Prévia do material em texto
UNIVERSIDADE CEUMA COORDENADORIA GERAL DA ÁREA DA SAÚDE CURSO DE NUTRIÇÃO ESTÁGIO SUPERVISIONADO EM NUTRIÇÃO CLÍNICA RELATÓRIO DE ESTÁGIO CURRICULAR EM NUTRIÇÃO CLÍNICA Patrícia Pereira Matos São Luís 2019 2 Patrícia Pereira Matos RELATÓRIO DE ESTÁGIO CURRICULAR EM NUTRIÇÃO CLÍNICA Relatório apresentado à disciplina de Estágio Curricular Obrigatório em Nutrição Clínica da Universidade Ceuma. São Luís 2019 3 SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO ....................................................................................................... 5 2. IDENTIFICAÇÃO ................................................................................................... 6 2.1. Identificação do estagiário ..................................................................................... 6 2.2. Identificação do campo de estágio ......................................................................... 6 3. CARACTERIZAÇÃO DO CAMPO DE ESTÁGIO ................................................... 6 3.1. Histórico ................................................................................................................. 6 3.2. Tipo de Hospital ..................................................................................................... 6 3.3. Tipos de Clínica ..................................................................................................... 7 3.4. Estrutura organizacional ........................................................................................ 7 4. ATIVIDADES DESENVOLVIDAS NO CAMPO DE ESTÁGIO ............................... 8 4.1. Internação .............................................................................................................. 8 4.2. Outras atividades ................................................................................................. 10 5. ESTUDO DE CASO ............................................................................................. 10 5.1. Breve relato da(s) fisiopatologia(s)....................................................................... 10 5.1.1. Doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) ........................................................ 11 5.1.2. Esofagite Erosiva grau C de Los Angeles ............................................................ 12 5.1.3. Hérnia Hiatal por deslizamento ............................................................................ 13 5.1.4. Doença Renal Crônica ......................................................................................... 14 5.2. Tratamento dietoterápico da(s) patologia(s) ........................................................ 16 5.3. Acompanhamento do paciente ............................................................................ 17 5.3.1. Identificação do paciente ..................................................................................... 17 5.3.2. Histórico e fatores pertinente(s) à(s) doença(s) e ao doente ............................... 17 5.3.3. Evolução clínica do paciente ................................................................................ 17 5.3.4. Evolução dietoterápica do paciente ..................................................................... 19 5.3.5. Cálculo das necessidades nutricionais do paciente ............................................. 19 5.3.6. Conduta Nutricional .............................................................................................. 20 5.3.7. Interação droga-nutriente ..................................................................................... 20 6. TIPOS DE DIETAS UTILIZADAS NO CAMPO DE ESTÁGIO ............................. 21 6.1. Dieta Oral - Quanto à consistência: ..................................................................... 21 6.2. Dieta Oral - Quanto à característica: .................................................................... 23 4 6.3. Dieta Enteral: ....................................................................................................... 23 6.4. Dieta Parenteral quanto a composição da solução .............................................. 24 6.5. Suplementos alimentares orais ............................................................................ 25 7. Prescrição das dietas enterais ............................................................................. 25 7.1. Tipos de sonda .................................................................................................... 25 8. Orientação na alta hospitalar ............................................................................... 26 9. Modelo de alta para o paciente ............................................................................ 26 10. CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................. 28 REFERÊNCIAS ............................................................................................................. 29 APÊNDICE .................................................................................................................... 32 ANEXOS ........................................................................................................................ 34 5 1. INTRODUÇÃO A nutrição clínica é a área da nutrição voltada para o tratamento de diversas doenças por meio da alimentação e a prevenção de enfermidades principalmente durante a terceira idade, no período gestacional, entre outros (LOPES et al. 2017). A nutrição dentro de um hospital se torna essencial, pois a melhora do quadro clínico do indivíduo está diretamente relacionada a alimentação. Nesse sentido, o nutricionista investiga o estado nutricional do paciente, e conforme os princípios da nutrição, foca no tratamento nutricional de forma promover a manutenção e recuperação da saúde (BROCH e ZANOTTI, 2016). Em vista disso, o estágio é uma fase de suma importância nesse processo de desenvolvimento e aprendizagem dos estudantes, pois possibilita oportunidade a eles de experienciar na prática os conteúdos acadêmicos, permitindo desta forma, a obtenção de conhecimentos e comportamentos pertinentes a sua profissão. Além disso, o estágio oportuniza para os alunos a troca de conhecimentos entre os colaboradores da empresa, bem como a inserção de novas ideias, conceitos, planos e estratégias. (SANTOS et al, 2015). De acordo com a Lei Nº 11.788/2008 Estágio é ato educativo escolar supervisionado, desenvolvido no ambiente de trabalho, que visa à preparação para o trabalho produtivo de educandos que estejam frequentando o ensino regular em instituições de educação superior, de educação profissional, de ensino médio, da educação especial e dos anos finais do ensino fundamental, na modalidade profissional da educação de jovens e adultos. Portanto, o objetivo do estágio é viabilizar aos alunos, condições reais para preparação ao mercado de trabalho, que por intermédio do ambiente de aprendizado e a supervisão do professor, o aluno consegue assumir um papel importante na sociedade, ou seja, se tornará um profissional bem qualificado. (SANTOS et al, 2015). O estágio foi realizado entre os dias 07 de outubro a 22 de novembro de 2019, cumprindo uma carga horária total de 200 horas, sendo realizado no turno vespertino das 13h00 às 19h00, perfazendo uma carga horaria semanal de 30h. 6 2. IDENTIFICAÇÃO 2.1. Identificação do estagiário 2.2. Identificação do campo de estágio 3. CARACTERIZAÇÃO DO CAMPO DE ESTÁGIO 3.1. Histórico No governo de João Castelo, foi priorizada uma rede própria de serviços médico-hospitalar dirigida aos servidores públicos estaduais, Hospital dos Servidores do Estado(HSE) assim era conhecido, onde teve a primeira etapa do complexo hospitalar-ambulatorial Dr. Carlos Macieira concluído em outubro de 1980. Nesta época o hospital tinha uma capacidade operacional de 300 (trezentos) leitos distribuídos nas clínicas de internação. Após o credenciado do hospital Dr. Carlos Macieira ao Sistema Único de Saúde (SUS), foi necessário passar por algumas reformas para aumentar a capacidade no atendimento. 2009 – Inauguração do 3° e 5° andar (UTI e Semi-intensiva e Clínica Médica respectivamente); 2011 - Ao término da reforma, as instalações passarão a contar com 214 leitos e nove leitos de isolamento, dos quais três unidades de UTI (uma geral e duas de alta complexidade, englobando as áreas de neurologia e cardiologia). 2018 – Inauguração da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Pediátrica Cardiológica que conta com 17 leitos (9 de UTI e 8 de enfermaria). Outros 7 novos leitos também foram entregues ao setor de cardiologia. 3.2. Tipo de Hospital O Hospital Carlos Macieira (HCM) é um hospital público de alta complexidade vinculada à Secretaria de Estado da Saúde (SES). Hoje oferece assistência ambulatorial, clínica médica, cirúrgicas, terapia intensiva, serviços odontológicos 7 hospitalares e sessões de hemodiálise, além disso, realiza exames de imagens e laboratoriais. O atendimento multiprofissional é um diferencial, que inclui as áreas de enfermagem, fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional, serviço social, nutrição e psicologia. 3.3. Tipos de Clínica O hospital possui, atualmente, 245 leitos, divididos em 188 leitos clínicos e 57 de UTI’s, com diversas especialidades: clínica médica (51), cirurgia geral (45), cardiologia (40), neurologia (13), neurocirurgia (9), cirurgia vascular (8), urologia (8), pediatria (8), pneumologia (6). Também, 24 leitos na UTI Geral, 12 na UTI Cardiológica, 12 na UTI cirúrgica e 9 na UTI Pediátrica. Estão distribuídas por andar, conforme tabela abaixo. SUBSOLO Almoxarifado, rouparia, farmácia, refeitório, cozinha, laboratório, CME TÉRREO UTI cirúrgica, Raios X, Ultrassonografia, Tomografia, Ressonância, UTI Cardio, Hemodinâmica, Centro cirúrgico 1º ANDAR Auditório, lanchonete, administração, cardiologia, ambulatórios, endoscopia, nefrologia, hospital dia, capela 2º ANDAR UTI geral 01, UTI neurológica, enfermaria 201 a 203 3º ANDAR UTI geral 02, enfermaria 301 a 313 4º ANDAR Enfermaria 401 a 423 5º ANDAR Enfermaria 501 a 523 3.4. Estrutura organizacional 8 4. ATIVIDADES DESENVOLVIDAS NO CAMPO DE ESTÁGIO 4.1. Internação No setor de internação foram desenvolvidas as seguintes atividades de rotina: Leitura de prontuários e cardex’s; Admissão nutricional; Medidas antropométricas e avaliação física; Aplicação da NRS 2002 e Strong kids; Cálculos das necessidades energéticas e proteicas; Cálculo dieta enteral; Reavaliação e Evolução nutricional. Inicialmente se realizava a leitura dos prontuários onde continha toda a trajetória clínica do paciente, como: diagnóstico clínico, queixa principal, exames bioquímicos e de imagens. O cardex é uma ficha que englobava toda medicação que o paciente estava consumindo no dia com a descrição dos horários da administração. Na admissão nutricional eram realizadas perguntas referentes ao estado geral e nutricional dos pacientes por meio da ficha de admissão (Anexo A), na sequência eram aferidas as medidas antropométricas como circunferência do braço (CB), circunferência da panturrilha (CP) e altura do joelho (AJ), utilizando uma fita inelástica que posterior avaliação deveria ser higienizada. Quando o paciente conseguia ficar em pé, era Diretoria Geral Diretoria terceirizada Diretoria clínica Diretoria Administrativa Nutricionistas Técnicas de nutrição 9 conferido seu peso em uma balança digital, mas quando o paciente estava impossibilitado, era possível estimar o peso através da fórmula de Chumlea et. al. (1988). Em relação à altura, se utilizava a informação relatada pelo paciente/acompanhante, quando não, se estimava através da fórmula de Chumlea e Cols. (1988 e 1994). Para classificação do estado nutricional dos adultos e idosos se utilizava o IMC (OMS, 1995), adequação da CB (Blackburn, G. L. 1979). Quando os pacientes eram as crianças, os dados obtidos consistiam em o peso (balança digital) e a estatura (fita inelástica), avaliados segundo as Curvas de Crescimento da Organização Mundial da Saúde (OMS) 2006 e 2007, e classificados de acordo com os índices de peso/estatura, estatura/idade, IMC/idade e peso/idade. Ao exame físico era verificado: A massa muscular através têmporas; Reservas das gorduras subcutâneas através dos ombros, escápulas, músculo interósseo, tríceps e bíceps; Anemia por meio das conjuntivas; Sinais sugestivos de desnutrição- energética proteica e carências nutricionais através do abdome, unhas, cabelo e pele; Também era realizado por meio da pressão digital sobre a pele, por pelo menos 5 segundos, o sinal de cacifo a fim de se evidenciar edema e sua classificação. Posteriormente era aplicado a Triagem Nutricional NRS 2002 – Nutritional Risk Screening (NRS) para adultos e Strong Kids para as crianças, com o propósito de verificar o risco nutricional. O cálculo das necessidades energéticas geralmente se utilizava a fórmula de Bolso e as necessidades proteicas de Martins e Cardoso (2000). Na reavaliação nutricional eram registradas as informações quanto a aceitação da dieta, queixas relacionadas a sintomas gastrointestinais (diarreia ou constipação, vômitos ou disfagia) e novamente eram aferidas todas as mesmas medidas antropométricas que antes realizadas na evolução. Novamente são calculadas as necessidades energéticas, e se for o caso aplicar uma nova conduta para melhorar o estado do paciente. Para evidenciar o acompanhamento nutricional, se registrava em formulário padronizado do hospital, conhecido como evolução (Anexo B) toda triagem nutricional realizada com paciente, especificando diagnóstico clínico, queixa principal, patologias 10 de bases, condição física, avaliações antropométricas, estimativas de necessidades energéticas e proteicas, diagnóstico nutricional e por fim a conduta dietética. 4.2. Outras atividades 09/10/2019 – Pesquisa de termos hospitalares; 11/10/2019 – Elaboração de preparações com alimentos funcionais stand Uniceuma; 17/10/2019 – Pesquisa de termos hospitalares; 18/10/2019 - Elaboração e apresentação de caso clínico semanal paciente P.B.S; 21/10/2019 – Pesquisa de termos hospitalares; 24/10/2019 – Cálculos de dietas enterais; 25/10/2019 - Elaboração e apresentação de caso clínico semanal paciente A.S.T.C; 25/10/2019 – Leitura do prontuário do caso clínico geral; 28/10/2019 – Pesquisa de termos hospitalares; 29/10/2019 - Reavaliação da paciente para elaboração do caso clínico geral; 31/10/2019 – Pesquisa de termos hospitalares; 01/11/2019 – Elaboração e apresentação de caso clínico semanal paciente W.M.W.L; 01/11/2019 - Cálculos de dietas entrais; 05/11/2019 – Reavaliação da paciente para elaboração do caso clínico geral; 04/11/2019 - Visita ao setor de UAN do hospital para degustação das dietas orais ofertadas aos pacientes; 04/11/2019 – Visita à sala da enteral para conhecimento das dietas enterais e suplementos; 11/11/2019 - Pesquisa de termos hospitalares; 14/11/2019 – Elaboração e apresentação de caso clínico semanal paciente M. G; 14/11/2019 - Leitura do prontuário do caso clínico geral; 5. ESTUDO DE CASO 5.1. Breve relato da(s) fisiopatologia(s) 11 5.1.1. Doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) A doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) é uma afecção decorrente do fluxo retrógrado de conteúdo gástrico para o esôfago, orofaringe e/ou vias respiratórias que provoca sintomas incômodos, lesões ou complicações suficientes para prejudicara qualidade de vida de seus portadores. A DRGE é uma doença mundial e a evidência sugere que sua prevalência está aumentando. A maioria dos estudos epidemiológicos sobre a doença está baseada nos sintomas. Um diagnóstico com base nos sintomas pode gerar dados epidemiológicos sobre prevalência de sintomas do refluxo gastroesofágico (SRGE) provavelmente pouco confiáveis. Isto é, em parte, porque a descrição e nomenclatura dos sintomas de refluxo variam entre as regiões e, em parte, porque a descrição dos sintomas gastrointestinais altos (sintomas "dispépticos") pode ser similar ainda quando os pacientes sofrem patologias gastrointestinais altas muito diversas, como doença por úlcera péptica, dispepsia não ulcerosa, dismotilidade ou DRGE. Contudo, vale a pena considerar a prevalência dos sintomas "dispépticos" no mundo inteiro, visto que esses dados afetam a probabilidade pré-teste de os sintomas gastrointestinais altos serem atribuíveis ao refluxo gastroesofágico. Fonte: WGO Global Guidelines DRGE, 2015 A DRGE pode ser classificada como: Doença refluxo esofagite erosiva (DREE) - É caracterizada pela presença de erosões e inflamação do esófago. Doença 12 refluxo não erosivo (DRNE) - É caracterizada pela manifestação dos sintomas sem detecção de lesões na mucosa esofágica através de endoscopia. 5.1.2. Esofagite Erosiva grau C de Los Angeles A esofagite é irritação ou inflamação do esôfago. O esôfago é o tubo que transporta comida da garganta até o estômago. A esofagite pode ser dolorosa e pode dificultar a ingestão. Fonte: Google A esofagite pode ser classificada como: Esofagite por Infecção – Pode ser causada por bactérias, vírus ou fungos, por exemplo a esofagite herpética é causada pelo vírus herpes simples. Esofagite de Refluxo - É causada pelo refluxo ácido do estômago para o esôfago. Esofagite Eosinofílica - É uma inflamação do esôfago causada pelo aumento do número de um tipo de glóbulos brancos (eosinófilos) da parede esofágica. Isto leva à alteração da motilidade esofágica, ou seja, os músculos não funcionam corretamente. Esofagite por irritação - Mais de um fator pode desenvolver uma esofagite, pois basta uma pequena irritação para a inflamação aparecer na região do esôfago. Irritações que normalmente levam a um caso de esofagite, são: vômitos; cirurgia; alergia a determinados alimentos; uso de anti-inflamatórios; ingerir um comprimido relativamente grande com pouca ou nenhuma água; hérnias, principalmente a de 13 hiato; engolir uma substância tóxica; lesão por radiação que pode ocorrer por conta de tratamentos para câncer. Os sintomas da esofagite costumam ser os mesmos, independentemente do tipo de esofagite, são: dor ao engolir, dificuldade para engolir, dor no peito, dor abdominal, náuseas, vômito, tosse e perda de apetite. As esofagites erosivas exibem sintomatologia com erosões, onde a classificação mais utilizada para esta condição é a classificação de Los Ángeles. Fonte: WGO Global Guidelines DRGE, 2015 O tratamento está diretamente correlacionado com o grau de lesão e inclui o uso de medicamentos (antiácidos, antibióticos, antifúngicos) e mudanças no estilo de vida. Casos mais graves podem exigir intervenção cirúrgica. 5.1.3. Hérnia Hiatal por deslizamento A hérnia de hiato é uma condição que acontece quando se forma um “relevo e/ou dilatação” do estômago que atravessa o diafragma. O diafragma é um músculo que separa o abdómen (barriga) e tórax (peito). O esófago atravessa este músculo através de uma zona denominada hiato diafragmático. A hérnia do hiato ocorre quando o estômago se movimenta para dentro do tórax através da abertura do diafragma. Os diferentes tipos de hérnia de hiato incluem o seguinte: Hérnia de hiato deslizante: parte do estômago entra e sai da cavidade torácica. Este é o tipo mais comum, representa 95% dos casos. Hérnia hiatal fixa: a parte superior do estômago permanece na cavidade torácica. 14 Hérnia hiatal complicada: você pode ver vários tipos de hérnia no estômago. Embora sejam raras, são mais graves e podem requerer cirurgia. Fonte: Google É uma condição relativamente frequente, os dados referem que afeta 33% dos idosos, sendo que não afeta apenas a população da terceira idade, pois pode ocorrer em pessoas obesas e em mulheres multíparas. Embora muitos casos sejam assintomáticos, pois parte dos sintomas decorrem do refluxo gastroesofágico e, nesse caso, é necessário que em simultâneo exista um mau funcionamento do esfíncter esofágico inferior (músculo responsável por impedir que o conteúdo do estômago passe para o esófago). Sintomas que surgem quando existe mau funcionamento do esfíncter: 1. Azia (que piora ao deitar-se ou ao inclinar o tronco para a frente) 2. Regurgitação (subida de conteúdo do estômago em direção à garganta) 3. Dor no peito (resultante da ocorrência de refluxo gastroesofágico) Outros sintomas independentes do esfíncter: 4. Disfagia (dificuldade em engolir) 5. Fadiga (resultante de casos de anemia, ler possíveis complicações para compreender melhor) O tratamento da hérnia de hiato é baseado em: mudanças no estilo de vida, uso de medicamentos específicos e cirurgia. 5.1.4. Doença Renal Crônica 15 A doença renal crônica consiste em lesão renal e perda progressiva e irreversível da função dos rins (glomerular, tubular e endócrina). Em sua fase mais avançada (chamada de fase terminal de insuficiência renal crônica-IRC), os rins não conseguem mais manter a normalidade do meio interno do paciente. Fonte: Google A doença renal crônica constitui hoje em um dos maiores problema médicos e de saúde pública. Estima-se que no Brasil 10 milhões de indivíduos tenham algum grau de DRC. A prevalência é de 50/100.000 habitantes, inferior ao que é visto nos Estados Unidos (110/100.000) e no Japão (205/100.000), o que sugere que seja uma doença subdiagnosticada. De acordo com o último Censo da Sociedade Brasileira de Nefrologia, existem mais de 110 mil brasileiros em diálise, sendo 90% em hemodiálise, com um custo anual de dois bilhões de reais. Os indivíduos sob o risco de desenvolver DRC são: pacientes diabéticos, hipertensos, idosos, obesos, com histórico de doença cardiovascular (doença coronariana, acidente vascular cerebral, doença vascular periférica, insuficiência cardíaca), com histórico de DRC na família, tabagistas e pessoas que fazem uso de agentes nefrotóxicos. Os sintomas que mais afetam os indivíduos são: Falta de apetite, cansaço, palidez, inchaços nas pernas, aumento da pressão arterial, alteração dos hábitos urinários, como urinar mais à noite e urina com sangue ou espumosa. Os recursos diagnósticos utilizados para identificar o paciente com DRC são a TFG, o Exame Sumário de Urina (EAS) e um Exame de Imagem, preferencialmente a ultrassonografia dos rins e vias urinárias. Para fins de organização ao atendimento integral ao paciente com DRC, o tratamento deve ser classificado em: 16 Conservador - quando está nos estágios 1 a 3. O tratamento consiste em controlar os fatores de risco para a progressão da DRC, bem como para os eventos cardiovasculares e mortalidade, com o objetivo de conservar a TFG pelo maior tempo de evolução possível. Pré-diálise - quando está nos estágios 4 e 5-ND (não dialítico). O tratamento consiste na manutenção do tratamento conservador, para fins dessa diretriz, bem como no preparo adequado para o início da TRS em paciente com DRC em estágios mais avançados. Tratamento Renal Substitutiva (TRS) - quando está no estágio 5-D (diálitico). São modalidades de substituição da função renal: hemodiálise, diálise peritoneal e transplante renal. 5.2. Tratamento dietoterápico da(s) patologia(s) Para os pacientes portadores de doença do refluxo gastroesofágico erosiva e hérnia de hiato, a condutadietoterápica é traçada a partir de avaliação que resulta em um diagnóstico específico e individualizado, sendo considerados diversos aspectos funcionais, como os dados clínicos, bioquímicos, antropométricos e alimentares. Portanto, a intervenção nutricional baseia-se na redução de alimentos que são de difícil digestibilidade, flatulentos e fermentáveis. O fracionamento da alimentação deve ser aumentado a fim de evitar desconforto e o aumento da pressão abdominal, já o volume das refeições deve ser diminuído para evitar distensão intra-abdominal e a estimulação do ácido clorídrico. A temperatura não dever ser elevada, visto que alimentos quentes aumentam a congestão da mucosa gástrica, e a secreção ácida, assim como no tempo de esvaziamento gástrico, fazendo com que o alimento fique por mais tempo no estômago. Para pacientes dialíticos o tratamento dietoterápico é fundamental, pois vai contribuir diretamente para a prevenção e o tratamento da retenção hídrica, hipertensão, hiperpotassemia e hiperfosfatemia. Durante o procedimento dialítico ocorre uma perda de aminoácidos que vai exigir um aporte maior de proteína. A recomendação de sódio e de potássio deve ser individualizada, pois depende do volume e das perdas urinárias. Os pacientes em HD 17 necessitam de dietas hiperproteicas, normocalóricas e restritas em líquido, sódio, potássio e fósforo. Com a exceção da vitamina D, a suplementação de vitaminas lipossolúveis não é recomendada, particularmente de vitamina A, que pode se acumular no organismo. 5.3. Acompanhamento do paciente 5.3.1. Identificação do paciente R.R.A.O, 73 anos, sexo feminino, cor branca, nascida em 03/03/1946, domiciliada na capital São Luís. 5.3.2. Histórico e fatores pertinente(s) à(s) doença(s) e ao doente A paciente hipertensa e diabética tem histórico de dispneia + edema MMII + oligúria, deu entrada na UPA do Itaqui Bacanga com quadro de Edema Agudo de Pulmão (EAP) hipertensivo. Foi encaminhada para o HCM com o quadro de dor abdominal e febre. Durante a internação evoluiu com piora da função renal e iniciou no dia 22/10/2019 a Terapia Renal Substitutiva (TRS). No exame de videoendoscopia digestiva alta, foi identificada Esofagite Erosiva grau C de Los Angeles e Hernia Hiatal por deslizamento (volumosa +/- 5 a 6 cm). A paciente, atualmente mora com filho e com o marido que também possui algumas doenças, motivo pelo qual não pôde acompanhá-la durante a internação e sessões de hemodiálise. 5.3.3. Evolução clínica do paciente A primeira reavaliação da paciente foi realizada no dia 29/10/2019, onde queixava-se de dores no estômago e queimações. Nega ser tabagista e etilista. Tem boa aceitação da dieta, mas devido as dores abdominais não conseguia consumir toda alimentação. Relata não ter alergias e nem intolerâncias alimentares. Nega náuseas e episódio de vômitos. Evacuações preservadas e diurese reduzida. Seu estado geral é estável, afebril e sem edemas. 18 Ao exame físico apresentou uma leve depleção dos tecidos gorduroso (bíceps e tríceps) e muscular (temporal, infra clavicular e panturrilha), além disso relatou sentir cansaço, fraqueza, dificuldades para respirar, dores de cabeça, vista embaçada e queda de cabelo. Apresenta manchas escuras nos membros inferiores e coceiras em todo corpo. Conjuntivas hipocoradas e dentição incompleta. No dia 05/11/2019 foi realizado a segunda reavaliação onde paciente continuava a sentir dor abdominal (já medicamentada) e sem grandes alterações quanto ao sistema gastrointestinal e seu estado geral, mas ainda apresentava uma distensão abdominal leve. Avaliação Antropométrica 29/10/2019 05/11/2019 Peso (seco) Aferido 58 Kg Aferido 60,9 Kg Altura (Chumela WC, 1985 e 1994) Estimada 1,60 m Estimada 1,60 m Circunferência do braço (C.B) 29,5 cm 28 cm Adequação da CB% (Blackburn, G. L. 1979) 97,4% 92,4% Altura do joelho (A.J) 51 cm 51 cm Circunferência da panturrilha (C.P) (OMS, 95) 30 cm 28 cm IMC (OPAS,2002) 22,7 kg/m2 23,8 kg/m2 Exame Físico 29/10/2019 05/11/2019 Pálpebra Preservada Preservada Musculação Temporais Consumida Consumida Clavícula (Peitorais e deltoides) Consumida Consumida Ombros (deltoides) Preservado Preservado Músculos Interósseos Preservado Preservado Escapula Preservado Preservado Panturrilha Consumida Consumida Olhos e conjuntivas Hipocoradas Hipocoradas Cabelos Queda Queda Unhas Sem alterações Sem alterações Dentição Incompleta Incompleta Gengiva, lábios e língua Sem alterações Sem alterações Edema Ausente Ausente LLP Ausente Ausente Exame bioquímico Resultado Análise Albumina sérica => 3,5 – 5,2 g/dL 3,1 g/dL Baixa Hemoglobina => 13,5 - 18 g/dL 7,8 g/dL Baixa Hematócrito => 35% a 45% 24,40% Baixo 19 Colesterol Total => menor que 190 mg/dL 221 mg Elevado HDL => maior que 40 mg/dL 26 mg Baixo Triglicerídeos => menor que 175 mg/dL 338 mg Elevado Creatinina => 0,6 – 1,0 mg/dL 3,76 Elevado Sódio => 136 – 143 mEq/L 141 No limite Fósforo => 2,5 e 4,5 mg/dL 4,88 Elevado Cálcio => 8,5 – 10,8 mg/dL 8 mg/dL Baixa Potássio => 3,5 – 5,0 mEq/L 4,11 mEq/L No limite Ferritina => 10 – 155 ng/dL 156 Elevado Ureia => 13 – 45 mg/dL 58 Elevado Outros exames 04/11/2019 Vidoendoscopia digestiva alta Resultado: Esofagite erosiva grau C de los angeles e hérnia de hiato por deslizamento Diagnóstico nutricional 29/10/2019 05/11/2019 Paciente encontra-se eutrófica, no entanto apresentou uma leve depleção dos tecidos gordurosos e muscular. Paciente encontra-se eutrófica, no entanto apresentou uma leve depleção dos tecidos gordurosos e muscular. Triagem Nutricional NRS 2002: 3 pontos (com risco nutricional) 5.3.4. Evolução dietoterápica do paciente Em 31/10/2019 – A paciente encontrava-se com dieta por via oral de consistência liquida pastosa (a pedido), hipossódica, sem ácidos, hipolipídica, especifica para paciente renal e diabético. Foi suspenso os alimentos do tipo ácido, porque a paciente relatou queimação no estômago. Fracionada em seis refeições diárias. 5.3.5. Cálculo das necessidades nutricionais do paciente Necessidades nutricionais Valores / Fonte 29/10/2019 05/11/2019 Calóricas 30 kcal/kg (F. Bolso) 1740 kcal 1827 kcal 20 Proteicas 1,5 g/kg/dia (FAO/OMS) 87 g de ptn 91,35 g de ptn Sódio 2 g/dia (ADA 2004) 2 g/dia 2 g/dia Líquido 500 ml a 750 + débito urinário (anúria 1000 ml/dia) (ADA 2004) 750 ml 750 ml Potássio 2 a 3 g/dia ou 40 mg kg/dia (ADA 2002) 3 g 3 g Fósforo 0,8–1,2 g/dia ou < 17 mg/kg/dia (ADA 2002) 0,8 g 0,8 g Cálcio 1 a 1,5 g/dia (ADA 2002) 1,5 g 1,5 g 5.3.6. Conduta Nutricional Sugiro que a dieta continue por via oral, mas evolua para consistência pastosa, hipossódica, hipolipídica e hiperproteica, especifica para paciente renal dialítico e diabético, fracionada em seis refeições diárias. Mantenho a restrição de alimentos do tipo ácido. 5.3.7. Interação droga-nutriente CARDEX 04/11/2019 Medicamento Indicação Interação Droga x nutriente Furosemida 40 mg É um medicamento com propriedades diuréticas e anti-hipertensivas, sendo indicado para tratar hipertensão arterial leve a moderada e inchaço devido a problemas cardíacos, renais e hepáticos, por exemplo. Inibe a reabsorção de eletrólitos (Na e Cl); Depleta Zn, Na, K, Ca, Mg, Cl, Vit B1 e água Heparina 5000 UI É um anticoagulante utilizado para prevenir a formação de coágulos de sangue (trombos) que podem se formar no circuito do aparelho de hemodiálise. Vitamina K altera a eficácia anticoagulante Ranitidina 150 mg é indicada para o tratamento de úlcera no estômago ou no duodeno e para o ↓ a absorção de Vit B12 e Fe 21 tratamento de problemas relacionados com refluxo de ácido do estômago para o esôfago, excesso de ácido no estômago indigestão ou azia. Levotiroxina 150 mcg Terapiade reposição ou suplementação hormonal em pacientes com hipotireoidismo de qualquer etiologia (exceto no hipotireoidismo transitório, durante a fase de recuperação de tireoidite subaguda). Dietas ricas em fibra diminui sua absorção Sustrate 10mg É indicado no tratamento de episódios agudos na angina pectoris e para prevenção de crise aguda de angina produzida por exercícios em pacientes com insuficiência coronariana crônica. Não interage com alimentos Anlodipino 10mg É indicado como medicamento de primeira escolha no tratamento da hipertensão (pressão alta) e angina de peito (dor no peito, por doença do coração) devido à isquemia miocárdica (falta de sangue no coração). Depleta K, Ca e Vit D Hidralazina 25mg É usada para tratar a pressão arterial elevada (hipertensão) e insuficiência cardíaca. O alimento não afeta significativamente sua absorção Carvedilol 3,125mg É utilizado para tratar insuficiência cardíaca congestiva (insuficiência do coração), angina do peito (dor no peito de origem cardíaca) e hipertensão arterial (pressão alta). O alimento retarda sua absorção, mas não é de forma significativa 6. TIPOS DE DIETAS UTILIZADAS NO CAMPO DE ESTÁGIO A dieta deve se adequar as condições fisiopatológicas de cada paciente, no HCM são ofertadas dietas orais que são fracionadas em seis refeições ao dia, dieta enteral e parenteral, suplementos nutricionais e módulos nutricionais. 6.1. Dieta Oral - Quanto à consistência: Líquida restrita: Essa dieta fornece líquidos e eletrólitos via oral para prevenir a desidratação, minimizar o trabalho do trato gastrointestinal e a presença de resíduos no cólon. No HCM é ofertado chás claros, água de coco, caldo de legumes coado. Líquida completa: Essa dieta é bem tolerada por pacientes que não podem ingerir alimentos sólidos, porém é considerada inadequada se utilizada por um longo período 22 sem a combinação de mais elementos que ajudem a aumentar a densidade calórica. No HCM é ofertado café com leite, suco, sopa liquidificada fina e coada, leite, chá e gelatina. Liquida pastosa: É fornecer uma dieta que seja bem tolerada por pacientes que não podem ingerir alimentos sólidos, mas já aceitam alimentos com consistência mais grossa. É indicado para pacientes com dificuldade na mastigação ou na deglutição. No HCM é ofertado mingau, vitaminas de frutas, suco com leite cremoso, iorgute, sopa liquidificada, pudim, mousse, geleia. Pastosa: É uma dieta indicada para pacientes com dificuldades na mastigação ou na deglutição devido à inflamação, danos neurológicos, distúrbios neuromotores, retardo mental severo, doença esofágica, alterações na boca ou esôfago e uso de próteses dentárias. No HCM é ofertado café com leite, pão macios, bolos macios, biscoito doce, vitaminas de frutas, sucos com ou sem leite, iogurte, mingau, arroz pache, feijão liquidificado, carne moída com molho, carne de soja, frango desfiado com molho, peixe com molho, purê de verduras, verduras amassadas, suflê de legumes, sopa inteira, gelatinas, mousses, mamão, banana macia, melancia, mamão e geleias. Branda: É uma dieta em que os alimentos são abrandados pela cocção é utilizada por pacientes no pós-operatório e para aqueles com dificuldades na mastigação ou deglutição, com uso de próteses dentárias e presença de gastrite ou úlcera. No HCM é ofertado café com leite, leite, mingau, chá, pão de forma, pão massa fina, bolos macios e frutas em geral, vitaminas de frutas, suco com ou sem leite, biscoito doce e salgado, iogurte, mingau, arroz, feijão inteiro, carne com ou sem molho, frango desfiado com ou sem molho, peixe com ou sem molho, purê de verduras, macarrão, suflê de legumes, ovo cozido, tortas e omelete. Livre: É uma dieta que não existe restrição no tipo ou método de preparo dos alimentos servidos, mas deve ser nutricionalmente adequada, pois o objetivo é manter o estado nutricional na ausência de alterações metabólicas significativas ou risco nutricional. No HCM é ofertado café com leite, leite, mingau, chá, pão de forma, pão massa fina, pão massa grossa, bolos macios e frutas em geral, vitaminas de frutas, suco com ou sem leite, biscoito doce e salgado, torradas, iogurte, mingau, arroz normal, 23 feijão inteiro, carne, frango, peixe assado ou cozido, purê de verduras, macarrão, legumes cozidos e salada crua, ovo cozido, tortas e omelete. 6.2. Dieta Oral - Quanto à característica: Hipossódica: É uma dieta com restrição de sódio para doenças cardiovasculares; hipertensão arterial; retenção hídrica; ascite; edema; cirrose hepática; tratamentos com cortisona. Hipolipídica: É uma dieta preparada sem nenhum tipo de gordura reduzidas, geralmente indicadas para cardiopatas, problemas de vesícula biliar, lúpus; Hipoglicídica: Dieta com quantidades reduzidas de carboidratos, geralmente utilizada para diabéticos. Hiperprotéica: Dieta com quantidades aumentadas de proteínas. Laxativa: É uma dieta rica em fibras, utilizada para pacientes constipados e/ou com glicemia descompensada. Constipante: É uma dieta pobre em fibras, utilizadas para controle de diarreia. Em casos especiais são ofertados alimentos sem irritantes gástricos, lactose e glúten. 6.3. Dieta Enteral: As fórmulas para nutrição enteral são alimentos industrializados para fins especiais, são dietas para uso por tubos (por exemplo, sondas enterais), que podem também ser utilizados por via oral. A Terapia Nutricional Enteral pode ser realizada por dois tipos de sistemas: aberto e fechado. No sistema aberto, as dietas exigem manipulação e devem ser preparadas em local específico. Já o sistema fechado não demanda áreas de preparo ou envase. Quanto às classificações a dieta enteral pode ser: 24 Poliméricas: dieta composta por nutrientes íntegros e com baixa osmolaridade, exigindo maior esforço para digestão e absorção intestinal. Oligoméricas: dieta composta por nutrientes já hidrolisados, com maior osmolaridade e com mais fácil digestão e absorção intestinal. Elementares ou Monoméricas: São aquelas em que os macronutrientes se apresentam na sua forma mais simples e hidrolisadas. As proteínas se apresentam principalmente na forma de aminoácidos livres, os hidratos de carbono na forma simples e os lipídios em forma de ácidos graxos essenciais, vitaminas e minerais. Dieta especial: formulações específicas para atender as necessidades nutricionais diferenciadas de acordo com a doença de base. Dieta em módulos: predominância de um dos nutrientes. São linhas destinadas para atender necessidades especiais (necessidades proteicas elevada, necessidades elevadas de calorias, distúrbios intestinais, infecções e outras situações) e alimentação enteral e oral. É composta por espessante alimentar, proteínas especiais e carboidratos complexos, desenvolvidos para a nutrição de pacientes acamados, pós-cirúrgicas e neoplasias e com dificuldade na deglutição (Disfagia). No HCM são utilizados os seguintes módulos: casein, fresubin protein, simbioflora, glutamina, fiberfos, espessante, fiber mais e fiber mix. 6.4. Dieta Parenteral quanto a composição da solução Sistema glicídico, binário ou “dois em um”: Este sistema é composto por duas soluções de grande volume, uma solução de aminoácido, que é fonte de nitrogênio, e uma solução de glicose, que é fonte de energia. Sistema lipídico, ternário ou “três em um”: Este sistema é composto por três soluções de grande volume: a solução de aminoácido, fonte de nitrogênio, a solução de glicose, que é fonte de energia, e a solução de lipídeos como fonte de energia e de ácidos graxos essenciais. Osmolaridade de solução de NPT 25 É o parâmetro que avalia a via de infusão recomendável a administração da nutrição parenteral. O limite para via de administração periférica é até 900 mOsm/L, acima disto, recomenda-se a viade administração central, a fim de se prevenir o surgimento de infecções no paciente. 6.5. Suplementos alimentares orais Na maioria das vezes são destinados aos indivíduos que não conseguem atingir as necessidades energéticas através da alimentação convencional ou modificada, ou por outra atender as necessidades específicas associadas a certas doenças. Além disso, são úteis para prevenção e tratamento da desnutrição. No HCM são utilizados os seguintes suplementos: ensure advance, nutri drink protein, glucerna sr, novasource gc 1.5/nutri diabetic 1.5, fresubin 2kcal, jucy drink, impact, nutren 1.5/ ensure plus/fresubin, nutri renal d/novasource ren, cubitan, compact, novasource proline e nutren sênior. 7. Prescrição das dietas enterais Após avaliar nutricionalmente (antropometria e exames físicos) o paciente que é de responsabilidade da nutricionista e já com diagnostico nutricional em mãos, procura-se a equipe multidisciplinar para avaliarem juntos uma possível terapia enteral. Em comum acordo com o médico (responsável por indicar, prescrever e acompanhar os pacientes em uso de nutrição enteral), fonoaudiólogo (responsável por informar a capacidade de deglutição, quadro patológico e a via mais fisiológica do paciente) e o enfermeiro (responsável por realizar a administração da nutrição enteral), será escolhida a melhor via de administração da dieta. A nutricionista como responsável por realizar todas as operações inerentes à prescrição dietética, composição e orientação sobre a preparação da nutrição enteral irá estabelecer a dieta mais indicada, a partir da necessidade energética, proteica, hídrica, entre outros fatores conforme avaliação nutricional. 7.1. Tipos de sonda 26 A escolha da sonda deve seguir alguns critérios primordiais, tais como: duração do tratamento; estado de consciência e risco de aspiração; conforto do paciente; condições de absorção e doença do TGI. Os tipos de sondas utilizadas no HCM, são: Nasoenteral – É usada quando a nutrição é necessária apenas por algumas semanas. • Nasogástrica: a sonda é inserida pela via aérea do nariz e vai até o estômago; • Nasoduodenal: a sonda é inserida pela via aérea do nariz e vai até o duodeno (região do intestino); • Nasojejunal: a sonda é inserida pela via aérea do nariz e vai até o jejuno (região do intestino); Ostomias - É utilizada quando paciente necessita de uma nutrição enteral mais prolongada ou que possui obstrução ou doença no TGI superior ou intolerância à sonda mesentérica; • Gastrostomia: é feita a inserção da sonda diretamente no estômago • Jejunostomia: é feita a inserção da sonda diretamente no jejuno. 8. Orientação na alta hospitalar A orientação da alta hospitalar tem como objetivo iniciar a reeducação alimentar no paciente diminuindo assim o risco de re-internação por motivos nutricionais. No HCM as orientações nutricionais são para: dislipidemias, cardiopatias, dietas sem glúten, retocolite ulcerativa, gastrite, hipertensão, diabetes e dietas hipolipídicas. O planejamento da alta hospitalar é importante porque traz benefícios para os pacientes, profissionais de saúde e cuidadores. 9. Modelo de alta para o paciente EVITAR Frituras, carnes vermelhas e peixe; Cafeína em geral (café, chás, chocolate, Coca-cola e Pepsi); 27 Queijos em geral; Miúdos (moela, fígado, coração, sarapatel, dobradinha, chouriço, etc); Peixes processados e salgados: sardinha, atum, salmão, bacalhau, aliche e carne seca; Oleaginosas (amendoim, castanhas, nozes); Bebidas alcoólicas, por exemplo cervejas; Bebidas gaseificadas (refrigerantes e água com gás); Frutos do mar; Gema de ovo; Pimenta; Temperos e molhos prontos; Sopas e alimentos de pacote; Enlatados em conserva, como milho, ervilha, azeitonas, picles, palmito; Margarina ou manteiga com sal. NUNCA COMA carambola e NÃO tome o suco natural da fruta PREFIRA Frango Clara do ovo Leite desnatado – Duas porções ao dia (2 colheres de sopa para cada porção) Feijão – Consuma 1 vez ao dia e somente os grãos Frutas (Banana maçã, Laranja lima, Maçã, Melancia, Pêra,) Verduras (Alface, Agrião, Almeirão, Cenoura, Escarola, Pepino, Pimentão, Repolho) Legumes (Abóbora, Abobrinha, Acelga, Batata, Berinjela, Beterraba, Brócolis, Chuchu, Couve-flor, Couve-manteiga, Espinafre, Mandioca, Mandioquinha, Quiabo, Vagem) Antes de consumir os legumes cozinhe em água fervente e depois jogue fora a água Arroz, macarrão, pão de forma, pão massa fina, cuscuz, macaxeira, mingau de maisena, aveia e tapioca Azeite extravirgem 28 Orientações gerais Líquidos: Não comer alimentos salgados e/ou muito doces; Fazer bochecho com água; Chupar um pedacinho de gelo; Chupar um limão; Prefira bebidas e frutas geladas, elas promovem mais saciedade; Evite sopas e caldos, porque apresentam grande quantidade de líquidos; Defina na quantidade recomendada de líquidos, o quanto será reservado para a água, coloque em uma garrafa para seu melhor controle. Sal: Evite alimentos como: defumados, em conserva, enlatados, temperos prontos, caldo de carne ou galinha concentrados, queijos salgados, embutidos (mortadela, presunto, linguiça, salame, paio), bacalhau, molhos (soja, tomate, mostarda, ketchup); Não substitua o sal por outro tipo porque eles têm uma concentração de potássio maior; Utilize especiarias nas preparações, principalmente os naturais: cebola, alho, orégano, páprica, manjerona, manjericão, pimenta, louro, cominho, ervas, cravo, canela, limão, salsinha, cebolinha, hortelã, colorau, pimentão, alecrim, curry, noz moscada, endro, tomilho, gengibre, açafrão. Utilize 2 g de sal por dia. Consumir verduras e legumes cozidos; Para preparar o feijão primeiro deixe de remolho depois despreze água, coloque para ferver e novamente despreze água e depois tempere e coloque uma nova água; Carne vermelha e peixe consumir 2 x por semana; Comer de 2 a 3 horas antes de deitar-se. 10. CONSIDERAÇÕES FINAIS 29 O estágio na nutrição clínica foi fundamental para conhecer a rotina hospitalar, uma vez que foi possível desenvolver a minha capacidade técnica, ou seja, o campo contribuiu fortemente para a ampliação dos meus conhecimentos acerca da conduta nutricional nos mais diversos quadros clínicos apresentados. Além disso foi possível desenvolver a empatia, já que para se trabalhar num ambiente em que as pessoas buscam a saúde e que na maioria das vezes são pessoas com condições socioeconômicas baixa, requer de nós os profissionais da nutrição uma atenção mais humanizada. Outra contribuição importante adquirida nesse período do estágio foi em relação as orientações fornecidas pela preceptora, pois foram todas apropriadas para o meu desenvolvimento, uma vez que, sempre estimulou nós os alunos aplicarem na prática os conhecimentos adquiridos ao longo da graduação com respeito e paciência. Além disso, foi zelosa e atenciosa com todos, repassando seu conhecimento e vivência profissional da forma mais verdadeira e amiga. Não foi observado nenhuma dificuldade para a realização das atividades intrínsecas ao estágio, pois o grupo de estagiários era coeso e a preceptora comprometida. REFERÊNCIAS BRASIL. Lei n. 11.788, de 25 de setembro de 2008. Dispõe sobre o estágio de estudantes. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, p. 3-4, 26 set. 2008. BRASIL. Lei n. 8.234, DE 17 DE SETEMBRO DE 1991. Regulamenta a profissão de Nutricionista e determina outras providências. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, p. 3-4, 26 set. 2008. BROCHA, Diego; ZANOTTIB, Joana. IV Congresso de Pesquisa e Extensão da FSG. Relato de experiencia: estágio de nutrição clínica em um hospital de Caxias do Sul/RS. Faculdade da Serra Gaúcha, Caxias do Sul. 2016 30Conselho Federal de Nutricionistas. Resolução CFN Nº 600, DE 25 DE FEVEREIRO DE 2018. Dispõe sobre a definição das áreas de atuação do nutricionista e suas atribuições, indica parâmetros numéricos mínimos de referência, por área de atuação, para a efetividade dos serviços prestados à sociedade e dá outras providências. Brasília; 2018. Disponível em: <http://www.cfn.org.br/wp- content/uploads/resolucoes/Res_600_2018.htm> Acesso em: 11 nov. 2019 Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) <http://www.sbmdn.org.br/>. Acesso em: 17 de nov. 2019. Diabetes (diabetes mellitus): Sintomas, Causas e Tratamentos disponível em <http://www.saude.gov.br/saude-de-a-z/diabetes>. Acesso em: 13 de nov. de 2019. Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) <https://multisaude.com.br/artigos/doenca- do-refluxo-gastroesofagico-drge/>. Acesso em: 14 de nov. de 2019. Esofagite (Erosiva, Eosinofílica e de Refluxo): o que é e Sintomas <https://opas.org.br/esofagite-erosiva-eosinofilica-e-de-refluxo-o-que-e-e-sintomas/>. Acesso em: 14 de nov. de 2019. Guia de Fármaco X Nutriente – Ebserh<www2.ebserh.gov.br › ebe6b0bd-321d-4983- bb61- 89c33d22f46ehttp://www2.ebserh.gov.br/documents/220250/1293244/GUIA+F%C3%81 RMACO+X+NUTRIENTE+EM+CONSTRU%C3%87%C3%83O.pdf/ebe6b0bd-321d- 4983-bb61-89c33d22f46e>. Acesso em: 13 de nov. de 2019. Hérnia de hiato <https://www.hospitalinfantilsabara.org.br/sintomas-doencas- tratamentos/hernia-de-hiato/>. Acesso em: 17 de nov. 2019. Hernia de hiato sintomas e complicações <http://alertasaude.org/sintomas/hernia-de- hiato-sintomas-e-complicacoes/>. Acesso em: 13 de nov. de 2019. HOSPITAL ESTADUAL DE ALTA COMPLEXIDADE DR. CARLOS MACIEIRA (HCM) <http://institutoacqua.org.br/unidade/hospital-de-referencia-estadual-de-alta- complexidade-medicos-dr-carlos-macieira-hcm/> Acesso em: 02 de nov. de 2019. LOPES, Kamila Santos et al. Seminário transdisciplinar da saúde. Avaliação do estado nutricional de pacientes hospitalizados durante o Estágio de nutrição clínica hospitalar: um relato de experiência. Centro Universitário de Várzea Grande, Cuiabá – MT. 2017 Nutrição para paciente em dialise e paciente em tratamento conservador<https://sbn.org.br/publico/nutricao/>. Acesso em: 13 de nov. de 2019. 31 O que é hérnia hiatal e como realizar o acompanhamento nutricional nesses casos?<https://aps.bvs.br/aps/o-que-e-hernia-hiatal-e-como-realizar-o- acompanhamento-nutricional-nesses-casos/>. Acesso em: 14 de nov. de 2019. SANTOS, José Arthur da Silva; SANTOS, Biânca Luiz dos; LIMA, Wagner Soares de. TCC (Graduação). O estágio supervisionado como uma prática de aprendizado no processo de formação, e o uso de recursos pedagógicos alternativos para o ensino de ciências. 2015. 9 f. Universidade Federal de Alagoas, Alagoas, 2015. Saúde alerta para prevenção e diagnóstico precoce da Doença Renal Crônica< http://www.saude.gov.br/noticias/agencia-saude/45291-ministerio-da-saude-alerta-para- prevencao-e-diagnostico-precoce-da-doenca-renal-cronica>. Acesso em: 14 de nov. de 2019. Terapia Nutricional para Pacientes em Hemodiálise Crônica <https://diretrizes.amb.org.br/_BibliotecaAntiga/terapia_nutricional_para_pacientes_em_ hemodialise_cronica.pdf>. Acesso em: 13 de nov. de 2019. 32 APÊNDICE 33 34 ANEXOS Ficha de Admissão Triagem nutricional Apostila Avaliação Nutricional