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CAPÍTULO 5 OPERADORES LOGÍSTICOS A partir da concepção do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes objetivos de aprendizagem: Conhecer os conceitos e classifi cação relacionados aos operadores logísticos e seus desafi os; Compor um processo de terceirização e de escolha de prestador de serviço logístico. 208 Logística e Distribuição 209 OPERADORES LOGÍSTICOS Capítulo 5 CONTEXTUALIZAÇÃO Para compreender a importância que os Operadores Logísticos possuem atualmente na economia, pode-se adotar como referência o valor que as atividades logísticas produzem para o Brasil. Essas tão importantes atividades de tornar os produtos e serviços disponíveis nas quantidades desejadas, e nos locais e nos momentos em que se precisam deles, correspondem a alguns trilhões se considerarmos o mundo. Estes valores correspondem a um percentual signifi cante do Produto Nacional Bruto (PNB) dos países. Fica evidente a importância em gerenciar estes custos e benefícios da maneira mais efi ciente e efi caz que se possa. E atrás disso é que estão os Prestadores de Serviços Logísticos (PSL). Em 1999 as receitas das empresas do setor alcançaram US$ 45 bilhões, ou seja, cerca de 5% do total dos gastos em logística. Em 2001 as receitas ultrapassaram a barreira dos US$ 50 bilhões (LIEB; KENDRICK, 2002a). É estimado que algo em torno de 50 a 60% dos custos totais são terceirizáveis, o que demonstra o potencial de penetração que os operadores possuíam como desafi o. Segundo pesquisa realizada em 2002, dois terços de uma amostra das 500 empresas da Fortune utilizavam alguma forma de PSL, com um gasto estimado em 24% do seu orçamento logístico (LIEB; KENDRICK, 2002a). Esta realidade também era evidente na Europa, mercado que foi avaliado à época em torno de 51,4 bilhões de euros em 2001 (ALLEN, 2003). É um mercado crescente e dinâmico, e o Brasil tem apresentado a mesma tendência de outros mercados ao longo dos últimos anos. Com uma grande entrada dos principais PSLs do mundo em função dos seus clientes globais, alguns prestadores de serviços logísticos e novos operadores logísticos de origem nacional têm estado diante do surgimento de uma interessante indústria no cenário brasileiro. A exemplo da pioneira Ryder que se estabeleceu em 1997, trazida pela GM, outros importantes operadores mundiais chegaram, como a alemã DHL, as americanas McLane e a Penske, associadas à Cotia Trading, à holandesa TNT que foi trazida pela Fiat, à inglesa Exel, à francesa Gefco, dentre várias outras, demonstraram o potencial de crescimento do mercado nacional. 210 Logística e Distribuição OPERADORES LOGÍSTICOS: HISTÓRIA, CONCEITOS E A SUA EVOLUÇÃO A história no exterior diz respeito a uma indústria jovem. As primeiras práticas se iniciaram na Europa, explicando o maior operador do mundo ter sido a DHL, originária deste continente. A formação da comunidade europeia foi um dos fatores que estimularam a reestruturação das cadeias de suprimento no continente europeu. As cadeias ultrapassaram as fronteiras dos países de origem visando buscar a redução nos custos de fabricação nos países do leste europeu, bem como o acesso aos mercados vizinhos, dentre outros objetivos. O suporte desta expansão foi o desenvolvimento da Tecnologia da Informação e dos Operadores Logísticos (ALLEN, 2003). As raízes do nascimento da indústria nos EUA nascem a partir da década de 1950, quando se iniciaram as primeiras práticas de terceirização de transporte e armazenagem. Já na década de 1970 houve um grande foco na redução dos custos de atividades isoladas, ao passo que o início nos anos 1980 experimentou fortemente as práticas dos serviços de valor agregado, como empacotamento, gestão de estoques etc. (LYNCH, 2000). Com a desregulamentação do setor de transporte e com todos os fatores mencionados, determinou uma maior preocupação com a logística e consequentemente o aumento da procura por Operadores Logísticos (OLs), bem como a busca pela aplicação dos conceitos da logística integrada. Nos anos 1980 ocorreu a instalação do primeiro Operador Logístico no Brasil, a Brasildock’s-Pirelli, até então totalmente desconhecido pelas empresas brasileiras, e em 1988 foi criada a Associação Brasileira de Logística (ASLOG), segundo Lambert, Stock e Vantine (1998). Os anos 1990 foram um grande momento para os OLs com o aumento da demanda pelos clientes, que estavam interessados em terceirizar uma maior parte de suas atividades logísticas. Pode-se descrever o nascimento da indústria de OLs através de ondas dos entrantes. A primeira onda se iniciou nos anos 1980 com os tradicionais prestadores de serviços logísticos, que se desenvolveram a partir de uma forte posição em transporte ou armazenagem, como a Exel e a ASG. Já na segunda onda, nos anos 1990, traz os participantes de rede, tais como as organizações de entregas expressas, TNT, UPS e DHL. A onda mais recente introduz participantes de áreas diversas, como TI, fi nanças e consultoria, com o objetivo de atuarem com os integrantes Os anos 1990 foram um grande momento para os OLs com o aumento da demanda pelos clientes, que estavam interessados em terceirizar uma maior parte de suas atividades logísticas. 211 OPERADORES LOGÍSTICOS Capítulo 5 das primeiras e segundas ondas, tais como IBM, GeoLogistics, New Holland Logistics (BERGLUND et al., 1999). O histórico da indústria no Brasil tem suas origens relacionadas à abertura comercial em 1990, com a entrada maciça de multinacionais e a disseminação de práticas mais modernas de gestão. Embora a prática de terceirização de atividades logísticas não seja efetivamente nova no Brasil, a indústria de OLs decorre da estabilização da moeda, enquanto os custos e efi ciência não mais estavam camufl ados pela infl ação (RIBEIRO, 2001). Apesar do desenvolvimento da Logística Integrada se iniciar nesta época, o desenvolvimento propriamente dito dos OLs como indústria tem como marco inicial a chegada dos primeiros OLs internacionais em 1997, trazidos pelos seus clientes multinacionais (RIBEIRO, 2001). Outros OLs optaram por parceria para introdução no mercado com menor risco, tal como a Penske Logistics associada com a brasileira Cotia Trading. Outras organizações internacionais de serviço expresso como a DHL e a FedEx também entraram e despertaram em prestadores de serviço logístico nacionais o interesse na disputa de um mercado, à época, nascente e promissor de terceirização da logística. Apesar do desenvolvimento da Logística Integrada se iniciar nesta época, o desenvolvimento propriamente dito dos OLs como indústria tem como marco inicial a chegada dos primeiros OLs internacionais em 1997. A evolução tecnológica, como o Just in Time, a reengenharia, o kaizen, dentre outras, ocorreram neste período. O CONCEITO DE OPERADORES LOGÍSTICOS Nos anos 1980, nos Estados Unidos, se iniciou a construção da mentalidade que evoluiu para o que hoje denominamos por operador logístico. Se deu como decorrência dos serviços de transporte que passaram por um processo de desregulamentação, aumentando a competição e facilitando o crescimento deste segmento. A evolução tecnológica, como o Just in Time, a reengenharia, o kaizen, dentre outras, ocorreram neste período. Todas essas mudanças no segmento industrial geraram os importantes impactos nos sistemas de distribuição, direcionando as organizações na busca da redução de custos e maximização dos resultados. Como consequência de todas estas mudanças, segundo Novaes (2007), houve o aumento no número de transportadoras, a redução de taxas de frete e a oferta de serviços inovadores. As exigências dos embarcadores com maior poder de negociação perante um setor altamente competitivo, passaram a ser mais severas, exigindo melhores níveis de serviço, a preços mais baixos. Os 212 Logística e Distribuição transportadoresrodoviários tiveram, assim, suas margens de lucros reduzidas, não obstante o aumento de produtividade do setor. Buscando a sobrevivência e melhores nichos de mercado, começaram a oferecer uma gama mais ampla de serviços. Consequentemente, as empresas de transporte rodoviário ampliaram seus negócios, aumentando a rentabilidade e dando origem a uma grande parte dos operadores logísticos de hoje. A importância dada à prestação de serviços e à logística cresceu junto com a tendência de terceirização das atividades secundárias das organizações. Nas práticas atuais, ao se contratar serviços logísticos, se inclui serviços com valor agregado, os quais apresentam um maior conteúdo de informações. Também vê- se hoje em dia mudanças nas transações internacionais com a terceirização de serviços que originariamente eram realizados no âmbito da própria organização. A nova dinâmica baseia-se na organização focando cada vez mais nas atividades da cadeia de valor, onde obtém as maiores vantagens, os núcleos de competência dos negócios e o resto sendo adquirido externamente. Estas mudanças têm se evidenciado na logística, onde o fornecimento dos serviços de transporte, armazenagem e controle de estoques são cada vez mais subcontratados de especialistas ou parceiros logísticos. Figura 36 – Importância dos operadores logísticos (estudo KPMG/ Mattos Filho/FDC) Fonte: Adaptado de Operadores Logísticos (2015). Com a chegada das prestadoras de serviços internacionais também chegou a evolução neste setor, e por isso as organizações nacionais foram forçadas a se adaptar a uma nova forma, diferentemente do que era praticado e apresentado aos clientes nacionais até aquele momento. As novas tecnologias e a nova visão foram introduzidas nas organizações como uma forma de se manter no mercado com competitividade. 213 OPERADORES LOGÍSTICOS Capítulo 5 Várias defi nições sobre prestadores de serviços logísticos são encontradas nos livros e demais fontes técnicas. Este tipo de atividade em inglês é identifi cado como “Third-party logistic” ou “Logistics Providers”. Todavia, muitas vezes a expressão signifi ca o fornecimento de serviços em sua forma mais elementar, por exemplo, o transporte. A expressão Prestador de Serviços Logísticos diz respeito a todo tipo de atividade logística, mesmo as mais simples, sem relação com as novas tecnologias e práticas operacionais que dizem respeito ao Gerenciamento Integrado da Cadeia de Suprimentos. Já a expressão Operador Logístico (OL) consiste num Prestador de Serviços Logísticos (PSLs), que apresenta elevado nível de competência em atividades logísticas, com reconhecida capacidade técnica e operacional para desempenhar funções que podem compreender todo o processo logístico de uma organização. Figura 37 – Ilustração do ambiente operacional do OL e seu diferencial competitivo Fonte: Adaptado de Operadores Logísticos (2015). Segundo Novaes (2007), o Operador Logístico (OL) ou 3PL é um prestador de serviços logísticos (PSL) que tem competência reconhecida em atividades logísticas, desempenhando funções que podem englobar todo o processo logístico de uma empresa-cliente, ou somente parte dele. Embora não exista um consenso, esse conceito constitui a ideia central subjacente às defi nições citadas por vários autores. Logo, o uso do termo Operador Logístico servirá para caracterizar um tipo particular de PSL, conforme já conceituado acima. Desta forma, podemos dizer que os prestadores de serviços logísticos tradicionais (PSLs) se diferenciam dos OLs no gerenciamento de suas atividades, pois os PSLs só executam, e os 3PLs além de executar, as gerenciam. Outra defi nição para OL é a de Fleury, Wanke e Figueiredo (2000), que dizem que se constitui num fornecedor de serviços logísticos integrados, capaz de atender a todas ou quase todas as necessidades logísticas de seus clientes, de forma personalizada. O uso do termo Operador Logístico servirá para caracterizar um tipo particular de PSL. Várias defi nições sobre prestadores de serviços logísticos são encontradas nos livros e demais fontes técnicas. Este tipo de atividade em inglês é identifi cado como “Third-party logistic” ou “Logistics Providers”. 214 Logística e Distribuição Assim, fi ca implícito no uso do termo Operador Logístico (OL) ou 3PL (Third Party Logistics Provider) um grau de sofi sticação e avanço compatível com o observado nas modernas cadeias de suprimento (NOVAES, 2007). Os OL geram valor para seus clientes prestando serviços de maneira mais efi ciente e/ou efi caz. Embora os primeiros tipos de serviços a virem à mente, em se tratando em terceirização de atividades logísticas, serem serviços de transporte e armazenagem, existe uma grande quantidade de serviços que são prestados pelos OLs. Em se tratando do ambiente internacional se usa a denominação 3PL, mais frequentemente adotada para identifi car o Operador Logístico. No âmbito nacional adota-se a denominação Operador Logístico (FLEURY; RIBEIRO, 2003, p. 295). Para Sink e Langley (1997), um 3PL deveria ser capaz de oferecer, no mínimo, dois tipos de serviços, tais como armazenagem e transporte. Idealmente, essas atividades deveriam ser conduzidas de forma integrada e coordenada. A defi nição proposta por Murphy e Poist (2000) incorpora uma característica adicional: o desenvolvimento de relações formais no longo prazo entre os OL (ou 3PLs) e seus clientes. Sader (2007) apresenta um comparativo entre as características de um PSL tradicional e de um operador logístico (Quadro 15), onde é possível observar a diferenciação deste último em termos de atuação. Fica implícito no uso do termo Operador Logístico (OL) ou 3PL (Third Party Logistics Provider) um grau de sofi sticação e avanço compatível com o observado nas modernas cadeias de suprimento. Quadro 15 – Comparação entre as características de um PSL e de um OL Fonte: Adaptado de Sader (2007). 215 OPERADORES LOGÍSTICOS Capítulo 5 Lima (2004) explica que poucos operadores possuem habilidade para administrar todas as funções ou atividades que os clientes terceirizam, assim os embarcadores muitas vezes usam mais de um 3PL para satisfazer as suas necessidades de terceirização logística. Assim, os clientes estão designando um de seus operadores ou uma empresa de consultoria para atuar como integrador logístico para gerenciar e coordenar os diferentes prestadores de serviços logísticos utilizados por eles. Antes de continuarmos no desenvolvimento do tema é importante estabelecer o signifi cado de alguns conceitos relacionados, tais como: • O First Party Logistics Provider (1PL) é uma organização ou um indivíduo que precisa ter carga, frete, materiais, produtos ou mercadorias transportadas a partir de um ponto A para um ponto B. O termo signifi ca tanto para o remetente da carga como para quem é o recebedor de carga. O 1PL pode ser um fabricante, comerciante, importador/exportador, atacadista, varejista ou distribuidor no campo do comércio internacional. Pode ser também organização como governo ou um indivíduo ou família que removem quaisquer materiais de um lugar para outro. O fabricante ou o ator industrial que não terceiriza atividades de transporte e logísticas a terceiros. Estas funções são realizadas pelos próprios departamentos da organização. • Um Second Party Logistics Provider (2PL) é uma transportadora baseada em ativos, que na verdade é dona dos meios de transporte. Os típicos 2PLs seriam companhias marítimas que possuem, arrendam ou fretam seus navios; companhias aéreas que possuem, alugam ou fretam seus aviões e as companhias de caminhões que possuem ou alugam seus caminhões. • Um Third Party Logistics Provider (3PL) ou Operador Logístico Terceirizado fornece serviços terceirizados de logística para as organizações para uma parte ou às vezes toda a sua função de gerenciamento da cadeia de fornecimento. Aindadiz respeito, sobretudo, ao transporte de mercadorias de um fornecedor/expedidor para um comprador/destinatário, mas inclui serviços adicionais envolvidos na cadeia de suprimentos. Estes serviços podem incluir armazenagem, operação de terminais, desembaraço aduaneiro, gerenciamento da cadeia de suprimentos, soluções de TI para a logística e serviços de análise, identifi cação e rastreio. Um 3PL fornece todos estes O 1PL pode ser um fabricante, comerciante, importador/ exportador, atacadista, varejista ou distribuidor no campo do comércio internacional. Um Third Party Logistics Provider (3PL) ou Operador Logístico Terceirizado fornece serviços terceirizados de logística para as organizações para uma parte ou às vezes toda a sua função de gerenciamento da cadeia de fornecimento. Um Second Party Logistics Provider (2PL) é uma transportadora baseada em ativos. 216 Logística e Distribuição serviços e gerencia as obrigações de cada parte da saída de mercadorias até o destino. Alguns exemplos daqueles bem conhecidos incluem DHL, Wincanton, Norbert Dentressangle, a CEVA Logistics & NYK. • O Fourth Party Logistics Provider (4PL) é uma integradora independente, individualmente responsável, não baseada em ativos, que vai reunir os recursos, capacidades e tecnologia de sua própria organização e outras organizações, incluindo os 3PLs, para projetar, construir e executar soluções de cadeia de suprimentos globais para seus clientes. O 4PL é essencialmente empregado como um supervisor de toda cadeia de suprimentos de uma empresa. Também pode gerenciar os 3PLs. Às vezes, esse provedor é chamado de “Lead Logistics Provider”, e algumas vezes empresas de consultoria da cadeia de suprimentos são consideradas com um 4PL. Em muitos casos, um 4PL pode ter um sistema integrado com interface eletrônica que atende aos requisitos de todos os setores de logística e permite a medição de desempenho dos indicadores estabelecidos. Atua como administrador líder para todos os aspectos da cadeia de suprimentos de uma organização. Os 4PL gerenciam quaisquer outros 3PLs contratados e proporcionam uma gestão neutra, fornecendo feedback para a organização sobre o estado da sua cadeia de suprimentos, recomenda e apresenta soluções para aumentar a efi ciência. Ao dizer isto, um 3PL de maior porte também pode se tornar 4PL global de uma empresa ou mesmo se apenas exibir as mesmas características de um 4PL. • O Fifth Party Logistics Provider (5PL) da mesma forma como 4PL, o 5PL é um termo novo que circula dentro da indústria da cadeia de suprimentos. Em sua atuação visa agregar as demandas dos 3PL e outras em seu volume total para negociar taxas mais favoráveis com as companhias aéreas e de navegação. Se constitui numa organização não baseada em ativos. A característica central do 5PL é o seu compromisso de colaboração e a obtenção de um maior grau de utilização dos recursos, a fi m de obter economias e abrir oportunidades para garantir a melhor solução possível a um custo mínimo. A 5PL vai planejar, organizar e implementar soluções logísticas em nome da empresa contratante com foco em utilizar as tecnologias mais apropriadas. Essencialmente, um 5PL administra redes de cadeias de suprimentos com foco em e-business através de todas as operações logísticas, com exceção dos 3PLs e a empresa-mãe. O Fourth Party Logistics Provider (4PL) é uma integradora independente, individualmente responsável, não baseada em ativos, que vai reunir os recursos, capacidades e tecnologia de sua própria organização e outras organizações, incluindo os 3PLs. A característica central do 5PL é o seu compromisso de colaboração e a obtenção de um maior grau de utilização dos recursos, a fi m de obter economias e abrir oportunidades para garantir a melhor solução possível a um custo mínimo. 217 OPERADORES LOGÍSTICOS Capítulo 5 Figura 38 – Evolução do PSLS Fonte: Disponível em: <http://www.velocelog.com.br/2013/01/24/ tendencias-dos-operadores-logisticos/>. Acesso em: 15 fev. 2016. Você encontra um maior detalhamento do uso das TICs (Tecnologias de Informação e Comunicação) pelos prestadores de serviços logísticos (PSL) no seguinte endereço: <http://nures.ufsc. br/wp-content/uploads/2010/10/Panorama-e-tend%C3%AAncias- do-uso-de-TIC-no-mercado-de-presta%C3%A7%C3%A3o-de- servi%C3%A7os-log%C3%ADsticos-no-Brasil.pdf>. O Operador Logístico (OL) é o fornecedor de serviços logísticos, especializado em gerenciar todas as atividades logísticas ou parte delas, nas várias fases da cadeia de suprimentos de seus clientes, agregando valor aos seus produtos, e que tenha competência para, no mínimo, prestar simultaneamente serviços nas três atividades consideradas básicas: controle de estoques, armazenagem e gestão de transportes (ABML apud NOVAES, 2001). 218 Logística e Distribuição Além da defi nição, deve-se saber quais são as competências essenciais ao OL, por exemplo, a apuração sistemática dos indicadores de desempenho de cada fase dos serviços prestados. O OL agrega valor ao negócio de sua clientela à medida que oferece um variado conjunto de serviços próprios ou de terceiros. O OL mesmo oferecendo um restrito conjunto de serviços logísticos (de armazenagem e transporte, por exemplo), por mais limitado que seja, deve ser oferecido de maneira coordenada e integrada. Esse OL fará as adaptações de ativos, bem como de sistemas de informações e comunicações necessários à execução desses serviços, sempre de acordo com as características e necessidades do cliente, de forma a permitir uma maior efi ciência da cadeia de suprimento (NOVAES, 2007). Uma vez que vimos os conceitos mais importantes para compreensão do OL, vamos entender os serviços ofertados e os principais motivos da terceirização das atividades logísticas. Atividades de Estudos: 1) Existem várias defi nições para prestadores de serviços logísticos e expressões distintas com o mesmo signifi cado, tais como “Third- party logistic” ou “Logistics Providers”. Todavia há uma distinção clara entre Prestador de Serviço Logístico (PSL) e o Operador Logístico (OL). Responda no que consiste a diferença entre estas duas expressões. ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ 2) Indique, dentre as alternativas a seguir, aquela que apresenta características que distinguem um Operador Logístico (3PL) de um Fourth Party Logistic Provider (4PL): 219 OPERADORES LOGÍSTICOS Capítulo 5 a) A não terceirização da logística e as atividades de transporte. b) A terceirização da logística e as atividades de armazenagem. c) A agregação de valor através de mais efi ciência e efi cácia e a aplicação de modernas práticas de GCS. d) Não baseada em ativos e a atuação como administrador líder de toda cadeia de suprimentos. MOTIVAÇÃO PARA TERCEIRIZAR ATIVIDADES LOGÍSTICAS E O ESCOPO DOS SERVIÇOS PRESTADOS PELOS OPERADORES LOGÍSTICOS Semelhante a outros países no mundo, no Brasil, as atividades econômicas são regidas pela Classifi cação Nacional de Atividade Econômica (CNAE). A condução é realizada pela Comissão Nacional de Classifi cação (Concla) e a Receita Federal do Brasil (RFB) coordena a CNAE – Subclasse. Os países que integram como membros da ONU buscam através de normas a harmonização de classifi cação econômica. Não há uma CNAE que classifi que especifi camente a fi gura do operador logístico, apesar de haver uma defi nição estabelecida para os OL, não há um marco regulatório para reger o setor. Explica-se isso por se tratarem de organizações surgidas a partir da integração de várias atividades. Em função da defi niçãode OL pode-se enquadrar em diversas classifi cações, conforme apresentado na fi gura seguir. 220 Logística e Distribuição Figura 39 - Principais CNAES utilizadas pelos OL no Brasil Fonte: Adaptado de Vieira Filho (2015). A situação é pior no Brasil em função da complexidade de tributos que se aplica em cada uma das CNAEs. Logo, a questão é a otimização do entendimento do que é o OL no Brasil, que trará tanto para o prestador de serviço (OL) quanto para o tomador (o embarcador), bem como para as autoridades brasileiras, uma visão unifi cada e simplifi cada não só das atividades como também de suas obrigações acessórias. Fica claro que há uma necessidade da regulamentação para o setor, que poderá trazer, sobretudo, um ordenamento jurídico, abandonando a complexidade burocrática através da simplifi cação dos processos fi scais, burocráticos e de suas obrigações acessórias. Após conhecer as complexidades inerentes às atividades do OL no Brasil, bem como os desafi os em direção à busca de um marco regulatório para o setor de OLs. É importante também conhecer, não só pela perspectiva dos OLs, a natureza das atividades desempenhadas pelos OLs, os motivos que levam os clientes a contratar os serviços dos OLs. Algumas pesquisas com organizações que adotam a terceirização de suas atividades logísticas em diversos países demonstram um conjunto de motivos determinantes desta decisão. Consolidando os estudos, dentro de uma classifi cação global, a principal razão é a redução de custos, sucedido 221 OPERADORES LOGÍSTICOS Capítulo 5 pela melhoria no nível de serviço, aumento da fl exibilidade operacional e foco nas “core competences”. Em estudo com organizações de bens de consumo na Europa, identifi cou-se que se terceiriza com o objetivo fundamental de se benefi ciar das competências dos PSLs (ou OLs). Já no Brasil, em estudo junto aos embarcadores, a redução de custos lidera a lista das motivações, tais como focar no core business, aumentar a fl exibilidade, reduzir investimentos em ativos, aumentar níveis de serviço e aumentar a efi ciência operacional (Wilding; Juriado, 2004; FLEURY, 2003). São muitos os motivos para terceirização das atividades logísticas, sob o ponto de vista da organização, dentre os vários, destacamos os seguintes: • Maior dedicação (foco) ao próprio negócio (core business); • Aperfeiçoar o controle de custos logísticos; • Redução de custos logísticos; • Mitigação de alguns problemas trabalhistas; • Aquisição rápida de experiência e know-how; • Impossibilidade de investimentos ou a necessidade de desinvestimentos; • Aumento da fl exibilidade nos processos logísticos; • Substituição de custos fi xos por variáveis; • Aumentar a cobertura geográfi ca; • Entrada em novos canais de distribuição e mercados desconhecidos ou ainda não conquistados; • Elevar o diferencial competitivo através da logística; e • Substituir área de armazenagem por área de produção. Por via de regra, a redução de custos é uma das primeiras motivações que são analisadas, sendo que algumas atividades, assim como os transportes, já são terceirizados em grande escala com economias signifi cativas. Segundo a última edição do Third-Party Logistics Study, de 2014, o fator de redução do custo logístico, gerado pela atuação dos operadores logísticos no mundo, foi de 15%, em uma média geral (VIEIRA FILHO, 2015). Quanto ao escopo dos serviços a serem ofertados pelos PSLs, tem-se várias opiniões a respeito de quais competências devem apresentar aos seus clientes. Em pesquisa realizada ao redor do mundo, a maioria dos respondentes concordam que o ideal seria que os PSLs oferecessem portfólio amplo e variado de serviços. Nesta mesma pesquisa se apurou se os PSLs deveriam prestar todos os “core services”. Considerou-se como “core service”: transporte exterior, outbound, armazenagem, transporte interior, inbound, liberação aduaneira e corretagem aduaneira. Foram identifi cadas três visões (LANGLEY et al., 2005): 222 Logística e Distribuição • O PSL deve fornecer somente um core service para que consiga desempenhá-lo da melhor forma; • O PSL deve ter condições de fornecer diversos core services; e • O PSL deve se especializar em um ou dois core services, e desta forma ser capaz de subcontratar provedores para oferecer competências adicionais. Signifi ca que o PSL deve se converter em one-stop shop (único contato para tratar da logística para as organizações que contratam os PSLs). A intenção de ter um único contato para tratar das atividades logísticas é verifi cada em várias das pesquisas. Apesar da preferência por ter um one-stop shop, muitas organizações informam que utilizam múltiplos PSLs. Esta incoerência se explica pela grande escala e cobertura geográfi ca constantes dos contratos logísticos nos últimos anos, o que seria difícil de ser atendido por um único PSL (LIEB; BENTZ, 2005). No Brasil, seguindo a tendência mundial, a oferta de serviços de maior valor agregado está evoluindo lentamente. Considera-se que há espaço para que os operadores logísticos expandam seu portfólio em áreas como desenho de soluções logísticas, gestão logística integrada e gestão compartilhada de estoques (CEL/COPPEAD; BA&H, 2001). Na fi gura a seguir está a lista de serviços oferecidos pelos OLs, onde consta a porcentagem das organizações que os ofereciam em 2003. A oferta de serviços não mudou signifi cativamente e essa lista de serviços foi apresentada também no Panorama de Operadores Logísticos de junho de 2005 da Revista Tecnologística. Gráfi co 1 - Serviços prestados pelos OL Fonte: Revista Tecnologística (2003). 0% Ar m az en ag em C on tro le d e Es to qu e D is tri bu iç ão C oo rd en aç ão Tr an sf er ên ci a D es en vo lv im en to de P ro je to s Po rta -a -P or ta Em ba la ge m M on ta ge m d e Ki ts e c on ju nt os Lo gí st ic a R ev er sa Su po rte F ic al G er en ci am en to In te rm od al J IT M ilk R un Im p. E E xp ./D es . Ad ua ne iro 20% 40% 60% 80% 98% 97% 97% 96% 93% 92% 91% 90% 90% 82% 75% 73% 73% 69% 53% 100% 223 OPERADORES LOGÍSTICOS Capítulo 5 As diferenças nas preferências e necessidades dos clientes estão forçando os PSLs a repensar suas estratégias de atuação, buscando melhorar o desempenho e a rentabilidade nos negócios onde atuam. Essas novas estratégias deverão vir acompanhadas de escolhas relacionadas com este elenco: produtos e serviços a oferecer; segmentos de mercado onde o PSL tem intenções de atuar; recursos a adquirir e as relações/alianças com outras empresas (PERSSON; VIRUM, 2001). A tabela a seguir apresenta um conjunto de OLs que atuavam no Brasil em 2010, bem como seus principais clientes, receita bruta e crescimento neste período. Pode-se verifi car grandes organizações de vários setores adotando a terceirização. Tabela 1 – Operadores logísticos no Brasil Fonte: Adaptado de Tecnologística (2010). Na fi gura a seguir veja alguns dos OLs atuando no Brasil em 2015, tempo de mercado, aspectos de seu porte e resultados, indústria de atuação e seus clientes, bem como os tipos de serviços oferecidos. Conheça artigos e publicações sobre Operadores Logísticos através do site da ABOL (Associação Brasileira de Operadores Logísticos): Disponível em: <http://abolbrasil.org.br/publicacao>. 224 Logística e Distribuição Figura 40 – Uma amostra do mercado brasileiro de OL em 2015 Fonte: Adaptado de Operadores Logísticos (2015). A compreensão da natureza dos serviços prestados pelos OLs e as difi culdades existentes no contexto brasileiro são importantes para compreender o seu papel no moderno gerenciamento das cadeias de suprimento. As reais restrições na sua adoção evitam apenas a aceitação de modismos e a exposição de conceitos sem um contexto adequado para compreensão dos OL. 225 OPERADORES LOGÍSTICOS Capítulo 5Atividade de Estudos: 1) Existem vários motivos para terceirização de serviços logísticos através de OL, conforme foi exposto nos textos já apresentados. Quais os motivos que se destacam como os principais pela pesquisa aqui apresentada? a) A impossibilidade de investimentos e aumentar a cobertura geográfi ca. b) A maior dedicação (foco) ao próprio negócio (core business) e a mitigação de alguns problemas trabalhistas. c) A impossibilidade de investimentos e aumento da fl exibilidade nos processos logísticos. d) Se benefi ciar das competências dos OL e reduzir custos. SELEÇÃO DE UM PRESTADOR DE SERVIÇOS LOGÍSTICOS Um serviço logístico é distinto em vários aspectos dos serviços gerais, pois geralmente envolve relações B2B onde o comprador não é apenas o principal interessado, mas também o seu cliente, pois é diretamente infl uenciado pela prestação de um serviço satisfatório, tanto quanto o insatisfatório. Além disso há, em muitos casos, a necessidade de uma estreita interação com os processos tanto da empresa contratante quanto dos seus clientes (ANDERSSON; NORRMAN, 2002). Existe sempre uma análise anterior da seleção de um PSL. Há uma resposta anterior a se obter. A terceirização é como uma variação da decisão clássica de fazer ou comprar, que consiste na decisão de contratar ou não contratar. A decisão de adotar um PSL é uma escolha entre fazer dentro da organização, o que se chama de verticalização ou contratar, através da terceirização ou parceria, onde o problema se concentra na análise do impacto da opção sobre custos e controle das operações. Já vimos as várias motivações para terceirizar as atividades logísticas. Os motivos que nos levam a verticalizar dizem que ao fazer internamente podemos 226 Logística e Distribuição reduzir custos, eliminando por exemplo, a margem do fornecedor e ainda garantir o controle efetivo das operações, ou seja, manter sobre o controle da organização variáveis como qualidade, prazos, disponibilidade, fl exibilidade etc. Todavia sabe- se que nem sempre a verticalização nos leva neste sentido. De outro lado, ao se terceirizar espera-se economias de escala, pela especialização e foco, porque muitas vezes os terceiros possuem menores custos na mão de obra e custos inferiores aos de uma organização não especializada. A contratação de PSL é vista como positiva, pois apresentam tipicamente o potencial de operarem com menores custos e de oferecerem melhores serviços que as operações executadas internamente. Além das vantagens básicas, os PSLs podem ter a capacidade e competência de gerar vantagens competitivas aos seus contratantes em pelo menos três dimensões: redução de investimentos em ativos, foco na atividade central do negócio e maior fl exibilidade operacional. Basicamente as organizações devem considerar os benefícios e os riscos da terceirização. Há casos em que a terceirização não é possível ou não é recomendada. Como exemplo, circunstâncias em que as operações exigem investimentos muito específi cos e difíceis de se tornarem rentáveis. Quando as operações prescindem de competências muito específi cas, às vezes não encontradas nos terceiros, e também quando há manipulação de informações julgadas estratégicas, ou mesmo confi denciais. Se a terceirização for viável para resolver um problema ou aproveitar uma oportunidade, ainda restará defi nir em que condições esse processo deve ser levado adiante para identifi car um PSL com potencial para atender ao perfi l e demanda da organização. Vejamos uma metodologia de auxílio às organizações na tomada de decisão na terceirização de atividades logísticas e seleção de um provedor de serviços logísticos. Esta abordagem permite que se entenda melhor a complexidade da terceirização logística e as características deste ambiente de negócio. a) Identifi cação de PSLs potenciais A identifi cação preliminar das funções logísticas que podem ser terceirizadas a fi m de avaliá-las e escolher aquelas que devem realmente ser terceirizadas, inclusive entendendo quais destas funções que estão ligadas aos objetivos estratégicos da organização. Deve-se ter a consciência de como os produtos e sua organização podem ser infl uenciadas pela terceirização. A identifi cação do perfi l do prestador de serviços começa a ser conhecido à medida que se conhece as atividades a serem contratadas. A busca dos PSLs deve ser orientada pelos serviços que estes oferecem. Muitas vezes os PSLs apresentam reconhecida 227 OPERADORES LOGÍSTICOS Capítulo 5 competência em determinadas atividades ou apresentam uma competência evidente para customizar serviços, identifi car parceiros para soluções específi cas, dentre outras situações. b) Compreender as oportunidades e os riscos da terceirização Compreender o ambiente de negócios, as mudanças, e verifi car se o foco da organização no core business está adequado, ou se a organização precisa de uma maior fl exibilidade em suas operações, o quanto é importante e viável reduzir os custos logísticos, como se pode obter acesso a novas tecnologias e competências etc. Avaliar o escopo dos serviços prestados pelos PSLs e suas competências/ experiências. Um aspecto muito importante a avaliar, é se há possibilidade de uma integração efetiva entre sistemas de informação, pois muitos problemas podem decorrer de problemas nesta área. E ainda verifi car se a organização está preparada para contratar serviços para atividades e/ou funções estratégicas da organização, e se está apta a desenvolver parcerias, compartilhar informações e estratégias a terceiros/parceiros. c) Identifi car as necessidades logísticas da organização Diante da complexidade atual das operações logísticas e de seus impactos sobre a gestão do negócio, o processo de seleção de um prestador de serviços logísticos deixou de ser uma responsabilidade exclusiva da área de logística e tornou-se uma decisão que deve ser compartilhada por toda a alta gestão da companhia (VECCHI; LAISS, 2011). É importante destacar a necessidade de formar uma equipe multifuncional para esta tarefa. Desenhar a cadeia de suprimentos e identifi car as atividades logísticas que a compõe. Identifi car oportunidades de melhoria na cadeia. Identifi car custos para viabilizar a alternativa interna. Defi nir os objetivos a serem alcançados com a terceirização das atividades logísticas. d) Desenvolver as alternativas de provedores de serviços logísticos É indispensável estabelecer os atributos para avaliar os PSLs, tais como experiência no setor, localização e escopo geográfi co, infraestrutura, estabilidade fi nanceira, fl exibilidade, credibilidade no mercado, gestão da qualidade, recursos humanos, recursos de tecnologia, custos logísticos etc. Estabelecer critérios de eliminação daqueles que não os satisfazem, que não os atingem. Deve-se seguir um método normativo adequado. Além disso, é muito importante a criação de alternativas viáveis: obter informações no mercado sobre os PSLs. Enviar uma RFI (Request for Information) cujo objetivo é recolher informação escrita acerca 228 Logística e Distribuição das capacidades de vários fornecedores, atuais ou potenciais. Funciona como uma ferramenta, através de um questionário enviado às organizações potenciais, com o objetivo de pré-selecionar os PSLs mais aptos através de informações da organização, dos produtos, informações de suas operações, metas de desempenho etc. Solicitar na RFI as informações defi nidas nos atributos e outras informações que permita compará-las com outras organizações. Ao fi nal, espera- se ter uma pré-seleção das organizações, que decorre da seleção dos provedores de serviços logísticos que atendam atributos mínimos exigidos. e) Avaliar as alternativas de provedores de serviços logísticos e a alternativa interna para a tomada de decisão Enviar a RFP (Request for Proposal) que consiste numa solicitação de propostas destinadas aos potenciais fornecedorespara apresentar como será prestado o serviço e comunicar a necessidade de um bem, serviço ou projeto. Este documento é distribuído a fornecedores pré-selecionados em prospecção, que então apresentam suas propostas baseadas nos critérios especifi cados na RFP, solicitando então que forneçam maiores e melhores informações, tais como projeto logístico elaborado pelo provedor, proposta comercial para as atividades que serão terceirizadas, dados detalhados dos atributos que serão avaliados. Após, será necessário avaliar as propostas: equalizando as propostas comerciais, calculando o custo total para os diferentes cenários. É muito importante a visita aos provedores proponentes para comprovar suas competências. Ao fi nal deve-se avaliar as capacitações para classifi car os PSLs, listando as organizações melhor classifi cadas em função dos conceitos do método de análise hierárquica para comparação dos atributos quantitativos e qualitativos. E por fi m, a negociação e avaliação fi nal para ajustar as melhores propostas, para então decidir a quem contratar. DESAFIOS AOS OPERADORES LOGÍSTICOS A tendência de crescimento da indústria de serviços logísticos está sendo estimulado por vários fenômenos, como o crescimento do comércio eletrônico. Todavia esta nova forma de comércio gera necessidades de inovação ou de adaptação dos canais de distribuição para atender um mercado de dimensões crescentes ou mesmo global. Há novas exigências aos sistemas logísticos que buscam atender a uma demanda com novas características. E as maiores difi culdades fazem com que as organizações busquem novas soluções, inclusive através da terceirização da distribuição física. Um exemplo é a Lojas Americanas, que criou a Americanas.com passando a vender ao exterior. Desta forma precisou de uma parceira como a FEDEX para uma distribuição para mais de 200 países. 229 OPERADORES LOGÍSTICOS Capítulo 5 As organizações passam a não só contratar a entrega fi nal ao consumidor, mas outras atividades relacionadas à distribuição física, por exemplo, a incorporação da postergação (postponement) nas atividades dos PSLs. Os PSLs passam também a se ocupar das fases fi nais do processo de produção, como a montagem fi nal de produtos, que passa a ser executada mais próxima da data da entrega (NOVAES, 2007). A logística pós-venda, ou logística de apoio é uma outra atividade que está sendo assumida pelos PSLs, no caso dos bens duráveis. Na distribuição feita por terceiros acaba por exigir serviços de manutenção. Alguns fabricantes de computador já vêm contratando PSLs para se incumbir das coletas e posterior devolução aos consumidores após a reparação do produto. Em alguns casos os PSLs já montaram equipe de manutenção para realizar este tipo de serviço devidamente autorizado pelo fabricante. A queda de efi ciência observada na logística urbana em função dos congestionamentos, tem levado a uma tendência em alguns países de se usar um mesmo PSL para atender determinados shoppings, edifícios e complexos empresarias e industriais de grande porte. Uma mesma organização realizando o transporte, por exemplo, para várias organizações que tenham o mesmo destino, ou seja, uma mesma área/região (NOVAES, 2007). Também se vê os PSLs usando suas áreas destinadas às atividades logísticas que serviam para transferência de carga no transporte internacional para serem usadas em outras atividades. Uma gama variada de novos serviços, que vão de armazenagem de produtos até consultoria aduaneira, como é o caso das EADI (Estações Aduaneiras de Interior), atualmente chamadas de “Portos Secos”, instaladas no Brasil para facilitar as operações logísticas em terminais de transporte e organismos fi scalizadores nas operações de comércio exterior (NOVAES, 2007). O Regulamento Aduaneiro defi ne Portos Secos como áreas localizadas na zona secundária, devidamente habilitadas pela autoridade aduaneira competente, onde podem ser realizadas, sob controle aduaneiro, as seguintes atividades: movimentação, armazenagem e despacho aduaneiro de mercadorias procedentes do exterior, ou a ele destinadas; bagagem de viajantes procedentes do exterior, ou a ele destinados. Com o aumento da concorrência e a consequente queda no valor dos serviços, os Portos Secos começaram a se especializar e oferecer pacotes de serviços logísticos personalizados, atuando como um operador logístico, tais como: • Montagem de kits e embalagens; • Gestão de estoques; • Distribuição; 230 Logística e Distribuição • Gestão e operação de transportes; • Inspeção de pré-entrega de veículos; • “Tropicalização” de produtos; e • Atendimento à Legislação Brasileira. Figura 41 – Operações logísticas realizadas em porto seco Fonte: Disponível em: <http://slidegur.com/doc/5405282/ portos-secos>. Acesso em: 20 mar. 2016. Em resumo, muitos são os desafi os que os operadores logísticos têm que enfrentar para garantir a efi ciência, efi cácia e a agregação de valor aos seus clientes, mas de outro lado vemos que novas oportunidades estão se abrindo àqueles que buscam a inovação, que se dedicam a perceber as necessidades dos seus clientes e estão atentos às mudanças dos mercados. A evolução dos Operadores Logísticos tem sido determinada pelos desafi os impostos e pela busca das melhores práticas na busca da competitividade em meio ao Gerenciamento Integrado da Cadeia de Suprimentos. ALGUMAS CONSIDERAÇÕES Neste capítulo, apresentamos o que são os Prestadores de Serviço Logístico, evolução de conceitos e do seu papel no moderno gerenciamento da cadeia de suprimento. Você pôde entender a diferença do Operador Logístico e os demais PSLs, bem como a natureza de suas atividades e os procedimentos que devem preceder e suceder a terceirização. Como estudante você pôde observar que muitos dos conceitos aqui apresentados estão em constante evolução, e deve ter percebido que apresentamos alguns poucos exemplos das práticas mais atuais dos Operadores Logísticos. Muito mais importante que memorizar os conceitos básicos que 231 OPERADORES LOGÍSTICOS Capítulo 5 defi nem os vários tipos de PSLs, é compreender suas semelhanças e diferenças. Dedique algum tempo avaliando os benefícios, riscos e cuidados a serem observados na adoção dos PSLs em todas as suas variações e evolução. REFERÊNCIAS ANDERSSON, D.; NORRMAN, A. Procurement of logistics services: a minutes work or a multi-year project? European Journal of Purchasing & Supply Management, v. 8, n. 1, p. 3-14, 2002. ALLEN, N. Ten Years On. Logistics Europe, v. 11, n. 1, p. 29-32, jan./feb. 2003. BERGLUND, M. et al. Third party logistics: is there a future? International Journal of Logistics Management, v. 10, n. 1, p. 59-70, 1999. CEL/COPPEAD; BA&H. Operadores logísticos: realidade ou desafi o no Brasil. p. 1-17, 2001. Disponível em: <http://www.cel.coppead.ufrj.br/pesquisa>. Acesso em: 10 jul. 2006. FLEURY, P. F.; RIBEIRO, A. A indústria de provedores de serviços logísticos. In: FIGUEIREDO, K. F.; FLEURY, P. F.; WANKE, P. (Eds.). Logística e gerenciamento da cadeia de suprimentos. São Paulo: Atlas, 2003. FLEURY, P. F.; WANKE, P.; FIGUEIREDO, K. F. 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