina da fertilidade. Existem várias formas de Tocoferol encontradas na fração lipídica de vegetais com atividade de Vitamina E. A forma de alfa-Tocoferol é a mais importante nutricionalmente. O conteúdo de Vitamina E nas plantas é prejudicado pelo tempo de armazenamento dos alimentos, sofrendo alterações químicas e perda de sua atividade. A absorção de Vitamina E está relacionada com a digestão das gorduras, sendo facilitada pela Bile e Lipase Pancreática. A vitamina é hidrolisada na parede intestinal sendo absorvida e transportada por lipoproteínas transportadoras para a circulação geral. Ela pode ser armazenada principalmente no Fígado e Tecido Adiposo, podendo ser mobilizada para a manutenção dos níveis sanguíneos normais. No interior das células a Vitamina E pode ser encontrada nas Mitocôndrias e Membrana dos Microssomas. B – Fontes de Vitamina E As principais fontes de Vitamina E são: cereais integrais, forragens verdes e outros materiais fibrosos, gérmen de trigo, óleo de soja, de amendoim e de algodão. C – Funções da Vitamina E A Vitamina E atua no metabolismo dos carboidratos, na creatinina, no metabolismo muscular e na regulação das reservas de glicogênio, controla o desenvolvimento e a função das glândulas, prepara e protege a gestação, regulando o metabolismo hormonal através da Hipófise. Estimula a formação de anticorpos e possui efeito antitóxico metabolismo celular. Esta vitamina funciona também como antioxidante biológico. Como antioxidante celular a Vitamina E intervém na estabilização dos ácidos graxos poliinsaturados, fração lipídica das membranas celulares, evitando a formação de lesões nos vasos sanguíneos e alterações na permeabilidade capilar, exercendo atividade de proteção à membrana eritrocítica, através da resistência ao peróxido de hidrogênio (agente hemolítico). A desintegração oxidativa da Vitamina A no organismo animal pode ser protegida pela ação antioxidante da Vitamina E, melhorando seu aproveitamento e armazenamento orgânico. D – Inter-relação com o Selênio A vitamina E e o Selênio são compostos na manutenção da integridade das membranas celulares. Porém, enquanto a Vitamina E evita a peroxidação dos tecidos, o Selênio ativa a enzima Glutamina peroxidase, que destrói os peróxidos formados. Desta forma, comprova-se que o Selênio pode servir como fator de economia de Vitamina E no metabolismo. E – Sintomas de Deficiência Entre as vitaminas nutricionalmente importantes, a Vitamina E é a mais susceptível à destruição pela oxidação. Esta deve ser uma preocupação na formação de rações para suínos e aves. As vitaminas lipossolúveis devem ser adicionadas à ração, principalmente de frango de corte, em nível bem superior às exigências teóricas, sob pena de não alcançar os resultados de desempenho esperado. Os problemas de deficiência de Vitaminas são verificados com frequência no período de calor, o que leva a concluir a ocorrência de grandes perdas durante o armazenamento destas rações, já que a presença de íons metálicos, associados à umidade e condições inadequadas de armazenamento levam à destruição desta Vitamina. A pobreza em Selênio dos solos brasileiros é um fato que leva a pensar nesta deficiência. Em aves observamos os seguintes sintomas: Encefalomalácia Nutricional (ataxia, curvamento do pescoço, incoordenação motora, contrações e relaxamento rápido das pernas, prostação e morte – sintomas aparecem de 2 a 4 semanas de idade), Diátese Exudativa (formação de edemas com conteúdo parecido com o plasma sanguíneo em aves de 3 a 6 semanas de idade, coloração azulada na região do pescoço com degeneração dos músculos e pequenas hemorragias nas articulações, podendo haver edema peitoral), Distrofia Muscular Nutricional (problemas principalmente no músculo do peito às 4 semanas de idade, com degeneração muscular e pode ocorrer erosão da moela) e Problemas Reprodutivos (juntamente com a deficiência de Selênio há redução na eclosão de ovos e degeneração testicular em machos, afetando o desempenho reprodutivo). Em suínos podemos observar: Distrofia Muscular Nutricional (andar rígido, postura anormal, decúbito prolongado ou permanente e as fibras musculares se degeneram tornando-se hemorrágicas), Hepatose Dietética (ocorre de 3 a 4 meses levando a alta mortalidade, observa-se dispnéia, cianose do conduto auditivo, vômitos, sonolência e inapetência, na necrópsia observamos hipertrofia hepática e lóbulos hepáticos com aspecto de mosaico) e Microangiopatia Dietética (ocorre com maior frequência em suínos com 12 a 16 semanas de idade que consomem ração deficiente de Vitamina E ou Selênio), dispnéia intensa, cianose nas orelhas, apatia, manchas azuis-avermelhadas na pele e morte súbita, à necrópsia observamos hemorragia no miocárdio, edema pulmonar, congestão venosa, edema do trato gastrointestinal, parede abdominal e presença de transudato. 10.3.4. Vitamina K A - Características A Vitamina K é conhecida também como anti-hemorrágica e exerce um papel importante na coagulação sanguínea através da regulação e manutenção da formação de protrombina. O nome da Vitamina K está ligado à palavra coagulação. Sua ausência ou nível baixo no sangue leva ao aumento do tempo de coagulação pela diminuição do nível de protrombina. As principais causas do aumento do tempo de coagulação sanguíneo são a baixa nutrição em Vitamina K ou o seu baixo aproveitamento pelo organismo. Não se sabe se a Vitamina K catalisa a síntese de protrombina ou é a precursora desta. Os ruminantes sintetizam esta vitamina através dos microorganismos do rúmen. Os microorganismos existentes no intestino grosso (ceco) dos monogástricos também têm capacidade para sua síntese. Existem três grupos de substâncias com atividade anti-hemorrágica. São as séries de filoquinonas (plantas), série das menaquinonas (produzida pelas bactérias do aparelho digestivo) e a série menadionas(formas sintéticas), com atividades de Vitamina K. As menadionas são usadas para a suplementação de rações. A molécula não é completa, no entanto no fígado ocorre a adição da cadeia carbônica necessária. B – Fontes da Vitamina K As principais fontes vegetais são o material verde folhoso, fresco ou fenado. Nos animais destacamos o fígado, os ovos e a farinha de peixe. C – Funções da Vitamina K Esta vitamina atua no mecanismo da coagulação sangüínea em vários passos metabólicos, sendo Vitamina K responsável pela biossíntese de protrombina, proconvertim e tromboplastina plasmática e atua no transporte do elétron e fosforilação oxidativa. D – Fatores Anti-Vitamina K Há uma série de substâncias com estrutura semelhante à Vitamina K e que ocupam sua posição, mas não exercem sua função. Podemos citar a sulfaquinoxacilina, warfarina, dicumarol e a actinomicina D. São compostos que impedem a coagulação sanguínea, provocam hemorragia e levam à morte do animal. A warfarina é utilizada como vampiricida e o dicumarol como veneno para ratos. E – Sintomas de Deficiência Em aves os sintomas resumem-se a pontos hemorrágicos na pele, sangramento excessivo devido a lesões e crista pálida. Aves criadas em contato com a cama dificilmente terão esta deficiência, pois as fezes são ricas nesta vitamina que é produzida no intestino grosso e não é absorvida pelo trato digestivo. Aves criadas em gaiolas podem apresentar sintomas de deficiência e precisam da suplementação. Os suínos apresentam sintomas parecidos com os das aves onde as lesões levam à hemorragia que podem provocar anemia e baixo desempenho dos animais. Leitões devem receber suplementação desta vitamina logo após a desmama, pois alguns distúrbios digestivos podem se aliar a hemorragias do trato digestivo que levam à morte dos animais. 10.4. Vitaminas Hidrossolúveis FIGURA 16 – Atuação das vitaminas hidrossolúveis no metabolismo. As Vitaminas Hidrossolúveis compreendem as do Complexo B e a Vitamina C. Ao contrário das Lipossolúveis estas não são armazenadas no organismo e participam como cofatores enzimáticos em diversas reações do metabolismo orgânico. A Figura 16 evidencia a importância das vitaminas hidrossolúveis no metabolismo de carboidratos, gorduras e proteínas. 10.4.1. Vitamina B1 – Tiamina A – Características O Beriberi, agora identificado como deficiência de Tiamina foi descrito na literatura chinesa há muitos séculos. Eijkman (1897) descobriu que o consumo de arroz polido era responsável pela Polineurite em aves e beriberi nos homens. A Tiamina é solúvel em água e facilmente destruída pelo calor. A sua fórmula estrutural foi estabelecida por volta dos anos 30 por Williams. B – Fontes de Tiamina As principais fontes vegetais são a levedura de cerveja e cereais integrais. Nos animais a carne de porco magra, fígado, rins e gema de ovo são importantes fontes. C – Funções da Tiamina Atua de forma decisiva no metabolismo de carboidratos como coenzima. A sua suplementação na ração de aves e suínos torna-se imprescindível, já que tais rações possuem altos teores de carboidratos. Além de sua função como coenzima, atua no funcionamento normal do tecido nervoso e músculo cardíaco. Existem algumas substâncias com função anti-tiamina, pois bloqueiam a ação desta vitamina, como é o caso do Amprólium (coccidiostático) utilizado na ração de frangos de corte como anticoccidiano. Quando este medicamento é usado como preventivo da coccidiose em aves, recomenda-se aumentar a suplementação desta vitamina nas rações. A Tiamina é essencial ao crescimento e em várias funções fisiológicas e apresenta propriedades anti-neuríticas. Ela pode ser assimilada no Intestino Delgado e no Grosso e é levada ao fígado para desdobramento. O excesso é eliminado pela urina já que esta vitamina não pode ser armazenada no organismo. Os ruminantes sintetizam a Tiamina no Rúmen e esta vitamina não se constitui um nutriente dietético essencial para estas espécies animais. Os monogástricos sintetizam a Tiamina no Intestino Grosso, mas esta não é aproveitada pois a sua absorção não é realizada neste segmento do aparelho digestivo. Os animais que realizam a coprofagia (ingestão de fezes) recuperam a Vitamina que foi eliminada. D – Sintomas de Deficiência Em aves podemos observar atraso no crescimento, anorexia, polineurite e decréscimo na taxa respiratória. Em suínos encontramos atraso no crescimento, cianose (cor azulada na pele devido à falta de oxigenação no sangue) e à necrópsia o coração se apresenta dilatado com alterações cardíacas. 10.4.2. Vitamina B2 – Riboflavina A – Características A descoberta da Riboflavina originou-se de três áreas de pesquisa. Ela era o componente estável ao calor do Complexo B hidrossolúvel que constituía a primeira área. Uma Segunda área foi o estudo de uma enzima respiratória (enzima amarela velha) que requeria a Riboflavina como cofator. A terceira área foi o estudo de fluorescência de produtos naturais. B – Fontes de Riboflavina As principais fontes desta vitamina são o fígado, o leite e as folhas verdes. C – Funções da Riboflavina Exerce papel importante nas reações de redução e oxidação do metabolismo intermediário. É de coloração amarela (forma reduzida) o que a torna incolor após a oxidação. Faz parte de diversos sistemas enzimáticos e atuam principalmente na cadeia respiratória. D – Sintomas de Deficiência Em aves é observada diarréia, retardamento no crescimento, paralisia dos dedos curvos e índice de mortalidade no meio do período de incubação. Nos suínos verifica-se crescimento retardado, problemas reprodutivos, distúrbios no trato digestivo, dermatite escamosa e visão prejudicada (catarata e opacidade do cristalino). 10.4.3. Vitamina B6 A - Características Em 1934, Georgy definiu a atividade da Vitamina B6 responsável pela cura de uma dermatite observada em ratos. Ela foi descrita como uma base nitrogenada em 1936. Dentro de dois anos o composto foi isolado por vários laboratórios. A estrutura química foi proposta e verificada por síntese em 1939. Três formas biologicamente ativas estão identificadas: piridoxol, piridoxal e piridoxamina. As duas primeiras formas podem ser encontradas na corrente sangüínea. As três formas podem ser encontradas nos demais tecidos. B – Fontes de Vitamina B6 As principais fontes desta vitamina são os alimentos naturais como fígado, músculo, leite e cereais. C – Funções da Vitamina B6 Esta vitamina desempenha papel importante nas reações de trasaminação, descarboxilação, reaminação e transporte de aminoácidos através da membrana celular. O piridoxal pode ser fosforilado gerando um produto energético que atua como cofator em diversas reações orgânicas. D – Sintomas de Deficiência A carência de Vitamina B6 produz manifestações nervosas e de pele. Em aves que recebem alimentação deficiente de vitamina B6 podemos observar crescimento retardado, convulsões, perda rápida de peso e edema de pálpebras. Em suínos os sintomas são parecidos podendo ocorrer convulsões, crescimento retardado, distúrbios no trato digestivo e dermatite em torno dos olhos e focinho. 10.4.4. Vitamina B12 A – Características Também conhecida como Cianocobalamina foi descoberta a partir do estudo da anemia. Em nutrição animal também pode ser chamada de Fator Proteínico Animal ou Fator de Crescimento de Pintos. Esta vitamina é essencial metabólico para todas as espécies animais. O estudo da anemia perniciosa no homem foi a principal área de pesquisa que levou a descoberta da vitamina B12. Foi verificado em 1926 por Minot e Murphy que o consumo de fígado era eficaz no tratamento de anemia perniciosa. Castle e colaboradores (1930) levantaram a possibilidade de que a cura da doença devia-se a uma combinação de um fator intrínseco produzido pelo estômago e um fator extrínseco dietético. B – Fontes de Vitamina B12 As fontes de vitamina B12 são os produtos de origemanimal. Os produtos de origem vegetal não apresentam concentração desta vitamina. Como a Vitamina B12 não está presente nos vegetais, as dietas preparadas à base de POV devem ser suplementadas. C – Funções da Vitamina B12 Esta Vitamina exerce um papel importante na formação normal do sangue, no crescimento, nos processos metabólicos, principalmente ligados à proteínas. Ela difere das demais no processo de absorção no intestino delgado. Para que ocorra sua absorção há a necessidade da produção de um fator intrínseco (IF) na mucosa gástrica, que se liga à Vitamina B12 na proporção de 1:1, sendo a absorção realizada no Intestino Delgado, mais precisamente no Íleo. A Vitamina B12 também participa de diversos passos metabólicos na formação da Coenzima B12. Sua excreção ocorre no Fígado através da Bile. Quando a absorção desta vitamina é pouca ocorre um mecanismo de reabsorção muito eficiente para prevenir a perda através da Bile. Não é necessário ser acrescida na alimentação de ruminantes adultos já que ocorre a sua síntese no rúmen. Para ruminantes jovens esta vitamina é um dietético essencial, pois o rúmen ainda não a está produzindo. Em ruminantes uma deficiência de cobalto leva a uma deficiência de Vitamina B12 caracterizada por anorexia (falta de apetite), crescimento retardado e anemia. D – Sintomas de Deficiência Em aves, a deficiência de Vitamina B12 pode ser caracterizada por crescimento retardado já que há redução na síntese protéica, redução na eficiência de utilização dos alimentos, alta mortalidade, redução na fertilidade dos ovos, perose (curvamento do tendão de Aquiles) e encurtamento do bico. Em suínos observamos crescimento retardado, pelos eriçados, anemia e redução no tamanho da leitegada. 10.4.5. Niacina A – Características A Niacina pode também ser chamada de Ácido Nicotínico e foi preparada quimicamente pela oxidação da Nicotina com Ácido Nicotínico em 1867 por Hubner. Ela está presente em todas as células sob a forma de Nicotinamida ou Ácido Nicotínico. A Nicotinamida é a forma mais encontrada no organismo dos animais enquanto o Ácido Nicotínico prevalece nos alimentos de origem animal. B – Fontes de Niacina As forragens verdes, leveduras e fontes protéicas de origem animal e vegetal são ricas nesta vitamina. No entanto, o milho, o centeio e os produtos lácteos são pobres em Niacina. Além dos cereais apresentarem baixa concentração de Niacina, a sua disponibilidade para os animais é baixa. C – Funções da Niacina Metabolicamente o Ácido Nicotínico participa da molécula de duas coenzimas altamente importantes no metabolismo intermediário, que são o NAD (nicotinamida-adenina-dinucleotídeo) e o NADP (nicotinamida-adenina-dinucleotídeo-fosfato). Estas duas coenzimas são os mais importantes redutores biológicos que atuam em diversas reações metabólicas: Metabolismo dos Carboidratos (oxidação aeróbica da glicose e Ciclo de Krebs) Metabolismo dos Lipídeos (síntese e degradação do glicerol e de ácidos graxos, síntese de esteróides e oxidação de unidades de 2 carbonos via Ciclo de Krebs). Metabolismo de Proteínas (Síntese e catabolismo de aminoácidos e oxidação de cadeias carbônicas via Ciclo de Krebs). Síntese de Rodopsina (Conversão da forma alcoólica do Retinol em aldeído, o Retinal). D – Sintomas de Deficiência Em aves, a deficiência de Niacina provoca engrossamento das juntas, curvamento das pernas semelhante à Perose, no entanto não há deslocamento do Tendão de Aquiles, retardamento do crescimento, língua preta (mais comum em cães) e estomatite (inflamação da boca). Em suínos podemos observar baixo ritmo de crescimento, dermatite e problemas digestivos. 10.4.6. Biotina A – Características A Biotina também pode ser chamada de Vitamina H. A descoberta da Biotina resultou de três linhas de pesquisa envolvendo um fator de crescimento de levedura (coenzima R), a toxicidade associada à administração de clara de ovo crua (Vitamina H) e um segundo fator de crescimento para levedura isolado da gema do ovo dessecada (Biotina). Em 1940 os três fatores foram identificados como o mesmo composto e, em 1942 du-Vigneaud caracterizou a Biotina e publicou a sua estrutura. B – Fontes de Biotina A Biotina ocorre na natureza na forma de d-Biotina e é encontrada tanto em POA como em POV. Os cereais normalmente são pobres nesta vitamina, no entanto o milho apresenta conteúdo importante nesta vitamina e com boa disponibilidade. A raspa integral de mandioca é isenta desta vitamina. C – Funções da Biotina No metabolismo a Biotina é um componente essencial de sistemas enzimáticos específicos envolvidos nas reações que envolvem lipídeos e carboidratos, principalmente. As principais reações em que a Biotina está atuante são as que envolvem a fixação de CO2 (carboxilações): Síntese do Ácido Oxálico a partir do Piruvato Síntese do Malonil CoA, substrato inicial para a síntese de gordura Síntese de Carbamil-fosfato, importante substrato no ciclo da Uréia A sua presença também é necessária para: o funcionamento normal das glândulas adrenais, tireoide, o aparelho reprodutor e a pele. D – Sintomas de Deficiência A deficiência de Biotina em aves é caracterizada pelo aparecimento de dermatite, semelhante a que ocorre em deficiência de Ácido Pantotênico, ocorrendo por volta da 3ª semana de vida. Observa-se também deformação óssea, inclusive encurtamento e curvamento dos ossos das pernas e das asas nos embriões, deformação do crânio, bico parecido com o de papagaio e membranas entre os dedos dos pés. Em suínos observamos dermatite nas orelhas, pescoço e dorso, lesões dérmicas, perda excessiva de pelos e fissura nas patas, crescimento lento e baixa reprodução e espasmos nas pernas traseiras. 10.4.7. Ácido Pantotênico A – Características O Ácido Pantotênico também é chamado de fator antidermatite em pintos ou Vitamina B3. O isolamento do Ácido Pantotênico foi obtido graças ao trabalho de três grupos de pesquisa. Williams e colaboradores estavam avaliando nutrientes essenciais para leveduras, Snell e colaboradores estavam estudando os nutrientes essenciais para bactérias do ácido lático e Woolley e colaboradores estavam investigando o fator antidermatite em pintos presente no componente estável ao calor do Complexo B. B – Fontes de Ácido Pantotênico O Ácido Pantotênico está contido na maioria dos alimentos, com exceção da mandioca. Os produtos lácteos, os farelos de oleaginosas, os resíduos de destilaria e a farinha de alfafa são ricos nesta vitamina. C – Funções do Ácido Pantotênico O Ácido Pantotênico é o substrato para a biossíntese da Coenzima A, que participa de vários processos metabólicos envolvendo os carboidratos, as gorduras e as proteínas. Além disso, é indispensável para o funcionamento normal da pele e das mucosas, pigmentação do pêlo e a resistência do organismo contra infecções e na formação de anticorpos. D – Sintomas de Deficiência Na deficiência desta vitamina as aves podem apresentar retardamento do crescimento, lesões nos ângulos do bico, nas pálpebras e nos pés, mortalidade geralmente tardia, hemorragia subcutânea e empenamento anormal nos embriões e baixo índice de eclosão dos ovos. Em suínos observamos incoordenação muscular com pouca ou sem curvatura nas articulações das pernas (conhecida como passo de ganso), exsudato de cor castanha ao redor dos olhos, distúrbios do aparelho digestivo e glândula adrenal, problemas reprodutivos e anemia. 10.4.8. Ácido Fólico A – Características O Ácido Fólico é também chamado de fator antianemia, vitamina Bc e Ácido Peteroilmonoglutâmico. Vários fatores que eram estimulantes do crescimento para microorganismos e frangos e evitavam anemia em macacos e frangos eventualmente demonstraram ser uma forma de Ácido Fólico. B – Fontes de Ácido Fólico O Ácido Fólico pode ser encontrado em farinhas de origem animal na forma biodisponível. As plantas possuem esta vitaminaporem, na forma indisponível para os animais. C - Funções do Ácido Fólico Metabolicamente o Ácido Fólico toma parte nas reações de síntese das bases orgânicas (purina e pirimidina), síntese protéica e síntese do aminoácido Serina (este pode ser formado a partir do aminoácido Glicina). D – Sintomas de Deficiência Em aves a deficiência de Ácido Fólico provoca os seguintes sintomas: retardamento no crescimento, empenamento pobre, anemia, perose, alta mortalidade no final do período de incubação, curvatura do osso tibio-tarso dos embriões e aparecimento de membrana entre os dedos dos pés. Em suínos podemos observar atraso no crescimento, anemia, problemas reprodutivos e problemas de lactação em porcas. 10.4.9. Colina A – Características A Colina é também chamada de Vitamina B4 e foi isolada pela primeira vez da Bile de suínos em 1849 por Strecker. Foi descoberto que a prevenção para a enfermidade do Fígado Gorduroso se faz através da Colina, pois esta faz parte da molécula de Lecitina. A classificação da Colina como vitamina é questionável pois ela é necessária em quantidades maiores do que as outras vitaminas. É um componente dos fosfolipídeos (na forma de Lecitina) e é um neurotransmissor (Acetilcolina). A Colina pode ser sintetizada pelo organismo na presença de adequada de fosfatidil-serina e Metionina. Rações com excesso de Metionina podem dispensar a inclusão de Colina na dieta. B – Fontes de Colina É encontrada em praticamente todos os ingredientes utilizados para a elaboração de rações para aves e suínos. As fontes protéicas de origem animal são ricas nesta vitamina. C – Funções da Colina A Colina é produzida normalmente no organismo dos animais a partir do Aminoácido Serina, Ácido Fólico e Vitamina B6. A Metionina participa da formação da Colina a partir da doação de grupos Metílicos. Rações com baixo nível de proteína e/ou Metionina podem afetar às exigências de Colina. Como papel Bioquímico a Colina participa da síntese de Lecitina, Esfingomielina e Acetilcolina. A Lecitina participa da absorção e transporte de gordura do fígado e da posterior mobilização e transporte da gordura hepática, participa das membranas celulares e partículas subcelulares. A Esfingomielina participa no metabolismo nervoso e a Acetilcolina é a substância mediadora da atividade nervosa. D – Sintomas de Deficiência A Deficiência de Colina em aves pode resultar na ocorrência de Fígado Gorduroso e Perose. Rações deficientes de Colina levam a problemas de mobilização da gordura hepática pela redução das lipoproteínas transportadoras, ricas em Lecitina, que contém Colina. O acúmulo de gordura hepática pode chegar a 30% sendo que, em condições normais, este valor não ultrapassa a 5%. A Perose é caracterizada pelo aparecimento de pontos hemorrágicos e uma leve inchação das articulações das patas. Com a evolução da deficiência as articulações se achatam e ocorre o deslocamento do Tendão de Aquiles. Em suínos os principais sintomas são: membros traseiros abertos nos leitões recém-nascidos, infiltração gordurosa no fígado, rigidez das juntas (particularmente das paletas), baixa sobrevivência dos leitões e peso anormal à desmama. 10.4.10. Vitamina C A – Características A Vitamina C é também conhecida como Ácido Ascórbico. Este nome vem da doença conhecida como Escorbuto. O escorbuto é uma condição causada pelo consumo inadequado de Ácido Ascórbico (Vitamina C) e é conhecido há muitos séculos. Ocorreu epidemicamente durante guerras, épocas de carestia ou viagens longas, quando havia falta de frutas e verduras. O Ácido Ascórbico foi isolado por Waugh e King em 1932 e demonstrou prevenir o escorbuto. B – Fontes de Vitamina C A Vitamina C é sintetizada pela maioria das plantas e por todos os mamíferos (exceto homem e porquinho da Índia). As aves também sintetizam o Ácido Ascórbico, salvo em caso de estresse. C – Funções da Vitamina C Metabolicamente o Ácido Ascórbico desempenha diversas funções bioquímicas: Metabolismo dos Aminoácidos Aromáticos; Agente redutor da enzima que mantém o Ferro na forma Ferrosa; Liberação do Ferro da molécula Transferrina; Transporte de Elétrons. D – Sintomas de Deficiência Em condições normais as aves conseguem sintetizar toda a Vitamina C necessária às suas funções biológicas, a partir da Glicose 1-fosfato. No entanto, em condições de estresse principalmente provocado pelo calor ambiental, há a necessidade de suplementação, por haver um bloqueio no sistema enzimático envolvido na biossíntese desta vitamina. Os suínos, de uma maneira geral, sintetizam todas as vitaminas que necessitam. Somente leitões até 6 semanas de idade necessitam de suplementação na ração. A partir desta idade conseguem sintetizar, dispensando a suplementação. 11. MINERAIS Os minerais constituem parte importante do organismo animal. Assim, representam de 3 a 4% do peso vivo das aves e 2,8 a 3,2% do peso vivo dos suínos. O termo mineral usa-se para indicar-se que elementos químicos inorgânicos, encontrados em todos os animais e plantas, em proporções variáveis, têm participação ativa em várias reações enzimáticas e são constituintes estruturais de órgãos e tecidos e estão presentes nos fluídos corporais. Atualmente, acredita-se que aproximadamente 25 elementos são essenciais para as formas superiores de vida. Desta forma são designados como Macrominerais e Microminerais (ou elementos traços), de acordo com a quantidade em que são encontrados no organismo. 11.1. Principais Funções dos Minerais Participação no tecido conjuntivo; Manutenção da homeostase dos tecidos orgânicos; Manutenção do equilíbrio dos fluidos orgânicos; Ativação das reações bioquímicas através da ativação de sistemas enzimáticos; Efeito direto e indireto sobre as funções das glândulas endócrinas; Efeitos sobre a microbiota simbiótica do trato gastrointestinal; e Participação do processo de absorção e transporte de nutrientes no organismo. 11.2. Classificação dos Minerais Os minerais podem ser classificados atendendo às suas necessidades orgânicas em Macrominerais e Microminerais. São classificados como Macrominerais os seguintes elementos: Na, P, Ca, Cl, K, Mg e S. São classificados como Microminerais os seguintes elementos: Fe, I, Cu, F, Mn, Zn, Co, Se e Mo. Outros pesquisadores distribuem os Minerais em três grupos: Macroelementos, Microelementos e Elementos Traços (Quadro 21). QUADRO 21 – Classificação nos Minerais segundo às necessidades orgânicas Elementos Classificação Ca, P, K, Na, S, Cl, Mg Macroelementos Fe, Zn, F, Sr, Mo, Cu, Ba, Si, Cs, I, Mn, Al, Pb, Cd, B, Rb Microelementos Se, Co, V, Cr, As, Ni, Li, Ba, Ti, Ag, Sn, Be, Ga, Ge, Hg, Sc, Zr, Bi, Sb, U, Th, Rh Traços Outros pesquisadores classificam os minerais de acordo com sua essenciabilidade para o metabolismo animal (Quadro 22). QUADRO 22 – Classificação dos minerais segundo sua função Elementos Essenciais Provavelmente Essenciais Elementos de Função Incerta Cálcio Flúor Lítio Fósforo Silício Berílium Potássio Titânio Boro Cloro Vanádio Escândio Sódio Cromo Alumínio Zinco Níquel Gálio Molibdênio Arsênico Germânio Selênio Bromo Rubídio Enxofre Estrôncio Zircônio Magnésio Cádmio Prata Ferro Chumbo Cobre Antimônio Cobalto Césio Manganês Bário Iodo Mercúrio Rádio Urânio Tório Bismuto Para se considerar um elemento mineral como essencial ao organismo, o mesmo deve cumprir os seguintes requisitos: Estar presente em concentrações razoavelmente constantes nos tecidos sadios de todos os animais, havendo pouca variação de um animal para outro. Sua deficiência na dieta deve ter como resultado o aparecimento de anormalidades estruturais ou fisiológicas. A suplementação do elemento a esta dieta deficiente,deve evitar o desenvolvimento das anormalidades ou recuperar o animal. As anormalidades produzidas pela deficiência devem ser acompanhadas de mudanças bioquímicas específicas que cessam ao desaparecer a deficiência. Os elementos minerais presentes nas células e tecidos do organismo animal encontram-se formando diversas combinações bioquímicas funcionais e segundo concentrações características que variam com o elemento e o tecido, realizam três tipos de funções características: Como constituinte estrutural de órgãos e tecidos corporais (como Ca, P, Mg e F em ossos e dentes e P e S nas proteínas musculares). Como componentes dos fluídos corporais na manutenção da pressão osmótica, do equilíbrio ácido-base, permeabilidade das membranas, principalmente Na, K, Cl, Ca e Mg. Como catalisadores ou componentes em sistemas enzimáticos e hormonais como o Fe, Zn, I e outros. 11.3. Cálcio e Fósforo A – Características Estes elementos estão estreitamente relacionados no metabolismo orgânico. A carência de um limita a absorção do outro. Participam particularmente na formação dos ossos, constituindo 70% dos elementos minerais encontrados no organismo animal. Desta forma, 95% do Ca e 80% do P são encontrados nos ossos e dentes. O restante está distribuído nos tecidos moles desempenhando funções específicas no metabolismo orgânico. A nutrição adequada de Ca e P depende: da ingestão suficiente de cada um deles; da proporção racional entre os dois; e Presença da Vitamina D. As células do sangue são pobres em Ca e P, no entanto o Ca atua também na coagulação do sangue. O Ca e P não aproveitados pelo organismo são eliminados através da urina e fezes. A quantidade destes minerais nos vegetais varia com a composição do solo. B – Funções do Cálcio Essencial para a formação e manutenção óssea; Essencial para secreção do leite; Essencial para a contração muscular (nas fibras do músculo os íons de Ca se ligam à Troponina nas miofibrilas que permitem a ligação da actina com a miosina); Regulação dos batimentos cardíacos; Essencial na transmissão de estímulos nervosos e excitabilidade neuro-muscular; Ativador de enzimas; Essencial para a produção da casca do ovo; Participa na coagulação sangüínea (formação da trombina a partir da protrombina). C – Fatores que afetam a utilização do Ca alimentar Adequado nível de Ca e P na ração; Nível de Vitamina C; Biodisponibilidade na Ração; Idade do animal (jovens são mais eficientes); pH do intestino (a acidez favorece sua absorção). D – Hormônios responsáveis pelo Equilíbrio de Ca no Sangue O tecido ósseo encontra-se em processo constante de sedimentação e reabsorção de cálcio e fósforo, mantendo, desta forma, o equilíbrio sérico. Os animais jovens apresentam um melhor equilíbrio de sedimentação. Nos adultos há uma tendência de maior remoção óssea. Estrogênio – As aves de postura preparam os níveis sanguíneos de cálcio para o início da produção. A elevação do nível de Estrogênio no sangue das frangas no início da postura é acompanhada pelo aumento do nível sérico de cálcio para a formação da casca do ovo. Desta forma as necessidades dietéticas de Ca passam de 0,9% durante a fase de recria de frangas para aproximadamente 3,6% no período de postura. Paratormônio – Este hormônio é produzido pela glândula Paratireóide e atua reduzindo a excreção de Ca e P pelos rins estimula a reabsorção óssea, com a finalidade de elevar os níveis sanguíneos destes elementos. Calcitonina – Atua em “feedback” negativo com o Paratormônio, aumentando a eliminação de Ca e P pelos rins, estimulando a sedimentação óssea, ativando os osteoblastos e reduz a absorção intestinal. E – Exigência de Ca para a Formação da Casca do Ovo A casca do ovo é representada basicamente por Carbonato de Cálcio (CaCO3) e representa de 9,5 a 10,5% do peso do ovo. Assim, um ovo médio que pesa cerca de 56g possui cerca de 6,6g de Ca. Como a casca do ovo possui 39% de Cálcio este terá cerca de 2,2g de Cálcio. As poedeiras consomem ração por 18 horas diárias. Considerando-se que um ovo normal apresenta de 2 a 2,2g de Ca e a taxa de absorção deste elemento é cerca de 100mg/hora, durante as 24 horas deveria absorver 2,4g, para atender às necessidades para a formação da casca. O estresse calórico em poedeiras prejudica a formação normal da casca do ovo por afetar a fisiologia da ave em diversos aspectos. Em climas quentes as aves tendem a aumentar sua taxa respiratória, tentando eliminar o calor corporal. Com a eliminação do calor que é realizado através da respiração, também é perdido o Carbono na forma de CO2. O Carbono eliminado deixará o organismo com deficiência neste mineral e a formação do Carbonato de Cálcio, que é o elemento principal para a formação da casca, não se encontrará em quantidade esperada. Neste caso se observa a postura de ovos com casca mole ou sem casca. Em condições normais de ambiente, a ave consegue sintetizar todo o Ácido Ascórbico necessário às suas exigências. Porém em altas temperaturas esta síntese se torna prejudicada havendo a necessidade de suplementação desta Vitamina na ração. Altas temperaturas levam as aves a consumirem grande quantidade de água e redução no consumo de alimento. Com a menor ingestão de alimento haverá a diminuição na produção de ovos. Com a maior ingestão de água haverá uma maior taxa de passagem dos alimentos pelo trato digestivo, prejudicando ainda mais a absorção dos nutrientes ingeridos, principalmente do Ca. F – Fontes de Cálcio Para a alimentação de animais as três principais fontes de Ca são: Calcário Calcítico, Fosfato Bicálcico, Farinha de Ostras e Farinha de Carne e Ossos. Atualmente a fonte mais usada é o Calcário Calcítico que apresenta cerca 35% de Ca, dependendo do fabricante e do local que foi extraído. Vale lembrar que não se está recomendando atualmente a utilização de Farinha de Ossos ou de Carne e Ossos para a alimentação de ruminantes, devido a ocorrência da Doença da Vaca Louca. G – Funções do Fósforo Além de sua participação na formação do esqueleto (80% do fósforo orgânico), cerca de 20% do P corporal está distribuído nos tecidos moles envolvidos em vários aspectos no metabolismo. As principais funções do P no organismo animal são: Formação do esqueleto; Absorção e metabolismo energético, fosforilação e ligações ricas em energia (ATP, GTP, UDG, Creatinofosfato, etc.); Controle ácido-base do sangue e fluidos orgânicos; PO4 – importante ânion dos fluidos intracelulares; Participa dos sistemas enzimáticos no metabolismo dos carboidratos, gorduras e aminoácidos; Participa do transporte de gordura (fosfolipídeos). H – Fatores que afetam o aproveitamento do P Excesso de Ca dietético – O excesso deste elemento na dieta leva a uma redução na absorção de P, devido à formação de fosfatos insolúveis nos intestinos. Vitamina D – O mecanismo pelo qual a Vitamina D atua na absorção do P ainda não está bem esclarecido, no entanto pesquisadores têm revelado a participação desta vitamina e do Paratormônio na assimilação do P intestinal. Formas de fornecimento do P – A biodisponibilidade do P varia com a fonte. O P inorgânico e os de fontes protéicas de origem animal são 100% disponíveis. No entanto, o P de origem vegetal possui uma disponibilidade média de 1/3 do total analisado. Assim, a disponibilidade do P contido nos vegetais dependerá do teor de Ácido Fítico. Aves e Suínos jovens não possuem o Intestino Grosso desenvolvido e, portanto, apresentam pequeno aproveitamento do P Fítico da dieta. Já os animais adultos conseguem aproveitar até 50% deste P, pela atuação da enzima Fitase, enzima bacteriana presente no Intestino Grosso. I – Sintomas de Deficiência A deficiência severa de P leva à perda de apetite, fragilidade óssea e morte em período que varia de 10 a 12 dias. Deficiências menos severas levam ao raquitismo em animais jovens e à osteomalácia em adultos. Observamos crescimento retardado,ovos com casca mole ou sem casca nas aves e formação do rosário raquítico, nódulos na junção entre as costelas e as vértebras. Podemos observar também baixa fertilidade, fraqueza generalizada e apetite depravado. J – Fontes de Fósforo As principais fontes de fósforo são: farinha de ossos calcinada e autoclavada, farinha de carne e ossos, farinha de peixe e farinha de ostras e o Superfosfato Triplo (90% de disponibilidade de Fosfato Bicálcico). A fonte de fósforo mais utilizada atualmente na alimentação animal é o Fosfato Bicálcico que contém cerca de 18% de P. 11.4. Sódio, Potássio e Cloro A – Características Estes elementos são amplamente distribuídos nos fluidos e tecidos moles do organismo, exercendo conjuntamente com os íons fosfato e bicarbonato, todo o controle homeostático orgânico, mantendo a pressão osmótica, o equilíbrio ácido-base, o controle da passagem dos nutrientes para as células e no metabolismo da água. O Na representa 93% das bases do soro sanguíneo, não participa como componente das células do sangue, no entanto, ocorre em quantidades nos músculos, onde está associado de alguma forma às contrações musculares. A taxa de K no organismo é semelhante à do Na, existindo principalmente como constituinte celular. Os músculos possuem 6 vezes mais K+ do que Na+, enquanto que no plasma ocorre o inverso. O Cl está distribuído dentro e fora das células, sendo que de 15 a 20% de todo o Cl orgânico se encontra na forma combinada (Cloretos). Grande parte deste mineral é armazenada na pele e tecido subcutâneo. O excesso destes minerais é eliminado através do suor e da urina. A maior parte do Na e Cl ingeridos são eliminados sob a forma de NaCl. A deficiência de sal provoca apetite anormal por sal, diminuição do apetite geral, diminuição do peso e diminui a produção de leite. Quando aumenta a ingestão de sal ocorre uma maior retenção de água no organismo provocando edemas. Quando aumenta a transpiração, aumenta a exigência de Sal. B – Funções do Sódio, Potássio e Cloro Sódio Regulador do volume dos fluidos do corpo, do pH e das relações osmóticas do organismo. Participa dos movimentos de contração das células musculares Inibe a ação das enzimas da mitocôndria no meio extracelular Participa da absorção e transporte dos nutrientes para as células Faz parte da estrutura óssea É componente de diversos produtos orgânicos Potássio Regulador dos fluidos intracelulares, mantendo o pH e as reações osmóticas do interior das células Ativador de sistemas enzimáticos, principalmente enzimas presentes na mitocôndria Mantém a atividade normal do músculo cardíaco, onde exerce papel oposto ao Ca, reduzindo a contratibilidade do miocárdio, favorecendo o relaxamento. Controla o potencial de ação da membrana celular. Cloro Contribui para a tonicidade da resistência iônica do meio extracelular Principal ânion envolvido na pressão osmótica e equilíbrio ácido-base do organismo Ativador da amilase Participa da formação do HCl do suco gástrico, importante na digestão dos alimentos C – Sintomas de Deficiência de Sódio, Potássio e Cloro Sódio O primeiro sinal é que os animais lambem o suor dos outros Inapetência e apetite depravado Canibalismo em poedeiras Baixos níveis sanguíneos Com a deficiência prolongada ocorre perda do apetite, crescimento retardado, má aparência, diminuição na produção de leite, lesões na córnea, problemas reprodutivos (infertilidade nos machos e atraso no amadurecimento sexual das fêmeas). Potássio Estresse Excitação Febre Crescimento retardado Baixo consumo de água e alimento Baixo nível sanguíneo Eficiência alimentar prejudicada Fraqueza do músculo cardíaco e respiratório, levando à parada cardíaca Fraqueza muscular Aparecimento de doenças do Sistema Nervoso Rigidez e paralisia dos membros Redução da tonicidade do tubo digestivo, com distensão abdominal Diarréia, coma e morte Cloro Alcalose ocasionada pela deficiência de Cloro Crescimento retardado Inapetência e apetite depravado Canibalismo em poedeiras Baixos níveis sanguíneos 11.5. Magnésio A – Características Este elemento está estreitamente ligado ao Ca e P, tanto na sua distribuição como no seu metabolismo. Encontra-se em torno de 80%, do seu conteúdo orgânico, no esqueleto e o restante encontra-se distribuído pelos tecidos moles, cumprindo funções vitais ao organismo. Encontra-se em pequena quantidade no organismo. Em caso de ingestão insuficiente o organismo pode usar em torno de 1/3 do Mg encontrado nos ossos. O excesso deste mineral é eliminado através da urina e fezes. Quando a ingestão de Ca e P está aumentada, observa-se deficiência de Mg. B – Funções do Magnésio Envolvido em todas as reações de transferência de ligações ricas em energia (ATP-Mg, GTP-Mg) Atua juntamente com enzimas na formação de quelatos, ativando reações Estreitamente envolvido no metabolismo de carboidratos, gordura, proteínas e ácidos nucleicos. Formação do esqueleto C – Sintomas de Deficiência Em Aves e suínos a deficiência é pouco provável já que o milho e o farelo de soja contém quantidade suficiente de Mg para satisfazer às necessidades destes animais Em poedeiras com alimentação deficiente pode-se observar redução no tamanho dos ovos, e baixa densidade da casca, com redução do Mg na casca, clara e gema. Pode ocorrer tetania hipomagnesiana em espécies que sofrem aleitamento prolongado, não tendo acesso a outros alimentos. 11.6. Enxofre A – Características Este elemento encontra-se amplamente distribuído no organismo animal, principalmente na forma de compostos orgânicos como é o caso dos aminoácidos sulfurados, Biotina e Tiamina. Na forma inorgânica aparece como componente da cartilagem (condroitina). O organismo animal apresenta 0,15% de S que geralmente se encontra nos aminoácidos formando as proteínas. Sua eliminação ocorre através das fezes e urina. Encontra-se em pequena quantidade no sangue. No metabolismo, participa em várias reações, onde a forma inorgânica é proveniente basicamente de compostos orgânicos catabolizados. No intestino o S aumenta a absorção e retenção das tetraciclinas. B – Funções do Enxofre Participa da síntese e metabolismo das proteínas (aminoácidos sulfurados) Participa do metabolismo dos lipídeos e carboidratos Atua na coagulação do sangue Atua no equilíbrio ácido-base dos fluidos intra e extracelular C – Sintomas de Deficiência Perda de peso Diminuição do crescimento Fraqueza Lacrimejamento Morte 11.7. Ferro A – Características O Ferro encontra-se distribuído principalmente pelos tecidos moles, desempenhando funções importantes nos processo vitais do organismo. A maior fração de Fe orgânico está na molécula de Hemoglobina, representando de 60 a 70% do total de Fe no organismo. O restante do Fe encontra-se distribuído nos músculos (mioglobina), enzimas (citocromo catalase), placenta e útero (uteroferrina), soro (transferrina), leite (lactoferrina), baço (ferritina), rins (transferrina), etc. A forma Ferrosa (Fe++) é a mais solúvel e, portanto, a mais indicada como suplementação alimentar. Após absorção todo o ferro é transportado (transferrina) e armazenado na forma férrica. A exigência de Fe é maior nos animais na fase inicial e de crescimento onde a demanda para a síntese de hemoglobina é grande. A absorção de Fe dietético é pequena, e controlada pela ferritina presente na mucosa intestinal (principalmente duodeno). Por outro lado, a excreção também é pequena podendo haver perdas pelas fezes, bilis (bilirrubina) e descamações epiteliais, suor e urina em condições patológicas (hemoglobinúria). O organismo possui apenas 0,004% de Fe e este desempenha papel vital no organismo. Este mineral é componente do pigmento respiratório e sabe-se que mais da metade do Fe do organismo faz parte da molécula da Hemoglobina e boa parte se encontra na moléculada proteína Mioglobina. A maior reserva de Fe orgânico se encontra no fígado. A hematopoiese é a produção de hemácias e ela acontece na Medula Óssea. A média de vida de uma hemácia é de cerca de 120 dias. Após a morte da hemácia o Fe existente é liberado e pode ser reaproveitado. A absorção do Fe dietético ocorre no Intestino Grosso. B – Fontes de Ferro O Fe pode ser encontrado em diversos produtos de origem vegetal e animal. A principal fonte de Fe é o fígado. O conteúdo de Fe na alimentação das aves é suficiente para suprir as necessidades orgânicas desta espécie, já que os ingredientes de origem vegetal apresentam boa concentração de Fe. Poedeiras demandam maior quantidade de Fe na alimentação já que necessitam deste elemento para a formação do ovo. Suínos lactentes necessitam de suplementação de Fe já que o leite materno não apresenta quantidade suficiente do mineral para suportar o desenvolvimento do animal. Suínos criados extensivamente ou semi-intensivamente não necessitam de suplementação já que podem suplementar suas necessidades com o contato com o solo. C – Funções do Ferro Na molécula de hemoglobina e mioglobina, transporta O2 (respiração) Participa de enzimas e coenzimas (citocromo, peroxidases – cadeia respiratória). Componentes de produtos como o ovo, leite, etc. D – Sintomas de Deficiência Anemia Diarréia Aumento dos movimentos respiratórios Aumento dos batimentos cardíacos Debilidade Morte E – Anemia Existem três tipos de anemia: dietéticas, patológicas e hereditárias. A anemia pode ser causada por diversos fatores entre os quais podemos citar: Diminuição ou parada da produção de hemoglobina Bloqueio na maturação celular Aumento da destruição das hemácias Perda de sangue 11.8. Cobre A- Características Este elemento está estreitamente relacionado ao metabolismo do Fe, na formação de hemoglobina. O Cobre está distribuído em todos os tecidos orgânicos em pequenas quantidades. No fígado são encontradas as maiores concentrações de Cobre, sob a forma de metaloproteínas. No sangue o Cobre encontra-se ligado às frações de albumina. A ceruloplasmina é a principal proteína ligadora de Cobre, que funciona como uma enzima no metabolismo do Fe. Metade do Cobre do organismo se encontra na massa muscular e seu principal local de armazenamento é o Fígado e Tecido Ósseo. A função do Cobre no metabolismo do Fe ainda não está bem definida, mas sabe-se que a deficiência de Cobre provoca menor absorção de Fe. A sua absorção ocorre no Intestino Grosso. B – Funções do Cobre Participa indiretamente da síntese de hemoglobina através da ativação da ferroxidase, envolvida na utilização e manutenção dos níveis de Fe no plasma Essencial na formação óssea Está estreitamente ligado ao metabolismo aeróbico, através das enzimas: Citocromo C oxidase e Superóxido Dismutase Essencial na manutenção da mielina do sistema nervoso Participa de vários outros sistemas enzimáticos Envolvido na síntese de queratina, principal componente do pêlo dos animais Promotor do crescimento O Cobre como promotor do crescimento foi usado nas rações de suínos na Europa até a bem pouco tempo. No Brasil ainda é usado devido ao seu baixo custo. A maior fração do Cobre absorvida é armazenada no fígado. A pesquisa tem demonstrado que não ocorre melhoria no desempenho de suínos em crescimento com a utilização do Cobre como promotor de crescimento. C - Sintomas de Deficiência A falta de pigmentação e as marcadas mudanças no crescimento e aparência física dos pêlos e lã podem resultar da deficiência de Cobre. A falta de Cobre também tem sido associada com hipertrofia e insuficiência cardíaca súbita. O Cobre em excesso na dieta resulta no seu acúmulo no fígado com diminuição da concentração de hemoglobina no sangue. O Cobre é tóxico e pode provocar envenenamento nos animais. Anemia Crescimento defeituoso dos ossos Ataxia Enzoótica em Suínos (dorso curvado) Redução na produção de ovos e eclodibilidade Ruptura da aorta 11.9. Cobalto A - Características O Cobalto está intimamente ligado à molécula de Vitamina B12. Este mineral é rapidamente absorvido pela corrente sanguínea e eliminado através da urina. Embora os ruminantes necessitem de uma forma alimentar de Cobalto, parece que ele é usado somente como uma parte da Vitamina B12 e que o animal é completamente dependente da microbiota do rúmen para a biossíntese da Vitamina B12. A deficiência de Co resulta em anorexia, debilidade dos músculos esqueléticos, fígado gorduroso e anemia. Os animais não ruminantes requerem Vitamina B12 pré-formada para preencher suas necessidades metabólicas. Em ruminantes a deficiência de Vitamina B12 pode ser evitada com a suplementação da dieta em Cobalto e sais minerais na ração. 11.10. Manganês A – Características O Manganês é encontrado principalmente no Fígado, no entanto está presente em vários outros órgãos, na pele, no músculo e nos ossos. Nas células o maior teor de Mn encontra-se no interior da mitocôndria. Sua atuação na formação dos ossos não está clara. Pouco se sabe sobre a forma química ou combinações nas quais o Mn existe no corpo dos animais. Sabe-se entretanto que rações ricas em Ca e P influem negativamente na absorção de Mn e que o excesso de Mn deprime a síntese de Hemoglobina. B – Funções do Manganês Essencial para o desenvolvimento da matriz óssea Ativador de várias enzimas (arginase, fosfatase, tiaminase, desoxiribonuclease, enolase, etc.) Essencial na reprodução e funcionamento normal do Sistema Nervoso Central Metabolismo do Colesterol Síntese de Ácidos Graxos Metabolismo de diversos Aminoácidos C – Sintomas de Deficiência Perose em aves Encurtamento e má formação das pernas, provocando arqueamento e rigidez óssea Redução da postura e eclodibilidade dos ovos Degeneração testicular e ovulação deficiente Má formação óssea Coxeamento (encurtamento dos ossos longos) Deterioração do Sistema Nervoso Central 11.11. Zinco A - Características Está distribuído em todos os tecidos orgânicos em pequena quantidade. As maiores concentrações são observadas no Fígado e tecidos epidérmicos (pele, pêlos e lã). Os ingredientes das rações de suínos e aves utilizados no Brasil possuem um teor de Zn muito variável. As fontes protéicas de origem animal apresentam boa quantidade deste mineral, no entanto o milho e farelo de soja apresentam pequena quantidade e grande parte desta é insolúvel. O colostro é rico em Zinco. O excesso de Ca na ração diminui a absorção de Zn. O Zinco em excesso causa intoxicação. B – Funções do Zinco Participa de vários sistemas enzimáticos (anidrase carbônica, desidrogenases, peptidases, fosfatases) Está envolvido no processo de multiplicação celular Necessário para o desenvolvimento de ossos e penas Participa do metabolismo de Ácidos Nucléicos C – Interação Zinco X Fonte Protéica As dietas para aves e suínos são baseadas no milho e farelo de soja. Estes ingredientes são ricos em Ácido Fítico, que captam o Zinco, formando quelatos insolúveis, que impedem seu aproveitamento. Daí, a necessidade de aumentar seus níveis na ração para evitar deficiências, pois grande parte é perdida nas fezes. D – Interação Zinco X Cálcio e Fósforo A presença de altos níveis de Ca e P no intestino grosso interferem na absorção do Zn, com a formação de compostos insolúveis, prejudicando seu aproveitamento. O excesso de Ca é mais comum que o de P, principalmente em regiões calcárias, onde as fontes de água podem conter níveis de Ca que comprometem a utilização do Zn, principalmente para suínos. E – Sintomas de Deficiência Paraqueratose em suínos – hiperqueratinização que se inicia em volta dos olhos e extremidade das patas. Leva a severas rachaduras da pele e cascos, podendo levar à morte. Problemas reprodutivos – participa da formação dos túbulos seminíferos, espermatogênese,formação do líquido seminal e processo reprodutivo da fêmea. Baixo desempenho de suínos e aves Empenamento pobre em aves e deficiente produção de pêlos em suínos Consumo reduzido de ração Pele áspera e grossa Redução no crescimento 11.12. Selênio A – Características Encontra-se distribuído em todos os tecidos do corpo, em concentrações que variam de acordo com as necessidades. Fígado e rins apresentam a maior concentração de Se do organismo. O músculo cardíaco possui maior concentração de Se que o músculo esquelético. No metabolismo celular, o Se está associado à Vitamina E. Organicamente a vitamina E tem a função de evitar a oxidação dos tecidos (antioxidante “in vitro”), mantendo a integridade da membrana celular. Por outro lado, o Se, através da ativação da enzima glutamina peroxidase, destrói os peróxidos formados, recuperando as membranas das células e capilares. Os grãos cultivados são deficientes em Se. Por outro lado há fatores que afetam a absorção deste elemento pela planta. Já as plantas que crescem em solos alcalinos absorvem mais Se do que em solos ácidos. B – Sintomas de Deficiência Distrofia Muscular Nutricional – Se caracteriza pela degeneração dos músculos estriados. Nas aves ocorre a degeneração associada à Diátese Exudativa, especialmente nos músculos peitorais. Diátese Exudativa em Aves – Caracterizada pela formação de edema, principalmente na região abdominal. Ocorre pela permeabilidade anormal dos capilares o que é corrigido pela adição de Se e/ou Vitamina E à ração. Hepatose Dietética dos Suínos- Ocorre com maior frequência em leitões entre 3-15 semanas de idade, com alta mortalidade. O exame póst-mortem evidencia morte do tecido hepático. Problemas de Reprodução – em poedeiras observamos baixa postura e eclodibilidade dos ovos. Nos machos observa-se aumento da mortalidade de espermatozóides. 11.13. Iodo A – Características É um mineral traço. Existe a possibilidade de estar deficiente nas dietas de aves e suínos devido à pobreza deste elemento nos ingredientes de origem vegetal. Organicamente, mais de 60% de todo o Iodo está presente na glândula tireóide, no entanto, pode-se encontrar Iodo distribuído em todos os tecidos corporais. Este elemento encontra-se na Tireóide nas formas inorgânicas mono, di e triiodotironia, tiroxina, tireoglobulina e polipeptídeos contendo tiroxina. B – Funções do Iodo Integrante do hormônio da Tireóide, que controla o ritmo metabólico orgânico Possui ação calorígena nos animais homeotermos – através dos hormônios tireoidianos que atuam aumentando a atividade da mitocôndria, aumentando o consumo de O2 na célula, aumentando a respiração mitocondrial e sustentando a termogênese orgânica. A tiroxina atua na regulação do hipotálamo e adenohipófise Atua no retardamento da maturidade sexual das aves. C – Sintomas de Deficiência Queda das penas nas aves Fraqueza generalizada Crescimento retardado Aparecimento de Natimortos Interrupção do ciclo estral nas fêmeas Perda da libido em machos Bócio Nascimento de animais sem pêlo Mortes prematuras 12. Aditivos Utilizados na Alimentação Animal Muitas pesquisas têm sido realizadas na área de Nutrição Animal, com o objetivo de melhorar a eficiência das rações utilizadas. Os avanços alcançados neste sentido levam ao emprego, na atualidade, de substâncias químicas, não classificadas como nutrientes, e classificadas como Aditivos. Os Aditivos são adicionados intencionalmente à ração animal com a finalidade de conservar, medicar, intensificar ou modificar as propriedades químicas dos alimentos, sem prejudicar seu valor nutritivo. A utilização racional dos Aditivos em ração animal proporciona uma melhora nas propriedades nutritivas dos alimentos por parte dos animais. Ocorre a diminuição das perdas de ração durante a estocagem, e das perdas de animais por intoxicações alimentares, devido à redução na proliferação de fungos. Com isso há a diminuição do custo da alimentação e do custo por unidade de produto animal. 12.1. Uso dos Aditivos Os aditivos já vêm sendo usados há muito tempo, no entanto ainda são motivos de discussões, devido aos possíveis efeitos sobre a saúde humana como: Objetivos a serem alcançados com o uso Avaliação da relação custo/benefício Bom conhecimento das condições de uso Respeito dos limites prescritos na legislação vigente 12.2. Classificação dos Aditivos Os aditivos utilizados em rações variam conforme o objetivo do seu uso e podem ser classificados em: Promotores do Crescimento e Produção Antibiótico Probióticos Prebióticos Ácidos Orgânicos Enzimas Agonistas Beta-Adrenérgicos Ionóforos Hormônios e Substâncias Anabolizantes Arsenicais Nitrofuranos Outros Promotores de Crescimento Medicamentosos Profiláticos Terapéuticos Antioxidantes Antifúngicos Pigmentantes Flavorizantes Corantes Aglutinantes e Inertes 12.2.1. Aditivos Promotores de Crescimento e Produção A – Antibióticos a descoberta da ação estimulante dos antibióticos sobre o crescimento dos animais ocorreu quase que por acaso. Pesquisadores americanos em 1949 realizando experimento com Vitamina B12 não purificada verificaram que aves e suínos apresentavam crescimento superior àqueles que recebiam a Vitamina Purificada. Descobriram posteriormente que um resíduo existente no material é que promovia tal desempenho e que este resíduo apresentava antibiótico. Os antibióticos são drogas não nutrientes, sendo seus efeitos secundários na nutrição animal. A forma em que os antibióticos agem ainda é bastante controversa, sendo algumas delas aqui destacadas: Os antibióticos de alguma forma afetam diretamente a marcha ou o desenvolvimento do processo metabólico do animal. Os antibióticos podem reduzir a necessidade de certos nutrientes estimulando o desenvolvimento de certos microorganismos que sintetizam vitaminas e aminoácidos, aumentando a disponibilidade de nutrientes através da formação de quelatos, diminuindo a população de microorganismos que competem com o animal por nutrientes e melhorando a capacidade de absorção no trato intestinal. Eliminação dos microorganismos patógenos que provocam a diminuição do ritmo de crescimento. Sobre a utilização de antibióticos na ração pode-se fazer as seguintes afirmações: Há aumento no ganho de peso de 10 a 20% e melhoria na conversão alimentar em cerca de 5%; Sua ação é mais evidente em locais onde já foi realizada criação de animais (desafio); Os efeitos são mais acentuados em animais jovens criados em condições sanitárias e nutricionais inadequadas; O peso de animais adultos é quase ou nada influenciado pelo uso de antibióticos; O crescimento máximo só é alcançado quando o fornecimento é contínuo; Estimulam os animais a consumirem mais alimentos; Melhoram a aparência dos animais; Ocorre a produção de carcaça com deposição de gordura marmorizada; Adição para porcas prenhes melhora o peso ao nascer dos leitões e índice de leitões nascidos vivos; Não são transferidos em quantidades suficientes para os leitões através do colostro; Adicionados à ração de animais em aleitamento aumenta peso à desmama; O efeito estimulante é diferente para os diversos antibióticos; Aureomicina e Terramicina são mais eficientes para suínos que Penicilina, Bacitracina e Estreptomicina. Combinação de antibióticos leva a melhores respostas que seu uso isolado; Ajudam a controlar certos tipos de enterites não específicas. O fornecimento de antibióticos para Ruminantes jovens em fase de aleitamento apresenta vantagens comparáveis com às dos monogástricos e a adição do produto nesta idade diminui o índice de diarréia, podendo estimular o ganho de 10 a 30% no peso dos bezerros. Em ruminantes completos o emprego de antibiótico é um assunto controverso. A maioria dos autores acha que o produto trará resultados prejudiciais, pois estará eliminandoparte dos microorganismos normais do rúmen. Alguns autores acham que o prejuízo que resulta do desaparecimento de parte dos microorganismos, é temporário e que os estes em pouco tempo se adaptarão ao uso do antibiótico, criando resistência. Com o uso cada vez maior de antibiótico na alimentação animal algumas pesquisas foram e estão sendo realizadas sobre algum perigo que este uso teria para a saúde humana e animal. Uma das principais alegações para a restrição no uso de antibióticos é que haveria um maior grau de incidência de doenças, pois os animais e pessoas que se alimentam destes animais, estariam consumindo o antibiótico em doses pequenas. Estas doses fariam com que os microorganismos fossem adquirindo resistência àquele produto e em caso de necessidade este não mais faria o efeito desejado. Além desse risco podemos citar também as intoxicações dos animais e dos homens que consomem os produtos de origem animal e o descarte de produtos comprovadamente com resíduos de antibióticos. Através de estudos chegou-se à conclusão de que só devem ser usados na produção animal, os antibióticos que têm pouco ou nenhum uso como agente terapêutico em homens ou animais e que não tornem os microorganismos resistentes aos antibióticos usados como agentes terapêuticos. Além destas recomendações devemos observar a troca periódica do antibiótico usado, consultar o fabricante ou profissional habilitado quando do uso destes produtos e verificar o período de carência do mesmo (a maioria deve ser suspensa uma semana antes do abate do animal), evitando a observação de resíduo na carcaça. B – Probióticos São organismos e substâncias de origem bacteriana que contribuem para o equilíbrio da microbiota intestinal, favorecendo seu crescimento, promovendo assim resistência à doenças. Os Probióticos são bactérias naturais do intestino que, após a ingestão em doses efetivas, podem se estabelecer ou mesmo colonizar o trato digestivo e manter ou aumentar a microbiota natural, prevenindo a colonização de organismos patogênicos, assegurando uma maior utilização dos alimentos. Os Probióticos apresentam quatro grupos de microorganismos: Aeróbios, Anaeróbios, Produtores de Ácido Lático e Leveduras. Existe uma série de hipóteses para explicar a ação dos Probióticos, no entanto a Teoria da Exclusão competitiva tem-se destacado. A exclusão competitiva é a incapacidade de uma população de microorganismos, em sua maioria patógenos, de se estabelecer no intestino dos animais, devido à presença de uma população desejável. C – Prebióticos Os alimentos prebióticos são alguns tipos de fibras alimentares, ou seja, carboidratos não digeríveis pelo nosso corpo. Isto é, possuem uma configuração molecular que os torna resistentes à ação de enzimas. Esse tipo de fibra possui as seguintes funções: Ajuda na manutenção dos microorganismos intestinais; Estimula a motilidade intestinal (trânsito intestinal); Contribui com a consistência normal das fezes, prevenindo assim a diarréia e a constipação intestinal por alterarem a microbiota colônica por outra saudável; Colabora para que somente seja absorvido pelo intestino as substâncias necessárias eliminando assim o excesso de glicose (açúcar) e colesterol, favorecendo, então a diminuição do colesterol e triglicérides totais no sangue; Possui efeito bifidogênico, isto é, estimulam o crescimento das bifidobactérias. Essas bactérias suprimem a atividade de outras bactérias que são putrefativas, que podem formar substâncias tóxicas. Exemplos de prebióticos são: frutooligosacarídeos (FOS) e a inulina. Os FOS são obtidos a partir da hidrólise da inulina. Os frutooligosacarídeos estão presentes em alimentos de origem vegetal, como cebola, alho, tomate, banana, cevada, aveia, trigo, mel e cerveja. A inulina é um polímero de glicose extraído principalmente da raiz da chicória. Ela se encontra também em alho, cebola, aspargos e alcachofra. A inulina extraída da chicória é produzida comercialmente e pode ser consumida por diabéticos como substituto do açúcar. D – Ácidos Orgânicos A utilização de Ácidos Orgânicos iniciou-se com a pesquisa de métodos de preservação de cereais colhidos com alto teor de umidade, sendo constatado que o uso destes ácidos prolonga o período de armazenamento. Os Ácidos Orgânicos são ácidos fracos. Os Ácidos Propiônico, Cítrico e Fumárico, mais comumente usados na preservação de alimentos, foram os mais pesquisados. A adição destes na ração inicial de suínos melhorou o desempenho destes animais na maioria dos experimentos realizados. O modo de ação dos Ácidos Orgânicos ainda não está bem definido mais existem várias hipóteses que tentam explicar esta ação. E – Enzimas O uso comercial de enzimas digestivas na avicultura e suinocultura é relativamente novo. O interesse pelo uso das enzimas surgiu quando a energia da ração tornou-se um custo relativamente alto. As enzimas são usadas porque os monogástricos não produzem algumas enzimas necessárias para a digestão de alguns alimentos de origem vegetal. Além disso, nos primeiros dias de vida o Aparelho Digestivo não funciona de forma satisfatória produzindo enzimas para a digestão dos carboidratos, lipídeos e proteínas. Os grãos de cereais possuem numerosos componentes chamados Polissacarídeos não Amiláceos (PNA`s) que são polímeros de açúcares simples. Devido às suas ligações os PNA`s são resistentes à hidrólise no trato digestivo dos monogástricos. Estes compostos apresentam cadeia longa e o animal não possui a enzima de degradação. Isso resulta em viscosidade do conteúdo intestinal que interfere na digestibilidade e também reduz a passagem dos alimentos, limitando o consumo deste. Os principais exemplos de PNA`s são a celulose (vegetais), beta-glucanos (cevada) e pentosanas (centeio e trigo). A enzima Fitase está sendo bastante utilizada na redução da poluição ambiental por fósforo, pois consegue disponibilizar para os animais, grande quantidade de fósforo existente nos vegetais, mas que se encontram na forma de Fitato. Na produção de farinha de penas as penas têm que ser submetidas à hidrólise pelo calor para que a proteína seja disponibilizada. A hidrólise enzimática resultou em melhor aproveitamento e maior digestibilidade do produto. F – Hormônios e Substâncias Anabolizantes Os hormônios são substâncias químicas específicas produzidas pelas células vivas que, lançadas na corrente sanguínea, se distribuem pelos órgãos e tecidos para modificar sua estrutura e/ou função. Alguns hormônios têm grande interesse pela função que exercem. Com a finalidade de apressar a engorda e desenvolvimento de animais produtores de carne, diversos hormônios sintéticos e purificados têm sido produzidos e utilizados, como é o caso dos estrógenos, andrógenos e hormônio do crescimento. No entanto, existe uma grande preocupação quanto aos efeitos nocivos que estes produtos possam causar no homem com a ingestão de carnes com resíduos de hormônios. Não é unânime a afirmação de que os resíduos nas carnes após o uso de hormônio na produção animal pode ser nocivo. Os Hormônios Tireoidianos estimulam o crescimento bem como a produção de leite e de lã. Estes hormônios atuam aumentando o catabolismo. Seu uso não é muito aceito pelo fato de se ter dificuldade em regular a dosagem para cada indivíduo e também pela incerteza de seus resultados. Os Estrógenos são muito utilizados em ruminantes em formação com a finalidade de melhorar seu desempenho. O mais utilizado é o dietilestilbestrol que pode ser chamado de estilbestrol do DES. Os estrógenos sintéticos desempenham as mesmas funções do hormônio natural. No Brasil é proibido o fornecimento destes promotores de crescimento para os animais. Os hormônios não são usados na produção de suínos e aves. G – Arsenicais São usados para aumentar o bem estar geral e aparência dos animais. Estimulam o crescimento de pintos e de leitões, identicamente aos antibióticos. Bezerros não reagem favoravelmente. Emboranão se saiba como esses compostos favorecem o crescimento, sabe-se que eles determinam uma melhoria na eficiência alimentar e agem como preventivos contra as diarreias. Melhores resultados têm sido obtidos em condições de extremo estresse. Os compostos Arsenicais são tóxicos e os fabricantes de rações desdobram-se em cuidados especiais para que os limites de sua inclusão não sejam ultrapassados. Deve-se retirar a alimentação contendo Arsênico 5 dias antes do abate, prevenindo o encontro de resíduo na carne. H – Nitrofuranos Os Nitrofuranos são compostos sintéticos antimicrobianos. Eles são mais bactericidas do que bacteriostáticos, agindo como inibidores do metabolismo enzimático da célula bacteriana. Os Nitrofuranos mais utilizados como promotores de crescimento para animais são: Carbadox, Dimetridazole e Furazolidona. Agem sobre bactérias, fungos e protozoários e são pouco tóxicos. I – Ionóforos São antibióticos que têm sido usados como coccidiostáticos para as aves, mas que para ruminantes funcionam como promotores do crescimento. São produzidos através de cepas de Streptomyces e os produtos mais comuns são: moneusina, salinomicina, maduramicina e narasina. Estes produtos facilitam o fluxo de íons através da membrana celular. São absorvidos através dos enterócitos e excretados pela bilis. São biodegradáveis nas fezes. J – Agonistas Beta-Adrenérgicos Os Agonistas Beta-Adrenérgicos são agentes repartidores que dirigem a síntese de proteína e a produção de energia. Os mais usados são: cimaterol e clenbuterol. K – Outros Promotores de Crescimento Em trabalhos de pesquisa foram identificados no alho princípios de ação bactericida, atuando contra bactérias Gram + e também Gram -. As principais substâncias são a alicina e a garlicina. O própolis é o resíduo da extração do extrato de própolis de abelhas, e tem sido mencionado como portador de princípios que atuam como promotor de crescimento. Embora se conheça muito pouco sobre este produto alternativo acredita-se que apresente poder antibiótico, antifúngico, coccidiostático e antioxidante. 12.2.2. Aditivos Medicamentosos A ração pode servir de veículo para o fornecimento de medicamentos para os animais, agindo contra os patógenos. Estas drogas se chamam aditivos medicamentosos e podem ser classificados como profiláticos e terapêuticos. São profiláticos quando adicionados à ração com a finalidade de prevenir doenças e terapêuticos quando usados no tratamento de doenças. Existe uma grande quantidade de aditivos medicamentosos, entre os quais podemos citar: avilamicina, bacitracina de zinco, espiramicina, eritromicina, flavomicina, lincomicina, oxitetraciclina e tilosina. 12.2.3. Aditivos Antioxidantes A oxidação tem que ser evitada pois é prejudicial já que compromete a palatabilidade, dá origem a compostos tóxicos, altera as vitaminas e os pigmentos. Alguns oxidantes são eficazes na profilaxia e cura de Encefalomalácia. Diversos laboratórios sintetizaram oxidantes que se encontram à disposição, no entanto somente alguns apresentam qualidades reais de um oxidante. Este produto deve ter as seguintes características: Ser eficaz na preservação de gordura animal e vegetal, vitaminas ou qualquer outro nutriente sujeito à destruição oxidativa; Não deve ser tóxico ao homem e ao animal; Ser eficaz em baixa concentração; Ser de baixo custo. Os antioxidantes mais utilizados são: BHT (hidróxido de tolueno butileno), Etoxiquim, Trimetilquinolina. 12.2.4. Aditivos Antifúngicos São substâncias indicadas para diminuir o desenvolvimento de fungos e a consequente produção de micotoxinas, causadas por fungos, em rações e/ou matérias primas para rações que são estocadas por períodos prolongados. Os aditivos antifúngicos mais usados são: ácido propiônico, propionato de cálcio e violeta de genciana. 12.2.5. Aditivos Pigmentantes São substâncias adicionadas à ração com a finalidade de promover a pigmentação das canelas, pele e bico de frangos de corte e gema dos ovos, que são fatores de importância econômica para os produtores pois o consumidor prefere carcaças mais pigmentadas e ovos com gema de coloração amarela intensa. O fornecimento de milho com pigmentação mais intensa e farelo de alfafa desidratado são produtos ricos em xantofila. Por outro lado o uso de Sorgo na alimentação animal requer o uso de pigmentantes carotenóides com a finalidade de promover a pigmentação de carcaça de frango e gema de ovos. Pigmentantes naturais como o Urucum podem ser utilizados sem restrições. 12.2.6. Aditivos Flavorizantes São aditivos usados para tornar mais atraentes rações pouco palatáveis e para mascarar odores desagradáveis de certos alimentos. Neste grupo são incluídas substâncias aromáticas e flavorizantes como anis, menta, óleo de laranja, vanila (baunilha) e outras substâncias naturais e sintéticas. Estes produtos são utilizados em quantidades reduzidas. 12.2.7. Aditivos Corantes O consumo de ração pode ser influenciado por sua cor. Esta observação foi feita por pesquisadores canadenses usando poedeiras Leghorn. Foram usadas rações coloridas, comedouros de cor e posições diferentes. Dos três fatores estudados a cor foi o que mais influenciou no consumo de alimento. As rações com corantes são muito utilizadas para aves ornamentais. 12.2.8. Aditivos Aglutinantes e Inertes Os aditivos aglutinantes são substâncias usadas na preparação de rações granuladas, porque permitem, com maior facilidade, a reunião das partículas. Conferem dureza aos grânulos, facilitam o trabalho das máquinas por sua ação lubrificante e não prejudicam o valor nutritivo da ração. Os aditivos aglutinantes mais usados são a Bentoína de Sódio e o Caulin. Material inerte é usado com a finalidade de completar o peso total da ração. A Areia Quartzífera é o produto mais usado. As substâncias ligantes são também utilizadas para completar o peso da ração a ser peletizada. 13. Aspectos Químicos e Físicos da Ração Quando analisamos um alimento, devemos observar neste o teor de nutrientes e o seu volume, pois sabemos que a ingestão de alimento, pelos animais, relaciona-se com as necessidades nutricionais. 13.1. Classificação dos Alimentos Os alimentos que fornecemos para os animais, quanto a categoria, podem ser classificados em dois grandes grupos: Volumosos e Concentrados. A base alimentar dos animais classificados como herbívoros são os alimentos volumosos, pois apresentam grande quantidade de Fibra Bruta o que dificulta sua utilização por aves e suínos que são monogástricos estritos. A fibra bruta limita a energia dos alimentos nos monogástricos, mas funciona como auxiliar na formação do bolo alimentar e melhora o trânsito intestinal. Os monogástricos aproveitam bem os alimentos concentrados e estes são a base de sua alimentação. Quando estes são fornecidos para ruminantes melhoram o seu valor energético e o valor protéico. 13.1.1. Alimentos de Primeira Categoria - VOLUMOSOS Os alimentos classificados como volumosos possuem baixo valor energético, elevado teor de água e fibra. Estes alimentos possuem mais que 18% de Fibra Bruta (FB). Os alimentos volumosos são basicamente as rações de manutenção que se destinam à mantença do organismo animal. São constituídos pelas pastagens, capineiras, silagens, fenos, cana e outros volumosos picados e distribuídos à vontade no cocho. A ração de mantença é indispensável, pois é a base da alimentação dos bovinos. Os volumosos são usados pelo organismo para a manutenção de suas funções fisiológicas. A administração de volumoso, de alta qualidade, satisfaz parte das exigências nutricionais do animal, permitindo-lhe uma boa produção de leite, sem o uso do concentrado, já que fornecem nutrientes necessários para a produção econômica e satisfatória. Uma vaca leiteira pode produzir até oito litros de leite por dia somente com ração de mantença e boa qualidade. A deficiência das pastagens na época da seca pode ser equilibradaatravés de forragens picadas, silagens, feno e outros alimentos reservados para esta época. 13.1.2. Alimentos de Segunda Categoria – CONCENTRADOS Os alimentos que compõem a categoria dos Concentrados apresentam alto teor de energia utilizável, pelo seu alto teor de amido, baixo teor de fibra e alto teor de Proteína Bruta (PB). Estes alimentos apresentam teor de fibra menor que 18%. Os alimentos básicos classificados como concentrados possuem em torno de 16 a 18% de Proteína e são os grãos de cereais. Os suplementos protéicos apresentam mais que 20% de PB, podendo ser de origem animal, vegetal ou marinha. Constituem a ração de produção, ou seja a complementação da ração de mantença. São constituídos por produtos de elevada percentagem de princípios nutritivos (proteínas e hidratos de carbono), além de possuírem sabor agradável. São fontes de hidratos de carbono: milho, farelo de arroz, farelo de trigo, mandioca, batata doce, cana de açúcar, melaço, etc. O milho pode ser empregado moído, em forma de fubá, desintegrado com a palha e o sabugo ou triturado com o sabugo. A mandioca em forma de raspa e secada ao sol. Os alimentos ricos em proteínas são: torta de amendoim, torta de algodão, soja, farelo de algodão com casca, caroço de algodão, torta de babaçu, feijão moído, soja moída e amendoim. Para evitar altas despesas com a compra de tortas, é necessário o cultivo de algumas leguminosas como: soja perene, guandu, lab-lab, mucuna preta, cunhã e puerária. Quando não se dispõe de leguminosas deve-se comprar tortas ou farelos para equilibrar a ração. 14. Digestibilidade dos Alimentos A avaliação nutritiva permite alimentar melhor os animais. A análise química é o ponto de partida para se analisar a digestibilidade de um alimento. Através da avaliação da digestibilidade de um alimento avalia-se a capacidade de uso dos nutrientes existentes que são absorvidos pelo organismo. O trato digestivo dos animais tem diferenças anatômicas e fisiológicas que influenciam no aproveitamento dos alimentos. Os animais ruminantes possuem grande capacidade de digerir alimentos fibrosos enquanto os não ruminantes têm capacidade reduzida de digerir tais alimentos. Por esta razão estes animais devem receber rações mais digestíveis. Os alimentos são eficientes quando conhecemos as exigências das espécies e a forma que o alimento supre esta necessidade. 14.1. Métodos de Avaliação dos Alimentos Existem várias técnicas que podem ser usadas para a avaliação dos alimentos. Entre elas podemos destacar as análises químicas, análises físicas e análises bacteriológicas. A – Análises Químicas Sistema de Weende – Proposto por Henneberg em 1948 na Alemanha. A técnica nos dias de hoje ainda é a mesma, exceto para a avaliação do Nitrogênio. Van Soest – Determinação da Fibra Bruta dos alimentos. Determinação da FDA (conteúdo celular) e FDN (parede celular). Determinação de Minerais – Realizado por absorção atômica. Macrominerais (% dos ingredientes) e Microminerais (mg/kg ou PPM). Análise mais comum de Ca e P. Determinação de Vitaminas – Espectofotometria e Cromatografia. A Cromatografia pode ser Líquida (HPLC) e Gasosa. Determinação de Aminoácidos – Cromatografia Líquida (HPLC). B – Análises Físicas Testes microscópicos – determinação de fraudes. Determinação de Energia Bruta – Bomba Calorimétrica Granulometria – uso de peneiras Secagem – uso de estufas para determinar o teor de umidade e matéria seca dos alimentos. Torração – verificar o grau de tostagem dos alimentos. Fraude – excesso de materiais que não fazem parte do produto analisado. Densidade, Cor e Odor – avaliação da qualidade da matéria prima. C – Análises Bacteriológicas Contagem e tipificação de microorganismos Aspergilose, Salmonelose, Coliformes, Fungos, etc. 14.2. Determinação da Digestibilidade dos Alimentos Entende-se por digestibilidade a fração do alimento absorvido que é recuperado. O mesmo alimento pode ter valores de digestibilidade diferentes conforme a espécie que estiver sendo avaliada e a classe destes animais na qual a digestibilidade esteja sendo realizada. A digestibilidade não é medida igualmente para todos os nutrientes a serem avaliados. Calcula-se a quantidade de minerais digeridos subtraindo-se dos minerais ingeridos, os minerais excretados. Para se calcular a digestibilidade de um alimento podemos usar alguns métodos que são chamados de diretos ou indiretos. O método indireto pode ser classificado em “in vivo” e “in vitro”. A – Método Direto – “in vivo” O método direto “in vivo” é também denominado de gaiola metabólica e é aceito internacionalmente como um método padrão. Os animais são aprisionados em gaiolas individuais e possuem pouca liberdade de movimento. A gaiola metabólica tem a largura suficiente para o animal, não permitindo que ele faça a volta. Na parte posterior da gaiola são coletadas as fezes e a urina e na parte anterior é instalado comedouro que não permite o desperdício de alimento e bebedouro. O comedouro, em algumas gaiolas, serve também de bebedouro. O piso da gaiola é inclinado o que permite a coleta da urina. A urina e as fezes são coletadas em baldes e sacolas plásticas, respectivamente. Estas são usadas principalmente para determinar a digestibilidade de alimentos em suínos, bovinos, caprinos e ovinos. A determinação da digestibilidade em aves pode ser realizada em gaiolas metabólicas onde as fezes são coletadas diariamente. Neste caso as fezes e a urina são coletadas conjuntamente daí deve-se calcular a forma metabolizável dos nutrientes. Em aves também pode ser realizada a cecectomia (retirada do ceco), pois sabe-se que no ceco, devido a ação microbiana, há produção de proteínas e vitaminas do complexo B o que altera a fração que se encontra nas fezes, mascarando os resultados. B – Método Indireto – “in vivo” Os métodos indiretos “in vivo” de verificação da digestibilidade de um alimento são o rúmen artificial e os sacos de nylon. No método do rúmen artificial, devemos realizar uma fístula no animal. A fístula é feita através de uma cirurgia em que podemos ter acesso direto ao estômago do animal. Em ruminantes esta fístula dá acesso ao rúmen. Através desta abertura podemos retirar material para análise e verificar o comportamento do alimento no interior deste compartimento do estômago. Após a realização do trabalho a fístula é fechada com uma tampa que permitirá acesso quantas vezes o pesquisador quiser. Pode-se contar com a colocação de uma jarra de vidro ou de aço inoxidável que conterá o alimento a ser estudado. Este método não é tão usado nos dias de hoje, pois já existem formas muito mais simples de verificar a digestibilidade de um alimento. O segundo método que pode ser usado é a introdução de pequenos sacos de nylon contendo o alimento a ser estudado no estômago dos animais (rúmen) para verificar a digestibilidade do mesmo. O saco de nylon não é digestível e deve ser retirado com 72 horas. Este método também se encontra em desuso. C – Método Indireto – “in vitro” Neste método de avaliação da digestibilidade o alimento sofre fermentação ruminal só que “in vitro”. Em laboratório são fornecidas as mesmas condições encontradas no rúmen do animal e o tempo de fermentação varia de 24 a 48 horas. Neste método são fornecidas as seguintes condições: pH de 6,9; temperatura de 39 ºC; anaerobiose; e a existência de microorganismos ruminais. Para a realização deste trabalho é necessária a existência de animal fistulado, pois os microorganismos são retirados diretamente do rúmen dos animais e levados ao laboratório para a realização do processo de digestibilidade. Este método é bastante usado nos grandes centros de pesquisa. 15. Balanços Nutricionais Toda energia de nosso corpo vem da oxidação dos carboidratos, lipídeos e proteínas. Os demais nutrientes como a água, minerais e vitaminas não fornecem energia por isso não são considerados nutrientes energéticos. O balanço nutricional avaliaa quantidade de cada nutriente que é fornecido aos animais com a finalidade de promover o seu crescimento e sua produção. Os principais balanços realizados são: de nitrogênio, do carbono, de nitrogênio e carbono, de minerais e de energia. 15.1. Balanço de Nitrogênio O balanço de nitrogênio é realizado para que possamos avaliar o metabolismo das proteínas fornecidas na alimentação dos animais. No metabolismo das proteínas são formados dióxido de carbono, água e resíduos de nitrogênio. Os resíduos nitrogenados podem ser eliminados através das fezes, urina ou suor. Existe também a perda através da pele, no entanto esta é mínima e ela não calculada. O resíduo mais importante na digestão das proteínas é a Uréia. Na degradação das proteínas é formada a amônia. Este produto é bastante tóxico para os animais e por isso não pode circular na corrente sanguínea. A amônia para ser eliminada é transformada em Uréia nos mamíferos. Nas aves a sua eliminação é através do ácido úrico e em peixes a eliminação do nitrogênio pode ser realizada na forma de uréia, de ácido úrico ou mesmo de amônia. Para se realizar o balanço do nitrogênio devemos conhecer o teor de nitrogênio existente na alimentação e o teor existente nas fezes. Quando a quantidade de nitrogênio encontrado no alimento é maior do que o existente nas fezes, dizemos que o animal se encontra em balanço positivo de nitrogênio. O animal, neste caso, está retendo nitrogênio e, por conseguinte, formando tecido, crescendo, ganhando massa muscular e produzindo leite, etc. Quando a quantidade de nitrogênio encontrado no alimento é igual ou semelhante a encontrada nas fezes dizemos que este animal está em equilíbrio ou seja está em uma situação de mantença. Não está ganhando nem perdendo massa muscular. Quando a quantidade de nitrogênio encontrada na alimentação é menor do que a encontrada nas fezes, dizemos que o animal se encontra em balanço negativo de nitrogênio, ou seja este animal está perdendo massa muscular. Esta situação ocorre, geralmente, em períodos de estiagem, quando a alimentação é deficiente. Ao se realizar o balanço de nitrogênio, algumas vezes queremos saber a quantidade de proteína existente no alimento que está sendo fornecido. Para fazer a conversão de nitrogênio no alimento para proteína devemos multiplicar o teor de nitrogênio por 6,25. Este valor de 6,25 é comumente aceito pela comunidade científica que trabalha em nutrição animal. O estabelecimento deste valor se refere a que as proteínas possuem 16% de nitrogênio (100/16=6,25). No entanto sabe-se que nem toda proteína possui 16% de nitrogênio e que nem todo o nitrogênio existente no alimento é de origem protéica. 15.2. Balanço de Carbono O balanço de carbono é realizado para se determinar o valor energético do alimento. A maior parte do carbono é eliminada através da respiração. Para se realizar este balanço deve-se determinar a quantidade de oxigênio consumido e a de dióxido de carbono eliminado. Este balanço deve ser realizado em câmara apropriada ou com a utilização de máscara facial. Atualmente se utiliza mais a câmara por ser mais eficiente e o manejo do animal ser mais fácil. O animal permanece nesta instalação por 12 a 14 horas. 15.3. Balanço de Nitrogênio e Carbono Através deste estudo verificamos o balanço protéico e energético dos animais para que possamos estudar a influência do alimento na composição do organismo. As proteínas corporais possuem 52,54% de Carbono e 16% de Nitrogênio enquanto a gordura corporal apresenta 76,5% de Carbono. 15.4. Balanço de Minerais O Balanço de Minerais é realizado da mesma forma que o de Nitrogênio. Ele envolve os mesmos canais de excreção: fezes, urina, suor, leite e pele. A análise realizada quanto ao balanço positivo, equilíbrio e balanço negativo é a mesma. 15.5. Balanço de Energia O Balanço de Energia é realizado calculando-se a quantidade de energia consumida e a energia excretada nas fezes, urina e outras fontes. As fontes energéticas da dieta são os carboidratos, lipídeos e proteínas. Para o cálculo do balanço energético toma-se o mesmo procedimento realizado no balanço de nitrogênio. A análise realizada quanto ao balanço positivo, equilíbrio e balanço negativo é a mesma. 16. Principais Alimentos para Animais Existem inúmeros produtos que podem ser fornecidos para os animais com a finalidade de alimentá-los. Estes alimentos podem ser classificados como de origem animal ou de origem vegetal. A principal característica que se deve observar para que um produto seja colocado para a alimentação animal é que ele não deva competir com a alimentação humana. Na natureza não existe um alimento que seja considerado completo, que apresente todos os nutrientes necessários para manter a vida, a produção e reprodução dos animais. Tendo como base esta afirmação vemos que há a necessidade de fornecer diversos alimentos de origem natural (animal ou vegetal) e artificiais para que a exigência nutricional das diferentes espécies e fases de criação sejam atendidas. Não existem alimentos que sejam considerados insubstituíveis apesar de sabermos que, em muitos casos, o custo de produção seja elevado quando tentamos substituir determinado alimento para a nutrição dos animais. Os alimentos alternativos podem ser usados na alimentação animal, mas devemos observar o seu nível de inclusão nas rações e o seu preço para que não aumentemos em demasia o custo de produção. Os animais são excelentes transformadores de produtos. Eles conseguem transformar os produtos de origem vegetal em proteína animal de alta qualidade para a alimentação humana. 16.1. Produtos de Origem Vegetal Os grãos de cereais são considerados alimentos básicos principalmente para suínos e aves. Estes apresentam elevado valor energético como é o caso do milho, soja, sorgo, etc. Este elevado valor energético se deve à presença do amido (ENN). A soja apresenta elevado teor protéico e, por esta característica, é considerada juntamente com o milho, componente fundamental para a alimentação de monogástrico. A proteína existente é de baixo valor biológico. Os animais têm a capacidade de transformar esta proteína em uma excelente fonte protéica, com alto valor biológico. Diz-se que uma proteína apresenta elevado valor biológico quando apresenta, em sua estrutura, uma diversidade de aminoácidos e em quantidade excelente para os animais. As fontes protéicas de origem animal normalmente são deficientes em Lisina, Metionina e Triptofano, aminoácidos que são considerados limitantes para suínos e aves. Alguns produtos de origem vegetal também são deficientes na maioria das vitaminas, no entanto apresentam grande diversidade de subprodutos. A – Milho (Zea maiz) Produto de origem vegetal mais utilizado na alimentação animal. Esta utilização se deve ao fornecimento de energia já que no milho, o grão apresenta ¾ de amido. Existem vários tipos de grãos de milho com cores variadas (amarelo, branco e vermelho) no entanto, prefere-se o milho pigmentado devido a presença da criptoxantina que é precursora da vitamina A. O caroteno existente no grão amarelo é fundamental para a pigmentação da pele das aves e gema de ovos. O grão de milho é formado de dois tipos de proteína: Zeína e Gluteína. A Zeína é encontrada no endosperma e quantitativamente é a mais importante, no entanto é deficiente em Lisina, Metionina e Triptofano. A Gluteína é encontrada no endosperma e gérmen e é rica nos aminoácidos citados anteriormente. As principais características do milho são: Elevado teor energético – Rico em ENN Mais rico em Lipídeos que outros cereais (menos a aveia) Pobre em FB o que o torna mais digestível Pobre em proteína Pobre em Ca e rico em P Milho amarelo é rico em caroteno Deficiente em Vitamina D e E Gordura oscila entre 3-6% (rica em Ácidos Graxos Insaturados) Teor protéico varia entre 8-13% Fornecido em forma de grão moído Quando misturado com palha e sabugo, forma o MDPS (milho desintegradocom palha e sabugo) que apresenta maior teor de FB e tem seu valor energético diminuído. Os principais subprodutos do milho são: Farelo de milho – Obtido da moagem da semente e é resultado da fabricação do amido do milho. Farinha de milho degerminado – o gérmen e o tegumento do milho são removidos através da peneira e este produto apresenta alta umidade. Solúveis de milho – o milho é amolecido com água para a retirada do amido (glicose) e este produto apresenta baixa quantidade de proteína. Farelo proteinoso de milho – também pode ser chamado de farelo de glúten e é usado na alimentação de vacas leiteiras por apresentar alto teor protéico. Esta proteína é de baixo valor biológico. Farinha proteinosa de milho – é resultado da moagem úmida do glúten do milho. Apresenta mais que 40% de PB e normalmente é combinada com volumosos para a alimentação de bovinos. Farinha desengordurada de gérmen de milho – resultado da extração do óleo do gérmen do milho. Possui pouca proteína e pode ser usada na alimentação de aves e suínos. Farinha de gérmen de milho – produto semelhante ao anterior, no entanto apresenta menor teor protéico, mas é superior em ENN. Resulta da moagem do fubá ou farinha de milho. Rolão de milho – constituído da palhada do milho, após a colheita das espigas. Pode ser feito de toda a planta incluindo as espigas, tornando-o mais rico em nutrientes. Forragem de milho – a diferença entre o milho cultivado para produção de espigas e para produção de forragem está no espaçamento entre as plantas. Espaçamento menor produz mais matéria verde e menos espigas. Silagem de milho – o milho é excelente para a produção de silagem. Possui quantidade de açúcar suficiente para a produção de ácidos que impedem a putrefação da forragem, não havendo a necessidade do uso de melaço. Feno de milho – obtido de plantas cultivadas com pequeno espaçamento, ainda verdes, é uma forragem grosseira e menos palatável que a silagem. É pobre em proteína e deve ser misturada com feno de leguminosa. Palhas e sabugos de milho – produto pobre em nutrientes, mas pode ser aproveitado por: bovinos, equinos, ovinos e caprinos. Pode servir como cama para galinheiro e depois para alimentação para estas espécies animais. B – Trigo (Triticum aestivum) O trigo é um grão de grande importância para a alimentação humana. Dentre os grãos produzidos no Brasil o de trigo ainda está longe de satisfazer o mercado para o consumo humano. Pela sua escassez e alto preço este grão não é utilizado para alimentação animal. Os grãos de qualidade inferior podem ser utilizados para a alimentação animal. Apresenta valor nutritivo semelhante ao do milho, no entanto o seu preço é bem superior a ele. Comparando com o milho apresenta maior teor protéico. O trigo apresenta as seguintes características: Valor protéico varia de 8,8 a 12%. A proteína não apresenta alto valor biológico. Pobre em Ca e rico em P Teor médio de lipídeo 2% Deficiente em caroteno e Vitamina D - necessita a adição de pigmentantes na alimentação animal Em excesso provoca perturbações digestivas nos animais Indicado junto com volumosos para equinos Excelente alimento para aves e suínos Os seus principais subprodutos são: Triguilho – Na limpeza dos grãos de trigo são separados grãos não aproveitáveis. Este produto apresenta em média 13 a14% de PB, 2,7 a 3% de FB e 2,2% de lipídeo. Ele pode conter muitas impurezas. Farelo de trigo – subproduto grosseiro e consiste do tegumento que envolve o grão. Apresenta ligeiro efeito laxativo. Alimento muito usado para bovinos de leite e fornecido com alimentos ricos em proteína. Outros subprodutos – farelinho de trigo, resíduos de trigo, farinha de gérmen de trigo e farinha desengordura de gérmen de trigo. C – Cevada (Hordeum vulgare L.) Quase toda a cevada produzida se destina à produção de malte. Apresenta muitas variedades e sua composição em nutrientes varia com a variedade escolhida. Apresenta características nutricionais que a habilita a substituir o milho na alimentação animal. Para que seja utilizada como substituto do milho deve ser esmagada e moída. Suas principais características são: possui de 6 a13% de PB – esta proteína é de baixo valor baixo teor de lipídeo – inferior a 2% baixo teor de FB energia líquida comparável com a do milho nível de Ca e P intermediário entre a aveia e o milho deficiente em Vitamina D e Caroteno Seus principais subprodutos são: Brotos de malte – As raízes da cevada são retiradas para a produção de malte. Elas apresentam cerca de 24% de PB. Seu aproveitamento pelos animais é baixo devido a sua palatabilidade – são amargas. Polpa de cervejaria – O amido é convertido em açúcar e este é retirado do produto formando uma substância chamada mosto. O resto que sobra é denominado polpa de cervejaria. Esta possui 70-75% de umidade e pode ser usada na alimentação de bovinos, ovinos e caprinos. A polpa seca apresenta 18% de PB e 15% de FB. Resíduo da destilação – Na industrialização da cerveja ocorre a destilação e os materiais solúveis são retirados. Este material é filtrado e o resíduo é usado para a alimentação animal. Apresenta PB mais elevada que a polpa de cervejaria. D – Sorgo (Pennisetum glaucum (L.)) Podemos encontrar mais de 8 mil variedades conhecidas de sorgo e eles são cultivados principalmente para a alimentação animal. Podem ser dos seguintes tipos: forrageiro, granífero, doce e vassoura. As variedades produtoras de grãos são mais produtivas. O sorgo apresenta composição bromatológica parecida com a do milho. Possui de 65 a 75% de amido no grão inteiro. Seu teor de PB varia de 8 a 18% e os lipídeos estão na ordem de 3,6%. O grão de sorgo é branco devido à sua deficiência de caroteno e xantofilas. Por esse motivo quando usado na alimentação de frangos de corte ou poedeiras, deve-se fazer suplementação com aditivos pigmentantes. Quando submetidos à moagem produzem mais pó que o milho. Na alimentação de suínos e ruminantes pode substituir o milho de 80 a 85% e em torno de 10% na alimentação de aves. Deve-se escolher variedades de Sorgo que apresentem baixo teor de Tanino. O Tanino é um princípio antinutricional que afeta o desempenho dos animais podendo levá-los ao óbito. Os subprodutos do sorgo não são produzidos em escala comercial mas podemos destacar o glúten de sorgo e a farinha de glúten. E – Arroz (Orizae sativa) O grão do arroz é cultivado praticamente para atender à alimentação humana. O excedente da produção e, principalmente, os grãos deficientes e os subprodutos podem ser utilizados para a alimentação animal. O arroz em grão tem as mesmas qualidades e os mesmos defeitos dos demais cereais, com valor nutritivo pouco menor, devendo sempre ser dado moído, devido à sua dureza. Pode ser fornecido a gado leiteiro e de corte e equinos. Quando utilizado na alimentação animal tem que ser descascado, pois a casca do arroz pode lesar o aparelho digestivo. As principais características do grão de arroz são: O teor de PB do arroz descascado é de 6,5% e com casca 8% Casca é responsável por 20% do peso do produto O arroz descascado pode substituir 30% do milho Quase não possui caroteno e Pró-Vitamina A A digestibilidade da casca do arroz é quase nula Grãos quebrados podem ser usados na alimentação animal dependendo do preço O principal subproduto do arroz é o farelo de arroz. Este provém do beneficiamento do arroz e quando usado fresco é importante na alimentação animal. O Farelo de Arroz fresco apresenta em sua composição bromatológica 11 a 13% de PB, 10 a 15% de lipídeo e 11,5% de FB. O P existente neste produto encontra-se, em grande parte, na forma não disponível. Muitos trabalhos estão sendo feitos com a adição da enzima Fitase que disponibiliza o P que se encontra na forma de Fitato. Devido a conter alto teor de gorduras insaturadas, o seu armazenamento por longos períodos não é recomendado. Quando aumentamos a quantidadede casca no farelo ocorre uma diminuição na qualidade do produto, pois o torna indigestível. O farelo de arroz pode ser incluído na alimentação de suínos na proporção de 10 a 20% sem que o desempenho seja prejudicado. Quando se fornece uma quantidade maior verifica-se a ocorrência de toucinho mole. Devido ao seu alto teor de gordura, o oferecimento a suínos jovens pode resultar, inicialmente, em transtornos digestivos (diarréia). Já está sendo usado na alimentação de aves de corte embora não seja muito aconselhável. Na alimentação de vacas leiteiras pode ocasionar manteiga pouco consistente. No mercado já pode ser encontrado o farelo de arroz desengordurado, produto que pode ser utilizado com maior sucesso. F – Soja (Glycine max) A soja é uma das mais importantes leguminosas para a produção de grãos e como forragem. Os grãos são destinados à indústria para a produção de óleo e farelo. As pastagens de soja são muito apreciadas pelos bovinos mas não suportam o pisoteio. O feno de soja é excelente para vacas leiteiras. A silagem de soja e a planta de soja misturada com plantas verdes, entre elas o milho, são excelentes alimentos. De todas as sementes usadas na alimentação animal a da soja é a mais rica em Proteína, cerca de 38 a 39%. São grandes produtoras de óleo, em média 18%. Ela pode ser utilizada crua e moída para bovinos de leite, sendo uma importante suplementação protéica. A semente crua apresenta um princípio antinutricional o Inibidor de Tripsina (Sojina). O termo sojina se encontra em desuso. A ingestão da semente crua também pode acarretar diarréia, devido ao alto teor de lipídeos. Para monogástricos as sementes devem ser tostadas para reduzir a atividade das substâncias antinutricionais. O farelo de soja é o suplemento resultante da moagem dos grãos de soja, no processo industrial para extração do óleo para o consumo humano. O farelo de soja é um excelente suplemento protéico para bovinos leiteiros, bovinos de corte, ovinos e equinos. É um alimento básico para aves e suínos. Atualmente é considerado o melhor alimento protéico de origem vegetal. Podemos encontrar três tipos de farelo de soja: 48% de proteína – isento de casca 46% de proteína – com casca na proporção encontrada nos grãos 46% de proteína – com casca em quantidade superior à encontrada nos grãos. G – Mandioca (Manihot utilissima Pohl). (Manihot esculenta ranz) A mandioca é originária do Brasil e sua produção destina-se, em grande parte, ao consumo humano ou à indústria. Pode ser integralmente usada como alimento, inclusive a porção vegetativa. O valor nutritivo de farelo de ramas e hastes desidratadas é tal que se aproxima do valor do farelo de alfafa. A mandioca pode ser fornecida na forma de planta inteira ou só a raiz picada e seca na forma de raspas. Também pode ser usada na forma de farelo ou farinha. Por ser pobre em proteína deve ser suplementada. Algumas variedades para serem fornecidas na alimentação animal devem ser picadas e secas por 24 horas. Com isso elimina-se o princípio tóxico. A raspa da mandioca é o resíduo seco da extração do amido da mandioca, muito comum no Brasil. A raspa pode ser integral, ou seja raiz picada e desidratada ao sol. Este produto é utilizado com fonte energética em substituição parcial ao milho já que é pobre em proteína. Apresenta aproximadamente 3% de PB, 3% de FB e 70% de amido. H – Cana-de-Açúcar (Saccharum officinarum) A cana-de-açúcar é uma das seis espécies do gênero Saccharum, gramíneas altas provenientes do Sudeste Asiático. É o vegetal com o qual se fabrica açúcar e álcool. Existem várias espécies próprias para cultivo com a finalidade de consumo pelos animais são as chamadas canas forrageiras. Muito utilizadas na alimentação de ruminantes. Muito usado na alimentação de bovinos de engorda é o melaço de cana. É um sub-produto xaroposo que contém grande quantidade de sacarose e de outros açúcares. Apresenta também elevada quantidade de sais minerais e vitaminas, e baixo nível protéico. É um palatabilizante natural e muitas vezes usado misturado com forragens de baixa qualidade, o que facilita o consumo dos animais. Como é um líquido viscoso, deve ser dissolvido em água na proporção de 1:4, de preferência morna, que facilita a dissolução. Deve ser fornecido inicialmente em pequenas quantidades e ir crescendo até o limite indicado no Quadro 23. QUADRO 23 – Quantidade de melaço de cana recomendado por animal/dia. ESPÉCIE ANIMAL QUANTIDADE ANIMAL/DIA (kg) Bovinos em engorda 6,0 Vacas leiteiras 2,5 –3,0 Equinos 2,5 –3,0 Ovinos 0,5 Suínos 0,6 Fonte: Teixeira (2001) 16.2. Produtos de Origem Animal Os produtos de origem animal são muito importantes na alimentação de animais, pois apresentam elevado teor de Proteína Bruta de alto valor biológico. Estes produtos são absolutamente necessários quando da elaboração de rações para animais. Os POA’s são importantes na alimentação animal, pois apresentam um perfil de aminoácidos que atende a necessidade das espécies com eles alimentadas. A – Farinha de Carne A farinha de carne é um produto indispensável na alimentação de animal que requerem alto nível protéico. No entanto na atualidade já são produzidos sinteticamente produtos que podem substituir a farinha de carne. Os resíduos de matadouros, matéria prima para a elaboração de farinha de carne, são muito usados na alimentação dos animais e em laboratórios para a produção de medicamentos e a realização de experimentos. São produzidos normalmente dois tipos de farinha de carne: a tankagem e a farinha de carne propriamente dita. Na tankagem a carne é cozida em autoclave e a gordura é retirada. A sobra é concentrada formando uma pasta que é prensada para a retirada do restante da gordura. O material após a prensagem é dessecado. O termo tankagem hoje não está mais sendo usado. A farinha de carne propriamente dita é cozida em caldeira aberta, a umidade é reduzida com a retirada da gordura e o material restante é prensado para retirar a umidade e o restante da gordura. Por fim ele é dessecado. Devido ao processamento que pode ser alterado e o material utilizado para sua elaboração, a farinha de carne tem seu valor protéico variando de 40 a 60%. Costuma-se misturar ossos na farinha de carne e esta pode mudar de classificação conforme o teor de fósforo encontrado no produto. Caso o teor de fósforo seja inferior a 4% o produto se chama farinha de carne. Se este nível for superior a 4% o produto será chamado de farinha de carne e ossos. Nas farinhas de carne observa-se um Extrato Etéreo de 9 a 16%. Sabe-se que quanto maior o teor de gordura, menor o nível protéico do produto. O teor de gordura é importante para o fornecimento de energia para o animal, no entanto o seu nível elevado pode levar à oxidação durante o armazenamento. Este produto não apresenta boa palatabilidade, devendo-se ser acrescidos aditivos palatabilizantes. Muito usado em ração de aves para fornecer os aminoácidos necessários para o desenvolvimento destas e para o fornecimento de fósforo. B – Farinha de Resíduos do Abate de Aves Este produto é composto de cabeça, pés, sangue, vísceras não comestíveis, intestinos sem conteúdo fecal e pedaços de carcaça. Esta farinha sofre autoclavagem, secagem e moagem. É um produto de excelente qualidade para a alimentação animal e é comparável à farinha de carne de boa qualidade. Esta farinha apresenta cerca de 60% de PB e Extrato Etéreo médio de 13%. Devido ao alto teor de gordura, deve-se acrescentar um antioxidante para evitar a rancificação. Produto que pode ser usado na alimentação inicial e crescimento de suínos e aves pois fornece um alto nível de energia e aminoácidos em boa quantidade e qualidade. C – Farinha de Sangue A matéria prima (sangue) para a elaboração da farinha de sangue pode ser coletado em abatedouros de bovinos, suínos e aves. Após a coleta o sangue é autoclavado e dessecado para formar a farinha.Se o produto é exposto a altas temperaturas a proteína é desnaturada isto é sua estrutura é alterada e a qualidade protéica da farinha fica prejudicada. Seu nível protéico pode ser superior a 80%, de muito bom aproveitamento, e o Extrato Etéreo varia de 1 a 2%. Os níveis de Ca e de P são baixos, no entanto Cl e Na estão em bons níveis. A farinha de sangue é utilizada na alimentação de suínos e aves em crescimento. D – Farinha de Penas As penas de aves podem ser tratadas e servem como um bom suplemento para a alimentação animal já que sua estrutura básica é a proteína. Após a hidrólise a digestibilidade da proteína pode chegar a 75% da PB. A maior parte da proteína existente nas penas é a queratina e o tratamento térmico visa decompor a queratina. Quando este produto apresenta sangue, há uma melhora na qualidade dos aminoácidos. A energia metabolizável deste produto é de 2350 a 3047 Kcal, PB varia de 83 a 90% com coeficiente de digestibilidade inferior a 75%. O EE é da ordem de 3 a 3,5% e pode ser alterada com a qualidade no abate e o teor de cinzas é baixo. A proteína da farinha de penas tem valor biológico semelhante a dos outros produtos de origem animal e é excelente para a alimentação de ruminantes. O produto é uma excelente fonte protéica para suínos e pode ser usada em até 7% na ração de aves. Vale salientar que esta farinha é pobre em Lisina, aminoácido essencial e limitante para aves e suínos. Rações pobres em Lisina há atraso na maturidade sexual de aves. E – Farinha de Peixe A farinha de peixe é um produto seco e triturado produzido de peixes inteiros ou em partes, com teor de sal deve ser inferior a 7%. Apresenta boas qualidades nutritivas e é classificada de acordo com a matéria prima a ser elaborada e o País em que está sendo produzida. No Peru a farinha de peixe é feita de anchova enquanto na Noruega esta é elaborada com arenque. No Brasil a farinha de peixe é feita com sardinhas ou espécies do mesmo porte. O produto final pode sofrer alteração conforme a espécie de peixe utilizada e o processo de obtenção. Farinhas que apresentam altos teores de gordura apresentam dificuldade no armazenamento, principalmente em lugares de clima quente. Produto que tem alto teor de cinzas pode ter sido alterado com a adição de sal ou areia. A farinha de peixe apresenta teor protéico de 58% e EE em torno de 11% e elevado teor de Vitamina B12. Não é comum sua utilização em rações para bovinos em suínos é usada nas fases inicial e crescimento. Não pode ser usado na fase de terminação de suínos por levar os animais a apresentarem gordura flácida e sabor desagradável. Esta farinha pode ser usada na alimentação de aves que necessitam de alto teor de proteína em sua ração inicial como é o caso de perus, faisões e codornas. F – Leite e seus Derivados O leite é o produto necessário para a primeira fase da vida de todos os mamíferos. Os derivados obtidos do leite podem ser adicionados à ração ou fornecidos “in natura”. Os principais derivados do leite são: leite desnatado, leite desnatado em pó, soro de leite, soro de leite condensado e soro de manteiga. Os produtos derivados do leite, em estado natural são de difícil administração. Os produtos secos são mais utilizados para esta finalidade. O leite desnatado em pó possui 33% de PB, 51% de Lactose, 8% de sais Minerais e 1% de Gordura. Este produto é muito usado em granjas de suínos que realizam desmama precoce. O seu fornecimento é limitado pela disponibilidade e custo. O soro seco é obtido após a dessecação do soro do leite. O soro do leite é um resíduo da produção de queijo e manteiga. Apresenta proteína em torno de 13-14%, com alto valor biológico. Nível de Ca e P é de 0,9 e 0,75%, respectivamente. Boa fonte de Vitaminas Hidrossolúveis, principalmente a B2 enquanto as lipossolúveis devem ser suplementadas. O soro é muito aceito na alimentação de suínos, no entanto seu fator limitante é a disponibilidade. Nos primeiros dias de fornecimento, os animais que recebem soro podem apresentar diarréia. G – Farinha de Cama de Aviário A cama de aviário pode ser usada na alimentação animal de duas formas: fermentada ou não. Ela é constituída pelo material usado na cama, normalmente maravalha, fezes, penas e ração que cai dos comedouros. Para sua utilização deve ser desidratada, fermentada aerobicamente e aquecida à seco. A desidratação é realizada com ventilação natural para que a umidade diminua. Após desidratada deve ser triturada. Deverá ser amontoada em forma de cone para que ocorra a fermentação aeróbica, eliminação da amônia e diminuição da população microbiana. No aquecimento à seco espera-se efeito semelhante à desidratação só que em período mais curto. A Farinha de cama de aviário apresenta 2440 Kcal de ED, 18 a 40% de PB, 1 a 5% de EE, teor de fibra variável, dependendo do material usado para cama, cinzas de 8 a 34%, boa quantidade de Ca e P, baixo teor de Vitamina A e D e elevado teor de Vitaminas do Complexo B. H – Farinha de Ossos A farinha de ossos é fabricada com ossos oriundos da industrialização de carnes destinadas a embutidos ou então da coleta de ossos em açougues. Atualmente com a desossa das carnes para a exportação e também consumo interno a quantidade de ossos para a produção desta farinha tem aumentado nas indústrias. Esta farinha pode ser obtida pelo processo térmico ou químico. No comércio podemos encontrar a Farinha de Osso Calcinada e a Autoclavada. Na farinha de ossos calcinada, os ossos são calcinados de forma que toda a matéria orgânica é destruída, restando somente as cinzas. O material resultante possui 37% de Ca e 16% de P. Para a produção da farinha de osso autoclavada os ossos são cozidos sob pressão em autoclave, sendo posteriormente secos e moídos. O teor de Ca é na ordem de 24% e 12,8% de P. Esta farinha contém resíduo de EE na ordem de 12%. Atualmente tem sido verificada a baixa qualidade das farinhas de osso autoclavadas. Esta má qualidade se deve ao processo de rancificação e presença de microorganismos. A fraude deste produto também é muito observada. I – Dejeções Animais As fezes dos animais, principalmente suínos, são coletadas, amontoadas, homogeneizadas e trituradas. O esterco animal era muito usado na adubação vegetal devido ao seu teor de Nitrogênio. Os níveis nutricionais variam conforme a espécie animal, sua alimentação e a fase de produção. No entanto este produto apresenta baixa digestibilidade e palatabilidade. As fezes de suínos são usadas para alimentação de peixes. Não se pode oferecer esse produto para ruminantes. 16.3. Outros Produtos A – Fosfato Bicálcico É um sal de cálcio do ácido fosfórico, submetido ao processo de defluorinização. Ele apresenta a especificação apresentada no Quadro 24. QUADRO 24 – Especificação do Fosfato Bicálcico ESPECIFICAÇÃO % Matéria Mineral (mínimo) 80,00 Cálcio (mínimo) 22,50 Cálcio (máximo) 24,50 Fósforo (mínimo) 18,50 Flúor (máximo) 0,18 Manganês (máximo) 0,80 Fonte: ANFAR (1985) B – Calcário Calcítico É o carbonato de cálcio desidratado e moído. Sua especificação é mostrada no Quadro 25. QUADRO 25 – Especificação do Calcário Calcítico ESPECIFICAÇÃO % Matéria Mineral (mínimo) 96,00 Cálcio (mínimo) 37,00 Manganês (máximo) 1,00 Fonte: ANFAR (1985) C – Sal Comum É um composto químico NaCl (cloreto de sódio) obtido através da desidratação e purificação de salinas. Sua especificação se encontra no Quadro 26. QUADRO 26 – Especificação do Cloreto de Sódio ESPECIFICAÇÃO % Umidade (máximo) 2,00 Cloreto de Sódio (mínimo) 97,00 Cloro 59,60 Sódio 39,70 Fonte: ANFAR (1985) D – Uréia É uma fonte de Nitrogênio Não Protéico e obtido como subproduto no processamento do petróleo. Sua especificação se encontra no Quadro 27. QUADRO 27 – Especificação da Uréia ESPECIFICAÇÃO % Nitrogênio (mínimo) 45,00 Fonte:ANFAR (1985) E – Aminoácido DL – Metionina A DL-Metionina é um aminoácido sintético derivado do petróleo. Sua especificação se encontra no Quadro 28. QUADRO 28 – Especificação da DL-Metionina ESPECIFICAÇÃO % DL-Metionina (mínimo) 98,00 Fonte: ANFAR (1985) F – Aminoácido L – Lisina (monocloridrato) A L-Lisina (monocloridrato) é um aminoácido sintético obtido da fermentação microbiana, podendo ser usado como substrato o melaço da cana. Sua especificação se encontra no Quadro 29. QUADRO 29 – Especificação da L-Lisina (monocloridrato) ESPECIFICAÇÃO % L-Lisina (mínimo) 79,00 Pureza 98,00 Fonte: ANFAR (1985) 17. Fatores Antinutricionais presentes nos Alimentos Os fatores antinutricionais existentes nos alimentos são estudados há vários anos. Quase todas as fontes protéicas de origem vegetal possuem esses fatores que precisam ser eliminados por processos especiais para poderem ser usados na alimentação animal. 17.1. Inibidor de Tripsina (Sojina) A Soja crua possui um fator antinutricional chamado Inibidor de Tripsina, antigamente denominado de Sojina, fator que limita seu uso na forma crua, sem sofrer tratamento térmico. Atribui-se a ação deste fator a quatro proteínas encontradas nos grãos crus. Estas proteínas atuam no trato intestinal e influenciam a digestão e utilização de vários nutrientes, sendo a inibição das enzimas tripsina e quimiotripsina as mais importantes. Estas proteínas também provocam a redução da ação de enzimas proteolíticas, acarretando redução na taxa de crescimento, aumento do tamanho do pâncreas, redução na absorção de gordura e diminuição da EM da porção não lipídica da dieta. Somente os monogástricos são afetados pelos efeitos do Inibidor de Tripsina quando da ingestão de soja crua. A soja crua pode ser largamente usada para ruminantes adultos sem nenhum prejuízo no desempenho dos animais. A soja crua não deve ser ministrada junto com a uréia porque a urease contida nas sementes de soja desdobram a uréia resultando em amônia. Todos esses fatores antinutricionais podem ser destruídos e o valor nutritivo da soja crua pode ser elevado com a utilização do calor adequado, usando-se vapor, atrito ou pressão. A tostagem nem sempre consegue inativar inteiramente os agentes e é difícil a determinação de um ponto ótimo para este aquecimento. O cozimento excessivo reduz o valor biológico da proteína pela destruição de alguns aminoácidos, principalmente pelo bloqueio da Lisina. Para controlar a atividade das substâncias inibidoras de tripsina utiliza-se a enzima urease como indicador. Para que o farelo de soja seja considerado bom para o consumo de aves e suínos ele deve apresentar atividade ureática entre 0,05 e 0,30. Quando esta atividade é zero, admite-se que a soja recebeu calor em excesso e que a super-tostagem prejudica o valor nutricional do alimento. Quando a atividade ureática é superior a 0,30 a tostagem não foi suficiente e os princípios antinutricionais não foram eliminados. 17.2. Gossipol Os efeitos antinutricionais provocados pelo uso de farelo de algodão em dietas para certas espécies animais têm sido atribuídos a dois grupos de substâncias químicas: Gossipol e Ácidos Graxos Ciclopropenóides. O Gossipol é um alcalóide polifenólico que está presente na semente do algodão. A semente possui cerca de 15 pigmentos diferentes de Gossipol. Durante o processamento da semente esta se rompe e libera o Gossipol. Os Ácidos Graxos Ciclopropenóides são encontrados no óleo contido na semente do algodão e sua quantidade depende da quantidade do óleo existente na semente. Estas substâncias possuem efeitos antinutricionais variados, dependendo da espécie animal que consome o farelo de algodão. O Gossipol diminui a digestibilidade da proteína e da Lisina. Os efeitos do Gossipol são mais acentuados em animais jovens e os suínos são mais sensíveis que as aves. Os Ácidos Graxos Ciclopropenóides provocam grande deposição de ácido esteárico e palmítico no ovo e na carcaça de aves. Os ruminantes não sofrem problemas de intoxicação com a ingestão do Gossipol existente no farelo de algodão. O fornecimento para bezerros deve ser limitado. O farelo de algodão é pouco utilizado na alimentação de suínos e aves daí, a pouca preocupação com este fator antinutricional. O Gossipol pode ser removido do farelo de algodão como uma mistura de hexano, acetona e água na proporção de 44:53:3, mas esse processo não está em uso comercial. O uso de sais de ferro diminui a toxidez do Gossipol sendo o Sulfato Ferroso (FeSO4) o mais usado. Eles agem com o Gossipol formando um complexo que diminui a toxidez do Gossipol. O Gossipol do farelo de algodão pode ser determinado através de análises químicas, sendo o nível de 0,04% o máximo admissível. 17.3. Tanino Existem variedades de sorgo que possuem grande quantidade de Tanino nas sementes. O Tanino diminui a palatabilidade do alimento além de possuir atividade antinutricional. Ele é medido em quantidade percentual do ácido tânico e é pouco tolerado pelas aves. Quando está presente no grão de sorgo em nível superior a 1%, diminui a digestibilidade de aminoácidos, sendo a metionina a mais afetada. Seu efeito em aves é mais marcante que em suínos já que a metionina é um aminoácido essencial para esta espécie e o primeiro aminoácido limitante. O uso de sorgo na alimentação de ruminantes não acarreta problemas nutricionais, mesmo em níveis elevados. Em bovinos jovens os efeitos são semelhantes aos dos monogástricos. Não existe um tratamento eficaz que se utilize na semente do sorgo para extrair o Tanino e melhorar o valor nutritivo do grão. Atualmente existem variedades de sorgo com baixo Tanino e estes podem ser usados em substituição ao milho na alimentação de monogástricos. Quando se usar variedades com alto teor de Tanino na alimentação de aves e suínos deve-se ter o cuidado de não usá-lo como única fonte energética e sim em associação com o milho triturado ou farelo de trigo. O teor de Tanino do sorgo pode ser avaliado por análises químicas e o resultado é expresso em percentagem de ácido tânico na amostra. O valor máximo de Tanino admissível é de 1% de ácido tânico. 17.4. Aflatoxinas A utilização de farelo e torta de amendoim na alimentação animal deve ser bastante criteriosa devido à contaminação por fungos produtores de micotoxinas. Amendoim colhido em períodos secos pode estar isentos do fungo Aspergillus flavus, maior responsável pelo nível de contaminação dos alimentos e produtor das Aflatoxinas. Este fungo se encontra no solo e seus esporos estão no ar e se desenvolvem em temperatura entre 10 e 45 ºC com umidade relativa do ar em torno de 74%. A intoxicação pelo fungo provoca baixa postura de ovos, ovos menores e um baixo índice de eclosão. Acorrem também distúrbios no metabolismo de lipídeos com deposição de gordura hepática, diminuição dos lipídeos no sangue e, consequentemente, na carcaça e diminuição dos níveis hepáticos de Vitamina A. De maneira geral ocorre pior conversão alimentar e atraso no crescimento. Os bovinos também são afetados e pode-se observar queda na produção leiteira e pode eliminar a toxina através do leite. Em bovinos jovens podemos observar mortalidade de 5 a 100% dos animais entre 3 e 9 meses de idade. A extração de Aflatoxinas pode ser feita com o uso do etanol hidratado o que elimina em até 90% a toxidez. Este processo não está sendo utilizado em escala industrial devido ao custo elevado ou precisão dos resultados. O nível de Aflatoxinas suportável pelas diversas espécies é variável. A FAO (1987) admite um nível de até 2 mg/Kg ou 2 ppm de Aflatoxina no farelo de amendoim. Segundo padrões da ANFAR (1985) as indústrias de ração aceitam nível máximo de 0,5 mg/Kg ou 0,5 ppm. 17.5. Linamarina A semente de linhaça, antes de amadurecer, e a mandioca (mandioca brava) apresentam um glicosídeo cianogênico chamado Linamarina. A Linamarina sob a ação da enzima linase ou linamaraseproduz ácido cianídrico, mas também glicose e cetona. Este princípio tóxico pode ser destruído pela ação do calor. Segundo alguns autores a dose tóxica de Linamarina é de 1mg/Kg de PV. O farelo de linhaça também possui uma Anti-Vitamina para a Vitamina B6. Esta pode ser extraída através do vapor de água. O farelo de linhaça não é indicado para monogátricos. Para ruminantes deverá ser usado com restrição entre 5 a 10% da ração. 20.6. Ácido Cianídrico Alguns autores relatam que a mandioca não apresenta o HCN, mas sim a Linamarina que sob a ação da enzima linamarase produz o ácido cianídrico. Quando a raiz da mandioca é picada, a enzima linamarase é perdida e não ocorre a transformação e a raiz da mandioca pode ser usada para a alimentação dos animais. Tem sido verificada na raiz da mandioca a liberação de Ácido Cianídrico (HCN), que, nas variedades mansas, não passa de 0,005%. Essas variedades não são prejudiciais quando usadas frescas na alimentação dos animais. Nas cascas e nas raízes inteiras das variedades chamadas de bravas o teor de HCN é de 0,02 a 0,03% e o agente cianogênico é bem distribuído entre a casca e a poupa. Os efeitos tóxicos podem ser evitados ao se desidratar a mandioca. O processo de desidratação consiste em picá-la e deixada ao ar livre por um período de 24 horas. Após este tratamento a raspa da mandioca pode ser usada na alimentação dos animais. 18. Formulação de Ração Animal Existem vários métodos que podem ser utilizados para a formulação de rações para animais. O método matemático é o mais antigo. Atualmente existem diversos programas computacionais que têm a finalidade de elaborar estas rações conforme os ingredientes disponíveis e também os seus custos. Um dos métodos utilizados para a formulação de ração pode ser o método da tentativa. Neste nenhum esquema é utilizado. O cálculo é feito através de tentativas visando atender às necessidades dos animais. 18.1. Quadrado de Pearson O Quadrado de Pearson é a técnica matemática mais usada para calcular uma ração. Isto se deve à sua simplicidade. O cálculo da ração leva em consideração o valor percentual de determinado nutriente, que geralmente é a proteína. Ele estabelece a proporção entre dois alimentos, ou duas misturas de alimentos, de forma a obter um valor para proteína que seja intermediário ao teor protéico dos dois alimentos misturados. Para o cálculo da ração usando dois alimentos devemos proceder da seguinte maneira: Ex: Deseja-se fornecer uma ração para aves que apresente 18% de PB. Queremos utilizar o fubá de milho (9%de PB) e o farelo de soja (45% de PB). Desenhar um quadrado e colocar no centro a quantidade de proteína que se deseja (no caso 18%). Colocar nos ângulos do lado esquerdo do quadrado, a porcentagem de proteína de cada alimento que será misturado. No exemplo 9% do fubá de milho (FM) e 45% do farelo de soja (FS). Fazer a diferença entre os valores, no sentido diagonal do quadrado e colocar os resultados nos ângulos do lado direito, em valores absolutos (subtrair sempre o número maior do menor). No exemplo temos: (45 – 18 = 27 e 18 – 9 = 9). Os resultados expressam as partes de cada alimento que devemos utilizar para termos uma mistura com 18% de PB. No exemplo temos 27 partes do FM e 9 partes do FS, o que dá um total de 36 partes. As quantidades de cada alimento devem ser expressas em porcentagem do total. Se a mistura possui 36 partes esta corresponde a 100%. Fazendo uma regra de três veremos que as 27 partes do FM correspondem a 75% e que as 9 partes do FS correspondem a 25%. Para cada 100 Kg de ração com 18% de PB deveremos misturar 75 Kg de FM e 25 Kg de FS. Vale lembrar que alguns cuidados deverão ser tomados ao se aplicar este método: Somente podem ser usados dois alimentos ou dois grupos de alimentos; Usar de preferência um alimento protéico (FS) e outro energético (FM); É necessário que o teor protéico a ser alcançado esteja entre os teores dos dois ingredientes; Os dados da esquerda e do centro do quadrado devem ser sempre em porcentagem ou na mesma unidade. As diferenças efetuadas no sentido das diagonais devem ser sempre em valor absoluto, ou seja subtrair o maior valor do menos. PB do FM 9% 27 partes do FM PB do FS 45% 9 partes do FS ____________ 36 partes Total da Mistura = 36 partes (27 FM + 9 FS) Para o cálculo da ração usando três ou mais alimentos, proceder da seguinte maneira: O quadrado de Pearson só admite dois alimentos, no entanto podemos realizar manobras de forma que possamos formular ração com mais de dois alimentos. Ex: Realizar balanceamento de ração com 22% de PB usando o farelo de trigo (FT) com 16% de PB, fubá de milho (FM) com 9% de PB e farelo de soja (FS) com 45% de PB. Para solucionarmos este problema temos que trabalhar com um do ingrediente fixo. O ingrediente fixo é aquele que sua percentagem na mistura é pré-determinada. No caso do nosso exemplo temos dois alimentos energéticos (FT e FM) e um alimento protéico (FS). Determinei que vou fixar a quantidade de FT em 25 Kg. Como fixei esta quantidade devo calcular quanto 25 Kg de FT me fornece de proteína e subtrair da quantidade exigida na ração. Os cálculos estão expressos no Quadro 30. QUADRO 30 – Cálculos relativos às necessidades nutricionais conforme exercício. COMPONENTES Kg PB (Kg) Necessidade do Animal 100 22 Fornecido pelo FT 25 4 Déficit da Necessidade 75 18 OBS: Para encontrarmos a quantidade de PB fornecida pelo FT fazemos o seguinte cálculo: 100Kg de FT fornece 16 kg de PB. Em 25 Kg de FT quantos Kg de PB teremos? Realizamos uma regra de três simples e obteremos: (25 X 16) / 100 = 4 O déficit da necessidade deverá ser suprido pela porção não fixa da ração, ou seja FM e FS. A união destes deverá fornecer 18% de PB em 75% da mistura. Antes de montar o quadrado de Pearson devemos realizar a seguinte regra de três: Se em 75 Kg de alimento temos 18% de proteína, em 100 kg deveremos ter (100 X 18 / 75) 24% de PB. Realizando cálculos semelhantes ao do exemplo anterior teremos: PB do FM 9% 21 partes do FM PB do FS 45% 15 partes do FS Total da Mistura = 36 partes (21 FM + 15 FS) Como a mistura de FM e FS deverá suprir somente 75% da mistura total devemos calcular as quantidades necessárias usando as quantidades encontradas no Quadrado de Pearson (21 partes de FM e 15 partes de FS). Utilizando regra de três, temos que 36 partes correspondem a 75%. Em 75 partes da mistura teremos quanto de FM? (75 X 21) / 36 = 43,75 Kg de FM Utilizando outra regra de três temos que 36 partes da mistura vai nos fornecer 15 partes de FS. Em 75 partes da mistura teremos quanto de FS? (75 X 15) / 37 = 31,25 Kg de FM. Essa Segunda regra de três pose ser substituída por uma subtração (75 – 43,75 = 31,25). O resultado final pode ser observado no Quadro 31. QUADRO 31 - Cálculos relativos às exigências nutricionais conforme exercício. ALIMENTO Kg PB (Kg) Farelo de Trigo 25,00 4,00 Fubá de Milho 43,75 3,94 Farelo de Soja 31,25 14,06 Total 100,00 22,00 18.2. Processo Algébrico Neste processo podemos calcular os teores de nutrientes através do estabelecimento de equações algébricas e resolução do sistema de equações. Da mesma forma que o quadrado de Pearson as equações algébricas são um método simples de calcular uma mistura de alimentos. Para o cálculo da ração usando dois alimentos devemos estabelecer equações para satisfazer as condições desejadas. Veja o exemplo. Ex: Desejo uma mistura que me forneça 18% de PB utilizando o FM (9%de PB) e FS (45% de PB) Temos as seguintes condições: 1 – A quantidade de FM somada com a quantidade de FS meproporcionará 100 Kg de ração. 2 - A quantidade de PB existente no FM somada com a quantidade de proteína do FS me proporcionará 18% de PB. Com essas duas condições podemos montar as seguintes equações: A – X + Y = 100 B - 0,09 X + 0,45Y = 18 Se X representa a quantidade de FM e Y representa a quantidade FS, resolvendo as equações temos: Y = 25 Kg de FS e X = 75 Kg de FM Com isso afirmamos que uma mistura com 75% de FM e 25% de FS apresenta 18% de PB. Para o cálculo da ração usando três ou mais alimentos, estabelecemos equações para satisfazer as condições desejadas, mas fixando a quantidade de um dos alimentos. Veja o exemplo. Ex: Desejo uma mistura que me forneça 22% de PB utilizando o FT (16% de PB), FM (9%de PB) e FS (45% de PB). O ingrediente que será fixo é o FT na quantidade de 25 Kg (Quadro 32). QUADRO 32 - Cálculos relativos às exigências nutricionais conforme exercício. COMPONENTES Kg PB (Kg) Exigência do Animal 100 22 Fornecido pelo FT 25 4 Déficit da Exigência 75 18 OBS: Cálculos semelhantes ao exposto na Tabela 25. Neste caso as equações serão as seguintes: A - X + Y = 75 B - 0,09 X + 0,45 Y = 18 Resolvendo o sistema de equações teremos os seguintes valores para X (FM) e Y (FS). X = 43,75 Kg de FM e Y = 31,25 Kg de FS A mistura completa terá: 25% de FT, 43,75 Kg de FM e 31,25 Kg de FS. Caso se queira fazer uma ração com mais de três componentes, devemos fixar os ingredientes, deixando somente dois a serem calculados. Outro tipo de cálculo realizado utilizando o Processo Algébrico é quando temos que elaborar uma ração tendo como base não só a PB mas também a EM. O processo é o mesmo só que serão misturadas estas duas exigências. Ex. Calcular a proporção de FM e FS em uma ração para que a mesma apresente 22% de PB e 3200 Kcal de EB. Sabe-se que o FM possui 9% de PB e 3900 Kcal de EB e o FS possui 45% de PB e 2200 Kcal de EB. Em primeiro lugar deve-se estabelecer as equações com os dados apontados acima. Fixamos que X representa a quantidade de FM e que Y é a quantidade de FS. A – 9,0 X + 45,0 Y = 22 B – 3900 X + 2200 Y = 3200 Resolvendo estas equações temos que X = 0,56 e Y = 0,37. Sabendo-se que X + Y = 0,56 + 0,37 = 0,93 - temos as seguintes regras de três: 0,93 100 FM = 60,22 0,56 FM 0,93 100 FM = 39,78 0,37 FS Ou seja, para cada 100 Kg devemos misturar 60,22Kg de FM com 39,78Kg de FS para obtermos a mistura desejada. Com mais de dois ingredientes, deveremos fixar um deles e proceder da mesma forma que foram realizados os exercícios anteriores. 19. Termos usados em Nutrição Animal Alimento – Toda matéria que pode ser aproveitada pelos animais e que favorece a vida, a saúde e a produção. Nutriente – Componentes dos alimentos. Entra no metabolismo celular e favorece a manutenção da vida. Alimentação – Ingestão ou administração de alimento. Nutrição – Utilização adequada dos princípios nutritivos para a satisfação das necessidades dos animais. Ração – Quantidade total de alimento fornecido e consumido pelo animal em 24 horas. Ração Balanceada – Mistura equilibrada de alimentos que fornece todos os nutrientes que o animal necessita. Ingrediente – Componente de qualquer combinação ou mistura que constitui uma ração. Alimento Concentrado – Alimento que possui menos que 18% de FB. Alimento Volumoso – Alimento que possui mais que 18% de FB. Conversão Alimentar – Capacidade do animal em transformar alimento em produção. Eficiência Alimentar – Quantidade de produção por alimento que é consumido. Fórmula da Ração – Seleção quantitativa dos ingredientes de uma ração ou de um suplemento. Deficiência Nutritiva – inexistência ou deficiência de um nutriente essencial. Carência – Deficiência de nutriente na alimentação animal. Exigência Nutricional – Quantidade de cada nutriente necessária para mantença, produção e reprodução animal. Digestibilidade – Capacidade de um alimento para ser digerido pelo animal. NRC – “National Research Council” – Conselho Nacional de Pesquisa – Academia de Pesquisa Americana responsável pela elaboração de tabelas contendo a exigência nutricional dos animais. FDA – Fibra em detergente ácido. Compreende a celulose, hemicelulose e lignina da Fibra. FDN - Fibra em detergente neutro. Compreende a celulose e hemicelulose da Fibra. 20. BIBLIOGRAFIA ANNISON, E.F. and DYFED LEWIS. Metabolism in the Rumen. Methuen Co. Ltda., London, 1959 BERTECHINE, A.G. Nutrição de Monogástricos. Lavras: UFLA/FAEPE, 1998. CARDOSO, R.M. Minerais para Ruminantes. Viçosa, U.F.V., 1983, 86 p. CHAMPE, P.C., HARVEY, R.A. Bioquímica Ilustrada. 2ª ed. Porto Alegre: Artes Médicas Sul (ARTMED), 1996. CONRAD, J.H.; MC-DOWELL, L.R.; ELLIS, G.L. & LOOSLI, J.K. Minerais para Ruminantes em Pastejo em Regiões Tropicais. Gainesville, Flórica, University of Flórida., 1985., 90 p COTTA, J.T.B. Galinha: Produção de Ovos. Viçosa: Aprenda Fácil, 2002. DA SILVA, J.F.C. & LEÃO, M.I. 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Peso Vivo: 50% 15% 5% CARBOIDRATO DA DIETA DIGESTÃO NO INTESTINO DELGADO AÇÚCARES SIMPLES PORÇÃO NÃO DIGERIDA INTESTINO GROSSO - FERMENTAÇÃO ABSORÇÃO GORDURA FÍGADO GLICOGÊNIO MÚSCULO ENERGIA AGV’S RESÍDUOS GLICOGÊNIO FÍGADO CO2 + H2O � EMBED Word.Picture.8 ��� Lipídeos da Dieta Fígado (Metabolismo) Intestino Delgado (Emulsificação e Hidrólise) Síntese Absorção Sangue Aves Suínos Mesentério Vasos Linfáticos Tecidos Extra-Hepáticos Oxidação Tecido Adiposo Sistema Porta Ducto Toráxico Proteína da Ração Proteína Digerida e Absorvida Proteína não Digerida Proteína Fecal Microbiota Proteína Metabolizada Proteína Orgânica Proteína usada como Energia Excreção Urinária Energia CO2 + H2O Catabolismo Anabolismo Produtos ENERGIA BRUTA INGERIDA ENERGIA DIGESTIVA ENERGIA FECAL ENERGIA METABOLIZÁVEL ENERGIA URINÁRIA ENERGIA LÍQUIDA MANTENÇA METABOLISMO BASAL ATIVIDADES CALOR CORPORAL INCREMENTO CALÓRICO ENERGIA PRODUTIVA CRESCIMENTO REPRODUÇÃO GESTAÇÃO LACTAÇÃO Consumo de Ração (g) Ganhode Peso (g) 2.800 3.000 3.200 2.800 3.000 3.200 Gordura na carcaça (%) Conversão alimentar (g/g) 2.800 3.000 3.200 2.800 3.000 3.200 3.150 3.350 3.550 18 % 24 % _1189837031.doc